A Internacional

__ dementesim . . Do rio que tudo arrasta se diz que é violento Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem. . _____ . Quem luta pelo comunismo Deve saber lutar e não lutar, Dizer a verdade e não dizer a verdade, Prestar serviços e recusar serviços, Ter fé e não ter fé, Expor-se ao perigo e evitá-lo, Ser reconhecido e não ser reconhecido. Quem luta pelo comunismo . . Só tem uma verdade: A de lutar pelo comunismo. . . Bertold Brecht
Mostrar mensagens com a etiqueta Serviço Nacional de Saúde. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Serviço Nacional de Saúde. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, dezembro 12, 2013

"Os hospitais desesperam para se verem livres dos doentes que lhes dão prejuízo"

ENTREVISTA

"Os hospitais desesperam para se verem livres dos doentes que lhes dão prejuízo"

O Ministério da Saúde tem de alterar o modelo de financiamento que está a obrigar os hospitais públicos a fazerem “desnatação de doentes”, defende o bastonário da Ordem dos Médicos, o único candidato ao cargo nas eleições desta quinta-feira.
No primeiro mandato como bastonário da Ordem dos Médicos (OM), José Manuel Silva, 54 anos, protagonizou várias polémicas e alternou entre elogios e críticas ao ministro da Saúde. Agora que candidata a um segundo mandato, sem adversários (só há corrida eleitoral nos conselhos regionais do Centro e do Sul, com dois candidatos cada), o especialista em Medicina Interna defende que Paulo Macedo é o ministro “mais qualificado” deste Governo, ao mesmo tempo que afirma que ele está mais preocupado em cortar do que em reformar.
Resultado? José Manuel Silva, que dá aulas na Faculdade de Medicina de Coimbra, onde se formou, conclui que o Serviço Nacional de Saúde (SNS) está a “perder qualidade”, que há uma “clara desmotivação dos profissionais” e que os serviços estão a funcionar com “constrangimentos dramáticos”. Dá o exemplo do serviço de urgência do Hospital de Aveiro, onde recentemente viu “39 doentes em macas, alguns há três dias, à espera de cama”.
Quando venceu as últimas eleições, enunciou, no seu discurso de tomada de posse, uma série de compromissos, um dos quais era o da revisão dos estatutos da Ordem, que permitirá acelerar a resposta às queixas dos cidadãos.
Era a questão primeira. O processo de revisão dos estatutos está concluído, elaboramos uma proposta que foi apresentada em Fevereiro ao Ministério da Saúde. Isto é essencial. Temos só cinco elementos nos conselhos disciplinares regionais. Nos novos estatutos está previsto o aumento do número de elementos e são eleitos suplentes,  portanto as decisões da Ordem vão ser muito mais ágeis. Nós temos a consciência de que os atrasos dão muito má imagem [da instituição].

Há médicos condenados em tribunal, por crimes graves, que continuam a exercer. A OM não pode fazer nada nestas situações?
O problema é que também temos o inverso. Há decisões da Ordem impugnadas em tribunal. Dou-lhe o exemplo de um médico que foi condenado a suspensão, por pedofilia [abuso sexual de menores],  mas recorreu para o tribunal administrativo e esse processo está a marinar há três anos.

As pessoas fazem cada vez mais queixas à Ordem?
Sim, mas a esmagadora maioria são queixas sem consistência, sem prova possível. E temos tomado decisões. No último Conselho Nacional de Disciplina decidimos mais uma expulsão. Estamos empenhados em separar o trigo do joio e absolutamente determinados em demonstrar que as nossas decisões de auto-regulação disciplinar não são corporativas. Só que podemos decidir rapidamente sobre questões técnicas mas não sobre decisões que impliquem uma investigação judicial, como por exemplo as fraudes no circuito do medicamento e com receitas.  Vamos ter que esperar que as sentenças transitem em julgado. Em todos estes casos, os médicos  também correm o risco de expulsão. Não queremos pessoas fraudulentas dentro da classe. Agora, se o tribunal ilibar as pessoas não podemos aplicar-lhe uma pena, elas recorrem.

Mas uma coisa é o crime, outra coisa é a deontologia.
Sim, aliás foi exactamente por isso que um psiquiatra do Porto [acusado de violação de uma doente]  foi condenado a expulsão.

No seu discurso de tomada de posse, também dizia que queria criar a figura de provedor do doente. O que é que aconteceu?
Acabamos por não criar essa figura porque achamos que quem se devia assumir como provedor do doente era a própria OM e o bastonário. Temos tido uma associação muito próxima com as associações de doentes.

Quais são as suas prioridades para os próximos três anos?
Defini três grandes linhas de actuação, uma das quais é lançar o debate sobre a proletarização dos médicos e do SNS. Estamos a ter cada vez mais uma medicina a duas velocidades, uma para os ricos e outra para os pobres. Outra passa por alterar a contratualização/financiamento dos cuidados de saúde, que está a distorcer o SNS, a obrigar os hospitais a fazer desnatação de doentes. Também pretendo avaliar as condições de exercício da medicina e a qualidade em todo o continente e ilhas.

O problema central é o do financiamento?
O financiamento hospitalar é absolutamente deficiente. Temos uma situação caricata. Temos uma directiva transfronteiriça que permite a um doente do Algarve ir tratar-se a Berlim, mas há legislação interna que proíbe a um doente do Algarve ir tratar-se a Lisboa. Neste momento as fronteiras internas são mais inultrapassáveis do que as europeias. Está tudo errado porque os hospitais desesperam para se verem livres dos doentes que lhes dão prejuízo. Não se pode financiar doentes cirúrgicos todos pelos mesmo valor [seja qual for o custo que implicam de facto]. Não mexer nesta questão é uma das maiores manchas deste ministério. São situações perversas e paradoxais relativamente às quais não se tem tomado qualquer medida efectiva.

Por que razão é que acha que o ministro Paulo Macedo não altera esta situação?
Porque tem prevalecido a preocupação de cortar e não de reformar. Já basta. Já temos uma despesaper capita muito abaixo da média da OCDE, uma comparticipação directa dos cidadãos para as despesas em saúde muito acima da média da OCDE e os nossos indicadores de saúde já estão a sofrer, por exemplo com o aumento da taxa de mortalidade infantil.

Tem elogiado o actual ministro da Saúde mas, ao mesmo tempo, diz  que ele sofre de uma obsessão financeira.
Tenho uma boa impressão do ministro da Saúde e das suas qualidades técnicas e humanas. Considero até que é o ministro mais qualificado do Governo. Outra questão são as medidas que toma. Não posso deixar de reconhecer que há duas medidas muito positivas – a redução do preço dos medicamentos e o combate à fraude e corrupção na saúde – mas, depois, há outras questões que obviamente criticamos, como o facto de a reforma dos cuidados de saúde primários estar em banho-maria, a contratualização na saúde não existir e não haver uma avaliação de  base para se definir a reforma hospitalar em Portugal.

Está a falar da concentração e do encerramento de serviços hospitalares?
Isso não é reforma. Concentrar serviços  é o que qualquer merceeiro faz. É preciso, primeiro, saber o que é que o país necessita e aonde. Só depois disso é que se pode fazer a reforma hospitalar.

Mas o ministro já pediu estudos sobre a reforma da rede hospitalar a uma série de entidades e de especialistas.
Porque é que será que ainda não fez a reforma? Porque se calhar os estudos estão todos mal feitos.

Como avalia o estado do Serviço Nacional de Saúde, depois dos sucessivos cortes?
Os cortes continuam, até para além daquilo que é recomendado pela troika. Há centenas de jovens especialistas a serem contratados, mas há muitas dificuldades, por exemplo nas urgências que são o espelho do SNS. No Hospital de Aveiro, que visitei recentemente, vi 39 doentes em macas, alguns há três dias, à espera de cama. O Serviço de Medicina Interna chega a ter uma taxa de ocupação superior a 200% (quando deveria ser de 85%), o que é um sinal de péssima qualidade. Agora, a culpa é do conselho de administração? Não. Obrigaram-no a encerrar camas em Estarreja e em Águeda…

Isso significa que o SNS piorou?
O SNS está a funcionar com um claro comprometimento da qualidade. Estamos a perder qualidade no SNS, que está a ser decapitado do topo da carreira. Centenas de médicos reformaram-se antecipadamente. Amputar a hierarquia é uma das piores vilanias que se podem fazer ao SNS. Abriram 130 vagas para assistentes graduados seniores, quando seriam necessárias vinte vezes mais. Há uma clara desmotivação dos profissionais de saúde e constrangimentos dramáticos no funcionamento dos serviços. Depois, o que acontece é como no futebol: mesmo que os jogadores sejam muito bons, a equipa perde.

Tinha dito no seu discurso de tomada de posse que o bastonário da OM não podia correr o risco de se transformar numa espécie de comentador desportivo da saúde.
Isso foi antes de rebentar a crise actual. A crise caiu-nos em cima, o que me obrigou a uma intervenção muito distinta.
 
Os médicos perderam um pouco do prestígio que tinham?
Acho que não, mantêm o prestígio, mas neste momento há muito mais médicos, há mais acessibilidade, o que é bom.

Mas a Ordem não se tem cansado de repetir que estão a ser formados médicos a mais em Portugal.
Dizemos isso com base em dados técnicos. Há um estudo que estima que podemos ter nove mil médicos a mais, até 2025.

Esses médicos podem emigrar, como acontece noutras profissões.
Já estão a fazê-lo. Fazem-no por terem no estrangeiro melhores perspectivas de desenvolvimento e realização profissional, o que está comprometido em Portugal porque os cortes na saúde estão a impedir o acesso à tecnologia e à medicação inovadora. É preciso que entre o Ministério da Saúde e as câmaras municipais se criem medidas de discriminação positiva para fixar médicos no interior do país, de forma a não termos este paradoxo de formar profissionais a mais e haver zonas onde há falta de médicos porque eles emigram.

O que seria, para si, uma boa votação nestas eleições?
O que me deixaria satisfeito seria ter mais votos do que na eleição de há três anos, em valor absoluto [teve cerca de  3700 votos ].

Mas isso é menos do que 10% do universo dos médicos portugueses.
Sim, haverá cerca de 45 mil inscritos na Ordem.

No primeiro mandato, enfrentou oposição interna, quando o parecer sobre o racionamento de medicamentos, depois de ter sido criticado por si, foi considerado equilibrado pelo Conselho de Ética da OM, que até se demitiu.
Não quero voltar a essa polémica. São águas passadas. Foi nomeado um novo conselho de ética e no último número da revista da OM está publicado um novo parecer.

Recentemente foi acusados pelos deputados da Comissão Parlamentar de Saúde de ter usado expressões grosseiras num editorial a propósito da lei sobre as terapêuticas não convencionais. Vai pedir-lhes desculpa, como eles reclamam?
Não, eles é que deviam pedir desculpa aos portugueses pela forma como a medicina tradicional chinesa foi aprovada.
 

quarta-feira, fevereiro 10, 2010

Reconfigurações na saúde por Sandra Monteiro


Reconfigurações na saúde

por Sandra Monteiro

A lógica é simples. Na doença, as pessoas vêem-se numa situação de extrema fragilidade, uma situação corrosiva para si próprias e para o corpo social. As melhores hipóteses de recuperação do bem-estar dependem da montagem prévia de mecanismos de protecção eficazes, a que todos, sem excepção, tenham acesso. O Estado, através de um contrato social com os cidadãos assente na cobrança de impostos progressivos em troca do fornecimento de serviços públicos adequados às necessidades das populações, organiza a gestão dos recursos, bens e equipamentos que melhor podem garantir a universalidade do acesso e a qualidade destes serviços. Deste modo, o financiamento do serviço prestado é feito em função dos rendimentos de cada um, e não do seu estado de saúde, para que, em contrapartida e sempre que necessário, os cuidados de saúde recebidos dependam apenas do estado de saúde de cada um, e nunca do seu nível de rendimentos. É esta a lógica do Serviço Nacional de Saúde (SNS).
.
Pouco mais de trinta anos passados sobre a criação do SNS em Portugal, e apesar de todos os ataques de que é alvo, são muito significativos os ganhos em saúde que trouxe à população. Eles estão bem expressos na diminuição da mortalidade infantil ou no aumento da esperança de vida (ver, do dossiê desta edição, o artigo de Cipriano Justo). Não será também difícil compreender que os impactos sociais da actual crise económica em Portugal atingiriam níveis incomparavelmente mais devastadores se, a par de outras protecções sociais (segurança social, subsídios de desemprego, etc.), não fosse possível contar com o SNS. Sobretudo quando este é um dos países com maiores desigualdades socioeconómicas do mundo desenvolvido, uma característica que muito contribui, por si só, para acentuar os problemas de saúde pública.
.
É certo que o SNS está confrontado com inúmeros problemas e com desafios a que precisa de responder, da garantia da cobertura de médicos de família à melhor gestão e aproveitamento dos seus recursos (humanos e em equipamentos), passando pela redução das despesas com medicamentos (através dos genéricos, das unidoses, etc.) ou ainda pela resposta mais integrada a situações não-agudas, pela coordenação dos diversos subsectores (organização, informação) e pela co-produção do próprio serviço público, potenciando o encontro de lógicas institucionais (contributo dos agentes que prestam e conhecem o serviço) e de lógicas participativas (associando, com responsabilização e autonomia, doentes e comunidades). Estão a ser dados passos importantes em alguns destes domínios, como pode verificar-se através do caso dos grupos de doentes organizados no interior do SNS (ver, no mesmo dossiê, o artigo de Maria João Fagundes). Registam-se também algumas melhorias, por exemplo em âmbito hospitalar, que vão da maior internalização de meios auxiliares de diagnóstico até à ligação em rede das informações das várias consultas (com ganhos para a saúde, mas também económicos, evitando a repetição de análises, etc.). Há também ganhos em conforto para os utentes, como nos casos em que houve requalificação de espaços, simplificação de procedimentos (marcações de consultas, colocações de vinhetas nas receitas), com claros ganhos de tempo e de tranquilidade nas unidades de saúde. Há até casos em que se optou pelo envio regular de mensagens de texto para o telemóvel dos utentes, recordando as consultas agendadas.
.
Estas facetas do SNS também precisam de ser conhecidas, apropriadas, multiplicadas. Mas características como moderno, ágil, adaptado às novas tecnologias, eficiente, atento a outras necessidades dos utentes que não as mais vitais, valorizando e enquadrando institucionalmente a ética de serviço públicos dos profissionais, são, todas elas, vistas como ameaçadoras, e com razão, pelos interesses privados que vêem no negócio da saúde um dos mais lucrativos em que podem investir. Não soubemos ainda recentemente que os quatro principais «grupos privados na área da saúde facturaram 694 milhões de euros em 2009, um ano de crise, mais 42,5% do negócio relativamente ao ano anterior», e que esses grupos esperam um aumento da procura de serviços privados, se aumentar a população que possui um seguro de saúde (Diário de Notícias, 1 de Fevereiro de 2010)?
.
Apesar de os serviços privados de saúde falharem na demonstração da uma maior eficácia para garantir o bem-estar das populações, e não obstante esse rumo estar a ser descredibilizado e corrigido até por instâncias como a Organização de Cooperação Económica (OCDE) e por países que o levaram ao limite, como os Estados Unidos (ver, também nesta edição, o artigo de Martine Bulard), é neste sentido que os interesses privados, em Portugal como noutros países, continuam a tentar reconfigurar os sistemas de saúde. Esse propósito, central ao projecto neoliberal mas demasiado caro para a saúde das populações, tem conseguido apoiar-se em políticas públicas que dependem de arranjos permitidos dentro do próprio Estado.
.
A operação é conhecida. Encoraja-se a degradação dos serviços nacionais de saúde, martela-se constantemente na comunicação social que o sistema público é insustentável e ineficaz, propõem-se alternativas privadas e, depois de muitos terem aderido aos novos sistemas, conta-se com a sua cumplicidade para deslegitimar o serviço público, abrindo a porta a que se ponha em causa a provisão pública. Enquanto isso, o prestador privado utiliza a imagem, habilmente construída, de eficácia para penetrar no SNS através da gestão empresarial de equipamentos públicos e de parcerias entre o público e o privado. Aparentemente, e apesar das apreensivas declarações governamentais, pouco importa que sucessivos relatórios do Tribunal de Contas demonstrem que tais parcerias tendem a lesar o Estado e o interesse público. Os projectos mantêm-se, como se vê com o novo hospital de Loures. Mesmo havendo evidência de que os riscos não são partilhados nem assumidos pelos privados, de que as parcerias são pouco transparentes e inflexíveis na renegociação, de que não são enquadradas por uma definição de boas práticas, de que aparentemente aliviam o orçamento de Estado no curto prazo mas não impedem que os custos sejam transferidos para gerações futuras e, por fim, de que nada prova que permitam aceder a melhores condições de crédito… A entrevista dada pelo juiz jubilado do Tribunal de Contas, Carlos Moreno, mostra bem o quanto o Estado negoceia em situação de fraqueza, o que nunca augura nada de bom (Jornal de Negócios, 22 de Janeiro de 2010).
.
A manter-se este quadro de transferências ruinosas de recursos, bens e equipamentos para o privado, é legítimo perguntar, como faz São José Almeida no Público (30 de Janeiro de 2010), «de que estamos a falar quando falamos de mais 10 por cento para o SNS» no quadro das dotações do Orçamento de Estado de 2010. É que, quando os poderes públicos aceitam ser usados pelo mercado e pelas narrativas que este constrói para reconfigurar direitos sociais fundamentais como o direito à saúde, corremos o risco de não ver as reconfigurações do SNS que se escondem por trás de investimentos públicos mal orientados.
.
sexta-feira 5 de Fevereiro de 2010
.
.

quinta-feira, janeiro 14, 2010

O Estado Social e o Serviço Nacional de Saúde


Quinta-feira, Janeiro 14


O Estado Social 

Estou de acordo com cada uma das afirmações do Hermes "Privatização de Hospitais é ineficaz" link. O Estado Social é, sem qualquer dúvida, uma marca civilizacional (muito mais que um “modelo”) da EU, e outros países (vg os USA) tentam atingi-la. Por isso nos deve espantar a posição de Daniel Bessa (DB) que enuncia como hipóteses a privatização da educação e da saúde para a imprescindível diminuição da despesa pública, ainda que afirmando que devem continuar a ser apoiados os de menores recursos. Na leitura que faço, DB expressou-se mal, com deficit de clareza, e por isso merece as reacções que está a receber. Não basta termos razão, é preciso que os outros a reconheçam, sem o que a razão que tivermos não lhes servirá para nada. Ora, o que se conhece de DB leva-me a concluir que a sua tese não seria a privatização das áreas referidas, mas sim a de convocar para primeiro plano da actualidade a problemática da sustentabilidade financeira do SNS e do modelo de financiamento da Educação, no que se opõe, frontalmente, aos que afirmaram dispensar a leitura do relatório sobre a sustentabilidade do SNS.
.
É evidente que o estado social não é atingido, ou concretizado, na mesma dimensão em todos os países e muito menos é prosseguido através do mesmo modelo. Pelo contrário, e confinando-nos à área de saúde, cada país faz as suas opções quer no que respeita à extensão ou abrangência quer à forma de organizar, atribuir e veicular os recursos indispensáveis à efectivação do estado social. Entre nós, também é desnecessário demonstrar que estamos ainda longe da concretização plena do direito à saúde e, na área da educação o atraso é igualmente inquestionável. Infelizmente – e é daí que parte DB – a sustentabilidade não é problema do SNS e da Educação, mas antes um problema global, de todo o OE e não só. Do que se trata é da perigosa aproximação da inviabilidade de persistir num modelo que tem consistido em continuar a atirar para a dívida o que não há capacidade para pagar. Afinal, ao contrário do que por vezes se diz, esta não é um saco sem fundo; venha de onde vier, tem pesadas consequências, para nós e para os que virão a seguir.
.
Por tudo isto, não me espanta a afirmação de DB: “Se calhar, o Governo terá de congelar os salários, cortar nas despesas, criar novas taxas…”; mas é aqui que as declarações da “Médica Sáuria, formada em Cuba, a trabalhar num Hospital Público Português” ganham o máximo da pertinência: “Jamais me passaria pela cabeça comprar algo desnecessário”. …” Sobre o SNS acha que “o mais negativo é a falta de organização. Com organização este seria um dos melhores sistemas de saúde do Mundo”.” Na pele de contribuinte, que todos temos, penso que são sempre indispensáveis prioridades e que criar novas taxas deve ser a última. Muito antes deve ser ouvido o Recipe da médica Sáuria (ou Sauri?).
.
Nessa mesma pele de contribuinte, estou de acordo com o Tavisto quando este afirma a necessidade de “medidas corajosas e concertadas entre ministérios”. … entre outras, que também aplaudo, “aliar a remuneração à produtividade impedindo aumentos salariais cegos que só irão agravar iniquidades”.
.
Mais ainda: se os riscos que corremos e as consequências são as que nos anunciam, aceitaria que só fossem tomadas medidas neutras ou favoráveis, no curto ou médio prazo, no crivo da sustentabilidade. Não que me não penalize ficar como estamos, mas porque não quero perder o que já temos. É pena, mas as coisas não acontecem só porque gostamos delas.
.
Finalmente as medidas, por mais justas que sejam, devem ser consideradas não só pelo seu conteúdo, mas também pelo que arrastam e pelos sinais que transmitem, cuja importância não pode deixar de ser ponderada.
.
O que não falta são sinais que vão contra o que, pela razão e pela exigência de consistência, se esperaria. Um deles a extinção das chamadas taxas de punição, em disputa entre o Governo e a A.R.. Mas não quero exemplificar, apenas resumir, dizendo que muitos dos sinais vão no sentido de criar a sensação de esgotamento: das medidas anunciadas, da credibilidade e capacidade dos agentes por elas responsáveis ou que as deveriam implementar e dos destinatários finais que perderam capacidade de reivindicar e exigir. Temos, afinal o que merecemos e o que dizemos querer.
.

Aidenos
.

sábado, janeiro 02, 2010

Ano Novo traz subida moderada nos preços

Você está em: Homepage / Economia / Notícia
.
Vincent Du/Epa  O preço da luz vai sofrer um agravamento de 2,9 por cento já este mês
O preço da luz vai sofrer um agravamento de 2,9 por cento já este mês

Correio da Manhã - 02 Janeiro 2010 - 00h30

Consumo: Inflação é baixa, mas há bens que vão sofrer aumentos

.

O novo ano traz consigo a subida moderada de alguns bens de consumo, ainda que a maioria dos preços se vá manter inalterada. A electricidade sobe já este mês, a factura do gás vai ficar mais cara, as marcas de tabaco mais vendidas vão ter agravamento e a prestação da casa deverá acompanhar a esperada subida dos juros.
.
As famílias que habitam em Portugal Continental vão pagar mais 2,9% pela luz que consomem, ou seja, numa factura de 40 euros a subida será equivalente a 1,07 euros mensais. Na Madeira o aumento será de 2,4 por cento e nos Açores de 2,1.
.
No gás, as tarifas mantêm-se iguais, mas a aplicação de uma nova taxa vai fazer engordar a factura. A taxa de ocupação do solo entrará em vigor a meio do ano e será cobrada pelas câmaras. Os novos preços da água serão conhecidos nos próximos meses, já que são os municípios quem dita os aumentos neste sector.
.
O tabaco será um dos bens mais penalizados pelas subidas. Os maços das marcas mais vendidas no País (Marlboro King Size Box, SG Ventil RS Soft Pack, Aguia King Size Box Pack e SG Filtro RS Soft) poderão custar até mais 10 cêntimos.
.
Para quem comprou casa os encargos deverão também subir já que é esperado o aumento das taxas de juro, o que fará escalar a prestação.
.
Ainda assim, nem tudo serão más notícias. As rendas, os transportes públicos, os táxis e as portagens da maioria das auto-estradas mantêm os preços. Pão e leite deverão ficar na mesma, tal como o preço dos CTT e das comunicações móveis. Na rede fixa, a PT anunciou que vai descer os preços e oferecer chamadas.
.
PORMENORES
.

TELEFONES
A PT vai baixar o preço das chamadas fixas em cerca de 10,5 por cento e oferecer chamadas ilimitadas dentro da sua rede aos fins-de-semana.
.
PORTAGENS NA A2 E NA A12
Só os sublanços. Palmela-Nó de Setúbal (A2/A12) e Montijo-Pinhal Novo sobem este ano.
.
VENDAS EM QUEDA
A venda de tabaco caiu oito por cento nos primeiros onze meses de 2009, o equivalente a menos 93 milhões em receitas.
.
TAXAS DESAPARECEM NA SAÚDE
.

Os utentes do Serviço Nacional de Saúde já não têm de pagar as taxas moderadoras para internamento e cirurgias em ambulatório. A decisão tinha sido tomada em Conselho de Ministros, mas só entrou ontem em vigor. São exactamente menos cinco euros por dia no internamento e cinco euros por operação que os utentes deixam de pagar. Continuam a ser cobradas as restantes taxas moderadoras. Estas taxas foram implementadas em 2006 pelo então ministro da Saúde, Correia de Campos, com o objectivo de "disciplinar" os serviços. O Governo reconheceu que esse objectivo não foi cumprido, mas não acaba com as restantes taxas porque tal significaria um corte de 70 milhões de euros no orçamento do sector.

.


» COMENTÁRIOS no CM on line
.
02 Janeiro 2010 - 13h04  | luciano santos
Parabéns ao governo pelo aumento de alguns bens de consumo! É assim mesmo, vivam os aumentos!!!
.
.

terça-feira, novembro 17, 2009

WSWS - News 2009.11.16


New Today -- 17 November 2009




Perspective

Once again: The New York Times and Obama’s attack on health care

The New York Times has stepped up its campaign in support of the Obama administration's drive to overhaul the US health care system, providing arguments in defense of rationing and a class-based system of medical care.



News & Analysis

A record 49 million Americans faced hunger in 2008

A yearly survey on hunger released Monday by the United States Department of Agriculture reported that a record 49.1 million Americans in 17 million households lacked dependable access to adequate food in 2008.

Washington's crisis over Afghanistan deepens

Wave of bombings hits Pakistan's north west

Sharp rise in birth defects in Iraqi city destroyed by US military

Credit ratings agency gives verdict on British economy

Courtroom murderer sentenced to lifelong imprisonment in Germany

Solomon Islands: parliamentary report rubberstamps Australian-led RAMSI intervention force




This Week in History: November 16-22

This Week in History: November 16-22




ISSE

For an independent working class movement to defend education




Socialist Equality Party

Sri Lankan SEP holds meeting on lessons of World War II




Science

Moon experiment shows presence of water




Workers Struggles

Illinois teaching and research assistants strike

Workers Struggles: The Americas




Correspondence

Letters on Robert Service's Trotsky

Read more at wsws.org

segunda-feira, agosto 17, 2009

Saúde - o negócio das privadas

Quarta-feira, Agosto 5

Pantominices, falsidades e jogos de sombras

art work NYTimes
.
Por mais que os neo-liberais de pacotilha se esforcem a “produzir” notícias, estrategicamente, colocadas por agências de comunicação, principescamente pagas, não conseguem evitar que a realidade lhes caia em cima. Fazem soar que os seguros de saúde cresceram a 2,8 % omitindo, no entanto, a desgraça dos milhares de anulações por falta de pagamento. Escamoteiam as crises internas através de malabarismos mediáticos em que ocultam a realidade e se fagocitam entre si por desesperadas fatias de mercado.
.
Vale a pena reflectir sobre o deambular das notícias dos últimos dias:
…/…
Mercado dos seguros contra doença subiu 2,8%. Dois milhões com seguro de saúde. São cada vez mais os portugueses que optam por contratar um seguro de saúde. Nos primeiros seis meses do ano este segmento cresceu 2,8 por cento, abrangendo, segundo a Associação Portuguesa de Seguradores (APS), mais de dois milhões de pessoas.
.
Uma procura de protecção contra a doença que tem vindo a aumentar, em parte devido às listas de espera nos hospitais públicos. Em 2008, mais de meio milhão de pessoas aguardava por uma cirurgia no Sistema Nacional de Saúde, segundo dados oficiais. No total, este ramo do mercado segurador cresceu para os 284 milhões de euros. Com o aumento dos seguros de saúde, aumenta também a procura de cuidados nos três principais grupos de saúde privados do País.
.
Enquanto isto:
.
Os resultados líquidos consolidados do Grupo Caixa Geral de Depósitos (CGD) atingiram 227,4 milhões de euros, no primeiro semestre, ou seja, menos 35,8% face a igual período do ano passado. A ajudar a este cenário esteve a evolução dos resultados na área seguradora e saúde explica a instituição financeira em comunicado.
.
De novo a propaganda:
,
O grupo HPP Saúde, da Caixa Geral de Depósitos, dona, por exemplo, do Hospital dos Lusíadas, registou no primeiro semestre um aumento da facturação de 130%, para 67 milhões de euros. No Espírito Santo Saúde, que entre outros detém o Hospital da Luz, as receitas subiram 17%, para 107 milhões de euros.
.
Contrariada pela dura realidade:
.
Só na área de seguros e saúde, o banco público registou prejuízos de 78,3 milhões de euros. «A contribuição negativa da Caixa Seguros e Saúde, em 78 milhões de euros, para o resultado líquido da CGD, ficou a dever-se principalmente ao reconhecimento de perdas em investimentos na carteira de títulos e participações financeiras (89,6 milhões de euros) e ao impacto de menos 23 milhões de euros registado na área de saúde com o desinvestimento no grupo USP Hospitales», justifica a instituição.
.
De volta à manipulação informativa:
.
A facturação dos grupos privados de saúde cresceu mais de dois dígitos no primeiro semestre, face a igual período de 2008. A CUF foi a única excepção. Já a José de Mello Saúde, dos Hospitais CUF, apenas dispõe de dados do primeiro semestre referentes a internamentos, que subiram 3,5%; as consultas aumentaram 27,5% e as urgências 23,9%. Uma tendência que arrancou em 2008, quando um estudo revelou que as 40 empresas gestoras das clínicas privadas existentes em Portugal facturaram nesse ano 690 milhões de euros, mais oito por cento do que no ano anterior.
.
Para, finalmente, cair na realidade:
.

British Hospital de Campo de Ourique encerra com dívidas a médicos e fornecedores. O British Hospital de Campo de Ourique, em Lisboa, fechou portas sexta-feira com dívidas a médicos e fornecedores, disse à Lusa o director clínico da unidade, que não soube precisar o valor da dívida.
.

007

Etiquetas:

Saúde - um negócio das privadas


,

.

Relatório da Primavera


O Obervatório Português de Sistemas de Saúde (OPSS), a exemplo de anos anteriores, publicou mais um Relatório da Primavera, neste caso do ano de 2009, com o título “10 anos deOPSS/30 anos de SNS – Razões para Continuar”.
.
Alterando a linha de análise dos anos anteriores optou, no corrente ano, por fazer um balanço dos últimos 10 anos de governação acompanhando, desta forma, os 10 anos de publicação dos referidos Relatórios que se iniciaram no ano de 2001, com o título “Conhecer os Caminhos da Saúde”.
.

Em primeiro lugar queremos saudar a longevidade do projecto e louvar a persistência, dedicação e empenho das pessoas que continuam a acreditar no mesmo, dos poucos, para não dizer os únicos, que de forma apartidária, científica e transparente fazem reflexão sobre os acontecimentos na governação da saúde do nosso país.
.
Em segundo lugar queremos acompanhar as preocupações do OPSS quanto à sustentabilidade do projecto quando refere que poderá estar em risco a sua existência. Não podemos permitir que tal aconteça, seria uma grande perda para o nosso sistema de saúde, tão pouco reflexivo nas medidas de inovação, avaliação e mudança.
.
Face à dimensão e variedade de matérias constantes do presente Relatório decidimos fazer referência apenas a três das mesmas, concretamente: “O contexto de uma década”, “A rede hospitalar” e o “Financiamento e contratualização do SNS”.
.
A preocupação com a despesa crescente (10,3% do PIB, em 2008) tem sido uma temática recorrente dos fóruns da área da saúde. No caso do nosso país a situação é mais grave tendo em atenção a baixa produtividade e consequente crescimento. A convergência com os países da Europa não tem acontecido e o impacto nas contas públicas, designadamente da saúde, tem sido um facto. Os orçamentos da saúde vão sentir inexoravelmente este acontecimento.
.
O crescimento da despesa implica medidas de correcção que têm sido tomadas através da contenção de custos. Os hospitais sentem na pele esta trajectória.
.
As recentes mudanças de política de saúde em alguns estados americanos, sendo o Estado da Califórnia, governado pelo republicano Schwarzenegger, têm sido caracterizadas pela introdução da cobertura universal dos cidadãos na área da saúde. Por outro lado, os debates sobre a saúde nas passadas eleições presidenciais, nos EUA, colocando na mesa questões da cobertura universal, são sinais claros das preocupações da sociedade e dos seus representantes políticos nesta matéria.
.
Quanto à rede hospitalar e às transformações da gestão dos hospitais públicos é de salientar o processo de empresarialização dos mesmos.
.
Era incomportável sobreviver num enquadramento jurídico onde a exigência da lei impedia uma gestão célere, pragmática e efectiva. É verdade que alguns estudos têm dado nota de não ter havido grandes diferenças nos resultados de avaliação dos hospitais com estatutos SPA e EPE. Mas também é verdade que são conhecidos muitos hospitais EPE com desempenhos claramente meritórios. O problema provavelmente não estará no estatuto das instituições mas antes na qualidade da gestão, como tenho muitas vezes referido.
.
Quanto ao financiamento e contratualização no SNS apenas dizer que se trata de matéria consensual e enraizada no processo de negociação. Foi dos passos mais importantes no financiamento dos hospitais portugueses. Resta consolidá-lo e continuá-lo. O passo seguinte e aqui acompanhamos o OPSS, será contratualizar numa lógica de resultados e de ganhos da saúde.
.
Finalmente, referir a importância deste Relatório da Primavera e aguardar com expectativa a publicação do próximo relatório.

Pedro Lopes, presidente da APAH, editorial da GH n.º 44

Etiquetas:

posted by xavier at 5:29 PM
.
.

domingo, agosto 16, 2009

Gripe Suina - Medo patológico

Você está em: Homepage / Opinião / Notícia
.
in Correio da Manhã - 16 Agosto 2009 - 00h30
.

Dia a Dia


.
* Eduardo Dâmaso, Director-adjunto

.
A história que o CM hoje publica é exemplar do mais nefasto ‘efeito colateral’ da gripe A. O medo de contaminação retardou por quase três dias o socorro a um doente que nem tem o vírus mas sim paludismo.
.

A Linha de Saúde 24 demorou dois dias a dar uma resposta objectiva, os bombeiros recusaram o transporte sem autorização escrita daquela entidade e um militar da GNR viu-se obrigado a mentir para que o 112 enviasse uma ambulância para transportar o doente. Ninguém o assume mas isto tem apenas um nome: MEDO. Um medo patológico de um vírus que não demonstrou sequer ser mais perigoso do que uma banal gripe de época.

.

Esta história demonstra também uma enorme impreparação das estruturas administrativas e técnicas do Estado para lidar com situações desta natureza. Não basta dar umas conferências de imprensa a fazer um boletim clínico diário. Isso é obviamente importante se for limitado ao que os médicos dizem e não extensivo a declarações infelizes como a da ministra da Saúde na semana que passou.

.

Mais do que nunca, nestes casos, o que se pede é que as autoridades comuniquem confiança à população, não dramatizem de forma absurda e façam a necessária e intensa pedagogia junto dos servidores públicos. A comunicação social tem as costas muito largas mas nem sempre escondem as faltas alheias.

.

.


terça-feira, julho 28, 2009

Grupo Mello à beira de gerir mais um hospital

.

O governo retirou a gestão privada do Hospital Amadora Sintra ao Grupo Mello devido a gestão ruinosa mas agora vai entregar-lhe a gestão de dois novos hospitais. Foto da Lusa O consórcio liderado pela José de Mello Saúde vai ganhar a gestão do hospital de Vila Franca de Xira, depois de já ter conseguido o de Braga. Apesar da gestão ruinosa do Amadora-Sintra pelo Grupo Mello, reconhecida pela própria Ministra da Saúde e por José Sócrates, o governo continua a dar a gestão dos novos hospitais a privados.
.

O grupo liderado por Salvador de Mello está prestes a vencer o Grupo Português de Saúde na luta pela construção e gestão administrativa do novo hospital de Vila Franca durante 10 anos e trinta anos na sua manutenção. O consórcio liderado pela José de Mello Saúde está "muito bem encaminhado" para ganhar a gestão clínica do hospital de Vila Franca de Xira, segundo declarou à agência Lusa uma fonte ligada ao processo. A decisão do Governo não é ainda oficial porque faltam duas semanas para terminar o prazo em que os concorrentes podem levantar questões relativamente à adjudicação do contrato. Mas tudo aponta para que seja mais uma vez a José de Mello Saúde, holding do Grupo Mello na área da saúde, a ficar com a gestão do hospital.

.

A confirmar-se a adjudicação, a José de Mello Saúde ganha dois dos quatro hospitais que o Estado lançou em concurso para serem geridos por operadores privados (Braga e Vila Franca de Xira). Os outros dois foram ganhos pela Espírito Santo Saúde (Loures) e pela Hospitais Privados de Portugal (Cascais).

.

O programa inicial das parcerias previa o lançamento de dez concursos, compostos pela construção e gestão clínica dos hospitais, mas no ano passado o primeiro-ministro anunciou, no Parlamento, que os seis hospitais que ainda não tinham sido postos a concurso teriam apenas a componente da construção privada, e seriam geridos pelos profissionais do Serviço Nacional de Saúde (SNS).

.

“A gestão privada nas unidades de saúde é extremamente lesiva para o interesse público. Assim nos prova a experiência”, disse Sócrates em Março de 2008, admitindo o fracasso da opção da gestão privada. “Há uma grande dificuldade em fazer os contratos, o Estado gasta uma fortuna para vigiar o seu cumprimento e nunca foi possível eliminar a controvérsia. Por isso, é melhor o SNS ter gestão pública", dizia o primeiro-ministro na altura. Apesar disso, manteve o concurso de gestão privada daqueles quatro hospitais e prepara-se para atribuir mais um ao Grupo Mello, apesar da reconhecida má gestão dos Mellos no Amadora-Sintra.

.

Recorde-se que a construção do Hospital de Braga, já atribuído ao Grupo Mello no ano passado, está a ser feita no âmbito de uma parceria público-privada com a José de Mello Saúde, que estará 10 anos à frente da gestão administrativa daquela unidade de saúde e 30 anos na sua manutenção. Na mesma semana em que terminou a gestão do Grupo Mello no Hospital Amadora-Sintra, depois de 13 anos de escândalos e má gestão, foi adjudicado o contrato que atribui a gestão do hospital de Braga à José de Mello Saúde. Agora tudo aponta para que o hospital de Vila Franca de Xira siga o mesmo caminho.

.

Hospital de Loures vai para o Grupo Espírito Santo

.

A Lusa adianta ainda que o hospital de Loures, o primeiro a ser lançado no modelo de parceria público-privada, vai ser construído e gerido pelo consórcio liderado pela Espírito Santo Saúde, revelou o presidente da Administração Regional de Saúde de Lisboa à agência Lusa.

.

O agrupamento Consis Loures é liderado pelo Grupo Espírito Santo Saúde e inclui as construtoras OPCA e Mota-Engil, a clínica alemã Asklepios e a empresa de manutenção Dalkia. Em declarações à agência Lusa, a líder do consórcio confirma a notificação e diz que o hospital de Loures "é extraordinariamente interessante porque será um dos hospitais centrais na requalificação da oferta hospitalar de Lisboa". Isabel Vaz sublinha a "grande satisfação de entrar no serviço público" e garante que o grupo está "ciente da responsabilidade".

.

A proposta final da Espírito Santo Saúde é 17 milhões de euros mais baixa que a da José de Mello Saúde, o que garantiu a liderança nas preferências do avaliador, já que o preço é o factor decisivo na avaliação

.
.
in Esquerda Net - 27-Jul-2009
.

sábado, julho 18, 2009

Portugal - Desemprego e Cuidados de Saúde

in Avante Nº 1859
16.Julho.2009


Site do PCP
Site do PCP

Portugal no top do desemprego
.
Com 9,3 por cento da população activa desempregada (dados de Maio), Portugal está entre os países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) mais afectados pelo desemprego e acima da média verificada na UE. Segundo dados do Eurostat divulgados esta semana, a taxa de desemprego na OCDE subiu 0,3 por cento em Maio em comparação com o mês anterior, e 2,4 em termos homólogos, situando-se nos 8,3. Os números relativos apenas aos 16 países da Zona Euro são ainda mais graves, já que a taxa de desemprego registada em Maio foi de 9,5 por cento, contra os 8,9 por cento verificados na União Europeia dos 27. Portugal regista a sexta taxa de desemprego mais elevada da OCDE, a seguir à Espanha (que bate todos os recordes, com o desemprego a afectar 18,7 por cento da população), Irlanda, Eslováquia, Hungria e EUA. No outro lado do espectro situa-se a Holanda e a Áustria, com 3,2 por cento e 4,3 por cento de desempregados, respectivamente. Com uma contracção de 2,5 por cento no primeiro trimestre de 2009, face ao anterior, a economia da Zona Euro registou a maior queda desde 1999, sendo que esse foi o quarto trimestre consecutivo retracção da actividade.
.

Portugueses «cortam» na saúde
.
Nos últimos sete anos duplicou o número de portugueses que não compraram óculos nem foram ao dentista por dificuldades económicas, revela um estudo sobre «O estado da saúde em Portugal» divulgado a 8 de Julho. Apresentado na sessão comemorativa dos 30 anos do Serviço Nacional de Saúde (SNS), o estudo avalia o acesso económico dos portugueses aos cuidados de saúde, medido através de cinco indicadores. Um dos aspectos relevantes dos resultados obtidos é o facto de a percentagem de inquiridos que afirma não ter ido ao dentista ou não ter comprado óculos, por falta de recursos, ter passado de 10,4 por cento para 20 por cento e de 8,3 por cento para 14,7 por cento, respectivamente, entre 2001 e 2008. O estudo revela ainda, entre outros aspectos, que no mesmo período a utilização do SNS por via directa aumentou de 84,8 por cento para 89,9 por cento; e que a percentagem de detentores de seguros de saúde se mantém estável (11,2 por cento contra 11,8 por cento) mas qualitativamente diferente, já que os seguros pessoais passaram de 57,3 por cento para 80 por cento, em detrimento dos seguros de empresas e dos seguros colectivos, que quase desaparecem, passando de 44,1 por cento para 2,4 por cento.
.
.