- Eugénio Rosa
"e como que a experiência é a madre das cousas, por ela soubemos radicalmente a verdade" (Duarte Pacheco Pereira)
A Internacional
quarta-feira, agosto 22, 2012
Eugénio Rosa - Desemprego é mera nota negativa para Passos Coelho
domingo, fevereiro 13, 2011
Elmar Altvater: Revolução cultural para a sociedade do trabalho
Mundo
Elmar Altvater
A redução da jornada de trabalho é a unica possibilidade de impedir o aumento do desemprego e do trabalho precário. O bem-estar das nações cresce com o aumento da produtividade. Mas o aumento da produtividade traz consigo a elevação do número de trabalhadores com ocupação precária, dos desempregados, e a difusão da atividade informal.
Por Elmar Altvater*
Com uma economia em crescimento, muitos dos prementes problemas da humanidade parecem ser passíveis de solução. A economia poderia expandir-se a partir das dívidas gigantescas que os Estados provocaram para salvar os patrimônios financeiros. Com a expansão dos mercados, mais mercadorias poderiam ser vendidas. Para a sua produção, seriam criados novos postos de trabalho. O combate contra a miséria e a fome talvez fosse mais eficaz. E os objetivos do milênio estabelecidos pelas Nações Unidas em 2000, tais como educação para todos, redução da mortalidade infantil, combate a Aids e a malaria, talvez pudessem ser atingidos mais facilmente.
Mas apesar de todas as conjuras, as taxas de crescimento baixam em todas as partes do mundo. Nos anos 50, a República Federal da Alemanha teve um crescimento do PIB de mais de 8% ao ano. Nas décadas posteriores essa taxa reduziu-se pela metade, conhecendo depois outras reduções, chegando a 2,6% ao ano. No anos 90, a taxa de crescimento foi de apenas 1,2%. E seguramente, ela será nas primeiras décadas do século XXI ainda mais baixa, mesmo que fale-se muito agora do “milagre do trabalho” e do “Boom-Germany”. É fato que os dados da economia alemã de 2010 foram melhores que os esperados um ano antes. Mas a situação é ainda pior em outras partes da Europa. E o excedente de exportação da Alemanha não é isento de culpa em relação a isso. E há uma série de razões plausíveis envolvendo as perspectivas de longo prazo de uma tendencial queda da taxa de crescimento da economia.
Fim dos recursos naturais
Somente para a manutenção de uma taxa de crescimento constante, é necessário a continua elevação de aumento absoluto do produto interno bruto. E isso vale também para o uso de recursos naturais e para a emissão de poluentes. Caso o atual estoque de petróleo acabe, novas demandas poderão ser atendidas com a descoberta de novas reservas. Mas há um limite para isso, chamado na economia de “Peak Oil”.
Novos campos petrolíferos não poderão ser encontrados de forma ilimitada. A terra já está furada como um queijo suiço. E a exploração do chamado petróleo não convencional, como no mar profundo, é cara e extremamente perigosa, como prova a avaria da plataforma “Deepwater Horizon” na costa sul dos Estados Unidos da América. Ali, no momento, também há crescimento, mas graças ao imenso trabalho de limpeza. Isso não é uma prova convincente de mais bem-estar.
Assim, o crescimento que atinge os limites colocados pelo meio ambiente não é nenhum medicamento sem efeitos colaterais perigosos. Tais efeitos podem ser aceitos em nome da criação de novos postos de trabalho ? No capitalismo, a força de trabalho só pode ser empregada caso gere lucro. Os produtos de seu trabalho devem ser mercadorias em condições de enfrentar a concorrência nos mercados globais. Preço e qualidade devem ser compatíveis, a demanda deve existir. Isso também envolve a produtividade do trabalho e a distribuição de renda, caso haja aumento da ocupação.
A elevação da produtividade do trabalho é um processo muito complexo. Ela exige não apenas progresso técnico, como também a formação e a requalificação da força de trabalho. Ela demanda um rearranjo social e organizativo, a criação das respectivas condições políticas e mudanças culturais. Mas o mercado está pouco inclinado para isso. Os seus atores não pensam a longo prazo, mas a curto prazo. Eles são levados pela busca de ganhos rápidos, e não por perspectivas de desenvolvimento continuado.
Também ocorrem desvalorizações, e investimentos em novas instalações tornam-se necessários para elevar-se a produtividade do trabalho. Mas dessa maneira eleva-se igualmente a intensidade do capital, ou seja, a relação entre o capital aplicado por força de trabalho. Karl Marx chamou isso de “composição orgânica do capital”. Com uma melhor produtividade, a taxa de crescimento da economia pode subir, mas desde que a produção seja competitiva.
No entanto, o aumento da composição orgânica do capital faz baixar a taxa de lucro. E caso isso contribua para diminuir o investimento, a taxa de acumulação se reduz. Então, o capital líquido é preferencialmente investido no setor financeiro, e não na economia real. O que, por sua vez, provoca uma retração do excedente, enquanto as exigências financeiras vão crescendo. Essa é a constelação que faz com que as crises financeiras tornem-se quase inevitáveis, como mostram as experiências mais recentes.
Como constatou Adam Smith, um autor clássico da econômica política, uma elevada produtividade do trabalho aumenta o “bem-estar das nações”. Mas o reverso inevitável é o movimento que torna a força de trabalho supérflua. Por isso, David Ricardo caracterizou-a como sendo uma “população supérflua” (excedente populacional). Trata-se das ocupações precárias, dos desempregados e dos trabalhadores da economia informal dos dias de hoje. Como consequência do avanço produtivo há muita coisa em oferta . Mas o poder de compra não mantem-se e o número da força de trabalho em ocupação normal também não.
A redução da jornada de trabalho
A suposição de que o “exército de reserva” pudesse diminuir com o crescimento da economia, ou seja, com a expansão do volume de trabalho e com novas contratações, já foi criticada por Marx. Os capitalistas querem economizar em trabalho pago. Por isso, os efeitos gerados pelo exército de reserva devem ser mais eficazes do que a ampliação da produção. A inteira compensação do excedente gerado pela força de trabalho socavaria o objetivo em questão, ou seja, a redução dos custos do trabalho.
Diferentemente do capitalismo do século 19, hoje a discussão trava-se em torno de uma nova forma de compensação: precisamente, a redução da jornada de trabalho. De fato, ela é a única possíbilidade de evitar o aumento da “população supérflua” como consequência do progresso da produtividade. Ela exige na sociedade do trabalho uma pequena revolução cultural com possíveis consequências bastante abrangentes: trata-se da transformação do tempo alienado em tempo apropriado, da reorganização do trabalho assalariado, da ampliação do tempo livre e do trabalho comunitário. Trata-se de uma mudança fundamental das relações naturais, externas e internas. Isso indica uma revolução cultural.
Elmar Altvater é professor emérito da Universidade Livre de Berlim e membro do partido Die Linke (A Esquerda).
Tradução de Luciano C. Martorano
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quarta-feira, novembro 17, 2010
Barreiro: 600 empregos abaixo de 800 €
600 empregos abaixo de 800 €
- 0h30 Correio da Mahã 2010 11 17
sexta-feira, abril 02, 2010
Licenciados colocados pelos centros de emprego com salário mais baixo
Licenciados colocados pelos centros de emprego
com salário mais baixo 
As propostas de trabalho para licenciados que no ano passado chegaram aos centros de emprego oferecem um salário médio de 834 euros, menos 15 euros do que em 2008. Embora os dados oficiais revelem que durante o período mais grave da crise o pouco emprego criado privilegiou os mais qualificados, ao mesmo tempo os salários sofreram uma penalização.
De acordo com os números do Instituto de Emprego e Formação Profissional, no ano passado as empresas ofereciam um salário médio de 523 euros (mais 10 euros do que em 2008) aos desempregados, mas este valor varia consoante a qualificação. Os postos de trabalho para desempregados com o ensino básico apresentavam salários na ordem dos 507 euros (mais nove euros do que em 2008), enquanto os salários para quem tinha o secundário chegavam aos 553 euros (mais 28 euros).
Estes números foram ontem apresentados aos parceiros sociais e servirão de base à discussão sobre a melhor forma de incentivar os desempregados a voltar ao mercado de trabalho, uma das medidas previstas no Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC).
O documento que visa colocar as contas públicas na ordem prevê uma "diminuição dos salários" que obrigam à aceitação de um posto de trabalho por parte dos desempregados. Isso passará pela alteração do actual regime que obriga os beneficiários da prestação de desemprego a aceitar um trabalho por um salário 25 por cento acima do subsídio, nos primeiros seis meses da prestação, ou 10 por cento acima do subsídio a partir do sétimo mês.
Porém, e contrariando as expectativas dos parceiros sociais, a ministra do Trabalho, Helena André, chegou à Concertação Social sem qualquer proposta concreta, garantindo que a alteração das regras do subsídio de desemprego ainda está em aberto. "O Governo não apresentou nenhuma proposta sobre se são 10 por cento, se são 15 por cento ou se são zero por cento. Não há proposta nenhuma sobre a mesa", frisou no final do encontro.
Helena André não confirmou as declarações feitas pelo ministro das Finanças, que em entrevista ao Jornal de Negócios garantiu que estava em cima da mesa reduzir a percentagem para dez por cento.
No final da reunião, o secretário- geral da UGT, João Proença, lamentou que o debate esteja "envenenado à partida" pelo PEC e avisou que "não aceitará qualquer variação do valor do subsídio de desemprego ou da duração da atribuição".
Arménio Carlos, da comissão executiva da CGTP, também deixou claro que "todas as medidas que apontem para a redução das prestações sociais contará com a oposição" da central.
Do lado dos patrões, António Saraiva, presidente da Confederação da Indústria Portuguesa, destacou que a principal preocupação deve ser "trazer para o mundo do trabalho todos aqueles que se afastaram dele pela via do desemprego", mas que existem muitas formas de o fazer além das alterações ao subsídio de desemprego.
Alguns minutos mais tarde, também Helena André questionava: "Não entendo esta fixação tão grande relativamente à questão do subsídio de desemprego quando ele é um dos instrumentos que podem ajudar a aumentar a empregabilidade. Há tantas coisas que podem ser equacionadas e postas à discussão".
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Licenciados colocados pelos centros de emprego...
pois este é que é o grande problema : os Centros de emprego são actualmente ...Comentários 1 a 10 de 27
b_indie . 01.04.2010 12:43Via PÚBLICODiferenca Sim, Preversäo Näo!!
A humanidade näo se resume em números, e o bem estar da mesma muito menos. As firmas devem ser instrumentos para enriquecer uma sociedade, näo empobrece-la! (Neste último caso devem ser imediatamente exterminadas!!) Dentro de uma firma quando certos empregados desempenham melhores funcöes do que outros, concordo naturalmente que sejam compensados pelo seu desempenho, mas näo tanto no plano remunerativo, muito mais no plano directivo, e administrativo! De forma a näo pôr em causa a distribuicäo de riqueza, bem essencial para dinamizar a economia! FORA OS EGOÍSTAS GANANCIOSOS!!
Carreiras . 01.04.2010 12:42Via PÚBLICOSofremos de um enorme atraso
Actualmente, passamos por uma crise económica, mas também por um evidente atraso sócio-económico a vários níveis. Senão vejamos, em termos de Ensino Superior há dois aspectos desfasados da realidade: o 1º é o facto de haver um número de licenciaturas muito superior às necessidades de técnicos licenciados no mercado (aspecto revelador de um atraso ao nível da economia do país); o 2º é o facto de uma parte relevante dos cursos carecerem de uma componente estruturalmente prática que desenvolveria o tipo de competências na acção actualmente adequadas para o ideal funcionamento das instituições empregadoras. Resumindo, há um desfasamento entre o Ensino Superior e as necessidades (procura) do mercado. Este problema poderia ser evitado, caso houvesse por parte do Ministério da Educação algumas medidas de fundo, quer no que toca à liberdade de abertura de cursos, quer no que se refere a uma maior regularização dos conteúdos prgramáticos de todos os cursos. O atraso é visível ainda no Quadro de Classificação Nacional de Profissões português, que nem sequer se encontra actualizado, a tal ponto de nem constarem profissões de muitos profissionais que trabalham numa dada área. Se um indivíuo ...
ruibbb . 01.04.2010 10:58Via PÚBLICOTítulo
Tão grandes - ou ainda maiores - são as diferenças de produtividade valor entre as pessoas. Infelizmente a educação em Portugal tem produzido profissionais de segunda, quer em termos de competências técnicas, quer em termos de comportamentos profissionais (cumprimento de prazos, pontualidade, estruturação, planeamento das actividades do dia a dia...). Existem uns quantos que são a excepção - e esses cobram muito mais pelas suas competências distintivas. Achar boas pessoas - em todos os sentidos da palavra - não é nada fácil.
b_indie . 01.04.2010 10:09Via PÚBLICO500EUR vs 4000EUR
Porque é q existem assim diferencas täo grandes de ordenados, entre um trabalhador normal, e um politico, um manager ou um doutor em portugal? Será que esses precisam de comer muito mais que uma pessoa normal, será que esses têm muitos mais filhos para educar, vestir e de alimentar todos os dias? (normalmente säo os que ainda menos filhos têm!!) Será necessária esta diferenca desmedida? NÄO! NUNCA! Quando é que páram com esta perversa discriminacäo? Quando é que esses seres vivos gananciosos väo respeitar e honorar todo e qualquer portugues de igual para igual??-
Anónimo , Coimbra. 02.04.2010 20:19Licenciados colocados pelos centros de emprego...
pois este é que é o grande problema : os Centros de emprego são actualmente verdadeiras empresas de trabalho temporário. colocam os trabalhadores a baixo custo e até pagam para os colocar gratuitamente (ou praticamente). E qual será o empresário que tendo trabalhadores de borla os vai pagar????!!! Qualquer um de nós pode observar que nos estabelecimentos comerciais, nas empresas de limpeza, nas universidades, etc. ha uma rotação de trabalhadores excessiva que é alimentada por esta "politica de emprego" do Estado! O patrão tem trabalhadores de borla e o Estado paga! E o trabalho - esse - é feito mal e porcamente, pois sendo temporário, nem dá tempo para reclamar ao empregador, nem cria gosto no "empregado". -
MM , Maia. 02.04.2010 13:48O que é um licenciado?
É preciso lembrar à maioria das pessoas que o termo licenciado passou desde 2006 a designar o que antes era bacharel! O equivalente ao licenciado anterior passou a chamar-se mestre. À medida que os empresários se vão aprecebendo disto vão reduzindo o ordenado que oferecem para licenciados. -
Osga , Parede. 02.04.2010 12:40resposta
Deve ser o unico país da europa no qual um licenciado, que investiu na sua formação, cujos pais muitas vezes tiveram de fazer enormes sacrifícios para lhes proporcionarem uma ferramenta essencial para se conseguir um trabalho, lhes é oferecido um ordenado equivalente ao das mulheres a dias, não estou a desprezar o trabalho doméstico, mas há limites para tudo.Nivelar por baixo, sempre foi o que este país de melhor soube fazer, os nossos empresários ainda não perceberam que trabalhadores mal pagos, sem incentivos, sem desafios para melhorarem as suas competências, são o melhor caminho para a falência das empresas.Somos de facto como se costuma dizer muito pequeninos de espírityo, muito atrasados, mas temos a mania que somos espertos. -
desempregado , Faro. 01.04.2010 21:53«privilegio»!
Depois dos descontos e dos transportes para irem trabalhar, recebem menos do que a arrumar carros ou á porta de uma Igreja... -
Anónimo , Lisboa. 01.04.2010 15:50Viver com 750 euros
Sou licenciado, trabalho há mais de 11 anos e ganho...750 euros!!! Todo o meu ordenado vai para pagar as prestações de crédito à habitação ( sou casado e pai de um rapaz de 5 anos), e nunca chegam porque mesmo com esforço de saldar, ficam com uns 40 euros em dívida e com os meses seguintes, como podem imaginar, a dívida vai-se acumulando. Isto é uma situação deplorável, anedotática e revoltante para um país em que há executivos auferirem salários ridículos, absurdos e imorais! E ainda falam da produtividade! Qual quê! Não, a produtividade num país como o nosso é um conceito ultrapassado. Cunha e influências continuam infelizmente a ser um factor determinante.
rui , faro. 01.04.2010 15:44mudar
Se o rendimento fosse melhor distribuído por todos os trabalhadores, haveria o suficiente para todos. Mas só uma sociedade civil unida, fraterna e participativa pode fazer essa mudança. Participem neste projecto: (...). ORG..
quarta-feira, janeiro 20, 2010
Paul Krugman: Aquele sentimento de 1937 pode voltar
Economia
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Eis o que está vindo por aí nas notícias econômicas: O próximo relatório sobre emprego pode mostrar que a economia está criando postos de trabalho pela primeira vez em dois anos. O próximo relatório do Produto Interno Bruto (PIB) deve apontar um crescimento sólido no final de 2009.
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Por Paul Krugman, do The New York Times, na Terra Magazine
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Mas, se esses apelos forem considerados, estaremos repetindo o grande equívoco de 1937, quando o Fed e a administração Roosevelt decidiram que a Grande Depressão havia acabado e que já era hora de a economia jogar fora suas muletas. Os gastos foram cortados, a política monetária foi apertada, e a economia imediatamente mergulhou de novo nas profundezas.
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Isso não deveria estar acontecendo. Tanto Ben Bernanke, o presidente do Fed, quanto Christina Romer, que lidera o Conselho de Assessores Econômicos do presidente Barack Obama, são estudiosos da Grande Depressão. Cristina foi explicitamente alertada contra a possibilidade de reeditar os acontecimentos de 1937. Porém, aqueles que lembram o passado ainda assim o repetem algumas vezes.
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Quando você ler as notícias econômicas, será importante lembrar, em primeiro lugar, que blips de crescimento - números positivos ocasionais, que não significam nada - são comuns mesmo quando a economia está, de fato, atolada em uma recessão prolongada. No início de 2002, por exemplo, os relatórios iniciais mostraram que a economia crescia a uma taxa anual de 5,8%. Mas a taxa de desemprego se manteve em alta por mais um ano.
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E, no início de 1996, relatórios preliminares mostraram que a economia japonesa crescia a uma taxa anual de mais de 12%, o que levou a declarações triunfantes de que "a economia finalmente entrou em uma fase de recuperação autoimpulsionada". Na verdade, o Japão estava apenas no meio do caminho de uma década perdida.
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Esses blips são frequentes, em parte, são ilusões estatísticas. Porém - o mais importante -, eles são normalmente causados pela venda de produção estocada. Quando a economia está em declínio, as empresas tipicamente se vêem com enormes estoques de produtos não vendidos. Para desovar esses estoques, elas reduzem a produção; assim que se desfazem do excesso, voltam a elevar a produção, o que aparece como um surto de crescimento do PIB. Infelizmente, o crescimento causado por esse ajuste de estoques só ocorre uma vez, menos que dê respaldo às fontes de demanda, como os gastos dos consumidores e o investimento de longo prazo.
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O que nos leva aos ainda amargos fundamentos da situação econômica.
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Durante os bons anos da década passada, o crescimento foi impulsionado por um boom imobiliário e por uma explosão de gastos dos consumidores. Nenhum dos dois fatores ocorrerá novamente. Não poderá haver um novo boom imobiliário enquanto a nação ainda estiver cheia por casas vazias e apartamentos deixados pelo boom anterior, e os consumidores - que estão US$ 11 trilhões mais pobres do que antes - não estão em posição de retomar os antigos hábitos de "compre agora, poupe jamais".
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O que nos resta? Um boom nos investimentos seria realmente útil neste momento. Mas é difícil visualizar de onde viria: a indústria está nadando em excesso de capacidade, e os aluguéis comerciais enfrentam uma enorme oferta de espaços para unidades de negócios.
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As exportações podem ser a salvação? Por um tempo, o déficit comercial em queda dos Estados Unidos ajudou a amortecer o colapso da economia. Mas o déficit está crescendo novamente, em parte porque a China e outros países superavitários se recusam a acomodar suas moedas.
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Por isso, provavelmente, qualquer notícia econômica positiva que você ouvir no futuro próximo será um blip, não uma indicação de que estamos no caminho da recuperação sustentada. Mas será que os responsáveis pela política interpretarão mal as notícias e repetirão os erros de 1937? Na verdade, eles já estão repetindo.
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Espera-se que o estímulo fiscal do presidente Obama tenha um efeito de pico sobre o PIB e o emprego por volta da metade deste ano e, depois, comece a arrefecer. Ainda é muito cedo. Por que retirar o apoio financeiro diante da contínua massa de desempregados? O Congresso deveria ter colocado em prática uma segunda etapa de estímulo há meses atrás, quando se tornou claro que a recessão seria mais profunda e longa do que o previsto inicialmente. Porém, nada foi feito - e os números positivos ilusórios que estamos prestes a ver provavelmente frustrarão qualquer possibilidade de ação.
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Enquanto isso, todo o discurso no Fed é sobre a necessidade de uma "saída estratégica" a partir de seus esforços de apoio à economia. Um desses esforços, a compra de títulos de dívida de longo-prazo do governo dos Estados Unidos, já chegou a um final. Também se espera que as aquisições de títulos lastreados em hipotecas terminem dentro de poucos meses. Isso significa um aperto monetário, mesmo que o Fed não aumente as taxas de juros diretamente - e há uma enorme pressão sobre Bernanke para que faça isso.
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O Fed entenderá - antes que seja tarde - que a tarefa de lutar contra a recessão ainda não terminou? O Congresso se dará conta disso? Caso não, 2010 será um ano que terá começado com falsas esperanças econômicas e terminado em aflição.
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Paul Krugman é economista, professor da Universidade de Princeton e colunista do The New York Times. Ganhou o prêmio Nobel de economia de 2008. Artigo distribuído pelo New York Times News Service.
sábado, julho 04, 2009
Governo integra 5500 funcionários
* Diana Ramos / Pedro H. Gonçalves com A.P.D.
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O Ministério das Finanças confirma ter dado aval à Saúde e Educação para a abertura de lugares com carácter de urgência. "O Estado desencadeará em breve concursos públicos tendentes a suprir necessidades permanentes da Administração", respondeu ao CM fonte oficial, não revelando o número de funcionários com vínculo precário na Função Pública.
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Sobre esta matéria, a mesma fonte admitiu que "nem a lei, nem muito menos o Governo, entende que os contratos a termo devam ser suprimidos, mas antes que, conforme previsto no Regime do Contrato de Trabalho em Funções Públicas, aqueles que ultrapassem certo limite temporal dêem lugar à abertura de procedimentos concursais".
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A decisão do Governo não abrange as centenas de funcionários do Ministério da Educação cujas competências foram transferidas para os municípios. "Estes trabalhadores ficam pendurados porque têm contrato a termo mas não podem participar nos concursos. A responsabilidade de encontrar uma solução para o contrato compete ao município". Solução que pode passar pela dispensa, salienta José Abraão do SINTAP.
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Os dados do Observatório do Emprego Público mostram que no final de 2007 havia no Estado 11 691 precários (tarefeiros e avençados), a que se somam cinco mil das autarquias, como noticiou o CM em primeira mão. Mais de cinco mil pertenciam ao Ministério da Educação e mais de 1200 ao da Saúde. No total da Administração Pública, eram 23 mil os afectados por contratos a termo, com especial incidência em auxiliares, educadores de infância e enfermeiros.
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EXECUTIVO CHEGA A ACORDO PARA A COMPRA DA COSEC
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O ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, anunciou ontem no Parlamento que o Governo já chegou a acordo com o BPI e com a Euler Hermes para a compra da Cosec. "A compra da Cosec está já acertada com o BPI e com o outro accionista [Euler Hermes], afirmou Teixeira dos Santos, em resposta a uma questão do CDS-PP sobre o processo de aquisição da companhia de seguros de crédito líder no mercado português.
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O governante recusou porém avançar quanto custará a compra da seguradora.
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APONTAMENTOS
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FRAUDE
Teixeira dos Santos confirmou ontem que há portugueses envolvidos na fraude fiscal de Liechtenstein. Sem adiantar pormenores, o ministro garantiu que serão abertos processos criminais caso sejam detectadas infracções.
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IMPOSTOS
O ministro das Finanças disse que não aumentará os impostos após a crise: "Não deve haver aumento de impostos na saída da crise para resolver problemas orçamentais."
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Não dá para entender. então a intenção não era reduzir aos func.publicos? Que ladroagem.
Vê-se mesmo que é época de elaições, prometesse tudo e mais alguma coisa. Agora já há dinheiro.
Abriu a caça ao voto. Prometem tudo para apanhar o voto ao povo, mas esquecem-se que o povo já não tem a memória curta
Então e os recibos verdes estão esquecidos? Não vai haver aumento impostos após a crise? Caça aos votos
Sempre são mais 5 500 votos. Almada
Agora é verdade. Há eleições. E os votos? Depois ... se o PS ganhar ... volta tudo ao mesmo!
Quem pode acreditar nestes sujeitos ? Prometeram o mesmo antes, em condições melhores do que hoje.
Só agora? Estão à espera que eles agradecidos agora votem PS? Estes socialistas andam tão enganados...
Foi o Sr. Sócrates que mandou, não foi? PORREIRO PÁ. Pudera é ano de eleições.E depois do adeus ao P.S.?
Então em que é que ficamos?Ainda há dias o tótó das Finanças se gabou de terem reduzido o número de funcionários!
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27 Junho 2009 - 00h32 - Última Hora Algumas dezenas de pessoas concentraram-se ontem em frente à Segurança Social da Alameda, em Lisboa, num protesto organizado pela Federação dos Sindicatos da Função Pública, para exigirem o fim da privatização de equipamentos sociais e a recolocação dos funcionários entretanto afastados ou colocados na mobilidade especial.(...)
.Protesto: Contra privatizações
27 Junho 2009 - 00h14 - Última Hora
.Função Pública Menos 50 mil
O ministro das Finanças considerou que o Governo conseguiu concretizar o objectivo de redimensionar a Administração Pública, com a redução de 50 mil trabalhadores no âmbito de um processo equilibrado. “Hoje temos uma Administração Pública que equivale à que tínhamos há dez anos”, disse Teixeira dos Santos. (...)26 Junho 2009 - 21h41 - Última Hora
.Menos 50 mil na Função Pública
O ministro das Finanças revelou esta sexta-feira que conseguiu reduzir em 50 mil o número de funcionários da Administração Pública, de forma gradual e no âmbito de um processo equilibrado.(...)13 Junho 2009 - 00h30 - Saúde
.Médicos contra exclusivos
Os médicos que trabalham no sector público da Saúde não estão abrangidos pelo regime de exclusividade e podem acumular funções no sector privado desde que façam prova de que não há conflito de interesses nem sobreposição de horários, afirmou ontem o secretário-geral da Federação Nacional dos Médicos, Mário Jorge.(...)01 Junho 2009 - 00h30 - Economia
.Governo garante luta à precariedade
O Governo garante que tem combatido a situação de precariedade na Administração Pública, com uma redução de 30% nos trabalhadores a recibos verdes, mas não especifica se esta redução resultou de despedimentos ou de integração nos quadros, o que suscita críticas do Sintap.(...)
06 Maio 2009 - 00h30 - Economia
.64 aposentados por dia no Estado
Por dia, reformaram-se do Estado 64,6 trabalhadores nos três primeiros meses do ano, colocando o número de aposentados da Função Pública nos 5816, só até ao final de Março. Os dados são do Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado (STE), que aponta as reformas como uma das causas para a diminuição das despesas com salários e denuncia um aumento de perto de 21% nos gastos com a aquisição de serviços.(...)21 Abril 2009 - 00h30 - Política
.6215 antecipam reforma no Estado
No ano passado foram 6215 os funcionários públicos que pediram a reforma antecipada, mais 2027 do que o registado no ano anterior. Isto num universo total de aposentados que pouco ultrapassa os nove mil. A razão para esta corrida à aposentação antecipada foi o facto das condições ainda não estarem alinhadas com as do regime geral da Segurança Social. (...)in Correio da Manhã
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