A Internacional

__ dementesim . . Do rio que tudo arrasta se diz que é violento Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem. . _____ . Quem luta pelo comunismo Deve saber lutar e não lutar, Dizer a verdade e não dizer a verdade, Prestar serviços e recusar serviços, Ter fé e não ter fé, Expor-se ao perigo e evitá-lo, Ser reconhecido e não ser reconhecido. Quem luta pelo comunismo . . Só tem uma verdade: A de lutar pelo comunismo. . . Bertold Brecht
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segunda-feira, julho 16, 2007


Semiópticas
Os ditadores da democracia também se abatem


* Rui Santos, Jornalista


A censura existia e combatia-se. A PIDE fez várias vítimas e foi desmantelada. Este Governo parece ufano e orgulhoso na exibição das reminiscências do antigo regime.



Nos debates políticos deixou de existir o costume da ‘direita’ nunca estar de acordo com a ‘esquerda’ e vice-versa. No período pós-25 de Abril era inimaginável verificar sintonia de uma mera ideia entre Álvaro Cunhal e os seus sequazes e os prosélitos de outra figura incontornável da democracia portuguesa, Sá Carneiro. A queda do muro de Berlim e a desagregação da União Soviética conferiu uma nova geopolítica ao Velho Continente.


A ortodoxia comunista deixou de fazer sentido. O PCP tentou remar contra a maré em nome da natureza da intervenção do líder histórico (Cunhal), mas viu-se obrigado a abrir as suas fronteiras, confrontado com ventos soprados de vários quadrantes. Sem ‘cortina de ferro’ para sustentar a sua representação atlântica, o PCP teve de contraditar a própria natureza e vem tentando fazer algum ‘músculo’. Esquerda e direita encontram-se no centro totalitário.


A liberdade de expressão e a consagração da livre imprensa foram conquistas nem sempre valorizadas. Não podemos esquecer os que foram vítimas da falta delas e os verdadeiros cabouqueiros da democracia. Esta não pode ser responsabilizada pelas suas fragilidades e imperfeições (deducentes da consagração do sistema capitalista), apenas porque alguns ‘profissionais da política’ não têm sabido respeitar a perenidade dos ‘conteúdos ideológicos’ que as estruturas partidárias vêm destruindo perigosamente.


A sanha persecutória contra a liberdade de imprensa conheceu um momento alto no Governo liderado por Santana Lopes. Certos ‘democratas’, desrespeitando todos os que se esforçaram por combater a censura e associados parasitas das máquinas partidárias, fizeram tudo para açaimar a comunicação social, como se tivessem a tratar cães raivosos. A direita e o centro-direita, neste particular, nunca foram um bom exemplo.


A ‘inveja’ do Governo de Sócrates não faria qualquer sentido se a ‘esquerda democrática’ tivesse sabido delimitar o seu território. Esquerda e direita confundem-se nesta tentativa de captura do pensamento. Os ditadores da democracia também se abatem.


A ‘nacionalização’ da comunicação social parece inevitável. Para ela muito contribuíram todos aqueles que, em nome da liberdade, colaboraram com a censura. Começando pelos jornalistas (comunistas) e por um Sindicato falso como Judas.

in Correio da Manhã, 2007.07.08

segunda-feira, julho 02, 2007





Semiópticas
O português pode viver sem roubar?!

* Rui Santos

Custa muito dinheiro levar uma vida séria. O País real (tomado de assalto) é aquele onde se paga muito e pouco se recebe.
A reforma da Segurança Social abre os horizontes aos portugueses? O último estudo da OCDE, revelado antes da entrada em vigor dos pressupostos que lhe estão subjacentes, não é nada animador: o valor das pensões em Portugal deverá descer, em média, mais de 40% em relação às expectativas geradas antes da consumação deste acto governamental. Com o aumento da idade da reforma e as novas regras de cálculo, Portugal será dos países mais afectados, com as pensões a descer de forma preocupante. Estas alterações garantem ‘um maior nível de sustentabilidade’ e são apontadas comparações com outros países (as percentagens do PIB para cobrir responsabilidades com pensões).
A OCDE ressalva ainda que Portugal continua a ser um dos únicos três países da organização que permite reformas antecipadas por inteiro antes dos 60 anos – desde que o trabalhador some 40 anos de contribuições.
Primeiro ponto: para o trabalhador somar 40 anos de contribuições antes da idade de reforma (e ninguém se aposenta um mês antes ou muito à beira da idade limite) é preciso abandonar os estudos muito cedo.
Segundo ponto: o mercado de trabalho é cada vez mais precário, os jovens agarram-se à primeira oportunidade que se lhes depara (mesmo à margem daquilo que estudaram) e os ordenados são baixos, muito baixos mesmo.
O português que nunca roubou para ter uma vida melhor e se tem a ‘sorte’ de estar empregado sonha com três coisas: casa própria, automóvel e dinheiro para as férias. Normalmente isso custa-lhe uma fortuna em juros bancários.
Aos portugueses pede-se-lhes que apertem o cinto. Bateladas de impostos. Nenhum sistema social aguenta a bagunçada que, a este nível, do ponto de vista das fugas, estava instalada. Portugal vive um drama: o Governo de Sócrates está a fazer com que o povo pague, de repente, a factura de anos de irresponsabilidade política. A balbúrdia transformou-se num assalto.
Somos dos países do Mundo que mais paga imposto automóvel, gasolina e, por exemplo, electricidade. Ao nível das telecomunicações, a PT papa tudo, até as chamadas de reclamação para serviços mal prestados.
Este é um País de grandes negociatas que não olha nem para os velhos nem para as crianças.
Apetece citar Émile Zola: ‘que patifes, as pessoas honestas!’

Rui Santos, jornalista (ruimmsantos@netcabo.pt)

in Correio da Manhã 2007-07-01

Sobre Émile Zola ver:

http://pt.wikipedia.org/wiki/%C3%89mile_Zola