Neste segundo capítulo da série sobre o comércio de prostitutas brasileiras, documento secreto da polícia da Espanha indica que criminosos russos estão agindo no Brasil.
Wagner Seixas, Do Estado de Minas .
| Dossiê de junho passado, feito pela polícia espanhola, aponta nomes de boates, que abrigariam brasileiras mantidas como escravas do sexo |
Madri e Lisboa — A poderosa Máfia Russa, cuja fonte de renda é o tráfico de drogas, venda de armas e a prostituição, iniciou há dois anos uma invasão aos redutos da Conexão Ibérica de olho no faturamento anual de US$ 8 bilhões, aferidos em boates e prostíbulos. Aos poucos e de forma violenta, vai controlando o tráfico de prostitutas em Portugal e Espanha e, especialmente, os pontos e as redes de prostituição. Ainda de forma acanhada, a temida organização já estende seus tentáculos no Brasil, utilizando uma ponta para aliciar brasileiras em regiões não exploradas pelos grupos espanhóis. A estratégia é evitar os locais já saturados e que estão sob rigorosa investigação da polícia brasileira. ‘‘Eles agem em lugares de muito movimento ou em regiões insuspeitas’’, diz um agente federal.
A reportagem teve acesso a um documento secreto da polícia da Espanha, onde se confirma a entrada dos truculentos “russos’’ no tráfico internacional de mulheres, a partir do Brasil. O dossiê, datado de junho deste ano, aponta nomes de três espanhóis da região da Galícia — especialmente Vigo e Pontevedra — com estreitas ligações com um cidadão polaco conhecido como Zorak. Suas atividades têm sido investigadas pela polícia secreta espanhola, face ao número excessivo de viagens ao Brasil e suas relações com redes de prostituição no Brasil e na Espanha. Ao contrário dos integrantes da Conexão Ibérica que buscam em Goiás e o Triângulo Mineiro as jovens para abastecer seus bordéis, Zorak atua diretamente em São Paulo e no Rio de Janeiro.
Viagens ao BrasilNa capital paulista, conforme o relatório secreto, o polaco tem a colaboração da brasileira B.M.R. conhecida por ‘‘Maria’’, e residente na periferia de São Paulo. Através dela, o polonês ‘‘contrata’’ as brasileiras para o mercado do sexo. Ainda de acordo com o informe confidencial, esta mesma mulher tem atendido os pedidos dos empresários José Lourenzo Rodriguez, proprietário do clube Barbarela, em Vigo, Roberto Vasquez Puzas, dono dos clubes ‘‘Vigo Noche’’, em Vigo, e ‘‘Garden’’, em Pontevedra, e Antônio Landin Rodriguez, administrador da boate ‘‘Cisne’’, em Porriío.
Os agentes espanhóis revelam que estes empresários têm ligações com Zorak, em função das coincidências nas datas em que o grupo visitou o Brasil, além das estreitas relações de negócio com a brasileira ‘‘Maria’’. A suspeita reforça a intervenção da Máfia Russa. De acordo com a estrutura da organização, os poloneses são utilizados em ‘‘serviços menores’’ e expostos a atividades de maior risco, como é o caso de Zorak. Embora as visitas à residência de ‘‘Maria’’ sejam constantes, apenas uma delas, em março deste ano, foi registrada pelos policiais espanhóis.
O nome de Zorak é lembrado pela paulista Sheila, da cidade de Franca, onde fazia ponto num prostíbulo. ‘‘Vim para a Espanha através dele. Primeiro trabalhei em Vigo e depois vim para Madri, pois ficou muito perigoso ter contato com os russos. Muitas meninas traficam pela manhã e se prostituem à noite, entre elas várias brasileiras. O Zorak é um rapaz novo, no máximo 35 anos, louro e alto. Há outras brasileiras que vieram comigo’’, diz Sheila citando o nome de outro russo,‘‘Vladi’’, responsável pelo recolhimento do dinheiro que ganhavam com o atendimento a clientes.
Entrevista / Zenaide Borges
‘‘No ano passado, creio ter sacado de lucro líquido mensal só para mim uns US$ 100 mil. Sem as meninas tenho mais de cem empregados’’
O escândalo do tráfico internacional de mulheres e as ilícitas atividades da Conexão Ibérica tiveram destaque na imprensa espanhola. Nesta entrevista, Zenaide Borges, de sua casa em Mérida, sudeste da Espanha, fala sobre o fato de ser apontada como uma das chefes da conexão espanhola. Nesta entrevista ela nega envolvimento com máfias e garante ter investido sozinha na construção de sua rede de prostituição. Veja os principais trechos
Correio — Como você chama seus negócios: bordéis, clubes, uisqueria, prostíbulos..?
Zenaide Borges — São hotéis e bares. As meninas são clientes que pagam os quartos e os homens pagam a consumação delas. É uma empresa como outra qualquer.
Correio — Quantas prostitutas brasileiras estão empregadas em seus locais?
Zenaide — Varia muito. Elas não vão todos os dias. Dependendo do clube, são 15, 20 e até 30. Nos dias de trabalho podem ser 6 ou 7 e no final de semana pode chegar a 40.
Correio — De onde elas vêm ?
Zenaide — Às vezes não sei. Chamam-me pelo telefone e me pedem um quarto. Isto é um hotel. Não importa de onde elas vêm, ainda que a maioria seja procedente do estrangeiro. Praticamente todas me conhecem. Se me procuram é porque nunca tive problemas com elas. Tenho problemas é com a polícia.
Correio — Há uma semana, uma Rebeca (Zenaide usa este pseudônimo),dona de hotéis, foi vinculada à máfia de tráfico de mulheres.
Zenaide — Me sinto muito mal porque quando vinculam Rebeca, vinculam meus negócios, e Rebecas existem muitas.
Correio — Você sabe da existência destas máfias que trazem brasileiras enganadas, ficam com seus documentos, aterrorizam e as obrigam a se prostituírem em locais semelhantes aos seus ?
Zenaide — Eu não vim com nenhuma destas máfias. Vim contratada. Tinha amigas que estavam na Espanha. Vendi meu carro e vim para cá.
Correio — Pelos locais onde instalou suas casas, você deve ir bem nos negócios ?
Zenaide — Faturo e pago impostos porque declaro por elas. No ano passado (2000), creio ter sacado de lucro líquido mensal só para mim uns 150 milhões de pesetas (US$ 100 mil). Sem as meninas tenho mais de cem empregados.
Brasileiras tipo exportação
O relatório secreto da polícia espanhola que aponta a ação da Máfia Russa no Brasil já está de posse da Polícia Federal que, de forma velada, tem investigado a participaçào de brasileiros no crime. Há fortes indícios de que o país seja um importante ponto de aliciamento de garotas para a Conexão Ibérica e Máfia Russa. No ofício, os agentes espanhóis citam, inclusive, o número do passaporte de brasileiros suspeitos. Os alvos dos ‘‘russos’’ são profissionais do sexo e as abordagens feitas em boates paulistas e cariocas. No entanto, não descartam investidas em ‘‘meninas’’ que nunca se prostituíram. Parte da investigação no Brasil é realizada pelo delegado federal Eriosvaldo Renovato, da PF.
O serviço secreto da Espanha revela uma tentativa de aliciamento de um polonês de nome Zorak na boate Barbarela, em Copacabana, Rio. Ele convenceu várias mulheres a embarcar para a trabalhar em bordéis espanhóis. Ainda de acordo com o documento, o tráfico é feito via Portugal, sempre num horário determinado e nunca pela companhia aérea portuguesa TAP.
Em Lisboa e Madri, as autoridades de segurança confirmam a atuação da Máfia Russa. Sua presença é assinalada pela forma violenta como administra seus ‘‘negócios’’. Em Portugal, especialmente no norte do país, há ocorrências de mortes e mutilações atribuídas à organização. Segundo um assessor da polícia lusa, ‘‘uma mulher teve o rosto marcado ao tentar romper o acordo com os russos’’. Além da prostituição, muitas brasileiras atuam no tráfico de cocaína e heroína.
A carioca M.T.A, 24 anos, levada para Portugal – ‘‘vim com mais 10 meninas’’ – disse estar sob controle dos russos há seis meses. ‘‘Eles aproveitam nossas carências, nos conquistam e depois passam a administrar nossas vidas. Comecei a namorar um deles e logo já estava nas mãos da quadrilha’’. M.T.A mostra sinais de violência pelo corpo e confessa ser viciada em cocaína. ‘‘Eles me aplicaram’’, diz desesperada. A carioca conhece outras brasileiras subordinadas à Máfia Russa. ‘‘São muitas. Umas entraram de gaiato, assim como eu, e outras pressionadas. Uma baiana ficou 10 dias presas num quartinho até concordar em trabalhar para eles. Todos temos medo deles.’’ A ucraniana Tati, uma loura de 19 anos, e com dificuldades com o idioma português, resume a tática dos russos. ‘‘Ou trabalhamos, ou morremos’’.
Em Madri, a Divisão Geral de Polícia da Espanha faz mistério sobre a presença da Máfia Russa. Porém, são vários os registros da atuação dos russos em território espanhol, especialmente no tráfico de drogas e mulheres, e controle das redes de prostituição. ‘‘Eles chegaram junto com as mulheres do Leste europeu’’, diz um assessor do Ministério do Interior.
A dominicana Emília, strip e prostituta em bordéis de Madri, resistiu à investida da Máfia Russa e se diz permanente ameaçada. ‘‘Minha vida vale pouco’’, prevê, diante dos vários sinais dos mafiosos contra as mulheres que não firmam acordo com eles. Emília cita o caso de uma ucraniana, Vetra, que teve o braço direito decepado. ‘‘Ela era minha amiga’’, conta. .
in Correio Brasiliense 2001.07.30
  Brasília - Estudo da Organização das Nações Unidas (ONU) estima que o tráfico internacional de mulheres movimente cerca de US$ 8 bilhões por ano. Delegado da PF desbaratou grupo que atuava na região do Triângulo Mineiro
A Conexão Ibérica, com base na Espanha e Portugal, tem vários braços no Brasil e países da América Latina como forma de sustentar, anualmente, o fôlego financeiro das redes de prostituição, estimado em US$ 8 bilhões.
A astronômica quantia é proveniente da renda de centenas de boates e prostíbulos. Embora se aplique o mesmo processo de aliciamento e atuando em vários estados brasileiros, os grupos que compõem a conexão se dividem em rotas para a execução do tráfico de mulheres. Esta divisão tem a clara intenção de dificultar as investigações da polícia e facilitar o trânsito das jovens sem levantar suspeitas.
A porta de entrada para a maioria destas mulheres é Lisboa, cujo sistema de controle de imigração, facilita a entrada de brasileiras pela capital portuguesa. Segundo uma fonte do comando da Polícia portuguesa, as recomendações são para se evitar constrangimentos e dificuldades ao acesso delas no país. ‘‘Não sabemos o que elas vêm fazer aqui. Entretanto, nada as impede de entrar’’, explica o policial.
Calcula-se que três mil brasileiras entram em Portugal todo o ano. A maioria toma o destino de outras nações européias, especialmente a Espanha, seguida da Itália, França, Alemanha e Holanda.
Nas fronteiras entre esses países não existem rigorosos métodos regulamentação de estrangeiros, facilitando o trânsito das pessoas. Uma vez concedida a permissão de entrada no Serviço de Migração Português, as mulheres podem se deslocar por toda a Europa, sem necessidade de passar por barreiras migratórias. Segundo Adelino Esteves, funcionário do Serviço de Estrangeiros do Aeroporto de Lisboa, ‘‘o acordo da Comunidade Européia desfez os dispositivos de fiscalização de estrangeiros em cada nação. Não há mais tanto rigor. Quem entra por um país, pode entrar em qualquer outro’’.
As quadrilhas de traficantes em Portugal têm estreitas ligações com os agenciadores espanhóis e até a truculenta Máfia Russa. São através desses dois elos, conforme as tímidas investigações da polícia portuguesa, que as jovens brasileiras são colocadas e exploradas brutalmente no mercado do sexo. De Lisboa elas são levadas para a chamada rota norte da Conexão Ibérica. Elas atravessam o país de trem ou carro até as cidades lusitanas do Porto, Braga, Chaves, Bragança, Valença do Minho e Viana de Castelo.
Na fronteira com a Espanha, na região da Galícia, elas são espalhadas para vários pontos de prostituição em Vigo, La Coruía, Gijón, Porriío, Oviedo e Pontevedra. Conforme dados do Ministério do Interior da Espanha, na autopista que liga Vigo a Madri estão instalados mais de 80 bares americanos, denominação técnica para os bordéis de beira de estrada. Em todos eles existem brasileiras e em alguns casos elas são maioria.
A rede Mississipi, por exemplo, possui cinco unidades nesta rodovia e emprega mais de 100 brasileiras. Somente na sua unidade em Madri, na autopista de Burgos, são 25 em regime de semiescravidão. A travessia dos rios Minho e Douro, que divide Portugal e Espanha pelo Norte, é a principal opção dos traficantes. Feita em embarcações de médio e pequeno porte, não enfrentam qualquer fiscalização das polícias dos dois países.
A chamada rota central é utilizada por outro grupo da Conexão Ibérica. Ela abastece toda a parte centro-oeste da Espanha. De Lisboa, as brasileiras viajam pouco mais de 100 quilômetros até a cidade espanhola de Badajoz, na fronteira com Portugal. Dessa cidade, as jovens são levadas para as dezenas de prostíbulos instalados na região de Extremadura. Esta é a rota preferida pelas irmãs Zenilde e Zenaide Borges.
Segundo investigações da Polícia Federal brasileira e da Interpol, iniciadas em 2000, elas são empregadas em bordéis de Mérida, Cáceres, Don Benito, Almendralejo, Zalamea, Zafra, Nalvillar de Pela, Montigo e Madri.
Os traficantes também fazem uso da rota direta Lisboa-Madri ou Brasil-Madri. Ela é ainda pouco conhecida e somente descoberta ano passado pelo delegado federal de Uberlândia, Eriosvaldo Renovato. (W.S) . Leia amanhã . Sobre a sangüinária Máfia Russa que já atua em Portugal e Espanha. Grupos da Conexão Ibérica começam a ser desmontados pela Polícia Federal. . Dívida vira prisão em portugal
A decretação do voto de silêncio, sob ameaça de morte, é o principal trunfo dos donos de prostíbulos para evitar denúncias e, conseqüentemente, investigações por parte da polícia.
Em Lisboa, nas três principais boates — Gallery, Hipopótamo e Elefante Branco — a maioria das prostitutas são brasileiras. Jéssica, uma piauiense de 22 anos, formada em balé clássico, foi recrutada no final do ano passado na porta da escola, em Teresina, por uma mulher que se dizia agente artística. ‘‘Ela me ofereceu um contrato para dançar em teatros de Lisboa. Me prometeu US$ 2 mil por mês, além de moradia e alimentação. Pagou minha passagem e me deu US$ 500’’. Em apenas 15 dias, Jéssica teve de enfrentar o constrangimento de atender o primeiro cliente, sob risco de tortura e corte na alimentação. ‘‘Não tive alternativa’’, diz a jovem loura enfiada num sumarissímo short.
O sonho é retornar ao Brasil, mas uma inexplicável dívida de US$ 10 mil com seu ‘‘agenciador’’ impede a volta. ‘‘Tenho de pagá-lo para ficar livre’’, diz.
A história da mineira A.J., de 22 anos, de Ipatinga, é semelhante. No entanto, há dois anos ela tenta livrar-se do aliciador. ‘‘Não consigo juntar dinheiro para quitar minha dívida. Temo ficar a vida inteira nas mãos dele’’. A.J. atende 15 horas por dia e fatura US$ 5 mil mensais. ‘‘Só 10% chegam às minhas mãos’’.
O desaparecimento da carioca Suzi Ribeiro, de 26 anos, foi o rastilho para a polícia portuguesa desmontar um dos braços da Conexão Ibérica no norte de Portugal.
Através de um comunicado expedido pela Polícia Federal e Interpol do Brasil, os policiais lusos foram informados da existência de uma gangue de traficantes, com base na Baixada Fluminense, no Rio, responsável pelo abastecimento de mulheres a bordéis portugueses. Policiais militares atuavam no grupo o recrutadores.
Tortura e morte na espanha
O braço mais poderoso da Conexão Ibérica está na Espanha. O tráfico de mulheres no país é tão intenso que o Ministério do Interior estima em 100 mil o número de prostitutas de várias partes do mundo em atividade no país.
A ‘‘contratação’’ de brasileiras para os prostíbulos espanhóis envolve centenas de pessoas e um enorme volume de dinheiro. O custo médio para traficar uma jovem fica em torno de US$ 5 mil. Os gastos desta operação exigem o pagamento do aliciador (R$ 2 mil), passagens (R$ 2 mil), adiantamento de salário (R$ 2 mil) e despesas com documentos e extras.
E.M.S, 23 anos, de Uruçu (GO), foi aliciada por telefone e custou à quadrilha R$ 9 mil. ‘‘Fui enviada para um lugar próximo a Lérida. Sofri maus tratos por parte do dono do prostíbulo, um tal de senhor Domingos, até quitar meu débito. Era obrigada a atender 15 clientes por dia, sob penas de ser espancada.’’
Um dos maiores traficantes do país e apontado como um dos gerentes da Conexão Ibérica, é o espanhol Mariano Ortin Martinez, o Jesus. Apesar de preso e condenado em novembro de 1998, em Goiânia, pelo delegado federal João Batista de Oliveira, ele continuou a agir em várias cidades de Goiás e no Triângulo Mineiro.
O trágico exemplo dessa escravidão foi a morte da carioca Marta. Empregada doméstica no Rio, ela aceitou uma oferta para se prostituir em Madri. As ex-amigas contam que ela entrou numa rotina brutal de atendimento a clientes, imposta pela boate.‘‘Ela transou várias vezes sem camisinha’’, lembra uma delas. Deprimida, Marta se drogava. No final do ano passado, soube que contraíra o vírus da Aids. Então denunciou o esquema para o Consulado Brasileiro em Madri. Dias depois, se matou ingerindo veneno. . . Entrevista - Prostituta revela mundo do crime . Carla (nome fictício) tem 25 anos, loura, paranaense, parou de estudar no segundo do ano de direito. Chegou a Madri através de uma amiga e se considera ‘‘indepen-dente’’. Apesar disso, teme pela vida por causa da truculência de cafetões. ‘‘Tenho resistido’’, diz orgulhosa. As brasileiras se encontram diariamente no bar Bacar, onde trocam confidências sobre seus dramas. A seguir, um relato de Carla sobre a situação das brasileiras nos prostíbulos de Madri. , Correio — Por que vocês não denunciam as violências para a polícia ou para a Embaixada do Brasil? . Carla — Corremos o risco de sermos assassinadas. A boca miúda dizem que 10 brasileiras estão desaparecidas há um ano. Ninguém sabe, ninguém viu. Dizem que voltaram. Para mim, foram mortas. . Correio — Qual a razão de tanto terror?
Carla — Tudo é dinheiro. Basta um cliente sentar-se ao meu lado na boate e ele paga 5 mil pesetas (US$ 30). Com a rotatividade, o bordel ganha, no mínimo US$ 30 mil por noite. Isto apenas com bebida. . Correio — Fale sobre as formas de violência e exploração? . Carla — São muitos e nos causam espanto. Recentemente uma goiana me pediu socorro. Ela fora obrigada a sair com vários homens de uma só vez. Sofreu graves danos internos. Ninguém cuidava dela e, ainda por cima, a obrigavam a atender os clientes da rede Mississipi. Resolvemos pagar sua dívida com o agenciador, comprar uma passagem e mandá-la de volta ao Brasil. . Correio — Quem são os chefes desta máfia? . Carla — Não conheço nomes, mas os donos da rede Mississipi são perigosos. Surge, agora, a Máfia Russa. Ela surgiu com as ‘‘meninas’’ do leste europeu. Eles são violentos e já controlam boa parte da prostituição espanhola. Por medo e muita pressão, várias brasileiras são controladas por eles. Eles já se aproximaram de mim, através de um polaco, mas consegui escapar. .in Correio Brasiliense 2007.07.29 . Foto - Máfia que trafica mulheres para o exterior falsifica documentos. Até menores de idade são aliciadas para trabalhar como escravas do sexo
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