A Internacional

__ dementesim . . Do rio que tudo arrasta se diz que é violento Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem. . _____ . Quem luta pelo comunismo Deve saber lutar e não lutar, Dizer a verdade e não dizer a verdade, Prestar serviços e recusar serviços, Ter fé e não ter fé, Expor-se ao perigo e evitá-lo, Ser reconhecido e não ser reconhecido. Quem luta pelo comunismo . . Só tem uma verdade: A de lutar pelo comunismo. . . Bertold Brecht
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segunda-feira, novembro 01, 2010

Dilma vence as Presidenciais no Brasil

 
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Depois do voto, a candidata sinaliza a vitória 
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Brasil

Vermelho - 31 de Outubro de 2010 - 20h25
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Deu Dilma lá

Com 92,23% dos votos apurados, a candidata da coligação Para o Brasil Continuar Mudando obteve 55,39 dos votos válidos contra 44% de José Serra e foi declarada eleita pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Ricardo Lewandowski, por volta das 20h30. A abstenção atingiu 21,18%. O recado das urnas foi claro. O povo votou para consolidar e impulsionar o processo de mudanças iniciado em 2002 com a eleição de Lula.

Às 22 horas, com 99,45% dos votos apurados, a Dilma tinha 55,46% contra 43, 57% do candidato tucano.

O grande vitorioso do pleito é o povo brasileiro, que rejeita o retrocesso neoliberal e aposta na continuidade e no aprofundamento do processo de mudança iniciado pelos governos Lula; abomina as privatizações e votou para que os lucros do petróleo do pré-sal sejam apropriados pela nação e não pelas transnacionais .

Ganharam os partidos de esquerda e de centro que integram a coligação Para o Brasil Continuar Mudando. Ganharam os movimentos sociais (as centrais sindicais, a UNE, o MST), ameaçados de criminalização pela direita demo-tucana. Ganharam os democratas e patriotas, que rejeitam o obscurantismo e defendem uma política externa altiva e soberana. Ganharam as mulheres, que pela primeira vez na história do Brasil terão uma representante na Presidência da República, numa vitória da luta secular pela igualdade.

Quem foi derrotado nesta eleição

A direita demo-tucana. O caráter direitista da coligação demo-tucana encabeçada por José Serra ficou patente no decorrer da campanha presidencial. Serra foi apoiado e assessorado pela TFP, organização de notória inspiração fascista; apelou ao discurso golpista contra a “república sindicalista” (usado pelos militares em 1964); estimulou a intolerância e o obscurantismo reacionário de setores religiosos, contra o aborto e o casamento homossexual; acenou com a privatização do pré-sal, a “flexibilização” (ou o fim) do Mercosul e o retorno da diplomacia do pés descalços, em troca do apoio das potências imperialistas.

A mídia golpista. Os meios de comunicação monopolizados por um minúsculo grupo de famílias capitalistas (Marinho, Civita, Frias e Mesquita) estão entre os grandes derrotados deste pleito. Com o destaque das Organizações Globo e da editora Abril, que transformou a revista Veja num mal disfarçado panfleto da campanha tucana, a mídia escancarou o apoio ao candidato da direita e em certo momento passou a ditar a agenda da campanha. Deixou cair a máscara do pluralismo e da imparcialidade. A verdade saiu arranhada nesta mídia. Apesar do segundo turno, o povo não se deixou enganar e impôs nova derrota à mídia, a terceira desde 2002. Tudo isto deve servir de lição ao novo governo, que pode pautar um debate mais sério e sereno sobre as propostas da Primeira Conferência Nacional da Comunicação (Confecon).

O papa e setores reacionários da Igreja. Em outra prova de sua guinada à direita, José Serra se aliou aos setores mais reacionários e obscurantistas das igrejas, mobilizando padres, pastores e bispos para uma suja campanha contra Dilma, explorando de forma demagógica temas delicados como o aborto e a união civil de homossexuais. Até o papa entrou na baixaria, pregando contra “a candidata do aborto” na reta final do pleito. O Estado é laico, como afirmou Lula. O obscurantismo religioso não vingou, foi derrotado.

As transnacionais e o imperialismo. Na reta final da campanha, a revista The Economist e o jornal Financial Times, que tinham mantido prudente distância do pleito no primeiro turno, com a ressureição da possibilidade de vitória no segundo turno resolveram abrir o jogo e declarar apoio a Serra. Os dois veículos, porta-vozes do imperialismo anglo-americano, refletiram a opção e torcida do capital estrangeiro, esperançosos com as sinalizações de que o programa de privatizações seria retomado pelo tucano, que na reta final da campanha admitiu a privatização do pré-sal denunciada por Dilma Rousseff. Foram derrotados. 


Da redação, Umberto Martins




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quinta-feira, outubro 14, 2010

A crise do dólar e a guerra cambial entre EUA e China

Economia

Vermelho - 13 de Outubro de 2010 - 19h44

As fronteiras entre economia e política nas relações internacionais são tênues e parecem justificar a afirmação de Lênin de que a política é uma expressão concentrada da economia. Presenciamos hoje pelo mundo, conforme notou o ministro Guido Mantega, uma “guerra cambial”. Parece que é um conflito econômico. E é. Mas é também, principalmente, uma guerra política envolvendo várias nações e protagonizada por dois grandes rivais: os Estados Unidos e a China.

Por Umberto Martins

O dólar declina em todo o mundo. E o Brasil não é o único país a sentir os efeitos contraditórios e deletérios deste fenômeno. Bem ou mal, a moeda estadunidense ainda desempenha o papel de dinheiro mundial. É a referência internacional dos preços das mercadorias e também dos valores relativos das moedas nacionais e regionais, como o euro.

Por esta razão, a queda do dólar tem como contrapartida a valorização das moedas de inúmeros outros países. Isto, como se vê no Brasil, encarece e desestimula as exportações e desperta sérias preocupações acerca do futuro da indústria. Em nome ou em defesa dos interesses nacionais, os governos adotam medidas para impedir a valorização de suas moedas e preservar a competitividade das empresas.

Dois exemplos recentes

No Brasil, o Ministério da Fazenda anunciou recentemente o aumento para 4% do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) incidente sobre o capital estrangeiro especulativo investido na aquisição de títulos de renda fixa. No Japão, o Estado deixou de lado o excesso de liberalismo e passou a intervir no mercado de moedas para conter a valorização do iene, percebida como um obstáculo ao crescimento das exportações.

Reações como estas vão configurando o cenário que o ministro Guido Mantega classificou de guerra cambial, com todo mundo agindo para manter o valor de suas moedas num patamar competitivo, o que pode se revelar o primeiro passo para uma guerra comercial de consequências mais sérias, hoje imponderáveis. As divergências pululam quando se trata de identificar os culpados ou o culpado pelos conflitos.

Responsabilidades

Os Estados Unidos aproveitam a oportunidade para apontar a China como principal responsável pela instabilidade e volatilidade das cotações em função da política cambial do país, que destoa do catecismo neoliberal e não contempla a livre flutuação do iuan, embora admita uma valorização em doses homeopáticas. A União Europeia faz coro com o império e as pressões contra a próspera nação asiática crescem.

Mas a versão do governo estadunidense para os fatos não convence todo o mundo. O Brasil, por exemplo, diverge. Para o ministro Mantega, a culpa maior deve ser atribuída aos EUA. "O Federal Reserve (Fed, banco central americano) promete uma expansão quantitativa da moeda, despejando recursos na economia. Outras nações avançadas estão fazendo o mesmo. Mas isso não vai reativar as economias. Na verdade, vai apenas desvalorizar o dólar e outras moedas, incluindo a chinesa, que está atrelada à americana", disse o ministro brasileiro em apresentação no Council of the Americas, em Nova York, nesta quarta (13). Ele defendeu o câmbio flutuante, mas não quis fazer o jogo dos EUA e evitou críticas à China.

A reação do Estado norte-americano à recessão iniciada em dezembro de 2007 levou a uma expansão inédita da base monetária e inundou o mundo de dólar. Estima-se que foram despejados 14,9 trilhões de dólares na economia para resgatar o sistema financeiro, um valor superior ao PIB. Com a taxa de juros fixada em 0 a 0,25%, os investidores pegam o dinheiro de Tio Sam a custo zero e aplicam em “emergentes” como o Brasil, onde os títulos públicos remuneram pela taxa básica de juros (Selic), que está em 10,75%. Apesar do IOF de 4% a operação ainda é altamente lucrativa e este é um dos motivos do ingresso excessivo de dólares na economia brasileira e da valorização do real. Não é sem razão que o economista Josefh Stiglitz, que recebeu o Prêmio Nobel em 2001, acusa os EUA de manipular artificialmente o câmbio e forçar uma desvalorização do dólar para obter vantagens comerciais.

Diversidade

O impacto da queda do dólar não é igual para todo o mundo e a diversidade de efeitos tem a ver com o fato de que não há um regime cambial único para as diferentes nações. Algo parecido chegou a prevalecer precariamente no passado. Após a Segunda Guerra, e nos marcos dos acordos de Bretton Woods, vigoraram o padrão dólar-ouro e o câmbio fixo. Viveu-se um período de certa estabilidade e prosperidade no mundo capitalista, mas o sistema monetário de Bretton Woods entrou em colapso após a decisão unilateral dos EUA, em 1971, de acabar com o lastro do dólar em ouro.

Aos poucos, o câmbio fixo, que era a regra, foi cedendo lugar ao câmbio flutuante, que o Brasil adota hoje. Convém notar que por aqui o câmbio flutuante é bem recente. No início do Plano Real, e como condição dele, o câmbio fixo era norma. O real foi cotado a 1 dólar, com uma sobrevalorização sustentada por alguns anos pelo ingresso de investimentos externos. A liberalização veio na sequencia da crise cambial de 1999, embora hoje o câmbio flutuante seja apresentado como um dogma atemporal.

Cada Estado nacional adota a política cambial que julgar mais conveniente aos seus interesses, ressalvando aqui os países europeus da zona do euro, que abriram mão das soberanias sobre as políticas monetárias e cambiais. E, a julgar pelos resultados revelados no comportamento do PIB e do comércio exterior, quem pratica a política cambial mais sábia é a China, que nunca liberalizou o câmbio nem o fluxo de capitais, não pretende seguir os conselhos dos países ricos e considera o tema como uma questão de soberania nacional.

Ciúmes imperialistas

O fato é que os sucessos dos chineses despertam fortes ciúmes imperialistas no interior das chamadas potências ocidentais (que inclui EUA, União Europeia e inclusive o oriental Japão). As pressões lideradas pelo império miram o câmbio e alimentam a guerra cambial, mas têm um sentido mais amplo.

O pano de fundo das divergências é a liderança do poder econômico mundial, que se desloca rapidamente do Ocidente para o Oriente, onde o destaque é a poderosa economia chinesa, que cresce em torno de 10% ao ano. É a expansão da produção e das exportações (de mercadorias e capitais), ao transformar a economia socialista de mercado da China na principal locomotiva da economia mundial, que incomoda as potências capitalistas tradicionais.

A disputa, aparentemente econômica, ganha uma nítida dimensão política, envolve o Congresso dos EUA, políticos europeus e os guardiões da atual ordem imperialista (FMI e Banco Mundial). Não é difícil perceber que está em curso uma campanha orquestrada contra a China e em defesa de uma ordem que já caducou. O tema pode ser discutido na próxima reunião do G20, convocada para novembro em Seul.

Transição

As recentes declarações de Guido Mantega estão em linha com a nova política externa do Brasil, altiva e soberana em contraste com a era FHC e em harmonia com as mudanças objetivas que se verificam no mundo, impulsionadas pelo desenvolvimento desigual e o parasitismo do velho e decadente centro imperialista.

A fragilidade do dólar decorre dos enormes desequilíbrios da economia norte-americana, traduzidas nos déficit público e em conta corrente e no recurso parasitário ao capital estrangeiro e, agora, às emissões inflacionárias do Fed para fechar a conta. A resposta à crise ampliou o problema, exacerbando o rombo governamental e inundando o mundo de dólares baratos. Tudo isto revela a necessidade de um novo Sistema Monetário Internacional (SMI).

O dólar já não reúne as condições para exercer a função de papel-moeda mundial com relativa estabilidade e o bom senso recomenda sua substituição. Todavia, os EUA não advogam tal solução. Preferem apostar na guerra, hoje cambial, amanhã comercial, depois ninguém sabe. As consequências geopolíticas são imponderáveis, mas certamente indicam que a transição para uma nova ordem mundial não será pacífica.


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terça-feira, setembro 21, 2010

Crise e miséria no capitalismo norte-americano

Economia

Vermelho - 20 de Setembro de 2010 - 18h51

Os Estados Unidos amargam os efeitos da mais longa recessão de sua história desde a Segunda Guerra, segundo o Departamento Nacional de Pesquisa Econômica (NBER, na sigla em inglês). Iniciada em dezembro de 2007 e oficialmente encerrada em junho de 2009, o declínio da economia durou 18 meses e deixa feridas profundas na terra do Tio Sam. A recuperação é frágil e incerta, o que renova os temores de um duplo mergulho na depressão. 

por Umberto Martins
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É visível o acirramento das contradições sociais e da concentração da renda. Cresce a miséria no seio da classe trabalhadora. Estatísticas oficiais, divulgadas recentemente pelo governo, revelam que a quantidade de pobres na maior economia capitalista do mundo cresceu pelo terceiro ano seguido, passando de 39,8 milhões em 2008 para 43,6 milhões em 2009. O número é o maior em 51 anos e traduz uma taxa de pobreza de 14,3% no ano passado (ante 13,2% em 2008).

Quem paga o pato

Os indicadores mostram que os impactos sociais mais dramáticos da crise recaem sobre as famílias mais pobres, que pertencem à classe trabalhadora. A realidade social desta gente contrasta com a das camadas mais ricas da população, que continua enriquecendo apesar da recessão ou mesmo graças a ela.

Os salários nos Estados Unidos são mais altos que nos países latino-americanos. É isto que atrai a mão-de-obra imigrante proveniente do Brasil, México e outros países latino-americanos, iludidos com o American way of life (modo de vida americano).

Mas a renda do trabalho está estagnada nos Estados Unidos desde os anos 1970 e o emprego industrial, o que melhor remunera, percorre uma longa trajetória de declínio. Parece que os frutos da expansão capitalista verificada desde então foram apropriados exclusivamente pelos mais ricos, com destaque para a oligarquia financeira.

O excesso de consumo evidenciado na superprodução de imóveis, que acionou o gatilho da recessão, não decorreu do aumento da renda, mas da fartura de crédito fomentada pelos derivativos e pela ganância insaciável dos banqueiros. Com excesso de liquidez, emprestaram até para quem não tinha renda, patrimônio ou emprego.

Assim inflaram a bolha imobiliária. Quando chegou a hora da verdade, no curso de 2006, a bolha estourou, os preços dos imóveis despencaram, sobrevindo a inadimplência em massa, a recessão (no final de 2007) e os despejos, que vitimam milhões de trabalhadores e trabalhadoras.

Desemprego em massa

A situação da classe trabalhadora piorou (e muito) com a crise. Mais de 8 milhões foram afastados de seus postos de trabalho e passaram a engrossar o exército de desempregados, que segundo alguns economistas já conta com um efetivo superior a 30 milhões, incluindo os subempregados. 

Observa-se também um aumento do grau de exploração dos que continuam empregados, submetidos a um ritmo mais intenso de trabalho, maior flexibilização e precarização dos contratos. As empresas evitam contratar por tempo indeterminado e implementam planos de reestruturação poupadores de mão-de-obra.

Os governos Bush e Obama, em associação com o Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA), despejaram trilhões de dólares na economia a pretexto de conter a recessão e criar condições para a recuperação e o crescimento da economia.

Recuperação dos lucros

O governo e alguns analistas chegaram a alardear o fim da crise e início da recuperação diante da notícia de que, resgatados pelo dinheiro público, os bancos e muitas empresas saíram do vermelho e começaram a exibir gordos lucros, reanimando as bolsas de valores.

Mas a recuperação dos lucros não significou o fim da recessão para a grande maioria do povo, constituída de assalariados e desprovida de patrimônio. O desemprego continuou avançando, indiferente aos trilhões de dólares injetados pelo Estado no sistema financeiro e à retórica do governo Obama.

A verdade é que o Estado não agiu para proteger os trabalhadores. A forte intervenção do governo na economia, que alguns analistas interpretaram precipitadamente como um adeus ao neoliberalismo, serviu a outro interesse: salvar os banqueiros, responsáveis pela crise, e grandes empresas como a GM e a Ford.

Ganhando para demitir


Provisoriamente estatizada, a montadora GM recebeu bilhões de dólares para levar à frente um projeto de reestruturação que prevê a demissão de dezenas de milhares de operários nos Estados Unidos.

Outra “grande de Detroit” (outrora), depois de amargar anos de prejuízos a Ford espera anunciar um lucro de 5 bilhões de dólares neste ano depois de reduzir sua força de trabalho em quase 50% na América do Norte ao longo dos últimos cinco anos.

São fartos os exemplos de grandes empresas que estão ampliando os lucros com as demissões, intensificando a exploração da força de trabalho e forçando o aumento da produtividade do trabalho, conforme relata Fred Gosdstein num esclarecedor artigo sobre o tema.

As empresas também lucram com a chamada deslocalização, fechando fábricas no país e transferindo a produção para outros países onde a mão-de-obra é mais barata. O resultado disto é mais desemprego e desindustrialização, que no caso dos EUA não reflete apenas uma tendência objetiva do desenvolvimento da economia. É antes um sinal do parasitismo.

Vê-se, assim, que o desemprego é um flagelo para as famílias da classe trabalhadora, mas é também, ao mesmo tempo, uma fonte de lucros para os grandes grupos capitalistas, cujos interesses são escandalosamente dominantes no seio do Estado burguês. Não é de estranhar que o empenho para solucionar o problema deixe a desejar.

O emprego e a recuperação

Embora não impeça que alguns velhacos continuem lucrando e até ampliando seus rendimentos líquidos na crise, o desemprego é um péssimo negócio para a economia como um todo. A renda do trabalho é o principal fundamento do consumo em escala social.

Quando o trabalhador perde o emprego, e a renda decorrente, é constrangido a reduzir drasticamente ou mesmo interromper o consumir e também o pagamento de dívidas. Esta circunstância acirra a contradição entre produção e consumo que caracteriza o capitalismo, onde, ao contrário do que imagina o senso comum, o objetivo da produção não é o consumo, mas o lucro, sendo esta a razão última das crises de superprodução.

A queda do consumo induz os capitalistas a reduzir o volume de produção para adequá-lo à demanda deprimida, o que constitui um óbvio óbice à recuperação e ao crescimento da economia. Em virtude do parasitismo econômico, a poupança responde por 70% do PIB dos EUA. 

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Ao reduzir o consumo, o desemprego deixa de ser efeito para se transformar em causa da crise. Não é sem razão que muitos economistas apontem a escassez de emprego como o grande obstáculo à recuperação.

Distribuição da renda

A concentração da riqueza agrava o problema. Em contrapartida à estagnação da renda do trabalho, no topo da pirâmide social a faixa de 1% mais rico da população, que possuía 9% da renda nacional nos anos 1970, passou a se apropriar de 23,5% da renda total em 2007, ou seja, triplicou sua participação. A distribuição da renda nos EUA retrocedeu ao perfil verificado no início da Grande Depressão, em 1929.

Os super ricos têm muito dinheiro, mas uma capacidade de consumo limitada. Gastam um percentual menor de sua renda em comparação ao que consome o cidadão normal. Ou seja, os 23,5% da renda nacional apropriados por 1% de ricaços não são totalmente carreados para o consumo. Isto certamente contribuiu para a dramática queda do consumo nos EUA, que ultimamente vinha sendo sustentado pelo crescente endividamento.

O baixo consumo é a principal restrição à plena recuperação da economia. Isto transparece nos dados do mercado imobiliário, que registrou uma queda de 27,2% na venda de imóveis em julho deste ano, o que reflete a inadimplência dos desempregados. Os bancos que financiaram os trabalhadores na compra das casas reagem desencadeando um processo de despejo em massa. A construção civil responde por 15% do PIB americano.

A aparente contradição entre o recuo do consumo e o avanço dos lucros “é uma das razões por que em Wall Street há muito mais alegrai que nas casas dos trabalhadores, onde o pessimismo é profundo e o desemprego dá poucos sinais de que vai diminuir”, comenta o jornal Times.

Sintomas do fascismo

Imigrantes e negros são os segmentos da classe trabalhadora mais afetados pela crise. O desemprego entre os negros chegou a 15,5% em maio, contra taxas nacionais de 9,7%. A situação já é quase tão desesperada quanto no ponto mais baixo da Grande Depressão dos anos 1930: mais de um, de cada seis negros, está desocupado; entre adolescentes negros, a maioria dos quais está fora da escola e busca emprego de tempo integral, a taxa de desemprego alcança 38%.

O Censo dos EUA revela que a proporção de brancos que viviam na pobreza era de 8,6% em 2008, mas a taxa quase triplica entre os cidadãos afro-americanos e latinos, com 24,7 e 23,2%, respectivamente. Em 2008, 30,7% dos latinos, 19,1% dos afro-americanos e 14,5% dos brancos careciam de qualquer seguro médico.

A exemplo do que ocorre na Europa, a extrema-direita norte-americana, que avança no seio do Partido Republicano, procura transformar os imigrantes em bodes expiatórios da crise. A recessão exacerba o cinismo da oligarquia financeira e estimula a intolerância e o racismo, criando um caldo de cultura próprio do fascismo.

Fragmentar a classe trabalhadora com a clivagem entre imigrantes, negros e brancos “nativos” e impedir o desenvolvimento de uma consciência e uma identidade de classe entre as diferentes categorias e segmentos é uma operação elementar do grande capital para manter o domínio e o modelo econômico predatório e reacionário.

Frustração


A recessão teve um papel decisivo na eleição de Obama. Os trabalhadores enxergaram no líder negro a esperança de medidas concretas e eficazes contra o desemprego e o retrocesso social. Votaram em massa no candidato democrata. Mas o atual presidente, que não poupou recursos para salvar os banqueiros, frustrou as expectativas do povo, está com a popularidade em baixa e tende a colher um resultado melancólico nas eleições parlamentares de novembro.

O que ainda está em curso nos Estados Unidos é uma crise típica do capitalismo, que ocorre nos marcos do desenvolvimento desigual das nações reforçando o declínio histórico da hegemonia americana e os desequilíbrios insustentáveis da ordem imperialista.

Infelizmente, não há sinais de solução à vista. Sufocada por um sindicalismo corrompido e a divisão racial e étnica em seu próprio meio (entre negros, brancos e imigrantes), a classe trabalhadora não está em condições de apresentar uma alternativa progressista ao capitalismo neoliberal dos EUA. O processo eleitoral é monopolizado por dois partidos que têm o rabo preso com as classes dominantes e parece infenso a mudanças. O pleito de novembro não vai alterar esta realidade, a menos que seja para pior.

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quarta-feira, agosto 18, 2010

Ascensão da China é destaque no New York Times


Economia

Vermelho - 16 de Agosto de 2010 - 18h56

O jornal estadunidense New York Times destaca nesta segunda (16) que, depois de três décadas de crescimento espetacular, a China superou o Japão e se transformou na segunda maior economia do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos, com o PIB avaliado em dólar.

O fato não constitui propriamente uma novidade. O Banco Central chinês já anunciara no dia 30 de julho que o valor da produção chinesa em dólar superou a japonesa. Nesta segunda (16), a subida no ranking do gigante asiático foi confirmada pelo anúncio, em Tóquio, de que a economia japonesa cresceu 0,4% no segundo trimestre, ficando em US$ 1,28 trilhão, pouco abaixo do US$ 1,33 trilhão registrado pela China no mesmo período.

Eclipsando o Japão


O Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos ficou em torno de US$ 14 trilhões em 2009. O crescimento do Japão ficou abaixo do estimado pelo mercado. O fato de desbancar o Japão -- depois de ter passado Alemanha, França e Reino Unido -- reforça o poder do crescimento chinês e a perspectiva de que a China ultrapasse os EUA, tornando-se a maior economia do mundo num prazo histórico relativamente curto se as coisas continuarem evoluindo na mesma direção observada ao longo das últimas décadas.

“Isso tem um significado muito forte. Confirma o que vem acontecendo há uma década: que a China vem eclipsando o Japão na área econômica. Para todos na região da China, o país agora é o maior parceiro comercial, em lugar de EUA e Japão”, comentou Nicholas R. Lardy, economista do Instituto Peterson para Economia Internacional, em Washington.

Ainda em desenvolvimento


Para o Japão, cuja economia está estagnada há mais de uma década, os dados refletem o declínio do poder econômico e político. Segundo o Banco Mundial, o Japão deteve o posto de segunda maior economia do mundo em boa parte dos últimos 40 anos. E, na década de 1980, falou-se inclusive que o país ultrapassaria os EUA.

Os comunistas chineses, porém, enfatizam que, apesar do crescimento extraordinário, a China ainda deve ser considerada um país em desenvolvimento, predominante agrário e com uma renda per capita relativamente baixa (em torno de US$ 3.600).

De todo modo, a expansão da influência econômica da China no mundo, seja do ponto de vista comercial ou do peso crescente no ranking da exportação de capitais, é notória. “A China já é o principal fator a determinar o preço de virtualmente todas as principais commodities", diz Lardy.

Subestimação


Além disto, a dimensão real do PIB chinês é subestimada quando o critério é o dólar. A moeda estadunidense não fornece uma medida muito realista para o valor efetivo da produção realizada pelos trabalhadores e trabalhadoras chinesas, pois a diferença de políticas cambiais (a China não adota o câmbio flutuante e mantém as cotações de sua moeda, o yuan, sob estrito controle) distorce as relações de preços com os demais países e em especial com os norte-americanos.

Quando a produção é avaliada pela Paridade do Poder de Compra (PPC) as coisas mudam. O valor da produção chinesa é bem maior e o PIB per capita (produção total dividida pela população, que chegou a 6,5 mil dólares em 2008, segundo o FMI) é quatro vezes maior em PPC que em dólar. A PPC é uma medida mais realista porque exclui os efeitos de eventual valorização ou depreciação do câmbio e apura de forma mais confiável os preços relativos das mercadorias nos diferentes países.

Ascensão

De todo modo, o que respalda a ascensão da China e a ultrapassagem do Japão (mesmo em dólar) é o extraordinário crescimento da economia, que ocorre em franco contraste com o desempenho medíocre das três maiores potências capitalistas (EUA, Japão e Alemanha). No primeiro semestre deste ano, a produção chinesa cresceu 11,1% em comparação com o mesmo período do ano passado, alcançando o valor de 2,55 trilhões de dólares.

Desde 1978, quando foram introduzidas as reformas econômicas, o país vem registrando crescimento médio anual superior a 9,5%, enquanto os países capitalistas considerados mais industrializados patinam no pântano da estagnação, com taxas de crescimento em torno de 2% ao ano e elevado nível de desemprego.

Exportação de capitais

O crescimento da produção no interior do país também projetou a influência da economia chinesa para o resto do mundo, através do comércio exterior e da exportação de capitais, alavancada após a crise de 2008. Em 2009 a China passou a liderar o ranking das exportações globais, superando a Alemanha. Em 2007 já tinha ultrapassado os EUA, que declinaram para a terceira posição. A próspera nação asiática também está rivalizando com as potências ocidentais em outra frente de notória relevância no plano do poder econômico internacional: a exportação de capitais.

O Brasil, do qual a China se tornou a principal parceira comercial durante o ano passado, é um dos principais destinos dos investimentos chineses. Até o final deste ano, os chineses prometem investir cerca de 12 bilhões na economia nacional, o que levará o gigante asiático à condição de maior investidor estrangeiro no país, a julgar pelas previsões do mercado com base nos valores anunciados pelas empresas, que representam um crescimento de 14000% em relação aos 82 milhões de dólares investidos em 2009, segundo o Banco Central.

Repercussões geopolíticas

Combinado com o fraco desempenho das potências capitalistas, a ascensão da China configura o fenômeno que Lênin no passado denominou de desenvolvimento desigual das nações. A recessão iniciada em 2007 nos EUA e a crise da dívida na Europa agravaram o quadro de desigualdade, que objetivamente leva à decadência do chamado Ocidente e ao progressivo deslocamento do poder econômico global para o Oriente.

A exportação de capitais, lastreada pelas maiores reservas do mundo (de cerca de 2,5 trilhões de dólares), tende a transformar a China, doravante, em provedora de crédito e investimentos para as nações relativamente mais pobres, respaldando os movimentos políticos que contestam os modelos de desenvolvimento ditados pelas potências tradicionais (EUA, Japão e Europa) e as instituições da ordem imperialista remanescente do pós-guerra como o FMI e o Banco Mundial. 
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A ascensão da China, cujo governo não capitulou ao neoliberalismo e reitera a defesa do socialismo com características chinesas (a economia socialista de mercado), realça a necessidade de uma nova ordem econômica e política internacional e, em particular, um novo sistema monetário em que o dólar já não gozará do status de moeda hegemônica.

Geopolítica


Este movimento da economia, que tem caráter objetivo, tem notáveis repercussões geopolíticas, pois ocorre num momento de crise da hegemonia econômica e política dos Estados Unidos e da ordem econômica mundial, em que também rola o drama da decadência (relativa) da Europa e do Japão. É a expressão do que alguns observadores chamam de deslocamento do poder econômico global do Ocidente para o Oriente (leia-se China).

A ascensão da China vem ao encontro do novo cenário político vivido por muitos países da América Latina e tende a contribuir com a luta por mudanças e o anseio de soberania, que passa, em primeiro plano, pela contestação do domínio imperialista exercido pelos EUA, a derrota do neoliberalismo e a afirmação de novos projetos de desenvolvimento, com soberania, democracia e valorização do trabalho.

Da redação, Umberto Martins, com agências
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  • Eu ri do cara aí embaixo...

    17/08/2010 13h57 ...chamando a China de socialista. Um país que tem o maior número de novos bilionários por ano, e uma desigualdade de renda monstruosa, com os funcionários de fábricas que sustentam a indústria do país ganhando uma miséria. Se isso é socialismo, eu não sei porque vocês querem substituir o capitalismo...
    Filipe
    Fortaleza - CE
  • ascensão

    17/08/2010 9h27 Viva à Grande China Socialista!
    Alexandre Neves Rosendo da Silva
    São Paulo - SP
  • China

    16/08/2010 22h16 Em 1994, estavam prevendo que a CHina neste ano, ia ser a maior potencia mundial. Pois ultrapassaria os EUA. E também, a China está investinfo US$13 bilhões de dólares em energia renovável como a eólica. A maior indústrai de eólicos do mundo é da China. Na década de 60 quando a ex URSS enviou pesquisadores para desenvolver tecnologiacamente a China, pois a China começou a desenvolver bombas de hidrogÊnio, pois acarretou o conflito sino sovietico. E também, todos carros de luxos famosos, vai ser a China.
    Renato
    Itapeva - SP
  • ascensão da China...

    16/08/2010 21h59
    Bem vindo a chegada de novos tempos, sobretudo aquele que tras a mudança, quando não total derrocada do capitalismo, mas a transferência do eixo de decisões do ocidente pelo oriente (China), levando ao debacle do imperialismo do G-7,com a determinação dos povos da AL, África, Ásia na luta pela derrota do neoliberalismo e a afirmação de novos projetos de desenvolvimento, com soberania, democracia e valorização do trabalho. Isso, sem o ingênuo pensamento de que a materialidade do sistema se transfira totalmente às mãos dos trabalhadores, sem o que, a caminho,porém, utópico.
    fernandes
    São Luís de Montes Belos - GO
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sexta-feira, agosto 13, 2010

Desemprego é o futuro mais provável dos jovens sob o capitalismo

Economia

Vermelho - 12 de Agosto de 2010 - 19h44

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) divulgou nesta quinta (12) um relatório preocupante acerca do avanço do desemprego entre os jovens no mundo. A taxa de desocupados na faixa etária compreendida entre 15 a 24 aos subiu 7% desde o início da crise global, em dezembro de 2007, atingindo 21% nos países com dados disponíveis.

O número de desempregados foi estimado em 81 milhões de pessoas no final de 2009 (o mais alto da história), enquanto a população de jovens economicamente ativos soma 620 milhões, segundo a organização no documento intitulado Crise de trabalho para jovens. A juventude responde por 22% do aumento do desemprego. O estudo traz uma revelação surpreendente: 25% dos jovens empregados vivem abaixo da linha da pobreza.

"Um em cada três jovens entre 15 e 24 anos procura trabalho sem sucesso, abandonou a busca totalmente ou está empregado mas vive com menos de US$ 2 por dia", disse José María Salazar, diretor da divisão de Emprego da OIT, durante a apresentação do relatório.

Os indicadores devem ser interpretados como uma denúncia contundente da barbárie social do capitalismo, que a crise apenas acirra e realça. A falta de perspectiva para os jovens não constitui propriamente uma novidade. É o resultado lógico do desenvolvimento do capitalismo, assim como a tendência ao retrocesso social e ao aumento do desemprego.

Geração perdida

A taxa de desemprego em longo prazo entre jovens já começou a crescer em quase todos os países, principalmente na Espanha e nos Estados Unidos. O motivo é a contínua piora do mercado de trabalho.

O impacto desse cenário, de acordo com a agência, pode ser longo e devastador. Aqueles sem educação geral, vocacional e sem experiência são os mais vulneráveis. Outro problema é que muitos jovens empregados são super qualificados para as vagas. A Organização Internacional do Trabalho cita a sensação de desânimo e precariedade entre essas pessoas.

"Os jovens já não sabem onde ou como procurar emprego", constatou Steven Kapsos, economista da Unidade de Tendências de Emprego da OIT em Genebra, onde foi apresentado o relatório sobre Tendências Mundiais do Emprego Juvenil 2010, com o lançamento do Ano Internacional da Juventude das Nações Unidas.

Entre os jovens, são as mulheres que encontram mais dificuldades na hora de procurar emprego; em 2009, a taxa de desemprego entre elas foi de 13,2%, enquanto entre os homens foi de 12,9%, fenômeno que reflete a persistência de uma odiosa discriminação nas empresas capitalistas.

O cenário desanimador faz com que já se fale em "geração perdida", nome dado a um "grupo de jovens desanimado que, após uma longa e frustrada busca de emprego, se exclui do mundo do trabalho", explicou Sara Elder, economista da OIT.

Mais vulneráveis

O avanço do desemprego e os riscos sociais ligados a inatividade prolongada, como o recrutamento de jovens pelo narcotráfico, são consequências da crise mundial do capitalismo, que tem forte impacto nas economias desenvolvidas e em algumas emergentes.

Segundo o estudo, a juventude é mais vulnerável ao desemprego e à pobreza nas economias em desenvolvimento, onde vivem 90% dos jovens afetados. Por isso, a crise se traduz em menor quantidade de horas trabalhadas e na redução de salários para os poucos que podem manter um emprego formal.

A OIT registra aumento de 13,2%, para 1,023 bilhão de pessoas, da população juvenil entre 1995 e 2005, período no qual a disponibilidade de empregos para os jovens subiu apenas 3,8%, para 548 milhões vagas.

Por esse motivo, as chances que os jovens têm hoje de estarem desempregados são três vezes maiores que as dos adultos, já que o desemprego desses últimos era de 4,6% em 2005, contra a taxa de 13,5% referente aos menores de 25 anos.

Dessa forma, 44% de todos os desempregados no mundo têm menos de 25 anos, embora estes representem apenas 25% da população mundial, segundo a OIT.

Problema maior para os pobres


O Oriente Médio e o norte da África registram a taxa de desemprego juvenil mais elevada, de 25,7%. Logo atrás aparecem a Europa Central, o Leste Europeu e Comunidade dos Estados Independentes (CEI), com um taxa de 19,9%.

Na África Subsaariana, a taxa é de 18,1%; na América Latina e no Caribe, de 16,6%; no Sudeste Asiático e no Pacífico, de 15,8%; na Ásia Meridional, de 10%; e no Leste da Ásia, de 7,8%.

A região formada pelas economias industrializadas e pela União Européia (UE) é a única onde uma queda considerável do desemprego juvenil na última decáda foi registrada, de 17,5% para 13,1%, informou a OIT.

No entanto, a queda "se deve mais à falta de interesse dos jovens por entrar no mundo do trabalho antes dos 25 anos que à aplicação de estratégias bem-sucedidas para reduzir o desemprego juvenil", explicou Salazar.

Já a brecha entre homens e mulheres jovens em sua participação no mundo trabalhista é maior nos países em desenvolvimento, devido às "tradições culturais, à falta de oportunidades para que as mulheres possam trabalhar e realizar as tarefas domésticas e à tendência de elas serem demitidas antes dos homens".

300 milhões abaixo do nível de pobreza

"No entanto, o desemprego não é o principal problema de âmbito trabalhista que os jovens do mundo enfrentam, já que cerca de 300 milhões de trabalhadores de entre 15 e 24 anos vivem abaixo do nível de pobreza", afirmou.

Esse número representa cerca de 56,3% dos jovens empregados no mundo todo (25% de toda a população juvenil), os quais, além disso, costumam enfrentar "longas jornadas, contratos temporários ou informais, salários baixos, poucos benefícios sociais, quando estes existem, capacitação mínima e falta de voz no trabalho", acrescenta o relatório.

Outro aspecto que preocupa os responsáveis da OIT é que cada vez mais jovens não estudam nem trabalham, situação de 34% dos jovens da Europa Central e do Leste Europeu, de 27% dos da África Subsaariana, de 21% dos da América Latina e de 13% dos das economias industrializadas e EUA.

"Os jovens dos países em desenvolvimento se empregam em atividades pouco ou nada remuneradas e se tornam cada vez mais vulneráveis", destacou Elder. Em consequência, 152 milhões de jovens - quase 28% de todos os jovens trabalhadores no mundo - trabalharam em 2008, mas permaneceram na pobreza extrema, ganhando menos de US$ 1,25 por dia.

A União Europeia (UE) registrou um aumento de 4,6% no desemprego de jovens em 2009, a maior alta da história, ainda mais acentuada em países como Espanha e Reino Unido, onde a crise afetou de forma especial aos jovens. "Os jovens são o motor do desenvolvimento econômico. Não aproveitar este potencial é um desperdício econômico que pode prejudicar a estabilidade social", concluiu Kapsos.

Da redação, Umberto Martins, com agências
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  • COLAPSO DA CRIAÇÃO DE VALOR

    13/08/2010 11h38
    A análise que Marx faz no O Capital responde a questão do desemprego de forma impressionante: não tem solução capitalista. E isto por uma observação que deveria ser óbvia, se não fosse as ilusões fetichistas decorrentes do processo de produção. É que o avanço tecnológico produz inarredavelmente mais capital invertido em meios de produção, como a maquinaria (trabalho morto) do que capital invertido em força de trabalho (trabalho vivo). O próprio socialismo não poderá subverter essa equação, mas ajustar o processo produtivo em direção ao comunismo,mediante uma transição com o Estado no seu núcleo, pois a causa do desemprego é, no fundo, o colapso da criação de valor de troca. Modestamente, penso que essa transição deve ter em mira a clareza de que o avanço tecnológico impede a sobrevida de qualquer produção mercantil. É possível, portanto, vislumbrar que a própria transição ao comunismo, no futuro, será cada vez mais acelerada, pois o trabalho criador de valor está condenado
    adir claudio campos
    uberlândia - MG
  • A Morte do Neocapitalismo

    13/08/2010 11h22 Sempre digo que não é preciso um ser estar morto fisicamente para considerá-lo como tal. Por vezes a morte é em vida. O Sistema Capitalista já morreu, esqueceram de enterrar e já surgiu o Neocapitalismo que ratifica, pelo seu surgimento e existência da falência do primeiro. Fazendo uma analogia, é como se alguém que não entende de relógios resolvesse desmontar um e montá-lo novamente. O que está ocorrendo é o prenuncio de fatos piores devido ao esgotamento das possibilidades de cooperação e colaboração entre a humanidade. Desta forma, só nos resta sonhar com um "novo mundo" e com uma "nova humanidade".
    Robson Vasconcellos de Oliveira
    Colatina - ES
  • Acelerar ou retardar o ingresso do jovem no mundo do trabalho???

    12/08/2010 22h17 Esta matéria nos trás dados alarmantes, e que neste momento das eleições devem ser refletidos com maior atenção ainda. Pois podemos criar propostas a candidatos realmente coprometidos com o futuro de nosso país e de toda população. E porque não??? Começarmos a discutir a criação de programas que incentivem a qualificação e o ensino dos jovens, para que possam adentrar mais tarde no mercado de terabalho. Mas com condições de adentrar ao mundo do trabalho com chances de disputar de igual pra igual com quem chega nas universidades e ocupam os melhores cargos e os mais rentaveis, por terem tido chance de s qualificar mais e melhor. Gerar empregos é muito importante, mas despertar o jovem para o mundo do conhecimento, das artes, dos esportes é fundamental. Dispertar o senso critico nas escolas e nas universidades e não apenas propiciar um exécito de reserva para que o capitalismo e suas engrenagens triturem o nosso futuro. Nossa juventude! Viva a vida!! Viva nossa juventude!!
    Marcisio Mendes de Moura
    Osasco - SP
  • Acelerar ou retardar o ingresso do jovem no mundo do trabalho???

    12/08/2010 22h16
    Esta matéria nos trás dados alarmantes, e que neste momento das eleições devem ser refletidos com maior atenção ainda. Pois podemos criar propostas a candidatos realmente coprometidos com o futuro de nosso país e de toda população. E porque não??? Começarmos a discutir a criação de programas que incentivem a qualificação e o ensino dos jovens, para que possam adentrar mais tarde no mercado de terabalho. Mas com condições de adentrar ao mundo do trabalho com chances de disputar de igual pra igual com quem chega nas universidades e ocupam os melhores cargos e os mais rentaveis, por terem tido chance de s qualificar mais e melhor. Gerar empregos é muito importante, mas despertar o jovem para o mundo do conhecimento, das artes, dos esportes é fundamental. Dispertar o senso critico nas escolas e nas universidades e não apenas propiciar um exécito de reserva para que o capitalismo e suas engrenagens triturem o nosso futuro. Nossa juventude! Viva a vida!! Viva nossa juventude!!
    Marcisio Mendes de Moura
    Osasco - SP
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sábado, agosto 07, 2010

Brasil - Multinacionais do automóvel crescem, mas não querem contratar

Economia

Vermelho - 5 de Agosto de 2010 - 15h59

As multinacionais que controlam a indústria automobilística no Brasil têm razões de sobra para festejar a recuperação e o crescimento da economia nacional, do qual o ramo é um dos maiores beneficiários. As estatísticas indicam a expansão da produção, da venda e dos lucros, em boa medida remetidos às suas matrizes no exterior. Apesar dos bons resultados, as empresas relutam em realizar novas contratações.

 
Consumo em alta aumenta o lucro das multinacionais e o caos no transporte urbano  
A produção de veículos no país cresceu 18,3% no ano na comparação com igual período de 2009. As fábricas atingiram 2,07 milhões de unidades nos sete primeiros meses do ano, incluindo automóveis, comerciais leves, ônibus e caminhões. As informações foram divulgados nesta quinta (5) pela Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).

Exportações crescem 78,4%

As 315.879 unidades fabricadas em julho representam incremento de 3,2% em relação ao mês anterior. O número é 12% maior do que o registrado em julho do ano passado. As exportações também cresceram consideravelmente: 78,4% no acumulado do ano (422.227 unidades). Em julho, as vendas para o mercado externo (64.864) tiveram aumento de 2% na comparação com o mês passado e expansão de 80,5% em relação a julho de 2009.

As vendas apresentaram expansão anual de 5,9% em julho, batendo o recorde para o mês com o emplacamento de 302,3 mil unidades. Em relação a junho, a alta foi de 15,1%. As montadoras registraram uma nova marca também no acumulado de janeiro a julho (1,88 milhão de veículos), com acréscimo de 8,5% sobre igual período em 2009.

Exploração em alta

Apesar de registrar ligeira elevação, o nível de emprego não acompanhou o ritmo da expansão da produção, vendas e lucros. O total de empregados nas montadoras somou ao final do mês passado 114.507 trabalhadores (as), com abertura de 650 novos postos de trabalho em relação a junho (113.857).

Levando em conta também os funcionários em fabricantes de máquinas agrícolas, a indústria empregava 132.165 pessoas - acima dos 130.968 funcionários registrados em junho e ultrapassando também o patamar contabilizado em outubro de 2008 (131.717), quando a crise mundial começou a afetar a economia nacional.

A modesta evolução das contratações indica que a expansão da produção está se dando através do aumento do grau de exploração dos operários, com a intensificação das horas extras e do ritmo de trabalho. O presidente da Anfavea, Cledorvino Beline, disse nesta quinta (5) que as empresas pretendem reduzir ainda mais o ritmo de contratações.

Contradição

Assim, os que produzem e promovem os lucros das multinacionais são os que menos se beneficiam dos seus resultados, o que traduz a contradição entre o caráter social da produção e a apropriação privada dos lucros, característica do modo de produção capitalista que está na raiz das crises do sistema, conforme observou o filósofo alemão Karl Marx.

A indústria automobilística foi o ramo da indústria mais afetado pela crise exportada pelos EUA, que por aqui aportou no final de 2008. A primeira providência das multinacionais foi demitir, conceder férias coletivas e impor retrocessos nas relações trabalhistas como flexibilização da jornada (banco de horas), redução de salários e parcelamento do 13º, entre outras coisas.

Interesses distintos


Embora alegando dificuldades para justificar as demissões e outras medidas contra seus funcionários, as empresas ampliaram as remessas de lucro ao exterior para socorrer matrizes em crise. Somente entre janeiro a setembro de 2009, as montadoras enviaram 4,8 bilhões de dólares aos seus países de origem, a título de lucros e dividendos, contra US$ 1,7 bilhão no mesmo período de 2008, configurando um aumento formidável, de 284%. O valor é mais de duas vezes superior ao dos recursos públicos liberados pelo governo federal para financiar a aquisição de automóveis (4 bilhões de reais). São recursos subtraídos da poupança nacional que reduzem a taxa de investimentos e a potencialidade de crescimento do país.

A expansão das vendas e da produção de automóveis é um bom sinal para a economia brasileira, mas é também um excelente negócio para as multinacionais, cujos interesses nem sempre estão em sintonia com os do povo e da nação. Os impactos ambientais e a sustentabilidade do avanço do consumo neste ramo, num contexto de crescente caos no transporte urbano, são questões que suscitam novas preocupações e dúvidas.

Da redação, Umberto Martins, com agências
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sexta-feira, julho 30, 2010

Não é possível humanizar o capitalismo, afirma dirigente da CGTP


Mundo

Vermelho - 29 de Julho de 2010 - 9h56

A crise da dívida acirra os conflitos sociais na Europa e confere maior nitidez à contradição antagônica entre capital e trabalho, estimulando uma crescente conscientização dos trabalhadores e dos povos acerca da natureza perversa do sistema capitalista, segundo a opinião de Graciete Cruz, secretária de Relações Internacionais da Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses (CGTP).

 
Mais 35 milhões de pobres na União Europeia após a crise, segundo dirigente da CGTB  
Em entrevista ao Vermelho, durante o 3º Encontro Sindical Nossa América (Esna), em Caracas, do qual participou como convidada, Graciete Cruz informou que a crise elevou de 85 milhões para 120 milhões o número de pobres na União Europeia e serviu de pretexto para as classes dominantes intensificarem a ofensiva contra os assalariados, enquanto os governos, a serviço da oligarquia financeira, destinam bilhões de euros ao resgate do sistema financeiro.

O povo sofre com a redução das verbas dedicadas à rede de seguridade social, enquanto alguns ricos viram ricaços e cresce o lucro dos bancos. O contraste não poderia ser maior. A reação da classe trabalhadora é vigorosa e pode radicalizar na medida em que avançar a unidade entre as entidades sindicais da região, que convocaram uma grande manifestação conjunta no velho continente para 29 de setembro.

Leia abaixo a íntegra da entrevista:

Portal Vermelho: A crise está acirrando a luta de classes na Europa. Como você analisa a conjuntura econômica e política de Portugal e demais países do continente?

Graciete Cruz: Nós, no quadro europeu, temos nos deparado com o aprofundamento de um caminho que leva a um dramático retrocesso social. A crise agravou a situação, levando os governos a impor aos povos sucessivos pacotes ditos de austeridade, dentro do chamado Plano de Estabilidade e Crescimento (PEC). São medidas que já vinham sendo tomadas. Quando a crise explodiu os sindicatos e as forças políticas progressistas reclamaram a ruptura com as orientações neoliberais que geraram as turbulências econômicas e políticas emergenciais para enfrentar os impactos sociais da crise, nomeadamente emprego e proteção social.

Num primeiro momento, os governos europeus e, em particular, o português tomaram algumas medidas de proteção ao desemprego, cedendo à enorme pressão das organizações que defendem os interesses dos trabalhadores. Em Portugal, o governo primeiro recusou, depois ampliou em seis meses o prazo de vigência do seguro desemprego, atendendo reivindicação da CGTP. Reclamamos outras medidas e fomos parcialmente atendidos. As primeiras medidas, porém, adotadas em nome da estabilidade do sistema financeiro, foram para salvar a banca. Em Portugal, neste ano, o governo destinou 10 bilhões de euros aos bancos.

Vermelho: E depois?

GC: Agora cortam todo o apoio que deram e estão indo mais longe, ao mesmo tempo em que mantêm o apoio extraordinário ao sistema financeiro, que continua colhendo lucros fabulosos. No primeiro trimestre de 2010, os cinco maiores bancos portugueses registraram lucros diários de 5 milhões de euros. Num contexto de crise financeira, isto é um absurdo. Eles já pagam menos impostos que as empresas de outros ramos de atividade.

O Plano de Estabilidade e Crescimento (PEC) reitera o propósito de reduzir o déficit público a 3% do PIB, uma exigência da cúpula da União Europeia. Para alcançar tal meta, os governos estão cortando despesas sociais e flexibilizando ou suprimindo direitos dos trabalhadores. Alem disto, se submetem ao Fundo Monetário Internacional (FMI). Também estão aumentando impostos com o objetivo de reforçar a receita. Com isto, estamos amargando a elevação dos preços de produtos básicos em Portugal, incluindo medicamentos, alimentação e transporte. O imposto sobre o consumo aumentou 1%. O número de pobres subiu de 85 para 120 milhões na União Europeia.

Vermelho: Os governos afirmam que o ajuste fiscal é inevitável. Como o movimento sindical responde a isto?
GC
: Não é verdade, existem alternativas. Os governos não tocam nos interesses dos grandes grupos econômicos e, em especial, no ramo financeiro. Não elevam impostos sobre produtos de luxo. É por esta razão que, num momento de estagnação econômica e contração da demanda em geral, assistimos ao crescimento da venda de automóveis de luxo e a emergência de mais 600 grandes milionários em Portugal.

Isto significa que são sempre os mesmos, os que menos têm e menos podem, a pagar a conta da crise que não criaram. A CGTP defende que é preciso buscar o dinheiro onde ele realmente está. Taxar produtos de luxo, os grandes grupos, as transações financeiras, acabar com os paraísos fiscais e com os desperdícios do Estado. O governo português recorre ao exterior para a elaboração de certos projetos, que custam caro, quando sabidamente existem técnicos em nosso país com competência para fazer o mesmo trabalho. Em vez disto, congelaram os salários dos trabalhadores do setor público e decidiram que quem sair do quadro de servidores não será substituído, de forma a reduzir o pessoal, o que vai contribuir para o crescimento do desemprego.

Vermelho: É possível avançar no sentido da unidade da classe trabalhadora europeia ou a diversidade das realidades econômicas e políticas dos países da região bloqueiam este caminho?
GC
: Existem identidades nesta ofensiva contra o trabalho, que é comum no continente, mas também têm diferenças ponderáveis, tanto nas dimensões das medidas quanto na resposta sindical. Lamentavelmente, contamos com um movimento sindical que nem sempre consegue marchar unido em torno de objetivos de longo prazo ou mesmo mais imediatos. Temos diferentes culturas sindicais. Há contradições e atrasos na resposta.

Um grande número de sindicalistas acredita que a solução virá nos marcos do sistema capitalista, ou seja, que é possível reciclar e humanizar o capitalismo. Isto é uma ilusão. Não é possível humanizar o capitalismo. Eles não lutam por uma sociedade sem explorados nem exploradores. Esta é a principal razão pela qual não temos uma resposta à crise mais clara, unitária e consequente por parte do movimento sindical.

Vermelho: E os trabalhadores?
GC
: Em que pesem esses problemas, fica cada vez mais claro para os trabalhadores que a crise conduziu ao reforço e intensificação da exploração capitalista. Há uma crescente tomada de consciência dos assalariados e dos povos que conduzem mesmo as lideranças mais recuadas a avançar em seus posicionamentos e na resposta. Nós incentivamos a unidade.

Foi convocada pelas entidades sindicais uma ação europeia em defesa dos trabalhadores e contra as medidas impostas pela União Europeia (UE) e FMI. Está programada ma manifestação em Bruxelas, sede da UE, que será acompanhada de greves, passeatas e atos públicos em todos os países da comunidade. Vamos ver como as diferentes correntes que atuam no movimento sindical vão responder a esta iniciativa. Para a CGTP é importante a unidade de ação e a convergência de objetivos. Isto se constrói em primeiro lugar a partir de cada país. É preciso que se faça o máximo em cada país e que esta luta tenha continuidade, pois os problemas não serão resolvidos e nem se encerram em 29 de setembro.

Será uma luta difícil e prolongada, tendo em vista nossos objetivos estratégicos de construir sociedades mais justas, sem explorados ou exploradores, porque estamos convencidos que o capitalismo é o fim da história. Lutamos pelo socialismo.

Por Umberto Martins 
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quinta-feira, julho 29, 2010

FSM completa 65 anos apostando na luta de classes e no socialismo


Mundo

Vermelho - 28 de Julho de 2010 - 16h01


A crise do sistema capitalista na Europa é muito profunda e não encontrará uma solução progressista nos marcos do capitalismo, na opinião do secretário-geral da Federação Sindical Mundial (FSM), George Mavrikos. Ele elogia a reação da classe trabalhadora, "forte especialmente na Grécia", e critica as organizações ligadas à social-democracia, hoje identificadas com o neoconservadorismo, que procuram amortecer as lutas e apostam no falso caminho da conciliação entre capital e trabalho.


Para Mavrikos, que recebeu as reportagens dos portais Vermelho e CTB em Caracas, ao final do 3º Encontro Sindical Nossa América, é importante perceber que a atual social-democracia é bem diferente daquela de meados do século passado, basicamente por estar atrelada às forças neoconservadoras de todo o planeta.

Durante a entrevista, Mavrikos também falou dos 65 anos de história da FSM, analisou o papel de resistência desempenhado atualmente pela classe trabalhadora europeia, elogiou os recentes avanços da América Latina e se mostrou bastante otimista a respeito da organização do 16º Congresso da entidade, a ser realizado em abril de 2011, em Atenas (Grécia).

Confira abaixo a íntegra da conversa:

Vermelho e CTB: A FSM completa 65 anos em 2010. Que avaliação é possível fazer de sua história, tendo como base as mudanças pelas quais a organização passou após a queda da União Soviética, no começo da década de 1990?
George Mavrikos: A FSM teve uma atuação muito rica em seus 65 anos de história. Seus princípios se baseiam no internacionalismo, na solidariedade e na luta de classes. Baseada nesses princípios, ela tem atuado por todos esses anos movida por um espírito combativo. As lutas da FSM se deram em diferentes continentes, tanto na Europa como na América, na Ásia e na África. Lutamos contra o apartheid na África do Sul, contra o racismo, contra ditaduras e em diversas batalhas muito importantes. Os exemplos da Nicarágua, da Guatemala, do Chile e de Cuba são paradigmáticos desse processo.

Entre 1990 e 2005, a FSM encontrou dificuldades diante das mudanças na política internacional daquela época. Passamos momentos muito difíceis, mas, desde o 15º Congresso, em 2005, nos encontramos em uma fase de reconstrução de nossa ação. Há novos sindicatos e centrais fortes ao nosso lado, como a CTB, do Brasil. Nos últimos seis anos, 63 novas organizações se filiaram à FSM e atualmente representamos 72 milhões de trabalhadores e trabalhadoras em 110 países. Avançamos, mas ainda estamos atrasados diante das dificuldades existentes, sobretudo neste atual momento de crise do capitalismo, fase em que as necessidades são ainda maiores.

A respeito da atual crise, como você tem analisado — a partir um ponto de vista privilegiado, na Grécia — a luta dos trabalhadores europeus contra as chamadas medidas de austeridade impostas por alguns governos?
A crise do sistema capitalista na Europa é muito profunda. Neste momento ela está aparecendo na Grécia de forma mais contundente, mas ela também está em outros países, como Portugal e Espanha. As políticas do Fundo Monetário Internacional são profundamente anti-trabalhistas. Na Grécia, por exemplo, onde há atualmente um sistema social-democrata, estão aplicando cortes de salário e aumento da idade para aposentadoria. Estão vendendo todo o patrimônio público, com privatizações, a taxa de desemprego saltou de 7% para 14%, mas alguns dizem que ela pode chegar a 26% em 2011.

A classe trabalhadora da Grécia está resistindo de maneira muito forte. Nos últimos meses, foram realizadas 11 greves gerais. Sem elas, sem essa resposta, certamente mais coisas teriam sido perdidas. A situação é muito difícil e complexa. Uma grande parte da classe trabalhadora está saindo às ruas para resistir de uma forma mais firme, mas outra parte tem medo de agir assim e acabam ficando em casa.

A Europa hoje passa por uma realidade que se parece com a da América Latina na época da crise da dívida externa, aprofundada pela crise neoliberal — um cenário em que o movimento sindical é dominado pela social-democracia. Isso se expressa, em âmbito mundial, numa hegemonia da Confederação Sindical Internacional (CSI). Qual a estratégia da FSM para se contrapor a esse cenário?
Uma conclusão básica que temos que tirar de tudo isso é o papel desempenhado pela social-democracia em todo o mundo. A social-democracia atual não tem nada a ver com aquela de 1920, 1950 ou 1970. Hoje ela se identifica com uma linha neoconservadora, pois ela se vê em Zapatero, Brown, Obama e outros que tomam decisões conjuntas ao lado de Merkel, de Sarkozy e Berlusconi. A primeira coisa que a classe trabalhadora deve compreender é isso.

Assim, a FSM se propõe a agir de duas formas: (1) proporcionar uma saída para a classe trabalhadora, com objetivos bem definidos, dizendo por que ela tem que lutar e (2) coordenar toda essa luta.

Demos até agora pequenos passos. Criamos uma plataforma com propostas para a saída da crise, organizamos um fórum internacional em Lisboa e outro em Bruxelas com sindicatos de toda a Europa. Nossa proposta principal é dizer que o capitalismo não tem condições para dar resposta à atual crise. Nas Europa estamos tentando coordenar as coisas. Em agosto haverá um encontro de sindicatos europeus em Atenas. Em outubro haverá outro em Roma com o mesmo objetivo.

Suponhamos que a Grécia consiga sair da crise atual. Com a taxa de desemprego em 30% e as empresas fechadas, que tipo de desenvolvimento haverá? Quanto isso irá durar? Teríamos que nos reconstruir sobre uma crise. Por isso é que temos trabalhado, lutando não apenas para resolver os temas ligados a salários e pensões, mas também pela mudança de sistema.

Diante desse cenário, quais são suas expectativas para o 16º Congresso da FSM?
O 16º Congresso da FSM é um grande desafio. O fato de se realizar na Grécia, em meio ao atual cenário de crise e de resistência é algo muito importante. Queremos fazer um Congresso aberto e democrático, um Congresso de trabalhadores, não de burocratas. Um Congresso que debata os problemas atuais, como o desemprego, a educação, o meio ambiente, a saúde, os risco existentes no trabalho. Todos esses temas têm que ser debatidos. E temos também que traçar nossa estratégia, além de eleger uma nova direção.

É muito importante o fato de ser realizado na Europa, pois há 30 anos não se celebra um Congresso sindical no continente. Nossa responsabilidade é muito grande, mas confiamos em nossos afiliados para que tenhamos êxito. Será certamente um novo passo de qualidade e importância para o movimento sindical internacional classista.

Ao final dos trabalhos do 3º Encontro Sindical Nossa América, qual sua avaliação sobre o atual momento vivido pela América Latina?

Os acontecimentos e o desenvolvimento político da América Latina servem de exemplo para todo o mundo. As eleições que ocorreram agora na Colômbia, por exemplo, foram acompanhadas por todo o mundo. O mesmo acontecerá no Brasil em outubro, naturalmente. A classe trabalhadora da Europa segue o que se passa por aqui muito de perto e considera esse desenvolvimento positivo. Ela considera que o movimento sindical do continente tem o caráter classista.

É claro que, diante desses avanços, as forças capitalistas e imperialistas tentam intervir de alguma forma. As bases do Exército norte-americano, o que houve em Honduras e o que se passa na Costa Rica são exemplos disso, além da ocupação feita no Haiti depois da tragédia que afetou o país. Isso mostra que há avanços na região, mas também uma série de dificuldades. Nosso papel é tentar ajudar para que haja mais avanços e menos problemas. Este Encontro na Venezuela é, portanto, fundamental para que novos avanços sejam conquistados pela classe trabalhadora.

De Caracas,
Fernando Damasceno e Umberto Martins
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domingo, julho 25, 2010

O império contra-ataca com fúria e quer a guerra, acusa Chávez

América Latina

Vermelho - 24 de Julho de 2010 - 17h54

As recentes provocações do governo colombiano contra a Venezuela obedecem a um plano ardiloso e sinistro de Washington, na opinião do presidente Hugo Chávez. Os Estados Unidos têm interesse na guerra e buscam criar as condições para uma conflagração na região, segundo o líder da revolução bolivariana, que rechaçou de forma enérgica as insinuações feitas por Uribe de que o país socialista estaria mancomunado com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

“Não devemos subestimar o que está ocorrendo”, alertou Chávez durante um longo discurso para centenas de sindicalistas que participaram do 3º Encontro Sindical Nossa América, na noite de sexta-feira (23), em Caracas. Ele rechaçou de forma enérgica as acusações do governo Uribe, comparando-as às mentiras inventadas contra o Iraque pelo governo Bush para justificar a guerra (“disseram que o país tinha um grande arsenal de armas de destruição em massa, depois ficou comprovado que isto não era verdade”) e assegurou que, diferentemente dos EUA, a Venezuela quer a paz e não a guerra.

Ironia

O presidente venezuelano acentuou que o mundo, e em especial a América Latina, vivem um momento de transição e mudança. Por aqui, ao longo dos últimos anos, foram eleitos vários governos progressistas que, embora em graus diferenciados, contestam a hegemonia norte-americana e buscam abrir caminho para um desenvolvimento soberano e a integração política e econômica da região.

Com a economia em frangalhos e num processo histórico de decadência, os EUA recorrem ao poder militar, terreno em que sua superioridade é incontestável, como último recurso para manter o domínio sobre o mundo. A guerra é, hoje, o principal instrumento do imperialismo. Isto explica um orçamento militar que corresponde à metade dos gastos bélicos do resto do mundo e foi ampliado apesar da crise (agravando os desequilíbrios financeiros e o déficit do governo imperial), bem como a crescente agressividade contra os povos.

No Oriente Médio, onde tem Israel como ponta de lança, Washington mantém a guerra imperialista contra o Iraque e o Afeganistão e respalda o terrorismo sionista contra os palestinos. Na Ásia, está por trás das provocações contra a Coréia do Norte e na América Latina são notórios os preparativos para conflitos bélicos com o objetivo de reverter o processo de mudanças progressistas no subcontinente. Por ironia da história, neste momento o senhor da guerra é o Prêmio Nobel da Paz, Barack Obama.

O espaço mais tenso

Entre as mais recentes iniciativas do império contra os povos e nações latino-americanos Chávez apontou a reativação da 4ª Frota de Intervenção, a ocupação militar do Haiti (disfarçada de “ajuda humanitária”), da Costa Rica (a pretexto de combater o narcotráfico), o golpe militar contra Zelaya (e a Alba) em Honduras, a instalação de sete novas bases na Colômbia e, agora, as falsas acusações vomitadas pelo governo Uribe.

“Os EUA vêm agredindo nossos povos faz muitos anos”, lembrou o comandante da revolução bolivariana, ele próprio vítima de um golpe militar desferido pela oligarquia venezuelana com apoio explícito do império em abril de 2002, felizmente abortado e revertido pelo povo em aliança com os militares progressistas em pouco mais de 24 horas. Quando aplicou o golpe frustrado contra a revolução bolivariana, o governo Bush já tinha planejado a guerra contra o Iraque, mas queria primeiro recuperar o controle sobre as ricas reservas de petróleo venezuelano.

“Aqui na América Latina não há dúvida de que o espaço mais quente e mais tenso que o império escolheu para a guerra é a parte norte da Sul América, onde Bolivar sonhava que nasceria a maior nação do universo, não pela sua extensão mas pelo caráter progressista e popular que imaginou com a integração”, destacou.

Território de guerra

Interessa ao imperialismo “preparar as condições para que aqui se desate um conflito armado e tristemente o território da irmã e querida Colômbia foi transformado em território de guerra, estabelecido um regime militarista, que vai contra seu próprio povo, em 1º lugar, e contra os povos irmãos ao se converter em instrumento do imperialismo”.

“Vivemos momentos de tensões, como Fidel vem alertando ao longo dos últimos meses”, disse Chávez, aludindo ao “perigo de que se desate uma grande conflagração que pode gerar uma guerra atômica no Oriente Médio, com uma guerra imperialista contra o Irã, ou na península da Coréia”.

O atual governo colombiano, lacaio do imperialismo, cumpre na América Latina papel análogo ao de Israel no Oriente Médio. Hoje, entre Colômbia e Venezuela, “o contraste é muito grande”, sublinhou Chávez. “Aqui sabemos que está em marcha uma revolução, estamos construindo nosso modelo socialista, enquanto a Colômbia se foi convertida por Uribe num enclave do imperialismo”.

O medo da burguesia

“Fui obrigado a romper relações com o governo da Colômbia e não com a Colômbia ou o povo colombiano, porque Colômbia e Venezuela constituem uma mesma pátria. Há razão para preocupação (deles), pois a oligarquia sabe que os destinos da Venezuela e Colômbia no fundo são os mesmos. Uma vez desatada a revolução bolivariana aqui a burguesia colombiana ficou apavorada”, disse o presidente venezuelano, lembrando que tal temor vem de longe e já se manifestava desde 4 e fevereiro de 1992, quando liderou uma insurreição militar (derrotada) contra o governo neoliberal de Carlos André Peres.

“Quando a oligarquia colombiana e o imperialismo se deram conta do ímpeto revolucionário de militares venezuelanos começaram as hostilidades. Já naquela época se dizia que o movimento militar bolivariano era uma extensão da guerrilha colombiana. Como hoje, divulgaram imagens, fotografias e montaram o cenário para nos associar às Farc. Recordo isto à imprensa lembrando que está tudo registrado. A Venezuela participou da guerra contra a guerrilha.”

"Eu declarei que não iria mais participar daquela guerra, que o conflito era um problema interno da Colômbia. Nós queremos buscar o mecanismo para a paz, mas me acusaram com informes, documentos e mapas falsos de apoiar as Farc e querer a guerra. Disseram que o golpista, o coronel Chávez comandou assalto contra unidade militar venezuelana, tudo isto está registrado. A oligarquia colombiana, temerosa do efeito contágio da revolução bolivariana, arremete contra o nosso governo, o nosso povo, a nossa revolução".

Novo cenário

Acrescentou que os EUA “lhes metem ainda mais medo. Eu estou seguro que este show montado por este senhor que parece inabilitado para exercer cargo público na Colômbia, que essas imagens que ele apresentou lhes foram dadas pelo império ianque, pois agora a Colômbia tornou-se uma grande base militar do imperialismo”.

O presidente venezuelano lembrou que é uma vergonha o que vem ocorrendo no interior da Colômbia. Os militares estadunidenses praticam toda sorte de crimes, inclusive tráfico de droga inclusive, dos militares ianques, mas gozam de imunidade. “Não dá vergonha ao governo colombiano entregar de forma tão abjeta o território colombiano a este tipo de gente?”, indagou.

Hugo Chávez salientou que o mundo vive um momento bem diferente de 10 ou 15 anos atrás. “Em 1994, o governo Clinton reuniu os chefes de estados de todos os países americanos, com exceção de Cuba, para anunciar a instalação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca). Chegou a dizer que estava realizando o sonho de Bolívar, o que era uma mentira, pois se tratava do sonho de domínio do império”.

Era uma época que sucedeu a queda do Muro de Berlin e o colapso da União Soviética. Parecia que a história tinha chegado ao fim e o capitalismo neoliberal era o fim da história, como sustentou um ideólogo estadunidense Francis Fukuyama. “As ideias de Marx, Engels e Lênin foram negadas. As luzes do socialismo se apagaram no mundo. Uma das poucas luzes acesas era Cuba revolucionária, Cuba de Marti, de Fidel, de Che Guevara.”

Bumerangue

Mas, as coisas mudaram. “Em 1998, quando fui eleito pela primeira vez, era só eu e Fidel. Depois vieram Lula no Brasil, Evo Morales na Bolívia, Kirchner na Argentina, Tabaré Vasquez (depois Pepe Mujica), Rafael Correia no Equador. A Alca foi enterrada em Mar del Plata na Argentina, em dezembro de 2005”.

O socialismo voltou à ordem do dia. “Estamos fazendo um grande esforço para construir o socialismo, sabemos que socialismo não se decreta e nem se impõe de um dia para o outro, é um caminho largo de construção de um novo modo de vida, um novo modo de produção e de relacionamento entre os homens, num processo em que a classe trabalhadora joga um papel protagônico”, afirmou o líder da revolução bolivariana.

Diante deste cenário de transição e mudança “o império contra-ataca e contra-ataca com fúria”, observou, citando os exemplos de ofensiva capitalista e destacando o golpe contra Zelaya em Honduras, “que foi um golpe contra a Alba e contra todos nós”. Eles querem a guerra, alertou, “nós queremos a paz”, reiterou, “mas reagiremos à altura se formos agredidos. A Venezuela não voltará a ser colônia dos EUA nem de ninguém. Se vierem estarão desencadeando uma guerra de 100 anos, que pode se transformar num bumerangue contra o governo colombiano e o império”.

De Caracas,
Umberto Martins
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  • Decisão correta

    25/07/2010 14h26 Hugo Chavéz mais uma vez mostra que está na vanguarda da luta antiimperialista na América Latina, que nosso campo está crescendo e que a Colômbia imperialista será derrotada.
    Alexandre Rosendo
    São Paulo - SP
  • Concordo com Chávez

    24/07/2010 21h45
    O Presidente Chávez está certo: a guerra é o único instrumento que dispoõe o imperialismo para se perpetuar. Os EUA e seus lacaios estão totalmente desacreditados. Eles recorrem às guerras de agressão para continuar a exploração dos recursos de outros povos. Fomentam guerras e intrigas entre os povos, para vender suas armas, ou recorrem à mentira e à calúnia para eles mesmos fazerem suas guerras de rapina, no momento mais adequado para eles. Foi assim com o Iraque, foi assim com Afeganistão,e foi assim em um passado mais distante, quando semearam a destruição e a morte na península coreana e na Indochina. O imperialismo norte-americano é, na atualidade, o maior inimigo da paz e do progresso dos povos. Mas, no processo histórico, como dissera o saudoso presidente Mao, o imperialismo não passa de um tigre de papel!
    José Lourenço Cindra
    Guaratinguetá - SP
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terça-feira, maio 18, 2010

Crise da dívida na Europa empurra o euro para o precipício

Economia

Vermelho - 17 de Maio de 2010 - 17h59

O euro atingiu nesta segunda-feira (17) sua mais baixa cotação diante do dólar em quatro anos. A moeda europeia foi negociada a US$ 1,22 em Tóquio, seu menor valor desde abril de 2006. Em Wall Street, encerrou o pregão valendo US$ 1,24. Tal desempenho reflete a renitente preocupação dos investidores com a crise da dívida que abala as economias do velho continente, afetando com mais força a Grécia, Portugal, Espanha, Irlanda e Itália.

Por Umberto Martins

Somente neste mês, o euro caiu mais de 7% em relação ao dólar, segundo informações da agência Reuters. No ano, a queda é de 14%, o pior resultado entre as principais moedas negociadas no mundo. Os recursos inéditos prometidos pelo FMI e União Europeia para contornar a crise e “blindar” o euro na semana passada, no valor de 1 trilhão de dólares, induziram uma breve recuperação da moeda comum, quer revelou-se, porém, um suspiro passageiro.

A velha luta de classes

A contrapartida que as duas instituições estão exigindo dos países “socorridos” é amarga para a classe trabalhadora e compromete a recuperação da economia. As medidas anunciadas pelos governos (da Grécia, Portugal e Espanha, entre outros), consideradas como um contrassenso pelos críticos e condenadas pelas forças de esquerda, sofrem forte oposição dos povos.

Na Grécia, trabalhadores e trabalhadoras já realizaram cinco greves gerais neste ano. Os sindicatos lideraram grandes manifestações em Portugal, França e Espanha, onde uma greve geral foi convocada pela União Geral dos Trabalhadores (UGT) para 2 de junho contra o corte de salários do funcionalismo e outras medidas de arrocho que o governo social-democrata de José Luiz Rodríguez Zapatero pretende impor.

Remédio ou veneno?

Além de acirrar a luta de classe, os pacotes ditados pelo FMI, destinados a salvar os grandes bancos, têm caráter recessivo e tendem a funcionar como veneno em vez de remédio na medida em que enfraquecem as economias da região, obstruindo a recuperação, derrubando os PIBs e aumentando o desemprego, que já é um problema social gravíssimo por lá. Na Espanha, o índice de desocupados involuntários chega a 20% da População Economicamente Ativa (PEA).

A perspectiva de recaída na recessão está deixando os investidores ainda mais apreensivos e estimula a corrida contra o euro. Este movimento alterou notavelmente a conjuntura nos mercados de câmbio. Aparentemente, o dólar, que vinha em queda depois de uma breve recuperação no segundo semestre de 2008, reforçou sua posição hegemônica entre as principais moedas do mundo.

Moeda e produção

Tal aparência, contudo, pode ser enganosa, pois não está em correspondência com os fundamentos da economia norte-americana. Os EUA são donos do maior passivo externo do mundo, estão às voltas com dívidas e déficits monumentais e dependem a cada dia mais de capital alheio para manter a supremacia do dinheiro que emitem. É isto que debilita o padrão dólar.

De qualquer modo, é inegável que o euro parece a caminho do precipício e não são poucos os analistas que temem pela sua sobrevivência. A crise da dívida pode resultar no afastamento de alguns países da zona do euro e exacerbar a crescente desconfiança dos investidores com os destinos da União Europeia e sua moeda comum.

Em última instância, a força relativa de uma moeda nacional (ou multinacional, como é o caso do euro) reflete o poderio econômico da nação ou do conjunto de nações que representa. Afinal, o dinheiro, conforme notou Karl Marx, nada mais é que um símbolo de valor ou, em outras palavras, de trabalho abstrato. Reflete, portanto, a produção e a produtividade das nações, como assinalou o economista norte-americano Stephen Roach.

Prosperidade e decadência

A crise mundial do capitalismo aprofundou a decadência relativa da Europa, cuja anemia econômica antecede em alguns bons anos a recessão iniciada no final de 2007 nos Estados Unidos. O dinamismo e a prosperidade do pós-guerra, que forneceu a base material para o Estado de Bem Estar Social, durou até os anos 1970 e parece ter ficado definitivamente para trás. Sobreveio a progressiva redução das taxas de crescimento dos PIBs e o “pleno emprego” cedeu lugar ao desemprego estrutural e massivo. O euro, que despontou como um forte concorrente do dólar, não poderia permanecer indiferente ao declínio.

Hoje, a moeda comum europeia já não parece um desafio para o dólar e provavelmente não é mesmo. O perigo à hegemonia monetária dos EUA, que se projeta em médio prazo, procede mais da Ásia. Vem do iuane chinês, embora ele ainda não seja uma moeda plenamente conversível. Afinal, o poder da moeda reflete a força produtiva e não o contrário, ou seja, tem origem na indústria e não na capacidade bélica. Restam poucas dúvidas quanto à crescente superioridade da chamada economia socialista de mercado da China sobre as decadentes potências capitalistas ditas do Ocidente (EUA, Europa e o oriental Japão).


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terça-feira, julho 21, 2009

O tempo e a liberdade humana




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por Umberto Martins*
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A bandeira da redução da jornada de trabalho sem redução dos salários voltou à ordem do dia no Congresso Nacional. Depois que o parecer do deputado Vicentinho favorável à PEC (Proposta de Emenda Constitucional) 231/95 foi aprovado por unanimidade na comissão especial instalada na Câmara Federal, dia 30/6, o tema só poderá ser retirado da agenda parlamentar depois que for apreciado e votado em plenário.
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A proposta, dos senadores Inácio Arruda (PCdoB-CE) e Paulo Paim (PT-RS), reduz a jornada de 44 para 40 horas semanais e eleva o adicional de horas extras de 50% para 75% sobre o valor da hora trabalhada. A votação na comissão especial foi acompanhada por cerca de mil sindicalistas, num ato organizado unitariamente por todas as centrais sindicais.

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Aspiração histórica

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A diminuição do tempo de trabalho sem prejuízo para os salários é uma aspiração histórica da classe trabalhadora e do movimento sindical em todo o mundo. Assessorados pelo Dieese, representantes das centrais sindicais chegaram a discutir em meados do ano passado a oportunidade de relançar a campanha nacional pelas 40 horas semanais, mas foram atropelados pela emergência da crise mundial do capitalismo.
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Imaginava-se que a crise, com a onda de demissões em massa que acompanha o seu caminho, iria constranger a classe trabalhadora e o movimento sindical à defensiva, jogando uma ducha de água fria na campanha. Mas, não foi isto o que ocorreu. Contraditoriamente, a recessão exportada pelos EUA contribuiu para a significativa vitória na comissão especial e pode favorecer a aprovação em plenário. A recessão agravou o quadro do desemprego no país e não restam dúvidas de que a redução da jornada é um remédio poderoso e eficaz contra este mal. Os trabalhadores e trabalhadoras contam também com o precioso apoio do presidente Lula nesta luta.

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Mais emprego

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O principal argumento levantado hoje pelos sindicalistas a favor da redução do tempo de trabalho relaciona-se ao desemprego. Técnicos do Dieese estimam que a redução de quatro horas na jornada semanal de trabalho, associada à restrição das horas extras, deve gerar em torno de 2,5 milhões de novas vagas no mercado formal. O avanço da produtividade ao longo dos últimos anos também justifica a medida. A jornada no Brasil é uma das mais altas e extenuantes do mundo. Considerando o tempo que o trabalhador ou trabalhadora gasta no transporte da casa ao emprego, a média da carga de trabalho chega a 12 horas diárias.

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Naturalmente, o patronato contesta a previsão do Dieese. A CNI (Confederação Nacional da Indústria) divulgou recentemente um “estudo” onde sustenta que “a proposta elevará os custos da produção indistintamente em todas as empresas, atividades e regiões do país”. Assim, de acordo com a confederação, é de se esperar mais demissões se a PEC for aprovado. O argumento, porém, não parece procedente.

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A proposta da Fiesp

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A opinião da CNI soa falsa quando é cotejada com a posição adotada pela Fiesp (Federação da Indústria de São Paulo) a respeito da crise. O presidente da entidade que representa os capitalistas paulistas, Paulo Skaf, admitiu publicamente que a redução da jornada é um meio de evitar demissões. A única (e fundamental) diferença em relação aos sindicalistas é que ele defende a redução da jornada acoplada à redução dos salários. Lembremos as declarações que deu ao jornal “Folha de São Paulo” sobre o tema no dia 14 de janeiro deste ano.

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''Foi feito um apelo para que tudo seja feito, todas as alternativas sejam esgotadas antes de mexer no emprego. As empresas disseram que se tiver redução de jornada com redução de salário, vamos manter o nível de emprego. Se não, vamos demitir'', sustentou o presidente da Fiesp.

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Alguns sindicatos, com a faca no pescoço, acabaram fechando acordos neste sentido, mas a maioria das centrais (com exceção da Força Sindical) repudiou a proposta, o que inviabilizou um pacto mais amplo com o conteúdo proposto por Skaf, que não está em sintonia com os interesses da classe trabalhadora. Os salários no Brasil já são historicamente baixos e o arrocho agravaria os efeitos da crise ao reduzir a renda e a capacidade de consumo dos assalariados, deprimindo o mercado interno, cujo crescimento nos últimos anos contribuiu fortemente para amortecer os impactos da contração do mercado mundial.

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O lucro em 1º lugar

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A posição dos industriais paulistas tem o mérito de evidenciar os reais interesses que orientam o capital neste debate. As empresas admitem a redução da jornada e inclusive a recomendam como alternativa às demissões, conforme explicou o presidente da Fiesp. Todavia, não concordam absolutamente com a ideia de manter o valor real dos salários, pois isto demandaria uma redução da taxa de exploração dos assalariados e dos lucros.

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Está em causa, neste caso, a peleja secular entre o que Karl Marx classificou de tempo de trabalho necessário (salários diretos e indiretos) e tempo de trabalho excedente (mais-valia e lucro), que fornece o combustível básico para a luta de classes moderna entre capital e trabalho. O capitalista é dotado de uma avidez insaciável por trabalho excedente e em nenhum momento da história concordou pacificamente com a redução parcial dos lucros (trabalho excedente) em benefício dos salários (trabalho necessário). Para o capital, o lucro vem em primeiro lugar, tudo o mais é secundário e sacrificável no altar da mais-valia.

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Ponte para o futuro

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O emprego tem grande relevância especialmente neste momento da história, mas não é o único benefício proveniente da redução da jornada de trabalho, que tem um sentido histórico e estratégico para a classe trabalhadora e a civilização humana. A medida favorece também a saúde dos empregados, reduzindo a incidência de doenças ocupacionais, libera tempo para a educação, formação profissional, convívio familiar e lazer. Tende a promover, enfim, uma sensível e generalizada melhora na qualidade de vida do nosso povo.

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Não devemos mirar apenas os seus efeitos imediatos. A redução da jornada é uma bandeira que faz ponte com o futuro, é condição e caminho para a liberdade e a realização plena das potencialidades do ser humano, conforme percebeu o pensador alemão Karl Marx. De um ponto de vista marxista, a liberdade pode ser definida como o livre arbítrio sobre o tempo de vida do indivíduo (supondo satisfeita a necessidade de sobrevivência), o que evidentemente não é possível sob o trabalho heterônomo que caracteriza as relações capitalistas. Cada passo na direção da redução da jornada aponta para a elevação da condição humana do reino da necessidade para o reino da liberdade.

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Guerra civil secular

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Abordarei o tema de forma mais pormenorizada em outros artigos se conseguir tempo livre para tanto. Agora resta acrescentar (lembrando Marx) que, no capitalismo, a redução da jornada só se concretiza na história como resultado de uma guerra civil secular entre capital e trabalho. Uma guerra que continua, vai atravessar o século 21 e pode durar mil anos. Mas, vale a pena seguir lutando pela liberdade humana.

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O movimento sindical, aliado aos partidos e forças progressistas, porta a bandeira do futuro, mas não deve alimentar ilusões. A votação da PEC 231/95 em plenário não será um passeio ou a festa que foi na comissão especial. Exige quórum qualificado e o patronato já está se mexendo. Não vamos alcançar a vitória final nesta batalha sem uma ampla mobilização social. Não há tempo a perder. É hora de relançar a campanha nacional unificada das centrais pelas 40 horas já.

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*Umberto Martins, Jornalista, membro da Secretaria Sindical Nacional do PCdoB.



* Opiniões aqui expressas não refletem, necessariamente, a opinião do site.
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in Vermelho -21 DE JULHO DE 2009 - 18h43
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