.Foto - António Rito (Os Bombeiros de Resende Adão Ferreira, João Loureiro e Luís Loureiro assistiram ao último parto ) . » Comentários no CM on line Segunda-feira, 1 Outubro
. - Portuga Este ministro pôs os portugueses a nascerem e a morrerem na rua. NÃO HAVERÁ NINGUÉM QUE PONHA ESTE MINISTRO NA RUA? PARA QUANDO UM QUE NOS LIVRE DESTA MONARQUIA?! - ntb Em relação a situação dos partos ocorridos fora do hospital, não se deve só ao encerramento dos blocos de parto, uma vez que sempre ocorreram partos em ambulância. Este fenonomo esta associado essencialemnte a 3 factores 1 - Má avaliação da gravida nos centros de saude, 2- Acidente e 3 - Negligencia da mãe. - Aristides O Sr. Ministro da Saúde e todos os que contribuiram para isto estar a suceder em Portugal, deviam sentir-se envergonhados! .
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Poucos entregam lixo eléctrico . * João Saramago . Os portugueses não estão a entregar os aparelhos eléctricos em fim de vida nos centros de recolha. Situação na origem de uma campanha publicitária, a lançar amanhã, dirigida ao consumidor, elaborada pela empresa Amb3E. A ideia é consciencializar o público de um simples facto: é proibido abandonar este tipo de aparelhos na rua. . Segundo Vítor Sousa Uva, assessor da Direcção da Amb3E, a empresa terá de recolher, até final do ano, 30 mil toneladas de aparelhos, de modo a Portugal cumprir os objectivos da directiva de Resíduos de Equipamentos Eléctricos e Electrónicos. . Portugal produz, por ano, cerca de 150 mil toneladas do chamado lixo eléctrico, que vai deste frigoríficos a lâmpadas. Feitas as contas, cada português é responsável por 14 quilos deste lixo por ano. A União Europeia obriga à recolha de, pelo menos, 40 mil toneladas, tendo de ser reciclada 75% dessa quantia. . A campanha visa sensibilizar a população para o facto de os comerciantes estarem obrigados a recolher o antigo electrodoméstico, quando lhe compram um novo. Para suportar esse esforço, os consumidores pagam a taxa ecovalor, que vai de alguns cêntimos, no preço de uma lâmpada, a 40 euros, num balcão frigorífico. . Para se desfazer de um aparelho, o consumidor tem de se dirigir aos centros de recolha. Deixar electrodomésticos na rua conduz ao pagamento de uma multa de 250 a 3700 euros no caso de particulares. .in Correio da Manhã 2007.08.19.Foto Pedro Catarino (Lixo eléctrico na rua leva ao pagamento de multa). » Comentários no CM on line Domingo, 19 Agosto . - Teresa Almeida-Coimbra Há cerca de três anos, substitui o frigorífico; quando os transportadores levaram o velho, perguntamos o que lhe faziam.Resposta pronta:vai já prá primeira ravina por onde passarmos...Vou pedindo a remoção de monos, é mais ecológico (creio que ainda é grátis) - Romeu Gamelas Sim, e para quando informação nesse sentido? Quando me quis desfazer de um microondas tive que correr a cidade toda para encontrar onde funcionava o centro de recolha. Porque não criar uma linha verde para recolha, um centro de coordenação tipo o do INEM que processe a nível nacional? - Sr. Dr. É melhor começarem por sensibilizar a esmagadora maioria dos comerciantes de que são "obrigados a recolher o antigo electrodoméstico" no momento em que entregam (os que entregam!) o novo em casa do cliente! E os centros de recolha (onde e qdo. existem) que têm de ter horários diferentes do normal 9-12,30-14-17,30. Ninguém vai perder 1 dia de trabalho para entregar a máq. velha. Senão, rua c/ ela! - ferreira Os vendedores dos novos electrodomésticos não recebem dinheiro dos compradores, para pagar uma taxa para a remoção do velho electrodoméstico? E já agora, onde é que se colocam os lixos e resíduos tóxicos, nomeadamente restos de tintas, medicamentos, telemóveis em desuso, etc? - TEresa Almeida-Coimbra Na zona de Coimbra onde eu moro, se as multas fossem aplicadas, era um maná!!!Se as pessoas não se dão ao trabalho de separar o outro lixo e levá-lo para os ecopontos...às vezes, "andam" electrodomésticos semanas a apodrecer na via pública. Nunca soube de multas aplicadas a quem quer que seja!
 Terra em risco Fuga para cidades ameaça ambiente * João Saramago com P.H.G / Miguel Azevedo Em 2008, e pela primeira vez, metade da população mundial viverá em cidades. Relatório ontem divulgado pelas Nações Unidas prevê risco de urbes marcadas por conflitos armados, favelas, falta de água e alterações climáticas. No próximo ano, e pela primeira vez, metade da população do Mundo (3,3 mil milhões de pessoas) viverá em cidades, revela o relatório ‘Situação da População Mundial 2007’, das Nações Unidas. Uma pressão urbana que representa um “quadro ameaçador” se não forem criadas políticas que combatam a poluição e, sobretudo, a pobreza. Portugal irá acompanhar este reforço. Segundo as Nações Unidas, a uma pequena subida de cem mil habitantes nos próximos 43 anos (atingindo o País 10,7 milhões de habitantes em 2050) haverá uma taxa de crescimento urbano de 1,5% de 2005 até 2010. Uma subida só ultrapassada na Europa pela Albânia (2,1%)e Irlanda (1,8%). Portugal é, ainda assim, um dos países da Europa com menor população urbana. São 59% do total, quando a média europeia é de 72%. Nas próximas décadas a explosão urbana irá ocorrer sobretudo nos países pobres, que já concentram a maioria das megacidades. Das 37 cidades com mais de cinco milhões de habitantes apenas oito estão em países desenvolvidos: Nova Iorque, Los Angeles, Londres, Paris, Tóquio, Osaka, Seul e Hong Kong. Com a queda da população rural “os impactos das mudanças climáticas no abastecimento urbano de água serão provavelmente dramáticos. Muitos países pobres já enfrentam deficiências acumuladas de abastecimento, distribuição e qualidade da água, contudo as mudanças climáticas deverão agravar essas dificuldades”, diz o relatório ontem divulgado. Para a ONU, “as cidades concentram os principais problemas da Terra: crescimento populacional, poluição, degradação de recursos e produção de resíduos. Mas o mesmo documento salienta que “é nas zonas urbanas que surge a possibilidade de um futuro sustentável”. Isto porque “a batalha pela conservação dos ecossistemas saudáveis não será vencida nas florestas tropicais ou nos recifes de coral, mas nas ruas das paisagens menos naturais do Planeta”. Perante o facto de metade da população viver em apenas três por cento do Planeta, a ONU defende que é nas cidades que há maior necessidade de adoptar políticas de redução do consumo e de produção com recurso a fontes de energia poluentes. Bem como uma gestão urbana com tratamento de esgotos e acesso a água potável. Caso isto não venha a ser feito, ontem, na apresentação do relatório, em Londres, Thoraya Obaid, directora do Fundo Populacional da ONU, revelou forte preocupação. “Crescendo de uma forma desordenada, as cidades podem ser um ninho de conflitos armados” disse, referindo-se a uma população pobre, a viver em favelas sem água potável ou esgotos e sujeita a inundações e à subida do nível do mar. CIDADES VÍTIMAS DE CATÁSTROFES NATURAIS
Para 65% da população que vive em cidades como mais de cinco milhões de habitantes - como Rio de Janeiro, Nova Iorque ou Xangai - a subida do mar é uma séria ameaça MAIS CEM MILHÕES DE LUSÓFONOS A ONU revela que até 2050 existirão nos oito países de língua oficial portuguesa mais cem milhões de falantes, elevando esse total de 242 para 355 milhões" LITORAL ESTÁ SOBRELOTADO E O INTERIOR AO ABANDONO", Pedro Costa, coordenador de ord. território da GEOTA - CM – Portugal apresenta um dos crescimentos urbanos mais elevados da Europa. Como tem ocorrido este aumento ? - Pedro Costa – Resulta de uma subida da população no Litoral e consequente abandono do Interior. Esta urbanização é marcada por uma grande distância entre o local de trabalho e a habitação, que se traduz em perda de qualidade de vida. - Existe cuidado na preservação do ambiente? - Não. Além do consequente acréscimo de poluição e a perigosidade do ozono nos dias mais quentes, é uma expansão assente numa rede de transportes públicos limitada e forte uso do veículo privado. Há também uma política de construção que cresce em áreas de aptidão agrícola e florestal, e sobre leitos de cheia. - Com a deslocação da população de Lisboa para as áreas limítrofes dá-se uma duplicação de custos? - Sim. Verifica-se que entre 1991 e 2001 não houve um acréscimo significativo de população na Área Metropolitana de Lisboa, o que houve foi a saída de milhares de pessoas da capital para outros concelhos, como Sintra. Isso significa que infra-estruturas já existentes ficaram sem aproveitamento, como acontece com as escolas em Lisboa. E foi preciso abrir outras em Sintra. Também se tornou necessário aumentar as redes de luz, gás, electricidade e água perante uma população em forte movimento. "OS TROVANTE JÁ FALAVAM DO PROBLEMA AMBIENTAL", João Gil, da Filarmónica Gil, é um dos músicos que estarão presentes no evento Live Earth, marcado para o dia 7 de Julho no Pavilhão Atlântico, em Lisboa - Correio da Manhã – Em que altura sente que despertou para os problemas ambientais? - João Gil – Sempre fui uma pessoa preocupada com o ambiente e é por isso que vejo com grande curiosidade a descoberta dos combustíveis alternativos. Se conseguirmos resolver de uma vez por todas a alternativa ao petróleo, acabamos certamente com um dos grandes problemas do Planeta. É com bons olhos que vejo os EUA reconhecerem finalmente o problema. - De que forma procura contribuir para o bem-estar do Planeta? - Tenho por hábito separar o lixo. É um gesto simples, mas para o qual nem toda a gente está sensibilizada. São os mais novos que se preocupam. Os mais velhos estão a passar pela Terra quase sem darem conta disso. - Enquanto músico, na sua lista de preocupações ambientais em que lugar aparece a poluição sonora? - Em Portugal a poluição sonora é um problema muito grave. E não são apenas os automóveis. Ninguém fala, por exemplo, do ruído dentro dos bares e restaurantes. O barulho dos talheres, dos pratos e das chávenas de café produzem um som altamente agressivo. Outra questão pouco falada é a música nos elevadores, que pura e simplesmente não devia existir. - Pode a música sensibilizar as pessoas para a preservação do ambiente? - Se já serviu para denunciar a guerra e apelar à paz, por que razão não pode sensibilizar as pessoas para o ambiente? Os músicos falam de sensibilidades, de emoções e de afectos, e por isso conseguem sempre tocar as pessoas. - Durante a actuação no Pavilhão Atlântico, a Filarmónica Gil vai procurar passar alguma mensagem? - A questão não é nova e por isso não tenho de procurar ficar bem no retrato. Não me vou pôr em bicos dos pés porque o problema do ambiente é antigo e do conhecimento de todos. Já os Trovante alertavam para isso. Um dos nossos álbuns mais importantes, ‘O Baile do Bosque’, de 1981, já falava dessa problemática. TRÊS MEDIDAS PARA SALVAR O PLANETA, Francisco Ferreira, tem 40 anos, é membro da Quercus e também professor universitário PRIMEIRA É essencial reduzir o consumo de combustíveis fósseis, como o carvão e petróleo, através da aposta nas energias renováveis e numa maior eficiência energética, principalmente no sector dos transportes SEGUNDA A preservação da água é crucial para Portugal e não só. Desperdiçamos 15% de água no sector doméstico e até 80% na agricultura. É essencial saber gerir este recurso. Fazem falta dispositivos que permitam poupar água TERCEIRA Manter a biodiversidade. O norte e centro da Europa já viram essa riqueza degradar-se, mas em Portugal é um património natural, desde ecossistemas a espécies em vias de extinção, que deve ser protegido da exploração NOTA - Megacidades. Existem 37 cidades com mais de cinco milhões de habitantes. Sete destas cidades têm uma área metropolitana com mais de vinte milhões de habitantes. in Correio da Manhã 2007-06-28
 Seca provoca as guerras do século XXI Terra em risco * João Saramago/P.H.G./Miguel Azevedo ONU defende que alterações climáticas, aumento da população e poluição provocarão uma forte escassez de água em África e na Ásia. Mais de mil milhões de pessoas no Planeta não dispõem de um copo de água limpa e 25 mil de entre elas morrem diariamente devido a doenças como a febre amarela ou a malária, provocadas pelo consumo de água de má qualidade. Quinze por cento da população da Terra vive numa situação insustentável e as alterações climáticas só irão trazer mais ameaças. Previsões das Nações Unidas apontam para um redução da precipitação nas zonas onde os recursos hídricos são, já hoje, mais escassos. A água – ou melhor dizendo, a sua falta – será o maior problema do século e a escassez do “ouro azul” pode provocar uma série de conflitos nos rios mais problemáticos: Jordão (tensão entre Israel, Jordânia e Palestina); Eufrates e Tigre (Iraque, Síria e Turquia); Nilo (Sudão, Etiópia, Quénia e Egipto); Mekong (Cambodja e Vietname); Okavango (Botswana, Angola e Namíbia); Ganges (Índia e Bangladesh) e Brahmaputra (Índia e China). Recorde-se que a Guerra dos Seis Dias em 1967, que opôs Israel aos vizinhos árabes teve origem numa disputa de água, quando Israel pretendeu desviar o curso do rio Jordão. No final do conflito, Israel adquiriu o controlo exclusivo das águas da Cisjordânia e do Mar da Galileia, recursos responsáveis por cerca de 60 por cento da água potável do país. DEZENAS DE CONFLITOS Segundo as Nações Unidas, “nos últimos 50 anos verificaram-se 37 casos de violência declarada entre Estados devido à água, sete deles no Médio Oriente”. O último relatório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) sustenta, contudo, que “em igual período foram negociados mais de 200 tratados relativos à água”. A organização desafia assim as previsões de que “a crescente competição pela água irá inevitavelmente causar conflitos armados” e defende que a cooperação transfronteiriça sobre os rios tem sido bem sucedida, mesmo entre países inimigos como a Índia e Paquistão. Perante um cenário em que é estimado em três mil milhões o número de pessoas que viverão em países a braços com secas em 2025, Kevin Watkins, principal autor do relatório das Nações Unidas, afirmou que está nas mãos dos políticos decidirem se “a gestão de recursos hídricos partilhados pode continuar a ser um motor para a paz ou para o conflito”. Segundo a organização não-governamental britânica Tearfund, a falta de água provocará também altas nos preços dos produtos agrícolas e novas vagas de imigração para os países ocidentais, aqueles que serão menos atingidos pelas secas. Se os acordos transfronteiriços são a solução avançada para a ameaça de conflitos, alargar a oferta de água potável é o caminho para reduzir as mortes por doença. As Nações Unidas estabeleceram em 2000 o objectivo de reduzir para metade, até 2015, os 1,2 mil milhões de pessoas que não tinham água potável. As prioridades máximas para a instalação de infra- -estruturas são a Mauritânia, Líbia, Etiópia, Madagáscar, Oman e Pápua Nova-Guiné. Uma das causas para a má qualidade da água é a poluição. Na China, quinto maior país em reservas renováveis de água após o Brasil, Rússia, EUA e Canadá, o problema ganha maior dimensão. Pequim considera que o maior desafio deste século para o país passa por ficar de fora da lista dos Estados pobres de água que ameaça englobar a maior parte dos continentes africano e asiático. 'ESCASSEZ PODE CONDUZIR AO AGRAVAR DE CONFLITOS' CM – Na África sub-sariana a maioria da população não tem um copo de água potável. Isso explica que milhares arrisquem a vida no mar para chegarem a Espanha? Loureiro dos Santos – A falta de água potável é uma parcela do conjunto de motivos que levam esses jovens a emigrarem. A água é um bem essencial vital mas extremamente caro e raro nos países onde vivem. – Estados com falhas na distribuição de bens essenciais são particularmente vulneráveis a conflitos – A ausência de um bem essencial perante um cortejo de reivindicações e insatisfações é motivo para grande instabilidade interna e torna um país muito vulnerável a conflitos externos. – Entende então que o objectivo da ONU em reduzir para metade as pessoas sem acesso a água potável constitui uma medida pacificadora? – Sim, traduz a redução de um foco de potencial instabilidade e abre novas perspectivas a esses países. – Existem, no entanto, previsões de agravamento das secas. Isso cria uma tensão bélica? – No Médio Oriente e em África a escassez pode conduzir ao agravar de conflitos pelos recursos hídricos, o que pode comprometer os objectivos das Nações Unidas. 'A CULPA É DE UMA MÃO BEM VISÍVEL: A HUMANA Correio da Manhã – Em que altura despertou para os problemas ambientais? – Há fases da vida que nos levam a ganhar maior consciência ambiental, uma delas é a adolescência, quando nos descobrimos a nós próprios, descobrimos os outros e começamos a pensar no ambiente que nos rodeia. Hoje tenho a perfeita noção de que chegámos a um momento-chave em que voltamos a página ou fechamos o livro. – Quais os problemas que mais o preocupam? – Aquilo que mais me assusta é, sem dúvida, o aquecimento global e a forma como não conseguimos prever seja o que for tirando desastres sucessivos. Depois temos a poluição. Há espécies animais a desaparecer por culpa de uma mão bem visível: a humana. – De que forma procura contribuir para a preservação do ambiente? – Não sou propriamente um activista. Não consigo, por exemplo, ter o discernimento mental para separar o lixo todos os dias. Ainda assim, acho que o meu grande pecado são os aquários que tenho em casa e que me levam a gastar alguma água. Mas todos nós temos o direito a pecar, até porque o ambiente não deve ser uma maçã proibida. Se o ambiente for tratado como um tabu então é que é meio caminho andado para ninguém o respeitar. – Enquanto músico, que lugar ocupa a poluição sonora na sua lista de preocupações ambientais ? – Nós músicos estamos muito expostos ao ruído e aos decibéis, mas penso que o mais importante é daqui a uns anos todos nós sermos capazes de ouvir o silêncio. Preocupo-me com isso diariamente. Nós, por exemplo, tentamos criar espaços dentro do nosso espaço de ensaio. – Pode a música sensibilizar as pessoas para a preservação do ambiente? – Não tenho dúvidas nenhumas. O Live Earth é uma iniciativa louvável, já que os problemas do ambiente devem ser comunicados a uma escala mundial. – Durante a actuação no Pavilhão Atlântico os Blind Zero vão tentar passar algum tipo de mensagem? – Certamente que vou falar no assunto, mas o evento já fala por si. Não se pode confundir o concerto com um comício e por isso, não vou falar muito. TRÊS MEDIDAS PARA SALVAR O PLANETA 1. - Sensibilizar as pessoas para a evidência científica de que a preservação da espécie humana, a médio termo, depende crucialmente da preservação da Terra e das suas diversas formas de vida, num equilíbrio global. 2. - Tornar prioritária, e urgente, uma optimização da utilização global dos recursos, escassos e mal distribuídos – água, alimentos, cuidados médicos e energia, mas, acima de tudo, o conhecimento, porque esse é essencial aos restantes. 3. - Moderar o desperdício acelerado das matérias-primas nesta corrida frenética de “usar e deitar fora” para substituir por novo, em quase tudo. Computadores, relógios, ferramentas e utensílios são apenas alguns dos exemplos. Teresa Lago, professora universitária e directora do Centro de Astrofísica no Porto in Correio da Manhã 2007.06.29 Foto: STR/Reuters
 Terra em risco Subida do mar está a ameaçar civilização * João Saramago Com P.H.G. / Miguel Azevedo Cientistas acreditam que a Humanidade está em perigo devido ao aumento do nível do mar. Cem milhões de pessoas vivem em zonas que poderão ficar submersas se entretanto os países nada fizerem para o evitar. Aumenta o número de especialistas que questionam as projecções das Nações Unidas sobre um aumento do nível dos oceanos em meio metro até 2100. Cientistas de reputadas instituições dos Estados Unidos alertam que é a própria civilização que está em perigo perante uma subida do mar, que poderá atingir os seis metros. Em Portugal, o Atlântico sobe em média dois milímetros por ano, o que se traduz num avanço de um metro sobre a costa. Mas na Costa de Caparica, Vagueira e Esmoriz a força das águas engoliu dez metros de praia. Dos 750 quilómetros da costa do continente, segundo o relatório da Comissão Europeia ‘Viver com a Erosão do Litoral na Europa’, o avanço do mar atinge um terço. Mas as projecções são piores, pois 67 por cento da costa corre sérios riscos de erosão, segundo o relatório ‘Cenários, Impactos e Medidas de Adaptação’. Por Portugal continental ter uma costa pouco recortada por enseadas, e por isso mais exposta ao mar, o relatório da Comissão Europeia estima que é mais susceptível a sofrer danos resultantes das marés vivas do que países banhados por mares interiores, como a Suécia, Itália ou Grécia. PERIGO IMINENTE O oceanógrafo australiano John Church acredita no “perigo iminente de os gelos da Antárctida e da Gronelândia se aproximarem de um degelo irreversível, fenómeno que levará à subida do mar em vários metros”. O investigador lembra que há cem mil anos os mares eram quatro a seis metros mais elevados, quando as temperaturas atingiam mais quatro graus do que hoje. Segundo as Nações Unidas, o Globo irá aquecer quatro graus até ao final do século, pelo que o australiano pensa que a subida do mar poderá atingir os seis metros. Outro cientista australiano, John Hunter, explica que por cada metro adicional no nível dos oceanos há um recuo de cem metros na linha das praias e lembra que cem milhões de pessoas vivem a menos de um metro do nível do mar.Investigadores norte-americanos publicaram agora na revista científica ‘Philosophical Transactions’ um relatório de 29 páginas que dá razão ao trabalho dos australianos. O trabalho coordenado por James Hansen, director do Instituto God-dard de Estudos Espaciais da NASA, alerta que a Humanidade não pode permitir a queima das reservas subterrâneas de combustíveis, pois ao fazê-lo terá “um Planeta diferente do que serviu de suporte à civilização”. Hansen, que trabalhou com investigadores das Universidade da Califórnia e Columbia (Nova Iorque), alerta ainda que o Homem só tem dez anos para aplicar duras medidas para reduzir a poluição e assim evitar o aquecimento global e consequente subida dos mares. "OCEANO SUBIU 15 CENTÍMETROS" (José Carlos Ferreira, professor universitário) - CM – Como pode a subida dos oceanos atingir Portugal? - José Carlos Ferreira – Portugal, como país costeiro, está naturalmente mais vulnerável a eventuais mudanças. Os estudos mais recentes indicam que no século XX ocorreu uma elevação do nível médio do mar na ordem dos 1,5mm/ano, ou seja, 15cm num século. - Quais as zonas mais sensíveis? - Todo o litoral(continente e ilhas) encontra-se vulnerável. No entanto, as costas arenosas e baixas, lagoas costeiras e estuários têm maior risco, bem como as áreas actualmente sob maior efeito de erosão. A título de exemplo: Espinho, Vagueira e Costa de Caparica. - Como uma subida de centímetros em décadas pode ter consequências tão nefastas?- Esta subida pode associar-se a um agravamento de fenómenos meteorológicos como os temporais, aumentando a capacidade destrutiva deste fenómeno: aumento de erosão, galgamento oceânico, inundações, destruição de obras de defesa e património natural, entre outros. "É PRECISO SENSIBILIZAR" (Viviane, ex-vocalista dos entre aspas, vai actuar no Pavilhão Atlântico no dia 7 de Julho) Correio da Manhã – Em que altura despertou para os problemas ambientais? - Viviane – Sempre fui muito ligada à natureza. Desde miúda que sou muito sensível, por exemplo, às questões da poluição. Em vinte anos o ambiente alterou-se drasticamente. E isso tem de ser entendido como sinal de alarme. Todos temos de compreender que a economia está por detrás de tudo. A indústria gerou um consumismo desenfreado que é um dos males da sociedade. - Como procura contribuir para o ambiente? - Conheço a cidade e o campo e acredito que as pessoas que vivem na cidade não têm tanto a noção dos problemas ambientais, pois não percebem como sofre a agricultura. Actualmente moro no campo e vejo a preocupação dos meus vizinhos quando não chove. No que me toca, faço a reciclagem de todo o lixo, até do orgânico, e tento ao máximo poupar água e energia. - Na sua lista de preocupações ambientais, que lugar ocupa a poluição sonora? - De uma maneira geral, as cidades são afectadas pelo barulho agressivo dos automóveis e das motorizadas. O stress das pessoas também vem daí. Nas cidades devia ser possível voltar a ouvir os passarinhos. - Pode a música sensibilizar as pessoas para a preservação do ambiente? - A música sempre foi uma forma de passar valores. O Live Aid foi um bom exemplo. Por isso acredito no Live Earth. É preciso sensibilizar e se há coisa capaz de tocar as pessoas é a música. Os artistas têm esse dom, enquanto os políticos já não conseguem fazer-se ouvir. - Tem discurso preparado para a sua actuação? - Vou dizer alguma coisa, mas a música falará por si. TRÊS MEDIDAS PARA SALVAR O PLANETA (D. Januário Torgal. É, desde 2001, bispo das Forças Armadas e Segurança) PRIMEIRA - Se queremos salvar a Terra é imperativo aplicar as decisões do Protocolo de Quioto. Particularmente as restrições da emissão de dióxido de carbono. SEGUNDA - É preciso que as pessoas se consciencializem da necessidade de uma intervenção profunda na limpeza das matas e florestas para ajudar a prevenir fogos florestais. TERCEIRA - Defendo uma utilização cada vez mais moderada de água e electricidade. Mas esta moderação deve ser equilibrada, sem chegarmos a extremos ridículos.
in Correio da Manhã 2007.07.01
 10 de Junho: Comemorações em Setúbal Deserto de Lino dá vaia a Sócrates* João Saramago O primeiro-ministro, José Sócrates, foi ontem vaiado à chegada a Setúbal para a cerimónia do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. Os apupos dos populares, na Av. Jaime Rebelo, tinham por alvo o ministro das Obras Públicas, Mário Lino, por ter comparado a Margem Sul a um deserto.
A população de Setúbal não gostou das declarações que Mário Lino proferiu a 23 de Maio na Ordem dos Ecomonistas e, perante a sua ausência na tribuna de honra da parada militar, coube ao primeiro-ministro ouvir o desagrado da população, manifestado por assobios e palavras associadas a aeroportos e desertos com areia, camelos, sede e aviões.
A falta de visibilidade da tribuna levou mesmo muitos populares a assobiarem ao chefe do Governo julgando que o ministro estava presente. (...)
in Correio da Manhã 2007.06.11
O Correio da Manhã on line reproduz 32 comentários, a maioria desfavorável ao Governo, o que está em desacordo com as propaladas sondagens. Cada intervenção está sujeita a um limite de caracteres e tem de ser aprovada previamente. Os meus comentários tiveram de ser distribuidos por 4 «quadriláteros». Mas só o 1º foi publicado! Censura? Inconveniência?
Não sei, mas ficam aqui no Kant_O, integralmente, embora não possa competir com o jornal de maior audiência em Portugal.
1 .Povo Enganado [título da responsabilidade do CM] Não sei pk Setúbal foi escolhida para as Comemorações. Não percebo como a Câmara aprovou por unanimidade uma moção que considera Cavaco "uma figura incontornável da democracia". Só se for da democracia da «burguesia»,sobretudo dos cada vez mais ricos e duma justiça a duas velocidades ou com duas caras. PS/Sócrates teve maioria e ganhou as eleições, mas não cumpriu as promessas eleitorais.
2. Tenho de voltar para terminar, se os meus comentários forem validados. Que leva o Correio da Manhã a afirmar que o Povo de Setúbal vaiou Mário Lino e não Sócrates? Fez inquéritos ou estudos de opinião sérios? Ou a qualquer custo Lino é o bombo da festa para desviar as atenções da populaça da política neo-liberal que trai o 25 de Abril?
3. Vamos lá ver se isto tudo passa no estreito crivo do CM, jornal que leio diariamente em prejuízo da chamada imprensa de referência. Mário Soares iniciou os ataques à Constituição de Abril, que traiu cf alentada entrevista em 3 volumes, Cavaco continuou e Sócrates aprofundou. Tudo gente do Centrão PS/PSD com muleta do CDS/PP. Por causa de Cavaco a Baixa de Setúbal esteve em estado de sítio.
4. Ao menos Mário Soares, de quem politicamente não gosto, andava pelo meio da populaça, falava e discutia com ela e tinha coragem pessoal para enfrentar agressões físicas e verbais, sem se esconder atrás dos vidros fumados dum carro blindado,indiferente à populaça. Vamos lá ver se o jornal que leio publica estes comentários fraccionados em 4 partes. Setúbal
Voz do Povo
PS - Com a «verdade» me enganas?
 MISÉRIA ATINGE NOVE MIL PESSOAS E ESTÁ A AUMENTAR
* João Saramago com André Pereira
Há 8718 sem-abrigo em Portugal, segundo o Instituto da Segurança Social. Destes, o maior grupo, constituído por 4179 pessoas, engloba indivíduos que “têm casa mas esporadicamente vivem na rua ou num centro de acolhimento”, devido a problemas de foro psiquiátrico, dependências de drogas ou álcool e pressão familiar. Este grupo inclui também pessoas que só conseguem manter casa com ajuda de serviços sociais.
Segundo o Estudo dos Sem-Abrigo, de 2005, o número de pessoas que dormem em centros de acolhimento, em casas e carros abandonados, barracas ou varandas é de 2684. Por último, há um grupo de 1855 pessoas que pernoitam sempre na rua.
O mesmo trabalho indica que o número de situações de sem-abrigo tem aumentado, existindo uma nova geração constituída, na maioria, por homens portugueses com idades entre os 20 e 40 anos, que acabaram por viver na rua por perda de emprego, morte de um familiar, problemas emocionais ou com ligações ao álcool e drogas.
“Hoje – sustenta o estudo – não é possível falar de sem- -abrigo sem falar de toxicodependência. Esta nova realidade encontra-se inegavelmente ligada às necessidades de consumo e à progressiva degradação das capacidades dos indivíduos que acabam por entrar nessa situação, centrando os seus esforços apenas na satisfação diária das necessidades de consumo. Paralelamente, assiste-se com frequência a uma destruição dos laços familiares e redes de suporte e a uma progressiva e rápida aquisição de comportamentos autodestrutivos e de ausência (total ou quase total) de cuidado com o corpo.”
Este trabalho alerta para que “a entrada no mundo da miséria vai empurrando os indivíduos para um beco sem saída, que os vai degradando física e psicologicamente, pelo que o estigma da marginalização fica estampado no rosto e na aparência física. Além disso, o próprio facto de estarem desprovidos de recursos materiais inviabiliza a sua tentativa de reintegração num trabalho”.
O MITO DA ESCOLHA DA LIBERDADE
Ao contrário do mito segundo o qual muitos sem-abrigo estariam nesta situação por escolha própria, por apreciarem a liberdade que advém da ausência de quaisquer responsabilidades ou compromissos sociais, nenhum participante do inquérito realizado pelos investigadores Fernando Sousa e Sandra Almeida referiu preferir as ruas a uma habitação condigna. Note-se ainda que, quando colocados perante a oportunidade de uma eventual mudança para uma habitação de carácter permanente, por comparação com a continuação no abrigo, todos os participantes preferiram mudar. Muitas das situações de sem-abrigo resultam de morte de um familiar, desemprego, divórcio, toxicodependência ou conflitos com a família.
MAIS MULHERES IDOSAS VIVEM NA RUA
As mulheres representam 24 por cento dos sem-abrigo de Lisboa, ou seja, são cerca de 200 mulheres que pernoitam na rua. Tradicionalmente são mais protegidas do que os homens pelos serviços sociais na disponibilização de um quarto numa pensão. Nos últimos tempos, contudo, tem aumentado o número de mulheres, sobretudo idosas, que vivem na rua, revela o último estudo do Instituto da Segurança Social sobre os sem-abrigo. Uma forte ruptura emocional, como a perda de um filho ou um divórcio, transforma muitas destas mulheres em sem-abrigo, numa situação em que já não conseguem reorganizar a sua vida. São também as idosas pedintes as mais expostas a actos de violência cujo objectivo é roubar-lhes o dinheiro das esmolas.
NÚMEROS DA MISÉRIA SOCIAL
- 18 milhões de pessoas na Europa encontram-se em situação de sem-abrigo ou a viver em barracas. - 930 sem-abrigo vivem em Lisboa, segundo um estudo de 2004. Um terço não tem mais de 34 anos. - 87 por cento dos sem-abrigo de Lisboa apontam como principais necessidades comida, roupa e um abrigo. - 58 por cento dos mendigos exercem actividades pontuais e 7% vivem do Rendimento Social de Inserção. - 140 euros é quanto os Serviços Sociais pagam por mês para um quarto de um mendigo. - 30 euros é quanto um mendigo tenta obter por dia a arrumar carros. São na maioria toxicodependentes.
in CORREIO DA MANHÃ 2007.02.03 Fotografia João Miguel Rodrigues
Vida selvagem destruída BBC destaca risco em Portugal
João Saramago
Mais de metade das espécies selvagens que vivem em Portugal estão ameaçadas de extinção. O desenvolvimento intensivo, ao longo das últimas décadas, possível graças aos fundos provenientes da União Europeia, é parte do problema, noticiou ontem o canal de informação britânico BBC.O Instituto de Conservação da Natureza revelou que metade das espécies nacionais estão ameaçadas e, segundo Eduardo Gonçalves, do World Wildlife Foundation, os fundos comunitários são responsáveis pela situação. “Todo esse dinheiro foi canalizado para a construção de auto-estradas e barragens, mas as coisas não foram planeadas com todos os cuidados.”Na mira das críticas do ecologista estão também as opções turísticas tomadas no Algarve e o abandono dos campos, realidade que promove os incêndios.O lince ibérico, uma das espécies mais ameaçadas do Planeta, deixou, de ser visto em Portugal desde há seis anos, revelou o grupo SOS Lince. Por sua vez, Marcial Felgueiras, director da associação A Rocha, indica que várias espécies de borboletas deixaram nestas duas décadas de ser vistas.A política de construção é, no entanto, para continuar. Daniel Queiroz, vice-presidente do Turismo do Algarve referiu que “o Algarve tem espaço para mais projectos. Estes são em áreas com animais, mas nós respeitamos a vida selvagem e vamos manter a sua protecção”. Cada habitante em Portugal polui mais que um alemão ou japonês.
in CORREIO DA MANHÃ 2007.04.09
Foto - lince ibérico
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