"e como que a experiência é a madre das cousas, por ela soubemos radicalmente a verdade" (Duarte Pacheco Pereira)
A Internacional
terça-feira, maio 08, 2012
Emir Sader: Trabalho, a atividade mais transversal da humanidade
terça-feira, fevereiro 21, 2012
Emir Sader: A lógica da loucura
Entrevistas como a do ex-ditador argentino Jorge Videla à revista espanhola Cambio 16 expressam momentos de sinceridade em que se reproduzem, de forma precisa, a lógica que levou aos regimes de terror que imperaram no cone sul latino-americano há poucas décadas.
Por Emir Sader, em seu blog
sábado, fevereiro 12, 2011
Emir Sader: O novo quadro no Oriente Médio - Emir Sader
Mundo
Por duas fortes razões o Oriente Médio tornou-se um pilar da política externa do império norteamericano: a necessidade estratégica do abastecimento de petróleo seguro e barato para os EUA, a Europa e o Japão, e a proteção a Israel – aliado fundamental dos EUA na região, cercado por países árabes.
por Emir Sader, em seu blog
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A história contemporânea do Médio Oriente tem assim na guerra árabe-israelense de 1967 sua referência mais importante. A união dos governos árabes permitiu a retomada da reivindicação do direito ao Estado Palestino, que foi respondida por Israel com a invasão de novos territórios – inclusive do Egito -, com o apoio militar direto dos EUA.
Novo conflito se deu em 1973, agora acompanhado da política da OPEP de elevação dos preços do petróleo. A partir daquele momento ou o Ocidente buscava superar sua dependência do petróleo ou trataria de dividir o mundo árabe. Triunfou esta segunda possibilidade, com a guerra Iraque-Irã, incentivada e armada pelos EUA, que golpeou dois países com governos nacionalistas, que se neutralizaram mutuamente, em um enfrentamento sangrento. Como subproduto da guerra, o Iraque se sentiu autorizado a invadir o Kuwait – com anuência tácita dos EUA -, o que foi tomado como pretexto para a invasão do Iraque e o assentamento definitivo de tropas norte-americanas no centro mesmo da região mais rica em petróleo no mundo.
Os EUA conseguiram dividir o mundo árabe tendo, por um lado os regimes mais reacionários – encabeçados pelas monarquias, a começar pela Arabia Saudita, detentora da maior reserva de petróleo do mundo, e por outro governos moderados, como o Egito e a Jordânia. A maior conquista norteamericana foi a cooptação de Anuar el Sadar, o sucessor de Nasser, que supreendentemente normalizou relações com Israel – o primeiro regime da região a fazê-lo -, abrindo caminho para a criação de um bloco moderado, pró-norteamericano na região, que se caracteriza pela retomada de relações com Israel – portanto o reconhecimento do Estado de Israel – e praticamente o abandono da questão palestina. Passaram a atuar também dento da OPEP, como força moderadora, favorável aos interesses das potências ocidentais.
O Egito, como país de maior população da região, com grande produção de petróleo e país daquele que havia sido o maior líder nacionalista de toda a região – Nasser – passou a ser o peão fundamental no plano político dos EUA na região. Não por acaso o Egito tornou-se o segundo país em auxilio militar dos EUA no mundo, depois de Israel e à frente da Colômbia.
Essa neutralização do mundo árabe, pela cooptação de governos e pela presença militar dos EUA no coração da região – atualizada com a invasão do Iraque – constituiu-se em elemento essencial da politica norteamericana no mundo e da garantia de abastecimento de petróleo para complementar a declinante produção dos EUA e todo o petróleo para abastecer a Europa e o Japão.
É isso que está em jogo agora, depois da queda das ditaduras na Tunísia e no Egito. Impotente para agir de forma direta no plano militar, os EUA tentam articular transições que mudem a forma de dominação, mas mantenham sua essência. O Exército preferiu a renúncia de Mubarak, porque se deu conta que sua presença unia a oposição. Tem esperança que, sem ele, possa cooptar setores opositores para uma coalização moderada – com El Baradei, a Irmandade Mulçumana, com o apoio dos EUA e da Europa – que possa fazer reformas constitucionais, mas controlar o processo sucessório nas eleições de setembro, conseguindo desmobilizar o movimento popular antes que este consigar forjar novas lideranças.
Indepentemente de que possa se estender a outros países da região – de que a Argélia, a Jordânia, o Marrocos, a Arábia Saudita, são candidatos fortes – a queda das ditaduras na Tunísia e no Egito demonstra que os EUA já não poderão manter o esquema de poder montado há mais de três décadas. O menos que se pode esperar é a instabilidade política na região, até que outras coalizões de poder possam se organizar, cujo caráter dará a tônica do novo período em que entra o Oriente Médio.
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Não se iludam!
13/02/2011 14h31Não vimos nestas manifestações nenhuma demonstração pública contra o imperialismo (EUA). Nenhuma bandeira ianque foi queimada em praça pública ou qualquer boneco do Tio Sam foi marretado por jovens. O que se viu foi milhões nas ruas para derrubar um governo e, imediatamente, o Exército (sempre ele hem!) tomar conta da "baderna". Não vejo com otimismo o que tá acontecendo no Egito (que é um país africano e não do Oriente Médio). Trocou-se 6 por meia dúzia e dificilmente os EUA perderão espaço ali. Hoje já não existe uma potência de contra-ponto, como na época da URSS. A esquerda nesses países não ditam mais nada, são meros coadjuvantes de uma peça com o fim quase certo: fica-se tudo como tá. É muita ilusão que essesfatos farão o mundo mudar. Muita calma nessa hora!!!Clóvis ManfriniGaranhuns - PE -
O petróleo como estopim.
13/02/2011 13h10 A região como sempre um barril de pólvora,onde o estopim é o petróleo.O EUA para manter seus interesses na região usa e abusa da diplomacia da dependência europeu-japonesa e para piorar a rivalidade entre esses povos.Porém o cenário está em mudança quando os interesses regionais começam a ser prioridades,a ser explicado pelo massacre da exploração do capital e sua necessidade expansiva,tornando a miséria sem precedentes.A consciência despertada pelas riquezas exportadas e,não respondida no cotidiano é câmara fechada para essa reação.O problema é que as elites conservadoras estarão sempre prontas a golpes no sentido da perpetuação,junto com o cooptação do capital externo.Que na maioria das vezes se dá uma explosão momentânea,logo em seguida o ciclo se repete.Conforme o texto.Fica a pergunta:Se esta explosão é momentânea ou não?Tomara que não,para que se possa romper a política imperialista das grandes potências do núcleo capitalista e, libertação dos povos com sua autodeterminição
HaroldoRio de janeiro - RJ -
Esgotamento
13/02/2011 10h38 A insuportabilidade de governos ditatoriais produzidos sob a tutela dos EUA, revelam tendência ao completo esgotamento. O interessante, é observar que o imperialismo não está conseguido apontar uma saída nem se quer de curto prazo. Isso é uma prova inconteste da perda de força e de influência dos EUA em matéria de política internacional.
Helifax Pinto de SouzaCabreúva - SP -
Mundo Árabe
13/02/2011 10h32 Assalanu Aleikun Parabéns pelo texto claro. Bem, nós aprendemos como muçulmanos que não devemos nos curvar diante nenhum homem, diante nada. Somente a Allah (Deus). Sou otimista e a vida melhora. Lutar contra as forças opressivas é fundamental. Acredito que os movimentos serão levados a diante.
Bruno Eliezer Melo MartinsPoços de Caldas - MG Parabens
12/02/2011 22h22Parabens a Emir Sader, texto limpo, com cortes precisos, visando clareza no entendimento de fatos com datas distintasCarlos S M CarvalhoSL - MA.
sexta-feira, novembro 05, 2010
Civilização ou barbárie - Emir Sader
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sexta-feira, janeiro 22, 2010
Emir Sader: o novo campo teórico da América Latina
América Latina
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A direita latinoamericana se renovou com o neoliberalismo. Se apropriou das “reformas”, dando-lhe agora um sentido de “mercantilização”, de menos Estado, identificando este com o “atraso”, a “estagnação”, a “falta de liberdade”.
Por Emir Sader, em seu blog
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Esse período teve um sucesso relativo e seu auge foi a década de 90. Valiam-se também do fim da União Soviética e da bipolaridade mundial, confiavam que todas as alternativas — como prognosticava Fukuyama — se dariam no marco da economia de mercado e da democracia liberal. As rupturas estariam relegadas a retrocessos em relação a esses dois parâmetros do “fim da história”.
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Foi nessa esparrela que caíram governantes como FHC e outros que pretendiam identificar-se com a social-democracia e que passaram a considerar de que agora se trataria de apostar no mercado, no livre comércio e na globalização neoliberal. O anúncio do “novo Renascimento” por parte de FHC se devia ao deslumbramento com esse horizonte, em que se diluiriam direita e esquerda, povo e elites, periferia e centro do capitalismo.
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Ao desregulamentar as economias, retirando travas para a livre circulação do capital e ao aplicar políticas antinflacionárias duras, se conseguiu um dinamismo imediato e uma estabilidade monetária, mas o prestígio do modelo se esvaziou rapidamente. Ao desregulamentar, se favoreceu não um turbilhão de investimentos produtivos, mas uma gigantesca transferência de recursos do setor produtivo para o especulativo.
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O capital não é feito para produzir, mas para acumular, para lucrar. Como se deram condições muito mais favoráveis no setor financeiro — na sua modalidade especulativa, de compra e venda de papéis de empresas e de Estados endividados —, com remunerações mais altas, liquidez imediata e menor tributação, houve um inchaço brutal desse setor, às custas do setor produtivo. As grandes corporações passaram todas a ter, ao lado das suas empresas industriais, de agronegócios, comerciais, etc., um setor financeiro, que passou a funcionar como cabeça do conglomerado.
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Como uma das consequências, o neoliberalismo não criou as bases sociais de sua legitimação mais duradoura. Ele não gera bens, nem empregos, não distribui renda, não precisa de um mercado interno de consumo. Foi se isolando e, com ele, os governos neoliberais. Daí a sucessão de governos eleitos com o voto antineoliberal na América Latina, desde 1998.
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Paralelamente houve uma renovação do campo teórico: o esgotamento precoce do neoliberalismo — cuja pá de cal é a crise atual, que torna superada a apologia do mercado, central no ideário neoliberal — recolocou os termos do debate. Hoje se discute de que Estado necessitamos. Por um lado há formas de recomposição do Estado keynesiano — adaptado às condições históricas da globalização —, como no Brasil, na Argentina, no Uruguai, enquanto em outros países — especialmente Bolívia, Equador — se busca a refundação do Estado, vinculado à construção de um novo bloco no poder, pós-neoliberal.
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A crise capitalista, por sua vez, recolocou com força o papel do Estado, tanto no processo de mobilização dos recursos para tentar frear os efeitos dela, quanto para buscar a superação da estagnação e a retomada de um ciclo expansivo. Um diferencial claro a esse respeito se deu entre os países que mantiveram o ideário neoliberal, como o México, que está às voltas com uma tentativa de privatização da sua empresa estatal de petróleo — a Pemex —, em meio à maior crise econômica e social vivida em muitas décadas pelo país, que enveredou pelos caminhos do neoliberalismo e do Estado mínimo.
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À diferença do México, o Brasil — entre outros países do continente e do Sul do mundo, como a China — intensificou a ação estatal, tanto para induzir a retomada da expansão, quanto para minorar os efeitos sociais — como o nível do emprego, os salários. Como resultado, o Brasil saiu da crise de forma mais ou menos rápida, enquanto o México foi ao FMI, envolto em um processo longo de estagnação, de tal forma sua economia ficou atada à dos EUA, com quem tem comprometido mais de 90% do seu comércio exterior.
quarta-feira, janeiro 20, 2010
Emir Sader: Quais os acontecimentos mais importantes de 2009?
Brasil
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Mais além das visões impressionistas e deformadas da grande mídia, que se aproveita do recesso do noticiário nesta época do ano para supostamente fazer grandes balanços, é necessário tentar captar, para além das árvores, as grandes transformações do ano que termina e desta primeira década do novo século e milênio.
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A confirmação da impressionante ascensão da economia chinesa, a força das potências intermediárias ascendentes, entre elas o Brasil e a Índia, ajudaram a mudar o cenário internacional.
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Neste ano, a crise do capitalismo internacional certamente foi o elemento dominante. Deflagrada no ano passado, estendeu seus efeitos por todo este ano. A maior novidade é que países do sul do mundo – a começar pela China, que nem sequer entrou em crise – saíram da crise, sem que os países do centro do capitalismo tivessem superado sua recessão. Já há uma dinâmica econômica multilateral do sul do mundo, que possibilita esse fenômeno novo na história.
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A multiplicação simultânea de governos progressistas na América Latina foi outro fenômeno típico desta década, em contraposição à predominância absoluta do neoliberalismo na década anterior. (Fenômenos que analiso no meu livro A nova toupeira – Os caminhos da esquerda latinoamericana, publicado este ano pela Boitempo.)
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Muitos outros fenômenos e fatos podem ser mencionados, tanto no ano que terminam, quanto nesta primeira década do século 21 – um século que se anuncia como de profunda crise hegemônica, de disputa hegemônica, com a decadência mas persistência da dominação norteamericana, mas com o surgimento de novas forças, que apontam para um mundo multipolar.
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A década e o ano confirmam que a história está aberta, seus horizontes futuros dependerão da luta econômica, social, política e cultural, protagonizada pelo velho mundo, esgotado e decadente, e o mundo novo, que apenas começa a esboçar sua fisionomia.
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Discutamos o que foi mais marcante em 2009 e na década que se termina. E suas projeções para a segunda década do século 21.
Emir Sader: A década da América Latina
Vermelho - 27 de Dezembro de 2009 - 16h22
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A década de 1990 foi das piores que a América Latina já viveu. A crise da dívida – com suas conseqüências: FMI, cartas de intenção, ajustes fiscais, etc. – e as ditaduras militares abriram o caminho para que se impusessem governos neoliberais em praticamente todo o continente. Passamos a ser a região do mundo com a maior quantidade de governos neoliberais e com suas modalidades mais radicais.
por Emir Sader,
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em seu blog na Carta Maior
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Lideres latinoamericanos como Lula, Hugo Chavez, Evo Morales, Rafael Correa, entre outros, se projetaram internacionalmente, por sua capacidade de encarnar as necessidades dos seus povos. A Bolívia, o Equador e a Venezuela se somaram a Cuba, com os países que - conforme a Unesco - , terminaram com o analfabetismo.
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Os países que optaram pela integração regional e não por Tratados de Livre Comércio, expandiram suas economias, distribuíram renda, avançaram nos direitos sociais da sua população, extenderam notavelmente o mercado interno de consumo popular, diversificaram seu comércio exterior, aumentaram significativamente o comércio entre eles.
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Na década anterior, a América Latina havia sido reduzida à intranscendência. Governantes subalternos – Menem, Fujimori, FHC, Carlos Andrés Perez, Carlos Salinas de Gortari – tinham aplicado mecanicamente o mesmo modelo neoliberal, enfraquecido o Estado, a soberania, as economias nacionais. Os governos dos países que assumiram os programas neoliberais não incomodavam ninguém, havia reduzido nossos Estados a subseqüentes perdedores da globalização, que a aplaudiam, às custas da deteriorização ainda maior da situação dos povos dos nossos países.
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A primeira década do novo século apresenta uma nova América Latina, com a maior quantidade de governos progressistas que o continente jamais teve. Com processos de integração regional fortalecidos – do Mercosul à Alba, do Banco do Sul à Unasul, do Conselho Sulamericano de Segurança ao Parlamento do Mercosul, entre outras iniciativas. Desenvolveu-se a Operação Milagre, que já permitiu recuperar a visão a mais de 2 milhões de pessoas, que de outra maneira não teriam possibilidade de recuperar a vista. Formaram-se novas gerações de médicos pobres na melhor medicina social do mundo – a cubana – nas Escolas Latinoamericanas de Medicina.
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As crises econômicas da década anterior, típicas do neoliberalismo, que debilitaram a capacidade de defesa dos Estados nacionais diante do capital especulativo, que promoveu, entre tantas outras crises, as do México de 1994, do Brasil de 1999 e da Argentina de 2001-02, devastaram as economias desses países. O Brasil de FHC deixou um país em recessão prolongada e profunda para Lula, a quem coube superar a crise com políticas de desenvolvimento econômico.
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Na década que termina, os países latinoamericanos que participam dos processos de integração regional – com destaque para o Brasil, a Bolívia, o Uruguai, o Equador – superaram a crise, desatada pelos países centrais do capitalismo, que ainda estão em recessão, que deverá se prolongar ainda por um bom tempo. Revelou a capacidade desses países de diversificar seu comércio exterior, de intensificar o comercio intraregional e de seguir expandindo o mercado interno de consumo popular.
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A América Latina mostra hoje ao mundo a cara – imposta pela predominância de governos progressistas – de um continente em expansão econômica, afirmando sua soberania – em questões econômicas, políticas e de segurança regional -, melhorando a situação social do povo, consolidando políticas internacionais que intervêm na decisão dos grandes temas mundiais. Foi, sem dúvida, esta primeira década do novo século, a década da América Latina, que se projeta para a segunda década como um dos exemplos de luta na superação do neoliberalismo e de construção de sociedades mais justas e solidárias.
Análise e educação
28/12/2009 19h14Ótimo texto. E não podemos esquecer que estas transformações, como todas as transformações democráticas, estão desagradando monopólios e antigos poderes. Creio que é importante a divulgação de análises e textos como esse e de educação continuada para que as pessoas saibam julgar notícias e notícias. Afinal, esse quadro delineado pelo Prof. Emir não tem, certamente, a concordância da dita imprensa grande e das classes a ela associadas. Muito bom o texto.
WandersonParacambi - RJ,..
terça-feira, julho 21, 2009
Unidade da esquerda palestina
*Emir Sader
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A questão palestina é a mais injusta em um mundo povoado de injustiças. A ocupação colonial dos territórios palestinos visa não apenas bloquear a possibilidade — reconhecida, da mesma forma que a existência do estado de Israel, do direito dos palestinos de possuir um estado com as mesmas características —, mas a tentar aniquilar a identidade, a memória e capacidade de resistência dos palestinos.
Uma das fraquezas dessa luta é a falta de unidade da esquerda palestina, o que favorece a difícil contraposição entre a chamada Autoridade Palestina e o Hamas, cuja polarização, ao invés de contribuir para unir o povo palestino, agudiza suas contradições e apela até mesmo para a violência para tentar resolver seus conflitos.
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Uma conferência que busca unir todas as forças da esquerda palestina, características por seu caráter unitário e laico, se realizou no final de junho. Difundimos aqui as resoluções, pedindo sua máxima difusão.
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Resolução final da Conferência Internacional “Experiências de unificação de partidos e movimentos de esquerda na Palestina e no mundo”
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Em um ambiente cheio de confiança e de esperança sobre a retomada da esquerda palestina de seu papel e posição de liderança na luta de libertação do nosso povo da ocupação colonial e da hegemonia colonial imperialista e na liderança da luta democrática dos setores marginalizados contra a injustiça e a corrupção e para conseguir a justiça social, o Tayyar Nacional Democrático Progressista organizou junto com a Fundação Rosa Luxemburgo na Palestina uma Conferencia Internacional com o título “As experiências de unificação de partidos e movimentos de esquerda na Palestina e no mundo” do dia 26 ao dia 28 de junho de 2009..
A Conferência discutiu com a presença de líderes e intelectuais do Brasil, de El Salvador, do Paraguai, da Bolívia, da Índia, da Alemanha, da França, da Grécia, da Bélgica, da Espanha, da Noruega e da Palestina, vários temas importantes..
A Conferência foi aberta com o discurso de Tayyar Nacional Democrático Progressista no seu caráter de organizador e com a palavra da fundação da esquerda alemã Rosa Luxemburgo na Palestina..
A primeira sessão constou de três intervenções que trataram da experiência das forças e partidos da esquerda para conseguir a unidade e liderar a luta dos setores marginalizados na Bolívia, em El Salvador e no Paraguai..
A segunda sessão constou de três exposições que trataram do papel dos jovens e dos movimentos sociais e das experiências de unidade da esquerda e das conquistas obtidas na Alemanha, na França e na Grécia..
A terceira sessão se concentrou em apresentar e tratar de resolver sobre critérios sobre o desenvolvimento dos movimentos políticos na América Latina e sobre a construção da unidade da esquerda no Sul da Ásia e sobre os efeitos da crise financeira internacional sobe as opções da esquerda no mundo..
O segundo dia foi aberto com a participação de Gaza através de uma vídeo conferência com a palavra do comitê organizador e em seguida, na primeira sessão, foram apresentadas três visões de três dos partidos da esquerda – o Partido do Povo Palestino, a Frente Popular e a Frente Democrática sobre as necessidades e os mecanismos de unidade da esquerda palestina. E na segunda sessão três intervenções trataram das experiências do passado da unidade da esquerda palestina e as causas da divisão e das diferenças entre os partidos da esquerda desde 1967, e a quarta intervenção tratou da realidade das forças de esquerda na Palestina em geral..
A sexta sessão se dedicou a apresentar as exposições de Tayyar e as justificações da sua existência e seu futuro, seus mecanismos e seu programa político. E se terminou com a sessão de recomendações na qual se constituiu um comitê de seguimento para colocar em pratica as resoluções da Conferência.
À margem da Conferência os convidados dos países estrangeiros realizaram visitas às regiões de Nablus, de Jerusalém, de Belém e de Hebron, onde tiveram a oportunidade de ver de perto as práticas da ocupação, especialmente o colonialismo e a demolição de casas e o Muro da segregação racial, além de visitarem algumas instituições e lugares importantes e levaram a cabo reuniões com os ativistas de Tayyar que lhes explicaram todos os aspectos da vida do povo palestino e seu sofrimento com a ocupação e suas ações e sobre os preparativos para realizar o Congresso Constituinte do Tayyar, além de se entrevistar com os líderes dos partidos de esquerda..
A Conferência, depois da sua conclusão, tendo realizado seus objetivos, ressalta o seguinte:.
1. As tarefas de libertação nacional e o fim da ocupação nacional e da hegemonia colonial imperialista são enormes e requerem os grandes sacrifícios e a liderança e a luta do povo palestino, e isto não se consegue sem a participação forte e ativa da esquerda palestina na luta nacional e nos órgãos de liderança..
2. A Resistência à ocupação e às suas práticas e colonialismo e a construção do muro e a demolição de casas e a matança e a prisão são tarefas permanentes que requerem que a esquerda deve trabalhar para sua permanência e sua difusão para ser método de vida..
3. As forças de luta palestina devem estar unidas na luta contra a ocupação e as diferenças devem ser resolvidas mediante o dialogo profundo e não cair na violência e no uso das armas entre estas forças nacionais e se deve terminar com as detenções políticas..
4. Os participantes de forças, partidos, organizações, pessoas esquerdistas, democráticas e progressistas reiteraram a importância da unidade da esquerda em todos os lugares e especialmente na Palestina pela existência da ocupação e dos grandes sacrifícios para sua Resistência e pela situação de divisão que existe e pela qual uma de suas causas e a fraqueza da influencia da esquerda sobre os temas políticos e sociais..
5. A tarefa de construir um estado livre e democrático baseado nos princípios de justiça social não se consegue sem a unidade ativa das forças de esquerda e das forças progressistas..
6. As duas tarefas de reativar e unificar a esquerda com seus componentes de forças e partidos políticos e organizações e marcos sociais e populares e personalidades são duas tarefas paralelas e não separáveis..
7. As experiências fracassadas do passado por distintas razões não anulam a importância desta idéias e a e ao contrário demonstram a necessidade da sociedade palestina por esta unidade e em especial os setores mais prejudicados pela permanência da ocupação e suas práticas e suas repressões e os setores que são mais prejudicados pelas políticas de direita na Palestina e no Islã político.
8. As forças de esquerda estão obrigadas a colocar em prática o que decidiram sobre a importância de sua unidade e qualquer diferença em relação aos mecanismos dessa unidade não deve representar um meio para fugir dessa obrigação por parte de uma dessas forças, dado que os impedimentos são internos às forças de esquerda..
9. A unidade da esquerda não é simbólica para as estruturas dos partidos de esquerda, mas deve ser unidade de trabalho e ação que se penetre na luta nacional e social de todos os componentes da esquerda de partidos e forças e marcos sindicais e populares e forças e marcos sindicais e populares e instituições e personalidade, e esta unidade deve representar uma posição única de todos os temas presentes e, além disso, a unidade da estruturas e marcos organizativos e sociais e populares..
10. As experiências de unidade da esquerda em outros lugares do mundo apresentam alguns casos de sucesso, dado que os partidos unidos da esquerda chegaram ao poder em distintos países e em alguns conseguiram grandes êxitos, estas experiências representam um fator de impulso para a unidade..
11. As experiências dos povos que vimos nesta Conferência nos dão a esperança e o impulso para o trabalho permanente para conseguir a unidade da esquerda na Palestina..
12. A Conferência aprecia as posições da Venezuela e da Bolívia de romper suas relações diplomáticas com o Estado de Israel e solicita a todos os países do mundo e em especial aqueles em que as forças da esquerda têm um papel importante a que tomem uma posição similar. E a Conferência reivindica desenvolvimento de relações de amizade baseadas na luta comum contra as forças da repressão e para levar a cabo uma campanha de solidariedade com o povo da palestina em sua luta pela libertação nacional. E aqui reivindicamos a nossos companheiros nos partidos de esquerda a que apóiem a campanha para boicotar o estado de Israel e para pressionar a seus países para que não se aprove o Tratado de Livre Comércio com Israel..
13. A Conferência aprecia e respeita as lutas do povo palestino e os grandes sacrifícios de seus membros de mártires e feridos e prisioneiros resistentes, elogia as lutas de todos os povos reprimidos pelo colonialismo em todas as suas formas..
14. Nossos companheiros, depois de percorrer todas as regiões da pátria e de ver de perto as condições de vida do povo palestino através da Conferência e de suas viagens nas distintas regiões do país expressam sua solidariedade e apoio ao povo palestino e às suas forças de esquerda e democráticas..
15. Nos despedimos das delegações visitantes da Palestina e da esquerda palestina, apreciando muitíssimo sua participação para o sucesso desta Conferência através de suas intervenções e presença nas sessões e atividades e por suportas as dificuldades da viagem e cruzar as fronteiras nos aeroportos e pontos de controle..
16. Tayyar agradece a todos os que ajudaram na organização desta Conferência e, em especial, a Fundação Rosa Luxemburgo da Alemanha e sua equipe de trabalho em Ramallah e na Alemanha e ao comitê organizador desta Conferência e aos voluntários de todas as regiões, aos expositores e aos dirigentes das sessões e aos jornalistas e aos órgãos da mídia por cobrir esta Conferencia, suas sessões e atividades..
Além disso, agradece a todos os que participaram nesta Conferência de todas as cidades e províncias, e a nossos companheiros dentro da linha verde (Palestina 1948) e na faixa de Gaza, que participaram de algumas sessões pela vídeo conferência..
Finalmente, Tayyar Nacional Democrático Progressista continuará seus passos para fundar-se como um marco unido e agrupador dos esforços de todos os nacionalistas democráticos e, ao mesmo tempo, está aberto e disposto a aceitar qualquer iniciativa e mudança nas posições das forças e partidos existentes da esquerda..
O sucesso alcançado por esta Conferência deve ser aproveitado para conseguir a unidade em todos os lugares em que se há conseguido e especialmente nos países árabes pelo que decidimos realizar esta Conferência da esquerda em forma constante e anualmente..
Palestina, 29 de junho de 2009.
Estiveram presentes ao evento:
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Oscar Vega Camacho – Grupo Comuna — Bolívia
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Schafik Jorge Handal Vega – Deputado da Frente Farabundo Martí para la Liberación Nacional (FMLN) — El Salvador
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Ignacio González – Partido del Movimiento Al Socialismo (PMAS) — Paraguai
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Mr. Frank Puskarev — Die Linke — Alemanha
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Julien Salingue – Novo Partido Anticapitalista (NPA - França)
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Nikos Tavris – Coalizão da Esquerda Radical (Syriza - Grécia)
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Nasif Moalim – Centro Palestino pela Paz e Democracia
Emir Sadr – Presidente do Conselho Latino Americano de Ciências Sociais (CLACSO)
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Prabir Purkayastha – Partido Comunista da Índia - Marxista (CPI-M)
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Bassam Salhi – Partido Popular Palestino (PPP)
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Abdul Rahim Mallouh – Frente Popular para a Libertação da Palestina (FPLP)
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Qais Abdul Karim – Frente Democrática para a Libertação da Palestina (FDLP)
sexta-feira, julho 17, 2009
Brasil - Os riscos da volta da direita
Não subestimar a oposição. Pode ser fatal e facilitar o retorno da direita. Contam com toda a mídia, direção ideológica da direita brasileira. Contam com um candidato que, até agora, mantém a dianteira – e não basta dizer que é recall, porque é muito constante sua votação, o Ciro é recall e despencou nas pesquisas.
Contam com a grana, antes de tudo do grande empresariado paulista. Contam com os votos de São Paulo, que se tornou um estado conservador, egoísta, dominado pela ideologia elitista de 1932, de que são o estado do trabalho e o resto são vagões que a locomotiva tem que carregar. Contam com a despolitização destes anos todos, em que se apóia ao governo Lula, mas uma parte importante prefere, pelo menos até agora, o Serra. Contam com a retração na organização e na mobilização popular. Contam com a imagem de Serra, desvinculada do governo FHC, em que, no entanto, foi ministro econômico durante muito tempo, co-responsável portanto, do Plano Real, das privatizações, da corrupção, das 3 quebras da economia e as correspondentes idas ao FMI, da recessão que se prolongou por vários anos, como decorrência da política imposta pelo FMI e aceita pelo governo.
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Conta também com erros do governo, seja na política de comunicação – alimentando as publicidades nos órgãos abertamente opositores, enquanto apóia em proporções muito pequenas os órgãos alternativos, seja estatais ou não. Erros de política de juros alta até bem entrada a crise, atrasando a recuperação da economia. Erros na política de apoio e promoção do agronegócios, em detrimento da reforma agrária, da economia familiar, da auto-suficiência alimentar.
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É certo que a oposição não tem discurso que sensibilize ao povo, tanto assim que batem o tempo todo, com seus espaços monopólicos na mídia, mas só conseguem 5% de rejeição ao governo, que tem 80% de apoio. Mas também é certo que o estilo marqueteiro que ganharam todas as campanhas, despolitizam o debate, se Serra se mantiver na liderança das pesquisas, não precisa apresentar propostas, só as imagens maquiadas das “maravilhas” que estaria fazendo em São Paulo, assim como o tom de Aécio de que não é anti Lula, mas pós-Lula, dizendo – como disse e não cumpriu em São Paulo, que manteria os CEUS e outros programas sociais do PT – que vai deixar o que está bom – sempre atribuído ao casalsinho Cardoso.
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A direita pode ganhar e se reapropriar do Estado. O governo Lula terá sido um parêntesis, dissonante em muitos aspectos essenciais dos governos das elites dominantes, que retornarão. Ou pode ser uma ponte para sair definitivamente do modelo neoliberal, superar as heranças negativas que sobrevivem, consolidar o que de novo o governo construiu e avançar na construção de um Brasil para todos.
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Fonte: Blog do Emir
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in Vermelho - 16 DE JULHO DE 2009 - 17h49
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sábado, julho 04, 2009
Emir Sader: Aprofundamento ou restauração na América Latina?
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Por Emir Sader, no Blog do Emir
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O golpe, por sua vez, dado pela cúpula do Judiciário, das FFAA e do Congresso, expressa a inércia das forças conservadoras que sempre dirigiram a Honduras. Zelaya, filho desgarrado do Partido Liberal que, em rodízio com o Partido Conservador, dirigiram por décadas ao país, de forma praticamente harmônica.
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Como sinal dos tempos e da perda de influência norteamericana, especialmente durante o governo Bush, a onda de novos governos no continente chegou à América Central, através da Nicarágua, de Honduras e, mais recentemente, de El Salvador. A direita, comandada pela imprensa oligárquica – similar à que se estende a praticamente todo continente -, se precipitou e pode pagar um preço caro por isso.
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Zelaya termina seu mandato no fim do ano, já havia afirmado que a consulta informal, caso levasse à introdução da reeleição, não afetaria seu mandato, que terminaria em janeiro de 2010.
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Confirmando que se pode tudo com as baionetas, o golpe dificilmente viabilizará o governo que pretende se instalar. Resta saber se Zelaya retornará enfraquecido, cumprindo o final do mandato sem capacidade de iniciativas, abandonando o referendo. Ou se sentirá fortalecido, retomando a consulta e punindo pelo menos alguns dos golpistas.
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Caso ocorra esta segunda hipótese, o tiro terá saído pela culatra para a direita e Zelaya poderá dar continuidade ao processo de transformações recém iniciado em Honduras. Se a ofensiva fracassa, como havia acontecido com as aquelas contra Hugo Chavez, contra Lula, contra Evo Morales e contra os Kirchner, se consolida a idéia de que o contexto continental impede novos golpes militares, notícia importante para os governos progressistas e, na área, para o recém começado governo de Mauricio Funes em El Salvador, em particular.
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A derrota eleitoral do governo Kirchner se dá no marco da contraofensiva da direita, iniciada com a mobilização do campo contra a elevação de impostos, no cenário dos ganhos monstruosos que, especialmente a exportação de soja, permitiu nos últimos anos na Argentina.
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Aproveitando-se do erro do governo de taxar a grandes, médios e pequenos proprietários de maneira indiferenciada, favorecendo a unificação do campo sob a direção dos grandes exportadores sojeros, a direita conseguiu articular aliança desses setores com a classe média branca de Buenos Aires, colocando o governo na defensiva.
As eleições refletem essa mudança na relação de forças entre governo e oposição, com o governo perdendo maioria no Parlamento e condenando a Cristina Kirchner a difíceis 2 anos e meio, alem de alentar a direita para a possibilidade de conseguir derrubar o primeiro dos governos progressistas eleitos na região.
No Uruguai, o candidato que mais diretamente expressa a possibilidade de aprofundamento da superação do modelo herdado por Tabaré Vasquez, é seu ex-ministro da agricultura, Pepe Mujica, ex-dirigente tupamaro, que derrotou o candidato da preferência de Tabaré, o moderado Danilo Astori, ex-ministro da economia.
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Aqui, sendo favorito para ganhar as presidenciais, Mujica aponta para o aprofundamento das transformações começadas no Uruguai, enquanto na Argentina se aponta para o risco de uma restauração conservadora e em Honduras, depende do desenlace da crise. Trata-se dos mesmos dilemas do Brasil nas eleições presidenciais de 2010.
in Vermelho - 4 DE JULHO DE 2009 - 11h26
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segunda-feira, junho 29, 2009
Emir Sader: O eixo do caos

Por Emir Sader, no Blog do Emir*
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Agora, sem que se tenha fechado esse período, os ideólogos da doutrinas das “guerras preventivas” apontam para um novo eixo: o ''eixo do caos''. É o que anuncia Niall Ferguson, intelectual orgânico da estratégia norte-americana, na edição espanhola do Foreign Policy. Esse novo eixo contaria com “pelo menos nove membros e talvez mais”. Estariam unidos “pela perversidade de suas intenções assim como por sua instabilidade, que a crise financeira só faz piorar a cada dia”.
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Segundo Ferguson, a “turbulência brutal” que caracterizaria o mundo atual teria três causas primárias: a desintegração étnica, a volatilidade econômica e o declínio dos impérios. No Oriente Médio os três fatores estaria fortemente concentrados, justificando, segundo ele, sua situação explosiva.
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A revista seleciona três casos dessa lista “caótica”: Somália (“a anarquia interminável”), Rússia (“o novo estilo agressivo) e México (“as misérias causadas pela guerra do narcotráfico''). São três casos de uma lista de nove membros do suposto eixo do caos.
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Gaza, a partir da frustrada ofensiva militar de Israel, viu piorar suas condições econômicas e sociais, ao mesmo tempo que fortaleceu o Hamas e enfraqueceu as forças consideradas moderadas – como o Fatah e o Egito, ao mesmo tempo que favoreciam a eleição de um governo de direita radical em Israel, dificultando mais ainda qualquer nova iniciativa de paz na região.
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Claro que o Irã faz parte também desta lista, porque apoiaria às forças desestabilizadoras na região – Hezbolah no Libano, Hamas na Palestina -, possuindo armamento nuclear, enquanto sofre os efeitos da crise econômica internacional e da baixa do preço do petróleo.
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O Afeganistão, evidentemente, seria outro pivô do eixo do caos, agora fazendo um casal inseparável com Paquistão. Os governos dos dois países estariam “entre os mais fracos que existem”, envolvidos entre taliban e armamento nuclear.
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Outros membros do eixo seriam a Indonésia, a Turquia e a Tailândia, onde a crise exacerba os conflitos internos. Mas usar estes critérios permite estender a lista muito mais, então se fala da pirataria na Somália, na guerra na República Democrática do Congo, na violência em Darfur e em Zimbabwe. E se ameaça: “Não é arriscado dizer que a lista vai aumentar ainda este ano.” O diagnóstico remeteria a três fatores, que se articulariam entre si: “a volatilidade econômica, mais a desintegração étnica, mais um império em declive: a combinação mais letal que existe em geopolítica.” O que apontaria para o inicio de uma “era do caos”.
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Os casos escolhidos servem como exemplos. A Somália seria “o lugar mais perigoso do mundo”, um “Estado governado pela anarquia, um cemitério de fracassos em política exterior que só conheceu seis meses de paz nos últimos vinte anos”, onde “o caos interminável do país ameaça devorar toda uma região.”
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Na Rússia, “Putin baseou seu apoio popular em um Estado autoritário que fez crescer as rendas mais altas e devolveu à Rússia o orgulho de grande potência. Mas a crise está ameaçando tudo. E o que se avizinha pode ser pior.” Já o México estaria em um “estado de guerra”, em que os narcotraficantes “se converteram em uma autêntica insurgência. Só no ano passado a violência cobrou mais vidas do que estadunidenses mortos no Iraque. E o fim parece próximo.”
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Da mesma forma que ocorria quando se anunciou “o eixo do mal”, nenhum diagnóstico global para definir o que tem a ver a globalização, a dominação imperial estadunidense, os modelos econômicos neoliberais tem a ver com isso. Se naturaliza o caos. Ele não seria uma das conseqüências da “ordem global”, da “ordem imperial”, da “ordem estadunidense” no mundo.
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O terror se combatia com “guerras infinitas”. E esse suposto “caos”, quando os centros do sistema, eles mesmos, geram caos, insegurança, instabilidade, miséria, concentração ainda maior de pode e riqueza, industrias bélicas em crescente expansão? Somente outra ordem, outro mundo, pode diagnosticar e superar o caos – tanto nas periferias, quanto nos centros agonizantes do sistema financeiro global.
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* Fonte: Blog do Emir
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in Vermelho - 28 DE JUNHO DE 2009 - 23h30
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Ocupação, colonialismo e apartheid na Palestina
Uma coisa é ouvir falar, ler, falar de ocupação. Outra é ver o que significa. Ramallah, uma cidade pacífica, sem violência, sem problemas de segurança, onde se pode andar por qualquer bairro a qualquer hora do dia ou da noite, uma cidade sem população de rua, sem crianças abandonadas.
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Por Emir Sader, de Ramallah, Palestina
A ocupação israelense significa a brutalidade de cortar a cidade com muros, que separam palestinos de palestinos. Há uma grande avenida que o muro corta um lado do outro da rua. Os muros separam, segregam, colocam entre palestinos e palestinos os controles, comandados por soldados israelenses armados até os dentes, que exercem sistematicamente seu poder armado, com arbitrariedade e discriminação. Não na lógica nos muros, é um exercício conscientemente arbitrário, para demonstrar – como faz o torturador diante da sua vitima – que o ocupante pode fazer o que bem entender, sem qualquer lógica, só como exercício do poder armado de que dispõe.
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Muros para lacerar na carne o orgulho, a auto-estima, para tentar desmoralizar aos palestinos, levá-los ao dilema entre a passividade, a resignação, ou o desespero das ações armadas. Esta seria a atitude espontânea de qualquer ser humano, diante das humilhações a que são submetidos os palestinos, diante da demonstração brutal de força. Parece que os ocupantes querem provocar reações violentas, que justificariam novas ofensivas violentas.
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Os palestinos gastam várias horas por dia nas filas dos controles. Para ir de Ramallah a Jerusalém pode-se tomar 10 minutos ou três horas, na dependência do arbítrio das tropas de ocupação. Os palestinos tem que elaborar guias de sobrevivência para sobreviver com os 630 pontos de controle na Palestina atualmente.
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Trata-se de uma ocupação ilegal, injusta, de discriminação racial, do tipo do apartheid sul-africano. Os israelenses querem impedir aos palestinos de ter um Estado como foi reconhecido a Israel no fim da Segunda Guerra Mundial. Julgar-se um "povo escolhido" – também isto eles tem em comum com os norte-americanos. Como disse Edward Said, os palestinos são as "as vítimas das vítimas". Os israelenses se consideram vitimas, mas passaram a ser verdugos, colonialistas, imperialistas, racistas.
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Ver os muros, sua violência, sua brutalidade, a frieza da sua desumanidade, diante das casas humildes, das oliveiras – tantas casas e oliveiras destruídas para a construção dos muros – dos palestinos, permite sentir no mais profundo de cada um os dois mundos que se contrapõe aqui. A neutralidade, a passividade, se tornam impossíveis, cúmplices, diante de tanta injustiça e violência.
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Um Estado terrorista, um Exército do terror, tropas de ocupação coloniais, ações imperiais – essa a ocupação israelense do que deveria ser território palestino. Do que deverá ser território de uma Palestina livre, democrática e soberana.
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domingo, maio 24, 2009
Emir Sader: Financeirização e precarização; males do Brasil
Emir Sader
Os dois efeitos mais graves das políticas neoliberais são a financeirização da economia e a precarização das relações de trabalho. Ambas são resultados da mesma política de desregulamentação, de eliminação das travas à livre circulação do capital – elemento chave das políticas neoliberais, resultado do diagnóstico segundo o qual o que havia levado a economia mundial ao estancamento seria a excessiva quantidade de limitações e regulamentações para que o capital reativasse a economia. Quanto à força de trabalho, a diminuição do seu custo de contratação levaria ao aumento do nível de emprego.
Por Emir Sader, em seu blog.
O que se viu foi algo totalmente diferente. Liberado de regulamentações, o capital se transferiu maciçamente do setor produtivo ao financeiro, passando a concentrar-se na especulação. Mais de 90% das trocas econômicas no mundo não se referem a bens e serviços, mas a compra e venda de papéis, que não geram nem riqueza, nem emprego. São movimentos parasitas, que concentram renda e sugam ganhos da riqueza da esfera produtiva.
A desregulamentação promoveu a hegemonia do capital financeiro, típica da era neoliberal. Um capital financeiro já não mais dedicado a financiar a produção, o consumo, a pesquisa, mas dedicado à compra e venda de papeis nas Bolsas de Valores e dos papéis dos Estados endividados.
A financeirização significa que os Estados se deixaram capturar pela lógica financeira, seu primeiro compromisso – frequentemente o único sagrado – é o pagamento dos juros da dívida, para o que se reserva o superávit fiscal. Grandes empresas passam a dedicar-se, ao lado das suas atividades originarias, à especulação financeira. Quem está endividado, devido ao estratosférico nível dos juros, não consegue se livrar das dívidas. Outros não se aventuram a abrir uma pequena ou media empresa, a comprar algo, com medo do endividamento. Assim o capital financeiro se tornou a espinha dorsal das nossas economias. Tudo o resto é setorial – fechamento de empresas, de leitos de hospital, perdas de empregos. Só o que toca ao capital financeiro é “sistêmico”, como dizem os economistas neoliberais.
Ao mesmo tempo, o que se propagou como “flexibilização” do mercado de trabalho, na realidade se deu como “precarização”, isto é, como expropriação dos direitos dos trabalhadores, fazendo com que a maioria deles não tenha mais contrato com carteira de trabalho. Não tem segurança de continuidade do emprego, não podem associar-se, não podem apelar à justiça, não tem uma identidade profissional e social. Não são cidadãos, no sentido de que um cidadão é sujeito de direitos e eles não têm direitos na atividade fundamental de suas vidas.
Lutar contra o neoliberalismo e passar a construir um modelo alternativo, posneoliberal, tem centralmente a ver com esses dois fenômenos, estruturais no neoliberalismo: a hegemonia do capital financeiro e a fragmentação e submissão dos trabalhadores à superexploração e à impotência organizativa. É trabalhar contra o capital especulativo e a favor da grande maioria da população – que vive do trabalho – e, através dele, cria as riquezas do país.
Quebrar a hegemonia do capital financeiro significa terminar com a sua autonomia, de fato, no Brasil e suas estratosféricas taxas de juros, que remuneram, atraem e incentivam o capital financeiro a especulação.
Submeter a política financeira à política geral do governo e à política econômica em particular, que teve o mérito de reintroduzir o desenvolvimento – e associá-lo estreitamente – a políticas sociais, e que para tanto não pode ter uma política do Banco Central, favorecendo ao capital especulativo, autônoma.
Por outro lado, favorecer o mundo do trabalho significa seguir fortalecendo o mercado interno de consumo popular, mediante políticas redistributivas de renda, mas especialmente não conceder nenhuma isenção, crédito ou qualquer forma de favorecimento do capital privado, sem ter obrigatoriamente contrapartidas ao nível do emprego – um dos índices fundamentais de um governo com alma social.
in VERMELHO - 23 DE MAIO DE 2009 - 19h35
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domingo, março 22, 2009
Emir Sader: A crise e os trabalhadores
21 DE MARÇO DE 2009 - 12h56
Emir Sader: A crise e os trabalhadores
Os trabalhadores foram e continuam sendo as vítimas privilegiadas das políticas neoliberais. A instauração do neoliberalismo se fez montado numa imensa virada na correlação de forças entre as classes fundamentais, com um aumento exponencial na apropriação do excedente pelo grande capital às custas dos trabalhadores.
por Emir Sader
As formas foram múltiplas, pela combinação entre precarização das relações de trabalho, que levou a que a maioria dos trabalhadores não tenha contrato de trabalho; o desemprego aberto e velado; a extensão das jornadas de trabalho; a intensificação das condições de trabalho; a fragmentação da classe trabalhadora e as conseqüentes dificuldades de organização que produz, entre outras.
Como resultado, se enfraqueceu o sindicalismo, assim como a identidade com o mundo do trabalho, ao mesmo tempo que a mídia contribuía decisivamente invisibilizando os temas do mundo do trabalho. As teorias do “fim do emprego” na realidade se referem às tentativas de extinção do emprego formal, porque nunca tantos viveram do seu trabalho como no mundo atual, porém ao fazê-lo sob condições heterogêneas, trabalhando em varias atividades ao mesmo tempo ou mudando de atividades de um mês para outro, terminam dificultando a organização, enfraquecendo a cultura do trabalho e a assunção da identidade de trabalhador, assim como das profissões, que mudam de um tempo a outro.
As políticas neoliberais produziram também um grande processo de proletarização de amplos setores das classes médias, empobrecidas pela perda do emprego formal e pela concentração de renda das políticas implementadas pelos governos. O mundo do trabalho nunca congregou a tanta gente, embora as condições do trabalho concreto nunca foram tão diversificadas. O que não impede que todos sejam superexplorados e fonte fundamental da gigantesca acumulação de capital que produzem as grandes fortunas exibidas obscenamente pela mídia.
Políticas minimamente anti-neoliberais de alguns governos – concentrados na América Latina – permitiram a retomada de certo nível de empregos formais, mesmo se com baixa qualificação, voltando a dar certa força de negociação aos sindicatos e protagonismo às centrais sindicais. Políticas redistributivas mediante programas sociais, elevação real dos salários, promoveram a extensão e o fortalecimento do mercado interno de consumo popular, ao mesmo tempo que, em alguns casos, o movimento sindical voltou a obter certos espaços de protagonismo público, mesmo se quase sempre sabotado pela mídia.
A crise fez voltar a recair sobre os trabalhadores o peso da recessão provocada pela especulação financeira, de que se valem as empresas para, como primeira medida, dispensar trabalhadores. Nos anos de crescimento que antecederam a crise, se multiplicaram os lucros; no momento da recessão, as empresas nem sequer queimam uma parte dos lucros acumulados, dispensando imediatamente a milhares de trabalhadores, como se o direito ao emprego não fosse um direito essencial para a imensa maioria da população, que vive do seu trabalho.
Os governos e as forças políticas neste momento se diferenciam se jogam todos seus esforços para diminuir os efeitos da recessão e garantir ritmos de continuidade no crescimento econômico, ao lado da garantia do emprego, e as que apostam na catástrofe econômica, acreditando que, com isso, se enfraquecem governos que colocam ênfase nas políticas sociais. Os trabalhadores e suas organizações tem que se alinhar em torno dessa polarização, lutando para que as medidas dos governos para alimentar o nível de crescimento econômico sejam todas indissociavelmente ligadas à garantia do emprego – direito essencial, se queremos construir uma democracia social.
in Vermelho 2009.03.21
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terça-feira, julho 31, 2007
A nova direita (e como derrotá-la)
* Emir Sader
Órgãos de imprensa que pregaram as ditaduras militares no continente, foram seus instrumentos de divulgação, se calaram diante dos crimes com que esses regimes se afirmaram no poder, se crêem no direito de julgar que governo é democrático ou não na América Latina. Eles são o centro da nova direita.
Existe uma nova esquerda na América Latina, de que o processo bolivariano de Hugo Chávez na Venezuela, o MAS e o governo de Evo Morales na Bolívia, o governo de Rafael Correa, a ALBA, são algumas das suas expressões mais desenvolvidas e significativas. O movimento que se agrupa em torno da candidatura de Fernando Lugo, no Paraguai, se candidata a incorporar-se a esse grupo. Há governos progressistas, que são igualmente vítimas dessa nova direita.
Sua fisionomia passa pela assunção dos valores liberais e neoliberais: livre comércio, modelo estadunidense de sociedade, elogio da empresa privada e do mercado, crítica do Estado como regulador, das políticas redistributivas, apologia da midia oligopólica como critério de liberdade e de democracia. Ataques furibundos, desqualificadores da esquerda, do socialismo, a qualquer papel regulador ao Estado, do igualitarismo, a políticas de afirmação de direitos, do Sul do mundo à América Latina em particular, dos partidos aos movimentos sociais.
Uma das características dessa nova direita é que se apóia fortemente no monopólio privado dos meios de comunicação, que dá as pautas e a orientação ideológica. No Brasil, a Folha de São Paulo, O Globo, o Estado de São Paulo e a Veja são seus representantes mais evidentes. Todas empresas oligopólicas, de propriedade familiar, em que os filhos sucedem automaticamente aos pais na direção dos jornais, como se fossem fazendas ou heranças de casas. Todas comprometidas com o golpe militar de 1964, que destruiu a democracia e cometeu os maiores crimes contra o povo brasileiro.
Desqualificar ao que consideram governos ou candidatos que não se submeteriam a seus interesses – que podem ser um índio, um militar, uma mulher, um operário – é uma forma de defesa do seu lema fundamental: “civilização ou barbárie”, em que eles se apropriam do que consideram ser civilizado e rejeitam todos os outros como representantes da barbárie.
O instrumento mais reiterado na sua luta por impor seus interesses está na desqualificação dos governos, da política, do Estado, dos partidos, de todas as formas de ação coletiva e organizada de caráter popular. Por isso apoiaram tão generalizadamente governos como os de Menem, Fujimori, FHC, entre outros, que faziam justamente isso: privatizavam para debilitar ao Estado, atacavam os movimentos sociais, desqualificavam os partidos, promoviam a dominação direta da economia sobre a política.
Comum à imprensa escrita, radial e televisiva dessa nova internacional da direita é o ataque desqualificador a governos como os de Evo Morales, de Hugo Chávez, de Rafael Correa, mas também aos de Lula, de Kirchner, com uma intolerância que beira ao golpismo. Tentam promover uma irritação, explorando expressões do tipo “basta”, “cansei” ou outras afins, que levam ao pedido de soluções autoritárias ao que seria uma crise moral, uma ferida, que deveria ser extirpada por intervenção cirúrgica – numa atualização da Doutrina de Segurança Nacional, que orientou as ditaduras do terror no continente –, que dispensaria vitória eleitoral, porque se apoiaria num sentimento de indignação supostamente majoritária da população.
Precisam de governos e parlamentos fracos, do enfraquecimento do sistema político, dos partidos, para impor os grandes interesses econômicos privados sobre o Estado.
Quando atacam aos governos, aos parlamentos eleitos pelo povo, desqualificam ao povo. Se dispõem do monopólio da mídia, tem que entender que a opinião média da população é fortemente influenciada pela mídia. Ou são incompetentes ou o povo não aceita a influência de seus programas informativos totalmente partidarizados, de seus comentaristas e programas de entrevistas que refletem suas visões elitistas do país, da sua programação – esta sim – populista, de baixíssimo nível cultural e educativo. .
São minoritários, como eram – segundo as pesquisas de opinião só reveladas recentemente – no clima prévio ao golpe de 1964, em que estiverem envolvidos todos esses meios de comunicação. São minoritários, segundo a maior pesquisa nacional e a mais direta, que envolve não uma amostra, mas a totalidade dos cidadãos – a eleição presidencial feita há 8 meses.
No entanto, dá a impressão que nada disso aconteceu, nem que o povo se pronunciou contra a oposição, nem que o governo venceu. Que lições o governo tirou do longo processo de campanha opositora, que o desestabilizou profundamente, que quase levou a seu final, mas que terminou com uma recuperação eleitoral e com a reeleição de Lula?
A primeira lição deveria ser a de que, quando Lula assumiu uma atitude concreta de denunciar a direita e suas políticas – em que as privatizações estiveram no centro –, conseguiu o apoio popular que lhe delegou este segundo mandato. Ele soube reconhecer – ainda que contraditoriamente – ao dizer no discurso da vitória de que o seu é um governo para os pobres.
Contraditoriamente porque reconheceu que, paradoxalmente, nunca os ricos ganharam tanto. Se a economia cresceu pouco – e segue assim -, setores médios perderam para que os pobres ganhassem, ao invés da penalização dos mais ricos.
A segunda é a de que a nova direita, o centro da oposição, está no monopólio privado da mídia, cuja persistência impede a possibilidade de formação democrática da opinião pública. Que, sem democratização da mídia, não haverá democracia.
Em terceiro lugar, que foram principalmente as políticas de democratização social as que responderam pela vitória do governo e pela derrota da oposição. Mas essas imensas camadas populares estão submetidas a influência ideológica da maciça campanha da oposição através da mídia. Além de que esses setores populares majoritários não estão organizados, não tem condições de expressar politicamente sua opinião, nem de defender suas conquistas, caso atentem contra elas. A organização destes setores é responsabilidade fundamental do PT e do governo, se a esquerda quer evitar retrocessos e, ao contrário, consolidar os avanços e construir um Brasil pós-neoliberal. .
Para isso é indispensável dar continuidade à vitória de novembro de 2006 e, ao contrário do que tem sido a atitude principal do governo até aqui, apontar os adversários fundamentais da democratização econômica, social, política e cultural, lutar contra eles e construir a força popular, política e ideológica para derrotar a direita e afirmar a hegemonia da esquerda.
in Vermelho 2007.07.31 - 11h45
