A Internacional

__ dementesim . . Do rio que tudo arrasta se diz que é violento Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem. . _____ . Quem luta pelo comunismo Deve saber lutar e não lutar, Dizer a verdade e não dizer a verdade, Prestar serviços e recusar serviços, Ter fé e não ter fé, Expor-se ao perigo e evitá-lo, Ser reconhecido e não ser reconhecido. Quem luta pelo comunismo . . Só tem uma verdade: A de lutar pelo comunismo. . . Bertold Brecht
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quarta-feira, julho 21, 2010

Cozido à portuguesa por Domingos Amaral


Saldos dos salários

Nos últimos meses, desde que a crise do euro colocou em causa a posição de Portugal, muitos economistas, nacionais ou estrangeiros, propuseram uma magnífica cura para todos os nossos males: descer os salários nacionais.
  • 0h30 - 2010.07.21
Por:Domingos Amaral, Director da 'GQ'
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Alguns falam em 10 por cento, outros em 15, e outros, mais afoitos, chegam a falar em 20 ou mesmo 30 por cento. A lógica desta "medida" é de uma simplicidade encantadora: como a produtividade dos portugueses não cresce, e já não é possível desvalorizar a moeda, então a única forma de sermos competitivos é uma descida geral dos salários, para tornar toda a nossa economia, mais… ups, está-me a faltar a palavra, é isso, "competitiva"!
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Quando ouço essas luminárias a propor semelhante remédio para a nossa doença, desconfio logo de que se trata, certamente, de pessoas bem pagas. Se eu ganhar 20 ou 30 mil euros, descer os salários em 2 ou 3 mil euritos não vai mudar muito a minha vida. Contudo, se eu ganhar mil euros, ou seiscentos, perder 20 por cento do meu salário é capaz de já me fazer muita diferença, não é verdade?
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Mas, esqueçamos por uns segundos os rendimentos das luminárias, e examinemos o que cada um de nós faria com menos 20 por cento do salário. A maioria dos portugueses, além de vir para a rua furioso em manifestações (o que até podia ser divertido), só tinha uma coisa a fazer: cortava nas suas despesas. Fazia menos compras nos supermercados, em gasolina, em despesas domésticas e familiares, etc., etc. Ou seja, o efeito combinado de milhões de portugueses a baixarem as suas despesas provocava uma tremenda recessão no consumo. E, como se tratava de uma medida permanente, na verdade descíamos todos para um patamar abaixo, para sempre. Para agravar ainda mais o cenário, convém lembrar que as nossas dívidas não baixavam 20 por cento, e teríamos de continuar a pagá-las, desse por onde desse. 
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Exportaríamos mais, com essa queda nos salários? É duvidoso, pois não é garantido que os preços das exportações descessem 20 por cento, nem que os estrangeiros nos comprassem mais só por causa disso. Os saldos salariais são pois uma ideia idiota, saída de cérebros desprovidos de qualquer preocupação social. São uma ideia desesperada, de quem se recusa a reconhecer a evidência de que o euro, com as regras que tem, teve efeitos nefastos em Portugal. Infelizmente, é sempre mais fácil negar a realidade com truques de ilusionistas do que enfrentá-la.
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quarta-feira, junho 30, 2010

O cozido à portuguesa de Domingos Amaral


Choque de titãs

Se este tem sido um ano de terramotos pelo mundo fora, preparem-se para mais um, mas agora na política portuguesa. O grau do abalo ainda não é conhecido, mas a dar-se poderá ser um dos mais fortes de sempre desde Abril de 74. Exagero meu? Olhem que não, como dizia o outro. A recente revelação de que o PSD de Passos Coelho está disponível para uma coligação com o CDS-PP de Portas pode alterar profundamente a lógica da situação nacional.
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Por:Domingos Amaral, Director da 'GQ'
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Vamos por partes. Com Sócrates em perda permanente, obrigado à gestão de uma crise dura, não é de espantar que Passos Coelho, que chegou agora, é esperto, está virgem e tem boa imagem, esteja a subir nas sondagens. Animadas as hostes laranjas e vencido o ciclo depressivo do pós--Barroso/Lopes, o partido acredita que pode ganhar eleições. 
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Contudo, uma maioria absoluta solitária é difícil, para não dizer impossível. Mas em coligação com o CDS-PP essa maioria fica à mão de semear e é quase uma certeza matemática. Se não existisse uma eleição presidencial pelo caminho, eram favas contadas. Só que as presidenciais existem, e o PSD não só conta com Cavaco reeleito como antecipa a sua jogada seguinte: uma dissolução do parlamento, que estenderia a passadeira vermelha a Passos e Portas a caminho do poder. O problema é Alegre, e também, em menor grau, Cavaco. Ao preparar já uma coligação com o CDS-PP, Passos Coelho atira para a mão de Alegre um importantíssimo trunfo. 
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O bardo de Águeda agitará, sem hesitação, o espectro da maioria de direita, que aí vem. A ideia de uma conspiração contra o PS será repetida até à exaustão, acusando Cavaco de estar feito com Passos e Portas para correr, logo que possa, com o PS. À sombra de Alegre, toda a esquerda – PS, PCP, Bloco, Verdes e restantes tresmalhados – terá uma oportunidade de união, e pelo caminho pode derrotar Cavaco.
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Se ganhar, Alegre patrocinará, a partir de Belém, uma frente de esquerda unida, e nem sequer dará à direita uma dissolução. Se perder, embora perca o controle do timing, procurará unificar essa mesma frente nas legislativas seguintes, provocando um choque de titãs entre dois blocos, um à direita e outro à esquerda, o que nunca aconteceu em Portugal. A coligação entre PSD e CDS-PP faz todo o sentido, mas faz também nascer o imprevisível. 
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O fim do período socrático, claramente à vista, promete o regresso em força da política. Ainda bem. Num país anémico, um disparo de paixões políticas é sempre bem-vindo.
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quinta-feira, junho 03, 2010

Cozido à Portuguesa - Domingos Amaral e a Alta Finaça

Cozido à portuguesa

A alta finança

Não é preciso ser comunista, ou órfão de Lenine, para perceber que algo vai profundamente mal no mundo da alta finança, e que muitas coisas terão de mudar para que "os mercados" deixem de ser um casino especulativo, sempre à beira de uma derrocada colossal.
  • 02 Junho 2010 - Correio da Manhã
Por:Domingos Amaral, Director da 'GQ'
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Desde há vários anos que os sinais de caos são bem visíveis. Primeiro, foi a alta absurda, e injustificada, do preço do petróleo, entre 2007 e 2008. Depois, a subida do preço dos alimentos, dramática para muitas populações. Seguiu-se a megacrise da Banca, que começou na América, com a queda do Lehman Brothers, provocando um dominó que ceifou muitas outras sociedades financeiras. De um dia para o outro, o dinheiro secou, e mesmo a América, a Inglaterra ou a Alemanha sentiram-se em grave risco. 
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De seguida, deu-se a propagação. Tsunami atrás de tsunami varreram o planeta, massas colossais de fundos voaram, de um lado para o outro, bastando para isso um click num computador de alguém, e no final deixaram a sensação de que a alta finança se transformara numa banheira a quem alguém tinha retirado o ralo, e a água (o dinheiro) desaparecia, pois já nem os bancos conseguiam, entre si, crédito. 
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As garantias dos Estados travaram o pânico, mas cedo se percebeu que, dentro dos armários, havia demasiados cadáveres escondidos. Se até a Bolsa de Nova Iorque não tinha a mínima ideia de quantos "hedge funds" lá actuavam, imagina-se noutras paragens. Por isso, quando julgávamos a tormenta atravessada, surge o ataque ao euro, ou a crise da "dívida soberana", como alguém pomposo a definiu. 
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Sócrates afirmou que o Mundo mudou em três semanas, mas não tem razão. Foram 25 anos de efeitos combinados de desregulamentação dos mercados; políticas do dinheiro fácil, com taxas muito baixas; multiplicação dos intervenientes, com milhares de "hedge" e outros "funds"; fraquíssima supervisão; bolhas e falsos crashes; e liberdade total de movimentos de capitais entre países. Nasceu uma hidra, com muito mais de sete cabeças. A alta finança é o verdadeiro monstro do século XXI: caótico, anónimo, subversivo, libertino, indomável e letal. Varre tudo à frente: petróleo, arroz, bancos, países, euro. Se políticos e cidadãos não o domesticarem, dará cabo de ambos. Este capitalismo, nesta modalidade desbragada, selvagem e planetária, pode vir a ser tão sinistro como o comunismo foi. 
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quinta-feira, maio 27, 2010

Cozido à portuguesa - Sair do euro



Quanto mais tempo irá alguém defender, sem corar de vergonha, que estar no euro foi bom para Portugal?
  • 26 Maio 2010 - Correio da Manhã
Por:Domingos Amaral, Director da 'GQ'
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Oito anos depois da entrada no euro, o que ganhou Portugal com isso? Por mais que nos esforcemos, não é fácil descobrir vantagens. O crescimento económico do país foi sempre próximo do valor de 1% ao ano, uma miséria. Sem a desvalorização do escudo, as nossas exportações foram alegremente perdendo quotas de mercado, uma tendência que a globalização e a abertura à China só agravaram. Por outro lado, a despesa do Estado não compensou esta quebra de crescimento, o que era esperado, pois o euro impunha grandes restrições à despesa pública. Ficámos pois nas mãos do consumo, essencialmente do privado, e esse de facto aumentou sempre, mas mal, pois a maioria das coisas que consumíamos era importada. A somar-se à quebra no crescimento, deu-se o desequilíbrio externo, cada vez mais pronunciado. 
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A economia atrofiava, e as recessões, ou quase recessões, sucederam-se. Sem surpresa, as receitas que o Estado conseguia através dos impostos caíram, provocando um crónico deficit orçamental. Por três vezes, em 2002, 2005 e 2009, o deficit cresceu para lá dos limites permitidos pela Europa, deitando abaixo Guterres, Santana, e retirando a maioria absoluta a Sócrates. Ao contrário do que é habitual dizer-se, estes deficits não foram apenas culpa dos governos, mas eram uma espécie de consequência automática da recessão. Mal a cobrança de impostos descia, o deficit crescia. E qual foi o correctivo decidido? Nos três casos, aumentaram-se mais os impostos. Barroso, em 2003; Sócrates, em 2005; e de novo Sócrates, em 2010, quebraram promessas eleitorais, e subiram as taxas. Ou seja, a carga fiscal sobre os portugueses subiu sempre, em mais um efeito terrível provocado pelo euro.
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Além disso, e ao mesmo tempo, a ilusão monetária da descida das taxas de juro lançou o país numa espiral de dívida. Banca, empresas e particulares endividaram-se até à estratosfera. Quando a recessão internacional chegou, a loucura tornou-se finalmente evidente e temeu-se a bancarrota.
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Oito anos depois do euro, é este o retrato do país. Crescimento nulo, desemprego elevado, carga fiscal pesadíssima, endividamento externo e interno insustentáveis. Quanto mais tempo irá alguém defender, sem corar de vergonha, que estar no euro foi bom para Portugal? Está é na altura de sair, e depressa...
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quarta-feira, maio 19, 2010

Cozido à Portuguesa de Domingos Amaral

Cozido à portuguesa

Os alemães

O euro foi desenhado para os alemães continuarem a ser os mais fortes, sempre.
  • 0h30 - 2010.05.19 - Correio da Manhã
 Por:Domingos Amaral, Director da 'GQ
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Durou pouco mais de uma semana o alívio europeu com o pacote de salvação do euro! Incomodados com a ideia de que podiam estar a contribuir para a felicidade geral, os alemães, pela voz do seu ministro das Finanças, já vieram fazer o seu papel de desmancha-prazeres, declarando que o Parlamento alemão terá de aprovar as operações de salvação de qualquer país. Fiel ao seu estatuto de linha dura, a Alemanha não descansa enquanto não escorraçar para fora do euro os malvados e indisciplinados países do Sul! Desde o início desta crise que os alemães têm sido aliás um excelente exemplo do que não se deve fazer nu-ma União Económica e Política. Confrontados com as balbúrdias financeiras gregas, começaram por dizer, com desdém, que "os gregos deviam vender as ilhas para pagar as dívidas"! 
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Depois, não contentes com isso, começaram a falar na "expulsão da Grécia do euro"! Pelo caminho, destilavam desprezo aos seus vizinhos mais frágeis e menos bem-sucedidos. Do alto da sua arrogância, passaram vários meses a impedir, bloquear, atrasar qualquer tentativa de resolução da crise do euro. Ou seja, tudo fizeram para deitar mais achas para a fogueira. Comparadas com os pirómanos germânicos, as agências de rating eram meros aprendizes. Muito pior do que a descida de A para B dada pela Moody’s ou outra qualquer agência eram as declarações da Srª Merkel ou dos seus ministros. Segundo se dizia, eles eram prudentes por causa de umas eleições num qualquer estado alemão que a coligação do poder temia perder. Mentira. Não era nada por causa disso. Os alemães sempre foram, são e serão brutos e arrogantes nas suas declarações sobre os seus vizinhos. Para eles, o mundo ou é como eles querem, ou então não é. 
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Bem pode Sarkozy tentar moderá-los, bem podem gregos, espanhóis e portugueses humilhar-se, aceitando ultimatos e ordens da Srª Merkel, que eles vão continuar, sem um minuto de hesitação, a impor as suas ideias, obrigando todos a segui-los. Nada disto devia ser surpreendente. O euro foi desenhado para os alemães continuarem a ser os mais fortes, sempre. Aliás, sobre o euro pode-se também dizer, como dizia alguém há uns anos a propósito dos Mundiais de futebol, "são onze contra onze e a Alemanha ganha no fim". É a mais pura das verdades. Pela maneira como as coisas vão, qualquer dia as nossas leis também terão de ser votadas primeiro pelos alemães. E, sem darmos por isso, teremos nós próprios sofrido uma transformação e acordaremos também alemães. É aterrador, mas é bem provável...
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quarta-feira, março 03, 2010

Cozido à portuguesa: Serial Killer - Domingos Amaral

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Blog Wehavekaosinthegarden
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Correio da Manhã - 03 Março 2010 - 00h30

Cozido à portuguesa

Serial Killer

Sócrates já não se livra da fama de ser uma espécie de ‘serial killer’ de jornalistas ou comentadores.
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Esta semana, mais um importante crítico de Sócrates despediu-se do seu púlpito. Marcelo, deve-se realçar, não é um comentador qualquer. O seu passado, o seu presente e o seu futuro, sempre ligados ao PSD e à política, contribuíam para nos deixar sempre uma dúvida no espírito sobre as suas reais intenções. Queria voltar ao PSD, queria Belém, o que queria ele? Contudo, isso não era o mais relevante. O mais relevante era a sua empatia com o público, a sua função de leitor da realidade, de espectador comprometido, e também de crítico. Sem nunca ceder ao populismo desenfreado ou à demagogia, Marcelo cilindrava Sócrates com os seus remoques, sibilinos ou frontais, conforme a ocasião, e causava mais mossa do que outros, mais excitados na crítica. 
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É portanto perfeitamente evidente que a sua saída da RTP proporciona alívio a um primeiro-ministro já bastante ferido na sua credibilidade. E por mais que se tente convencer o país do contrário, é legítima a leitura de que este "apagão" de Marcelo teve o dedo de Sócrates. A auto-desistência de Vitorino – a compensação que há uns anos Sócrates "exigiu" à RTP para manter Marcelo – só podia dar no que deu, o professor a terminar também os seus sermões dominicais. Sim, esta é uma leitura política, mas o responsável por hoje existirem leituras políticas sobre o que se passa na comunicação social é só um e chama-se José Sócrates. Quando, no último Congresso do PS antes das eleições, Sócrates definiu como adversários políticos "uma televisão e um jornal", deu o tiro de partida para esta guerra. A partir desse dia, tudo o que se passou na comunicação social passou a ter uma leitura política. A saída de José Manuel Fernandes do ‘Público’, a saída de Moniz e o fim do ‘Jornal de Sexta’, de Manuela Moura Guedes; as negociações da TVI com a PT e com a Ongoing; o caso Mário Crespo; e agora a saída de Marcelo; todos estes factos foram vistos como "tentativas de silenciamento" de vozes incómodas, ou "manobras" pouco ortodoxas para dominar órgãos de comunicação hostis ao Governo.
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Nos dias que correm, interessa pouco saber a "verdade", se Sócrates deu ou não ordens, se falou com A com B, se tinha ou não um "plano" concreto. Nada que se venha a descobrir ou a saber a partir de agora altera o essencial, que é a fama que o primeiro-ministro ganhou de ser uma espécie de ‘serial killer’ de jornalistas ou comentadores. Mas, lá diz o provérbio, quem não quer ser lobo, não lhe veste a pele.



Domingos Amaral, Director da GQ
» COMENTÁRIOS no CM on line
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03 Março 2010 - 11h16  | JMCAmigo Domingos Amaral, ao que tudo indica, o chefe é um grande lobo com uma grande pele de hiena vestida.
03 Março 2010 - 10h15  | Pedro BoscoSe isto for verdade, este senhor é um Hugo Chaves encapotado e preparava-se para não mais largar o poder....
03 Março 2010 - 09h46  | manueltristemente verdadeiro.
03 Março 2010 - 09h43  | lopesNeste momento está a chover a cantaros. A culpa é do Primeiro-Ministro! Olhão
03 Março 2010 - 09h32  | Malfadado"Sem nunca ceder ao populismo desenfreado ou à demagogia", DA já me fez rir hoje. Obrigado!
03 Março 2010 - 08h52  | antonio marianoNoutro qualquer pís da Europa,com estas palaçadas todas Sócrates já estava a cavar batatas há muito tempo.odivelas.
03 Março 2010 - 08h52  | LalissucSó em me lembrar que estava a pagar para ver que não via, os recados de Marcelo, doía-me o coração. Levem-no p.b.longe!
03 Março 2010 - 08h42  | CabralMarcelo fracassou: Tanto martelou Sócrates, tantas lições deu ao PSD, Que nem assim impediu as maiorias Sócrates.
03 Março 2010 - 08h20  | BaptistaEsqueceu-se de mencionar a crise financeira internacional, a catástrofe da Madeira... Por tudo, Sócrates responde!!!
03 Março 2010 - 08h10  | RodriguesOs Portugueses já não tinham pachorra para Marcelo. Sempre que malhava Sócrates, este subia para maiorias... 
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03 Março 2010 - 18h08  | JCComo é que Sócrates conseguiu convencer o Eng.B.Azevedo para que JMFernandes saísse do Público!Ele há cada um !
03 Março 2010 - 15h28  | Mary-MadeiraDomingos Amaral dou-lhes meus parabéns por ser umm homem inteligente,já k infelizmente há ainda quem se deixe enganar!
03 Março 2010 - 14h44  | quintino Compreendo sua dificuldade em encontrar + adjectivos para o 1º ministro a lista de nomes está a esgotar.Serial Killer?
03 Março 2010 - 14h16  | H_de_CoimbraPor bem menos do que este PM já fez, um PM foi demitido em Portugal há cerca de 5 anos, lembram-se?...
03 Março 2010 - 13h16  | Anónimo, pois...Também alguém acha que no tempo de Salazar a censura nasceu abrupta? Lembram-se como começou...?
03 Março 2010 - 13h14  | MadíliaPara uns é anjo,para outros diabo.Uns são defensores acérrimos outros contestam-no. Depende do ponto de vista é endeusad
03 Março 2010 - 12h07  | Graciano MarquesPelo que li depreendo que só falta o Director do GQ - Coimbra
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quarta-feira, novembro 11, 2009

Cozido à portuguesa Liberdade de escolher

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Correio da Manhã -11 Novembro 2009 - 00h10
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Domingos Amaral, Director da GQ

Cozido à portuguesa

Liberdade de escolher

Com a queda do Muro de Berlim o mundo ficou mais perigoso, mas também mais livre.
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Para muitos, a queda do Muro de Berlim, que na segunda-feira festejou os seus vinte anos, tornou o mundo mais perigoso. A URSS e o seu sistema de países satélites se alguma coisa nos davam era uma certa estabilidade. Apesar dos mísseis apontados, apesar do choque ideológico permanente, a estabilidade do confronto entre dois sistemas antagónicos – de um lado o Ocidente, do outro os países de Leste comunistas – permitia um mundo menos perigoso.
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Com a queda do Muro, e depois de uns anos de ilusões sobre o fim da História e o triunfo universal do capitalismo democrático, rapidamente se percebeu que o mundo ficou mais perigoso. Renasceram guerras que estavam abafadas, renasceram ódios adormecidos, regressaram os nacionalismos cegos e letais, e inflacionou-se o terrorismo islâmico. Ficámos mais seguros com o fim da URSS? Certamente que não. Contudo, não é apenas a segurança dos povos que interessa. O mais importante é sempre a liberdade.
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A liberdade para escolher, para votar, para viajar, para escrever e para ler, para comprar e vender, para se revoltar e indignar com o poder. E essa, a maior conquista da civilização ocidental e pela qual vale sempre a pena lutar, expandiu-se com o fim da URSS. Não em todos os países de Leste, é certo, e não obviamente na Rússia, mas em muitos países as pessoas ficaram mais livres. Milhões de mulheres e de homens foram confrontados com mil e uma novas possibilidades na sua vida, pública e privada, e passaram a ter algo que antes não tinham: a liberdade para escolher. Essa coisa maravilhosa que é, em cada momento das nossas vidas, sermos nós a escolher qual o caminho que queremos. Vou votar em A ou em B; vou à manifestação ou não vou; protesto ou não protesto: compro ou não compro; viajo ou não viajo.
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Todas essas mil e uma pequenas escolhas que fazemos têm de ser livres, e foi isso que aconteceu a milhões de pessoas a partir daquele dia. O mundo pode ter ficado mais perigoso, o capitalismo não é certamente um sistema perfeito, as crises económicas são duras, mas... não há nada como a liberdade de escolha de cada um de nós nas nossas vidas. Ao cair, aquele Muro levou com um ele um mundo sem essa liberdade, um mundo sinistro e aterrador. Não tenhamos dúvidas nunca de que, com todos defeitos do nosso mundo, que por vezes nos deprimem ou nos tornam cépticos sobre o que nos rodeia, ele é certamente melhor do que aquele que se desmoronou com a queda do Muro de Berlim.
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* Victor Nogueira
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Que liberdade para desempregado ou imigrante sem direitos, quem morre de fome ou sem médicos? São biliões! Que lucro?
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NOTÍCIAS DA LIBERDADE, HOJE, NO CM
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11 Novembro 2009 - 00h30

Polémica: Decisões rápidas poderiam ter salvado a investigação

Investigação a Sócrates travada

A decisão de Noronha de Nascimento, presidente do Supremo Tribunal de Justiça, que trava uma investigação a José Sócrates – considerando nulas as (...)

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11 Novembro 2009 - 12h42 - Saúde
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Gripe A: José Sócrates e Ana Jorge foram vacinados

O primeiro-ministro José Sócrates e a ministra da Saúde Ana Jorge foram esta quarta-feira vacinados contra a gripe A na Unidade de Saúde Familiar Marginal, em São João do Estoril. Além dos dois governantes foram igualmente vacinados mais oito profissionais de saúde do referida unidade.
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11 Novembro 2009 - 10h22 - Mundo
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Godinho fotografado a dar saco a Vara (ACTUALIZADA)

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11 Novembro 2009 - 00h30

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quarta-feira, julho 15, 2009

Alegre e Sócrates

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15 Julho 2009 - 09h00

Cozido à Portuguesa

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* Domingos Amaral, Director da 'GQ
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No dia seguinte às eleições de Outubro, o PS vai entrar numa imediata convulsão interna.

Um dos mistérios actuais da política nacional é este: quais as verdadeiras intenções de Manuel Alegre? O que quer ele? Quer voltar a ser candidato presidencial, único à esquerda, unindo comunistas, bloquistas e socialistas contra Cavaco? Quer ser líder do PS depois das eleições, sucedendo a Sócrates? Ou quer apenas obrigar o PS a deixar cair Sócrates depois das eleições, substituindo-o por alguém "mais à esquerda", embora não por ele, Alegre?

É de facto um mistério... Por um lado, Alegre não cessa de atacar o governo de Sócrates, como não cessou nunca ao longo destes quatro anos, o que pode fazer sentido para quem quer unificar a esquerda pela via dupla do coração e da ideologia, preparando-a para uma candidatura presidencial futura. Por outro, nas últimas semanas, Alegre dividiu-se em novos movimentos, aparentemente contraditórios.

Ao mesmo tempo que recusou fazer parte das listas de deputados do PS, o que indica uma desistência da tribuna parlamentar, diminuindo as suas possibilidades de lutar pela liderança do partido depois das eleições; Alegre multiplicou-se em declarações ferozes contra Sócrates. Sábado, no ‘Expresso’, defendeu que o PS não só deve mudar de orientação política, como deve mudar de "pessoas", e é em Sócrates que ele pensa. Na terça, numa revista de nome estranho, diz que recusa qualquer "reedição do Bloco Central, ou outras soluções à direita".

Estas palavras são um aviso grave a Sócrates, e prometem um futuro negro para o primeiro-ministro. Daqui até às eleições de Outubro, Sócrates não terá só de lutar contra a campanha contra si dos outros partidos, mas também contra Alegre e as suas ideias, que correm por fora a pensar no futuro. O primeiro-ministro nunca poderá dizer que não sabe com o que conta, mas nunca os seus adversários, internos e externos, tiveram tanta força.

No dia seguinte às eleições, não terá apenas de se confrontar com uma mais do que provável perda da maioria absoluta, mas também com uma guerra aberta à sua pessoa e às suas possíveis estratégias de aliança governamental. Mesmo que fique à frente do PSD em Outubro, o que o PS promete ao país é pois uma imediata e imprevisível convulsão interna, uma batalha entre os que querem manter Sócrates e os que o querem dali para fora, uma guerra entre os que admitem alianças à direita e os que só as admitem à esquerda. Embora Alegre faça parte do futuro do PS, o que o PS promete ao país é um futuro muito pouco alegre.

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in Correio da Manhã -
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terça-feira, setembro 18, 2007

Que sucedeu a Maddie? (16) - Maddie e Gordon Brown



* Domingos Amaral

Até agora ainda não houve nenhum jornal, português ou inglês, que nos explicasse a natureza da relação de amizade entre Gordon Brown e Gerry McCann.

Sobre o “caso Maddie”, já ouvi falar de quase tudo, e tudo muito esmiuçado, ao pormenor. Desde o rapto à rede de pedofilia, desde o dolo eventual ao ADN, desde os cães que farejam cadáveres aos soporíferos que supostamente foram administrados. Quase tudo foi, e é ainda, examinado à lupa, embora nem sempre satisfatoriamente. Contudo, houve algumas coisas que ainda ninguém explicou bem. Por exemplo: é Gerry McCann amigo pessoal do primeiro-ministro inglês Gordon Brown? Apenas o Público, no sábado passado, e o director deste jornal, ontem, referiram esse facto de passagem. Mas, ninguém passou da superfície. Porquê? Porque é que até agora ainda não houve nenhum jornal, português ou inglês, nem nenhuma televisão, portuguesa ou inglesa, que nos explicasse qual a natureza dessa relação de amizade, e até que ponto ela é forte?
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É que isso pode ser bastante importante para perceber porque é que o “caso Maddie” tomou as dimensões que tomou, em Inglaterra, em Portugal e no resto do mundo. À medida que o processo vai avançando, e a investigação aponta na direcção da morte da menina, sendo os pais cada vez mais suspeitos, o que vamos descobrindo é que podemos ter assistido à maior e mais sofisticada operação de marketing fraudulenta de todos os tempos, destinada a convencer-nos a todos de que a criança tinha sido raptada.
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Ora, e esse é o meu argumento hoje, será que a colossal dimensão dessa operação de marketing foi possível apenas porque Gerry é amigo de Gordon Brown? Ou, por outras palavras, houve um envolvimento directo da Downing Street nesta monumental mistificação planetária? Infelizmente, tudo indica que sim.
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Desde os primeiros dias que houve intervenção de Gordon Brown, que logo na primeira semana disse que “o Governo inglês iria pressionar as autoridades portuguesas para resolver o caso”. Depois, avançou para Portugal a cavalaria. Um dos maiores especialistas de marketing político inglês – conhecidos com ‘spin doctors’ – veio para a Praia da Luz dirigir as operações, e a campanha mediática do “Find Madeleine” arrancou a todo o vapor. ‘Site’ na net, angariação de fundos por todo o mundo, celebridades mundiais “empenhadas na causa”, idas a Fátima rezar, viagens pela Europa, conversas com ministros espanhóis e não só, idas diárias à Igreja da Luz, declarações contidas dos pais, e por fim, a cereja em cima do bolo, uma audiência com Sua Santidade, Bento XVI. Um verdadeiro ‘blitzkrieg’ mediático, como nunca houve, nem provavelmente virá a haver tão cedo.
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Mas, será isto normal? Quer dizer, será isto possível sem uma intervenção poderosa do governo inglês? A resposta é, obviamente, não. Nenhum casal teria conseguido tanta coisa em tão pouco tempo se não estivesse a ser activamente ajudado pelas mais altas esferas inglesas. Para ser recebido pelo Papa, para falar com ministros, para ter a imprensa inglesa sempre aos pés, solidária e fiel como um dócil cãozinho, é preciso poder. E esse poder só pode ter vindo directamente de Gordon Brown. Como, não sei, mas só assim se explica que existam tantos “acessores de imprensa” ou de “imagem” à volta dos McCann, e todos eles com ligações directas ao gabinete de Brown. Só assim se explica que um casal, aparentemente anónimo e de classe média, tenha tratamento VIP nos aeroportos, nas chancelarias e na imprensa. E é espantoso que, quatro meses e tal depois do início do caso, ainda estas questões não tenham sido levantadas em público.
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Até porque, e à medida que a investigação vai avançando na direcção da culpabilidade dos pais, esta situação começa a ser cada vez mais grave e duvidosa. Já viram o que será se se prova que a Downing Street foi colossalmente enganada por um amigo de Brown ? Já viram o que será se se prova que uma mega-campanha mundial arquitectada directa ou indirectamente pelo primeiro-ministro inglês se revela a maior fraude deste início de século? O “caso Maddie”, de história criminal fascinante, passaria a ser um gravíssimo assunto político para a Inglaterra…____
Domingos Amaral, Director da revista “Maxmen”
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in Diário Económico 2007.09.18
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Juiz obriga PJ a ficar na mão dos ingleses in Correio da Manhã 2007.09.18