A Internacional

__ dementesim . . Do rio que tudo arrasta se diz que é violento Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem. . _____ . Quem luta pelo comunismo Deve saber lutar e não lutar, Dizer a verdade e não dizer a verdade, Prestar serviços e recusar serviços, Ter fé e não ter fé, Expor-se ao perigo e evitá-lo, Ser reconhecido e não ser reconhecido. Quem luta pelo comunismo . . Só tem uma verdade: A de lutar pelo comunismo. . . Bertold Brecht
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domingo, fevereiro 06, 2011

Foi há 50 anos que militantes do MPLA iniciaram a luta armada de libertação nacional em Angola. - Ilda Figueiredo

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Ilda Figueiredo
Foi há 50 anos que militantes do MPLA iniciaram a luta armada de libertação nacional em Angola. O levantamento do 4 de Fevereiro de 1961 é um marco histórico na luta do heróica do povo angolano e do MPLA contra o colonialismo e o imperialismo, que culminaria com a proclamação da sua independência em 11 de Novembro de 1975. Parabéns a Angola e ao povo angolano
4/2 às 22:38 
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Ilda Figueiredo O colonialismo acabou. Cabe ao povo angolano escolher o seu caminho. Como os portugueses escolhem o seu e acabaram com o fascismo, mesmo que às vezes escolham governos do PS e do PSD/CDS que aumentam a pobreza, o desemprego e as desigualdades sociais.E como faz o actual governo do eng. José Sócrates.
4/2 às 22:47
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Victor Nogueira
As famílias que governam Portugal e dão ordens ao PS(D)/CDS
2008 http://www.gforum.tv/board/1513/255288/os-20-mais-ricos-de-portugal.html
2010 http://www.euromilhoes.com/forum/showthread.php?t=10871
e as que governam o mundo
http://www.desaf...oro.com/2010/03/homens-mais-ricos-do-mundo-2010.html
2010 http://pt.wikipedia.org/wiki/Anexo:Lista_das_pessoas_mais_ricas_do_mundoVer mais
5/2 às 0:44 · GostoNão gosto
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Victor Nogueira 
http://www.forbes.com/lists/2010/10/billionaires-2010_The-Worlds-Billionaires_Rank.html
5/2 às 0:47
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Blogue Da Emigração
Aproveitando os dados que o Vítor coloca à nossa disposição, é importante percebermos que, a "necessária", kafkiana, consolidação orçamental do governo de direita pseudo-socialista do ps, a retirada de direitos como educação, saúde, justiça..., ou, o hipotecar de vidas e vidas e futuros que ainda aprendem a falar, se poderia evitar com a metade, metade, das fortunas "declaradas" de 20 pessoas.
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Não fará falta ler Garret ou Saramago para que um trabalhar encontre a proporcionalidade directa entre a dimensão do pecúlio de alguns e as dificuldades que milhares tiveram e têm que passar para lho entregar.
5/2 às 8:04
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Fernando Cruz
Eu lanço uma ou várias perguntas: Portugal com 850 anos de História, é um país efectivamente independente e democrático?
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Com quem faz negócios e quem os aproveita, a tal família reinante em Angola, como aqui já foi chamado ao regime que lá se vive?
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Talvez não saibam ou se tenham esquecido. O MPLA d'hoje é um partido agregado ou participante na grande família da social- democraCIA, não tem nada a ver com o que lutou pela independência.
Domingo às 17:16
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sexta-feira, fevereiro 04, 2011

PCP - 50º aniversário do início da luta armada de libertação nacional de Angola

Nota do Secretariado do Comité Central do PCP

Por ocasião do 50º aniversário do levantamento do 4 de Fevereiro de 1961, que marcou o início da luta armada de libertação nacional de Angola, o Partido Comunista Português saúda o Movimento Popular para a Libertação de Angola e o povo angolano.
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Na madrugada de 4 de Fevereiro de 1961, militantes do MPLA assaltaram a Cadeia de São Paulo e a Casa de Reclusão, em Luanda, com o objectivo de libertar patriotas angolanos presos. Esta acção do MPLA iniciou uma nova etapa da luta de libertação de Angola. O regime colonial fascista português reagiu com uma brutal repressão. 
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O levantamento do 4 de Fevereiro de 1961 é um marco histórico na luta heróica do povo angolano e do MPLA contra o colonialismo e o imperialismo, que viria a culminar catorze anos depois na conquista e proclamação da sua Independência, a 11 de Novembro de 1975.
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Ao inicio da luta armada em Angola, sob a direcção do MPLA, sucede-se a luta armada do PAIGC, na Guiné-Bissau, em Janeiro de 1963, e da FRELIMO, em Moçambique, em Setembro de 1964.
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O PCP assumiu sempre uma atitude inequívoca e um posicionamento de solidariedade fraterna e empenhada pela completa emancipação dos povos colonizados por Portugal, solidarizando-se, desde o primeiro momento, com a luta de libertação nacional e o direito à independência dos povos irmãos colonizados, estabelecendo laços fraternais com os movimentos de libertação nacional, considerando-os aliados do povo português na sua luta contra a ditadura fascista e o imperialismo.
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A luta comum do PCP e dos movimentos de libertação - o MPLA, em Angola, o PAIGC, na Guiné-Bissau e Cabo Verde, e a FRELIMO, em Moçambique -, do povo português e dos povos irmãos africanos, contra o fascismo e o colonialismo, forjou profundas relações de amizade.
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O PCP considerou como um dos componentes fundamentais da libertação do povo português do fascismo - incluído no seu «Programa para a Revolução Democrática e Nacional» -, o pôr fim não apenas às guerras coloniais, mas também ao colonialismo, pronunciando-se inequivocamente pelo reconhecimento do direito à imediata independência dos povos submetidos ao colonialismo português.
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O PCP considerou que a solidariedade do povo português para com os movimentos libertadores dos povos submetidos à opressão e à exploração do colonialismo fascista, traduzir-se-ia objectivamente num contributo para a luta dos trabalhadores e do povo português pela sua própria libertação, dando expressão concreta ao princípio de que não pode ser livre um povo que oprime outros povos.
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Durante os anos do fascismo, o PCP foi a força política que em Portugal lutou firmemente, desde o primeiro momento, contra a guerra colonial, contra o envio de soldados portugueses para a guerra, denunciando os crimes do exército colonial e da polícia política - a PIDE - contra os povos africanos, unindo os democratas e os progressistas portugueses, desenvolvendo e ampliando a resistência e a luta do povo português contra a guerra colonial.
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Será de salientar como elemento de significado na história da luta anticolonial, o nível de cooperação entre os movimentos de libertação e os sectores mais progressistas do Estado colonizador, entre os povos colonizados e o povo do Estado colonialista.
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O PCP interveio, quer em Portugal, quer no plano internacional, contra a guerra colonial e pela solidariedade para com os movimentos de libertação, entre outros exemplos, promovendo a denúncia das atrocidades de que eram alvo os povos de Angola, da Guiné e de Moçambique; desmascarando as campanhas de desinformação e de manipulação do regime fascista; organizando e assegurando a saída clandestina de Portugal de Agostinho Neto e de outros dirigentes dos movimentos de libertação; difundindo mensagens dos dirigentes dos movimentos de libertação ao povo português; organizando através da ARA acções de sabotagem da máquina de guerra colonial em Portugal.
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O PCP interveio de múltiplas formas com vista à rejeição da guerra colonial, agindo e apelando a uma activa acção de esclarecimento, de consciencialização e de mobilização dos soldados portugueses contra a guerra colonial. O PCP, embora colocando aos seus militantes a obrigação de permanecerem nas Forças Armadas (em Portugal e em África) para aí conduzirem uma actividade revolucionária, considerou o movimento de deserções como um grande movimento de resistência contra a guerra colonial e o colonialismo.
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A crescente e rápida tomada de consciência de muitos militares das forças armadas contra a guerra colonial, mas, igualmente, contra o regime fascista que a impunha - que, colhendo a experiência de luta do movimento antifascista, traduzia o anseio do povo português pelo fim da guerra colonial e do fascismo -, desembocou na criação do Movimento das Forças Armadas, de onde germinou a determinação revolucionária do derrubamento da ditadura fascista e da conquista da paz. 
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As lutas armadas de libertação nacional, levadas a cabo pelos movimentos de libertação nacional, deram uma grande contribuição para o isolamento e o desmascaramento do regime fascista e colonialista, incluindo na Organização das Nações Unidas, num quadro mundial que era favorável aos movimentos de libertação, com o apoio dos países socialistas e dos países não alinhados. 
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A luta dos povos irmãos africanos convergiu com a luta do povo português, culminando no derrube do fascismo a 25 de Abril de 1974, na Revolução de Abril, na cessação da guerra colonial, na conquista da independência da Guiné-Bissau, de Cabo Verde, de São Tomé e Príncipe, de Moçambique e de Angola.
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Após esses momentos memoráveis, o PCP continuou solidário com os povos irmãos africanos na sua luta em defesa da soberania e independência nacional, contra a ingerência e a agressão externas, pela paz e a reconstrução nacional, pelo desenvolvimento e o progresso social.
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A revolução iniciada a 25 de Abril em Portugal e a conquista da independência dos povos africanos colonizados pelo fascismo português representou uma derrota para o imperialismo e uma grande vitória para as forças progressistas e anti-imperialistas a nível mundial, contribuindo, para a libertação da Namíbia e do Zimbabué e para a posterior derrota do apartheid na África do Sul.
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No entanto, o imperialismo iria retardar durante longos anos a independê.ncia de Timor-Leste. Enquanto outras forças políticas portuguesas abdicavam perante os intentos do imperialismo, o PCP reafirmou a sua solidariedade e firme apoio à heróica luta de libertação nacional do povo timorense liderado pela FRETILIN que conquistou a Independência em 2002. 
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Evocando o acontecimento histórico que foi o 4 de Fevereiro de 1961, o PCP continuará empenhado no reforço das relações históricas de amizade e cooperação entre o povo português e os seus povos irmãos, em prol da melhoria de vida dos nossos povos, do progresso e justiça social, de um mundo livre das relações de espoliação, de exploração e de opressão, mais pacífico, mais equitativo e mais justo.
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sexta-feira, setembro 19, 2008

Angola - neste momento de clarificação, lembrar alguns factos




• JorgeCadima



Viva Angola


As eleições em Angola representaram um momento histórico na vida desse grande país. Os mais de 81% dos votos obtidos pelo MPLA, o grande obreiro da independência angolana, confirmam «o M» como grande partido nacional do povo angolano. O MPLA ganhou por maioria absoluta em todas as províncias de Angola, com mais de 80% dos votos em muitas delas. As eleições acabaram por não ser contestadas. Mas alguns, nomeadamente na missão de «observadores» da União Europeia, ainda tentaram criar o ambiente de dúvida e contestação habitual nos actos eleitorais que não agradam ao imperialismo. Valeu, neste caso, o resultado esmagador e inquestionável do MPLA, que ceifou à nascença quaisquer manobras de desestabilização.

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O resultados destas eleições são indissociáveis do meio século de história e luta do MPLA, de séculos de resistência dos angolanos à colonização do seu país. São também indissociáveis do facto de que, finda a guerra protagonizada pela UNITA e alimentada a partir do exterior, Angola entrou num período de acelerado crescimento económico, com algumas das maiores taxas de crescimento anual em todo o mundo, demostrando a importância da soberania e da paz para o desenvolvimento do país de acordo com os interesses do povo angolano.

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A campanha contra Angola, o MPLA e o direito dos angolanos à sua independência, que durante mais de 30 anos tem dominado boa parte da comunicação social e dos meios políticos portugueses, mesmo em sectores que gostam de se proclamar de esquerda, irá agora (por força dos acontecimentos) conhecer uma curta pausa. Importa, neste momento de clarificação, lembrar alguns factos. Se Angola não viveu em paz durante a maior parte da sua independência, não foi por culpa do MPLA, mas das tentativas do imperialismo (com o apoio dos colaboracionistas locais, do regime do apartheid da África do Sul e dos saudosistas do colonialismo português) para se apoderar pela força das enormes riquezas de Angola. Se não houve eleições nos últimos 16 anos, isso deveu-se à recusa da UNITA de Jonas Savimbi em reconhecer a sua derrota eleitoral de 1992 e ao assalto armado que lançou contra algumas das maiores cidades angolanas. Se Angola alcançou finalmente a paz em 2002, tal não se deveu a «processos negociais» da «comunidade internacional» - que durante dez anos em nada contribuíram para assegurar a paz e o respeito pelos resultados eleitorais, mas apenas para prolongar a guerra. A paz deveu-se à derrota militar que as Forças Armadas angolanas acabaram por impor a Savimbi. E importa lembrar que a UNITA militar e terrorista, desrespeitadora da vontade expressa do povo angolano, gozou sempre em Portugal da «legitimidade» que não tinha na realidade. Alguns que hoje se afirmam contrários à «globalização» tudo fizeram durante décadas para a impor – pela força das armas do facínora Savimbi – aos angolanos. É mais do que tempo que o «lobby saudosista» em Portugal perceba, finalmente, que Angola é um país independente e que apenas aos angolanos cabe decidir do seu futuro.

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Angola enfrenta hoje, apesar dos progressos dos últimos anos, tarefas gigantescas. É necessário re-erguer um país destruído por décadas de guerra e de ingerência imperialista. É urgente enfrentar problemas sociais terríveis que o colonialismo e a guerra deixaram como herança. É preciso combater fenómenos muito negativos que proliferaram nas dramáticas condições em que esse grande país tem vivido. Haverá seguramente muitos que sempre combateram a soberania angolana e que agora se afirmarão «amigos» do povo angolano para procurar alcançar, por outros meios, os seus objectivos de sempre. Mas as eleições criaram condições excepcionais para que os angolanos que sempre acreditaram no seu povo e na independência possam concretizar o sonho de Agostinho Neto. Viva Angola livre e independente!


in Avante 2008.09.18

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quarta-feira, março 26, 2008

Angola - Cuito Cuanavale: o princípio do fim do apartheid


Soldados cubanos e angolanos (foto Net)

Há 20 anos, em 23 de março de 1988, travou-se no sudeste de Angola a decisiva Batalha de Cuito Cuanavale, na qual tropas angolanas, de Cuba e da SWAPO, movimento armado de libertação da Namíbia, unidas, derrotaram tropas do regime racista da África do Sul, que tinham o apoio da Unita e dos EUA.


Por Beto Almeida, para a Telesur



Não surpreende que os meios de comunicação comerciais, sempre tão zelosos em comemorar as datas mais banais, seja sobre um desfile de moda, uma festa grã-fina ou um festival de cerveja ou de rock, tenham a mais completa insensibilidade para um registro, ainda que informativo, sobre esta Batalha de Cuito Cuanavale, epopéia tão marcante na caminhada da humanidade para enterrar um dos mais selvagens e brutais regimes da história, o apartheid mantido por décadas pela oligarquia racista da África do Sul, obviamente, com a sustentação da "democracia" norte-americana.

Vale relembrar. Em 1987, a situação em Angola se agravara drasticamente. Aliás, nunca tinha sido tranqüila a situação para o movimento de libertação de Angola, desde o início de sua luta contra o colonialismo português. Depois de fundado no início dos anos 60, o MPLA, dirigido pelo poeta e médico Agostinho Neto, consegue grandes avanços a partir da Revolução dos Cravos, quando o movimento de militares revolucionários derruba a ditadura salazarista em Portugual, a 25 de abril de 1974.


O colonialismo português entrava em colapso total, o novo governo português, dirigido por militares revolucionários adota posição de solidariedade para com os movimentos de libertação das ex-colônias portuguesas. A 11 de novembro de 1975 as tropas do MPLA tomam a capital Luanda e declaram a Independência e a fundação da República Popular de Angola. Mas, não houve paz.

Imediatamente, os EUA que já haviam patrocinado com dinheiro e armas a criação da Frente Nacional para a Libertação de Angola, dirigida por Holden Roberto e com apoio total do governo reacionário do Zaire, de Mobuto Sezeke, e também a Unita, dirigida por Jonas Savimbi, com apoio direto do regime racista da África do Sul, determinam ações para desestabilizar o novo governo angolano, impedindo que a independência fosse seguida da reconstrução de um país dilacerado pela guerra colonial. A guerra recrudesce em Angola, país rico em diamantes e petróleo; o exército da África do Sul intervém diretamente.

Brasil reconhece Angola e Kissinger vem ao Brasil

Agostinho Neto solicita ajuda militar de Cuba, que, com o apoio da URSS, atende. Um fato notável é que o primeiro país a reconhecer o novo governo de Angola é o Brasil, então presidido por Ernesto Geisel. A posição brasileira causou grande insatisfação junto ao governo dos EUA.


Aliás, o reconhecimento brasileiro á Independência de Angola inseria-se num leque de medidas da política externa brasileira de então — tais como o reatamento com a China, a Romênia, o acordo nuclear Brasil-Alemanha e o rompimento de um Tratado Militar com os EUA e outras — que já indicava um outro alinhamento internacional do Brasil, chegando a motivar uma visita repentina do Secretário de Estado dos EUA, Henry Kissinger , ao Brasil.


Segundo os relatos, Kissinger teria reclamado junto ao presidente Geisel da política externa brasileira. Teria mesmo dito, em tom de ingerência, que a postura brasileira reconhecendo o governo de Agostinho Neto representaria na prática "fazer o jogo do comunismo internacional, o Brasil alia-se a Cuba". A resposta de Geisel teria deixado Kissinger surpreendido e irritado: "Senhor Secretário, a nossa política externa não está em debate com o senhor!" Bem diferente da diplomacia de "pés descalços" e subserviente que o Brasil veio a experimentar nos anos 90, a era da privatização


Cuba pega em armas contra o apartheid


Apesar da solidariedade militar cubana a Angola, a crescente intervenção dos EUA no conflito, através da África do Sul, faz com que boa parte do território angolano escape do controle do governo angolano. Em outubro de 1987, o Presidente angolano José Eduardo Santos expõe a Fidel Castro as dificuldades monumentais e o risco de uma derrota militar. Solicita, uma vez mais, que Cuba conceda mais apoio militar. A dramática situação angolana é analisada exaustivamente pela direção cubana que decide empenhar-se ainda mais decisivamente na guerra de libertação do povo angolano, baseando-se nos princípios do Internacionalismo Proletário, inscrito na Constituição Socialista de Cuba.

As tropas angolanas e cubanas posicionadas na localidade de Cuito Cuanavale, estavam sob intenso bombardeio do exército racista da África do Sul. O risco de massacre era iminente. Enquanto resistiam, um novo plano estava sendo elaborado em Cuba para inverter esta situação desfavorável. Em sucessivas viagens de 15 horas de Havana até Luanda — num itinerário inverso ao dos navios negreiros — aviões transportam dezenas de milhares de soldados cubanos.


Há também o fornecimento de mil tanques, milhares de baterias anti-aéreas e num prazo recorde de 60 dias é construído um aeroporto com estrutura suficiente para pouso e decolagem dos modernos aviões Mig-23, de fabricação soviética, que Cuba também forneceria a Angola, juntamente com seus melhores pilotos. O plano estava traçado para a Batalha final de Cuito Cuanavale: 40 mil soldados cubanos bem armados e treinados, 30 mil soldados angolanos e 3 mil guerrilheiros da SWAPO, o exército de libertação da Namíbia, país que também estava ocupado por tropas da África do Sul.


Rumo ao sul


Fidel havia encarregado o general Cintra Frias, veterano guerrilheiro de Sierra Maestra, do comando destas operações em território angolano. Na oportunidade, Castro teria confessado ao líder do Partido Comunista da África do Sul, o branquelão Joe Slovo, que a estratégia seria como a de um boxeador: "Enquanto seguramos o inimigo com a mão esquerda (Cuito Cuanavale) , vamos atacando com o punho direito". A situação militar se inverte graças a esta massiva e preparada intervenção cubana, país que chegou a enviar a Angola, ao longo anos, cerca de 350 mil homens e mulheres internacionalistas, garantindo de fato a verdadeira independência na jovem nação africana.

Não suportando os golpes recebidos, em especial uma grande surra promovida pela atuação dos pilotos cubanos nos MIG-23, a Batalha decisiva ocorre no dia 23 de março de 1987, uma derrota fundamental das tropas da África do Sul que Nelson Mandela assim descreveria: " Cuito Cuanavale foi a virada para a luta de libertação do meu continente e do meu povo do flagelo do apartheid!"

Sem dúvida, a luta de libertação da Namíbia também recebia um grande impulso, e dois anos mais tarde, este país também declararia a sua Independência. Entretanto, o governo racista de Botha preocupava-se, pois pela potência e envergadura da estratégia armada por Cuba no sul de Angola chegou a imaginar que as tropas cubanas pudessem dirigir-se rumo ao sul, ou seja, rumo a Pretória.Na fuga, as tropas racistas bombardearam pontes, revelando medo de uma ofensiva rumo ao sul. Enquanto as batalhas ocorriam, com sucessivas derrotas impostas às tropas da África do Sul, ocorriam no âmbito da ONU as famosas negociações em busca de um acordo, negociações em que os representantes dos EUA exibiam toda sua hipocrisia.

Mas, há um diálogo que merece ser relembrado, quando o representante do regime racista nestas negociações pergunta ao representante de Cuba, Jorge Risquet, se havia a intenção de uma ação militar rumo ao Sul, a resposta é dessas que entram para os anais de história militar: "Se eu lhe disser que vamos rumo ao Sul isto seria tomado como uma ameaça, se eu lhe disser que não vamos rumo ao sul, isto seria para vocês um calmante". Deixou o racista atônito e confuso. E em outra oportunidade deu o toque de realismo que a arrogância sul-africana não queria reconhecer. "A África do Sul não tem condições de impor na mesa de negociações uma situação de vantagem quando no campo de batalha está sendo fragorosamente derrotada." De fato, os negociadores sul-africanos diziam que se retirariam "para a Namíbia". A história foi diferente, tiveram que sair também da Namíbia.

Condolezza e o Ministro Negro

Exatamente quando a Secretária de Estado dos Eua, Condolezza Rice visitava o Brasil, onde, entre muitos temas mais importantes e nada divulgados, assinou um Plano de Ação pelo qual Brasil e EUA decidem atuar conjuntamente para "eliminar a discriminação racial", a TV Cidade Livre, o canal comunitário de Brasília, realizava um debate sobre a Batalha de Cuito Cuanavale, com participação de embaixadores de Cuba, Angola, Namíbia e África do Sul, agora livre do apartheid. O texto firmado por Condolezza e o Ministro da Igualdade Racial, Edson Santos, afirma que Brasil e EUA "partilham a característica de serem sociedades democráticas multi-éticas e multi-raciais", o que teria motivado um comentário de Fidel Castro em uma de suas Reflexões do Comandante: "É assombroso. Penso que é exatamente o contrário o que acontece nos EUA".

Sem dúvida, basta verificar as condições de vida da população negra que ainda hoje vegeta sob os escombros do Furacão Katrina, em Nova Orleans. Ou contar o contingente de negros nas prisões norte-americanas. Ou a quantidade de eleitores negros que foram sub-repticiamente retirados do cadastro eleitoral para assegurar a vitória suspeita de Bush nas decisivas eleições presidências na Flórida em 2000.

Quanto ao Brasil, sabemos que os negros são maioria nas prisões, nas filas do desemprego, entre os que recebem os salários mais baixos, entre os que vivem nas favelas, entre os que estão nas fazendas com trabalho escravo. Num quadro dantesco como este, a simples existência de um Ministério da Igualdade, pode ser uma boa notícia, demonstrando a sensibilidade que o presidente Lula tem para a questão racial, afinal, um de seus grandes amigos na época da fábrica era um negro. Também é importante que uma das primeiras leis por ele sancionada é exatamente a que introduz a disciplina História da África nos currículos da escola brasileira.

Qual foi a nossa solidariedade?

No entanto, não se deve deixar passar a oportunidade para uma reflexão bem mais profunda, por exemplo, a partir da divulgação pela TV Brasil da histórica importância da Batalha de Cuito Cuanavale para a libertação da África do Sul e para o começo do fim do apartheid, permitindo às novas gerações tomar conhecimento de que houve um povo capaz de levar sua solidariedade à expressão máxima de concretude: Cuba socialista foi o único país que pegou em armas para combater o apartheid e para defender a independência de uma nação irmã ameaçada pela ação colonialista dos EUA em apoio à África do Sul e ao exército mercenário da Unita. Ou seja, nada pode ser mais assombroso, como disse Fidel, que a Condolezza venha reivindicar seu país como uma democracia multi-racial e multi-étnica.

Cuito Cuanavale deve servir também para os movimentos sociais, especialmente ao movimento negro brasileiro, para refletir que a solidariedade deve ter tradução real, pois não se tem notícia de que os nossos irmãos angolanos tenham recebido do movimento negro, em solidariedade, uma aspirina que fosse. Enquanto que Cuba enviou para Angola 350 mil homens e mulheres, de lá trazendo apenas seus mortos e as medalhas desta vitória que jamais poderá ser apagada da consciência da humanidade.

Muito se exalta que o Brasil é o país como maior população negra fora da África, mas qual foi a nossa solidariedade concreta quando ela foi tão necessária? Quando vários estudos registram o seqüestro impiedoso de contingentes negros africanos para formar o escravagismo nas Américas, e isto é uma verdade cruel e inapagável, Cuba foi capaz de inverter o itinerário: negros, brancos e mestiços partiam do Caribe para a Mãe África que estava sendo estuprada pelo apartheid e pelos EUA para oferecer solidariedade, para lutar com armas nas mãos, ombro a ombro com angolanos e namibiamos e impor a primeira derrota, que tinha que ser militar, ao apartheid.

Como disse Mandela, em Cuito Cuanavale se deu a virada. Mas, uma virada marcada pela consciência das tropas cubanas de serem a continuidade histórica do internacionalismo proletário, de fazerem reviver o brado heróico de Stalingrado, de retomarem o exemplo revolucionário das massas vietnamitas que também derrotaram os EUA. Para a África Cuba enviou negros, brancos e mestiços alfabetizados, cultos, um exército bem treinado, com consciência socialista, e que não esteve em Angola para rapinar petróleo ou de diamante, como hoje fazem de modo selvagem e assassino as tropas norte-americanas no Iraque. E a solidariedade cubana com a África não se esgotou naquela histórica epopéia militar: hoje milhares de médicos e professores cubanos trabalham em dezenas de países africanos.


Segundo a Organização Mundial da Saúde, o contingente de médicos cubanos na África supera o número de médicos que todos países ricos somados têm hoje naquele continente que tanto rapinaram....Por isso, é indispensável um debate mais aprofundado sobre o papel de Cuba e Angola na luta contra o apartheid, pois, não faz nenhum sentido falar da luta contra o racismo desconhecer esta contribuição, ignorar a dimensão histórica da Batalha de Cuito Cuanavale e, ao mesmo tempo, tomar como exemplo de luta anti-racial o modelo norte-americano, quando foram os EUA os principais sustentadores do apartheid.

Recomendação ao Ministro Edson Santos: que tal promover um debate sobre a Batalha de Cuito Cuanavale na TV Brasil, exibindo lá os excelentes documentários cubanos sobre esta guerra de libertação, com o que poderíamos furar este enorme bloqueio informativo contra esta verdadeira façanha histórica realizada por Cuba para derrotar o criminoso regime do apartheid? O momento é importante, não apenas pela data, mas também porque uma das missões que trouxe Condolezza Rice ao Brasil é a de intimidar a comunidade de países sul-americanos diante da excelente proposta brasileira de criação de um Conselho de Defesa do Atlântico Sul. Há quem acredite que ela veio aqui para combater o racismo, mesmo sendo tão assombroso acreditar nisto.

Beto Almeida e jornalista da rede Telesur

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in VERMELHO - 25 DE MARÇO DE 2008 - 09h59

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