A Internacional

__ dementesim . . Do rio que tudo arrasta se diz que é violento Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem. . _____ . Quem luta pelo comunismo Deve saber lutar e não lutar, Dizer a verdade e não dizer a verdade, Prestar serviços e recusar serviços, Ter fé e não ter fé, Expor-se ao perigo e evitá-lo, Ser reconhecido e não ser reconhecido. Quem luta pelo comunismo . . Só tem uma verdade: A de lutar pelo comunismo. . . Bertold Brecht
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terça-feira, março 22, 2011

Reflexão de Fidel Castro: A aliança igualitária

Mundo

Vermelho - 21 de Março de 2011 - 10h32

Ao anoitecer do sábado (19), depois de farto banquete, os líderes da Otan ordenaram o ataque contra a Líbia. Desde então, nada poderia ocorrer sem que os Estados Unidos reclamassem seu papel irrenunciável de chefe máximo. Desde o posto de comando dessa instituição na Europa, um oficial superior proclamou que se iniciava a “Odisseia do Amanhecer”.

Por Fidel Castro Ruz

A opinião pública mundial estava comovida com a tragédia do Japão. O número de vítimas do terremoto, do tsumani, do acidente nuclear, não parou de crescer. São dezenas de milhares de pessoas mortas, desaparecidas e irradiadas. Também crescerá consideravelmente a resistência ao uso da energia nuclear.

O mundo está sofrendo as consequências das mudanças climáticas; a escassez e o preço dos alimentos, os gastos militares e o desperdício dos recursos naturais e humanos crescem. Uma guerra era o mais inoportuno que poderia ocorrer nestes momentos.

O giro de Obama pela América Latina passou para segundo plano. No Brasil, se tornaram evidentes as contradições de interesses entre os Estados Unidos e esse país irmão. Não se pode esquecer que o Rio de Janeiro competiu com Chicago pela sede dos Jogos Olímpicos de 2016.

Obama quis cortejar o gigante sul-americano. Falou da “extraordinária ascensão do Brasil” que tem chamado a atenção internacional e elogiou sua economia como uma das que crescem mais rapidamente no mundo, mas não se comprometeu nem um pouco em apoiar o Brasil como membro permanente do privilegiado Conselho de Segurança.

A presidente brasileira não vacilou em expressar sua inconformidade com as medidas protecionistas aplicadas pelos Estados Unidos ao Brasil, por meio de tarifas e subsídios, que têm constituído um forte obstáculo à economia desse país.

O escritor argentino Atilio Boron afirma que para Obama:

“…o que (…) mais interessa em sua qualidade de administrador do império é avançar para o controle da Amazônia. O requisito principal desse projeto é entorpecer, já que não pode deter, a crescente coordenação e integração política e econômica em curso na região e que foi tão importante para fazer naufragar a Alca em 2005 e frustrar a conspiração secessionista e golpista na Bolívia (2008) e no Equador (2010). Também deve tratar de semear a discórdia entre os governos mais radicais da região (Cuba, Venezuela, Bolívia e Equador) e os governos ‘progressistas’ – principalmente Brasil, Argentina e Uruguai…”

“Para os mais ousados estrategistas estadunidenses, a região amazônica, assim como a Antártida, é uma área de livre acesso, onde não se reconhecem soberanias nacionais…”

Amanhã, Obama viajará ao Chile. Chegará precedido de uma entrevista que concedeu ao diário El Mercurio, publicada ontem, domingo (20), na qual confessa que o “Discurso para as Américas” – assim o qualifica – se fundamenta em uma “aliança igualitária” com a América Latina, que quase nos deixa sem fôlego ao relembrar “A Aliança para o Progresso” que precedeu a expansão mercenária de Playa Girón.

Obama confessa textualmente:

“Nossa visão para o hemisfério (…) se baseia no conceito de aliança igualitária que tenho perseguido desde que assumi a Presidência dos Estados Unidos.

“Também terei como foco áreas específicas nas quais podemos trabalhar juntos, como o crescimento econômico, a energia, a segurança cidadã e os direitos humanos”.

"Essa visão", pontuou, tem por objetivo "melhorar a segurança comum, expandir oportunidades econômicas, assegurar um futuro energético limpo e apoiar os valores democráticos que compartilhamos”.

(...) “promover um hemisfério seguro, estável e próspero, no qual os Estados Unidos e nossos aliados compartilhem responsabilidades em assuntos chave, tanto em nível regional como global.”

Tudo como se pode apreciar maravilhosamente belo, digno de se enterrar como os segredos de Reagan, para publicar em 200 anos. O problema é que, como informa a agência DPA, segundo sondagem realizada pelo diário La Tercera, “em 2006, 43% da população chilena rechaçava as centrais nucleares”.

“Dois anos depois do rechaço, subiu para 52% e em 2010 chegou a 74%”. Hoje, depois do que aconteceu no Japão, alcança “86% dos chilenos…”

Faltaria fazer somente uma pergunta a Obama. Levando em conta que um de seus ilustres antecessores, Richard Nixon, promoveu um golpe de Estado e a morte heroica de Salvador Allende, as torturas e o assassinato de milhares de pessoas, o senhor Obama pedirá desculpas ao povo do Chile?

Fidel Castro Ruz
20 de março de 2011
20h14

Fonte: CubaDebate
Tradução de Fabíola Perez

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sexta-feira, julho 30, 2010

La Jornada: Por que contra a Venezuela?


América Latina

Vermelho - 29 de Julho de 2010 - 12h41


O que há, principalmente, por trás do conflito entre Colômbia e Venezuela, e sua recente escalada, é que a revolução bolivariana se choca frontalmente com o plano de dominação estadunidense sobre a América Latina.

Por Ángel Guerra Cabrera, em La Jornada

Que a Venezuela, um país com reservas de petróleo e gás entre as maiores do mundo, tenha um curso independente em busca do socialismo, promova a democracia participativa, a unidade e a integração da América Latina, a solidariedade, a paz e a cooperação entre os povos é intolerável para o império.

Impulsionado por sua sede insaciável de petróleo e recursos naturais que se tornam escassos, o império entrou em uma corrida armamentista permanente para o controle dos países que os possuem e as populações que nesses locais habitam. Tudo com o pretexto cínico de luta contra o terrorismo e o tráfico de drogas, uma bandeira içada por ninguém menos que o estado campeão do terrorismo e o primeiro mercado de drogas no mundo, cujos lucros constituem uma parte importante de seu sistema financeiro.

A elite dos Estados Unidos perde as estribeiras por causa da viceral amizade entre Venezuela e Cuba e do aprofundamento dos passos para sua união econômica, ao que parece, um preâmbulo de sua união política. Raúl Castro resumiu muito bem o significado desses passos em uma reunião de alto nível cubano-venezuelana, celebrada no simbólico 26 de julho: "apenas unidos venceremos".

O império não perdoa o importante papel da Venezuela na liquidação da Alca - projeto de recolonização continental - e o surgimento de Alba, que pratica relações mais fraternas e equitativas entre os países membros e as promove, ainda que não sejam membros, com todas as nações da América Latina e no Caribe.

Em resposta à Venezuela bolivariana, aos grandes movimentos populares e aos governos anti-neoliberais mais independentes gestado por eles, Washington restabeleceu a Quarta Frota e chegou até o extremo de instalar sete bases militares na Colômbia, o que, junto a outros fatores presentes neste país, constitui um perigosa ameaça de agressão a Caracas que já havia tensionado seriamente as relações bilaterais.

Neste contexto, ocorre a acusação precipitada do representante de Bogotá na OEA, de que Caracas mantém acampamentos de guerrilheiros colombianos em seu território, uma gravíssima provocação que pôs em perigo a paz entre os dois países irmãos, partindo do fanatismo ianque de Alvaro Uribe e seu desejo febril de protagonismo, desde que seu projeto de re-reeleição foi frustrado.

O presidente Hugo Chávez tem feito tudo que está ao seu alcance para harmonizar as relações com a Colômbia e evitar conflitos bilaterais. De fato, a pedido de Uribe, ele havia se convertido em um fator primordial de distensão da longa guerra de 60 anos no país vizinho e sempre insistiu na necessidade de uma solução política ao conflito.

Com justa razão, convocou as guerrilhas das FARC e do ELN a compreenderem que as novas realidades políticas exigem uma mudança de sua estratégia de tomada do poder pela força das armas por uma de negociação, sem que isso implique uma rendição. Chávez informou, com visível dor, o rompimento das relações com a Colômbia: o anunciou com uma lágrima no coração, disse ele.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva comentou sua surpresa com a atitude de Uribe, quando lhe faltam poucos dias para deixar a Casa de Nariño e "o novo presidente (Juan Manuel Santos) tem dado sinais claros, inclusive com os ministros que indicou, de que quer construir a paz".

Lula -com o equatoriano Rafael Correa, presidente pro tempore da Unasul, e seu secretário-geral, Nestor Kirchner - agiu rapidamente para trazer o assunto para dentro do mecanismo sul-americano, um espaço, em contraste com a OEA, favorável para que, sem a persença de Washington, se expressem plenamente os interesses da América Latina e do Caribe.

A Unasul já demonstrou a sua capacidade de negociação política e esta é mais necessária que nunca para a região e para a Venezuela, em particular. A provocação de Uribe, a captura do terrorista Francisco Chávez Abarca - parceiro de Posada Carriles, que confessou aos planos desestabilizadores que o levaram à Venezuela -, os desmantelados ataques ao governo bolivariano por parte do Arcebispo de Caracas e os caminhões de dinheiro entregues por Washington à contrarrevolução configuram um quadro subversivo com o qual se pretende frustrar a vitória chavista nas estratégicas eleições de setembro próximo.

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quinta-feira, fevereiro 21, 2008

ALCAL - a submissão aos EUA



Alca alho


por Gilson Reis*

Diz a crença popular que para espantar os vampiros e evitar que o Conde Drácula saboreie o sangue das indefesas donzelas, são necessários um bom e pontiagudo crucifixo e pelo menos um dente de alho na bolsa ou no bolso. Porém, o cruel e amável ser da Transilvânia, depois de séculos atormentando nosso imaginário, foi substituído por outros tipos de sugadores sanguíneos, agora, não mais de indivíduos, mas de povos e nações. O vampiro em pauta não está isolado na periferia do planeta. É o próprio centro do mundo contemporâneo: os Estados Unidos da América.


Desde que os Estados Unidos da América impuseram ao mundo, no inicio dos anos setenta, o fim do lastro do dólar ao ouro, transformando-o em única moeda internacional, bilhões de pessoas trabalham para manter um padrão de consumo e de riqueza aos americanos jamais visto na história da humanidade. Para alcançar tal discrepância foram necessárias duas guerras mundiais e dezenas de guerras locais. Foi preciso impor às nações e aos povos bloqueios econômicos, comerciais e financeiros diretos e indiretos. Como também impor ditaduras e governos fascistas para afastar qualquer possibilidade de questionamento ao império americano.

No Brasil, como em toda América Latina, a influência estadunidense foi mais marcante a partir do século 20. Podemos afirmar que durante todo este período, com pequenas exceções, os americanos impuseram ou tentaram impor medidas políticas, econômicas e culturais, com o objetivo de impedir a construção de uma nação brasileira desenvolvida, socialmente justa e politicamente equilibrada. Para afirmar os objetivos estratégicos na região, chegaram a desenvolver a doutrina Monroe: a América para os americanos.

No Brasil a política desenvolvida pelos Estados Unidos da América, em parceria com frações da elite nacional, é a expressão e o resultado de parte considerável do nosso atraso. Ao longo de cem anos de aproximação geopolítica, esta aliança marcou os principais acontecimentos históricos do país: crise de 29, iniciada com o crash da bolsa de Nova Iorque e propagada diretamente na economia nacional, proporcionando a falência da agroindústria exportadora do café nos anos trinta; a pressão permanente contra o governo nacionalista e desenvolvimentista de Vargas culminou no seu suicídio no início dos anos cinqüenta, o golpe militar e a sangrenta ditadura dos coronéis, articulada e patrocinada pelo governo estadunidense, provocou um período de retrocesso político, econômico e social inestimável ao Brasil, na crise da dívida externa no início dos anos setenta, restringindo crédito ao desenvolvimento nacional que marcou um longo período de crise econômica e social; na imposição do consenso de Washington, através da privatização, desnacionacionalizacão e precarização da economia e dos direitos sociais e trabalhistas.

Todavia, a doutrina Monroe continua atual e frações da elite brasileira pretendem manter os benefícios que estes acordos lhes proporcionam. Foi com esta mesma benevolência que, no início dos anos noventa, o governo FHC firmou com o governo Bill Clinton o acordo da Alca - Área de Livre Comércio das Américas. O acordo previa a abertura indiscriminada da economia (produtos agrícolas, serviços, indústria, etc.) dos países da América Latina e Central ao mercado norte americano.

Naquele período, o comércio brasileiro com os EUA correspondia a 35% de todas as transações externas do país. Entretanto, com a posse do Presidente Lula, a política externa brasileira muda de forma profunda. Começa o período do comércio multilateral, o reforço do Mercosul, a aproximação da Rússia, Índia e China – articulando o grupo das potências emergentes conhecido pela sigla BRIC -, os acordos sul-sul, a reaproximação com o continente africano e conseqüentemente o relativo afastamento dos Estados Unidos da América. Esta política independente patrocinada pelo governo brasileiro aumentou a capacidade exportadora nacional, o número de parceiros no comércio internacional e recolocou o Brasil em condições de definir os rumos da economia mundial, a exemplo da rodada de Doha.

Para as frações da elite brasileira, que desde o início do século 20 mantêm a posição de fusão dependente da economia brasileira com a estadunidense, a política externa do Presidente Lula é um atraso. Para estes setores e senhores, a Alca já deveria estar concretizada e consolidada.

Ocorre que o vampiro do norte, depois de trilhões de litros de sangue sugados pelas guerras, ditaduras, bloqueios, espionagem, deslealdade, encontra-se profundamente enfermo, resultado da necessidade de sangue de outros povos e nações para manter uma economia em decadência, deficitária e dependente de todo o mundo. O dólar está derretendo como um vampiro que teve o crucifixo encravado no centro do peito, o Iraque transformou-se numa grande Transilvânia com a resistência e luta de seu povo, transformado em milhares de dráculas atrás de sangue dos soldados americanos. O mundo assiste pela televisão e pela Internet o desfecho inusitado desse show de terror: o Conde Estados Unidos da América envolto em alhos e bugalhos.

Enquanto isso, a mesma elite tupiniquim que há mais de um século propõe a fusão dependente do Brasil aos Estados Unidos da América está silenciosa. Jamais imaginaram que seus sócios majoritários do norte poderiam chegar à situação atual. Para esta elite, a Alca era a única saída para a exportação brasileira. Gostariam que o nosso comércio fosse completamente atrelado ao acordo e que na atualidade alcançasse mais de 60% de toda a exportação nacional.

Felizmente, o Brasil tomou outro rumo, rompeu em parte com o consenso de Washington, expandiu e consolidou o comércio internacional, fortaleceu o Mercosul e persegue a sua ampliação, diminuiu para 16% o comércio brasileiro com os Estados Unidos da América e protegeu em parte a economia nacional da anemia econômica do Conde Drácula americano.

Quanto à elite brasileira, somente duas palavras: Alca alho - por tudo que pensa e faz.





*Gilson Reis, Presidente do Sinpro - MG - Sindicato dos Professores e dirigente nacional da CSC.

in VERMELHO -20 DE FEVEREIRO DE 2008 - 16h53
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