A Internacional

__ dementesim . . Do rio que tudo arrasta se diz que é violento Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem. . _____ . Quem luta pelo comunismo Deve saber lutar e não lutar, Dizer a verdade e não dizer a verdade, Prestar serviços e recusar serviços, Ter fé e não ter fé, Expor-se ao perigo e evitá-lo, Ser reconhecido e não ser reconhecido. Quem luta pelo comunismo . . Só tem uma verdade: A de lutar pelo comunismo. . . Bertold Brecht
Mostrar mensagens com a etiqueta Energia Nuclear. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Energia Nuclear. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, março 21, 2011

Desastre japonês pode ser pior que Tchernobil

Geral

Vermelho - 21 de Março de 2011 - 19h25

Um desastre nuclear pior do que o acidente de Tchernobil em 1986 pode estar em gestação no Japão, onde centenas de toneladas de combustível atômico altamente radioativo estão a céu aberto e podem pegar fogo, contaminando a atmosfera.

Por Stephen Leahy, na agência IPS

Muitos países aconselharam seus cidadãos a abandonar o Japão. “Isto é território desconhecido. Há 50% de possibilidades de se perder os seis reatores e seus tanques de armazenamento”, afirmou Jan Beyea, físico nuclear da consultoria norte-americana Consulting in the Public Interest.

“Estou surpreso que a situação não tenha se agravado mais rápido. Se não houver progressos, será questão de dias antes que o combustível usado derreta”, disse Ed Lyman, físico da União de Cientistas Comprometidos e especialista em projetos de usinas atômicas. A central de Fukushima Daiichi foi danificada pelo terremoto seguido de tsunami do dia 11.

Calcula-se que há cerca de 1.700 toneladas de combustível atômico usado, mas ainda perigoso, nos tanques de armazenamento próximos aos seis reatores, segundo Kevin Kamps, especialista em lixo radioativo da organização ambientalista norte-americana Beyond Nuclear. Os tanques mantêm há 30 ou 35 anos combustível usado nos reatores 3 e 4, mas perderam sua capacidade de contenção e a maior parte, se não toda ela, da água que era usada para refrigerá-los. Podem pegar fogo, lançando partículas radioativas na atmosfera, disse Kevin à IPS.

Na semana passada, helicópteros japoneses protegidos com chumbo lançaram água do mar sobre os reatores 3 e 4, em um desesperado e perigoso esforço para esfriá-los. Se parte do combustível usado pegar fogo e este se propagar, enormes áreas do Japão “poderão ficar contaminadas com Césio 137 por 30 a 50 anos”, disse Jan à IPS. O Césio 137 permanece radioativo por mais de cem anos. É uma conhecida fonte de câncer e tem outros impactos na saúde. Uma vez liberado, é muito difícil de ser controlado. O césio é a razão pela qual grande parte da região onde houve a explosão de Tchernobil, na Ucrânia, continua inabitável após 25 anos.

Um estudo realizado em 2010 pela Universidade da Carolina do Sul, nos Estados Unidos, mostrou que meninos e meninas que nasceram depois do desastre, mesmo a mais de 75 quilômetros de distância, tinham problemas crônicos em seus pulmões devido à presença de Césio 137 nas partículas de pó e no solo. “As particular de césio foram espalhadas por centenas de milhas durante o fogo intenso em Tchernobil”, explicou Kevin. Só para comparar, Tchernobil tinha no total 180 toneladas de combustível nuclear, enquanto Fukushima Daiichi conta com 560 toneladas em seus reatores, mais 1.700 toneladas de combustível usado.

“A indústria nuclear do Japão e dos Estados Unidos sabia que a perda de refrigeração nos tanques de armazenamento de combustível usado seria um grave problema, mas simplesmente disseram que nada aconteceria”, afirmou Jan, coautor de um estudo de 2004 sobre este tema realizado para o Conselho Nacional de Pesquisas da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos. Por ter trabalhado na indústria, Jan disse estar convencido de que esta é administrada por engenheiros extremamente confiantes em si mesmos que minimizam ou ignoram as probabilidades de desastre.

Os reatores nucleares geram enorme quantidade de calor, e devem ser constantemente resfriados para impedir que a proteção do combustível pegue fogo e este derreta. Já que uma reação nuclear não pode ser apagada, quando o combustível usado é retirado de um reator ainda continua gerando grande quantidade de calor e deve ser esfriado com água entre cinco e 20 anos.

Todos os reatores possuem tanques de armazenamento com grossas paredes reforçadas de concreto, localizados a 15 metros de profundidade, contendo cerca de 1,5 milhão de litros de água. Logo esta água esquenta e deve ser constantemente substituída por outra fria. A perda de eletricidade e as falhas dos geradores de apoio em Fukushima Daiichi limitaram o fluxo de água para os tanques de armazenamento e reatores.

Os níveis de radiação dentro da usina subiram tanto que é perigoso para os trabalhadores continuarem no local bombeando água marinha. O comum é usar água potável, porque a água do mar contém sais que posteriormente afetam os metais. Mas esta é uma emergência. A radiação atinge níveis mortais quando não há água suficiente para cobrir um tanque de armazenamento, explicou Kevin. “Será muito difícil aproximar-se o suficiente para esfriar os tanques. Se o pior ocorrer, e os seis tanques pegarem fogo, será um desastre inimaginável, podendo ser pior do que Tchernobil”, alertou.

A quantidade de césio que poderia ser liberada em Fukushima é muitos milhares de vezes maior do que a propagada pela bomba lançada sobre a cidade de Hiroshima na Segunda Guerra Mundial (1939-1945), reconheceu Jan. “O Japão enfrenta enormes impactos potenciais em sua economia, sociedade e saúde do povo”, disse, referindo-se que estes podem durar décadas.

Fonte: Envolverde

.

quinta-feira, fevereiro 17, 2011

Ahmadinejad: sanções promoveram autossuficiência em muitas áreas

Mundo

Vermelho - 16 de Fevereiro de 2011 - 9h07
.
Há oito meses sob sanções impostas pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas, o Irã nega que as restrições prejudiquem a economia do país. Em pronunciamento em rede nacional de televisão, o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, afirmou que a economia do Irã é “florescente”. As restrições foram impostas em reação ao programa nuclear desenvolvido no país.
.
Ahmadinejad reiterou, porém, que os produtos iranianos são tão competitivos quanto os fabricados em outros locais do mundo. Segundo ele, as “medidas punitivas são inúteis”. De acordo com o presidente, a tendência é que com o passar do tempo os efeitos das sanções sejam reduzidos. As informações são da rede estatal de televisão, a PressTV.

O presidente iraniano afirmou ainda que as sanções poderão eventualmente beneficiar a economia nacional. Segundo ele, esse processo pode ocorrer porque o Irã alcançou a autossuficiência em muitas áreas.

Sanções

Em junho de 2010, o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas impôs as restrições, que atingem principalmente as áreas econômica, comercial e militar. Há proibições para operações em instituições bancárias e vetos à circulação de navios de bandeira iraniana, por exemplo.

O governo do Irã nega as acusações de que há produção de armas atômicas no país. Segundo Ahmadinejad e as autoridades iranianas, o programa nuclear desenvolvido tem fins pacíficos. Recentemente, o Irã divulgou o avanço das obras em usinas nucleares. Os iranianos se defendem, afirmando que têm direito ao acesso à tecnologia nuclear.

Cooperação

O presidente iraniano afirmou também, em seu pronunciamento, que há avanços nas conversas entre o Irã e o grupo P5+1 (Grã-Bretanha, China, França, Rússia, Estados Unidos e Alemanha). Segundo ele, o desejo de cooperação é mútuo, mas não detalhou os avanços. "Não é realista esperar resultados concretos a curto prazo, pois a questão é muito complicada e exige mais tempo e negociações."


Fonte: Agência Brasil
.

segunda-feira, setembro 27, 2010

Rússia reafirma que não há provas de que o Irã fabricará bomba

Mundo

Vermelho - 23 de Setembro de 2010 - 20h23

O ministro de Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, declarou nesta quinta-feira (23) que não existem provas de que o Irã deseja fabricar uma arma nuclear, mas para que as sanções possam ser desativadas o país deve confirmar que seu projeto nuclear é de caráter exclusivamente pacífico.

"Hoje não existem provas de que Teerã está fabricando uma bomba nuclear. Moscou está convencida que o Irã só deseja ter o ciclo completo de combustível nuclear e o Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares não é proibitivo. Mas o programa nuclear do irã suscita suspeitas e o país deve dissipá-las com a ajuda do grupo dos seis países mediadores", disse Lavrov em uma entrevista à cadeia estadunidense PBS.

Os programas espaciais, nucleares e de mísseis que o Irã desenvolve são usados como pretexto das suspeitas pelos EUA e aliados. Esses países acusam o Irã de desenvolver armamento nuclear sob a cobertura de seu programa civil de energia atômica.

O Conselho de Segurança da ONU impôs sanções ao Irã, exigindo que renuncie ao enriquecimento de urânio. Teerã está decidida a continuar seu programa nuclear que, conforme afirma, tem apenas fins pacíficos.

O grupo dos seis países mediadores para o problema nuclear iraniano é composto justamente pelas nações que mais pressionam o país contra seu programa, como EUA, Reino Unido, França e Alemanha. Além destes quatro países, China e Rússia participam do grupo.

"As sanções impostas a Teerã serão levantadas assim que o país prove que seu programa nuclear tem fins pacíficos", destacou o ministro russo.

Da redação, com RIA Novosti
.
.

quinta-feira, setembro 23, 2010

Ahmadinejad promete "guerra sem limites" se Irã for atacado

Mundo

Vermelho - 21 de Setembro de 2010 - 19h43 

O presidente do Irã, Mahmud Ahmadinejad, disse nesta terça-feira (21), na Organização das Nações Unidas, que um ataque contra a infraestrutura nuclear de seu país daria início a uma guerra "sem limites" contra os agressores.

"Os Estados Unidos não entendem como é a guerra. Quando uma guerra começa, não há limites", afirmou o presidente iraniano, em resposta a uma pergunta de como o Irã reagiria a um eventual ataque israelense, apoiado pelos EUA, contra suas instalações nucleares.

Durante um encontro com editores e proprietários da mídia americana em Nova York, Ahmadinejad afirmou que o holocausto foi usado como pretexto para a guerra e para invadir, ocupar e massacrar a Palestina.

O presidente iraniano está nos Estados Unidos para participar da Assembleia Geral e da cúpula contra a pobreza e a fome, promovidas pela ONU em Nova York.

Ahmadinejad disse também que nada impede o seu país de dialogar o programa de energia nuclear iraniano com o presidente estadunidense, Barack Obama, mas ressaltou que "a perspectiva toda precisa mudar".

Conforme indicou, as sanções da ONU prejudicaram as chances de uma melhora nas relações entre os dois países.

Mais uma vez a mídia tentou provocar o presidente iraniano, questionando se ele negava a existência do holocausto. Como em vezes anteriores, Ahmadinejad afirmou que o genocídio foi "um evento histórico usado para criar um pretexto para a guerra".

Capitalismo produz sofrimento

Durante seu discurso na plenária da cúpula sobre os Objetivos do Milênio, Ahmadinejad responsabilizou o capitalismo e as corporações multinacionais pelos sofrimentos que padecem inúmeras mulheres, homens e crianças em muitos países.

Em seu discurso, Ahmadinejad conclamou a humanidade para construir um futuro melhor, conforme "a verdadeira dignidade dos seres humanos".

"Por trás da injusta e antidemocrática estrutura e das ações dos corpos que tomam decisões no tema econômico e político estão as razões das urgências atuais da humanidade", comentou.

Ahmadinejad também lamentou que a Década Internacional para a Cultura da Paz (2000-2009) tenha sido malograda por guerras, ocupações, agressões e intimidações.

Nesse sentido, Ahmadinejad considerou essencial "uma reforma fundamental do presente sistema antidemocrático e injusto para um mais justo e aberto".

Para isso, propôs que os próximos 10 anos do Terceiro Milênio sejam declarados pela ONU como a Década para a Governabilidade Global Conjunta.

"Convertamos o Terceiro Milênio em uma etapa em que prevaleça a justiça", apontou.

A cúpula sobre os objetivos do milênio começou ontem na sede das Nações Unidas com a presença de 140 governantes e concluirá amanhã para dar passo na quinta-feira ao debate do 65 período de sessões da Assembleia Geral.
.
Da redação, com Prensa Latina
.
.

domingo, setembro 12, 2010

Fidel: Estamos em um momento excepcional da história humana

América Latina

Vermelho - 10 de Setembro de 2010 - 18h12
.
Recentes declarações do líder da revolução cubana, Fidel Castro, ao jornalista Jeffrey Goldberg, da revista The Atlantic, foram fartamente interpretadas pela mídia capitalista como uma renúncia ao socialismo. Em sua última Reflexões, que o Vermelho reproduz abaixo, Fidel põe os pingos no i, reitera suas convicções revolucionárias e diz que o sistema capitalista, gerador de crises a cada dia mais graves, é que já não serve nem aos EUA nem ao mundo.


Por Fidel Castro*

“O fato é que a minha resposta significava exatamente o oposto do que os dois jornalistas americanos interpretaram sobre o modelo cubano”, esclareceu.

Leia abaixo a íntegra do artigo.

Por esses dias se esgotam os prazos concedidos pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas para que o Irã cumpra as exigências, ditadas pelos Estados Unidos, relacionadas ao programa nuclear e de enriquecimento de urânio para fins medicinais e a produção de energia elétrica.

É a única coisa que se pode provar. O temor de que o Irã busca a produção de armas nucleares é tão somente uma suposição. Em torno do delicado problema, Estados Unidos e seus aliados ocidentais, incluindo as potências nucleares com direito a veto no Conselho de Segurança, França e Reino Unido, apoiados pelas potências capitalistas mais ricas, tem promovido um número crescente de sanções contra o Irã, um país de religião muçulmana rico em petróleo. Hoje, as medidas aprovadas incluem a inspeção de seu comércio e duríssimas sanções econômicas que conduzem ao estrangulamento de sua economia.

Tenho acompanhado de perto os graves perigos desta situação, uma vez que a ocorrência de um surto de guerra neste momento poderá se desdobrar rapidamente num conflito nuclear de consequências legais [letais ?] para o resto do planeta.

Não buscava publicidade ou sensacionalismo ao sinalizar esses riscos. Simplesmente quis alertar a opinião pública mundial com a esperança de que, advertida de tão grave perigo, possa contribuir para evitá-lo.

Ao menos, consegui atrair a atenção para um problema que nem mesmo era mencionado pelos grandes veículos de comunicação e formação de opinião no mundo.

Isso me obriga a usar uma parcela de tempo dedicada ao lançamento deste livro, em cuja publicação trabalhamos com afinco. Eu não queria que [o lançamento] coincidisse com os dias 7 e 9. No primeiro, cumprem-se os 90 dias definidos pelo Conselho de Segurança para saber se o Irã cumpriu ou com a exigência de permitir a inspeção do seu comércio. Na outra data, conclui-se o período de três meses previsto na Resolução de 9 de junho. 
.
Até agora, só temos a insólita declaração do diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), o japonês Yukiya Amano, um homem dos ianques. Este jogou toda a madeira ao fogo e, como Pôncio Pilatos, lavou as mãos.

Um porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irã comenta com merecido desprezo sua declaração. Um despacho noticioso da agência EFE assinala que sua afirmação de que "'os nossos amigos não devem se preocupar porque não acreditamos que a nossa região está em posição para novas aventuras militares" e "o Irã está plenamente preparado para responder a qualquer invasão militar foi uma referência óbvia ao líder cubano Fidel Castro", que alertou para a possibilidade de um ataque nuclear israelense sobre o Irã com o apoio dos Estados Unidos.".

As notícias sobre o tema se sucedem e se mesclam com outras de notável repercussão.

.
O jornalista Jeffrey Goldberg, da revista The Atlantic, já conhecido por nosso público, publica partes de uma longa entrevista realizada comigo. 
.
"Havia muitas coisas estranhas durante a minha recente estadia em Havana – conta –mas o mais inusitado foi o nível de autocrítica de Fidel Castro [...] Mas que Castro estava disposto a admitir que havia cometido um erro em um momento crucial da Crise dos Mísseis em Cuba parecia algo verdadeiramente surpreendente […] que se arrependeu de ter pedido Khruchev para lançar mísseis nucleares contra os Estados Unidos. É certo que abordou o tema e me fez a pergunta. Textualmente, como ele expõe na primeira parte de sua reportagem, suas palavras foram: "Eu perguntei: Em um momento, parecia lógico que você recomendaria aos soviéticos bombardear os Estados Unidos. O que você recomendou ainda parece lógico neste momento?” Fidel respondeu: Depois de ver o que vi, não valia a pena em absoluto."

Eu tinha explicado bem, e consta por escrita, o conteúdo da mensagem "... se os Estados Unidos invadirem Cuba, um país com armas nucleares russas, em tais circunstâncias não devemos deixar dar o primeiro golpe como fez com a URSS, quando no dia 22 de junho de 1941, o exército alemão e outras forças da Europa atacaram a URSS."

Pode-se notar que, neste breve alusão ao assunto, a segunda parte da distribuição ao público dessa notícia, que "se os EUA invadirem Cuba, um país com armas nucleares russas", neste caso eu recomendo impedir que o inimigo desfira o primeiro golpe. Há uma grande ironia na minha resposta "... Se eu soubesse o que sei agora ...", que é uma referência óbvia à traição cometida por um presidente da Rússia que, saturado de álcool, entregou aos Estados Unidos os segredos militares mais importantes do país.

Em outro ponto da conversa Goldberg diz: "Eu perguntei se ele acreditava que o modelo cubano foi algo que ainda valia a pena exportar." É evidente que a pergunta reproduzia implicitamente a teoria de que Cuba estava exportando a revolução. Eu respondi: "O modelo cubano não funciona mais, mesmo para nós." Não expressei nenhuma preocupação ou amargura. Eu me divirto agora ao ver como ele interpretou ao pé da letra, e consultou, pelo que disse, Julia Sweig, analista do CFR que o acompanhava, e desenvolveu a teoria que expus. Mas o fato é que a minha resposta significava exatamente o oposto do que os dois jornalistas americanos interpretaram sobre o modelo cubano.

Minha idéia, como todos sabem, é que o sistema capitalista hoje já não serve nem para os Estados Unidos nem para o mundo, pois conduz de crises a crises, que são cada vez mais graves, globais e reiteradas, das quais não se pode escape. Como tal sistema poderia servir para um país socialista como Cuba?

Muitos amigos árabes, ao saber que eu me entrevistei com Goldberg, se preocuparam e enviaram mensagens indicando-o como "o maior apoiador do sionismo".

De tudo isto, podemos deduzir a grande confusão que existe no mundo. Espero, portanto, que o que eu digo sobre o meu pensamento seja útil.

As ideias expressas por mim estão contidos em 333 Reflexões, vejam que casualidade, e as 26 últimas se referem exclusivamente aos problemas ambientais e ao perigo iminente de um conflito nuclear.

Agora eu devo adicionar um breve resumo.

Eu sempre condenei o Holocausto. Nas Reflexões sobre "O discurso de Obama no Cairo" e "A opinião de um Especialista", eu expus com toda clareza.

Nunca fui um inimigo do povo hebreu, que eu admiro pela capacidade de resistir durante dois mil anos à dispersão e à perseguição. Muitos dos mais brilhantes talentos humanos, como Karl Marx e Albert Einstein, eram judeus, porque é uma nação em que os mais inteligentes sobrevivem em virtude de uma lei natural. Em nosso país, e no mundo, foram perseguidos e caluniados. Porém, isto é só um fragmento das ideias que defendo.

Eles não foram os únicos perseguidos e caluniados por suas crenças. Os muçulmanos também foram atacados e perseguidos por bem mais de 12 séculos pelos cristãos europeus, por causa de suas crenças, assim como os primeiros cristãos na antiga Roma antes do cristianismo se tornar a religião oficial do império. A história deve ser aceita e lembrado como ela é, com suas realidades trágicas e guerras ferozes. Disto falei e, por isto, com toda razão explico os perigos que a humanidade corre hoje, que se tornaram o maior risco de suicídio para a nossa frágil espécie.

Se somarmos a tudo isto uma guerra com o Irã, ainda que de caráter convencional, mais valeria aos Estados Unidos apagar a luz e se despedir. Como poderiam resistir a uma guerra contra 1,5 bilhão de muçulmanos?

Defender a paz não significa, para um verdadeiro revolucionário, renunciar aos princípios de justiça, sem os quais a vida humana e a sociedade não teria sentido.

Eu ainda acho que Goldberg é um grande jornalista, capaz de expor com amenidade e maestia seus pontos de vista, que exigem debate. No inventa frases, las transfiere y las interpreta. Ele não inventa frases, apenas reproduz e interpreta.

Não mencionarei o conteúdo de muitos outros aspectos de nossas conversas. Respeitarei a confidencialidade das questões que abordamos, enquanto espero com interesse seu extenso artigo.

As atuais notícias que chegam em torrentes, de todas as partes, me obrigam a cumprimentar sua apresentação com estas palavras, cujos germes estão contidos no livro “A contraofensiva estratégica”, que acabo de apresentar.

Considero que todos os povos têm direito à paz e gozo da propriedade e dos recursos naturais do planeta. É uma vergonha o que está acontecendo com o povo em muitos países da África, onde vivem milhões de crianças, mulheres e homens, entre os seus habitantes esqueléticos, por falta de comida, água e remédios. São assombrosas as notícias que chegam do Oriente Médio, onde os palestinos são privados de suas terras, suas casas são demolidas por equipamentos monstruosos e homens, mulheres e crianças, bombardeadas com fósforo branco e outros meios de destruição, assim como dantescas cenas de famílias dizimadas por bombas lançadas sobre aldeias afegãs e paquistaneses, por aviões sem piloto, e os iraquianos que morrem depois de anos de guerra, e mais de um milhão de vidas sacrificadas nesta guerra imposta por um presidente dos Estados Unidos.

A última coisa que se poderia esperar era a notícia da expulsão dos ciganos franceses, vítimas da crueldade da extrema direita francesa, que eleva a sete mil as vítimas de outra espécie de holocausto racial. É fundamental o enérgico protesto dos franceses, aos quais, simultaneamente, os milionários limitam o direito à aposentadoria, reduzindo ao mesmo tempo as oportunidades de emprego.

Dos Estados Unidos chegam notícias de um pastor do estado da Flórida, que pretende queimar em sua própria igreja o livro sagrado do Alcorão. Mesmo os chefes ianques e europeus líderes militares em missão de guerra punitiva estremeceram com a notícia que eles consideraram arriscada para seus soldados.

Walter Martinez, o renomado jornalista do programa Dossier Venezolana de Televisión, foi surpreendido com tal loucura.

Ontem, quinta-feira, 9 da noite, chegaram notícias de que o pastor havia desistido. Seria necessário saber o que lhe disseram os agentes do FBI que o visitaram "para persuadi-lo." Foi um grande show de mídia, um caos, coisas próprias de um império que se afunda.

Agradeço a todos pela atenção.

*Líder da revolução cubana
.
.

domingo, agosto 29, 2010

Fidel: A opinião de um expert sobre um ataque de Israel ao Irã


América Latina

Vermelho - 29 de Agosto de 2010 - 9h11

Se me perguntassem quem é o maior conhecedor do pensamento israelense, eu responderia sem vacilar que é Jeffrey Goldberg. Incansável jornalista, capaz de reunir-se dezenas de vezes para indagar sobre o pensamento de um líder ou um intelectual israelense.

Por Fidel Castro, em Cuba Debate

Não é neutro, é pró-israelense sem vacilação alguna. Quando algum deles não está de acordo com a política desse país tampoco o é com meios termos. Para meu objetivo, o que interessa é conhecer o pensamento que guia os principais líderes políticos e militares desse Estado.

Sinto-me com autoridade para opinar, porque nunca fui anti-judeu e compartilho com ele um profundo ódio ao nazi-fascismo e pelo genocídio cometido contra crianças, mulheres e homens, jovens ou anciãos judeus, contra os quais Hitler, a Gestapo e os nazistas saciaram seu ódio contra este povo.

Pela mesma razão abomino os crimes do governo fascista de Netanyahu, que assassina crianças, mulheres e homens, jovenes e velhos na Faixa de Gaza e na Cisjordânia.

Em seu ilustrado artigo "O ponto depois do qual não há retorno”, que será publicado na revista The Atlantic, em setembro de 2010, já conhecido através da Internet, Jeffrey Goldberg inicia seu trabalho de mais de 40 páginas do qual extraio as ideias essenciales para conhecimento dos leitores.

"É possível que em algum momento durante os próximos doze meses a imposição de sanções econômicas devastadoras contra a República Islâmica do Irã convença seus líderes a abandonar os esforços para obter armas nucleares. [...] É possível também que as ‘operações de frustração’ levadas a cabo pelos organismos de inteligência de Israel, Estados Unidos, Grã Bretanha e outras potências ocidentais [...] cheguem a desacelerar em alguma medida considerável o avanço do Irã. Tambem pode ser que o presidente Obama, que declarou em bastantes ocasiões que considera a perspectiva de un Irã nuclear como algo ‘inaceitável’, ordene um golpe militar contra as principais instalações de armamentos e enriquecimento de urânio do país."

"Ao analisar a plausibilidade e as possíveis conseqüências de um golpe israelense contra o Irã, não me dedico a um exercício mental nem a um jogo de guerra de um homem.. Israel já atacou e destruiu com êxito em duas ocasiões o programa nuclear de um inimigo. Em 1981, os aviões de guerra israelenses bombardearam o reator iraquiano de Osirak e contiveram (para sempre, como ocorreu) as ambições nucleares de Saddam Hussein; e em 2007 os aviões israelenses destruíram um reator de fabricação norte-coreana na Siria. Portanto, um ataque contra o Irã seria algo sem precedentes apenas quanto ao alcance e à complexidade."

"Por mais de sete anos tenho estudado a possibilidade de que finalmente se produza esse golpe [...] Nos meses transcorridos desde então (março de 2009), entrevistei cerca de 40 pessoas israelenses capazes de tomar decisão atuais e anteriores sobre um ataque militar, assim como entrevistei muitos funcionários estadunidenses e árabes. Na maioría dessas entrevistas formulei uma pergunta simples: quais são as possibilidades percentuais de que Israel ataque o programa nuclear iraniano no futuro próximo? Nem todos responderam esta pergunta, mas houve um consenso de que há possibilidades acima de 50% de que Israel lance um ataque em julho próximo. [...] pus à prova o consenso falando com muitas fontes tanto dentro como fora do governo e pertencentes a distintos partidos políticos. Depois de mencionar a sensibilidade extraordinária do tema, muitos falaram somente entre dentes e com a condição de que seus nomes não fossem revelados [...] O raciocínio apresentado por dois israelenses que tomam decisões não foi complicado: o Irã necessita no máximo de um a três anos para obter capacidade nuclear real. [...] E o elemento mais essencial da doutrina de segurança nacional israelense, um princípio que data da década de 1960 [...] é que não se deve permitir a nenhum adversário regional alcançar a paridade nuclear com o estado judeu renascido e ainda assediado."

"Em nossa conversação antes de sua posse, Netanyahu não abordou o tema em termos da paridade nuclear [...] Pelo contrário, definiu o programa iraniano como uma ameaça não só para Israel mas para toda a civilização ocidental."

“‘... Quando o crente de olhos fora da órbita toma as rédeas do poder e as armas de morte em massa, então o mundo deve começar a preocupar-se e isso é o que está acontecendo no Irã’”.

"Em nossa conversação, Netanyahu se negou a analisar seu cronograma para a ação, nem sequer se pensava na ação militar preventiva contra o programa nuclear iraniano. [...] A convicção de Netanyahu é que o Irã não só é o problema de Israel, mas que é também o problema do mundo, que, encabeçado pelos Estados Unidos, tem o dever de enfrentá-lo. Mas Netanyahu não tem muita fé nas sanções, não nas sanções relativamente débeis contra o Irã aprovadas recentemente pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas nem nas mais fortes impostas pelos Estados Unidos e seus aliados europeus."

"Mas, segundo minhas conversações com os israelenses que decidem, este período de paciência, durante o qual Netanyahu espera para ver se os métodos não militares do Ocidente podem deter o Irã, terminará em dezembro deste ano."

“O governo de Netanyahu já intensifica seus esforços analíticos não só com respeito ao Irã, mas também no tocante a um tema que para os israelenses é muito difícil compreender: o presidente Obama. Os israelenses se esmeram em responder o que constitui a pergunta mais aguda para eles: existem quaisquer circunstâncias em que o presidente Obama deslocaria forças para impedir que o Irã adquira capacidade nuclear? Tudo depende da resposta”.

"O Irã exige a atenção urgente de toda a comunidade internacional e a dos Estados Unidos em particular, devido à sua habilidade sem igual para projetar força militar. Esta é também a posição de muitos líderes árabes moderados. Há algumas semanas, em declarações incomumente diretas, o embaixador dos Emirados Árabes Unidos nos Estados Unidos, Yousef al-Otaiba, me disse [...] que seu país apoiaría um ataque militar contra as instalações nucleares do Irã [...] ‘Os países pequenos, ricos e vulneráveis da região não querem ser os que provocarão o grande fanfarrão se ninguém virá apóia-los’."

“Vários líderes árabes disseram que a posição dos Estados Unidos no Oriente Médio depende de sua disposição de enfrentar o Irã. Explicam, pensando en seus interesses, que um ataque aéreo contra un punhado de instalações iranianas não seria tão complicado nem problemático como, digamos, invadir o Iraque. ‘Este não é um debate sobre a invasão do Irã’, me disse umn ministro de relações exteriores árabe. ‘Esperamos a realização de ataques específicos contra várias instalações perigosas. Os Estados Unidos poderiam fazer isto com muita facilidade’.”

“Barack Obama disse em incontáveis ocasiões que um Irã nuclear seria ‘inaceitável’. [...] Um Irã nuclear seria uma situação que mudaria o jogo, não só no Oriente Médio mas em todo o mundo. Penso que qualquer coisa que ficou de nosso marco de não proliferação nuclear começaria a desintegrar-se. Haveria países no Oriente Médio que veriam possível a necessidade de também obter armas nucleares’.”

“Mas os israelenses têm dúvidas de que um homem que se situou como a antítese de George W. Bush, o autor das invasões tanto do Afeganistão como do Iraque, lançaria um ataque preventivo contra uma nação muçulmana.”

“‘Todos escutamos seu discurso no Cairo, disse-me um alto funcionário israelense referindo-se ao discurso de junho de 2009 em que Obama tratou de redefinir as relações com os muçulmanos realçando o espírito de cooperação e o respeito dos Estados Unidos para com o Islã. ‘Não cremos que seja o tipo de pessoa que lançaria um ataque ousado contra o Irã. Tememos que ele seguiria uma política de contenção em relação a um Irã nuclear em vez de atacá-lo’.”

“O funcionário israelense me disse que a questão sobre Bush ‘ocorreu há dois anos, mas o programa iraniano era o mesmo e a intenção era a mesma. Assim que, pessoalmente, não espero que Obama seja mais Bush que Bush’.”

“Se os israelenses chegam à conclusão definitiva de que Obama, sob nenhuma circunstância, lançará um ataque contra o Irã, então a contagem regressiva para um ataque unilateral israelense começará.”

“Os funcionários de inteligência israelenses consideram que um ataque contra o Irã poderia provocar uma represália total por parte do partidário do Irã no Líbano, o Hezbolá, o qual segundo a maioria das estimativas da inteligência, possui até 45 mil foguetes (não menos do triplo do que tinha no verão – boreal – de 2006, durante a última série de enfrentamentos entre o grupo e Israel).”

“... Netanyahu não é o único que compreende este desafio; vários primeiros-ministros anteriores a ele abordaram a ameaça do Irã em semelhantes termos existenciais. [...] Michael Oren, o embaixador de Israel nos Estados Unidos me disse que ‘ele tem um sentido profundo de seu papel na história judía’."

Na continuidade, Jeffrey Goldberg dedica várias páginas a relatar a história do pai de Netanyahu, Ben-Sión, que considera o historiador mais destacado do mundo sobre a inquisição espanhola e outros destacados méritos, e recentemente completou 100 anos de idade.

“Benjamin Netanyahu não é conhecido na maioria dos círculos por sua flexibilidade quanto aos assuntos relacionados com os palestinos, se bem que ultimamente tem tratado de satisfazer algumas das exigências de Barack Obama de que faça avançar o proceso de paz.”

Concluída esta parte de seu artigo, Goldberg prossegue a análise da complexa situação. Em algumas passagens é bastante duro analisando um comentário do ex-presidente iraniano Hashemi Rafsanjani, no ano 2001, no qual este certamente fala de uma bomba que destruiria Israel; uma ameaça que foi criticada inclusive por forças de esquerda que são inimigas de Netanyahu.

“Os desafios que representa um Irã com capacidade nuclear são mais sutis que a própria posibilidade de um ataque direto, comentou Netanyahu. [...] ‘os atores agressivos dentro do Irã poderiam disparar foguetes e participar em outras atividades terroristas ao mesmo tempo que teriam cobertura para o uso do material nuclear. [...] Em vez de ser un acontecimento local, independentemente do doloroso que possa ser, isto se convertería também em um acontecimento de caráter mundial. Em segundo lugar, este acontecimento encorajaria os activistas islâmicos em todos os rincões, em muitos continentes, que acreditariam que este seria um sinal providencial, que este fanatismo conduz ao caminho supremo do triunfo’.”

“‘Provocar-se-ia uma grande mudança na balança de poder em nossa região’, acrescentou.”

“Outros dirigentes israelenses consideram que o simples fato da ameaça de um ataque nuclear por parte do Irã, combinado com as ameaças crônicas que vivem as cidades israelenses feitas pelos foguetes do Hamas e do el Hezbolá, solapará gradualmente a capacidade do país de proteger seus cidadãos mais criativos e produtivos. [...] ‘A verdadeira prova que temos é conseguir que Israel seja esse lugar tão atrativo, esse lugar de vanguarda nas esferas da sociedade humana, a educação, a cultura, a ciência, a qualidade de vida, ao qual inclusive os jovens judeus que vivem nos Estados Unidos queiram vir.’.”

“Segundo várias sondagens, o patriotismo é um sentimento que se tem em alta conta em Israel e me parece pouco provável que o temor ao Irã obrigue os judeus de Israel a buscar refúgio em outro lugar. Não obstante, um dos principais promotores de um ataque israelense contra as instalações nucleares iranianas, Ephraim Sneh, outrora general e ex-vice-ministro da Defesa, está convencido de que si o Irã ultrapassasse o umbral nuclear, a própria idéia de Israel se veria em perigo. ‘Estas pessoas são cidadãos bons e valentes, mas a dinâmica da vida é tal que se alguém tem uma bolsa para estudar em uma universidade nos Estados Unidos durante dois años e a universidad lhe oferece permanecer um terceiro ano, os pais lhe dirão: ‘não há problema, fica’,’ me comentou Sneh quando me reuni com ele não faz tanto tempo em seu escritório fora de Tel Aviv. ‘Se alguém termina um doutorado e lhe oferecem um lugar nos Estados Unidos, essa pessoa se pudesse ficaria. Isso não quer dizer que as pessoas sairão correndo para o aeroporto. [...] O importante é que teremos um roubo acelerado de cérebros e um Israel que não se fundamente no empreendimento, que não se baseie na excelência, não será o Israel de hoje’.”

“Durante uma noite de segunda-feira, no começo do verão, sentei-me no escritório de um decidido detrator dos goyim (não judeus, nota da tradução), Rahm Emanuel, chefe de gabinete da Casa Branca, e escutei vários funcionários do Conselho de Segurança Nacional reunidos en sua mesa de conferências explicando – com muitíssimas palavras- por que o estado judeu deve confiar no presidente não judeu dos Estados Unidos para que estes evitem que o Irã cruze o umbral nuclear.”

“Uma das pessoas à mesa, Ben Rhodes, assessor adjunto de segurança nacional que participou como autor principal do recente material ‘Estratégia de segurança nacional para os Estados Unidos’ assim como na preparação do discurso conciliatório do presidente no Cairo, indicou que o programa nuclear do Irã constituía uma ameaça clara para a segurança estadunidense e que o governo de Obama responde às ameaças à segurança nacional da mesma forma com queoutras administrações responderam. ‘Estamos coordenando uma estratégia multifacética para elevar a pressão contra o Irã, mas isso não significa que tenhamos retirado alguma das cartas da mesa de discussão’, afirmou Rhodes. ‘Este presidente demostrou mais de uma vez que quando considera que é necessário utilizar aa força para proteger os interesses estadunidenses de segurança nacional, ele o fez. Não vamos utilizar frases hipotéticas sobre quando utilizaríamos a força militar ou se vamos usá-la, mas temos deixado bem claro que não eliminamos a opção do uso da força para nenhuma situação em que seja afetada a nossa segurança nacional’.”

"... Emanuel, cujo estado de ânimo é por defeito exasperado. [...] (Um ex-funcionário da administração Bush me disse que seu presidente enfrentou o problema contrário, enroscado em duas guerras e acreditando que o Irã não estava tão próximo de cruzar o umbral nuclear, se opôs ao emprego da força contra o programa do Irã e deixou bem claro seu ponto de vista, ‘mas ninguém acreditou nele’).”

“Em um momento expressei a idéia de que devido a razões sumamente óbvias, poucas pessoas acreditavam que Barack Obama abriria uma terceira frente no grande Oriente Médio. Um dos funcionários respondeu acaloradamente: ‘Que temos feito que te permita chegar à conclusão de que pensamos que um Irã com capacidade nuclear seria uma situação tolerável para nós?’”

“Os funcionários da administração de Obama, em particular os do Pentágono, assinalaram em várias ocasiões que não estão conformados coma possibilidade de preferir um ataque militar. Em abril, a subsecretária de Defesa para temas de política, Michele Flournoy, disse aos jornalistas que o uso da força militar contra o Irã estava ‘fora da mesa de negociações num futuro próximo cercano’. Ela se retractou depois, mas o almirante Michael Mullen, chefe do Estado Maior Geral conjunto, também criticou a ideia de atacar o Irã. [...] “Em uma região que é tão instável neste momento, não necessitamos de mais instabilidade’.”

“... sob nenhuma circunstância, o presidente descartou a idéia de evitar a proliferação mediante o uso da força . [...] Gary Samore, funcionário deo Conselho de Segurança Nacional que supervisiona o programa da administração contra a proliferação, me disse que os israelenses estão de acordo com as avaliações estadunidenses de que o programa iraniano de enriquecimento de urânio está repleto de problemas.”

“‘... podemos determinar isso, tendo em conta os informes da AIEA, que não agradam aos iranianos, disse Samore. Em particular, as máquinas centrifugas que estão operando se baseiam no uso de uma tecnologia inferior. Estão enfrentando dificuldades técnicas, em parte pelo trabalho que temos desenvolvido para negar-lhes acesso aos componentes estrangeiros. Quando eles fazem as peças, fabricam peças que não são submetidas a nenhum tipo de controle de qualidade.’”

“Dennis Ross, ex-negociador de paz no Oriente Médio, que atualmente é funcionário de alto escalão dentro do Conselho de Segurança Nacional, afirmou durante a reunião que crê que os israelenses entendam agora que as medidas estimuladas pelos Estados Unidos desaceleraram o avanço do Irã e que a administração está trabalhando para convencer os israelenses – e outras partes envolvidas da região – de que a esratégia de sanções ‘tem possibilidades de dar certo’.”

‘”O presidente disse que ele não retirou nenhuma carta da mesa de discussão, mas vejamos por que nós pensamos que esta estratégia poderia funcionar’. [...] No passado mês de junho – como não haviam respondido a nosso chamado bilateral – o presidente disse quetomaríamos medidas em setembro.”

“Ross [...] as sanções que o Irã enfrenta na atualidade poderiam modificar a forma de pensar do regime. ‘As sanções vão transcender. Estão tendo lugar num momento em que os iranianos estão tendo uma má administração: os iranianos terão que cortar os subsídios [para os alimentos e os combustíveis]; já estão enfrentando a alienação do povo; têm divisão dentro da elite e entre a elite e o resto do país…’”

“Uma pergunta que ao que parece nenhum funcionário da administração deseja responder é a seguinte: que farão os Estados Unidos se as sanções fracassarem? Vários funcionários árabes se queixaram comigo porque a administração de Obama não lhes comunicou quais são as suas intenções, nem sequer de maneira geral.”

“‘Os eleitores de Obama querem saber que a administração demonstrou que não deseja iniciar uma peleja com o Irã, mas esse não é um assunto de política interna’, expressou esse chanceler. ‘O Irã se manterá nesse caminho temerário, a menos que a administração comece a falar de forma não razoável. A melhor forma de evitar um ataque contra o Irã é fazendo o Irã crer que os Estados Unidos estão a ponto de atacá-los. Temos que conhecer quais são as intenções do presidente nesse assunto. Somos seus aliados ’. De acordo com duas fontes dentro da administração, esse assunto provocou tensões entre o presidente Obama e o recentemente deposto diretor de inteligência nacional, o almirante Dennis Blair. Segundo essas fontes, Blair, que, diziam, fazia muito fincapé na ameaça que o Irã representa, disse ao presidente que os aliados árabes dos Estados Unidos necesitavan de mais palavras tranqüilizadoras. Diz-se que Obama não gostou do conselho.”

“Em Israel, certamente, dá muito trabalho aos funcionários entender o presidente Obama, apesar das palavras tranquilizadoras que receberam de Emanuel, de Ross e de outros.”

“Há pouco tempo, o chefe da inteligência militar israelense, o general Amos Yadlin, fez uma visita secreta a Chicago para reunir-se com Lester Crown, o multimilionário cuja família é dona de uma parte importante da General Dynamics, uma empresa que recebe encomendas militares.

[...] "Compartilho com os israelenses o sentimento de que com toda a certeza nós contamos com a capacidade militar e que precisamos ter a vontade de utilizá-la. A ascenção do Irã não é algo que convenha em nada aos Estados Unidos."

"'Apoio o presidente‘, disse Crown, ‘mas gostaria que [os funcionários da administração] fossem um pouco mais extrovertidos na hora de falar. Sentir-me-ia mais à vontade se soubesse que eles têm a disposição de usar a força militar, como último recurso. Não se pode ameaçar alguém, fazendo-lhe crer que é um engano. Tem que haver disposição para fazê-lo’.”

"Vários funcionários até me perguntaram se eu considerava que Obama era anti-semita. Eu respondi a essa pergunta com uma citação de Abner Mikva, ex-congressista, juiz federal e mentor de Obama, que disse em 2008: "Eu acho que quando isso acabar, as pessoas vão dizer que Barack Obama foi o primeiro presidente judeu." Eu expliquei que Obama era muito impregnado com o trabalho de escritores, juristas e pensadores judeus e que muitos de seus amigos, apoiadores e assessores eram judeus. No entanto, o filo-semitismo não é necessariamente o mesmo que concordar com o Partido Likud de Netanyahu; é claro, não é o mesmo tampouco entre os judeus que vivem nos Estados Unidos, que apoiam, em geral, a solução da existência de dois estados e têm as suas reservas sobre os assentamentos judaicos na Cisjordânia. "

"Rahm Emanuel disse que o governo estava tentando enfiar a linha na agulha: fornecendo um apoio "inabalável" a Israel, protegendo-o das consequências de uma bomba nuclear iraniana, mas pressionando-o a procurar uma fórmula conciliatória com os palestinos. [...] os últimos seis primeiros-ministros de Israel, incluindo Netanyahu que ─ em seu primeiro período eleitoral no final da década de 90, para o desgosto de seu pai ─ procurou uma fórmula conciliatória com os palestinos, para defender seu caso. 'Rabin, Peres, Netanyahu, Barak, Sharon, Olmert ─ cada um deles buscou algum tipo de acordo negociado que fosse conveniente para Israel a partir de um ponto de vista estratégico', disse ele. Houve muitas outras ameaças, enquanto os sucessivos governos israelenses têm tentado seguir um processo de paz. "

"... Israel deve examinar cuidadosamente se um golpe militar valeria a pena pelo grande problema que ele desataria . 'Não tenho certeza pelo momento em que estão, independentemente do momento, independentemente do que façam, eles não parariam' o programa nuclear, acrescentou. 'Eles só o adiariam'."

"Foi quando eu percebi que, em alguns temas, os israelenses e os americanos não estavam falando a mesma língua."

"Em minhas conversas com ex-generais da força aérea e estrategistas israelenses prevaleceu um tom moderado. Muitas das pessoas que entrevistei estavam dispostas, sob condição de anonimato, a dizer por que seria difícil para Israel atacar as instalações nucleares iranianas. Alguns generais israelenses, assim como seus colegas norte-americanos, questionaram a própria idéia de empreender um ataque. 'Empregaríamos melhor nosso tempo se nos dedicássemos a fazer pressão com Barack Obama para que ele o faça, ao invés de tentar fazê-lo nós mesmos", disse um general. "Somos muito bons neste tipo de operação, mas é um grande passo para nós. No entanto, os americanos podem fazer isso com um mínimo de dificuldade. É demais para nós. "

"Esses aviões teriam que voltar a seu país rapidamente, em parte porque a inteligência israelense acredita que o Irã ordenaria imediatamente ao Hezbollah que lance foguetes contra cidades israelenses, e seriam necessários os recursos da força aérea de Israel para perseguir os grupos de mísseis do Hezbollah. "

"... no caso de um ataque unilateral israelense contra o Irã, sua missão seria lutar contra as forças dos mísseis do Hezbollah. [...] manter em reserva agora o Hezbollah até que o Irã possa cruzar o limiar nuclear".

"... o Hezbollah 'perdeu muitos de seus homens. [...] Essa é uma razão pela qual nós tivemos quatro anos de paz. O que mudou ao longo dos últimos quatro anos é que o Hezbollah aumentou a sua capacidade de ataque com mísseis, mas também temos aumentado a nossa capacidade'. Quanto a um possível ataque israelense contra o Irã, Eisenkot concluiu: 'A nossa disposição combativa significa que Israel tem liberdade de ação."

"Os Estados Unidos se veriam também como cúmplices de um ataque israelense, apesar de não terem sido avisados com antecedência. A hipótese - que nem sempre é correta - de que Israel só age com a aprovação dos Estados Unidos é uma visão comum no Oriente Médio, que os israelenses dizem que estão estudando agora. Falei com vários funcionários israelenses que estão a debater esta questão, entre outros: o que acontece se os serviços de inteligência norte-americanos se inteirem sobre as intenções de Israel a poucas horas do início programado de um ataque? 'É um pesadelo para nós', informou-me um desses funcionários. E se o presidente Obama chamar Bibi e lhe disser: 'sabemos o que estão fazendo. Parem com isso imediatamente'. Acaso vamos parar? Pode ser que nós tenhamos que parar. Foi tomada a decisão de não mentir aos americanos sobre os nossos planos. Nós não queremos informar-lhes de antemão. É para o bem deles e para o nosso bem. Então o que fazemos? Estas são as perguntas difíceis."

"Muitos israelenses acreditam que os iranianos estão construindo uma Auschwitz. Temos que fazer com que saibam que destruímos esse Auschwitz, ou temos que deixá-los saber que tentamos, mas fracassamos. "

"É claro que há líderes israelenses que acham que um ataque ao Irã é demasiado arriscado. [...] "Não queremos que os políticos nos coloquem numa situação difícil por causa da palavra Shoah", disse um general. "

"Depois de ter observado, mais de uma dúzia de vezes diferentes em mais de uma dúzia de diferentes escritórios, a fotografia dos aviões da força aérea israelense sobrevoando Auschwitz, foi que percebi a contradição que existia nisso. Se os físicos judeu que criaram o arsenal nuclear de Israel tivessem podido fazer uma viagem no tempo e no espaço e enviar um esquadrão de caças em 1942 ... "

"Benjamin Netanyahu acredita que, por razões de segurança nacional, se as sanções falharem, ele será forçado a agir. No entanto, um ataque israelense contra instalações nucleares iranianas - seja bem sucedido ou não -pode fazer com que o Irã redobre os seus esforços - desta vez contando com a solidariedade internacional - para desenvolver um arsenal nuclear. Isso também poderia causar o caos para os Estados Unidos no Oriente Médio. [...] Peres considera o programa nuclear iraniano como potencialmente catastrófico. [...] Quando perguntado se acreditava na opção militar, ele disse, 'Por que eu devo declarar algo como isso? ".

"Com base nos meses de entrevistas, cheguei a acreditar que o governo sabe que, quase certamente, Israel vai logo tomar medidas contra o Irã se nada nem ninguém detenha seu programa nuclear [...] No início deste ano, eu estava de acordo com muitos israelenses, árabes e iranianos que acreditavam que não havia nenhuma possibilidade de Obama recorrer ao uso da força para deter o Irã: ainda não acho que haja muitas chances de ele recorrer a uma ação militar no futuro imediato; por uma razão: o Pentágono tem se mostrado particularmente pouco entusiasmado com essa idéia. No entanto, é claro que Obama está preso no meio deste problema. [...] Denis McDonough, chefe de gabinete do Conselho de Segurança Nacional, disse-me: 'o que você vê no Irã é a reunião de uma série de importantes prioridades do presidente, que vê uma ameaça grave para o sistema de não-proliferação em todo o mundo, uma ameaça que pode levar a outras atividades nucleares em uma região volátil, e uma ameaça a um amigo próximo dos Estados Unidos, Israel. Eu penso que podem ser vistas de várias correntes que estão se unindo, o que responde à pergunta de por que isso é tão importante para nós. "

"Quando perguntei a Peres o que ele pensava sobre os esforços de Netanyahu em apresentar este caso para a administração de Obama, ele respondeu [...] que seu país sabe qual é o seu lugar, e que isso dependia do presidente estadunidense e que apenas o presidente dos Estados Unidos podia decidir como salvaguardar melhor o futuro do Ocidente. Toda essa história tem mais a ver com o seu mentor: David Ben-Gurion.

"'Logo depois que John F. Kennedy foi eleito presidente, Ben-Gurion reuniu-se com ele no hotel Waldorf-Astoria' em Nova York, Peres me disse. 'Após a reunião, Kennedy acompanhou Ben-Gurion até o elevador e disse: 'Sr. primeiro-ministro, quero dizer que fui eleito presidente graças a seu povo, por isso, o que posso fazer por você em troca?' Ben-Gurion sentiu-se insultado pela pergunta e disse: 'o que você pode fazer é ser um grande presidente dos Estados Unidos. É preciso compreender que ter um grande presidente dos Estados é um grande sucesso'. "

"Peres continuou explicando o que ele via como os reais interesses de Israel. 'Nós não queremos derrotar o presidente', disse ele. 'Queremos que o presidente ganhe'".

"Jeffrey Goldberg"

"Jeffrey Mark Goldberg é um jornalista americano-israelense. É um dos autores e jornalistas da equipe da revista The Atlantic. Ela já trabalhou para a revista The New Yorker. Goldberg escreve principalmente sobre questões internacionais, de preferência sobre o Oriente Médio e a África. Alguns o denominam de o mais influente jornalista-blogueiro para assuntos relacionados com Israel. "

Fidel Castro
25 de agosto de 2010
.
  • Ameaça nuclear

    29/08/2010 14h39 Importantisimo a divulgação deste artigo, democratizando a informação e tornando público a ameaça da guerra. Desmistificar e mostrar a verdade é o papel preponderante da informação e que pode contribuir para dissuadir a intenção da guerra.
    DARCI
    Rio deJaneiro - RJ
    .
    .

terça-feira, agosto 17, 2010

Mesmo sob sanções, Irã colocará usina em operação em setembro

Mundo

Vermelho - 16 de Agosto de 2010 - 10h20

O porta-voz da Comissão de Energia do Parlamento do Irã, Emad Hosseini, afirmou neste domingo (15) que a partir de 16 de setembro a Usina Nuclear de Bushehr estará habilitada para produzir material combustível.

Segundo ele, todas as questões levantadas sobre a usina foram respondidas ao chefe da Organização de Energia Atômica do Irã, Ali Akbar Salehi. Housseini disse que o início das operações da usina, depois de 30 anos de planejamento, expressam a “esperança iraniana”.

As informações são da agência oficial de notícia do Irã, a Irna, e da rede de televisão estatal do país, PressTV. De acordo com Husseini, as atividades da Usina de Bushehr permitirão maior geração de eletricidade para o Irã. Segundo o porta-voz, a iniciativa mostra ainda que a imposição de sanções por parte da comunidade internacional “não causaram impacto no processo de enriquecimento nem (nos planos de lançamento) da usina nuclear”.

Apoio ao Irã

De origem turca, o secretário-geral da Organização da Conferência Islâmica (OCI), Ekmeleddin Ihsanoglu, também afirmou neste domingo (15) que a entidade apoia a política externa do governo do presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad. A organização mantém uma delegação permanente na Organização das Nações Unidas (ONU) e representa 57 membros – de países no Oriente Médio, na África, na Ásia e na América do Sul.

Ihsanoglu afirmou que a organização é favorável ao desenvolvimento do programa nuclear do Irã porque o país desempenha um “papel estratégico na região”. As críticas e desconfianças em relação ao programa motivaram, em junho, as sanções definidas pelas Nações Unidas, pelos Estados Unidos, pelo Canadá e pela União Europeia aos iranianos. As restrições atingem principalmente os setores comercial e militar do Irã.

Para parte da comunidade internacional, o programa nuclear iraniano produz secretamente armas atômicas. Mas o governo Ahmadinejad nega as acusações. Nos próximos dias devem ser retomadas as negociações na tentativa de encerrar o impasse e suspender as sanções. Para o Irã, é fundamental dar continuidade ao acordo para a troca de urânio.

Pelo acordo, o país se compromete a enviar 1,2 tonelada de urânio enriquecido a 3,5% para a Turquia. No prazo de até um ano, os iranianos receberão 120 quilos do material enriquecido a 20%. Com isso, os mediadores do acordo – o Brasil e a Turquia – esperam acabar com as desconfianças sobre a eventual produção atômica por parte dos iranianos.

Com Agência Brasil
.
.

Fidel Castro: A ONU, a impunidade e a guerra

Mundo

Vermelho - 16 de Agosto de 2010 - 9h09

O comandante da Revolução cubana volta a alertar, em Reflexão publicada nesta segunda-feira (16)na imprensa cubana,  para o perigo de guerra e desmascara a ação dos grandes grupos monopolistas do capital financeiro e dos meios de comunicação, mancomunados com as esferas de poder.

A Resolução 1929 do Conselho de Segurança das Nações Unidas de 9 de junho de 2010 selou o destino do imperialismo.

Não sei quantos se deram conta de que entre outras coisas absurdas, o secretário geral dessa instituição, Ban Ki-moon, cumprindo ordens superiores, incorreu no disparate de nomear Álvaro Uribe - quando este estava a ponto de concluir seu mandato – vice-presidente da comissão encarregada de investigar o ataque israelense à flotilha humanitária que transportava alimentos essenciais para a população sitiada na Faixa de Gaza. O ataque se produziu em águas internacionais a considerável distância da costa.

Tal decisão outorgava a Uribe, acusado por crimes de guerra, total impunidade, como se um país cheio de fossas comuns com cadáveres de pessoas assassinadas, algumas até com duas mil vítimas, e sete bases militares yanques, mais o resto das bases militares colombianas a seu serviço, não tivesse nada a ver com o terrorismo e o genocídio.

Por outro lado, em 10 de junho de 2010, o jornalista cubano Randy Alonso, que dirige o programa "Mesa Redonda" da televisão nacional, escreveu no sítio Web CubaDebate um artigo intitulado: "O chamado governo mundial se reuniu em Barcelona”, em que assinala:

"Chegaram ao prazeroso hotel Dolce em carros de luxo com vidros escuros ou em helicópteros”.

"Eram os mais de cem hierarcas da economia, das finanças, da política e dos meios de comunicação da América do Norte e da Europa, que vieram a este lugar para a reunião anual do Clube de Bildeberg, uma espécie de governo mundial na sombra”.

Outros articulistas honestos estavam acompanhando como ele as notícias que puderam ser filtradas do estranho encontro. Alguém muito mais informado do que eles estava seguindo a pista desses eventos desde há muitos anos.

"O excluisvo Clube que se reuniu em Sitges nasceu em 1954. Surgiu da idéia do conselheiro e analista político Joseph Retinger. Seus impulsionadores iniciais foram o magnata norte-americano David Rockefeller, o príncipe Bernardo da Holanda e o primeiro-ministro belga, Paul Van Zeeland . Seus propósitos fundacionais eram combater o crescente ‘anti-norteamericanismo’ que havia na Europa da época e enfrentar a União Soviética e o comunismo que cobrava força no Velho Continente”.

"Sua primeira reunião se realizou no Hotel Bilderberg, en Osterbeck, Holanda, a 29 e 30 de maio de 1954. Dali saiu o nome do grupo, que desde então se reuniu anualmente, exceto em 1976”.

"Há um núcleo de filiados permanentes que são os 39 membros do Steering Comittee (Comitê de Direção), o resto são convidados."

"A ‘organização’ exige que ninguém conceda entrevistas nem revele nada do que um participante individual tenha dito. É requisito imprescindível o domínio excelente da língua inglesa (...) não há tradutores presentes”.

"Não se sabe com exatidão os alcances reais do grupo. Os estudiosos dessa entidade dizem que não é por acaso que se reúnam sempre um pouco antes que o G-8 (antigo G-7) e que busquem uma nova ordem mundial de governo, exército, economia e ideologia única”.

"David Rockefeller disse em uma reportagem na revista ‘Newsweek’: ‘Algo deve substituir os governos e o poder privado me parece a entidade adequada para fazê-lo’”.

" O banqueiro James P. Warburg afirmou: ‘Goste-se ou não, teremos um governo mundial. A única questão é se será por concessão ou por imposição’”.

"Eles conheciam dez meses antes a data exata da invasão do Iraque; também conheciam o que ia acontecer com a bolha imobiliária. Com informação como essa se pode fazer muito dinheiro em todo tipo de mercados. Estamos falando de clubes de poder e de saber?”

"Para os estudiosos, um dos temas que mais preocupam o Clube é a ‘ameaça econômica’, o que significa China e sua repercussão nas sociedades norte-americanas e europeias”.

"Sua influência na elite é demonstrada com o fato de que Margaret Thatcher, Bill Clinton, Anthony Blair e Barack Obama estvieram entre os convidados ao Clube antes de que fossem eleitos ao mais alto cargo governamental na Grã Bretanha e nos Estados Unidos. Obama compareceu à reunião de junho de 2008 na Virgínia, EUA, cinco meses antes de seu triunfo eleitoral e sua vitória já era prognosticada desde a reunião de 2007”.

"Em meio a tanto sigilo, a imprensa foi sacando nomes por aqui e por ali. Entre os que chegaram a Sitges estavam importantes empresários como os presidentes da Fiat, Coca-Cola, France Telecom, Telefônica da Espanha, Suez, Siemens, Shell, Novartis e Airbus.”

"Também se reuniram gurus das finanças e da economia como o famoso especulador George Soros,os assessores econômicos de Obama, Paul Volcker y Larry Summers, o flamante secretário do Tesouro britânico, George Osborne, o ex-presidente do Goldman Sachs e da British Petroleum, Peter Shilton (...), o presidente do Banco Mundial, Robert Zoellic, o diretor general do FMI, Dominique Strauss-Kahn, o diretor da la Organização Mundial do Comércio, Pascal Lamy, o presidente do Banco Central Europeu, Jean Claude Trichet, o presidente do Banco Europeu de Investimentos, Philippe Maystad."

Os nossos leitores sabem alguma coisa sobre isso? Algum órgão importante dos meios de comunicação radiofônicos, televisivos ou impressos disseram alguma palavra? É essa a liberdade de imprensa que tanto apregoam no ocidente? Pode algum deles negar que estas reuniões sistemáticas dos mais poderosos financistas do mundo são realizadas todos os anos, à exceção do ano citado?

"O poder militar enviou alguns de seus falcões - continúa Randy. O ex-secretário da Defesa de Bush, Donald Rumsfeld, seu subalterno, Paul Wolfowitz, o secretário geral da OTAN, Anders Fogh Rasmussen e seu antecessor no cargo, Jaap de Hoop Scheffer."

"O magnata da era digital, Bill Gates, foi o único participante que falou algo à imprensa antes do encontro. ‘Sou um dos que estará presente, disse, e anunciou: ‘Sobre a mesa haverá muitos debates financeiros’" .

"Os especuladores da notícia falam que o poder na sombra analisou o futuro do Euro e as estratégias para salvá-lo, a situação da economia europeia e o rumo da crise. Sob a religião do mercado e o auxílio dos drásticos cortes salariais se quer continuar prolongando a vida do enfermo”.

"O coordenador da Esquerda Unida, Cayo Lara, definiu com clareza o mundo que os Bildeberg nos impõem: ‘Estamos em um mundo ao contrário; as democracias controladas, tuteladas e pressionadas pelas ditaduras dos poderes financeiros’".

"O mais perigoso, que foi publicado no jornal espanhol ‘Público’, é o consenso majoritário dos membros do Clube a favor de um ataque norte-americano ao Irã (...) Recordar que os membros do Clube sabiam a data exata da invasão ao Iraque de 2003, dez meses antes que ocorresse”.

Acaso é uma invenção caprichosa a ideia, quando isto se soma a todas as evidências expostas nas últimas Reflexões? A guerra contra o Irã já está decidida nos altos círculos do império, e somente um esforço extraordinário da opinião mundial poderia impedir que estoure em prazo muito breve. Quem oculta a verdade? Quem engana? Quem mente? Algo do que se afirma aqui pode ser desmentido?

Fidel Castro Ruz

15 de agosto de 2010

Fonte: Prensa Latina
.
.

sábado, agosto 14, 2010

Crise, luta e esperança - Miguel Urbano Rodrigues

  • Miguel Urbano Rodrigues

Crise, luta e esperança
O fim da actual crise de civilização é imprevisível. Inevitável, conduzirá ao desmoronar do capitalismo ou a uma era de barbárie. Prever datas para o desfecho seria, porém, um exercício de futurologia. Mas uma certeza se esboça já no horizonte: a derrota espera o imperialismo nas guerras criminosas que os EUA desencadearam para manter e ampliar o sistema de dominação mundial do capital.
Image 5370
OS EUA estão atolados em guerras perdidas no Afeganistão e no Iraque e a sua aliança com o Estado neofascista de Israel é um factor de tensão permanente no Médio Oriente. As estratégias agressivas que desenvolvem na América Latina, na África e na Ásia Oriental são também incompatíveis com as aspirações dos povos ameaçados, contribuindo para o subir da maré anti-americana 
.
Nesta fase, iniciada com as agressões no Médio Oriente e Ásia Central, o imperialismo estado-unidense encontrou situações históricas muito diferentes da que precedeu o seu envolvimento no Vietname e a humilhante derrota que ali sofreu. Nos EUA somente uma minoria percebeu que a guerra estava perdida quando Giap desfechou a ofensiva do Tet. A resposta de Johnson e Kissinger, cedendo aos generais do Pentágono, foi a ampliação da escalada. A agressão alastrou para o Laos e Washington enviou mais tropas para a fornalha vietnamita, semeando a morte a devastação no Sudeste Asiático.
.
Transcorreram anos até à retirada dos EUA. Os povos foram lentos a compreender que o desfecho da trágica agressão ao Vietname era o prólogo de uma crise que significou a perda da hegemonia que Washington exercia sobre a economia do Ocidente desde o final da II Guerra. Nada foi igual desde então.
.
Mas o establishment norte-americano não extraiu as lições implícitas no fracasso das guerras da Coreia e do Vietname. A estratégia foi reformulada, mas a ambição imperial permaneceu, assumindo novas formas. 
.
O cenário das agressões adquiriu proporções planetárias a partir do desaparecimento da União Soviética. A primeira guerra do Golfo foi decidida no final da presidência de George Bush pai perante a passividade da URSS, prestes a desintegrar-se. Washington proclamou então que a humanidade havia entrado numa era de paz permanente, sob a égide dos EUA, garantes da Nova Ordem Mundial. Um obscuro epígono do capitalismo, Francis Fukuyama, saudou a morte do comunismo e anunciou o «Fim da História», apontando o neoliberalismo como a ideologia para a eternidade.
.
O desmentido aos profetas imperiais não tardou.
.
Quando as torres do World Trade Center desabaram, o mundo entrou numa fase de turbulências anunciatórias de uma profunda crise de civilização. Após o 11 de Setembro de 2001, Bush filho, alegando necessidade de uma «cruzada contra o terrorismo», e afirmando que Deus estava com os EUA, invadiu o Afeganistão, semeando a morte a destruição naquele remoto Pais da Ásia Central.
.
Depois chegou a segunda guerra iraquiana, iniciada à revelia do Conselho de Segurança das Nações Unidas. A terra milenária da Mesopotâmia foi ocupada, os seus museus saqueados, o seu petróleo e gás entregues às petrolíferas dos EUA, dezenas de milhares de iraquianos chacinados.
.
Autoproclamando-se nação predestinada, com vocação para redimir a humanidade dos seus pecados, os EUA, sob a batuta da extrema-direita republicana, passaram a actuar como um Estado terrorista, disseminando o terrorismo pelo planeta.
.
Essa trágica situação somente foi possível pela cumplicidade da União Europeia, do Japão e do Canadá, estados ditos civilizados. Com o seu aval ao establishment bushiano abriram as portas à barbárie. 
.
A eleição de um negro para a Presidência dos EUA gerou a ilusão de que o pesadelo iria findar. Mas Barack Obama, que chegou à Casa Branca com o apoio entusiástico do grande capital, mudou o discurso, mas manteve a politica imperialista. Pior, agravou-a. 

O  pântano afegão

Admiradores do presidente norte-americano afirmam que ele é um humanista, vítima de uma engrenagem que o instrumentaliza. Mas a defesa que dele fazem não convence.
.
O Prémio Nobel da Paz tomou decisões que contribuíram para aprofundar a crise mundial. No plano interno a sua política tem sido, no fundamental, de capitulação perante as exigências do grande capital. Significativamente, o seu secretário do Tesouro, Geithner é um político que goza da confiança total de Wall Street. 
.
No terreno internacional, o presidente aumentou muito o orçamento do Pentágono, pediu ao Congresso verbas colossais para as guerras asiáticas, enviou mais 30 000 militares para o Afeganistão, e faz da vitória nessa guerra uma prioridade da sua política exterior. 
.
Entretanto, acumula derrotas no teatro afegão. A ofensiva no Helmand foi um fracasso; a de Kandahar foi sucessivamente adiada.
.
A divulgação dos documentos secretos oferecidos pela WikiLeaks ao NY Times, ao Guardian e ao Der Spiegel instalou o pânico na Casa Branca, e o inquérito do Pentágono sobre a fuga de informações classificadas abalou fortemente a confiança dos americanos no sistema de segurança do Departamento de Defesa.
.
Em declarações recentes, Julian Assange, o australiano que criou o WikiLeaks, revelou que crimes cometidos pelo exército dos EUA excedem em horror os massacres do Vietname. A chamada Força Tarefa Conjunta 373 tem por missão abater secretamente chefes talibãs e elementos suspeitos de pertencer à Al Qaeda.
.
Grupos de matadores especiais intitulados Kia são responsáveis pelo assassínio de centenas de civis em ataques cujas vítimas são designadas nos relatórios como «mortos em acções».
.
O rol dos crimes das tropas de ocupação da NATO também ocuparia muitas páginas. A chacina de Kunduz, da responsabilidade do contingente alemão, abalou o governo da chanceler Merkel, mas foi apenas uma das muitas matanças de civis cometidas pelas tropas de ocupação.
.
Julian Assange cita como exemplo das atrocidades dos aliados o bombardeamento de uma aldeia por uma força polaca. Dezenas de pessoas ali reunidas para festejar um casamento morreram num acto de retaliação concebido com crueldade.
.
Rotineiramente, o alto comando norte-americano promove inquéritos nesses casos para «apurar responsabilidades». Mas ninguém é punido.
.
Hamid Karzai, o presidente fantoche, protesta e pede providências, mas a indignação é simulada.
.
Milhares de civis nas aldeias da fronteira paquistanesa foram mortos pelos bombardeamentos realizados pelos drones - os aviões sem piloto. O actual comandante Supremo, o general Petraeus, define essas «missões» assassinas como indispensáveis ao êxito da nova estratégia de luta «contra o terrorismo». 

Farsa dramática

Hillary Clinton, o vice-presidente Joe Binden e
Robert Gates o secretário da Defesa, têm visitado frequentemente o Afeganistão. A encenação pouco varia. Deslocam-se para levantar o moral das tropas, dizer lhes que estão a lutar pela pátria, pela liberdade e a democracia contra o terrorismo, que a luta exige grandes sacrifícios, mas que a vitória na guerra afegã é uma certeza.
.
Todos aproveitam para pedir ao presidente Karzai que «governe democraticamente», afaste colaboradores que não merecem a confiança dos EUA, e ponha termo à corrupção implantada no país.
.
Karzai faz promessas, reune assembleias tribais que lhe aprovam a política e repete que é fundamental negociar com os «talibãs recuperáveis». É ele, chefe da mafia, o primeiro responsável pelo sumiço de milhares de milhões de dólares doados em conferências internacionais para o desenvolvimento e reconstrução do país, destruído pela invasão americana. A realidade não alterou o método. Em Kabul, a última dessas conferências acaba de aprovar mais uns milhares de milhões para «ajudar» o Afeganistão. 
.
Entretanto, a produção de ópio, insignificante à data da invasão, aumentou 90% na última década. É do domínio público que familiares do presidente mantêm íntimas ligações com o negócio da droga.
.
Nas suas periódicas visitas ao Paquistão, Hillary Clinton admoesta o presidente Asif Zardari pela insuficiência do esforço de guerra nas áreas tribais do Waziristão na fronteira do Afeganistão. Joe Binden repete-lhe o discurso. Ambos insinuam cumplicidade do Exército com as chefias talibãs.
.
O primeiro-ministro britânico Cameron ao visitar o país foi tão longe nas suas críticas que o governo de Islamabad cancelou uma visita a Londres do chefe dos serviços de inteligência paquistaneses convidado pelo Intelligence Service.
.
Crónicas de correspondentes europeus em Kabul e declarações de soldados dos EUA regressados da guerra afegã esclarecem que a moral das tropas de combate caiu para um nível muito baixo. 
.
A demissão do general Stanley McChrystal, que criticara numa entrevista o presidente Obama, contribuiu para acentuar o mal-estar no Alto Comando. O general tem um currículo de criminoso, mas as suas opiniões sobre a condução da guerra são partilhadas por muitos oficiais. 
.
Assim vão as coisas na guerra podre do Afeganistão.
.
No Iraque, a «pacificação» é um mito como demonstra o aumento de mortos em atentados bombistas em Bagdad e na região Norte, controlada pelos kurdos. O discurso de Obama aos veteranos deficientes, no dia 1 de Agosto, sobre a retirada das tropas foi um exercício de hipocrisia, semeado de mentiras e estatísticas falsas.
.
Na Palestina, Israel continua a bloquear Gaza, bombardeada com frequência, e amplia a construção de casas na Jerusalém árabe e em colonatos na Cisjordânia
.
O Irão é atingido por novas sanções, aprovadas pelo Conselho de Segurança, e a CIA promove atentados terroristas no Kuzistão, fronteiro do Iraque, e na província baluche, vizinha do Paquistão.
.
Na América Latina, Uribe, nas vésperas de ceder a presidência a Juan Manuel Santos, seu filhote político, criou uma crise com a Venezuela bolivariana ao forjar acusações sobre a presença das FARC em território daquele país. Os EUA, que vão instalar 7 novas bases militares na Colômbia, aprovaram imediatamente a provocação.

***
Neste contexto de escalada militar em múltiplas frentes, a crise interna prossegue. O magro crescimento do PIB esconde a realidade.
 
O número de casas vendidas é o mais baixo dos últimos anos. Milhares de empresas fecham todos os meses. Em cidades outrora famosas pela riqueza, como Detroit e Pittsburg, bairros inteiros estão hoje desabitados. O desemprego alastra. Nas universidades aumenta o ensino elitista. A tão elogiada reforma dos «cuidados de saúde» dificultou mais o acesso de milhões de imigrantes ilegais aos hospitais (v. Fred Goldstein, odiario.info, 22.04.2010).
.
A Finança, essa prospera. Os gestores dos grandes bancos continuam a receber reformas e prémios fabulosos. Um desses gigantes, a Wells Fargo, acumulou lucros de milhares de milhões de dólares com a lavagem do dinheiro da droga (v. Cadima, Avante!, 29.07.2010).
.
O controlo hegemónico do sistema mediático pelo grande capital impede, porem, a humanidade de tomar consciência da profundidade da crise. Nos EUA, pólo do sistema, o discurso do Presidente transmite um panorama optimista da situação, anunciando melhores tempos e vitórias imaginárias.
.
Somente uma minoria de cidadãos, nos EUA, na Europa, e nos demais continentes estão em condições de descodificar o discurso da mentira irradiado pelo grande capital.
.
Para as forças progressistas ajudar os povos a compreender a complexidade e a extrema gravidade da crise do sistema é, por isso mesmo, uma tarefa revolucionária. Porque essa compreensão é fundamental para o incremento e dinamização da luta dos trabalhadores em cada país contra o projecto de dominação imposto pelo sistema que ameaça mergulhar a humanidade na barbárie. 
.
Avante 2010 08 12
.
.