A Internacional

__ dementesim . . Do rio que tudo arrasta se diz que é violento Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem. . _____ . Quem luta pelo comunismo Deve saber lutar e não lutar, Dizer a verdade e não dizer a verdade, Prestar serviços e recusar serviços, Ter fé e não ter fé, Expor-se ao perigo e evitá-lo, Ser reconhecido e não ser reconhecido. Quem luta pelo comunismo . . Só tem uma verdade: A de lutar pelo comunismo. . . Bertold Brecht
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terça-feira, dezembro 04, 2012

2,5 milhões de portugueses em risco de pobreza ou exclusão social



Exame Expresso

Em 2011, 119,6 milhões de pessoas na UE, ou seja, 24,2% dos europeus, estavam ameaçadas de pobreza ou exclusão social, revelou hoje a Eurostat. Dessas, 2,5 milhões são portugueses.

Maria Luiza Rolim (www.expresso.pt)
19:15 Terça feira, 4 de dezembro de 2012


Ler mais: http://expresso.sapo.pt/25-milhoes-de-portugueses-em-risco-de-pobreza-ou-exclusao-social=f771202#ixzz2E7lS85sR


Numa lista encabeçada pela Bulgária, com 49%, Portugal (24,4%) é o décimo país com piores taxas de risco de pobreza e de exclusão social da UE. Embora a qualidade de vida da população portuguesa continue a deteriorar-se, ainda assim, está melhor comparativamente ao ano passado (25.3%) e a 2009 (26%), segundo dados divulgados pelo Eurostat, o gabinete de estatísticas da União Europeia.
A julgar pelas estatísticas, Portugal está numa situação mais ou menos equivalente à da média dos 27 países da UE (24,2%), e um pouco menos dramática do que Espanha, que ocupa a 9ª posição, com 27% dos espanhóis em risco de pobreza ou exclusão social. E também da Grécia, que se situa como o quinto país com as piores taxas da UE, posição que divide com a Hungria.
No conjunto dos 27, a proporção de pessoas em risco de pobreza  ou exclusão passou de 23,4% em 2010 para 24% em 2011, o que representa uma subida de 0,6, muito mais do que a registada, por exemplo, em Espanha.
De acordo com os dados divulgados segunda-feira pela Eurostat, estão em risco de pobreza as pessoas cujo rendimento são inferiores a 60% da média nacional; que padecem de "grave privação material", de modo que os seus recursos não permitem pagar o aluguer de uma casa ou adquirir certos bens básicos; ou que utilizaram menos de 20% do seu "potencial de trabalho" no último ano.
No total, 119,6 milhões de cidadãos europeus estavam numa dessas situações no ano passado. Desses, cerca de 2,5 milhões eram portugueses.
No ítem relativo a pessoas em risco de pobreza, após as transferências sociais, Portugal chega aos 18%, estando perto dos países do leste. A média nos 27 estados-membros é de 16,9%.

Clique na imagem para ver o PDF


Ler mais: http://expresso.sapo.pt/25-milhoes-de-portugueses-em-risco-de-pobreza-ou-exclusao-social=f771202#ixzz2E7l3HNVh

terça-feira, março 01, 2011

Na zona euro fica nos 9,9% Taxa de desemprego mantém-se nos 11,2%

João Cortesão

A taxa de desemprego em Portugal atingiu em Janeiro os 11,2 por cento, mantendo o mesmo valor registado em Dezembro, mas tendo aumentado 0,7 pontos percentuais face ao mesmo mês do ano anterior, segundo o Eurostat.
  • 10h33 - 2011.03.01


No boletim esta terça divulgado, o Eurostat reviu em alta o desemprego em Portugal desde Setembro. Nos últimos quatro meses do ano, o desemprego situou-se assim nos 11,2 por cento, segundo o gabinete de statísticas da União Europeia. Na anterior estimativa, o Eurostat apontava para 10,9 por cento de desemprego em Dezembro. 
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Na zona euro, a taxa de desemprego situou-se nos 9,9 por cento em Janeiro, uma queda face aos 10 por cento registados em dezembro, e na União Europeia esta taxa situou-se nos 9,5 por cento, abaixo dos 9,6 por cento de Dezembro.

quarta-feira, dezembro 29, 2010

Capital aproveita crise para atacar salários


«Os aumentos caíram quase para metade entre 2007 e 2009»
Estatísticas confirmam
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A crise sistémica mundial está a ser aproveitada pelo capital para pressionar a remuneração da força de trabalho. Os jovens são as presas mais vulneráveis do capital predador.
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De acordo com os dados apurados pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), os salários reais em todo o mundo cresceram menos em 2009 do que em 2007, tendo a subida média passado de 2,8 para apenas 1,6 por cento, isto é, quase para metade.
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No relatório da OIT, que compila informações referentes a 115 países, afirma-se igualmente que se a China for excluída das estatísticas, a queda é ainda mais acentuada, passando de 2,2 para 0,7 por cento no mesmo período.
No conjunto, diz a OIT, o crescimento salarial só se mantém consistente na Ásia e América Latina, cenário oposto ao verificado na Europa e Ásia Central. «A recessão foi dramática não só para os milhões que perderam o emprego, mas também para aqueles que, mantendo o posto de trabalho, viram severamente afectado o seu poder de compra», considerou o director-geral da organização, citado pela Lusa.
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Nos ditos «países desenvolvidos», a OIT estima que depois de um crescimento de 0,8 por cento nas remunerações do trabalho verificado antes da eclosão da actual fase da crise capitalista, os salários reais perderam meio ponto percentual em 2008, voltando a crescer apenas 0,6 por cento em 2009.
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«A percentagem de pessoas que recebem baixos salários – definidos como menos de dois terços do salário mediano – aumentou desde meados da década de 90 em mais de dois terços dos países com dados disponíveis», admite-se também no texto.
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Este quadro de ataque prolongado aos salários por parte do grande capital é consistente com outro divulgado pela OIT, o qual indica que, na primeira década do século XXI, os salários só subiram 5 por cento nos chamados «países avançados».
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Coerentes, neste contexto, são também os dados do Eurostat que apontam para uma quebra de 0,3 por cento no custo do trabalho por hora em Portugal entre Setembro de 2009 e o mesmo mês de 2010, valor substancialmente pressionado pela descida das remunerações no sector dos serviços.

Jovens vítimas do sistema

A OIT salienta no documento supracitado que «os trabalhadores com baixos salários tendem a ser jovens». Mas não são apenas as baixas remunerações o garrote para os mais recentemente chegados à idade activa.
Segundo informações divulgadas a semana passada pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), no terceiro trimestre de 2010 a média de desemprego entre os jovens dos 15 aos 24 anos ascendia a 18,5 por cento nos países afectos à organização.
Quando comparados os números do terceiro trimestre de 2007 com os do mesmo período deste ano, verifica-se que 3,5 milhões de jovens caíram no desemprego, acrescenta a OCDE, que alerta ainda para o facto deste valor se encontrar abaixo da realidade, dado que muitos dos que concluem ou abandonam o ensino não entrarem nas estatísticas do desemprego.
A OCDE diz que pelo menos 16,7 milhões de jovens estão arredados do mercado de trabalho e dos programas de educação ou formação profissional, a esmagadora maioria dos quais, cerca de 10 milhões, nem sequer procuram emprego.
Os EUA e a Europa lideram o crescimento do desemprego jovem, com índices de mais 6,3 e 7,4 por cento face a 2007, respectivamente, elevando o total de desempregados neste escalão etário para perto dos máximos históricos dos últimos 25 anos.
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AVANTE 2010.12.23
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domingo, outubro 17, 2010

CS/PSD/PS - Uma política sem futuro e para o caos

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Blogue da Emigração

Eugénio Rosa

Outubro 6, 2010
Contrariamente ao que Sócrates, a direita e o pensamento económico neoliberal dominante nos media procuram fazer crer à opinião pública, o problema mais grave que o País enfrenta neste momento não é o da receita e da despesa pública serem elevadas, mas sim o da divida ao estrangeiro ser incomportável para o País e não parar de crescer a um ritmo elevado. 
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Em 2009, segundo dados do Eurostat a receita pública em Portugal representou 41,6% do PIB, quando na UE27 foi, em média, 43,9% do PIB. Em relação à despesa pública, no mesmo ano, e segundo também o serviço de estatística da UE, ela em Portugal atingiu 51% do PIB, quando na UE27 correspondeu em média a 50,7%. Portanto, em Portugal, tanto a receita como a despesa pública estão em linha com a média dos países das U.E, embora exista, do lado receita, uma profunda injustiça fiscal e, do lado da despesa, má utilização de uma parte dela. A direita e os defensores do pensamento económico único nos media mentem descaradamente quando afirmam que a receita e a despesa pública em Portugal são muito mais elevadas do que na UE. 
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O grave problema que o País enfrenta neste momento, que o governo e toda a direita ignoram ou deliberadamente ocultam é o elevado e crescente endividamento do País ao estrangeiro. E este grave problema não se resolve nem com as medidas anunciadas pelo governo nem com as que o PSD e CDS querem impor ao País. A elevada e crescente divida externa é determinada pelo elevado défice da Balança de Pagamentos. Só nos 5,5 anos de governos de Sócrates (Jan2005/Jul2010) a soma destes défices atingiu -96.135 milhões €, ou seja, o correspondente a 56,5% do PIB. Uma parte muito significativa dele resulta do défice permanente da Balança Comercial Portuguesa. Em cinco anos de governos de Sócrates (2005/2009), a soma dos défices da Balança Comercial atingiu -72.176 milhões €, ou seja, 84% do défice acumulado da Balança de Pagamentos durante o mesmo período (o resto são fundamentalmente de juros e lucros). 
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Este elevado défice da Balança Comercial Portuguesa resulta do País importar muito mais do que exporta, não produzindo o necessário para satisfazer uma parte importante do consumo interno. Em 2009 por ex., 84,5% das importações e 71,6% das exportações eram de bens, ou seja, de produtos fundamentalmente da indústria e da agricultura. E apesar dos produtos da indústria e da agricultura representarem a esmagadora maioria das importações e exportações portuguesas tem-se verificado em Portugal, nos últimos anos, uma profunda desindustrialização e uma quebra significativa da produção agrícola e da pesca. Segundo dados do próprio INE, entre 1999 e 2009, o peso da produção da industria transformadora em Portugal, medido pelo VAB (riqueza produzida) diminuiu em -18,6%, pois passou de 16,1% da produção nacional para apenas 13,1%. A quebra verificada na produção agrícola e pesca foi também grande já que diminuiu em -15,6%, passando, entre 1999 e 2009, de 3,2% para somente 2,7% da produção nacional. Como consequência, em especial durante os governos de Sócrates (entre 2004 e 2009, o peso da produção da Industria Transformadora na produção nacional diminuiu em -14,4% pois passou de 15,3% para apenas 13,1%) o emprego na Industria Transformadora que, em 1999, contribuía com 22,5% do emprego total do País, em 2004 representava já 19,6%, e após 5 anos de governos de Sócrates, ou seja, em 2009 era apenas 17% do emprego em Portugal. Nos 5 anos de governos de Sócrates foram destruídos só na Indústria Transformadora portuguesa 255.000 empregos. 
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As medidas anunciadas por Sócrates visando uma redução brutal e irracional do défice orçamental só poderão provocar o agravamento de toda esta situação. Para além de agravarem ainda mais a injustiça fiscal (79% do aumento das receitas são de impostos sobre as famílias), elas determinarão uma forte contracção do mercado interno, o que causará a falência de muitas empresas com consequente disparar do emprego e destruição da economia, determinando o aumento do défice externo e subida do endividamento. E com uma economia destruída e sem crescimento económico os chamados mercados (bancos e fundos) considerarão que Portugal terá dificuldades crescentes em pagar o que pede emprestado, e por isso aumentarão ainda mais as taxas de juro. A agravar a situação, está a baixa poupança das famílias portuguesas determinada pelo crescimento económico anémico (em 2009, a taxa de poupança das famílias em Portugal foi apenas de 8,8%, quando na UE27 atingiu 13,7%) que limita o recurso ao endividamento interno para cobrir as necessidades de financiamento do País, acelerando o recurso ao crédito externo. 
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É um circulo vicioso de agravamento social e de miséria, de destruição da economia, de aumento da divida externa que esta politica absurda e irracional inevitavelmente determinará. É uma política sem visão do futuro. Por isso, os sacrifícios que estão a ser impostos serão inúteis, porque no fim o País ainda estará mais endividado e mais à mercê dos credores externos. É urgente inverter esta política de corrida cega para o abismo.
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http://jdei.wordpress.com/2010/10/06/eugenio-rosa/
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segunda-feira, setembro 06, 2010

Portugal - 600 mil desempregado dos quais 126 mil sem trabalho há mais de dois anos

Paulo Marcelino
Ir ao Centro de Emprego é uma rotina para cerca de 600 mil portugueses
Emprego

126 mil sem trabalho há mais de dois anos

Com cerca de seiscentos mil desempregados no País, há cada vez mais portugueses que estão anos a fio à procura de trabalho. Numa década, esse valor duplicou, revela o Eurostat
  • 0h30 2010 09 06
Por:Pedro H. Gonçalves/J.C.M.
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O número de desempregados de muito longa duração duplicou em pouco mais de uma década. Segundo os números disponíveis no Eurostat, em 1998, havia 60 mil portugueses sem trabalho há mais de dois anos. Esse valor disparou para os 126 mil em 2009.
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Segundo o gabinete de estatística europeu, é o valor mais elevado da década, com as mulheres a serem mais afectadas. Contudo, há condições para que este valor seja ultrapassado este ano.
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A inexistência de empregos leva a que os portugueses sem trabalho se prolonguem nesta situação por vários anos. Os números do Instituto Nacional de Estatística (INE) só revelam quem não tem emprego há mais de um ano: 326 mil em Julho de 2010. Mas como os números mostram, a tendência é de que cerca de metade desse total já esteja sem trabalhar há mais de dois anos. 
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Os dados do Eurostat apontam para essa realidade. O ano passado, 44,2% de todos os portugueses sem trabalho estavam nessa situação há mais de um ano. Para os economistas, esta realidade justifica--se com a falta de crescimento da economia. "É preciso um crescimento de dois por cento para haver trabalho. Como estamos longe disso, temos um número recorde de desempregados de longa duração", explica o professor de Finanças do ISEG, João Cantiga Esteves.
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O Presidente da República, Cavaco Silva, alertou ontem para o problema do desemprego no País, salientando que, em 2010, 55% dos desempregados estão nessa situação há mais de um ano, confirmando os números divulgados pelo Correio da Manhã.
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Muitos, como o CM já noticiou, ficam no desemprego à espera do momento de pedir a reforma antecipada, aceitando um corte na pensão para receberem mais do que o subsídio social de desemprego. A dificuldade em encontrar um emprego é reforçada pelo facto de a taxa de oferta de trabalho ser uma das mais baixas da UE. No primeiro trimestre de 2010, a taxa de empregos vagos não ia além dos 0,4%. 
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VALORES VÃO SUBIR DEPOIS DO VERÃO
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Existem 590 mil desempregados no País, segundo os últimos números do Instituto Nacional de Estatística (INE), que dão uma taxa de desemprego de 10,6 % em Julho. 
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O Eurostat aponta para uma taxa de 10,8 %. No Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP), estavam inscritos no mesmo mês 548 mil pessoas à procura de trabalho.
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Apesar de o Governo garantir que a única referência oficial é a do INE, os especialistas apontam para uma taxa de desemprego real de 13%, mais de 700 mil pessoas, por causa do subemprego e dos que já desistiram de procurar trabalho.
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Os especialistas são também unânimes em prever que a partir de Outubro o desemprego volte a bater máximos históricos, perdido o efeito provocado pelos empregos sazonais de Verão e pela falta de investimento público. 
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MULHERES SÃO AS MAIS AFECTADAS
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A maioria dos desempregados de longa duração tem baixas qualificações e uma idade em que é mais complicado conseguir um novo emprego, a partir dos quarenta. A experiência laboral é, por isso, também de empregos pouco qualificados e precários, com a oferta – mais jovem – a superar a procura.
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As mulheres são mais afectadas por esta situação, uma vez que são o sexo que mais sofre com a falta de trabalho. A taxa de desemprego de longa duração duplicou no espaço de uma década, revela o Eurostat.
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O próprio secretário de Estado do Emprego, Valter Lemos, admitiu que o desemprego de longa duração continua a registar taxas de crescimento elevadas, reconhecendo que se trata da área "mais difícil" de recuperação do mercado de trabalho, a comentar os números do INE em Agosto último. 
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quarta-feira, setembro 01, 2010

Trabalho: Taxa de desemprego bate recorde histórico de 11 por cento em Maio e Junho

Tiago Petinga/Lusa
José Sócrates não comentou os números do Eurostat
Trabalho: Taxa de desemprego bate recorde histórico de 11 por cento em Maio e Junho

95 pessoas por dia perdem o emprego

Ultrapassada barreira dos seiscentos mil desempregados no País, revela o Eurostat
  • 0h30 Correio dea Manhã 2010.09.01
Por:Pedro H. Gonçalves
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Em Maio havia 605 mil portugueses à procura de trabalho. É uma taxa histórica de 11 por cento no desemprego, sem igual na história recente do País. São vinte mil novos desempregados desde o arranque do ano.
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Os números, ontem revelados pelo gabinete de Estatística europeu, revelam que o recorde histórico foi atingido em Maio e Junho, com o máximo de 11 por cento. No último mês a que o Eurostat se refere, Julho, há uma ligeira quebra para os 10,8 por cento. Mesmo assim, são 591 mil portugueses sem trabalho, o que coloca o País acima da média da União Europeia, que é de 9,6 por cento.
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Feitas as contas, todos os dias há 95 pessoas a ficarem sem emprego, desde o início do ano. Isto numa altura em que o Governo exige condições de acesso mais apertadas ao subsídio de desemprego. É preciso recuar até à década de oitenta para encontrar valores próximos de uma taxa de desemprego de 11 por cento (ver gráfico). 
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Na resposta à taxa histórica de desemprego, o secretário de Estado do Emprego, Valter Lemos, rejeitou a estatística europeia. "O número de desemprego no segundo trimestre de 2010 é de 10,6 por cento. Esse é o número oficial do desemprego em Portugal", defendeu. O governante falava aos jornalistas à margem de uma cerimónia com José Sócrates, que não quis comentar os números do desemprego em Portugal. O responsável, que negou estar a criticar o Eurostat, avançou contudo que "os números que o Eurostat tem dado para o desemprego em Portugal têm mudado todos os meses".
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Os números contrariam algumas afirmações do Governo que garantiam uma quebra no número de desempregados este ano. Sócrates dizia em Dezembro de 2009 que o "desemprego começa a recuperar em 2010". A ministra do Trabalho admitia em Março termos chegado "ao pico do desemprego", com uma taxa de 10,3 por cento avançada pelo Eurostat. Valter Lemos, em Abril, referia ter "uma forte esperança de que, nestes próximos meses, a situação já se estabilize". 
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Os jovens continuam a estar na linha da frente de desemprego, com dois em cada dez à procura de trabalho. A taxa de desemprego nos portugueses até aos 25 anos fixou--se nos 20,6 por cento em Julho deste ano, uma quebra de meio ponto percentual face a Junho.
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Em termos europeus, há 23 milhões de pessoas sem trabalho na União Europeia, revelam os números do Eurostat. 
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quarta-feira, agosto 04, 2010

Eurostat Portugal é o terceiro país da Europa com mais contratos a termo



04.08.2010 - 11:16 Por Ana Rute Silva

Portugal é um dos países da Europa onde há mais trabalhadores com contratos temporários.
<p>Depois da Polónia e Espanha, Portugal tem taxa de tabalhadores a prazo mais elevada da Europa</p>
Depois da Polónia e Espanha, Portugal tem taxa de tabalhadores a prazo mais elevada da Europa
 (Adriano Miranda/PÚBLICO)


De acordo com os dados do Eurostat, hoje divulgados, 22 por cento da população activa tem contrato a termo.

Na Europa a 27, Portugal só é ultrapassado pela Polónia (26,5 por cento) e Espanha (25,4 por cento).

Na UE o peso de trabalhadores com contratos laborais de curta duração cresceu de 12,3 por cento em 2002 para 14,5 por cento em 2007. Há dois anos caiu para 14 por cento e manteve a tendência descendente em 2009 (13,5 por cento). Roménia, Lituânia e Estónia têm as taxas mais baixas de contratos a termo.

Por cá, o trabalho a tempo parcial continua a não ser uma prática corrente: apenas 8,4 por cento dos trabalhadores estão empregados em part-time, uma das taxas mais baixas da Europa (média de 18 por cento).

A taxa total de emprego entre pessoas entre os 15 e os 64 anos na EU a 27 aumentou de 62,4 por cento em 2002 para 65,9 por cento em 2008, mas caiu para os 64,6 por cento o ano passado.
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sábado, julho 31, 2010

Trabalho: Taxa de desemprego em Portugal fixou-se nos 10,8 por cento

Luís Duarte
Jovens continuam a não conseguir um emprego



Trabalho: Taxa de desemprego em Portugal fixou-se nos 10,8 por cento

Dois em dez jovens no desemprego

Desemprego no País recua uma décima, mas continua em máximos históricos. Portugueses com menos de 25 anos são os mais afectados.
  • 0h30 Correio da Manhã 2010 07 31
Por:Pedro H. Gonçalves
Portugal continua com uma taxa de desemprego acima da média da União Europeia e, entre os jovens, o cenário continua negro. Dois em cada dez portugueses com menos de 25 anos não tem trabalho.
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Os números do Eurostat ontem revelados apontam para uma taxa de desemprego em Portugal, em Junho, de 10,8 por cento, uma diminuição aplaudida pelo Governo de 0,1 por cento face ao mês anterior. Mas em termos homólogos, ou seja, no mesmo mês de 2009, os dados revelam uma subida da taxa de desemprego de 9,7 para 10,8 por cento. A média da UE a 27 fixa-se nos 9,6 por cento.

Os jovens continuam a ser os mais castigados com a falta de emprego. A taxa fixou-se nos 21,5 por cento no mês de Junho. Apesar de ser um recuo de quatro décimas face a Maio, o Eurostat revela que, em Junho de 2009, a taxa de desemprego entre os jovens era mais baixa: 19,6 por cento. A tendência revelada pelos números do Instituto Nacional de Estatística mostra que há cada vez mais jovens licenciados no desemprego.
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Para o líder do PSD, Pedro Passos Coelho, 'a questão do desemprego não traz muita novidade. Como sabe, o desemprego tem efeitos sazonais que são perfeitamente antecipáveis. Nós sabemos que, durante o Verão, o desemprego tende sempre a ser mais baixo e o emprego sazonal a ser um pouco mais elevado'.
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Para o PCP, o emprego temporário de Verão é a causa para esta 'descida insignificante' na taxa de desemprego do País.
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'BOA NOTÍCIA', DIZ O GOVERNO
O secretário de Estado do Emprego, Valter Lemos, considerou ontem que a inversão da tendência da taxa de desemprego é uma 'boa notícia' para Portugal. 
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'Naturalmente, ainda continuamos com taxas de desemprego elevadas, mas, neste caso, o sentido da tendência é o que importa referir', disse o secretário de Estado. O recuo de 0,1 por cento dá 'bons sinais' ao País, porque Portugal 'deixa, assim, de estar a subir para estar a descer' em termos de desemprego estimado pelo Eurostat. 
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sexta-feira, julho 09, 2010

CGTP-IN sobre dados do desemprego


Nos números oficiais não estão milhares de desempregados

Taxa inédita há 30 anos
À beira dos 11 por cento, a taxa de desemprego divulgada na semana passada pelo Eurostat constitui o valor mais elevado desde há 30 anos e a constante subida é uma diferença para pior face à UE.
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Para a CGTP-IN, os números do Eurostat, relativos a Maio, «confirmam a evolução negativa do desemprego em Portugal». «São já 10,9 por cento os trabalhadores empurrados para uma situação de desemprego, valor mais elevado dos últimos 30 anos», refere a central, numa nota emitida sexta-feira. Desde Março, na Zona Euro, a taxa oficial permanece nos 10 por cento, enquanto no conjunto dos 27 estados-membros tem sido de 9,6 por cento; nesse período, assinala a Intersindical, o desemprego em Portugal continua a subir, constituindo em Maio a quarta maior taxa de desemprego da União Europeia.
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A informação do Eurostat «vem confirmar as preocupações manifestadas pela CGTP-IN, exigindo do Governo, não só uma inversão na retirada das “medidas anti-crise”, como o seu aprofundamento e alargamento». Quando sobe o número de desempregados, «não é aceitável» que se retire apoios, o que deixa «cada vez mais trabalhadores e suas famílias numa situação de privação, com inevitáveis consequências no plano da exclusão social e da pobreza». A Inter aponta o paradoxo de esta situação ocorrer no «ano europeu contra a pobreza e exclusão social», bem como numa altura em que foi revelado o aumento do número de milionários no nosso país.
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Também o aumento das retenções de IRS e a subida do IVA «só contribuirão para uma maior degradação da condições de vida, com perda de poder de compra e com implicações na dinamização da economia, introduzindo novos factores de depressão sobre o emprego».
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Neste contexto, «a inversão de políticas é um imperativo e uma exigência», insistindo a CGTP-IN na exigência de «crescimento económico» e de «uma política que tenha como objectivo central romper com o ciclo estagnação económica - desemprego - mais estagnação económica». Sem essa alteração de política, «é com um futuro cada vez mais hipotecado que se depararão os trabalhadores, com especial incidência nos jovens, cuja taxa oficial de desemprego se situa acima dos 22 por cento», previne a central.
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Dos centros de emprego do IEFP no distrito do Porto foram eliminados 8870 desempregados, protestou anteontem a USP/CGTP-IN. No final de Abril, estavam registadas 132 854 pessoas; em Maio, inscreveram-se mais 8518 e foram colocadas 836; mas, em vez de 140 536, o IEFP apenas indica 131 666, para o final de Maio, «sem qualquer explicação», refere um documento que a União dos Sindicatos do Porto divulgou numa conferência de imprensa sobre a preparação do «dia nacional de protesto e luta». 
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Mesmo assim, por comparação com Maio de 2009, houve um aumento de 13 por cento, com mais 15 316 pessoas à procura de emprego, o que representa um ritmo de mais dois desempregados por hora. Relativamente a Abril, ocorre uma redução de 0,9 por cento (menos 1188 registos), mas verifica-se um aumento de 2,2 por cento no emprego de longa duração (mais 2388 desempregados inscritos há mais de um ano).
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No distrito de Braga, haverá mais uns dez mil desempregados do que os quase 57 mil que, segundo o IEFP, estavam inscritos em Maio nos centros de emprego. A estimativa, da direcção regional do Movimento dos Trabalhadores Desempregados, remete para os jovens à procura de primeiro emprego e para os desempregados que perderam o subsídio mas continuam sem trabalho. Em conferência de imprensa, na segunda-feira, o movimento apelou à participação nas acções de hoje da CGTP-IN.
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O MTD voltou a alertar para as consequências das alterações ao regime de protecção social no desemprego, com as quais o Governo procura diminuir o valor do subsídio de desemprego, mudar o conceito de emprego conveniente e restringir o acesso ao subsídio social de desemprego. «Uma sociedade a abarrotar de desempregados é uma sociedade totalmente desequilibrada, injusta e sem qualquer futuro», acusa o MTD.
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N.º 1910
8.Julho.2010
Avante
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quarta-feira, julho 07, 2010

Portugal - Mais de 600 mil desempregados

Eurostat: Taxa de desemprego atinge novo máximo

Domingo, 26 de Julho na "Domingo" com o Correio da 
Manhã

José Sena Goulão/Lusa
Governo acabou, nesta semana, com medidas excepcionais que apoiavam os desempregados

Um dia após o Governo ter acabado com as medidas extraordinárias anticrise, a taxa de desemprego atingiu novos máximos históricos em Portugal, que, pela primeira vez, conta com mais de 600 mil desempregados.
  • 03 Julho 2010 - Correio da Manhã
Por:Janete Frazão/A.C.V.
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Segundo dados do Eurostat, a taxa de desemprego subiu um ponto e meio em Portugal face a Maio de 2009, tendo atingido os 10,9%. Este novo crescimento registou-se num mês em que as taxas médias da zona euro e da União Europeia (UE) a 27 se mantiveram inalteradas face a Abril, 10% e 9,6%, respectivamente.
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Portugal mantém, assim, a quarta taxa de desemprego mais elevada da UE, numa tabela liderada pela Letónia (20%, dados referentes ao primeiro trimestre). A Espanha mantém também uma das taxas mais elevadas, embora tenha registado uma ligeira queda (19,9% em Maio, contra 19,7% em Abril).
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Para o ministro da Economia, Vieira da Silva, os valores avançados pelo Eurostat são "estimativas", pois os dados oficiais só são conhecidos em Agosto. Mais confiante, José Sócrates admite que o crescimento do desemprego vai abrandar no Verão, motivado pelo crescimento económico verificado no primeiro trimestre de 2010. 
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O Presidente da República reconheceu que a taxa portuguesa "é muito elevada" e defendeu a aposta na competitividade das empresas para reduzir estes números.
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Da parte dos sindicatos, a UGT alertou para a falta de investimento privado e a CGTP apelou ao regresso das medidas excepcionais. 
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No Parlamento, PS e PSD votaram contra a tentativa do PCP, BE e CDS-PP de reverter a eliminação destas medidas. 
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sábado, julho 03, 2010

Ministra não comenta aumento da taxa de desemprego e frisa que Governo está a trabalhar em prol da empregabilidade

Desemprego

03.07.2010 - 18:35 Por Lusa
A ministra do Trabalho garantiu hoje que o Governo está a trabalhar para que o emprego seja uma realidade em Portugal, escusando-se a comentar os dados
Helena André referiu que é preciso “ter esperança” e “trabalhar de
 forma mobilizada” para ultrapassar os momentos “mais difíceis” 
Helena André referiu que é preciso “ter esperança” e “trabalhar de forma mobilizada” para ultrapassar os momentos “mais difíceis” (Miguel Manso)

“Vamos ver como a economia se comporta. Não quero comentar”, disse a ministra hoje em Lisboa durante uma visita à Feira Internacional de Artesanato em Lisboa, quando confrontada com os números divulgados durante o dia de ontem.

O Eurostat divulgou que a taxa de desemprego de Portugal voltou a atingir um novo máximo ao chegar aos 10,9 por cento em Maio, acima dos 9,6 por cento na União Europeia e 10 por cento na Zona Euro.

Os dados do gabinete oficial de estatísticas da União Europeia apontam para uma contínua subida da taxa de desemprego em Portugal nos últimos meses, já que era de 10,4 por cento em Fevereiro, 10,6 em Março e 10,8 em Abril, atingindo em Maio um novo máximo de 10,9 por cento.

Apesar de não querer comentar os números, Helena André referiu que é preciso “ter esperança” e “trabalhar de forma mobilizada” para ultrapassar os momentos “mais difíceis”.

“Obviamente que todos trabalhamos para que o emprego seja uma realidade, para que cada vez mais pessoas possam entrar no mercado de trabalho. E nesse aspecto temos políticas públicas muito importantes no terreno”, defendeu.
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sábado, fevereiro 06, 2010

Desemprego: ferida aberta na Zona do Euro


 

Economia

Vermelho - 29 de Janeiro de 2010 - 14h57

A taxa de desemprego na Zona do Euro alcançou 10% em dezembro, seu nível mais elevado desde a criação da moeda única em 1999, segundo dados publicados nesta sexta pela agência europeia de estatísticas Eurostat. A inflação também se acelerou na região a 1% interanual em janeiro, depois de subir 0,9% em dezembro.

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Um ano antes, o desemprego se situava em 8,2% da população ativa nos 16 países que integram a Eurozona. A Espanha continua sendo o país da Eurozona mais afetado pelo desemprego. Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística espanhol, a taxa voltou a subir no quarto trimestre de 2009, depois de um breve período de estabilização, situando-se em 18,83% da população ativa.
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A agencia de estatísticas disse que o número de pessoas sem emprego subiu em 87 mil em dezembro ante novembro, para 15,763 milhões na zona do euro. A divulgação da Eurostat é preliminar e não contém a variação dos preços na comparação mensal, que só deve estar disponível no dia 26 de fevereiro. O problema é crônico.
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Recuperação modesta
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A recuperação econômica da Zona do Euro deve ser modesta, disse o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet, acrescentando que os governos precisam trabalhar para reduzir os déficits públicos. "Agora nós estamos em um estágio de recuperação. Nós temos números positivos, não negativos. Eu espero, mas eu sou muito cauteloso e prudente, uma recuperação modesta", disse Trichet.
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Ele também afirmou que o atual nível de déficits do setor público não é sustentável, tanto nos Estados Unidos quanto na Europa. Trichet acrescentou que o Pacto Europeu de Estabilidade e Crescimento, que recomenda que os déficits dos Estados-membro sejam mantidos abaixo de 3% do Produto Interno Bruto (PIB), precisa ser rigorosamente interpretado.
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Além do desemprego, a ameça de naufrágios de economias importantes bate á parta da Europa. Espanha, Portugal e Reino Unido estão na lista de perigos, mas o caso mais grave é o da Grécia. O primeiro-ministro, George Papandreou, disse que o país está sendo apontado como o "elo frágil" na Zona do Euro, mas não tem planos de abandonar o bloco, que deve ajudar a restaurar a estabilidade da economia.
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União Européia
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"É um ataque à Zona do Euro por outros interesses, políticos ou financeiros, e frequentemente países são usados como o elo frágil, se você gosta, na zona do euro", disse Papandreou, no Fórum Econômico Mundial, em Davos. "Nós estamos sendo alvo, particularmente com um motivo oculto, e, claro, há especulação nos mercados mundiais." Ele disse que a Grécia é responsável por colocar sua própria casa em ordem, com a ajuda da Zona do Euro.
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Joaquin Almunia, comissário da União Européia (EU) para assuntos monetários, disse que que não há riscos de moratória da dívida da Grécia ou de o país deixar a Zona do Euro. "Não, a Grécia não vai declarar moratória. Na zona do euro, a moratória não existe, porque com uma moeda única a possibilidade de conseguir auxílio na sua própria moeda é muito maior", destacou.
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Por outro lado, o ministro das finanças grego, George Papaconstantinou, afirmou que não tem conhecimento de conversações sobre um pacote de resgate com países da UE, como França e Alemanha, e disse que o governo está concentrado em fazer o que for necessário para reduzir o déficit. A Grécia prometeu reduzir seu déficit neste ano para 8,7% do Produto Interno Bruto (PIB) por meio de cortes nos gastos sociais do governo, reformas tributárias e congelamentos nos salários do setor público.
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Sistema bancário
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Por trás da crise está o sistema financeiro, alvo de duras críticas em Davos. O vice-diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), John Lipsky, disse que o sistema bancário vai ser reformado porque existe no momento pressão política dos governos para que isso aconteça, segundo o. "O mais importante de se perceber é que há uma real pressão política para ações de reforma do sistema financeiro em um sentido amplo", disse ontem Lipsky.
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No seu discurso , o presidente francês, Nicolas Sarkozy, cobrou de forma muito dura a conclusão do projeto de reforma bancária tocada por instituições multilaterais.
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A pressão política, porém, está criando uma tensão entre as propostas encaminhadas conjuntamente pelos países do G-20 por meio do Fórum de Estabilidade Financeira, Banco para Compensações Internacionais (BIS) e FMI, de um lado, e as iniciativas individuais dos países.
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A mais polêmica delas, que está provocando divisões de opinião muito fortes em Davos, são as novas propostas do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que incluem limitação do tamanho dos bancos e restrições a que tenham ligações com fundos de hedge (especulativos) ou façam operações de tesouraria com recursos próprios.
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Com agências
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sexta-feira, janeiro 08, 2010

Preço da electricidade sobe 2,9% em 2010



Eugénio
Rosa

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EDP lucrou 835 milhões de euros em nove meses
Preço da electricidade sobe 2,9% em 2010
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Numa altura em que os média dão preferencialmente voz aos «especialistas» que defendem aumentos reduzidos dos salários ou mesmo a sua manutenção (leia-se, congelamento) em 2010, a ERSE – a entidade oficial que tem como função controlar os preços no chamado mercado regulado de electricidade (porque no mercado livre os preços já são livres e fixados de acordo apenas com os interesses das empresas) – acaba de anunciar que o preço da electricidade para as famílias deverá aumentar mais 2,9% em 2010.
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O aumento anunciado é mais de três vezes superior à previsão de subida de preços em Portugal em 2010 feita pela OCDE (+0,8%) e pelo FMI (+1%), e o dobro da previsão do Banco de Portugal (+1,5%). E é certamente também superior ao aumento salarial que se verificará em 2010. Um aumento tão elevado do preço da electricidade é inaceitável não só pelas razões anteriores mas também pelas que se apresentam seguidamente.
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O Quadro I, construído com dados divulgados pelo Eurostat, que é o serviço oficial de estatísticas da União Europeia, mostra o preço actual da electricidade em Portugal em 2009 e o preço do mesmo bem, para as famílias, nos países da União Europeia.
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Em 2009, segundo o Eurostat, o preço médio da electricidade na União Europeia (inclui os 27 países) era inferior ao preço médio em Portugal em -2,2%, embora o poder de compra médio na União Europa (inclui também os 27 países), medido pelo PIB por habitante SPA, portanto anulando os efeitos das diferenças de preços entre os diferentes países, fosse superior ao poder de compra médio em Portugal em mais de 31,6%. E dizemos mais de 31,6% porque esta era a diferença em 2008, e em 2009 a situação deverá ter piorado para Portugal. Dito de outra forma, o poder de compra médio actual em Portugal deverá corresponder a menos de 76% do poder de compra médio da União Europeia, mas o preço da electricidade no nosso País é superior ao preço médio da electricidade na UE27 em +2,3%.
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Por outro lado, nos países com preços de electricidade superiores ao de Portugal, essa diferença de preços é mais do que compensada com a diferença para mais que se verifica no poder de compra desses países relativamente a Portugal. Assim, na Alemanha o preço da electricidade é superior em +10,8% ao preço em Portugal, mas o poder de compra médio na Alemanha é superior ao português em +2,6%; no Luxemburgo a electricidade custa mais +8,1% do que em Portugal, mas o poder de compra médio no Luxemburgo é superior ao de Portugal em +263,2%. Na Finlândia, Dinamarca e Noruega, o preço da electricidade é mais baixo do que em Portugal (entre -10,5% e - 22,9%) , mas o poder de compra médio das famílias nesses países é muito superior ao das famílias portuguesas (entre +53,9% e +151,3%).
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Nos países com menor poder de compra médio, tal facto é mais do que compensado pelo preço
da electricidade ser muito mais baixo do que em Portugal. Por exemplo, na Estónia o poder de compra médio é inferior em -11,8% em relação a Portugal, mas o preço de electricidade para as família é inferior em -43,7%; na Polónia, o poder de compra médio é inferior ao português em -26,3%, mas o preço da electricidade para as famílias é inferior ao de Portugal em -30,1%.
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Portanto, é neste contexto que uma entidade que se diz reguladora (a ERSE), cujo presidente foi nomeado pelo 1.º Governo de Sócrates, propõe um aumento do preço da electricidade de +2,9% em 2010 a ser pago pelas famílias, quando idêntica subida percentual dos salários em 2010 não está garantida aos trabalhadores, que constituem o conjunto mais numeroso dos clientes da EDP. E isto também quando o preço da electricidade em Portugal é já superior ao preço médio da União Europeia (27 países), e quando a EDP, que domina o mercado da electricidade em Portugal, arrecadou, só nos primeiros nove meses de 2009, varias centenas de milhões de euros de lucros.
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Mais de 800 milhões de euros de lucros líquidos
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A EDP já apresentou o seu Relatório e Contas de 2009 referente ao 3.º Trimestre deste ano. E como consta desse relatório os lucros líquidos, ou seja, os lucros depois de deduzidos osimpostos, já atingiram 835,2 milhões de euros só nos primeiros 9 meses de 2009.
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Mas para que se possa ficar com uma ideia clara de como evoluíram os lucros da EDP após a entrada em funções do Governo de Sócrates, reunimos no Quadro II os valores dos lucros líquidos constantes dos Relatórios e Contas de 2004-2009 desta empresa que, apesar de dominar o mercado de electricidade em Portugal, foi privatizada.
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Em 2005, o primeiro ano em que Sócrates foi 1.º ministro, os lucros líquidos da EDP foram superiores em +143,3% aos de 2004; em 2006 em +113,7%; em 2007 em +131,7% ; em 2008 em mais 148%; e, em 2009, só nos primeiros 9 meses, os lucros da EDP foram superiores aos de 2004 em +89,7%.
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Se somarmos os lucros líquidos da EDP nos últimos 5 anos e 9 meses, eles totalizam 5399,1 milhões de euros a preços correntes (a preços actuais são muito superiores), o que mostra, por um lado, que o Estado perdeu uma fonte importante de receitas com a privatização da EDP; por outro lado, que a EDP privatizada se transformou num instrumento importante de exploração dos consumidores e de acumulação dos lucros para os seus actuais proprietários; e, finalmente, que a EDP pode absorver, sem grandes dificuldades, o chamado défice tarifário que está a ser utilizado para «justificar» o elevado aumento de preço que se pretende impor às famílias. E isto sem aumentar os preços e sem deixar de ter lucros, embora os lucros fossem naturalmente menores, o que seria até uma medida moralizadora face às dificuldades crescentes das famílias.


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Outros Títulos:
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• Maioria dos trabalhadores fica de fora
• Um poeta militante
• A quem lucram os grandes projectos?
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Avante 1383 - 2009.12.30
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quarta-feira, dezembro 16, 2009

Desemprego atinge 700 000 pessoas e só metade recebe subsídio



Medidas do Governo são insuficientes
Desemprego atinge 700 000 pessoas e só metade recebe subsídio


O Instituto Nacional de Estatística (INE) acabou de publicar os dados do desemprego relativos ao 3.º trimestre de 2009. Esses dados desmentem a mensagem que o Governo tem procurado fazer passar de que a economia já teria entrado na fase de recuperação e que as medidas tomadas pelo Governo estariam a ter efeitos. Na verdade, o que os dados do INE revelam é que o desemprego já atinge 696,9 mil portugueses, dos quais apenas 350,8 mil recebem subsídio de desemprego.

Os dados divulgados pelo INE mostram que a situação é pior do que aquela que o Governo e os seus defensores pretendem fazer crer, e que as medidas tomadas são claramente insuficientes, pois o desemprego em Portugal está a atingir valores que nunca se verificaram no passado. O quadro seguinte, construído com os dados divulgados pelo INE, mostra com clareza a gravidade da situação e que são necessárias novas medidas para a enfrentar.
No 3.º trimestre de 2009, o desemprego oficial atingia 547,7 mil portugueses, quando no 3.º trimestre de 2005 somava 429,9 mil. Num ano apenas, ou seja, entre o 3.º trimestre de 2008 e o 3.º trimestre de 2009, o desemprego oficial passou de 433,7 mil para 547,7 mil, ou seja, aumentou em 114 mil, e a taxa de desemprego oficial subiu de 7,7% para 9,8% (+ 27,3%).
Mas o desemprego oficial não inclui a totalidade dos desempregados. No número oficial de desempregados não estão incluídos aqueles que, embora na situação de desemprego, não procuraram emprego no mês em que foi feito o inquérito. E esses, que têm a designação de «inactivos disponíveis», somavam 82,7 mil no 3.º trimestre de 2009, segundo o próprio INE. Para além disso, também não estão considerados no número oficial de desempregados todos os desempregados que, para sobreviverem, fizeram um pequeno «biscate», por exemplo de uma hora. Esses são designados «subemprego visível», e somavam 66,5 mil no 3.º trimestre de 2009, também segundo o INE.
Se somarmos ao desemprego oficial os desempregados que não foram considerados no cálculo do desemprego oficial – «inactivos disponíveis» e «subemprego visível» – obtemos, para o 3.º trimestre de 2009, um total de 696,9 mil desempregados (o número oficial é apenas 547,7 mil) e uma taxa efectiva de desemprego de 12,3% (a taxa oficial é somente 9,8%). Isto é, valores muito superiores aos valores de desemprego oficial que são divulgados pelos média. Quadro I.
Em Setembro de 2009, portanto no fim do 3.º trimestre de 2009, o número de desempregados a receber o subsídio de desemprego, segundo o Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social, era apenas de 350,8 mil, o que correspondia a 64,1% do número oficial de desempregados, e somente a 50,3% do número efectivo de desempregados. Isto significa que entre 196,9 mil e 346,1 mil desempregados não estavam a receber subsídio de desemprego. A medida anunciada pelo 1.º ministro na Assembleia da República de redução do prazo de garantia de 450 dias para 360 dias, vai apenas permitir a mais 10 000 desempregados receberem subsídio de desemprego. É uma medida claramente insuficiente face à gravidade e à dimensão da situação. É urgente adaptar a lei do subsídio de desemprego à actual situação, o que o Governo se tem recusado fazer.

Destruição de emprego continua e precariedade atinge mais de 29% da população

Outro aspecto que contribui para agravar ainda mais a situação é a elevada destruição líquida de emprego e a elevada precariedade que se verifica em Portugal. O
Quadro II, construído também com dados divulgados pelo INE, dá uma ideia da dimensão do problema.
Desde o 3.º trimestre de 2008 que se tem verificado em Portugal um destruição líquida crescente de emprego. Entre o 3.º trimestre de 2008 e o 3.º trimestre de 2009, a destruição líquida de emprego em Portugal atingiu 178,3 mil de trabalho, pois o emprego total diminuiu de 5191,8 mil para 5017,5 mil. Só no 3.º trimestre de 2009, a destruição líquida de emprego atingiu 58,5 mil postos de trabalho.
Por outro lado, muitos daqueles que têm emprego – 1 452 600 – têm emprego precário. E neste total apenas incluímos 70% dos «trabalhadores por conta própria como isolados», ou seja, aqueles que têm o ensino básico ou menos. Só estes é que considerámos «falsos recibos verdes» pois não têm qualificações para serem verdadeiros prestadores de serviços. É evidente que também muitos trabalhadores com o ensino secundário e mesmo superior são também «falsos recibos verdes», pois as condições em que realizam a sua actividade são idênticas às dos trabalhadores por conta de outrem. Entre o 3.º trimestre de 2005 e o 3.º trimestre de 2009, o número de trabalhadores que considerámos como precários aumentou de 26,5% para 29% da população empregada, o que corresponde a mais 101,2 mil precários.

Operários e trabalhadores não qualificados são os mais atingidos

A análise da destruição de emprego por profissões revela que alguma delas estão ser mais atingidas, como mostra o Quadro III, construído também com dados divulgados pelo INE.
Entre o 3.º trimestre de 2008 e o 3.º trimestre de 2009, a destruição líquida de emprego atingiu o elevado total de 178,3 mil, mas 104,5 mil foram postos de trabalho de «operários, artífices e trabalhos similares» e 79,1 mil postos de trabalho ocupados por «trabalhadores não qualificados». São fundamentalmente estes dois grupos profissionais que estão a ser mais atingidos pela destruição de emprego. No entanto, no 3.º trimestre de 2009 também se começou a verificar destruição líquida de emprego em profissões de escolaridade e qualificação mais elevada. Entre o 2.º trimestre e o 3.º trimestre de 2009, o número de postos de trabalho de «quadros superiores do sector privado e da administração pública» diminuiu em 31,8 mil; o de «especialistas de profissões intelectuais e científicas» reduziu-se em 23,2 mil; e de «técnicos profissionais de nível intermédio» diminuiu em 27,8 mil. Só nestas três profissões, que são de qualificação mais elevada, a destruição líquida de emprego no 3.º trimestre de 2009 atingiu 82,8 mil. O emprego mais qualificado começou também a ser destruído, pondo-se em causa o desenvolvimento do País.

Nota: Dados do Eurostat divulgados esta terça-feira apontam para uma taxa de desemprego de 10,3% em Outubro, a maior de sempre no País e a quarta maior entre os 16 países da Zona Euro.
Nº 1879
03.Dezembro.2009 - Avante
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