A Internacional

__ dementesim . . Do rio que tudo arrasta se diz que é violento Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem. . _____ . Quem luta pelo comunismo Deve saber lutar e não lutar, Dizer a verdade e não dizer a verdade, Prestar serviços e recusar serviços, Ter fé e não ter fé, Expor-se ao perigo e evitá-lo, Ser reconhecido e não ser reconhecido. Quem luta pelo comunismo . . Só tem uma verdade: A de lutar pelo comunismo. . . Bertold Brecht
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terça-feira, maio 10, 2016

Utilidade, privilégio e abuso dos colégios

OPINIÃO


Impus a mim mesmo uma quarta vinda a terreiro em defesa da escola pública.

"Toda a instituição começa por três estágios: utilidade, privilégio e abuso”.
François Chateaubriand
Numa altura em que surgem notícias em catadupa nos media e manifestações na via pública de professores e alunos unidos (para não serem jamais vencidos?) em defesa dos colégios com contrato de associação com o Estado, de estranhar seria o meu silêncio, depois de ter escrito neste jornal três artigos de opinião sobre esta controvérsia que sob a capa de interesse público oculta, inevitavelmente, interesses de negócios privados. Passo a enumerar esses artigos: “Ensinos oficial, convencionado e privado” (13/11/2013), “Suspeitas sobre os colégios do grupo de ensino GPS” (11/02/2014) e “A polémica sobre escolas privadas com contrato de associação” (13/10/2015).
Entretantonuma longa e envolvente polémica que põe de parte o papel dos colégios privados tout court, continuam a pronunciar-se várias entidades que, como diria Aquilino Ribeiro, trazem às costas a mochila do regimento. E neste dize- tu, direi- eu, vai-se esquecendo o verdadeiro papel do ensino privado com contrato de associação porque descontextualizado da sua finalidade de alternativa ao ensino público inexistente em determinadas zonas do país. Nunca em satisfação de famílias que gostam de blasonar, sem qualquer dispêndio para os seus mais ou menos rendosos proventos, o facto de terem os filhos a estudar em colégios à custa dos cofres públicos, o dinheiro dos impostos de todos nós. E se o riso é a forma mais corrosiva de crítica, como reconheceu o próprio Eça, ocorre-me a expressão humorística que circulou em Portugal de uma personagem da televisão brasileira: “Estão mexendo no meu bolso!”
Em plena época de grave crise económica, prover uma situação de favor para o ensino privado, pago integralmente pelo erário público, é uma forma de transformar o ensino oficial num barco em perigo de adernar sob o falacioso argumento de uma melhor qualidade do ensino convencionado sem ter em conta que este tipo de magistério tem a faculdade de selecionar os seus alunos e, em acrescento de benefícios, os pais, porque desonerados de mensalidades pesadas, poderem, ipso facto, pagarem aos filhos explicações a várias disciplinas do currículo escolar. Ou seja, só os mais ingénuos, ou pessoas com vendas nos olhos, acreditarão que os colégios com contratos de associação são frequentados, na sua maioria, por alunos em que o respectivo nível socio-económico é idêntico à generalidade dos alunos do ensino oficial, estando ambos, consequentemente, em igualdades circunstanciais no que respeita à influência de um factor decisivo para a melhoria do respectivo rendimento escolar, como o comprovam diversos estudos publicados recentemente.
Como escreveu Alfred Montapert, “tudo o que excede o limite da moderação tem uma base instável”. E não excederá o limite da moderação evocar o desemprego dos professores dos colégios convencionados sem ter em conta igual situação de desemprego para os docentes das escolas oficiais transformadas em verdadeiros elefantes brancos com instalações faraónicas (carenciadas de alunos e,ipso facto, com professores com horário zero) construídas no consulado de José Sócrates, enquanto antigos e prestigiados liceus e escolas técnicas, crismadas hoje de escolas do ensino secundário, se encontram a cair aos bocados como, por exemplo, a Escola Secundária de Camões, em Lisboa, em que chega a chover dentro das próprias instalações.
E porque a lembrança dos homens é, por vezes, desmemoriada, recorde-se o apoio “sem rei nem roque” aos colégios convencionados situação que motivou uma corajosa reportagem na TVI da autoria da jornalista Ana Leal e que mereceu deste órgão de informação escrita a notícia: “A Polícia Judiciária (PJ) realizou esta terça-feira uma operação que envolveu mais de cem inspectores que visou o grupo de ensino GPS (Gestão e Participações Sociais), detentor de 26 colégios, entre os quais 14 que recebem apoio do Ministério da Educação. Em investigação, apurou o PÚBLICO estão crimes de corrupção e branqueamento de capitais” (PUBLICO, 22/01/2014).
Independentemente do que venha a ser apurado ou se tenha, porventura, já apurado ou mesmo não apurado, como diz o povo que paga os seus impostos e a quem, como tal, deve ser dada conta da respectiva aplicação, não há almoços grátis. Mas há, isso sim, escandalosas benesses pagas com o sacrifício impiedoso de uma sacrificada classe média entalada entre pobres e ricos diferentes de todos nós porque pagam menos impostos, como sentenciou Peter Vries.
Perante as lamúrias dos colégios com contrato de associação que se dizem em risco de sobrevivência (de que resguardo, tão-só, a validade do argumento que as regras do jogo não devem ser mudadas a meio do respectivo decurso), impus a mim mesmo uma quarta vinda a terreiro em defesa de uma escola pública que formou, e deve continuar a formar, personagens que se têm distinguido no panorama da vida política, social, económica, científica e cultural da vida portuguesa.
A exemplo da académica Maria Filomena Mónica, todos nós, em dever de cidadania, não podemos, deixar, outrossim, de nos interrogar: “Deve ou não o Ministério da Educação subsidiar as escolas privadas que são frequentadas por meninos ricos, cujos pais têm dinheiro? Para que é que o Estado está a subsidiar?” (“Jornal i “, 29/08/2015).
As soluções inadiáveis para as interrogações atrás levantadas cabem por inteiro, e sem tibiezas, aos poderes políticos sem o recurso habitual a que se mude alguma coisa para que tudo fique na mesma, como o acontecido na solução encontrada por uma personagem de Giuseppe di Lampedusa no livro O Leopardo.
Ex-docente do ensino secundário e universitário e co-autor do blogue De Rerum Natura
https://www.publico.pt/sociedade/noticia/utilidade-privilegio-e-abuso-dos-colegios-1731428?page=-1

Análise Uma certa liberdade de escolha

Isaura Reis, professora no Agrupamento de Escolas Gardunha e Xisto, Fundão


O novo Estatuto do Ensino Particular e Cooperativo inaugura de facto um tempo novo na concretização de uma agenda de mercantilização da educação



O Conselho de Ministros de 5 de Setembro de 2013 aprovou o novo Estatuto do Ensino Particular e Cooperativo de nível não superior, introduzindo alterações significativas em matéria dos princípios de apoio financeiro do Estado no acesso ao sistema de ensino privado. Para além dos já existentes contratos de associação, a nova legislação introduz, nomeadamente, os contratos simples de apoio à família, cuja “novidade” reside no facto de o Estado universalizar o apoio direto a todos os alunos que venham a optar pela frequência de uma escola privada.

Tal como refere o governo, esta medida deve ser entendida como uma “modalidade de opção educativa” e inscreve-se no objetivo estratégico para a educação de “desenvolver progressivamente iniciativas de liberdade de escolha para as famílias em relação à oferta disponível, considerando os estabelecimentos de ensino público, particular e cooperativo” (Programa do XIX Governo Constitucional). O que nas palavras do ministro Nuno Crato “abre um caminho mais direto a uma liberdade de escolha e a uma concorrência entre escolas e entre sistemas” (Público.pt, 05-09-2013).


Razões predominantemente ideológicas

As reações a esta medida foram imediatas. Comunicação social, redes sociais, confederações patronais e sindicais, professores e investigadores dão voz a posições dissonantes e apresentam narrativas que põem a debate duas posições contrárias em matéria do papel do Estado na efetivação do direito à educação. Se para uns o Estado deve garantir um ensino de qualidade por via, essencialmente, da escola pública, para outros a qualidade e a eficiência dos sistemas educativos só serão alcançadas por via da introdução de mecanismos de mercado na educação, nomeadamente através da liberdade de escolha.

Em Portugal a escolarização fez-se essencialmente por via da escola pública. Mas, se a este facto histórico se juntar a circunstância de a sua expansão, no sentido de uma escola de massas, ter sido igualmente consubstanciada na valorização da educação como bem público, pode entender-se que, no texto constitucional, e após sete revisões, o n.º 1 do artigo 75º mantenha a sua redação originária : “O Estado criará uma rede de estabelecimentos públicos de ensino que cubra as necessidades de toda a população”.

É certo que o texto, aprovado em 1976, atribuía um caráter supletivo ao ensino privado e que após a 1ª revisão (Lei Constitucional n.º1/82, de 30 de Setembro) a nova redação do n.º 2 do referido artigo passou a estabelecer que “ O Estado reconhece e fiscaliza o ensino particular e cooperativo”. Não sendo de importância menor tal alteração, somos levados a partilhar a ideia de que as razões subjacentes a esta mudança foram predominantemente ideológicas.

Face a esta centralidade da escola pública, o ensino privado configura-se como um setor desvitalizado simbolicamente e situado num espaço periférico. Tem uma fraca representatividade no ensino não superior ; genericamente, as suas escolas não se afastam do figurino organizacional das públicas e os seus professores têm uma forte dependência dos parâmetros da educação pública (Estevão, 1996).

É um facto que o ensino privado teve e tem, essencialmente, uma natureza supletiva, cuja função social foi de “válvula de escape” das pressões exercidas sobre o sistema público. Durante o período de expansão da escola de massas e face “à falta de escolas e progressiva degradação das existentes”, é o ensino privado que “penetra no interior do país”, resolvendo “parte do problema” e poupando “preocupações e dinheiro ao Estado” (Cotovio, 2004, p. 391). Foi entre 1950 e 1970 que se deu um crescimento notável do ensino privado, fundamentalmente devido à escassez de oferta de ensino liceal público (Grácio, 1998). Porém, após o 25 de Abril de 1974 o Estado responde positivamente à procura até aí não satisfeita, remetendo, até hoje, o ensino privado a uma pequena expressão que tende a ocupar, preferencialmente, a fileira dos cursos profissionais[1].


Os discursos religioso e económico

De acordo com o enquadramento legislativo português (Lei n.º 49/2005, de 30 de agosto - Lei de Bases do Sistema Educativo - LBSE) o Estado assume a conceção, planeamento e definição da rede escolar, por forma a garantir a unidade e adequação do sistema educativo aos objetivos nacionais e para que a dimensão, densidade e natureza da rede assegure a igualdade de oportunidades de educação e ensino para todas as crianças e jovens.

Isto é : estão nas mãos do Estado as competências normativas e de definição dos critérios gerais de implementação da rede escolar e das tipologias das escolas, bem como da definição de princípios de afetação dos alunos às respetivas escolas, com algumas diferenças entre o ensino básico e secundário. No ensino básico, a preferência é dada à proximidade da área de residência, da atividade profissional dos pais ou, ainda, ao percurso sequencial dos alunos. No secundário, existe uma certa flexibilidade na aplicação deste critério, uma vez que a afetação pode ser feita em função da existência do curso, opções ou especificações pretendidas pelas famílias.

Pese embora esta centralização da oferta escolar e dado que o ensino privado é reconhecido em Portugal, o quadro legal (LBSE) estabelece a possibilidade da sua articulação com a rede escolar e até o seu financiamento. Para tal importa que as escolas privadas cumpram critérios e se enquadrem numa perspetiva de “racionalização de meios, de aproveitamento de recursos e de garantia de qualidade”. Se assim for, e se houver um “desempenho efetivo de uma função de interesse público”, o Estado poderá apoiar financeiramente o ensino privado português [2].

Historicamente a liberdade de escolha tem sido objeto de dois tipos de discurso : um religioso e outro económico. O discurso religioso é marcado pela ideia que a liberdade de educação implica devolver aos pais a responsabilidade de decidir sobre os valores e a cultura curricular a ser seguida na escolarização dos seus filhos, envolvendo o financiamento público do ensino privado confessional. O discurso económico é sustentado na ideia de que a livre escolha é o mecanismo privilegiado de criação de um mercado educativo, regulado segundo uma ótica instrumental, em que a procura escolar é financiada pela administração pública, introduzindo uma diversificação da oferta de acordo com um modelo concorrencial (Barroso, 2003).

Independentemente da motivação e da diversidade de figurinos existentes em vários países, a carta escolar e a liberdade de escolha traduzem um determinado modo de regulação dos fluxos escolares. Se num período de expansão da escolarização, o Estado fez uso da carta escolar para garantir a consolidação da escola de massas, impondo uma regulação pela oferta, já num período de retração, o Estado vê-se confrontado com estratégias deliberadas, formais e informais, de regulação pelo lado da procura.

A realidade do mundo anglo-saxónico mostra que a liberdade de escolha tem sido um mecanismo deliberado de mercantilização e privatização da educação. Mas, até agora em Portugal a escolha da escola não tem sido promovida, mas antes tolerada. Isto é, existem sinais de uma passagem de uma regulação pelo lado da oferta a uma regulação pelo lado da procura escolar.


Uma “concorrência opaca e discreta”

Esta mudança é, fundamentalmente, devida à existência de processos informais de escolha parental que têm em vista a escolha da escola e dos percursos escolares percecionados como aqueles que possibilitam um maior sucesso educativo e uma mais efetiva mobilidade social (Barroso e Viseu, 2003).

Ao contrário do que se tem verificado noutros países, a situação portuguesa não se tem caraterizado por uma verdadeira lógica de mercado, no sentido da disputa de uma clientela, mas antes por uma “concorrência opaca e discreta”, em que a escolha apresenta contornos subtis, muitas vezes resultante da imagem e da reputação projetadas pelas escolas (idem).

Mas o facto que agora importa assinalar é que com a aprovação do novo Estatuto do Ensino Particular e Cooperativo se inaugura um tempo novo na educação em Portugal. Um tempo em que a liberdade de escolha é a opção deliberada do Estado para a regulação dos fluxos escolares. O articulado da lei ilustra bem que estamos em presença de uma mudança radical do papel do Estado : não só o ensino privado passa a ser considerado em pé de igualdade com o ensino público, como os apoios financeiros passam a abranger não só os alunos carenciados, como todos os alunos do ensino básico e secundário. Em suma : o novo EEPC é mais uma decisão governativa cujo contexto e conteúdo tem implicações significativas na configuração institucional da educação em Portugal.

Reconhecer o ensino privado português não pode significar o seu estatuto de igualdade com o ensino público. Tal entendimento contraria o disposto na Constituição da República e na LBSE, remetendo para um entendimento da educação não como um bem público e um direito do cidadão, mas como um bem privado e uma questão de escolha do consumidor.

Não existe evidência empírica que o percurso histórico, a natureza e o perfil atual do ensino privado, não superior, em Portugal seja de “excelência” comparativamente maior ao do público. De facto, o privado não oferece uma alternativa modernizadora da escola, nem a educação e o ensino têm sido atrativos para o capital privado. A expressão da escola privada tem um suporte financeiro de dinheiros públicos significativos que garantem, em boa medida, a sua existência.

Pensar na sua expansão como uma opção de qualidade, num quadro demográfico regressivo e numa situação de crise financeira do país parece configurar mais uma captura pelos interesses privados, do que uma solução com racionalidade e sentido social. E isto também porque a investigação produzida em vários países sobre a liberdade de escolha perspetivam invariavelmente associações a processos de reprodução social e cultural e de reforço das desigualdades.


Referências

Barroso, J. (2003). Organização e regulação dos ensinos básico e secundário, em Portugal: sentidos de uma evolução. Educação & Sociedade, 82, 63-92.

Barroso, J. e Viseu, S. (2003). A emergência de um mercado educativo no planeamento da rede escolar: de uma regulação pela oferta a uma regulação pela procura. Educação & Sociedade, 84, 897-921.

Cotovio, J. (2004). O Ensino privado. Lisboa: Universidade Católica Editora.

Estêvão, C. V. (1996). Redescobrir a escola privada portuguesa como organização. Na fronteira da sua complexidade organizacional. Tese de Doutoramento. Braga: Universidade do Minho.

Grácio, S. (1998). Ensino privado em Portugal – contributo para uma discussão. Sociologia – Problemas e Práticas, 27, 129-153.


[1] No ano letivo 2010-2011 frequentavam o ensino privado cerca de 16% dos alunos do ensino básico e secundário que na sua maioria (22%) prosseguiam cursos da via profissional (GEPE, 2013).

[2] No ano letivo 2010-2011 existiam 356 estabelecimentos de ensino privado dependentes do Estado, correspondentes a instituições em que mais do que 50 por cento dos seus fundos regulares de funcionamento ou o pagamento dos salários do respetivo pessoal docente é garantido pelo Estado / Administração Pública de qualquer nível (GEPE, 20013).



O título, o subtítulo e os intertítulos são da responsabilidade da redação de Notas de Circunstância.

http://notasdecircunstancia.blogspot.pt/2013/11/analise-uma-certa-liberdade-de-escolha.html

As escolas com subsídios querem mesmo ser livres?

Que violências, atrocidades, ditaduras, invasões, guerras, bombas (duas delas atómicas), torturas, genocídios, discriminações, roubos ou escravidões foram cometidos, lançados, executados ou institucionalizados em nome da fé ou do livre-arbítrio?

O paradoxo começa logo no Génesis da Bíblia: Adão e Eva, no paraíso, são livres mas estão proibidos, por Deus, de comer uma simples maçã... Que liberdade tão limitada, que divindade tão picuinhas!...

O inferno que herdámos desde a criação deu-nos, em nome dos deuses ou da liberdade, o império da casta dos cidadãos de Roma para impor, sem restrições, ao resto do mundo, a escravidão e a pata esmagadora da sua pax;

deu-nos inúmeras guerras para os povos escolherem, independentes mas cegos de fanatismo, um "único", "verdadeiro", "indiscutível" e "omnipotente" Deus;

deu-nos as descobertas, o colonialismo, o massacre e o esclavagismo de milhões e milhões de negros e de índios para certos brancos, sem peias, enriquecerem com o comércio, as minas e a ordem imposta pela expansão da fé;

deu-nos revoluções de gente faminta, afogada em banhos de sangue abençoado, aos domingos na missa, para absolver a liberdade do industrial triturar operários, lentamente, numa máquina de expelir fuligem em compasso quaternário;

deu-nos duas guerras mundiais e 85 milhões de pessoas que, em nome de Deus, se suicidaram na defesa da liberdade de 50 Estados que os enviaram patrioticamente para a frente de combate;

deu-nos a liberdade sem fronteiras da troca instantânea de mercadorias e bens que, graças a Deus, oferece a 62 pessoas metade de toda a riqueza do mundo e a uma em cada nove menos do que o suficiente para comer.

A minha visão simplória e ignorante da história é lastro mais do que suficiente para ter medo das multidões enfurecidas que gritam em nome da liberdade e de Deus: quase sempre o que pretendem é oprimir alguém e manipulam a seu favor o amor genuíno, puro, que cada um de nós sente pela dignidade da independência individual ou pela esperança eterna da religião em que acredita.

Vejo nesta freguesia a que chamamos Portugal alguns cidadãos reclamarem um subsídio do Estado para os pais serem livres de mandar os filhos para as escolas que eles dirigem. Dizem até que o corte desse subsídio é um ataque à Igreja, que patrocina várias dessas escolas...

Penso neste assunto. Não me metem medo, fazem-me rir! Então estes liberais de pacotilha, afinal, querem nacionalizar e coletivizar a liberdade e a fé privadas?!...

http://www.dn.pt/sociedade/interior/universidade-vende-palacio-classificado-para-sede---dos-ismaelitas-5166081.html

quinta-feira, fevereiro 28, 2013

André Macedo - Economia para tótós

Diário de Notícias
ANDRÉ MACEDO

Economia para totós

por ANDRÉ MACEDOOntem69 comentários

 
Vou escrever sobre a última do Camilo Lourenço. Digo a última porque parece que ele faz de propósito. Reconheço que, dentro do estilo, ele até é relativamente moderado, embora seja a favor da über austeridade e eu não consiga perceber porquê. Desta vez, o Camilo decidiu afirmar que é um disparate tirar uma licenciatura em humanidades porque não há mercado. A escolha de uma profissão deve ser feita, diz ele, tendo como norte as leis da oferta e da procura. Optar por uma profissão é, digamos assim, um processo linear e previsível. Tiras o curso de História, vais para o desemprego. Tiras o curso de Gestão, acabas na Goldman, vais de férias para o Taiti e regalas-te numa piscina a transbordar de garotas.
Isso das garotas interessa-me, é um belo incentivo, mas não julgo ser preciso citar as estatísticas que demonstram ser elevadíssimo o desemprego entre todos os jovens, licenciados ou não, embora haja áreas em que é certamente mais elevada. Mas o Camilo não se limita a dizer que há profissões em que há mais desemprego. Isso é evidente. O que ele sugere é mais abrasivo: que os mais novos devem fazer as escolhas tendo em conta não a vocação e o talento individual, mas o mercado. Faltam médicos? Vou para cirurgião, apesar de odiar sangue. Os portugueses têm uma higiene oral horrível? As cáries são uma excelente oportunidade de negócio.
De acordo com este método, as grandes escolhas de vida são coisas rasteiras. Ser ou não ser é um sentimentalismo literário que já não vende. No essencial, a vida é uma espécie de economia para totós. Quer escolher uma carreira? Abra o Expresso Emprego e veja o que está a dar. Nada de dramas, impulsos, romantismos: siga a manada. Na escola, a mesma coisa. As disciplinas dividem-se entre as úteis e as inúteis. No primeiro grupo, a Matemática, as Ciências, o Chinês e, claro, o Alemão. No segundo, a Literatura, a Música, as Artes.
O problema com este raciocínio é que não é raciocínio: é preconceito. Os nossos sistemas educativos - defende a Harvard Business Review - centram-se em ensinar os alunos de ciências e de gestão a controlar, prever, verificar, garantir e testar dados. Não ensinam como navegar nas questões "e se..." ou em futuros desconhecidos. "Se quer um pensamento original" - acrescenta a HBR -, "precisa de libertar a criatividade das pessoas. Os humanistas são treinados para serem criativos. Steve Jobs reconheceu como estudar caligrafia o levou a criar o Mac."
Não são estas também as ferramentas que se exigem num mundo cada vez mais complexo e dinâmico? Eu diria que sim. Diria que, em vez de apostar no Excel para moldar o futuro - e falhar -, talvez faça sentido cultivar uma maior variedade de talentos. Só assim um dia podemos fazer alguma coisa de original em vez de passar o tempo a olhar para o retrovisor à procura do que era para ser e, afinal, nunca será.
P. S. Já agora: há banqueiros da Goldman licenciados em História...

http://www.dn.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=3078994&seccao=Andr%E9&page=-1

segunda-feira, janeiro 03, 2011

PCP - Ensino particular e cooperativo Cumprir a Constituição



O deputado comunista Miguel Tiago criticou esta segunda-feira o que considerou a «dualidade» de critérios do Presidente da República em matéria de ensino. Em causa a pronta promulgação por Cavaco Silva do diploma que regula o apoio do Estado aos estabelecimentos de ensino particular e cooperativo - resposta «rápida e enérgica», frisou - , em contraste com a inexistência de qualquer intervenção sua aquando do encerramento das quatro mil escolas públicas.
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Sobre o texto agora promulgado, com diferenças relativamente à primeira versão apresentada pelo Governo, Miguel Tiago, em declarações à Lusa, lembrou que o PCP esteve contra o teor do diploma inicial que previa o fim da renovação automática dos contratos de associação entre o Estado e as escolas particulares e cooperativas.
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«O PCP defende um investimento e uma aposta na escola pública e uma alteração gradual da relação do Estado com a escola privada, para não introduzir factores de perturbação e de ruptura nas escolas privadas e nas comunidades que delas usufruem?, referiu o parlamentar comunista.
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Deixada clara foi também a posição quanto ao ensino privado - «deve ser estritamente supletivo, como prevê a Constituição da República», sublinhou -, entendendo o PCP que o «Estado deve assumir o seu papel e garantir uma resposta pública, gratuita e de qualidade a todas as necessidades educativas da população».
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Avante 2010.12.30
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quarta-feira, julho 14, 2010

Ministro da Saúde britânico critica escolhas para cantinas escolares do chef Jamie Oliver

03.07.2010 - 08:11 Por Francisca Gorjão Henriques
Folhados de salsichas e hambúrgueres com batatas fritas são substituídos por peixe com molho de coco e empada de borrego e legumes. Parece um avanço. Mas o projecto do chef Jamie Oliver para melhorar a alimentação nas escolas britânicas fez mais mal que bem, acusou na quarta-feira o novo ministro da Saúde, Andrew Lansley.
Jamie Oliver diz que o problema está na falta de fundos estatais 
Jamie Oliver diz que o problema está na falta de fundos estatais (Corbis)



O ministro afirmou que "Jamie Oliver, muito correctamente, falou em melhorar a dieta das crianças nas escolas e melhorar as refeições escolares. Qual foi o efeito real? Na verdade, o número de crianças a comer a comida da escola em muitos destes sítios não aumentou, desceu".

Estas palavras foram ditas numa conferência da British Medical Association. As crianças, adiantou, estão a comer fora das cantinas, comprando snacks em lojas próximas, com valores nutricionais muito baixos e muitas calorias. "Alguém vai dizer que a próxima coisa que temos de fazer é proibir as lojas perto das escolas. Onde vamos parar?"

As palavras de Lansley geraram polémica. E apontam para uma mudança de direcção por parte da coligação liderada pelos conservadores, realça a Reuters. O jornal Guardian adianta que o novo Executivo já está a ser criticado por querer acabar com um projecto dos antecessores trabalhistas de garantir refeições grátis a mais 500 mil crianças de famílias pobres, como parte do plano de restrição orçamental.

As mudanças nos menus escolares foram introduzidas pelo Governo Labour depois de muita pressão do mais popular chef britânico e do seu programa Jamie"s School Dinners.

Ao novo ministro não agrada que os seus antecessores tenham lançado a luta contra a obesidade colando-se a um programa de televisão. "Há um risco quando estamos sempre a dar lições às pessoas e a dizer-lhes o que fazer. Acabamos por estar a comprometer os resultados que queremos atingir", justificou. "Temos de entender que este é um programa de mudanças de comportamento, e que se o comportamento não mudar, então o mais provável é falharmos."

Lansley não avançou com números nem estudos para sustentar as suas declarações. E pelo contrário, o School Food Trust, a agência do Governo criada para melhorar as refeições dos estudantes, diz que desde há dois anos há mais alunos a comer as refeições nas escolas, depois de décadas de declínio - uma das razões, adianta, poderá ser a má publicidade que Jamie lançou sobre os menus que se serviam nas cantinas, atulhadas de alimentos processados. Uma em cada seis crianças de Inglaterra era obesa em 2008, e apenas 20 por cento comiam as cinco peças de frutas e legumes por dia recomendadas pela Organização Mundial de Saúde.

Para além disso, um estudo independente apresentado recentemente pelo Institute for Social and Economic Research (ISER) da Universidade de Essex mostra que Oliver até tem razão. Nas escolas de Greenwich (Sudeste de Londres), onde o chef lançou a sua campanha com a ajuda do Channel 4, em 2004, os resultados dos alunos a Ciências e Inglês melhoraram (oito e seis por cento, respectivamente), registaram-se pequenas subidas a Matemática e as faltas por problemas de saúde caíram em 15 por cento.

Os 13 mil estudantes que foram objecto desta investigação estiveram pelo menos 12 meses a comer a nova dieta, que foi aplicada em 81 das 88 escolas primárias e secundárias de Greenwich.

Faltam verbas

"Uma vez que os alunos não estão a ingerir alimentos com aditivos, estão muito menos hiperactivos durante a tarde", comentou ao Telegraph Trisha Jaffe, professora da escola secundária Kidbrooke, a primeira a receber os menus de Oliver.

A intervenção do governante levou o Departamento da Educação a declarar que os padrões nutricionais exigidos por lei nas escolas não estão em risco, escreveu o Guardian. O diário refere que fontes daquele Departamento ficaram irritadas com as declarações do ministro e garantem que estas não reflectem a posição do seu colega da Educação, Michael Gove.

O presidente da Faculdade de Saúde Pública, Alan Maryon-Davis, considerou os comentários de Lansley injustos, um desapontamento. "Acho que aquilo que o Jamie Oliver fez é excelente. Conseguiu melhorar as refeições nas escolas e levar o Governo a investir dinheiro nelas", cita o Guardian.

Jamie Oliver respondeu às críticas. Acusou o ministro de apresentar dados errados e estar apenas à procura de uma atenção mediática - que realmente recebeu.

"Dizer que as cantinas escolares não resultaram não é apenas errado mas também um insulto ao trabalho árduo de centenas de milhares de cozinheiros, professores e pais que lutaram para dar às crianças uma refeição nutritiva e quente 190 dias por ano", declarou.

O célebre chef negou que tenha estado a dar lições durante o seu programa e adiantou que o problema não são os novos menus, mas a falta de fundos estatais. O duro plano de austeridade apresentado recentemente pelo Governo não deixa antever uma receita para o fim das barreiras económicas.
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domingo, junho 06, 2010

Encerramento de escolas e péssima escolaridade

2500 escolas já encerradas


Sócrates considerou que seria “criminoso” não encerrar escolas com menos de 20 alunos

05.06.2010 - 16:55 Por Lusa
O primeiro-ministro, José Sócrates, assegurou hoje que o Governo vai continuar com o encerramento de escolas para combater o insucesso escolar e considerou que teria sido “criminoso” não ter avançado com o processo.
Sócrates disse estar em causa o interesse pedagógico  
Sócrates disse estar em causa o interesse pedagógico (PÚBLICO (arquivo))

“Era criminoso para o nosso sistema público de ensino não ter feito nada para encerrar as escolas com menos de 20 alunos [e] é por isso que vamos continuar com esse esforço”, declarou José Sócrates em Trancoso, onde hoje recebeu a medalha de honra do município e inaugurou uma nova escola básica integrada.

No seu discurso, José Sócrates, que esteve acompanhado pela ministra da Educação, Isabel Alçada, apontou que o Ministério da Educação já encerrou cerca de 2500 escolas. E acrescentou: “Agora encerramos as outras, em negociação com as autarquias”.

Disse que o Governo não podia deixar “tudo como está”, mas reconheceu que “há sempre críticas às reformas”. Contudo, frisou que “o pior que há na educação é não fazer nada”.

Segundo o primeiro-ministro, irão encerrar mais escolas com menos de 20 alunos porque, com esta medida, o Governo pretende “combater o insucesso escolar”.

“Ao longo destes últimos anos o insucesso escolar nas escolas com menos de 20 alunos sempre foi muito superior ao insucesso escolar verificado nas outras escolas com mais alunos”, apontou.

Tendo em conta este cenário, admitiu que manter escolas com 20 alunos significaria “condenar essas crianças à exclusão, ao abandono e ao insucesso escolar”.

“Nós não queremos isso, só pensamos no interesse das crianças, é um interesse meramente pedagógico, quando pensamos em encerrar essas escolas”, disse, em declarações aos jornalistas.

A Câmara de Trancoso entregou hoje a medalha de honra do concelho a José Sócrates pela decisão de ter avançado com a construção do Itinerário Principal 2 (IP2), com perfil de auto-estrada entre Celorico da Beira e Trancoso.

O autarca Júlio Sarmento considerou que a decisão tomada pelo Governo de José Sócrates “representa o mais importante investimento público de sempre no concelho de Trancoso”.

“Com esta homenagem também queremos desactualizar a teoria corrente da ingratidão política”, disse o social-democrata Júlio Sarmento.

José Sócrates mostrou-se “profundamente honrado” e disse que estava em Trancoso para agradecer a distinção concedida e o gesto da autarquia que “tem nobreza e elevação”.

“Como a política em Portugal está a precisar de elevação e de nobreza”, comentou o primeiro-ministro.

Afirmou que o IP 2 é uma obra “justa e necessária” para a região e que o Governo avançou com a sua construção por razões económicas, de justiça e de solidariedade para com uma região do interior do país que não dispõe de boas acessibilidades rodoviárias.
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Medida contribui para afastar pessoas das terras afectadas

PCP: fecho de escolas é uma “visão meramente economicista” que prejudica o interior

05.06.2010 - 19:23 Por Lusa
O secretário geral do PCP, Jerónimo de Sousa, afirmou hoje em Alpiarça que “será um crime” encerrar escolas com vinte alunos num “anúncio que consubstancia uma visão meramente economicista” e que “atinge particularmente as populações do interior”.

Segundo disse à agência Lusa Jerónimo de Sousa, este “anúncio tem uma visão meramente economicista que atinge particularmente as populações do interior e as suas crianças”, acrescentando que, “além das assimetrias regionais, vão também agora ser penalizados com mais assimetrias sociais”.

“Sem verdadeiras alternativas”, continuou, “será um crime fechar escolas com vinte alunos, que permitem que nessas terras se mantenham pólos de desenvolvimento e fixação da juventude e jovens casais”.

“É uma medida inaceitável porque meramente economicista e não tem nada a ver com o desenvolvimento do interior do país”, enfatizou.

Noutro registo, e perante cerca de 300 pessoas que o esperavam em Alpiarça, Jerónimo de Sousa desvalorizou as afirmações de José Sócrates, que assegurou que as actuais as medidas de austeridade deverão ser suficientes para enfrentar a crise, tendo afirmado que “vindo de quem vêm, e tendo em conta promessas anteriores, não estamos descansados nem garantidos”.

“Se o povo e os trabalhadores não manifestarem o seu protesto, a sua indignação e se não combaterem as medidas anunciadas, o governo, ‘se achar mole, carrega’”.

“Não estamos descansados nem garantidos que estas más e inaceitáveis medidas se fiquem por aqui” afirmou o responsável comunista, tendo apelado a um “combate” a medidas que considerou de “grande injustiça”, porque “livram os responsáveis pela crise de pagar por ela e os que não são responsáveis é que a estão a pagar”.

Segundo disse Jerónimo de Sousa, “não existe uma ideia, estratégia ou programa para sair da crise, não há uma politica de valorização do aparelho produtivo e, como tal, não há desenvolvimento nem crescimento da produção nacional”.

“A única ideia que existe é atirar dinheiro para cima do sector financeiro, como se isso resolvesse os problemas do país”, acrescentou.

O secretário-geral do PCP, que já havia discursado para 170 pessoas em Penhascoso, no concelho de Mação, defendeu ainda que o Estado português “deve continuar a ter na mão os instrumentos fundamentais que permitam desenvolvimento”, referindo-se ao interesse da Telefónica na participação da PT na Vivo.

“Tudo o que for feito para impedir a perda de soberania nas comunicações, será pouco”, afirmou o dirigente comunista tendo acrescentado que vai “aguardar para ver” qual será a posição do governo sobre a matéria.
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Oposição acusa Governo 

de encerrar escolas de forma “unilateral”

02.06.2010 - 17:16 Por Sofia Rodrigues
Foi uma oposição em coro que hoje lançou fortes críticas ao anunciado encerramento de escolas do ensino básico, sobretudo, à forma como vai ser feito: de forma cega e sem o envolvimento das comunidades locais. A bancada do PS e o Governo argumentam que a medida permitirá repor a desigualdade entre crianças em escolas sem condições e estabelecimentos com mais recursos.
 Ministério da Educação estima que já no próximo ano letivo 
estejam encerradas cerca de 500 escolas do 1.º ciclo  
Ministério da Educação estima que já no próximo ano letivo estejam encerradas cerca de 500 escolas do 1.º ciclo (Ana Maria Coleho (arquivo))
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decreto”, sem consultar os municípios, pais e professores: “A fúria do encerramento das escolas está orientada por critérios financeiros de curto prazo, não levando em conta o ordenamento do território nem as implicações que isto pode ter nas crianças”.

O carácter “unilateral” da medida também foi sublinhado por Pedro Duarte, do PSD: “Não é aceitável que se encerre escolas sem que estejam envolvidas as comunidades locais e quando não representam a melhoria de condições para os alunos”.

Miguel Tiago, do PCP, considera que a medida é tomada “à revelia da Lei de Bases do Sistema Educativo”. “Poupa-se dinheiro, desertifica-se o interior, que não interessa, não é, senhor ministro?”, ironizou o deputado comunista.

Pelo PS, o deputado Bravo Nico argumentou que a probabilidade de insucesso escolar é maior em escolas sem bibliotecas, sem centros de recursos, sem refeitórios adequados. “Há crianças nas mesmas escolas dos pais, ainda a escrever nas ardósias dos seus pais e com as suas réguas”, referiu. Na mesma linha, o ministro dos Assuntos Parlamentares, Jorge Lacão, sustentou que a medida “contribui para a qualidade pedagógica das escolas” e que apenas abrange “três ou quatro por cento dos alunos do ensino básico”.

Para a deputada do BE, Ana Drago, até o timming do anúncio tem uma “ironia”: “Foi no dia da Criança que o ministério da Educação resolve dizer a dez mil crianças que as suas escolas não têm viabilidade educativa”.
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Escolaridade média dos portugueses é a segunda pior da OCDE

30.05.2010 - 13:51 Por Clara Viana
Transmissão intergeracional está a prejudicar performance portuguesa, mas a qualidade do ensino pode também não estar a ajudar

Em 50 anos, os portugueses mais do que duplicaram o seu tempo médio de permanência na escola, mas apesar deste salto Portugal continua a estar em penúltimo lugar entre os países da OCDE, mantendo assim a mesma posição relativa que ocupava em 1960, segundo confirmam dados da OCDE respeitantes a 2010 a que o PÚBLICO teve acesso.

A escolaridade média dos portugueses entre os 15 e os 64 anos que já não frequentavam a escola era, em 1960, de 3,15 anos. Na OCDE só a Turquia estava então pior. À semelhança de Portugal, também não conseguiu descolar desta posição: é a mesma que ocupa em 2010, apesar de a escolaridade média ter subido para 6,89 anos. Em Portugal, situa-se agora em 7,89.

O mesmo já não aconteceu, por exemplo, com a República da Coreia. Passou de 4,98 anos de escolaridade média em 1960 para 13,34 em 2010. Era o país com a quarta pior escolaridade média da OCDE. Agora está entre os dois melhores, disputando o primeiro lugar com o Reino Unido.

No seu relatório da Primavera, o Banco de Portugal (BP) confirmou o atraso português: apesar de a "alteração significativa" observada a partir dos anos 80 do século passado, "Portugal nunca conseguiu acompanhar os seus parceiros europeus no aumento do nível de qualificações da população activa". Isto sucede apesar da despesa em educação, em percentagem do Produto Interno Bruto, se situar, em 2006, em 5,6 por cento, muito próximo da média da OCDE que era de 5,7 por cento.

Para os autores do estudo do BP, o fraco nível educacional dos agregados familiares e as prioridades estabelecidas por estes poderão ajudar a explicar o fenómeno. Os filhos "têm um trajecto escolar fortemente influenciado pela experiência educativa dos pais. Portugal é um dos países da OCDE em que esta transmissão intergeracional é particularmente marcada", escrevem. Mas a qualidade do ensino e da formação de professores também deve ser equacionada entre as pistas de explicação para o fenómeno, adiantou Luísa Ferreira, conselheira do Banco Europeu de Investimento, numa conferência recentemente realizada em Lisboa.
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quarta-feira, março 03, 2010

Os mitos da educação por Pedro Lomba






Os mitos da educação

Por Pedro Lomba

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Segundo um estudo da OCDE ontem comentado nos jornais, a mobilidade social em Portugal está num nível de lástima. Na Europa os portugueses estão no fim da tabela no que respeita à ascensão de classe. Isso significa que a condição de pobre ou remediado é por cá persistente, senão imutável. Só à custa de um acaso é que uma pessoa acaba por se libertar do meio onde nasceu. 
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.O contexto económico e cultural das famílias é decisivo e tende a perpetuar-se. Quem herda um estatuto dificilmente o perde. Portugueses filhos de pais com baixos índices de escolaridade não chegam à universidade. Pior: o mercado de trabalho reflecte o mesmo padrão. Certamente por causa do seu menor "poder" social ou do seu espírito menos reivindicativo, os filhos de pais menos instruídos também auferem salários substancialmente mais baixos do que os outros.
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A educação continua a ser o recurso mais eficaz para os pobres e a classe média-baixa atingirem uma relativa mobilidade social. Aqui, convém dizer que o peso da educação supera inclusive a rigidez do mercado laboral (embora também ajude perceber que Portugal tem das leis do trabalho mais protectoras dos países da OCDE). Porque o nosso problema começa antes, logo na frequência da escola. Mesmo na hipótese de o mercado de trabalho ser liberalizado, se os filhos da classe pobre e média-baixa nem sequer chegam à universidade e se abandonam prematuramente a escola, nem com mercados liberalizados podemos ter ascensão social.
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A inflexibilidade das nossas leis laborais afecta em especial aqueles que estão fora do mercado de trabalho mas passaram pela escola pública e chegaram à universidade. Esses sim formam os outsiders de um mercado laboral fechado. A par deles, existem outros outsiders cuja situação é ainda mais drástica: o mercado penaliza-os simplesmente porque não estudaram, nem têm forma de se encaixar nos mercados de trabalho disponíveis.
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Tudo isto sugere que a cultura da imobilidade existente na sociedade portuguesa tem de ser combatida primeiramente através de uma ruptura na educação. Nada que não soubéssemos já, nem que não nos tivesse sido dito centenas de vezes. O que não nos disseram ainda é que temos ser capazes de quebrar alguns mitos que têm alimentado o nosso sistema de ensino. O projecto da mobilidade social requer uma educação mais diferenciadora, responsabilizadora e aberta.
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São três esses mitos perniciosos. Ao primeiro podemos chamar-lhe o mito da uniformização. Na ausência de regras que permitam às famílias escolher as escolas dos filhos e de programas que assegurem uma maior diversidade classista dentro das escolas, o resultado acaba por ser uma escola que agrava as desigualdades familiares preexistentes.
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O segundo mito está no igualitarismo. Faço notar que igualitarismo não é o mesmo que igualdade. A escola, por natureza, é uma instituição igualitária. Acontece que a nossa educação está empenhada num programa igualitarista, uma vez que rejeita fazer quaisquer distinções entre escolas. Na Holanda, por exemplo, as escolas são todas cooperativas de direito privado que têm que concorrer todos os cinco anos a financiamento pelo Estado. Se quiserem manter o emprego e o financiamento, têm que mostrar resultados. Devíamos caminhar para um sistema semelhante.
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O terceiro mito é o da irresponsabilidade. Sem autonomia, sem descentralização, sem poder para adaptar os seus projectos educativos às suas necessidades, toda a responsabilidade fica concentrada nas mãos do ministério e não nas escolas. Nada disso favorece um ensino orientado para a mobilidade social. Jurista
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terça-feira, março 02, 2010

Escola - Fábrica de Cretinos - João Vaz

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Correio da Manhã - 02 Março 2010 - 00h30

Opinião

Fábrica de cretinos

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Após nove, 11 ou mais anos de escola, os jovens passam ao mercado de trabalho sem um mínimo de capacidades.
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A ideia de a escola, o ensino e a aprendizagem constituírem um elevador social para os desfavorecidos está a ser aniquilada pela actual crise. Em menos de vinte anos, Bill Gates, Steve Jobs e Paul Alen não deixaram de estar entre os mais ricos do Mundo, mas já se destaca mais o seu sentido de negócio do que a sua paixão pelo conhecimento e a inovação, capazes de mudar o Mundo. As legiões de jovens com diplomas, mas sem emprego, reduzem os bilionários das novas tecnologias a uma espécie de clube de premiados do Euromilhões. Já nem se vê claramente que aprendizagem contribui para o seu êxito. Talvez passar o tempo a dedilhar nos jogos de consola até ajude mais do que uma sólida preparação académica. E entre um curso superior e a passagem por um qualquer reality show o segundo é de certeza melhor porta para fazer carreira. De resto, o primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, não é o único líder que adora recrutar caras bonitas para a política entre as assistentes mais despidas dos programas de TV.
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O problema é grave. Na semana passada, um jornal britânico registava que o desemprego não cessa de aumentar entre os recém-licenciados. Há sempre os sobredotados e superapoiados que vão directo ao topo depois de saírem de Harvard, Yale, Oxford ou Cambridge, mas a desilusão reina nas grandes massas de diplomados aviados pelas universidades públicas e privadas sem prestígio. Dois números chocavam no ‘Sunday Times’: uma em cada cinco pessoas em idade de trabalhar não tem emprego; dos 1,7 milhões de empregos criados desde 1997 no Reino Unido 81% pertencem a estrangeiros.
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Poder-se-ia pensar num declínio de civilização. Instalados na sua subsídiodependência, os britânicos já não teriam ambição e capacidade para singrar. A observação dos factos leva porém a outras pistas: após nove, 11 ou mais anos de escola, os jovens passam ao mercado de trabalho sem um mínimo de capacidades. Pior, nem sequer revelam interesse pelo trabalho. Num recrutamento, 52 candidatos foram chamados a uma entrevista. Mais de metade chegaram atrasados, 12 não traziam nada com que pudessem tomar notas para resolver um problema e os três seleccionados ficaram sem emprego em menos de seis meses por incompetência e falta de empenho.
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Fica evidente que as escolas estão a falhar na sua função. Fabricam cretinos em vez de homens livres, capazes de fazer progredir as sociedades em que se inserem. Com esta Educação, não há hipóteses de um mundo melhor. Nem de uma vida melhor.



João Vaz, Redactor Principal
» COMENTÁRIOS no CMJ on line
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02 Março 2010 - 18h58  | JocaO problema está muito na escola mas também em querer MO qualificada a custo de não qualificada. Só querem para si...
02 Março 2010 - 15h27  | aristótelescomo diz Medina Carreira, a escola actual forma analfabetos
02 Março 2010 - 14h35  | Inês NunesNunca cheguei atrasada.fui elogiada qdo trabalhei.sou recemlicenciada e agr desempregada por n ter 2 anos de experiencia
02 Março 2010 - 14h26  | Inês NunesQq 1 s sente desmotivado qdo tira licenciatura em enfermagem e so recebe propostas para funçoes d auxiliar d enfermagem.
02 Março 2010 - 13h23  | luiso que eu penso ha muito tempo,vale mais uma profissao que um canudo!!!
02 Março 2010 - 12h14  | António CarvalhoEu, sem ser professor, acrescentaria que "não obstante o imenso esforço de alguns professores"...
02 Março 2010 - 12h09  | Luís Câmara LemeLimitar o problema à Escola é simples demais.O problema é de toda a sociedade no seu conjunto,sem exclusão de ninguém.
02 Março 2010 - 11h47  | Ricardoconcordo, mas quem será mais cretino os miudos que andam na escola ou os graudos que deixaram que isto chegasse a tal?
02 Março 2010 - 11h43  | Luis Câmara LemeA notícia levanta um problema conhecido.Contudo,é muito mais importante apontar soluções do que lastimar a situação...
02 Março 2010 - 11h37  | R. AraújoE o chamado "processo de Bolonha" promete piorar o panorama! PESSOAS DIPLOMADAS SEM CONHECIMENTOS PROFISSIONAIS EFICAZES
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02 Março 2010 - 11h33  | RodriguesQUANDO OS SINDICATOS LUTAM COM TODOS OS MEIOS PARA TEREM UMA VIDA BELA, AINDA QUEREM MAIS BELA, QUE ESPERAM?
02 Março 2010 - 11h31  | Ex-PIDERazão tinha o Dr Salazar que achava perigoso dar estudos a todo e qualquer bicho careta. Aí estão as consequências! Beja
02 Março 2010 - 11h18  | luisA família é a base de toda a educação e formação. Junte-lhe falta de valores e "novas oportunidades" e sirva a preceito.
02 Março 2010 - 11h05  | xingadoCrónica para ser lida principalmente pelos pais e MNE Os professores fazem o que lhes mandam
02 Março 2010 - 10h46  | silva martinspois se a "avaliação" é para professores da "cor subirem"!!!
02 Março 2010 - 09h59  | Leopoldo Silva - Marinha GrandeExcelente artigo este, do Dr. João Vaz. Venham mais .
02 Março 2010 - 09h36  | Carlos BaptistaCom esta educação,muitos poucos têm hipótese.Mas eles só vão ver isso,se algum dia forem trabalhar e não subsidiodepente
02 Março 2010 - 09h18  | MalfadadoUma crónica para os professores lerem com atenção. Excelente!
02 Março 2010 - 08h54  | Alberto Manuel Henriques BarataMeu Caro, na então 4ªclasse, antes das aulas, roçava um molho de mato! Incluindo a Universidade, sempre a trabalhar!
02 Março 2010 - 08h24  | Nelson MaltezSimplesmente brolhante.
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02 Março 2010 - 08h20  | sila Perguntas: não servindo para nada, deve ponderar-se a sua substituição? Ou, nem isso?
02 Março 2010 - 07h09  | Manny Lifumba usatentamos copiar os exemplos dos consiferados espertos e sai a mesma porcaria dos espertos
02 Março 2010 - 06h50  | rpgE no nosso caso com os exemplos dos nossos maiores, então ainda melhor. A fome é que vai por isto nos eixos.
02 Março 2010 - 03h56  | MALI CANADAMEU CARO SR. JOAO VAZ,ESTA TRISTE REALIDADE,VAI TRAZER MUITO SANGUE E LAGRIMAS,O DSESPERO A ISSO VAI OBRIGAR!!!!!!
02 Março 2010 - 02h12  | daniel - SetúbalAs escolas deixaram de ensinar a 'raciocinar'. Ensinar a utilizar a massa cinzenta dá demasiado trabalho.
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