A Internacional

__ dementesim . . Do rio que tudo arrasta se diz que é violento Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem. . _____ . Quem luta pelo comunismo Deve saber lutar e não lutar, Dizer a verdade e não dizer a verdade, Prestar serviços e recusar serviços, Ter fé e não ter fé, Expor-se ao perigo e evitá-lo, Ser reconhecido e não ser reconhecido. Quem luta pelo comunismo . . Só tem uma verdade: A de lutar pelo comunismo. . . Bertold Brecht

terça-feira, agosto 28, 2012

“A causa da crise financeira é a lógica do próprio capitalismo”


“A causa da crise financeira é a lógica do próprio capitalismo”

Para o professor François Houtart, somos confrontados com uma lógica que corre ao longo da história econômica do século passado

20/01/2012
Nilton Viana
da Redação



O sociólogo belga François Houtart - Foto Roosewelt Pinheiro/ABr
A crise que vivemos é mais profunda e bastante diferente da que conhecemos nos anos 1929 e 1930, afirma o professor François Houtart. Segundo ele, sua dimensão evidentemente está vinculada ao fenômeno da globalização. Porém, ressalta que a atual crise não é nova. Não é a primeira crise do sistema financeiro e muitos dizem que não será a última. Houtart acredita que o mais importante, e isso é diferente dos anos 1929 e 1930, é essa combinação com vários tipos de crises. E afirma: a causa fundamental da crise financeira é a lógica do próprio capitalismo. “A crise financeira é devida à lógica do capital, que tenta buscar mais lucros para acumular capital, que é, dentro dessa teoria, o motor da economia”.
Em entrevista ao Brasil de Fato, Houtart fala também sobre as várias facetas desta crise, inclusive a crise alimentar, a qual, segundo ele, faz parte da mesma lógica. “A combinação da crise econômica com a alimentar é algo novo. Porém, são vinculadas”.

Brasil de Fato – O mundo vive hoje uma crise mundial, que tem afetado principalmente os Estados Unidos e a Europa. Como o senhor avalia esse cenário?
François Houtart – Eu penso que, primeiro, se trata de uma crise do sistema econômico capitalista, que é muito similar à crise dos anos de 1929-1930 e também a muitas outras crises cíclicas do sistema capitalista onde há subprodução, subconsumo e eventualmente crises financeiras.
A crise que vivemos hoje me parece mais profunda e bastante diferente da que conhecemos nos anos 1929 e 1930, porque, primeiro, sua dimensão evidentemente está vinculada ao fenômeno da globalização. Isso significa que hoje há um efeito muito mais global do que nos anos de 1929-1930 e que evidentemente afeta o conjunto da economia. Já está afetando os países emergentes e de uma maneira ou outra afetará outros países do mundo. Porém, o mais importante, e isso é diferente dos anos 1929 e 1930, é essa combinação com vários tipos de crises. Por exemplo, a crise alimentar, que foi conjuntural nos anos 2008-2009 e que correspondeu à crise do capital financeiro. Porque o capital financeiro tem buscado novos lugares de especulação e o lugar foi a alimentação, com conseqüências terríveis. E a crise alimentar é também estrutural e não somente conjuntural, porque precisamente afeta toda a maneira de fazer a agricultura. E a introdução cada vez mais forte do capital dentro da agricultura, com a concentração de terras, gera uma contrarreforma agrária mundial e o desenvolvimento de monocultivos, com todas as consequências ecológicas de destruição de ambiente e também de destruição humana; por exemplo, a exclusão dos camponeses de suas terras.
A combinação da crise econômica com a alimentar é algo novo. Porém, são vinculadas. Na verdade, a crise financeira é devida à lógica do capital, que tenta buscar mais lucros para acumular capital, que é, dentro dessa teoria, o motor da economia. Se o capital financeiro é mais proveitoso do que o produtivo, ele faz a lei da economia mundial como é hoje. Assim, essa é evidentemente a lógica do capitalismo que provoca a crise financeira, que tem efeitos econômicos, porque tem efeitos sobre emprego, crédito e toda a economia. Porém, é essa mesma lógica que está provocando a crise alimentar, porque, por uma parte, há uma especulação – o preço do trigo, por exemplo, tem dobrado 100% em um ano, menos de um ano, por razões puramente especulativas.

A inclusão do capital na agricultura teve como uma de suas consequências
a exclusão dos camponeses de suas terras - Foto: P.Casier/CGIAR
E quais são as conseqüências sociais dessa crise?
Na verdade, as consequências sociais da crise financeira são sentidas além das fronteiras da sua própria origem e afetam os fundamentos da economia. Desemprego, custo de vida crescente, a exclusão dos mais pobres, a vulnerabilidade das classes médias, expandindo a lista de vítimas no mundo. Não é apenas um acidente no percurso, ou apenas de abusos cometidos por alguns atores econômicos que precisam ser punidos. Somos confrontados com uma lógica que corre ao longo da história econômica do século passado. O desenrolar dos acontecimentos sempre responde à pressão das taxas de lucro. A crise que vivemos hoje não é nova. Não é a primeira crise do sistema financeiro e muitos dizem que não será a última.

A seu ver, qual é a principal causa dessa crise mundial?
A causa fundamental da crise financeira é a lógica do próprio capitalismo, que torna o capital motor da economia. E seu desenvolvimento – essencialmente, a acumulação – leva à maximização do lucro. Se a financeirização da economia favorece a taxa de lucro e se a especulação acelerou o fenômeno, a organização da economia como um todo continua dessa forma. Mas um mercado não regulamentado capitalista conduz inevitavelmente à crise. E, como indicado no relatório da Comissão das Nações Unidas, é uma crise macroeconômica.

Um dos graves problemas da humanidade hoje é a fome. Como fica essa questão frente a esse cenário de crise?
A crise alimentar tem dois aspectos, um cíclico e um estrutural. O primeiro manifestou-se com o aumento dos preços dos alimentos em 2007 e 2008. Sim, para explicar o fenômeno, houve alguma base eficiente, como alguma diminuição fraca em reservas de alimentos, mas a principal razão foi de natureza especulativa, em que a produção de agrocombustíveis não ficou imune (etanol de milho nos Estados Unidos). Assim, o preço do trigo na Chicago Board (Bolsa de Chicago) aumentou para 100%, do milho 98% e do etanol, 80%. Durante esses anos, uma parte do capital especulativo passou de outros setores para investir na produção de alimentos, na busca por lucros rápidos e significativos. Consequentemente, segundo o diretor da FAO, em geral, a cada ano, em 2008 e 2009, mais de 50 milhões de pessoas ficaram abaixo da linha da pobreza e o total de pessoas que viviam nessa situação em 2008 atingiu um valor nunca antes conhecido – de mais de um bilhão de pessoas. Essa situação foi claramente o resultado da lógica do lucro, a lei capitalista do valor.
O segundo aspecto é estrutural. É a expansão durante os últimos anos da monocultura, resultando na concentração da terra, ou seja, uma verdadeira contrarreforma. A agricultura familiar foi destruída em todo o mundo sob o pretexto de sua baixa produtividade. Na verdade, as monoculturas têm uma produção que às vezes pode ir até 500% ou mais de 1000%. No entanto, dois fatores devem ser levados em conta. A primeira é a destruição ecológica dessa forma de produzir. Florestas são removidas, solo e água contaminados pelo uso maciço de produtos químicos. Agricultores são forçados a deixar suas terras e há milhões que têm de migrar para as favelas das cidades, aumentando a crise urbana, e aumentando a pressão da migração interna, como no Brasil, ou externa, como em muitos outros países.

Então a fome no mundo não tem nada a ver com a produção de alimentos, com a capacidade de produzir?
Não. Não tem nada a ver com a produção. A questão é somente especulativa. É a Bolsa de Chicago que fixa os preços internacionais dos grãos.

E como o senhor vê as afirmações de alguns estudiosos de que o planeta, com uma população na casa dos 7 bilhões de pessoas, se torna incapaz de produzir alimentos para nutrir tanta gente?
Isso é totalmente falso. Segundo a FAO, teoricamente a Terra pode facilmente nutrir 10 ou 12 bilhões de habitantes.

E a questão energética, também faz parte desse cenário de crise?
A crise de energia vai além da explosão conjuntural dos preços do petróleo e faz parte do esgotamento dos recursos naturais explorados pelo modelo de desenvolvimento capitalista. Uma coisa é clara: a humanidade vai ter que mudar a fonte de sua energia nos próximos 50 anos. Os picos de petróleo, urânio e gás podem ser discutidos em termos de anos precisos, mas ainda assim sabemos que esses recursos não são inesgotáveis e que as datas não estão longe. Com o esgotamento, inevitavelmente vem o aumento dos preços das commodities, com todas as consequências sociais e políticas. Além disso, o controle internacional de fontes de energia fósseis e outros materiais estratégicos é cada vez mais importante para as potências industriais, que não hesitam em usar a força militar para se apropriar deles. É no contexto de escassez de energia no futuro que se insere parte do problema dos agrocombustíveis. Diante da expansão da demanda e da redução esperada em recursos energéticos fósseis, há uma certa urgência de se encontrar soluções. Como novas fontes de energia exigem o desenvolvimento de tecnologias ainda não muito avançadas (como a solar ou à base de hidrogênio) e outras soluções são interessantes, mas economicamente marginais ou não rentáveis (mais uma vez, a solar e a eólica), a dos agrocombustíveis pareceu interessante.

Mas a produção dos agrocombustíveis traz também graves consequências.
A produção de agrocombustível é feita na forma de monocultura. Em muitos casos, isso envolve a remoção de grandes florestas. Na Malásia e na Indonésia, em menos de 20 anos 80% da floresta original foi destruída pelas plantações da palma e eucalipto. A biodiversidade é removida, com todas as consequências sobre a reprodução da vida. Para produzir é usado não só muita água, mas um monte de produtos químicos, como fertilizantes ou pesticidas. O resultado é uma poluição intensiva de água subterrânea, dos rios que desembocam no mar, e um perigo real de falta de água potável para as populações. Além disso, os pequenos agricultores são expulsos e muitas comunidades indígenas perdem suas terras ancestrais, causando uma série de conflitos sociais, até mesmo violentos. O desenvolvimento de agrocombustíveis corresponde à negligência das externalidades ambientais e sociais, típicas da lógica do capitalismo.

E como o senhor vê a questão climática nesse cenário atual?
A crise climática é bem conhecida e as informações estão se tornando mais precisas, graças a várias conferências da ONU sobre clima, biodiversidade, geleiras etc. Enquanto o atual modelo de desenvolvimento continuar emitindo gases de efeito-estufa (especialmente CO2), destruindo os sumidouros de carbono, ou seja, sítios naturais de absorção desses gases, especialmente florestas e os oceanos, a crise continuará. A pegada ecológica é de tal ordem que, de acordo com estimativas, em 2010, em meados de agosto, o planeta tinha esgotado a sua reprodução natural. Além disso, de acordo com o relatório do Dr. Nicholas Stern para o governo britânico, em 2006, se as tendências atuais continuarem na metade do século existirão entre 150 e 200 milhões de migrantes climáticos, e os mais recentes números são ainda mais elevados.

E como o senhor avalia as medidas adotadas pelas elites e governos para tentar superar essas crises? E quais são as soluções?
A primeira solução é a do sistema. Alguns, principalmente preocupados com a crise financeira, propuseram mudar e punir os responsáveis. Essa é a teoria do capitalismo (teoria neoclássica em economia), que vê elementos positivos na crise, porque eles permitem a liberação de elementos fracos ou corruptos para retomar o processo de acumulação em bases saudáveis. Atores são alterados, e não se muda o sistema. Evidentemente não é solução. A segunda visão é propor regulamentos. É reconhecido que o mercado regula a si mesmo e que os organismos nacionais e internacionais têm necessidade de executar essa tarefa. Os Estados e organizações internacionais devem ser envolvidos. O G8, por exemplo, propôs certos regulamentos do sistema econômico global, mas ligeiros e temporários. Em vez disso, a ONU apresentou uma série de regulamentações muito mais avançadas. Propôs a criação de um Conselho de Coordenação Econômica Global, em pé de igualdade com o Conselho de Segurança, e também um painel internacional de especialistas para acompanhar permanentemente a situação econômica global. Outras recomendações tratadas foram a abolição dos paraísos fiscais e do sigilo bancário e, também, maiores requisitos de reservas bancárias e um controle mais rígido das agências de notação de crédito. A profunda reforma das instituições de Bretton Woods foi incluída, bem como a possibilidade de se criar moedas regionais em vez de ter como referência única o dólar. Os regulamentos propostos pela Comissão Stiglitz para reconstruir o sistema financeiro e monetário, apesar de algumas referências a outros aspectos da crise, tais como clima, energia, alimentos – e apesar do uso da palavra sustentável para qualificar o crescimento – não têm a profundidade suficiente para fazer a pergunta: para que reparar o sistema econômico? Para desenvolver, como antes, um modelo que destrói a natureza e é socialmente desequilibrado? É provável que as propostas para reformar o sistema monetário e financeiro serão eficazes para superar a crise financeira, e muito mais do que o que foi feito até agora, mas é suficiente para responder a desafios globais contemporâneos? A solução é dentro do capitalismo, um sistema historicamente esgotado, mesmo que tenha ainda muitos meios de adaptação. A gravidade da crise é tal que devemos pensar em alternativas, não somente em regulações.

E, quais seriam, por exemplo, essas outras alternativas?
Questionar o próprio modelo de desenvolvimento. A multiplicidade de crises que foram exacerbadas nos últimos tempos é resultado da lógica de mesmo fundo: uma concepção de desenvolvimento que ignora as “externalidades” (danos naturais e sociais); a ideia de um planeta inesgotável; o foco no valor de troca em detrimento do valor de uso; e a identificação da economia com a taxa de acumulação de lucro e do capital que cria, consequentemente, enormes desigualdades econômicas e sociais. Esse modelo resultou em um crescimento espetacular da riqueza global, mas seu papel histórico se perdeu, devido à sua natureza destrutiva e da desigualdade social que resultou. A racionalidade econômica do capitalismo, escreve Wim Dierckxsens, não apenas tende a negar a vida da maioria da população mundial como também destrói a vida natural.
Temos que discutir alternativas ao modelo econômico capitalista prevalecente hoje e os meios para rever o próprio paradigma (orientação básica) da vida coletiva da humanidade sobre o planeta, conforme definido pela lógica do capitalismo, que hoje é global. A vida coletiva é composta por quatro elementos que chamamos de base, porque as exigências são parte da vida de toda sociedade, desde as mais antigas até as mais contemporâneas: a relação com a natureza; a produção da base material da vida física, cultural e espiritual; a organização social e política coletiva; e a leitura do real e autoenvolvimento dos atores na sua construção da cultura. Ou seja, cada sociedade tem essa tarefa para realizar.

Mas as alternativas necessariamente passam pelo envolvimento do conjunto da sociedade organizada, dos movimentos sociais.
Exatamente. As alternativas são tão importantes que não vão chegar por si só. É somente pela pressão dos movimentos sociais, movimentos políticos também, que podemos esperar chegar a redefinir os objetivos fundamentais da presença humana no planeta e o desenvolvimento humano no planeta. E isso significa transformar a relação com a natureza. Passar da exploração ao respeito. Significa outra definição da economia. Não somente produzir um valor agregado senão produzir as bases da vida. Da vida física, cultural, espiritual de todos os seres humanos no planeta. Isso é a economia. Porém, isso não corresponde à definição do capitalismo. Também é preciso generalizar a democracia a todas as instituições, não somente políticas e econômicas mas também na relações humanas, relações entre homens e mulheres etc. É necessário também não identificar desenvolvimento com civilização ocidental e dar a possibilidade a todas as culturas, religiões, filosofias de participar dessa construção. Isso é o que chamo de construir o bem comum da humanidade, que é a vida; assegurar a vida, a vida do planeta e a vida da humanidade. Isso é um projeto alternativo, que pode parecer utópico. Porém não é utópico porque existem milhares de organizações e movimentos sociais que já trabalham para transformar esses aspectos da vida comum da humanidade, para melhorar a relação com a natureza, para ter outro tipo de economia, para ter uma participação, uma democracia que seja participativa e para renovar a cultura. Existem muitas iniciativas. Isso posso chamar de construção do socialismo. Porque socialismo não é uma palavra. É um conteúdo. E eu penso que devemos redefinir o conteúdo do socialismo.

Como o senhor analisa a América Latina neste contexto da crise e qual é o papel dos movimentos sociais?
É muito interessante porque a América Latina é o único continente do mundo onde temos tido alguns avanços. Não ainda na opção de novo paradigma, nova orientação fundamental, porém, pelo menos avanços, que não existem em outros continentes até agora. Mas não é algo generalizado na América Latina. Há alguns países que só reproduzem o sistema, com sua dependência ao capital internacional, particularmente do norte do continente americano. São países como México, Colômbia, Chile, Panamá, Costa Rica, Honduras etc. São países onde a burguesia local está totalmente vinculada com o sistema internacional e, nesse sentido, não tem outro projeto senão um projeto muito repressivo contra as populações.

Subordinação total.
Exatamente. Há uma segunda realidade, que são os países que podemos chamar de “adaptações ao sistema”. E aí existem dois tipos de países. Há os que dizem: sim, o sistema necessita de mudanças fundamentais e devemos nos adaptar à lógica do capitalismo. E para se ter mais justiça social e repartir parte do lucro, como já dizia Marx, com o rápido avanço das forças produtivas, temos um aumento dos lucros e da destruição da natureza. Nesse tipo de desenvolvimento se inserem Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai, que possuem programas sociais eficazes. Com resultados indubitáveis porque milhões de pessoas saíram da pobreza, o que não podemos desprezar, porém, esse modelo não transforma profundamente a sociedade; isso representa apenas uma redistribuição de parte do lucro. Não podemos dizer que é uma mudança de paradigma. Entretanto, há países como Venezuela, Equador e a Bolívia, que têm outro discurso, o do socialismo do século 21, que pelo menos faz uma alusão a uma transformação fundamental. Pelo menos no Equador e na Bolívia, entre o discurso e a prática eu vejo grande avanços, em que as práticas dos governos seguem uma orientação das demandas sociais apresentadas pelos movimentos sociais.

Então, neste contexto de crise, os países que estão mais vulneráveis sofrem mais as consequências?
Não estou seguro. Teoricamente pode-se dizer que sim, esses países serão mais afetados em médio prazo. Porém, no momento é igual em todas as partes. Mas, evidentemente, os países mais vinculados ao sistema serão mais afetados em médio prazo. Entretanto, desgraçadamente, países como Venezuela e Bolívia também são indiretamente dependentes do sistema global e sofrerão as consequências. O que eu acho que é cedo demais pra se dizer, com diz Samir Amin, que eles conseguiram fazer uma desconexão. Não, não conseguiram. Mas é óbvio que as economias mais vinculadas à economia do Norte sofrerão as consequências a curto prazo.

No caso da América Latina, uma maior integração dos países seria uma alternativa frente a esse cenário mundial? O papel do Estado é fundamental neste contexto?
Absolutamente. Mas, para encerrar a tipologia, eu penso que a Venezuela é um país que avança para um novo modelo, onde as mudanças são mais aprofundadas. O papel do Estado não pode ser concebido sem levar em conta a situação dos grupos mais marginalizados socialmente, os sem-terra, as castas mais baixas ignoradas por milênios, os povos indígenas da América e os excluídos de ascendência africana; e, nesses grupos, as mulheres são muitas vezes duplamente marginalizadas. A expansão da democracia também se aplica para o diálogo entre os movimentos políticos e sociais. A organização de instâncias de consulta e diálogo pertence ao mesmo conceito, respeitando a autonomia mútua. O projeto de um conselho de movimentos sociais na arquitetura geral da Alba é uma tentativa original nessa direção. O conceito de sociedade civil muitas vezes utilizados para esse fim ainda é ambíguo, porque ela é também o lugar da luta de classes: há realmente uma sociedade civil de baixo e de cima e o uso do termo de forma não qualificada permite muitas vezes a criação de uma confusão e a apresentação de soluções que ignoram as diferenças sociais. Por outro lado, as formas de democracia participativa, como os encontrados em vários países latino-americanos, também entram na mesma lógica da democracia em geral. Todas as novas instituições regionais latino-americanas, como o Banco do Sul, a moeda regional (o sucre) e a Alba, serão objeto de atenção especial na direção de propagação da democracia. E o mesmo vale para os outros continentes.



François Houtart é sociólogo e professor da Universidade Católica de Louvain (Bélgica). É diretor do Centro Tricontinental, entidade que desenvolve trabalho na Ásia, África e América Latina

segunda-feira, agosto 27, 2012

Imperialismo contra los pueblos (agresión político-militar)


19/12/2011El Imperialismo contra los pueblos (agresión político-militar)x Luis R Delgado J    ::    Más articulos de esta autora/or: Más artículosLos imperialistas impulsados por la lógica de acumulación del capital no toleran ningún rastro de soberanía nacional
La crisis actual del capitalismo que de lejos será la más grave de su existencia, sigue confirmando que las supuestas teorías del fin de la historia o del estadio permanente neoliberal, fueron unas de las muchas patrañas que ha inventado la burguesía durante siglos para eternizar su supremacía sobre el resto de la sociedad, sobre los trabajadores y las trabajadoras. Lo que se conoce como globalización es la internacionalización agresiva y sin precedentes del capital, no hay país del mundo que se encuentre hoy aislado de esta realidad que beneficia a los capitales presentes en unas pocas naciones súper-industrializadas y condena a otras a la dependencia, el atraso y la miseria. De acuerdo a Samir Amin (2001):

"… las tendencias de la evolución del capitalismo contemporáneo se articulan en torno al refuerzo de lo que he llamado los "cinco monopolios" que caracterizan a la mundialización polarizante del imperialismo contemporáneo: (i) el monopolio de las nuevas tecnologías; (ii) el del control de los flujos financieros a escala mundial; (iii) el control del acceso a los recursos naturales del planeta; (iv) el control de los medios de comunicación; (v) el monopolio de las armas de destrucción masiva".

El imperialismo para mantener su supremacía sobre los pueblos, sobre la clase trabajadora, debe asegurar los cinco monopolios antes nombrados. Mantener el control de estos recursos económicos, políticos, militares y culturales, permite al imperialismo reproducir de manera ampliada y permanente la dominación, la explotación, la opresión y la subordinación, sobre los países dependientes, sobre los trabajadores y trabajadoras de todo el planeta. El término globalización ha sido acuñado para encubrir la universalización del poder totalitario del capital, cuya dialéctica imbrica necesariamente crisis económica y guerra, como tendencias inherentes a su propia naturaleza (Camilo Valqui Cachi y otros, 2002)

Para salir lo más pronto posible de la crisis cíclica y postergar los impactos de la crisis estructural, el imperialismo intensifica sus agresiones a los pueblos del mundo, a la clase trabajadora, a las vanguardias revolucionarias, se trata de mantener un nivel de acumulación de capitales “óptimo” sin importar las dramáticas consecuencias sociales que ello acarree. En este sentido, el imperialismo se vale de múltiples tácticas o formas de lucha para acentuar la explotación y el sometimiento, las cuales incluyen guerras de agresión, despliegue de bases militares, instigación de guerras civiles, separatismo, terrorismo, asesinatos selectivos a dirigentes y figuras relevantes, golpes de Estado, bloqueos económicos, embargos, cobro de la deuda externa, promoción del oportunismo, destrucción por varias vías de los aparatos productivos de las naciones dependientes, privatizaciones, expoliación de los recursos naturales, alienación ideológica, entre otras medidas.

En este orden de ideas, Harvey (2005) ha explicado que el proceso histórico el cual Marx denominó como acumulación primitiva, no se trata de un proceso primigenio del capital desarrollado hace siglos, sino que se trata de una parte de su funcionamiento permanente, por lo cual, en vez de hablar de acumulación primitiva u originaria es más correcto hablar de acumulación por desposesión, que consiste en el desarrollo de una amplia gama de procesos que:

"… incluyen la mercantilización y privatización de la tierra y la expulsión por la fuerza de las poblaciones campesinas, la conversión de varias formas de derechos de propiedad (común, colectiva, estatal) exclusivamente en propiedad privada, la supresión del derecho a usar los bienes comunes, la mercantilización de la fuerza de trabajo y la eliminación de formas alternativas (indígenas) de producción y consumo, formas coloniales, neo-coloniales e imperialistas de apropiación de activos (incluyendo recursos naturales), la monetarización de los intercambios y de la fiscalización (especialmente de la tierra), la usura, la deuda nacional y, por último, el sistema crediticio, como formas radicales de acumulación".

Este proceso de acumulación por desposesión se ha desarrollado de manera más intensa desde los años 70 del siglo XX, momento en el cual se empieza a desarrollar la crisis estructural del capital. Por esta razón, hoy el capitalismo en esta nueva crisis, se muestra amenazante ante los pueblos, ante la clase obrera, los campesinos, la pequeña burguesía, las mujeres, los jóvenes, las minorías, los pueblos originarios; ya que para los burgueses son los de abajo los que deben pagar los costos. La burguesía mundial está presta a avanzar contra las conquistas de los trabajadores y las trabajadoras para restituir sus tasas de ganancia. La burguesía mundial está decidida a utilizar las guerras como mecanismo para reflotar sus economías y para conquistar nuevos territorios destinados a la explotación capitalista.

El imperialismo, en su insaciable búsqueda de control geopolítico, de materias primas, mercados para la venta de sus mercancías y mercados de mano de obra barata, cada día procura controlar con mayor efectividad e intensidad diversas zonas del planeta, este proceso se ha agudizado especialmente luego de la implosión de la URSS, que significó un muro de contención contra las pretensiones del imperialismo durante buena parte del siglo XX.

Para 1992, una comisión asesora del gobierno de Bush padre, redactó el Proyecto para un nuevo siglo americano que:

"… define los ámbitos fundamentales de la supremacía imperial estadounidense en los siguientes tópicos: a) un poder militar de alcance global; b) ser la locomotora del crecimiento global; c) tener el liderazgo tecnológico y de innovación en áreas centrales del desarrollo militar; y d) significar un telos normativo para las diversas sociedades del sistema histórico capitalista" (Contreras Natera 2011, p. 245).

A partir de los 90 del siglo pasado, el imperialismo ha insistido en crear una dominación de espectro total, un Nuevo Orden Mundial, en el cual la hegemonía estadounidense no esté en discusión, mediante el recurso de la fuerza dondequiera que sea necesario (Chomsky 2004). En este sentido, el unilateralismo norteamericano se ha convertido en la cuestión predominante de la política mundial (Callinicos 2002). Se trata de afianzar un modelo unipolar de dominación planetaria, de cumplir ese planteamiento de la postguerra mundial de extender en todo el mundo la Doctrina Monroe (Amin 1999), que garantice la expansión de la acumulación del capital a nivel universal. En este orden de ideas, Roberto Regalado (2008) señala que:

"El fin de la bipolaridad dejaba el terreno libre al imperialismo, en particular, al imperialismo norteamericano, para ampliar y profundizar su dominación hasta los más remotos confines del planeta. El capitalismo proyectaba de sí una imagen omnipotente, engalanada con toda una mitología construida en torno a la “globalización” y a la “Revolución Científico-Técnica”. La globalización, supuestamente, era una fuerza incontrolable que obligaba a la humanidad a subordinarse a un “Nuevo Orden Mundial” regido por el neoliberalismo. Como complemento a esa seudo teoría, se le atribuía a la llamada Revolución Científico-Técnica el don de garantizarle al capitalismo vida y prosperidad eternas en el Norte y, quizás, también en aquellos países del Sur que cumplieran, a cabalidad y con premura, el recetario neoliberal" (p. 26).

Por otro lado, refiriéndose al contexto postsoviético, el historiador Perry Anderson (2004) nos explica lo siguiente:

"… se puede decir que en el campo de las ideas la nueva hegemonía mundial está basada en dos transformaciones fundamentales respecto del discurso dominante durante la Guerra Fría: a) la autoafirmación del capitalismo, declarado como tal y no simplemente como un mero sistema socioeconómico preferible al socialismo, sino como el único modo de organizar la vida moderna concebible para la humanidad de aquí a la eternidad; b) la abierta anulación de la soberanía nacional como clave de las relaciones internacionales entre los estados en nombre de los derechos humanos" (p. 40).

La guerra permanente ha sido una de las principales medidas que ha tomado el capitalismo imperialista en los últimos 70 años, para tratar de mantener su reproducción por medio del dinamismo de sus complejos militares industriales, se ha tratado de un keynesianismo militar, por el cual, los Estados imperiales pretenden generar ganancias duraderas y fuentes de empleo permanente. En este orden, debe recordarse que el reimpulso que saca al capitalismo de la profunda crisis de los años 30 del siglo XX, no fue el New Deal impulsado por Roosevelt sino la II Guerra Mundial.

Por otro lado, el analista Thomas Seibert (2009) nos recuerda que:

"Ya Marx hacía referencia al hecho de que la función de la guerra en el capitalismo no sólo se reduce a la conquista o a la usurpación de territorios extranjeros y de sus mercados, sus materias primas y su fuerza laboral, sino también a la destrucción sistémica y a menudo involuntaria de capital, con la cual de hecho se resolvieron las crisis de sobre producción" (p. 13).

En las últimas décadas, la Guerra Fría ha sido sustituida por la Guerra contra el Terrorismo, esta es la nueva excusa para justificar el militarismo y las agresiones a los pueblos, a la clase trabajadora mundial, e incluso contra los monopolios capitalistas de potencias menores (China, Rusia, entre otras), que se han posicionado en algunos espacios apetecibles por los monopolios occidentales (estadounidenses, ingleses, franceses, entre otros), se trata de guerras de ordenamiento mundial (Kurz 2003).

Con respecto a los sucesos del 11 de septiembre de 2001, Engel (2005) afirma que:

"Por primera vez, todos los Estados imperialistas acordaron una “política interior mundial” conjunta. Pero en realidad aquello no fue una reacción al atentado del 11 de septiembre, sino una estrategia preparada con mucha antelación para organizar la contrarrevolución internacional contra todas las aspiraciones a liberarse de la explotación y opresión. Las masas deben apoyar, o por lo menos aceptar, el recurso abierto a la violencia estatal. Por esta razón, los dominantes pasan al desmontaje de los derechos y libertades democrático-burgueses, a la fascistización del aparato de Estado y la represión abierta como “legítima defensa” contra el “terrorismo internacional” (p. 555).

Evidentemente, la Lucha de Clases no se detuvo, de hecho en muchas partes se ha agudizado. La oligarquía mundial arreció su ataque sobre los pueblos con la excusa de llevar a cabo misiones civilizatorias, democráticas, profundamente defensoras de los derechos humanos, portadoras de un supuesto “Progreso”. En los últimos años con el aval de la lucha contra el “Terrorismo” y el “Narcotráfico”. No es la primera vez que esto sucede, siempre los poderosos buscan razones éticas para justificar sus atropellos a los explotados y oprimidos. Y cuentan con instituciones que dan un marco de legitimidad a sus agresiones, por ejemplo, Naciones Unidas proveen una superestructura imprescindible de las nuevas formas de dominación que impulsa el imperialismo.

En este orden de ideas el intelectual y político venezolano Luis Bigott (2010), nos explica que la más reciente doctrina de política exterior de los Estados Unidos, comprende los siguientes principios:

"… (a) la elección popular no constituye la base de legitimación de un gobierno, sino sus acciones en el ejercicio del poder. La declaratoria o calificación de gobierno democrático es de la exclusividad del Departamento de Estado (este concepto constituye la puesta en práctica del componente político en la conformación de la hegemonía); (b) en el desarrollo de una estructura socio-política pueden surgir golpes constitucionales, golpes “benévolos” o golpes democráticos (el caso de Honduras sería uno de ellos); y (c) la política correcta es la aplicación de la combinatoria del poder duro (hard power) con el poder suave (soft power); esa capacidad de combinar ambos poderes (la fuerza militar y la diplomacia) es lo que vendría a constituir el poder inteligente (smart power)" (p. 19).

Históricamente el imperialismo nunca descarta medidas de fuerza, como las intervenciones armadas a países que sean rebeldes a sus dictámenes y busquen la construcción de un proyecto soberano, más aún cuando el Complejo Militar Industrial a partir de la II Guerra Mundial se ha convertido en una pieza clave para el funcionamiento, reproducción y expansión del capitalismo.

Muchas de estas intervenciones armadas, que pueden ser el financiamiento de grupos paramilitares internos o incluso una invasión directa, se hacen entonces bajo el pretexto de la defensa de los derechos humanos y la democracia, sin embargo, son muchos los casos en las cuales fuertes gobiernos despóticos y dictatoriales, sumamente opresivos, son aliados de los Estados imperialistas. En este sentido, el imperialismo esencialmente desde los 90 con la agresión a Yugoslavia, ha apelado a las intervenciones humanitarias (Chomsky 2004, Contreras Natera 2011), al humanismo militar (Anderson 2004), que no es otra cosa que acciones de violación de las soberanías nacionales de los países periféricos con el pretexto de la defensa de los DDHH.

En este contexto, González Casanova (2011) advierte que cuando no se logre una cobertura con Naciones Unidas:

"Se violarán cada vez que sea necesario tanto el orden jurídico mundial y los acuerdos que tome el Consejo de Seguridad, así como la legislación constitucional y el derecho positivo de cada país, hechos que abrirán el paso a la toma de decisiones que quedará al arbitrio de los más fuertes".

Por otro lado, entre el accionar del imperialismo, debemos también destacar el despliegue militar planetario de los Estados Unidos a través de comandos estratégicos, al respecto Sención Villalona (2010) explica que:

"Las fuerzas militares de Estados Unidos responden a cinco Comandos Estratégicos a través de los cuales vigila a todos los países del mundo: el Comando Central en Medio Oriente; el Comando Europeo en Alemania; el Comando Pacífico en Hawai; el Comando Sur situado en Miami; el Comando Norte, que vigila el propio territorio nacional. También cuenta con cuatro comandos de combate sin ubicaciones especificas" (p. 129).

Además de las propias fuerzas armadas estadounidenses, el imperialismo cuenta con las fuerzas de la OTAN, organización que nace en el marco de la Guerra Fría para enfrentar una hipotética agresión del campo socialista a Europa Occidental. Pero una vez que se ha derrumbado la URSS, la OTAN (liderada por Estados Unidos) a redefinido sus objetivos y se ha convertido en un instrumento más para que el imperialismo agreda a cualquier país del mundo. La antigua Yugoslavia, Afganistán y Libia han sido las primeras víctimas de esta organización multilateral de los imperialismos europeos y norteamericanos.

Otra acción que ha llevado a cabo el imperialismo es la ubicación de bases militares (4.500 en territorio estadounidense y más de ochocientas fuera de él), bien sean de la OTAN o de EEUU, en diversos países del mundo: en América Latina y el Caribe, África, en Asia Central, en Oceanía o en Europa. En esta última, han sido escandalosos los casos de las cárceles clandestinas de la CIA o los vuelos secretos que ésta ha realizado en los últimos años. Las bases militares norteamericanas constituyen la infraestructura estratégica fundamental de la potencia hegemónica (Anderson 2004, p. 50).

Hoy, una de las bases militares más cuestionadas es la que está ubicada en Guantánamo, Cuba, donde hay múltiples presos de diversas nacionalidades, a los cuales se les aplican torturas y otros procedimientos inhumanos. También destacan las bases militares que el imperialismo está instalando en Colombia, sin lugar a dudas, para el control de Suramérica y la agresión a los avances populares en la región.

Actualmente las agresiones más importantes que en el plano militar está ejecutando el imperialismo, fundamentalmente norteamericano, son la agresión a Irak, Afganistán-Pakistán y Libia, bajo el pretexto de la lucha infinita contra el terrorismo y la defensa de la democracia, de los Derechos Humanos. En realidad, la ofensiva en Medio Oriente y Asia Central tiene entre sus fines el control del 70% de las fuentes planetarias de hidrocarburos y el cerco geopolítico a potencias emergentes como Rusia y China, rivales estratégicos para el imperialismo anglo-estadounidense, debe tenerse presente que de acuerdo a los ideólogos geopolíticos McKinder y Brzezinski el control de Eurasia garantiza el control mundial. Nos explica Dierckxsens que:

"La proyección china de un oleoducto de Asia Central hacia el Océano Índico atravesaría Afganistán o, en su defecto, Irán. Las invasiones en Afganistán, Irak y posiblemente en Irán adquieren con ello un significado geopolítico. EE.UU. procura controlar los corredores energéticos que abastecerían a China. Otros megaproyectos estadounidenses buscan trazar un camino de transporte de petróleo desde las antiguas repúblicas soviéticas hacia el Sur para así romper el monopolio ruso sobre dichas fuentes a favor de intereses estadounidenses" (Tablada, Hernández 2004, p. 18-19).

Estas guerras más recientes en Medio Oriente y Asia Central, han costado la destrucción plena de tres países, más de dos millones de muertos, fundamentalmente civiles, más de 2 billones de dólares en gastos militares e inestabilidad en toda la región. En estos días se están preparando acciones contra Siria e Irán para acentuar la estrategia de dominación global en esa zona del planeta.

Otras zonas siguen siendo agredidas bajo el consentimiento y financiamiento del imperialismo, tales como Palestina, por las políticas genocidas del sionismo, las cuales han implementado un verdadero apartheid. El sionismo con su arsenal nuclear funge como gendarme del capital global en la región, amenazando permanentemente a sus vecinos, principalmente Siria, Líbano e Irán. El control de fuentes energéticas y las rutas de comercialización de las mismas, tienen implicaciones en el accionar del Estado terrorista de Israel.

En América Latina, una zona muy golpeada es Colombia, con la implementación del Plan Patriota bajo el pretexto de la lucha contra el narcotráfico, lo cual ha originado numerosas pérdidas humanas y millones de desplazados por una guerra interna que ya lleva más de 50 años. Hay que destacar que el Plan Colombia, ahora Plan Patriota, la Seguridad Democrática, tiene entre sus fines garantizar al imperialismo norteamericano el control geopolítico del norte de Suramérica (la Amazonía y el Arco Andino) rico en recursos minerales, energéticos, hídricos y biológicos, lo cual amenaza la estabilidad de procesos de cambio como los que se vienen desarrollando en Ecuador y Venezuela.

El imperialismo, a su vez, financia movimientos separatistas y guerras civiles en diversos países de Europa Oriental, América Latina, África y Asia. En África, ha sido devastador lo ocurrido, basta recordar la guerra civil en el Congo, que ha liquidado en los últimos años a más de 4 millones de personas por la disputa de corporaciones transnacionales interesadas en controlar recursos como el coltan o los diamantes; o también masacres como la de Rwanda o las matanzas en Darfur-Sudan, con respecto de este último el imperialismo logró la separación de la parte sur de Sudan. A esto se le suman los sangrientos conflictos en Somalia y Burundi.

También destaca una práctica subversiva reciente, lo que se conoce como golpes suaves o subversión política no violenta impulsada por el Pentágono para el derrocamiento de gobiernos “insubordinados”. Tales experiencias se han llevado a cabo exitosamente en Serbia, Kirguiztán, Georgia y Ucrania, fallando a su vez en Bielorrusia y Venezuela. La modalidad del Golpe Militar no ha perdido actualidad, basta ver lo ocurrido en junio de 2009 en Honduras, golpe por lo demás dirigido a socavar el avance del ALBA-TCP en la región; hoy Paraguay está amenazado por este accionar conspirativo.

Por otro lado, la militarización del espacio sobre todo por parte de los Estados Unidos, como continuidad del proyecto Guerra de las Galaxias, es uno de los temas que más preocupa a los gobiernos del mundo, ya que a través de esta proyección de su poderío, Estados Unidos estaría en capacidad de atacar a partir de 2020 a cualquier punto del planeta en cuestión de pocos minutos.

En este orden, destaca la problemática de la actual propuesta de escudo anti-misilístico estadounidense ubicado en países de la Europa Oriental, que ponen en riesgo la soberanía de Rusia. Hay que aclarar que este sistema “defensivo” está destinado a frenar un supuesto (muy improbable) ataque de Irán o Corea del Norte, sin embargo, analistas geopolíticos tienen claro que los escudos antimisiles, son también sistemas ofensivos que amenazan países como Rusia y China fundamentalmente. Debe resaltarse que hoy ocho Estados poseen un arsenal superior a las 23.000 armas nucleares, la mayoría concentradas por EEUU y Rusia.

También debemos resaltar un fenómeno que se viene desarrollando aceleradamente en los últimos años, producto de la mercantilización creciente que ha impulsado la gestión neoliberal del capitalismo. Dicho fenómeno implica lo siguiente:

"Las formas de conducción de las guerras están cambiando. Al lado de los ejércitos estatales surgen cada vez más compañías militares privadas (CMP), compañías de seguridad privadas (CSP), paramilitares, “Señores de la Guerra”, ejércitos privados y mercenarios como nuevos actores de guerra. Actualmente, las guerras se llevan a cabo con menor frecuencia entre estados nacionales, y con mayor frecuencia en el interior de estos entre tropas regulares e irregulares y, en todos los casos, contra la población civil (Azzelini 2009, p. 1)".

Con todo lo anteriormente expuesto, podemos decir que las diversas agresiones militares y bases desplegadas por los Estados Unidos, pretenden controlar lo que se conoce como los comunes globales (Contreras Natera 2011), espacios que no pertenecen a ningún Estado, donde destacan los mares, espacios aéreos y el espacio ultraterrestre, para proyectar el poderío estadounidense en cualquier lugar del planeta. La agresión y expansión militar, tienen entre sus objetivos los siguientes (Ceceña 2005):

"1) Proteger la soberanía (para el imperialismo global), el territorio y la población de los EEUU y demás potencias imperiales.
2) Prevenir la emergencia de nuevas potencias o de coaliciones regionales hostiles a los designios del imperialismo.
3) Asegurar el acceso incondicional a los mercados decisivos, a los suministros de energía y a los recursos estratégicos.
4) Disuadir y, si es necesario, derrotar cualquier agresión contra los planes de los EEUU o sus aliados.
5) Garantizar la libertad de los mares, de las vías de tráfico aéreo y espacial, y la seguridad de las líneas vitales de comunicación".

En el 2008 algunas cifras muestran que el gasto militar de los EEUU supera al gasto en conjunto de los 20 países con más inversión en el sector militar, todo un monopolio destructivo. De las diez principales corporaciones productoras de armamento, seis son estadounidenses.

"Se estima que el gasto militar global en 2008 totalizó 1.46 billones de dólares. Esto representa un incremento del 4 por ciento en términos reales a comparación de 2007, y del 45 por ciento desde 1999. El gasto militar representó aproximadamente el 2.4 por ciento del producto interno bruto (PIB) global en 2008" (www.sipri.org).

EEUU hoy es el gendarme que garantiza las relaciones internacionales que mantiene el imperialismo a través de sus centros de poder para el sometimiento y explotación de los países pobres. EEUU es responsable del 41% del gasto militar mundial, es decir, más de 600 mil millones de dólares. Esto se demuestra en las recientes agresiones imperialistas y en los escenarios de conflictos donde, en su mayoría, los gringos están profundamente comprometidos. Katz (2011) nos explica al respecto que:

"El imperialismo contemporáneo se sostiene en la protección internacional que brinda el gendarme norteamericano a todas las clases dominantes. Estados Unidos actúa como un sheriff global para confrontar con la insurgencia popular y la inestabilidad geopolítica. Como la primera potencia garantiza la reproducción mundial del capital, obtiene un gran financiamiento externo acumulando desequilibrios, que serían inadmisibles para cualquier otro país. La supremacía del Pentágono determina la gravitación de Wall Street, el dólar y los Bonos del Tesoro".

Ahora bien, un proceso que debemos destacar, es el siguiente, desde 2008 el imperialismo norteamericano ha desplegado una contraofensiva en el continente latinoamericano y caribeño para frenar el movimiento popular que ha dado golpes contundentes durante la última década contra el neoliberalismo, contra las pretensiones del imperialismo sintetizadas en propuestas recolonizadoras como el ALCA. Este movimiento popular que en algunos países se constituyó en gobiernos que avanzan en la construcción de espacios integradores como el ALBA-TCP, sufrió un duro revés con el Golpe de Estado al gobierno democrático de Honduras en junio del 2009.

Este Golpe de Estado, el ataque por parte del estado terrorista colombiano a territorio ecuatoriano, el asesinato de algunos comandantes del secretariado de las FARC-EP; la destitución de la senadora Piedad Córdoba; la reactivación de la IV Flota (despliegue naval y aéreo estratégico con capacidad nuclear); la ocupación militar a Haití (20 mil soldados); la presencia de una flota en Costa Rica (46 buques de guerra de la Armada de los Estados Unidos, 200 helicópteros y aviones de combate, y 7.000 marines); el intento de Golpe de Estado al gobierno ecuatoriano; las victorias electorales en Chile, Costa Rica y Panamá son las acciones más relevantes de la contraofensiva imperialista en la región. Se trata sin duda de un despliegue de fuerzas para contener el avance de la revolución en el continente, para cercar los procesos de Venezuela, Bolivia, Ecuador, Cuba y Nicaragua fundamentalmente.

Bajo la excusa de la lucha contra el narcotráfico y el terrorismo, el imperialismo norteamericano se presta a agredir los pueblos latinoamericanos y caribeños; se prepara a dar al traste con los gobiernos revolucionarios, progresistas y democráticos de la región para restituir el proyecto del ALCA y perpetuar su dominación en lo que ellos denominan su patio trasero; se trata de un capítulo más en la lucha de clases mundial que enfrenta a la burguesía monopólica contra los trabajadores y trabajadoras de todo el planeta.

Los imperialistas impulsados por la lógica de acumulación del capital no toleran ningún rastro de soberanía nacional, no aceptan la autodeterminación de los pueblos porque esta va en contra de los intereses de los monopolios; es decir que la tendencia del imperialismo en su actual estado de crisis es a la desnacionalización forzosa, aunque estos gobiernos independientes sean de derecha. Ya lo viene advirtiendo el Comandante Hugo Chávez (2011):

"Hay un plan, una verdadera estrategia continental de la derecha y la extrema derecha para tratar de frenar por todas las vías posibles esta corriente revolucionaria, socialista, popular, que se desató en América Latina y que nos ha convertido en el epicentro de los grandes cambios que están ocurriendo en el mundo" (p.15).

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La Haine