A Internacional

__ dementesim . . Do rio que tudo arrasta se diz que é violento Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem. . _____ . Quem luta pelo comunismo Deve saber lutar e não lutar, Dizer a verdade e não dizer a verdade, Prestar serviços e recusar serviços, Ter fé e não ter fé, Expor-se ao perigo e evitá-lo, Ser reconhecido e não ser reconhecido. Quem luta pelo comunismo . . Só tem uma verdade: A de lutar pelo comunismo. . . Bertold Brecht
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quarta-feira, janeiro 05, 2011

Declaração de Tshwane Socialismo é a única alternativa para a Humanidade

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O 12.º Encontro Internacional de partidos comunistas e operários realizou-se na cidade de Tshwane, África do Sul, de 3 a 5 de Dezembro, sob o tema «o aprofundamento da crise sistémica do capitalismo. As tarefas dos comunistas em defesa da soberania, pelo aprofundamento das alianças sociais e o fortalecimento da frente anti-imperialista na luta pela paz o progresso e o socialismo».
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Pela sua importância, reproduzimos na íntegra o documento aprovado pelos 102 delegados, representando 51 Partidos oriundos de 43 países, que se reuniram em Tshwane com o «objectivo de prosseguir o trabalho dos anteriores encontros, assim como promover e desenvolver a sua acção comum e convergente em torno de uma perspectiva partilhada».
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O aprofundamento da crise do capitalismo – A situação internacional continua a ser marcada pela persistente e cada vez mais profunda crise do capitalismo. Esta realidade vem confirmar as análises salientadas nas Declarações dos 10.º e 11.º encontros internacionais de São Paulo e Nova Deli, respectivamente. A presente crise global do capitalismo evidencia os seus limites históricos e a necessidade da sua superação revolucionária e demonstra o aprofundamento da contradição básica do capitalismo, ou seja, a contradição entre o carácter social da produção e a apropriação privada capitalista.
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A crise é sistémica – Desmascarando as ilusões que, antes de 2008, procuravam afirmar o contrário, a realidade aí está a demonstrar que o capitalismo não consegue fugir à sua intrínseca tendência sistémica de ciclos de expansão e depressão. A presente crise global é uma manifestação particularmente severa de um período de depressão cuja causa reside na sobre-produção capitalista. Hoje, tal como no passado, não existe, no quadro da lógica capitalista, outra resposta aos ciclos de crise do capitalismo que não seja a própria crise, marcada pela destruição massiva e socialmente irracional de riqueza e de forças produtivas – incluindo despedimentos em massa, encerramentos de empresas, ataque generalizado aos salários, pensões, segurança social e às condições de vida dos povos. É por isso que nos dois últimos encontros afirmámos, correctamente, que a presente crise não poderia ser meramente atribuída a «falhas» de carácter subjectivo ou à ganância dos banqueiros e dos especuladores. Esta é uma crise cujas raízes residem na própria natureza do capitalismo.
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A persistente crise é acompanhada de significativas mudanças no equilíbrio de forças no plano internacional, em particular pelo declínio relativo da hegemonia económica dos EUA, pela estagnação produtiva nas economias capitalistas mais avançadas e pela emergência de novas potências económicas, nomeadamente a China. A crise intensificou a competição entre os centros imperialistas, assim como entre as potências existentes e as emergentes. Esta tendência inclui: a guerra monetária desencadeada pelos EUA; a concentração e centralização do poder económico e político na União Europeia, aprofundando o seu carácter de bloco imperialista dirigido pelas suas principais potências capitalistas; mais intensas e visíveis expressões da luta inter-imperialista por mercados e acesso a matérias-primas; a expansão do militarismo, incluindo o fortalecimento das alianças agressivas (de que foi exemplo a Cimeira de Lisboa da NATO com a adopção do seu «novo» conceito estratégico); a profusão de focos regionais de tensão e agressão (nomeadamente no Médio Oriente, Ásia e África), golpes de Estado na América Latina, a intensificação de tendências imperialistas de incitamento de conflitos étnicos e o aprofundamento da militarização do continente africano através, entre outras medidas e instrumentos, do AFRICOM [Comando militar norte-americano para o continente africano].
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Simultaneamente é hoje evidente que o capitalismo, com a sua trajectória caracterizada pela busca do máximo lucro e pela destruição dos recursos naturais e do meio-ambiente em geral, representa uma grave ameaça à existência da própria Humanidade. As várias propostas das elites políticas dos principais estados capitalistas em torno da «economia verde» e do mercado de carbono representam, no máximo, ajustamentos visando aumentar a rentabilidade do capital ao mesmo tempo que aprofundam a mercantilização da natureza e procuram transferir as crises resultantes das mudanças climáticas para os países menos desenvolvidos. A crise do sistema capitalista com que a Humanidade está confrontada resulta directamente da incapacidade do capitalismo de se reproduzir sem ser na base de um galopante crescimento económico marcado por uma feroz voracidade. Esta é uma crise que só poderá ser ultrapassada por via da superação do próprio capitalismo.
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Confrontado com esta realidade, o capital reage violentamente procurando a preservação dos seus lucros e a transferência dos «custos» da sua crise para a classe operária e os trabalhadores por via da intensificação da exploração, nomeadamente das mulheres e dos jovens, dos pobres urbanos e rurais e de amplas camadas intermédias. A exploração intensifica-se e o Estado é usado para salvar os banqueiros privados e as instituições financeiras. Simultaneamente, as gerações futuras são expostas a insustentáveis níveis de endividamento e multiplica-se as medidas para fazer regredir as conquistas sociais.
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Em todo o mundo capitalista estão a ser abolidos direitos laborais, sociais, económicos e de protecção social. Simultaneamente os sistemas políticos tornam-se mais reaccionários, restringindo liberdades cívicas e democráticas, especialmente os direitos sindicais. Os despedimentos, incluindo cortes massivos no sector público, estão a ter impactos devastadores nos trabalhadores, especialmente nas mulheres trabalhadoras. Regista-se simultaneamente tentativas de instrumentalização do descontentamento e da insegurança populares visando alimentar a demagogia reaccionária, o racismo e a xenofobia, assim como legitimar forças fascistas. Estas são expressões de tendências antidemocráticas e autoritárias, também marcadas por crescentes ataques e campanhas anticomunistas em várias regiões do Mundo. Na África, Ásia e América Latina verifica-se a imposição de novos mecanismos de opressão nacional e de classe contra os povos, implicando meios económicos, financeiros, políticos e militares, assim como o destacamento de um autêntico «exército» de Organizações Não Governamentais pró-imperialistas.
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Contudo, é importante relembrar que, para vastas massas populares, particularmente na África, Ásia e América Latina, a vida já era, antes da actual crise económica global, uma crise contínua e uma luta diária pela sobrevivência. É importante recordar que, mesmo antes da actual crise global, mil milhões de pessoas viviam sem habitação e metade da população mundial sobrevivia com menos de dois dólares por dia. Com a eclosão da crise estas realidades foram massivamente agravadas.
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A maior parte destes pobres urbanos e rurais, a par com os seus familiares que trabalham como migrantes sujeitos a uma grande vulnerabilidade em países estrangeiros, são as vítimas de um acelerado processo de transformação agrária capitalista em curso na África, Ásia e América Latina. O capitalismo global e as suas grandes corporações do sector agro-industrial declararam guerra a aproximadamente metade da Humanidade – os três mil milhões de população rural remanescente na África, Ásia e América Latina.
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Simultaneamente são erguidas barreiras desumanas contra os imigrantes e os refugiados. Seja nas zonas urbanas, seja nas rurais, é ainda mais intenso o crescimento de «bairros de lata» habitados por massas desesperadas e marginalizadas lutando pela sua sobrevivência. A acelerada transformação agrária capitalista tem, nos países com um baixo nível de desenvolvimento capitalista, implicações genocidas.

A importância das lutas de resistência
dos trabalhadores e das forças populares

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A tentativa do capital de transferir para os trabalhadores e para os pobres os custos da crise confronta-se, por todo o Mundo, com a luta dos trabalhadores e dos povos. No ano que agora termina, os ataques aos direitos laborais, aos salários e ao direito à protecção social teve como resposta um crescendo de lutas populares, nomeadamente na Europa. A agressividade do imperialismo no Médio Oriente, na Ásia e na América Latina continua a confrontar-se com uma forte resistência popular.
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Na África e na América Latina, as forças anti-imperialistas, o movimento sindical e outros movimentos sociais fortaleceram as suas lutas pelos direitos dos povos e contra a pilhagem das corporações multinacionais. Estas lutas levaram, em alguns casos, à emergência de governos nacionais populares e progressistas que se declaram programaticamente pela defesa da soberania nacional e dos direitos sociais, pelo desenvolvimento e a protecção dos seus recursos naturais e biodiversidade, dando um renovado ímpeto à luta anti-imperialista.
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Na actual situação a participação dos Partidos Comunistas e Operários no fortalecimento e transformação de batalhas populares de carácter defensivo em lutas ofensivas pela conquista de mais amplos direitos para os trabalhadores e os povos e pela superação do capitalismo é um imperativo histórico.
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Ao avançar com esta agenda estratégica, os comunistas sublinham a importância que a organização da classe operária e o desenvolvimento de lutas do movimento operário com uma orientação de classe têm na luta pela conquista do poder pela classe operária e os seus aliados.
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No quadro desta luta damos particular importância:
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À defesa, consolidação e aprofundamento da soberania nacional.
Ao aprofundamento das alianças sociais.
Ao fortalecimento da frente anti-imperialista pela paz, pelo direito ao trabalho estável e a tempo inteiro e pelos direitos laborais e sociais, como o direito à educação e saúde gratuitas.

Defesa, consolidação e avanço da soberania popular

Face à cada vez mais intensa agressividade do capital transnacional, a luta contra a ocupação imperialista de vários países, contra a dependência económica e política e em defesa da soberania popular adquire uma maior visibilidade e importância. É importante que os comunistas integrem estas batalhas na luta pela emancipação social e de classe. No quadro da luta contra o imperialismo, os comunistas lutam por relações internacionais mutuamente vantajosas baseadas na igualdade entre os estados e entre os povos.
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A defesa, consolidação e avanço da soberania popular tem uma particular importância para os povos do continente africano e para todos aqueles que estiveram submetidos a décadas, e mesmo séculos, de opressão colonial e semi-colonial. Assinala-se em 2010 o 50.º aniversário do início da descolonização formal em África. Contudo, em todo o continente e também na diáspora africana persiste o sombrio legado do esclavagismo e da espoliação e pilhagem colonial. Não obstante os 50 anos da descolonização formal, reforça-se as intervenções imperialistas e fortalece-se o domínio dos monopólios que contam com o apoio do capital nacional. A luta contra o imperialismo e os monopólios requer um activo protagonismo e unidade das massas populares e o alargamento dos direitos democráticos populares.

Reforçando as alianças sociais

A presente crise do capitalismo e a sua reacção ofensiva anticivilizacional criam condições para o estabelecimento de amplas alianças sociais antimonopolistas e anti-imperialistas em condições de conquistar o poder e promover profundas mudanças progressistas, radicais e revolucionárias.
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A unidade da classe operária é um factor fundamental para garantir a construção de alianças sociais eficazes com o campesinato, as massas rurais e urbanas pobres, as camadas intermédias urbanas e os intelectuais. Particular atenção deve ser prestada às aspirações e desafios com que a juventude se vê confrontada.
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A questão da terra, a reforma agrária e o desenvolvimento rural são importantes questões para o desenvolvimento da luta popular nos países menos desenvolvidos. Tais questões estão íntima e indissociavelmente ligadas à segurança e soberania alimentares, à sustentabilidade das condições de vida dos povos, à defesa da biodiversidade, à protecção dos recursos naturais, assim como à luta contra os monopólios agro-industriais e os seus agentes locais.
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Nestas lutas, as legítimas e progressistas aspirações dos povos indígenas em defesa das suas culturas, línguas e meio-ambiente têm um importante papel.

O papel dos comunistas no fortalecimentoda frente anti-imperialista pela paz, 
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a sustentabilidade ambiental, o progresso e o Socialismo

A crise do imperialismo e a sua contra-ofensiva conduzem a um alargamento e diversificação das forças que objectivamente assumem uma postura patriótica e anti-imperialista. Por todo o Mundo, em diferentes realidades nacionais, os comunistas têm a responsabilidade de alargar e fortalecer a frente social e política anti-imperialista, as lutas pela paz, pela sustentabilidade ambiental e pelo progresso, integrando-as na luta pelo Socialismo. A independência dos comunistas e o fortalecimento dos partidos comunistas e operários são de importância vital para assegurar uma consistente perspectiva anti-imperialista de movimentos e frentes mais amplas.
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Deve ser dada especial atenção à relação existente entre várias lutas de resistência e a necessária ofensiva ideológica, visando a visibilidade da alternativa do socialismo e a defesa e o desenvolvimento do socialismo científico. A luta ideológica do movimento comunista tem uma importância vital no combate contra o anticomunismo contemporâneo, no confronto com a ideologia burguesa, com teorias anticientíficas e com correntes oportunistas que rejeitam a luta de classes, assim como no combate contra o papel das forças sociais-democratas que defendem e implementam políticas antipopulares e anti-sociais apoiando a estratégia do capital. Nós, os comunistas, temos um papel chave a desempenhar no apontar da interligação teórica e, sobretudo, prática entre as diferentes frentes de luta popular e o desenvolvimento da solidariedade internacionalista de classe.
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Vivemos uma época histórica em que a transição do capitalismo para o socialismo se revela um imperativo civilizacional. A crise geral do capitalismo evidencia uma vez mais a natureza inseparável das tarefas de libertação nacional e da emancipação social, nacional e de classe. Face ao aprofundamento da crise capitalista, as experiências de construção socialista demonstram a superioridade do Socialismo. O aprofundamento da cooperação entre partidos comunistas e operários e o fortalecimento da frente anti-imperialista, devem processar-se simultaneamente.
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Nós, os Partidos Comunistas e Operários reunidos em Tshwane, numa situação marcada por ataques massivos contra os trabalhadores e as forças populares, mas também por muitas possibilidades de desenvolvimento da luta, expressamos a nossa profunda solidariedade para com os trabalhadores e os povos e as suas intensas lutas, reiterando simultaneamente a nossa determinação em agir e lutar, lado a lado, com as massas trabalhadoras, a juventude, as mulheres e com todos os sectores populares que são vítimas da exploração e opressão capitalistas.
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Reafirmamos o nosso apelo ao mais amplo leque de forças populares para que se juntem a nós na luta comum pelo Socialismo, a única alternativa para o futuro da Humanidade. 
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Definimos como eixos principais para o desenvolvimento da nossa acção comum e convergente:
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1 – Face ao aprofundamento da crise capitalista, iremos centrar as nossas atenções no desenvolvimento das lutas dos trabalhadores e dos povos pelos direitos laborais e sociais; no fortalecimento do movimento sindical e da sua orientação de classe; na promoção de alianças sociais com os trabalhadores agrícolas e outras camadas sociais. Daremos especial atenção aos problemas das mulheres e dos jovens, que estão entre as primeiras vítimas da crise capitalista.
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2 – Face à generalizada e agressiva ofensiva do imperialismo e às rivalidades inter-imperialistas, iremos intensificar a luta anti-imperialista pela paz, contra as guerras e ocupações do imperialismo, contra o perigoso «novo» conceito estratégico da NATO, contra as bases militares estrangeiras e pela abolição de todas as armas nucleares. Iremos expressar e desenvolver a nossa activa solidariedade internacionalista com todos os povos e movimentos que resistem e se confrontam com a opressão e com as agressões e ameaças do imperialismo.
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3 – Iremos lutar com determinação contra o anticomunismo, contra as leis, medidas e perseguições anticomunistas e exigiremos a legalização dos partidos comunistas nos países onde tenham sido ilegalizados. Defenderemos a História do movimento comunista e a contribuição do Socialismo para o progresso da civilização humana.
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4 – Afirmaremos a nossa solidariedade para com as forças e povos que lutam e se empenham na construção do socialismo. Reafirmaremos a nossa solidariedade para com o povo cubano e a sua revolução socialista. Continuaremos a lutar vigorosamente contra o bloqueio e a apoiar a campanha internacional pela libertação dos Cinco patriotas Cubanos 
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5 – Contribuiremos para o reforço, tendo em conta a situação específica de cada país, das organizações internacionais anti-imperialistas e de massas como a FSM1; o CMP2; a FMJD3 e a FDIM4. Saudamos especialmente e damos as boas-vindas ao 17.º Festival Mundial da Juventude e dos Estudantes que se realizará na África do Sul, de 13 a 21 de Dezembro.

Tshwane, África do Sul, 5 de Dezembro de 2010
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1 Federação Sindical Mundial
2 Conselho Mundial da Paz
3 Federação Mundial da Juventude Democrática
4 Federação Democrática Internacional de Mulheres
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Avante 2010 12 30
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segunda-feira, dezembro 06, 2010

12º Encontro Internacional de Partidos Comunistas e Operários

Nota do Gabinete de Imprensa do PCP

Decorre na cidade de Tshwane (Pretória), África do Sul, de 3 a 5 de Dezembro, o 12º Encontro Internacional de Partidos Comunistas e Operários sob o tema “o aprofundamento da crise sistémica do capitalismo; as tarefas dos comunistas em defesa da soberania e no aprofundamento das alianças sociais, fortalecendo a frente anti-imperialista na luta pela paz, o progresso e o socialismo”.
Aquele que é o primeiro Encontro Internacional de Partidos Comunistas e Operários realizado no continente africano, concluindo assim uma importante fase da sua História em que percorreu cinco continentes diferentes, conta com a participação de muitas dezenas de Partidos de todos os continentes, entre os quais o PCP, representado por Ângelo Alves da Comissão Política e Pedro Guerreiro do Comité Central. 
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A sua sessão de abertura, realizada no dia 3 de Dezembro pela manhã, contou com a presença e intervenção do Presidente da Federação Mundial da Juventude Democrática, Tiago Vieira, dirigente da JCP, que ao saudar, por via das muitas dezenas de delegações de Partidos Comunistas e Operários presentes as organizações comunistas e revolucionárias juvenis de todo o Mundo, informou o Encontro Internacional do estado de preparação do XVII Festival Mundial da Juventude e dos Estudantes que se iniciará no próximo dia 13 Dezembro, também na cidade de Tshwane.
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Na tarde do dia 3 de Dezembro, o Encontro Internacional interrompeu os seus trabalhos para calorosamente receber o Presidente da República da África do Sul, Jacob Zuma, que numa fraterna e emotiva intervenção, valorizou o papel dos comunistas em encontrar respostas para os profundos desafios com que a Humanidade se debate na actualidade e reiterou a determinação do Governo da República Sul-Africana e do ANC em prosseguir e aprofundar a revolução democrática e nacional iniciada com a vitória do povo sul-africano contra o Apharteid. 
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O Encontro Internacional promoveu ainda um comício de solidariedade com os cinco cubanos presos nos Estados Unidos e enviou uma sua delegação composta por vários partidos participantes à grande iniciativa de massas de comemoração do 25º Aniversário da COSATU, a grande central sindical sul-africana que conta nas suas fileiras com cerca de três milhões de trabalhadores.
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O PCP proferiu a sua intervenção durante o segundo dia de trabalhos do Encontro, tendo, entre outros aspectos, sublinhado a importância do desenvolvimento da luta de massas num quadro de agudização da luta de classes, bem como a importância dos Partidos Comunistas e da sua solidariedade e cooperação na construção da alternativa – o Socialismo. 
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O Encontro terminará amanhã os seus trabalhos com a discussão da Declaração de Tshwane proposta pelo Grupo de Trabalho dos Encontros Internacionais de Partidos Comunistas e Operários – que o PCP, juntamente com outros 10 Partidos, integra – com a discussão e aprovação das linhas de acção comum ou convergente para o ano de 2011 e com o anúncio do local do próximo Encontro Internacional.
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quarta-feira, dezembro 16, 2009

11.º Encontro Internacional de Partidos Comunistas e Operários


Encontro Internacional de Partidos Comunistas e Operários
Revolução é a solução para a crise


Reunidos no final do mês de Novembro, os Partidos Comunistas e Operários reiteraram que a «actual recessão global é uma crise sistémica do capitalismo, que mostra as suas limitações históricas e a necessidade da sua superação revolucionária».

No Encontro realizado em Nova Deli, 54 partidos comunistas e operários provenientes de 50 países, entre os quais os anfitriões Partido Comunista da Índia e Partido Comunista da Índia (marxista), aprovaram uma declaração final que abaixo reproduzimos na íntegra.

«O 11.º Encontro Internacional de Partidos Comunistas e Operários, realizado em Nova Deli de 20 a 22 de Novembro de 2009, para discutir “A crise internacional do capitalismo, a luta dos trabalhadores e dos povos, as alternativas e o papel do movimento comunista e operário internacional”:
«Reitera que a actual recessão global é uma crise sistémica do capitalismo, que mostra as suas limitações históricas e a necessidade da sua superação revolucionária. Mostra a agudização da contradição fundamental do capitalismo, entre o carácter social da produção e a apropriação individual no capitalismo. Os representantes políticos do capital procuram esconder esta contradição irresolúvel entre o capital e o trabalho, que se encontra na raiz da crise. Esta crise vem exacerbar as rivalidades entre as potências imperialistas que, conjuntamente com os organismos internacionais — FMI, Banco Mundial, OMC e outras — estão a pôr em prática as suas “soluções”, visando no fundamental intensificar a exploração capitalista. O imperialismo está a executar agressivamente “soluções” militares e políticas ao nível global. A NATO está a avançar com uma nova estratégia de agressão. Os sistemas políticos estão a tornar-se mais reaccionários, limitando os direitos democráticos e cívicos, os direitos sindicais, etc. Esta crise está a aprofundar ainda mais e a institucionalizar a corrupção estrutural que existe sob o capitalismo.
«Reafirma que a actual crise, provavelmente a mais aguda e abrangente desde a Grande Depressão de 1929, atinge todos os sectores. Centenas de milhares de fábricas são encerradas. Economias agrárias e rurais encontram-se sob pressão, intensificando o sofrimento e a miséria de milhões de agricultores e operários agrícolas em todo o mundo. Milhões de pessoas estão a ficar sem emprego e sem abrigo. O desemprego aumenta para níveis inauditos, e prevê-se oficialmente que ultrapasse os 50 milhões. As desigualdades aumentam em todo o mundo — os ricos estão a ficar cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres. Mais de mil milhões de pessoas, um sexto da humanidade, sofre de fome. Jovens, mulheres e imigrantes são as primeiras vítimas.

Natureza de classe

Fiéis à sua natureza de classe, a resposta dos respectivos governos capitalistas para superar a crise não abrange estas exigências fundamentais. Todos os devotos neoliberais e os gestores sociais-democratas do capitalismo, que até agora falavam contra o Estado, utilizam-no agora para os resgatar, sublinhando assim um facto fundamental: que o Estado capitalista sempre os defendeu e lhes abriu o caminho para super-lucros. Enquanto que os custos dos «pacotes» de resgate são suportados pelo erário público, os benefícios revertem em proveito de poucos. Os “pacotes” de resgate já anunciados procuram primeiro resgatar e depois alargar os caminhos para a obtenção de lucros. Os bancos e grandes consórcios financeiros já voltaram aos negócios e à acumulação de lucros. O desemprego cresce, e a redução dos salários reais pesa sobre os trabalhadores, contrastando com os enormes “pacotes” de resgate oferecidos às grandes empresas.
«Compreende que esta crise não é nenhuma aberração devida à avareza de uns poucos, ou à falta de mecanismos de regulação eficazes. A maximização dos lucros é a razão de ser do capitalismo, e tem profundamente agudizado as desigualdades económicas, quer entre países quer no interior dos próprios países durante estas décadas da “globalização” . A consequência natural disto foi uma redução no poder de compra para a grande maioria da população mundial. A crise actual é portanto uma crise sistémica, o que confirma mais uma vez a análise marxista segundo a qual o sistema capitalista traz a crise dentro de si. O capital, na sua procura de lucros, atravessa fronteiras e espezinha tudo e todos. Ao fazê-lo, intensifica a exploração da classe operária e de outras camadas trabalhadoras, impondo-lhes sofrimentos acrescidos. Com efeito, o capitalismo precisa que haja um exército de reserva de mão-de-obra. Só pode haver libertação desta barbaridade capitalista com a criação da alternativa real: o Socialismo. Para isso, há que reforçar as lutas anti-imperialistas e antimonopolistas. A nossa luta pela alternativa é portanto uma luta contra o sistema capitalista. A nossa luta pela alternativa é por um sistema onde não haja exploração de seres humanos por outros seres humanos, nem de uns países por outros. É uma luta por outro mundo, um mundo justo, um mundo socialista.
«Conscientes de que as potências imperialistas dominantes procurarão sair da crise impondo ainda mais sacrifícios aos trabalhadores, procurando penetrar e dominar os mercados dos países com um nível médio ou baixo de desenvolvimento capitalista, habitualmente chamados de “países em vias de desenvolvimento”. Procuram fazê-lo em primeiro lugar através das negociações sobre comércio na rodada de Doha, reflexo dos acordos desiguais feitos à custa dos povos desses países, nomeadamente no que diz respeito às normas agrícolas e ao Acesso ao Mercado Não Agrícola (NAMA).

Impedir transferência de responsabilidades

«Em segundo lugar, o capitalismo, que é o principal responsável pela destruição do ambiente, procura transferir todo o custo de defender o planeta contra a mudança climática, de que ele próprio é o causador, sobre os ombros da classe operária e dos trabalhadores. A proposta capitalista de reestruturação em nome da mudança climática tem pouco a ver com a defesa do meio ambiente. O “desenvolvimento verde” e a “economia verde”, inspiradas pelos grandes empresas, são usadas para impor novos regulamentos monopolistas de Estado que facilitem a maximização dos lucros e para impor novos sacrifícios aos povos. A maximização dos lucros sob o capitalismo é incompatível com a defesa do meio ambiente e dos direitos dos povos.
«Aponta que a única saída da crise para a classe operária e para as pessoas comuns é através da intensificação das lutas contra a dominação do capital. A classe operária sabe por experiência própria que quando mobiliza as suas forças e resiste pode defender com êxito os seus direitos. Protestos nos locais de trabalho, ocupações de fábricas e outras formas de militância operária têm obrigado as classes dominantes a ter em conta as reivindicações dos trabalhadores. A América Latina, actualmente palco de mobilizações populares e de lutas operárias, mostra como se podem defender e conquistar direitos através da luta. Nestes tempos de crise, a classe operária está mais uma vez cheia de descontentamento. Em muitos países tem havido e continua a haver enormes lutas operárias, exigindo melhores condições. Estas lutas precisam de ser ainda mais reforçadas, através da mobilização das grandes massas populares que sofrem, para a luta não apenas pela atenuação do sofrimento mas por uma solução de longo prazo aos seus problemas.

Passar à ofensiva

«O imperialismo, dinamizado pelo fim da União Soviética e pelos períodos de “boom” que precederam esta crise, tinha desencadeado ataques sem precedentes contra os direitos da classe operária e dos povos. Tudo isto foi acompanhado por uma propaganda anticomunista frenética, não apenas ao nível de cada país, mas também em organismos internacionais e interestatais (UE, OSCE, Conselho da Europa). Mas por muito que se esforcem, as conquistas e o contributo do Socialismo para a configuração da civilização moderna são inapagáveis. Perante estes ataques sem tréguas, as nossas lutas tinham até agora sido principalmente lutas defensivas, para defender os direitos que tínhamos alcançado anteriormente. A conjuntura actual exige o lançamento duma ofensiva para não apenas defender os nossos actuais direitos, mas também para conquistar novos direitos; não apenas para conquistar novos direitos, mas também para desmantelar toda a engrenagem capitalista – uma ofensiva contra a dominação do capital e por uma alternativa política: o Socialismo.
«Resolve que nas actuais condições, os partidos comunistas e operários trabalharão activamente para mobilizar e trazer as mais amplas forças populares à luta por empregos estáveis a tempo inteiro, por cuidados de saúde, ensino e previdência exclusivamente públicos e gratuitos para todos, contra a desigualdade entre homens e mulheres e o racismo, e pela defesa dos direitos de todos os sectores de trabalhadores, incluindo os jovens, as mulheres, os trabalhadores migrantes e os membros de minorias étnicas e nacionais.
«Apela aos partidos comunistas e operários para que se entreguem a esta tarefa nos seus respectivos países e desencadeiem amplas lutas pelos direitos do povo e contra o sistema capitalista. Apesar do sistema capitalista trazer dentro de si a crise, ele não se desmorona automaticamente. A falta duma contra-ofensiva dirigida pelos comunistas engendra o perigo dum ascenso das forças reaccionárias. As classes dominantes estão a lançar uma ofensiva sem limites para impedir o crescimento dos partidos comunistas e operários, e para se defenderem na situação actual. A social-democracia continua a semear ilusões quanto ao verdadeiro carácter do capitalismo, propondo palavras de ordem tais como “humanização do capitalismo”, “regulamentação”, “governança global”, etc. Na realidade, estas servem para dar suporte à estratégia do capitalismo, ao negar a existência da luta de classes e servir de apoio à realização de políticas antipopulares. Não há reformas que bastem para eliminar a exploração capitalista. O capitalismo tem de ser derrubado. Isso exige a intensificação das lutas populares, ideológicas e políticas, dirigidas pela classe operária. São propagadas muitas teorias do tipo “não existem alternativas” à globalização capitalista. Contra elas, a nossa resposta é “a alternativa é o Socialismo”.
«Nós, partidos comunistas e operários, provenientes de todas as partes do mundo e representando os interesses da classe operária e de todas as camadas trabalhadoras da sociedade (a imensa maioria da população global), sublinhando o papel insubstituível dos partidos comunistas, apelamos aos povos para que se juntem a nós no reforço das lutas que afirmam que o socialismo é a única verdadeira alternativa para o futuro da humanidade, e que o futuro é nosso».

Nota: O títulos e os subtítulos são da responsabilidade da redacção do Avante!
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Nº 1880
10.Dezembro.2009
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