A Internacional

__ dementesim . . Do rio que tudo arrasta se diz que é violento Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem. . _____ . Quem luta pelo comunismo Deve saber lutar e não lutar, Dizer a verdade e não dizer a verdade, Prestar serviços e recusar serviços, Ter fé e não ter fé, Expor-se ao perigo e evitá-lo, Ser reconhecido e não ser reconhecido. Quem luta pelo comunismo . . Só tem uma verdade: A de lutar pelo comunismo. . . Bertold Brecht
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terça-feira, fevereiro 01, 2011

Exército egípcio anuncia na TV que não reprimirá megaprotesto de hoje

Oposição e oficiais de média patente debatem futuro do Egito sem Mubarak e se comprometem a adotar uma nova Constituição civil, laica e democrática

01 de fevereiro de 2011 | 0h 00
Jamil Chade - O Estado de S.Paulo
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A oposição e quadros do Exército selaram ontem uma aliança que consolidaria as bases de um Egito laico e democrático, já no "pós-Mubarak". Ao mesmo tempo, a cúpula das Forças Armadas fez um anúncio no qual reconhecia "aspirações legítimas" da população e prometia não abrir fogo contra manifestantes que preparam para hoje um ato com mais de um milhão de pessoas no Cairo.
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Veja também:
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especial Infográfico:  A revolução que abalou o mundo árabe 
blog Tempo Real:  Chacra acompanha a situação no Egito
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Sob pressão, o presidente Hosni Mubarak tentou dar mais uma cartada para se manter no poder - amplamente rejeitada pelos opositores nas ruas. Mubarak pediu ao ex-chefe da inteligência e novo vice-presidente, Omar Suleiman, que dialogasse com a oposição em busca de uma reforma constitucional. Manifestantes, porém, exigem antes de qualquer diálogo a demissão incondicional do presidente,
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Suleiman, em declarações à TV estatal, também anunciou que eleições em alguns distritos seriam refeitas, depois das acusações de fraude. Ele também prometeu que a Justiça aceitaria as queixas de partidos que contestam o resultado das eleições parlamentares de 2010.
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"Vamos começar o diálogo com todos os partidos políticos e o Judiciário está disposto a olhar queixas de fraude", afirmou.
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A oferta foi rejeitada pela oposição, que acusou Mubarak de estar tentando mais uma vez enganar a população. A greve e a manifestação de hoje estão mantidas. 
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Para ampliar a pressão sobre o ditador, uma marcha no centro do Cairo com um milhão de pessoas e uma greve geral ilimitada foram convocadas.
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O anúncio do Exército reconhecendo a legitimidade dos protestos deu novo fôlego aos manifestantes. Décimo maior Exército do mundo, os militares egípcios praticamente definiram cada momento da história do país nos últimos 60 anos. Todos os quatro presidentes que o país teve vieram das Forças Armadas.
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"Nunca achamos que o Exército atiraria contra nós", afirmou Mohamed Mohse, de 28 anos. Alguns distribuíram flores aos soldados, enquanto outros ofereciam alimentos aos militares, sentados tranquilamente sobre seus tanques - imagem radicalmente diferente da que se via há poucos dias. Os soldados também não disfarçavam o alívio, depois de um braço de ferro com civis desarmados que já deixou 150 mortos.
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Parte do Exército fechou um acordo com a oposição. Negociadores que estavam no encontro secreto de ontem disseram ao Estado que os dois lados entraram em consenso sobre um poder "laico, com uma Constituição civil e democrática". 
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A Irmandade Muçulmana - principal partido de oposição, que prega o estabelecimento da lei islâmica - seria autorizada a participar das eleições de setembro.
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O acordo foi fechado entre os partidos tradicionais do Egito, além do movimento de jovens 6 de Abril e outros grupos liderados pelo Nobel da Paz Mohamed ElBaradei. O ex-diplomata não esconde que pretende ser o líder desse governo de transição e garante ter o apoio de um milhão de egípcios, além de ser o homem preferido pelo Ocidente para ocupar a posição. ElBaradei adotaria um plano social-democrata para o Egito, com ênfase na redução da pobreza. Mas, sobretudo, ele buscaria conduzir uma transição pacífica e ordenada, como pedem americanos e europeus.
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No acordo, ficou estabelecido que o papel do Exército seria o de garantir que o Estado seja de fato secular, sem que haja uma tentativa de grupos muçulmanos de criar um Estado islâmico ou de autoridades de se perpetuar no poder.
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Ontem, a reunião não contou com os generais, ainda fiéis a Mubarak. Mas o médio oficialato deixou claro que já não estão do lado do presidente.

O acordo e a queda de Mubarak serão colocados à prova hoje nas ruas. "Chegou o Dia D, afirmou Yassin Tageldin, vice-presidente do partido Al Wafd. Ontem, prevalecia o otimismo entre os manifestantes. Na Praça Tahrir, epicentro dos protestos, jogadores de futebol, cineastas, advogados, estudantes e comerciantes não escondiam o sentimento de que Mubarak poderia estar diante de suas ultimas horas no poder.

Tolerância
"As Forças Armadas não recorreram e não recorrerão ao uso da força contra o povo egípcio (...) Suas Forças Armadas, estão cientes da legitimidade de suas demandas (...) A liberdade de expressão com o uso de meios pacíficos é garantida para todos."
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TRECHOS DO COMUNICADO DAS FORÇAS ARMADAS

quarta-feira, julho 21, 2010

Alarcón: "Presos cubanos não são dissidentes, são criminosos"

América Latina

Vermelho - 20 de Julho de 2010 - 11h12


Cuba garante que liberará todos os 52 presos políticos que prometeu, mas reitera que "não os dissidentes são criminosos". Em entrevista ao Estado de S.Paulo, o presidente da assembleia Nacional de Cuba, Ricardo Alarcón, ataca os EUA e torce para que o Brasil tenha "sua primeira mulher presidente", em referência à candidata Dilma Rousseff.

Alarcón é presidente da Assembleia Nacional de Cuba desde 1993. Aos 73 anos, é considerado uma das mais importantes figuras da diplomacia cubana, tendo ocupado diversos postos diplomáticos desde a revolução de 1959, incluindo o de chanceler, em 1992. Durante 12 anos, foi representante do país na ONU, em Nova York, e tornou-se o principal acessor do governo nas relações com os Estados Unidos. Veja abaixo a entrevista



Leia também:
O Estado de S.Paulo: Cuba cumprirá a promessa de liberar todos os 52 presos?
Ricardo Alarcón: Todos serão libertados, sem exceção, nas próximas semanas.
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O Estado de S.Paulo: Por que Cuba libertou esses dissidentes?
Ricardo Alarcón: Não são dissidentes. São pessoas culpadas por crimes e por trabalharem para potências estrangeiras que querem destruir nosso país. Isto é crime em qualquer país do mundo, com pena de prisão e até de morte.
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O Estado de S.Paulo: Para onde irão os presos que ainda estão em Cuba?
Ricardo Alarcón: Veremos. Mas serão libertados.

O Estado de S.Paulo: Existe a possibilidade de alguns ficarem em Cuba?
Ricardo Alarcón:
Acho difícil que todos fiquem. Estamos procurando um lugar no exterior para resolver a situação. Eles precisam de visto e é nisso que trabalhamos agora.
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O Estado de S.Paulo: Há alguma negociação similar com o Brasil para recebê-los?
Ricardo Alarcón: Pelo que sei, não existe nada.
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O Estado de S.Paulo: A liberação foi acompanhada de perto pela Casa Branca. Como o sr. avalia a política do presidente dos EUA, Barack Obama, em relação a Cuba?
Ricardo Alarcón:
Obama é apenas mais do mesmo. Tem uma linguagem mais comedida, um estilo mais calmo, mas sua política externa, no fundo, é a mesma que existia antes. No entanto, a América Latina já tomou o caminho irreversível da luta por sua independência efetiva. Há muitos desafios ainda, mas a região está no caminho certo. Estamos vivendo uma época de mudanças que não pode mais ser sabotada.
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O Estado de S.Paulo: O Brasil terá eleições este ano. Como o sr. avalia a possibilidade de mudança de governo em Brasília?
Ricardo Alarcón: Seria muito bom que o Brasil tivesse sua primeira mulher presidente. Isto garantiria a continuidade da obra começada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que colocou o Brasil em um lugar de destaque no cenário internacional.

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Fonte: O Estado de São Paulo
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América Latina

Vermelho - 18 de Março de 2010 - 16h33

Como os ' dissidentes' de Cuba seriam tratados em outros países?

Em Cuba, existem cerca der 50 pessoas a quem os grandes meios de comunicação classificam como "presos políticos", "presos de consciência" ou "dissidentes". Os governos dos países mais poderosos e ricos do mundo se apóiam neste argumento para pressionar o governo cubano e forçar mudanças na ilha de acordo com seus interesses políticos e econômicos. A conhecida e prestigiosa organização Anistia Internacional também qualifica com estes termos estas pessoas. Porém, o que há de correto em tudo isso?

É preciso recordar que nenhum dos chamados "dissidentes" foram penalizados por delitos de opinião, mas por sua colaboração direta com o governo dos Estados Unidos por diferentes meios, basicamente a recepção de fundos econômicos.

Esta superpotência, cuja economia representa hoje cerca de um terço de toda a economia mundial, mantém um bloqueio econômico que provoca graves privações à população da ilha e que já foi condenado pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 18 ocasiões. Além disso, protege em seu território pessoas responsáveis por centenas de vítimas de atos terroristas na ilha e mantém ocupada uma parte do território do país, a Baía de Guantânamo, contra a vontade expressa do povo e do governo cubanos.

Quer dizer, o governo dos Estados Unidos mantém uma guerra aberta e declarada contra Cuba, com o objetivo de derrubar o sistema político e social vigente na ilha. Para isso, destinou, só nos anos 2007 e 2008, US $ 45,7 milhões para os chamados "dissidentes", e outros US $ 100 para organizações radicadas nos Estados Unidos que atuam, em muitos casos, como financiadores intermediários dos mesmos.

Os delitos dos chamados " dissidentes", portanto, não têm nada a ver com a liberdade de expressão, mas com colaboração com uma superpotência estrangeira inimiga.

Mas o que aconteceria em outros países com pessoas com atuações semelhantes? (1)

O Código Penal dos Estados Unidos prevê uma pena de 20 anos para quem preconize a derrubada do governo ou da ordem estabelecida. Estipula 10 anos de prisão para quem emita "falsas declarações", com o objetivo de atentar contra os interesses dos Estados Unidos em suas relações com outra nação. E pena de três anos para quem "mantenha (...) correpondência ou relação com um governo estrangeiro (...). com a intenção de influir em sua conduta (...) a respeito de um conflito ou uma controvérsia com os Estados Unidos".

O Código Penal espanhol castiga com pena de 4 a 8 anos a quem "mantiver relações de inteligência ou relação de qualquer gênero com governos estrangeiros (...), a fim de prejudicar a autoridade do Estado ou comprometer a dignidade ou os interesses vitais da Espanha". Prevê pena de 10 a 15 anos aos responsáveis por crime de "rebelião", aplicado a quem se "levante violenta e publicamente" com objetivos como: derrubar ou modificar a Constituição, destruir ou suprimir faculdades do rei da Espanha.

A França castiga com pena de até 30 anos e multa de € 450 mil "o feito de manter relações de inteligência com uma potência estrangeira, (...) com vistas a sucitar hostilidades ou atos de agressão contra a França".

A Itália sanciona com pena entre 3 e 10 anos o " cidadão que, inclusive indiretamente, receba (...) do estrangeiro (...) dinheiro ou qualquer outro artigo (...) com o objetivo de cometer atos contrários aos interesses nacionais", com um incremento de pena se "o dinheiro (...) se entrega ou se promete mediante propaganda na imprensa".

Em qualquer um dos citados países, e em outros não mencionados, os denominados "dissidentes" cubanos receberiam, então, penas muito superiores que aquelas recebidas por seus delitos em Cuba. Contra todos eles (os dissidentes), ficou provado o recebimento, direto ou indireto, de fundos do governo dos Estados Unidos e colaboração com a política de guerra contra a ilha.

O pesquisador francês Salim Lamrani define a Anistia Internacional como uma organização "reconhecida por sua serenidade, profissionalismo e imparcialidade", porém critica seu tratamento em relação a Cuba. "A Anistia Internacional faria bem em reconsiderar seu juízo a respeito daqueles que considera presos de consciência em Cuba, pois ter duas medidas é inaceitável", afirma o professor.

(1) Salim Lamrani, “Las contradicciones de Amnistía Internacional”, no Rebelión de 7 de maio de 2008. http://www.rebelion.org/noticia.php?id=67001

Fonte: Kaos en la Red, tirado de vídeo produzido por Cubainformación.

Veja abaixo o vídeo (em espanhol) de Cubainformación:



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  • Pouco trabalho?

    18/03/2010 23h09
    A anistia internacional,nao deve ter muito com o que se ocupar no resto do mundo,por exemplo:Iraque,Palestina,Afeganistao,Paquistao,Honduras,etc. É so mais um orgao,assim como a ONU,de apoio aos interesses norte americanos!
    Marci
    Teresina - PI

  • Cadê as legendas do vídeo?

    18/03/2010 17h21
    Não falo espanhol, apenas português. O texto não é a tradução do vídeo que traz a matéria. Entendo que como o Vermelho só publica textos em português também deveria de só publicar vídeos em nossa língua. O vídeo original em espanhol pode estar acessível a quem quiser ver, mas não deve ser a única versão disponível! É o que eu penso.
    juliana
    São Paulo - SP
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sábado, julho 10, 2010

A Terceira Depressão - Paul Krugman



02.Jul.10 :: Outros autores
PAUL 
KRUGMANSão cada vez mais, mais fortes e mais apreensivas as vozes dos epígonos do capitalismo que alertam para os perigos económicos e as graves consequências sociais das políticas impostas pelo grande capital na sua tentativa da recuperação capitalista da crise. Sabedores dos perigos sociais e políticos de uma recuperação à custa da classe trabalhadoras procuram a quadratura do círculo: uma inexistente posição intermédia entre a recuperação á custa da classe trabalhadora ou do grande capital monopolista.

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Receio que estejamos nos estágios iniciais de uma terceira depressão. E o custo para a economia mundial será imenso
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Recessões são comuns; depressões são raras. Pelo que sei, houve apenas duas eras qualificadas como «depressões» na ocasião: os anos de deflação e instabilidade que acompanharam o Pânico de 1873, e os anos de desemprego em massa, após a crise financeira de 1929-31.
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Nem a Longa Depressão do século XIX nem a Grande Depressão, no século XX, registaram declínio contínuo. Pelo contrário, ambas tiveram períodos de crescimento. Mas esses períodos de melhoria jamais foram suficientes para desfazer os danos provocados pela depressão inicial e foram seguidos de recaídas.
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Receio que estejamos nos estágios iniciais de uma terceira depressão. Que provavelmente vai se assemelhar mais à Longa Depressão do que a uma Grande Depressão mais severa. Mas o custo – para a economia mundial e, sobretudo, para as milhões de pessoas arruinadas pela falta de emprego – será imenso.
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E essa terceira depressão tem a ver, principalmente, com o fracasso político. Em todo o mundo – e, mais recentemente, no desanimador encontro do G-20 – os governos mostram-se obcecados com a inflação quando a ameaça é a deflação, e insistem na necessidade de apertar o cinto, quando o problema de fato são os gastos inadequados.
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Em 2008 e 2009, parecia que tínhamos aprendido com a história. Ao contrário dos seus predecessores, que elevavam as taxas de juro para enfrentar uma crise financeira, os atuais líderes do Federal Reserve e do Banco Central Europeu (BCE) cortaram os juros e partiram em apoio aos mercados de crédito. 
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Ao contrário dos governos do passado, que tentaram equilibrar os orçamentos para combater uma economia em declínio, os governos hoje deixam os déficits crescerem. E melhores políticas ajudaram o mundo a evitar o colapso total: podemos dizer que a recessão causada pela crise acabou no Verão (no Hemisfério Norte) passado.
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Mas os futuros historiadores vão nos dizer que esse não foi o fim da terceira depressão, da mesma maneira que a retoma econômica em 1933 não foi o fim da Grande Depressão. Afinal, o desemprego – especialmente a longo prazo – continua em níveis que seriam considerados catastróficos há alguns anos. E tanto os Estados Unidos como a Europa estão perto de cair na mesma armadilha deflacionária que atingiu o Japão. 
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Diante desse quadro, você poderia esperar que os legisladores entendessem que não fizeram o suficiente para promover a recuperação. Mas não. Nos últimos meses observamos o ressurgimento da ortodoxia do equilíbrio orçamentário e da moeda forte. 
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O ressurgimento dessas teses antiquadas é mais evidente na Europa. Mas, em termos práticos, os EUA não estão agindo muito melhor. O FED parece consciente dos riscos de deflação – mas o que propõe fazer é: nada. O governo Obama entende os perigos de uma austeridade fiscal prematura – mas, como republicanos e democratas conservadores não aprovam uma ajuda adicional aos governos estaduais, essa austeridade se impõe de qualquer maneira, com os cortes nos orçamentos estaduais e municipais.
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Por que essa virada da política? Os radicais com frequência referem-se às dificuldades da Grécia e outros países na periferia da Europa para justificar seus atos. E é verdade que os investidores atacaram os governos com déficits incontroláveis. Mas não há evidência de que uma austeridade a curto prazo, ante uma economia deprimida, vai tranquilizar os investidores. 
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Pelo contrário: a Grécia concordou com um plano de austeridade, mas viu seus riscos se ampliarem; a Irlanda estabeleceu cortes brutais dos gastos públicos e foi tratada pelos mercados como um país com risco maior que a Espanha, que até agora resiste em adotar medidas drásticas propugnadas pelos radicais.
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É como se os mercados entendessem o que os legisladores não compreendem: que, embora a responsabilidade fiscal a longo prazo seja importante, cortar gastos no meio de uma depressão vai aprofundar essa depressão e abrir caminho para a deflação, o que é contraproducente. 
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Portanto, não acho que as coisas tenham a ver de fato com a Grécia, ou com qualquer visão realista sobre o que priorizar: déficits ou empregos. Em vez disso, trata-se da vitória de teses conservadoras que não se baseiam numa análise racional e cujo principal dogma é que, nos tempos difíceis, é preciso impor sofrimento a outras pessoas para mostrar liderança.
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E quem pagará o preço pelo triunfo dessas teses? A resposta: dezenas de milhões de desempregados, muitos deles sujeitos a ficar sem emprego por anos e outros que nunca mais voltarão a trabalhar. 
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* Paul Krugman, economista galadoardo com o Prémio Nobel em 2008 é colaborador habitual do New York Times
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Este texto em português, traduzido do New York Times, foi publicado no diário brasileiro Estado de S. Paulo
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Tradução de Terezinha Martino
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http://www.odiario.info/?p=1656
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Economia

Vermelho - 10 de Julho de 2010 - 14h02

Paul Krugman: Austeridade contraproducente

O blog de economia do WSJ traz um artigo interessante mostrando como a restrição dos benefícios aos desempregados pode na verdade acabar aumentando o déficit no longo prazo, ao fazer com que trabalhadores perto da idade de aposentadoria se vejam obrigados a recorrer a programas de aposentadoria por invalidez. Mas a questão vai muito além disto.

Paul Krugman

Há uma argumentação bastante razoável segundo a qual medidas de austeridade no contexto de uma economia em depressão equivalem, literalmente, a uma falsa poupança – no longo prazo, os problemas orçamentários são agravados.

Pessoas como eu têm hesitado em expor tal argumentação em voz alta, por medo de sermos tachados de versão esquerdista de Arthur Laffer – mas que se dane a cautela, vou explicar do que se trata.

Funciona mais ou menos assim. Imaginemos um corte nos gastos equivalente a 1% do PIB. Isso tem a aparência de uma redução no orçamento, certo? Mas se o fizermos no caso de uma economia que se depara com o limite inferior zero, de modo que o Fed se veja impossibilitado de compensar os efeitos sobre a demanda com juros mais baixos, o resultado será um encolhimento da economia. Usemos um multiplicador de 1,4; os números podem ser ajustados a gosto.

Sabemos que uma economia mais fraca significa uma arrecadação menor. Suponhamos que cada dólar somado ou subtraído ao PIB represente US$ 0,25 em arrecadação, uma estimativa conservadora. Então a austeridade fiscal reduz a arrecadação em 0,35% do PIB; a proporção realmente poupada é de apenas 0,65%.

O governo precisa captar estes fundos por meio de empréstimos; digamos que os juros reais sejam de 3% (no momento eles são muito mais baixos do que isto.) No longo prazo, o impacto da austeridade sobre a posição fiscal será uma redução de 0,0195% do PIB no pagamento dos juros reais.

Espere: e se houver efeitos negativos de longo prazo decorrentes de um declínio mais profundo na economia? O artigo do WSJ mostrou um exemplo: trabalhadores excluídos permanentemente da força de trabalho. Há também o efeito negativo de uma economia em depressão que incide sobre o investimento privado. Temos os talentos desperdiçados porque os jovens têm suas carreiras prejudicadas pelo resto da vida. E assim por diante. E aí é que está o problema: se a economia se mostrar mais fraca no longo prazo, isso significa uma arrecadação menor, o que anula a quantia poupada pela austeridade inicial.

Qual deve ser a dimensão destes efeitos negativos para que a austeridade seja transformada numa perda líquida para o equilíbrio orçamentário? Não precisa ser grande demais. No meu exemplo, a quantia poupada no pagamento de juros reais proporcionada por medidas de austeridade equivalentes a 1% do PIB é inferior a 0,2% do PIB; se a proporção do PIB convertida em arrecadação for de 25%, isto significa que uma redução adicional no PIB da ordem de 0,8% seria suficiente para anular os supostos benefícios fiscais. Não é nada difícil imaginar a ocorrência de algo do tipo.

Em resumo, é fácil perceber que implementar medidas de austeridade agora é uma má ideia, não apenas por causa do seu impacto sobre a economia e os desempregados; pode ser que isso fracasse até na tentativa de ajudar a equilibrar o orçamento.

É importante perceber que não estou dizendo que os gastos governamentais sempre valem a pena, e nem que poupar dinheiro seja necessariamente contraproducente. Os efeitos que analisamos condizem com uma situação de armadilha de liquidez. Mas é esta a situação em que nos encontramos.
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