A Internacional

__ dementesim . . Do rio que tudo arrasta se diz que é violento Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem. . _____ . Quem luta pelo comunismo Deve saber lutar e não lutar, Dizer a verdade e não dizer a verdade, Prestar serviços e recusar serviços, Ter fé e não ter fé, Expor-se ao perigo e evitá-lo, Ser reconhecido e não ser reconhecido. Quem luta pelo comunismo . . Só tem uma verdade: A de lutar pelo comunismo. . . Bertold Brecht
Mostrar mensagens com a etiqueta Muro de Berlim. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Muro de Berlim. Mostrar todas as mensagens

domingo, janeiro 17, 2010

Breno Altman: O mito da queda do muro



 

Mundo

Vermelho - 23 de Novembro de 2009 - 19h52

.

A propaganda moderna é um moedor de cérebros. Especialmente quando se trata do estabelecimento de valores, idéias e informações a serviço dos detentores do poder político, econômico e midiático. A queda do Muro de Berlim talvez seja o caso mais proeminente desse arrastão mental. Forjou-se, sobre esse tema, um senso comum de amplo espectro.

À derrubada do muro famoso passaram a estar associadas imagens de liberdade, irmandade, felicidade, prosperidade. Tudo o que antes existia, na banda oriental, virou símbolo cinzento de autoritarismo, atraso, desespero, violência. Há poucos registros, como a queda do muro, de um evento que tenha sido celebrado por forças políticas e culturais tão diversas.
.
A euforia da direita era natural: o episódio marcava, afinal, o desfecho vitorioso de um longo processo de antagonismo, iniciado a partir da revolução russa. Para importantes setores de esquerda, por outro lado, soava a hora de se afastar definitivamente de qualquer vínculo com a primeira experiência socialista e buscar espaço no admirável mundo novo que se anunciava. Muitas vezes às custas de renegar sua própria história.
.
Mas, depois de vinte anos, há uma pergunta simples parada no ar: o mundo está melhor ou pior que em 1989? Qualquer resposta respeitável sobre o tema está obrigada, no mínimo, a substituir o discurso da esperança e a denúncia do sistema derrotado pela análise dos fatos concretos que sucederam e consolidaram essa formidável virada no cenário internacional.
.
A primeira faceta a analisar é a economia, terreno no qual o capitalismo restaurado mais prometia. A revista Forbes ganhou um punhado de novos ricos para sua lista tradicional, que tomaram de assalto antigas companhias e ativos estatais, mas o cenário geral é aterrador.
.
Depressão pós-socialista
.
Utilizemos, como referência, a Comunidade dos Estados Independentes (formada pelos antigos países que compunham a União Soviética, menos Lituânia, Estônia e Letônia), principal núcleo do sistema socialista. De 1989 a 2008, segundo dados do Fundo Monetário Internacional, sua participação na economia mundial decaiu de 7,7% para 4,6%. Na primeira década pós-muro seu PIB decaiu 39,50%, com sete anos seguidos de recessão. Apenas em 2007 sua economia atingiu o mesmo patamar de 1989.
.
Enquanto o planeta, em média, cresceu 89,9% desde o ano zero do colapso soviético, a CEI engordou sua produção em tristes 9,60% no mesmo período. Sua indústria e agricultura foram arruinadas, com perdas mais significativas que durante a 2ª. Guerra Mundial. Recuperou-se nos últimos dez anos graças à exportação de petróleo, cujos preços se multiplicaram por dez entre 1999 e 2007. Mas a depressão pós-socialista esfacelou com a cadeia produtiva.
.
Esse é o cenário da imensa maioria das nações que compartilhavam, com a URSS, do projeto interrompido em 1989. Mesmo os países que se recuperaram melhor da transição capitalista (como República Checa, Eslovênia, Polônia e Hungria) tiveram taxas de crescimento abaixo da média mundial nesses vinte anos.
.
As conseqüências sociais desse terremoto foram retumbantes. O ciclo depressivo combinou-se com uma formidável concentração da renda. Adotemos como critério o índice Gini, mundialmente aceito para avaliar disparidades nos ingressos dos cidadãos: os indicadores oscilam entre 0 e 1, da equidade absoluta à desigualdade total. A Federação Russa, em 1991, apresentava um índice de 0,271. Dezessete anos depois, em 2008, a concentração de renda bateu em 0,415.
.
Na antiga União Soviética, tomando por base o ano de 1989, os 10% mais ricos ganhavam três vezes mais que os 10% mais pobres. Menos de vinte anos se passaram e essa distância mais que decuplicou. Nos países que compõem a CEI, os 10% mais ricos ganhavam quarenta vezes mais que os 10% mais pobres em 2007. Atualmente mais de metade da população ganha 65% ou menos da média do salário nacional, enquanto 13% dos trabalhadores vivem com salários inferiores a cem euros, para uma cesta básica avaliada em €170. São todos dados oficiais do Banco Central russo.
.
Liberdades civis
.
O descalabro econômico e a ruptura do equilíbrio social provocaram regressão em múltiplas frentes. O efeito mais impressionante talvez seja na expectativa de vida, que caiu sete anos entre 1990 e 1994. O declínio das antigas repúblicas soviéticas provocou uma súbita elevação da violência urbana e das doenças cardiovasculares logo nos primeiros cinco anos da restauração capitalista, em um contexto de deterioração da rede sanitária.
.
Possivelmente o único terreno no qual se possa identificar algum avanço é o das liberdades civis, antes fortemente restringidas pelo tipo de governo adotado em resposta ao cerco político, econômico e militar ao qual foi submetido o campo socialista desde 1917. As pessoas têm, em tese, direitos mais amplos de expressão, reunião e movimento. Mas o monopólio da riqueza, na maior parte dos casos, faz desses direitos uma mera formalidade legal.
.
No período histórico anterior, apenas o partido comunista e a rede de organizações que dirigia tinham, por exemplo, permissão para criar jornais e outros veículos de imprensa.
.
Agora essa possibilidade, constitucionalmente franqueada a qualquer cidadão, só pode ser exercida por quem reúne poder econômico. Isso para não falarmos do papel das máfias e do autoritarismo oligárquico pós-socialista.
.
Os fundos públicos outrora destinados para a produção cultural, muito criticados no ocidente por seu dirigismo estatal, foram praticamente destruídos e trocados por uma liberdade individual quase ilimitada, o que seria motivo de felicidade. Mas uma multidão de artistas, escritores e produtores, vaga pelas ruas sem acesso a recursos para desenvolver seu trabalho.
.
Podem fazer o que quiserem, mas muito pouco do querem pode ser feito. O fato é que a ditadura do mercado fez desses países uma sombra do que já representaram e restringiu, por regras econômicas, o acesso popular aos bens e serviços culturais.
.
O efeito principal da queda do muro, porém, talvez se situe além-fronteiras, como previu o historiador inglês Eric Hobsbawn ainda quando caia o pano sobre o socialismo soviético. A quebra da bipolaridade foi sucedida pela hegemonia implacável de uma só potência, os Estados Unidos.
.
As instituições que serviam como espaços reais de negociação entre os dois sistemas perderam importância e foram socavadas pelos interesses de Washington. A geopolítica da paz armada, derrotada, deu lugar à geopolítica da guerra de conveniência. A Casa Branca ficou com as mãos livres para defender seus propósitos – como o fez na Iugoslávia, no Iraque e no Afeganistão – e atropelar a ordem mundial.
.
Onda de racismo e exclusão

.
Os trabalhadores ocidentais, que durante quatro décadas puderam obter importantes conquistas associando seu poder sindical e político à pressão externa exercida pelo socialismo, se viram enfraquecidos de uma hora para outra. Muitos de seus direitos acabaram decepados na esteira da reorganização capitalista, quando o risco de perder o comando sobre estados e sociedades deixou de tirar o sono das elites mundiais.
.
O movimento de descolonização, impulsionado pelo escudo oferecido pela União Soviética, bateu contra a parede. Bloqueou-se a possibilidade de vias independentes de desenvolvimento, apartadas da lógica ditada pelas grandes potências. As nações mais pobres, especialmente as da África e América Latina, enfraquecidas com o modelo de privatização e internacionalização de suas economias, incrementaram a exportação de pessoas em uma escala inédita – devidamente respondida pelos países ricos com uma nova onda de racismo e exclusão.
.
No momento em que esse mundo unipolar pós-Berlim entra em crise e as forças progressistas parecem retomar sua capacidade ofensiva em algumas partes do planeta, não é o caso de tomar os dados e fatos aqui narrados como discurso de ressurreição. A experiência soviética fracassou, e ponto.
.
Não foi capaz, por seus erros e dificuldades, de se apresentar como uma alternativa suficientemente poderosa e eficaz para substituir o capitalismo.
.
Outros caminhos deverão ser desbravados. Processos distintos serão vividos. A questão é que, até para buscar novas saídas, faz-se necessário acertar contas com os vitoriosos de 1989 e desnudar seus feitos reais, tão reveladores da natureza de um sistema anunciado como o fim da história.
.
Breno Altman é jornalista e diretor de redação do Opera Mundi (www.operamundi.com.br)

.
.

sábado, janeiro 16, 2010

Muros da Vergonha



 

Mundo

Vermelho - 9 de Novembro de 2009 - 19h35

Verdadeiros muros da vergonha foram erguidos nos EUA e em Israel

No aniversário de 20 anos da queda do Muro de Berlim, o mundo convive com uma série de barreiras que servem para conter a livre circulação de pessoas. O muro que divide a Cisjordânia de Israel e o que impede a passagem de imigrantes mexicanos para os Estados Unidos são os mais conhecidos, mas há outros.

.
O exemplo mais recente vem da Eslováquia. Em outubro, uma muralha de 150 metros de comprimento e dois de altura foi erguida na cidade de Ostrovany, uma comunidade rural no nordeste do país, com o intuito de isolar um acampamento de ciganos.
.
A ação, aprovada em 2008 pelas autoridades locais e colocada em prática na última semana, é o último capítulo da crescente tensão entre os habitantes da localidade e os ciganos. Os habitantes de Ostrovany os acusam de roubar frutas dos jardins privados. Episódios violentos foram registrados, como a morte de um fazendeiro por membros da comunidade cigana e manifestações de grupos de extrema-direita para qualificar o que chamam de “terror cigano”.
.
O prefeito de Ostrovany, Cyril Revákl, afirmou ao diário eslovaco SME que a medida não é racista. “Sei que há muita gente decente vivendo entre os ciganos, mas ninguém deve passar pelo inferno diário de enfrentamentos”.Já a secretaria que representa a comunidade cigana anunciou que investigará a construção do muro. O responsável, Ludovít Galbavý, classificou a construção como “discriminatória”.
.
Israel e Palestina
.
Um dos mais emblemáticos e polêmicos muros atuais é o que separa Israel do território palestino da Cisjordânia. Uma pequena parte dele (cerca de 20%) coincide com a antiga Linha Verde, fronteira definida em 1948; os 80% restantes situam-se em terras palestinas.
.
A muralha começou a ser construída em 2002, durante o governo do ex-primeiro ministro israelense Ariel Sharon, com a justificativa de evitar a entrada de terroristas em Israel. O Tribunal Penal Internacional a declarou ilegal em 2004, pois ela corta terras palestinas e isola cerca de 450 mil pessoas.De acordo com dados de abril de 2006 fornecidos por Israel, a extensão total da barreira é de 721 km, dos quais 58,04% estão construídos, 8,96% em construção e 33% por construir. Veja o mapa atual.
.
Às vésperas do aniversário da queda do Muro de Berlim, jovens palestinos derrubaram na sexta-feira (6) uma parte da construção na cidade árabe de Naalin e foram repreendidos por militares israelenses com bombas de gás lacrimogêneo (foto abaixo). “Não importa o quão alto sejam, todos os muros cairão”, proclamava um cartaz colocado na estrutura pelos jovens.

Para o analista israelense Michael Warschawski, diretor do Centro de Informação Alternativa, o muro tem um impacto duplo: “Primeiro, porque condena os palestinos a viverem em um gueto forçado. Segundo, porque reflete a política distorcida de isolamento de Israel, que prefere resolver seus problemas pela separação.”
.
De acordo com Warschawski, a ineficácia da construção, que chega a dividir cidades inteiras, é comprovada. “O muro não interrompe completamente a circulação de pessoas. Para cruzar os territórios, existem alternativas”.
.
EUA e México
.
Com o propósito de impedir a entrada de imigrantes ilegais mexicanos, os Estados Unidos ergueram um muro de 3.141 quilômetros na fronteira, que abrange os estados do Texas, Califórnia, Novo México e Arizona.
.
Desde 1994, quando a muralha começou a ser construída na gestão do ex-presidente Bill Clinton, mais de 5,6 mil pessoas morreram tentando atravessar para o lado norte-americano, segundo um relatório do escritório de contabilidade da Casa Branca (GAO, na sigla em inglês). Além disso, as causas das mortes mudaram. Antes eram provocadas por acidentes de trânsito, já que os imigrantes corriam em rodovias nas áreas fronteiriças. Agora, acontecem por hipotermia no deserto ou afogamentos no rio Grande.
.
O documento também apontou que os custos são igualmente altos. Cada vez que surge um buraco, são gastos 1.300 dólares no conserto. A manutenção do trecho de 1.058 km com uma cerca de duas camadas na fronteira EUA-México deverá custar 6,5 bilhões de dólares nos próximos 20 anos.
.
“É um desperdício de recursos e criatividade”, avaliou Jorge Mario Cabrera Valladares, da Coalizão por Direitos Humanos dos Imigrantes de Los Angeles (CHIRLA na sigla em inglês), à agência EFE. “Nosso dinheiro pago em impostos está sendo desperdiçado em uma estratégia velha e ineficiente em vez de trabalharmos em uma reforma séria, de longo prazo e aplicável à imigração”.
.
Neste site, é possível acompanhar pequenas histórias de imigração ao longo da fronteira. Neste filme, os diretores mostram o trabalho do grupo Beta na cidade de Nogales (foto abaixo), que busca convencer os mexicanos a não cruzarem para o lado norte-americano.
.
Brasil
.
O Rio de Janeiro também tem seu muro, construído com o argumento de evitar que construções precárias em favelas destruam trechos da vegetação da Mata Atlântica. No entanto, ONGs e movimentos sociais alegam ser na verdade uma forma de separar as partes mais ricas da sociedade das mais humildes.
.
"Não há discriminação. Pelo contrário, nós estamos construindo casas para eles em todos os lugares e melhorando suas vidas", disse Tania Lazzoli, porta-voz da Secretaria de Obras Públicas do governo.
.
Em março, o escritor português José Saramago criticou a ação em seu blog: “Cá para baixo, na Cidade Maravilhosa, a do samba e do carnaval, a situação não está melhor. A ideia, agora, é rodear as favelas com um muro de cimento armado de três metros de altura. Tivemos o Muro de Berlim, temos os muros da Palestina, agora os do Rio. Entretanto, o crime organizado campeia por toda a parte, as cumplicidades verticais e horizontais penetram nos aparelhos de Estado e na sociedade em geral”.
.
No morro Santa Marta, já foram construídos mais de 600 metros de muro, enquanto na Rocinha o governo concordou em limitá-lo às zonas com risco de deslizamento. O restante será transformado em sítios ecológicos e reservas naturais.
.
Fonte: Opera Mundi. Título do Vermelho

.
.

.
.

sábado, novembro 21, 2009

WSWS - News 2009.11.20


New Today -- 20 November 2009




Perspective

Obama's China trip

At the beginning of his eight-day tour of Asia, President Obama declared himself the "first Pacific president" and announced that his trip would reassert American leadership in the region.



News & Analysis

Karzai inaugurated amid state of siege in Kabul

Afghanistan's President Hamid Karzai was inaugurated Thursday amid a state of siege in Kabul. Western officials who were present issued hypocritical demands that Karzai fight corruption.

Obama warns of new sanctions against Iran

US home foreclosures at record high as jobs crisis deepens

US prepares contingency plans to seize Pakistani nuclear triggers

Saudi Arabia bombards Yemeni rebels in policing role for US imperialism

Canada complicit in torture of hundreds of Afghan detainees

Australia: Defiant stand by Oceanic Viking refugees triggers political crisis

Germany: Union agrees to wage cuts and store closures at Karstadt

California students protest massive fee hike

Michigan job seekers speak to WSWS




Arts Review

Aesthetic choices: Aleksandr Sokurov's The Sun

An evaluation of Roman Polanski as an artist




Socialist Equality Party

Public meeting in Leipzig, Germany
Twenty years since the fall of the wall--from Stalinism to capitalism




Workers Struggles

Workers Struggles: Europe & Africa

.

.


segunda-feira, novembro 16, 2009

Verdadeiros muros da vergonha foram erguidos nos EUA e em Israel

Mundo

Vermelho - 9 de Novembro de 2009 - 19h35

No aniversário de 20 anos da queda do Muro de Berlim, o mundo convive com uma série de barreiras que servem para conter a livre circulação de pessoas. O muro que divide a Cisjordânia de Israel e o que impede a passagem de imigrantes mexicanos para os Estados Unidos são os mais conhecidos, mas há outros.

.

O exemplo mais recente vem da Eslováquia. Em outubro, uma muralha de 150 metros de comprimento e dois de altura foi erguida na cidade de Ostrovany, uma comunidade rural no nordeste do país, com o intuito de isolar um acampamento de ciganos.

A ação, aprovada em 2008 pelas autoridades locais e colocada em prática na última semana, é o último capítulo da crescente tensão entre os habitantes da localidade e os ciganos. Os habitantes de Ostrovany os acusam de roubar frutas dos jardins privados. Episódios violentos foram registrados, como a morte de um fazendeiro por membros da comunidade cigana e manifestações de grupos de extrema-direita para qualificar o que chamam de “terror cigano”.
.
O prefeito de Ostrovany, Cyril Revákl, afirmou ao diário eslovaco SME que a medida não é racista. “Sei que há muita gente decente vivendo entre os ciganos, mas ninguém deve passar pelo inferno diário de enfrentamentos”.Já a secretaria que representa a comunidade cigana anunciou que investigará a construção do muro. O responsável, Ludovít Galbavý, classificou a construção como “discriminatória”.
.
Israel e Palestina
.
Um dos mais emblemáticos e polêmicos muros atuais é o que separa Israel do território palestino da Cisjordânia. Uma pequena parte dele (cerca de 20%) coincide com a antiga Linha Verde, fronteira definida em 1948; os 80% restantes situam-se em terras palestinas.
.
A muralha começou a ser construída em 2002, durante o governo do ex-primeiro ministro israelense Ariel Sharon, com a justificativa de evitar a entrada de terroristas em Israel. O Tribunal Penal Internacional a declarou ilegal em 2004, pois ela corta terras palestinas e isola cerca de 450 mil pessoas.De acordo com dados de abril de 2006 fornecidos por Israel, a extensão total da barreira é de 721 km, dos quais 58,04% estão construídos, 8,96% em construção e 33% por construir. Veja o mapa atual.
.
Às vésperas do aniversário da queda do Muro de Berlim, jovens palestinos derrubaram na sexta-feira (6) uma parte da construção na cidade árabe de Naalin e foram repreendidos por militares israelenses com bombas de gás lacrimogêneo (foto abaixo). “Não importa o quão alto sejam, todos os muros cairão”, proclamava um cartaz colocado na estrutura pelos jovens.
.
Para o analista israelense Michael Warschawski, diretor do Centro de Informação Alternativa, o muro tem um impacto duplo: “Primeiro, porque condena os palestinos a viverem em um gueto forçado. Segundo, porque reflete a política distorcida de isolamento de Israel, que prefere resolver seus problemas pela separação.”
.
De acordo com Warschawski, a ineficácia da construção, que chega a dividir cidades inteiras, é comprovada. “O muro não interrompe completamente a circulação de pessoas. Para cruzar os territórios, existem alternativas”.
.
EUA e México
.
Com o propósito de impedir a entrada de imigrantes ilegais mexicanos, os Estados Unidos ergueram um muro de 3.141 quilômetros na fronteira, que abrange os estados do Texas, Califórnia, Novo México e Arizona.
.
Desde 1994, quando a muralha começou a ser construída na gestão do ex-presidente Bill Clinton, mais de 5,6 mil pessoas morreram tentando atravessar para o lado norte-americano, segundo um relatório do escritório de contabilidade da Casa Branca (GAO, na sigla em inglês). Além disso, as causas das mortes mudaram. Antes eram provocadas por acidentes de trânsito, já que os imigrantes corriam em rodovias nas áreas fronteiriças. Agora, acontecem por hipotermia no deserto ou afogamentos no rio Grande.
.
O documento também apontou que os custos são igualmente altos. Cada vez que surge um buraco, são gastos 1.300 dólares no conserto. A manutenção do trecho de 1.058 km com uma cerca de duas camadas na fronteira EUA-México deverá custar 6,5 bilhões de dólares nos próximos 20 anos.
.
“É um desperdício de recursos e criatividade”, avaliou Jorge Mario Cabrera Valladares, da Coalizão por Direitos Humanos dos Imigrantes de Los Angeles (CHIRLA na sigla em inglês), à agência EFE. “Nosso dinheiro pago em impostos está sendo desperdiçado em uma estratégia velha e ineficiente em vez de trabalharmos em uma reforma séria, de longo prazo e aplicável à imigração”.
.
Neste site, é possível acompanhar pequenas histórias de imigração ao longo da fronteira. Neste filme, os diretores mostram o trabalho do grupo Beta na cidade de Nogales (foto abaixo), que busca convencer os mexicanos a não cruzarem para o lado norte-americano.
.
Brasil
.
O Rio de Janeiro também tem seu muro, construído com o argumento de evitar que construções precárias em favelas destruam trechos da vegetação da Mata Atlântica. No entanto, ONGs e movimentos sociais alegam ser na verdade uma forma de separar as partes mais ricas da sociedade das mais humildes.
.
"Não há discriminação. Pelo contrário, nós estamos construindo casas para eles em todos os lugares e melhorando suas vidas", disse Tania Lazzoli, porta-voz da Secretaria de Obras Públicas do governo.
.
Em março, o escritor português José Saramago criticou a ação em seu blog: “Cá para baixo, na Cidade Maravilhosa, a do samba e do carnaval, a situação não está melhor. A ideia, agora, é rodear as favelas com um muro de cimento armado de três metros de altura. Tivemos o Muro de Berlim, temos os muros da Palestina, agora os do Rio. Entretanto, o crime organizado campeia por toda a parte, as cumplicidades verticais e horizontais penetram nos aparelhos de Estado e na sociedade em geral”.
.
No morro Santa Marta, já foram construídos mais de 600 metros de muro, enquanto na Rocinha o governo concordou em limitá-lo às zonas com risco de deslizamento. O restante será transformado em sítios ecológicos e reservas naturais.
.
Fonte: Opera Mundi. Título do Vermelho

.
.

20 anos depois da queda do muro, 'livre mercado' é repudiado

Mundo

Vermelho - 9 de Novembro de 2009 - 18h19

Vinte anos após a queda do Muro de Berlim, que simbolizou o fim do chamado "socialismo real" no leste da Europa, é geral a insatisfação com o capitalismo no mundo, indica uma pesquisa publicada nesta segunda-feira (9), divulgada pela BBC.

.

Só 11% dos entrevistados em 27 países considera que a economia capitalista funciona corretamente e 51% acha necessária mais regulação e reformas para a corrigir.
.
Apenas em dois países — Estados Unidos (25%) e Paquistão (21% ) — mais de 20% acham que o capitalismo funciona bem na sua forma atual. A sondagem, realizada entre 19 de junho e 13 de outubro junto a 29.033 pessoas, foi publicada no dia do 20º aniversário da queda do Muro de Berlim, num momento em que o mundo enfrenta a pior crise econômica e financeira desde 1929.
.
"Parece que a queda do Muro de Berlim em 1989 não terá sido uma vitória esmagadora do capitalismo de mercado livre, contrariamente às aparências da época, em particular depois dos acontecimentos dos últimos doze meses", comentou Doug Miller, presidente do instituto de sondagens GlobeScan, que realizou o estudo.
.
Pouco mais de metade dos entrevistados (54%) aprova o desmantelamento da União Soviética enquanto que 22% o classifica como uma "coisa má" e 24% não se pronuncia.
.
Os estadunidenses (81%) são os que se mostram mais favoráveis, à frente dos polacos (80%), alemães (79%), britânicos (76%) e franceses (74%). No leste, os tchecos são menos afirmativos em relação a esta questão (63%), enquanto que os russos (61%) e os ucranianos (54%) acham lamentável o desaparecimento da URSS.
.
Uma maioria dos inquiridos em 17 dos 27 países defende uma maior regulação do mundo financeiro, sendo os brasileiros os mais favoráveis (87%), à frente dos chilenos (84%), franceses (76%), espanhóis (73%) e chineses (71%).
.
Em média, 23% dos inquiridos considera que o capitalismo tem defeitos irremediáveis e que é indispensável um novo modelo, sendo os franceses os que mais pensam assim (43%), seguidos pelos mexicanos (38%) e brasileiros (35%).
.
Brasil
.
Dos entrevistados brasileiros (835 pessoas nas cidades de Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Goiânia, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo). A sondagem revelou que 64% defendem mais controle do governo sobre as principais indústrias do país e 87% defenderam que o governo tenha um maior papel regulando os negócios locais, enquanto 89% defenderam que o Estado seja mais ativo promovendo a distribuição de riquezas.
.
Fonte: Revista Fórum

.
.

Especialistas fazem balanço do feminismo alemão 20 anos após Muro

Mundo

Vermelho - 11 de Novembro de 2009 - 20h50

Oficialmente, as mulheres da antiga República Democrática Alemã (RDA), gozavam de igualdade de direitos. Podiam exercer qualquer profissão, na fábrica, na agricultura como engenheira, médica ou tratorista –a vida profissional era algo indiscutível, mesmo para as que tinham filhos.

.

O Estado lhes permitia combinar família e trabalho. As crianças frequentavam escola de tempo integral e para os mais novos havia jardins-de-infância e creches.
.
No decorrer da década de 80, já antes da queda do Muro, a imagem da camarada emancipada começou a apresentar falhas, como constatou a socióloga Hildegard Maria Nickel em seus estudos.
.
As mulheres estavam cada vez mais descontentes, pois, depois do trabalho, ainda tinham que dar conta de todas as tarefas domésticas. Além disso, em geral, funções políticas e cargos governamentais continuavam fora de seu alcance.
.
Nesse ponto, a vida feminina na Alemanha Oriental assemelhava à do lado ocidental, onde poucas mulheres participavam do Parlamento. nos anos 1980. Uma legislação que garantisse maior justiça e igualdade, como a exigência de uma quota de participação feminina, ainda era incipiente.
.
O lugar da alemã ocidental era ao lado do seu marido. Como mulher, ela devia se dedicar exclusivamente às crianças, ao marido e aos afazeres domésticos.
.
Nickel se ocupou de estudos de gênero na Universidade Humboldt, ainda na antiga Berlim Oriental. Renovação na RDA? Dizia-se que somente com a ajuda de quotas de participação seria possível uma participação apropriada em posições de liderança e competência.
.
Nickel conhecia o desgosto de muitas mulheres alemãs orientais de serem honradas somente uma vez ao ano, em 8 de março, Dia Internacional da Mulher.
.
A partir daí, não foi possível, no entanto, o desenvolvimento de um movimento político enérgico, já que as mudanças de 1989-90 ocorreram rápido demais.
.
Petra Bläss, política alemã oriental que, após a reunificação alemã, chegou a ocupar o cargo de vice-presidente do Bundestag, câmara baixa do Parlamento alemão, afirma que, por ocasião da queda do Muro, as alemãs orientais tinham claras críticas sobre o que a RDA entendia por igualdade de direitos.
.
Bläss afirma que, de repente, o movimento feminista da Alemanha Oriental se viu na situação de ter que defender muito daquilo que anteriormente criticara, tornando-se uma espécie de pioneiro na luta pela preservação das conquistas sociais da RDA.
.
Os meses entre 9 de novembro de 1989 e 18 de março de 1990 são considerados como o apogeu do movimento feminista independente na RDA.
.
Muitas mulheres tomavam a palavra para expressar suas exigências. Manifestos e cartas abertas foram escritos. Foi nesse período que a atual chefe alemã de governo, Angela Merkel, começou a ganhar experiência na política.
.
Retrocesso
.
Após 18 de março de 1990, teve início o retrocesso em termos de igualdade de oportunidades entre mulheres e homens, tanto no leste como no oeste.
.
Carola von Braun, política liberal que ocupava na época o cargo de responsável por assuntos da mulher em Berlim Ocidental, afirma que “de repente, de um dia para outro, o movimento feminista ocidental foi decepado — não posso expressar a coisa de outra forma”.
.
Segundo ela, a grande questão passou a ser se a reunificação viria ou não. “E se sim, sob que condições? Estes eram os temas absolutamente dominantes na época. E afirmo que não foi somente a política para a mulher e para a igualdade de direitos que sofreram. A partir de 1989, vivenciamos um retrocesso em todas os grandes setores de reforma. Isso deve ser dito bem claro.”
.
Muitas das mulheres alemãs orientais até então emancipadas perderam seus postos de trabalho, perdendo também sua independência econômica. Para elas, a reunificação não foi uma libertação, mas sim um retorno aos antigos padrões de comportamento.
.
Outro retrocesso para elas foram as novas regras sobre o aborto contidas no Parágrafo 218 da legislação. Na RDA o aborto tinha uma regulamentação liberal e era financiado pelo Estado.
.
Na Alemanha reunificada, as mulheres têm que arcar com os custos e, mesmo assim, se submeter a um complicado processo de aprovação.
.
Na opinião de Nickel, isso contribuiu para que muitos — não apenas mulheres —que antes eram politicamente ativos se sentissem frustrados e se retirassem da política.
.
Fonte: O Outro Lado da Notícia

.
.

PCP enfrenta debate sobre Muro de Berlim

Mundo

Vermelho - 13 de Novembro de 2009 - 16h45

 O Partido Comunista Português rejeitou os votos de “congratulação” pelos 20 anos da queda do Muro de Berlim, apresentados pela Assembleia da República. Para os comunistas o gesto não passa de uma gigantesca tentativa de reescrever a história.

.

O tema foi marcado por vários votos de congratulação: os do PSD e CDS-PP foram aprovados, com votos contra do PCP, PEV e BE; já o voto apresentado pelo BE foi rejeitado e o do PS aprovado.
.
Considerando que o “triunfalismo comemorativo dos últimos dias, mais do que o fato histórico que se verificou há 20 anos, visa reescrever a história e tentar decretar para o presente e para o futuro a vitória definitiva do sistema capitalista como se do fim da História se tratasse”, o líder parlamentar do PCP defendeu que “o que foi derrotado não foram os ideais e o projecto comunistas, mas o modelo historicamente configurado”.
.
Bernardino Soares teve ainda tempo para responder à intervenção do deputado centrista Ribeiro e Castro, que manifestara a intenção de oferecer o livro O arquipélago de Gulag, do "dissidente" soviético Aliexandr Soljienítsin, à deputada comunista Rita Rato, que em entrevista recente confessara não o ter lido.
.
“Guarde o livro para a sua bancada porque já sabemos que o Soljienítsin é muito popular na bancada do CDS, mesmo sendo ele o homem que defendeu a invasão de Portugal por potências estrangeiras a seguir ao 25 de Abril e que apoiou o golpe de Pinochet no Chile”, afirmou Soares.
.
Fonte: O Outro Lado da Notícia, com informação do site A Bola

.
.

O Futuro pertence ao Comunismo - José Casanova


José Casanova na Quinta da Atalaia
O futuro pertence ao comunismo


(…) A Revolução de Outubro foi ponto de partida para a primeira grande tentativa, na história da humanidade, de construção de uma sociedade nova, liberta de todas as formas de opressão e de exploração. O impacto e as consequências planetárias deste acontecimento constituem uma realidade objectiva de tal forma impressiva que nenhuma ofensiva ideológica conseguirá apagar. E hoje, como sabemos, essa ofensiva, tendo como objectivo primeiro a criminalização do comunismo e a santificação do capitalismo, faz da Revolução de Outubro, da sua importância histórica, do seu significado, dos seus ideais um alvo preferencial.
Percebe-se o objectivo dessa ofensiva: a Revolução de Outubro foi o primeiro grande acto de ruptura com o capitalismo e a exploração do homem pelo homem; foi o primeiro exemplo concreto da aplicação, na construção de uma nova sociedade, da ideologia do proletariado – nascida e desenvolvida a partir da análise da história da sociedade e das suas leis objectivas essenciais; foi a primeira demonstração concreta de que o socialismo é a única alternativa ao capitalismo – e por tudo isto, porque a Revolução de Outubro mostrou que o socialismo é, não apenas possível, mas inevitável, o grande capital tremeu… e 92 anos passados, apesar de dominante, continua a tremer.
As conquistas civilizacionais da Revolução de Outubro – políticas, sociais, económicas, culturais – marcam de forma impressiva não apenas a pátria de Lénine, mas todos os países do planeta. (…)

Avanços históricos

A União Soviética nascida da Revolução de Outubro foi o primeiro país do mundo a pôr em prática um vasto conjunto de direitos humanos, como o direito ao trabalho, o horário de trabalho das oito horas, as férias pagas, a igualdade de homens e mulheres, o direito à saúde, à segurança social, ao ensino, à cultura, o direito à infância, o direito à velhice, enfim os direitos a que todo o ser humano, pelo simples facto de existir, tem direito – direitos esses que se estenderam progressivamente a milhões de trabalhadores de outros países que os conquistaram através da luta, estimulada, ela própria, pelo exemplo da Revolução de Outubro; direitos esses que hoje, após a derrota do socialismo, estão na mira do capitalismo internacional e, em Portugal, são os grandes visados pelo Código do Trabalho que o PS/Sócrates e os restantes partidos da política de direita aprovaram, na sua função de executantes dessa política de classe ao serviço dos interesses do grande capital.
A União Soviética desempenhou papel determinante na II Guerra Mundial, enquanto protagonista principal da resistência vitoriosa à ambição nazi-fascista de domínio do mundo: quando os exércitos hitlerianos avançaram pela URSS, numa cavalgada que muitos consideravam e desejavam imparável - enquanto os EUA e a Inglaterra esperavam para ver quem seria o vencedor - a URSS fez frente, durante três anos, sozinha, à ofensiva nazi; e só quando – depois de o Exército Vermelho e o povo soviético, em 1942/1943, terem derrotado, em Stalinegrado, 20 divisões nazis, e 50 divisões naquela que foi a maior batalha de tanques da história – a batalha de Kursk – só quando se tornou evidente que o glorioso Exército Vermelho estava em condições e a caminho de libertar toda a Europa e esmagar o nazi-fascismo com as suas próprias forças, só então as tropas norte-americanas e britânicas desembarcaram na Normandia, em 6 de Junho de 1944, onze meses antes da capitulação da Alemanha.

Vencer mentiras e mistificações

Em 6 de Junho passado, por ocasião do 65.º aniversário do desembarque na Normandia, Obama, que ali se deslocou expressamente para comemorar a data, proferiu um discurso em que falava do «dia D que não podemos esquecer, porque foi um momento e um lugar onde a bravura e o altruísmo de uns poucos mudaram o curso de um século» – e concluía que «o desembarque na Normandia marcou o ponto de viragem da II Guerra Mundial».
Obama sabia que estava a mentir; sabia que o ponto de viragem da II Guerra Mundial foi a Batalha de Stalinegrado, e a batalha de Kursk a confirmação dessa viragem – e é sintomático que, sabendo tudo isso, não tenha tido uma palavra para os quase três milhões de soviéticos que morreram nessas duas batalhas.
A verdade é que, ao contrário do que dizem e escrevem e propalam os «historiadores» do capitalismo dominante, a derrota do nazi-fascismo foi obra essencialmente da União Soviética e que mais de vinte milhões de soviéticos morreram pela liberdade de toda a humanidade, pela democracia, pela defesa da paz – que mais de vinte milhões de pessoas morreram a defender a Vida. E tal feito só poderia ser praticado por um país socialista.
Registe-se, também, o papel igualmente decisivo desempenhado pela URSS na luta libertadora dos povos e na liquidação do colonialismo, bem como a sua solidariedade activa no combate a todas ditaduras fascistas (…) que, sublinhe-se, tinham nos EUA muitas vezes o seu organizador e, sempre, o seu principal aliado.

Um acontecimento «nosso»

A meu ver, nunca é demais insistir no nosso caso, no caso do nosso País: o regime fascista português, apoiante do nazismo desde o início, mudou a agulha mal se apercebeu de que o Exército Vermelho iria ser o vencedor; derrotados os velhos amigos, virou-se para os novos amigos que o receberam de braços abertos: os EUA e as democracias burguesas europeias (aliás, os EUA e a Grã-Bretanha fizeram questão de, logo um mês após o fim da guerra, manifestarem pública e explicitamente o seu apoio ao regime salazarista).
E a ditadura salazarista/caetanista teve sempre, e até ao seu último dia de vida, o apoio dos EUA, da Inglaterra, da França, da RFA, etc. – enquanto nós, os que resistimos ao fascismo, contámos sempre com o apoio fraterno e solidário da URSS e dos restantes países socialistas; da mesma forma que a Revolução de Abril foi, desde o seu primeiro dia de vida, um alvo dos ataques desses mesmos EUA, Inglaterra, França, RFA, etc. – e contou desde o seu primeiro dia de vida com o apoio solidário e fraterno da URSS e dos restantes países socialistas.
Então, a Revolução de Outubro foi este acontecimento maior da história da humanidade e, com rigor, pode dizer-se que todos os avanços civilizacionais ocorridos no século XX têm nos seus ideais e na sua experiência concreta, a sua matriz principal. E não há deturpações, mentiras, calúnias que possam apagar essa realidade, que possam apagar o grande avanço progressista que a Revolução de Outubro e o processo de construção do socialismo por ela encetado, representaram para a humanidade.
Nós, comunistas portugueses, comemoramos a Revolução de Outubro como acontecimento nosso, que nos diz directamente respeito em tudo – no positivo como no negativo; e, mais do que isso, afirmamos, hoje como sempre, que o projecto de sociedade pelo qual lutamos para Portugal, tem as suas raízes essenciais nos valores e nos princípios da Revolução de Outubro – cujos ensinamentos constituem, para nós, uma referência permanente na luta de todos os dias.
É necessário sublinhar ainda que a Revolução de Outubro é uma obra colectiva da classe operária, do campesinato, dos trabalhadores russos sob a direcção do partido bolchevique. E é inseparável da contribuição decisiva de Lénine – contribuição teórica e prática, traduzida nomeadamente na concepção e construção do instrumento essencial da revolução, o partido bolchevique, o partido proletário de novo tipo, o partido da classe operária, o partido comunista; contribuição decisiva, por outro lado, no que respeita ao enriquecimento e desenvolvimento criativos da teoria de Marx e Engels, instrumento para a interpretação e transformação do mundo, o marxismo-leninismo – ideologia do proletariado, base teórica do partido comunista… e, por isso, base teórica do PCP que, como sabemos, nasceu sob o impulso da Revolução de Outubro; que dos conceitos de Lénine e da experiência do movimento comunista recolheu importantes ensinamentos – aos quais acrescentámos a nossa experiência própria.
E também nunca é demais insistir no papel decisivo e marcante desempenhado por Álvaro Cunhal na construção deste nosso Partido – à frente de um geração notável de militantes comunistas, alguns felizmente ainda connosco e, desses, alguns aqui connosco neste convívio: a geração que levou por diante todo o processo da Reorganização de 40/41 e dos III e IV Congressos, em 1943 e 1946 - esses seis anos decisivos para a construção do PCP como partido marxista-leninista, comunista, revolucionário, ou, como escreveu Álvaro Cunhal, como «partido leninista definido com a experiência própria».
(...) É também no decorrer desses seis anos que se avança para a definição do conceito de «trabalho colectivo» – ponto de partida para a construção do conceito de «colectivo partidário», ou seja: o trabalho colectivo visto e entendido como «princípio básico do estilo de trabalho do Partido», aspecto essencial da democracia interna e factor decisivo da unidade e da disciplina partidárias.

Contrapor à mentira a verdade do socialismo

A sociedade socialista nascida da Revolução de Outubro foi derrotada – e essa derrota constituiu uma tragédia para toda a humanidade. Detectar e analisar com rigor as causas dessa derrota é uma tarefa crucial para os comunistas, hoje. Sem essa análise, camaradas, a meu ver não estaremos preparados para responder com a eficácia necessária à ofensiva ideológica do capitalismo dominante – nem criaremos as condições para que o projecto socialista volte a ganhar as amplas massas, indispensáveis à concretização desse projecto. Nesse sentido, há que dar continuidade ao importante trabalho que iniciámos no XIII Congresso Extraordinário. Isto porque, após o desaparecimento da União Soviética, a ofensiva ideológica anticomunista assumiu formas e dimensões nunca até então vistas.
A imagem do comunismo identificado com o «crime», o «horror», a «miséria» a «ausência de liberdade» – e, para além disso, «derrotado, inexoravelmente derrotado» – essa imagem passou a correr mundo todos os dias, divulgada pela totalidade dos média dominantes, chegando a milhões e milhões de pessoas e instalando-se nelas como verdade absoluta.
Vejam-se os jornais actuais: todos os dias eles referem acontecimentos ocorridos na União Soviética e nos ex-países socialistas do Leste da Europa, e nos últimos dias a «queda do muro» tem sido a grande notícia…– e fazem-no, naturalmente, à sua maneira: mentindo, deturpando, manipulando, escrevendo a história que lhes interessa que fique escrita.
Ora, só é possível combatermos essa falsa imagem contrapondo-lhe a imagem real do socialismo, com o conhecimento profundo quer do que foi a construção do socialismo na União Soviética quer das causas que conduziram à sua derrota.
(…) A historiografia contra-revolucionária pretende fazer crer que a derrota do socialismo resultou de uma inviabilidade intrínseca ao projecto socialista: a realidade mostrou precisamente o contrário, isto é: o conteúdo e a dimensão dos avanços alcançados pelo socialismo à escala planetária mostraram que o futuro da humanidade está no socialismo e no comunismo.
A historiografia contra-revolucionária propagandeia que o projecto socialista é intrinsecamente criminoso – e com isso o que pretende é iludir a verdadeira questão: é o capitalismo, esse sim, que tem uma essência criminosa, como se vê todos os dias na exploração e opressão de que se alimenta - com consequências dramáticas para a humanidade: no sistema capitalista morrem todos os dias, à fome e por falta de cuidados médicos, mais de 60 mil pessoas; na sua ambição de domínio do mundo, o imperialismo norte-americano provocou, ao longo do tempo, a morte, o assassinato de milhões e milhões de seres humanos.
(…) Por tudo isto, a meu ver, mais do que nunca é imperioso sublinhar esta verdade: se há um balanço negativo do socialismo construído na União Soviética é o da derrota sofrida: a derrota é que foi negativa. A construção de uma sociedade socialista na União Soviética, esse foi um facto altamente positivo e um exemplo a seguir, no essencial.
Com muitos erros pelo meio? Sem dúvida. Mas como dizia Lenine, só pessoas totalmente incapazes de pensar, para não falar já nos defensores do capitalismo, podem pensar e dizer que é possível construir uma sociedade nova como é a sociedade socialista sem erros, sem muitos e muitas vezes graves erros.
Erros que, por maiores que tenham sido, não anularam o facto de a sociedade socialista soviética ter sido, sempre e em todas as suas fases, mais democrática, mais livre, mais justa, mais humana do que a sociedade capitalista. Erros de que não temos que pedir desculpa a ninguém – muito menos aos nossos inimigos – erros evitáveis, uns, inevitáveis, outros – como disse Lenine: «os defeitos, os erros e as lacunas são inevitáveis numa obra tão nova, tão difícil e tão grande», na «obra mais nobre e mais fecunda» que é construção do socialismo.

Consequências dramáticas

O balanço negativo da derrota sofrida torna-se tanto mais evidente quanto mais atentamente observarmos a situação posterior ao desaparecimento da URSS, quanto mais atentamente observarmos as consequências dessa derrota.
Como disse Marx, nós, comunistas, somos materialistas práticos. Assim sendo, façamos, então, a comparação entre o mundo no tempo em que existia a URSS e a comunidade socialista do Leste da Europa, e o mundo de hoje.
Se o fizermos, facilmente constataremos que o mundo é, hoje, menos livre, menos democrático, menos justo, menos fraterno, menos solidário, menos pacífico; facilmente constataremos que o objectivo imperialista de domínio do mundo tem conduzido a trágicos recuos civilizacionais; ao empobrecimento crescente da democracia; a perigosas limitações das liberdades fundamentais; à acentuação da exploração dos trabalhadores; a ataques brutais à soberania e à independência dos povos conduzindo a novas formas de colonialismo; a guerras de ocupação à custa de milhões de vidas humanas – tudo isto camuflado por uma intensa ofensiva ideológica de diabolização do comunismo e de santificação do capitalismo; tudo isto acompanhado por uma gigantesca lavagem de cérebros à escala planetária, procurando inculcar nas pessoas a aceitação do mau como bom; a aceitação dos interesses do grande capital como inevitabilidades; a aceitação do regresso a formas de opressão e de exploração de tipo esclavagista como sendo modernidade.
(…) Estas consequências extremamente negativas das derrotas do socialismo e do desaparecimento da URSS, são a demonstração da importância do socialismo e constituem a confirmação plena de que o futuro da humanidade não está no capitalismo, mas sim no socialismo, no socialismo que a Revolução de Outubro nos mostrou ser possível.
Outra consequência trágica dessa derrota foi a sua repercussão no movimento comunista internacional. Muitos partidos comunistas cederam à ofensiva ideológica do capitalismo, aceitaram as teses dos ideólogos do capitalismo sobre o comunismo, sobre a Revolução de Outubro, sobre o papel e as características dos partidos comunistas. Houve partidos comunistas que, pura e simplesmente, desapareceram; outros que mudaram de nome e com o nome mudaram a sua essência; outros, ainda, que mantiveram o nome mas deitaram fora a sua essência.
(…) Mas também é verdade – e esse é um dado da maior importância - que muitos partidos comunistas rejeitaram essa ofensiva e enfrentaram-na com determinação revolucionária, superando muitas e muitas dificuldades, muitos e muitos obstáculos, e mantendo-se comunistas, de facto.
Entre estes, está o nosso Partido Comunista Português – que logo em 1990, quando a derrota do socialismo se apresentava imparável, espalhando desânimos e desilusões, desistências e fugas, realizou um Congresso Extraordinário, cuja conclusão essencial, a meu ver, ficou dita numa frase lapidar: «Fomos, somos e seremos comunistas».

O tempo é de luta

(…) É, então, nesta visão da Revolução de Outubro que radica a intervenção do nosso Partido quer no plano internacional, quer no plano nacional, onde nos afirmamos como a principal força política de combate à política de direita e por uma alternativa de esquerda – tendo sempre o socialismo no horizonte. E também nesse aspecto, é importante sublinhar o papel do PCP e dos militantes comunistas na luta de todos os dias, procurando mobilizar os trabalhadores, as populações, os agricultores, as mulheres, os estudantes, para a intervenção na defesa dos seus interesses e direitos –
e, através dos seus militantes no movimento sindical unitário, conseguindo levar por diante importantes jornadas de luta como as que se realizaram no decorrer deste ano; e, através da sua força organizada, erguendo importantes iniciativas partidárias, como as Marchas «Liberdade e Democracia» e «Protesto, Confiança e Luta»; e, através da acção do seu grande colectivo partidário, conseguindo superar com êxito o pesado desafio que foi o recente ciclo eleitoral – um êxito tanto mais assinalável quanto se trata de eleições realizadas neste faz-de-conta-democrático de que vive a democracia burguesa, em que a vitória de um dos partidos do sistema está sempre previamente assegurada – e em que, quando eles pensam que podem perder, decidem que não há eleições para ninguém, como fizeram com a proibição da realização de referendos sobre o Tratado Porreiro, pá.
Passado este intenso período eleitoral, coloca-se-nos a necessidade imperiosa e urgente de reforçar o Partido – reforçá-lo nos planos interventivo, orgânico e ideológico, levando por diante, colectivamente, as orientações e linhas de trabalho que, colectivamente, definimos no nosso XVIII Congresso.
(…) O tempo é de luta, de luta por objectivos a curto e médio prazo, mas não só: é uma luta que, no seu dia-a-dia, deverá ter sempre presente e incorporar nos seus objectivos o objectivo maior do Partido: a construção no nosso País de uma sociedade socialista.
O momento que vivemos, camaradas, é difícil, muito difícil, quer no plano internacional quer no plano nacional – e a raiz essencial destas dificuldades situa-se na profunda alteração da correlação de forças ocorrida na sequência do desaparecimento da União Soviética e da comunidade socialista do Leste da Europa. Mas é um facto que, ao longo destes quase vinte anos, temos vindo a superar muitas das dificuldades existentes; é um facto que, no túnel aparentemente sem qualquer sinal de luz ao fundo que se seguiu a essa tragédia, começaram entretanto a surgir sinais de luz, que o mesmo é dizer sinais de luta, de confiança, de convicção – sinais que trazem consigo os valores e os ideais da Revolução de Outubro e, por isso, são sinais de futuro.

Ideais vivos e actuais

Em todo o mundo, milhões de pessoas prosseguem, hoje, a luta por esses valores e ideais; uma luta que se desenrola em múltiplas frentes e com múltiplos objectivos, mas na qual está sempre presente o sonho milenar de uma sociedade livre, justa, pacífica, solidária e fraterna; uma luta sem dúvida travada em condições muito mais difíceis e complexas do que as existentes quando os trabalhadores e os povos tinham na solidariedade e no apoio da União Soviética um aliado permanente, e quando o imperialismo não dispunha da força e da impunidade de que hoje dispõe – mas, por tudo isso e por isso mesmo, uma luta para travar com a consciência plena dessas dificuldades e, em simultâneo, com a convicção própria de quem sabe que está a bater-se pela mais bela, pela mais justa, pela mais humana de todas as causas.
Todos os dias a vida nos dá exemplos concretos não apenas da necessidade de prosseguir a luta anti-imperialista, mas da possibilidade real de suster a ofensiva do imperialismo e de, em muitos casos, a derrotar e dar novos passos em frente. Confirmam-no, nomeadamente, a situação e os resultados das lutas dos trabalhadores e dos povos de todo o mundo (…) cada uma com as suas características próprias, lembram, todas, que a Revolução de Outubro foi o primeiro grande passo da mais humana e mais progressista experiência alguma vez tentada e que a derrota dessa experiência não foi a derrota dos ideais que a sustentaram, os quais, 92 anos depois, permanecem vivos e actuais – a mostrar, todos os dias, que não é ao capitalismo mas ao comunismo que o futuro pertence. (...)

Os títulos e subtítulos são da responsabilidade da Redacção
Avante 2009.11.12
.
.

O Muro e a Histeria Reacionária - Rui Paz



 
Histeria reaccionária

Quem neste dias abrir as páginas de um jornal alemão, ouvir uma estação de rádio ou tentar ver um programa de televisão julgará que voltámos aos tempos da guerra-fria. Não é inocente que passados 20 anos o capital se mostre tão agressivo e se lance numa intensa campanha sobre a «queda do muro». Particularmente a burguesia alemã que ao longo da História tem recorrido sistematicamente ao militarismo, ao assassínio de democratas e revolucionários, ao trabalho escravo, inventou a industrialização da morte e o extermínio em massa nas câmaras de gás, pretende agora apresentar os acontecimentos de 1989-1990 que conduziram ao fim do socialismo e da República Democrática Alemã como um processo «revolucionário» ou «libertador» e aproveitar a ocasião para representar a farsa do seu «amor à democracia».

As celebrações da «queda do muro» visam sobretudo camuflar o desastre da chamada «reunificação» da Alemanha que liquidou 30% da produção industrial da RDA, gerou um exército de desempregados, conduziu à emigração de centenas de milhares de pessoas e atirou com 7 milhões para um nível de vida inferior ao limite de pobreza enquanto 25 000 passaram a auferir rendimentos milionários.
Esta gigantesca manobra de diversão e intoxicação ideológica não é separável da gravidade da actual crise do sistema capitalista e dos retrocessos civilizacionais verificados nas últimas décadas. Na Alemanha, o capital monopolista tem razões para estar em pânico. Passados 20 anos, não só a maioria da população do Leste continua a considerar o socialismo superior ao capitalismo, mas cresce também no Ocidente a repulsa pela privatização dos serviços públicos, dos correios e dos transportes enquanto aumenta simultaneamente o apoio à nacionalização dos monopólios da electricidade e do gás numa população saqueada pelo aumento inacreditável dos preços da energia.

A esmagadora maioria dos soldados alemães que morrem no Afeganistão provêm do Leste da Alemanha, onde a miséria colocou à mercê do militarismo a juventude de uma região na qual, ainda há pouco tempo, existia um Estado pacífico contrário a guerras e agressões. Há uns anos, seria impossível imaginar o actual ministro da Defesa em Berlim, o Barão de Guttenberg, considerar o lançamento de bombas sob a população civil afegã como um acto «militarmente adequado».
Lénine explica o carácter retrógrado e opressor do capitalismo na sua fase imperialista salientando que «de classe ascendente e progressista a burguesia transformou-se numa classe reaccionária, decadente, em estado de apodrecimento e interiormente moribunda» (Sob Bandeira Estrangeira, 1915, Berlim, Werke, vol. 21).

Confirmando plenamente esta análise, o responsável pelo departamento de economia do Deutsche Bank, Norberto Walter, afirma que «depois do fim do socialismo na RDA chegou a vez de superar o socialismo no Ocidente», isto é, de liquidar as conquistas democráticas, sociais e civilizacionais obtidas pelos trabalhadores e os povos em duras lutas numa correlação de forças internacional que obrigava o imperialismo a conter a sua agressividade.
Os charlatães da politica como Blair, Schröder e Sócrates.,que têm vindo a seguir a cartilha da «superioridade dos mercados»,estão a ficar desmascarados pela própria realidade. Afinal o «Estado de Direito» dos banqueiros não pode existir sem o saque dos cofres do Estado e as baionetas da NATO. Se, hoje, as ditaduras torcionárias de Salazar, de Franco e dos coronéis gregos ainda existissem teriam certamente enviado os seus emissários a Berlim e num acesso de histeria reaccionária celebrado com Ângela Merkel e os restantes representantes do capital europeu a chamada «queda do muro».

A propósito d'O Muro - Manuel Gouveia




A propósito d' «O Muro»


Há 20 anos, dava-se «a queda do Muro de Berlim», enquadrada na contra-revolução burguesa. Nas palavras das duas correntes que convergiram e convergem no anticomunismo e na defesa do capitalismo - o oportunismo social-democrata e o liberalismo - abria-se uma era de prosperidade, paz e segurança para todo o mundo, e especialmente para os povos da Europa de Leste.
Mas o paraíso que anunciavam estava reservado para uns poucos: as multinacionais e os Abramovitchs e pulhas afins, que rapidamente assaltaram os aparelhos produtivos e os mercados destes países. Foram 20 anos de liberdade para a burguesia: liberdade para despedir, liberdade para pilhar os recursos naturais, liberdade para fechar serviços públicos, liberdade para corromper, liberdade para mentir e intoxicar, liberdade para acumular gigantescas fortunas, liberdade para agredir militarmente.
Para os povos, estava reservada a outra face da liberdade burguesa: a explosão do desemprego, a catástrofe da guerra, o crescimento brutal da toxicodependência e da criminalidade, a exploração desenfreada, a morte pela fome e por doenças curáveis, a diminuição abrupta da esperança de vida e da qualidade de vida, a emigração, a repressão.
Não foram precisos nem 20 anos para sublinhar a imensa superioridade do socialismo, em todos os campos, sobre o capitalismo. A realidade mais uma vez confirmou a tese de Lénine na sua discussão com o oportunismo: «A ditadura do proletariado é mil vezes mais democrática que a mais livre das democracias burguesas.»
Hoje, com o capitalismo mergulhado numa profunda crise que provoca uma imensa espiral de violência e caos, é preciso que os comunistas não se deixem intimidar com as gigantescas operações de propaganda que procuram criminalizar o socialismo e apresentar o capitalismo como uma inevitabilidade. E antes, valorizemos o inestimável contributo dos revolucionários que, nas mais difíceis condições, enfrentando a sistemática agressão imperialista, e tendo que resolver problemas que se colocavam pela primeira vez na história da humanidade, souberam demonstrar na prática a superioridade do socialismo sobre o capitalismo.



.
.
Avante 2009.11.12
.
.

O Muro de Berlim - Ângelo Alves



O Muro de Berlim


A campanha política, ideológica, institucional e mediática em torno dos 20 anos da chamada «queda do muro de Berlim» foi massivamente difundida pelos media e conduzida por uma assinalável «santa aliança» anticomunista entre extrema-direita, direita, social-democracia, ex-comunistas e a chamada «nova esquerda».
As classes dominantes recorrem, mais uma vez, à revisão da história para erigir com estas «comemorações» uma gigantesca farsa que tenta apresentar o acontecimento como uma «revolução», uma vitória do «bem» sobre o «mal», um acto de «libertação», ocultando simultaneamente a História e as reais razões da construção do Muro como as provocações e as acções militares e de espionagem hostis dos EUA, Grã-Bretanha e França contra a RDA e o campo socialista, sinalizadas logo no início do pós-guerra.
Ouvem-se mais uma vez os discursos da liberdade e democracia. Mas aqueles que os pronunciam são os mesmos que esmagam com a força dos seus exércitos a liberdade e a soberania de vários povos; são os mesmos que sequestram e torturam nos mais variados pontos do Mundo; que apoiam e financiam a matança e os crimes em Israel; que apoiam por baixo da mesa os golpistas nas Honduras; que espezinham na Europa a democracia e a vontade expressa dos povos.
Ouvem-se mais uma vez os discursos triunfantes do capitalismo e da derrota definitiva do socialismo. Por isso se oculta o desastre económico e social resultante de duas décadas de introdução do capitalismo no leste europeu. O reconhecimento das conquistas reais do socialismo na RDA (pleno emprego, educação de excelente nível, acesso generalizado à cultura e ao desporto, saúde universal e gratuita, habitação a muito baixo preço, entre várias outras) é assunto tabu, como tabu é o reconhecimento das sucessivas sondagens e estudos realizados na RDA e outros países ex-socialistas em que a maioria do inquiridos considera viver hoje pior que no tempo do Socialismo.
O conteúdo, os protagonistas e o estilo desta campanha mundial diz muito sobre os tempos que vivemos, sobre os objectivos de quem a promove e sobre o seu alvo preferencial: os comunistas e a capacidade dos povos de sonharem, lutarem e concretizarem a real e possível alternativa ao capitalismo e à profunda crise que o corrói – o Socialismo. Mas a correria em que andam os Fukuyamas deste mundo a propósito dos 20 anos da «queda do muro» não é sinal de segurança. É sinal de fraqueza…
.
in Avante 2009.11.12
.
.

PCP recusa reescrita da história - Bernardino Soares

Intervenção de Bernardino Soares, na Assembleia da República
PCP recusa reescrita da história      
Quarta, 11 Novembro 2009
20091111.jpgBernardino Soares, na discussão dos votos sobre os 20 anos da destruição do muro de Berlim, referiu que «o afã comemorativo destes dias visa sobretudo o presente e o futuro; visa a luta dos povos contra a natureza agressiva do capitalismo, deseja desmobilizar a esperança e esconder que há alternativa a este sistema.»   .
O triunfalismo comemorativo a que temos assistido nos últimos dias, de que alguns aqui na Assembleia da República também reivindicam o seu quinhão, mais do que o facto histórico que se verificou há 20 anos atrás, visa reescrever a história e tentar decretar, para o presente e para o futuro, a vitória definitiva do sistema capitalista como se do fim da história se tratasse.
.
É aliás extraordinário, mas não certamente um acaso, que isso aconteça no momento em que uma gravíssima crise internacional põe a nu as contradições do capitalismo e arrasta os povos para a degradação das suas condições de vida, para o aumento da pobreza e para uma ainda maior exploração dos trabalhadores e dos mais desfavorecidos.
.
É ainda extraordinário e inaceitável que esta gigantesca reescrita da história procure fazer tábua rasa dos contributos do campo socialista em aspectos decisivos do progresso da humanidade no século XX, como são os casos do contributo determinante para a derrota do nazi-fascismo da luta e derrota do colonialismo, do progresso social económico e cultural e dos direitos dos trabalhadores em todo o mundo, da paz e da manutenção de um equilíbrio militar estratégico.
.
É aliás significativo que se ignorem importantes consequências das alterações ocorridas há cerca de 20 anos no Leste europeu, como a drástica redução da esperança de vida, a destruição dos sistemas sociais, o desemprego, o aumento exponencial da pobreza, da fome e da marginalidade. Ou como o retrocesso social e nos direitos dos trabalhadores entretanto verificado e em curso, incluindo no nosso país. O Imperialismo norte-americano e o seu pilar na União Europeia crescentemente militarizada encontraram um campo mais liberto para a ingerência, a invasão e o desmembramento de países soberanos. Pela primeira vez desde 1945 a guerra voltou à Europa e um país soberano – a Jugoslávia - foi desmembrado com a participação activa e directa de potências estrangeiras.
.
O que foi derrotado não foram os ideais e o projecto comunistas, mas um «modelo» historicamente configurado, que se afastou, e entrou mesmo em contradição com características fundamentais de uma sociedade socialista, sempre proclamadas pelos comunistas, onde são indispensáveis entre outras a democracia política e a liberdade.
.
O PCP rejeita por isso o teor dos votos em análise, registando diferenças substanciais entre eles, em especial os que fingem ignorar os muros reais que hoje existem contra a liberdade, a dignidade, que impõem a exploração agravada, ou que suportam a guerra e a ocupação.

O afã comemorativo destes dias visa sobretudo o presente e o futuro; visa a luta dos povos contra a natureza agressiva do capitalismo, deseja desmobilizar a esperança e esconder que há alternativa a este sistema.

Não o conseguiram no passado e não o conseguirão no futuro.
.
.

domingo, novembro 15, 2009

The fall of the Berlin Wall, segundo os Trotsquistas

9 November 2009
.
November 9 marks the twentieth anniversary of the fall of the Berlin Wall. Since 1989, pictures of rejoicing people, hugging each other and dancing on top of the Wall after the opening of the border crossing, have been used as symbols for the collapse of the GDR (German Democratic Republic) and the other Stalinist regimes that had come to power in Eastern Europe after the end of the Second World War.
.

Numerous celebrations are being held in Germany to mark the event. Thousands of visitors from throughout the country and abroad are expected to attend a “Festival of Freedom” around the Brandenburg Gate in Berlin. Amongst others, French President Nicolas Sarkozy, Russian President Dimitri Medvedev, British Prime Minister Gordon Brown and US Secretary of State Hillary Clinton will take part in the ceremony.
.
Popular enthusiasm for the event, however, is limited. According to a recent opinion poll, some 23 percent of eastern Germans consider themselves as losers in German unification. Another 30 percent see improvements in travel, housing and freedom, but consider developments in the area of income, health, social security and social justice to be negative. Only 32 percent assess their economic situation as “good”, compared to 47 percent in 1999.
.
The contradiction between official enthusiasm and public discontent speaks volumes about the real significance of the events of November 1989. The efforts of the media to glorify them as the beginning of a new epoch of democracy, freedom and peace grow all the louder the more obvious it becomes that they were nothing of the kind. There are few events in recent history that have been as thoroughly mystified as the end of the GDR.
.
The fall of the Wall initiated the end of a dictatorial regime that oppressed any sign of opposition, particularly from workers, employing a host of secret service agents. However, it was replaced not by democracy, but by another dictatorship—the dictatorship of capital. Following the fall of the Wall, the lives of East Germans changed dramatically—without any consultation or democratic participation of the people.
.
A total of 14,000 state-owned enterprises were sold, broken up or liquidated by the Treuhandanstalt (Trust Agency), whose leading figures consisted of representatives from western German big business. Some 95 percent of the privatized companies were acquired by owners from outside eastern Germany. Within three years, 71 percent of all employees had either lost or changed their jobs. By 1991, 1.3 million jobs were destroyed and another million disappeared in the following years. The number of workers in productive industries today amounts to a quarter of the number in 1989.
.
Large sections of the eastern German population soon lost hope in the future. The declining birth rate is a telling indicator of the social significance of this process. It sank from 199,000 newborn children in 1989 to 79,000 in 1994.
.
The consequences of this industrial and social devastation persist to this day. The total population of the new federal states amounts to 13 million, significantly less than the 14.5 million in the GDR. Twenty years after the fall of the Wall, an average of 140 eastern Germans still migrate to western Germany each day.
.
For years, the unemployment rate hovered around 20 percent. Only in the last five years has it dropped to the current 12 percent. However, this reduction stems not from the creation of new regular jobs, but from the spread of low-wage and part-time jobs. Every second employee in eastern Germany works under the low-wage threshold of €9.20 per hour. The average gross wage is €13.50 per hour, far below the western German level of €17.20.
.
The demand for “open elections”—at the heart of the demonstrations against the GDR regime in the autumn of 1989—has given way to disappointment about bourgeois democracy. During the last federal elections, just over 60 percent went to the polls in eastern Germany. In state and municipal ballots, the turnout was even lower.
.
Another myth about the autumn of 1989 is that the people overthrew the regime of the SED (the Stalinist Socialist Unity Party of the former GDR) in a “peaceful revolution”.
.
The mass demonstrations that spread through the whole country in the two months prior to the fall of the Wall did contribute to the rapid collapse of the GDR. But the decisive impulse came from elsewhere. The demonstrators were knocking down an open door. As the first of the “Monday demonstrations” moved through Leipzig on September 4, the end of the GDR had already been sealed.
.
The decision was taken in Moscow, where Mikhail Gorbachev had risen to head the Soviet Union in 1985. As part of “Perestroika”, he had set the course for the restoration of capitalism. He was looking for the support of the Western powers, and severed ties with the eastern European “brother” nations by giving absolute priority to Soviet economic interests and demanding world market prices for Soviet exports.
.
This drove the GDR—critically reliant on energy supplies from the Soviet Union—to the brink of bankruptcy. Under the pressure of financial problems on the one hand and a disaffected population on the other, the SED turned to the West German government, on whose financial loans it had long relied.
.
Günter Mittag, responsible for the GDR economy for many years, later admitted to Spiegel magazine that he knew as early as 1987 that “the game was up”. And Hans Modrow, the last SED prime minister of the GDR from November 1989 to March 1990, later wrote in his memoirs that he had considered “the course towards a unified Germany to be irreversibly necessary” and “had decisively taken that course”.
.
Contrary to official mythology, the initiative to introduce capitalism into the Soviet Union, Eastern Europe and the GDR came from the ruling Soviet bureaucracy itself. This privileged caste had usurped power in the Soviet Union in the 1920s by displacing, suppressing and finally physically exterminating the Marxist opposition.
.
After the Second World War, this bureaucracy extended its rule into Eastern Europe, with the acquiescence of Moscow’s Western allies. It suppressed every independent movement of the working class—as on June 17, 1953, when it crushed the workers’ revolt in the GDR.
.
The Stalinist bureaucracy based its rule on the property relations established by the October Revolution in 1917. But it did so like a parasite that drains and finally destroys its host. By suppressing all forms of workers’ democracy, it strangled the creative potential of social ownership. On an international level, it and the Communist parties under its sway stifled every revolutionary movement. After the Second World War, it became a crucial pillar of the status quo, stabilising capitalist rule on a global scale.
.
This condition could not last forever. Leon Trotsky, leader of the Left Opposition against Stalinism, had already in 1938 posed the alternative futures of the Soviet Union. In the founding program of the Fourth International, he wrote, “Either the bureaucracy, becoming ever more the organ of the world bourgeoisie in the workers’ state, will overthrow the new forms of property and plunge the country back into capitalism, or the working class will crush the bureaucracy and open the way to socialism”.
.
Fundamental changes in the world economy, appearing in the early 1980s, sharpened the contradictions in the Stalinist countries to the breaking point. The globalisation of production, together with the introduction of computers and new communications technologies, left the nationally based economies of these countries far behind.
.
Signs of imminent social rebellion increased, especially with the rise of the Solidarity movement in Poland. As Trotsky had predicted, the bureaucracy reacted by overturning the new forms of property relations and throwing the country back into capitalism. This is the significance of Gorbachev’s rise to power. It also sealed the fate of the Stalinist regimes in Eastern Europe that owed their power exclusively to Moscow.
.
The demonstrators, marching through the towns and cities of the GDR in late 1989, were unaware of this context. They were venting their pent-up rage towards the ruling bureaucracy and a feeling of economic and political impasse. The movement originally began as a flight to the West. It was socially heterogeneous and politically confused, and had neither a clearly defined aim, nor an understanding of the social forces it was confronting. It thus lent itself easily to manipulation and exploitation.
.
The spokesmen of the protests came from the citizens’ rights movement. They were priests, lawyers and artists whose demands were limited to a reform of, and dialogue with, the existing regime. As soon as the regime made a few initial concessions—replacing Erich Honecker with Egon Krenz and Hans Modrow—they worked closely together with the SED in order to bring the protest movement under control and hand over the initiative to the West German government of Helmut Kohl. First they participated in the "Round Table" talks with the government of Modrow, and then they joined it.
.
With its agreement to a monetary union with West Germany in the spring of 1989 the Modrow government sealed the end of the GDR. The introduction of the D Mark was a poisoned chalice. It created access to sorely desired West German consumer goods, but at the same time led to the complete collapse of the East German industrial base. Priced in D-marks, East German products were no longer affordable in Eastern Europe and the Soviet Union, with which the East German economy was closely intertwined, while, due to the lower level of productivity, Eastern products were not competitive in the West.
.
There were many workers taking part in the demonstrations in the autumn of 1989, but they lacked any perspective of their own to defend their social gains, which were intrinsically bound up with socialised property in the GDR. They had been cut off completely from the tradition of Marxism and only knew—and despised—its Stalinist perversion.
.
Their lack of perspective was itself a product of the decades-long domination of Stalinism, whose greatest crime was the systematic obliteration of the socialist traditions of the working class. Long before the founding of the GDR, Stalin had organised the liquidation of an entire generation of revolutionary Marxists in order to secure his regime.
.
Victims of the "Great Terror" of the years 1937/38 were not only the leaders of the October Revolution, but also most of the German communists who had fled to the Soviet Union in order to escape the Nazis. Those who survived were servile bootlickers who had betrayed their own comrades to the Stalinist hangmen. They later constituted the leadership of the SED.
.
Only the Trotskyist movement fought against Stalinism from a Marxist standpoint. While the Western media and politicians had access to the people of the GDR, the Trotskyists remained banned and were regarded as public enemy number one until its very end.
.
The International Committee of the Fourth International (ICFI) not only fought against Stalinism but also against all those who adapted to it, such as the United Secretariat led by Ernest Mandel, which regarded the emergence of the Stalinist regimes in Eastern Europe as proof of the capacity of Stalinism to play a progressive role. Under the most difficult political conditions, the ICFI defended for decades Trotsky’s standpoint that Stalinism could not be reformed but had to be overthrown by a political revolution.
.
In the autumn of 1989 the German section of the ICFI intervened in the GDR in order to provide the mass movement against the SED regime a revolutionary orientation. The Socialist Labour League (Bund Sozialistischer Arbeiter), predecessor organisation to the Socialist Equality Party (Partei für Soziale Gleichheit), was the only organisation to warn of the disastrous results of a restoration of capitalism, without making the slightest concessions to the SED.
.
In an appeal distributed on November 4 at a mass demonstration in Berlin, the BSA explained, "Political freedom and democratic rights can be won only through a political revolution in which the working class overthrows the ruling bureaucracy, drives it out of all its posts and establishes independent organs of proletarian power and democracy, workers’ councils, elected by the workers in the factories and neighbourhoods, accountable to them and based solely on their strength and mobilisation."
.
At the time, Ernest Mandel travelled personally to East Berlin in order to defend the SED against the critique raised by the Trotskyists of the BSA. His German co-thinkers took part in the Round Table and later in the government led by Hans Modrow. In this way, they played a vital role in cutting off the working class from the tradition of Marxism and setting course for the restoration of capitalism.
.
The end of the GDR, the Eastern European regimes and the Soviet Union unleashed a wave of triumphalism within the capitalist class, which it is now trying to revive with the current anniversary celebrations. However, such efforts cannot disguise the fact that capitalism all over the world finds itself in a profound crisis.
.
The contradictions between world economy and nation state—between the global character of production that has welded together millions of workers all over the globe in one socially unified process of production, and the division of the world into rival nation states—broke the back of the Stalinist regimes two decades ago. These contradictions, however, also lie behind the growing conflicts between imperialist powers, the escalating wars in Iraq and Afghanistan, the unceasing attacks on the social gains of the working class and the arrogance and greed of the financial elite.
.
These contradictions will inevitably lead to the eruption of fierce social conflicts and revolutionary struggles. Workers must prepare politically by drawing the lessons from 1989 and adopting the international socialist program defended by the ICFI against Stalinism.
.
Peter Schwarz
.
.
http://www.wsws.org/articles/2009/nov2009/pers-n09.shtml
.
.