A Internacional

__ dementesim . . Do rio que tudo arrasta se diz que é violento Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem. . _____ . Quem luta pelo comunismo Deve saber lutar e não lutar, Dizer a verdade e não dizer a verdade, Prestar serviços e recusar serviços, Ter fé e não ter fé, Expor-se ao perigo e evitá-lo, Ser reconhecido e não ser reconhecido. Quem luta pelo comunismo . . Só tem uma verdade: A de lutar pelo comunismo. . . Bertold Brecht
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sexta-feira, outubro 09, 2009

Agência Financeira 2009.10.9

Agência Financeira

Newsletter, 9 Outubro 2009

Dados da Coface

0

Empresas em falência: os piores distritos

Mais de 3000 empresas estão em situação de insolvência, Porto Lisboa e Braga lideram

Estrela da Amadora insolvente

Menos 17 mil empresas

Juros

1

BCE mantém juros em mínimo histórico

Banco Central Europeu não altera taxas de juro. Economistas estimam que juro de 1% seja mantido até meados do próximo ano

Trichet: «dificuldades ainda não acabaram»

Euribor sobem em todos os prazos

Informática

IBM investigada por monopólio nos EUA

Departamento de Justiça norte-americano vai apurar se houve abuso de posição dominante no mercado dos mainframes

Em busca da cidade do futuro

Ferramenta identifica pessoas

separador

Mercados

- BCE: Lisboa não desanima

- Petróleo está mais caro

- Dólar em mínimos de 2 semanas

Economia

- EUA: défice orçamental triplica

- Falências disparam em 9 meses

- PIB da Finlândia recua

Empresas

- Sonae Sierra na Alemanha

- Crise chega ao grupo Prada

domingo, julho 19, 2009

Big Brother da União Europeia





11-Jul-2009
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Uma agência europeia reunirá todos os ficheiros de polícia, justiça e asiloUma agência europeia reunirá todos os ficheiros de polícia, justiça e asilo, segundo uma proposta apresentada pela Comissão Europeia
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O Big Brother está em gestação. É de facto uma Big Sister, pois trata-se de uma agência personalizada fundada pela União Europeia. Orwell não nos tinha prevenido que o risco totalitário viria de Bruxelas.
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Texto publicado pelo professor Gilles J. Gugliemi no seu site .
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Eis o que comporta a proposta de regulamento do Parlamento Europeu e do Conselho apresentada pela Comissão Europeia a 24 de Junho de 2009, que tem como objectivo criar uma agência responsável pela gestão operacional dos sistemas de informação SIS2, VIS e Eurodac.

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A Comissão Europeia apresenta uma proposta de regulamento do Parlamento Europeu e do Conselho de 24 de Junho de 2009, que tem como objecto criar uma agência que será responsável pela gestão operacional dos sistemas de informação de grande escala aplicando o Título IV do Tratado das Comunidades Europeias e, potencialmente, «de outros sistemas de informação no domínio da liberdade, da segurança e da justiça».

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Baseia-se no artigo 66 do Tratado da CE1

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1. Os três instrumentos de registo na Europa

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O registo dos indivíduos pela União Europeia por motivos de segurança, de justiça ou de fluxos migratórios assenta de momento em três sistemas distintos. Já tínhamos escrito aqui sobre a criação dos vistos e dos aperfeiçoamentos do Eurodac, mas é preciso recordar a existência do SIS (I depois II).

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Na base da convenção de aplicação do acordo de Schengen de 14 de Junho de 19852, o sistema de informação Schengen (SIS) foi criado para preservar a ordem pública e a segurança pública, incluindo a segurança dos Estados. O sistema de informação Schengen de segunda geração (SIS II)3 foi consideravelmente ampliado pois tem como objecto «assegurar um nível elevado de segurança na espaço de liberdade, de segurança e de justiça da União Europeia, incluindo a preservação da segurança pública e da ordem pública e a salvaguarda da segurança nos territórios dos Estados membros, assim como aplicar disposições do título IV da terceira parte do tratado CE relativos à livre circulação das pessoas nos territórios dos Estados membros, com a ajuda das informações transmitidas por este sistema».

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O EURODAC, sistema de informação à escala da Comunidade (isto é, um conjunto de tratamento e de ficheiros respeitantes a todos os Estados membros) foi criado para facilitar a aplicação da convenção de Dublin4, destinada a estabelecer um mecanismo de determinação da responsabilidade do exame dos pedidos de asilo apresentados num dos Estados membros da União. Esta convenção foi substituída por um instrumento legislativo comunitário, o regulamento de Dublin5.

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Enfim, o sistema de informação sobre os vistos (VIS)6 deve permitir às autoridades dos Estados membros «trocar informações sobre os vistos, com o objectivo de simplificar os procedimentos de pedido de visto, prevenir o "visa shopping", facilitar a luta contra a fraude, facilitar os controlos nos pontos de passagem das fronteiras externas e no território dos Estados membros, ajudar à identificação das pessoas provenientes de países terceiros, facilitar a aplicação do regulamento de Dublin e contribuir para a prevenção das ameaças à segurança interna de um dos Estados membros».

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A lógica apontaria para que a EUROPOL gerisse o SIS, enquanto que a Comissão geria o VIS e o EURODAC. Esta opção foi sugerida durante as negociações para a transformação da Europol actual num acto comunitário. Pelo contrário, foi a criação de uma nova agência de regulação centralizadora e de vocação universal que foi aprovada.

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2. Tudo concentrado na mesma instituição

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Uma das maiores ambiguidades da proposta de regulamento é confundir a natureza da agência que, de gestão acaba por ser em seguida "de regulação".

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«A agência de regulação será criada enquanto organismo comunitário dotado de personalidade jurídica. As primeiras tarefas a confiar à agência são de natureza operacional, o que abrange a gestão global dos sistemas de informação assim como o funcionamento destes sistemas. Ela tornar-se-á assim um 'centro de excelência' dotado de pessoal de execução especializado. Um organismo especializado permitirá além disso atingir níveis de eficácia e de reactividade mais elevados, incluindo na perspectiva do desenvolvimento e da gestão operacional de outros sistemas potenciais no domínio da liberdade, da segurança e da justiça.»

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A agência será além disso encarregue de todas as tarefas ligadas à infraestrutura de comunicação. A este respeito, a Comissão anuncia implicitamente a publicação do regulamento resultante da proposta de Regulamento do Parlamento Europeu e do Conselho apresentado pela Comissão a 3 de Dezembro de 2008, COM(2008) 825 final

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Enfim, a agência poderá também potencialmente ser encarregue de desenvolver e de gerir «outros sistemas de informação em grande escala no espaço de liberdade, de segurança e de justiça» (com a condição que sejam adoptados instrumentos legislativos que criem estes sistemas e confiram à agência as competências correspondentes.

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Nada é dito, evidentemente, sobre a articulação, e mesmo a interconexão dos ficheiros em questão. Mas qual é o conteúdo de uma gestão operacional, se não for para agir nos ficheiros, estruturá-los, melhorar a sua «eficácia e reactividade»?

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Autorizar os Estados a partilhar ficheiros de polícia, de justiça e de circulação das pessoas tinha já graves consequências para as liberdades. Sem mesmo concluir definitivamente sobre a sua natureza de regulação, criar uma agência que domina completamente a gestão operacional dos seus ficheiros é um passo decisivo e simbólico que nunca deveria ser dado sem um debate democrático alargado.

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Gilles J. Gugliemi, professor na universidade Panthéon-Assas (Paris-2)

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Tradução de Carlos Santos

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1 Que prevê a adopção das medidas apropriadas que visem encorajar e reforçar a cooperação administrativa entre os serviços competentes das administrações dos Estados membros nos domínios dos vistos, do asilo, da imigração e das outras políticas ligadas à livre circulação da pessoas, assim como entre os serviços e a Comissão.

2 publicada em 2000: JO L 239 de 22/09/2000, p. 19

3 estabelecido pelo regulamento (CE) nº 1987/2006 do Parlamento Europeu e do Conselho de 20 de Dezembro de 2006 e pela decisão 2007/533/JAI do Conselho de 12 de Junho de 2007 sobre o estabelecimento, o funcionamento e a utilização do sistema de informação Schengen de segunda geração (SIS II)

4 JO C 254 de 19.8.1997, p. 1.

5 Regulamento (CE) nº 343/2003 do Conselho de 18 de Fevereiro de 2003 que estabelece os critérios e mecanismos de determinação do Estado membro responsável pelo exame de um pedido de asilo apresentado num dos Estados membros por uma pessoa de um país terceiro, JO L 50 de 25/02/2003, p. 1

6 Criado pelo regulamento (CE) nº 767/2008 do Parlamento Europeu e do Conselho de 9 de Julho do Parlamento Europeu e do Conselho de 9 de Julho de 2008 relativo ao sistema de informação sobre os vistos (VIS) e a troca de dados entre os Estados membros sobre os vistos de curta duração (regulamento VIS).

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in Esquerda Net

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segunda-feira, junho 15, 2009

UE impõe novas multas milionárias à Microsoft



Economia | 12.07.2006


Por não cumprir as deliberações da Comissão da UE em prol da concorrência, gigante da informática terá que pagar 280 milhões de euros. A partir de 1º de agosto podem ser mais três milhões por dia.

Com uma multa de 280,5 milhões de euros, a União Européia quer obrigar a empresa Microsoft a abrir campo para a concorrência. Nesta terça-feira (12/07), a Comissão da UE ameaçou além disso com uma multa diária de três milhões de euros, caso o gigante da informática não apresente até 31 de julho dados detalhados sobre seu sistema operacional Windows.

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A Microsoft anunciou que apresentará recurso diante dos tribunais europeus. Em sua declaração, a empresa diz considerar a penalidade "desproporcional". Além disso, a Comissão da UE não teria sido clara o suficiente quanto à natureza dos documentos exigidos, alega a firma norte-americana. No momento, 300 funcionários da Microsoft estariam trabalhando para entregar todos os dados até 24 de julho.

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A maior fabricante de software do mundo acrescenta: "Não se entende por que a Comissão impõe essa enorme multa, se o processo está correndo bem e o prazo combinado se encerra em apenas poucos dias".

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Comportamento ilegal

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A nova penalidade corresponde a 1,5 milhão de euros por dia útil, desde 16 de dezembro de 2005. É a primeira vez, em seus 49 anos de existência, que a comunidade européia penaliza uma empresa por não seguir suas deliberações antitruste.

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Há dois anos, a UE já impusera à Microsoft multa de 497 milhões de euros por abuso de sua posição dominante no mercado. A atual sanção se refere ao fato de o grupo de Bill Gates não haver até agora apresentado os dados necessários ao emprego de produtos concorrentes no setor de servidores para grupos de trabalho.

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"Lamento sinceramente que a firma não haja cessado com seu comportamento ilegal", comentou a comissária da UE para questões de Concorrência, Neelie Kroes, em entrevista coletiva à imprensa.

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Interoperabilidade e transparência

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Kroes ressaltou o fato de a Microsoft não se haver esforçado para fornecer as informações desejadas "há dois anos, quando ainda não estava ameaçada de multas". A comissária concluiu: "Nenhuma firma está acima da lei. A Comissão não pode tolerar indefinidamente um tal comportamento".

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A fabricante do Windows insiste: "A penalidade anunciada hoje é mais elevada do que as impostas pela Comissão nos casos mais graves de infração do direito europeu, como, por exemplo, acordos para formação de cartéis. Não cremos que essa multa se justifique".

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A Microsoft é a única firma que, desde 2002, ampliou sua já enorme fatia de mercado no setor dos servidores para grupos de trabalho. A Comissão disse esperar que o grupo norte-americano aplique também em outros campos os princípios de interoperabilidade e transparência, vigentes para o setor de servers. A empresa já está avisada que isso se aplica ao seu futuro sistema operacional, Vista, anunciou o órgão europeu.

(av)


Mais artigos sobre o tema


sexta-feira, maio 02, 2008

Teclado de computador pode ser mais sujo do que privada

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Alguns teclados de computador pessoal têm mais bactérias do que o assento de uma privada, segundo uma pesquisa realizada pela revista britânica Which? Computing. Testes realizados em computadores do escritório da empresa em Londres encontraram germes e bactérias que poderiam causar infecção alimentar, informa a publicação.

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Dos 33 teclados analisados, quatro foram considerados potenciais riscos à saúde e um tinha cinco vezes mais germes do que o assento da privada do banheiro do escritório. Um microbiologista deu ordens para que o teclado fosse retirado do local, mantido em quarentena e limpo.

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O microbiologista Peter Wilson, do University College London Hospital, disse à BBC que um teclado de computador é geralmente "um reflexo do que está no seu nariz e no seu intestino". Wilson também afirma que compartilhar um teclado no escritório pode causar a transmissão de doenças entre os empregados. "Se alguém tem um resfriado no escritório, ou mesmo uma gastrenterite, há muitas chances de que você vá pagar a doença por meio do teclado", disse o pesquisador.

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Segundo a Which? Computing, uma das causas para teclados tão sujos é o fato de que usuários cada vez mais comem enquanto usam o computador. Maus hábitos, como não lavar as mãos depois de ir ao banheiro, também contribuem para o problema, de acordo com os pesquisadores. A editora da revista, Sarah Kidner, aconselhou os usuários a limpar os teclados antes de começar a trabalhar.

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No ano passado, uma pesquisa realizada pela Universidade do Arizona concluiu que, em média, uma mesa de trabalho tem 400 vezes mais bactérias do que um assento de privada. Eles também descobriram que as mesas das mulheres têm de três a quatro vezes mais germes do que a dos homens.

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Da Redação, com informações da BBC

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in Vermelho - 1 DE MAIO DE 2008 - 17h45

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imagem retirada daqui acredite se quiser - um curioso blog a visitar
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terça-feira, agosto 07, 2007

Blog - Papo com Alessandro Martins




* Redação .
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"Hoje a internet brasileira é uma internet de quermesse: tem o padre, o louco da praça, as beatas, o prefeito. Todo mundo se conhece e ninguém solta um 'pum' sem que o outro saiba. Na Web brasileira ainda somos uma província. Se uma cidade é pequena, a economia dela é pequena também; o mesmo vale para a nossa internet. Não que não haja muitos usuários nela: são milhões deles. Mas os que fazem um uso realmente ativo da Web, aproveitando boa parte de seus recursos, ainda são poucos."
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1. Como é tocar três (ou mais, eu não sei) blogs ao mesmo tempo?
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É divertido. Só escrevo sobre o que gosto. Atualmente tenho quatro blogs.
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O primeiro foi o Cracatoa Simplesmente Sumiu, desdobramento do site original que terminou e onde escrevo minhas crônicas. Um projeto mais literário.
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pois veio o Alessandro Martins – Livros e afins, que começou sem uma vocação específica, mas que acabou se especializando em livros. Creio que esse tem agradado bastante porque não falo de literatura especificamente, mas do relacionamento que as pessoas têm com os livros. E é um relacionamento que gera muitas paixões. De todos os tipos.
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A seguir, criei o Um investidor Iniciante na Bolsa de Valores, pois achei legal compartilhar meu aprendizado nesse tipo de investimento ao mesmo tempo em que gero renda com o blog. Aprendo, metabolizo e registro o que aprendi, ensino e lucro. O mais recente é o Queroterumblog.com!, em que pretendo falar desse assunto tão interessante que são os blogs, ajudando velhos e novos editores. Esse é uma parceria com a empresa de comunicação Ideal Case.
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Apesar de ser divertido, escrever nestes quatro blogs exige disciplina. Tenho um compromisso comigo mesmo de publicar pelo menos um artigo a cada dois dias em cada um deles. Mas tenho conseguido dar conta do recado tranqüilamente e, julgo, com alguma qualidade.
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Mas você deve saber que cuidar de um blog não é apenas publicar. Você precisa interagir com os comentaristas, participar de discussões em outros blogs, ler muito, cuidar da arrecadação, das estatísticas. É um trabalho e tanto, mas muito prazeroso por se tratar de uma coisa sua.
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Por isso, mesmo com todos esses blogs, ainda quero lançar um outro, com conteúdo adulto. Primeiro porque é um mercado que movimenta muito dinheiro no exterior e logo vai ser assim por aqui também. Quem chegar na frente com seriedade só tem a ganhar. E segundo porque é um assunto de que gosto e com o qual me divertirei bastante.
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2. Você é sério candidato a se tornar o primeiro blogueiro profissional do Brasil?
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Creio que muitos outros blogueiros podem reclamar este posto para si. Dependendo do critério que você usa, será um ou outro. Até a Bruna Surfistinha. Afinal, o blog dela deve ter rendido, direta ou indiretamente, muito dinheiro.
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Porém, eu estou longe de ser um editor profissional de blog. Minha postura é profissional, mas o rendimento ainda não é. Digamos que estou no meio do caminho que há entre o ponto em que os blogs se pagam com muita sobra e o ponto em que eles garantem o meu sustento, da minha casa e da minha família. Mas tenho certeza de que vou chegar lá.
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Para os meus critérios, no entanto, o primeiro blogueiro profissional do Brasil é o Bruno Alves. Além de ter uma parte significativa de seus rendimentos vindos do blog BrPoint, ele tem uma postura profissional, com responsabilidade pela informação e atenção aos leitores.
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3. Blog dá dinheiro? (O que acha desse pessoal que vive dizendo que não dá?)
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Blog dá dinheiro. Porém, o pessoal que diz que não dá dinheiro está momentaneamente certo. .
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Hoje a internet brasileira, a em língua portuguesa, é uma internet de quermesse ainda. Tem o padre, o louco da praça, as beatas, o prefeito. Todo mundo se conhece e ninguém solta um pum sem que o outro saiba. Ainda somos uma província. Se uma cidade é pequena, a economia é pequena. O mesmo vale para internet brasileira. Não que haja tão poucos usuários assim. Mas milhões deles. Os que fazem uso ativo dela, aproveitando boa parte dos recursos que ela oferece, são poucos.
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O reflexo disso se vê na publicidade. É só dar uma pesquisada no AdWords e ver a diferença entre o preço de anúncios de palavras-chave em português e o de palavras-chave em inglês. Fica bem claro. Uma publicidade de melhor retorno para o anunciante e para os sites depende do crescimento de um público que saiba usar a internet.
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Tinha uma praça aqui em Curitiba onde, de madrugada nos fins de semana, barraquinhas de cachorro-quente, dezenas delas, vendiam para quem passava por ali. Mas eram poucos clientes para muitas barraquinhas. Eu e um amigo chegamos à conclusão de que elas vendiam umas para as outras, para não ir à falência. Não chega a tanto, mas estamos quase assim na internet brasileira.
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Mas é bobagem pensar que isso não vai mudar e que o mercado de publicidade na internet não vai crescer.
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Aí o pessoal que diz que blog não dá dinheiro vai ficar com a mesma cara do sujeito que quase empresariou os Beatles ou a daqueles que ficaram tirando sarro dos primeiros caras que foram para o Klondike atrás de ouro, imaginando o que aquele povo iria fazer naquele frio. Pioneirismo tem disso. Sempre tem os que preferem dizer que não vai dar certo.
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4. O Interney Blogs, e o seu objetivo de remunerar os blogueiros do portal, foi um marco nesse sentido?
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Foi um marco para a produção de crônicas em primeiro lugar. Todos os blogs escolhidos pelo Inagaki, parceiro do Edney de Souza na idéia, são de excelente qualidade. Todos eles já tinham seu público formado e em crescimento e creio que, juntos, estão mais fortes. Talvez alguns dos autores nem tivessem a idéia de remunerar, merecidamente, seus escritos. Talvez eles venham de um período mais romântico dos blogs, de cinco ou mais anos atrás. Os textos são mais pessoais, em um sentido literário. Por experiência com o Cracatoa Simplesmente Sumiu eu sei que esse tipo de produção é mais difícil de se remunerar, seja lá qual o método de arrecadação que se adote. Então eles ganharam todos. O Edney por ter conteúdo de qualidade e por associar seu site a algo tão nobre quanto a crônica e a bons autores de internet. E os blogueiros por estarem agora em um site que os paga e lhes dá ainda mais visibilidade.
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Porém, acredito que o maior marco na relação que há entre dinheiro e blogs foi a descoberta do AdSense pelos blogueiros. Isso mudou em muito o perfil dos blogs nacionais. Basta ver um ranking qualquer. Por exemplo o do BlogBlogs. Veja quantos dos blogs listados entre os primeiros são de crônicas ou pessoais. Os que há são os do Interney, se tanto, e outros gatos pingados. De resto, a maioria são de blogs mais agressivos do ponto de vista técnico, seja no que diz respeito à especialização, seja no que diz respeito ao uso de técnicas para melhorar a posição nos sites de busca como o Google. Eu tinha dúvidas quanto à legitimidade delas, mas como diz um amigo meu, no xadrez não se pode deixar de usar o cavalo só porque ele anda em L. É a regra do jogo.
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5. Quando você comecou a blogar? E como foi a sua trajetória até se tornar conhecido na blogosfera?
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Eu comecei a editar blogs em 2001. Eu criei um blog chamado Cracatoa Simplesmente Sumiu, no brasileiro Weblogger. Mudei para o Blogspot e depois criei uma conta no Livejournal. E eram blogs pessoais mesmo. Eu nem imaginava as possibilidades dessa ferramenta. Hoje é tão óbvio que chega a ser absurdo. E fui levando assim. Até que, em 2004, o Paulo Polzonoff Jr. me convidou para escrever uma coluna no blog dele. Passei a levar mais a sério e com mais disciplina o ato de escrever. Finalmente, incentivado pela fotógrafa Alicia Ayala – que em contrapartida incentivei a fotografar – criei o site Cracatoa Simplesmente Sumiu (do qual mantenho o conteúdo antigo). Note que fazíamos questão de enfatizar que não se tratava de um blog. Não gostávamos da idéia. Achávamos que blogs eram coisas menores. Enfim, o site – que gerenciávamos com Movable Type, ferramenta notoriamente de blogs - acabou e hoje o endereço é um blog. E a ele se juntaram outros três. Por enquanto. Até o momento, o meu site mais conhecido é o Alessandro Martins – Livros e Afins, que, por ter nascido como blog, rapidamente superou o site Cracatoa. A Alicia, por sua vez, é hoje uma das editoras da revista de fotografia, ilustração e design IdeaFixa.
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6. Quais são os numeros dos seus empreendimentos? Você pode revelar alguns (visitantes, pageviews, e-mails, comentários etc.)?
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Creio que o número que mais revela a saúde de um blog é o número de comentários. Se seu site tem bom número de visitantes, boa arrecadação, mas poucos comentários, creio que há alguma coisa de errada com ele. No futuro, você pode ter problemas. E é desse número que mais me orgulho no momento. Recebo comentários não só para os posts novos, mas também para artigos antigos. Isso indica que quem chega através dos mecanismos de busca gosta do que vê. Esse tipo de leitor gera mais links, que gera mais resultados de busca, que geram mais arrecadação. Algumas vezes são quarenta comentários por dia somando todos os sites. Nunca menos que vinte. Isso me dá um certo trabalho, pois mantenho a política de responder a todos.
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7. Não acha que existe uma pressão meio velada, hoje, para se postar cada vez mais?
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Existe, mas acho que essa histeria vai ser superada rapidinho, assim que os editores perceberem que o principal é produzir material original e de qualidade. Não basta reproduzir a notícia do momento para ter sucesso ou pinçar coisas do Digg ou do del.icio.us. Tem que ter ponto de vista, experiência pessoal, tempero e substância, conversa com o leitor. E fazendo isso com constância e disciplina, sabendo divulgar o seu trabalho, basta um post por dia. Ou a cada dois dias. E, depois, ninguém tem tempo de ler tanta coisa. Acho que essa regra só muda para os sites especializados em gadgets ou em alguma outra categoria em que haja profusão de novidades.
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8. Quais são os principais defeitos dos blogueiros brasileiros? (Em outras palavras: por que você se destacou e muitos outros, não?)
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O blogueiro brasileiro precisa aprender a responder os seus leitores e a usar os links com inteligência. Além das características já codificadas dos blogs – por exemplo, entradas em ordem cronológica inversa – creio que as principais são a possibilidade de diálogo através dos comentários e a presença de links nos artigos, trackbacks ou não. É preciso saber usar os links com inteligência. Um artigo sem link é um artigo em que a energia da internet – a informação – fica estagnada. O leitor quer ser jogado à frente. Ele não quer desligar o computador e ver novela. Ele quer ver o que há por detrás do clique, como aquela história das bonecas russas, uma dentro da outra. E não basta fazer um link para um blog apenas porque ele está entre os mais conhecidos ou escrever um artigo apenas para "oportunizar" esse link esperando a retribuição. Esperar retribuição de links é a maior bobagem. É mais negócio ter convicção do que você está escrevendo e fazer o link para um blog menos conhecido mas que vá acrescentar algo para o seu leitor. Em geral, a retribuição não vem de quem recebeu o link, mas de quem lê o seu artigo. Outra coisa importante é nunca deixar de comentar em outros blogs. E, claro, como blogueiro, desenvolver uma inteligência de comentarista, nunca perdendo uma oportunidade de ficar quieto quando não há nada a dizer. Quem adotar práticas como essas vai sair na frente. A blogosfera brasileira está só no começo. É o momento.
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9. Quem são suas admirações na blogosfera em geral, e por quê?
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O Bruno Alves pelos motivos que citei acima e o Paulo Polzonoff Jr. por sua atual reserva e qualidade habitual. Depois deles, eu poderia citar uma lista enorme de gente de que eu gosto...10. Pensa que a blogosfera pode, um dia, substituir a midia estabelecida? (Nem em termos de audiência? Como o New York Times compete com milhões de blogs?)É difícil dizer o que vai acontecer. Mas podemos esboçar um panorama usando o seguinte raciocínio: As pessoas absorvem informação de acordo com certos hábitos. Hábitos se formam na juventude. Vamos chutar números: Entre os 10 e os 20 anos de idade. Antigamente, as pessoas estavam habituadas a receber informações através dos jornais, revistas e, mais recentemente, portais da internet. Em algum momento de sua vida essas pessoas se habituaram a isso e levarão esse hábito até o fim de seus dias. Acontece que hoje em dia não vejo muitas pessoas entre 10 e 20 anos de idade lendo jornais ou revistas. O que eles estão lendo? O que eles estão vendo? Responda essas perguntas e você começa a matar a charada de como vai estar essa história...
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Para ir além Blog 1, blog 2, blog 3 e blog 4.
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por Julio Daio Borges10/8/2007 às 14h34 Nasceu
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Das cinzas. Quando deixei a Estante de Livros definhar, pensei que estivesse fazendo um bem para mim. Mas, na semana passada, comecei a tramar um novo blog. 5 anos depois do primeiro post da Estante. Vou te contar, hein? Remendo é o que mais se faz neste país. Talvez com as palavras eu ainda seja boa de costura. Blog de mulherzinha?Ana E, no seu remendo, que, claro, linca pra nós.
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por Julio Daio Borges10/8/2007 à 00h39 . Um blog sem conteúdo
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Fico intrigada com a tal da “respeitabilidade” do papel, por mais que saiba que isso é a pura realidade... E a Olivia fala da "ergonomia" do ato, que ler em papel é mais confortável... Acho que ando passando muito tempo em frente ao micro... Penso também no alcance do papel, que chega nos cafundós, vai de correio, sedex etc. Mas como eles ficam sabendo do livro sem a Web? Complicado.Charô, que comenta no Branco Leone, que linca pra nós.
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por Julio Daio Borges9/8/2007 à 00h33 NewsTrust
. Steve Outing comenta o aparecimento do NewsTrust, um site ainda em estágio beta, que se propõe a funcionar como uma espécie de termômetro de credibilidade para notícias e fontes de notícias, em diversos suportes on-line (jornais, revistas, blogs, sites noticiosos independentes), nos Estados Unidos.O ranqueamento de credibilidade é feito pelos próprios participantes do experimento, como no Digg. Notas são atribuídas às notícias, em um sistema de avaliação que lembra o modelo do Slashdot, com a diferença de que no NewsTrust as fontes e notícias cobrem toda a gama de interesses e suportes on-line.Uma vez se inscrevendo no site, qualquer interessado pode passar a avaliar notícias e fontes, colaborando para a construção do termômetro coletivo de credibilidade.Marcos Palacios, no seu Jornalismo & Internet, que linca pra nós.
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por Julio Daio Borges8/8/2007 à 00h22
. Optimizar Blogs
. A série optimizar blogs surgiu para ajudar os bloggers a compreender e tirar partido do funcionamento dos motores de busca [=Google]. Ao longo de sete artigos procurei oferecer alguma informação útil para os noviços e os mais experimentados:
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1. "Optimizar blogs para os motores de busca: reduzindo as assimetrias" explica porque devem os bloggers prestar atenção aos motores de busca.
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2. "Por que gostam os motores de busca dos blogs?" A resposta está algures entre a arquitectura dos sites, os conteúdos trabalhados e actualizados e os...
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3. "Links", muitos links. Porque os links, tal como as recomendações, são importantes para os motores de busca.
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4. Factor decisivo no posicionamento, são os títulos. É importante usar "palavras chave nos títulos".
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5. Nos títulos e ao longo do texto, é necessário saber "escrever para o Google e para a audiência".
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6. Parte da optimização passa por terceiros e outros sites: "Optimização off-site": promoção em directórios, na web social e noutros blogs. Não depende de nós mas podemos dar uma ajuda.
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7. Para terminar convém estar atento a "armadilhas e erros frequentes" de quem se entusiasma com tráfego dos motores de busca. Também tenho a minha quota...Cristina Vieira de Portugal, citando o ótimo Marketing de Busca, e lincando pra nós.
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por Julio Daio Borges7/8/2007 à 00h05
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in Digestivo Cultural - Sexta-feira, 10/8/2007

quinta-feira, julho 12, 2007



Viagens virtuais

* Victor Nogueira
Viajar para o estrangeiro é para a maioria dos trabalhadores um prazer inacessível.
Mesmo cá dentro, os nossos salários não permitem veleidades e as férias são cada vez mais passadas em casa, com uma ou outra escapadela à praia, poupando o subsídio para outras despesas mais prementes.
À medida das nossas bolsas restam as viagens virtuais através Internet, onde é possível encontrar sites que disponibilizam visões panorâmicas (360º), em sucessão de fotos ou com textos ilustrados e hiperligações a outras páginas.
Ainda assim é recomendável dispor de uma ligação de banda larga (ADSL ou cabo), bem como de um computador recente com espaço para a instalação de programas de visualização que encontraremos nos respectivos sites.
Procurámos preferencialmente páginas escritas em português mas como o seu número é reduzido incluímos igualmente algumas referências noutras línguas. Uma relação de sítios sobre o Brasil encontra-se em http://www.coolview.com.br/ (secção panoramas). De consulta directa temos em http://www.sp360.com.br/ (secção passeios), uma infinidade de pontos de interesse turístico da cidade de S. Paulo.
Deste lado do atlântico, pode experimentar uma volta por Florença, em Itália, no site multilingue http://www.aboutflorence.com/ (secção visitas virtuais).
Uma viagem planetária pelos lugares classificados como património da Humanidade pode ser feita em http://www.world-heritagetour.org/ E uma vez que neste último não é feita qualquer referência a Portugal, tente http://www.360portugal.com/ que oferece espectaculares imagens a 360 graus de numerosas cidades e localidades com os seus monumentos e outros pontos de interesse para o visitante.
Passear por Lisboa é também possível em http://www.teiaportuguesa.com/ com textos e fotografias, não se dispensando uma ida ao seu Oceanário (http://www.oceanario.pt/ ) ou, porque não, ao Museu do Teatro(http://www.museudoteatro-ipmuseus.pt/).
Um interessante percurso arqueológico pode iniciar-se pela Citânia de Briteiros, em Guimarães (http://www.csarmento.uminho.pt/), seguindo depois para as ruínas de Conímbriga (http://www.conimbriga.pt/), variando com uma visita guiada no site da Câmara de Trancoso (http://www.cmtrancoso.pt/).
Como estamos no espaço virtual, rapidamente damos um salto à Gruta de Lascaux, em França, (http://www.culture.gouv.fr/culture/arcnat/lascaux/fr/index.html), repleta de gravuras e pinturas rupestres.
Outras ligações com sites de vários museus do mundo podem ser encontradas em(www.sobresites.com/artesplasticas/museusmundo.htm). Assim é possível espreitarmos o famoso Museu do Louvre, em Paris (http://www.louvre.fr/), visitarmos a Mesquita de Córdova (http://cvc.cervantes.es/) ou confrontarmo-nos com a memória do terror nazi em Auschwitz/Birkenau (www.remember.org/auschwitz ). Para que nunca mais volte a ser possível!
Os mais afoitos poderão aventurar-se pelo sistema solar, visitando o Sol e seus planetas (http://paginas.terra.com.br/educacao/isaacelias/viagem.htm ) embora aqui a única língua disponível seja o inglês.
Mais perto encontra-se a Ilha de Páscoa e as suas intrigantes estátuas gigantescas ou o património espanhol, latino-americano e marroquino (http://www.arsvirtual.com/).
Para terminar sugerimos uma entrada no Museu da Ciência e Tecnologia (Brasil)(www.universia.com.br/especiais/museu_pucrs/museu_pucrs.htm ) ou o Museu Virtual da Imprensa, no Porto,(www.imultimedia.pt/museuvirtpress/).


in Jornal do STAL, nº 86 . 2007 Junho

sexta-feira, julho 06, 2007


Festa do Avante!
Espaço das Tecnologias de Informação e Comunicação
Contribuir para um Portugal com futuro
Pelo quarto ano, no Pavilhão Central da Festa do Avante!, o Espaço das Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) proporcionará o contacto com as novas tecnologias da informática e da internet. Haverá também computadores para “navegar” na net, revelaram Sofia Grilo, Bruno Dias e Gonçalo Valverde, do Grupo de Trabalho das TICs.
«As Tecnologias de Informação e de Comunicação, por um contributo para um Portugal com futuro» será o tema da exposição que dará a conhecer aos visitantes as propostas do PCP para uma verdadeira universalização do acesso a este novo campo do conhecimento, e a sua análise sobre a política do Governo PS nesta área. Outra área da exposição será dedicada aos espaços do PCP na internet, onde o Partido Comunista Português foi pioneiro, em Portugal.
«Têm sido introduzidos melhoramentos nas páginas web do PCP, e a presença do Partido também está a crescer na internet», revelou Sofia Grilo, acrescentando que «cada vez mais Organizações Regionais do Partido elaboram a sua página própria, criando espaços de intervenção mais local, nunca se substituíndo o contacto directo que é, no PCP, a forma previlegiada de trabalho», afirmou. «É muito importante, enquanto ferramenta de trabalho que proporciona um rápido acesso a toda a informação que é produzida pelo Partido, a nível central.»
«Assim, chegamos mais longe», salientou, destacando o importante contributo do Partido, na internet, durante a Greve Geral de 30 de Maio. «A constante actualização de dados foi fundamental para desmentir os números do Governo e para se constatar a forte adesão dos trabalhadores». Outro espaço de relevo do PCP na Internet, cada vez mais concorrido, é a Rádio Comunic, que terá espaço próprio, também no Pavilhão Central.
Democratizar o acesso
«Deparamo-nos com as prioridades pervertidas na agenda política do Plano Tecnológico do Governo, que nunca coloca na ordem do dia o que deve ser, para o PCP, o aspecto central de tudo isto: a democratização do acesso às tecnologias, uma efectiva aposta no investimento nestas tecnologias, de forma estratégica e não casuística, para que este sector se consolide enquanto factor de desenvolvimento da economia e do País. Estas são necessidades que estão a léguas de toda a propaganda que o Governo tem vindo a anunciar nesta área», afirmou Bruno Dias.
«As TICs por um contributo para um Portugal com futuro» vai ser também motivo de debate, nomeadamente no que respeita à situação dos trabalhadores e à política do Governo nesta matéria».
«Propaganda à parte, o Governo selecciona felizes contemplados que poderão passar a poder comprar computadores mais baratos, na maior parte dos casos com descontos de cinco euros por mês no acesso à internet», recordou Bruno Dias. «É disto que estamos a falar, apesar de toda a propaganda em torno das novas tecnologias que o Governo tem repetido», salientou. O público-alvo dos apoios anunciados são os trabalhadores inseridos no “Programa Novas Oportunidades”, estudantes a partir do 10.º ano e professores que poderão obter computadores a 150 euros.
Questionado pelo PCP sobre qual é a fonte de financiamento deste programa e qual seria o seu montante, o Governo disse que ele seria pago com o negócio das contrapartidas dos concursos dos telemóveis da terceira geração, sem ter revelado o montante em causa».
A propriedade do software
«Quanto mais computadores se oferecer, mais serão os clientes de quem está a investir nas TICs, ou seja, a TMN, a Vodafone e a Óptimus, tendo como corrente do sistema operativo a Microsoft, que patrocina a política do Governo, e na banda larga ganha a PT, a Vodafone e a Novis.»
«Desta forma, os operadores de telecomunicações estão a subsididar-se a eles mesmos», afirmou Gonçalo Valverde, lembrando que a Microsoft vai conquistar, desta forma, milhares de operadores a troco de um CD para cada um e que terão, depois, de ir adquirindo do seu bolso os acessórios e a constante actualização. «É um negócio em que é discutível concluir-se que vai trazer benefícios para o País, porque não existe em Portugal uma política integrada nesta área, mas medidas avulso», acrescentou. «Os próprios departamentos do Governo têm escolhas diferentes e variadas de software, mas há muitas que estão exclusivamente dependentes da Microsoft».
«A propriedade do software é uma questão política, além de uma simples questão técnica, porque o País pode estar a hipotecar o seu futuro ficando nas mãos de uma multinacional privada», considerou Gonçalo Valverde.
Komunix livre e alternativo
Os visitantes da Festa encontrarão computadores com aplicações e sistemas operativos de sofware livre e haverá sempre alguém para esclarecer e ajudar os interessados. Para ensinar a utilizar o software livre decorrerão workshops durante os três dias e serão lançados dois CDs com a quarta versão do Komunix, o programa, em CD, anualmente actualizado, desde a primeira edição do Espaço dedicado às TICs.
No Komunix deste ano serão adaptadas, ao público da Festa, funções do sistema Linux. Será também editada uma segunda versão do CD com aplicações de sofware livre para sistemas proprietários, ou seja, que correm no sistema windows e não necessitam que se recorra ao sistema Linux para que possam funcionar, esclareceu Sofia Grilo.
Para que a ajuda seja total, dois dos três workshops são subordinados à instalação e à utilização deste sistema operativo. «O movimento do software livre surgiu na década de oitenta e apresenta-se como alternativa à ideia do software proprietário, que nem sabemos, actualmente, até que ponto está ou irá comprometer aspectos da nossa soberania nacional, com o Governo a ficar refém de uma multinacional de software norte-americana», lembrou Gonçalo Valverde.
O software livre «defende um conjunto de princípios em que, de certa forma, transparece um pouco a ideologia comunista, ao defender a liberdade de se utilizar os programas como se quiser, de os analisar, modificar, distribuir cópias e de poder partilhar todos os seus conteúdos».
A partir do momento que é adquirido, «este software pode ser utilizado com toda esta liberdade, gratuitamente, com a vantagem de o utilizador final ficar com acesso ao código-fonte do programa para resolver todos os problemas, sem que se tenha de pagar mais com melhorias ou arranjos», concluiu.
Debater o presente e o futuro
Trabalhadores, tecnologias e direitosA situação laboral em que vivem «Os trabalhadores das Tecnologias da Informação» é o tema de um dos dois debates que decorrerão no Espaço das TICs.
Ali, «serão abordados os problemas da precariedade, dos ritmos de trabalho e da flexibilização laboral vivida quotidianamente por cada vez mais trabalhadores deste sector», revelou Sofia Grilo.
O outro debate vai abordar «A gestão digital de direitos», numa altura em que tanto se fala dos direitos das empresas e de autor sobre a informação e criação que circulam pela internet.
A gestão digital de direitos «é uma terminologia um pouco ambígua» que tem levado à criação de restrições para impedir a cópia de ficheiros, o que é sempre possível», salientou Gonçalo Valverde, lembrando que nada impede um proprietário de um CD de fazer uma cópia do mesmo.
«Tem havido uma tendênca, de parte desta indústria, para tentar impor restrições para impedir que os ficheiros digitais possam ser facilmente copiados, o que entra em conflito com os direitos dos utilizadores», esclareceu, lembrando que os CDs equipados com sistemas anti-cópia estão feitos para apenas serem operativos em determinados sistemas, deixando os compradores reféns desse sitema. «Por exemplo, há CDs de música e com filmes que só funcionam no sistema Windows e não no Linux», referiu Gonçalo Valverde, salientando que «o que se pretende é que quem queira ver um filme ou ouvir uma música tenha de pagar por isso e pelo número de vezes que o faz», esclareceu, levantando um pouco a ponta do véu do que vai ser este debate.
«É por isso que costumamos dizer que, em vez de «Gestão digital de direitos», esta matéria devia chamar-se Exploração digital de direitos», acrescentou Bruno Dias. Com as restrições, são as empresas, muito mais do que os autores das obras, que lucram desmesuradamente, não só com os produtos culturais mas também ao nível da produção académica, lembrou Sofia Grilo.
Não são os professores ou os investigadores que determinam se as obras podem ou não ser copiadas, ficando a decisão ao critério das editoras fazerem ou não novas edições que chegam a esgotar, deixando os alunos sem acesso a esse conhecimento e sem poderem duplicar as obras porque as editoras não o permitem», esclareceu.
«Já há livros electrónicos académicos que podem ser comprados com prazo de duração e, passado esse tempo, o livro desaparece», revelou Gonçalo Valverde. «Estamos perante a perspectiva capitalista da forma de rentabilizar e explorar ao máximo um bem». «Não pretendemos, com isto, pôr em causa o direito do autor de receber os dividendos das suas obras, mas sim os das editoras que ostracisam os consumidoresde música, por exemplo, e não agem de acordo com os interesses dos próprios artistas quando limitam a divulgação e o consumo das suas obras», considerou.
«Parece que a pirataria informática foi propositadamente disseminada pelas multinacionais e os grupos económicos desta área para que agora entremos numa nova fase de restrições e de perseguição aos que foram, antes, incentivados a recorrerem à pirataria», considerou Bruno Dias.
- L.G.

in Avante 2007.07.05