A Internacional

__ dementesim . . Do rio que tudo arrasta se diz que é violento Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem. . _____ . Quem luta pelo comunismo Deve saber lutar e não lutar, Dizer a verdade e não dizer a verdade, Prestar serviços e recusar serviços, Ter fé e não ter fé, Expor-se ao perigo e evitá-lo, Ser reconhecido e não ser reconhecido. Quem luta pelo comunismo . . Só tem uma verdade: A de lutar pelo comunismo. . . Bertold Brecht
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sexta-feira, maio 14, 2010

Governo e PSD acordam mais impostos para todos e défice nos 7% este ano



  
José Sócrates em Bruxelas, à chegada à cimeira de 7 de Maio YVES HERMAN/REUTERS

Por Sérgio Aníbal e Leonete Botelho

IVA e IRS são agravados. Banca, grandes empresas, autarquias e políticos também saem penalizados


Salário mais curto no fim do mês e preços mais altos nas lojas, é isto que está reservado aos portugueses na segunda metade deste ano, para que o Governo consiga reduzir o défice público dos 8,3 por cento esperados para sete por cento já em 2010.

As novas medidas de austeridade foram ontem acordadas entre o Executivo e o PSD e incluem o agravamento extraordinário da taxa de IRS suportada pelas famílias e o aumento de um ponto percentual no IVA. A subida do IRS apenas vai ser evitada por quem aufere o salário mínimo nacional (SMN) ou menos. De resto, para todos os que ganhem até 2375 euros por mês (cinco SMN), será tributada uma taxa adicional de IRS de um por cento. Para os rendimentos superiores a 2375 euros, a taxa (tributação autónoma extraordinária) sobe para 1,5 por cento. Não se sabe ainda a partir de que data é que se aplica e de que forma é que serão realizadas as retenções na fonte deste imposto (ou seja, o momento em que cada pessoa sofre uma redução do rendimento). O Executivo pode iniciar já uma retenção faseada ou esperar por Dezembro e retirar aí o total anual do imposto cobrado. Foi este o modelo utilizado em 1983, quando foi cortado o subsídio de Natal. Se o imposto fosse aplicado à totalidade do ano, assumindo uma taxa de um por cento, o acréscimo de receita do Estado ficaria próximo de 350 milhões de euros.

No IVA, apesar de ter chegado a estar em cima da mesa uma subida de três pontos, o gravamento da taxa normal será de "apenas" um ponto, voltando para 21 por cento. No entanto, a taxa reduzida do IVA (que é aplicada a produtos de maior necessidade) passa de cinco para seis por cento. E a taxa intermédia de 12 por cento, que está em vigor, por exemplo, nos restaurantes, passa para 13 por cento.

Banca e política penalizadas

Para cumprir o princípio de que todos os sectores a sociedade têm de dar o seu contributo, o aumento de impostos não se fica por aqui. As grandes empresas e os bancos vão ser alvo de uma taxa extraordinária de IRC de 2,5 por cento este ano. Não se sabe ainda qual a definição de grandes empresas usada, mas em relação aos bancos, usando os dados de 2009, os lucros líquidos de 1890 milhões de euros geram um ganho para o Estado não superior a 60 milhões de euros. É também operada a redução, em 1,5 pontos, da taxa liberatória, mas não é ainda conhecido o âmbito da medida, que pode aumentar os impostos para vários tipos de rendimentos.

Do lado da despesa, os políticos, gestores de empresas públicas e líderes das entidades reguladoras sofrerão um corte salarial de cinco por cento. Limitando os cálculos ao presidente da República, aos membros do Governo e deputados, a poupança até ao final do ano ascende a 341 mil euros. Ontem o PSD apresentou-se como o autor desta medida, mas o Governo garante que a proposta social-democrata era de um corte de 2,9 por cento.

Será também feito o corte de 150 milhões de euros nas indemnizações compensatórias às empresas públicas (principalmente dos transportes e a RTP), que em 2009 foram de 457,4 milhões. Da mesma forma, reduzem-se 100 milhões de euros (3,8 por cento) às transferências para as autarquias. No total, o Governo quer garantir um acréscimo de receita de 1000 milhões de euros e uma redução da despesa de 1100 milhões. O acordo foi firmado ontem ao fim da tarde, após um dia de negociações pelo telefone. Pelo executivo, o interlocutor foi Teixeira dos Santos, ministro das Finanças. Pelo PSD, foi António Nogueira Leite, conselheiro económico. No entanto, Sócrates e Passos Coelho mantiveram-se sempre em contacto. Hoje, às 9h30, encontram-se em São Bento. Tudo para que, poucas horas depois, o Executivo aprove em Conselho de Ministros as medidas. Às 18h reúne-se a Comissão Política Nacional do PS.
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com Nuno Simas e Raquel Martins
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PSD e Governo discutem redução do défice

Passos Coelho obteve mandato do partido

para negociar "medidas duras"

Por Sofia Rodrigues, Filomena Fontes e Nuno Sá Lourenço


As negociações com o Governo para o pacote de austeridade levaram o líder do PSD, Pedro Passos Coelho, a pedir ao partido um mandato claro para negociar com o Governo as medidas "duras" para redução do défice orçamental. No Parlamento, se há vozes mais críticas a este volte-face em relação ao aumento de impostos - contra o qual sempre se bateu -, ficaram caladas.

No final de uma reunião com a bancada parlamentar, o líder do PSD quis passar a mensagem de que os sacrifícios são para todos, do Estado aos privados. "Não pode ficar de fora o Estado central, as regiões autónomas, as câmaras municipais, as empresas públicas e todas as actividades - da banca a qualquer empresa", disse Passos Coelho, que confirmou os contactos por telefone com o primeiro-ministro.

Da parte do PSD, a única proposta concreta foi o corte de 2,9 por cento nos salários dos políticos e gestores públicos, justificada, segundo Passos Coelho, porque "a classe política deve dar o exemplo". E admitiu que até podia ser pedido mais do que 2,9 por cento. Foi quase só neste ponto que incidiu um reparo às propostas do PSD na bancada parlamentar. Pacheco Pereira defendeu a separação entre as duas categorias, alegando a legitimidade democrática de quem é eleito.

Críticas violentas


Só em surdina se ouviram algumas dúvidas. "Sou contra o PSD antecipar-se em dizer que está disponível para o aumento de impostos. Se calhar são mesmo necessários porque a situação pode ser mais grave do que se sabe", desabafou um deputado social-democrata ao PÚBLICO. É o aumento de impostos que pode ser mais complicado de gerir politicamente, já que Passos Coelho tem defendido com unhas e dentes a manutenção ou mesmo redução da carga fiscal.

Se na bancada do PSD o tom das intervenções foi de apoio ao líder, no conselho nacional extraordinário, que se realizou anteontem em Santarém, apenas Castro Almeida votou contra duas das medidas contidas na carta de orientações, as condições prévias que com que Passos Coelho parte para as conversações com José Sócrates. "Não é justo pedir às empresas e às famílias que contribuam ainda mais para o despesismo e a falta de rigor do Estado", defende o ex-vice-presidente da direcção de Manuela Ferreira Leite. Castro Almeida foi também o único conselheiro a votar contra o corte dos vencimentos dos políticos e gestores públicos. A medida colhe, no entanto, o apoio do ex-líder parlamentar, José Pedro Aguiar Branco, e de Marcelo Rebelo de Sousa, que iria mesmo mais longe neste momento. Por exemplo, "cortando nas despesas correntes da classe política".

Fora dos dois partidos, as reacções críticas fizeram-se ouvir. À direita, o líder do CDS, Paulo Portas, já veio lembrar que o PSD se absteve na proposta de reduzir prémios de gestores públicos ao mesmo tempo que apontou contradição ao Governo que "ao mesmo tempo está a assinar o TGV e a aumentar impostos". À esquerda, o secretário-geral do PCP apelou à participação maciça na próxima manifestação da CGTP. Jerónimo de Sousa acusou os dois partidos de "dar mais um passo numa ofensiva sem precedentes" que considera estar contra os "trabalhadores, o povo e o país".

No plenário, ao início da tarde, o já previsível aumento de impostos motivou críticas violentas dos partidos mais pequenos. A abrir o debate de urgência agendado pelo BE, o deputado José Gusmão acusou o Governo de "quebrar compromissos anteriores", ainda por cima com "medidas que apontam ao coração do poder de compra, o principal motor da recuperação económica". Pelo PCP, Honório Novo acusou o Governo de apenas aplicar as medidas "impostas por Bruxelas", não tendo um "rumo para o desenvolvimento do país". Heloísa Apolónia, dos Verdes, foi a mais violenta. Lembrando que no último debate quinzenal Sócrates tinha descartado o aumento do IVA, acusou o primeiro-ministro de "recorrentemente mentir à Assembleia da República".

Nem mesmo a abertura do PSD para negociar as medidas com o PS impediu o deputado Miguel Frasquilho de atacar o Governo. Acusou José Sócrates de estar em "estado de negação" mas, acrescentou depois, "temos a casa a arder". "Temos de atirar água sobre o fogo. Alguns móveis irão estragar-se, mas as fundações têm que ficar de pé", terminou.

O ministro dos Assuntos Parlamentares, Jorge Lacão, optou por afirmar o bom trabalho do Governo no "modo como tem decorrido a execução orçamental em 2010".
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quinta-feira, abril 22, 2010

PEC e ajuda aos gregos não afastam cenário de falência em Portugal



Crise orçamental
 
Público - 21.04.2010 - 07:05 Por Sérgio Aníbal

O Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC) apresentado pelo Governo não chegou, o plano para salvar a Grécia não foi suficiente, as declarações elogiosas dos responsáveis da Comissão Europeia não resolveram o problema.
<p>O Governo está com dificuldades em convencer os 
mercados</p> O Governo está com dificuldades em convencer os mercados
 (Miguel Madeira/arquivo)

Portugal continua a ser pressionado pelos mercados internacionais por causa da sua dívida pública e a pergunta, que quase ninguém colocava há alguns meses atrás, começa a ser feita com cada vez maior insistência: o Estado português pode mesmo entrar em situação de falência?

Economistas como Joseph Stiglitz, Simon Jonhson ou Noriel Roubini dizem que é um cenário possível, aconselhando Portugal a tomar mais medidas de contenção do que as previstas e a solicitarem desde já um plano de salvamento externo aos seus parceiros europeus. Os responsáveis políticos portugueses, apoiados pelos seus parceiros europeus, fazem questão de afirmar que tudo está controlado e garantem que Portugal não é igual à Grécia.

Seja quem for que tem razão, o que é certo é que nos mercados as taxas de juro das obrigações portuguesas continuaram, ontem, pelo quinto dia consecutivo, a subir. O diferencial face à média europeia passou de 150 para 157 pontos, aproximando-se a passos largos do valor recorde registado desde a adesão de Portugal ao euro. Para obter um financiamento internacional a 10 anos, Portugal tem neste momento de pagar qualquer coisa como 4,6 por cento de juros anuais. Se esta tendência de subida continuar a agravar-se por muito mais tempo, as finanças públicas portuguesas podem entrar numa situação insustentável.

Foi exactamente por isto que a Grécia, a quem os mercados já exigem taxas de juro superiores a 7,75 por cento pelas obrigações a 10 anos, vai hoje começar a discutir com a Comissão Europeia e com o FMI a libertação de um empréstimo que permita ao país fazer face aos compromissos mais imediatos, obtendo um financiamento a uma taxa de juro de cinco por cento, um valor mais fácil de suportar por Atenas. E, mesmo assim, como noticiava ontem o Financial Times, corria ontem nos mercados a informação de que o Governo de Atenas se preparava para adiar alguns dos seus compromissos com os investidores. Não seria propriamente um default da dívida, mas ficaria lá perto.

As debilidades portuguesas

Mas será justo assumir, como têm feito vários economistas estrangeiros e como parecem fazer cada vez mais os mercados, que Portugal vai percorrer o mesmo caminho da Grécia?

Ontem, o relatório semestral sobre estabilidade financeira publicado pelo FMI parecia, em alguns indicadores, apontar neste sentido. Portugal é colocado pelo Fundo como o segundo país que mais contribui actualmente para a probabilidade de ocorrência de perturbações graves na zona euro. O contributo português é de 18 por cento, um valor que não fica longe dos 21,4 por cento da Grécia e que fica bastante acima dos 12,7 por cento da Espanha, o terceiro país que mais preocupa o FMI. Além disso, o relatório conclui ainda que o valor dos Credit Defaut Swaps da dívida pública portuguesa (títulos que protegem os investidores contra o risco de falência do Estado) até estão a um valor menor do que aquele que seria normal tendo em conta uma série de indicadores económicos. A Grécia, pelo contrário, está a ser excessivamente penalizada pelos mercados, mostram os cálculos do FMI. É que, se é verdade que o desequilíbrio orçamental, nesta fase, é muito mais grave na Grécia do que em Portugal (a dívida pública grega já supera largamente os 100 por cento do PIB e o défice deste ano deverá ser de 12,8 por cento), também não se pode esquecer que Portugal tem algumas debilidades próprias, nomeadamente o facto de o seu défice externo (que inclui também as dívidas dos privados) ser mais alto do que o da Grécia. Isto faz com que a economia portuguesa, devido ao seu elevado endividamento, possa sentir no futuro mais dificuldades em gerar a riqueza suficiente para que o Estado acabe por pagar as suas dívidas.

O que fazer agora?

A estratégia do Governo para enfrentar o actual cenário tem sido a de garantir que o PEC vai cumprir os seus objectivos e desvalorizar os avisos vindos dos economistas estrangeiros.

Na segunda-feira, o secretário de Estado do Orçamento, Emanuel dos Santos, chegou mesmo a pedir aos economistas portugueses para refutarem as avaliações que têm vindo a ser feitas. João Ferreira do Amaral, professor no ISEG, concorda com o Governo quando diz que o problema orçamental português não tem gravidade suficiente para que se comece a antecipar um default. No entanto, não deixa de estar preocupado. "O problema não é Portugal. A zona euro não foi criada de forma minimamente sólida e não está preparada para situações destas", afirma, aconselhando o Governo a "chamar a atenção para o seu PEC, mas a envolver também as instituições europeias". A prazo, o economista vê ainda mais problemas. As tensões entre os países da zona euro vão acentuar-se, o que não é nada fácil de gerir quando as instituições não são adequadas.

Outro economista, Luís Campos e Cunha, é muito mais severo na sua avaliação do desempenho português. "Num mês em que o mundo se focou em Portugal e ficou preocupado com o descalabro das nossas contas públicas, os governantes aprovaram o contrato para a construção do TGV-Madrid. Não estarão os nossos governantes num "estado de negação" da evidente embrulhada em nos meteram?", questiona-se num texto publicado ontem no blogue da Sedes.
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sexta-feira, maio 18, 2007



Agravamento do desemprego dá razão à Greve Geral

* CGTP

A evolução do mercado de emprego no 1º trimestre de 2007 fica novamente marcada pelo aumento do desemprego. É o segundo trimestre consecutivo em que se verifica um crescimento do desemprego em termos homólogos e o segundo em que a taxa desemprego é superior à verificada em termos médios na União Europeia a 27.

A taxa de desemprego subiu 0,7 pontos percentuais no último ano e 0,2 pontos percentuais em termos trimestrais, sendo agora de 8,4%. A situação é particularmente grave entre os jovens, com uma taxa de desemprego de 18,1%. As mulheres são também particularmente atingidas, com uma taxa de 9,9%.

Há mais 40 mil desempregados do que no 1º trimestre de 2006, atingindo o desemprego oficial 469,9 mil pessoas, o que corresponde a um agravamento de 9,4%. O desemprego cresceu mais entre as mulheres (mais 10%), entre os jovens da faixa etária 25-34 anos (15,1%), entre os diplomados com ensino superior (mais 32,2%, atingindo já 55,9 milhares). A taxa de desemprego mais elevada verifica-se no Norte (9,5%), tendo havido aumentos em todas as regiões, excepto no Alentejo. O desemprego de longa duração continua elevado, com um peso de 49,2% no total dos desempregados.

Apenas os serviços e a construção criaram emprego (mais 0,1% e 1,6%, respectivamente, em termos homólogos), o que se traduziu num aumento negligenciável do emprego global (0,2%). A taxa de emprego (15-64 anos) teve também uma diminuição face ao trimestre homólogo e ao trimestre anterior, situando-se agora nos 67,4%.

A precariedade aumentou 12,6% neste período, atingindo mais de 835 mil trabalhadores e elevando a percentagem de contratos não permanentes para os 21,5%. Os trabalhadores com emprego estável (contrato sem termo) reduziram-se em 2,4%, ao mesmo que houve uma quebra no emprego a tempo inteiro e um aumento de 9,2% do emprego a tempo parcial.

Estes dados contrastam com o aumento do crescimento económico divulgado esta semana pelo INE que, além de não ser suficiente para aumentar o emprego e estancar o desemprego, é inferior ao observado na UE27 (2,1% face a 3,2%).

E contradizem os dados do IEFP referentes aos desempregados inscritos nos centros de emprego em Abril (bem como dos meses anteriores) que apontam para uma diminuição do desemprego registado em 10,4%.

Os dados agora divulgados reforçam as razões que levaram a CGTP-IN a marcar a Greve Geral de 30 de Maio e justificam a exigência de uma mudança de rumo nas políticas que têm vindo a ser seguidas.

Lisboa, 17 de Maio de 2007

CGTP - Comunicado à Imprensa n.º 022/07

Taxa de desemprego subiu para o valor mais alto dos últimos 21 anos

* João Manuel Rocha, Sérgio Aníbal


Depois de no início da semana ter dado a conhecer que a economia portuguesa acelerou no primeiro trimestre para um valor acima dos dois por cento, ontem, o Instituto Nacional de Estatística (INE) divulgou os números de desemprego referentes aos primeiros três meses de 2007: o número de desempregados voltou a aumentar e para encontrar um valor superior ao anunciado ontem é preciso recuar 21 anos, mais precisamente, até ao segundo trimestre de 1986.

Os números mostram, assim, que Portugal tinha 469.900 desempregados no final do primeiro trimestre deste ano, número que representa uma taxa de desemprego de 8,4 por cento, mais 0,7 pontos percentuais do que no mesmo período do ano passado e mais 0,2 pontos acima do último trimestre de 2006. Mas as estatísticas divulgadas mostram também que o actual ritmo de crescimento económico, apesar de estar em aceleração, não é ainda suficiente para alimentar uma descida do desemprego.

Desagregando os números ontem divulgados, verifica-se, por outro lado, que o desemprego não afecta todos de igual forma e a situação mais grave é a que se verifica na população entre os 15 e os 24 anos, com uma taxa de desemprego de 18,1 por cento, um valor que representa um aumento face aos 15,7 por cento registados no período homólogo e aos 17,9 por cento do final de 2006.

A subida do desemprego anunciada ontem explica-se mais por um fenómeno de incapacidade de arranjar emprego do que perdas de postos de trabalho. A análise dos fluxos do mercado de trabalho mostra que das cerca de 165 mil pessoas que entraram na vida activa, apenas 65 mil conseguiram emprego. As outras cerca de cem mil engrossaram o lote de desempregados.

Como varia o desemprego

De acordo com o INE, o aumento de desemprego face ao trimestre anterior resulta do efeito conjugado do aumento da população desempregada (2,5 por cento, abrangendo 11.300 pessoas), acompanhado por um decréscimo da população empregada (0,1 por cento, abrangendo 7100 pessoas).

A variação do desemprego entre os primeiros trimestres de 2006 e 2007 é explicada essencialmente pelo aumento do desemprego nalguns grupos bem identificados: mulheres, indivíduos com idade entre os 25 e os 34 anos, pessoas com habilitações que não vão além do 9.º ano de escolaridade, os que estão à procura de novo emprego — sobretudo oriundos das áreas da indústria, construção, energia e água —, e os que procuram novo trabalho há seis meses ou menos. Em números absolutos, no caso das mulheres deu-se um aumento de 23.500 desempregadas (contra 16.600 homens), entre os mais jovens o número de desempregados aumentou 20.400.

No primeiro trimestre deste ano, as taxas de desemprego mais elevadas foram registadas nas regiões Norte e Alentejo (9,5 por cento em ambos os casos) e Lisboa (8,8 por cento). Os valores mais baixos foram verificados nos Açores (4,7 por cento) e no Centro (6,7 por cento). Face ao trimestre homólogo, nota-se um acréscimo em todas as regiões, excepto no Alentejo, onde se registou uma descida de 0,3 pontos percentuais. A maior subida aconteceu na Madeira (2,3 pontos percentuais que empurraram a taxa para 6,9 por cento).

Numa reacção aos indicadores ontem divulgados, o ministro do Trabalho, Vieira da Silva, disse à Lusa que há dados que contrariam a tendência de aumento do desemprego mostrada pelo INE e que, a manter-se a aceleração do crescimento económico, Portugal está em condições de conter e começar a reduzir o desemprego. Este problema é "uma preocupação da sociedade e do Governo", mas há "dados recentemente divulgados que mostram um sentido contrário" aos elementos do INE e que apontam para "alguma recuperação", acrescentou.

in Público 2007.05.18

Quadro - Botero -  Trabalhadores