A Internacional

__ dementesim . . Do rio que tudo arrasta se diz que é violento Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem. . _____ . Quem luta pelo comunismo Deve saber lutar e não lutar, Dizer a verdade e não dizer a verdade, Prestar serviços e recusar serviços, Ter fé e não ter fé, Expor-se ao perigo e evitá-lo, Ser reconhecido e não ser reconhecido. Quem luta pelo comunismo . . Só tem uma verdade: A de lutar pelo comunismo. . . Bertold Brecht
Mostrar mensagens com a etiqueta Economika. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Economika. Mostrar todas as mensagens

sábado, abril 14, 2012

Leonardo Boff ~Governados por cegos e irresponsáveis


Amazônia, Baixo Tocantins, biodiversidade, sustentabilidade, cidadania, cultura e oportunidades .



- Colunista do Carta maior 20/08/2011

SOMOS GOVERNADOS POR CEGOS E IRRESPONSÁVEIS, INCAPAZES DE DAR-SE CONTA DAS CONSEQUÊNCIAS DO SISTEMA ECONÔMICO-POLÍTICO-CULTURAL QUE DEFENDEM. CRIOU-SE UMA CULTURA DO CONSUMISMO PROPALADA POR TODA A MÍDIA. HÁ QUE CONSUMIR O ÚLTIMO TIPO DE CELULAR, DE TÊNIS, DE COMPUTADOR. 66% DO PIB NORTEAMERICANO NÃO VEM DA PRODUÇÃO MAS DO CONSUMO GENERALIZADO. 

 AFUNILANDO AS MUITAS ANÁLISES FEITAS ACERCA DO COMPLEXO DE CRISES QUE NOS ASSOLAM, CHEGAMOS A ALGO QUE NOS PARECE CENTRAL E QUE CABE REFLETIR SERIAMENTE. AS SOCIEDADES, A GLOBALIZAÇÃO, O PROCESSO PRODUTIVO, O SISTEMA ECONÔMICO-FINANCEIRO, OS SONHOS PREDOMINANTES E O OBJETO EXPLÍCITO DO DESEJO DAS GRANDES MAIORIAS É: CONSUMIR E CONSUMIR SEM LIMITES.

As autoridades inglesas se surpreenderam ao constatar que entre os milhares que faziam turbulências nas várias cidades não estavam apenas os habituais estrangeiros em conflito entre si, mas muitos universitários, ingleses desempregados, professores e até recrutas. Era gente enfurecida porque não tinha acesso ao tão propalado consumo. Não questionavam o paradigma do consumo mas as formas de exclusão dele. 

No Reino Unido, depois de M.Thatcher e nos USA depois de R. Reagan, como em geral no mundo, grassa grande desigualdade social. Naquele país, as receitas dos mais ricos cresceram nos últimos anos 273 vezes mais do que as dos pobres, nos informa a Carta Maior de 12/08/2011. 

Então não é de se admirar a decepção dos frustrados face a um “software social” que lhes nega o acesso ao consumo e face aos cortes do orçamento social, na ordem de 70% que os penaliza pesadamente. 70% do centros de lazer para jovens foram simplesmente fechados. 

O alarmante é que nem primeiro ministro David Cameron nem os membros da Câmara dos Comuns se deram ao trabalho de perguntar pelo porquê dos saques nas várias cidades. Responderam com o pior meio: mais violência institucional. O conservador Cameron disse com todas as letras:”vamos prender os suspeitos e publicar seus rostos nos meios de comunicação sem nos importarmos com as fictícias preocupações com os direitos humanos”. Eis uma solução do impiedoso capitalismo neo-liberal: se a ordem que é desigual e injusta, o exige, se anula a democracia e se passa por cima dos direitos humanos. Logo no pais onde nasceram as primeiras declarações dos direitos dos cidadãos.

Se bem reparmos, estamos enredados num círculo vicioso que poderá nos destruir: precisamos produzir para permitir o tal consumo. Sem consumo as empresas vão à falência. Para produzir, elas precisam dos recursos da natureza. Estes estão cada vez mas escassos e já delapidamos a Terra em 30% a mais do que ela pode repor. Se pararmos de extrair, produzir, vender e consumir não há crescimento econômico. Sem crescimento anual os paises entram em recessão, gerando altas taxas de desemprego. Com o desemprego, irrompem o caos social explosivo, depredações e todo tipo de conflitos. Como sair desta armadilha que nos preparamos a nós mesmos?

O contrário do consumo não é o não consumo, mas um novo “software social” na feliz expressão do cientista político Luiz Gonzaga de Souza Lima. Quer dizer, urge um novo acordo entre consumo solidário e frugal, acessivel a todos e os limites intransponíveis da natureza. Como fazer? Várias são as sugestões: um “modo sustentável de vida”da Carta da Terra, o “bem viver” das culturas andinas, fundada no equilíbrio homem/Terra, economia solidária, bio-sócio-economia, “capitalismo natural”(expressão infeliz) que tenta integrar os ciclos biológicos na vida econômica e social e outras.

Mas não é sobre isso que falam quando os chefes dos Estados opulentos se reunem. Lá se trata de salvar o sistema que veem dando água por todos os lados. Sabem que a natureza não está mais podendo pagar o alto preço que o modelo consumista cobra. Já está a ponto de pôr em risco a sobrevivência da vida e o futuro das próximas gerações. Somos governados por cegos e irresponsáveis, incapazes de dar-se conta das consequências do sistema econômico-político-cultural que defendem.

É impertivo um novo rumo global, caso quisermos garantir nossa vida e a dos demais seres vivos. A civilização técnico-científica que nos permitiu niveis exacerbados de consumo pode pôr fim a si mesma, destruir a vida e degradar a Terra. Seguramente não é para isso que chegamos até a este ponto no processo de evolução. Urge coragem para mudanças radicais, se ainda alimentamos um pouco de amor a nós mesmos.


Leonardo Boff é teólogo e escritor.


http://floradadosmucajas.blogspot.pt/2011/08/governados-por-cegos-e-irresponsaveis.html

sábado, fevereiro 06, 2010

Gustavo Toshiaki: A Economia Política do desastre no Haiti


América Latina

Vermelho - 29 de Janeiro de 2010 - 10h00

em Esquerda.net

O conceito de desastres naturais esconde o fato de que os impactos deste tipo de acontecimento são sistematicamente desproporcionais nos países mais pobres. Noventa porcento das vítimas de desastres naturais vivem em países em desenvolvimento.
.
Nos últimos 50 anos, o Haiti foi sistematicamente assolado por outras catástrofes naturais, cerca de 67 episódios, tais como inundações, furacões e desmoronamentos, onde para além da destruição em termos econômicos, foram afetadas mais de 4 milhões de pessoas e contabilizadas mais de 14 mil vítimas mortais. Apenas uma catástrofe na dimensão dos eventos recentes foi capaz de captar a atenção internacional.
.
A história recente do Haiti talvez possa ser descrita com uma única palavra, "instabilidade". Entre 1986 e 2009 o Haiti teve nada menos que 17 alterações de governos, 3 períodos sem chefe de Estado, uma ocupação por parte dos Estados Unidos, e vários períodos de intervenção das forças das Nações Unidas para assegurar um nível mínimo de segurança.
  .
Mais do que a influência direta que muitos países exerceram na busca pela exploração do povo e dos recursos haitianos, toda a lógica de apoio internacional era de alguma forma pervertida pela conivência cega justificada com a crença no caminho pelo mercado.
.
Diante de estruturas de poder onde o governante conta apenas com uma pequena parcela da população como suporte de seu governo, as decisões sobre investimentos em prevenção de desastres naturais passam por duas questões fundamentais.
.
Por um lado é importante lembrar que os investimentos deste tipo são pouco apelativos na "contabilidade eleitoral", visto que tendem a ter resultados demasiado dilatados no tempo e pouca visibilidade diante da ausência de catástrofes. No caso específico do Haiti outra questão mostrou-se fundamental para que nada fosse feito, o simples fato de os desastres naturais serem claramente favoráveis à consolidação do poder instaurado.
.
Tal fenômeno devia-se ao fato de uma pequena elite local concentrar os meios de produção no país. Todos os anos, os desastres naturais geravam um afluxo de investimentos humanitários que perversamente era quase que exclusivamente capturado pelas elites locais, reforçando o poder destas elites e perpetuando um mecanismo de desincentivo à prevenção de desastres naturais.
.
As evidências mostram que medidas sistêmicas de gestão e coordenação de resposta aos desastres naturais possuem um impacto muito mais significativo do que o montante de recursos envolvidos.
.
O Haiti está prestes a atravessar o período de furacões, cujas consequências ainda podem ser muito graves. A comunidade internacional será novamente responsável por uma tragédia que podia e devia ter sido evitada e cuja a incidência nada tem de natural. 
.
.