A Internacional

__ dementesim . . Do rio que tudo arrasta se diz que é violento Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem. . _____ . Quem luta pelo comunismo Deve saber lutar e não lutar, Dizer a verdade e não dizer a verdade, Prestar serviços e recusar serviços, Ter fé e não ter fé, Expor-se ao perigo e evitá-lo, Ser reconhecido e não ser reconhecido. Quem luta pelo comunismo . . Só tem uma verdade: A de lutar pelo comunismo. . . Bertold Brecht
Mostrar mensagens com a etiqueta Neo-Liberalismo. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Neo-Liberalismo. Mostrar todas as mensagens

domingo, outubro 23, 2016

a crise da social-democracia




Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:
O Partido Socialista, naquela ânsia do nacional porreirismo que o caracteriza, dissolveu-se qual bloco de gelo em água quente. Prefere agradar (ou tentar agradar) a seguir um rumo.

Rumo que não tem, nunca teve, em boa verdade e nunca terá, pois não pode um partido dito socialista “jogar” com o capitalismo como estes Partidos Socialistas europeus despudoradamente fazem.

Entre o meter na gaveta as poucas linhas programáticas que os caracterizavam e lhe davam um “esqueleto” e o “repintar” da bandeira, substituindo a mão fechada pela rosa, os Partidos socialistas vão-se prostituindo ao sabor das correntes neo-liberais, confundindo-se com eles.

O pior inimigo destes Partidos Socialistas, são os próprios ditos socialistas, a maior parte dos quais anda travestido de neo liberal e com estes jogam o jogo da finança. O discurso é o mesmo, exactamente o mesmo. A única diferença é a pouca vergonha destes “socialistas” que se continuam a afirmar como tal. Os neo-liberais, são muito mais honestos, politicamente, que os socialistas.

Muito antes de Hollande meter o socialismo na gaveta, já Mário Soares havia feito o mesmo perante o seu bem amado Carlucci.

Pessoalmente não tenho dúvidas que o grande objectivo de toda a luta do Partido Socialista foi contra os comunistas, até os destruir ou reduzir à expressão mais ínfima. Esqueceram-se esses democratas de meia tigela que a democracia assenta na convivência política. Fez o jogo da direita e extrema direita de quem agora tanto se queixam.

O Socialismo, tal como qualquer Partido Socialista o definiu antes, não existe mais. Os “submarinos” tomaram conta dele, prostituiram-no com a canção dos “comedores de crianças ao pequeno almoço” e este povinho, na sua maioria inculto (excepto na bola) foi na canção.

Os Partidos Socialistas têm hoje aquilo que merecem. São governados por interesses e por gente sem coluna vertebral.

A seguir a Hollande virá um Emmanuel Macron (veja-se o percurso dele para se perceber como os neo-liberais chegam a socialistas) mas como se diz na política “a merda é sempre a mesma, as moscas é que mudam”

comentário em  

Um presidente mediocre

sexta-feira, novembro 30, 2012

Wagner Gomes: A “nova classe média” e a velha ideologia burguesa


Página Inicial

28 DE NOVEMBRO DE 2012 - 18H57 

Wagner Gomes: A “nova classe média” e a velha ideologia burguesa


Dezenas de milhões de pessoas foram resgatadas da condição de extrema pobreza no Brasil desde a eleição de Lula em 2002, graças às políticas de redistribuição de renda instituídas pelo governo, com destaque para a valorização do salário mínimo, e à salutar expansão do mercado de trabalho. 

Por Wagner Gomes*, na CTB


Wilson Dias/ABr
Classe média
O que a imprensa chama de nova classe média, na verdade é uma extensão da classe trabalhadora
O fenômeno é inegavelmente positivo. Falsa, porém, é a interpretação que o caracteriza como a emergência de uma nova classe média no Brasil, amplamente disseminada e vulgarizada pela mídia nativa.

Num livro recente em que refuta tal caracterização, o economista Marcio Pochmann mostra que a causa principal da mobilidade social em tela foi a criação de 21 milhões de novos postos de trabalho ao longo dos últimos 10 anos, sendo 94,8% deste total com salários equivalentes até 1,5 mínimo. O nível de desemprego, que tinha subido a 20% no governo FHC, despencou. Mas não se pode falar com seriedade em nova classe média. 

“Seja pelo nível de rendimento, seja pelo tipo de ocupação, seja pelo perfil e atributos pessoais, o grosso da população emergente não se encaixa em critérios sérios e objetivos que possam ser claramente identificados como classe média”, argumenta Pochmann. Trata-se, na realidade, de classe trabalhadora - e de baixa remuneração. Os dois conceitos conduzem a estratégias políticas diferentes, uma vez que os interesses e objetivos históricos da classe trabalhadora, reiterados a cada 1º de Maio, nem sempre coincidem com os da classe média, apesar de não serem antagônicos.

Embora pareça inofensivo, o falso conceito de classe média (que a mídia monopolista, como quem não quer nada, procura transformar em senso comum), serve a um propósito ideológico e político reacionário, que é o de incutir neste novo contingente de assalariados a cultura do consumismo e do individualismo, tornando-os consumidores em vez de cidadãos.

É uma operação ardilosa da velha ideologia liberal-burguesa, hoje travestida de neoliberalismo, cujo objetivo é obscurecer a identidade e a consciência de classe das trabalhadoras e trabalhadores, afastando-os com isto da busca de soluções coletivas para problemas sociais comuns, das lutas solidárias e das bandeiras classistas, que desde sempre inspiraram e guiaram o movimento operário e sindical. Podemos notar em tudo isto um significado análogo ao do novo idioma que o patronato usa para caracterizar o empregado, chamando-o de “parceiro” ou “colaborador”, como se já não existisse a subordinação do trabalho ao capital (atestado pelos altos índices de rotatividade) e o trabalhador tivesse sido alçado à condição de sócio da empresa.

O sindicalismo classista deve não só rechaçar o falso conceito em voga como também, e ao mesmo tempo, procurar compreender com maior rigor científico o fenômeno social em questão, de forma a abordar este novo contingente da classe trabalhadora com espírito classista, visando sua conscientização, sindicalização e incorporação nas lutas sociais. Desta forma, daremos à agenda da 2ª Conclat por um novo projeto nacional de desenvolvimento com soberania e valorização de trabalho a energia e a força de amplas massas. 

*Wagner Gomes é presidente da CTB

domingo, fevereiro 12, 2012

Flávio Aguiar: Já pensou? FMI, BCE e UE no camburão...

11 DE FEVEREIRO DE 2012 - 12H20 

Página Inicial


É isso mesmo: os representantes da chamada “Troika”, FMI, Banco Central Europeu e Comissão Européia (a comissão executiva da U. E.) foram ameaçadas nesta sexta-feira de prisão pelo porta-voz do Sindicato dos Policiais da Grécia em Atenas. Acusações: “perturbação da ordem democrática”, “ameaça à soberania nacional” e “atentado contra o bem estar público”... 

Por Flávio Aguiar, em Carta Maior



 A proposta é de difícil execução, mas não deixa de ser suculenta...
Enquanto isso, o drama, o rondó de intermezzo, a tragédia e a comédia continuam. 

O drama.

A proposta do sindicato, além de razões trabalhistas, tem razões de, digamos, “salubridade no trabalho”. Enquanto a Troika supervisiona a aplicação das medidas draconianas contra a economia grega, 11 mil policiais estavam nas ruas a enfrentando a ferro e fogo as dezenas de milhares de manifestantes durante a greve geral de 48 horas convocada pelas organizações de trabalhadores.

Soberanamente pairando sobre tudo isso, os principais partidos políticos gregos anunciavam com pompa e circunstância terem chegado a um acordo para aceitar os cortes sanguinários impostos à economia do seu país, como condição para garantir os 130 bilhões de euros do próximo pacote de “ajuda”, inclusive os quase 15 bi que têm de chegar até meados de março para impedir a inadimplência imediata.

Ressalve-se: o LAOS, partido nacionalista de direita e membro integrante da frente governista, junto com o PASOK socialista e o Nova Democracia, de direita, declarou que não vai votar pela aprovação do pacote de medidas, que prevêem a demissão imediata de 15 mil funcionários públicos e um corte de 20 % nos salários.

Porém, a muitos quilômetros dali, as reações foram céticas. Em Bruxelas, os membros do “Grupo do Euro” disseram que só este anúncio não os satisfaria. “Seria preciso haver mais detalhes sobre a implementação do acordo”, foi o tom geral do comentário sobre a decisão grega. O Grupo de Bruxelas vai se reunir de novo na próxima 4a. feira, depois que o Parlamento Grego votar a matéria, e talvez “defini-la melhor”. 

Em Berlim, o ministro das Finanças, Wolfgang Schäuble, também declarou que só o anúncio não era suficiente.

O rondó de intermezzo.

Antigamente o rondó era uma dança com movimentos repetidos. Depois passou a ser uma canção poética com estribilho constante. É o que está havendo em torno daquilo que parece ser o entrave principal de todo esse imbróglio: a negociação do governo grego com os credores privados sobre os “cortes voluntários” na dívida grega. Uma parte parece ter sido acordada, a referente à forma do “corte”: substituição das atuais letras por outras de prazo bem maior, sem aumento nos “yields” – as compensações fixas - que essas letras devem pagar. Ainda há uma outra parte a ser negociada sobre aquilo que será cortado mesmo, ou seja, perdoado à Grécia – ainda que eventualmente os bancos envolvidos venham a ser compensados por generosas operações em seus países de origem, ou seja, dinheiro dos contribuintes desses países. Mas o que vinha emperrando era a parte referente aos juros móveis, aqueles que são acumulados ano após ano, mês após mês... até segundo após segundo e da última vez que tive notícia a discussão girava em torno de 3 ou 4%.

Por seu turno, o Banco Central Europeu, que têm se recusado a abrir mão de um só centavo da sua parte na dívida grega, veio com uma proposta (quem a fez foi seu diretor-presidente, Mario Draghi) de fazer um “repasse” de seu possível lucro com as mesmas letras de Atenas. Ele (o BCE) comprou por 38 bilhões Letras do Tesouro no valor de 50 bi. Esses 12 bi que o banco teria de lucro, no fim de contas, seriam repassados à Grécia, não sei se sob a forma de novo empréstimo ou antecipação, o que, pelo menos, daria alguma liquidez a um governo que afunda como pedra.

A tragédia.

Aqui, se o resultado é duradouro, o pano é rápido porque a ação é violenta. 

Olhemos as fotos pela mídia. A mais impactante é a de um mendigo, envolto em velhos cobertores, com seu copo de papel estendido, debaixo de um grafite onde se lê: “Nós não devemos viver como escravos”.

Outra: na fachada do “Banco da Grécia”, a última palavra foi riscada em vermelho, e no seu lugar lê-se “de Berlim”.

O sentimento antialemão vem se multiplicando. Cartazes com suásticas pipocam em toda a Grécia. Apesar da responsabilidade da liderança de Berlim na progressiva débâcle grega, essa irrupção de velhos ressentimentos e ódios nacionais nada prenuncia de bom. Na Europa, tradicionalmente, isso joga água nos moinhos das direitas, não das esquerdas. É a crônica de tragédias já vividas e re-anunciadas, ao invés de renunciadas.

A comédia.

Ou melhor, a farsa. Não, leitora, ou leitor: a palavra não é minha. Está em muitos dos jornais de hoje de Berlim. Diante do quadro apocalíptico, catastrófico, da tragédia grega, com quase 21% de desemprego (quase 50% entre os jovens), uma recessão que já dura 5 anos e promete durar mais 5 ou 10 ou ninguém sabe quantos, diante de uma indústria sucateada, a maioria dos jornais berlinenses, da esquerda à direita, atravessaram o Rubicão e passaram a bradar que “a farsa” deve acabar. É preciso reanimar a economia grega para além dos planos de “austeridade”, que estão sufocando o país. Isso, dizem eles, significa investimento, e isto custa dinheiro, ora.

O tom é de quase desespero (procure a súmula de editoriais na matéria “The Word from Berlin – Without a new Beginning Athens is Lost”, em www.spiegel.de/international/ ).

Segundo esses editoriais, está mais do que claro que os atuais planos só têm feito a Grécia afundar mais e mais e aumentar o desespero do povo grego, com conseqüências sociais imprevisíveis.

Finale.

Adiantará o apelo dos editoriais? Tenho dúvidas. O Consenso de Bruxelas e seus sacerdotes parecem querer se suicidar com um tiro no pé. Até porque nos ouvidos já deram. 

..

quarta-feira, maio 04, 2011

FMI - Quase 210 mil reformados serão penalizados. Deduções fiscais e benefícios eliminados.


Lisboa
15º C


Mariline Alves
Rasmus Rüffer, do Banco Central Europeu, esteve também ontem no Ministério das Finanças para definir os termos do acordo final do resgate

04 Maio 2011
Resgate

Troika corta pensões a 210 mil

Quase 210 mil reformados serão penalizados. Deduções fiscais e benefícios eliminados. Ajuda chega até aos 78 mil milhões de euros
  • 04 Maio 2011
Por:António Sérgio Azenha/C.R.


O plano de ajuda financeira a Portugal, através do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF), vai aplicar cortes nas pensões de valor superior a 1500 euros. Com esta medida, que já está prevista no Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC) 4, serão afectados cerca de 210 mil pensionistas do Estado e do regime geral da Segurança Social. Como o PEC 4 vai ser aplicado, acrescido de medidas novas, vai haver também cortes nos benefícios e deduções fiscais em sede de IRS, assim como na compra de casa.
O primeiro-ministro garantiu ontem, em comunicação ao País, que o acordo com a troika "não mexe no 14º mês, nem no 13º mês". José Sócrates deixou claro que não haverá pagamentos de salários através de títulos de poupança, como os certificados de aforro e do tesouro, nem está prevista a redução do salário mínimo nacional. E Portugal terá até 2013 para reduzir o défice orçamental para 3%. Salvaguardadas estas situações, para "tranquilizar os portugueses", como frisou José Sócrates, o chefe do Governo assumiu que vai haver "cortes nas pensões acima de 1500 euros, como se fez nos salários [da Administração Pública] e estão no PEC 4". Com esta medida, serão afectadas quase 140 mil reformados do Estado e cerca de 70 mil do regime geral da Segurança Social.
Na prática, este corte nas pensões traduz-se na perda de um salário líquido por ano para os reformados com pensões entre dois mil e três mil euros, como os professores, e na redução de dois salários líquidos nos pensionistas com reformas superiores a quatro mil euros, como os magistrados.
Em contrapartida, o acordo com a troika prevê um aumento das pensões mínimas.
Portugal vai receber uma ajuda financeira até 78 mil milhões de euros, dos quais 12 mil milhões de euros estão reservados para um fundo destinado à Banca. Se os bancos recorrerem a estas verbas, o Estado fica com participações sociais no seu capital social. José Sócrates deixou ainda claro que "não haverá despedimentos na Função Pública", nem "haverá despedimentos sem justa causa".
AUSTERIDADE VAI SUSPENDER GRANDES OBRAS
Uma das medidas do plano de austeridade assinado ontem com a troika é a suspensão das grandes obras públicas. Esta decisão surge numa altura em que várias empreitadas relacionadas com o TGV estão a decorrer em Lisboa. Os trabalhos, entre o Parque das Nações e a Estação de Braço de Prata, Linha do Norte e Linha de Cintura, até ao Areeiro, custam 46 milhões de euros, sendo um quarto comparticipado pela Europa. Segundo o ministro António Mendonça, as obras "transcendem" o TGV e procuram resolver outros problemas". 
SÓCRATES ANUNCIA "BOM ACORDO" BASEADO NO PEC
Uma declaração política selou o acordo entre o Governo e a troika do Banco Central Europeu, Fundo Monetário Internacional e Comissão Europeia. O primeiro-ministro demissionário, José Sócrates, explicou ontem ao País que as medidas previstas são "essencialmente" as que estavam definidas no Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC) 4. "É um bom acordo, que defende Portugal", afirma, e aponta para uma meta de 5,9% do défice este ano.
Numa intervenção em que o ministro de Estado e das Finanças, Teixeira dos Santos, reapareceu ao lado do primeiro-ministro, com um semblante sério, Sócrates anunciou ao País que "não serão necessárias medidas orçamentais adicionais para 2011". Segundo o Executivo, o acordo, que hoje será apresentado aos partidos, acaba por incluir muitas das medidas do plano chumbado pela Oposição no dia 23 de Março e que levou à demissão do Governo e a eleições antecipadas.
Sócrates foi a Belém às 18h30 para informar o Chefe de Estado e esteve reunido com o Cavaco Silva quase uma hora e meia. Regressou a São Bento por volta das 20h00. Fonte de Belém disse à Lusa que tem sido informada regularmente das negociações: "Hoje mesmo, o primeiro-ministro e o ministro da Presidência estiveram no Palácio de Belém procedendo à actualização da informação sobre essas mesmas negociações".
Pelo PSD, Eduardo Catroga disse que o Executivo "perdeu a batalha", porque as medidas do PEC 4 eram insuficientes. As da troika são melhores, e o PSD influenciou-as com o seu contributo, contra um País "à beira da bancarrota".

terça-feira, maio 03, 2011

Alterações no apoio ao desemprego farão subir a pobreza



Finanças: Governo apresenta amanhã plano

Mudar subsídio ameaça 300 mil

Alterações no apoio ao desemprego farão subir a pobreza
  • 03 Maio 2011
Por:António Sérgio Azenha/C.R.


A introdução de alterações no subsídio de desemprego, no âmbito do plano de ajuda financeira externa a Portugal, irá contribuir, segundo alguns especialistas, para o aumento da pobreza entre os desempregados. A confirmar-se esta medida, as mudanças irão afectar cerca de 300 mil pessoas, metade do número total de indivíduos sem emprego. Para já, a troika entregou ontem ao Governo a sua proposta para conceder ajuda a Portugal. E hoje o plano deverá ser entregue aos partidos da oposição.
.
O plano da troika, constituída pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), Banco Central Europeu (BCE) e Comissão Europeia, que será apresentado amanhã pelo Governo, é conhecido apenas de um núcleo muito restrito de pessoas no Executivo. Só que, dados os sinais revelados pelos técnicos da troika nas reuniões com os parceiros sociais, é dado como garantido que o subsídio de desemprego poderá sofrer mudanças importantes: desde logo, o seu período de duração poderá não só passar a ser inferior a 12 meses, como não é de excluir a possibilidade de o seu valor ser diminuído. 
.
Para Bettencourt Picanço, presidente do Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado (STE), a verificarem-se alterações no subsídio de desemprego, "a consequência óbvia é o empobrecimento ainda mais acentuado dos portugueses". Para este dirigente sindical, "as medidas deviam ir no sentido de fomentar a competitividade da economia", mas tudo indica que "se esteja a caminhar para uma Europa liberal".
.
Eugénio Rosa, especialista em assuntos sociais, concorda com esta análise: a diminuição do período de atribuição do subsídio de desemprego ou a redução do seu valor "vai fazer cair os desempregados em situações de miséria", afirma.
.
Para este especialista em assuntos sociais, mexidas negativas no subsídio de desemprego "agravam a situação social, mas não resolvem o problema do défice orçamental"
..
CONSTÂNCIO GANHA 25 MIL EUROS/MÊS
O ex-governador do Banco de Portugal Vítor Constâncio ganhou 180 mil euros por sete meses de trabalho no Banco Central Europeu (BCE), o que dá uma média superior a 25 mil euros por mês. Constâncio tomou posse como vice--presidente do BCE a 1 de Junho de 2010. Em 2009, o ex--governador auferiu um salário anual superior a 249 mil euros, o que dá uma média de 17 800 euros por mês. 
.
Jean-Claude Trichet, presidente do BCE, ganhou 387 mil euros. 
.
Vítor Constâncio disse ontem esperar um "consenso" entre todas as instituições da troika e as autoridades portuguesas em torno de um eventual alargamento dos prazos para a correcção do défice. Falando aos jornalistas à saída de uma conferência conjunta do BCE e da Comissão Europeia, em Bruxelas, Constâncio referiu que "a decisão do Ecofin sublinhava desde o princípio que era necessário um consenso nacional mais alargado, para permitir que houvesse verdadeiramente um compromisso do país em relação ao cumprimento das medidas".  
.
CATROGA INSISTE NA FALTA DE INFORMAÇÃO
O tom é duro, mas o PSD "não deixará de assumir as suas responsabilidades". O representante do PSD nas negociações de ajuda externa, Eduardo Catroga, conclui assim a quinta carta ao Governo desde 13 de Abril e acusando-o de "opacidade". Exige respostas e responsabiliza o Executivo por um "País à beira da bancarrota", tal como em 1892, facto que é "uma tragédia nacional". Ontem, na carta a Silva Pereira, diz que o PSD não recebeu a devida informação e que carta do Governo de 29 de Abril, faz "considerações de ordem política que o PSD repudia".

terça-feira, abril 12, 2011

Preparemo-nos para um Governo “Tea Party”…

Second Revolution flag
MARÇO 24, 2011
por Nuno Santos Silva
Preparemo-nos para um Governo “Tea Party”, liberal no aspecto económico e conservador no aspecto social:
.
São contra o salário mínimo nacional, porque entendem que há trabalho de 8 horas diárias que não vale o smn.
.
São contra os subsídios de férias e de Natal (antigamente diziam que os empresários faziam as contas ao salário anual e dividiam-no por 14, mas agora já dizem que 14 salários por ano é um abuso “socialista”).
.
São contra os censos porque entendem que se trata de uma intromissão intolerável do Estado na vida privada.
.
A próxima luta será contra a vacinação obrigatória .
.
(http://www.northeastteaparty.org/tag/mandatory-immunizations).
.
Mas a guerra, não o percamos de vista, será contra o Serviço Nacional de Saúde e contra a Escola Pública.

segunda-feira, abril 11, 2011

Siza Vieira e o Compromisso Patronal !

JN

 

Meu caro Siza Vieira

00h30m

Vemo-nos de dez em dez anos e em locais improváveis - um comboio apinhado a caminho de Bombaim, um aeroporto europeu - mas episódios dos nossos encontros fazem-me fanfarronar que sou seu amigo, que me dou bem consigo.
.
Tenho por si uma admiração incontida, pelo artista mas muito mais pela vertical intransigência de homem que me habituei a ver em si. Sem, provavelmente, jamais termos votado na mesma força política, sinto-me consigo do «lado do não» face aos mandadores do baile ou, para aproveitar a imagem de João Cabral de Melo Neto, do «lado do sim» nesta imensa sala negativa.
.
Por isso, caro Siza Vieira, que faz o seu nome no meio de quarenta e sete subscritores do estranho apelo à unidade come-e-cala e à resignação do manda-quem-pode? Como pode você aparecer ao lado de cartolas tão patriotas que ameaçam expatriar os seus capitais ao mínimo aumento de impostos? Como se deixou figurar no meio de uma camioneta de vencidos da vida e outros convencidos de terem assinatura importante?
.
E para pedir, afinal, o quê, Siza Vieira? «Em primeiro lugar, um compromisso entre o Presidente da República, o Governo e os principais partidos, para garantir a capacidade de execução de um plano de acção imediato, que permita assegurar a credibilidade externa e o regular financiamento da economia, evitando perturbações adicionais numa campanha eleitoral», blá-blá; e «em segundo lugar, um compromisso entre os principais partidos, com o apoio do Presidente da República, no sentido de assegurar que o próximo Governo será suportado por uma maioria inequívoca», patati-patatá.
.
Basicamente, o papel diz: o povo que não se intrometa com a sua vontade de votar no que no que tem de ser decidido já pelos «principais partidos» (quais são, Siza Vieira, a sua lista coincidirá com a dos outros 46?) e sob os auspícios de Cavaco Silva, cuja única missão parece ser a de explicar que «não é FMI, é Fê-é-é-éfe, Fê-é-é-éfe», mais parecendo um 'zombie' político...
.
Com tal documento, com a sua assinatura, imagine o alívio que os socialistas de Sócrates não terão encontrado ao sentirem-se livres para largar as bandeiras do Serviço Nacional de Saúde, do ensino público, da segurança social pública, da Caixa pública, da justa causa de despedimento - tudo isso em nome de uma unidade que «tem-de-ser» e que tem tanta força que «até o Siza Vieira assina por baixo».
.
Diga-lhes que não, Siza Vieira. Ou pelo menos diga-me em segredo que não, que a si perdoo-lhe tudo - desde que me perdoe esta minha impertinência.
 .

sábado, abril 09, 2011

AI QUE CHEGAMOS...!!! "UM COMPROMISSO NACIONAL" - José Martins



"SE ALGUM COBARDE TE TRAIU E TE ATACOU PELAS COSTAS, ATACA-O PELA FRENTE ATÉ O DESTRUIRES - NUNCA DEIXES NINGUÉM A RIR-SE DE TI E O TEU ORGULHO FERIDO" - JOSÉ MARTINS


SATURDAY, 9 APRIL 2011

AI QUE CHEGAMOS...!!! "UM COMPROMISSO NACIONAL"

.
O resgate de Portugal "Um Compromisso Nacional" recolhe apoios de peso Ramalho Eanes, Mário Soares e Jorge Sampaio são algumas das mais de 40 figuras públicas portuguesas que assinam o documento "Um Compromisso Nacional", que o Expresso publica em exclusivo. Clique para visitar o dossiê O resgate de Portugal
.
4:00 Sábado, 9 de abril de 2011 Última atualização há 43 minutos Ex-Presidentes da República Jorge Sampaio, Mário Soares e Ramalho Eanes subscreveram o texto que pede um compromisso nacional Alberto Frias
.
1 Portugal está a viver uma das mais sérias crises da sua história recente. Essa crise tem uma dimensão financeira e económica, que se reflete no défice orçamental, no desequilíbrio externo, no elevado grau de endividamento público e privado e nos baixos índices de competitividade e crescimento da economia, com grave impacto no desemprego, em especial nas gerações mais novas; mas tem igualmente uma dimensão política e social grave, que se exprime numa crescente dificuldade no funcionamento do Estado e do sistema de representação política e em preocupantes sinais de enfraquecimento da coesão da sociedade e das suas expectativas.
.
2 A crise financeira e económica mundial que se iniciou em 2007,com origem nos Estados Unidos, gerou em 2009 a maior recessão global dos últimos 80 anos e transformou-se, mais tarde, na chamada crise da dívida soberana, que abriu no seio da União Europeia um importante processo de ajustamento político e institucional, afetando de modo especialmente negativo alguns dos Estados membros mais vulneráveis, entre os quais, agora, Portugal.
.
3 Nesta situação de grande dificuldade, em que persistentes problemas internos foram seriamente agravados por uma conjuntura internacional excecionalmente crítica, os signatários sentem-se no dever de exprimir a sua opinião sobre algumas das condições que consideram indispensáveis para ultrapassar a crise, num momento em que a dificuldade de diálogo entre os dirigentes políticos nacionais e a crescente crispação do debate público, nas vésperas de uma campanha eleitoral, ameaçam minar perigosamente a definição de soluções consistentes para os problemas nacionais.
.
4 Essas condições envolvem dois compromissos fundamentais:
.
a) em primeiro lugar, um compromisso entre o Presidente da República, o Governo e os principais partidos, para garantir a capacidade de execução de um plano de ação imediato, que permita assegurar a credibilidade externa e o regular financiamento da economia, evitando perturbações adicionais numa campanha eleitoral que deve contribuir para uma escolha serena, livre e informada; este compromisso imediato deve permitir que o Governo possa assumir plenamente as suas responsabilidades para assegurar o bem público e assumir inadiáveis compromissos externos em nome do Estado.
.
b) em segundo lugar, um compromisso entre os principais partidos, com o apoio do Presidente da República, no sentido de assegurar que o próximo Governo será suportado por uma maioria inequívoca, indispensável na construção do consenso mínimo para responder à crise sem a perturbação e incerteza de um processo de negociação permanente, como tem acontecido no passado recente; numa perspetiva de curto prazo, esse consenso mínimo deverá formar-se sobre o processo de consolidação orçamental e a trajetória de ajustamento para os próximos três anos prevista na última versão do Programa de Estabilidade e Crescimento; e, numa perspetiva de médio/longo prazo, sobre as seguintes grandes questões nacionais, relacionadas com a adaptação estrutural exigida à economia e à sociedade: a governabilidade, o controlo da dívida externa, a criação de emprego, a melhor distribuição da riqueza, as orientações fundamentais do investimento público, a configuração e sustentabilidade do Estado Social e a organização dos sistemas de Justiça, Educação e Saúde.
.
5 As próximas eleições gerais exigem um clima de tranquilidade e um nível de informação objetiva sobre a realidade nacional que não estão neste momento asseguradas. A afirmação destes compromissos, a partir de um esforço conjunto dos principais responsáveis políticos, ajudará seguramente a construir uma solução governativa estável, que constitui a primeira premissa para que os Portugueses possam encontrar uma razão de ser nos sacrifícios presentes e encarar com esperança o próximo futuro.
.
Mais de 40 signatários
.
 Adriano Moreira
Alexandre Soares dos Santos
Álvaro Siza Vieira
António Barreto
António Gomes de Pinho
António Lobo Antunes
António Lobo Xavier
António Nóvoa 
António Ramalho Eanes
António Rendas
António Vitorino
Artur Santos Silva 
Belmiro de Azevedo
Boaventura Sousa Santos
Daniel Proença de Carvalho
Diogo Freitas do Amaral
Eduardo Lourenço
Eduardo Souto Moura
Emílio Rui Vilar
Fernando Seabra Santos
Francisco Pinto Balsemão
Isabel Rodrigues Lopes
João Gabriel Silva
João Lobo Antunes
Joaquim Gomes Canotilho
Jorge Sampaio
José Carlos Marques dos Santos
José Carlos Vasconcelos
José Pacheco Pereira
José Pena do Amaral
José Silva Lopes
Júlio Pomar 
Júlio Resende
Leonor Beleza
Luís Portel
Manoel de Oliveira
Manuel Braga da Cruz
D. Manuel Clemente
Manuel Sobrinho Simões
Maria de Sousa
Maria Fernanda Mota Pinto
Maria João Rodrigues
Mário Soares
Miguel Veiga
Rui Alarcão
Teresa de Sousa
.

sábado, julho 31, 2010

A Náusea Ideológica segundo Paula Teixeira da Cruz


Da Vida Real

A Náusea ideológica

Atreve-se José Sócrates a falar de ideologia. Só se for para provocar a mais profunda náusea ideológica.
  • 29 Julho 2010 - Correio da Manhã
Por:Paula Teixeira da Cruz, Advogada
.
Ler ou ouvir Sócrates e o PS sobre o Estado Social não pode provocar mais do que uma enorme náusea ideológica (para quem teime em manter ideologia, ao contrário dos referidos). A propaganda é tanta, a mistificação é tal, que apenas peço ao leitor que se inquira sobre os factos e que tire as suas conclusões. Sobre o emprego, que nunca o número de desempregados foi tão elevado, não sofre contestação. O número de novos pobres aumentou exponencialmente. Por sua vez, o número de empresas que encerra por trimestre é aterrador. A classe média afunda.
.
Na Saúde, há cerca de um milhão de pessoas sem médico de família e o número de famílias a ter seguro de saúde subiu para 10%, demonstrando, claramente que, quem pode, recorre ao pagamento do seu bolso, numa "abdicação" forçada do que o Estado lhe oferece. Milhares de Portugueses têm subsistemas de saúde, como a ADSE, por exemplo. E a ADSE é um bom exemplo, porque quem tem ADSE tem liberdade de escolha e o Estado paga; a mesma liberdade de escolha que é negada à maioria dos Portugueses. O resto espera, espera, espera. Na Educação, a diminuição da qualidade de ensino é patente. O encerramento de escolas empobrece as regiões mais desfavorecidas e afasta os alunos das famílias. Os nossos melhores alunos procuram outros Países e muitos neles ficam.
.
Na Justiça, estamos falados: do aumento dos custos à conflitualidade com os Magistrados, sendo evidente a tentativa de politização constante (de forma directa ou indirecta), ao experimentalismo que gera insegurança e atraso na aplicação do Direito, para não falar na aberração que é a acção executiva... e a falta de especializações. Na Agricultura, olhem-se os campos, tantos que jazem abandonados, tendo nós de importar praticamente tudo o que consumimos. Nas Pescas, com a costa que temos, maltratam-se os pescadores e desperdiça-se a riqueza marítima e, claro, também aqui importamos.
.
No mercado das obras públicas, as empresas nacionais "competem" com empresas externas subsidiadas, sem que o Estado Português faça o que quer que seja.
.
Os impostos aumentam sem que, por contraponto, as despesas do Estado e os gastos sumptuários deixem de crescer… crescer… crescer. Como persiste esta muito pouco saudável convivência entre negócios públicos e privados. E atreve-se Sócrates a falar de ideologia. Só se for para provocar a mais profunda náusea ideológica, mas, repito, para quem ainda tem ideologia.
.
  • Comentário feito por:Antonio
  • 12h36
Ó Sr. Madeira, durante o tempo do Cavaco, o défice como a corrupção cresceu mas houve TAMBÉM CRESIMENTO ECONÓMICO, isto entortou a partir de Guterres QUE FUGIU! RECORDA-SE ou é mesmo só tendencioso?
  • Comentário feito por:fernando moreira
  • 29 Julho 2010
quem disse que o (partido socialista é socialista, é a mesma coisa que chamar mulher a uma coisa que faz amor com outra, parece mas nâo é, o mesmo se passa psd ,de democra nada tem.os que os torna iguais é o roubo ao pov
  • Comentário feito por:manny lifumba
  • 29 Julho 2010
a verdade é q a situação e global,mesmo na china.Mas vamos falar um pouco por favor de tudo que desapareceu desde 74 com a revolução e tudo que se não fez e se abusou.tem coragem para isso? Sem ovos n há omoletes
  • Comentário feito por:Eduardo Santos
  • 29 Julho 2010
tenha é vergonha d escrever o q escreve,dizer-s jornalista e ainda aparecer,volta e meia(e meia volta tmb),na TV a comentar o q é "obrigada" a comentar.Vc é GRD parte d GRD problemas cm "manipulação da opinião pública".
  • Comentário feito por:J. Madeira
  • 29 Julho 2010
A drª.Paula anda a ver a situação sem ajustar os óculos, ou desconhece a história recente do País!As responsabilidades pela actual situação cabem a um sr.Cavaco Silva e à obra feita nos seus mandatos como P.Ministro!

-.

sábado, fevereiro 20, 2010

Brasil - Bancos privados: lucro nas nuvens, responsabilidade no chão

Economia

Vermelho - 20 de Fevereiro de 2010 - 20h33

.

Os três maiores bancos privados que operam no país (Itaú Unibanco, Bradesco e Santander) fecharam 9.902 postos de trabalho em 2009, apesar de apresentarem um lucro líquido superior a R$ 24 bilhões e de terem ampliado o número de agências e a base de clientes no mesmo período, segundo estudo elaborado pela Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) e pelo Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese) com base nos balanços das empresas.

.

O Itaú Unibanco foi o que mais lucrou e o que mais cortou empregos no ano passado, fechando 7.176 postos de trabalho. O maior banco privado brasileiro tinha 108.816 trabalhadores em dezembro de 2008, após a fusão. Um ano depois reduziu para 101.640 bancários. O Santander cortou 1.652 empregos e o Bradesco 1.074.
.
Clique aqui para acessar quadro com os números
.
"Os grandes bancos privados estão andando na contramão da economia brasileira. No ano passado, apesar do reflexo da crise nos primeiros meses, o Brasil criou 955 mil novos empregos. Não podemos aceitar que o sistema financeiro, que não foi atingido pela crise e continua com esse imenso lucro, reduza postos de trabalho. Os bancos precisam ter responsabilidade social e compromisso com o Brasil", afirma Carlos Cordeiro, presidente da Contraf-CUT.
.
A política de corte de empregos dos bancos privados também destoa dos bancos públicos, que estão contratando trabalhadores para fazer frente à expansão de suas atividades no mercado financeiro. Pelos acordos coletivos assinados pela Contraf-CUT com o Banco do Brasil e com a Caixa Econômica Federal, que pôs fim à greve nacional de duas semanas que os bancários fizeram em 2009, as duas instituições assumiram o compromisso de abrir 15 mil novos postos de trabalho (10 mil no BB e 5 mil na Caixa) até 2011.
.
"Com a redução do número de vagas e a expansão do número de agências e da base de clientes, significa que aumentará a carga de trabalho de cada bancário, que já é brutal, com impactos negativos na saúde dos trabalhadores", critica o presidente da Contraf-CUT.
.
Rotatividade para reduzir salários
.
Pesquisa realizada trimestralmente pela Contraf-CUT e pelo Dieese com base nos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho mostra que, além de cortar postos de trabalho, os bancos privados estão utilizando a rotatividade de mão-de-obra para reduzir a remuneração dos trabalhadores.
.
Os desligados de janeiro a setembro de 2009 recebiam remuneração média de R$ 3.494,25. Já os contratados têm remuneração média de R$ 2.051,80, o que representa uma diferença de 41,28% - quase a metade.
.
"Os bancos querem reduzir custos cortando empregos e diminuindo a remuneração dos bancários. Tentaram fazer isso na campanha salarial do ano passado, quando quiseram reduzir a participação nos lucros e resultados (PLR) de toda a categoria para aumentar os bônus dos altos executivos. Os bancários tiveram de fazer a greve nacional de duas semanas para impedir o corte na remuneração", destaca Carlos Cordeiro.
.
Fonte: CUT
 
.
.

sábado, dezembro 19, 2009

Lutar por transformações radicais, rumo ao socialismo


Organizar a contra-ofensiva nesta guerra desencadeada pelo capital
Lutar por transformações radicais, rumo ao socialismo

A crise económica capitalista, que tem abraçado simultaneamente tanto os grandes centros imperialistas (UE, EUA, Japão) como os países em desenvolvimento dinâmico, está a avançar.

Alguns acontecimentos recentes, como a situação no Dubai, mostram a fragilidade e a instabilidade da anunciada saída da crise económica internacional capitalista.
Aproveitando da crise, o capital tem desencadeado um ataque brutal contra a classe operária e seus direitos em todos os sectores.
No entanto, a crise capitalista não deve ocultar a situação criada durante o período anterior de desenvolvimento capitalista, uma vez que os factores desta crise formaram-se exactamente neste período.
O capitalismo é igualmente perigoso tanto durante seu período de crise como durante a fase de recuperação e desenvolvimento económico.
Foi o grande capital monopolista quem desfrutou dos benefícios do desenvolvimento nos períodos de crescimento económico, quando a produção se expandia e a riqueza produzida pelos trabalhadores aumentava.
Inversamente, nesse período, os trabalhadores sofreram um alto desemprego, o aumento da idade de reforma, o congelamento dos salários e pensões, golpes nos seus direitos à educação, saúde, segurança social, desporto, cultura, bem como as pesadas consequências das privatizações e da chamada liberação de sectores da economia.
Estes acontecimentos e tendências não se verificaram apenas em países colocados em posições intermédias ou subordinadas na pirâmide capitalista. Também se manifestaram nos EUA e em toda a UE, enquanto organização imperialista inter-estatal, verificaram-se no mundo capitalista inteiro.
.
Verdade escondida
.
As alegações de partidos sociais-democratas e de forças oportunistas de que a crise ocorreu, exclusivamente, por causa da gestão neoliberal escondem a verdade, branqueiam a social-democracia e exoneram o capitalismo das suas responsabilidades.
Crises económicas de superprodução manifestaram-se em todos os períodos independentemente da forma de gestão que prevalecia. Todas as formas de governação têm sido experimentadas a fim de prevenir e evitar as crises: o reforço do sector empresarial estatal e o estímulo da procura de acordo com as doutrinas keynesianas; as receitas neoliberais; várias misturas de políticas sociais-democratas e neoliberais.
As reestruturações capitalistas iniciadas após a crise de 1973, e generalizadas na década dos 90, não ocorreram por acaso. A estratégia das reestruturações capitalistas resulta da necessidade de resolver o grande problema da super acumulação de capital. É aqui que se encontra a causa da substituição da gestão keynesiana pela gestão neoliberal, efectuada pelos partidos burgueses liberais e sociais-democratas. Estas mudanças correspondem a necessidades intrínsecas do sistema capitalista visando promover a livre circulação de capitais e de mão-de-obra, bem como facilitar o processo de concentração e centralização de capital. Esta estratégia tentou responder às necessidades vitais da contabilidade capitalista, mas logo perdeu a sua dinâmica e levou a uma nova crise económica.
A verdadeira causa da crise é a agudização da contradição principal do capitalismo, ou seja, a contradição entre o carácter social da produção e a apropriação individual capitalista dos seus resultados devido ao facto de os meios de produção constituírem propriedade capitalista.
Portanto, falamos de uma crise do sistema capitalista, de uma crise de superprodução. Uma crise provocada não pela falta, mas sim pela super acumulação de lucros. As crises são produtos inevitáveis do sistema capitalista, intrínsecos e indissociavelmente ligados a ele.

.
Duas estratégias
.
Duas estratégias confrontam-se para a superação da crise: por um lado, a estratégia do capital, promovida pela burguesia, pelas forças governamentais e apoiada pelas forças oportunistas, que tenta colocar o peso da crise sobre a classe operária e as camadas populares, visando a recuperação da contabilidade do capital, de forma a permitir a sua preparação para a concorrência global imperialista que acompanhará a fase de recuperação.
Por outro lado, a segunda estratégia é a estratégia da classe operária, promovida pela sua vanguarda revolucionária, os partidos comunistas de orientação marxista-leninista, que enfrenta o ataque do capital, agudiza a luta de classes e visa aprofundar a crise do sistema capitalista, estendendo-a à sua super-estrutura política, ao domínio económico e político dos monopólios, facilitando a criação de condições duma situação revolucionária.
O Plano de Recuperação Económica e o conjunto das medidas tomadas pela UE, pelos governos dos estados-membros, pelo governo grego anterior da ND e o governo actual do PASOK, têm um objectivo único: transferir os custos da crise para os trabalhadores e garantir os lucros dos monopólios.
Sem excluir a possibilidade de um financiamento adicional ao grande capital pela UE, parece que a prioridade da política da UE hoje é a aceleração e a promoção acelerada e em profundidade das reestruturações capitalistas.
Esta estratégia, que procura destruir a estabilidade de emprego, os contratos colectivos e os sistemas públicos de segurança social para garantir os lucros do capital, não só aumenta o desemprego, mas também agrava a crise,
Esta estratégia visa: reduzir o défice e a dívida, reduzir o emprego estável com base na aplicação do princípio da «flexigurança», reduzir as reformas do sistema de protecção social, ou seja, aumentar a idade de reforma idade e continuar a política que transforma em negócios os sistema de saúde e da previdência social.
Promove-se um nova vaga de privatizações nos Transportes e na Energia. Abre-se novos sectores para a actividade dos monopólios com a chamada «economia verde», as chamadas «tecnologias limpas», e as novas formas de produção de energia, supostamente amigas ao meio ambiente. Ao mesmo tempo a UE convoca o «Pacto de Estabilidade» para exigir «finanças públicas saudáveis» e a «redução do défice público», para que possa cortar ainda mais os gastos sociais.

.
Falsas esperanças
.
A UE e os governos tentam impor essa política cultivando tanto o medo como falsas esperanças, sobretudo nos jovens e nas mulheres. Utilizam o chamado «diálogo social», a «parceria social», para legitimar as suas opções. Contam com as lideranças sindicais no nível da UE e dos estados-membros que estão comprometidas, e totalmente vendidas, para minar a luta de classes, cultivar a ideia da colaboração de classes, do «compromisso de classe» e da «paz social», que significa obediência de classe ao capital.
Neste quadro, os partidos e as forças oportunistas têm graves responsabilidades porque alimentam ilusões de que talvez pudesse existir uma gestão «para o povo» no quadro do capitalismo, não obstante o domínio dos monopólios, de que «as pessoas podem estar acima dos lucros» ou que o capitalismo pode ter uma «face humana»
As receitas da social-democracia e do oportunismo são idênticas no essencial.
Preconizam como solução a imposição de controlo ao movimento de capitais, falam de democratização do Banco Mundial e do Banco Central Europeu. Não obstante, nada pode «cancelar» a agudização das contradições do capitalismo e nenhuma medida pode mudar a natureza do sistema bancário como instrumento do capitalismo.
Como solução promovem a nacionalização de alguns bancos ou de outras empresas capitalistas. É uma fraude porque, mesmo neste caso, o critério de lucro continuará e nas condições de um mercado liberalizado fomentará a concorrência capitalista e a agressividade contra os povos.
Propõem como solução do problema do desemprego o aumento das taxas de crescimento, relacionando-o com o chamado «desenvolvimento verde». Estão a enganar o povo. O desenvolvimento capitalista nunca garantiu e não pode garantir o direito ao trabalho.
A fonte do problema está na propriedade capitalista dos meios de produção, no facto de que o lucro é o critério do crescimento económico e de que, em qualquer situação, o sistema é caracterizado pela anarquia da produção, o desenvolvimento desigual entre os sectores da economia e entre as regiões geográficas e os países.
O combate ideológico a essas concepções e aos seus apoiantes constitui uma prioridade urgente para os partidos comunistas. É uma condição essencial para o desenvolvimento e reforço do movimento operário, para organizar sua contra-ofensiva nesta guerra desencadeada pelo capital.
.
Organizar os trabalhadores
.
Na Grécia, sentimos as dificuldades de um confronto duro. O partido social-democrata, o PASOK, foi escolhido pelo grande capital como a força mais adequada para promover com maior velocidade, intensidade e eficácia as reestruturações capitalistas, dado que as políticas antipopulares do partido liberal burguês de Nova Democracia, o outro pólo do sistema, tinham gerado forte indignação popular.
O capital apoiou por todos os meios a ascensão dos sociais-democratas ao governo, os quais controlam as direcções de organizações como a Confederação Geral dos trabalhadores da Grécia (GSEE) e Confederação dos Funcionários Públicos (ADEDY). O capital conta utilizar a maior capacidade da social-democracia para manipular e enganar os trabalhadores.
Desde os primeiros dias da sua governação, o executivo social-democrata já demonstrou a sua determinação em promover as reformas que o capital necessita para manter sua contabilidade. Segue com consistência a política acordada com a UE sob o pretexto do «grande défice orçamental» e da «enorme dívida pública». Intensifica a aplicação da chamada «flexigurança» e o aumento da precariedade e da flexibilidade do emprego. Prossegue a política de comercialização e privatização dos sistemas de Saúde e Previdência Social, da Educação, de desvalorização dos salários e pensões.
Nestas condições o KKE reforça sua intervenção para reforçar a unidade de classe entre os trabalhadores e promover sua aliança social com o campesinato e as demais camadas populares oprimidas.
Persistimos na organização dos trabalhadores. Apoiamos a luta anti-imperialista e antimonopolista, o reforço da Federação Sindical Mundial e da Frente Militante de Todos os trabalhadores (PAME), que constitui o pólo classista no seio sindical que se opõem às forças reformistas e oportunistas nos sindicatos e trava diariamente duras batalhas pelos direitos dos trabalhadores.
As orientações do movimento operário classista, que preconiza que seja a plutocracia a pagar a crise, que defende reivindicações que correspondem às necessidades actuais dos trabalhadores (emprego estável, aumentos substanciais dos salários e pensões, sistemas de saúde, previdência social e educação exclusivamente públicos e gratuitos), dão frutos e reforçam a sua luta.
Ao mesmo tempo, o KKE salienta que existem dois rumos para o desenvolvimento da sociedade grega. O primeiro é aquele que serve os lucros e a contabilidade dos monopólios, lucros que crescem com o aumento da exploração e do sofrimento dos trabalhadores e das camadas populares.
O outro rumo é o preconizado pelos comunistas. O caminho de um desenvolvimento e crescimento económico orientados para a satisfação das necessidades populares. É o caminho da ruptura com a UE e com a sua política antipopular. É o caminho da contra-ofensiva popular, da aliança social e política entre a classe operária e as camadas populares do campo e da cidade, para enfrentar os monopólios, o imperialismo e suas instituições, e lutar por mudanças radicais, na economia e ao nível do poder de Estado, rumo ao socialismo.
___.___________
Intervenção de Georgios Toussas, deputado do Partido Comunista da Grécia ao Parlamento Europeu, no debate sobre «As consequências sociais da crise e medidas alternativas urgentes», realizado no Porto, em 4 de Dezembro. Título e subtítulos da responsabilidade da Redacção do Avante!.

.
.
Nº 1881
17.Dezembro.2009 - Avante
.
.