A Internacional

__ dementesim . . Do rio que tudo arrasta se diz que é violento Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem. . _____ . Quem luta pelo comunismo Deve saber lutar e não lutar, Dizer a verdade e não dizer a verdade, Prestar serviços e recusar serviços, Ter fé e não ter fé, Expor-se ao perigo e evitá-lo, Ser reconhecido e não ser reconhecido. Quem luta pelo comunismo . . Só tem uma verdade: A de lutar pelo comunismo. . . Bertold Brecht
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quarta-feira, fevereiro 23, 2011

Egito: Uma revolução popular por uma junta militar?

Mundo

Vermelho - 22 de Fevereiro de 2011 - 10h47
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Além da expulsão do tirano Hosny Mubarak do poder, absolutamente nada mais foi decidido no Egito. A única certeza é que a primeira rodada da revolução popular terminou. Mas não existe nenhuma certeza de que não existirão outras rodadas também de queda-de-braço do regime militar com os manifestantes da Praça Tahrir (Liberdade).


Por Anwar Kalil, na Africa News Agency

Se, contudo, a situação evoluir conforme demonstra neste momento, então, o lucro da revolução - a derrubada de Mubarak - deverá se comprovar, totalmente, não correspondente para com a magnitude do caráter popular da revolução.

Vista de forma rigorosamente fria, a situação é a seguinte: até o presente momento o resultado da insurreição foi livrar o povo egípcio do regime de Mubarak e empurrar-lhe - goela abaixo - uma junta militar, composta de pretorianos do regime de Mubarak, felizmente, sem ele.

O exército egípcio era detentor do poder antes, e o exército egípcio continua sendo detentor, também, agora, aliás, com sua feição mais crua, sem parlamento e sem Constituição.

Supõe-se que o mesmo regime que estrangulou a democracia no Egito durante, pelo menos, 40 anos, o mesmo regime conduzirá o país à redemocratização! O esquema é visivelmente estúpido, mas, curiosamente, é também diabólico. É também absolutamente seguro que a percepção sobre democracia dos generais do regime ditatorial e atuais componentes da junta é totalmente diferente daquela do povo rebelde.

Se, então, a junta militar for deixada totalmente livre e desimpedida para definir esta feição e conteúdo da nova democracia egípcia, aquilo que surgirá não terá nenhuma relação com aquilo com que sonharam os heróicos insurgentes da Praça Tahrir e o sacrifício de centenas de mortos terá sido em vão.

Ligado a EUA e Israel

Sequer para salvar as aparências, a junta militar não julgou necessário compor uma governo de unidade nacional constituído de civis, representantes primeiramente dos insurgentes, algumas personalidades e forças da existentes oposição. É absurdo, mas, neste momento, o Egito está sendo governado pelo governo que deixou Mubarak antes de ser derrubado, e agora com poderes ditatoriais.

O ditador do país hoje, marechal-de-campo Mohammed Houssein Tandawi, que desempenhou por 20 longos anos o cargo de ministro da Defesa do regime de Mubarak e antes havia sido chefe dos pretorianos da guarda presidencial, de 1988 até 1991. Trata-se de um elemento de absoluta confiança dos EUA e do Estado de Israel.

A vida se encarregará de mostrar se o exército egípcio buscará eternizar seu poder por intermédio de legalização de partido ou de partidos que manterá sob seu controle. A vida, igualmente, mostrará se o povo do Egito aceitará uma tal evolução rumo às eleições sob o controle absoluto do exército ou se exigirá um governo civil de unidade nacional, a fim de garantir uma mais essencial e mais profunda redemocratização.

O rigorosamente seguro é que as até o presente momento evoluções não criam nenhum risco para a continuação da política externa de submissão do Egito aos EUA e ao Estado de Israel, porque desde que o poder continuar completamente nas mãos do regime militar, nada muda e, nada mudará no Egito.

Medidas superficiais

Obviamente, ninguém poderá saber hoje como evoluirá a marcha da redemocratização do Egito, a qual definirá também a possibilidade de existir, teoricamente, uma coalizão governamental que se harmonizará com a vontade do povo egípcio e que desdenhará o ignominioso acordo de paz do Egito com o Estado de Israel. A ver.

Há também um enigma: como se manifestarão os insurgentes? Fator desconhecido e desestabilizador para cada planejamento relativo às evoluções políticas egípcias é finalmente o como se manifestarão política e eleitoralmente os milhões de egípcios que se rebelaram.

O caráter social da insurgência e a total impossibilidade de revelação de algum vetor de liderança política deixaram sem resposta a seguinte pergunta: poderá alguém ou alguns expressarem politicamente as disposições e as expectativas dos irados egípcios?

Se sim, então no Egito e em todo o Mundo Árabe haverá um terremoto político. Se não, então, essencialmente, nada mudará, além de algumas medidas superficiais de redemocratização, indiferentes para o resto do mundo.

Fonte: Monitor Mercantil

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domingo, fevereiro 20, 2011

EGITO: NA CELEBRAÇÃO DO "DIA DA VITÓRIA" UMA DEMONSTRAÇÃO DOS LIMITES DA REVOLTA

NOVA CENTELHA

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Egito após a renúncia de Mubarak



Na celebração do "Dia da Vitória" uma demonstração dos limites da revolta popular


O que deveria ser um momento de extrema alerta, mobilização e organização dos trabalhadores pela sua independência de classe, é apresentado como uma "revolução vitoriosa" pelos pseudotrotskistas de todos os matizes, o que entorpece profundamente os explorados, desarmando-os politicamente e colocando o imperialismo numa situação confortável para estabilizar o país e voltar a ofensiva política e militar

Uma multidão de egípcios reuniu-se nesta sexta-feira, 18/02, na praça Tahrir, para comemorar o "dia da vitória", após uma semana da renúncia de Mubarak, com direito a banda de música do exército e vários chamados a "unidade nacional por um novo Egito". Apesar disso, a saída do ditador vem sendo alardeada pela esquerda revisionista como a prova da "vitória da revolução democrática".

Ainda que as manifestações multitudinais tenham obrigado Mubarak a renunciar, tragicamente elas estão limitadas por uma estratégia que respeita a transição pactuada pela burguesia egípcia e a Casa Branca. Por essa razão, o Estado burguês continua intacto, a classe dominante mantém-se no poder, as instituições do regime estão preservadas e o exército intocável pronto para reprimir os trabalhadores que não respeitarem suas ordens, tendo para isso o aval da direção dos protestos: "Nós concordamos com que o Exército fixasse as normas para as celebrações de hoje", disse Ahmed Naguib, um membro de coordenação de uma coalizão de jovens e grupos políticos pró-democracia (Folha de São Paulo, 18/02). Por essas razões durante os quase 20 dias de mobilizações não houve armamento dos trabalhadores e as massas continuam nas mesmas condições miseráveis de vida no Egito.

Diferente do apregoado por toda sorte de falsificadores do marxismo, patrocinadores da tese de que houve uma revolução democrática no país, alimentando nos trabalhadores a ilusão de que alcançaram o objetivo final de sua luta, esse ascenso de massa está sendo golpeado por um acordo contra-revolucionário. Apesar do ditador Mubarak ter renunciado, este foi substituído por uma junta militar que deu início a um processo de transição, que possivelmente culminará com as eleições controladas pela burguesia em setembro para renovar a gerência do Estado capitalista, enquanto mantêm o famigerado Estado de Emergência. Tanto que no próprio "dia da vitória" a Junta Militar anunciou em comunicado oficial que não permitirá a continuação de "greves ilegais" e protestos, alegando que estas estão atrapalhando a economia do país.

O que deveria ser um momento de extrema alerta, mobilização e organização dos trabalhadores pela sua independência de classe, é apresentado como uma "revolução vitoriosa" pelos pseudotrotskistas de todos os matizes, o que entorpece profundamente os explorados, desarmando-os politicamente e colocando o imperialismo numa situação confortável para estabilizar o país e voltar a ofensiva política e militar.

Os marxistas revolucionários têm como tarefa desmascarar toda essa farsa criada pela esquerda revisionista que acaba por servir ao imperialismo, ao enterrar o real significado da revolução. É necessária uma estratégia revolucionária e um partido marxista-leninista que arme os trabalhadores para que possam enfrentar a burguesia em todas variantes e seu exército, forjando as condições para expropriação dos capitalistas e da conquista do poder pelos explorados.

Email:: lbiqi@hotmail.com

URL:: http://www.lbiqi.org/

Fonte: CMI Brasil
 
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sexta-feira, fevereiro 18, 2011

O que não se sabe sobre o Egipto - Vicenç Navarro



17 de Fevereiro de 2011
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Este artigo critica a cobertura da chamada revolução egípcia por parte dos maiores meios de informação, que se centraram na mobilização de jovens – a maioria profissionais e licenciados universitários – e na sua utilização das novas tecnologias da comunicação, ignorando as mobilizações operárias em todo o território egípcio que foram aquelas que, na realidade, foram determinantes na demissão do ditador. O artigo detalha a natureza de tais mobilizações, que representam a maior ameaça à sobrevivência da ditadura egípcia, o que explica que uma das primeiras medidas tomadas pela Junta Militar tenha sido a proibição taxativa de greves e reuniões de trabalhadores sindicalistas.
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A queda do ditador Mubarak como resultado da mobilização popular é um motivo de alegria para qualquer pessoa com sensibilidade democrática. Mas esta mesma sensibilidade democrática deveria consciencializar-nos de que a versão do ocorrido que apareceu nos meios de informação de maior difusão internacional (desde a Al Jazira ao The New York Times e à CNN) é incompleta ou enviesada, pois responde aos interesses que os financiam. Assim, a imagem geral promovida por aqueles meios é que tal evento se deve à mobilização dos jovens, predominantemente estudantes e profissionais das classes médias, que utilizaram com muito êxito as novas técnicas de comunicação (Facebook e Twitter, entre outros) para se organizar e liderar tal processo, iniciado, por certo, pela indignação popular contra a morte em prisão, como consequência das torturas sofridas, de um destes jovens.
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Esta explicação é extremamente incompleta. Na realidade, a suposta revolução não se iniciou há três semanas e não foi iniciada por estudantes e jovens profissionais. O passado recente do Egipto caracteriza-se por lutas operárias brutalmente reprimidas que aumentaram nestes últimos anos. Segundo o Egypt’s Center of Economic and Labor Studies, só em 2009 existiram 478 greves claramente políticas, não autorizadas, que provocaram o despedimento de 126.000 trabalhadores, 58 dos quais se suicidaram. Como também ocorreu em Espanha durante a ditadura, a resistência operária democrática infiltrou-se nos sindicatos oficiais (cujos dirigentes eram nomeados pelo partido dirigente, que surpreendentemente tinha sido aceite no seio da Internacional Socialista), jogando um papel chave naquelas mobilizações. Milhares e milhares de trabalhadores deixaram de trabalhar, incluídos os da poderosa indústria do armamento, propriedade do Exército. Juntaram-se também os trabalhadores do Canal do Suez (6.000 trabalhadores) e, por fim, os empregados da Administração pública, incluindo médicos e enfermeiras (que desfilaram com os seus uniformes brancos) e os advogados do Estado (que desfilaram com as suas togas negras). Um dos sectores que teve maior impacto na mobilização foi o dos trabalhadores de comunicações e correios, e do transporte público.
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Os centros industriais de Asyut e Sohag, centros da indústria farmacêutica, energia e gás, também deixaram de trabalhar. As empresas em Sharm El-Sheikh, El-Mahalla Al Kubra, Dumyat e Damanhour, centros da indústria têxtil, mobiliário, madeira e alimentação também pararam a sua produção. O ponto culminante da mobilização operária foi quando a direcção clandestina do movimento operário convocou uma greve geral. Os meios de informação internacionais centraram-se no que ocorria na praça Tahrir do Cairo, ignorando que tal concentração era a ponta do icebergue espalhado por todo o país e centrado nos locais de trabalho – fundamentais para a continuação da actividade económica – e nas ruas das maiores cidades do Egipto. O Exército, que era, e é, o Exército de Mubarak, não as tinha todas consigo. Na verdade, além da paralisação da economia, tinham temor a uma rebelião interna, pois a maioria dos soldados procediam de famílias muito pobres de bairros operários cujos vizinhos estavam na rua. Comandos intermédios do Exército simpatizavam também com a mobilização popular, e a cúpula do Exército (próxima a Mubarak) sentiu a necessidade de se separar dele para se salvarem a eles mesmos. Mais, a Administração Obama, que no início tinha estado contra o despedimento de Mubarak, mudou e pressionou para que este saísse. O Governo federal subvencionou com uma quantia de 1.300 milhões de dólares por ano o Exército daquele país e este não podia ignorar o que o secretário de Defesa dos EUA, Robert Gates, estava a exigir. Daí que o director da CIA anunciasse que Mubarak se demitiria e, ainda que se tenha atrasado umas horas, Mubarak demitiu-se.
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Nem vale a pena dizer que os jovens profissionais que fizeram uso das novas técnicas de comunicação (só 22% da população tem acesso à Internet) desempenharam um papel importante, mas é um erro apresentar aquelas mobilizações como consequência de um determinismo tecnológico que considera a utilização de tecnologia como o factor determinante. Na verdade, o desaparecimento de ditaduras num período de tempo relativamente curto, como resultado das mobilizações populares, ocorreu constantemente. O Irão (com a queda do xá), o Muro de Berlim, a queda das ditaduras da Europa de Leste, entre outros casos, caíram, uma atrás da outra, através de mobilizações populares sem que existisse Internet. E o mesmo ocorreu em Tunes, onde, na verdade, a resistência da classe trabalhadora também desempenhou um papel fundamental na queda do ditador, cujo partido foi também surpreendentemente admitido na Internacional Socialista.O futuro, no entanto, começa agora. É improvável que o Exército permita uma transição democrática. Permitirá estabelecer um sistema multipartidário, muito limitado e supervisionado pelo Exército, para o qual o inimigo número um não é o fundamentalismo islâmico (embora assim o apresente, com o fim de conseguir o apoio do Governo federal dos EUA e da União Europeia), mas a classe trabalhadora e as esquerdas, que são as únicas que eliminariam os seus privilégios. Não esqueçamos que as classes dominantes do Irão, do Iraque e do Afeganistão apoiaram o radicalismo muçulmano (com o apoio do Governo federal dos EUA e da Arábia Saudita) como uma forma de travar as esquerdas. Uma das primeiras medidas que a Junta Militar tomou foi proibir as greves e as reuniões dos sindicalistas. No entanto, esta mobilização operária mal apareceu nos maiores meios de informação.
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terça-feira, fevereiro 15, 2011

O fim de Mubarak, um passo no rumo da derrota do imperialismo

Editorial.

Vermelho - 14 de Fevereiro de 2011 - 11h46
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O tabuleiro político do Oriente Médio está em movimento desde 14 de janeiro, quando o ditador tunisiano Ben Ali foi obrigado a deixar o poder. A queda, dia 11, de Hosny Mubarak, no Egito, foi outro lance de enorme importância. Mas, é preciso ressaltar, não é ainda um xeque mate para os antipopulares regimes aliados dos EUA e de Israel no Oriente Médio e no Norte da África.

A queda de Mubarak indica na verdade o início do processo de mudanças mais radicais, expresso neste domingo (13) pela decisão da junta militar que passou a dirigir o Egito, de fechar um Congresso ilegítimo, suspender a Constituição e iniciar a construção, com as forças políticas que estiveram à frente dos protestos, da transição para a democracia, que deve durar pelo menos seis meses, tempo suficiente para que as forças políticas possam se organizar, definir programas e apresentar candidatos.

A imprensa fala em revolução no Egito, e a palavra é mesmo adequada para descrever os acontecimentos lá ocorridos desde o primeiro protesto de massas em 25 de janeiro. Foram 18 dias de ebulição cujo preço em vidas humanas foi muito alto. Fala-se em 300 mortos, o que dá uma média de quase 17 por dia. Esta é talvez a mais forte medida da disposição dos egípcios para avançar nas mudanças cujo móvel, lembra com razão o ex-chanceler brasileiro Celso Amorim, tem expressões fundamentais nas contradições internas do Egito (empobrecimento, desemprego, alta do custo de vida, entre outras questões) e o forte sentimento anticolonialista e nacionalista que anima os povos do Oriente Médio e que está vivo entre a juventude.

Nesse sentido, a queda de Mubarak, que abre caminho para as mudanças, tem o sabor inegável de uma derrota histórica dos EUA e de Israel na região, mesmo que a junta militar egípcia proclame a disposição de manter os repudiados tratados de paz com Israel e assegurar-lhe o fornecimento de gás (o Egito é responsável pelo fornecimento de quase metade do gás consumido em Israel). Não poderia ser de outra forma pois não cabe à junta tomar decisões de caráter estratégico, mas sim organizar a transição. Medidas de relações exteriores desse alcance caberão legitimamente ao governo que, respaldado pelo povo, terá a força moral necessária para determinar os rumos a seguir.

A disposição popular, nesse sentido, não arrefeceu e ela se manifesta desde mudanças nos hábitos cotidianos até a compreensão de que o país só vai mudar de fato quando assumir plenamente sua soberania. Os jornais estão cheios de frase fortemente indicativas dessa disposição. Por exemplo, comentando a forte queda no assédio às mulheres que andam sozinhas pelas ruas egípcias, e que era tolerado até então, o escritor egípcio Alaa al Aswany comentou que "a revolução torna as pessoas melhores".

Mas torna também o povo mais determinado. Uma professora, Manal Ghannamy, militante dos protestos no Cairo, disse a um jornalista que "a luta não acabou porque temos ainda muitas reivindicações. Mudamos o regime, agora devemos tomar o caminho da democracia. Queremos solucionar nossos problemas internos: saúde, educação moradia, agricultura, emprego. Queremos um país aberto a todo o mundo. Queremos viver em paz com todos os países, inclusive com Israel". Outro ativista, Mohamed Rida, disse que "não queremos ser governados pelo exército, mas daremos a ele o tempo necessário para fazer as reformas".

É um sentimento popular em consonância com a principal força política e social do Egito, a Irmandade Muçulmana, que terá papel decisivo na formulação do futuro do país.

A revolução torna as pessoas melhores, disse Alaa al Aswany. E vai tornar o Egito melhor – é o que o povo pretende, e indicam declarações semelhantes às da professora Manal Ghannamy ou do ativista Mohamed Rida.

A mudança começou. E ela precisa ir até o fim, com a conquista da democracia e com a derrota da presença do imperialismo norte-americano e a ignominiosa convivência com o principal fator de perturbação da paz no Oriente Médio constituído pelos governos sionistas e agressores de Tel Aviv. O rumo da paz e da estabilidade depende agora deste outro passo que, ele sim, pode representar um xeque mate para os inimigos do povo da região.
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Strikes, workers’ protests spread throughout Egypt

World Socialist Web Site

wsws.org

Published by the International Committee of the Fourth International (ICFI)


By Patrick O’Connor
15 February 2011
Large numbers of workers in Egypt’s main cities staged strikes and street demonstrations yesterday for higher wages, better working conditions, and the removal of corrupt managers of state-owned enterprise promoted under former President Hosni Mubarak. The movement of the working class is developing in defiance of the ruling military command, which has stridently demanded an end to all industrial action.
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The junta, headed by Mubarak’s henchmen Field Marshal Mohammed Hussein Tantawi and Prime Minister Ahmed Shafiq, declared an unscheduled public holiday yesterday, apparently in an attempt to defuse the strike wave. The military also declared today a public holiday.
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Workers across many industries nevertheless mobilised yesterday, in both the public and private sectors. One BBC journalist commented, “There appears to be a whole series of mini-revolutions going on in the wake of the removal of Mr. Mubarak”.
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The Central Bank of Egypt ordered that banks throughout the country be closed because of a strike by workers in the National Bank of Egypt (NBE), the largest state bank. Hundreds of workers demonstrated outside NBE’s headquarters, reportedly demanding that temporary workers be granted permanent positions. “It’s part of the revolution,” the bank’s chairman, Tarek Amer, told the Associated Press. “They believe that it’s an opportunity—if they had any complaints and demands—and that there’s a higher probability of getting them answered.”
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Thousands of oil and gas workers employed by several companies are on strike and staged a protest yesterday in the Nasr City district of Cairo, outside the Ministry of Petroleum. According to blogger Hossam el-Hamalawy: “The workers have several economic and political demands, including putting an end to abusive management practices such as sacking workers who speak up for their rights, reinstating the sacked workers, raising salaries that roughly average LE400 [$68], establishing an independent union, impeaching the corrupt oil minister Sameh Fahmy, and stopping gas exports to Israel.”
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Also in Cairo, hundreds of public transport workers demanded higher wages outside the state television and radio building. One of the workers, Ahmed Said, who has worked as a driver for 18 years, told the Guardian that more than half of his wages goes toward paying rent and he is forced to feed his family of five on the rest. “There is just enough money for food... If a child goes to the hospital and we have to pay for that, then me and my wife do not have a meal. This is wrong. How can Mubarak be worth so much and we have so little? Before, we had to be careful. We would be arrested. But now we can talk. We need food. We have been on strike four days. The army cannot stop us.”
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Hundreds of ambulance paramedics demanding better pay parked about 70 vehicles in a row on a roadside along the Nile River in Giza district. Employees at a key Cairo traffic tunnel threatened to shut down the route if their wages weren’t raised. Several hundred people employed by the state Youth and Sports Organisation also demonstrated in Tahrir Square for improved working conditions.
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Among other reported struggles, workers with state airline EgyptAir went on strike at Cairo International Airport and successfully demanded that the company’s head, Alaa Ashour, be removed. About 500 employees of the Opera House have similarly accused the organisation’s chairman of corruption and demanded his removal. Workers with the education ministry in Cairo’s satellite 6th of October City also protested yesterday, demanding higher wages, permanent contracts for temporary workers, and the removal of the ministry director.
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The action was supported by several students. Kholoud Abdallah, from a secondary vocational school, told Al Ahram, “We have no books, no computers and we require these for study.”
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There were also reports of continued strikes by textile, steel, and post office state workers.
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Several hundred people also staged a demonstration outside the Mubarak regime’s official trade union body, the Trade and Workers Federation, demanding that the federation’s board be dissolved. Union bureaucrats inside the building reportedly exchanged volleys of bricks and bottles with demonstrators outside, before they were separated by soldiers.
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Outside of Cairo, workers went on strike at the enormous Sukari gold mine, near the southern town of Marsa Alam. Near the Great Pyramids, about 150 tourism industry employees protested for higher wages.
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The Associated Press also reported that in Beni Sweif, an impoverished city south of Cairo, “thousands demanded the distribution of promised state-built, low-cost apartments that are often awarded on the basis of nepotism”. Police admitted that local people have occupied 60,000 empty units of such housing in the provinces of Cairo, Beni Sweif and Qalioubiya.
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Police officers demanding higher wages staged a provocative demonstration in Tahrir Square yesterday morning. About 2,000 anti-Mubarak protestors held a counter-demonstration against the widely hated police, but Al Jazeera and other media outlets were forbidden from broadcasting any footage from the square. This censorship appears to be part of the military’s effort to remove all the protestors from Tahrir Square and project an image of a return to “normality”.
Another mass rally, however, dubbed a “victory march” has been called for Friday.
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The military council issued a statement yesterday demanding an end to the strikes. “Noble Egyptians sees that these strikes, at this delicate time, lead to negative effects such as harming the security of the country which causes disruption in all institutions and facilities of the state,” a military spokesman declared. “[Strikes] negatively affect the ability to provide for the needs of citizens and disrupt the process of production and work in state sectors ... and they negatively affect the national economy.”
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This statement comes after an army official told Reuters that the military leadership intended to ban union meetings, effectively forbidding strikes. It stands as a sharp warning to the working class as to the policies the army hopes to ultimately carry out.
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The military has been the central pillar of the Egyptian capitalist state ever since the 1952 Free Officers Coup. Under Mubarak’s IMF-approved “free market” measures, the senior command amassed enormous personal fortunes as the military appropriated vast swathes of privatised state industry and landed property. The workers’ movement for higher wages, jobs, improved living conditions, and democratic rights represents a direct threat to the army hierarchy’s lucrative interests, as well as an implicit challenge to the rule of the entire Egyptian bourgeoisie.
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The latest developments underscore the military’s concern over the emerging movement of the working class in the final days of Mubarak’s rule. Mass strikes erupted February 8 and 9, continuing up until Mubarak made his televised speech on February 10 in which it had been expected he would announce his resignation, but instead strove to cling to power.
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According to a detailed account published by Al Ahram, the dictator had intended to step down but was persuaded by his wife and son Gamal not to. When this threatened to provoke a further upsurge in the revolutionary movement, the military stepped in and seized power to try to maintain control over the situation.
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Notably, none of the official middle class “opposition” parties—including the Muslim Brotherhood and Mohamed ElBaradei’s National Association for Change—has condemned the military’s threats against the working class. Striving to maintain illusions in the role of the army, these forces have urged an end to the demonstrations and strikes. ElBaradei and his colleagues are now preparing to enter the military regime.
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Britain’s Foreign Minister William Hague said yesterday that Egypt’s Prime Minister Ahmed Shafiq told him that the current government would be reshuffled to include opposition figures by next week. While the successful elevation of these “opposition” forces would open up opportunities for the individuals involved, for the Egyptian working class it would signify no more than providing a civilian fig-leaf for the military government.
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Prominent anti-Mubarak activists, Google executive Wael Ghonim and blogger Amr Salamahey, met with representatives of the military council. They were reportedly told that the army plans to rewrite the constitution within ten days—entirely behind the backs of the Egyptian people—and put it to a referendum for ratification within two months.
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The military has yet to announce when it will deliver on its pledge to rescind Mubarak’s draconian emergency legislation. It has also remained silent on whether it will release the many political prisoners who remain in detention.
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The Independent’s Robert Fisk asked: “Is this because there are prisoners who know too much about the army's involvement in the previous regime? Or because escaped and newly liberated prisoners are returning to Cairo and Alexandria from desert camps with terrible stories of torture and executions by—so they say—military personnel.”
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segunda-feira, fevereiro 14, 2011

Britânico adverte que celebração egípcia é "prematura"

Mundo

Vermelho - 14 de Fevereiro de 2011 - 18h03
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Em entrevista concedida à Agência República Islâmica de Notícias, (IRNA, na sigla em inglês), o escritor e professor britânico Rodney Shakespeare advertiu os egípcios de que pode ser prematuro celebrar a vitória da sua revolução após a expulsão do ex-presidente Hosni Mubarak.
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"O júbilo egípcio é prematuro. Os regimes não se desmantelam voluntariamente a si próprios se houver algum meio de evitá-lo", declarou Shakespeare, que também é um importante advogado.

"A dura realidade é que os tiranos, torturadores, sionistas e fantoches americanos ainda estão no poder e a única coisa que os restringe é o medo de uma divisão no exército", afirmou

"Há um enorme perigo de que o povo egípcio esteja a assumir ter vencido quando, no essencial, pode ter perdido", advertiu.

O professor britânico, que ensina Economia e Justiça Social em Londres, afirmou que há "necessidade urgente de o povo egípcio exigir um retorno sem reservas ao poder civil".

Se isto não for feito, considerou que os manifestantes – que atuaram em massa por todo o país durante os últimos 18 dias – deveriam "utilizar o seu êxito presente como inspiração para um esforço ainda mais determinado".

"No imediato, a televisão do estado deve ser aberta, as leis de emergência finalizadas, a polícia secreta inteiramente desmantelada, os presos políticos libertados, todas as estruturas políticas dominantes desmanteladas, os partidos políticos permitidos organizarem-se livremente e jornalistas estrangeiros bem-vindos".

Shakespeare considerou que o exército egípcio deveria ser colocado na sua "tarefa própria – proteger a integridade territorial do Egito – e fazer uma declaração de que o Egito nunca será controlado outra vez pelo capital estrangeiro, sionistas ou qualquer forma de interesses estrangeiros".

"Todo militar superior deve fazer um juramento público de lealdade ao governo civil o qual será o resultado de eleições livres e juros", disse à IRNA.

Embora acredita improvável que generais corruptos e afins sejam presos e postos em julgamento, considerou que "a todas as figuras gradas do presente regime deveria ser exigido que declarassem os seu ativos, com enormes penalidade para falsa declaração".

"Ativos que não podem ter sido razoavelmente adquiridos deveriam ser confiscados", acrescentou Shakespeare.

O original encontra-se em http://www.irna.ir/ENNewsShow.aspx?NID=30240644&SRCH=1 . Reproduzido do Resistir

Tunísia e Egito: crise alimentar foi o combustível da ira popular - Michael R. Krätke

Mundo

Vermelho - 14 de Fevereiro de 2011 - 18h17
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Os distúrbios rebentaram depois de meses de inflação nos preços dos alimentos. Ambos os países se converteram nos precursores de uma nova crise alimentar mundial.

Michael R. Krätke*

Tinha sido anunciada no Verão passado: avizinha-se a próxima crise alimentar para a maioria da população mundial. As Nações Unidas alertaram para novas revoltas da pobreza no início de 2011. Disseram que a crise alimentar mundial de 2008, que levou os alimentos básicos a preços recordes e provocou revoltas sociais do México à Indonésia, poderia repetir-se. Ficou agora demonstrado que os funcionários da ONU tinham razão. Em 2008 a necessidade já tinha levado a sangrentos distúrbios nos países pobres, não apenas no Haiti, mas também no Egito.

O índice dos preços dos alimentos da Organização para a Agricultura e a Alimentação (FAO, na sigla inglesa) – uma cesta básica com trigo, milho, arroz, soja, açúcar, azeite e produtos lácteos – chegou ao seu ponto mais elevado desde 1990, primeiro ano da sua elaboração. Atingiu os 215 pontos, acima dos 213,5 pontos de junho de 2008, quando a crise alimentar atingiu o seu ponto culminante. Em dezembro passado os índices do trigo, azeite, milho, arroz, carne e leite pulverizaram todos os recordes: o milho registrou uma subida de 60%, o trigo de 43% e o açúcar de 77%. Inclusive na Europa do bem-estar os preços ao consumidor aumentaram, num ano que se despedia com inflação, enquanto noutras regiões do mundo se tentava travar a má nutrição e luta diária para a sobrevivência que a alta de preços provoca.

A maioria dos países africanos dependem hoje da importação de alimentos, enquanto os estados árabes, com o Egito à cabeça, se consolidaram já como os maiores importadores de cereais do mundo. Na Tunísia, em Argélia e no Egito as famílias têm de investir entre 40 e 50% dos seus recursos na compra de alimentos, de modo que a alta dos preços de 20 e até 25% que se viveu a partir de Novembro não pôde ser bem absorvida. Muito menos por uma população esmagadoramente jovem que sofre um insuportável desemprego. Sem trabalho não há salário, o pão é pouco e a carne ainda é menos. Não é, pois, qualquer surpresa que as pessoas tenham trazido o seu desespero para as ruas.

O governo de Mubarak subsidiou a importação de alimentos. Chegou a destinar 7% do Produto Interno Bruto (PIB) do país com o objetivo de manter (mal) a estabilidade dos preços. No entanto, está claro que esta medida não consegue compensar a alta dos preços do mercado mundial. No Egito, só a carne valia mais 25% que antes da mudança do ano, o que provocou que os restaurantes cairotas não tivessem já pratos de carne nas suas ementas. Ao fim e ao cabo quem é que os podia pagar?

Há que dar graças ao dinheiro barato

A atual crise alimentar compreende várias regiões do planeta apesar do que pode ser considerada em grande parte a boa colheita média de 2010, comparável com as de 2007 e 2008. Pela primeira vez, os principais governos dos países industriais declararam querer pôr fim à especulação nas bolsas de futuros. Naturalmente, o aplauso a estas medidas não é unânime: os economistas do sistema estão contra, a especulação não poderá influenciar nos preços das mercadorias porque estes são o resultado da oferta e da procura. Infelizmente, as bolsas de futuros funcionam de forma muito diferente, já desde meados do século XIX.

Mesmo que o volume do mercado de matérias-primas, especialmente dos mercados agrário e de alimentos, seja pequeno, comparado com o mercado de divisas ou de ações, nas últimas décadas ele cresceu de maneira clara e proporcionou a cada vez mais investidores um campo de ação lucrativo. Há já muito tempo que as bolsas de futuros de alimentos foram sequestradas pelos bancos, fundos de investimentos e hedge-founds, o que é o mesmo que dizer: sequestrados pelos especuladores profissionais melhor organizados.

O Goldman Sachs, o JP Morgan, o Barclays e o Deutsche Bank movimentam ali o dinheiro dos investidores, a quem, por sua vez, vendem certificados com enorme sucesso nas bolsas de futuros, extremamente atrativos para os possuidores de grandes fortunas, porque muitos destes fundos especiais ganham em pouco tempo 20% e mais em relação ao capital inicial. Como consequência, o dinheiro flui para o comércio de matérias-primas.

Grandes especuladores, fundos de investimentos ou hedge-founds individuais estão comodamente junto do computador, onde podem comprar sete, oito ou dez por cento da colheita mundial de cacau, arroz ou trigo. Os preços não são imperturbáveis. A quantidade de contratos futuros de alimentos que se comercializam nas bolsas de todo o mundo (sobretudo em Chicago) subiram como se fossem espuma. Dezenas de milhares destes contratos, com um volume de milhares de milhões, são exatamente iguais na hora das transações, onde os grandes bancos e os hedge-founds controlam em grande escala as matérias-primas e os alimentos e atuam inflacionando os preços.

A proposta da U.S. Commodity Futures Trading Commission (CFTC), na última semana de janeiro, de limitar a 25% os itens da especulação nas bolsas de futuros que um mesmo especulador pode ter ao mesmo tempo, diz tudo. Todavia, na Europa não há uma só norma que obrigue a informar sobre os derivados de valores agrários. Sem uma política de dinheiro barato e a inundação como a que a Reserva Federal estadunidense e outros bancos centrais propuseram não se verificaria este desenvolvimento. Os negócios especulativos de alimentos movimentam-se, como sempre, a crédito. O que foi válido em 2008 será válido em 2011.

O que os governos podem fazer contra a especulação – a compra de estoques alimentares, como o fazem a Arábia Saudita ou a Argélia, ou a proibição de exportações, como a Rússia e a Ucrânia – poderá gerar nos preços do mercado mundial um «boom» adicional. Não será nenhuma surpresa se até o Banco Mundial lançar um grito de alerta sobre a existência de uma guerra comercial à volta dos alimentos e das matérias-primas artificialmente encarecidas. Há muito que esta guerra se trava, sem qualquer piedade e com bons rendimentos

* Michael Krätke, professor de Ciência Política e de Economia.Publicado no Diario.info. Tradução de José Paulo Gascão

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Manifestantes se enfrentam em protesto no Iêmen

Mundo

Vermelho - 14 de Fevereiro de 2011 - 17h40
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Pelo quarto dia consecutivo, o Iêmen enfrenta nesta segunda-feira (14) mais um dia de protestos em defesa de reformas políticas e em favor da renúncia do presidente do país, Ali Abdulá Salé. Nos confrontos desta segunda, os ativistas — a favor e contra o governo — jogaram pedras uns contra os outros. Os manifestantes se reuniram em frente ao quartel general da divisão de inteligência da polícia.
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Os protestos são inspirados pelas manifestações no Egito que tiveram início no dia 25 de janeiro e que levaram à queda do regime do ditador Hosni Mubarak.

Cerca de uma centena de simpatizantes ao governo fizeram uma contra-manifestação, na qual carregaram fotos do presidente Ali Abdulá Salé. Eles confrontaram os manifestantes anti-governamentais e gritaram frases contra o terrorismo e a favor do diálogo proposto pelo governo.

Os grupos se enfrentaram em frente à universidade e três pessoas ficaram feridas, sendo duas delas por pedras e uma por uma adaga tradicional iemenita. No fim, a polícia separou os dois grupos antes que os manifestantes marchassem até o centro da cidade gritando “Vá embora, Salé!”.

A polícia se posicionou entre os cerca de 500 ativistas contrários ao governo de Salé e um grupo de cem pessoas a favor do regime que se posicionava do outro lado.

Houve manifestações em diferentes cidades do país. Os protestos se estenderam da cidade industrial de Taiz até Saná. Os ativistas reivindicam a libertação de dissidentes políticos e dos presos nos últimos protestos.

Pressionado, Salé fez concessões expressivas, entre elas, a promessa de encerrar seu mandato em 2013. No governo há 32 anos, o presidente adiou uma visita que tinha programado no domingo a Washington, devido à instabilidade no país.

Os protestos ocorrem no momento em que os Estados Unidos começam um plano para aprofundar a capacitação "anti-terrorista" das forças de segurança iemenitas, a fim de que estas se contraponham a uma "filial" da al-Qaida, que teria lançado vários ataques contra objetivos americanos.

Estudantes universitários, ativistas e deputados marcharam na capital Saná. Vários advogados, vestidos de preto e liderados pelo presidente de sua associação, se uniram aos manifestantes para pedir o fim do regime, proferindo lemas parecidos aos dos manifestantes no Egito e na Tunísia. “Uma revolução de livre expressão... Uma revolução de liberdade... Devemos decidir”, gritaram os iemenitas.

O advogado Hassan al-Dola disse que o protesto foi organizado para denunciar “a corrupção generalizada e contra o aparelho de segurança que aterrorizou as pessoas”. O deputado sem partido Ahmed Hashid promete que os manifestantes vão continuar nas ruas. “Vamos continuar nossos protestos até que o regime caia”, afirma.

Com agências

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Países árabes fazem reunião emergencial para discutir crise

Mundo

Vermelho - 14 de Fevereiro de 2011 - 17h02
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Sob a ameaça de instabilidade política em pelo menos 12 países muçulmanos, a Liga dos Países Árabes – que reúne 22 nações – marcou uma reunião emergencial dos ministros das Relações Exteriores. No próximo dia 3, no Cairo (Egito), os chanceleres se reúnem para discutir a crise que avança sobre parte do mundo islâmico por meio de protestos contra os governos.
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No mês passado, na última cúpula da Liga dos Países Árabes, no balneário de Sharm el-Sheikh (Egito), o secretário-geral da Liga Árabe, o egípcio Amr Moussa, alertou sobre a insatisfação de algumas populações com os governos. “A raiva e a frustração [das populações árabes] atingiram um nível sem precedentes”, disse ele, na ocasião.

A previsão era de a próxima reunião ocorrer apenas em 29 de março, mas o agravamento da situação de forma generalizada em vários países levou à convocação de uma sessão extraordinária. As informações são da Agência Lusa, de Portugal.

Liga dos Países Árabes

Há 66 anos foi fundada a Liga dos Países Árabes, formada por 22 nações, com o objetivo de integrar e desenvolver a região, que tem em comum a religião, ao menos uma das línguas oficiais e costumes.

Em abril está prevista para Lima, no Peru, a 3ª Cúpula dos Países da América do Sul e Árabes (Aspa). A proposta inicial era que ela fosse realizada nesta semana, mas a pedido das autoridades árabes em decorrência do agravamento da crise, foi adiada para a segunda quinzena de abril.
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Fonte: Agência Brasil
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Fidel Castro: A rebelião revolucionária no Egito

Mundo

Vermelho - 14 de Fevereiro de 2011 - 16h59
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Disse há vários dias que a sorte de Mubarak estava lançada e nem sequer Obama poderia salvá-lo. O mundo sabe o que acontece no Oriente Médio. As notícias circulam a velocidades vertiginosas. Os políticos correm atrás do tempo para ler os despachos que chegam de hora em hora. Todos estão conscientes da importância do que acontece ali.
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Após 18 dias de uma dura batalha, o povo egípcio conquistou um objetivo importante: derrubar o principal aliado dos Estados Unidos no seio dos países árabes. Mubarak oprimia a saqueava seu próprio povo, era inimigo dos palestinos e cúmplice de Israel, a sexta potência nuclear do planeta, associada ao belicoso grupo da Otan.

As Forças Armadas do Egito, sob a direção de Gamal Abdel Nasser, havia lançado pela janela um rei submisso e criado a república que, com o apoio da União Soviética, defendeu sua pátria da invasão franco-britânica e israelense de 1956 e preservou a posse do Canal de Suez e a independência de sua nação milenar.

O Egito possui por isso um prestígio bastante elevado no Terceiro Mundo. Nasser era conhecido como um dos líderes mais destacado do Movimento de Países Não Alinhados, tendo participado de sua criação junto a outros conhecidos dirigentes da Ásia, África e Oceania, que lutavam pela libertação nacional e pela independência política e econômica das antigas colônias.

O Egito sempre gozou do apoio e do respeito de tal organização internacional, que reúne mais de cem países. Precisamente neste momento, o país preside o movimento pelo período que lhe corresponde de três anos. O apoio de muitos de seus membros à luta que seu povo realiza hoje não tardará a chegar.

Que significado tiveram os Acordos de Camp David e porque o heróico povo da Palestina defende de forma tão árdua seus direitos mais vitais?

Em Camp David — com a mediação do então presidente dos Estados Unidos Jimmy Carter —, Anwar el Sadat, então presidente do Egito e o primeiro ministro de Israel Menahem Begin assinaram os famosos acordos entre o Egito e Israel.

Conta-se que participaram de conversações secretas durante 12 dias e em 17 de setembro de 1978 assinaram dois acordos importantes: um referido à paz entre Egito e Israel e outro relacionado com a criação de um território autônomo na Faixa de Gaza e Cisjordânia, onde Sadat pensava — e Israel conheci e compartilhava da ideia — que seria a sede do Estado Palestino, cuja existência, assim como a do Estado de Israel, a Organização das Nações Unidas determinou em 29 de novembro de 1947, no que era o então mandato britânico da Palestina.

Após árduas e complexas negociações, Israel aceitou retirar suas tropas do território egípcio do Sinai, embora tenha rechaçado categoricamente a participação naquela negociação de paz dos representantes da Palestina.

Como produto do primeiro acordo, no prazo de um ano Israel reintegrou o território do Sinai ao Egito, ocupado em uma das guerras árabe-israelenses.

Por causa do segundo, ambas as partes se comprometiam a negociar a criação do regime autônomo na Cisjordânia e na Faixa de Gaza. A primeira compreendia um território de 5.640 quilômetros quadrados e 2,1 milhões de habitantes. A segunda, 360 km² e 1,5 milhão de habitantes.

Os países árabes se indignaram com aquele acordo que, como julgavam, o Egito não tinha defendido com suficiente firmeza e energia um Estado Palestino, cujo direito a existir havia sido centro as lutas livradas durante décadas pelos estados árabes.

A reação foi tão indignada que chegou ao extremo de romperem relações com o Egito. Dessa forma, a Resolução das Nações Unidas de novembro de 1947 foi apagada do mapa. A entidade autônoma jamais foi criada e assim se privava aos palestinos do direito de existir como estado independente, do qual se deriva a interminável tragédia que se vive e que deveria ter sido solucionada há mais de três décadas.

A população árabe da Palestina é vítima de ações genocidas: as suas terras são roubadas ou, nas regiões desérticas, privadas de água e as casas são destruídas com escavadeiras. Na faixa de Gaza, um milhão e meio de pessoas são sistematicamente atacadas com projéteis explosivos, fósforo e as conhecidas granadas de fragmentação. O território da Faixa de Gaza está bloqueado por terra, ar e mar. Por que se fala tanto dos acordos de Camp David e não se menciona a Palestina?

Os Estados Unidos fornecem anualmente os armamentos mais modernos e sofisticados para Israel, pelo valor de bilhões de dólares. O Egito, um país árabe, foi convertido no segundo receptor de armas americanas. Para lutar contra quem? Contra outro país árabe? Contra o próprio povo egípcio?

Quando a população exigia respeito por seus direitos mais elementares e a renúncia de um presidente cuja política consistia em explorar e saquear seu próprio povo, as forças repressoras treinadas pelos Estados Unidos não vacilaram em disparar contra ela, matando centenas de pessoas e ferindo milhares.

Quando o povo egípcio esperava explicações do governo de seu próprio país, as respostas vinham de altos funcionários dos órgãos de inteligência ou do governo dos Estados Unidos, sem respeito algum para com os funcionários egípcios.

Por acaso os dirigentes dos Estados Unidos e seus órgãos de inteligência não conheciam uma só palavra dos colossais roubos do governo de Mubarak?

Antes de que o povo protestasse em massa na praça Tahrir, nem os funcionários do governo, nem os órgãos de inteligência dos Estados Unidos diziam uma só palavra sobre os privilégios e roubos descarados de bilhões de dólares.

Seria um erro imaginar que o movimento popular revolucionário no Egito obedece teoricamente a uma reação contra as violações de seus direitos mais elementares. Os povos não desafiam a repressão e a morte nem permanecem noites inteiras protestando com energia por questões simplesmente formais. Eles fazem isso quando seus direitos legais e materiais são sacrificados sem piedade de acordo com as exigências insaciáveis de políticos corruptos e dos círculos nacionais e internacionais que saqueiam o país.

O índice de pobreza afetava a imensa maioria de um povo combativo, jovem e patriótico, agredido em sua dignidade, sua cultura e suas crenças.

Como poderiam ser conciliadas o aumento incessante dos preços dos alimentos com as dezenas de bilhões de dólares que são atribuídos ao presidente Mubarak, aos setores privilegiados do governo e da sociedade?

Não basta agora que sejam conhecidos os números da fortuna, é necessário exigir que ela seja devolvida ao país.

Obama está afetado pelos acontecimentos egípcios, age ou parece agir como dono do planeta. A questão do Egito parece ser assunto seu. Não para de falar com líderes de outros países.

A agência efe, por exemplo, informa: “... falou com o primeiro ministro britânico, David Cameron; o rei Abdalá II da Jordânia e com o premiê turco, Recep Tayyip Erdogan, islâmico moderado".

"... o governante dos Estados Unidos avaliou a 'mudança histórica' que impeliu os egípcios e reafirmou sua admiração pelos seus esforços...".

A principal agência de informação americana, AP, transmite declarações dignas de atenção:

"Os Estados Unidos pede governantes no Oriente Médio com inclinação ocidental, amistosos com Israel e dispostos a cooperar com a luta contra o extremismo islâmico, ao mesmo tempo que protejam os direitos humanos".

"…Barack Obama defende uma lista de requisitos ideais impossíveis de satisfazer após a queda dos aliados de Washington no Egito e na Tunísia em revoltas populares que, segundo especialistas, se propagarão na região".

"Não existe perfil com esse currículo de sonho e é muito difícil que apareça um pronto. Em parte se deve a que, nos últimos 40 anos, os Estados Unidos sacrificaram os ideais nobres dos direitos humanos, que tanto defendem, em troca da estabilidade, a continuidade e o petróleo em uma das regiões mais voláteis do mundo".

" 'O Egito não voltará a ser o mesmo', disse Obama na última sexta-feira, depois que celebrou a saída de Hosni Mubarak".

"Mediante seus protestos pacíficos, os egípcios 'transformaram seu país e o mundo'", disse Obama.

"Enquanto ainda persiste o nervosismo entre vários governos árabes, as elites encasteladas no Egito e na Tunísia não deram sinais de que estejam dispostas a ceder poder nem a vasta influência econômica que tiveram".

"O governo de Obama insistiu que a mudança não deveria ser de 'personalidades'. O governo americano tomou essa posição desde que o presidente Zine el Abidine Ben Ali fugiu em janeiro de Túnis, um dia depois que a secretária de Estado, Hillary Rodham Clinton, advertisse os governantes árabes em um discurso no Catar que sem uma reforma, os alicerces de seus países 'afundariam na areia'".

As pessoas não se mostraram muito dóceis na Praça Tahrir.

A Europa Press narra:

"Milhares de manifestantes chegaram à praça Tahrir, o epicentro das mobilizações que provocaram a renúncia do presidente do país, Hosni Mubarak, para reforçar os que continuam no local, apesar das tentativas da Polícia Militar de desalojá-las, segundo informou a cadeia britânica BBC."

"O correspondente da BBC que estava na praça cairota assegurou que o Exército está demonstrando indecisão diante da chegada de novos manifestantes..."

"O 'núcleo duro' (...) está situado em uma das esquinas da praça. (...) decidiram permanecer na Tahrir (...) para assegurar-se que todas as suas exigências sejam cumpridas".

Independente do que ocorra com o Egito, um dos problemas mais graves que enfrenta o imperialismo nesse instante é o déficit de cereais, que abordei na Reflexão de 19 de janeiro.

Os Estados Unidos emprega uma parte importante do milho que cultiva e um alto índice de sua colheita de soja para a produção de biocombustíveis. A Europa, por sua vez, emprega milhões de hectares de terra com essa finalidade.

Por outro lado, como consequência da mudança climática originada fundamentalmente pelos países desenvolvidos e ricos, está se criando um déficit de água doce e alimentos incompatível com o crescimento da população, a um ritmo que a conduziria a 9 bilhões de habitantes em apenas 30 anos, sem que a Organização das Nações Unidas e os governos mais influentes do planeta, depois das fracassadas reuniões de Copenhague e Cancun, tenham advertido e informado o mundo dessa situação.

Apoiamos o povo egípcio e sua valente luta por seus direitos políticos e pela justiça social.

Não estamos contra o povo de Israel, estamos contra o genocídio do povo palestino e a favor de seu direito a um Estado Independente.

Não somos a favor da guerra, mas sim a favor da paz entre todos os povos.

Fidel Castro Ruz, Havana, 21h14 de 13 de fevereiro de 2011
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Reginaldo Nasser: o Oriente Médio e o fantasma da revolução

 Mundo

Vermelho - 14 de Fevereiro de 2011 - 10h08
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Há um medo crescente alimentado, em grande parte, pelas elites conservadoras do Ocidente e do Oriente de que futuros acontecimentos no Egito poderão trilhar os mesmos caminhos da revolução que aconteceu no Irã em 1979 tais como: elegeu Israel como o grande inimigo, se envolveu em ações antiamericanas no mundo inteiro, privou as mulheres e as minorias dos seus direitos (como se tivessem direitos sob a ditadura de Mubarak).


Por Reginaldo Nasser*, na Carta Maior

Numa região repleta de exemplo de ações armadas que atemorizam Israel, EUA e aliados ajudou a criar a imagem de que a melhor forma de combater ativistas islâmicos ( falsos ou verdadeiros) é uma ditadura secular.

No entanto é importante lembrar que, logo no início da revolução iraniana em 1979, havia intenso apoio das potências capitalistas aos movimentos radicais islâmicos em todo o grande Oriente Médio e Ásia Central com o intuito de provocar aquilo que se convencionou chamar "arco de crise".

O objetivo maior, claro, era atingir as regiões muçulmanas da União Soviética, um regime materialista e ateu, de “vital importância para os EUA cujo centro de gravidade é o Irã” como afirmou à época Zbigniew Brzezinski (assessor segurança nacional do presidente Carter). O caos político resultante poderia facilitar a incorporação do american way of life nos inimigos de seus inimigos.

De maneira análoga, pode-se dizer que, 32 anos depois, as revoltas populares na Tunísia, no Egito, Argélia e Iêmen podem ser os sinais iniciais de um novo “arco de crise”, mas agora de autênticas revoluções que poderão varrer o Grande Oriente Médio. Diante de tais fatos, tal como todos outros governos norte-americanos anteriores, Obama, inicialmente preferiu ficar ao lado de seu “aliado leal” contra um movimento que levou a fundo a retórica dos direitos humanos presente em seu discurso no Cairo em 2009.

Diga-se, é verdade, que esses momentos revelam a essência da decisão na política externa dos EUA que vai muito além da órbita do presidente da república. Apesar da celebração ritual da sociedade civil, autoridades dos EUA (militares, agências de inteligência e lobbies no congresso) sempre mantiveram fortes ligações com regimes repressivos e nunca mantiveram qualquer tipo de contato com os principais grupos oposicionistas.

Não há como negar que a religião é um fundamento essencial de identidade dos povos e um componente crucial da dinâmica de desenvolvimento das sociedades, em geral, e do mundo islâmico de forma particular. Contudo, tal como observou o professor Mark Levin, as fotos estampadas na grande mídia dos EUA podem ajudar-nos a entender melhor as diferenças entre os dois momentos revolucionários.

No início de 1979 as imagens dos jovens eram de exuberância revolucionária, aliadas a um sentimento raiva, supostamente alimentada por um fervor religioso — isso soou tão estranho para um cidadão norte-americano que parecia vir de um outro planeta. Já as fotos da praça Tahrir mostram mulheres e jovens, seculares e religiosos, curvando-se em orações diante dos blindados militares. Uma espécie jihad pacífica que sempre existiu, mas que não tinha os holofotes da mídia para mostrá-la.

Com criatividade e ousadia e mesmo diante das inúmeras provocações e assassinatos mantiveram-se determinados a não usar a violência. Suas táticas foram amplas mobilizações, aproximação com as forças armadas, paralisações de trabalhadores e uso das redes sociais que permitiu que o mundo inteiro fosse capaz de seguir suas batalhas em tempo real.

Já a determinação em reprimir e, sobretudo, o desprezo pela forma pacífica e democrática de expressar opiniões, era evidente no início da Revolução Iraniana de 1979 onde vários grupos que defendiam a liberdade de imprensa e os direitos das minorias foram coagidos por verdadeiras gangues armadas.

No Egito, não há nenhuma figura carismática de estatura do aiatolá Khomeini. Ao contrário do clero xiita no Irã, a Irmandade Muçulmana não tem uma base em uma organização clerical. Apesar de contar com setores conservadores, não estão envolvidos em debates sobre o uso do véu ou de outros comportamentos religiosos, mas sim em questões envolvendo corrupção, desemprego, liberdade política e violações dos direitos humanos.

Nesse sentido, diferentemente do Irã a possibilidade de mobilizar a maioria dos egípcios em torno de uma agenda de reformas é maior. Observar o que vai acontecer no Egito nas próximas semanas é como assistir um teatro das sombras em que apenas alguns dos atores estão sob um foco de luz e outros vão saindo aos poucos.

Entretanto, podemos antecipar e destacar que islâmico ou secular, o novo governo poderá – espero que sim – recusar a adotar incondicionalmente os métodos adotados pelos EUA e a Europa na guerra contra o terror sem que isso signifique ser partidário de Bin Laden. Por sua vez, não afrontar Israel não significa, por outro lado, necessariamente qualquer tipo de concordância com a política de ocupação dos territórios palestinos. E, finalmente, um novo governo poderá também questionar se para manter a tão aclamada estabilidade política na região é necessário gastar bilhões de dólares em equipamentos militares.

De toda forma restar ver como os militares e as elites dirigentes que agora comandam a transição vão descobrir uma maneira de conviver com este novo cenário. Nesses momentos cruciais sempre é bom lembrar alguém que entendia de revoluções (Marx) que certa feita fez a seguinte advertência: “As criadas políticas da França estão varrendo a lava ardente da revolução com vassouras velhas, e discutem entre si enquanto executam sua tarefa”.

* Reginaldo Nasser é professor de Relações Internacionais da PUC-SP 
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domingo, fevereiro 13, 2011

EUA usam “democracia” para legitimar invasões internacionais - Cristina Soreanu Pecequilo

Mundo

13 de Fevereiro de 2011 - 12h37

Um dos termos mais utilizados na retórica da política internacional, ao lado de paz e guerra, é democracia. Traduzida e manipulada pelos mais diferentes interesses e grupos políticos, a palavra pode ser levada a extremos como ao justificar a invasão norte-americana ao Iraque em 2003 ou a Guerra Contra o Terror de 2001 do Afeganistão em 2001.

Por Cristina Soreanu Pecequilo*

Para os Estados Unidos (EUA), trata-se de motivação de uso corrente para legitimar intervenções externas para o seu público interno e que ultrapassa fronteiras. Mesmo com o patente unilateralismo de George W. Bush, alguns veículos e analistas chegaram a definir este momento como o início de uma “Primavera dos Povos” para o Oriente Médio, similar a 1989 na Europa Oriental.

Esvaziada pela realidade, que levou ao fracasso desta manipulação, esta “Primavera” de 2003, reapareceu novamente no Oriente Médio sob o signo da retórica norte-americana. No Cairo, em 2009, Barack Obama pronunciou um de seus muitos discursos classificado como “histórico”. A reconstrução estratégica da região, o renascimento do processo de paz, o diálogo entre civilizaçõe e a recuperação dos laços dos EUA com seus parceiros locais e novos parceiros a serem conquistados foram anunciados como prioridades da política externa. Este e outros pronunciamentos de teor similar na África e na Ásia foram considerados motivos para a concessão do Prêmio Nobel da Paz a Obama naquele mesmo ano.

Poucos foram os que apontaram os paradoxos que envolviam tal discurso: sua realização no Egito, governado a mais de três décadas por Hosni Mubarak de forma autoritária, e a recuperação do “diálogo entre civilizações” lançada originalmente por Mohammad Khatami, Presidente do Irã de 1997 a 2005. Eleito pelo voto popular, o reformista Khatami fez esforços significativos para reaproximação do Irã com o Ocidente, mas que foi rechaçado pelos conservadores norte-americanos, mesmo com a política de descongelamento parcial do Presidente Bill Clinton e da Secretária de Estado Madeleine Albright. Apesar de definido como o “Gorbachev do Oriente” em alusão a glasnost e a perestroika soviética de liberalização econômica , a iniciativa foi ofuscada pelo choque das civilizações do Ocidente contra o resto de Samuel P. Huntington.

Mais uma vez, a democracia para o mundo árabe surgia de forma intercambiável, i.e, condicionada a interesses de segurança e preocupações geopolíticas dos EUA, e de seus aliados mais próximos como Israel. A visão ignorada de Khatami era revitalizada pela retórica da hegemonia, mas limitada pela realidade de poder que definia o que era democracia e qual o seu alcance: ou seja, a democracia que impede o acesso ao processo de grupos definidos como fundamentalistas pelos que estão no governo ou por ingerência externa. Em alguns, prática aceita como no Egito, Argélia e outros aliados, e em outros, criticada e deslegitimada (Irã, Autoridade Palestina, Líbano).

Obama nada mais fazia do que reafirmar a clássica política norte-americana de “tolerar o mal para alcançar o bem”, conforme definida pelo historiador John Lewis Gaddis (1998) quando, na Guerra Fria, os EUA optaram por apoiar ditadores e golpes contra governantes democraticamente eleitos em nome do combate ao comunismo. O mal continua sendo entendido como regimes autoritários, nos quais a democracia é permeável a interesses de preservação do status quo. O bem, a democracia, é o objetivo final, mas como um modelo fechado de soluções e regras que serão definidas pelo contexto e as necessidades de determinados grupos no poder. A Primavera, no caso, não era, e não seria, mais uma vez para todos.

Todavia, o tensionamento interno nestas sociedades impediu a continuidade destas transições controladas e políticas de acomodação, repetindo um fenômeno que já se fez presente na América Latina no século XXI: o da ampliação da participação popular e de pressões sobre os governos estabelecidos, visando a sua correção de rumos para maior inclusão social ou o término de regimes autoritários. Apesar de definida como polarizada e anti-democrática pelos críticos e opositores, a transformação latino-americana está ocorrendo via sistema político depois de muitos anos de quebra institucional. Ao trazer ao poder segmentos antes excluídos com a eleição de Luis Inácio Lula da Silva no Brasil, Hugo Chavéz na Venezuela, Evo Morales na Bolívia e Rafael Correa no Equador, somente para citar alguns, os regimes adaptam-se, não sem crises, mas demonstram sua vitalidade. Na África tendências similares são observadas, assim como a preocupação em alcançar soluções autóctones para problemas do continente, sem ingerências externas.

A eclosão da revolta no mundo árabe representa mais um capítulo nesta busca de voz e autonomia. Como se pode ver pelo movimento no Egito, e mesmo nos protestos que se seguiram à reeleição de Ahmadinejad no Irã, existe uma razoável dificuldade em que este ciclo de reivindicações seja absorvido pelo sistema político. A somatória de resistências internas à demanda geopolítica externa, que intensifica situações de ingerência e temores de perda de soberania, gera situações limite.

Pensando no Egito, o apoio norte-americano a Mubarak somente diminuiu com o agravamento da situação interna. A partir do momento em que se solidificou a percepção de que sua permanência no poder tornou-se insustentável, os EUA, via Departamento de Estado e Casa Branca, sinalizaram à Mubarak a necessidade de sua saída, recompondo alianças com as Forças Armadas. A intensificação dos protestos subestimados pelos EUA, somente demonstrou o equívoco em dar sustentabilidade ao regime de Mubarak, em particular nos últimos anos, apesar da piora da situação econômica e dos impasses políticos.

A presença cada vez mais ostensiva dos EUA no Oriente Médio, com as Guerras do Afeganistão e Iraque, a pressão sobre o Irã, o fracasso do processo de paz com os palestinos, a condescendência com Israel, também é um componente que perpassa este movimento. Estes fatores somente serviram para agravar o sentimento anti-ocidental na região, revitalizando o desejo de nacionalismo, identidade e independência que tinham sido o motor do processo de descolonização nos anos 1950/1960 e que se encontravam latentes nestas sociedades.

A crise no Egito evidenciou a dificuldade de adaptação aos novos tempos da diplomacia das grandes potências, especialmente dos EUA, a novas situações e grupos políticos emergentes que demandam a transição da democracia do discurso para a prática. Presa a paradigmas de “bem e mal” da Guerra Fria, esta diplomacia é capaz de oferecer “discursos históricos” ao lado da mais conhecida repressão e boicotes, acomodando-se a situações que lhe parecem de baixo custo. Mubarak, neste sentido, representava, segundo estes cálculos, um baixo custo, diante de um Oriente Médio conturbado e desorganizado pela estagnação política e intervenções.

Desde a assinatura dos Tratados de Paz entre Israel e Egito em Camp David, 1979, o país deixara de ser uma fonte de crise estratégica para tornar-se aliado e uma preocupação geopolítica “a menos” tanto para Israel quanto para os EUA. Não só os EUA, mas Israel, Mubarak e outros países do mundo árabe acomodaram-se em situações conhecidas, fossem elas democráticas ou autoritárias. Ao invés de preparar uma transição gradual que garantisse e avançasse estes processos, dando-lhes sustentabilidade, a opção foi a da continuidade.

Na prática, isto significou a paralisia da democracia nestas sociedades e mesmo o retrocesso das negociações de paz na região, que colocou em xeque a manutenção do poder. A regra do Egito aplicou-se a outras nações aliadas como Jordânia e na península arábica, ignorando-se sinais de insatisfação. Frente ao efeito demonstrativo das manifestações egípcias e seu desfecho com a saída de Mubarak, a tática para estas nações também se alterou: as orientações passaram a ser não mais de resistência, mas de reacomodação e atualização.

Enquanto isso, no Egito, algumas palavras, além da democracia, tornaram-se chave: transição, paz e estabilidade, pregando a tolerância pouco exercida pelo regime anterior. Nas entrelinhas, uma democracia “comportada” e que não quebre os compromissos prévios principalmente no campo do processo de paz e que deixa em aberto a pergunta: o que fará a diplomacia norte-americana caso os resultados de futuras eleições no Egito tragam ao poder grupos considerados como pouco confiáveis? O apoio permanecerá às Forças Armadas, responsáveis pela transferência de poder pós-Mubarak caso estas não consigam sustentar sua influência política? Ou haverá apoio ao novo governo, independente de qual for, reiterando a idéia do “diálogo”?

Estas são perguntas sem resposta. O que é definido por alguns como turbulência é, na realidade, o renascimento dos povos. Um renascimento que deixa bastante claro que o núcleo dinâmico da política está nas periferias do mundo em desenvolvimento. O clamor é pela democracia ocidental, que, nos Estados que mais a utilizam como discurso, encontra-se estagnada como procedimento em meio às polarizações, perda de valores, radicalismos e xenofobia. Do mundo árabe ao americano, passando pelo africano, o principal desafio destes novos grupos quando no poder será o de não reproduzir estes erros e os de seus antecessores, dando continuidade à reforma. Este não é um processo fácil, e, por vezes, até por uma razão de sobrevivência, alguns regimes poderão recorrer a práticas que hoje criticam, devendo ser igualmente questionados.

Neste caminho, devemos nos perguntar por que algo que aparece com tanta frequência no senso comum e nos discursos, como “a democracia”, causa tanto desconforto quando associada às demandas por maior participação política de correntes definidas como “diferentes” e “preocupantes”, da Irmandade Muçulmana egípcia, ao socialismo de Chavéz ou mesmo as políticas de inclusão social aqui no Brasil. Afinal, é nesta suposta estranheza da democracia que reside seu valor, princípio e promessa.

* Cristina Soreanu Pecequilo é professora de Relações Internacionais da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)

Fonte: Carta Maior
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sábado, fevereiro 12, 2011

Chomsky: EUA estão seguindo seu velho manual no Egito

Mundo

Vermelho - 9 de Fevereiro de 2011 - 10h39

Em entrevista a Amy Goodman, do Democracy Now, o linguista e professor do Massachusetts Institute of Technology (MIT), Noam Chomsky, analisa o desenrolar dos protestos no Egito e o comportamento do governo dos Estados Unidos diante deles. Na sua avaliação, o governo Obama está seguindo o manual tradicional de Washington nestas situações.

Nas últimas semanas, os levantes populares ocorridos no mundo árabe provocaram a destituição do ditador Zine El Abidine Bem Ali, o iminente fim do regime do presidente egípcio Hosni Mubarak, a nomeação de um novo governo na Jordânia e a promessa do ditador de tantos anos do Iêmen de abandonar o cargo ao final de seu mandato.

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Noam Chomsky fala nesta entrevista sobre o que isso significa para o futuro do Oriente Médio e da política externa dos EUA na região. Indagado sobre os recentes comentários do presidente Obama sobre Mubarak, Chomsky disse: “Obama foi muito cuidadoso para não dizer nada; está fazendo o que os líderes estadunidenses fazem habitualmente quando um de seus ditadores favoritos têm problemas, tentam apoiá-lo até o final. Se a situação chega a um ponto insustentável, mudam de lado”. Veja abaixo a entrevista completa.


Democracy Now: Qual é sua análise sobre o que está acontecendo e como pode repercutir no Oriente Médio?

Noam Chomsky: Em primeiro lugar, o que está ocorrendo é espetacular. A coragem, a determinação e o compromisso dos manifestantes merecem destaque, E, aconteça o que aconteça, estes são momentos que não serão esquecidos e que seguramente terão consequências a posteriori: constrangeram a polícia, tomaram a praça Tahrir e permaneceram ali apesar dos grupos mafiosos de Mubarak.


O governo organizou esses bandos para tratar de expulsar os manifestantes ou para gerar uma situação na qual o exército pode dizer que teve que intervir para restaurar a ordem e depois, talvez, instaurar algum governo militar. É muito difícil prever o que vai acontecer.


Os Estados Unidos estão seguindo seu manual habitual. Não é a primeira vez que um ditador “próximo” perde o controle ou está em risco de perdê-lo. Há uma rotina padrão nestes casos: seguir apoiando o tempo que for possível e se ele se tornar insustentável – especialmente se o exército mudar de lado – dar um giro de 180 graus e dizer que sempre estiveram do lado do povo, apagar o passado e depois fazer todas as manobras necessárias para restaurar o velho sistema, mas com um novo nome.


Presumo que é isso que está ocorrendo agora. Estão vendo se Mubarak pode ficar. Se não aguentar, colocarão em prática o manual.


Democracy Now: Qual sua opinião sobre o apelo de Obama para que se inicie a transição no Egito?

Noam Chomsky: Curiosamente, Obama não disse nada. Mubarak também estaria de acordo com a necessidade de haver uma transição ordenada. Um novo gabinete, alguns arranjos menores na ordem constitucional, isso não é nada. Está fazendo o que os líderes norteamericanos geralmente fazem.


Os Estados Unidos têm um poder constrangedor neste caso. O Egito é o segundo país que mais recebe ajuda militar e econômica de Washington. Israel é o primeiro. O mesmo Obama já se mostrou muito favorável a Mubarak. No famoso discurso do Cairo, o presidente estadunidense disse: “Mubarak é um bom homem. Ele fez coisas boas. Manteve a estabilidade. Seguiremos o apoiando porque é um amigo”.


Mubarak é um dos ditadores mais brutais do mundo. Não sei como, depois disso, alguém pode seguir levando a sério os comentários de Obama sobre os direitos humanos. Mas o apoio tem sido muito grande. Os aviões que estão sobrevoando a praça Tahrir são, certamente, estadunidenses.


Os EUA representam o principal sustentáculo do regime egípcio. Não é como na Tunísia, onde o principal apoio era da França. Os EUA são os principais culpados no Egito, junto com Israel e a Arábia Saudita. Foram estes países que prestaram apoio ao regime de Mubarak. De fato, os israelenses estavam furiosos porque Obama não sustentou mais firmemente seu amigo Mubarak.


Democracy Now: O que significam todas essas revoltas no mundo árabe?

Noam Chomsky: Este é o levante regional mais surpreendente do qual tenho memória. Às vezes fazem comparações com o que ocorreu no leste europeu, mas não é comparável. Ninguém sabe quais serão as consequências desses levantes.


Os problemas pelos quais os manifestantes protestam vem de longa data e não serão resolvidos facilmente. Há uma grande pobreza, repressão, falta de democracia e também de desenvolvimento. O Egito e outros países da região recém passaram pelo período neoliberal, que trouxe crescimento nos papéis junto com as consequências habituais: uma alta concentração da riqueza e dos privilégios, um empobrecimento e uma paralisia da maioria da população. E isso não se muda facilmente.


Democracy Now: Você crê que há alguma relação direta entre esses levantes e os vazamentos de Wikileaks?

Noam Chomsky: Na verdade, a questão é que Wikileaks não nos disse nada novo. Nos deu a confirmação para nossas razoáveis conjecturas.


Democracy Now: O que acontecerá com a Jordânia?

Noam Chomsky: Na Jordânia, recém mudaram o primeiro ministro. Ele foi substituído por um ex-general que parece ser moderadamente popular, ou ao menos não é tão odiado pela população. Mas essencialmente não mudou nada.


Fonte: Carta Maior

Tradução: Katarina Peixoto
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Emir Sader: O novo quadro no Oriente Médio - Emir Sader

Mundo

Vermelho - 12 de Fevereiro de 2011 - 18h37

Por duas fortes razões o Oriente Médio tornou-se um pilar da política externa do império norteamericano: a necessidade estratégica do abastecimento de petróleo seguro e barato para os EUA, a Europa e o Japão, e a proteção a Israel – aliado fundamental dos EUA na região, cercado por países árabes.

por Emir Sader, em seu blog

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Por isso o surgimento do nacionalismo árabe tornou-se um dos fantasmas mais assustadores para os EUA no mundo. Por um lado, pela nacionalização do petróleo pelos governos nacionalistas, afetando diretamente os interesses das gigantes do petróleo – norteamericanas ou europeias –, pela ideologia nacionalista e antimperialista que propagam – de que o egípcio Gamal Abder Nasser foi o principal expoente – e pela reivindicação da questão palestina.

A história contemporânea do Médio Oriente tem assim na guerra árabe-israelense de 1967 sua referência mais importante. A união dos governos árabes permitiu a retomada da reivindicação do direito ao Estado Palestino, que foi respondida por Israel com a invasão de novos territórios – inclusive do Egito -, com o apoio militar direto dos EUA.

Novo conflito se deu em 1973, agora acompanhado da política da OPEP de elevação dos preços do petróleo. A partir daquele momento ou o Ocidente buscava superar sua dependência do petróleo ou trataria de dividir o mundo árabe. Triunfou esta segunda possibilidade, com a guerra Iraque-Irã, incentivada e armada pelos EUA, que golpeou dois países com governos nacionalistas, que se neutralizaram mutuamente, em um enfrentamento sangrento. Como subproduto da guerra, o Iraque se sentiu autorizado a invadir o Kuwait – com anuência tácita dos EUA -, o que foi tomado como pretexto para a invasão do Iraque e o assentamento definitivo de tropas norte-americanas no centro mesmo da região mais rica em petróleo no mundo.

Os EUA conseguiram dividir o mundo árabe tendo, por um lado os regimes mais reacionários – encabeçados pelas monarquias, a começar pela Arabia Saudita, detentora da maior reserva de petróleo do mundo, e por outro governos moderados, como o Egito e a Jordânia. A maior conquista norteamericana foi a cooptação de Anuar el Sadar, o sucessor de Nasser, que supreendentemente normalizou relações com Israel – o primeiro regime da região a fazê-lo -, abrindo caminho para a criação de um bloco moderado, pró-norteamericano na região, que se caracteriza pela retomada de relações com Israel – portanto o reconhecimento do Estado de Israel – e praticamente o abandono da questão palestina. Passaram a atuar também dento da OPEP, como força moderadora, favorável aos interesses das potências ocidentais.

O Egito, como país de maior população da região, com grande produção de petróleo e país daquele que havia sido o maior líder nacionalista de toda a região – Nasser – passou a ser o peão fundamental no plano político dos EUA na região. Não por acaso o Egito tornou-se o segundo país em auxilio militar dos EUA no mundo, depois de Israel e à frente da Colômbia.

Essa neutralização do mundo árabe, pela cooptação de governos e pela presença militar dos EUA no coração da região – atualizada com a invasão do Iraque – constituiu-se em elemento essencial da politica norteamericana no mundo e da garantia de abastecimento de petróleo para complementar a declinante produção dos EUA e todo o petróleo para abastecer a Europa e o Japão.

É isso que está em jogo agora, depois da queda das ditaduras na Tunísia e no Egito. Impotente para agir de forma direta no plano militar, os EUA tentam articular transições que mudem a forma de dominação, mas mantenham sua essência. O Exército preferiu a renúncia de Mubarak, porque se deu conta que sua presença unia a oposição. Tem esperança que, sem ele, possa cooptar setores opositores para uma coalização moderada – com El Baradei, a Irmandade Mulçumana, com o apoio dos EUA e da Europa – que possa fazer reformas constitucionais, mas controlar o processo sucessório nas eleições de setembro, conseguindo desmobilizar o movimento popular antes que este consigar forjar novas lideranças.

Indepentemente de que possa se estender a outros países da região – de que a Argélia, a Jordânia, o Marrocos, a Arábia Saudita, são candidatos fortes – a queda das ditaduras na Tunísia e no Egito demonstra que os EUA já não poderão manter o esquema de poder montado há mais de três décadas. O menos que se pode esperar é a instabilidade política na região, até que outras coalizões de poder possam se organizar, cujo caráter dará a tônica do novo período em que entra o Oriente Médio.


  • Não se iludam!

    13/02/2011 14h31
    Não vimos nestas manifestações nenhuma demonstração pública contra o imperialismo (EUA). Nenhuma bandeira ianque foi queimada em praça pública ou qualquer boneco do Tio Sam foi marretado por jovens. O que se viu foi milhões nas ruas para derrubar um governo e, imediatamente, o Exército (sempre ele hem!) tomar conta da "baderna". Não vejo com otimismo o que tá acontecendo no Egito (que é um país africano e não do Oriente Médio). Trocou-se 6 por meia dúzia e dificilmente os EUA perderão espaço ali. Hoje já não existe uma potência de contra-ponto, como na época da URSS. A esquerda nesses países não ditam mais nada, são meros coadjuvantes de uma peça com o fim quase certo: fica-se tudo como tá. É muita ilusão que essesfatos farão o mundo mudar. Muita calma nessa hora!!!
    Clóvis Manfrini
    Garanhuns - PE
  • O petróleo como estopim.

    13/02/2011 13h10 A região como sempre um barril de pólvora,onde o estopim é o petróleo.O EUA para manter seus interesses na região usa e abusa da diplomacia da dependência europeu-japonesa e para piorar a rivalidade entre esses povos.Porém o cenário está em mudança quando os interesses regionais começam a ser prioridades,a ser explicado pelo massacre da exploração do capital e sua necessidade expansiva,tornando a miséria sem precedentes.A consciência despertada pelas riquezas exportadas e,não respondida no cotidiano é câmara fechada para essa reação.O problema é que as elites conservadoras estarão sempre prontas a golpes no sentido da perpetuação,junto com o cooptação do capital externo.Que na maioria das vezes se dá uma explosão momentânea,logo em seguida o ciclo se repete.Conforme o texto.Fica a pergunta:Se esta explosão é momentânea ou não?Tomara que não,para que se possa romper a política imperialista das grandes potências do núcleo capitalista e, libertação dos povos com sua autodeterminição
    Haroldo
    Rio de janeiro - RJ
  • Esgotamento

    13/02/2011 10h38 A insuportabilidade de governos ditatoriais produzidos sob a tutela dos EUA, revelam tendência ao completo esgotamento. O interessante, é observar que o imperialismo não está conseguido apontar uma saída nem se quer de curto prazo. Isso é uma prova inconteste da perda de força e de influência dos EUA em matéria de política internacional.
    Helifax Pinto de Souza
    Cabreúva - SP
  • Mundo Árabe

    13/02/2011 10h32 Assalanu Aleikun Parabéns pelo texto claro. Bem, nós aprendemos como muçulmanos que não devemos nos curvar diante nenhum homem, diante nada. Somente a Allah (Deus). Sou otimista e a vida melhora. Lutar contra as forças opressivas é fundamental. Acredito que os movimentos serão levados a diante.
    Bruno Eliezer Melo Martins
    Poços de Caldas - MG
  • Parabens

    12/02/2011 22h22
    Parabens a Emir Sader, texto limpo, com cortes precisos, visando clareza no entendimento de fatos com datas distintas
    Carlos S M Carvalho
    SL - MA
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