A Internacional

__ dementesim . . Do rio que tudo arrasta se diz que é violento Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem. . _____ . Quem luta pelo comunismo Deve saber lutar e não lutar, Dizer a verdade e não dizer a verdade, Prestar serviços e recusar serviços, Ter fé e não ter fé, Expor-se ao perigo e evitá-lo, Ser reconhecido e não ser reconhecido. Quem luta pelo comunismo . . Só tem uma verdade: A de lutar pelo comunismo. . . Bertold Brecht
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quinta-feira, julho 16, 2009

'O que acontece em Xinjiang?'



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Lembram-se do que acontecia nos anos da guerra fria e, sobretudo, na sua fase final? A imprensa ocidental nunca se cansava de noticiar o tema dos fugitivos da ditadura comunista em busca da conquista da liberdade. Na segunda metade da década de 1970, depois da derrota que sofreram o governo fantoche de Saigon e as forças de ocupação estadunidenses, o Vietnã finalmente reunificado era pintado como uma enorme prisão, da qual fugia o boat people desesperado, junto com sua fortuna e arriscando a vida. E com as variações de caso a caso, esse tema era repetido a propósito de Cuba, da República Democrática Alemã e de qualquer outro país excomungado pelo “mundo livre”.

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Por Domenico Losurdo*

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Hoje, todos podem ver que das regiões orientais da Alemanha, da Polônia, Romênia, Albânia etc., apesar da 'liberdade' finalmente conquistada, o fluxo migratório para o Ocidente continua e até se acentua.

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Só que esses migrantes não são mais recebidos como combatentes pela causa da liberdade, mas são muitas vezes rejeitados como delinquentes, pelo menos potenciais. As modalidades da grande manipulação agora se tornaram claras e evidentes: a fuga do sul para o norte do planeta, da área menos desenvolvida (em cujo âmbito era colocado também o “campo socialista”) para a área mais desenvolvida e mais rica, esse processo econômico foi transfigurado pelos ideólogos da Guerra Fria como uma empresa política e moral épica, exclusivamente inspirada pelo sublime desejo de chegar à terra prometida, ou seja, o “mundo livre”.

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Uma manipulação análoga está ocorrendo debaixo de nossos olhos, na China. Como explicar os graves incidentes que se verificaram em março de 2008 no Tibete e que, em escala mais ampla, nesses dias, estão se espalhando pelo Xinjiang? No Ocidente, a “grande” imprensa de “informação”, mas também a “pequena” imprensa de “esquerda” não têm dúvidas: tudo se explica com a política liberticida do governo de Pequim.

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No entanto, deveria fazer refletir o fato de que, mais do que instituições estatais, a fúria dos manifestantes tem como alvo a etnia han e, sobretudo, os negócios dos han.

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Em qualquer livro de história se pode ler que, no Sudeste asiático (Indonésia, Tailândia, Malásia) a minoria chinesa, que muitas vezes graças também à cultura empreendedora que tem por trás, tem um peso econômico nitidamente superior à sua dimensão demográfica, é regularmente “o bode expiatório e a vítima de verdadeiros progrom”.

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Sim, no Sudeste asiático “o êxito econômico dos Hua quiao [os chineses de ultramar] é acompanhado de ciúmes que desembocam regularmente em explosões de violência antichinesa, que às vezes acabam perturbando as relações diplomáticas. Foi, em particular, o caso da Malásia durante a década de 1960, da Indonésia em 1965, quando as desordens internas foram o pretexto para o massacre de diversas centenas de milhares de pessoas. Trinta anos mais tarde, as revoltas que caracterizaram na Indonésia a queda do ditador Suharto e que golpearam sistematicamente a comunidade chinesa, chamaram de novo a atenção para a fragilidade da situação”.

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Não por acaso, o ódio antichinês foi muitas vezes comparado ao ódio antijudeu. Com o extraordinário desenvolvimento que estão conhecendo o Tibete e o Xinjiang, também nestas regiões tendem a se reproduzir os progrom contra os han, que são atraídos pelas novas oportunidades econômicas e que frequentemente veem os seus esforços coroados de sucesso.

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O Tibete e o Xinjiang atraem os han do mesmo modo que Pequim, Xangai e as cidades mais avançadas da China atraem os empresários e os técnicos ocidentais (ou chineses de ultramar), que muitas vezes desempenham um papel importante em setores onde podem ainda fazer valer a sua especialização superior.

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Não tem sentido explicar os graves incidentes no Tibete e no Xinjiang com a teoria da “invasão” han, uma teoria que certamente não funciona para o Sudeste asiático. Por outro lado, também na Itália e no Ocidente, a luta contra a “invasão” é o cavalo de batalha dos xenófobos.

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Mas nos concentremos no Xinjiang. Em 1999, a situação vigente nessa região foi descrita pelo general italiano Fábio Mini na revista “Limes” da seguinte maneira: está em curso um extraordinário desenvolvimento, e o governo central chinês está comprometido em “financiar, com retorno quase zero, imensas obras de infraestrutura”. Pelo que parece, o desenvolvimento econômico anda junto com o respeito pela autonomia: “A polícia local é composta em sua grande maioria de uigures”. Apesar disso, não falta a agitação separatista, “parcialmente financiada por extremistas islâmicos, como os talibãs afegãos”. Trata-se de um movimento que “se mistura com a delinquência comum” e que está manchada de "terror". Os atentados parecem visar em primeiro lugar os “uigures tolerantes ou ‘colaboracionistas’” ou os “postos policiais”, controlados, como vimos, pelos uigures.

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Em todo caso – concluía o general, que não escondia as suas simpatias geopolíticas pelos separatistas – “se os habitantes do Xinjiang fossem chamados hoje a um referendo sobre a independência, provavelmente votariam em maioria contra”. E hoje?

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Na “Stampa”, Francisco Sisci relata de Pequim que “muitos han de Urumqi se lamentam pelos privilégios de que gozam os uigures. Estes, de fato, como minoria nacional muçulmana, têm condições de trabalho e de vida muito melhores do que seus colegas han. Um uigur no trabalho tem a permissão de parar mais vezes durante a jornada para cumprir com as cinco orações muçulmanas tradicionais do dia [...] Além disso, podem não trabalhar nas sextas-feiras, dia santo para os muçulmanos. Em teoria, deveriam compensar no domingo. Na verdade, nos domingos as delegacias estão desertas [...] Outro ponto crítico para os han, submetidos à dura política de controle familiar que ainda impõe o filho único, o fato é que os uigures podem ter dois ou três filhos. Como muçulmanos, portanto, têm salário maior, em virtude de que, não podendo comer carne de porco, devem comprar carne de ovelha, que é mais cara”.

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Não tem sentido portanto, como faz a propaganda filo-imperialista, acusar o governo de Pequim de querer apagar a identidade nacional e religiosa dos uigures.

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Naturalmente, junto com o perigo representado pelas minorias, por um lado, envenenadas, em certos setores, pelo fundamentalismo e, por outro lado, incitadas pelo Ocidente, é preciso ter presente o perigo do chauvinismo han, que também nesses dias se faz sentir; e é um problema para o qual o Partido Comunista Chinês sempre chamou a atenção, desde Mao Tse-dung até Ju Jintao.

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Os que, à esquerda, sintam-se tentados a transfigurar o separatismo dos uigures, fariam bem em ler a entrevista publicada, algumas semanas antes dos últimos acontecimentos, por Rebiya Kadeer, a líder do movimento separatista uigur. Do seu exílio estadunidense, falando com uma jornalista italiana, a referida senhora assim se exprime: “Veja, você gesticula como eu, tem a mesma pele branca; você é indoeuropeia, gostaria de ser oprimida por um comunista de pele amarela?”

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Como se vê, o argumento decisivo não é condenar a “invasão” han, nem sequer o anticomunismo. É preciso condenar, isso sim, a mitologia ariana ou “indoeuropeia” – que se manifesta no discurso dos separatistas uigur que repudiam os bárbaros de “pele amarela”.
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* O original, em italiano, está em http://domenicolosurdoblogxingjiang.blogspot.com/2009/07/che-succede-nello-xinjiang.html. Em português, em Editora Revan: http://www.revan.com.br/ang.htm.

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Tradução de Jaime Clasen.

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Blog Vi o Mundo
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in Vermelho - 15 DE JULHO DE 2009 - 19h13
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sábado, julho 11, 2009

Depoimento: 'Foi um massacre, não um protesto em Urumqi'

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O artigo que reproduzimos abaixo é uma carta enviada ao jornal chinês Global Times na quarta-feira (8), por Karmia Chan Cao, que nasceu em Urumqi e perdeu quatro parentes na baderna que acometeu a capital da Região Autônoma do Xinjiang, em 5 de julho.



Vítimas do massacre são atendidas
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Sou estudante da Stanford University, nascida e criada em Urumqi como uma Han chinesa. Atualmente resido em Pequim. Em 5 de julho, baderneiros uigures, próximos ao mercado de Erdaoquiao, assassinaram quatro membros da minha família. Duas amigas minhas, de infância, foram curradas dentro das lojas que dirigiam na avenida Tuanjie.

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Um dos meus primos, uma criança, foi atirada do quinto andar de um prédio comercial por dois homens. Eles também esfaquearam minha tia, mãe de meu primo, que está agora lutando pela vida na UTI do Hospital de Mulheres e Crianças de Urumqi. É por essas vítimas que escrevo, contra aqueles que estão tentando destilar sentimentos anti-comunistas e anti-chineses pela atual situação.

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Isso foi um massacre, não uma ''demonstração pacífica'' que o Congresso Mundial Uigur alega ter sido. Foi um ato brutal de limpeza étnica conduzido por fundamentalistas islâmicos uigures contra cidadãos Han.

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A situação envolveu quatro grupos distintos e independentes: os extremistas uigures; a vasta maioria de uigures simples que não tomaram parte na baderna; os Han e o governo. O governo agiu e cercou a cidade na manhã de segunda-feira, para evitar que uigures ou hans viessem até Urumqi e aumentassem ainda mais a violência entre os dois grupos. O sistema de comunicações foi desligado por razões de segurança nacional e regional, não por uma demonstração vergonhosa de poder.

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Se esses mesmos baderneiros estivessem ''se manifestando'' com ataques indiscriminados nas ruas de cidades do Reino Unido ou dos Estados Unidos, esse acontecimento seria chamado como o que de fato foi: um ataque terrorista. Dezenas de testemunhas com as quais tive contato disseram que não viram manifestantes nem sinais pacíficos.

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''Havia milhares de uigures brandindo facas. Eles começaram a gritar e urrar de repente, descendo rumo à região do Grande Bazar na avenida Erdaoqiao, e também desceram por outras duas ruas que levam até lá, atacando todos os pedestres da etnia Han que não conseguiram se esconder a tempo'', disse Meng Yuanli, um operário aposentado que estava voltando de bicicleta para casa e passava diante do mercado de camponeses.

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''A maioria deles era de adolescentes; alguns deles ainda tinham a voz esganiçada da puberdade. Eu não consegui correr a tempo e um jovem acabou me tirando da bicicleta com um chute. Em seguida atingiu meu rosto com um tijolo por três vezes'', disse Meng, contando também que sua mãe, de 82 anos, foi surrada até entrar em coma no momento que levava o lixo de casa para a rua.

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A senhora Hai, da Mongólia Interior, disse que ''eles primeiro bateram nas pessoas, depois saquearam as lojas, daí um outro grupo começou a incendiar os automóveis. Minhas crianças e eu nos escondemos sob a cama, atrás da máquina registradora, quando alguns deles abriram as portas, levaram as bebidas e cigarros e, ao nos descobrirem, cortaram minha mão direita e quebraram uma garrafa na cabeça de minha filha mais nova. Não tivemos coragem de tentar sair para pedir ajuda ou ir ao hospital, com medo de sermos mortos''.

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A vizinha dela, Liu, também foi atacada, ficou cega permanentemente e sua loja foi incendiada. ''Perdi oito anos de trabalho duro'', chorava Liu. ''Perdi tudo que eu tinha e eles também acabaram com minha visão. Eles gritavam 'matem todos os Han', e eu não fiz nada a eles''.

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Nem tampouco uma amiga minha de 16 anos, que foi atacada dentro da linha de ônibus 901, depois de sair da escola após ter feito sua última prova.

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Seu pai, Zhou, contou a mim, chorando, que o rosto dela foi tão machucado que ela ficará desfrigurada para o resto da vida. ''Quatro camadas de pele transplantada não conseguirão devolver a felicidade à minha menininha de novo'', chorava.

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Poucos dos jornalistas que escreveram artigos para a mídia ocidental estão informados sobre o que aconteceu de fato nesta violência toda. A mídia ocidental geralmente só se preocupa em fazer artigos sobre a opressão do governo contra as minorias na China.

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Ignorantes do 'zeitgeist' social e da história cultural da região, e com uma atmosfera de sentimento anti-muçulmano e anti-chinês no Ocidente, repórteres, como Edward Wong, do The New York Times, escolheram fazer o mais fácil, que é atacar mais uma vez o governo chinês.

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Eles reproduzem com aspas as frases da ''Organização Uigur-Japonesa'' e de grupos similares, ao invés de conversar diretamente com as vítimas para descobrir a verdade. Este não foi um protesto político, mas sim uma violência em massa, propelida pelo fundamentalismo e pelo racismo contra a etnia Han.

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Entretanto, esses baderneiros não representam, de modo algum, o conjunto da população uigur. A maioria dos baderneiros era adolescente, crianças que são facilmente convertidas em títeres por grupos fundamentalistas baseados em Turpan.

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O senhor Meng se escondeu na casa de um amigo uigur, dois quarteirões do lugar onde foi atacado. ''Uti Kuar, horrorizado, pedia desculpas repetidamente, enquanto via as atrocidades a partir de sua janela. Ele recebeu mensagens de outros amigos uigures para não sair à rua após o jantar. Mas ele não fazia idéia do que estava para acontecer. Caso soubesse, teria advertido a gente'', conta.

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''Nem todos os uigures participaram disso. Apenas os extremistas. Eu espero que o governo possa agir rapidamente, antes que isso se transforme em uma guerra racial. Eu perderia meu amigo'', completa Meng.

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No momento que escrevo, na tarde de 7 de julho, seu medo começa a se transformar em realidade. Milhares de Han agora tomam as ruas, com os olhos repletos de ira por causa das mortes. Se o governo não reagir e reprimir com dureza todas as ações violentas, então haverá mais banhos de sangue no Xinjiang, pelo tempo que a memória dos massacres perdurar.

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Se tal baderna não foi terrorismo, então eu não sei mais o que foi. E peço que, em nome dos povos Uigur e Han, que foram ignorados pelo Ocidente, que olhem mais de perto a verdade que se passou no Xinjiang.

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Fonte: Global Times (http://www.globaltimes.cn/)

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in Vermelho - 10 DE JULHO DE 2009 - 17h26

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sexta-feira, julho 10, 2009

China: Algumas mesquitas abrem por pressão dos fiéis






Algumas mesquitas da conturbada cidade de Urumqi, capital da região chinesa do Xinjiang, abriram esta sexta-feira, apesar do anúncio anterior de que estariam encerradas na sequência dos tumultos interétnicos que causaram pelo menos 156 mortos no domingo passado.
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Desconhece-se para já se a abertura dos templos se deveu a uma mudança de política ou à pressão das multidões concentradas no exterior, sendo que as orações de sexta-feira à tarde são de grande relevância para a minoria muçulmana uigur local.

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Cerca de 100 homens juntaram-se à porta da Mesquita Branca, um dos mais populares locais de culto do grande bairro uigur de Er Dao Qiao, exigindo a sua abertura aos fiéis.

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Diário Digital / Lusa - sexta-feira, 10 de Julho de 2009 | 08:48
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Xinjiang: dissidente mostra foto falsa de distúrbios



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Rebiya Kadeer, famigerada dissidente uigur que vive no exílio nos Estados Unidos e que supostamente está por trás dos incidentes na região de Xinjiang, em 5 de julho, usou uma fotografia antiga, de outro incidente na China, ao falar sobre os incidentes na região, tentando esclarecer que ela e sua organização não eram responsáveis pelo incidente em Xinjiang.

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Por Liu Chang, para o Global Times

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Em um vídeo publicado no Youtube, Kadeer aparece em uma entrevista realizada pela rede catariana al-Jazira. Ela segurava um poster de uma foto que exibia policiais chineses em linha nas ruas, para ilustrar como as forças de segurança chinesas tratam os ''pacíficos manifestantes de Urumqi''. ''Meu povo está cercado por soldados do exército chinês. Como eles poderiam iniciar um ataque?'', pergunta Kadeer.

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Porém, descobriu-se que a fotografia que ela usou foi tirada em outro incidente, um protesto realizado na cidade de Shishou, na província de Hubei, área central da China e que está há milhares de quilômetros de Xinjiang. A foto foi publicada pela primeira vez no site do semanário Nanfang Weekly’s em 26 de junho, ilustrando uma reportagem intitulada ''Luta por corpos em Shishou''.

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No vídeo (clique aqui para ver as imagens), quando a correspondente em Kuala Lumpur da al-Jazira apresenta imagens de uma moça da etnia han sendo atacada em uma das ruas de Urumqi e pergunta a Kadeer o que ela sentia ao ver aquelas imagens, ela responde ''meu povo está protestando de forma pácífica. Suas ações são ações pacíficas''.

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A notícia da foto falsa se espalhou rapidamente pela Internet da China, provocando indignação. Um usuário comentou que Kadeer ''é uma louca ridícula que falsifica fotografias'', e esse ato é ''não somente uma piada em relação à 'máscara' de pacífista, mas também uma humilhação ao QI da comunidade internacional''.

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Fonte: Global Times (http://www.globaltimes.cn/)

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in Vermelho - 9 DE JULHO DE 2009 - 16h49

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Problemas no Xinjiang fazem Hu Jintao deixar reunião do G8




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O presidente da China, Hu Jintao, deixou nesta quarta-feira (8) a reunião do G8 na Itália, retornando às pressas para Pequim por causa da cada vez maior tensão étnica separatista na região de Xinjiang, que provocou até o momento 156 mortes.


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A agência Xinhua disse que Hu, que estava em uma visita de estado na Itália para participar da reunião do grupo dos oito países mais ricos, que teve início nesta quarta-feira, teve de cortar a viagem, devido ''à situação'' em Xinjiang.

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O conselheiro do Estado, Dai Bingguo, estará presente à reunião do G8, representando Hu.

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Seu retorno apressado coincide com a elevação da tensão étnica na cidade de Urumqi, a capital da região. Victor Gao, diretor da Associação Nacional de Estudos Internacionais da China, disse que o returno de Hu é ''bastante extraordinário''.

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''Sem precedentes''

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''Por causa da escala sem precedentes e a severidade da situação em Xinjiang'', disse Gao à agência catariana de notícias al-Jazira, Hu teve de tomar ''a medida inédita de deixar a reunião do G8 antes de seu início, retornando à China para exercer sua liderança no papel de acalmar a situação em Xinjiang''.

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A rede al-Jazira relata que a situação em Urumqi é de nova elevação da tensão, após uma manhã de quarta-feira com calma, depois do toque de recolher dado na terça-feira à noite.

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Chineses da etnia Han tomaram as ruas, armados de porretes e tentando ocupar os bairros da etnia Uigur, que se espalham ao redor da capital regional, a despeito da polícia de Choque ter bloqueado as ruas principais com veículos blindados e patrulhar as ruas com centenas de policiais.

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Na terça-feira, milhares de Han foram às ruas da cidade procurando vingar-se do ataque realizado pelos uigures, que provocaram centenas de mortes em ataques no fim da segunda-feira (6) a membros da etnia Han.

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Grupos de uigures também tomaram as ruas e as forças do governo dispararam contra eles gás lacrimogêneo, além de impor um toque de recolher na tentativa de manter o controle da cidade.

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''Justo e efetivo''

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De acordo com autoridades da China, pelo menos 156 pessoas de ambas as etinias foram mortas nos conflitos de domingo, que se iniciaram durante um violento protesto de rua conduzido por uigures.

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O conflito foi um dos mais mortais do país em várias décadas. Os uigures foram às ruas alegando protestar contra a suposta morte de dois trabalhadores da etinia em uma fábrica de brinquedos.

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A polícia chinesa revelou que prendeu mais de 1.400 pessoas durante a ação, que Wang Lequan, chefe do Partido Comunista da região de Xinjiang, alertou como uma ''luta contra o separatismo, que está longe de terminar''.

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Opinando sobre a forma como o governo age nesta crise, Victor Gao, que trabalhou como tradutor para o falecido líder chinês Deng Xiaoping, disse que o governo precisa ser ''muito justo e efetivo'' no tratamento da situação.

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''É muito fácil traçar uma linha entre os grupos étnicos, entretanto, isso é uma tentação à qual precisamos resistir'', afirmou isso.

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''Acredito que é melhor focar nas atividades criminais, sem considerar a qual grupo étnico pertencem, não importa se são chineses da etnia uigur ou han'', considera.

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Grande vergonha

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Perguntado se Pequim deveria reconsiderar sua política de migração para o Oeste em relação à etnia han, Gao diz que a China ''não deve desviar da situação geral, apesar do que está acontecendo em Urumqi neste momento''.

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''É um incidente grave, uma grande vergonha para nós, chineses, mas eu acho que precisamos continuar porque sem a estabilidade, está fora de questão a melhoria nas condições de vida da população de Xinjiang, inclusive uigures''.

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Segundo o governo da região, a briga na fábrica foi utilizada como ''desculpa'' para justificar os enfrentamentos em Urumqi.

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Pequim responsabiliza os exilados separatistas uigures pela sublevação, apontando contra Rebiya Kadeer, uma empresária uigur nos Estados Unidos, que antes de exilar-se nos EUA esteve presa por vários anos, acusada de sedição. Ela é chefe, hoje, do Congresso Mundial Uigur, uma organização separatista que promove o terror na região, de acordo com o governo local.

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Naturalmente, Kadeer, de 62 anos, rejeita as acusações, a partir de sua base em Washington. Presa em 1999, foi colocada em liberdade após pagar uma fiança, em 17 de março de 2005, para realizar tratamento médico nos Estados Unidos.

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Ela alega que o conflito “foi iniciado” pela polícia chinesa, que teria “investido” contra o ''pacífico'' protesto, convocado após a suposta morte de dois trabalhadores uiugures de uma fábrica de brinquedos, supostamente mortos por membros da etnia han.

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No entanto, os conflitos iniciados no domingo passado em Urumqi, ''não foram um protesto pacífico, mas sim assassinatos, incêndios e saques'', afirmou na terça-feira o porta-voz do Ministério de Relações Exteriores da China, Qin Gang.

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''Qualquer pessoa que se refira a esses atos violentos como um protesto pacífico está alterando a verdade, com o propósito de enganar o público'', assinalou Qin em uma entrevista coletiva em Pequim.

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''Esses atos violentos foram um crime premeditado e organizado, instigado e dirigido a partir do estrangeiro e realizado por foragidos da justiça no país'', explicou Qin, que assegurou que as provas são irrefutáveis e decisivas.

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Com informações da Xinhua, Diário do Povo Online e al-Jazira

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in Vermelho - 8 DE JULHO DE 2009 - 17h12

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