A Internacional

__ dementesim . . Do rio que tudo arrasta se diz que é violento Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem. . _____ . Quem luta pelo comunismo Deve saber lutar e não lutar, Dizer a verdade e não dizer a verdade, Prestar serviços e recusar serviços, Ter fé e não ter fé, Expor-se ao perigo e evitá-lo, Ser reconhecido e não ser reconhecido. Quem luta pelo comunismo . . Só tem uma verdade: A de lutar pelo comunismo. . . Bertold Brecht
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terça-feira, julho 06, 2010

PCP - Contra a destruição do Serviço Nacional de Saúde

Conferência de Imprensa, Jorge Pires, 

Membro da Comissão Política do Comité Central 

Contra a destruição do Serviço Nacional de Saúde

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Com a crise que afecta o país, cujas consequências nos planos económico e social são devastadoras, o Governo do PS, em vez de reforçar o Serviço Nacional de Saúde, insiste na cruzada pela sua destruição a pretexto de que o País não tem recursos para sustentar um serviço público de saúde com a matriz do português. O mesmo governo que simultaneamente financia com milhões de euros os grupos privados da saúde, nomeadamente através do escandaloso negócio da ADSE; situação de que o PCP continuará a exigir clarificação.
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Tem sido com base neste argumento que, desde 2005, os governos do PS encerraram dezenas de serviços de saúde – SAPs, urgências hospitalares e outros serviços.
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Têm sido argumentos dos governos do PS a retórica da “qualificação dos serviços”. Todos recordamos a afirmação do anterior Ministro da Saúde que em caso de doença não iria a um SAP; o teatro dos “protocolos” com autarcas para que aceitem o encerramento de serviços nas autarquias vizinhas a troco da manutenção dos seus; a miragem de rede móvel, plena de conflitos, insuficiente e mal preparada.
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A insistência do actual Governo do PS, no encerramento de serviços como os SAPs de Aljustrel, Vale de Cambra e Valença e as urgências pediatras nocturnas dos hospitais de Setúbal e Barreiro, deixam à vista as verdadeiras razões do governo: a criação de uma nova área de negócio por via da liquidação das responsabilidades do Estado na área da saúde e sua substituição pelo sector privado. Um mal disfarçado projecto de destruição progressiva do SNS, onde se complementam a não formação de profissionais e a degradação das suas condições de trabalho, o encerramento de serviços e de valências ou a não abertura de outros, deixando espaço ao desenvolvimento do lucrativo mercado da saúde que os grandes grupos ambicionam dominar.
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A resistência das populações e dos profissionais constitui, como se tem provado, o mais importante obstáculo à concretização de tal projecto.
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Se o governo mantém o seu projecto de destruição, às populações e aos trabalhadores cabe manter uma atitude de resistência e de luta em defesa do SNS, de Qualidade e para Todos.
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O PCP exige a reconsideração dos serviços encerrados, a criação de uma efectiva rede de urgência e emergência dotada dos meios técnicos e humanos adequados, uma rede de serviços de saúde humanizada e de proximidade, dotada das valências que correspondam às características das populações que se pretendem servir e ao desenvolvimento equilibrado e sustentado do país e das suas diversas regiões.
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A saúde é também um factor de desenvolvimento económico e social, mas sofre o impacto das opções de política económica e social. Investir no plano social permite obter mais ganhos em saúde com os mesmos gastos.
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Investir nos cuidados de saúde contribui para o desenvolvimento económico, não só pela melhoria da saúde da população e dos trabalhadores, com a melhoria do rendimento do trabalho, mas também no estímulo ao desenvolvimento tecnológico, à criação de milhares de postos de trabalho, à produção de novas tecnologias e materiais necessários à prestação de cuidados de saúde.
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Também no sector do medicamento a política do Governo PS não tem procurado orientar-se para defesa dos interesses dos cidadãos e do SNS. Bem pelo contrário, tem procurado contentar os grandes interesses instalados, as empresas farmacêuticas, os interesses dos proprietários das farmácias e dos armazenistas.
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Depois de vários anos de aumento dos custos com medicamentos em consequência das medidas tomadas pelo Governo – segundo os últimos dados disponíveis do Infarmed, em 2008 os utentes pagaram mais 120 milhões de euros do que pagavam em 2004 –, o Governo PS volta a penalizar as populações com novas medidas restritivas.
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Desde logo o aumento do IVA, que é maior nos bens essenciais e leva ao aumento do preço de 6 000 medicamentos. Mas também a diminuição do preço de referência para a comparticipação em 30% e a restrição da comparticipação a 100% dos medicamentos genéricos, para reformados com reformas inferiores ao salário mínimo nacional, que passa a existir apenas para os cinco mais baratos em cada especialidade.
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Isto significa que, em todas estas situações, os utentes, e em particular os mais carenciados, vão pagar substancialmente mais pelos seus medicamentos sempre que a prescrição não acompanhe estas alterações ou quando, no caso dos reformados, os medicamentos mais baratos não estejam disponíveis na farmácia.
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São também conhecidas várias decisões, a nível hospitalar, no sentido de deixar de dispensar a título gratuito medicamentos específicos para doenças crónicas. É a consequência da imposição de uma gestão cada vez mais orientada por critérios economicistas, e o reflexo das medidas de corte nas despesas da saúde aplicadas pelo Governo e apoiadas pelo PSD.
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Se o Governo quer de facto racionalizar os gastos do Estado com medicamentos deve fazê-lo à custa dos poderosos interesses económicos privados deste sector e não à custa dos utentes. Mas o Governo não quer fazer isso. É por isso que rejeita a imposição na lei da prescrição pelo princípio activo, a eliminação do sistema de preço de referência, um correcto dimensionamento das embalagens, ou o aumento do papel das farmácias hospitalares na dispensa de medicamentos nos hospitais. Essas são medidas que beneficiam os utentes e o Estado mas que, por atingirem os interesses económicos do sector, o Governo teima em não adoptar.
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Neste quadro o PCP defende:
* a criação do Laboratório Nacional do Medicamento e o incremento à produção nacional;
* a dispensa gratuita dos medicamentos prescritos nos Hospitais e Centros de Saúde – medicamentos genéricos ou de marca – sempre que o seu custo para os estabelecimentos do SNS seja menor que a comparticipação na compra em farmácias;
* o alargamento do mercado de genéricos, com o aumento da sua divulgação e o incentivo à sua prescrição e a abolição do preço de referência;
* enquanto se mantiver o sistema de preço de referência, deve ser criada uma cláusula de salvaguarda de forma a garantir que o utente não é prejudicado na comparticipação pelo facto de o médico não autorizar a utilização de genéricos;
* avançar com legislação que defina com rigor a intervenção de cada uma das componentes do sector do medicamento, desde a produção até à venda a retalho, impedindo que em qualquer momento alguma das partes possa ter uma intervenção do tipo cartel, com a obrigatoriedade da prescrição por DCI (Denominação Comum Internacional) que deve ser acompanhada de mecanismos de supervisão e informação aos interessados – médicos e utentes – sobre a existência, composição e custos dos genéricos.
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No quadro da sua intervenção política geral e institucional, o PCP não deixará de estar na vanguarda da luta pela defesa do que é prioritário neste momento – um SNS como serviço público, única forma de garantir a universalidade e o acesso de todos os portugueses a todos os cuidados de saúde, independentemente da sua situação social e económica.
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sábado, julho 21, 2007


Um Governo que não respeita os direitos dos trabalhadores
Política

Há pressões do topo à base da Administração Pública para impedir as reformas antecipadas

* Jorge Pires
Membro da Comissão Política

O que têm em comum a professora de Aveiro com leucemia e o docente de Braga com um cancro na traqueia obrigados a trabalhar até à morte, ou a professora de Ovar e a auxiliar de acção educativa numa escola de Matosinhos, com três e quatro cancros diagnosticados respectivamente, ambas forçadas a apresentarem-se no local de trabalho?

Têm de comum o facto de terem passado por uma Junta Médica da responsabilidade da Caixa Geral de Aposentações, todos trabalharem na área do ensino e terem sido obrigados a trabalhar, apesar da extrema gravidade da sua doença e do seu estado de saúde e serem vítimas do desrespeito pelos direitos mais elementares dos trabalhadores que tem marcado a acção governativa nos últimos anos.

Não estamos perante uma casualidade e muito menos uma inevitabilidade.

São conhecidas de há muito as situações em que o trabalhador se apresenta numa Junta Médica com relatórios de especialistas a confirmarem graves problemas de saúde com incapacidade permanente para o trabalho e que voltam para trás queixando-se da falta de atenção, insensibilidade e agressividade.

Sobre estas situações o Governo e a Ordem dos Médicos nunca nada disseram, limitando agora as soluções à óbvia – mas tardia – alteração legal no sentido de que as Juntas sejam compostas apenas por médicos e à necessária formação específica dos mesmos, o que em nossa opinião não passa de mais uma operação de propaganda com custos elevados para os trabalhadores.

Os quatro exemplos aqui referidos, podiam ser muitos mais, são o resultado da conjugação de um conjunto de factores que passam certamente pela composição das juntas médicas e da preparação técnica dos seus elementos, pela rede de influências que está montada e que tem sido amplamente denunciado por muitos trabalhadores, pela insensibilidade demonstrada ao longo dos anos por quem tem decidir em última análise, mas não serão evitadas mais mortes, se o Governo continuar a não respeitar os direitos dos trabalhadores. É nesta falta de respeito que os sucessivos governos têm mantido, com destaque para o actual, que encontramos as respostas que explicam estes acontecimentos. Não é, de facto, o Governo que decide sobre as baixas médicas, mas ele é o único responsável por medidas como o prolongamento da idade da reforma, deixando os trabalhadores mais desprotegidos na doença.Governo é responsável!

A pressão que é feita do topo à base no aparelho de Estado para que os serviços dificultem cada vez mais a possibilidade da reforma antecipada e a insensibilidade, que em última análise vai ao ponto de obrigar um trabalhador a trabalhar até à morte, seja em que profissão for, são certamente as principais razões para a ocorrência destes casos. O Governo não pode deixar de ser politicamente responsabilizado por isso.

É com base nestas orientações que tem vindo a ser adulterado o princípio introduzido há uns anos atrás, com aspectos positivos, de «valorização da capacidade restante» em vez do que vigorava até então de «valorização da incapacidade para o trabalho».

As alterações que o Governo se prepara para impor na revisão do Código do Trabalho, serão certamente um significativo contributo para agravar a situação.

É por isso inaceitável que o primeiro-ministro e outros membros do Governo, venham sacudir para outros as suas próprias responsabilidades, invocando desconhecimento e indignação pelo sucedido, quando são eles os principais responsáveis pelo facto de no nosso país os trabalhadores em situação de doença incapacitante, estarem hoje mais desprotegidos. Em nossa opinião, nenhum destes casos teria o mesmo percurso se o Estado garantisse à totalidade dos seus trabalhadores um Serviço de Saúde Ocupacional que faça a prevenção da doença, nomeadamente as doenças profissionais emergentes hoje reconhecidas pela Organização Mundial de Saúde e pela Organização Internacional do Trabalho, e os proteja em situações como as aqui descritas.

Cabe ao poder político e aos organismos do Estado – todos os ministérios em geral e os da Saúde e do Trabalho em particular – a organização da prestação de cuidados de saúde ocupacional aos trabalhadores de todos os sectores de actividade incluindo a administração pública, bem como a fiscalização efectiva do cumprimento das orientações e das normas de saúde ocupacional e os ganhos em saúde obtidos.

Esta é uma questão que, estranhamente, ou não, nem a Ordem dos Médicos nem o primeiro-ministro referiram, colocando o epicentro do problema nas juntas e na sua preparação técnica. A criação de Serviços de Saúde Ocupacional na Administração Pública é uma medida não apenas necessária como indispensável para que no futuro não se repitam situações como a que foi vivida pela auxiliar de acção educativa que foi obrigada a regressar ao trabalho, repetindo no dia a dia durante um mês, a permanência na escola esticada numa cama dentro de um gabinete.

Os trabalhadores dispensam a propaganda que se queira fazer à custa do seu sofrimento e por isso exigem o efectivo reconhecimento da sua dignidade e dos seus direitos.

in Avante 2007.07.19
Fotografia - Capela dos Ossos - Igreja de S. Francisco - Évora