A Internacional

__ dementesim . . Do rio que tudo arrasta se diz que é violento Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem. . _____ . Quem luta pelo comunismo Deve saber lutar e não lutar, Dizer a verdade e não dizer a verdade, Prestar serviços e recusar serviços, Ter fé e não ter fé, Expor-se ao perigo e evitá-lo, Ser reconhecido e não ser reconhecido. Quem luta pelo comunismo . . Só tem uma verdade: A de lutar pelo comunismo. . . Bertold Brecht
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terça-feira, fevereiro 15, 2011

Berlusconi é o braço entre política e Máfia

Mundo

Vermelho - 15 de Fevereiro de 2011 - 6h33
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A Itália de Berlusconi continua encenando um interminável e deplorável espetáculo que a cada dia se enriquece com novas histórias de orgias e outras aventuras sexuais do próprio. O governo está entregue à tentativa de sobreviver graças a uma maioria costurada à base da compra de parlamentares, enquanto se cogita de novas leis para garantir a impunidade de Berlusconi. A inquietação reina tanto entre os empresários quanto entre os trabalhadores.


Por Paolo Manzo, em CartaCapital

Nesta moldura vale registrar o que escreve uma jornalista alemã, Petra Reski, do semanário Die Zeit, especialista em criminalidade organizada, autora do livro Máfia – Padrinhos, pizzarias e falsos padres, que a editora carioca Tinta Negra acaba de publicar. Segundo o Frankfurter Allgemeine, trata-se do melhor já dedicado ao tema. Como não podia deixar de ser, Silvio Berlusconi cabe também neste enredo.

Outra personagem execrável é o mafioso Vittorio Mangano, pluri-homicida falecido há 11 anos na prisão depois de ter oficialmente exercido a função de cavalariço na residência de campo do premier, em Arcore. Antes disso, havia se destacado nos anos das chacinas e atentados, 1991 e 1992.

Dois juízes assassinados exatamente neste período são os heróis do entrecho, Giovanni Falcone e Paolo Borsellino, colegas no pool antimáfia, ambos responsáveis pelo maxiprocesso que em 1987 condenou 360 mafiosos a 2.660 anos de cárcere. Foi Borsellino quem definiu Berlusconi como “uma das cabeças de ponte na organização mafiosa no Norte da Itália”. Com a palavra Petra Reski, há algum tempo constantemente ameaçada de morte.

CartaCapital: A senhora acompanhou os eventos dos anos de Borsellino e Falcone?
Petra Reski: Sim, em 1989 me transferi para a Sicília, como correspondente da revista alemã Stern. Havia Borsellino e Falcone ainda vivos. Um momento de grande entusiasmo pouco antes da queda do Muro do Berlim, tinha-se a impressão que o curso da história poderia mudar.

No entanto, passados mais de 20 anos, falava-se da “Primavera de Palermo”. Qual é seu balanço?
No que se refere à Máfia, infelizmente nada mudou. Pelo contrário. A Máfia tem essa formidável capacidade de se adaptar às mudanças. Num certo sentido até antecipa os tempos em relação aos políticos. Os mafiosos sempre foram muito hábeis em desfrutar a globalização em sua própria vantagem. Eu sou rea-lista, e já depois dos assassinatos de Falcone e Borsellino, em 1992, percebia que a luta contra a Máfia estava declinando. Em 1994, Berlusconi entrou na política, o que foi devastador para a luta contra a criminalidade organizada.

Por quê?
A primeira mensagem que Berlusconi lançou foi: “Chega de associar a Sicília com a Máfia, a Sicília é outra coisa”. Esta é uma mensagem que nas entrelinhas queria dizer: “Vamos parar com essa concentração de luta contra a Máfia”. Uma mensagem devastadora. Conhecendo bem o cenário na Sicília, - ninguém poderia imaginar que algo pudesse ser feito sem a sustentação da Máfia. Quando todas as cidades e os lugarejos da Sicília foram embandeirados por Forza Italia, o primeiro partido com o qual Berlusconi venceu as eleições, em 1994, entendeu-se que ele contava com o apoio da Cosa Nostra. Porque, se você não está com a Máfia, na Sicília, as bandeiras dos partidos são queimadas. Além disso, os ataques que há anos Berlusconi lança contra a magistratura e as instituições favorecem muito a Máfia.

Quem era Mangano?
Naquela época, uma jornalista havia me falado que na casa de Berlusconi vivia um mafioso. Parecia-me impossível, mas comecei a trabalhar no caso e contemporaneamente aparece o papel de Mangano, como conexão entre a Máfia siciliana e um pool de empreendedores da Itália do Norte. Ele era a ponte. Quem descobriu que o cavalariço de Berlusconi na Villa di Arcore era um pluri-homicida foi justamente Borsellino.

A última entrevista televisiva que Borsellino concedeu dois meses antes de morrer falava justamente dos cavalos de Mangano.
Sim, os famosos cavalos, ou melhor, as grandes remessas de cocaína, mas principalmente explica a conexão entre a Máfia siciliana e os empreendedores do Norte, entre os quais Berlusconi. Aquela foi uma mensagem importante, a última da vida do juiz Borsellino.

No seu livro, a senhora entrevista as filhas e a mulher de Mangano.
Sim, e tive a clara sensação de que havia uma mensagem transversal que na realidade elas pretendiam enviar a Berlusconi, quase uma ameaça, como se dissessem “querendo, poderíamos contar toda a verdade”.

Mas Mangano morreu em 2000.
Sim, entrevistei as mulheres da sua família em 1999. Ele se encontrava ainda na cadeia e elas concederam a entrevista por uma razão bastante clara. Queriam que Mangano saísse da cadeia já que estava muito doente. Foi um verdadeiro e próprio spot. As filhas de Mangano eram perfeitamente crescidas na cultura mafiosa. Lembro que Cinzia, a filha do meio, era a mais atrevida. Contou que quando Falcone foi morto estava com um amigo na praia. E este amigo lhe disse: “Agora está tudo acabado”. Ela o interpretou como se tudo tivesse terminado, não para a antimáfia, mas para a Máfia contrária a Totò Riina, que estava associado a Mangano. Percebi, em todo caso, algo como uma chantagem encoberta. Disseram-me várias vezes que lembravam perfeitamente quando almoçavam ou brincavam com o filho de Berlusconi, Piersilvio, hoje na direção do império mass-mediatico Mediaset. Deixavam entender ter uma grande familiaridade com os Berlusconi. E diziam que Vittorio, mesmo tendo recebido pressões por parte dos magistrados, nunca teria falado, enlameando o nome dos Berlusconi, e jamais se tornaria colaborador de Justiça. As moças até trabalharam em Milão numa empresa de limpeza que pertencia a Dell’Utri…

Marcello Dell’Utri, senador, chegadíssimo a Berlusconi, foi condenado em duas instâncias por suas relações com a Máfia.
Encontrei-o durante o processo no Palácio de Justiça, em Palermo. Estava no corredor, me aproximei, mas não quis falar comigo. Além do mais, quando saiu o meu livro na Itália, anunciou uma ação judiciária contra mim. Ameaça descumprida. Berlusconi foi utilizado por Dell’Utri e agora está envolvido até o pescoço. Dell’Utri é a mente do sistema, não Berlusconi.

Fonte: Vi o Mundo


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terça-feira, maio 25, 2010

Inúteis conselhos de um “ex-comunista”

Brasil

Vermelho,  24 de Maio de 2010 - 11h21

A Carta Capital, uma honrosa exceção entre as revistas semanais brasileiras, pela fidedignidade das suas informações e profundidade de suas análises, publicou na edição desta semana, com data de 26 de maio, uma entrevista com um curioso personagem da política europeia, Massimo D´Alema.

Por José Reinaldo Carvalho*

O ex-primeiro-ministro italiano (1998 a 2000) fala sobre o seu relacionamento com o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, apresenta-se como garoto-propaganda de grandes empresas oligopolistas italianas, diz platitudes sobre o papel da “esquerda democrática” europeia no enfrentamento da crise e disserta sobre o combate histórico do velho PCI ao terrorismo que assolou a Itália nos anos 1970. Mesmo dizendo não querer polemizar sobre o caso Battisti, ajuda a fundamentar a opinião da revista em defesa da extradição do ex-militante extremista refugiado no Brasil.

Aos nossos olhos passaria desapercebido o falatório do político italiano, não fosse a repetição de um surrado discurso anticomunista, travestido de crítica ao “velho comunismo ortodoxo”. Reportando-se a como o extinto Partido Comunista Italiano, do qual foi expoente no passado, encarava a esquerda mundial, o atual dirigente do Partido Democrático jacta-se de que “em geral, em relação aos partidos comunistas ortodoxos, nós não alimentávamos particular simpatia, enquanto tínhamos curiosidade pelos inovadores”. Com tom professoral, singularidade da arrogância eurocentrista que alguns pigmeus tropicais acompanham anacronicamente, o ex-“comunista” D´Alema dá voz ao seu achismo acreditando que alguns intelectuais do PT leram Gramsci.

Desculpando-me por ignorar o que leram os intelectuais do PT, tenho certeza de que de uma maneira geral a esquerda brasileira revolucionária leu não só Gramsci, como Marx, Engels, Lênin, Stálin, Dimitrov, Rosa Luxemburgo, Mao Tsétung, Fidel Castro, Che Guevara, Mariátegui e tantos outros autores que contribuíram para afirmar uma corrente de pensamento marxista-leninista, efetivamente transformadora, anti-capitalista e antiimperialista.

No afã de encontrar saídas fáceis e rápidas, não poucas vezes incorreu-se em manifestações de dogmatismo. Não é fácil compreender as peculiaridades das situações concretas e encontrar o ponto de equilíbrio entre os princípios revolucionários e a flexibilidade tática. O aprendizado da esquerda revolucionária é penoso e sinuoso, mas é simplismo analisar seu percurso apenas com a antinomia entre ortodoxos e inovadores. Há um lado positivo na experiência da esquerda, mesmo quando laborou em erro – a luta para não sucumbir a pressões liquidacionistas e para afirmar sua identidade. A ortodoxia e o dogmatismo são graves manifestações de oportunismo que a esquerda precisa superar. Mais grave ainda é pretender transpor esta barreira recorrendo aos favores de uma nada original heterodoxia, a partir de um completo rompimento com os princípios revolucionários. É a troca de um oportunismo por outro.

Certamente, o aperfeiçoamento teórico e ideológico dos partidos comunistas e revolucionários requer o estudo dos textos de Antonio Gramsci, político, intelectual, cientista político, literato de sólidas tradições leninistas. Mas é nefasto copiar Gramsci em situações diversas à que ele viveu e atuou e mais nefasto ainda contrapor Gramsci a Lênin, atribuindo caráter reformista à obra do fundador do Partido Comunista Italiano. Certa esquerda procedeu assim nos anos 1970 e 1980 no Brasil, em meio à acirrada luta que levou à transformação do Partido Comunista Brasileiro em Partido Popular Socialista, em 1992.

D´Alema e os seus parceiros ex-comunistas heterodoxos que integram a “esquerda inovadora” protagonizaram a metamorfose social-democrata e liberal-burguesa do velho PCI, até a sua liquidação em 1991. Aliás, o liquidacionismo é um traço do tipo de político que D´Alema representa. Em seguida à dissolução do PCI, este grupo criou o Partido Democrático da Esquerda, depois rebatizado como “Democráticos de Esquerda”. Em 2007, este também foi extinto, resultando da sua fusão com agrupamentos do centro a criação do Partido Democrático.

O entrevistado de Carta Capital não foi artífice apenas da dissolução do PC na Itália. Foi também chefe de governo, integrando ainda mais seu país às políticas imperialistas e agressivas dos Estados Unidos. Como primeiro-ministro (1998 a 2000), participou do ataque militar orquestrado pelo governo de Clinton à ex-Iugoslávia. Mais tarde, foi ministro das Relações Exteriores do governo centrista de Romano Prodi, cargo no qual não se destacou por qualquer política em defesa da paz e da autodeterminação dos povos.

O busílis da questão para a esquerda contemporânea não é se transformar numa centro-esquerda palatável à ordem imperialista e do capitalismo senil. Ser de esquerda hoje requer a capacidade de manter uma linha revolucionária numa época de contrarrevolução e obscurantismo teórico e ideológico. Nisto o “professor” D´Alema nada tem a ensinar.

*Secretário Nacional de Comunicação do PCdoB

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  • A "Carta", às vezes escorrega para o lado do capital

    24/05/2010 18h15
    Caro Reynaldo, parabéns pelo artigo. Na mesma linha da entrevista da revista a que você se refere, no fim do ano passado fiquei supreendido pelos sinceros elogios da Carta Capital ao indubitável Gilmar Mendes. Com toda franqueza, na ânsia de ser inteiramente democrática e enxegar o lado bom de tudo, a Carta Capital às vezes "capitula". Bem, ao menos agora o Gilmar Mendes não se sente isolado na condição de talvez único direitista elogiado nas páginas da revista que, acho, se assume como de esquerda.
    Jeosafá Fernandez Gonçalves
    São Paulo - SP

  • Pior do que ex-comunista declarado

    24/05/2010 17h34 Só o que se comporta como ex-comunista mas ainda se diz comunista, neste reside o principal perigo... As vezes demoram pra assumir... Veja Gorbatchev...

    Diego Grossi Pacheco
    Petrópolis - RJ

  • Eurocomunismo é anticomunismo.

    24/05/2010 17h34 Os conselhos de Massimo D´alema não são nenhuma novidade, apenas mostram de maneira clara e precisa, as faces do velho oportunismo, que durante um tempo necessita utilizar-se de um discurso marxista para enganar ingênuos. A única coisa que o Eurocomunismo conseguiu produzir foi a degeneração completa do velho PCI.

    Gabriel Martinez
    São Paulo - SP

  • O fanatismo

    24/05/2010 17h23 A cada dia que passa, vejo mais semelhanças entre os ditos comunistas e os religiosos. Ambos seguem dogmas, têm seus messias (Marx, Engels, Lenin) e suas bíblias (Manifesto Comunista, O capital), que jamais devem ser contestados. Ser ex-comunista então, é pecado grave...

    Filipe Albuquerque
    Fortaleza - CE

  • Na linha Justa

    24/05/2010 17h03 Perfeito o comentario do Ze Reinaldo, pois estes "ex- comunistas", tanto quiseram se apresentar como modernos e pragmaticos que esqueceram o materialismo histórico e a luta de classes, seja nas analises conjunturais como nas avaliações dos papeis positivvos e negativos de lideres do movimento comunista. O resultado foi uma concepção tão ampla, mais tão ampla do estado, da politica, das alianças que, perdendo qualuqer referencia de esquerda hoje nem sociais democratas podem ser chamados. Parabens , Ze Reinaldo

    LuisEduardo Mergulhão Ruas
    Rio de Janeiro - RJ

  • Mas infelizmente...

    24/05/2010 16h23
    Mesmo com tantos exemplos históricos (II Internacional, Eurocomunismo, Perestroika, PCB e etc.) têm gente que se deixa seduzir por discursos liquidacionistas travestidos de revolucionários e inovadores... ----------------------------------------- Ótimo artigo Zé. ----------------------------------------- "A luta ideológica do marxismo revolucionário contra o revisionismo, iniciada no fim do século XIX, nada mais é que o prelúdio dos grandes combates revolucionários do proletariado, que, apesar de todas as vacilações e debilidades dos filisteus, avança até o triunfo completo da sua causa." - V. I. Lenin
    Diego Grossi Pacheco
    Petrópolis - RJ

  • A atualidade de Lenin

    24/05/2010 16h16 “Sabemos que estas palavras provocarão muitas acusações: gritarão que queremos converter o partido socialista numa seita de “ortodoxos” que perseguem os “hereges” por sua apostasia do “dogma”, por toda opinião independente, etc.”. “Conhecemos todas essas frases cáusticas tão em voga. Mas elas não contêm um pingo de verdade, um mínimo de bom-senso. Não pode existir um partido socialista forte sem uma teoria revolucionária que agrupe todos os socialistas, da qual eles extraiam todas as suas convicções e apliquem em seus processos de luta e métodos de ação. Defender essa teoria, que segundo sua mais profunda convicção é a verdadeira, contra os ataques infundados e contra as tentativas de alterá-la não significa, de modo algum, ser inimigo de toda crítica. Não consideramos, absolutamente, a teoria de Marx como algo acabado e intocável; estamos convencidos, pelo contrário, de que esta teoria não fez senão fixar as pedras angulares da ciência que os socialistas devem impulsionar (...)"

    Diego Grossi Pacheco
    Petrópolis - RJ

  • Os necrófilos de Stalin mais uma vez atacam

    24/05/2010 15h15 Desde quando Stalin ofereceu qualquer contribuição teórica ou prática ao socialismo? Que contribuição teórica ele fez? "O socialismo de um país só"? Que contribuição prática? OS gulags? As viúvas de Stalin do PCdoB não desistem mesmo!

    Jonathan
    Fortaleza - CE

  • Momento difícil

    24/05/2010 14h32 "Ser de esquerda hoje requer a capacidade de manter uma linha revolucionária numa época de contrarrevolução e obscurantismo teórico e ideológico". Muito bem colocada a questão. A superestrutura do capitalismo alimenta um turbilhão de irracionalidades que permeiam o dia-a-dia das pessoas, e em particular da classe trabalhadora. Daí vem a questão: Como construir, em meio a tantas adversidades,uma prática política coerente e revolucionária comprometida com a transformação da sociedade ?

    jesse
    Niterói - RJ

  • valeu

    24/05/2010 13h57
    "Caba bom este Ze."
    narcelo nogueira
    itapiuna - CE
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    • ex comunistas ou anticomunistas

      24/05/2010 13h56 Mais um excelente artigo do camarada Zé Reinaldo aborda questões de fundo para a organização marxista-leninista.Os comunistas não viram as costas às batalhas conjunturais, aos embates do dia-a-dia, mas têm princípios e se guiam por eles. Os revolucionários não estão abertos a negócios ou negociatas com os princípios, característica dos oportunistas de diversos matizes, muitas vezes travestidos de "inovadores". A história recente -inclusive no Brasil- mostra como muitos partidos abriram mão dos princípios, assumiram posturas meramente reformistas e foram golpeados e liquidados por oportunistas "inovadores" que não passavam de anticomunistas.

      Wellington Teixeira Gomes
      Belo Horizonte - MG

    • Carta Capital também tem seus momentos de

      24/05/2010 12h42 É interessante observar como personagens da estirpe do Massimo D´Alema preferem a alcunnha de "ex-comunista" à "neo-liberal". José Reinaldo Carvalho acerta na mosca quando ressalta o papel de "Carta Capital" sem deixar de apontar os seus equívocos. A revista de Mino Carta sustenta uma posição firme na defesa do papel histórico de Lula, na apuração dos crimes da ditadura e na denúncia das falcatruas de Daniel Dantas, mas, erra feio no julgamento da esquerda. Comunista bom para ele é o que mudou de credo, de cor e de bandeira. Sem falar na mal-disfarçada simpatia que nutre por Marina Silva e José Serra. Levando em conta a sua implicância com Cezare Battisti, perguntaria até que ponto suportaria uma guinada mais a esquerda da "ortodoxa" Dilma Roussef? Talvez o limite da sua tolerância democrática seja a não transigência com um papel destacado do "bloco histórico" formado pelos comunistas, pra continuarmos a prosa no campo do pensamento de Gramcsi, este sim, um italiano dos bons.

      Antonio Levino
      Manaus - AM
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segunda-feira, janeiro 18, 2010

Carta Capital: Os vencidos não se entregam


Quadro de Diego Rivera

Movimentos

Vermelho - 30 de Novembro de 2009 - 12h37

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Em matéria publicada nesta semana em sua página elerônica, a revista Carta Capital descreve o acampamento na região da empresa Cutrale e debate a violência nos acampamentos da Fazenda Rio Vermelho, Castanhais e Espírito Santo, todas na região de Xinguara.

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No acampamento Rosa Luxemburgo, como em tantos outros ligados ao MST, as condições de vida são precárias. As lonas esquentam em demasia durante o dia, falta água e energia elétrica. Mas o que mais incomoda as 180 famílias acampadas nos arredores de Iaras, no sudoeste de São Paulo, são as tempestades. “Você nunca sabe se vai deitar e amanhecer em pé ou não. Tudo sai voando, eu tenho um medo terrível. Se cai granizo é pior ainda, porque você vê que a lona não vai resistir. Depois que passa, a gente sai para ver o que sobrou, todo mundo tem de se ajudar para reconstruir”, afirma Rosalina Beatriz de Oliveira, acampada há cerca de um ano.
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A fazenda Agrocentro, que dá lugar ao acampamento, foi declarada improdutiva pelo Incra e aguarda a conclusão do processo de desapropriação. Para chegar lá, depois de três horas pelas modernas estradas do estado, o progresso do agronegócio se faz mais tímido e grandes buracos no asfalto dificultam a circulação dos veículos. Em seguida, o carro segue derrapando na areia grossa, ao longo de 32 quilômetros de estrada de terra cercada de plantações de eucalipto e cana.
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Na fazenda o pasto deu lugar aos barracos de lona que surgem no horizonte. Com o sol forte na cabeça e a terra fervendo sob os pés, o olhar insiste na busca por um abrigo, mas são poucas as árvores que sobraram. No interior dos barracos a temperatura é insuportável.
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Na varanda improvisada com um puxadinho de lona está Marta Pereira da Silva, que mora há oito meses no acampamento. Marta parece ter bem menos idade do que os 40 anos que sua certidão de nascimento aponta, mas está doente. Tem pressão alta e diabetes e toma mais de vinte comprimidos por dia. 

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Quando vai ao pronto-socorro, em Bauru, sempre ouve que a primeira coisa a fazer, se quiser continuar viva, é deixar o acampamento o mais rápido possível. Os médicos sabem que, da próxima vez que passar mal, ela pode não chegar a tempo ao hospital. Dependerá da boa vontade de um companheiro de carro ou da polícia, que já foi acionada em momentos de emergência e não apareceu. Marta prefere correr o risco: “Os médicos falam para eu sair daqui, mas e a minha terra, e a minha luta? ”
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O acampamento Rosa Luxemburgo não está ali por acaso. Na região existem 50 mil hectares de terras públicas indevidamente ocupados por particulares. A história começou em 1920, quando a União adquiriu a área, que abrange os municípios de Águas de Santa Bárbara, Iaras, Borebi, Lençóis Paulista e Agudos, para a colonização de famílias de imigrantes. O problema é que as terras não foram discriminadas regularmente e, com o passar do tempo, particulares começaram a tomar conta e registrar as áreas em cartório.
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Foi só a partir de 1994 que o Incra começou a fazer um levantamento da área pública total, conhecida como Núcleo Colonial Monção. Em 2002, o Instituto passou a identificar os ocupantes irregulares, concluindo que os atuais proprietários não são os mesmos que tomaram as terras originalmente, pois, ao longo dos anos, elas foram vendidas diversas vezes. Isso acaba dando bases para longas disputas judiciais, enquanto o Incra solicita a devolução das terras à União, mediante indenização. Ele se baseia em artigo da Constituição que determina que as terras públicas devem ser prioritariamente direcionadas à reforma agrária.
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Para complicar ainda mais, além das terras públicas, existem na região onze fazendas, cerca de 15 mil hectares, que já foram vistoriadas e consideradas improdutivas pelo Incra, mas aguardam uma certidão de uso e ocupação do solo da prefeitura de Agudos para que o processo de desapropriação tenha início. Mas o prefeito Everton Octaviani, que por enquanto concedeu o documento apenas para a fazenda Agrocentro, afirma que, dos onze imóveis, ao menos quatro proprietários entraram com ações na Justiça contra o laudo de improdutividade. Quanto aos outros, o prefeito explica a demora na emissão do documento: “Eu ainda não emiti porque não quero que venham para o município essas famílias de outras localidades, que são do MST. Eu tenho negociado com o Incra e exijo que sejam colocadas ali famílias da minha cidade, famílias de trabalhadores que vão fazer um bom uso da terra, que vão produzir. Eu não posso dizer que só quero agudenses, mas preferencialmente de Agudos, e que não sejam do MST”.
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No meio desse entroncamento de interesses estão centenas de pessoas que, após uma história de despejos violentos e promessas não cumpridas, aguardam um lote para se estabelecer. Rosalina é uma delas. Aposentada, ela trabalhou em Bauru durante muitos anos como atendente de enfermagem. Sua experiência é útil ao acampamento, assim como os ensinamentos familiares sobre o uso de ervas medicinais. “O tradicional do hospital não serve para nada aqui.”
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Enquanto as famílias vivem no acampamento, as pequenas hortas pipocam lá e cá, fartas. São plantações de mandioca, abóbora, chuchu, almeirão e alface. Mesmo com a situação indefinida, eles já podem se alimentar do que plantaram, mas não expandem o cultivo por medo de ser expulsos a qualquer momento, como aconteceu diversas vezes com Francisca Ângela dos Santos: “Quando acontece o despejo, a gente tem de levar a casa inteira nas costas. A minha casa está toda aqui, você já pensou se for para sair dentro de 24 horas, o que vou fazer com isso? Eu tenho de levar os animais, o que não puder ir fica”.
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As primeiras ocupações do MST na região datam de 1995, quando o movimento percebeu a complexidade agrária do local e vislumbrou uma possibilidade para o assentamento de suas famílias. Desde então, a disputa judicial entre o Incra e os fazendeiros rendeu alguns frutos aos trabalhadores. Segundo o superintendente do Incra em São Paulo, Raimundo Pires Silva, entre Iaras e Bauru existem cerca de mil famílias assentadas. Algumas empresas preferiram fazer acordos de permuta nos quais cedem à União uma área equivalente à que ocupam, mas em outro local, para não perder as benfeitorias já instaladas. O mesmo tipo de acordo foi discutido durante seis meses com a Cutrale, mas ela decidiu continuar o processo judicial.
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Para Paulo Beraldo, dirigente regional do MST, isso explica a ação do movimento na fazenda Santo Henrique, no início de outubro: “Ocupamos em 2008 em busca de um acordo para passar uma área equivalente para que a Cutrale não tivesse de mexer nas laranjas. Tendo o acordo, a gente respeitava aquela área como deles, só queríamos saber onde seria a nossa”.
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O MST alega ainda que as acusações de depredação das benfeitorias da empresa e o roubo de funcionários não foram ações efetuadas por eles, e, sim, nas palavras de Paulo, por “alguém que se aproveitou da situação e, como estava lá, saiu na conta do movimento”. Segundo ele, alguns tratores destruídos estavam danificados na própria oficina da fazenda.
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Enquanto as investigações sobre o caso não são concluídas, o superintendente do Incra critica a ação do MST na fazenda da Cutrale: “A reforma agrária não é um processo de revolução para fazer o socialismo. A reforma agrária implica um debate sobre a nossa dívida social. Estamos empregando uma família, dando condições de vida, de cidadania”.
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Fonte: Carta Capital

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