"e como que a experiência é a madre das cousas, por ela soubemos radicalmente a verdade" (Duarte Pacheco Pereira)
A Internacional
terça-feira, agosto 31, 2010
Pakistan’s floods, partition and imperialist oppression
quinta-feira, julho 29, 2010
Alejandro Nadal: O crescimento predador na Índia
Economia
A economia da Índia mantém elevadas taxas de crescimento desde há vários anos e para muitos é um exemplo a seguir. Afirma-se inclusive que a experiência do subcontinente é mostra de que o neoliberalismo pode de fato funcionar. A realidade é outra. A evolução da economia indiana é um processo patológico que se nutre da desigualdade social e da destruição ambiental.
Por Alejandro Nadal, no Informação Alternativa
A crise mundial da dívida nos anos 80 submeteu a Índia aos ditames do Fundo Monetário Internacional e nos anos 90 foram impostas as reformas de corte neoliberal, o que representou uma viragem radical na política econômica. Nos últimos 10 anos, a Índia teve em média uma taxa de crescimento anual de 6,8 por cento. A imprensa internacional apresentou isto como um milagre econômico.
Nestes anos, a desigualdade e a pobreza na Índia pioraram. Hoje, 42 por cento da população total desse país (1,173 bilhão) vive com menos de um dólar diário. 75 por cento da população vive com dois dólares diários e o modelo econômico não vai reverter esta estrutura tão desigual.
Apesar das taxas de crescimento de 6 a 7 por cento, o aumento no emprego formal na Índia é raquítico e não passa de 1 por cento ao ano. Por certo, isso significa que a expansão econômica apoia-se em aumentos de produtividade muito significativos. Isso relaciona-se com a estratégia de orientar o investimento para as exportações, o que requer abater ao máximo os custos salariais para poder competir. Por isso, a “racionalização” das cadeias de produção é acompanhada de fortes cortes no emprego.
Apesar do “milagre” nas taxas de crescimento, a Índia mantém um déficit crônico nas suas contas externas e precisa financiá-lo. Para isso, optou por receber fluxos de capital, tanto em investimento estrangeiro direto, como em investimentos em carteira (capitais de curto prazo). Mas isto acarreta um enorme custo: a política macro-econômica deve respeitar regras do jogo, que não têm nada a ver com as necessidades da população indiana.
A política monetária é dominada pela necessidade de atrair capitais para o espaço econômico indiano. Isso implica manter altas taxas de juro. Além disso, só os privilegiados têm acesso ao crédito; tudo isto imprime um viés regressivo na distribuição da riqueza ao ser privilegiada a carteira de ativos dos estratos mais ricos e aprofundada a desigualdade. Mas isso é irrelevante: o que importa é manter o fluxo de capitais que permite financiar o déficit externo.
Tudo isto explica que a Índia tenha hoje as reservas mais elevadas da sua história (230 bilhões de dólares). Nisto parece-se com a China, mas a diferença é que aquele país tem um enorme superávit na sua balança comercial, enquanto a Índia sofre um déficit crônico. As reservas da Índia não o são propriamente, são um recurso que em qualquer momento pode evaporar-se.
A política fiscal rege-se pelo dogma do orçamento equilibrado e, como não há que incomodar os donos do capital para não afetar os investimentos, o equilíbrio fiscal consegue-se cortando o gasto social e reduzindo a quantidade de recursos para a conservação ambiental.
A abertura ao investimento estrangeiro passa pela entrega de concessões nas indústrias extrativas, florestal e turística. Isto desemboca no despojo de terras nas quais se encontram as jazidas (ferro em Chhattisgarh, bauxita em Orissa, etc.) ou cobertas com densos bosques que representam uma riqueza comercial de fácil acesso. Muitas dessas terras são o lar de povos originários ou adivasi (termo derivado do sânscrito que significa primeiros habitantes do bosque). Os adivasi são menos de 8 por cento da população da Índia, mas constituem 40 por cento da população despojada de vales, cerros e bacias de rios. A entrega das suas terras a megacorporações nas indústrias extrativas e turísticas é um dos traços mais violentos do milagre neoliberal na Índia.
O economista Amit Bhaduri, professor emérito da Universidade Jawaharlal Nehru em Nova Deli, qualificou este processo como crescimento predador. Há que clarificar que não se trata de uma metáfora. É efetivamente um complexo processo econômico e político no qual os perdedores entregam a sua forma de vida a um crescimento que privilegia uns poucos e não pode elevar o nível de vida da maioria da população.
O paralelismo com o México é extraordinário. Realmente, a única coisa diferente são as taxas de crescimento. O resto é idêntico. O mesmo modelo, a mesma injustiça.
Alejandro Nadal é economista e professor pesquisador do Centro de Estudos Econômicos do Colegio de México. Artigo originalmente publicado no diário mexicano La jornada.
quinta-feira, abril 22, 2010
Índia: Manifestação contra subida de preços
Iniciativa organizada pelo maior partido da oposição
P.M.C
quarta-feira, janeiro 20, 2010
Índia: aumento do PIB pode superar os 7% este ano
Vermelho - 27 de Dezembro de 2009 - 13h15
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O primeiro-ministro da Índia, Manmohan Singh, disse hoje que o Produto Interno Bruto (PIB) do país pode crescer acima de 7% no atual ano fiscal e assegurou que as reformas econômicas não tiveram um impacto negativo nas camadas mais pobres da população, mas reconheceu que ainda há muito a fazer.
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"O momento (de crescimento) foi interrompido pela crise econômica global e caímos para um (aumento de) 6,7% no ano 2008-2009. Poderíamos conseguir 7% ou um pouco mais em 2009-2010", disse.
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O chefe do Governo se referiu também ao impacto das medidas sobre as classes mais desfavorecidas e disse que há "argumentos de que as reformas afetaram de os pobres de forma adversa, tornando os ricos mais ricos e os pobres mais pobres".
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No entanto, assegurou que os "fatos estão bastante claros. A porcentagem (de pessoas) abaixo do nível de pobreza não subiu" e acrescentou que as medidas empreendidas contribuíram para isso.
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O primeiro-ministro reconheceu que a diminuição do nível de pobreza foi insuficiente nos últimos anos e acrescentou que "muito mais" deve ser feito e que a "diminuição deveria ser muito mais rápida".
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Fonte: Efe
domingo, novembro 15, 2009
WSWS - News 2009.11.14
domingo, maio 24, 2009
Índia: economia e pobreza desafiam o governo recém eleito
Em um salão adornado com pinturas de batalha, um economista despretensioso chamado Manmohan Singh foi empossado na noite de sexta-feira (22) como primeiro-ministro da Índia para um segundo mandato de cinco anos. Sua batalha promete ser dobrada: como restaurar as altas taxas de crescimento econômico em um momento de recessão mundial e como promover serviços públicos eficazes que atendam às legiões de pobres da Índia.
Por Somini Sengupta, para o The New York Times
O partido de Singh, o Congresso Nacional Indiano, obteve uma vitória surpreendentemente decisiva na eleição concluída na semana passada, desafiando os temores de uma coalizão rachada de governo e oferecendo esperanças de um governo estável, em um momento em que a Índia enfrenta duros desafios internos e externos. O partido conquistou 206 das 543 cadeiras no Parlamento, e, com seus parceiros da coalizão, forma uma maioria confortável.
Shashi Tharoor, um ex-funcionário da ONU e membro do partido pela primeira vez eleito ao Parlamento pelo Estado sulista de Kerala, invocou o símbolo do partido -a palma de uma mão, erguida como se para dar uma bênção, ou sinalizando para parar um carro- para descrever o desafio delicado do governo liderado pelo Congresso Nacional Indiano.
"Ele precisa evitar o uso de mão pesada no nível macroeconômico, desacelerando o motor da economia", disse Tharoor. "Mas precisa ajudar os pobres, que são a maioria. Ele precisa oferecer serviços básicos como alimentos, saúde, água, estradas." Três entre quatro indianos vivem com menos de US$ 2 por dia, segundo o Banco Mundial.
Os líderes do partido Congresso fizeram campanha explorando seu retrospecto de gastos pesados em bem-estar social rural, incluindo um caro cancelamento de dívidas de produtores rurais endividados e um programa de empregos para os pobres no interior. Eles prometeram fazer mais neste mandato, apesar do inchaço do déficit fiscal.
Mas a obtenção de resultados é algo que escapa dos governos indianos há muitos anos. Apesar dos aumentos nos gastos em educação, mais da metade de todos os indianos na quarta série não conseguem ler um texto da segunda série. A frequência dos professores paira em torno de 70% nas escolas rurais. A polícia notoriamente deixa de registrar casos, frequentemente exigindo propina. Estradas permanecem inacabadas, apesar dos fartos recursos destinados a elas.
O herdeiro aparente do partido Congresso, Rahul Gandhi -cujo pai, Rajiv, se queixou como primeiro-ministro há 20 anos de que apenas uma fração dos recursos antipobreza chegavam de fato às mãos dos pobres- disse recentemente que estes problemas apenas pioraram com o tempo.
Em outras palavras, apesar desta democracia dos pobres provar repetidamente ser vibrante, atraindo como desta vez próximo de 60% dos eleitores às urnas, seus governos eleitos democraticamente fizeram um péssimo trabalho em fornecer serviços públicos aos pobres.
Em um artigo de opinião no "The Indian Express" na sexta-feira, os economistas Abhijit Banerjee e Raghuram Rajan chamaram isso de "a mãe de todos os desafios". Eles pediram ao segundo governo Singh que encerre todos os programas de governo que não funcionam e nomeie ministros enérgicos para pastas importantes, como Educação e Saúde.
Uma segunda rodada de postos de Gabinete deverá ser anunciada na próxima semana, e a pergunta sobre quem ficará com qual ministério foi adiada para depois. Isso já arrastou Singh para sua primeira batalha política. Alguns postos no Gabinete são considerados lucrativos, e na sexta-feira ocorreu um colapso nas negociações das nomeações com os aliados cruciais do Estado sulista de Tamil Nadu. Seus líderes partiram de Nova Déli e não participaram à cerimônia de posse.
Líderes empresariais em casa e no exterior disseram esperar que o novo governo promova algumas reformas econômicas que ficaram estagnadas no primeiro mandato, quando o governo dependia de vários partidos comunistas para permanecer no poder.
Mas até que ponto mesmo este governo, não mais devedor dos comunistas, estará disposto ou será capaz de promover mais reformas econômicas permanece uma incógnita. Um primeiro vislumbre da agenda econômica do novo governo estará disponível quando ele apresentar seu orçamento, em julho.
"Nós temos que priorizar a recolocação da economia nos trilhos", disse Pranab Mukherjee, o ex-ministro das Relações Exteriores que, segundo muitos relatos, é o candidato favorito ao posto de ministro das Finanças.
A cerimônia de posse, realizada dentro do palácio presidencial de arenito vermelho na noite de sexta-feira, também promoveu a posse de 19 ministros, muitos deles rostos familiares do antigo governo, prometendo continuidade. Clarins abriram a cerimônia. Os vitoriosos apertaram as mãos dos derrotados.
Rahul Gandhi, membro da quarta geração da dinastia que lidera o partido Congresso desde a independência, ficou atrás do líder do partido de oposição Bharatiya Janata, Lal Krishna Advani. Gandhi até o momento recusou os convites para fazer parte do Gabinete. A mãe de Gandhi e presidente do partido Congresso, Sonia, disse aos repórteres que seu filho deseja desenvolver o partido.
O governo Singh toma posse em meio a um aumento das expectativas. Na política externa, legisladores indianos e analistas apontam para vários desafios imediatos, como o aumento do extremismo islâmico no Paquistão. Mas é nos assuntos domésticos que o governo enfrentará seu teste central, particularmente sobre se conseguirá oferecer os serviços públicos.
Estas eleições foram consideradas como uma rejeição às políticas de identidade. Vários líderes cuja força política vinha de sua casta ou histórico regional tiveram mal desempenho, enquanto alguns que desenvolveram sua reputação por coisas como construção de escolas e estradas foram recompensados pelos eleitores.
"Eu acho que teremos um governo diferente em termos de realização das coisas", disse Tarun Das, mentor chefe da Confederação da Indústria Indiana, uma entidade setorial, após a cerimônia. "A expectativa das pessoas está muito alta. A paciência é curta."
Fora do palácio presidencial, as necessidades da Índia se faziam imediatamente sentidas. Nas duas últimas semanas de calor causticante de verão, a capital tem sofrido repetidos cortes de fornecimento de energia elétrica.
Tradução: George El Khouri Andolfato
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