A Internacional

__ dementesim . . Do rio que tudo arrasta se diz que é violento Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem. . _____ . Quem luta pelo comunismo Deve saber lutar e não lutar, Dizer a verdade e não dizer a verdade, Prestar serviços e recusar serviços, Ter fé e não ter fé, Expor-se ao perigo e evitá-lo, Ser reconhecido e não ser reconhecido. Quem luta pelo comunismo . . Só tem uma verdade: A de lutar pelo comunismo. . . Bertold Brecht
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terça-feira, dezembro 13, 2011

O capitalismo não tem solução



  • João Dias Coelho
    Membro da Comissão Política


A luta organizada dos trabalhadores é o motor da transformação social
Avante!
Com a luta, os trabalhadores hão-de derrotá-lo!
O capital que tantas lágrimas chora na época natalícia pelos pobres e coitados, não abdica de explorar sempre até à medula aqueles que só dispõem da sua força de trabalho. O princípio da exploração está na natureza do capital, que vê na força de trabalho a sua fonte principal de enriquecimento. A venda da força de trabalho é o único meio que os trabalhadores têm para sobreviver e é por isso que o capital cada vez mais a desvaloriza.

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Num tempo de crise global do sistema capitalista em que se confirma mais uma vez a teoria marxista, desenvolvida no século XIX e comprovada na prática, sobre a baixa tendencial da taxa de lucro, o capital procura recuperar parcelas perdidas – baixando salários, roubando subsídios, aumentando o tempo de trabalho, reduzindo ao mínimo o pagamento do trabalho suplementar, liquidando direitos, anulando apoios sociais, aumentando os impostos sobre os já magros rendimentos do trabalho, destruindo a contratação colectiva.
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No quadro da competitividade inter-imperialista, o capital, no «desespero» de aproveitar rapidamente a actual correlação de forças resultante do desaparecimento da URSS e do socialismo como sistema mundial, procura acelerar ainda mais o processo de concentração e centralização capitalista em cada país e à escala transnacional, aumentando a exploração e o domínio e colonização das economias mais frágeis e periféricas.
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É neste contexto que se insere a reclamada aceleração do processo federalista na UE como elemento chave para salvar a Europa do capital, com a introdução da chamadagovernação económica, que colhe o apoio do PS, do PSD e do CDS e de gradas figuras da nossa praça. Neste plano enquadra-se também o BE, com o seu sentido federalista.
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Esta é mais uma expressão da tentativa de aumentar ainda mais a perda de soberania dos países mais frágeis no plano da sua capacidade de decisão e da sua estrutura produtiva, impondo regras draconianas no plano fiscal e social de forma a garantir a sobrevivência dos mais fortes. Os senhores do capital que dominam a UE falam cada vez menos no mitigadomodelo social europeu. A sua preocupação está centrada nas finanças e na salvação do euro como instrumento de confronto nas relações de troca e de especulação financeira entre as superpotências que se digladiam entre si na partilha do mundo e que, para isso, querem estabelecer uma espécie de cordão sanitário em torno dos países mais fortes para a defesa do euro e das suas economias.

A luta não pára

Como Lénine escreveu em 1915, no seu artigo Sobre os Estados Unidos da Europa, do ponto de vista das condições económicas do imperialismo, isto é, da exportação de capitais e da partilha do mundo pelas potências coloniaisavançadas e civilizadas, os «Estados Unidos da Europa, sob o capitalismo, ou são impossíveis ou são reaccionários». «Os Estados Unidos da Europa, no capitalismo, equivalem ao acordo sobre a partilha das colónias. Mas no capitalismo é impossível outra base, outro princípio de partilha que não seja a força.»
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A realidade está a confirmar tal análise, pois apesar do esforço imenso para ocultar a natureza da UE, mascarando-a como a Europa dos povos, a verdade é que ela é uma criação do capital transnacional europeu para servir os seus próprios interesses.
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Na verdade, importa perguntar porque é que há crise. Porque é que há sobreprodução mundial, quando a população cresceu, as necessidades de consumo aumentaram e a fome mata milhões de seres humanos. Tal facto resulta de uma injusta repartição da riqueza, de uma ordem económica internacional injusta, desajustada da realidade e das necessidades dos povos, mas que serve inteiramente o capital à escala mundial – que reparte (competindo entre si) as partes do globo onde pode captar mais e mais lucro.
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Enquanto uns continuam a acumular riqueza à custa da exploração dos trabalhadores, dos povos e nações, através da ocupação territorial militar e económica, explorando riquezas naturais que não são suas, outros – os trabalhadores e os povos – morrem de fome e de miséria.
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O capitalismo não tem solução, não é reformável, nem humanizável. Ele resiste na sua agonia. Mas um dia os trabalhadores e os povos, com a sua luta organizada, hão-de derrotá-lo. Eles sabem, embora o neguem, que o motor da transformação social é a luta organizada dos trabalhadores e dos povos. Luta que não parará enquanto houver injustiça, fome e miséria. Luta de resistência que incorpora elementos de ofensiva e de transformação social e que conhece no nosso País e no mundo avanços e progressos e na qual o nosso Partido assume o seu papel de vanguarda.
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N.º 1984 
7.Dezembro.2011 

sábado, novembro 07, 2009

Viva a Revolução Socialista de Outubro - João Dias Coelho

 
Viva a Revolução Socialista de Outubro

No dia 7 de Novembro, os comunistas, os homens e as mulheres progressistas, amantes da paz e lutadores pela justiça social e um mundo melhor, comemoram em todo o mundo o maior feito da história contemporânea – a Revolução Socialista de Outubro na Rússia czarista e feudal.

A classe operária, os camponeses, os soldados e marinheiros ousaram, na expressão de Marx a propósito da Comuna de Paris, «conquistar o céu», isto é construir uma sociedade sem explorados nem exploradores.
A epopeia iniciada em 1917, e que havia de durar 73 anos, contribuiu para a paz e o equilíbrio no mundo, tendo permitido níveis de desenvolvimento e bem-estar para o povo nunca vistos antes. A obra concreta no plano do desenvolvimento industrial, da electrificação, dos serviços de saúde e educação para todo o povo permitiu que da Rússia imperial e feudal nascesse uma sociedade onde a classe produtora tomasse conta dos seus destinos.
O caminho percorrido, num quadro de intenso confronto entre as classes antagónicas (o capital e o trabalho), as agressões e o cerco imperialista, não foi isento de erros e deformações, mas foi fundamental não só para a derrota do nazifascismo durante a II Guerra Mundial, como constitui um exemplo de que sim, é possível a construção pelos trabalhadores e o seu partido de classe de uma sociedade nova – o socialismo.
Noventa e dois anos passados importa lembrar o papel de Lénine e dos seus companheiros que, à frente do Partido Bolchevique e com o apoio do povo, optaram pelo caminho mais difícil mas mais seguro para a construção de uma sociedade liberta da exploração do homem do homem, sofrendo por isso represálias e pressões do mundo capitalista que via e vê na força da transformação do povo um factor a aniquilar.
A história do movimento operário e comunista e o processo de construção do socialismo estão cheios de grandes actos de heroísmo e de coragem mas também de desvios, com violação de princípios fundamentais do socialismo, e de traições, cuja dimensão assumiram na ex-URSS e nos ex-países socialistas do Leste da Europa contornos com consequências desastrosas não só para os povos desses países como para os povos do mundo inteiro.

Honrar um compromisso histórico

Vinte anos depois da derrota da primeira tentativa vitoriosa de construção do socialismo, a realidade demonstra os verdadeiros intentos daqueles que rejubilaram com esse facto e, sobretudo, as consequências para os povos de todo o mundo – mais injustiça, destruição dos serviços públicos na saúde e educação, desemprego, precariedade, miséria e fome, guerra e pilhagem dos bens naturais. Este é o resultado do desequilíbrio de forças entre o capital e o trabalho.
Com a destruição da URRS o mundo ficou mais vulnerável, o capital sentiu melhores condições para aumentar a exploração. Mas a força das conquistas, dos feitos e avanços civilizacionais que o socialismo permitiu ficou na memória dos povos, dos combatentes da liberdade e do futuro socialista.
O aparecimento do PCP não é separável deste feito histórico da classe operária russa. Formado a partir da realidade histórica, económica e social de Portugal e sobre o impulso da Revolução Socialista de Outubro, o PCP, cuja fundação data de 1921, é hoje – apesar das perseguições e crimes cometidos pelo fascismo e depois pelo papel dos detractores da história e fazedores de opinião que já decretaram várias vezes a sua morte – um grande partido nacional que se afirma com o seu projecto insubstituível de democracia avançada e de socialismo para Portugal.
Este percurso não é separável do papel de Bento Gonçalves e de Álvaro Cunhal, dos seus companheiros e do grande colectivo partidário que em cada momento souberam e sabem responder à afronta do capital, às necessidades e aspirações da classe operária, dos trabalhadores e do povo português.
Assente na sua identidade e natureza de classe, nas suas características e objectivos programáticos, na sua ideologia – o marxismo-leninismo –, regras de funcionamento, independência financeira e estilo de trabalho colectivo, o PCP, bebendo na experiência histórica, nos erros e êxitos da construção do socialismo e na realidade económica e social nacional, afirma-se com um partido de proposta e de projecto transformador – o socialismo.
Sabemos que o projecto de transformação não se faz à velocidade do vento, que é um processo lento quanto lenta é a formação da consciência social e a sua transformação em consciência política, mas também sabemos que sem um partido mais forte e mais enraizado nos trabalhadores e no povo essa tarefa gigantesca de construção de um país justo e soberano será mais difícil.
Por isso o XVIII Congresso colocou como questão nuclear o reforço orgânico do Partido e da sua influência social, política e eleitoral de massas. A campanha «Avante por um PCP mais forte» constitui para todo o colectivo partidário uma tarefa fundamental e prioritária, a par da iniciativa, da acção política e da luta de massas.
Reforçar o Partido nas empresas e locais de trabalho, recrutar novos camaradas, criar organizações de base, reforçar o estilo de trabalho colectivo e elevar a luta de massas constituem tarefas imediatas que não são separáveis, antes integram o trabalho e caminho de construção de uma pátria livre e soberana, onde os trabalhadores e o povo de decidam do seu destino.
Só assim honraremos a Revolução Socialista de Outubro, só assim honraremos o nosso compromisso histórico. 
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in Avante 2010.09.05
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