A Internacional

__ dementesim . . Do rio que tudo arrasta se diz que é violento Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem. . _____ . Quem luta pelo comunismo Deve saber lutar e não lutar, Dizer a verdade e não dizer a verdade, Prestar serviços e recusar serviços, Ter fé e não ter fé, Expor-se ao perigo e evitá-lo, Ser reconhecido e não ser reconhecido. Quem luta pelo comunismo . . Só tem uma verdade: A de lutar pelo comunismo. . . Bertold Brecht
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quarta-feira, dezembro 11, 2013

Quando Soares dos Santos se põe a pensar

Daniel Oliveira

8:00 Quarta feira, 11 de dezembro de 2013



 Não há banqueiro e retalhista que não bote faladura sobre o futuro do país, que não dê conselhos a governantes e que não faça profundas análises socioeconómicas, sempre num tom categórico de quem se dirige a um bando de incapazes. Os jornalistas e os políticos, que têm uma profunda admiração pelos seus extratos bancários e pelas oportunidades de carreira que eles podem oferecer, ou que são apenas deslumbrados, bebem as suas palavras. E muito portugueses, que confundem sucesso com sabedoria, também.

Um dos empresários mais ouvido é Alexandre Soares dos Santos. E é aquele que, sem qualquer dúvida, se atira mais facilmente para fora de pé. É que saber vender iogurtes de pedaços, bacalhau demolhado da Noruega e champôs anticaspa não nos dá obrigatoriamente habilitações culturais e políticas fora do comum. Mesmo quando destinamos parte do dinheiro conseguido com a venda de Oreos e rolos Renova ao financiamento de fundações para propaganda ideológica.
Ultimamente, Soares dos Santos deu mais algumas entrevistas. Uma delas foi ao "Jornal de Negócios". E a sensação do leitor que tenha a escolaridade obrigatória roçará a vergonha alheia. Minto se disser que não aprendi nada. Fiquei a saber que a dieta portuguesa, ao contrário da polaca, é péssima para o negócio, porque "é peixe grelhado, é peixe grelhado, não variamos nada". Lendo o resto da entrevista, percebemos que era sobre isto, e apenas sobre isto, que Soares dos Santos deveria falar. Mas não. O merceeiro, com o mesmíssimo direito que assiste a qualquer cidadão, mas com uma reverência de todos que claramente não lhe é merecida, pelo menos quando fala dos assuntos da governação, vai muito mais longe. Fala da história de Portugal e do seu futuro, da economia, da política, da sociedade. Vou concentrar-me apenas em poucos temas, porque a entrevista de cinco página é exaustiva e duma densidade que merece uma análise mais cuidada.
Como sabemos, Portugal está sem rumo. Há mesmo quem considere que se perdeu. Apesar de reconhecer que está quase tudo melhor do que antes do 25 de novembro (o 25 de abril foi apenas "uma revolução comunista"), Soares dos Santos consegue encontrar a origem de todos os nossos problemas: termos descolonizado Angola. "Devíamos ter descolonizado Cabo Verde, São Tomé, Guiné, Moçambique, talvez, e nunca Angola. Os laços de carinho, de afeto, entre Angola e Portugal eram reais. (...) Devíamos ter feito uma associação qualquer. Uma confederação. Porque não? O que não se estudou foi nada." E Soares dos Santos, do alto do estudo que desenvolveu sobre os assuntos ultramarinos, considera que esta foi "a principal escolha do passado que determinou o presente atual", o que obrigou Portugal a entrar para a União Europeia. Portugal poderia, portanto, continuar orgulhosamente só, com uma colónia em África. Angolanos, vizinhos africanos, europeus, URSS, EUA, ninguém nos maçaria, porque quem não se consegue livrar da troika livra-se, com toda a facilidade, do mundo inteiro. A nossa salvação seria conseguirmos ser hoje o único país do planeta com uma colónia de grande dimensão. Pena que ninguém tenha estudado o suficiente para o perceber.
Da mesma fora que a soberania de Angola nada lhe diz, também dispensaria a nossa. Aliás, acha que "andamos a perder tempo a falar de soberania". "Não me importo de perder a minha soberania se, em troca, me derem alguma coisa melhor", diz o empresário que acha que a soberania é dele e que se troca como um vale de descontos. O seu pensamento sobre a democracia não é muito diferente. "Não vamos a parte nenhuma com eleições. Porque o nosso problema é dinheiro. Somos tesos e estamos falidos. Temos de unir a Nação [a tal que não precisa de soberania para nada] toda dentro do mesmo programa." Explica que o que nos falta é "método, disciplina e uma democracia musculada." É verdade que, um pouco antes, Soares dos Santos queixa-se que Portugal "detesta o debate e não quer discutir nada", mas agora afirma: "Não podemos discutir muito. É assim, é assim, toca para a frente". Venha portanto uma democracia musculada, porque as eleições não nos levam a lado nenhum, que toque para a frente um programa único, discutido mas pouco, para uma Nação que não quer ser soberana mas que ainda devia ter Angola. Perante tanto tema para reflexão, fica apenas um humilde apelo, no que suponho serei acompanhado por muitos portugueses insensíveis aos dramas comerciais de Soares dos Santos: que o programa único não inclua a ilegalização do peixe grelhado.
Uma das poucas utilidades destas entrevistas indigentes é retirar a patine de respeitabilidade democrática e intelectual a uma determinada elite económica. Percebemos como é anacrónica, provinciana e incrivelmente inculta. O drama é que é ela, e não aqueles que criaram empresas inovadoras e baseadas no conhecimento e na investigação, que apostaram na mão de obra qualificada e em acrescentar valor ao que produzem, que mais influência tem junto do poder político e mediático. É esta pequena elite de vendedores a retalho e bancários de luxo que se confunde com o poder político, o influencia e vive a sonhar com um passado perdido. E é este, e não a perda de Angola e o excesso de peixe grelhado, o drama histórico de Portugal: temos uma elite dominante que sempre foi pior do que o resto do país.
Mas a entrevista não acaba aqui. Outro dos problemas detetado por Soares dos Santos é a falta de lideranças e de quadros. Isso nota-se nas empresas e na política. E ele sabe porquê. Por causa do enorme fluxo migratório do passado. O dos anos 60? Não, que disparate. O de 1974 e 1975. "A nossa crise também vem de que em 1974-75 houve uma geração de portugueses que se foi embora. E essa geração de portugueses levou crianças e essas crianças não voltaram. Voltaram os pais, na maioria dos casos, mas as crianças cresceram e ficaram lá fora. Isso dá com que haja um "gap" de uma geração. E, parecendo que não, o "gap" desse geração encontra-se nas empresas, na política - porque na política é notório, não é? (...) Que estão a ser substituídos atualmente por jovens com muito pouca experiência. E isso vem a afetar em muito."
Por acaso os números dizem que a emigração caiu brutalmente do início dos anos 70 (sobretudo depois de 72/73) até ao início dos anos 80 (continuando ainda em queda até ao início dos anos 90). Por razões internas - a qualidade de vida melhorou muito - e por razões externas - começou uma crise petrolífera. Temos, desde os anos 30, o primeiro saldo migratório positivo (largamente positivo) durante a década de 70. Se há problema que não tivemos nesse período, em contraste com a década anterior, foi o da emigração. É por isso difícil acompanhar o raciocínio de Alexandre Soares dos Santos. Mas compreendemos se entrarmos na sua cabeça. E percebemos que o seu olhar sobre Portugal é marcado pelo que observa no seu minúsculo e hermético mundo, onde, de facto, muita gente saiu do país logo depois da "revolução comunista". E percebemos qual é o problema de procurar respostas para a nossa situação junto de pessoas com uma cultura política e uma experiência social tão limitadas. É que nascendo o seu conhecimento político exclusivamente da sua experiência (e não de leituras ou de atividade cívica) e sendo a sua experiência socialmente tão restrita, ele fala dum país onde habitam uns poucos milhares de pessoas. É essa ignorância sobre o país onde vive, que o fez pensar que Portugal tinha ficado deserto em 1974, que o faz hoje acreditar que não há fome, porque as famílias tratam disso. "O problema é grave, mas não é tão grave". Só achamos que sim porque "hoje, em Portugal, tudo é político, tudo vai para a televisão, tudo aparece como uma desgraça completa".
Imagino que Alexandre Soares dos Santos será um génio do retalho. Mas, não há como dizer isto duma forma simpática depois de ler esta entrevista, é um analfabeto político. Não tem mal. Cada um cultiva-se nos assuntos que lhe interessa. O que é preocupante é serem analfabetos políticos a determinarem, em grande parte, a promoção de futuros governantes, de estrelas da academia e de fazedores de opinião. A decidirem, através da pressão que vão exercendo, o futuro do país. Se, como democrata, me oponho à ideia de ver o poder económico a mandar no poder político, isso ainda me assusta mais quando me apercebo do calibre intelectual e cultural de quem detém, em Portugal, esse poder económico. Serei, nesta matéria, um snob. Tentarei corrigir esse defeito. Só que ler as entrevistas de Soares dos Santos não me ajuda nada a encontrar o caminho da virtude.




quinta-feira, outubro 31, 2013

Uma sarjeta para Daniel Oliveira

AUTORIDADE NACIONAL

QUINTA-FEIRA, 31 DE OUTUBRO DE 2013


Daniel Oliveira, no seu blog e provavelmente em mais uns quantos palcos, constrói uma narrativa sobre Álvaro Cunhal e o PCP das mais sobranceiras e preconceituosas que ultimamente tive oportunidade de ler. É, no entanto, verdade que habitualmente não dedico horas a buscar leituras de tão rasteiro nível e muito menos horas dedico a lê-las.

Daniel Oliveira escreve o seu preconceito, não esconde o seu ódio, e ao mesmo tempo, usa o texto para atacar especialmente o PCP de hoje, não deixando de ofender Álvaro Cunhal apesar de mais disfarçadamente. Daniel Oliveira não escreve este texto para os arruaceiros, para os fascistas e pró-fascistas, nem mesmo para os reaccionários por embrutecimento. Daniel Oliveira escreve este texto para a intelectualidade urbana, para os que respeitam a grandeza de Cunhal, apesar de terem sobre a personagem e o seu partido as mais variadas dúvidas, resultantes, em grande parte, por desconhecimento ou por permeabilidade à cultura dominante da comunicação social que tanto acarinha Daniel Oliveira.

Na verdade, partindo da realização do Congresso comemorativo do Centenário do nascimento de Álvaro Cunhal, DO avança para a ofensiva dirigindo a sua crítica para a ausência de pensamento no interior do Partido Comunista Português. Segundo DO, o PCP estaria exaurido de pensadores, sem capacidade de criação de novas teses que desenvolvam criativamente o marxismo-leninismo. Não só DO demonstra um extraordinário domínio da vida interna do PCP, dos seus quadros e discussões, como manifesta uma quase chocante sobranceria. DO considera portanto que as fileiras do PCP não têm hoje pensadores, não têm quadros capazes de interpretar o mundo, de sobre ele agir revolucionariamente. Com isso, aproveita para consolidar a ideia de que a criatividade intelectual é dom próprio de uma camada social, por oposição à natureza colectiva da criatividade, independentemente das classes sociais que componham o colectivo. Álvaro Cunhal foi uma expressão de um colectivo, de um colectivo que enriqueceu e no qual se enriqueceu.

Além disso, DO demonstra um enviesamento ideológico, talvez por ter lido mal quem gaba no texto, sobre a hegemonia. Mas mais grave, sobre o marxismo de que se cobre para ter alguma, ainda que fingida, autoridade. A hegemonia ideológica, que DO afirma não existir porque o PCP não consegue construir, é resultado das relações sociais existentes e só a transformação das relações sociais pode gerar a alteração na hegemonia ideológica e cultural. O inverso é igualmente verdade, o que faz com que o processo seja, o que estou certo é incompreensível para o tão aclamado pensador, integralmente dialéctico. Mas certo é que, por mais pensadores de craveira, por mais ideólogos de topo que um partido comunista tenha nas suas fileiras, a hegemonia ideológica só é passível de materialização no decurso da alteração das relações de produção. Não sei se Gramsci compreendeu isso, mas DO não compreendeu com certeza. ~

DO desenvolve o seu miserável texto com o fito no apoucamento da personagem, assim apoucando o colectivo que a celebra, mas fá-lo com manifesta falta de conhecimento e até de coerência. É preciso ser um grande mestre para ser incoerente no universo de um só texto, mas DO consegue-o. Sobre a falta de conhecimento, importa relembrar que Álvaro Cunhal não desrespeitou as regras partidárias no combate político que se travou no seguimento de 1992. No entanto, recordo bem muitos dos que mais tarde viriam a marchar com DO, a flagrantemente desrepeitar regras fundamentais do centralismo democrático.

Mas veja-se bem a incoerência do autor, quando ridiculariza o facto de haver no PCP quem escreva que o percurso (bem como as publicações) de Carlos Brito é manifestação de oportunismo, afirmando que tal consideração é subjectiva. O mesmo autor que adiante no texto diz que Álvaro Cunhal não era humilde e que aliás, criava à sua volta um mistério como forma de se afirmar e não de combater o culto da personalidade. De considerações subjectivas, poderíamos estar conversados, não fosse DO fingir conhecer mais Álvaro Cunhal que conhecem os comunistas Carlos Brito.

Esta tentativa de embrutecimento da imagem do militante comunista, de equiparação entre "operariado" e "iletrado" ou "inculto", esta campanha de associação da imagem de um colectivo inteiro a um grupo de trogloditas, corresponde a uma mais vasta ofensiva política e ideológica que não só não é nova como era já a mais ordinária das armas nos tempos daqueles que hoje DO releva como grandes pensadores do marxismo, e contra muitos deles. Estou certo de que, vivera DO nos tempos de Lenine e estaria do lado daqueles que no partido bolchevique mais não viam que um grupo de embrutecidos operários ou dirigentes funcionalizados e manipulados.

segunda-feira, outubro 28, 2013

Daniel Oliveira - O altar para o Santo Álvaro

SEGUNDA-FEIRA, 28 DE OUTUBRO DE 2013
por Daniel Oliveira

Este fim de semana o PCP organizou um congresso para celebrar o centenário do nascimento de Álvaro Cunhal. Chamar congresso será provavelmente excessivo. A ausência de qualquer académico que se tenha dedicado ao estudo do percurso político de Álvaro Cunhal ou à história do PCP e do movimento comunista que, sendo ou não sendo do partido, não esteja completamente alinhado com o discurso oficial (lembro-me de José Neves, Pacheco Pereira ou João Arsénio Nunes - lealíssimo militante comunista) deixa claro que este congresso não teve como preocupação o rigor científico. Até aqui, nada de errado. O PCP não é um centro de estudos. E celebra, com todo o direito, o legado dos seus líderes históricos.

Todas as celebrações do passado têm como única função justificar uma posição perante o presente. E é deste ponto de vista que esta celebração, como todas as outras, deve ser vista. A atual direção do PCP, a quem deve ser dado o mérito de ter revertido o declínio do Partido Comunista, vive com uma confrangedora e talvez inédita falta de quadros intelectuais (restam umas poucas sobras de um passado glorioso), sem os quais um partido comunista dificilmente cumpre a sua função vanguardista ou pode bater-se por uma hegemonia ideológica. E isso, mais do que a sua maior ou menor ortodoxia ou fechamento, é o que o distingue do seu próprio passado. Se havia partido onde se pensava (com todas as limitações que se conhecem nos partidos com "centralismo democrático") era no PCP. Hoje, esse pensamento dificilmente ultrapassa a demonstração de que o presente deu razão às suas posições do passado. E, temos de conceder, se nos concentrarmos no beco sem saída em que o euro nos enfiou e ignorarmos o beco sem saída em que a experiência do socialismo real enfiou os comunistas, até têm legitimidade para assim pensarem. Mas é muito pouco para quem sonha liderar um movimento revolucionário. Sobretudo quando a sua criatividade ideológica e política é, em todas as dimensões possíveis, nula. 

Mais do que o seu carisma ou a sua capacidade de liderança de massas (e ele tinha as duas coisas), são as capacidades intelectuais de Cunhal que se celebram hoje. É do artista e do pensador que o PCP precisa. Porque é isso, e não o líder de rua, que hoje lhe falta. É essa capacidade de liderança intelectual que falta a Jerónimo de Sousa (a léguas de um Bento Gonçalves, de um Pavel ou de um Cunhal) e à generalidade dos funcionários que o rodeiam  Terão outras qualidades, como demonstram os resultados eleitorais do PCP. E é por isso mesmo se organiza um "congresso" e não apenas um comício. Onde Cunhal é transformado num ideólogo com uma dimensão que, convenhamos, apesar da sua extraordinária inteligência e capacidade de liderança, nunca teve. Pelo menos se tivermos como pontos de referência outros líderes comunistas históricos autores de um pensamento marxista original, como Gramsci, Rosa Luxemburgo, Lukács, Trotsky, Lenin e tantos outros. Contra a ideia instituída, Cunhal foi muito mais um táctico (brilhante) do que um teórico (limitado pelas suas dependências externas e constrangimentos internos).

Mas, mesmo como processo de legitimação ideológica, pouco de interessante poderia nascer da celebração deste centenário, pelo menos nestes moldes. Basta ler este texto de um tal de José Manuel Jara, na revista "Militante"  (publicação de organização interna do PCP) sobre o livro "Os sete fôlegos de Álvaro Cunhal", de Carlos Brito, para perceber como as divergências passadas com o líder são tratadas como confissão de oportunismo e a convicção de que se teve razão contra a posição do então secretário-geral do PCP como mera sede de protagonismo. E para perceber que não estamos perante uma celebração da vida e da obra de um líder histórico, natural em todas as famílias políticas, mas perante um processo de canonização, mais comum a instituições religiosas. Isto, independentemente da opinião que se tenha sobre Carlos Brito (que não sei exatamente com base em quê é tratado como um "oportunista") e do livro em causa (que considero limitado por uma necessidade excessiva de autojustificação do seu próprio papel na história do PCP).

Por outro lado, Álvaro Cunhal morreu. E aconteceu-lhe o que acontece a quase todos os políticos carismáticos quando morrem: as suas qualidades são agigantadas e os seus defeitos desaparecem. Ainda hoje ouvimos as mais banais e vazias frases de Sá Carneiro citadas como se se tatassem de excertos de discursos de Winston Churchill. Cunhal passou a ser, da direita à esquerda, consensual. E é pena. Como profundo admirador da sua personalidade e do seu talento político, gostaria que ele saísse do mundo dos santos e pudesse ser debatido em todas as suas contradições. Do político extraordinário, ao artista plástico e escritor apenas, e com alguma simpatia, mediano, passando pelo antifascista corajoso, o teórico de arte medíocre, o tribuno cauteloso e hábil e o homem misterioso, sedutor e manipulador.

Carlos Brito (de quem, enquanto militante da Juventude Comunista, nunca tive especial proximidade política, mas que respeito pela sua história como antifascista de primeira linha e pela sua dissidência digna) recorda, no seu livro, uma frase de Cunhal: "Se se é contra a deificação dos vivos, também se justifica ser contra a deificação dos mortos." É verdade que o ex-eurodeputado Sérgio Ribeiro esclareceu, no referido congresso, depois de dois dias de elogios sem mácula, que Cunhal não era Deus porque "Deus é dogma". Mas era mestre, porque era "o ensinamento da verdade na vida". Estamos, portanto, perante um processo de deificação, mas à luz do materialismo dialético.

Vale a pena dizer que também não é verdadeiro outro dos mitos sobre Álvaro Cunhal: o de que, por humildade, se opunha a qualquer culto da personalidade. Nem Cunhal era dotado de tão rara característica num líder político (a humildade), nem estou seguro que a estratégia de construir o mistério à sua volta resultasse duma sentida convicção em relação aos malefícios do culto da personalidade. Como, aliás, ficou evidente na forma como usou, com bastante eficácia, o seu poder pessoal para pôr em causa o caminho inicial da direção que lhe sucedeu, violando as regras estatutárias que sempre defendeu com firmeza para os outros. Mas, ainda assim, vale a pena recordar como termina aquela citação de Cunhal, para explicar, de forma lapidar, a função destas homenagens e congressos: "A deificação dos mortos ou é uma desencorajadora subestimação do papel dos vivos ou uma tentação à sua igual deificação." Neste caso, arrisco-me a dizer que, mesmo que pretendesse ser a segunda, ter-se-ia de ficar, por falta de candidatos, pela evidência da primeira.

Publicado no Expresso Online

http://arrastao.org/2906608.html

quarta-feira, março 13, 2013

Daniel Oliveira - Ou federalismo ou saída do euro

 
Ricardo Paes Mamede é um jovem economista que, no blogue Ladrões de Bicicletas , se junta a vários outros economistas que teimam em contrariar o pensamento único que domina a academia nesta área das ciências sociais. Pensamento único que tão nefastos resultados teve nas grandes opções políticas que os governos europeus tomaram nas duas últimas décadas. Em dois pequenos textos em que se socorre de três gráficos relativamente simples, Ricardo Paes Mamede explica como a nova realidade económica internacional acentuou desequilíbrios já existentes na Europa.
 
Não há qualquer relação empiricamente comprovada entre a situação dos países europeus perante esta crise e o aumento as despesas do Estado ou alterações nas leis laborais e na segurança social que tenham ou não levado a cabo. Há uma relação direta e fácil de comprovar entre os que acumularam dívida externa (privada e pública) desde 1996 e os que mais viram os seus juros da dívida soberana (pública) aumentar - que é, como se sabe, a principal razão para a crise que vivem. Ou seja, a dívida externa, e não apenas a dívida pública, é o centro do debate sobre a crise.
 
primeiro gráfico  apresentado por Paes Mamede mostra isso mesmo: quanto mais negativa for a posição no investimento internacional (uma das medidas usadas para dívida externa, em que se mede a relação entre os passivos e os ativos de um país face ao exterior), mais aumentaram os juros da dívida soberana.
 
 
A crise das dívidas soberanas não resulta, ao contrário do que nos costuma ser dito, de nenhum descontrolo das despesas públicas, de razões culturais do sul da Europa que terão levado à indisciplina ou da ausência de "reformas estruturais" no "mercado" laboral e na Segurança Social (até porque isso esbarra com o que nestes domínios foi feito em vários Estados europeus em comparação com o seu endividamento atual). Resultam de uma acumulação de dívida externa (no caso português, sobretudo privada) desde meados dos anos 90. Concluindo isto, é necessário perceber as razões dessa dívida externa para compreender a situação de crise que vivemos e os desequilíbrios que se desenvolveram na Europa nas últimas duas décadas. Essa acumulação de dívida externa está associada à estrutura produtiva que os países já tinham muito antes da crise.
 
E o segundo gráfico  demonstra esta relação entre o endividamento externo e a estrutura produtiva dos países. Vale a pena recordar que foi nos últimos vinte anos que a União Europeia criou um verdadeiro mercado interno de capitais, liberalizou as atividades financeiras, centralizou as políticas orçamentais e criou uma moeda única. E também foi nos últimos vinte anos que a China entrou em força no mercado internacional e na Europa. Todos os países da União ficaram sujeitos a estas novas realidades mas eles não partiam em igualdade de circunstâncias. Como deixaram de ter o poderoso instrumento cambial (e outros instrumentos que foram transferidos para Bruxelas), acabaram por ser empurrados para uma situação em que o endividamento externo (sobretudo privado, mas também público) era inevitável. E o que o segundo gráfico mostra é o impacto que esta disparidade inicial teve no endividamento externo. Quanto mais intensivo em conhecimento e tecnologia era a economia menor foi o endividamento externo. Quanto mais dependeu da mão de obra barata e pouco qualificada, maior foi o endividamento externo.




Num terceiro gráfico  reforça-se a relação entre um padrão de especialização semelhante ao das economias asiáticas, em 1996, e o endividamento externo. Em média, os que tinham esse tipo de estrutura produtiva aumentaram o seu endividamento externo entre 1996 e 2008. No mesmo terreno que as economias asiáticas, acabaram por sucumbir a elas.
 
 
Pode dizer-se que o erro foi destes países, que não adequaram a sua estrutura produtiva à nova realidade. Acontece que isso não se faz em pouco tempo. Os efeitos da nova realidade eram, para quem partia em tão grande desvantagem, praticamente inevitáveis. Mais: a Europa apostou nesta divisão de trabalho, prejudicial para quem vinha uns passos atrás e benéfica para quem estava já apetrechado para competir num mercado europeu aberto, numa moeda única e num mercado internacional em que as economias emergentes tinham um novo papel.
 
Conclui Ricardo Paes Mamede, e eu subscrevo, que o problema das economias europeias mais frágeis não foi viver acima das suas possibilidades, ter um Estado demasiado gordo ou não fazer as "reformas estruturais". Foi aceitarem submeter-se às mesmas regras em condições estruturais diferentes, abdicarem de todos os instrumentos para se defenderem e participar numa integração europeia que não garantia os seus interesses económicos específicos.
 
A pergunta que resta fazer é esta: e agora? O que se está a fazer é aprofundar o fosso já existente. A desvalorização da economia, que substitui a impossível desvalorização cambial, apenas aprofunda este fosso, aproximando ainda mais as economias periféricas europeias do modelo asiático (sem, no entanto, terem os instrumentos que as economias emergentes continuam a garantir para si) e continuando da queda para o abismo. O reajustamento em curso é um caminho de empobrecimento tal que não terá fim à vista e que se traduzirá num subdesenvolvimento politicamente e socialmente incomportável.
 
Restam, assim, dois caminhos: ou a União Europeia reestrutura de forma profunda o seu funcionamento - a moeda, as funções do BCE e os tratados assinados -, o que passa por uma mudança política nos países mais ricos, ou países como Portugal e Grécia (e até a Espanha) terão de abandonar o euro (já que não é provável que a Alemanha e outros o façam). O que não é possível é continuar a exigir o mesmo a quem parte em posições tão diferentes. Diria mais: exigir que se piorem as condições dos que estão mal para que consigam chegar ao mesmo lugar que os outros. O que se está a pedir é que dispensemos os cavalos que puxam a carroça para aligeirar o peso e ganhar a corrida.
 
E este debate - federalismo democrático e uma verdadeira assunção colectiva, na Europa, dos riscos, por um lado, ou saída do euro, por outro - é o mais difícil de todos para quem já tenha percebido que o caminho que está a ser seguido é um suicídio.
 
A opção europeísta - com a qual ideologicamente simpatizo - tem o problema de depender de outros (sabendo-se que as principais mudanças dependem de uma unanimidade na Europa). Sobretudo, de conseguir convencer os eleitorados do norte da Europa, que ainda não sentem na pele a crise, de que o futuro da União depende de abdicarem da situação segura em que por enquanto se encontram. A opção soberanista tem dois problemas: não pode ignorar os riscos políticos de uma saída do euro e não pode escamotear os efeitos imediatos de tal opção, que passam pela certeza de um primeiro impacto bastante acentuado na economia e nas condições de vida das pessoas. Seja qual for a opção, ela é composta de enormes perigos. Não vejo é qual seja a terceira via. O que me parece pouco sério é que se continue a contestar o caminho da austeridade fugindo a este debate.
 
Publicado no Expresso Online
 
76 comentários:
Rui Costa
"A desvalorização da economia, que substitui a impossível desvalorização cambial, apenas aprofunda este fosso, aproximando ainda mais as economias periféricas europeias do modelo asiático"

Qual é a vantagem da desvalorização cambial face à desvalorização da economia? Não resultam ambas na perda do poder de compra? Não é a inflação um imposto? A desvalorização da moeda não equivale à perda de salário? O aumento do custo das importações não se reflectiria nos preços internos? Não é a desvalorização cambial uma forma de competir pelos preços mais baixos aproximando o país dos preços asiáticos e atrasando a modernização da economia? Não percebo as vantagens da saída do euro, parece-me uma forma de continuar a austeridade sem lhe chamar austeridade, mas talvez alguém me saiba explicar.

No primeiro parágrafo abaixo do gráfico 1:

"A crise das dívidas soberanas não resulta, ao contrário do que nos costuma ser dito, de nenhum descontrolo das despesas públicas, de razões culturais do sul da Europa que terão levado à indisciplina ou da ausência de "reformas estruturais" no "mercado" laboral e na Segurança Social (até porque isso esbarra com o que nestes domínios foi feito em vários Estados europeus em comparação com o seu endividamento atual)."

O Daniel tem algum link para esses estudos? As reformas estruturais, ainda que tenham resultados lentos e que fosse necessário um longo período de adaptação, não contribuem para alterar a estrutura produtiva de um país? Quando se fala em reformas estruturais também é preciso saber de que tipo de reformas estamos a falar é claro, mas gostava de facto de ver os estudos sobre isso.

deixado a 11/3/13 às 10:40
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ora muito bom ponto
De resto a desvalorização cambial do escudo, do cruzeiro do peso mexicano em 94 ou da lira italiana ou turca nos últimos 60 anos não resolveram os problemas estruturais destas economias muito menos dependentes de importações do que a nossa

e com uma demografia muito mais pujante que a nossa

logo desvalorização resulta em quedas d'el Pibe tremendas e a venezuela e a argentina estão aí para o provar...

Ricardo Paes Mamede era um jovem economista em 1999, agora deve ser um quarentão ou jovem agricultor, provavelmente ainda  muito cheinho de si, pois já o era quando era assistente no ISCTE, duvido que tenha alguma experiência da vida até pelo nome de burguês coimbrão de regimes passados, além das bolsas de estudo que deve ter conseguido para chegar a um dos muitos nichos do isquéqué famoso pelos muitos economistas que lançou na roubalheira organizada do pagode, apesar de poucas vezes ter de me cruzar com ele na vida, sempre me pareceu um daqueles pedantes que nascem nas universidades e nos centros de estudos e observatórios vários que tal como o GASPARZINHO e o chamem-me álvaro do tipo mais bonacheirão...

se, no blok triciclejaking , se junta a várias outras coisas que prosperaram nos mesmos ambientes, de boas famílias e bons costumes é lá problema deles, também outros economistas que deram aulas e são hoje autarcas também teimam em contrariar o pensamento único pois o PCP assim lhes diz, mas se falar com eles no café e um senhor ex-presidente ou quase da câmara que toma café mesmo desta  ao lado de vez em quando lá vomita as suas imprecações contra o euro e o escudo y foi colega de curso de um castro qualquer mas entrou e saiu uns anos depois e logo não ficou com direito a observatório nem lugar numa das universidades ou institutos mais reputados


não há pensamento único, há várias gradaÇÕES dele, nem há ums dita academia, há várias tendências desde a covilhã ao minho passando por lisboa e coimbra e deixando o porto de lado, há lains e al cains e duques e cains com abéis e sem nesta pseudo-área das ciências sociais misturada com matemática e programação linear e daí chamarem-se ciências económicas, ou pelo menos chamavam-se...se calhar mudou...entrava-se até com média baixinha pois nos anos 80 havia mais de 2000 números clausus anuais sem meter a àrea de gestão dos politécnicos e institutos universitários que inda não eram universidades.

Logo Pensamento único de certezinha que não pois temos mais iluminados por metro quadrado que sei lá o quê...

e poucos deles fizeram puto além de consultadorias e TECNOVIAS e outras merdas que DERAM BURACOS TREMENDOS SE BEM ME LEMBRO....e basta ver as listas de consultores que tão nefastos resultados tiveram nas grandes opções políticas que os governos portugueses tomaram nas duas últimas décadas......e mesmo nas três que encontra messias da escola austríaca e de todas as tendências neo-keynesianas

Em dois pequenos textos analisa as deficiências da nossa economia e resolve o problema do desemprego estrutural e dos reformados precoces?
claro se o fizer como fizeram os vários governos de 1974 até 1986 deixando a desvalorização comer pensões e em menor escala os salários

logo se a desvalorização competitiva deixar meio-milhão de pessoas na miséria e 5 milhões no gume da proverbial faca essas massas miseráveis poderão desvalorizar o salário do senhor doutor

ou tal como nos anos 80 os aumentos salariais dos senhores professores doutores que se queixavam da inflação vão continuar a superar os dos desgraçados A recibo verde e a salário mínimo

ass i nado recibo verde e migra desde 1981....
Pôrra e só tenho mais uma década que o tall jovem que trabuca desde 1999

posso voltar atrás e só começar a trabalhar em 1989?

pergunte aí ao seu jovem quarentão bicho de estimação

e vou ter aumentos de 19% ao ano ou de 21%

deixado a 11/3/13 às 17:36
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fuga de capitais à grega ou à española?


e já agora pergunte aos empresários que perderam parte das poupanças em juros de 7 e 9% da nossa Caixa Geral ou em  BPN's e BPP's e noutros produtos e que aos 60 e tal anos continuam a trabalhar e a investir e alguns com 70 e tantos

houve um serviço púbico da sic ou tvi que mostrou vários que ainda têm reservas de capital e continuam investindo mas para quê?
GASPAR FAlhou porque em vez de tentar diminuir a despesa foi pelo caminho mais fácil sangrar dezenas de milhares de pequenos empresários que davam mais de 200 mil postos de trabalho desde a construção civil às agro-alimentares ao transporte (já muito abalado pelo fim das obras de regime) e na gigantesca área da restauração e serviços de venda vários

logo em que é que a desvalorização vai voltar a criar esses centos de milhares de lugares perdidos numa economia que foi mantida com créditos externos 1o anos seguidos

inVESTIR PARA QUÊ NESTA ALTURA SE VOLTAMOS AO ESCUDO E LUCROS MAGROS ACUMULADOS EM 2 OU 10 ANOS DESVALORIzarem 50 oU 80%?

atão na área agrícola esses lucros são para compensar anos maus
que os seguros agrícolas nada pagam

Pergunta lá a esse parolo se os velhotes que andavam aí a comprar dívida alemã norueguesa etc e notas de dólares e ouro e libras e outras merdas em leilões especulativos nestes anos desde 2007 com picos em 2010 e seguintes

não fazem o mesmo que os gregos e descapitalizam um país com escassas poupanças?

e os balanços da banca endividados em euros e com créditos reconvertidos em escudos aguentam~se?

e as taxas de juro como é que continuam na euribor?

a caixa geral de depósitos em 1977 e seguintes reconverteu todos os empréstimos faltosos que andavam a taxa fixa de 4% para 20% em 1978 e 30% no início dos anos 80...para empréstimos de casas de 400 e 300 contos que seriam impagáveis se os juros não tivessem descido para os 12%

pergunta lá a esse cabrão se lhe podemos ir ao viegas se os estudos dele derem tão mau resultado como esta sangria de crédito a que o sócrates nos levou?

gaspar álvaro paes mamedes e outros castros económicos
não podemos exterminá-los?

sei lá voltar à auto-gestão dos anos de 75 aí pelo menos só caímos 5 e tal no PIB e só fugiam uns 100 mil por ano
para ir capinar as hortas españolas ou ser padeiro nas suissas eles aceitam velhos ou só vietnamitas como nós?

fuzilam-se os reformados ou deixam-se morrer nos hospitais da misericórdia depois do SNS já não ter lugar nem querer gastar dinheiro para os deixar agonizar em paz como de 79 a 84?

o  gajo alguma vez viu a carrada de regulamentos e de fiscais que se têm de suportar as multas o fecho de empresas como aconteceu na cova da piedade metendo 59 moldavos e romenos que trabalhavam em condições muito melhores do que nos países natais na rua...

explica lá como é que esses pequenos empresários cinquentões e sessentões voltam a reerguer empresas

ora se agora as tão fechando porque o crédito mesmo a 6% os vai descapitalizando ano após ano

30 transportadoras passaram-se para espanha desde a greve nos portos...ou faliram

já tinham falido ou fechado mais de 100 desde 2009

investir na incerteza vão levar no bujão...
invistam boçêis

o estado sempre premiou os grandes empresários

como pode um gaijo empresário em nome individual com receita bruta de 100 mil ou duzentos mil ao ano
e com uma margem líquida de 10% ou menos nesta conjuntura investir

com o risco de ser multado ou para fins fiscaes executado se tiver pessoal sem contrato como aconteceu sempre neste país de empresas familiares?

arriscar para tirar 10 mil por ano ou 20 mil se o ano for bom e pagar impostos que lhe deixam uma fracção desse lucro mais virtual que potencial

aqueles tipos que perderam ontem 60 mil ou 100 mil em estufas vão investir ou vão desistir?

ê cá desistia e ia para um observatório qualquer

mesmo contínuo ou porteiro dá mais massa

atão se o observatório for suisso....melhor

as tuas crias sabem cultivar alguma cousa?
vai dar jeite

deixado a 11/3/13 às 18:01
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Carlos Marques
O federalismo seria bom com Leis federais, uma polícia federal e tribunais federais.
É a única forma, democrática, de travar e reduzir a corrupção por aqui.


É uma vergonha que Portugal e Espanha estejam pior em termos de confiança externa do que países que ainda há poucos anos viviam sob a bota do comunismo.


Soube recentemente do aeroporto internacional de Ciudad Real, que custou mil milhões de euros em 2007 ou 2008 e está hoje fechado - Ciudad Real e Beja são dois casos exemplares do capitalismo de Estado no seu pior...





deixado a 11/3/13 às 10:47
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Rafael Ortega
"O federalismo seria bom com Leis federais, uma polícia federal e tribunais federais."

Se por cá já se estrebucha desta maneira com a Troika, o que não seria com polícia e tribunais federais (as leis já o são, quase toda a legislação vem de directivas europeias)?
O que não diria o tuga que anda em contra-mão na autoestrada se tivesse um polícia alemão a multá-lo e um juiz holandês a ordenar que lhe tirassem o carro?

Na verdade o federalismo que a esquerda defende é o federalismo da conta bancária. Mandem dinheiro, mas nós é que sabemos como o gastar...


a revolta contra o estado sempre existiu
daí desculparem-se os caciques locais que fazem parques de poetas por 28 milhões ou estatuária a 750 mil por cabeça
ou rotundas com monumentos enferrujados ao 25 de abril por milhão e meio de contos já com ferrugem, expropriações e rotunda incluida...barato
viva o nosso berlusconi pinto da costa

até o rafa ortega virou à la direchá

deixado a 12/3/13 às 16:49
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António Carlos
"Há uma relação direta e fácil de comprovar entre os que acumularam
dívida externa (privada e pública) desde 1996 e os que mais viram os
seus juros da dívida soberana (pública) aumentar."
Verdade de La Palisse : quanto maior a dívida maiores os juros. Solução proposta? Continuar a aumentar a dívida ou pedir a outros que nos financiem a custo zero.

"Essa acumulação de dívida externa está associada à estrutura produtiva que os países já tinham muito antes da crise."
É verdade. O problema foi que em desde 1986 (ano em que Portugal aderiu à então CEE) não fomos capazes de alterar essa estrutura produtiva.

"Pode dizer-se que o erro foi destes países, que não adequaram a sua
estrutura produtiva à nova realidade. Acontece que isso não se faz em
pouco tempo. "
Pouco tempo? Tivemos 27 anos e recebemos a ajuda de fundos estruturais, algo que outros países fora da CEE não usufruíram ! O que fizemos nesses 27 anos com os fundos que recebemos?

Depois não percebo como concilia a constatação de que economias europeias mais frágeis "não adequaram a sua
estrutura produtiva" e que "o problema não foi ... não fazer as "reformas estruturais"".
Por um lado afirma que não adequamos a nossa estrutura produtiva, e por outro que o problema não foi não fazer reformas estruturais! O que é adequar a estrutura produtiva senão uma grande reforma estrutural que não foi feita em 27 anos?!

Finalmente a questão da "dívida externa (no caso português, sobretudo privada) ..."
O que foram as PPP rodoviárias (entre outros esquemas semelhantes) senão uma forma de mascarar investimentos públicos (e respectiva dívida pública) em investimentos privados (e respectiva dívida privada)?
E a dívida do sector dos transportes (CP, REFER, TAP, ...) como é contabilizada?

Numa coisa concordo: "A opção europeísta ... tem o problema de depender de outros". Mas não é só a opção europeísta. Num outro nível, e simplificando a linguagem, as condições que conseguimos obter da Troika também tem o problema de depender de outros.

deixado a 11/3/13 às 10:50
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"Verdade de La Palisse : quanto maior a dívida maiores os juros."


São duas dívidas diferentes: a externa (que inclui a privada) aumenta os juros da dívida soberana (apenas pública). Ou seja, a ligação não é tão automática como escreve.


António Carlos
"São duas dívidas diferentes"
Aí é que está o ponto da questão. É que na prática não são assim tão diferentes por duas ordens de razão:
1) Porque, como eu disse no comentário, muita da dívida classificada como privada é na sua essência pública (PPP, sector Empresarial do estado, ...) e assim é percebida pelo exterior (existe uma garantia implícita do seu pagamento pela parte do Estado);
2) Porque mesmo a dívida "estritamente" privada é canalizada através da banca portuguesa que, como se viu pelo caso extremo BPN, em última análise é garantida (implícita ou explicitamente) pelo Estado: o Estado Português (à semelhança de todos os outros Estados europeus) não deixará "cair" nenhum banco e no limite assumirá as suas dívidas.

Daí que o endividamento seja considerado no seu conjunto para os efeitos de subida dos juros. Aliás, foi de uma ingenuidade total pensar que dívidas contraídas através de PPPs e apenas formalmente privadas não seriam vistas no exterior como públicas e não contariam como compromissos do Estado.


Fenómeno do EnTroikamento
O problema é que o Daniel (como a generalidade da esquerda e muita direita) está "entalado" com esse tipo de políticas passadas.
Varriam a despesa pública para debaixo do tapete das PPPs, Estradas de Portugal, Empresas Públicas e Municipais e outros esquemas contabilísticos para poderem continuar a dizer que a dívida pública era baixa.


Veja-se a posição do Daniel nas eleições em defesa do Sócrates contra a M. Ferreira Leite, quando ela alertava para essa mesma manipulação das contas.


Se reparar, ainda hoje muitos querem generalizar as políticas do Guterres de congelação artificial dos preços, como ele fez com o petróleo. Deu jeito na altura mas os custos tinham de ir para algum lado e serem pagos...


Não o homem tá apoiando descapitalizar
trocar uma moeda forte por papel

desvalorizando salários e desvalorizando a dívida interna

desincentivando à poupança

e vendendo a retalho o património nacional de metal soante como fizeram o governo de soares e seguintes
o ouro que resta claro

que o resto do património nacional que não foi vendido nem falido nos últimos 39 anos está todo hipotecado pois viveu de créditos há......pois

e não se diz varrer para debaixo do tapete

diz-se investir nas gerações futuras

deixado a 12/3/13 às 16:55
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este tipo tem umas luzes
deviam pô-lo nos ladrões de cicletas

o bitor louçã gaspar é de 1960 logo um velho uma dúzia de anos mais velho cu tal jovem

1999 - devia ter uns 26 pelo menos tinha olheiras de 30 a primeira vez cu vi...

vai longe disse o senhor professor doutor

vai?

e foi....

a dívida em escudos interna
mas  a externa denominada em euros de empréstimos contraídos por empresas e pelo estado vai impactar nos balanços de bancos e empresas

mesmo com perdão significativo que terá de acontecer com a saída do euro

se bem me lembro perdões da dimensão do grego houve......zero?

mesmo o nigeriano
Recently, the Paris Club announced a "debt treatment" for Nigeria. Subject to Nigeria’s ability to fulfill certain stipulated conditions, the club has promised to write-off about $18bn of the $31bn owed by Nigeria

e portugal já tem petróleo?

deixado a 11/3/13 às 18:42
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a isto chama-se discussão social?
ou tertúlia pseudo-económica?

James K Boyce and Leone
Ndikumana, in an economic survey published on July 2, 2003 by Bangkok Post found that between 1970 and 1996, 30 sub-Sahara African countries had a total sum of $274bn taken out of their economies to the western economies, an equivalent of 145% debt owed by those countries. Since, 1992, Nigeria has not taken any additional loan from the Paris Club. Between 2000 and 2005, the country has made a total debt repayment of $6.9b. But in accordance with the usurious mathematics of International finance capital, the country’s debt profile in the same period increased by $7.5b. The more you pay, the more you still owe!
Earlier this year, Hon. Farouk Lawan said "It is unquestionable that Nigeria has paid £3.5bn in debt service

claro tá tudo a nosso favor
as notas de 500 contos bão ter as fuças de quem?

boçêis são cá uns cómicus...

deixado a 11/3/13 às 18:46
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O Daniel Oliveira faz confusão entre o estado e as pessoas. O estado é o estado as pessoas são as pessoas. Que eu saiba as pessoas não estavam falidas e com dificuldades em pagar as suas contas…até o estado que gastava muito mais do que conseguia arrecadar ter estoirado e agora estar a retirar essa capacidade que as pessoas tinham de pagar as suas dívidas para que o estado possa pagar então os seus encargos. Isto devia ser uma coisa simples de entender e não obsta em nada o restante do que escreve com o qual concordo, pese embora o trabalho que faz de tentar passar a ideia que o problema que temos (agora, não o estrutural!) tem a ver com divida externa e não com divida soberana.  Embirrou para aí e pronto...


Se em vez de ter feito o que acima escrevo o estado tivesse sido brutal consigo próprio como qualquer empresa privada (e não estou a dizer que concordaria!) e tivesse cortado à bruta nas suas despesas (despedindo e dando um ano de subsidio a essas pessoas – E não estou a dizer que concordaria!), reduzindo as suas funções brutalmente atirando para o privado grandes componentes da sua atividade (por exemplo do SNS … e não estou a dizer que concordaria que fosse assim cegamente) a verdade é que teria reduzido o seu deficit e a atividade seria mantida. Ou seja se o estado em vez de gastar 78MME passar a gastar 70MME e o pais mantivesse a atividade (para isso tem que passar do estado para a atividade privada) ao longo de 10 anos ficariam mais de 50 MME no país que gera riqueza (mesmo com deficit de 3%)…


Mas tem toda a razão no seu último parágrafo. Como explicar às pessoas que fora desse contexto esta conversa da austeridade é de atrasado mental? Que querem os portugueses fazer? Reduzir o seu estado ao mínimo e apostar forte e feio no sector privado virado tanto para produzir para consumo interno como para exportar (e aí vai haver gente com muito dinheiro para poderem invejar … mas temos pena)  ou abandonar o euro e assim iniciar esse processo de produção e bens transacionáveis para consumo interno e exportação ?

deixado a 11/3/13 às 11:22
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Ainda sobre a parte importante do seu post que é o último parágrafo:
O governo está a resolver o problema estrutural do pais relativo ao seu desequilíbrio e está a conseguir. Aliás já o fez. Mas infelizmente o problema não se resolve somente porque se resolveu o problema estrutural do país, porque alguém tem que resolver o problema estrutural da economia europeia - Que é o que o Daniel diz.
Porque sem isso, não vai haver crescimento nenhum na Europa (abaixo do crescimento de 4- 5% não resultará!) e sem crescimento estamos tramados (todos os europeus) muito em especial uma economia dependente como a portuguesa.
 Mas todos sabemos onde o Daniel quer ir:  Sabendo que o problema é estrutural porquê obrigar o pais a passar por este ajustamento? Ou seja, em vez de se tratar o desequilíbrio externo porque não fazemos na Europa um GRANDE PLANO (é sempre assim o hiperbolic discount) e com esse grande plano vamos preparar o tal futuro (para aí a 15-20 anos que é como o pessoal de esquerda gosta de atirar os problemas para que não doa nada agora) em que a Europa irá preparar os seus meios de produção para o tal GRANDE FUTURO.  Evidente que para esse grande futuro terá que fazer investimentos públicos brutais (nada de emagrecer os gastos públicos, obviamente) começando por investimentos BRUTAIS nas energias renováveis (o Obama está a resolver o problema dos EUA fazendo buracos para sacar gás e petróleo em tudo o que consegue, nós vamos colocar ventoinhas como os ambientalistas gostam), investimentos em fábricas de bens transaccionáveis (de preferência do estado, com dinheiro das rotativas do BCE claro) e se nos próximos anos a inflação crescer muito e a o euro desvalorizar existirá sempre a opção do endividamento claro, porque os alemães, holandeses e afins já se endividaram mas ainda falta endividar os filhos e netos como nós fizemos e mandar o dinheiro para cá que somos todos irmãos. Mas aposto que tudo passará por um grande plano para daqui a muito tempo e necessariamente que invalide qualquer necessidade de sacrifícios agora.
Depois existe a outra opção. Que é abandonar o euro.
 E aí convém que alguém tenha a coragem de começar a explicar aos portugueses as consequências de um Portugal fora do euro.  No dia em que a conversa de todos for como o Daniel coloca (ou a austeridade ou o abandono do euro) faltando claro adicionar fim do estado social como o conhecemos e a liberalização total da economia ou o abandono do euro, então teremos descido à terra. E qualquer que seja a decisão dos portugueses devem assumir e pagar o preço da mesma.
Até lá só nos resta ouvir os Pachecos Pereiras e a Constanças Cunhas e Sá interrogarem-se de onde é que veio a história dos 4MME, algo que uma criança de 12 que tenha ouvido falar da crise e do deficit pode colocar o PIB e o deficit numa folha excel e perceber que a redução de 5% para 4%  para 3% obriga ao corte de cerca de 4MME de euros.  -  É certo que os portugueses tem um QI inferior à generalidade dos europeus (99 para 95), mas não necessitamos de pavonear isso na TV.

deixado a 11/3/13 às 11:57
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"Pirralha...eu?"
Olympus Mons

Se tu o afirmas, acredito que essa inferioridade do QI dos Portugueses está comprovada cientificamente.

Suponho que esse resultado tenha algo a ver com uma percentagem exagerada de cads esquerdóides, só na vertente defectors e que ultrapassa o limite óptimo de 5%... o que faz baixar, drasticamente, a média deste Protectugal.

Ah, eu gosto muito da folha excel e ainda mais, quando se lhe agrega o powerpoint… deixa cá ver… raios, o Gaspar usa e abusa disso, mas não acerta uma, porquê?

Porque não tem doze anos?

Porque o powerpoint baralha as contas?

Porque o QI só o atrapalha?

Então, ofereçam-lhe uma Tabuada do Ratinho, um Ábaco, ensinem-no a contar pelos dedos… mas tirem-no dali, juntamente com os outros dads esquizofrénicos que têm menos conhecimento da realidade deste País do que aquela que eu tenho de Marte.

Cumprimentos

Cristina



Pirralha,
Óbvio que se eu digo é porque está comprovado cientificamente. Nem necessita de ir a Lynn ou a Vanhanen e posteriormente ao trabalho dos dois….  O que eu não entendo é a “comichão” que isso faz automaticamente aos Cads.  -   E a riqueza das nações segue essa correlação com o QI , tal como segue o Present Bias ou ou hiperbolic discount das mesmas. Mas que dificuldade  estranha que os Cads tem com a realidade?
Sim. Os portugueses têm um QI inferior à média europeia ( e os Gregos e Croata  ainda mais baixo e os alemães e suecos superior  à média)   e os judeus ashkenazim tem um QI imensamente superior á generalidade dos outros todos… Mas porque uma simples constatação destas te faz confusão? – Eu não me sinto diminuído, mas, lá está, não tenho uma ACC do tamanho de uma toranja a… fazer o que a ACC faz, não é?


Quanto à folha Excel… Experimenta que vais ver que entras num mundo novo.  Gostas assim tanto de viver no vácuo?
Coloca numa folha excel os anos, coloca o PIB e a contração do PIB e as metas do deficit que tens que alcançar. E depois põe a contração do pib que entenderes , assim tipo milagre de Cristo ou se quiseres ser ainda mais milagreira que Cristo, coloca milagre a la santo António José seguro (crescimento, politicas de crescimento!!), e se mantiveres as metas do deficit  (passa de 10% para 5%, 4,%, 3%) verificarás que tens sempre que cortar ainda cerca de 4 MME e que variações da contração do PIB tiram uma ou duas centenas de milhões de euros aos 4MME. Aliás, entre as previsões iniciais e as revistas tiras algo como 100 Milhões…. quando tens que abater realmente cerca de 4MME!. E isto são, realmente, contas que um miúdo de 12 anos consegue fazer.
Os modelos mais complicados depois empurram mais uma gramas para um lado ou para o outro... mas no essencial é mesmo assim simples! 


"Pirralha...eu?"
Olympus Mons

Eu tento ser uma boa aluna e de vez em quando, faço umas revisões das lições do mestre, como esta que deixaste em Setembro de 2012 e na qual foste questionado por cads comichosos:

http://arrastao.org/2638900.html?thread=57931316#t57931316 (http://arrastao.org/2638900.html?thread=57931316#t57931316)

Está lá tudo em relação ao teu primeiro parágrafo, não é verdade?

Obviamente, não te sentes diminuído, pois tens um QI de 136… espera lá, há aqui algo que me deixa confusa:

http://www.jn.pt/PaginaInicial/Sociedade/Interior.aspx?content_id=2419212 (http://www.jn.pt/PaginaInicial/Sociedade/Interior.aspx?content_id=2419212)

Quanto ao teu segundo parágrafo, saltaste as perguntas que te fiz sobre o Gaspar que, na melhor das hipóteses, tem uma ACC do tamanho de uma laranja podre.

Segundo dizem as más-línguas, a folha excel é um original da Troika, mas sei lá se é…

A verdade é que não há uma continha bem-feita, como se tem visto e por isso, será que precisamos de uns judeus ashkenazim que tomem conta disto tudo?

Acho que é assim, com teorias das superioridades de povos, que se fabricam bestas como um certo QI nazi, que fez o que fez, nomeadamente, com uns milhões de judeus.

Cumprimentos

Cristina

PS: Vou fazer uma sondagem junto dos cads que conheço, para saber qual a causa da “comichão”…

deixado a 12/3/13 às 17:52
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bonifacio milhoes

boring!

http://www.youtube.com/watch?v=FLqcE1eT3K4 (http://www.youtube.com/watch?v=FLqcE1eT3K4)

deixado a 12/3/13 às 18:16
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MetroidSamus
Vim ver se o meu brinquedo (cf. comentário abaixo) que faz barulhinhos já tinha respondido,mas o pobre nem teve oportunidade já que nem o meu comentário foi ainda aprovado. Mas foi bom, porque acabei por ler este comentário que me tinha passado. Então, brinquedo, é assim:


"Óbvio que se eu digo é porque está comprovado cientificamente" --> o que tem esta frase de estranho? Dica: lembre-se dos cisnes negros.


"E a riqueza das nações segue essa correlação com o QI "
--> pergunta: e é o QI que causa a riqueza ou vice-versa? ou haverá outros factores? Dica: ter em conta o o que é e o que não é uma correlação.


Percebo agora que tenhas de recorrer ao google para apresentares problemaços estatísticos. Mas, hey, és apenas um brinquedo que faz barulhinhos Não é possível esperar visão crítica sobre aquilo que lês, certo ;)


Recebe um abraço ou um beijinho, consoante me vejas como gajo ou gaja (e não necessariamente por esta ordem) :)


http://media-s3.viva-images.com/vivastreet_gb/clad/64/e/49085781/large/1.jpg?dt=4ddeb9ab7fa5d05b768fbd7ad89649be


deixado a 12/3/13 às 19:07
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MetroidSamus
Este meu brinquedo ainda é mais giro do que eu pensava. 
 
"Eu, por outro lado sei que pertenço ao grupo de portugueses com QI acima dos 120 (no meu caso 136) que contribuem para que os portugueses não apareçam ainda mais abaixo na escala. "
 
"Por outro lado, eu comprovadamente sou um R1B pelo cromossoma Y (paterno) e H pelo cromossoma X (materno)… mas, tal como você com a merda do nórdico/celta, não sei bem o que isso significará em termos práticos! "
 
Está demais.... eh mas espera lá, os Nórdicos não têm um QI superior na Europa, só suplantado pelo dos... italianos e este suplantando o dos americanos, suecos e dinamarqueses :)  Há aqui qualquer coisa que não joga, brinquedo Mons. Eu sei, ainda não te comprei o chip de análise crítica, mas podias fazer um esforço. Sabes que o dono não tem muito dinheiro, querido
 

deixado a 13/3/13 às 00:10
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MetroidSamus
Ó pestotira, como é, sempre vais falar da validade das sondagens tipo "opinião pública", ou como é? Eu acertei a percentagem do problemaço bayesiano que foste copiar ao google. 



Cad, Idiota…
O ponto é que sondagens desse tipo falham redondamente quando submetidas ao Teorema de Bayes porque o universo do que não sabes retira toda a força à probabilidade posterior (evidence) …. Não era óbvio?


E quanto aos comentários inteligentes no Arrastão, fica para quando? O meu allowance para ti está a terminar meu caro.


MetroidSamus
Lindo, era isto que tinhas para dizer? E tal mamografias, e tal e coiso... :p

deixado a 12/3/13 às 14:12
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MetroidSamus
"meu caro"? mas eu não sou uma gaja? :p

deixado a 12/3/13 às 14:13
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MetroidSamus
Agora é que li esta pérola "É certo que os portugueses tem um QI inferior à generalidade dos europeus (99 para 95), mas não necessitamos de pavonear isso na TV."
Eu acrescentaria "nem nos comentários do Arrastão".


E esta diferença é estatisticamente significativa? A que nível de significância? Qual o tamanho das amostras? São representativas das populações? etc etc etc. De onde tiraste estes números, ó pestotira?


Vais responder àquela questão sobre a validade das sondagens  do tipo "opinião pública"? Foste tu quem disse que só depois de te responderem ao  problemaço é que debatias essas cenas de sondagens e tal. A percentagem era 7.8%. Então, como é?


Ass.
Aquela gaja LOL


Oh... Coitadinho. Quer o biscoito?


Então diz-me : Se 5% da população portuguesa é Cad canídeo (como a Pirralha se farta de nos lembrar) e eu só de ler os teus comentários tenho uma probabilidade através da leitura do que escreves de 90% de acertar que és Cad canídeo,  mas contudo em 1% dos casos relativos à população total em que eu considero Cads Canídeos eles realmente não não. Qual a probabilidade neste caso de tu seres um Cad Canideo?




Acerta neste e eu dou-te o biscoito. E quero as contas. Mais simples que estes não há... e não está na net para ires copiar.  


MetroidSamus
Pois queres, queres. Mas como te disse, eu cheguei à solução do outro problemaço por sorte. Tu é que me disseste que estava no google, ou seja, que conhecias o problema e a solução no google, fofo.


Seja como for, tb não respondeste às perguntas que te fiz. Eu já ssumi, desde o início, que nada sei de Bayes. Tu é que te assumes como alto entendedor da coisa, por isso responde lá ao que te perguntei :)


Noto aí algum descontrolo emocional?  I know how to pull the emotional strings of guys like you, dude. If I'm a dog, and I am one, you are my toy ;)


Vá, vai para dentro senão ainda te constipas.




deixado a 12/3/13 às 14:19
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bonifacio milhoes

numa sala estao 100 pessoas,
5% sao surdos.
13% andam com ajuda de muletas.
3% sao ladroes.
ha um cego
700 em cada 1000 pessoas comem pipocas.
de repente o mons entra na sala e comeca a perdigotar as merdas que leu num livro que trouxe da biblioteca e nunca devolveu.
quantas pessoas aguentaram 5 minutos?
quantas ficaram mais de 20?
Acerta nesta e dou-te um dente cariado do Ben Gazarra.

deixado a 12/3/13 às 18:13
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José Erre Ponto
Ninguém faz estudos comparativos do QI entre nações, países ou seja o que for.
Aliás, só quem tiver um profundo desconhecimento do significado do QI poderá dizer uma coisa destas.


Bom sitio por onde começar....



IQ and the Wealth of Nations
Greenwood Publishing Group, 2002 - Psychology - 298 pages
Lynn and Vanhanen test the hypothesis on the causal relationship between the average national intelligence (IQ) and the gap between rich and poor countries by empirical evidence. Based on an extensive survey of national IQ tests, the results of their work challenge the previous theories of economic development and provide a new basis to evaluate the prospects of economic development throughout the world.


They begin by reviewing and evaluating some major previous theories. The concept of intelligence is then described and intelligence quotient (IQ) introduced. Next they show that intelligence is a significant determinant of earnings within nations, and they connect intelligence with various economic and social phenomena. The sociology of intelligence at the level of sub-populations in nations is examined, and the independent (national IQ) and dependent (various measures of per capita income and economic growth rates) variables are defined and described. They then provide empirical analyses starting from the 81 countries for which direct evidence of national IQs is available; the analysis is then extended to the world group of 185 countries. The hypothesis is tested by the methods of correlation and regression analyses. The results of statistical analyses support the hypothesis strongly. The results of the analyses and various means to reduce the gap between rich and poor countries are discussed. A provocative analysis that all scholars, students, and researchers involved with economic development need to confront.


José Erre Ponto
Caro Olympus,
Quem são essa gente e que instituições representam. Como deu um exemplo um pouco frouxo, deixo este que foi o primeiro que encontrei.
http://www.livrariasaraiva.com.br/produto/3080364/qi-nao-e-inteligencia-a-destruicao-de-um-mito

deixado a 13/3/13 às 00:12
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MetroidSamus
Estou convencido. Quem vai ao google buscar o resumo e o copia e cola aqui é porque sabe do que fala.


http://www.amazon.com/IQ-Wealth-Nations-Richard-Lynn/dp/027597510X

deixado a 13/3/13 às 00:13
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Anónimo
E ainda por cima o resumo que a editora escreveu para promover o livro. Mais convencido fico :)

deixado a 13/3/13 às 00:15
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bom ponto ó Dom José 1ºEurro
marcou marcou

de resto os portugueses com mais sucesso estatisticamente e monetariamente falando, em portucale e lá fora têm uma escolaridade deficitária e logo teriam culturalmente falhado os testes de Quó

um gande cuó à viegas

deixado a 12/3/13 às 17:01
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Rui F
Tirando o Luxemburgo ou alguns protectorados, qual ou quais os Países de relativa prosperidade, que são viáveis apenas de serviços?
Não existem.

Países fracamente industriais (ou de industrialização rudimentar ou  obsoleta) não vão ter chance nem neste mundo globalizado nem no outro mundo. O exemplo de Portugal é o melhor. Mesmo explorando as colónias pelas elites, este país como um todo foi sempre deficitário, nas contas ou no aspecto alimentar.

A única solução que existe para este país é a industrialização baseada em tecnologias limpas e modernas, com um povo geneticamente capaz de as apreender e de espírito inovador e curioso.
Somos isto?
Podemos sê-lo a longo prazo?
Podemos criar essa apetência?

deixado a 11/3/13 às 12:04
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Nuno
Um factor essencial no futuro é a independência energética. Que passará por energia limpa, claro. Um país com o estilo de vida "ocidental" e com forte indústria tem necessidade de grande quantidades de combustível, e não pode ficar dependente de importações, devido a questões políticas (fica refém dos exportadores) e económicas (a energia será sempre um custo de produção relevante em qualquer cadeia).
Este deveria ser um dos tais desígnios nacionais, e uma das bandeiras europeias.


Rui F
Tás certo Nuno

Infelizmente 99% da população e da governação Portuguesa (sei lá digo eu que são 99%) não entende o que é a economia de um País, e muito menos percebe o que são alicerces ou bases económicas, inseridas no quadro politico Europeu e Mundial em que nos encontramos.

Uns acham que a Europa ou o BCE deve pagar as custas da desigualdade social ou os juros dos empréstimos do financiamento, sem termos compromissos com ninguém de coisa nenhuma; outros acham que arrasando a economia e a base populacional activa do país ao nível da fossa asséptica, renascerão os principios "sãos" de uma nova era.

Ambas as partes (infelizmente maioritárias) não entendem que em ambas as situações o país está condenado à miséria.

deixado a 12/3/13 às 08:44
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Nuno,
Se acha que o custo da energia será sempre um custo relevante porque advoga o desenvolvimento/uso de "energias Limpas" que tem um custo imensamente mais elevado?


Não é por acaso que o Santo Obama está a fazer a shale revolution e a tornar os Estados Unidos auto sustentáveis no prazo de 20 anos em termos de Petróleo e Gas... Ah, mas claro que sempre que o diz acrescenta daquelas notas de rodapé dos anúncios da rádio... mas no processo estamos a investir em energias limpas e a atacar o aquecimento global! " - Ah, se é assim está bom!


shale und tar sands
rochas metamórficas têm um potencial muito reduzido para conter querogéneos

logo excepto se os 550 milhões e tal de toneladas de pitroil forem substituidos por carros a gás

e se fizerem plásticos a partir de matéria orgânica

o gás por si só nã substitui o pitroil....

vai fazer querosene e alcatrão cum gás vai...

deixado a 12/3/13 às 17:06
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Nuno
A energia limpa tem um custo mais elevado... hoje. A tecnologia evolui, por isso quero acreditar que existirão forma de energia limpas e baratas. É uma questão de pesquisa científica. Que a Europa devia incentivar.
Os planos do Obama serão sempre a curto prazo... mais cedo ou mais tarde os recursos finitos acabarão.


Rui F
Não é por acaso que a Alemanha - que não tem petróleo - aposta forte nas renováveis (Sol e vento) e vai deixar o nuclear.


Nuno
Também porque o nuclear, ao contrário do que se pensa, é finito (para lá das questões ambientais).


O "probrema" na Europa, e em Portugal, sempre defendi, é a falta de tecnocratas. Pessoas que pensem os problemas (que são complexos, e transversais a diferentes áreas), e procurem soluções.
O que temos são ideólogos, a fingirem que são técnicos.

deixado a 13/3/13 às 10:51
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Sabemos que não pode ser a troika a escolher os nossos destinos, que temos a maior rede aquífera e eléctrica da Europa, temos um mar sem fim para explorar, temos terras que produzem os melhores cereais, enfim temos tudo para podermos viver sem a Alemanha:
CRISE DE NERVOS
-
numa prisão não há papel
e vão presos em carrinha
a prisão nâo é um hotel
já lhes falta uma salinha:
-
já não tem suas viaturas
p'ra os presos transportar
porqu'as pobres criatiuras
não têm verba p'ra gastar;
-
não têm verba para o gaz
e já racionam certo papel
aos governantes tanto faz
que o País seja um bordel;
-
sem verba para a comida
para os presos da prisão
querem dar-lhes uma vida
a gamar nossa população!?
-
dizia:-ó meu pai querido
o filho ao Pai ainda moço
este pai por estar falido
logo se atirou a um poço
-
teve pena desse anjinho
nesta terra a tanto sofrer
escolheu o novo caminho
da sua Mãe não mais ver;
-
há agora em cada porta
destes falidos, um edital
porque com a coisa torta
quem manda é Tribunal?
-
Impera a crise de nervos
não se aguenta um rapaz
na mata com uns cervos
e de viver lá, ele é capaz!?
-
depressão já tem o povo
anda tudo em depressão
não há o governo novo
para melhorar a Nação!
-
não vai à praça pública
ai as nossas vidas, afinal
de contrário a República
passa a ser um bananal!
-
Eugénio dos Santos

deixado a 11/3/13 às 12:29
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bananal com este frio?
deve dar fruta pequerrucha

federalismo ora nem portugal se consegue federar

é de um caciquismo regionalista e autárquico extremo

até a tal islândiaq fundiu municípios e antes da crise

nós nem antes nem nunca

federalismo europeu? contentávamo-nos com uma federação futreboleira que funcionasse

num país onde há vilarejos decrépitos e semi-abandonados desde os anos 80 ainda sem luz e esgotos

daqui a 10 anos morre um milhão e picos e emigram dois milhões era uma boa altura pra voltar ao escudo

devagarinho até pode ser que alguém queira investir num portugal inflaccionado e cheio de capital espanhol que tamém vai fugindo para outras paragens..

por enquanto são os de cá que vão aguentando e vão fechando tantos que há falências que nem no jornal aparecem

investir? bolas pá se todos os pequeninos  que investiram estão a voltar à emigração de origem

uma guerra civil na venezuela era capaz de dar uns quantos empresários de volta

mas acho que se iam pró brasil é mais perto...

mas a solução de aumentar a carga fiscal pela desvalorização da moeda é baril

o quarentão aparentemente jovem por decreto chegou lá sozinhojovem até aos 58 ou 62 da reforma?
ou aos 55 da reserva militar?

bolas prémio champalimaud já
tem vistas de águia...

o gaijo nã tem mais soluções?

é que davam jeito...

deixado a 11/3/13 às 18:18
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João Vasco
Daniel,


Não creio que seja necessário travar esse debate ANTES de partir para negociações com a UE. Quanto a mim, a posição apresentada neste texto (dúplice) é a correcta.


E explico. Se existisse uma opção clara pelo federalismo, quando ocorressem negociações ao nível europeu, qualquer "ameaça" de sair do euro seria vista como um "bluff" e portanto ignorada.


Os países do sul, aqueles que têm sido prejudicados por esta "arquitectura" do euro, deveriam em bloco assumir esta posição: "ou a arquitectura muda, ou nós saímos". Assim, mesmo que exista uma preferência em ficar caso a arquitectura mude, a ameaça de sair é credível. E, consequentemente, a probabilidade de que exista uma mudança institucional em resposta a essa ameaça - e portanto de ficarmos - aumenta.


A posição dúplice que é aqui apresentada - federalismo/saída - é uma boa resposta ao problema apontado à solução federalista: não está tudo nas nossas mãos. Por isso mesmo, por preferível que consideremos a solução federalista, ela não pode ser apresentada como estratégia única, sob pena de minar as capacidades negociais de quem quer seguir por essa via.

deixado a 11/3/13 às 13:04
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Ettore Secuolá
óia o violador de html's e pregador de maluhare of march

ide cantar pró casório de relvas ide

e agora o povo unido nunca mais será fodido nunca mais será fodido

e agora o Escudo unido ficava melhor né?

A posição da tríplice a desvalorizar reformas, salários e as poucas poupanças que existem nomeadamente as remessas de emigrantes acho que já não cola puto velho

vai atacar o computa do relvas vai

deixado a 12/3/13 às 17:12
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"Pirralha...eu?"
«E este debate - federalismo democrático e uma verdadeira assunção colectiva, na Europa, dos riscos, por um lado, ou saída do euro, por outro - é o mais difícil de todos para quem já tenha percebido que o caminho que está a ser seguido é um suicídio.»

Por exclusão de partes, acho que esse tipo de federalismo democrático se cinge à Zona do Euro, pois há, pelo menos, mais duas Europas no chamado Velho Continente…

Em termos de organização política, a solução seria um Estado Federal e se a resposta ser afirmativa, em que moldes?

Falando do vil metal e rebobinando a História de Portugal, quais são as diferenças ou as semelhanças, entre D. João V e Cavaco Silva?
Cristina

deixado a 11/3/13 às 13:17
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Antonio Cunha
"Foi aceitarem submeter-se às mesmas regras em condições estruturais diferentes, abdicarem de todos os instrumentos para se defenderem e participar numa integração europeia que não garantia os seus interesses económicos específicos."


Aqui concordo com o Daniel. Mas quem foi o responsável por isto ?
Sabe o Daniel, ou sabem os Portugueses aquilo que se diz lá fora sobre nós e a nossa crise ?

deixado a 11/3/13 às 13:38
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É assim antonio,o euro meteu no mesmo saco economias no mesmo saco que não tinham haver umas com as outras.Se calhar a culpa é dos eurocratas que conceberam a moeda...

deixado a 12/3/13 às 00:14
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76 comentários:
Fenómeno do EnTroikamento

"uma acumulação de dívida externa (no caso português, sobretudo privada)"
Daniel, porque continua a insistir nessa mentira?

deixado a 11/3/13 às 13:46
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é sobretudo privada...está certo
essencialmente das famílias que se endividaram para comprar bens a crédito e serviços vários também a crédito

e famílias são privadas tal como as empresas

ainda não as nacionalizaram

por acaso era uma terceira alternativa...

deixado a 12/3/13 às 17:20
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Fenómeno do EnTroikamento
Mal ou bem, a UE/CEE salvou-nos do nosso triste destino, sustentando artificialmente o nosso nível de vida desde a adesão.


A triste realidade que o Daniel não quer ver é que a nossa realidade pós ditadura foram 2 bancarrotas - e consequentes vindas do FMI - em apenas 8 anos!
A partir desta realidade demonstrativa da nossa capacidade, é fácil prever qual seria o futuro do país em pouco tempo. E da democracia, diga-se.

deixado a 11/3/13 às 14:18
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António Carlos
"O que me parece pouco sério é que se continue a contestar o caminho da austeridade fugindo a este debate."
Concordo plenamente consigo.
Mas também não é sério continuar a apenas contestar o caminho da austeridade ignorando:
- O "impacto bastante acentuado na economia e nas condições de vida das pessoas" de qualquer alternativa equacionada (incluindo, como bem aponta, a opção soberanista);
- O problema de depender de outros, da opção europeísta, mas não só.

Neste contexto, por exemplo, que significado pode ter uma afirmação deste tipo "Seguro diz que não aceita "mais nenhuma medida de austeridade"" (http://www.ionline.pt/portugal/seguro-diz-nao-aceita-mais-nenhuma-medida-austeridade-pais-quer-mudanca)? Não aceita!? Quer dizer que basta "não aceitar" para que ela deixe de ser necessária? É assim tão simples?

Ou o que significado pode ter o slogan "Que se lixe a Troika"?

É necessário começar a encarar a realidade e os constrangimentos e deixar de contestar a austeridade sem analisar o impacto de alternativas. A promoção dessa reflexão poderia, por exemplo, ser fomentada pelo Presidente da República já que os partidos políticos (nomeadamente os da oposição) não vão além dos slogans inconsequentes.

deixado a 11/3/13 às 14:33
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António Carlos
"Não vejo é qual seja a terceira via."

Caro Daniel Oliveira, se queremos um debate sério também não podemos descartar à partida a 3ª via óbvia e que os dados que apresentou não permitem (ou mesmo não deviam) descartar à partida (grosso modo a opção seguida por este governo): manter Portugal no Euro (com todas as vantagens e desvantagens que isso acarreta), sem federalismo democrático mas com algumas reformas estruturais (a união bancária já aceite é um exemplo), usufruir da solidariedade (muita ou pouca) europeia que ainda continua a existir mas evitando cometer os erros do passado e procurando mudanças estruturais (o que faltou) de médio-longo prazo que contribuam para alterar a estrutura produtiva.

Não a estou a defender essa alternativa mas, repito, não julgo que no quadro de uma discussão séria como a que propõe possa ser descartada logo à partida.

O que é necessário é, para início de análise, perceber quais são as restrições inultrapassáveis por qualquer uma das alternativas (de preferência indicados pelos defensores de cada alternativa). Se isso não se fizer e não for bem claro, existirá sempre espaço para as análises simplistas e demagógicas contra/a favor de qualquer alternativa.

Uma questão é clara para mim. Como demonstra a sua (muito) breve análise das alternativas, não há alternativa "sem dor". E isso não uma questão ideológica, nem uma questão ética/moral (a austeridade como punição ou redenção): é pura e simplesmente uma constatação que no fundo o seu post reforça.

deixado a 11/3/13 às 14:51
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JMS
Excelente post Daniel no entanto é preciso esclarecer algumas coisas:
-A flexibilidade do mercado de trabalho é relevante. Não faz sentido a posição dos sindicatos e dos partidos mais a esquerda de insistirem no imobilismo. Vários economistas keynesianos (paul krugman p.ex) criticam a rigidez do mercado de trabalho europeu. Isto torna-se particularmente importante numa moeda única onde há necessidade de ajuste de preços e de mobilidade de factores (imigração). Se nao queríamos mobilidade ou alterar as nossas instituições porque insistimos na Europa e no euro?
- A insistência no mercado interno é outro erro. O principal problema nao é a o baixo consumo (pelo contrario) mas a baixa taxa de poupança que leva a importação de capital e ao défice externo. (Dai a queda abrupta no investimento agora que nao temos acesso aos mercados financeiros).


Claro que são necessárias reformas na UEM e obviamente que esta política de contracção europeia nao nos leva a lado nenhum. Mas a verdade é que enquanto português também nao vejo a vontade para alterar as preferencias na sociedade. Estar no euro por exemplo significa que os salários nao podem ser desvalorizados por via da inflação.


Por ultima resta dizer que a nossa situação pré-euro nao era muito famosa. Só tivemos políticas de estabilização macroeconomica para satisfazer os critérios de adesão. Nao basta sair do euro para magicamente convergirmos com a Europa.

deixado a 11/3/13 às 17:17
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Percebido tamos tramados
quantos anos restam?

ou o "jovem" cabranite nã fez um gráfico pra isse?

tem pie chart tem?

qual é o percentil de estupidez em que os dessa escola estão?

aguentamos com eles todos?

ai aguentamos aguentamos que remédio...

felizmente os empresários portugueses raramente têm cultura económica

olha se tivessem ahn....iste era o luxemburgo

só que com menos bancos e sem o aço que a arcelor-mittal tá-se indo da eurropa e sem indústria química ou quase

resumindo tinhamos quase a paisagem do lux
um pouco mais seca e com menos elevações

eramos o haiti a puxar para o luxemburgo?

nã mesmo caindo muito 90 mil milhões de dólares era oPib de 94?

logo apesar do dólar de 2010 nem comprar o que comprava em pitroil o de 94
tamos finos

pecisamos é de andar de bicicleta nas auto-estradas

pena que saisses do bloco podias ter apresentado um projecto lei....

já agora é-se jovem com quantos mais anus cu jovem

se forem uns dois ou três inda ficas safo né...

cambada de jovens de meia-idade....

deixado a 11/3/13 às 18:29
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Moços,

Graficos??? Basta meter a mão ao bolso para se perceber que esta Europa foi e é uma mentira pegada.

Sabem do que eram apelidados aqueles que sempre estiveram contra da forma como entramos na União e depois no euro??? Os resultados estão ai, estamos na miseria.
Mas dirão os mais assanhados, e alternativas??? Pois, isso era antes de encherem o cu a alguns, agora como se diz em Baleizão, mija na mão e deita fora.

Ontem falando com gente amiga, o filho do casal, licenciado e mestrado via ensino, está com 10 por semana o que equivale a receber 200 e pouco euros por mes, paga a segurança social e...tem 25 anos

Já repararam que a quadrilha do reumatico, Fado, Osgas e afins andam um bocado pró calado??? Eu avisei-os que comeriam merda como os demais, não me deram ouvidos e se calhar apanharam uma orvedose da dita, tal foi a barrigada.
Vão comer maissssssssssssssss

deixado a 11/3/13 às 18:43
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JgMenos
Por muitos números e gráficos que se apresentem, sempre ficará claro que o laxismo e a utopia da felicidade pessoal para todos é a treta que nos trouxe até aqui!
E acredito que lá por fora nem imaginam o que nós por cá sabemos, que entre comunas, parvos e chicos-espertos, a nossa voz pública é do mais adverso à construção de uma economia saudavelmente capitalista e tecnológicamente eficiente.
A terceira e pior via é que a seguir à austeridade venha a saída do euro.
Veja-se que o parvo do TóZé, e não só, tem por grande opção do plano pôr a Europa a pagar a crise - garantindo a Constituição e a felicidade geral que esta incorpora. E nunca que se esqueça que subir salários é a grande alavanca do crescimento económico... brincamos!

deixado a 11/3/13 às 19:09
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Manuel José
Desculpe, mas em escudos não tivemos uma dívida em crescendo?
Tivemos superávites quando?

deixado a 11/3/13 às 20:03
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andre
a correlação do 1.º gráfico tem um valor 0,67. É portanto positiva e forte.


Agora, uma correlação é uma associação ou relação entre variáveis. Não implica causalidade.


"quanto mais negativa for a posição no investimento internacional (uma das medidas usadas para dívida externa, em que se mede a relação entre os passivos e os ativos de um país face ao exterior), mais aumentaram os juros da dívida soberana"


Esta interpretação do valor apresenta uma causalidade e não é válida com base no 0,67 apresentado. Concluindo, uma conclusão que assenta numa interpretação errada de um teste estatistico não tem qualquer validade.


É só isto.


deixado a 11/3/13 às 20:06
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uau gestão de empresas?
ou engenharia do ecunomato?

estatística do INE?

deixado a 12/3/13 às 17:40
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76 comentários:
Chico Fininho
Sem benesses europeias, sem possibilidade de comprar maquinaria para britar e polir granitos e calcários cristalinos.
Sem viabilidade económica, fecharam quase 12 mil empresas no ano de 1981, em escudos por falta de capacidade de comprar material que as mantivesse a funcionar

Desde o último trimestre de 1999, A Penteadora faz parte do grupo Paulo de Oliveira (http://www.paulo-oliveira.pt), um dos mais importantes produtores de tecidos laneiros na Europa com uma fabricação mensal superior a 1 milhão de metros lineares.
As vantagens decorrentes da ligação ao grupo Paulo de Oliveira com as inerentes sinergias ao nível da gestão económica, financeira e dos recursos técnicos permitem reforçar significativamente a qualidade dos serviços aos clientes e a competitividade geral da empresa na procura de novos mercados.
 
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Desenvolvemos produtos para aplicações especificas de acordo com a necessidade do cliente.

a lã australiana vem em escudos?

os espanhóis vendem-nos a deles?

e quem compra isto? os paquistaneses?

os hindus do império britânico?

a lã vem das falkland ou das malvinas?

os suecos da IKEA vão fazer quantas fábricas na capital do móvel?

simplex do louçãnistan....


deixado a 11/3/13 às 20:12
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curioso é fazerem análises similares
tanto os do PSD como os do....XXL

numa economia que é subsidiada pelo estado há 20 anos
e o consumo interno pelo crédito fácil bancário

pois quem compra um sofá de 600 ou 700 euros sem crédito...e sem emprego

vai empregar-se a fazer móveis de 300 quilos para exportar por camião ou por avião prá alemanha?

é que os espanhóis não compram

e o estado retem o IVA durante meses por vezes anos.....

e nunca nenhum partido ou economista partidário se importou com isso ...vão ver se há bujão na esquina seus biltres partidários das TECNOVIAS e VIAS VERDES para os saques a descoberto

digo iste a bossas excelênças cum tode o respeite

uns génies

deixado a 11/3/13 às 20:20
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alberto
É isso mesmo: não vale a pena discutir a desgraçada situação em que nos encontramos e hipóteses de soluções, sem discutir o assunto nestes termos.
Algumas discordâncias:
- sendo certo que a dívida privada é maior que a dívida do Estado, não esquecer que uma boa parte dela foi criada para subscrever dívida soberana.
- a discussão sobre eventual saída do euro ( seria uma catástrofe para Portugal da ordem da perda do Brasil ) tem de ser acompanhada pela análise dos efeitos na economia e no Estado Social, ao pé dos quais a austeridade actual e o ajustamento da economia pareceriam uma brincadeira de crianças.
Relembrar que quando Sócrates assumiu o seu 1º governo a dívida  soberana era da ordem de 57% do PIB e deixou o país, em 2010, com uma dívida soberana da ordem de 110% do PIB, a que se somarão os efeitos das PPP's e outros mimos que para aí andam.
Ainda gostaria de ver ( e a essa eu aderiria na rua ) uma manifestação popular exigindo que a AR criasse as condições para uma auditoria, e consequente alteração legislativa, para punir o dolo com que muitas decisões políticas foram tomadas durante a última década.
Os problemas estruturais etc etc é tudo verdade, mas já viram que hoje estamos ao nível de muito pequenas nações europeias que ainda ontem lutavam no bloco de leste para fugir à triste situação história em que estavam?

deixado a 11/3/13 às 21:19
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Lisboeta
"O que me parece pouco sério é que se continue a contestar o caminho da austeridade fugindo a este debate."

Então está visto que nunca mais veremos o Daniel Oliveira a contestar o caminho da austeridade. A não ser que, entretanto, ele chegue a alguma conclusão sobre as tais duas opções em questão - a opção europeísta e a opção soberanista.

Se calhar foi este o racional que levou DO a afastar-se daquela malandragem do BE, uma cambada de irresponsáveis que estão sempre a contestar a austeridade sem se preocuparem com a gestão do sistema...

deixado a 11/3/13 às 22:25
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José Erre Ponto
Se a UE obrigou à destruição de grande parte do setor produtivo, apoiando por outro lado obras excessivas e desnecessárias, porque não exigir agora apoio a medidas de desenvolvimento por parte dos países que ganharam com essa destruição?
E sabe-se bem quem é que ganhou. São os mesmos que estão a ganhar agora, designadamente com juros negativos no financiamento.

deixado a 11/3/13 às 22:34
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Gambino
A federalização e a democratização da UE parecem a solução mais evidente, mas o ambiente é tudo menos favorável. Há países com vontade de sair, outros a querem manter uma hegemonia que a federalização nunca toleraria e uma desconfiança generalizada entre o Norte e o Sul. Quanto à saída do Euro, requer uma coragem que, sinceramente, não sei se alguma força política em Portugal tem. Nenhum português confia o suficiente na classe política para aguentar o embate da saída do Euro e, sobretudo, para chefiar a reconstituição da nossa economia. A saída do Euro, no longo prazo, pode ser a mais benéfica, mas corresponde a entrar numa mesa de Poker.

deixado a 11/3/13 às 23:40
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Comunista
O federalismo já aconteceu antes em Portugal - chamou-se colonialismo; era a "federação" que ia de Angola a Timor, julgo que até tinha uma moeda única e tudo. Portugal, no federalismo europeu, vai estar para a Alemanha como a Guiné ou Cabo Verde ou Timor estava para Portugal antes do 25 de Abril.

Alguém que pense que a Alemanha vai aceitar o federalismo sem impor condições leoninas deveria tirar 100 anos de licença sabática na intervenção política.

Este é dos maiores perigos do PS, esta ideia da salvação pelo federalismo. 

deixado a 12/3/13 às 06:00
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não não tinha...a Tanga era indiana
a Macuta era angolana

A pataca era e é a moeda de Macau...

havia alguma convertibilidade mas não absoluta eram moedas locais criadas pelo banco nacional ultramarino ao invés de Alves dos reis

e a Alemanha aceitou o federalismo ó bruto

é uma república federal tal como o brasil

e com os mesmos problemas inerentes à federação dos sovietes e aos 50 copeques de prata que não passaram de 1924

bai etudier teoria da moñeda bai....
a universidade patrice lumumba tinha uma dessas ache...


Comunista
Sr. socialista, ou federalista, que é a mesma coisa, a Alemanha só aparece como um país estável a partir do modelo federal, antes dele não havia propriamente Alemanha como um país, havia certamente uma cultura alemã, uma identidade específica e semelhante entre estados, territórios, etc, mas não ainda um Estado-nação.

E esta união federal alemã não se fez sem que o poder se centralizasse, sendo que a identidade cultural dos povos reunidos na federação chegou para dissolver o caracter parasitário do centro para os Estados, afinal todos basicamente se aceitaram mutuamente como alemães.

O modelo federal na UE vai levar a que todos tenham que obedecer à Alemanha sem que contudo a própria alemanha queira que todos sejam alemães - isto por muito que você se esforce para parecer um alemão.

O exemplo do colonialismo português serviu para ilustrar o que ocorre numa espécie de federalismo onde nem todos são efectivamente iguais - isto por muito que Salazar falasse do Portugal multirracial - ou seja, uns vão ser mais iguais do que outros e, reafirmo, Portugal vai estar para a consideração da Alemanha como estavam no império Português, as colónias mais pobres: ou seja, o interesse para a Alemanha só poderá estar nas vantagens para si que considere ser capaz de tirar de Portugal.

Que você imagine que Portugal vai negociar os termos de uma federação europeia em pé de igualdade com a Alemanha só mostra como o sr. tende para a imbecilidade política.

Você já se esqueceu que o termo "Realpolitik" é alemão.

deixado a 13/3/13 às 03:47
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Ah queres um estado BPN?
que crie valor a partir do nada?

mas já não fizeram isso antes?

são só ares de impressão em papel higiénico feito na Bradbury, Wilkinson & Co, Limited?

ou o papel da Thomas De La Rue & Cu..é mais suave?

deixado a 12/3/13 às 17:56
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Pá e Ma Medes quanto?
ah a tua mede 25 contos?

ma nem media 8 euros antes....

isse nã é inflação

é excesso de viagra ecu no mico

o gajo não fez um gráfico sobre o poder de compra do novo écu ou cruzado ou mil réis ou comé que se chama a nova moeda

e qual a taxa de desvalorização média nos primeiros 5 anos?

e a taxa de inflação associada?

a oferta agregada e a sua nemésis andam na mesma em eurros y scutum?

pôrra esse puto velho adevia ganhar o prémio nobel da juventude....

deixado a 12/3/13 às 18:05
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Carta ao Jovem Cald'ash Ma mede mesmo?
Caro José Maria

Este seu texto é uma pérola, a fina capacidade de análise a que tanto nos habituou, a fluidez dos parágrafos, o estudo aturado que faz sobre assuntos tão prementes, principalmente agora, que o capitalismo selvagem se prepara para nos colonizar e encher de indústrias poluidoras.
Não admira que tenha hostes de seguidores, até nos da Faculdade de Economia da Nova, aparentemente o desemprego das Gamba's Gumba's e outras economices anda em alta.
A quanto fica agora o parecer com gráfico incluso?
Aqueles dois gráficos dão para poster ou para estudo de observatório?
A inflação galopante o federalismo estrangulador ou a terceira via na tecnovia Beja-Sines?
Acho que a terceira via, serve de aeroporto de emergência e tudo....

deixado a 12/3/13 às 19:38
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76 comentários:
ecu na mista jovem é isto
Nome Completo: João Saldanha de Azevedo Galamba
Data de Nascimento: 04-08-1976
Habilitações Literárias: Licenciatura em Economia; Frequência de Doutoramento em Filosofia Política.
Profissão: Economista
Comissões Parlamentares a que pertence: Comissão de Orçamento e Finanças; Comissão de Assuntos Económicos, Inovação e Energia; Comissão de Obras Públicas, Transportes e Comunicações [Suplente]; Comissão Eventual de Inquérito Parlamentar à actuação do Governo em relação à Fundação para as Comunicações Móveis [Suplente]; Grupo de Trabalho - Energia e Eficiência Energética.

inda nem doutoramento tem tadinho

e já tem experiência em economia par lamentar desde
sei lá desde quando 2002?
começou mais cedo do que o camarada Jerónimo ou seja daqui a 25 anos tem direito a reforma



deixado a 12/3/13 às 19:43
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antonio
que inteligªências! nunca foram eficazes a resolver fosse o que fosse! lol

deixado a 12/3/13 às 22:23
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