A Internacional

__ dementesim . . Do rio que tudo arrasta se diz que é violento Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem. . _____ . Quem luta pelo comunismo Deve saber lutar e não lutar, Dizer a verdade e não dizer a verdade, Prestar serviços e recusar serviços, Ter fé e não ter fé, Expor-se ao perigo e evitá-lo, Ser reconhecido e não ser reconhecido. Quem luta pelo comunismo . . Só tem uma verdade: A de lutar pelo comunismo. . . Bertold Brecht
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sexta-feira, maio 02, 2008

Capitalismo, ganância e fracasso humano





por Sérgio Barroso*
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''É um massacre dos pobres do mundo. O problema não é a produção de alimentos. É o modelo econômico, social e político do mundo. O modelo capitalista está em crise'' (Hugo Chávez).

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As primeiras revoltas de famintos e famélicos no Haiti, África Ocidental ou Bangladesh implicaram até numa (cínica) advertência registrada pelo Banco Mundial e o FMI. Seis pessoas morreram em Port au Prince (Haiti), em recentes e desesperadores levantes. Como disse Mike Whitney “as pessoas enlouquecem quando não podem alimentar seus filhos” (Tumultos alimentares e especuladores, Counterpunch, 26-27/4 2008).

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Na Indonésia, Vietnam e Índia adotaram-se controles sobre as exportações de arroz. Os preços do trigo, do milho e da soja estão a bater recordes. A própria ONU - adepta de carteirinha da “globalização financeira” - denominou a atual crise alimentar global de ''tsunami silencioso''. Via de regra, praticamente todas as commodities vêm subindo. Pari passu à profunda crise financeira, deflagrada pela oligarquia gringa ianque.

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De fato, entre 2004-2007, os preços dos alimentos subiram em média de 83%. Assustado, o economista-sênior do Financial Times, liberal Martin Wolf afirma que a causa principal para o surgimento de um novo surto inflacionário encontrar-se-ia na alta mundial e espetacular dos preços das commodities. Segundo escreveu, entre 2002 e 2008 (fevereiro), o índice amplo do Goldman Sachs foi de 288%, o do preços da energia 358%, o de metais industriais 263% e o de produtos agrícolas 220% (Valor Econômico, 5/3/2008).

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Ora, seguindo exatamente a orientação de política monetária do chefão do Federal Reserve (Fed, Banco Central dos EUA), Ben Bernanke, um verdadeiro vagalhão especulativo de commodities sacudiram os preços para a lua. Como assim? “O dólar fraco continuará afetando a economia européia porque dificultará as exportações européias'', declarou ontem o premiado com o Nobel de economia (2001), J. Stiglitz, a uma revista austríaca. Conforme imagina, além do euro, a ultravalorização do iene é parte de uma política proposital para ''empobrecer os vizinhos''. [O cara-pálida esqueceu o real!]

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Assim, enquanto o dólar está, por decisão do Estado norte-americano, muito mais barato, para, também, fortalecer suas exportações, a especulação grossa torna os alimentos e as matérias-primas muito mais caros. Não à toa a inflação corre solta na maior parte dos Estados do Golfo Pérsico, “informalmente” dolarizados.

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Escassez de petróleo? Uma gigantesca mentira! Os especuladores estão simplesmente jogando à estratosfera o preço do barril de petróleo. Assim agindo, nada mais fazem do que fugir da desvalorização de grande parte dos ativos financeiros, deslocando-se temporariamente do dólar e, óbvio, das ações do mercado imobiliário.

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Corretíssima a análise do destacado economista Elmar Altvater: formou-se uma ''aliança diabólica'' entre transnacionais petrolíferas, o setor automobilístico, a indústria farmacêutica e setores agrícolas propondo-se a transformar superfícies cultiváveis do Sul global numa plataforma para a produção de combustível destinado ao Norte global. “Ambas crises, a dos combustíveis fósseis e a dos alimentos, são as duas faces de uma mesma moeda” - assegura.

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Sim, digo eu: capitalismo que mata gente de fome em meio à exuberância, por sadismo congênito.

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O presidente Hugo Chávez, como qualquer pessoa, deve ter muitos defeitos. Contudo, talvez, na seara política, o maior deles seja dizer as coisas com as palavras que lhes correspondem – em luta contra o fracasso humano.

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O capitalismo, historicamente, é sistema obsoleto. Mas será necessária ampla consciência para transformá-lo.

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Artigo publicado originalmente em O Jornal (AL), 30/4/2008




*Sérgio Barroso, Médico, doutorando em Economia Social e do Trabalho (Unicamp), membro do Comitê Central do PCdoB.



* Opiniões aqui expressas não refletem, necessariamente, a opinião do site.
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in vermelho -
1 DE MAIO DE 2008 - 18h08
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segunda-feira, abril 21, 2008

Os vigaristas




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por Sérgio Barroso*


“Como podemos errar tanto? (Alan Greenspan, Valor Econômico/Financial Times, 18/3/2008).


Deus se apiedará da alma – em chamas – desse senhor. Greenspan, chefão do Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA), por nada menos que 18 anos, multiplicou a riqueza de poucos e iludiu multidões. Desgraçou a vida de incontáveis seres humanos. Como?

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Ao fazer desabar, anos a fio, a taxa básica de juros mais poderosa do planeta, o Midas da grande burguesia americana trejeitou-se num “maníaco soprador de bolhas” – designação magistral do professor Belluzzo. Pior: Greenspan afirmou que a crise atual ocorre sob a égide de modelos em que “respostas inatas do ser humano resultam das oscilações entre a euforia e o medo”. Vigarice.

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Karl Marx, o inglês J. Hobson – e mesmo um ex-diretor do Fed, o economista C. Kindleberger –, a exemplo, apontaram a especulação como fenômeno endógeno do modern capitalism. Para Marx, as formas do capital (como portador de juros e como fictício) são indissociáveis do desenvolvimento do moderno sistema de crédito. Ao brotar lucro e juros no capitalismo atual – dinheiro que cria dinheiro –, reproduzem uma “nova aristocracia financeira, nova espécie de parasitas... um sistema completo de especulação e embuste” – fulminou Marx (O Capital, Livro 3, Cap. XXVII). Disse Hobson, um liberal: os financistas do final do século 19 especulavam com títulos como numa “casa de jogo”; que “planejavam golpe (coup) contra a Bolsa de Valores” (Evolução do capitalismo moderno, Cap. X).

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Voltemos às psicoses da crise financeira. Greenspan, no final do dito artigo, labaredas nas calças, defende uma “regulação” do sistema financeiro dos EUA que não “iniba” o que ele chama de “salvaguardas mais confiáveis e eficazes: a flexibilidade do mercado e a competição aberta”. De bate pronto e anunciado no 31 de março, pelo secretário do Tesouro Henry Paulsen (esse tolinho foi ex-diretor do FMI e executivo-chefe do Goldman Sachs!), o plano “regulador de estabilidade de mercado” não passa de um festival de demagogia.


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Primeiro, porque ele, seguindo mais ou menos os conselhos de Greenspan, passou pelo crivo de um grupelho da alta finança americana – como não podia deixar de ser. Não à toa o liberal Paul Krugman escreveu, comparando: as medidas são “para esconder a falta de idéias práticas sobre o que fazer”; tomadas por “dirigentes [que] gostam de promover grande algazarra quando reorganizam caixinhas e linhas de um organograma informando quem se reporta a quem”.

Ou seja, trata-se de uma ressaca de fim de festa de governo, que em nada tocará na própria crise. (Em 5 de abril, o Departamento de Trabalho dos EUA informou quem de fato está se lascando com a crise: 80 mil novos desempregados, somando 232 mil, somente até março).

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Segundo, porque elas fora publicizadas exatamente quando se soube das violentas perdas bancárias com a crise, registradas oficialmente até 1º de abril, a superar os US$ 140 bilhões (blog Deal Journal,The Wall Street Journal, 1/4/2008). As baixas contábeis do banco suíço UBS totalizaram as maiores (US$ 27 bilhões).

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Veja o leitor mais da bagaceira: Merrill Lynch – US$ 19,4 bilhões; Morgan Stanley – US$ 12,9 bilhões; Deutsche Bank – US$ 7,12 bilhões; Bank of America – US$ 5,68 bilhões; Royal Bank of Scotland – US$ 5,621 bilhões; Credit Suisse – US$ 4,859 bilhões; Société Générale – US$ 3,775 bilhões; Goldman Sachs – US$ 3,7 bilhões, e por aí vai.

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Sexta passada, a Bloomberg subiu o rombo para US$ 195 bilhões; e o banco Lehman Brothers (quarto maior de investimentos dos EUA) declarou a liquidação de três de seus Fundos. Na segunda, seguradoras chiaram o estrago de US$ 38 bilhões.

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A quebradeira prosseguirá.

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Artigo publicado originalmente em O Jornal (AL), 16/4/2008

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*Sérgio Barroso, Médico, doutorando em Economia Social e do Trabalho (Unicamp), membro do Comitê Central do PCdoB.



* Opiniões aqui expressas não refletem, necessariamente, a opinião do site.
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in Vermelho -
19 DE ABRIL DE 2008 - 19h29
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