A Internacional

__ dementesim . . Do rio que tudo arrasta se diz que é violento Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem. . _____ . Quem luta pelo comunismo Deve saber lutar e não lutar, Dizer a verdade e não dizer a verdade, Prestar serviços e recusar serviços, Ter fé e não ter fé, Expor-se ao perigo e evitá-lo, Ser reconhecido e não ser reconhecido. Quem luta pelo comunismo . . Só tem uma verdade: A de lutar pelo comunismo. . . Bertold Brecht
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domingo, dezembro 09, 2012

"Pedofilia é pior que o crime de fotocopiar", diz Gianluigi Nuzzi

JN

o às 00.19

NUNO MIGUEL ROPIO

Há um ano, Gianluigi Nuzzi revelou, no seu programa de televisão, uma carta secreta do núncio apostólico Carlo Viganò ao Papa. Nos meses seguintes, bombardeou o mundo com cartas e documentos confidenciais de Bento XVI, expondo um Vaticano de traições, guerras de poder e influência de máfias. Nunca revelou as suas fontes, mas presos na Santa Sé estão já Paolo Gabriele, mordomo do Papa, que alegadamente fotocopiou tudo, e o informático Claudio Sciarpelletti. Na apresentação do seu livro "Sua Santidade", em Portugal, Nuzzi acusou o Vaticano de só ter agido contra os denunciadores.
foto REINALDO RODRIGUES/GLOBAL IMAGENS
"Pedofilia é pior que o crime de fotocopiar", diz Gianluigi Nuzzi
Gianluigi Nuzzi
Refere no prefácio: "Não esperava que o Vaticano chegasse a prender alguém por suspeita de passar informações aos jornalistas". Mas prendeu. Vamos ficar por aqui?
A detenção de Paolo Gabriele é um gesto muito exagerado. Se um facto análogo ocorresse num outros país europeu democrático haveria pessoas na rua a protestarem. É indecente que alguém que passe fotocópias seja preso. A detenção das fontes de um jornalista é um sinal muito mau.
Choca-o Gabriele estar preso?
(Silêncio) Gabriele é católico. Uma pessoa que Wojtyla [João Paulo II] chamava carinhosamente de Paulus. Alguém que serviu Ratzinger [Bento XVI] durante muitos anos, fazendo chegar-lhe notícias de violações e outras situações que, de uma outra forma, não chegariam ao Papa. Creio que o perdão do Papa já foi assinado, mas haverá alguém que não quer que seja libertado, com medo que ele fale, porque não é um sujeito controlável. Fazer o Paolo Gabriele passar o Natal na prisão, privando a sua filha do pai, num momento tão importante para a vida de qualquer católico, faz a Igreja recuar séculos, a um período obscurantista.
Esta investigação irá atingir mais alguém?
Acho que este processo está encerrado. Quer o Gabriele, quer o Claudio (Sciarpelletti), têm recursos em curso. Não creio que haja uma continuação desta perseguição. Considero mais grave o crime de pedofilia do que o crime de fotocopiar.
O porta-voz do Vaticano afirmou que a investigação sobre o caso de fuga de documentos confidenciais do Papa vai continuar.
Vamos ver. Aceito apostas. O que é mais grave aqui: que o Paolo Gabriele tenha dado informação dos crimes ou quem cometeu esses crimes? Quem faz mal à Igreja? O Paolo?
Porque só são acusados os informadores?
Há uma vontade de deslocar o foco da informação para o informador. Quando leio notícias, não quero saber quem foi a fonte, mas se a informação é verdadeira. O que salta à vista é que todos os cardeais envolvidos são italianos. O livro testemunha a crise muito forte da Cúria Romana. O dogmatismo de Bento XVI tem de ser premiado pela purificação da Igreja, mas não soube escolher as pessoas que o rodeiam.
Algumas ligadas a máfias?
Até há poucos anos atrás o Vaticano era um paraíso fiscal. O crime de lavagem de dinheiro só foi introduzido em 2010. O IOR [Instituto das Obras Religiosas - Banco do Vaticano], nas décadas de 80 e 90, "lavou" dinheiro da máfia. É algo que vem escrito nas sentenças que os juízes emitiram após a morte do presidente do IOR [Roberto Calvi], encontrado morto, em Londres, em 1982. Na década de 90, o IOR "lavou" dinheiro da corrupção política. Era um banco offshore da Europa. Só depois do 11 de setembro [de 2001], com as políticas de transparência exigidas pelos americanos e o Banco Mundial, que motivaram os governos europeus e o Banco Central Europeu, o IOR começou a atuar de acordo com as regras financeiras, para evitar que o pusessem numa lista negra, que o excluiria de qualquer atividade financeira com os países mais importantes.
A máfia que refere é a italiana ou de outros países?
Quando os juízes no caso Calvi aludem à máfia, referem-se à "Cosa Nostra". Mas nos anos 80 e 90 [do século XX] havia notas do FBI que apontavam o Banco Ambrosiano [cujo o Banco do Vaticano era o principal acionista], de Roberto Calvi, como a ligação entre a finança e o Cartel de Medellín [rede de traficantes de droga colombianos]. Quando estive em Buenos Aires [Argentina], entrevistei a Ayda Levy, mulher do Roberto Suárez [boliviano considerado o rei da cocaína na América], que referiu que o marido tinha um amigo na Europa chamado Calvi. E que, seis meses antes de morrer, Calvi tinha pedido ajuda ao marido, porque Pablo Escobar [o traficante mais rico do mundo] queria recuperar o dinheiro que tinha depositado no Banco Ambrosiano. Estes são factos que voltam a surgir após alguns anos. Mas o julgamento em Roma, contra Calvi, acabou com imensas absolvições. Decorre agora um julgamento contra quatro indivíduos, cuja a identidade é desconhecida.
Ninguém na Justiça italiana pegou nesta obra? Porque só o Vaticano a usou para prender as fontes.
Este livro tem como ponto fulcral o Vaticano, um Estado que não colabora habitualmente com as autoridades italianas. Todos os pedidos de assistência judicial não recebem respostas ou recebem respostas genéricas. Não existe em Itália um único juiz satisfeito com as respostas obtidas do Vaticano. Por isso, imagino este livro como um aprofundamento para a grande família da Igreja, mais do que um instrumento para a Justiça italiana.
Ainda que o Vaticano não atue, a Itália tem neste livro alguns cidadãos como atores principais. A Justiça não agiu nestes seis meses porquê?
Com que hipótese e a quais crimes se esta a referir?
Não conheço o sistema judicial italiano. Mas, vejamos: tráfico de influências, fuga de capitais, formação de cartéis...
Talvez no Vaticano não. Com o meu outro livro, "Vaticano SA", os magistrados italianos apreenderam todo o meu arquivo para as suas investigações sobre casos de corrupção decorridos em Itália. Mas isto aconteceu muitos meses depois do livro sair.
Não acha invulgar que perante tais denúncias de corrupção, apenas o mordomo esteja na cadeia?
Este livro denuncia indivíduos com responsabilidades morais. Também mostra como as lógicas, dentro do Vaticano e do Vaticano com outros estados, são mais fortes que pensamos. Mostra a lógica, sistemas e mecanismos da corrupção. Veja, nenhuma das pessoas que, ao longo de anos, reparou que Gabriele fotocopiava papeis foi atingida, perseguida, despedida ou transferida. Porém, aqui temos um mordomo do Papa que, desde 2006, andou a fotocopiar papeis e ninguém reparou nisso? O responsável da segurança, Domenico Giani, ex-agente secreto, foi confirmado nessa função. O secretário pessoal do Papa, monsenhor Georg Gänswein, que atribuía funções de secretaria ao Paolo Gabriele, foi promovido a arcebispo. O único que continua na prisão é Gabriele.
Qual foi a sensação quando chegou às suas mãos tal documentação?
Para o primeiro livro, "Vaticano SA", juntei 4000 documentos. Quando os vi pela primeira vez fiquei atónito, porque nunca tinha visto documentos do IOR. Quando li os extratos do Giulio Andreotti [sete vezes primeiro-ministro de Itália, entre 1972 e 1992], com valores de 30 milhões de euros, fiquei estupefacto. Então liguei-lhe e perguntei-lhe porque tinha tal conta num banco offshore. Não sei qual é o respeito que os políticos portugueses têm para com os jornalistas, mas Andreotti respondeu-me, através da secretária, que não se lembrava de ter essa conta. 30 milhões de euros! Isto, em Itália, diz-se que é "gozar na cara de alguém".
Mas, em relação a esta obra?
Quando vi a primeira assinatura de Bento XVI, com uma letra muito pequena, tive uma emoção muito forte. Porque essa caligrafia, tão pequenina, demonstra o poder desse homem, mas também a sua solidão. Paolo Gabriele disse em julgamento que Ratzinger não era informado do que se passava como deveria. Nos últimos meses tentaram silenciar Gabriele.
Qual foi a imagem do Vaticano que começou a construir na sua mente, com o desenvolvimento desta investigação?
Imagine que o Vaticano é como o mar, profundo, profundo. Onde não se consegue conhecer a maioria das espécies marinhas, porque estão a uma profundidade tal, que não somos capazes de chegar lá.
O Vaticano mudou com este livro?
Ainda é cedo. Este livro abre um precedente, permitindo às pessoas que estão fora do sistema saber o que está debaixo do tapete, os fatos desconhecidos e os fatos graves. Pela primeira vez na história tivemos informação do Vaticano, o único país da Europa com um só jornal diário.
O Vaticano não gosta de jornalistas?
(Risos) Veja o que eles fizeram recentemente: um julgamento com jornalistas selecionados. Não sei se sabe que grande parte dos orçamentos de entidades e organismos que compõem o Vaticano são completamente privados. O temor dos seus colegas correspondentes estrangeiros é que lhes retirem a acreditação e não possam entrar nas salas do Vaticano.
A contratação do jornalista americano Greg Burke para assessor do Vaticano alterou alguma coisa?
Um jornalista da Opus Dei?
O correspondente da Fox News em Roma.
(Agita a cabeça)
Que sinal é esse?
Que quer que comente? Essa nomeação...
Nada mudou, é isso?
Eles mostraram as celas onde Paolo esteve detido?
Como são essas celas?
O Paolo disse que a primeira cela em que esteve era tão pequena, que não conseguia abrir os braços. Será que foi torturado ? Porque não chamam jornalistas de Londres para ver estas salas. Qual é o medo da transparência?
Pensou colocar os documentos num site, como o WikiLeaks?
Não. Aliás, quem falou em "VatiLeaks" foi Lombardi [Federico, porta-voz do Vaticano]. Entre o "WikiLeaks" e esta história há um abismo. Assange [Julian, jornalista australiano] recebeu documentos sobre a segurança militar dos Estados Unidos e encontrou apoio no movimento contra o imperialismo americano. Sou jornalista, tive acesso a documentos, fiz entrevistas, fiz viagens, investigações e criei um livro. Se fosse algo sobre a segurança do Vaticano não publicaria.
Uma das principais personagens do livro é o cardeal Tarcisio Bertone [secretário de Estado do Vaticano]. Que me pode dizer sobre ele?
Qual é a outra pergunta?
E sobre Joseph Ratzinger?
Esse já é melhor. (Pausa) É um pastor revolucionário. Um pastor que defendeu que as questões de pedofilia deveriam ser resolvidas pelos tribunais civis. Deixa uma obra de purificação impensável no mundo latino, que encontrou muitas resistências. Penso que é um ancião e está cansado. Não pode mudar o seu secretário de Estado [Bertone], mesmo que queira, porque teria um eco muito forte. Significaria colocar uma hipoteca sobre o pontificado. O próximo Papa não pode ser italiano.
Porquê?
Porque há cardeais melhores em todo o mundo.
Falamos de vícios?
A riqueza da Igreja reside no fato de ser de todos. Há uma região na Itália, que se chama Ligúria, muito pequena, que tem cinco cardeais. Entende? O Vaticano não pode ser "italiano cêntrico". O eixo deve deslocar-se. Imagine um papa chinês, filipino ou brasileiro.
Tem um discurso generoso para com Bento XVI, o homem dogmático atrás de João Paulo II.
Mas era outra época. Uma outra Europa. Havia outros limites. No Vaticano ainda hoje sobrevive uma parte dessa mentalidade, onde uma critica é vivida como um ataque.
É a mesma personagem que se manteve nos bastidores e agora está na liderança, a quem não é desconhecida a realidade retratada pelo seu livro.
Não perdoo ninguém porque não é esse o meu papel.
É jornalista. Esta é a sua obra. E, no final da leitura estamos perante alguém que não tem um comportamento tão criticável? Apenas alguém que não consegue controlar uma máquina.
É o juízo que faz depois de ler o livro. Que eu ate posso partilhar. Seguramente acho mais criticável as atitudes de outras pessoas que rodeiam o Papa.
Esta obra está a cumprir o seu desígnio?
Sim, porque ela dá-nos a oportunidade de, através documentos privados, dar a volta ao mundo católico, observando as contradições, os jogos de poder e, sobretudo, a hipocrisia de quem apresenta uma cruz sem ver quem está crucificado nela.
Crê que haverá consequências?
Acredito que a informação acelera os processos de mudança. A informação não é a mudança. Posso garantir que o meu primeiro livro, "Vaticano SA", conseguiu acelerar os processos de transformação do sistema financeiro do Vaticano. Isso é uma satisfação. Compreendo que este livro testemunhe a violação da confiança do papa. Mas a informação é nosso dever. Não podemos guardar a notícia na gaveta, senão faríamos outro trabalho.
Sente-se perseguido?
Nunca me armei em vítima e não o farei agora.
É católico?
Sou cristão e batizado.
Depois desta obra, com as consequências que teve, é menos religioso?
A fé é um património pessoal. Entre a Igreja de todos e a Igreja do Vaticano vai uma grande distancia.
Até porque este livro não é sobre fé!
É um livro sobre pessoas que têm uma fé mal depositada.
E os efeitos deste livro são os que esperava?
Em que aspeto?
De certeza que não o queria para enfeitar uma prateleira, certo? Sucesso não lhe falta...
Até trabalho mais.
Os negativos também posso referir: uma alegada fonte sua está hoje presa...
Sofro pelo Gabriele estar preso. Estava consciente dos riscos. Mas acho uma profunda injustiça. (Silêncio) Estou convicto que quando Gabriele sair da prisão virá mais forte, porque é uma pessoa sã e honesta. Vou-lhe dizer algo que nunca contei a ninguém. Quando visitei o Gabriele, transmiti algo à minha mulher - algo que nunca fazia: "Valentina, hoje conheci uma pessoa que tem luz nos olhos". Depois, é claro, sei que nunca irei trabalhar para a televisão pública italiana [RAI], que não dedicou um minuto a este livro. Nunca me entrevistaram. Dão-me pena aqueles jornalistas que baixam a cabeça. Eu posso olhar no espelho todas as manhas, já eles não sei.

quarta-feira, fevereiro 29, 2012

Entrega das declarações de IRS começa quarta-feira


JN

Publicado ontem

 
   
A entrega da declaração de IRS referente aos rendimentos recebidos em 2011 começa quarta-feira, naquele que será o último ano em que os contribuintes poderão conseguir grandes poupanças com a utilização de deduções e benefícios fiscais.
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foto GLOBAL IMAGENS/ARQUIVO
Entrega das declarações de IRS começa quarta-feira
 
"Este é, num futuro próximo, o último ano em que grande parte dos contribuintes poderá ter reembolsos de IRS próximos do que estavam habituados. Para o ano haverá um corte na maior parte das deduções", afirmou à Lusa Ernesto Pinto, técnico da revista "Dinheiros e Direitos" da associação de defesa dos consumidores DECO.
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"É o último ano em que as despesas de saúde não vão com um teto máximo ou em que parte da amortização de capital relativa aos encargos com imóveis com credito à habitação ainda pode ser dedutível à coleta", exemplificou, alertando que a poupança começa logo no preenchimento "com tempo e cuidado" da declaração de IRS e na sua entrega a horas para evitar multas que podem ir até aos cem euros.
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Ainda assim, os rendimentos obtidos em 2011 também não escapam a um agravamento de impostos: além da criação do chamado imposto extraordinário, que levou ao corte de metade do subsídio de Natal, há também o fim de alguns benefícios fiscais, como a dedução do prémio do seguro de vida, e limites à utilização dos restantes benefícios.
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Tudo somado, haverá uma diminuição dos reembolsos de IRS e um aumento da fatura de quem já paga. As famílias com rendimentos médios são as mais penalizadas.
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Mas para que seja possível conseguir um reembolso de IRS é preciso não esquecer quais as deduções que podem ser feita quando se proceder à entrega da declaração.
 

segunda-feira, abril 25, 2011

Estado pisca-pisca - Óscar Mascarenhas

 

2011-04-25

Se o dia 25 de Abril tivesse a tradição do Ano Novo e o reservássemos para tomar decisões de fundo para o rumo das nossas vidas - uma espécie de «medidas estruturais», a bem dizer -, hoje eu aderiria ao pensamento único.
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Até agora tenho-me mantido - sem ganhos que se vejam, confesso - fora do 'mainstream', não sei se por caturrice, se por me aborrecer a ausência de diversidade. Mas descobri que o pensamento único é divertido e variado, nada monocórdico - e a caturrice pode sempre vencer-se.
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O pensamento único não é uma coisa fixa, sempre com a mesma formulação: pode até ter manifestações contraditórias e contém o mesmo sortilégio lúdico do sabonete que tentamos apanhar no fundo da banheira: quando o julgamos agarrado - split! - lá fugiu.
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O pensamento único, afinal, é assim: tudo pode ser o que é ou o seu contrário - desde que o resultado final seja não mudar o que está. O modo como se explicam as contradições é apenas um exercício de ginástica meníngea para combater o Alzheimer - o único alemãozinho que o pensamento único permite que se combata, até ver...
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Descobri esta riqueza criativa do pensamento único quando vi e ouvi os «unicopensadores» encartados da nossa praça a acusarem de «falta de sentido de Estado» a recusa do Partido Comunista e do Bloco de Esquerda em irem dizer onde lhes dói a alma aos médicos a domicílio - clínicos de receita única, claro! - que acorreram ao 112 que quatro banqueiros mandaram o Governo chamar.
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Ora, até agora, não havia político que, estando no estrangeiro, não recusasse pronunciar-se sobre a situação em Portugal, nomeadamente sobre divergências internas - em nome do sentido de Estado. Era até considerado quase traição, no mínimo «enfraquecer a imagem do Estado», ir lá para fora criticar o Governo, por muito que se discordasse dele.
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Agora, pedir a estrangeiros soluções que não foram sufragadas pelo povo português (privatizações, reduções do salário mínimo) não é falta de sentido de Estado. Falta de sentido de Estado é dizer-lhes que há uma entidade única com quem devem dialogar - o Governo que, bem ou mal, é a única entidade legitimada pelo voto popular. O Estado é uma entidade pisca-pisca, ora existe, ora não, ao serviço do que for preciso fazer segundo as imposições do pensamento único.
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Ná! Apesar de tudo ainda não é já que adiro ao pensamento único. E vou hoje fazer o que sempre tenho feito: juntar-me na rua com muitos milhares que não têm sentido de Estado mas que, mais do que ninguém, têm sentido o estado em que os deixaram.

segunda-feira, abril 11, 2011

Siza Vieira e o Compromisso Patronal !

JN

 

Meu caro Siza Vieira

00h30m

Vemo-nos de dez em dez anos e em locais improváveis - um comboio apinhado a caminho de Bombaim, um aeroporto europeu - mas episódios dos nossos encontros fazem-me fanfarronar que sou seu amigo, que me dou bem consigo.
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Tenho por si uma admiração incontida, pelo artista mas muito mais pela vertical intransigência de homem que me habituei a ver em si. Sem, provavelmente, jamais termos votado na mesma força política, sinto-me consigo do «lado do não» face aos mandadores do baile ou, para aproveitar a imagem de João Cabral de Melo Neto, do «lado do sim» nesta imensa sala negativa.
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Por isso, caro Siza Vieira, que faz o seu nome no meio de quarenta e sete subscritores do estranho apelo à unidade come-e-cala e à resignação do manda-quem-pode? Como pode você aparecer ao lado de cartolas tão patriotas que ameaçam expatriar os seus capitais ao mínimo aumento de impostos? Como se deixou figurar no meio de uma camioneta de vencidos da vida e outros convencidos de terem assinatura importante?
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E para pedir, afinal, o quê, Siza Vieira? «Em primeiro lugar, um compromisso entre o Presidente da República, o Governo e os principais partidos, para garantir a capacidade de execução de um plano de acção imediato, que permita assegurar a credibilidade externa e o regular financiamento da economia, evitando perturbações adicionais numa campanha eleitoral», blá-blá; e «em segundo lugar, um compromisso entre os principais partidos, com o apoio do Presidente da República, no sentido de assegurar que o próximo Governo será suportado por uma maioria inequívoca», patati-patatá.
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Basicamente, o papel diz: o povo que não se intrometa com a sua vontade de votar no que no que tem de ser decidido já pelos «principais partidos» (quais são, Siza Vieira, a sua lista coincidirá com a dos outros 46?) e sob os auspícios de Cavaco Silva, cuja única missão parece ser a de explicar que «não é FMI, é Fê-é-é-éfe, Fê-é-é-éfe», mais parecendo um 'zombie' político...
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Com tal documento, com a sua assinatura, imagine o alívio que os socialistas de Sócrates não terão encontrado ao sentirem-se livres para largar as bandeiras do Serviço Nacional de Saúde, do ensino público, da segurança social pública, da Caixa pública, da justa causa de despedimento - tudo isso em nome de uma unidade que «tem-de-ser» e que tem tanta força que «até o Siza Vieira assina por baixo».
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Diga-lhes que não, Siza Vieira. Ou pelo menos diga-me em segredo que não, que a si perdoo-lhe tudo - desde que me perdoe esta minha impertinência.
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domingo, abril 10, 2011

Congresso do PS


JN

Ontem

O militante socialista Rómulo Machado quebrou o discurso de unidade em torno do secretário-geral do partido, José Sócrates, acusando-o de levar Portugal à bancarrota, o que lhe valeu os primeiros assobios do XVII Congresso Nacional do PS.
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"Entendo que, e tenho pena que não esteja aqui o nosso secretário-geral, porque gosto de dizer estas coisas na presença das pessoas, o primeiro-ministro que nos conduziu a esta situação e que conduziu Portugal a uma situação de bancarrota não tem condições para nos fazer sair dela", afirmou o militante socialista, resultando as suas palavras num coro de assobios dos poucos congressistas que ainda resistiam na Exponor, em Matosinhos, já ao início da madrugada deste domingo.
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No final da intervenção, o responsável pelos trabalhos e presidente do partido, Almeida Santos, disse apenas: " Não faço nenhum comentário porque o camarada tem como militante socialista o direito à sua opinião".
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Mal subiu ao púlpito, o militante fez questão de "protestar" contra a forma como decorreram os discursos, com "muitíssimas" intervenções de camaradas da "nomenclatura com uma chocante desigualdade na atribuição dos tempos".
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"O congresso não pode ser transformado num comício. Um congresso de um partido democrático deve ser sobretudo um momento alto de debate e confronto de ideias e não de aclamação de um líder", criticou.
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Poucos minutos depois, Almeida Santos encerrava o segundo dia de congresso, cumprindo a promessa, à 1 hora da madrugada.
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sábado, abril 09, 2011

12 se Março - as manifestaões espontâneas e o que mais se ker+a - Óscar Mascarenhas

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A minha folha A4

2011-03-14

Foi bonita a festa da luta, no sábado. Foi única. Isto é, irrepetível. Nunca uma manifestação pôde ser presa tão fácil de grupos despropositados ou mesmo provocadores.
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Não aconteceu no sábado - duvido que não aconteça num segundo evento lançado da maneira como este foi. Um desfile é um empreendimento complicado, que envolve alguma logística e gente preparada para enquadrar a marcha e dissuadir a provocação. A espontaneidade é linda - quando tudo corre bem. Mas espontaneamente nascem, lado a lado, flores - e ervas daninhas. E, na política, estas não são fruto do acaso - são plantadas.
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Quem não tem estruturas para enquadrar um desfile de rua, faz melhor se marcar um local de concentração, montar palco e instalação sonora que possa controlar - e abrir ali a festa da luta. Sem aventuras potencialmente trágicas.
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E agora a seguir? Como dar sentido a toda a energia da revolta que se manifestou de forma tão diferente pelas ruas de Portugal? Dois factores sobressaíram na jornada de sábado: a mobilização por rede social - e a pluralidade de opções políticas e ideológicas para o mesmo grito contra a injustiça.
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No momento de saber «o que querem mesmo» os jovens que se manifestaram chegar-se-á à conclusão de que não haverá consenso. E ainda bem. Porque não é tempo de sonhar utopicamente - e perigosamente - com uma «força nova» agregadora da ideia. Pelo contrário, há que aproveitar o que une na diversidade. Isto significa que não se trata de criar uma organização nova, mas resgatar as existentes e que nasceram como focos de esperança e mobilização: os partidos e os sindicatos. Sucedeu, nas últimas décadas, que foram usurpados pelas burocracias e redes de interesse, por falta de vigilância cívica dos militantes. É preciso que haja a perseverança de entrar nos partidos e nos sindicatos e devolvê-los ao seu destino original. O uso de redes sociais pode até permitir a conjugação de esforços interpartidários de exigência e vigilância, porque mais importante do que a lógica de partido é a realidade da indignação que irmana pessoas de opções políticas diferentes, como se viu.
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Pluralidade e rede - pode ser a consigna. Uma espécie de cumplicidade entre militantes de partidos diferentes para não os deixar nas mãos de usurpadores instalados.
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Pluralidade, rede - e internacionalização. Porque a cumplicidade da revolta tem de chegar a outros lados onde o problema se repete e onde acrescem, além dos egoísmos partidários, os nacionais.
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Não é fácil. Mas foi o que me coube numa folha A4.
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Tempos do Reviralho - Óscar Mascarenhas

JN
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Tempos de reviralho

2011-03-28

Quando, há seis anos, o PS ganhou as eleições, uma certeza ancorou nas conjecturas dos portugueses, qualquer que fosse a opção ideológica e partidária: o então recente Código do Trabalho, de Bagão Félix, louvado por uns e execrado por outros, iria ser a primeira coisa a mudar com a nova governação.
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Ninguém tinha dúvidas! Todos se recordavam do ardor posto na contestação do código, em especial por Vieira da Silva, à época um militante inquebrantável de esquerda, dos tesos, dos que não cediam um milímetro. Além disso, o homem ia ficar com a pasta do Trabalho - favas contadas!
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Pois o país assistiu, paralisado de estupefacção, a uma reviravolta: o piar do Governo passou a ser mais fininho, o Código do Trabalho não só não foi revogado como se lhe acrescentaram mais medidas de instabilização do trabalho com os resultados que estão à vista.
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E desde então o Governo nunca mais deixou de mentir, que nisto o que custa é começar. Depois, torna-se um hábito. Em seguida um vício - e acaba em maneira de ser.
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Não surpreende que o Governo esteja a provar da sua própria cicuta na hora de se ir embora. Ninguém pode dizer que foi transparente o modo como foi derrubado e como se formou a aliança dos contrários para o apear. 
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Mas, convenhamos, o Governo é o último com direito a queixar-se. É o tempo do reviralho: o importante é chegar ao poder, nem que seja para fazer a mesma coisa que os que lá estavam.
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O PSD nem quis discutir o PEC 4. Por discordar dele de ponta a ponta? Nada. Internamente disse que «há limites para tudo». À suserana Merkel foi dizer que este PEC é «insuficiente e ineficiente». É, portanto, preciso mais - e mais duro.
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E, para a lágrima, ainda há os velhinhos com reformas pequeninas. Não se toca nelas, que é crueldade! Mas quando o parceiro CDS propôs garantir em lei que as pensões mais baixas seriam sempre actualizadas segundo a inflação, tira-se-lhe o tapete que, nessas coisas, o PSD é mais pelo Estado Social à PS de Sócrates...
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No livro que escreveu, 'Mudar' (para que tudo fique na mesma?), Pedro Passos Coelho condena os impostos indirectos porque são socialmente mais injustos. Mas, agora, se for preciso, aumenta-se o IVA. Porquê? Para não sacrificar as míseras pensões!
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Com o PEC do PS, não há aumentos das pensões para o ano que vem. Como tudo o que os pensionistas pobres recebem é gasto no consumo, com o PEC do PSD, as coisas ficam mais caras desde já, subindo o IVA. Olha que santo protector foram arranjar para os velhinhos!
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O reviralho é que está a dar, malta!
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sábado, janeiro 22, 2011

O casaco fofinho - Oscar Mascarenhas



 

O casaco fofinho

2011-01-17

A velhota declina nome completo: «Maria de Fátima da Conceição Pereira.» O candidato, de passagem por Ponte de Lima, experimenta a textura do casaco da idosa: «É... é fofinho», elogia. «Pois é, é fofinho», concorda Maria de Fátima, para logo lhe dizer ao que vinha: «A ver se o Senhor Cavaco me arranjava qualquer coisinha, eu precisava de um bocadinho de reforma...» Alguns riem-se. A mulher olha descoroçoada para o candidato: «Não percebe...»
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Cavaco Silva puxa a mulher por um braço: «Esta é a minha senhora. Esta senhora trabalhou praticamente a vida toda.» Maria de Fátima contrapõe, com voz sumida: «Também eu...» O candidato nem a ouve. Tem uma arenga para despachar, não pode perder a oportunidade: «Sabe qual é a reforma dela? Não chega a 800 euros por mês. Foi professora em Moçambique, em Portugal, mas ainda ninguém descobriu, em Portugal, a reforma da minha mulher. Portanto depende de mim, tenho de trabalhar para ela. Mas como ela está sempre ao meu lado e não atrás, merece a minha ajuda.»
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Maria de Fátima vê assim «indeferido» o seu pedido de ajuda. Pudera! Quem a manda ir 'atrás' - e não 'ao lado' do candidato?...
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É visível que as muitas dúvidas que têm sido levantadas acerca dos negócios de Cavaco Silva o deixaram de asa ferida e este choro sobre a reforma da mulher é o contra-ataque aos que lhe movem a «campanha suja». Mas contra-ataque vesgo e bisonho que não o deixa mais limpo, pelo contrário.
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É pequena a reforma da senhora professora? Há três explicações para isso: ou os professores ganham muito mal - o que não consta; ou a senhora não trabalhou, afinal, «a vida inteira» e está a receber uma fracção proporcional ao tempo de serviço efectivo; ou o cálculo das pensões é um roubo ao trabalhador - coisa que nunca se ouviu Cavaco Silva denunciar em dez anos de primeiro-ministro e cinco de Presidente - mas não percamos a esperança, que ainda falta uma semana de campanha onde vale tudo, até promulgar os cortes salariais de Função Pública e sair à rua a clamar que é uma injustiça, que muitos ricos ficaram de fora!
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Como pode um candidato-presidente, perante uma modesta velhinha que teve a infeliz ingenuidade de lhe pedir ajuda na rua, queixar-se de que a mulher tem uma reforma pequenina - e que tem de ser sustentada por si, porque «merece»? Quantas piscinas municipais de chá precisa um homem destes de beber antes de ser digno do lugar que ocupa?
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Vá-se lá embora em paz, senhora Maria de Fátima. Vai mais aconchegada no seu casaco fofinho do que com as lamúrias do «senhor Cavaco»
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http://www.jn.pt/Opiniao/default.aspx?content_id=1758979&opiniao=Oscar%20Mascarenhas
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sexta-feira, novembro 12, 2010

Processo Face Oculta: sucata e lixo

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Publicação: 02-11-2010 22:00   |  Última actualização: 03-11-2010 01:27 
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manuel
Lusa

MP quer que arguidos do caso Face Oculta devolvam dinheiro dos "presentes"

O Ministério Público exige quase 5 milhões de euros aos arguidos do processo Face Oculta, entre os quais, Armando Vara, Paulo e José Penedos. Os investigadores fizeram as contas ao dinheiro e às prendas que o sucateiro de Aveiro entregou e aos benefícios ilícitos que recebeu.

SIC


Há anos que a tradição se repetia. Pelo Natal, Manuel Godinho distribuia milhares de euros em prendas. Mas fora da época natalícia, o sucateiro também era "mãos largas".

Os investigadores estão certos que na lista dos contemplados estavam as pessoas que por uma razão ou outra vieram a beneficiar ilicitamente os negócios do sucateiro.

Por isso o Ministério Público quer que os arguidos devolvam ao Estado tudo aquilo que ganharam.

A Armando Vara é exigido um decantador em prata, de 685 euros, uma caneta Montbalanc e um relógio de valor não inferior a 1500 euros, e ainda um cheque de 25 mil euros que terá recebido das mãos de Manuel Godinho.

José Penedos, o ex-presidente da Rede Eléctrica Nacional (REN) foi outro dos felizes contemplados. Recebeu um centro de mesa de 1.432 euros, uma fruteira de quase 1.900 euros, uma jarra em prata de 1.689, uma caneta Dupont de 260 euros e um cantil D. João II, no valor de 330 euros.

Mas é a Paulo Penedos que é exigida a quantia mais astronómica. Pelo menos 1.232.500 euros, ou seja, o valor dos cheques que Manuel Godinho fez cair na conta de Penedos. Ainda que Penedos tenha restituído mais de metade ficou ainda assim com saldo positivo de quase meio milhão euros.

O Ministério Público está certo que Paulo nunca exerceu funções de advogado para o universo de empresas de Godinho e que servia apenas como porta de acesso ao pai, José, e aos negócios com a REN.

Entre as prendas que o sucateiro ofereceu e os ganhos ilícitos que recebeu a soma chega quase aos 5 milhões de euros.

Para se precaver o Ministério Público já pediu o arresto dos bens dos arguidos.

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Vara acusado de ser parte de máquina de fazer dinheiro

Armando Vara acusado de traficar influências no Governo a troco de 25 mil euros e prendas de luxo no Natal

2010-10-29

JESUS ZING E NUNO MIGUEL MAIA
foto Nuno Pinto Fernandes/Global Imagens
Vara acusado de ser parte de máquina de fazer dinheiro

O antigo ministro do Governo PS Armando Vara é acusado pelo Ministério Público de, a troco de 25 mil euros em notas e prendas de luxo no Natal, ter aceite fazer parte de uma máquina de fazer dinheiro à custa do Estado, montada pelo sucateiro Manuel Godinho.
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De acordo com a acusação, a que o JN teve acesso, o suposto papel do ex-administrador do Millenniumbcp assentaria - a par, em especial, de Fernando Lopes Barreira, consultor e ex-membro da Fundação para a Prevenção e Segurança Rodoviária, no Governo de António Guterres - em exercer influências junto do ministro das Obras Públicas, Mário Lino. 
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O objectivo era a normalização das relações entre a O2, empresa de Godinho, e a Refer, empresa pública responsável pela gestão dos caminhos de-ferro em Portugal, à custa da qual o sucateiro ganhou milhões de euros, através de furto de materiais ferrosos e adulteração dos respectivos carregamentos.
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O procurador responsável pelo caso "Face Oculta" refere a existência de diligências entre 2006 e 2009 junto de Mário Lino e a secretária de Estado Ana Paula Vitorino. Mas esta governante defendeu sempre o presidente da Refer, Luís Pardal, recusando demiti-lo por causa de um diferendo com o sucateiro, motivado, em especial, por causa de um caso de furto de carris em Macedo de Cavaleiros. Não a convenceu, sequer, o argumento de Godinho ser "amigo do PS", aventado por Lino.
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O então ministro das Obras Públicas decidiu, então, interceder ele directamente e ordenou a Pardal que recebesse Manuel Godinho numa reunião. O que aconteceu em Agosto do ano passado.
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Antes disso, além do Governo, as influências de Godinho tinham passado pelos "trabalhadores socialistas" da Refer, que chegaram ao ponto de se manifestar contra o presidente.
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A suspeita de que, em troca dos favores a Godinho, Armando Vara terá recebido 25 mil euros baseia--se em dados circunstanciais que se iniciam com uma conversa telefónica, a 28 de Maio do ano passado, em que o empresário pergunta ao então administrador do BCP se já queria "25 quilómetros". Prossegue a 20 de Junho do ano passado, dia em que Armando Vara e Lopes Barreira almoçaram em casa de Godinho, em Ovar, e o empresário pediu, horas antes, à sua secretária que lhe arranjasse 50 mil euros em dinheiro vivo. Seriam 25 mil euros para cada um - é o que a acusação dá como adquirido.
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Por causa destes factos qualificados como crimes de tráfico de influências e também pela detecção de uma lista de prendas de Natal, entre 2004 e 2007, em que Vara é classificado como personalidade "AAA" (a segunda mais importante), o MP exige que sejam declarados perdidos a favor do Estado os tais 25 mil euros e também, no caso de Vara, um "estojo decantador", uma caneta "Mont Blanc" e um relógio no valor de 1500 euros.
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Em termos de montantes, o ex--ministro do PS é dos casos menos expressivos. Mais avultadas são as verbas recebidas, supostamente de forma ilícita, pelo advogado Paulo Penedos, filho do presidente da REN, José Penedos: quase meio milhão de euros. 
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Face Oculta: Godinho era o «pedreiro», Vara criou rede de contactos

Ministério Público fundamenta a sua acusação e explica a teia de interesses

Por: Redacção / FC  |  28- 10- 2010  20: 49

 

Aos poucos, vão-se conhecendo mais pormenores da acusação do Ministério Público de Aveiro no processo «Face Oculta». Segundo a TVI conseguiu apurar, os investigadores consideram o sucateiro Manuel Godinho como «o engenheiro, arquitecto e pedreiro» do esquema criminoso. Armando Vara, por seu lado, criou uma rede de contactos para facilitar os negócios. 
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Recorde-se que o MP decidiu levar a julgamento Armando Vara, José e Paulo penedos, bem como Godinho. Ao todo são 36 arquidos. Em causa estão crimes de corrupção, associação criminosa, furto qualificado e tráfico de influências, com penas até oito anos de prisão. 
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Armando Vara, ex-ministro socialista e antigo número dois do BCP, vai responder por três crimes de tráfico de influências. Diz a acusação que «fruto das funções ministeriais, políticas e bancárias» criou «uma extensa teia de contactos» capaz de determinar as decisões de empresas públicas e privadas. 
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José Penedos, ex-presidente da Redes Energéticas Nacionais (REN) está acusado de dois crimes de corrupção e dois de participação económica em negócio. Paulo Penedos, filho de José Penedos, advogado, está acusado de um crime de tráfico de influências. 
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À cabeça desta gigantesca rede, Manuel Godinho, o sucateiro de Ovarm, sobre quem recai o maior número de acusações: 60, entre corrupção, tráfico de influência, furto, burla e associação criminosa.
Os investigadores acreditam que este empresário das sucatas é «o arquitecto, engenheiro e pedreiro do esquema criminoso», conseguindo contratos na área da recolha de resíduos através do pagamento de luvas a altos responsáveis de empresas públicas e participadas plo estado. 
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Para julgamento seguem também quadros da Refer, EDP Imobiliária e Galp e um chefe de repartição de Finanças. Uma teia impressionante de ligaçõesa a que não escapam funcionários, familiares e duas das empresas do sucateiro de Ovar. 
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O MP não tem dúvidas do dinheiro e prendas que fazia circular para pagar favores. A acusação refere que Paulo Penedos recebeu 490 mil e 500 euros, Armando Vara 25 mil e outros arguidos receberam Mercedes, BMW ou Audis. 
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Os arguidos têm agora 20 dias para rebater a acusação. Para Manuel Godinho, único arguido detido, o Ministério Público pede que se mantenha a prisão preventiva. 
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Face Oculta’: Políticos na lista de ofertas mais caras

Namércio Cunha arrependido revela esquema de prendas

Namércio Cunha, ex-colaborador de Manuel Godinho, contou às autoridades do processo ‘Face Oculta’ a forma como eram dadas prendas a gestores de empresas públicas.
  • 07 Novembro 2010  - Correio da Manhã
Por:Tânia Laranjo
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O gestor, que aceitou falar alegando estar arrependido, garante que a lista de ofertas era sempre submetida à aprovação de Godinho. A entrega era feita por estafetas das empresas do sucateiro e mais recentemente por Jorge Saramago, também arguido.
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Alguns dos nomes indicados por Namércio para receberem prendas eram funcionários da REN e da Santa Casa da Misericórdia de Ovar, mas a maioria era sugerida por Godinho, disse Namércio.
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Foi esse o caso de Ana Paula Vitorino, Armando Vara, Jorge Coelho e José Sócrates, que estavam no topo da lista das prendas mais caras, por determinação de Godinho.
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O arrependido contou também que só em 2004 soube que algumas empresas de Godinho tinham problemas fiscais. Explicou ainda que Mário Pinho, chefe das Finanças de Ovar, trabalhou para a O2 enquanto esteve suspenso e que após ser readmitido continuou a usar o telemóvel e o automóvel da empresa do sucateiro.
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Namércio Cunha afirma ainda que se apercebeu de que alguma informação que Paulo Penedos possuía vinha do pai, director da REN, e que foi por Jorge Saramago que soube da manipulação das cargas nos transportes da empresa.  
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DESVENDA PEQUENOS FAVORES QUE LEVAVAM A OBTER CONTRATOS
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Namércio Cunha diz que deram um patrocínio de 5 mil euros ao director técnico da Portucel em Setúbal para participar numas corridas. Em final de 2008, a O2 viu ser adjudicada, pela Portucel, uma obra no valor de 600 mil euros. O caderno de encargos foi assinado pelo mesmo responsável pelo patrocínio. Também o filho do director de compras da CP recebeu mil euros para um carro que estava para abate mas que não valia mais de 300. Pequenos favores que, segundo Namércio, faziam com que Manuel Godinho obtivesse informações privilegiadas e mantivesse relações que eram fundamentais nas adjudicações de contratos. Namércio disse por fim que a Refer era um assunto-tabu no grupo Godinho. 
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COMUNICADO DA REN CORRIGE DATA DE PRÉMIO
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A REN emitiu ontem um comunicado garantindo que "o último prémio recebido por José Penedos diz respeito ao exercício de 2008, tendo o correspondente valor sido pago em 6 de Maio de 2009, na sequência de deliberação da Comissão de Vencimentos de 26 de Março de 2009". A empresa diz ainda que "o prémio foi de 243 750 euros e foi divulgado pela REN no Relatório de Governo Societário". Acrescenta a REN que "quando o mesmo valor foi pago ao ex-secretário de Estado, já a IGF entregara no processo ‘Face Oculta’ o relatório preliminar na sequência da auditoria aos procedimentos da empresa pública. Com efeito, "o relatório preliminar da IGF é datado de 18 de Dezembro de 2009, ou seja, mais de sete meses depois de pago o último prémio". Acrescenta que "o Conselho de Administração não tem qualquer intervenção no processo de atribuição de prémios aos administradores, sendo a responsabilidade da Comissão de Vencimentos". 
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domingo, maio 23, 2010

Novo IRS atinge subsídio de férias da Função Pública




2010-05-20

ALEXANDRA FIGUEIRA, COM LUCÍLIA TIAGO
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Na semana passada, José Sócrates falava de Julho; ontem, quarta-feira, disse que o acréscimo à taxa de IRS entrará em vigor já no próximo mês. Mas ainda não se sabe de que forma tudo será feito. Nem a reunião de Concertação Social foi esclarecedora, disseram os parceiros.
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Havia mais perguntas do que respostas. Nem os parceiros sociais, com quem o primeiro-ministro reuniu ontem, quarta-feira, esclareceram as dúvidas sobre a aplicação das medidas de redução do défice público.
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Num comunicado, o Ministério das Finanças disse que "as novas taxas de IRS (...), tendo embora aplicação na liquidação de IRS respeitante a todo o ano de 2010, apenas incidirão sobre a parcela do rendimento angariada a partir de 1 de Junho". Ou seja, descodificou o presidente da Ordem dos Técnicos Oficiais de Contas, o acrescento de 1% ou 1,5% será cobrado em simultâneo com a taxa "normal", mediante os rendimentos obtidos até 31 de Dezembro. Mas a sobretaxa só incidirá sobre os rendimentos a partir de Junho. Algo que Domingues Azevedo considera "inexequível". "Como é possível tratar no mesmo ano dois rendimentos, taxados de duas maneiras diferentes?", questionou.
"Alguma medida administrativa teremos de tomar", dizia José Sócrates à saída da Concertação Social, garantindo que só serão taxados os rendimentos obtidos "a partir de 1 de Junho", não havendo portanto rectroactividade a 1 de Janeiro, como adiantava o secretário de Estado dos Assuntos Fiscais ao jornal "i", na véspera.
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Em todo o caso, esta aparente antecipação em um mês da entrada em vigor da nova taxa não será inocente, suspeita Bettencourt Picanço, do Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado. "Os funcionários públicos recebem o subsídio de férias em Junho. Nada acontece por acaso", disse.
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O mesmo diz Assunção Cristas, deputada pelo CDS/PP, partido que convocou o ministro das Finanças ao Parlamento para explicar as mudanças ao IRS. "A data terá sido para apanhar os subsídios de férias? E de que forma serão taxados os profissionais liberais, que podem ter a maior parte dos rendimentos no início do ano, antes de vigorar a sobretaxa?"
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A própria capacidade em percorrer o processo legal a tempo de avançar já no próximo mês foi questionada, também por Miguel Reis, fiscalista na Garrigues. As medidas de combate ao défice serão discutido no Parlamento no dia 2 de Junho. Mesmo que aprovadas no mesmo dia, terão ainda que ser promulgadas por Cavaco Silva e publicadas em "Diário da República". E as empresas ainda terão de se ajustar aos novos valores. "Tenho sérias dúvidas que entre em vigor em Junho", disse.
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A não ser que o Governo "contorne o Parlamento" e publique a sobretaxa através de um decreto--lei, atirou Jorge Machado, deputado do PCP.
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Não foi possível obter junto das Finanças novos esclarecimentos.
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118 Comentários
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Utilizador Registado

ruicb52

21.05.2010/12:44

Portugal - Porto

Em Febº 1908,a carbonaria+maçonaria+rêspublicanos assassinaram UM PATRIOTA,UM CIENTISTA OCEANOGRAFICO,UM PINTOR,UM PORTUGUES,UM PAI DE FAMILIA e UM REI !O Regicidio foi branqueado+processo até roubado/desaparecido(como as escutas do actual sucatal)!Também mataram nesse dia a MONARQUIA.Dois anos depois viria a rês-publica maçonica xuxa-lista laica,k apos 16 vergonhosos anos de miséria com 30+ governos de desgoverno,destruiram PORTUGAL.E chamaram um prof de Finanças AOS(k ate nem era politico,mas prof em Coimbra)para salvar a Pátria.48 anos depois ocorreu o 25A e 31 anos depois apareceu o pinosokretino xuxalista!Sequencia total induzida pela maçonaria!Nao é REI k vai nu;é rês-publica maconica xuxalista laica k vai toda nua como "pros"tit"uta"


Utilizador Registado

ruicb52

21.05.2010/12:43

Portugal - Porto

Enqtº nao meterem balas no meio dos cornos do diabete palhaço e farsante retorico de cócoras no pu-leiro do poder,não se livram dele. É pior k uma sanguessuga! Nao se preocupem, pq caso nunca seria julgado! Assim foi com o vergonhoso REGICÌDIO!Para alem disso, num novo país chamado Sucatal (ex-PORTUGAL) com tantos watergates (covilhagate ,sovenco's gate, freeport, emails doutro jornal reveladas por pasquins 1.5 anos depois, sucatal, diplomas ao domingo de engº sucateiro incompetente todos os dias, pedofilia de ossopedra e notaveis,varapaus,calhaus,escutas,branqueamento OMO do pgr às escutas, tvi," put"alhada" da PT com fruta-figo pelo meio,etc) e k nunca ninguem é responsavel, seria um favor ao PAÍS passarem-no a sabão para limpar "mer"da" k faz!



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Malhadinhas

20.05.2010/20:05

Este titulo que estamos a comentar, julgo que não foi bem escolhido. Todos aqueles que vierem a receber subsídio de férias, quer sejam funcionários públicos, ou não, com exclusão daqueles que recebam abaixo do nível que foi estipulado, serão desapossados da percentagem que lhe couber, inclusivé as jornalistas que produziram este comentário. Se for aplicada a média que o ministro apresentou na conferência de imprensa será taxado, quer seja um mês antes ou depois, poderia, quando muito, não ser cativada a taxa que agora surge. Este trabalho jornalístico poderia versar outros tipos de cortes na despesa, tais como: redução do nº de deputados, passagem da atribuição das reformas dos políticos pelo REGIME GERAL DA SEGURANÇA SOCIAL, etc., et.


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Politica=Merdice

20.05.2010/19:44

Nós só queremos ver SOCRATES a ARDER!!!!!


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Anónimo

20.05.2010/19:15

Falam tanto sobre os aumentos e ainda não ouvi falar sobre a tx. de retenção nos recibos verdes !!!Continuam os 20% de retenção, ou também vai aumentar essa mesma tx. de injustiça ???


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Anónimo

20.05.2010/19:00

Londres...Here I goooo!


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JVPP

20.05.2010/18:15

Aldabrão até mais não, passada uma semana o agravamento dos pagantes recua um mês, era em Julho ontem já passou para Junho. Este gajo já não tem crédito é sempre a mentir.Os partidos da oposição não têm tomates, pois têm solução para tudo, mas não tomam conta do barco. Isto está a ficar pior do que no tempo do SALAZAR. Estes politicos, profissionais, só querem é saber deles, são uma corja das piores. Só Ladrões e corruptos. Rua, Rua, Rua, Rua, Rua.


Utilizador Não Registado

Anónimo

20.05.2010/18:46

Ficamos contentes com o 25 de Abril ! Agora temos o que merecemos! Já não vem a tempo cantarmos " Oh tempo volta para trás"
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Anónimo

20.05.2010/17:31

Será que este país só tem funcionarios públicos? E os restantes trabalhadores que pagam impostos? sim, os que trabalham para Empresas privadas, não vao ser afectados pela nova taxa de IRS? Vejo este país muito preocupado com os funcionarios publicos.


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Anónimo

20.05.2010/17:18

vamos mas é importar um governo de outro país, pois esta corja é toda igual.


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Realcoment

20.05.2010/17:10

Portugal

Os funcionários públicos teem que se queixar em primeiro lugar deles próprios, porque se o Sócrates lá está, muito contribuíram os votos deles. Por isso na hora de votar, teem que mudar a mentalidade e votar conscientemente, se necessário o voto em branco, que no meu entender deveria ser o voto de toda a população, para que esta escumalha fosse toda mudada de vez.


Utilizador Não Registado

bicalho

20.05.2010/19:01

Portugal

Boa-tarde Sr. Realcoment, dou-lhe sinceramente os parabens, eu tambem luto por isso como pode verificar pelos meus comentários, mas o pior é que todos criticam, mas quando chegar a hora da verdade ou ficam em casa ou continuam a votar nesta cambada de xulos que levou o páis a esta situação miseravel, em que até o Brasil quer ajudar PORTUGAL, parabens pelo seu comentário, temos que xontinuar a lutar pelo voto branco
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