A Internacional

__ dementesim . . Do rio que tudo arrasta se diz que é violento Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem. . _____ . Quem luta pelo comunismo Deve saber lutar e não lutar, Dizer a verdade e não dizer a verdade, Prestar serviços e recusar serviços, Ter fé e não ter fé, Expor-se ao perigo e evitá-lo, Ser reconhecido e não ser reconhecido. Quem luta pelo comunismo . . Só tem uma verdade: A de lutar pelo comunismo. . . Bertold Brecht

sábado, outubro 27, 2012

Eduardo Baptista - Incompetente ou vendido?


C de ...

C de Comunicar, C de Conversar C de Comentar, C de Criticar, C de Conhecer, C de...


Incompetente ou vendido?


Vítor Gaspar: "Existe aparentemente um enorme desvio entre o que os portugueses acham que devem ter como funções do Estado e os impostos que estão dispostos a pagar".

Não senhor Ministro! O desvio existe sim mas nos gastos que o Estado está a fazer para pagar aos Bancos privados. Nos negócios que o senhor e o seu governo faz.

O senhor ou é incompetente e uma vez que se reconhece responsável pelos desvios verificados nas contas do Estado, e deveria de imediato demitir-se,ou está a defender os interesses de quem nos rouba, contra os interesses dos portugueses e, nesse caso é um vendido, um traidor.

Negócios e fraudes

Eu explico. O senhor Ministro, retira aos portugueses o dinheiro do Estado para pagar aos BPN os roubos feitos pelos seus colegas. Mais de 6.000 Milhões de euros, endividando o Estado. 
Pede financiamentos aos Bancos privados a juros especulativos, endividando ainda mais o Estado. Capitaliza os Bancos com o nosso dinheiro. Depois critica os portugueses de exigirem ao Estado mais do que pagam de impostos. Contudo, não acusa os que gerem e roubam o Estado.

O senhor Ministro para emagrecer o estado vende o que é lucrativo e fica com o que dá prejuízo. Bons negócios para os privados. Depois queixa-se dos portugueses que não querem pagar duas vezes por serviços que deveria ser o Estado a prestar. 
Pagamos para o Estado e pagamos para os privados porque os serviços foram vendidos por si. Veja-se o que se passa com as PPP. 

Sempre os mesmos a pagar. Sempre os mesmos a lucrar

O senhor Ministro está a taxar as empresas que poderiam promover o desenvolvimento da economia. Mas não taxa os Bancos privados, que exportam o nosso dinheiro para os offshores, para os paraísos fiscais. 

O senhor Ministro nunca fala das fugas aos impostos das grandes grupos económicos, mas persegue os pequenos e médios empresários e os trabalhadores. Sempre os mesmos a pagar.

Nunca ouvi o senhor Ministro reclamar dos juros escandalosos que os bancos privados nos estão a cobrar pelos negócios que o senhor e o seu governo com eles faz, mas reclama por os portugueses não quererem pagar mais impostos.



Senhor Ministro. Está com Deus ou com o Diabo?

O Senhor Ministro não é um imbecil que atire atoardas sem motivo. O senhor Ministro acusa os portugueses para justificar o mau Ministro que é. Não por ser incompetente mas por estar do lado dos que nos exploram.
O povo sabe que não é possível estar com Deus e com o Diabo ao mesmo tempo. Pois o senhor é um mau Ministro porque é um bom defensor dos tais credores, dos bancos, dos especuladores, dos agiotas. É o povo que lhe paga mas são os seus amigos, chamados credores", os agiotas, que ganham com a sua actividade como Ministro de Portugal. 

O senhor Ministro não é gestor nem negociador, é um vendedor do seu país

O senhor ministro sabe, apesar de fingir não saber, que a o dinheiro dos impostos que os portugueses pagam para os serviços que o Estado deveria prestar, está a ser desviado para os Bancos, para os juros, dos negócios que com esses bancos faz. Está a ser desviado para os negócios ruinosos das Empresas Público Privadas. Desses o senhor Ministro não se queixa.

Porque é que eu não oiço o senhor ministro acusar esses que nos roubam e oiço queixar-se dos portugueses que lhe pagam? 

Se o senhor Ministro estivesse numa empresa, se fosse encarregado de negociar com os credores e se fizesse o mesmo que está a fazer aos portugueses, levava a empresa à rápida falência caso não fosse demitido a tempo. 

Qualquer empresário, qualquer gestor, sabe bem que negociar com os credores não é dar-lhes mais do que é possível para o pagamento da dívida. 

Os credores também sabem que o seu negócio é um risco e que não devem exigir mais do que é possível.
Negociar é encontrar o equilíbrio entre os justosinteresses de ambas as partes. 

O senhor Ministro, a negociar com credores é um fracasso. Uma completa incompetência para não ter que o julgar de traidor, de vendido, pois está a vender Portugal e a dar o dinheiro que não é seu aos especuladores.

Senhor Ministro, tenha um pouco de dignidade, demita-se urgentemente. Não viu que, apesar desse seu ar de sonso, para os portugueses está já desmascarado o seu papel no Governo?


(alterado c/ subtítulos às 11.45h.)

a mini-manifestação da ugt-proença contra o oe-13


Obrigado João Proença, por tanto ter ridicularizado a criação de Soares

http://5dias.net/2012/10/26/obrigado-joao-proenca-por-tanto-ter-ridicularizado-a-criacao-de-soares/

~~~~~~~~~~~~~~~~~

UGT em luta contra o OE 2013 dirige-se para São Bento para entregar moção

Por Sandra Gonçalves

Cerca de meio milhar de dirigentes e activistas sindicais da UGT dirigem-se actualmente rumo a São Bento, passando pela Assembleia da República, reivindicando melhores direitos para os trabalhadores e manifestando-se contra as medidas da austeridade.

À cabeça da manifestação encontra-se o secretário-geral da UGT, João Proença. A concentração partiu da Rua Castilho, em Lisboa, e terminará junto a São Bento onde será entregue uma moção ao primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, manifestando «indignação pela proposta do OE 2013 e as reivindicações da central e dos seus sindicatos na defesa de um país mais justo e solidário».
Um contingente policial significativo acompanha a manifestação.
UGT EM LUTA CONTRA O OE 2013 DIRIGE-SE PARA SÃO BENTO PARA ENTREGAR MOÇÃO
 
Data 26/10/12 Duração 00:00:59 Visto 486 vezes Votar

sexta-feira, outubro 26, 2012

Pacheco Pereira e as alternativas à crise


HÁ ALTERNATIVAS PARA ESTE ORÇAMENTO? CLARO QUE HÁ. 
REPITO: SIM QUANTAS VEZES FOR PRECISO DIZER - diz Pacheco Pereira


HÁ ALTERNATIVAS PARA A AUSTERIDADE? NÃO


Coloquemos a questão de novo. Se a pergunta for “não há alternativas para a austeridade”, a resposta correcta é não. Seja de que forma for, mesmo que houvesse uma revolução salvífica, com os trotsquistas do Bloco a fazer discursos nas barricadas, o Otelo a fazer planos para um novo Campo Pequeno, os comunistas a conduzirem o assalto dos “soldados de Abril”, haveria na mesma austeridade, ou seja, as pessoas a viverem pior. A não haver um milagre de multiplicação de qualquer coisa, pão, ouro, petróleo, divisas, gente honesta, por obra divina, não há maneira de escapar a um período difícil, àquilo a que chamamos benevolamente “austeridade”. Não é essa a questão, nem é isso que dizem os que afirmam haver alternativas.

HÁ ALTERNATIVAS PARA “ESTA” FORMA DE AUSTERIDADE? SIM. 

Se há alternativas ao Orçamento de Estado (OE) apresentado pelo governo? É obvio que sim, a não ser que consideremos que o OE é o primeiro documento cientifico que as Finanças produziram desde que os homens fazem contas entre o deve e o haver. E por muito génio escondido que haja na cabeça ministerial, ele está na fase daquele aluno de Niels Bohr a quem este disse: “a sua teoria é louca, mas não suficientemente louca para ser verdadeira”. 

A resposta à pergunta sobre o OE é inquinada porque a pergunta engana-nos quanto ao tempo e à coisa sobre a qual há alternativa. É que a alternativa ao OE é à cabeça e não no fim, é no momento em que alguém se sentou à mesa, o solitário Gaspar, e delineou as linhas gerais do OE, as comunica à troika, que diz que sim com todas as partes do corpo. Depois, Gaspar comunica a Passos o facto mais ou menos consumado, e Passos repete o gesto da troika. É nesta altura que, pensando-se diferente, se fazia diferente. Chegando-se na mesma ao cumprimento do memorando, com mais ou menos latitude. E não me venham dizer que não há “margem”, porque também não havia para 2012 e vai ter que haver. E não faltam propostas, o que não encaixam é nestas opções deste OE. 

(Continua.)

HÁ ALTERNATIVAS PARA ESTE ORÇAMENTO? CLARO QUE HÁ. 
REPITO: SIM QUANTAS VEZES FOR PRECISO DIZER 

O OE é preparado por mais de uma centena de pessoas nos diferentes ministérios, nas secretarias de estado, em particular nos serviços das Finanças e analisado no detalhe por consultoras financeiras e consultores individuais contratados pelo governo. Presumo que algumas consultas jurídicas também foram feitas, para avaliar das inconstitucionalidades, mas pelos resultados anteriores a qualidade dessas consultas não é por aí além. A elaboração de um OE é uma matéria complexa e que mobiliza recursos consideráveis, tempo, informação, dinheiro e pessoas, e não está nas mãos de qualquer particular, sozinho ou em grupo, dar-lhe uma “alternativa” numa forma semelhante. Por isso, ao OE não há “alternativa” com o mesmo peso, a mesma elaboração, a mesma informação, o mesmo detalhe. Mas há bastantes alternativas à cabeça, nas opções a tomar, mesmo no quadro do cumprimento do memorando. A grande mistificação do “não há alternativas” é querer-nos convencer que as opções tomadas representam a única forma de cumprir os objectivos do memorando com algum realismo. Aliás, a alternativa do governo é que já mostrou não ser alternativa porque, no primeiro ano crucial, falhou, falhou por muito e falhou exactamente naquilo que muitos disseram que ia falhar. 

(Continua.)
ABRUPTO
abrupto.blogspot.pt

quinta-feira, outubro 25, 2012

Tese do quanto pior melhor por Octávio Teixeira

Jornal de Negócios


Tese do quanto pior melhor

André Levy - EUA: poder e dinheiro na urna


Avante!

EUA: poder e dinheiro na urna

Um relatório recente da Comissão Global sobre Eleições, Democracia e Segurança das Nações Unidas avisou várias democracias, incluindo os EUA, que as campanhas eleitorais estão sob influência crescente de financiamento «desregulado, não declarado, ilegal e opaco». Em relação aos EUA, chamou atenção para dois processos que vão ter grande influência nas campanhas e na eleição no próximo dia 6 de Novembro para a Casa Branca, para o Congresso e inúmeras eleições estaduais e locais: a crescente influência de dinheiro não regulado e as alterações às Leis Estaduais de Identificação do Eleitor.
Estas vão ser as primeiras eleições presidenciais após a decisão do Tribunal Supremo, de 2010, no caso da ONG Cidadãos Unidos (Citizens United) vs. Comissão Eleitoral Federal. A decisão 5-4 concluiu que quaisquer restrições sobre o financiamento por corporações de discurso político (desde de que não constitua uma contribuição directa às campanhas eleitorais e seja «independente» destas) constitui uma violação da Primeira Emenda à Constituição. A liberdade de expressão das corporações está protegida por esta emenda pois ao abrigo da lei dos EUA estas são consideradas pessoas. Se já antes os fundos das campanhas eleitorais tinham grande influência no resultado eleitoral – cerca de metade dos membros do Congresso são milionários1 – e atingiam, no caso das campanhas presidenciais, centenas de milhões de dólares, após a decisão do Tribunal Supremo romperam-se os diques. Um relatório do início de Outubro, concluía que as despesas por parte de Comités de Acção Política (PACs) e organizações industriais 501(c)4 excedia já as contribuições extra-campanha feitas nos onze ciclos eleitorais combinados: mais de 517 milhões de dólares face a 444 milhões em todas as eleições desde 1990. E prevê-se que estas contribuições venham a aumentar durante o último mês de corrida eleitoral. Estes dinheiros têm influência na corrida presidencial e para o Congresso Federal, mas são também dirigidos a campanhas Federais e Estatuais para os respectivos Congressos, onde grandes quantias de financiamento obscuro podem ser críticas para dominar o espaço de campanha em círculos mais restritos.
Outra forma de ganhar eleições ainda antes do escrutínio é eliminar os eleitores que votam preferencialmente no opositor. Um novo relatório, publicado no início desde mês pelo Gabinete de Responsabilidade Governamental2, demonstra que nos passados 10 anos um total de 31 estados, principalmente estados cujos governos e congressos são dominados pelo Partido Republicano, passaram leis que dificultam a votação por parte de eleitores legítimos, aprovando novas leis de identificação do eleitor, tornando as leis existentes mais exigentes, aprovando novos requerimentos de prova de cidadania ou impondo novas restrições às campanhas de recenseamento de novos eleitores. (Note-se que nos EUA não existe cartão de identidade.) Entre os estados que tornaram as leis mais restritivas estão 5 estados decisivos para ganhar a maioria do Colégio Eleitoral e a eleição para a presidência (Florida, Iowa, Ohio, Pennsylvania, e Wisconsin).
Estas leis afectam preferencialmente as classes mais desfavorecidas, as minorias étnicas, e os jovens que votam preferencialmente no Partido Democrata, e que, por exemplo, têm menos probabilidade de possuir a forma de identificação com foto mais utilizada nos EUA, a carta de condução, ou uma forma de prova de residência sem foto. Estas restrições, já em vigor no Estado da Florida durante a campanha Bush-Gore de 2000, impediram largas centenas de negros de votar. (Recorde-se que Bush oficialmente «ganhou» esse Estado, com uma margem de apenas 537 votos, dando-lhe acesso à Casa Branca.) Segundo Mother Jones4, as novas leis podem afectar mais de 5 milhões de legítimos eleitores, em estados representando 179 (dos 270) delegados ao Colégio Eleitoral. Os Republicanos têm defendido estas restrições com base no ataque à fraude eleitoral. Mas não existe, na história eleitoral recente dos EUA, evidência de fraude eleitoral significativa: os estudos recentes na matéria indicam ser no máximo na ordem dos 0.001%. Assim, os maiores trunfos do Partido Republicano para elegerem Romney não se baseiam no carácter do candidato nem na substância das suas propostas, mas nos mecanismos de distorção do processo eleitoral.
___________  Artigo publicado no Avante! de 25.Outubro.2012 

terça-feira, outubro 23, 2012

As Cheias de Novembro de 1967 em Lisboa

Geologia Ambiental
   Elementos de apoio preparados por J. Alveirinho Dias
   

Casos de Estudo
As Cheias de Novembro de 1967 em Lisboa
    . 
Na noite de 25 para 26 de Novembro de 1967 registou-se, na região de Lisboa, precipitação intensa e concentrada, tendo atingido, na estação de São Julião do Tojal, no concelho de Loures, 111mm em apenas 5 horas (entre as 19h e as 24 h do dia 25). As estações da região de Lisboa registaram, nesta data, cerca de um quinto do total da precipitação anual.

Tal precipitação excepcional, cujo período de retorno está estimado em de 500 anos, provocaram a ocorrência de uma cheia repentina com duração inferior a 12 horas.
      
A cheia foi amplificada por vários factores, designadamente:
  • na região de Lisboa as bacias hidrográficas têm áreas reduzidas e tempos de resposta muito curtos (2 horas);
  • vastas zonas da região estão intensamente urbanizadas e impermeabilizadas;
  • grande parte do coberto vegetal tinha sido destruído;
  • ao longo do tempo tinham sido construídas estruturas transversais nos cursos de água, que dificultavam ou impediam a drenagem natural;
  • os rios e ribeiras da região careciam de limpeza, havendo locais onde existia vegetação muito densa que dificultava a escorrência, e outros onde, ao longo do tempo, se tinha acumulado lixo variado, inclusivamente mobiliário velho e electrodomésticos;
  • em muitos pontos a rede fluvial tinha sido canalizada, correndo, nalguns locais, de forma subterrânea (através de manilhas);
  • o sistema de drenagem pluvial estava mal dimensionado com limpeza deficiente;
  • a precipitação concentrada coincidiu com a preia-mar do Tejo, que ocorreu às 22h50;
Acresce que os fortes caudais da escorrência superficial tinham grande carga sólida, arrastando quantidade muito grande de detritos de dimensões muito variadas (de micra a metros), designadamente solo erodido, árvores, fragmentos de muros e blocos de edificações destruídas. Nalguns pontos a corrente de cheia revelou características de corrente de densidade. Muitas vezes os danos foram provocados pelo impacte de detritos de grandes dimensões, que fragilizaram as estruturas, as quais acabariam por ceder perante a força da corrente.
 
 
Cheia no concelho de Odivelas (www.cm-odivelas.pt)
 
 
 
Consequências das cheias na Pontinha (www.jf-pontinha.pt).
      
A situação na região de Lisboa tornou-se completamente caótica. As cheias destrutivas causaram a morte de 462 pessoas e desalojaram ou afectaram cerca de 1100, submergindo centenas de casas e infra-estruturas num rio de lamas e pedras. Todavia, permanecem muitas dúvidas sobre a dimensão deste evento, designadamente no que se refere ao número de vítimas mortais, pois que o regime político da altura nunca permitiu apurar as verdadeiras consequências desta catástrofe. Algumas estimativas apontam para prejuízos da ordem dos 3 milhões de dólares a preços da época.

No dia seguinte as estruturas oficiais revelaram-se incapazes de ministrar o apoio necessário às vítimas, tendo-se, para tal, verificado mobilização da sociedade civil. Como recorda Mariano Gago "... com as cheias de 1967 e com a participação na movimentação dos estudantes de Lisboa no apoio às populações (morreram centenas de pessoas na área de Lisboa e isso era proibido dizer-se). Só as Associações de Estudantes e a Juventude Universitária Católica é que estavam no terreno a ajudar as pessoas a tirar a lama, a salvar-lhes os pertences, juntamente com alguns raros corpos de bombeiros e militares. Talvez isso, tenha sido um dos primeiros momentos de mobilização política da minha geração.

quinta-feira, outubro 18, 2012

Portugal reduziu o fosso antes da crise sem deixar de ser dos países mais desiguais da UE






Estudo

Portugal reduziu o fosso antes da crise sem deixar de ser dos países mais desiguais da UE

17.10.2012 - 10:17 Por Andreia Sanches

 (Foto: Manuel Roberto)
Estudo sobre desigualdades sociais será debatido no Conselho Económico e Social. Mas qual a importância de um trabalho que analisa o que se passou no país até 2009? Perceber que parte do que explica a diminuição das desigualdades até esse ano está a ser posta em causa, responde o autor.



É um facto que os 5% mais ricos do país têm um rendimento disponível em média 14 vezes superior ao dos 5% mais pobres da população portuguesa. E que são dados deste tipo que fazem de Portugal um dos países mais desiguais da Europa. Mas também é verdade que a desigualdade familiar diminuiu no país, ainda que ligeiramente. Pelo menos até 2009. "O que contradiz de forma clara uma visão muitas vezes difundida", conclui Carlos Farinha Rodrigues num estudo que amanhã será apresentado no Conselho Económico e Social. A explicação é esta: houve uma melhoria do rendimento das famílias mais pobres, não tanto porque estejam a ganhar melhor, mas essencialmente por causa dos apoios que recebem do Estado.

O economista do Instituto Superior de Economia e Gestão, em Lisboa, tem, contudo, uma certeza: 2009 é um ano que representa o "fim de um ciclo". Nos últimos dois anos, todas as políticas têm sido no sentido de agravar as desigualdades, defende. 

Vamos por partes: analisando os sucessivos inquéritos às famílias, conduzidos pelo Instituto Nacional de Estatística, constata-se que a proporção do rendimento disponível pelas famílias portuguesas detido pelos 5% da população mais pobre duplicou entre 1993 e 2009, explica o economista que coordena o estudo promovido e publicado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos, intitulado Desigualdade económica em Portugal. E isso tem a ver, sobretudo, com as chamadas transferências sociais: abonos, rendimento social de inserção, complemento solidário para idosos, entre outras. 

Mas se a distribuição dos rendimentos que as pessoas têm para gerir no seu dia-a-dia, independentemente de se analisar a fonte desses rendimentos, se tornou menos desigual, quando se olha apenas para o que se passou com os salários, o cenário é diferente. E esta é uma segunda grande conclusão do estudo de que são também co-autores Rita Figueiras e Vítor Junqueira: "A partir da análise da distribuição do ganho mensal [entre 1985 e 2009], é evidente a estagnação dos salários" dos diferentes grupos de trabalhadores, com a excepção dos que pertencem aos 10% mais bem remunerados, lê-se. 

Com base na análise dos dados dos quadros de pessoal do Ministério do Emprego, o estudo nota que entre 1985 e 1994 houve um agravamento das desigualdades relacionadas com as remunerações. Na segunda metade dos anos 90, registou-se "um período de atenuação das assimetrias". E, por fim, "já neste século, as desigualdades salariais voltam a agravar-se até 2005, para se atenuar ligeiramente após esse ano".

Como se explica esta diferente evolução quando se olha para rendimentos das famílias, em geral, e salários, em particular? 

"Se olharmos para a desigualdade familiar, isto é, para o conjunto dos recursos das famílias, tivemos uma ligeira redução na desigualdade entre 1993 e 2009. Isto porque houve uma melhoria muito significativa dos rendimentos mais baixos. Aconteceu, sobretudo, graças às transferências sociais e, ainda que em menor grau, porque se adoptaram políticas que assentavam num crescimento do salário mínimo maior do que o crescimento do salário médio. Quando vamos analisar o que acontece na desigualdade salarial, acontece tudo ao contrário. Ou seja, quem tem um crescimento superior à média são as pessoas com maiores salários, que vêem os seus salários crescer mais", diz Farinha Rodrigues em declarações ao PÚBLICO. "Portanto, se na desigualdade familiar a descida está associada ao 1.º decil [10% mais pobres], na desigualdade salarial o aumento está associado aos mais ricos."

Alguns números: "Os trabalhadores de mais baixos salários [os 10% mais pobres] auferiam, em 2009, em média, 458 euros"; "os trabalhadores de mais altos salários [10% mais bem remunerados] apresentavam um ganho salarial de 3085 euros, quase sete vezes superior ao dos primeiros e 4,2 vezes superior ao salário mediano".

A razão pela qual os trabalhadores mais bem pagos passaram a sê-lo ainda mais prende-se, sobretudo, com "o nível de qualificações e de instrução", que aumentou no país. Os quadros superiores passaram a ser mais premiados - e, com a "liberalização da economia", cresceu "a liberdade das empresas para premiar". Isto, num contexto de "internacionalização da economia", sustenta o economista.

Será inevitável este hiato? Farinha Rodrigues garante que não. "Basta comparar a nossa posição com a de outros países na Europa para ver que não é inevitável. Há países com muito menos desigualdade do que nós. Os nossos níveis de rendimento médio são bastante baixos quando comparados com o resto da Europa. Mas, sobretudo, o rendimento que nós temos está mal distribuído. E está mal distribuído porque o nosso modelo económico é um modelo ainda muito assente no "gerar desigualdades". Há várias hipóteses, que explicamos no livro, para resolver isto: se pensarmos no médio prazo, claramente o factor determinante para reduzirmos a desigualdade é aumentarmos as qualificações e o nível de instrução da população." O nível de instrução é o factor que mais explica as desigualdades do país.

Aumentar a eficácia redistributiva da política fiscal é outra recomendação deixada no livro. "Temos uma parcela significativa da nossa actividade económica que está fora do sistema fiscal, a economia informal, sobre a qual o Estado não exerce nenhuma função redistributiva. Sabemos de uma série de profissões onde muito dificilmente grande parte dos seus rendimentos é declarada, e basta pensar num canalizador, e outras; mas também sabemos como se faz a fuga ao fisco entre os mais ricos, por via de offshores e outros instrumentos."

E, já que se fala de impostos, o que diz Farinha Rodrigues da anunciada redução dos escalões do IRS? "É um dado conhecido da economia pública de há muitos anos que, se reduzo os escalões do sistema fiscal, estou a diminuir a sua progressividade, ou seja, estou a torná-lo menos eficaz no combate às desigualdades. Ou seja, haverá uma diminuição da eficácia redistributiva do sistema fiscal."

O estudo analisa dados disponíveis até 2009 (os mais recentes). Mas antevê que, a partir de 2010, "tendo em conta a evolução económica e social e as políticas decorrentes do acordo de assistência financeira internacional, é possível que esta realidade tenha conhecido alterações ainda não medidas".

Farinha Rodrigues faz mesmo uma pergunta provocatória: "Qual é a utilidade de um estudo que acaba em 2009 quando nós estamos em 2012? Quando olhamos para os factores explicativos da redução da desigualdade, encontramos o papel das políticas sociais. Mas veja-se o que aconteceu nos últimos dois anos: basicamente, houve um refluxo das políticas sociais, uma redução não só da sua abrangência mas também dos montantes. Ora, o que acontece é que um dos factos que permitiram que, até 2009, se registasse uma redução ligeira das desigualdades foi as políticas sociais. Se diminuímos a sua eficácia, estamos a dizer: vamos voltar atrás. Quem ler com atenção este livro, tem uma matriz do que caracteriza a desigualdade em Portugal, que lhe permite compreender o que se está a passar neste momento e antecipar" o que aí vem.

Uma coisa, diz, é certa: "Todos os indícios que temos é de que as políticas ensaiadas para combater a crise implicam uma inversão da tendência de redução das desigualdades e da pobreza."

Farinha Rodrigues lembra, de resto, que, apesar da melhoria de vários indicadores, Portugal continua a apresentar valores inferiores aos da média da União Europeia (UE). Números, uma vez mais: o rendimento por adulto equivalente (o conceito de rendimento por adulto equivalente traduz as diferenças de dimensão e composição das famílias) subiu, em média, em termos reais, 35% - para 10.540 euros/ano. Mas se isto representa 4,4 vezes mais do que o rendimento de um romeno, também é um facto que vale 3,5 vezes menos do que um luxemburguês. 

O país assistiu a uma redução da taxa de pobreza aproximando-se dos valores médios da Europa - mas está ainda aquém, com 17,9% de taxa de pobreza contra 16,4 na UE. 

Mais: houve uma diminuição das desigualdades familiares que, se for medida pelo chamado índice de Gini (que sintetiza num único valor a assimetria da distribuição dos rendimentos, assumindo valores entre 0, quando todos os indivíduos têm igual rendimento, e 100, quando todo o rendimento se concentra num único indivíduo), passou de 37, em 1994, para 33,7, em 2009. Mas também esta melhoria não foi suficiente para impedir que Portugal continue a fazer parte do grupo dos países mais desiguais (a média da UE é 30,5). 

Hoje é Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza.

  1. Daniel Rosa . 17.10.2012 19:22
     
    Via Facebook

    Claro que foram atenuadas!

    Estes governos têm delapidado a classe média e alta de tal forma que daqui a pouco só temos uma classe. A classe miserável! Aí não existe fosso, a não ser a comparar com quem nos desgoverna mas nessa altura já devem estar todos em Paris e por isso não contam!
  2. Rosa Jose . 17.10.2012 13:30
     
    Via Facebook

    CAMUFLAR

    CERTO que este estudo exemplifica mais desigualdades nas gestoes psd\cds mas nao sera fruto tambem ele duma certa mamografia ps durante a sua gestao como aquele que quando ve 100 escudos na carteira ja pensa que nao se acabam .TODOS sabemos que na questao de dar fretes ao capital e ao descanso penalizando tanto ou mais quem trabalha com baixas remuneraçoes a balança entre ps\psd\cds venha o diabo e escolha.porque nunca ps teve uma politica de esquerda democratica nem social democracia preferindo ibralismo extemo ao nivel psd\cds UNICA-quando ferro rodrigues uma ala respeitavel a esquerda esteve para ser primeiro ministro quem lhe tirou o tapete .UM-ps \esquerda tipo -lula\chaves etc.porque nao basta se-lo e preciso parece-lo neste ponto temos falhado muito sempre encostados a asa do tacho
  3. A. Fernandes , Leiria. 18.10.2012 07:48

    As consequências da irresponsabilidade política!!!

    Diminuir a desigualdade familiar através do endividamento, da caça ao voto a qualquer preço e da corrupção, foi isso mesmo que aconteceu no passado e que acontece no presente de forma preocupante!!!
  4. Miguel , Lisboa. 17.10.2012 16:36

    Falta uma informação

    Há um dado que não é divulgado na peça e que é fundamental ser percebido nesta altura que é o da degradação salarial acentuada a partir de 1985, ou seja, a partir da entrada de Portugal na CEE. É um dado muito importante para que se perceba que os que na altura eram apelidados de "velhos do Restelo" e de serem sempre do contra lhes vejam reconhecida a razão dos argumentos que apresentaram na altura.
    • Paulo , Almada. 17.10.2012

      RE: Falta uma informação

      Tem havido degradação salarial apenas nos últimos 3 ou 4 anos, mas mesmo assim estamos muito longe de 1985. E nota-se agora um nítido aproveitamento da crise para continuar a degradar salários e acentuar o fosso entre os mais e menos afortunados.
  5. Anónimo , lx. 17.10.2012 14:03

    bela sopinha (a da fotografia)

    com muito melhor aspecto (pelo menos em fotografia) que a sopinha (a pagar) da cantina da minha entidade empregadora...
    • Paulo Silva , Lisboa. 17.10.2012

      RE: bela sopinha (a da fotografia)

      Nunca fui e espero nunca ir a esta "bela sopinha", até porque se chegar a esse ponto, é mais provável que assalte com a violência necessária anormais como tu que ainda gozam com a miséria alheia! Tudo o que posso recomendar é que abandones a sopinha paga do teu trabalho e passes um dia a provar esta com tão bom "aspecto" e caso algum dia te faça mesmo falta...que não deixes de ter acesso a ela, tal como a um copo de água. Há coisas básicas que nem aos cães devermos negar. Entre ética e moralidade... existe uma barriga por preencher e sem ela, não há alma que resista!
  6. Anónimo , Europe. 17.10.2012 12:48

    muito interessante

    Uma história muito interessante. Se você quiser ver mais notícias sobre a economia móvel não hesite em instalar esta aplicação. (...)
  7. Sérgio Neves , Porto. 17.10.2012 11:56

    Os partidos as desigualdades

    Leio no texto dois períodos em que aumentaram as desigualdades: 1 - ... "o estudo nota que entre 1985 e 1994 houve um agravamento das desigualdades relacionadas com as remunerações..." e 2 - "...já neste século, as desigualdades salariais voltam a agravar-se até 2005...". Todos sabemos quem estava a mandar neste país nesses dois momentos: o PSD. No primeiro momento foi o tempo do Cavaquistão e o segundo Santana Lopes e Durão Barroso. Pelo contrário, leio no texto outros dois períodos de tendência inversa: 1 - ..."Na segunda metade dos anos 90, registou-se um período de atenuação das assimetrias" e 2 - " ...voltam a agravar-se até 2005, para se atenuar ligeiramente após esse ano". Pensem um pouco e lembrem-se quem nos governou nestes dois últimos períodos..... Para bom entendedor.....