A Internacional

__ dementesim . . Do rio que tudo arrasta se diz que é violento Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem. . _____ . Quem luta pelo comunismo Deve saber lutar e não lutar, Dizer a verdade e não dizer a verdade, Prestar serviços e recusar serviços, Ter fé e não ter fé, Expor-se ao perigo e evitá-lo, Ser reconhecido e não ser reconhecido. Quem luta pelo comunismo . . Só tem uma verdade: A de lutar pelo comunismo. . . Bertold Brecht
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sábado, novembro 20, 2010

Israel - Terrorismo de Estado

  • Rui Paz

É chocante a falta de vergonha com que este filme imperialista se desenrola diariamente
O terror israelita
O governo israelita decidiu construir mais 1300 fogos em Jerusalém Oriental, num colonato judaico que já contém 800 habitações ilegais. Estes colonatos estão a ser construídos em solo palestiniano ocupado desde 1967. São actos provocatórios completamente arbitrários onde um Estado, protegido, financiado e armado pelos Estados Unidos e pelos seus aliados europeus, comete os maiores crimes, expropria, deporta e sequestra impunemente populações inteiras. 
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As grandes potências da NATO cujos chefes se reúnem amanhã em Lisboa contemplam num silêncio cúmplice os crimes da maior potência militar e nuclear do Médio Oriente como se isso fosse a coisa mais natural deste mundo. 
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De facto, qualquer Estado que apoie activamente a causa do povo palestiniano vê automaticamente apontado contra si o espectro da sua total destruição. A política de terrorismo de Estado que Israel pratica contra o povo palestiniano e os povos vizinhos como o Libanês é semelhante àquela que a aliança militar tem vindo a praticar nos Balcãs, no Iraque ou no Afeganistão.

É chocante a falta de vergonha com que este filme imperialista se desenrola diariamente diante dos nossos olhos e como a ditadura étnico-religiosa israelita alastra impunemente na Palestina com os atentados à livre circulação da população dos territórios árabes; a humilhação da multiplicação dos pontos de controlo com horas e dias de espera; a expropriação e roubo das melhores terras aráveis e dos melhores reservatórios de água palestinianos; o emparedar de um povo inteiro condenado a viver numa prisão gigantesca; os ataques contra a autoridade palestiniana em Ramallah e a prisão de ministros e deputados eleitos pelo povo; a intensificação do bombardeamento e genocídio da população civil, como aconteceu ainda recentemente em Gaza com a operação Chumbo Fundido; o recurso à pirataria marítima para impedir a ajuda e solidariedade internacionais contra o embargo criminoso e desumano; o assassínio de funcionários palestinianos em Estados Árabes utilizando documentos falsos obtidos em estados membros da NATO sem receio de quaisquer consequências.

Só quem estiver cego face à realidade poderá acreditar que o actual regime de Telavive alguma vez desejará a paz e o respeito pelos direitos soberanos do povo palestiniano. Desde 1948 que Israel é o agressor e procura por todos os meios - e em primeiro lugar pelo terror - impedir a proclamação de um Estado Palestiniano. 
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A doutrina que vem sendo sistematicamente seguida por Israel foi formulada claramente pelo primeiro-ministro Menachem Begin: «nunca reconheceremos a partilha. “Eretz Israel” será recuperado pelo povo israelita na sua totalidade e para sempre»1. As potências imperialistas com os Estados Unidos à frente enganam descaradamente o mundo e o povo palestiniano quando fazem piedosas declarações contra a construção dos colonatos. O seu objectivo é juntamente com o regime israelita fazer desaparecer progressivamente do mapa a Palestina para ficarem com as mãos livres para se apoderarem do petróleo do Médio Oriente e impor os seus planos de domínio geoestratégico da região.

Lutar pelo fim do terror israelita, pelo direito de regresso dos exilados e pelos direitos do povo palestiniano ao seu Estado soberano, nas fronteiras anteriores a 1967 com a capital em Jerusalém Oriental é uma questão vital para a paz mundial.
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1 (Noam Chomsky. «A ferida aberta. Israel, os palestinianos e a política dos EUA» – 2003 Hamburgo)
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Avante 2010 11 18
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segunda-feira, novembro 16, 2009

O Muro e a Histeria Reacionária - Rui Paz



 
Histeria reaccionária

Quem neste dias abrir as páginas de um jornal alemão, ouvir uma estação de rádio ou tentar ver um programa de televisão julgará que voltámos aos tempos da guerra-fria. Não é inocente que passados 20 anos o capital se mostre tão agressivo e se lance numa intensa campanha sobre a «queda do muro». Particularmente a burguesia alemã que ao longo da História tem recorrido sistematicamente ao militarismo, ao assassínio de democratas e revolucionários, ao trabalho escravo, inventou a industrialização da morte e o extermínio em massa nas câmaras de gás, pretende agora apresentar os acontecimentos de 1989-1990 que conduziram ao fim do socialismo e da República Democrática Alemã como um processo «revolucionário» ou «libertador» e aproveitar a ocasião para representar a farsa do seu «amor à democracia».

As celebrações da «queda do muro» visam sobretudo camuflar o desastre da chamada «reunificação» da Alemanha que liquidou 30% da produção industrial da RDA, gerou um exército de desempregados, conduziu à emigração de centenas de milhares de pessoas e atirou com 7 milhões para um nível de vida inferior ao limite de pobreza enquanto 25 000 passaram a auferir rendimentos milionários.
Esta gigantesca manobra de diversão e intoxicação ideológica não é separável da gravidade da actual crise do sistema capitalista e dos retrocessos civilizacionais verificados nas últimas décadas. Na Alemanha, o capital monopolista tem razões para estar em pânico. Passados 20 anos, não só a maioria da população do Leste continua a considerar o socialismo superior ao capitalismo, mas cresce também no Ocidente a repulsa pela privatização dos serviços públicos, dos correios e dos transportes enquanto aumenta simultaneamente o apoio à nacionalização dos monopólios da electricidade e do gás numa população saqueada pelo aumento inacreditável dos preços da energia.

A esmagadora maioria dos soldados alemães que morrem no Afeganistão provêm do Leste da Alemanha, onde a miséria colocou à mercê do militarismo a juventude de uma região na qual, ainda há pouco tempo, existia um Estado pacífico contrário a guerras e agressões. Há uns anos, seria impossível imaginar o actual ministro da Defesa em Berlim, o Barão de Guttenberg, considerar o lançamento de bombas sob a população civil afegã como um acto «militarmente adequado».
Lénine explica o carácter retrógrado e opressor do capitalismo na sua fase imperialista salientando que «de classe ascendente e progressista a burguesia transformou-se numa classe reaccionária, decadente, em estado de apodrecimento e interiormente moribunda» (Sob Bandeira Estrangeira, 1915, Berlim, Werke, vol. 21).

Confirmando plenamente esta análise, o responsável pelo departamento de economia do Deutsche Bank, Norberto Walter, afirma que «depois do fim do socialismo na RDA chegou a vez de superar o socialismo no Ocidente», isto é, de liquidar as conquistas democráticas, sociais e civilizacionais obtidas pelos trabalhadores e os povos em duras lutas numa correlação de forças internacional que obrigava o imperialismo a conter a sua agressividade.
Os charlatães da politica como Blair, Schröder e Sócrates.,que têm vindo a seguir a cartilha da «superioridade dos mercados»,estão a ficar desmascarados pela própria realidade. Afinal o «Estado de Direito» dos banqueiros não pode existir sem o saque dos cofres do Estado e as baionetas da NATO. Se, hoje, as ditaduras torcionárias de Salazar, de Franco e dos coronéis gregos ainda existissem teriam certamente enviado os seus emissários a Berlim e num acesso de histeria reaccionária celebrado com Ângela Merkel e os restantes representantes do capital europeu a chamada «queda do muro».

sábado, novembro 07, 2009

1939.09.01 - Início da II Guerra Mundial




Hoje e há 70 anos [*]
Rui Paz
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Há 70 anos, a 1 de Setembro de 1939, a Alemanha sob a direção do regime nazi e de Hitler desencadeou a segunda guerra mundial invadindo a Polônia. A catástrofe que então se abateu sobre a humanidade e que custou 80 milhões de mortos não foi como se procura hoje fazer crer obra de um ditador louco e sanguinário. Foi antes o resultado de um plano bem preparado pelo imperialismo alemão e pelo revanchismo que na Itália de Mussolini e no golpe franquista em Espanha procurava por um lado travar o avanço impetuoso do movimento operário estimulado pelas conquistas do socialismo na União Soviética e por outro lado dirimir rivalidades entre as potências do mundo capitalista, particularmente entre a Alemanha e a Inglaterra.
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Quem sabe hoje que a 26 de Janeiro de 1932, o grande capital alemão com Fritz Thyssen à frente decidiu no Clube da Indústria de Dusseldorf levar Hitler ao poder? Quem sabe que as primeiras vítimas do Nazismo foram comunistas e que no 1º de Maio de 1933 os sindicatos foram brutalmente atacados e milhares de sindicalistas lançados nas prisões para gáudio de uma classe exploradora que estava sempre a acusar o movimento operário de não colaborar nem aceitar as dificuldades da crise de 1929? Quem sabe hoje que sem a ajuda da General Motors, os caminhões militares e as colunas motorizadas da guerra relâmpago nunca teriam conseguido chegar a Viena e a Praga, que o combustível com que os aviões nazis bombardeavam Londres, Coventry, Birmingham, Liverpool e Manchester vinha da Standard-Oil norte-americana ou ainda que sem o sistema de cartões perfurados da IBM a máquina de extermínio hitleriana nunca teria conseguido organizar o trabalho escravo de modo tão perfeito e eficaz?
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Quando o capital fala em «democracia» está a pensar na liberdade para os seus negócios e para exploração, não na liberdade dos povos decidirem o seu destino e de poderem viver em paz e em liberdade.
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A derrota do nazi-fascismo traduziu-se pela instauração de uma nova ordem fundada no direito internacional, no respeito pela soberania dos povos e por enormes conquistas sociais dos trabalhadores dos próprios países capitalistas. A correlação de forças favorável ao socialismo que então se verificou tornou possível tais avanços civilizacionais. Mas nos últimos 20 anos temos vindo a assistir à destruição dessas conquistas e ao reforço do poder antidemocrático do grande capital à escala mundial e ao retomar das guerras imperialistas sob o manto da defesa dos «direitos humanos» ou do «combate ao terrorismo».
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Com o objetivo de ilibar-se dos seus crimes e responsabilidades, o grande capital e os seus governantes têm vindo a falsificar a História e a confundir as vítimas com os algozes. Inventam teorias como a dos «dois totalitarismos» para ficarem com o terreno livre para prosseguirem o anticomunismo de Estado em que se fundamentou não só o nazismo hitleriano mas uma infinidade de ditaduras fascistas de Pinochet a Videla, de Mobutu a Somoza, de Salazar a Ferdinando Marcos ou a Suahrto.
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E no que diz respeito a guerras e agressões é o que se vê. As centenas de civis que a NATO assassina quase diariamente no Afeganistão são totalmente ignoradas pelos dirigentes de um mundo capitalista que se afirma «humanista».
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Hoje como há 70 anos é necessário que os povos não se deixem contaminar por essa amnésia coletiva com que o capital pretende novamente convencer os povos de que não há alternativa para a exploração, a guerra e o militarismo.
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A resistência e a luta contra a opressão e a mentira acabarão por abrir caminho a um mundo de paz, justiça social e liberdade, um mundo socialista.
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[*] Este texto foi publicado no Jornal Avante nº 1.867, de 10 de Setembro de 2009
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Reproduzido de www.odiario.info
Esta página encontra-se em www.cecac.org.br
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18/setembro/2009
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quinta-feira, setembro 10, 2009

Hitler, os EUA e o Grande Capital


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Hoje e há 70 anos

Há 70 anos, a 1 de Setembro de 1939, a Alemanha sob a direcção do regime nazi e de Hitler desencadeou a segunda guerra mundial invadindo a Polónia. A catástrofe que então se abateu sobre a humanidade e que custou 80 milhões de mortos não foi como se procura hoje fazer crer obra de um ditador louco e sanguinário. Foi antes o resultado de um plano bem preparado pelo imperialismo alemão e pelo revanchismo que na Itália de Mussolini e no golpe franquista em Espanha procurava por um lado travar o avanço impetuoso do movimento operário estimulado pelas conquistas do socialismo na União Soviética e por outro lado dirimir rivalidades entre as potências do mundo capitalista, particularmente entre a Alemanha e a Inglaterra.
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Quem sabe hoje que a 26 de Janeiro de 1932, o grande capital alemão com Fritz Thyssen à frente decidiu no Clube da Indústria de Dusseldorf levar Hitler ao poder?
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Quem sabe que as primeiras vítimas do Nazismo foram comunistas e que no 1.° de Maio de 1933 os sindicatos foram brutalmente atacados e milhares de sindicalistas lançados nas prisões para gáudio de uma classe exploradora que estava sempre a acusar o movimento operário de não colaborar nem aceitar as dificuldades da crise de 1929?
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Quem sabe hoje que sem a ajuda da General Motors, os camiões militares e as colunas motorizadas da guerra relâmpago nunca teriam conseguido chegar a Viena e a Praga, que o combustível com que os aviões nazis bombardeavam Londres, Coventry, Birmingham, Liverpool e Manchester vinha da Standard-Oil norte-americana ou ainda que sem o sistema de cartões perfurados da IBM a máquina de extermínio hitleriana nunca teria conseguido organizar o trabalho escravo de modo tão perfeito e eficaz?
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Quando o capital fala em «democracia» está a pensar na liberdade para os seus negócios e para exploração, não na liberdade dos povos decidirem do seu destino e de poderem viver em paz e em liberdade.
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A derrota do nazi-fascismo traduziu-se pela instauração de uma nova ordem fundada no direito internacional, no respeito pela soberania dos povos e por enormes conquistas sociais dos trabalhadores dos próprios países capitalistas. A correlação de forças favorável ao socialismo que então se verificou tornou possível tais avanços civilizacionais. Mas nos últimos 20 anos temos vindo a assistir à destruição dessas conquistas e ao reforço do poder antidemocrático do grande capital à escala mundial e ao retomar das guerras imperialistas sob o manto da defesa dos «direitos humanos» ou do «combate ao terrorismo».
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Com o objectivo de ilibar-se dos seus crimes e responsabilidades, o grande capital e os seus governantes têm vindo a falsificar a História e a confundir as vítimas com os algozes. Inventam teorias como a dos «dois totalitarismos» para ficarem com o terreno livre para prosseguirem o anticomunismo de Estado em que se fundamentou não só o nazismo hitleriano mas uma infinidade de ditaduras fascista de Pinochet a Videla, de Mobutu a Somoza, de Salazar a Ferdinando Marcos ou a Suahrto.
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E no que diz respeito a guerras e agressões é o que se vê. As centenas de civis que a NATO assassina quase diariamente no Afeganistão são totalmente ignoradas pelos dirigentes de um mundo capitalista que se afirma «humanista». Hoje como há 70 anos é necessário que os povos não se deixem contaminar por essa amnésia colectiva com que o capital pretende novamente convencer os povos de que não há alternativa para a exploração, a guerra e o militarismo. A resistência e a luta contra a opressão e a mentira acabará por abrir caminho a um mundo de paz, justiça social e liberdade, um mundo socialista.
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in Avante 2009.09.10
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sábado, julho 11, 2009

«Obamismo», guerra e militarismo



As tropas de Obama iniciaram mais uma ofensiva militar no Afeganistão para tentar liquidar a resistência contra a ocupação estrangeira e se possível fazer alastrar o conflito ao Paquistão, um Estado possuidor de armas nucleares. A chamada «operação paz duradoura» que sustenta a agressão militar dos EUA e da NATO resulta de um acto unilateral que afronta a Carta das Nações Unidas e os princípios do Direito Internacional.
Se a guerra contra o Iraque visou fundamentalmente a afirmação da supremacia dos Estados Unidos sobre os restantes aliados da NATO e o controlo exclusivo por Washington do petróleo iraquiano, hoje, ao intensificar a agressão militar no Afeganistão, Obama pretende arrastar os aliados europeus para a guerra e o esmagamento dos povos que se levantem contra o imperialismo. Os Estados Unidos já sabem que, apesar de todo o seu poderio militar e económico, não podem impor sozinhos a sua nova ordem mundial.
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É essa a razão porque o presidente norte-americano, apesar de cobrir de verniz moralista muitas das suas habituais pregações é o primeiro a esconder e silenciar sistematicamente os assassínios e massacres perpetrados pelas tropas norte-americanas nas aldeias afegãs. É isto que está a levar a direita conservadora, os amigos reaccionários de Bush, e os militaristas de todos os matizes a sair das tocas onde tinham hibernado com receio de uma «possível mudança», e a converter-se em menos de um ápice ao «obamismo».
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Mas, se com Obama é mais fácil ganhar os aliados para a guerra e o militarismo, não é menos verdade que os povos não funcionam de acordo com o relógio do império. Na Alemanha, as últimas sondagens continuam a revelar que mais de dois terços da população opõem-se à participação das Forças Armadas na ocupação militar do Afeganistão. O Governo de Ângela Merkel e da social-democracia continua a negar oficialmente que a Alemanha esteja em guerra, apesar de cada vez mais soldados regressarem ao Reno em macas e caixões. A Constituição alemã e o Código Penal prevêem pesadas penas de prisão para os responsáveis pela «preparação e desencadeamento de uma guerra de agressão» (art.26).
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Para obrigar o povo e os soldados a aceitar o militarismo como parte integrante da actual política externa alemã, o ministro da Defesa Jung acaba de criar a «ordem de honra da Bundeswehr pela coragem». É a primeira vez, desde o regime hitleriano e do nazismo que soldados alemães voltam a ser condecorados por participarem em guerras no estrangeiro.
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Ao intervir no recente debate no Bundestag sobre a utilização de aviões-radar AWACS e o aumento dos efectivos militares alemães no Afeganistão, o deputado Norman Paech, em nome dos 60 deputados que compõem o grupo parlamentar do partido «A Esquerda» desmascarou a chanceler Ângela Merkel esclarecendo que «no Afeganistão reina a guerra e a Bundeswehr está cada vez mais enredada neste círculo infernal. O número de vítimas aumenta de forma dramática semana após semana. As tropas estrangeiras não são aceites como libertadoras mas como exército de ocupação (...) O planeado aumento do contingente militar e da artilharia pesada não é nenhuma alternativa e apenas vai aumentar o sofrimento das populações, as perdas de ambos os lados, provocar mais violência, terror e vítimas. A única alternativa é a urgente retirada das tropas estrangeiras do Afeganistão». Por muito mediático que seja o «obamismo» os povos odeiam a guerra e o militarismo.
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in Avante 2009.07.09
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quinta-feira, março 27, 2008

Aliança Torcionária transatlântica







George Bush vetou recentemente uma tentativa da Câmara dos Representantes para impedir a prática da tortura pelos Estados Unidos. Na defesa dos métodos torcionários da CIA e do Pentágono, o presidente norte-americano invocou «estar provado» o sucesso da tortura na «defesa da América». Há que reconhecer que o «democrata máximo» do capitalismo nunca disse uma verdade tão grande apesar do mar de mentiras com que tem inundado o mundo para agredir cada vez mais estados e povos soberanos. De facto, ao longo do século vinte, numerosas ditaduras, dirigidas por generais formados nas escolas militares norte-americanas utilizaram a tortura como o método mais eficaz para a defesa dos interesses do imperialismo em todos os continentes. Nem a Europa escapou, como ficou comprovado pelo fascismo português, membro fundador da NATO, e por ditaduras idênticas na Turquia, na Grécia e na Espanha, especializadas na tortura, prisão e assassínio de comunistas e de outros democratas.

Neste aspecto, a diferença entre as ditaduras fascistas e a actual prática da administração norte-americana situa-se fundamentalmente no facto de Washington, ao contrário daqueles regimes terroristas, procurar legalizar a tortura e apresentá-la como um bem para os cidadãos, como uma obra prima do chamado «estado de direito». Eis o fim da demagogia desses «democratas» de meia tigela que em Portugal costumam louvar os Estados Unidos como o expoente máximo da «democracia». Não esqueçamos os elogios de Sócrates, ainda não há muito tempo, à «democracia norte-americana» durante a sua viagem aos Estados Unidos.

São estes grandes «democratas», como as Merkel, os Sarkozy e os Barrosos, que se deslocam a Washington para apertar a mão ao chefe da rede mundial de torcionários, que se dispõem a entregar-lhe numerosos dados pessoais dos cidadãos de países europeus que viajam para os Estado Unidos num flagrante atentado às liberdade e garantias constitucionais.
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Mas, não nos devemos admirar, sabendo-se que os grandes da União Europeia e os seus acólitos têm sido totalmente coniventes com os raptos, a tortura e as agressões de Washington em nome da chamada «guerra contra o terrorismo». Será para combater terroristas que o treino militar dos exércitos da NATO, destinados a operações e agressões contra povos e países soberanos, inclui a dissolução de manifestações e protestos?

Dois acontecimentos da semana passada confirmam a conivência torcionária transatlântica. Primeiramente, foram as declarações do antigo chefe da CIA para a Europa, Taylor Drumheller, à revista alemã «Stern» (13.03.08) explicando que os dirigentes dos serviços secretos alemães e os responsáveis na Chancelaria, como o actual Ministro dos Negócios Estrangeiros, Steinmeier, estavam desde muito cedo ao corrente dos raptos e campos de tortura norte-americanos no quadro da operação «extraordinary renditions». O segundo foi a condenação pelo tribunal de Münster da prática de torturas na preparação militar das tropas alemãs. Cerca de 160 recrutas foram mal tratados, inclusive com choques eléctricos, na simulação do rapto de reféns no quartel de Coesfeld no Verão de 2004.
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A luta contra o estado policial e torcionário constitui hoje, a par da luta contra a guerra, uma das mais importantes frentes da resistência dos comunistas e de outros democratas.
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in Avante 2003.03.20
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segunda-feira, setembro 24, 2007

Estratégia incendiária e suícida


* Rui Paz
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Os Estados Unidos anunciaram nos últimos dias de Julho que iriam fornecer à Arábia Saudita, ao Koweit e aos restantes aliados do Golfo Pérsico armas sofisticadas no valor de 40 mil milhões de dólares. Estas armas não se destinam a obrigar Israel a devolver ao povo palestiniando os territórios ocupados nem a acabar com os massacres, os assassínios, as tortura e as diárias violações dos direitos humanos praticadas por Tel Aviv. Dada a impossibilidade de derrotar a resistência dos povos árabes na região, os Estados Unidos estão a enveredar pela antigo princípio de dividir para reinar. Incapaz de resolver o dilema do caos provocado pela agressão e ocupação do Iraque e do Afeganistão, e face ao completo isolamento internacional, exceptuando Israel, para agredir o Irão e a Síria, Washington prepara-se para estimular mais uma guerra fratricida que leve os seus aliados na região, tendo à frente os regimes medievais da Arábia Saudita e do Koweit, a atacar aqueles dois estados. Bin Laden e os talibãs foram uma criação dos Estados Unidos e dos seus aliados sunitas na região, com destaque para o Paquistão e a Arábia Saudita. São exemplos da estratégia infernal do imperialismo que consiste em estimular devisões étnicas e religiosas que gerem os demónios que depois se propõe combater para pôr a ferro e fogo todo o Médio Oriente.
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Todas estas perversões têm vindo a reduzir cada vez mais o espaço de manobra do imperialismo, a desmasacará-lo diante dos povos como o maior perigo para a paz mundial e para a sobrevivência da própria Humanidade. Esta lógica incendiária, resultante da natureza exploradora e agressiva do sistema, é explicada pelo antigo presidente da República iraniana, Bani Sadr - afastado do poder em 1981 por um golpe que contou com o apoio da CIA - ao sublinhar que «a ordem mundial afirma-se e impõe-se em detrimento do crescimento das forças motrizes do mundo dominado, seja exportando essas forças para os centros dominadores, seja destruindo-as. O domínio das forças oprimidas não se pode produzir sem o recurso constante à violência. É por isso que a potência americana teve necessidade de inventar um super-homem (Bin Laden) e criar uma aliança mundial contra ele» (Le Monde/30.10.2001).
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No Médio Oriente, os regimes amigos dos EUA encontram-se numa fase de apodrecimento. Enquanto negação dos direitos nacionais, sociais e democráticos dos respectivos povos, estão sob a constante pressão das massas populares. É por isso que os Estados Unidos são obrigados a servir-se da «liberdade» como combustível para alimentar a sua máquina de guerra. Não conseguindo convencer com a «liberdade» invocam o «combate ao terrorismo», a «ameaça contra Israel» ou as «armas de destruição maciça». Tudo serve para justificar a rapina do petróleo da região e manter ou instalar regimes «amigos» que ajudem a saquear os respectivos povos.
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A participação de militares portugueses na guerra do Afeganistão, entre outras missões em que participam forças militarizadas nacionais, é uma afronta aos princípios constitucionais. «Portugal preconiza a abolição do imperialismo, do colonialismo e de quaisquer outras formas de agressão, domínio e exploração nas relações entre os povos...» (CRP, 7°. 2). É uma vergonha que o Governo do Partido Socialista continue a servir uma estratégia incendiária e suicida.
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in Avante.2007.08.09

sexta-feira, julho 06, 2007


Assassínios e massacres do imperialismo
Os povos, apesar de todos os sofrimentos, acabarão por se libertar
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* Rui Paz
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Os media acabam de revelar como em 1960 os Estados Unidos iniciaram uma série de tentativas para assassinar o dirigente da revolução cubana, Fidel Castro. Mas, se em Cuba essas tentativas falharam, a lista dos dirigentes políticos assassinados por ordem do imperialismo norte-americano é extremamente longa. Convém pois lembrar alguns desses crimes cujas vítimas são exemplos da luta da Humanidade por um mundo liberto da opressão, da exploração e da guerra. O assassínio de Martin Luther King, perpetrado por um comando da CIA, testemunhará para sempre como o então poder racista dos Estado Unidos tentou travar a luta de emancipação da população de cor norte-americana. O assassínio do dirigente social-democrata sueco, Olav Palm, que se opôs ao estacionamento dos mísseis Persching II na Europa, é a expressão do ódio visceral do imperialismo ao desarmamento e à paz. A agressão contra a Jugoslávia, o rapto do presidente Milosevic e a sua morte nas masmorras da NATO em Haia, constituem a mais clara demonstração de desprezo das potências do mundo capitalista pelos princípios do direito internacional e pela ordem jurídica mundial instaurada após a derrota do nazismo em 1945. Os assassínios de Patrício Lumumba e de Salvador Allenda por defenderem a nacionalização das riquezas naturais dos seus países, revelam a essência rapace do imperialismo e a energia criminosa que resulta da sua natureza exploradora. Os nomes de Eduardo Mondlane, Amilcar Cabral, Samora Machel e de tantos outros dirigentes africanos assassinados, relembrarão que o imperialismo tem sido o maior inimigo da independência e da libertação dos povos colonizados. O assassínio de Che-Guevara na Bolívia ou do jovem secretário-geral do Partido Comunista Sul-Africano, Chris Hani, abatido por um comando polaco ao serviço da CIA, no momento em que o regime racista sul-africano agonizava, são a prova do desespero e do pânico do imperialismo face aos ideias libertadores do comunismo.
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Mas, se é verdade que no XX era fácil ao imperialismo assassinar os dirigentes defensores dos direitos e da liberdade dos povos e instalar regimes de terror dirigidos por generais golpistas e sanguinários, não é menos verdade que, hoje, têm de ser as próprias potencias capitalistas, através dos seus exércitos a intervir directamente, a oprimir e a massacrar os povos que persistem em defender a sua soberania e os seus direitos. Diariamente do Iraque ao Afeganistão chegam-nos notícias de ataques cada vez mais crueis contra as populações civis. Se, no Iraque, a ocupação militar estrangeira transformou o Tigre e o Eufrates em verdadeiros rios de sangue, no Afeganistão, a acção criminosa das tropas da NATO passou também a matar diariamente mulheres e crianças indefesas. O que se está a desenrolar-se no Hindukuch já não é uma guerra entre tropas estrangeiras de ocupação e a resistência armada afegã, mas uma autêntico genocídio. O mais conhecido especialista alemão do Médio Oriente, Peter Scholl-Latour, (antigo director da revista Stern) afirmou recentemente num debate na TV que só no Sul do Afeganistão e na região fronteiriça do Paquistão, opõem-se à ocupação estrangeira cerca de 12 milhões de pessoas, e que, aquilo que os norte-americanos designam por «talibãs» corresponde a uma resistência muito mais vasta e impossível de ser dominada.
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A destruição há poucos dias dos ficheiros dos serviços secretos militares alemães, referentes às intervenções da Bundeswehr no estrangeiro entre 1999 e 2004, é bem reveladora do pânico e do nervosismo que se está a apoderar das principais potências da NATO. Desses ficheiros constava a presença de militares alemães do comando especial KSK, juntamente com tropas norte-americanas, em centros de tortura de prisioneiros na Jugoslávia e no Afeganistão, em operações secretas e ilegais não controláveis pelo Bundestag. Por maior que seja a mentira a energia criminosa do imperialismo, os povos, apesar de todos os sofrimentos, acabarão por se libertar e pôr fim ao pesadelo em que hoje vive a humanidade.
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in Avante, 2007.07.05

sábado, junho 09, 2007


G8 - OS VAMPIROS
Aos eleitores apenas é permitido escolher as caras dos governantes


* Rui Paz


Os chefes de Estado e de Governo dos oito países mais ricos do mundo (G8) reúnem-se esta semana na Alemanha, para decidirem como é que o grande capital e em particular os monopólios transnacionais vão continuar a saquear, a explorar e a oprimir os povos do planeta. Desde 1975 que este grupo (G7), sob o manto da procura de soluções para os problemas globais, define conjuntamente e com grande pompa a sua estratégia de domínio mundial. Até hoje, nenhum problema do sistema capitalista foi resolvido mas todos se têm vindo a agravar. O balanço desta ditadura imperialista mundial é catastrófico e sintomático de um sistema mergulhado numa profunda crise política, económica, civilizacional, cultural e moral. Miséria galopante, desemprego, doenças, dívidas sem fim, poluição dos solos, das águas e da atmosfera, guerras de agressão e ocupação, massacres, tortura, ataques sem precedentes aos direitos políticos e sociais, corrupção generalizada desfilam diariamente diante dos nossos olhos.

O grupo dos oito é constituído pelos EUA, Canadá, França, Alemanha, Inglaterra, Itália, Japão, e nos últimos 10 anos também pela Rússia, embora excluída das questões referentes à esfera financeira e monetária. Estes estados compreendem apenas 13% da população do globo. Mas as suas estruturas imperialistas arrecadam 66% da riqueza produzida no planeta. 79 dos cem maiores monopólios transnacionais e 8 dos maiores 10 bancos mundiais estão sediados nos países do G8, assim como a esmagadora maioria dos 500 trustes que repartem o mundo entre si. Aliás, sem o recurso à mentira e sem o patrocínio do grande capital, os seus dirigentes políticos nunca teriam sido eleitos nem seriam governantes de nada. O governo de Bush é um exemplo paradigmático de que na «muralha sagrada» (Heiligendamm) - assim se chama o local em que decorre o encontro do G8 e dos sacerdotes da globalização - não são os representantes dos povos mas uma comissão executiva da indústria petrolífera, automóvel, aeronáutica, armamentista e do sector financeiro que se ali vai reunir-se em conclave.

A fusão entre os governos e os interesses dos grandes monopólios mundiais é tão grande que, praticamente em todas as questões fundamentais, verifica-se uma profunda contradição entre a vontade maioritária dos eleitores, e as políticas antidemocráticas que os governos executam. Para este sistema de poder, a democracia já não reside no povo mas reduz-se a um ritual, em que aos eleitores apenas é permitido escolher as caras dos governantes, proibindo-se-lhes determinar o conteúdo das políticas concretas. Só assim tem sido possível privatizar e expropriar estados e povos inteiros, instrumentalizar a ONU, decretar sanções contra países mais débeis, espezinhar os princípios do direito internacional, e utilizar a NATO e outro tipo de alianças militares agressivas para arrasar violentamente os poderes nacionais que não se submetam. Este grupo de oito estados capitalistas mais ricos possui também a mais poderosa máquina de guerra de sempre. Detêm três quartos de todas as armas existentes e 90% do poderio atómico mundial. Cinco estão directamente envolvidos na agressão e ocupação do Iraque, e, excluindo neste caso a Rússia e o Japão, massacram as populações no Afeganistão para manter a ditadura de Karsai, um ex-funcionário norte-americano de uma firma de petróleo texana. Aos povos que pretedem dominar pregam a «democracia dos mercados».

Mas, para si próprios, arrogam-se o direito de impor pela força das armas o saque das matérias primas e uma nova ordem mundial cada vez mais injusta. São os vampiros do universo. Como se cantava em Portugal nos tempos do fascismo: «eles comem tudo, eles comem tudo, e não deixam nada».

in Avante 2007.06.06

quinta-feira, abril 26, 2007


Neofascismo na Europa




A recente tentativa falhada da realização em Lisboa de um encontro de neofascistas europeus veio mais uma vez alertar para o perigo real da proliferação de partidos e organizações que perfilham doutrinas fascistas, racistas e xenófobas. Apesar da recente declaração em contrário da UE em Berlim, é exactamente nos países que dominam a União Europeia que a extrema-direita avança e se reforça mais rapidamente. Na Alemanha, só desde a unificação, já foram assassinadas em atentados racistas 135 pessoas. Muitas das vítimas são mulheres e crianças de outras etnias e religiões, queimadas vivas em incêndios ateados por grupos neonazis, alguns deles com ligações não esclarecidas a estruturas policiais estatais. Pela brutalidade e violência, o neonazismo alemão projecta-se nos países do Leste, devastados pela contra-revolução, pela reconstituição do poder do grande capital e pelo obscurantismo revanchista.

Hoje, e por enquanto, o imperialismo para garantir a aliança com a social-democracia, apresenta-se oficialmente como «antifascista», promotor da «democracia». Reduz o nazismo à loucura de um ditador e à componente racista, escondendo o carácter de classe da ditadura terrorista dos monopólios. Os povos e as novas gerações não devem saber que foram os grandes banqueiros e industriais, os Siemens, os Thyssens, os Krupps que levaram Hitler e a doutrina da «raça superior» ao poder. Não devem saber que comunistas e sindicalistas foram as primeiras vítimas do nazismo. Estes factos históricos têm de ser silenciados, pois pertubariam o actual processo de reconstrução mundial do poder totalitário do grande capital.

O mesmo é válido para as mentiras da guerra «humanitária», do «combate ao terrorismo» com que se procura justificar o saque imperialista mundial.
Logo que a política de direita da social-democracia se tiver esgotado, ou impedido qualquer alternativa de esquerda, atirando com os sectores menos conscientes das classes laborais e das classes médias para os braços da extrema-direita, o capital não perdoará a ocasião. As doutrinas obscurantistas e racistas servem em primeira linha para ilibar o capitalismo, confundir e encobrir as verdadeiras causas do desemprego, da exploração, da miséria, da opressão e da guerra. A sua função é tentar impedir que a juventude e as massas populares ganhem consciência da necessidade de se encontrar uma alternativa ao sistema vigente.

Enquanto existir o imperialismo, o fascismo manter-se-á como um seguro de vida do grande capital, como reserva ideológica e arsenal terrorista, sempre pronto, nos momentos de crise, a assegurar a continuidade do poder repressivo dos monopólios.

Na Alemanha, cerca de um terço dos dirigentes do mais influente partido neonazi, o NPD, mantém ligação ao Ministério do Interior, o que, ainda não há muito tempo, provocou a anulação de um processo de interdição daquele partido pelo Tribunal Constitucional de Karlsruhe. Na Itália, o grande capital conduzido por Berlusconi, o amigo preferencial de Bush, conseguiu reabilitar e levar para o Governo, os sucessores de Mussolini, a Aliança Nacional de Fini e o partido racista Liga-Norte. Na França, durante vários anos, o racista Le Pen obteve significativas votações nas eleições presidenciais.

A ideologia de que não há alternativa para a guerra, para as privatizações e para a liquidação dos direitos sociais e laborais, reforça o poder antidemocrático e incontrolável do grande capital e abre espaço para o alastrar de ideologias fascistas, racistas e xenófobas.

Compete aos comunistas, enquanto força profundamente consciente e conhecedora do processo histórico, das verdadeiras causas do fascismo e das suas consequências terríveis para a humanidade, esclarecer, resistir e juntamente com a classe operária e todas as camadas antimonopolistas lutar por uma verdadeira alternativa ao capitalismo. Lutar pelo socialismo.

in AVANTE 2007.04.26

segunda-feira, abril 23, 2007


A miséria do capitalismo




Segundo o Instituto Federal de Estatística, em 2004 existiam na Alemanha 10,6 milhões de pessoas a viver na pobreza, isto é, 13 por cento da população. Hoje, em 2006, como resultado da agenda 2010 e das medidas Hartz IV decretadas pela social-democracia, a miséria é ainda maior. A presidente da Federação das Instituicões de Beneficência declara que “a pobreza atingiu um nível como não há memória na recente história alemã”. Num dos países que produz mais riqueza no mundo, onde o lucro líquido das sociedades financeiras entre 2000 e 2005 aumentou 42%, abate-se uma avalanche de miséria.

Mas nao é só na Alemanha que alastra a pobreza. O número de desempregados oficialmente registados em todo o mundo subiu para 185,9 milhões. A miséria atinge em primeiro lugar os mais fracos, as crianças e os reformados. 143 milhões de crianças crescem sem pais e 100 milhões- vegetam nas ruas das grandes metrópoles sem terem qualquer abrigo. 171 milhões são obrigadas a trabalhar em condições de saúde e sociais desastrosas. 73 milhões das crianças trabalhadoras tem menos de 10 anos.

Na Alemanha, o número de crianças que vivem na pobreza eleva-se a 2,5 milhões. Apesar desta situação, Norbert Walter, chefe do departamento de economia do Deutsche Bank, defende que no futuro ninguém vai poder sobreviver só com um salário. A burguesia alemã, com uma tradição histórica de trabalho escravo e de crimes contra os trabalhadores e a humanidade, não está com meias medidas: se queres sobreviver, alimentar-te e viver debaixo de um tecto, terás de trabalhar 14 a 16 horas por dia. São planos para a transformação do mundo inteiro num imenso campo de concentração e de extermínio dos trabalhadores. O professor Paul Kirchhof, democrata-cristão, juiz do Tribunal Constitucional e conselheiro da campanha eleitoral da chanceler Merkel, proclama no “Die Welt” (12. 05.06) que “a expressão justiça social é perigosa”, porque o Estado, através de impostos, teria de ir buscar o dinheiro lá onde ele existe.

Os ideólogos do capitalismo querem convencer a humanidade de que a miséria é o resultado de leis da natureza, impossíveis de contrariar, as quais condenariam a esmagadora maioria da população à pobreza e assegurariam a uma minoria privilegiada o direito à riqueza sem limites. Friedrich Engels, no escrito sobre “o socialismo utópico e o socialismo científico” (1880) alerta que “o capitalista já não tem nenhuma função social, a não ser a de meter os rendimentos ao bolso” e “jogar na bolsa, onde os capitalistas roubam o capital uns aos outros”. Engels avisa ainda que “o modo de produção capitalista proletariza cada vez mais a esmagadora maioria da população”.

A acumulação constante de capital, condição necessária ao funcionamento do sistema de domínio das oligarquias financeiras, legitima a exploração sem limites, o roubo descarado, as guerras, a corrupção, a miséria e tenta impor ao homem uma moral canibalista que o leve a aceitar e a participar na consolidação do sistema imperialista. Numa situação destas, em que a injustiça nunca foi tão evidente, como é possível que Schröder, Sócrates e Blair, dirigentes de partidos denominados “social-democrata”, “socialista” ou “trabalhista”, se tenham transformado nos James Bond, nos 007 ao serviço de sua majestade o grande capital, assumindo-se como autênticos carrascos do mundo trabalhador, dispostos a executar o que a burguesia endinheirada sozinha não teria força para concretizar?

É esta a realidade com que o mundo continua confrontada no início do século XXI e que exige a intensificação da luta dos trabalhadores e dos povos e o reforço da organização e da acção dos comunistas e de todas as forças revolucionárias em defesa da sobrevivência da humanidade.


Artigo publicado na Edição Nº1726 2006.12.28

sexta-feira, abril 06, 2007



As mentiras de Berlim

No preciso momento em que passaram oito anos sobre o ataque da NATO à Jugoslávia, os chefes de Estado e de Governo dos países da União Europeia declararam em Berlim que na Europa reina a «paz» e o «bem estar» social assim como «um sentimento de comunhão» e o fim das «divergências». Já se esqueceram que em 1999 os aviões de guerra europeus bombardearam Belgrado, Nis e Pristina. Desde então, o cheiro dos corpos queimados pelos mísseis da NATO tem-se vindo a estender a outros pontos do planeta. Na guerra dirigida pelos Estados Unidos no Afeganistão participam quase todos os 27 membros da UE. No Iraque, a Grã-Bretanha é o segundo exército invasor mais numeroso. E noutros pontos da terra, do Líbano à África, estes autodenominados defensores da «resolução pacífica dos conflitos» e das «vítimas da guerra» não cessam de provocar e de descobrir novos motivos para intervenções militares. Na véspera da «declaração de Berlim», a chanceler Merkel exigiu mais uma vez a criação de um exército europeu.

Em Belgrado, as ruínas dos bombardeamentos de escolas, hospitais, bairros de habitação, edifícios da Rádio e da TV, e milhares de doentes cancerosos contaminados pelas armas de urânio da NATO são um exemplo real daquilo que a UE entende por «promover a democracia, a estabilidade e o bem-estar além fronteiras».
Também a afirmação de que «o racismo e a xenofobia jamais poderão voltar» soa a falso, sabendo-se da complacência dos governos da UE, face ao aumento do número de actos de violência racista, aos actos de perseguição política, especialmente contra comunistas e à difusão de doutrinas fascistas e revanchistas.
O texto invoca ainda o «bem de todas as cidadãs e cidadãos da União Europeia», a «liberdade» e a «democracia». Mas, de acordo com os objectivos da dita «constituição europeia» e das disposições de Nice e Maastricht, é a oligarquia dos negócios que está a implantar as suas estruturas e a sedimentar o seu poder antidemocrático. Nunca tantos trabalhadores foram obrigados a trabalhar sem direitos e com salários de miséria. Não fará parte da «inviolabilidade» da «dignidade humana» o direito a poder viver-se do trabalho e a planear a vida e o futuro? E que dizer das alusões à «democracia» quando os parlamentos e os governos votam cada vez mais medidas e tomam decisões contrárias à vontade da esmagadora maioria dos eleitores e dos povos? E as medidas próprias de regimes ditatoriais, como a fusão dos serviços secretos e das polícias, as interdições profissionais e os ficheiros secretos da vida privada dos cidadãos, do seu perfil ideológico e das suas actividades políticas?

Quem procurar a verdade sobre a União Europeia na declaração de Berlim, não a encontrará. Mas, se tiver o cuidado de ler com atenção o que afirmam os seu donos, a antiga UNICE, agora baptizada de «Europa dos Negócios» (Businesseurope), aí verá matéria suficiente para compreender as mentiras difundidas a partir da capital alemã. Reunida poucos dias antes da cimeira de Berlim, sob lema «A Europa é o nosso Negócio» (Europe is our business), a «Europa dos Negócios» deixou bem claro que o grande capital, ao contrário dos povos e dos trabalhadores, está satisfeito com a UE, mas ainda quer mais. Num documento de 6 de Março sobre «a modernização do mercado do trabalho» os «negociantes da Europa», exigem a liquidação dos actuais contractos de trabalho e dos direitos dos trabalhadores neles consagrados, o direito a devorar as economias nacionais (fim dos «proteccionismos nacionais») , assim como a chamada «reforma dos sistemas sociais» (leia-se: saúde e segurança social só para os ricos). A luta por uma Europa de estados soberanos e iguais em direitos é fundamental para a defesa dos direitos dos trabalhadores. Nunca a distância entre a realidade e as palavras foi tão grande como nas mentiras de Berlim.

in AVANTE - 2007.04.05