A Internacional

__ dementesim . . Do rio que tudo arrasta se diz que é violento Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem. . _____ . Quem luta pelo comunismo Deve saber lutar e não lutar, Dizer a verdade e não dizer a verdade, Prestar serviços e recusar serviços, Ter fé e não ter fé, Expor-se ao perigo e evitá-lo, Ser reconhecido e não ser reconhecido. Quem luta pelo comunismo . . Só tem uma verdade: A de lutar pelo comunismo. . . Bertold Brecht
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terça-feira, novembro 23, 2010

Precários temem perder emprego com adesão à greve

Medo: Mais de cinco mil funcionários não docentes em todo o país
João Sena Goulão/Lusa
Um grupo de anónimos colocou uma tarja no Castelo de São Jorge, Lisboa, na qual apela à participação de todos na greve geral de amanhã.
Mais de cinco mil trabalhadores precários da educação temem sofrer represálias caso adiram à greve geral de amanhã. Em causa estão os auxiliares de acção educativa e funcionários de apoio às actividades de enriquecimento curricular das escolas do Ensino Básico, sob a jurisdição das autarquias, e dos estabelecimentos dos 2º e 3º ciclos de ensino, sob tutela do Ministério da Educação.
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0h30 Correio da Manhã 2010.11.23
 Por:André Pereira com S.T. / R.O. / S.R.S. / P.G.


"Há milhares de trabalhadores em situação precária, de escolas sob jurisdição das autarquias, com medo de perder os postos de trabalho se aderirem à greve", garantiu ao CM José Abraão, vice-secretário-geral do Sindicato dos Trabalhadores da Administração Pública, dando conta do que encontra diariamente nas ‘jornadas de esclarecimento': "São mais de cinco mil trabalhadores com contrato a termo que não nos dizem que não vão fazer greve, mas que perguntam se vão sofrer represálias".
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O mesmo cenário tem sido encontrado pela Federação Nacional de Educação (FNE). "A precariedade dos postos de trabalho é um dos factores que dificultam a adesão. Existem muitos trabalhadores, não docentes, que concordam com os argumentos da greve, mas que têm medo de sofrer represálias", assegurou ao CM João Dias da Silva, secretário-geral da FNE, mostrando-se, ainda assim, esperançado que "muitas escolas encerrem devido a uma adesão significativa à greve".
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Também a Justiça será afectada com a paralisação geral de amanhã. Além do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público, os funcionários judiciais garantem que vão parar. "Vamos ter uma grande adesão e vão existir largas centenas de diligências que não serão realizadas. Não é por um dia que os processos vão atrasar, até porque ainda agora tivemos tolerância de ponto e ninguém do Governo se preocupou com isso", disse Fernando Jorge, do Sindicato dos Funcionários Judiciais.
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CTT GARANTEM A ENTREGA DAS REFORMAS
Os Correios asseguram amanhã a distribuição de vales postais da Segurança Social, nomeadamente o envio dos pagamentos das pensões de reforma e de outras prestações sociais, garantiu ao CM fonte da empresa, explicando que este tráfego está incluído nos serviços mínimos negociados com os sindicatos. Entretanto, os carteiros das Caldas da Rainha e de Óbidos juntaram mais dois dias de greve.
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JOVENS COM PIOR FUTURO
As perspectivas de futuro da juventude são, actualmente e pela primeira vez, piores do que as dos seus pais ou avós. A conclusão é das duas centrais sindicais nacionais - CGTP e UGT - que ontem apelaram a uma forte participação dos jovens na greve geral para amanhã.
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Durante uma conferência de imprensa conjunta, Carvalho da Silva, da CGTP, e João Proença, da UGT, destacaram que os jovens têm de se mobilizar contra as condições de precariedade laboral que enfrentam. Segundo João Proença, a precariedade afecta já 30% da população activa.
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Os dois sindicalistas mostraram-se convictos de que o País viverá uma "grande greve geral" que "traduzirá o grande descontentamento" que há em Portugal por os sacrifícios estarem a ser pedidos aos trabalhadores e não às empresas.
"É inaceitável que sejam sobretudo os trabalhadores a fazerem sacrifícios. Não podemos aceitar uma subida da receita com impostos sobre as pessoas - o IRS e o IVA - e uma descida da receita com impostos sobre as empresas - o IRC", sublinhou João Proença.
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FAMÍLIA DE ALTER DO CHÃO PERDE DIREITO A 22 EUROS MENSAIS
Apesar de serem pouco mais de 22 euros por mês, a família de Teresa Calado recebeu a carta da Segurança Social com surpresa, ainda para mais quando o marido, João Fernando, está actualmente desempregado. "Fomos informados por carta de que iríamos ficar sem essa ajuda. Fosse muito ou pouco, o que é certo é que quando pensamos que tudo vai melhorar, fica ainda pior", disse a mãe do pequeno João Pedro, de quatro anos.
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O agregado familiar, residente em Alter do Chão, no Alentejo, vive actualmente apenas com o que Teresa Calado consegue tirar do seu negócio, uma pequena loja de decoração, onde o rendimento mensal está sempre dependente do sucesso nas vendas. A verba do abono de família sempre "ajudava a pagar alguma das contas ou a comprar alguma coisa que o menino precisasse", mas agora a ginástica terá de ser feita por outro lado.
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"Tira-se de um lado, põe-se do outro, certo é que ao fim do mês o dinheiro tem de chegar e temos de ir vivendo assim", assegura a progenitora.
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"A situação não está para brincadeiras. Somos obrigados a contar todos os cêntimos, mas ainda assim não desanimamos", concluiu João Fernando.
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PERGUNTAS E RESPOSTAS
O trabalhador tem de pedir ou comunicar que vai fazer greve?
Não. Os trabalhadores estão abrangidos pelas comunicações feitas pelos sindicatos, mesmo que não sejam sindicalizados. Ao faltarem, é-lhes descontado o equivalente a um dia e o subsídio de refeição.
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É preciso justificar a falta quando se faz greve?
Só se o trabalhador tiver faltado por outra razão, nomeadamente por estar doente ou não ter transporte para comparecer.
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E nesse caso? se faltar por falta de transporte?
Deve procurar por todos os meios arranjar justificação junto do operador para apresentar à entidade patronal. Nesse caso existirá falta, descontando-se na retribuição, mas ela estará justificada.
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E se faltar porque a escola do filho fechou?
Tal como a ausência por falta de transporte, a não comparência equivale a uma falta justificada, desde que apresente uma declaração da escola a dizer que esteve encerrada.
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Podem ser contratados trabalhadores para substituir os grevistas?
Não. Durante a greve a empresa não pode substituir os trabalhadores que aderiram.
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Quem fizer greve tem de comparecer, sem trabalhar, no local de trabalho?
Não. Só se o entender.
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quarta-feira, novembro 17, 2010

Todos os dias vão para o lixo 35 mil refeições

Tiago Sousa Dias
Há quem aproveite as sobras dos restaurantes


Fome: Associação de Restauração reconhece desperdício alimentar

Todos os dias vão para o lixo 35 mil refeições

Cerca de 35 mil refeições são deitadas fora todos os dias, tudo porque não existe uma rede eficaz de recolha e redistribuição das mesmas. A Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP) reconheceu ao CM que 7% das 500 mil refeições confeccionadas diariamente vão parar ao lixo, ou seja, 12,775 milhões por ano. Para inverter a situação, há um projecto para criar um sistema nacional que permita um melhor aproveitamento.
  • 0h30 - Correio da Manhã 2010 11 17

Por:André Pereira / C.S.
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Segundo José Manuel Esteves, secretário-geral da AHRESP, o problema "decorre da lei que é taxativa e impede o aproveitamento das refeições". Em causa estão as refeições produzidas todos os dias para as cantinas e refeitórios de hospitais, sistemas prisionais, escolas, universidades e outra restauração colectiva. "Mesmo assim, não é um grande desperdício. Todos os dias são confeccionadas cerca de 500 mil refeições", refere.

.A Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) refere, porém, que não há lei nenhuma que impeça os restaurantes de aproveitarem os excedentes alimentares e entregá-los às pessoas mais carenciadas. "Se essa distribuição implicar o transporte das refeições, então devem ser asseguradas as condições ideais através de viaturas preparadas para o quente ou frio", explicou fonte da autoridade.
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Conscientes de que as dificuldades são cada vez maiores, a AHRESP e ASAE têm reunido para criar uma rede que r.esponda às necessidades crescentes das pessoas. "Não há recolha, distribuição, nem uma rede eficaz. Queremos um sistema nacional com os parceiros da sociedade civil, os produtores, distribuidores e restauração", garante José Manuel Esteves.
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Desperdício que pode alimentar muitas famílias. Que o diga José Domingos, de 49 anos, desempregado. Recebe 189 euros de subsídio de Reinserção Social, mas paga 160 euros de renda. "Dizem que sou velho aos 49 anos", lamenta este motorista de ligeiros, ex-emigrante, que queria ir para taxista, mas não tem dinheiro para o certificado. 
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"O QUE SOBRE DEITAMOS FORA"
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A crise económica e as dificuldades financeiras não afectam só os agregados familiares. Também os restaurantes têm sofrido as consequências da diminuição da procura e, como consequência, têm sido obrigados a uma gestão mais eficiente da sua matéria-prima. No restaurante Derbi, em Lisboa, por exemplo, o pouco que sobra vai para o lixo, explica Joaquim Grilo. 
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CASAL DE DOENTES VIVE COM 51 EUROS POR MÊS
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O assalto a dois bancos, para conseguir dinheiro para comer e pagar medicamentos, não livrou da miséria Augusto Costa, 47 anos. Partilha com a mulher, Margarida, doente de esclerose múltipla, a única refeição diária que recebe da assistência social. O casal vive dos 401 euros da reforma da mulher mas paga 350 euros pelo quarto alugado, em Lisboa. Sobram 51 euros por mês. Augusto Costa, doente dos intestinos, saiu da cadeia no dia 5, após cumprir oito meses pelos assaltos, que lhe renderam 1030 euros. Fonte da Misericórdia de Lisboa disse ao CM que Margarida Costa pediu ajuda em Março e foi-lhe dada "alternativa habitacional com despesas assumidas pela instituição. Teve proposta de atribuição de benefícios de saúde e foi instruída para a forma de requerer o Rendimento de Inserção, mas a senhora desapareceu". 
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"É UMA ESTUPIDEZ HAVER FOME": António C. Pereira, Petição contra desperdício alimentar
Correio da Manhã – Como surgiu a ideia de criar uma petição contra o desperdício alimentar?
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António Costa Pereira – Há cerca de três anos, estava a ajudar uma instituição e pensei ir buscar as refeições que sobravam no refeitório de uma empresa. Eram cerca de 100 refeições por dia. Descobri que não era possível, porque a lei não o permitia. Pensei que era uma estupidez haver portugueses com fome e comida deitada fora.
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– Que apoios tem?
– Neste momento, algumas autarquias e instituições.
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– Quantas assinaturas recolheu?
– Em Julho coloquei a petição on-line. Já está nas 45 mil assinaturas. 
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terça-feira, julho 13, 2010

Portugal - 54 mil licenciados no desemprego

Formação: Candidaturas ao Ensino Superior iniciam-se hoje
Pedro Catarino
Em 2007, havia 43 mil licenciados em trabalhos de baixa qualificação ou não qualificados


Número de vagas para o Ensino Superior é semelhante à quantidade depessoas sem trabalho e com nível de ensino igual ou superior à licenciatura.
  • 0h30 - 2010.07.13
Por:André Pereira/P.G./J.N.P./J.S./Bernardo Esteves
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Portugal tem 54 600 desempregados com habilitações de Ensino Superior: licenciaturas, mestrados ou doutoramentos. Os dados são do Instituto Nacional de Estatística (INE), relativos ao primeiro trimestre deste ano, o que significa mais 8,5 por cento (4300) do que no mesmo período de 2009. Hoje inicia-se a primeira fase de candidaturas ao Ensino Superior, para a qual foram disponibilizadas 53 986 vagas, quase tantas quanto o número de licenciados sem emprego.
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Perante este cenário, as perspectivas de arranjar um trabalho na área de formação são cada vez mais reduzidas. Os recém-licenciados deixam as universidades e em pouco tempo desistem de procurar um local onde possam exercer uma profissão relacionada com a sua formação. As estatísticas, mais uma vez, não podiam ser mais claras: em 2007, havia pelo menos 43 mil licenciados em trabalhos de baixa qualificação ou não qualificados, como limpezas ou construção civil.
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Raquel Seno, de 33 anos, licenciou-se em Engenharia do Ambiente há sete anos e nunca trabalhou na área. Hoje trabalha numa empresa de telecomunicações: 'Quando terminei o curso foi frustrante. Gostava de fazer algo na área, mas já não procuro nada.' João Amaral, por sua vez, esteve três anos num laboratório a exercer a profissão que escolheu. As condições de quem sobrevive em função das bolsas atribuídas aos projectos fizeram-no desistir. 'Formei-me em Biotecnologia em 1991/92 e ainda estive três anos num laboratório. Tive de desistir e desde então já tive trabalhos em várias áreas', conta.
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Licenciada em Psicologia, com uma pós-graduação em Comportamento Organizacional, Sílvia Ferreira, de 26 anos, lamenta o investimento: 'Já desisti. Só se surgir uma colocação por recomendação. De outra forma não vale a pena pensar nisso. É frustrante.'
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AUMENTO DE VAGAS EM DIREITO É 'UMA FRAUDE'
O bastonário da Ordem dos Advogados, Marinho Pinto, considerou ontem 'uma fraude' o aumento do número de vagas para os cursos de Direito (abriram 1330 lugares), justificando que o mercado já tem excesso de licenciados na área. 
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No dia em que foram conhecidas as vagas para o Superior público, a Ordem dos Enfermeiros divulgou os resultados de um questionário feito a enfermeiros, que indica que quase vinte por cento dos licenciados não exercem a profissão.
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PORTUGAL LIDERA FUGA DE CÉREBROS NA EUROPA
Portugal é o país da Europa em que mais licenciados partem, todos os anos, para o estrangeiro à procura de trabalho. Nos últimos dez anos foram 450 mil os diplomados no País e quase vinte por cento decidiram emigrar, de acordo com dados divulgados pela OCDE relativos a 2007. Áreas de saúde e engenharias são as mais atingidas. No estudo da OCDE, o Haiti é o país com mais alta taxa de fuga de diplomados: 83,6%.
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DEPOIMENTOS
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'INVESTI 15 A 17 MIL EUROS NO CURSO DE DESIGN', Marcos Evangelista, 27 anos, Design Multimédia, Almeirim
'Investi 15 a 17 mil euros no curso de Design Multimédia. O mercado está muito difícil. Já passei por três empresas que nunca me deram estabilidade profissional.'
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'QUIS FAZER MESTRADO MAS NÃO VALIA A PENA', Fábio Fontes, 26 anos, Tradução Inglês/Francês, Évora
'Acabei o curso de Tradução Inglês/Francês em 2006 e a ocupação temporária no Cybercenter acabou por se tornar definitiva. Ainda quis fazer mestrado, mas não valia a pena.'
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'NÃO TENHO EXPECTATIVAS DE TRABALHAR NA ÁREA', Catarina Matos, 29 anos, Geografia e Urbanismo, Lisboa
'Nunca trabalhei na área de formação, nem tenho expectativas de o fazer. Tive uns estágios profissionais, mas não consegui. Foi sempre noutras áreas, como call centers.'
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DISCURSO DIRECTO
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'PARA O ANO ABRIRÃO MAIS CEM VAGAS EM MEDICINA', Mariano Gago, Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior 
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Correio da Manhã – As vagas no ensino superior voltam a aumentar. Porquê?
Mariano Gago – Portugal tem metade dos licenciados dos países desenvolvidos. Precisamos de profissionais qualificados para atrair investimento.
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– O bastonário dos Advogados reitera que há excesso de vagas em Direito.
– O curso de Direito não é só para formar advogados e magistrados, mas também para muitas outras áreas. Os alunos sabem isso.
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– As vagas de Medicina são criticadas pelo bastonário dos Médicos, que teme que não haja internato para todos os alunos.
– Já telefonei à ministra da Saúde e garantiu-me que haverá internato para todos. Para o ano abrirão mais cem vagas em Medicina e um curso novo, em Aveiro. Toda a gente sabe que há falta de médicos.
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– Confirma que vinte mil estudantes podem perder apoios devido à nova fórmula de cálculo das bolsas de estudo?
– Não esperamos uma diminuição muito significativa de bolsas. A nova fórmula é mais justa e impede alunos de famílias abastadas de obterem bolsas.
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Crise: Empréstimos para pagar os estudos

Alunos pediram 128 milhões aos bancos

A época de crise económica tem levado ao aumento do pedido de empréstimos dos estudantes do ensino superior, que recorrem à linha de crédito criada pelo Governo há três anos.
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Por:Edgar Nascimento
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Em Dezembro de 2009, contabilizavam-se 11 108 empréstimos, quando no final de 2008 eram 6452 e no final do ano lectivo 2007/08 eram 3693. Até ao final de 2009, o valor do crédito contratado ascendia a 128 milhões de euros. Os empréstimos entre 10 mil e 15 mil euros foram os mais contratados (3522), seguindo-se os empréstimos entre 5 mil e 10 mil euros (2875). Dois terços dos empréstimos concedidos são para estudantes matriculados em estabelecimentos de ensino superior público e são os que frequentam cursos de Enfermagem (590) quem mais recorre ao crédito.
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O valor de cada empréstimo está relacionado com a duração do curso, num máximo de cinco anos e até cinco mil euros por ano.
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Mobilidade: Naturais do Brasil e PALOP lideram lista

Getty Images
Gabinete de Estatística do Ensino Superior analisou situação dos estudantes em Portugal

Nove mil estrangeiros estão a tirar o curso em Portugal

Representam cinco por cento dos alunos do ensino superior português, num total de 8663 estudantes. No ano lectivo 2008-09 estavam matriculados 174 mil alunos no ensino superior, dos quais 165 337 de nacionalidade portuguesa.
  • 11 Julho 2010
Por:Edgar Nascimento
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De acordo com o documento ‘Inscritos no Ensino Superior: Informação Socioeconómica’, elaborado pelo Gabinete de Planeamento, Estratégia, Avaliação e Relações Internacionais do Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, a maioria dos alunos estrangeiros é de nacionalidade brasileira (3813), angolana (3587), cabo-verdiana (3544) e moçambicana (876). De países europeus, são os espanhóis os que mais optam pelas instituições portuguesas para iniciar, continuar ou concluir um curso superior: 679 estavam inscritos no ano lectivo 2008-09. Seguem-se os franceses (584) e os italianos (334). Mas também há alunos provenientes de países tão distantes como a Polinésia Francesa (2) ou Vanuatu (1), ambos da Oceânia. 
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No que respeita aos caloiros estrangeiros, em 2008-09 foram 6225: África (2665), América (2111), Europa (1196), Ásia (239) e Oceânia (14). Mais uma vez, são os nascidos no Brasil e nos países africanos de língua oficial portuguesa quem lidera a lista dos estrangeiros caloiros. Do continente asiático, matricularam-se 57 chineses, 32 iranianos e 31 timorenses.
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570 COM MENOS DE 18 ANOS
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O Inquérito ao Registo de Alunos Inscritos e Diplomados do Ensino Superior, realizado pelo GPEARI/MCTES, referente a 2008-09, indica que estavam matriculados 570 estudantes com menos de 18 anos de idade: nove tinham 16 anos e 561 contavam 17 anos. No outro extremo encontravam-se os estudantes com mais de 45 anos: 16 689 (8864 mulheres). O escalão etário com mais alunos em todos os graus de ensino superior é o dos 25-34: 94 878 inscritos.
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52 MIL ENTRAM NA 1ª OPÇÃO
Quase metade (44 por cento) dos alunos inscritos pela 1ª vez no ensino superior público em 2008-09 conseguiu entrar na 1ª opção de ingresso. Na 2ª opção entraram 8422 estudantes (7,1 por cento). De acordo com o estudo do GPEARI/MCTES, 2,7 por cento ficaram colocados nas 5ª e 6ª opções (3234 alunos). No entanto, ressalve-se que 46 832 (39,7 por cento do total) não responderam a esta questão do Inquérito ao Registo de Alunos Inscritos e Diplomados. 
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domingo, maio 02, 2010

1.º de Maio: Cerca de 70 activistas defendem reconhecimento laboral

Correio da Manhã
Jorge Paula   A parada Mayday começou no largo de Camões e depois juntou-se à 
manifestação da CGTP  A parada Mayday começou no largo de Camões e depois juntou-se à manifestação da CGTP

02 Maio 2010 - 00h30

Profissionais do sexo querem pagar imposto

Os profissionais do sexo querem ver o seu trabalho reconhecido como qualquer outra profissão, sem preconceitos e com direitos sociais e laborais iguais aos de todos os profissionais. A defesa dos direitos dos trabalhadores sexuais reuniu ontem cerca de 70 pessoas em Lisboa, que se associaram às cerca de 300 da parada Mayday-2010 para celebrar o Dia do Trabalhador.

"A prostituição é um trabalho como qualquer outro e deve ter os mesmos direitos e obrigações das outras profissões", afirmou Anabela Rocha, professora solidária com o movimento, denunciando a existência de "muitos interesses contra a liberalização da prostituição, pois há quem prefira não pagar impostos e viver à custa de uma economia paralela, das mais lucrativas do Mundo".
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O largo de Camões, em Lisboa, foi o ponto de encontro de um movimento ainda sem líderes, cujo objectivo é ver reconhecidos os direitos sociais, humanos e laborais de todos os profissionais do sexo. Nesta definição, explicou Mariana Lemos, está incluída "desde a prostituição feminina e masculina, à de rua ou de acompanhantes de luxo, passando pelas strippers ou pelo electricista ou técnico de luz de um filme pornográfico".
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O momento mais significativo da manifestação aconteceu quando os cerca de 70 activistas chegaram ao Intendente e abriram os respectivos chapéus de chuva vermelhos, símbolo da luta pelos direitos dos trabalhadores sexuais. ‘Prostituição é trabalho sexual. Trabalho sexual é trabalho’ ou ‘Eu não me vendo, alugo’ foram algumas das palavras de ordem escritas em vários cartazes. 
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PORMENORES
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JERÓNIMO NO DISCURSO
Jerónimo de Sousa, o líder do PCP, assistiu ontem ao discurso do secretário-geral da CGTP, Carvalho da Silva, em plena Alameda. 
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CONTESTAR O PEC
O coordenador da União dos Sindicatos do Porto garantiu que as medidas do PEC "vão merecer forte contestação social".
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SALVAR POSTOS DO BPP
Afonso Diz, da União de Sindicatos Independentes, lembrou a necessidade de viabilizar o BPP para salvar empregos.
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"PRECARIEDADE LABORAL REFLECTE-SE NA VIDA"
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Rita Pimentel tem 30 anos e duas licenciaturas. Mas o currículo de pouco serve. "Sempre estive a recibos verdes, nunca tive nenhum contrato de trabalho." A jovem foi um dos muitos rostos a integrar a parada Mayday, desfilando em Lisboa em protesto contra a precariedade. 
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Actriz quando o contexto o permite, professora para pagar as contas, Rita confessa que "há alturas em que tem de fazer uma grande ginástica financeira". "Por vezes são os meus pais que me adiantam dinheiro para pagar despesas, pois há alturas em que leva algum tempo até receber." João Manso, 24 anos, bolseiro de investigação, é outro rosto da precariedade. Ainda vive em casa dos pais e, com o agravar da crise e um ‘fantasma’ chamado PEC, o ânimo é escasso: "Definitivamente, as coisas vão piorar." Sara Rocha, uma das organizadoras da Mayday, deixa o recado: "A precariedade laboral reflecte-se na vida." 
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NOTAS
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CGTP: MANIFESTAÇÕES
A CGTP convocou para dia 29 de Maio uma grande manifestação nacional, motivada pelo congelamento de salários
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UGT: ATAQUES
A UGT criticou ontem os ataques especulativos a Portugal, numa concentração que juntou em Lisboa 25 mil a 40 mil pessoas



André Pereira / D.R.
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terça-feira, dezembro 22, 2009

Ambiente: Conferência das Nações Unidas para as alterações climáticas

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Correio da Manhã
Larry Downing/Reuters 
19 Dezembro 2009 - 00h30

Acordo entre EUA e China deixa Europa de fora

Mesmo que se chegue a um acordo na Conferência Quadro das Nações Unidas para as Alterações Climáticas, a cimeira de Copenhaga será sempre recordada por ter ficado aquém das expectativas. Isto apesar de os maiores poluidores, Estados Unidos, China, África do Sul e Índia, terem chegado a um acordo entre si – excluiu a União Europeia – que prevê uma listagem das medidas de combate às alterações climáticas.
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Este acordo de partes, porém, é considerado insuficiente, pois não tem carácter vinculativo, e até ao fecho da presente edição não havia garantias de ser aceite pela cimeira. Uma nota indicadora do fracasso deste encontro foi o facto de Barack Obama ter abandonado Copenhaga antes da votação final do acordo, alegando o agravamento das condições meteorológicas.
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Durante todo o dia, o presidente dos Estados Unidos envolveu-se em múltiplas reuniões com vários chefes de Estado. No entanto, foi o encontro entre o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, o presidente da África do Sul, Jacob Zuma, e os primeiros-ministros da China e Índia, respectivamente, Wen Jiabao e Manmohan Singh, que veio dar algum andamento ao último dia da cimeira.
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No final do encontro, Barack Obama assumiu que "não é o melhor acordo mas o possível". "Devemos caminhar para medidas que sejam obrigatórias mas neste momento não foi possível. Quero ter a certeza de que o que vamos acordar será cumprido", acrescentou, numa declaração áudio transmitida pelo site da Casa Branca. Antes, um elemento da delegação norte-americana anunciara que "nenhum país está satisfeito mas é um passo histórico no combate às alterações climáticas".
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As negociações entre todos os países da Convenção Quadro das Nações Unidas continuaram no Bella Center, em Copenhaga, na Dinamarca. Em cima da mesa já estava o terceiro esboço de acordo, que, entre outras medidas, prevê a redução da emissão de gases com efeito de estufa em cerca de 80% até 2050.
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PORMENORES
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"VIM PARA AGIR"
"Vim a Copenhaga não para falar mas sim para agir", foi a frase mais marcante do discurso de Barack Obama.
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FOTO NÃO FEITA
Deveria ter sido feita uma foto histórica com 130 chefes de Estado mas nem para isso se chegou a um acordo e não houve ‘boneco’.
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LÍDERES PARTIRAM
Ainda as negociações estavam por concluir e já muitos governantes tinham deixado Copenhaga, como Obama, Medvedev e Lula.
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CHÁVEZ RECUSA
O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, acusou Barack Obama e aliados de negociarem à porta-fechada. "Os EUA continuam a cheirar a enxofre", disse, reeditando uma frase que dirigiu a George W. Bush em 2006.
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'MANIF' COM 1500
Cerca de 1500 pessoas manifestaram-se ontem em Copenhaga, indiferentes ao frio, exigindo a libertação de 19 detidos em anteriores protestos.
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LULA DA SILVA SURPREENDEU COM DISCURSO FORTE E EMOTIVO
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"Adoraria sair daqui com o documento mais perfeito do Mundo assinado mas se até agora não conseguimos fazer esse acordo não sei se algum anjo ou algum sábio descerá a este plenário para colocar na nossa cabeça a inteligência que nos faltou até agora." Foi esta esperança num "milagre" que marcou o discurso do presidente brasileiro, Lula da Silva, ontem, quando já reinava um ambiente de desilusão em Copenhaga.
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"Para existir um mau acordo, mais vale não haver acordo", considerou Lula da Silva, para quem não é com meias-palavras que se resolve os problemas levantados pela mudança climática induzida pela actividade humana. "O dinheiro não é esmola, é o pagamento por dois séculos de emissão de gases com efeito de estufa por quem teve o privilégio de se industrializar primeiro", sublinhou, lembrando que, em 2003, quando foi eleito, quis que todos os brasileiros pudessem alimentar-se três vezes por dia – "uma coisa do passado que na América Latina e na África é uma coisa do futuro". "Não discutimos o clima e o ambiente mas o desenvolvimento e as oportunidades para todos", enfatizou.
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THOM YORKE INFILTRADO
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O vocalista dos Radiohead, Thom Yorke, fez-se passar por jornalista e marcou presença na cimeira de Copenhaga. O músico, conhecido pelo seu envolvimento em questões ambientais, foi bastante crítico com o desenrolar das negociações: "Fiquei irritado com a forma como o governo americano tentou reduzir as propostas que estavam sobre a mesa. São um bando de homens reprimidos de meia-idade que só dão valor aos seus interesses pessoais."
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DISCURSO DIRECTO
"NÃO GARANTE OBJECTIVOS MÍNIMOS", Francisco Ferreira, Vice-presidente da Quercus
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CM – O que significa este acordo entre EUA, China, Índia e África do Sul?
Francisco Ferreira – É um acordo entre eles. Ainda não sabemos se é um acordo para a cimeira ou se é só algum entendimento entre esses países.
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– Quais as implicações no futuro?
– Há um aspecto complicado, pois não garante, se for aceite pela cimeira, os objectivos mínimos no combate às alterações climáticas
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– Qual é agora o papel da União Europeia?
– Vamos aguardar pela reacção da União Europeia. À partida, conforme o que foi anunciado, parece ser um acordo paralelo que deixa a UE e a ONU de fora.

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André Pereira.
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domingo, julho 26, 2009

38 mil diplomados estão sem trabalho

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Luís Duarte

Ensino Superior: Mulheres com menos de 35 anos são a maioria


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* André Pereira
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Portugal tinha, em Junho, 38 571 desempregados com habilitação superior inscritos nos centros de emprego, mais 4424 do que no mesmo mês de 2008 (34 147), segundo os dados do Instituto do Emprego e Formação Profissional. Em comparação com os valores de Dezembro do ano passado, do relatório ‘Emprego dos Diplomados’ do Ministério da Ciência e do Ensino Superior, representa um aumento de 1395 diplomados no desemprego.
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A maioria dos desempregados com habilitação superior pertence às áreas das Ciências Empresariais, das Ciências Sociais e do Comportamento e da Formação de Professores e Ciências da Educação. No conjunto, as três áreas representam 41,4 por cento dos indivíduos registados em centros de emprego com bacharelato, licenciatura, mestrado ou doutoramento. Dos mais de 37 mil desempregados licenciados no final de 2008, 69 por centro são mulheres, 40 por cento moram no Norte e 72 por cento têm menos de 35 anos.

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'Há que diferenciar os grupos de desempregados registados nos centros de emprego. Os diplomados até estão numa situação mais favorável do que os restantes, com uma média de oito meses de espera até encontrarem uma posição no mercado de trabalho', explica ao CM Francisco Madelino, presidente do Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP).

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No que respeita às Ciências Empresariais, os cursos com mais registos nos centros de emprego são Gestão, Contabilidade e Marketing. Já nas Ciências Sociais e do Comportamento, os diplomados em Economia, Psicologia e Sociologia são os mais afectados. Na Formação de Professores/Formadores e Ciências da Educação, os piores cursos são os de Educadores de Infância e Ensino Básico – 1º Ciclo.

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No sentido contrário, explica Francisco Madelino, as áreas de formação com maior empregabilidade são 'as engenharias tradicionais'. 'Além da Medicina, por razões óbvias, as engenharias, como Construção Civil, Electrotécnica e Informática também são de grande empregabilidade', indica, acrescentando que 'quem tem formação em Línguas, Informática ou Físicas rapidamente obtém uma saída profissional'.

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CURSOS DE DIREITO ASSUSTAM

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A maioria dos diplomados na área do Direito exerce funções em profissões que nada têm a ver com a advocacia. Com o número de vagas para os cursos de Direito a aumentar para 1230 este ano, o bastonário da Ordem dos Advogados, Marinho Pinto, não escondeu a sua preocupação, aconselhando mesmo os candidatos ao Ensino Superior a 'fugir da advocacia'. 'O País já está encharcado de licenciados em Direito, que estão desempregados ou trabalham noutras áreas', disse António Marinho Pinto ao CM após a divulgação do número de vagas ao concurso nacional de acesso ao Ensino Superior.

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As Faculdades de Direito de Coimbra e Lisboa são responsáveis por 30,7 por cento dos 1115 diplomados na área de Direito inscritos nos centros de emprego. O ensino privado, porém, coloca no desemprego 588 diplomados, contra os 526 do público.

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PERGUNTAS & RESPOSTAS

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- Como mudo de curso?

- Cada instituição tem o seu procedimento, mas estará sempre sujeito ao número de vagas. Se pedir a transferência do curso para outra instituição serão contabilizados cerca de 90 por cento das cadeiras já completas. Se mudar de curso, o processo das equivalência terá de ser analisado.

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- Posso reingressar num curso?

- Sim. Basta pedir o reingresso nos serviços académicos da instituição onde iniciou o curso.

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- Posso tirar outra licenciatura?

- Os titulares de um curso superior têm um concurso especial. Cada estabelecimento define as suas regras.

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- Quem pode candidatar-se ao Ensino Superior?

- Todos os que tiverem concluído o Ensino Secundário e realizado as provas de ingresso.

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REACÇÕES

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'Para quem tira um curso na área do Ensino as alternativas não são muitas para não dizer que não existem. Nunca houve tantas actividades a precisar de professores como agora, mas por razões económicas estão a cortar na profissão.' (Mário Nogueira, S.G.Fenprof)

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'Existem cerca de 26 500 advogados. Há demasiada oferta. Podem sempre optar por profissões como escrivão ou funcionário judicial, mas quem tira o curso de Direito não quer ir para essas profissões.' (Marinho Pinto, O. Advogados)

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'Durante muitos anos, a profissão esteve desregulada e agora corremos atrás do prejuízo. Muitos estão desempregados, mas não faltam áreas a precisar de psicólogos, como o desporto, a saúde, a reabilitação ou até a empresarial.' (Telmo Baptista, O.Psicólogos)

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PERFIL DO DESEMPREGADO COM HABILITAÇÃO SUPERIOR

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TOTAL DE INSCRITOS NOS CENTROS DE EMPREGO EM JANEIRO 2008: 416 005

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- Inscritos com habilitação superior – 37 176


SEXO

– Feminino – 68,5 % (25 475)

- Masculino – 31,5 % (11 701)

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IDADE

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25 – 34 anos - (50,3%) 18 710

35 – 54 – (23,6%) 8 764

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REGIÃO

– Norte – 39,7% (14752)

- Centro – 25,4% (9436)

- Lisboa – 26,3 % (9781)

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TEMPO DE INSCRIÇÃO NO CENTRO DE EMPREGO

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3-6 meses – 25,7% (9560)

6-12 meses – 17,3% (6448)

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SITUAÇÃO DE PROCURA

33,3% - 1º Emprego

66,7% Novo Emprego

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GRAU ACADÉMICO

87,7% Licenciatura – 32615

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SUBSISTEMA DE ENSINO

Público – 64,6% (20830)

Universitário – 11 900 (36,9%)

Politécnico – 8930 (27,7%)

Privado – 35,4% (11426)

Universitário – 8108 (25,1%)

Politécnico – 3318 (10,3%)

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NOTAS

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OPORTUNIDADES: MAIORES DE 23

O ‘Maiores de 23’ destina-se a pessoas com elevada experiência profissional sem curso superior. O candidato apresenta uma tese sobre a sua área profissional que será avaliada por um júri.

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ACESSO: 1.ª FASE EM ABERTO

Os alunos que fizeram os exames nacionais na 2.ª fase ainda podem candidatar-se à 1.ª fase do concurso nacional de acesso ao Ensino Superior de 31 de Julho a 7 de Agosto.

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COLOCAÇÕES: SETEMBRO

As listas de colocação serão divulgadas a 14 de Setembro. A segunda fase do concurso nacional de acesso ao Ensino Superior decorre entre os dias 14 e 18 de Setembro.

in Correio da Manhã - 26 Julho 2009 - 00h30
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» COMENTÁRIOS no CM on line
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26 Julho 2009 - 18h11 | fernando
Senhora ministra eu nao compriendo tantos medicos sem trabalho e porque vem medicos de fora serao a borla? acho estranho
26 Julho 2009 - 16h02 | andrade morais
Não faz mal, que o Sócrates já prometeu subsídio de desmprego para toda a gente, inclusive para quem não acabou o curso
26 Julho 2009 - 15h03 | Luisa Baião
A maioria deles quando iniciaram o curso já deviam de contar com isso.Mas,todo o mundo quer ser doutor...
26 Julho 2009 - 11h46 | contribuinte
De facto estão mais bem preparados para fazer outros serviços!ou só querem gabinetes? e quem faz o trabalho para a econo
26 Julho 2009 - 10h59 | Sempre atenta
São poucos os que têm um lugar à sua espera quando acabarem os cursos, e nem seria justo...têm fazer o que aparecer!
26 Julho 2009 - 10h57 | Sempre atenta
Ter um canudo não significa que tenha emprego, portanto noutras áreas poderão ser mais úteis com a formação que têm!...
26 Julho 2009 - 10h30 | nathan
Estar desempregado,nao e nada agradavel. Mas, isto prova que Pt. e o pais dos doutores.
26 Julho 2009 - 07h40 | sponte
Peçam ao ministro do Ensino Superior para lhes dar trabalho. O Gago sempre disse que não há desemprego no sector
26 Julho 2009 - 06h18 | ana
Que tristeza tantos anos a estudar e no fim nao ter trabalho e muitos a passar mal
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quarta-feira, setembro 05, 2007

Saúde: Portugal prepara estudo exaustivo

Problemas mentais afectam 2,3 milhões
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* André Pereira
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Portugal tem 2,3 milhões de pessoas a sofrer com problemas psicológicos, representando cerca de 28 por cento da população, segundo o último inquérito nacional de saúde. Números que assumem “proporções epidémicas”, segundo disse ao CM Francisco George, director-geral da Saúde, para quem “é necessário fazer uma distinção das situações de foro psiquiátrico”.
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No que diz respeito à população mundial, mais de 30 por cento sofre de uma doença mental, refere um relatório, que contou com a contribuição de 39 especialistas internacionais, a ser publicado na prestigiada revista ‘The Lancet’.
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Francisco George reconhece que “os problemas de saúde mental assumem proporções epidémicas”, referindo que as estimativas da Direcção-Geral da Saúde apontam para “que cerca de 20 por cento dos frequentadores dos centros de saúde tenham um problema de foro mental”. .
No entanto, o director-geral alerta para a necessidade de se distinguirem esses problemas “das situações de foro psiquiátrico mais graves”.Uma ideia corroborada por António Leuschner, director do Hospital Magalhães Lemos, no Porto, que revela a realização de um inquérito exaustivo em Portugal sobre saúde mental. “Os números são projecções de estudos feitos numa escala menor que depois são aplicados a Portugal. Talvez no final de 2008 se possa ter um retrato fiel da situação no País”.
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Os artigos da ‘The Lancet’ fazem referência à falta de tratamento de problemas mentais, que se aproxima dos 90 por cento em países desenvolvidos. António Leuschner não se mostrou surpreendido, realçando a importância de aumentar “o acesso e o número de serviços de saúde mental, assim como o auxílio atempado das pessoas que os procuram”.
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in Correio da Manhã 2007.09.04
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» Comentários no CM on line
Terça-feira, 4 Setembro
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- Graça Afonso Com o desemprego cada vez maior e com o nosso país em crise muito me admiraria se os Portugueses não tivessem problemas psicológicos!
- Donatilia Mendonça Já desconfiava destes números tais são os comportamentos sociais que temos no país. Julgo que a tendência é para agravamento destes números, mas atenção que há por aí muita gente a passar-se por doente, ou com depressões, que se reformam por invalidez ou metem baixa médica mas andam a trabalhar à sucapa...e são doentes! Vai lá...vai...
- Alexandra Somem o número de casos de vítimas de abuso sexual infantil + casos de violência infantil e doméstica + vítimas de violação + vítimas de crimes violentos. Acrescentem o números de pessoas frustradas com a sua imagem física (bulímicas e anoréticas) e realização profissonal. A sociedade excessivamente consumista e materialista e a falta de leis que protegam a classe média contribui para isto.
- Mariposa Há uma falta gritante de psicólogos e psiquiatras, é preciso investir em novas terapias (psico-drama, psicanálise, terapias ocupacionais, etc.) em vez de apenas encher o paciente de calmantes. Olhem para os países europeus, sigam os bons exemplos. A alma colectiva está doente!
- Mariposa Parece "loucura" mas as doenças mentais serão uma das grandes pestes deste século. Porque não estamos num mundo cão, estamos num mundo bosta-de-cão. É mais do que tempo dos governos investirem em força na saúde mental: prevenção, tratamentos, etc. Há necessidade extrema de psicólogos e psiquiatras nos serviços de saúde, escolas, etc.
- A. Fernandes - Bobadela Existem razões de sobra para que os números até sejam superiores, porque quem não fique afectado com o estado do país então é porque tem uma saúde de ferro!
- judite Não é de admirar, os médicos de familia continuam a tratar doentes, com calmantes e coisas do género, quando deveriam ser encaminhados para psicólogos ligados à segurança social, e que tantos há no desemprego, acho mesmo que com esta medida o estado poupava muito mais em medicamentos.
- Marisa Estes nºs são os que realmente sofrem de depressão, mas aqui não contabilizaram os verdadeiro loucos perigosos e causadores de tudo isto... Certos políticos!!!
- Paulinha Eu não sei de quem é a culpa mas como querem que estejamos bem se só ouvimos Aumentos: de gasolina, taxas de juro, electricidade, idade da reforma, desemprego... etc. Passem a ouvir coisas positivas e vão ver que isto de morar em Portugal até não é assim tão mal!
- Leandro Coutinho Anda para aí muita "doença psicológica" que é apenas treta para conseguir "baixa na caixa" e reforma antecipada.. São os tais que afirmam ser "doentes dos nervos".. É teatro, é só conversa.. Vira-se costas e eles começam logo a portar-se normalmente..
- indignado! É incrivel, como para o aborto há dinheiro, mas para uma simples consulta se demora meses a fio e não se resolve as coisas. Se quero uma consulta tenho de pagar 80 euros, o que é uma enormidade, mas para o aborto....
- O observador O que é ser «normal»? A fronteira entre a hipocrisia e a loucura é muito ténue... Há «doentes mentais» com muito mais juízo que muitos pedófilos, homicidas ou violadores que por aí andam à solta!
- Victor C A maioria dos clínicos não sabe tratar destes problemas e limita-se a receitar calmantes e a mandar embora o paciente. Por outro lado, os da especialidade são poucos e tratam dos pacientes como cidadãos de terceira. O Estado gasta mal as verbas na Saúde, no que concerne aos problemas do foro mental.
- carlos Isto explica muita coisa em Portugal: desde fogos flerestais, acidentes de automóvel, divórcios, a nossa tristeza genética e até o nosso atraso económico.
- sc Qual é o problema? Os portugueses ficam malucos com tantas injustiças: subida dos juros da habitaçao, subida dos combustíveis, aumento da idade da reforma, etc. Mas tudo bem, abre-se a porta a imigraçao (de luxo)...
- Xuxu A psicopatia prolifera por todo o lado...No condomínio onde vivo (e somos 16) 20% dos condóminos sofrem de paranóias várias. Entendo que os responsáveis da saúde mental em Portugal, deviam fazer rastreios, mesmo de forma aleatória, ou não?
- Pedro Gomes E desses 2,3 milhões muitos deles são psiquiatras e psicólogos. Os técnicos de saúde mental deste país reflectem a loucura que anda por aí fora. "...detectadas demasiado tarde pelo sistema de saúde." Demasiado tarde... e a prevenção? Ah... isso para eles é um trabalho entediante... Lisboa
- CP E estes números vão aumentar.
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Painting information
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Artist - Bronzino, Angelo
Title Deutsch: Allegorie des Triumphes der Venus, Detail
Year- 1540-1545
TechniqueDeutsch: Öl auf Holz
Current location Deutsch: National Gallery Deutsch: London
Notes - This is only a portion of the entire painting.
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See Image:Angelo Bronzino 001.jpg. NB: This image does not portray "insanity", but "jealousy".
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Se quiser saber mais ver:
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sábado, julho 07, 2007


Terra em Risco
Lixeiras ameaçam Planeta

* André Pereira / Pedro H. Gonçalves / Miguel Azevedo

A Terra corre o risco de ficar atolada em lixo caso nada seja feito para diminuir e tratar os mais de mil milhões de toneladas produzidos por ano pela Humanidade, de acordo com as estimativas das Nações Unidas e de agências especializadas em questões ambientais.
Os países mais desenvolvidos e industrializados, como seria de esperar, são os principais responsáveis pelo lixo existente. Só os EUA respondem pela produção de um quarto do lixo mundial, ou seja, cerca de mais de 235 milhões de toneladas.
No top cinco dos países mais poluidores do Mundo, além do já referido líder isolado, aparecem Rússia (207,4 milhões), Japão (52,36), Alemanha (48,84) e Reino Unido (34,85). Portugal, com uma população de cerca de dez milhões de habitantes, ficou-se pelos cinco milhões de toneladas, das quais apenas 16 por cento são recicladas. Os dados são referentes a 2005.
A maior parte deste lixo denomina-se de resíduos sólidos urbanos, compostos por restos de comida, cartão, papel, vidro, plásticos e outros, cuja principal fonte são as habitações. Mas se parte deste lixo pode ser reciclado, a verdade é que muitas outras toneladas ficam por tratar. As más práticas são frequentes e ainda é possível ver locais onde os resíduos de construção e demolição (entulho) ou equipamento eléctrico e electrónico (os vulgares electrodomésticos) se amontoam a céu aberto.
Das cerca de cinco toneladas de resíduos sólidos urbanos produzidas em Portugal, cerca de 60 por cento é lixo biodegradável. Se à primeira vista esta característica podia ser considerada positiva, a verdade é que o seu depósito em aterros implica alguns problemas, como a produção de fortes odores, gases com efeito de estufa mais poderosos do que o dióxido de carbono ou águas residuais de difícil tratamento.
Segundo um relatório sobre a gestão dos resíduos sólidos urbanos e a emissão de gases de estufa, no âmbito da Plano Estratégico dos Resíduos Sólidos Urbanos (PERSU II), a reciclagem é o método de tratamento mais eficaz no que diz respeito à redução na emissão de dióxido de carbono para a atmosfera. Em 2005, foi responsável pela poupança de 376 mil toneladas. A previsão aponta para 488 mil toneladas em 2020.Quanto ao destino final dos cinco milhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos produzidos no País, cerca de 3,2 milhões são colocados em aterros. A recolha selectiva e a valorização orgânica representam, respectivamente, nove e sete por cento.
No entanto, nem tudo é mau. Apesar de ainda se estar longe do cenário ideal, os últimos indicadores parecem revelar uma mudança de atitude nas populações dos países mais desenvolvidos. Se até há bem pouco tempo a quantidade de lixo produzido era um parâmetro de desenvolvimento, hoje em dia essa ideia está completamente afastada.
"PROGRESSO NÃO É SINÓNIMO DE POLUIÇÃO"
Pedro Carteiro, do Centro de Informação de resíduos da Quercus
CM – Qual é o impacto dos resíduos no ambiente?
Pedro Carteiro – Além dos fortes odores que os aterros sanitários emanam, também libertam gás metano, que contribui 21 vezes mais para o efeito de estufa se compararmos com o dióxido de carbono. As águas residuais que resultam desses locais possuem uma carga poluente muito elevada e para a qual não existe equipamento tecnologicamente sofisticado capaz de tratar.


– Que medidas podem ser adoptadas para minimizar esse impacto?
– Temos de implementar o tratamento mecânico e biológico, vulgarmente designado por TMB, que separa os resíduos em três facções e consegue tratar de forma eficaz o lixo biodegradável, que é o grande responsável pelas emissões de gás metano. Em Portugal existem quatro grandes unidades de tratamento, o que é insuficiente para o País. Devíamos usar as verbas comunitárias para investir a sério no TMB.
– Como aliar o progresso com a necessidade de reduzir a quantidade de lixo que produzimos?
Progresso não é um sinónimo de poluição. É possível conciliarmos essa necessidade através da aplicação de medidas que já são usadas, como a reciclagem. Também as empresas já começam a pensar num design ecológico.
"TODOS NÓS SOMOS EGOÍSTAS E COMODISTAS
"Nuno Guerreiro, vocalista da Ala dos Namorados, banda que participa amanhã no evento Live Earth no Pav. Atlântico.
Correio da Manhã – Sempre foi uma pessoa atenta aos problemas ambientais?
Nuno Guerreiro – Confesso que às vezes tento não pensar tanto nos problemas do ambiente, porque são assustadores. O aquecimento global é algo verdadeiramente preocupante. As diferenças de temperatura são cada vez maiores e a culpa é da poluição que, afinal de contas, é da responsabilidade de todos nós. Não sei como é que as coisas estarão daqui a vinte anos! Até podemos dizer que a culpa é dos políticos, mas a verdade é que somos nós que lhes damos o poder.
– De que forma procura contribuir para o bem-estar do ambiente?
– Tenho sempre a preocupação de separar o lixo e nunca deixo luzes ligadas. Mas apesar de tudo também sou um pecador. Todos fazemos asneiras. Muitas vezes nem nos lembramos, mas só pelo facto de termos carro já estamos a contribuir para a poluição e para o mal-estar do ambiente. A verdade é que todos nós somos egoístas e comodistas.
– Pode a música, efectivamente, sensibilizar as pessoas para a preservação do ambiente?
– Acho que a música pode ajudar a despertar as pessoas para causas. Por isso, qualquer figura pública pode e deve ajudar, sobretudo porque as coisas hoje também andam muito camufladas. Acho que quem não andar bem informado nem sabe bem o que se está a passar no nosso Planeta. Acredito no evento Live Earth da mesma forma que acreditava noutras iniciativas do género. Vi há pouco tempo o Live Eight e era um evento muito bem organizado e que tocou as pessoas.
– Durante a actuação de amanhã, no Pavilhão Atlântico, a Ala dos Namorados vai passar algum tipo de mensagem? Têm algum discurso preparado?
– Estou obviamente a pensar dizer qualquer coisa. Até estou a pensar investigar um pouco mais sobre o assunto para poder falar com conhecimento de causa. É possível que prepare um pequeno texto para dizer em palco. Quanto ao alinhamento, é quase certo que iremos interpretar ‘Canção de Edite’ e ‘Loucos de Lisboa’. Mas o tempo não dá para muito. Não deveremos exceder cinco canções.
SUPERPOTÊNCIA NO MAU SENTIDO
Os Estados Unidos são os líderes destacados no que à produção de lixo diz respeito. Respondem por um quarto do total: 235 milhões de toneladas.
ALTERAÇÕES DE MENTALIDADES
Antigamente a quantidade de lixo produzido media o desenvolvimento de um país. Uma ideia totalmente ultrapassada hoje em dia.
TRÊS MEDIDAS PARA SALVAR O PLANETA
Padre Vítor Melícias - Aos 68 anos é o superior provinvial da Ordem dos Franciscanos em Portugal.
1. - Tratar o Planeta Terra como se fosse a Madre Terra, ou seja, praticando uma ecologia não do interesse e do medo, mas de fraternidade universal, com o homem a perceber que é apenas um dos habitantes da Terra.
2. - Todos os dirigentes, independentemente de crenças ou culturas, têm de notar que o Planeta é a casa de todos e para todos e, portanto, são necessários compromissos internacionais que sejam efectivamente respeitados.
3. - Que se comece pelas crianças e jovens a ensinar de forma prática que o interesse de todos é que ninguém tenha interesses seus contra os dos outros. O amanhã dos homens só será seguro se for construído por todos.
in Correio da Manhã 2007.07.06

terça-feira, julho 03, 2007






Terra em risco
Degelo ameaça espécies em extinção

* André Pereira / Miguel Azevedo
O degelo nas regiões polares (Antárctida, no Sul, e Ártico, no Norte) é um fenómeno cada vez mais evidente e preocupante. As consequências serão devastadores e, segundo os cientistas, far-se-ão sentir em todo Mundo. Os gelos glaciares estão a desaparecer por acção do aquecimento global.

Os relatórios sobre o impacto do aquecimento global nestas regiões são alarmantes. Investigadores de mais de 200 países apresentaram, em 2004, um estudo exaustivo sobre as alterações climáticas verificadas no Ártico, alertando para a extinção de várias espécies como os ursos polares ou as focas árcticas até ao final de 2100. Mas não é só a vida animal que sofrerá com este fenómeno. Os países mais próximos das regiões polares, como a Gronelândia, a Islândia, a Suécia, a Finlândia ou a Rússia, têm de começar já a preparar o futuro de forma a atenuarem os efeitos.
No relatório – Artic Climate Impact Assessment (ACIA) – os investigadores prevêem que mais de quatro milhões de pessoas serão afectadas pelo degelo dos glaciares polares. As investigações apontam para que se registe uma subida na temperatura média anual na ordem dos sete graus centígrados, podendo deixar de existir valores negativos nessas regiões. Entre 1954 e 2003 as temperaturas oscilavam entre os -3 e os 4 graus centígrados. As previsões estimam agora valores entre os zero e os 12 graus.Se as alterações introduzidas no ambiente são negativas, o impacto na economia e na vida das populações não será melhor. Teme-se, por exemplo, que a Rússia e o Canadá venham a sofrer derrocadas de edifícios devido ao degelo das camadas existentes no subsolo. Na Sibéria já é possível ver-se as consequências dessa fusão em algumas construções.
'CONTINENTES' À DERIVA
Imagens recentes da NASA mostram que são cada vez mais os pedaços de gelo à deriva no oceano. Na Antárctida, a agência espacial norte-americana identificou, em 2002, um bloco de gelo com cerca de 85 quilómetros de diâmetro. Três anos mais tarde, no Canadá, a NASA registou um iceberg com cerca de 50 quilómetros. Os cientistas temem que este fenómeno venha a ser cada vez mais frequente.
Uma das personalidades mais activa na sensibilização da Humanidade para os problemas do aquecimento global é Al Gore. O ex-vice presidente dos Estados Unidos, com o livro e posterior filme ‘Uma Verdade Inconveniente’, traça um cenário negro para os próximos anos, caso os países mais industrializados mantenham as actuais taxas de emissão de dióxido de carbono para a atmosfera. Com base nos mais recentes estudos, Al Gore voltou a chamar à atenção para o aquecimento global: “Se parte da Gronelândia derreter o efeito sobre Manhattan será pior do que os ataques de 11 de Setembro”. O alerta está dado.
"SITUAÇÃO AGRAVOU-SE NOS ÚLTIMOS DEZ ANOS"
(Filipe Duarte Santos, especialista em alterações climáticas)
- CM – A que ritmo está a verificar-se o degelo na Antárctida?
- Filipe Duarte Santos – É difícil quantificar, mas a situação agravou-se nos últimos dez anos, período em que se tem verificado um maior desprendimento dos glaciares. A zona ocidental é mais instável nesse aspecto. Na Gronelândia, por exemplo, a área de gelo, que durante o Verão se funde, aumentou 16 por cento desde 1979.
- De que forma Portugal pode ser afectado?
- Para já não há um efeito directo sobre o nosso país. A fusão do gelo, que está acima do nível do mar, provoca um aumento do nível do mar, mas essa fusão não é a principal causa para essa subida.
- O que pode ser feito para contrariar o fenómeno do degelo?
- A fusão do gelos glaciares é uma consequência do aquecimento global. Assim, tudo o que seja diminuir a emissão de CO2 e poupança de energia é positivo para nós e para o Planeta.
"ABISMO FOI CRESCENDO"
(Sérgio Godinho, músico que actua a 7 de Julho na iniciativa Live Earth no Pavilhão Atlântico, em Lisboa)
- Quando despertou para as questões ambientais?
- Sérgio Godinho – Não se falava em ecologia ou problemas ambientais quando eu andava na escola. Lá íamos, cantando e rindo, a caminho do abismo. Ele foi crescendo, como o buraco do ozono.
- Quais as questões que mais o preocupam?
- A falta de esforços concertados, sobretudo pelo egoísmo norte-americano. A fuga de Bush ao protocolo de Quioto foi um passo gravíssimo que atrasou perigosamente a salvação de uma só terra.
- De quem é a culpa?
- Os grandes interesses económicos falam muito alto e mandam geralmente na política. Mas convém que cada um de nós faça parte de uma voz comum, que fale mais alto ainda.
- Pode a música sensibilizar as pessoas para estes problemas?
- A música pode sensibilizar para coisas boas e coisas más. Veja-se os hinos que mandam homens para a guerra. No caso do Live Earth é mais um alerta. E isso é bom, já de si.
- Vai levar algum discurso preparado?
- O estar presente é a primeira das mensagens. O resto logo se vê.
TRÊS MEDIDAS PARA SALVAR O PLANETA
(Rogério Alves, Bastonário da Ordem dos Advogados. 45 anos.)
PRIMEIRA Introdução no sistema educativo de uma disciplina relativa à defesa ambiental desde o ensino infantil. Sensibilizar todas as pessoas, desde quase o berço, para a necessidade de proteger o nosso Planeta que está em perigo.
SEGUNDA Campanhas contra o desperdício dos recursos utilizados no quotidiano das pessoas. A soma de todos os pequenos contributos, de cada um de nós, significa um avanço brutal na poupança dos recursos.
TERCEIRA Repressão e penalização das actividades altamente poluentes. Em simultâneo, deveria haver maior investimento público na investigação de energias alternativas e mais rentáveis para substituir os combustíveis fósseis.
in Correio da Manhã 2007-07-03

segunda-feira, maio 28, 2007


O negócio das «privadas» (10)

Superior: Polémica no ensino particular
30 mil alunos perdidos em dez anos

* André Pereira / Edgar Nascimento


Só a Universidade Internacional ficou sem 2600 alunos desde 1997 e é uma das instituições do Superior privado envoltas em polémica. Os responsáveis da UI vão agir criminalmente contra o Estado português.
Entre 1997 e 2006 o Ensino Superior privado perdeu cerca de 30 mil alunos: de 110 mil inscritos há dez anos passaram a ser 80 mil no início do presente ano lectivo.
Só a Universidade Internacional (UI) perdeu mais de 2600 alunos numa década. Na última semana, o ministro Mariano Gago emitiu dois despachos onde determina o fim de interesse público da UI de Lisboa e da Figueira da Foz. Em resposta, o presidente do conselho de administração da entidade instituidora da Universidade, Javier Mendez de Vigo, garantiu ontem que a SIPEC – Sociedade Internacional de Promoção de Ensino e Cultura – accionará “criminalmente quem, abusando dos seus poderes, tenha como objectivo lesar os interesses dos alunos, professores e funcionários das duas universidades”. Isto depois de afirmar que o Ministério do Superior “não pode abusar das suas competências legais para prosseguir objectivos ilícitos”.
Em conferência de imprensa, na qual esteve mais de uma centena de alunos, Javier Mendez de Vigo garantiu que apresentará os planos de cada curso, com a identificação dos docentes e respectivas provas das qualificações académicas. Desta forma a sociedade responde aos pressupostos enumerados pela Inspecção-Geral da Ciência e do Ensino Superior que serviram de justificação para o ministro retirar o reconhecimento de interesse público à instituição.
O administrador da SIPEC revelou ainda o conteúdo da notificação enviada pela DGES, na qual é referido, por engano, o nome da Universidade Independente. Perante este erro Javier Mendez de Vigo afirmou: “Por que nos querem confundir? Não temos lutas de sócios, não há distribuição de dividendos, não existe duplicação de reitores nem de conselhos de administração.”
As últimas decisões de Mariano Gago relançaram dúvidas sobre o funcionamento das instituições de Ensino Superior privado. “Não é negativo que instituições sejam punidas pelas infracções que cometem. Até é bom para esclarecer a comunidade, de uma vez por todas, de quais é que cumprem”, diz João Redondo, director executivo da Associação Portuguesa do Ensino Superior Privado (APESP). O dirigente recorda que o Superior privado envolve perto de 90 instituições e que apenas algumas têm tido situações mais complicadas. “As privadas têm sido sistematicamente inspeccionadas. Não vejo que as últimas decisões sejam uma investida.”
ESPERA
A Universidade Independente entrega amanhã a contestação ao despacho do ministro que lhe retirou o estatuto de interesse público, após meses conturbados. O processo de encerramento compulsivo ainda decorre.
SALÁRIOS
Após o caso Moderna, relativo a 1999, a universidade volta agora a ser motivo de polémica. Os professores reclamam salários em atraso. O DIAP investiga irregularidades no funciona-mento e dívidas ao Fisco.
POLÍTICOS PARA ATRAIR ALUNOS
As universidades privadas têm apostado na contratação de políticos para dar nome e atrair alunos. Pedro Santana Lopes tem dedicado parte da sua vida académica a dar aulas em privadas. Esteve na Livre, passou pela Lusíada e pela Moderna e depois de ter dado aulas na Universidade de Lisboa voltou às privadas, à Internacional, para ensinar Direito Constitucional e Direito Internacional Público. “As aulas fazem bem ao espírito, puxam por nós”, diz.
O ex-primeiro-ministro assume que as privadas “estão num momento difícil, mas fazem muita falta”. Ao contrário da maior parte das privadas, a Fernando Pessoa não contrata docentes com actividade política.
DIFERENÇAS ENTRE PÚBLICO E PRIVADO
TRÊS QUARTOS
No presente ano lectivo 75 por cento dos alunos do Ensino Superior estão inscritos em instituições públicas.
DIPLOMADOS
Segundo o Observatório do Ensino Superior, 70 por cento dos diplomas em 2006 foram concedidos no público.
CALOIROS
Mais alunos inscritos pela 1.ª vez no 1.º ano no ensino Superior público (74 por cento) do que no privado.
SAIBA MAIS
80 637 alunos inscritos no Ensino Superior privado no início do ano lectivo 2006/07, de acordo com o Observatório do Ensino Superior.
1986 é o ano-chave do Ensino Superior privado em Portugal: com o fim da Universidade Livre (criada em 1979) nascem as universidades Lusíada, Autónoma e Portucalense.
ENCERRAMENTO
A tutela pode decidir o encerramento compulsivo ou a retirada de estatuto de interesse público de uma instituição.
MOTIVOS
Para o encerramento compulsivo tem de haver insta-bilidade académica. A acontecer, a instituição fecha, mas os proprietários mantêm os alvarás dos cursos e podem reabrir outra instituição; a retirada de estatuto de interesse público resulta quando a instituição não cumpre os objectivos (falta de cursos e de corpo docente com formação). O fim do interesse público termina com os cursos.
NOTAS
PROBLEMA É A GESTÃO
Ângelo Correia foi consultor da Moderna entre 1999 e 2001. “Faltam corpos autónomos e a gestão é o principal problema das privadas”, diz o ex-ministro.
ECONOMIA UNE POLÍTICOS
Manuela Ferreira Leite e Pina Moura são de campos políticos opostos, mas leccionam juntos no Instituto Superior de Gestão desde 2005.
CASAL ILUSTRE NA LIVRE
O presidente do Millennium bcp, Paulo Teixeira Pinto, e a mulher, Paula Teixeira da Cruz, tiraram o curso de Direito na Universidade Livre.
EVOLUÇÃO DO ENSINO SUPERIOR
1997: 224.091 (Público) / 110.450 (Privado)
1998: 236.487 (Público) / 107.335 (Privado)
1999: 252.252 (Público) / 108.271 (Privado)
2000: 270.312 (Público) / 103.450 (Privado)
2001: 286.380 (Público) / 101.517 (Privado)
2002: 285.362 (Público) / 99.704 (Privado)
2003: 282.215 (Público) / 95.868 (Privado)
2004: 278.756 (Público) / 84.922 (Privado)
2005: 280.419 (Público) / 83.389 (Privado)
2006: 286.092 (Público) / 80.637 (Privado)
in Correio da Manhã 2007.05.29
Dia a Dia
Separar o trigo do joio
Armando Esteves Pereira,
Director-Adjunto
O Ministério do Ensino Superior retirou o estatuto de interesse público aos pólos da Universidade Internacional de Lisboa e da Figueira da Foz, o que significa que esta escola fica impedida de funcionar.
Os alunos da Internacional vivem agora um drama semelhante aos da Independente e na Moderna as notícias são de queixas de salários em atraso e de alunos a tentarem mudar para outras escolas.
Nos anos 80 a pressão demográfica e a insuficiente oferta quantitativa das universidades públicas e da Católica obrigaram o Governo a permitir a abertura de várias universidades privadas. No entanto, o Executivo limitou-se a passar uma autorização administrativa sem controlar a qualidade dos cursos. Muitas escolas criaram cursos que só depois foram legalizados pelo Ministério.
Os anos 80 e 90 foram de enriquecimento fácil para quem investiu neste negócio. Criaram cursos de papel e caneta, esqueceram os tecnológicos, que exigiam investimento. Os professores eram de fácil recrutamento e acumulavam funções em diversas escolas.
O aumento da oferta do ensino público, também sem controlo eficaz de qualidade, e a diminuição do número de alunos obrigam a uma selecção entre boas e más escolas. As más acabarão por fechar e é pena que só agora o Estado esteja atento à falta de qualidade das universidades que foram criadas como supermercados.
in Correio da Manhã, 2007.05.28.

domingo, abril 22, 2007


MISÉRIA ATINGE NOVE MIL PESSOAS E ESTÁ A AUMENTAR

* João Saramago com André Pereira

Há 8718 sem-abrigo em Portugal, segundo o Instituto da Segurança Social. Destes, o maior grupo, constituído por 4179 pessoas, engloba indivíduos que “têm casa mas esporadicamente vivem na rua ou num centro de acolhimento”, devido a problemas de foro psiquiátrico, dependências de drogas ou álcool e pressão familiar. Este grupo inclui também pessoas que só conseguem manter casa com ajuda de serviços sociais.

Segundo o Estudo dos Sem-Abrigo, de 2005, o número de pessoas que dormem em centros de acolhimento, em casas e carros abandonados, barracas ou varandas é de 2684. Por último, há um grupo de 1855 pessoas que pernoitam sempre na rua.

O mesmo trabalho indica que o número de situações de sem-abrigo tem aumentado, existindo uma nova geração constituída, na maioria, por homens portugueses com idades entre os 20 e 40 anos, que acabaram por viver na rua por perda de emprego, morte de um familiar, problemas emocionais ou com ligações ao álcool e drogas.

“Hoje – sustenta o estudo – não é possível falar de sem- -abrigo sem falar de toxicodependência. Esta nova realidade encontra-se inegavelmente ligada às necessidades de consumo e à progressiva degradação das capacidades dos indivíduos que acabam por entrar nessa situação, centrando os seus esforços apenas na satisfação diária das necessidades de consumo. Paralelamente, assiste-se com frequência a uma destruição dos laços familiares e redes de suporte e a uma progressiva e rápida aquisição de comportamentos autodestrutivos e de ausência (total ou quase total) de cuidado com o corpo.”

Este trabalho alerta para que “a entrada no mundo da miséria vai empurrando os indivíduos para um beco sem saída, que os vai degradando física e psicologicamente, pelo que o estigma da marginalização fica estampado no rosto e na aparência física. Além disso, o próprio facto de estarem desprovidos de recursos materiais inviabiliza a sua tentativa de reintegração num trabalho”.

O MITO DA ESCOLHA DA LIBERDADE

Ao contrário do mito segundo o qual muitos sem-abrigo estariam nesta situação por escolha própria, por apreciarem a liberdade que advém da ausência de quaisquer responsabilidades ou compromissos sociais, nenhum participante do inquérito realizado pelos investigadores Fernando Sousa e Sandra Almeida referiu preferir as ruas a uma habitação condigna. Note-se ainda que, quando colocados perante a oportunidade de uma eventual mudança para uma habitação de carácter permanente, por comparação com a continuação no abrigo, todos os participantes preferiram mudar. Muitas das situações de sem-abrigo resultam de morte de um familiar, desemprego, divórcio, toxicodependência ou conflitos com a família.

MAIS MULHERES IDOSAS VIVEM NA RUA

As mulheres representam 24 por cento dos sem-abrigo de Lisboa, ou seja, são cerca de 200 mulheres que pernoitam na rua. Tradicionalmente são mais protegidas do que os homens pelos serviços sociais na disponibilização de um quarto numa pensão. Nos últimos tempos, contudo, tem aumentado o número de mulheres, sobretudo idosas, que vivem na rua, revela o último estudo do Instituto da Segurança Social sobre os sem-abrigo. Uma forte ruptura emocional, como a perda de um filho ou um divórcio, transforma muitas destas mulheres em sem-abrigo, numa situação em que já não conseguem reorganizar a sua vida. São também as idosas pedintes as mais expostas a actos de violência cujo objectivo é roubar-lhes o dinheiro das esmolas.


NÚMEROS DA MISÉRIA SOCIAL

- 18 milhões de pessoas na Europa encontram-se em situação de sem-abrigo ou a viver em barracas.
- 930 sem-abrigo vivem em Lisboa, segundo um estudo de 2004. Um terço não tem mais de 34 anos.
- 87 por cento dos sem-abrigo de Lisboa apontam como principais necessidades comida, roupa e um abrigo.
- 58 por cento dos mendigos exercem actividades pontuais e 7% vivem do Rendimento Social de Inserção.
- 140 euros é quanto os Serviços Sociais pagam por mês para um quarto de um mendigo.
- 30 euros é quanto um mendigo tenta obter por dia a arrumar carros. São na maioria toxicodependentes.


in CORREIO DA MANHÃ 2007.02.03 Fotografia João Miguel Rodrigues