A Internacional

__ dementesim . . Do rio que tudo arrasta se diz que é violento Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem. . _____ . Quem luta pelo comunismo Deve saber lutar e não lutar, Dizer a verdade e não dizer a verdade, Prestar serviços e recusar serviços, Ter fé e não ter fé, Expor-se ao perigo e evitá-lo, Ser reconhecido e não ser reconhecido. Quem luta pelo comunismo . . Só tem uma verdade: A de lutar pelo comunismo. . . Bertold Brecht
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domingo, agosto 29, 2010

Fidel: A opinião de um expert sobre um ataque de Israel ao Irã


América Latina

Vermelho - 29 de Agosto de 2010 - 9h11

Se me perguntassem quem é o maior conhecedor do pensamento israelense, eu responderia sem vacilar que é Jeffrey Goldberg. Incansável jornalista, capaz de reunir-se dezenas de vezes para indagar sobre o pensamento de um líder ou um intelectual israelense.

Por Fidel Castro, em Cuba Debate

Não é neutro, é pró-israelense sem vacilação alguna. Quando algum deles não está de acordo com a política desse país tampoco o é com meios termos. Para meu objetivo, o que interessa é conhecer o pensamento que guia os principais líderes políticos e militares desse Estado.

Sinto-me com autoridade para opinar, porque nunca fui anti-judeu e compartilho com ele um profundo ódio ao nazi-fascismo e pelo genocídio cometido contra crianças, mulheres e homens, jovens ou anciãos judeus, contra os quais Hitler, a Gestapo e os nazistas saciaram seu ódio contra este povo.

Pela mesma razão abomino os crimes do governo fascista de Netanyahu, que assassina crianças, mulheres e homens, jovenes e velhos na Faixa de Gaza e na Cisjordânia.

Em seu ilustrado artigo "O ponto depois do qual não há retorno”, que será publicado na revista The Atlantic, em setembro de 2010, já conhecido através da Internet, Jeffrey Goldberg inicia seu trabalho de mais de 40 páginas do qual extraio as ideias essenciales para conhecimento dos leitores.

"É possível que em algum momento durante os próximos doze meses a imposição de sanções econômicas devastadoras contra a República Islâmica do Irã convença seus líderes a abandonar os esforços para obter armas nucleares. [...] É possível também que as ‘operações de frustração’ levadas a cabo pelos organismos de inteligência de Israel, Estados Unidos, Grã Bretanha e outras potências ocidentais [...] cheguem a desacelerar em alguma medida considerável o avanço do Irã. Tambem pode ser que o presidente Obama, que declarou em bastantes ocasiões que considera a perspectiva de un Irã nuclear como algo ‘inaceitável’, ordene um golpe militar contra as principais instalações de armamentos e enriquecimento de urânio do país."

"Ao analisar a plausibilidade e as possíveis conseqüências de um golpe israelense contra o Irã, não me dedico a um exercício mental nem a um jogo de guerra de um homem.. Israel já atacou e destruiu com êxito em duas ocasiões o programa nuclear de um inimigo. Em 1981, os aviões de guerra israelenses bombardearam o reator iraquiano de Osirak e contiveram (para sempre, como ocorreu) as ambições nucleares de Saddam Hussein; e em 2007 os aviões israelenses destruíram um reator de fabricação norte-coreana na Siria. Portanto, um ataque contra o Irã seria algo sem precedentes apenas quanto ao alcance e à complexidade."

"Por mais de sete anos tenho estudado a possibilidade de que finalmente se produza esse golpe [...] Nos meses transcorridos desde então (março de 2009), entrevistei cerca de 40 pessoas israelenses capazes de tomar decisão atuais e anteriores sobre um ataque militar, assim como entrevistei muitos funcionários estadunidenses e árabes. Na maioría dessas entrevistas formulei uma pergunta simples: quais são as possibilidades percentuais de que Israel ataque o programa nuclear iraniano no futuro próximo? Nem todos responderam esta pergunta, mas houve um consenso de que há possibilidades acima de 50% de que Israel lance um ataque em julho próximo. [...] pus à prova o consenso falando com muitas fontes tanto dentro como fora do governo e pertencentes a distintos partidos políticos. Depois de mencionar a sensibilidade extraordinária do tema, muitos falaram somente entre dentes e com a condição de que seus nomes não fossem revelados [...] O raciocínio apresentado por dois israelenses que tomam decisões não foi complicado: o Irã necessita no máximo de um a três anos para obter capacidade nuclear real. [...] E o elemento mais essencial da doutrina de segurança nacional israelense, um princípio que data da década de 1960 [...] é que não se deve permitir a nenhum adversário regional alcançar a paridade nuclear com o estado judeu renascido e ainda assediado."

"Em nossa conversação antes de sua posse, Netanyahu não abordou o tema em termos da paridade nuclear [...] Pelo contrário, definiu o programa iraniano como uma ameaça não só para Israel mas para toda a civilização ocidental."

“‘... Quando o crente de olhos fora da órbita toma as rédeas do poder e as armas de morte em massa, então o mundo deve começar a preocupar-se e isso é o que está acontecendo no Irã’”.

"Em nossa conversação, Netanyahu se negou a analisar seu cronograma para a ação, nem sequer se pensava na ação militar preventiva contra o programa nuclear iraniano. [...] A convicção de Netanyahu é que o Irã não só é o problema de Israel, mas que é também o problema do mundo, que, encabeçado pelos Estados Unidos, tem o dever de enfrentá-lo. Mas Netanyahu não tem muita fé nas sanções, não nas sanções relativamente débeis contra o Irã aprovadas recentemente pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas nem nas mais fortes impostas pelos Estados Unidos e seus aliados europeus."

"Mas, segundo minhas conversações com os israelenses que decidem, este período de paciência, durante o qual Netanyahu espera para ver se os métodos não militares do Ocidente podem deter o Irã, terminará em dezembro deste ano."

“O governo de Netanyahu já intensifica seus esforços analíticos não só com respeito ao Irã, mas também no tocante a um tema que para os israelenses é muito difícil compreender: o presidente Obama. Os israelenses se esmeram em responder o que constitui a pergunta mais aguda para eles: existem quaisquer circunstâncias em que o presidente Obama deslocaria forças para impedir que o Irã adquira capacidade nuclear? Tudo depende da resposta”.

"O Irã exige a atenção urgente de toda a comunidade internacional e a dos Estados Unidos em particular, devido à sua habilidade sem igual para projetar força militar. Esta é também a posição de muitos líderes árabes moderados. Há algumas semanas, em declarações incomumente diretas, o embaixador dos Emirados Árabes Unidos nos Estados Unidos, Yousef al-Otaiba, me disse [...] que seu país apoiaría um ataque militar contra as instalações nucleares do Irã [...] ‘Os países pequenos, ricos e vulneráveis da região não querem ser os que provocarão o grande fanfarrão se ninguém virá apóia-los’."

“Vários líderes árabes disseram que a posição dos Estados Unidos no Oriente Médio depende de sua disposição de enfrentar o Irã. Explicam, pensando en seus interesses, que um ataque aéreo contra un punhado de instalações iranianas não seria tão complicado nem problemático como, digamos, invadir o Iraque. ‘Este não é um debate sobre a invasão do Irã’, me disse umn ministro de relações exteriores árabe. ‘Esperamos a realização de ataques específicos contra várias instalações perigosas. Os Estados Unidos poderiam fazer isto com muita facilidade’.”

“Barack Obama disse em incontáveis ocasiões que um Irã nuclear seria ‘inaceitável’. [...] Um Irã nuclear seria uma situação que mudaria o jogo, não só no Oriente Médio mas em todo o mundo. Penso que qualquer coisa que ficou de nosso marco de não proliferação nuclear começaria a desintegrar-se. Haveria países no Oriente Médio que veriam possível a necessidade de também obter armas nucleares’.”

“Mas os israelenses têm dúvidas de que um homem que se situou como a antítese de George W. Bush, o autor das invasões tanto do Afeganistão como do Iraque, lançaria um ataque preventivo contra uma nação muçulmana.”

“‘Todos escutamos seu discurso no Cairo, disse-me um alto funcionário israelense referindo-se ao discurso de junho de 2009 em que Obama tratou de redefinir as relações com os muçulmanos realçando o espírito de cooperação e o respeito dos Estados Unidos para com o Islã. ‘Não cremos que seja o tipo de pessoa que lançaria um ataque ousado contra o Irã. Tememos que ele seguiria uma política de contenção em relação a um Irã nuclear em vez de atacá-lo’.”

“O funcionário israelense me disse que a questão sobre Bush ‘ocorreu há dois anos, mas o programa iraniano era o mesmo e a intenção era a mesma. Assim que, pessoalmente, não espero que Obama seja mais Bush que Bush’.”

“Se os israelenses chegam à conclusão definitiva de que Obama, sob nenhuma circunstância, lançará um ataque contra o Irã, então a contagem regressiva para um ataque unilateral israelense começará.”

“Os funcionários de inteligência israelenses consideram que um ataque contra o Irã poderia provocar uma represália total por parte do partidário do Irã no Líbano, o Hezbolá, o qual segundo a maioria das estimativas da inteligência, possui até 45 mil foguetes (não menos do triplo do que tinha no verão – boreal – de 2006, durante a última série de enfrentamentos entre o grupo e Israel).”

“... Netanyahu não é o único que compreende este desafio; vários primeiros-ministros anteriores a ele abordaram a ameaça do Irã em semelhantes termos existenciais. [...] Michael Oren, o embaixador de Israel nos Estados Unidos me disse que ‘ele tem um sentido profundo de seu papel na história judía’."

Na continuidade, Jeffrey Goldberg dedica várias páginas a relatar a história do pai de Netanyahu, Ben-Sión, que considera o historiador mais destacado do mundo sobre a inquisição espanhola e outros destacados méritos, e recentemente completou 100 anos de idade.

“Benjamin Netanyahu não é conhecido na maioria dos círculos por sua flexibilidade quanto aos assuntos relacionados com os palestinos, se bem que ultimamente tem tratado de satisfazer algumas das exigências de Barack Obama de que faça avançar o proceso de paz.”

Concluída esta parte de seu artigo, Goldberg prossegue a análise da complexa situação. Em algumas passagens é bastante duro analisando um comentário do ex-presidente iraniano Hashemi Rafsanjani, no ano 2001, no qual este certamente fala de uma bomba que destruiria Israel; uma ameaça que foi criticada inclusive por forças de esquerda que são inimigas de Netanyahu.

“Os desafios que representa um Irã com capacidade nuclear são mais sutis que a própria posibilidade de um ataque direto, comentou Netanyahu. [...] ‘os atores agressivos dentro do Irã poderiam disparar foguetes e participar em outras atividades terroristas ao mesmo tempo que teriam cobertura para o uso do material nuclear. [...] Em vez de ser un acontecimento local, independentemente do doloroso que possa ser, isto se convertería também em um acontecimento de caráter mundial. Em segundo lugar, este acontecimento encorajaria os activistas islâmicos em todos os rincões, em muitos continentes, que acreditariam que este seria um sinal providencial, que este fanatismo conduz ao caminho supremo do triunfo’.”

“‘Provocar-se-ia uma grande mudança na balança de poder em nossa região’, acrescentou.”

“Outros dirigentes israelenses consideram que o simples fato da ameaça de um ataque nuclear por parte do Irã, combinado com as ameaças crônicas que vivem as cidades israelenses feitas pelos foguetes do Hamas e do el Hezbolá, solapará gradualmente a capacidade do país de proteger seus cidadãos mais criativos e produtivos. [...] ‘A verdadeira prova que temos é conseguir que Israel seja esse lugar tão atrativo, esse lugar de vanguarda nas esferas da sociedade humana, a educação, a cultura, a ciência, a qualidade de vida, ao qual inclusive os jovens judeus que vivem nos Estados Unidos queiram vir.’.”

“Segundo várias sondagens, o patriotismo é um sentimento que se tem em alta conta em Israel e me parece pouco provável que o temor ao Irã obrigue os judeus de Israel a buscar refúgio em outro lugar. Não obstante, um dos principais promotores de um ataque israelense contra as instalações nucleares iranianas, Ephraim Sneh, outrora general e ex-vice-ministro da Defesa, está convencido de que si o Irã ultrapassasse o umbral nuclear, a própria idéia de Israel se veria em perigo. ‘Estas pessoas são cidadãos bons e valentes, mas a dinâmica da vida é tal que se alguém tem uma bolsa para estudar em uma universidade nos Estados Unidos durante dois años e a universidad lhe oferece permanecer um terceiro ano, os pais lhe dirão: ‘não há problema, fica’,’ me comentou Sneh quando me reuni com ele não faz tanto tempo em seu escritório fora de Tel Aviv. ‘Se alguém termina um doutorado e lhe oferecem um lugar nos Estados Unidos, essa pessoa se pudesse ficaria. Isso não quer dizer que as pessoas sairão correndo para o aeroporto. [...] O importante é que teremos um roubo acelerado de cérebros e um Israel que não se fundamente no empreendimento, que não se baseie na excelência, não será o Israel de hoje’.”

“Durante uma noite de segunda-feira, no começo do verão, sentei-me no escritório de um decidido detrator dos goyim (não judeus, nota da tradução), Rahm Emanuel, chefe de gabinete da Casa Branca, e escutei vários funcionários do Conselho de Segurança Nacional reunidos en sua mesa de conferências explicando – com muitíssimas palavras- por que o estado judeu deve confiar no presidente não judeu dos Estados Unidos para que estes evitem que o Irã cruze o umbral nuclear.”

“Uma das pessoas à mesa, Ben Rhodes, assessor adjunto de segurança nacional que participou como autor principal do recente material ‘Estratégia de segurança nacional para os Estados Unidos’ assim como na preparação do discurso conciliatório do presidente no Cairo, indicou que o programa nuclear do Irã constituía uma ameaça clara para a segurança estadunidense e que o governo de Obama responde às ameaças à segurança nacional da mesma forma com queoutras administrações responderam. ‘Estamos coordenando uma estratégia multifacética para elevar a pressão contra o Irã, mas isso não significa que tenhamos retirado alguma das cartas da mesa de discussão’, afirmou Rhodes. ‘Este presidente demostrou mais de uma vez que quando considera que é necessário utilizar aa força para proteger os interesses estadunidenses de segurança nacional, ele o fez. Não vamos utilizar frases hipotéticas sobre quando utilizaríamos a força militar ou se vamos usá-la, mas temos deixado bem claro que não eliminamos a opção do uso da força para nenhuma situação em que seja afetada a nossa segurança nacional’.”

"... Emanuel, cujo estado de ânimo é por defeito exasperado. [...] (Um ex-funcionário da administração Bush me disse que seu presidente enfrentou o problema contrário, enroscado em duas guerras e acreditando que o Irã não estava tão próximo de cruzar o umbral nuclear, se opôs ao emprego da força contra o programa do Irã e deixou bem claro seu ponto de vista, ‘mas ninguém acreditou nele’).”

“Em um momento expressei a idéia de que devido a razões sumamente óbvias, poucas pessoas acreditavam que Barack Obama abriria uma terceira frente no grande Oriente Médio. Um dos funcionários respondeu acaloradamente: ‘Que temos feito que te permita chegar à conclusão de que pensamos que um Irã com capacidade nuclear seria uma situação tolerável para nós?’”

“Os funcionários da administração de Obama, em particular os do Pentágono, assinalaram em várias ocasiões que não estão conformados coma possibilidade de preferir um ataque militar. Em abril, a subsecretária de Defesa para temas de política, Michele Flournoy, disse aos jornalistas que o uso da força militar contra o Irã estava ‘fora da mesa de negociações num futuro próximo cercano’. Ela se retractou depois, mas o almirante Michael Mullen, chefe do Estado Maior Geral conjunto, também criticou a ideia de atacar o Irã. [...] “Em uma região que é tão instável neste momento, não necessitamos de mais instabilidade’.”

“... sob nenhuma circunstância, o presidente descartou a idéia de evitar a proliferação mediante o uso da força . [...] Gary Samore, funcionário deo Conselho de Segurança Nacional que supervisiona o programa da administração contra a proliferação, me disse que os israelenses estão de acordo com as avaliações estadunidenses de que o programa iraniano de enriquecimento de urânio está repleto de problemas.”

“‘... podemos determinar isso, tendo em conta os informes da AIEA, que não agradam aos iranianos, disse Samore. Em particular, as máquinas centrifugas que estão operando se baseiam no uso de uma tecnologia inferior. Estão enfrentando dificuldades técnicas, em parte pelo trabalho que temos desenvolvido para negar-lhes acesso aos componentes estrangeiros. Quando eles fazem as peças, fabricam peças que não são submetidas a nenhum tipo de controle de qualidade.’”

“Dennis Ross, ex-negociador de paz no Oriente Médio, que atualmente é funcionário de alto escalão dentro do Conselho de Segurança Nacional, afirmou durante a reunião que crê que os israelenses entendam agora que as medidas estimuladas pelos Estados Unidos desaceleraram o avanço do Irã e que a administração está trabalhando para convencer os israelenses – e outras partes envolvidas da região – de que a esratégia de sanções ‘tem possibilidades de dar certo’.”

‘”O presidente disse que ele não retirou nenhuma carta da mesa de discussão, mas vejamos por que nós pensamos que esta estratégia poderia funcionar’. [...] No passado mês de junho – como não haviam respondido a nosso chamado bilateral – o presidente disse quetomaríamos medidas em setembro.”

“Ross [...] as sanções que o Irã enfrenta na atualidade poderiam modificar a forma de pensar do regime. ‘As sanções vão transcender. Estão tendo lugar num momento em que os iranianos estão tendo uma má administração: os iranianos terão que cortar os subsídios [para os alimentos e os combustíveis]; já estão enfrentando a alienação do povo; têm divisão dentro da elite e entre a elite e o resto do país…’”

“Uma pergunta que ao que parece nenhum funcionário da administração deseja responder é a seguinte: que farão os Estados Unidos se as sanções fracassarem? Vários funcionários árabes se queixaram comigo porque a administração de Obama não lhes comunicou quais são as suas intenções, nem sequer de maneira geral.”

“‘Os eleitores de Obama querem saber que a administração demonstrou que não deseja iniciar uma peleja com o Irã, mas esse não é um assunto de política interna’, expressou esse chanceler. ‘O Irã se manterá nesse caminho temerário, a menos que a administração comece a falar de forma não razoável. A melhor forma de evitar um ataque contra o Irã é fazendo o Irã crer que os Estados Unidos estão a ponto de atacá-los. Temos que conhecer quais são as intenções do presidente nesse assunto. Somos seus aliados ’. De acordo com duas fontes dentro da administração, esse assunto provocou tensões entre o presidente Obama e o recentemente deposto diretor de inteligência nacional, o almirante Dennis Blair. Segundo essas fontes, Blair, que, diziam, fazia muito fincapé na ameaça que o Irã representa, disse ao presidente que os aliados árabes dos Estados Unidos necesitavan de mais palavras tranqüilizadoras. Diz-se que Obama não gostou do conselho.”

“Em Israel, certamente, dá muito trabalho aos funcionários entender o presidente Obama, apesar das palavras tranquilizadoras que receberam de Emanuel, de Ross e de outros.”

“Há pouco tempo, o chefe da inteligência militar israelense, o general Amos Yadlin, fez uma visita secreta a Chicago para reunir-se com Lester Crown, o multimilionário cuja família é dona de uma parte importante da General Dynamics, uma empresa que recebe encomendas militares.

[...] "Compartilho com os israelenses o sentimento de que com toda a certeza nós contamos com a capacidade militar e que precisamos ter a vontade de utilizá-la. A ascenção do Irã não é algo que convenha em nada aos Estados Unidos."

"'Apoio o presidente‘, disse Crown, ‘mas gostaria que [os funcionários da administração] fossem um pouco mais extrovertidos na hora de falar. Sentir-me-ia mais à vontade se soubesse que eles têm a disposição de usar a força militar, como último recurso. Não se pode ameaçar alguém, fazendo-lhe crer que é um engano. Tem que haver disposição para fazê-lo’.”

"Vários funcionários até me perguntaram se eu considerava que Obama era anti-semita. Eu respondi a essa pergunta com uma citação de Abner Mikva, ex-congressista, juiz federal e mentor de Obama, que disse em 2008: "Eu acho que quando isso acabar, as pessoas vão dizer que Barack Obama foi o primeiro presidente judeu." Eu expliquei que Obama era muito impregnado com o trabalho de escritores, juristas e pensadores judeus e que muitos de seus amigos, apoiadores e assessores eram judeus. No entanto, o filo-semitismo não é necessariamente o mesmo que concordar com o Partido Likud de Netanyahu; é claro, não é o mesmo tampouco entre os judeus que vivem nos Estados Unidos, que apoiam, em geral, a solução da existência de dois estados e têm as suas reservas sobre os assentamentos judaicos na Cisjordânia. "

"Rahm Emanuel disse que o governo estava tentando enfiar a linha na agulha: fornecendo um apoio "inabalável" a Israel, protegendo-o das consequências de uma bomba nuclear iraniana, mas pressionando-o a procurar uma fórmula conciliatória com os palestinos. [...] os últimos seis primeiros-ministros de Israel, incluindo Netanyahu que ─ em seu primeiro período eleitoral no final da década de 90, para o desgosto de seu pai ─ procurou uma fórmula conciliatória com os palestinos, para defender seu caso. 'Rabin, Peres, Netanyahu, Barak, Sharon, Olmert ─ cada um deles buscou algum tipo de acordo negociado que fosse conveniente para Israel a partir de um ponto de vista estratégico', disse ele. Houve muitas outras ameaças, enquanto os sucessivos governos israelenses têm tentado seguir um processo de paz. "

"... Israel deve examinar cuidadosamente se um golpe militar valeria a pena pelo grande problema que ele desataria . 'Não tenho certeza pelo momento em que estão, independentemente do momento, independentemente do que façam, eles não parariam' o programa nuclear, acrescentou. 'Eles só o adiariam'."

"Foi quando eu percebi que, em alguns temas, os israelenses e os americanos não estavam falando a mesma língua."

"Em minhas conversas com ex-generais da força aérea e estrategistas israelenses prevaleceu um tom moderado. Muitas das pessoas que entrevistei estavam dispostas, sob condição de anonimato, a dizer por que seria difícil para Israel atacar as instalações nucleares iranianas. Alguns generais israelenses, assim como seus colegas norte-americanos, questionaram a própria idéia de empreender um ataque. 'Empregaríamos melhor nosso tempo se nos dedicássemos a fazer pressão com Barack Obama para que ele o faça, ao invés de tentar fazê-lo nós mesmos", disse um general. "Somos muito bons neste tipo de operação, mas é um grande passo para nós. No entanto, os americanos podem fazer isso com um mínimo de dificuldade. É demais para nós. "

"Esses aviões teriam que voltar a seu país rapidamente, em parte porque a inteligência israelense acredita que o Irã ordenaria imediatamente ao Hezbollah que lance foguetes contra cidades israelenses, e seriam necessários os recursos da força aérea de Israel para perseguir os grupos de mísseis do Hezbollah. "

"... no caso de um ataque unilateral israelense contra o Irã, sua missão seria lutar contra as forças dos mísseis do Hezbollah. [...] manter em reserva agora o Hezbollah até que o Irã possa cruzar o limiar nuclear".

"... o Hezbollah 'perdeu muitos de seus homens. [...] Essa é uma razão pela qual nós tivemos quatro anos de paz. O que mudou ao longo dos últimos quatro anos é que o Hezbollah aumentou a sua capacidade de ataque com mísseis, mas também temos aumentado a nossa capacidade'. Quanto a um possível ataque israelense contra o Irã, Eisenkot concluiu: 'A nossa disposição combativa significa que Israel tem liberdade de ação."

"Os Estados Unidos se veriam também como cúmplices de um ataque israelense, apesar de não terem sido avisados com antecedência. A hipótese - que nem sempre é correta - de que Israel só age com a aprovação dos Estados Unidos é uma visão comum no Oriente Médio, que os israelenses dizem que estão estudando agora. Falei com vários funcionários israelenses que estão a debater esta questão, entre outros: o que acontece se os serviços de inteligência norte-americanos se inteirem sobre as intenções de Israel a poucas horas do início programado de um ataque? 'É um pesadelo para nós', informou-me um desses funcionários. E se o presidente Obama chamar Bibi e lhe disser: 'sabemos o que estão fazendo. Parem com isso imediatamente'. Acaso vamos parar? Pode ser que nós tenhamos que parar. Foi tomada a decisão de não mentir aos americanos sobre os nossos planos. Nós não queremos informar-lhes de antemão. É para o bem deles e para o nosso bem. Então o que fazemos? Estas são as perguntas difíceis."

"Muitos israelenses acreditam que os iranianos estão construindo uma Auschwitz. Temos que fazer com que saibam que destruímos esse Auschwitz, ou temos que deixá-los saber que tentamos, mas fracassamos. "

"É claro que há líderes israelenses que acham que um ataque ao Irã é demasiado arriscado. [...] "Não queremos que os políticos nos coloquem numa situação difícil por causa da palavra Shoah", disse um general. "

"Depois de ter observado, mais de uma dúzia de vezes diferentes em mais de uma dúzia de diferentes escritórios, a fotografia dos aviões da força aérea israelense sobrevoando Auschwitz, foi que percebi a contradição que existia nisso. Se os físicos judeu que criaram o arsenal nuclear de Israel tivessem podido fazer uma viagem no tempo e no espaço e enviar um esquadrão de caças em 1942 ... "

"Benjamin Netanyahu acredita que, por razões de segurança nacional, se as sanções falharem, ele será forçado a agir. No entanto, um ataque israelense contra instalações nucleares iranianas - seja bem sucedido ou não -pode fazer com que o Irã redobre os seus esforços - desta vez contando com a solidariedade internacional - para desenvolver um arsenal nuclear. Isso também poderia causar o caos para os Estados Unidos no Oriente Médio. [...] Peres considera o programa nuclear iraniano como potencialmente catastrófico. [...] Quando perguntado se acreditava na opção militar, ele disse, 'Por que eu devo declarar algo como isso? ".

"Com base nos meses de entrevistas, cheguei a acreditar que o governo sabe que, quase certamente, Israel vai logo tomar medidas contra o Irã se nada nem ninguém detenha seu programa nuclear [...] No início deste ano, eu estava de acordo com muitos israelenses, árabes e iranianos que acreditavam que não havia nenhuma possibilidade de Obama recorrer ao uso da força para deter o Irã: ainda não acho que haja muitas chances de ele recorrer a uma ação militar no futuro imediato; por uma razão: o Pentágono tem se mostrado particularmente pouco entusiasmado com essa idéia. No entanto, é claro que Obama está preso no meio deste problema. [...] Denis McDonough, chefe de gabinete do Conselho de Segurança Nacional, disse-me: 'o que você vê no Irã é a reunião de uma série de importantes prioridades do presidente, que vê uma ameaça grave para o sistema de não-proliferação em todo o mundo, uma ameaça que pode levar a outras atividades nucleares em uma região volátil, e uma ameaça a um amigo próximo dos Estados Unidos, Israel. Eu penso que podem ser vistas de várias correntes que estão se unindo, o que responde à pergunta de por que isso é tão importante para nós. "

"Quando perguntei a Peres o que ele pensava sobre os esforços de Netanyahu em apresentar este caso para a administração de Obama, ele respondeu [...] que seu país sabe qual é o seu lugar, e que isso dependia do presidente estadunidense e que apenas o presidente dos Estados Unidos podia decidir como salvaguardar melhor o futuro do Ocidente. Toda essa história tem mais a ver com o seu mentor: David Ben-Gurion.

"'Logo depois que John F. Kennedy foi eleito presidente, Ben-Gurion reuniu-se com ele no hotel Waldorf-Astoria' em Nova York, Peres me disse. 'Após a reunião, Kennedy acompanhou Ben-Gurion até o elevador e disse: 'Sr. primeiro-ministro, quero dizer que fui eleito presidente graças a seu povo, por isso, o que posso fazer por você em troca?' Ben-Gurion sentiu-se insultado pela pergunta e disse: 'o que você pode fazer é ser um grande presidente dos Estados Unidos. É preciso compreender que ter um grande presidente dos Estados é um grande sucesso'. "

"Peres continuou explicando o que ele via como os reais interesses de Israel. 'Nós não queremos derrotar o presidente', disse ele. 'Queremos que o presidente ganhe'".

"Jeffrey Goldberg"

"Jeffrey Mark Goldberg é um jornalista americano-israelense. É um dos autores e jornalistas da equipe da revista The Atlantic. Ela já trabalhou para a revista The New Yorker. Goldberg escreve principalmente sobre questões internacionais, de preferência sobre o Oriente Médio e a África. Alguns o denominam de o mais influente jornalista-blogueiro para assuntos relacionados com Israel. "

Fidel Castro
25 de agosto de 2010
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  • Ameaça nuclear

    29/08/2010 14h39 Importantisimo a divulgação deste artigo, democratizando a informação e tornando público a ameaça da guerra. Desmistificar e mostrar a verdade é o papel preponderante da informação e que pode contribuir para dissuadir a intenção da guerra.
    DARCI
    Rio deJaneiro - RJ
    .
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quinta-feira, junho 03, 2010

Fidel: O império e a guerra

América Latina

Vermelho  - 2 de Junho de 2010 - 16h00

Fidel: O império e a guerra

Há dois dias, em breves palavras, eu disse que o imperialismo não podia resolver o gravíssimo problema do consumo de drogas que assolam a população do mundo. Hoje desejo abordar outro tema, a meu juízo, de grande transcendência.

Por Fidel Castro

O atual perigo de que a Coreia do Norte seja atacada pelos Estados Unidos, a partir do recente incidente que teve lugar nas águas desse país, talvez possa ser evitado se o presidente da República Popular da China decidir utilizar o direito de veto, prerrogativa que este país não gostaria absolutamente de exercer nos acordos que se discutem no Conselho de Segurança da ONU.

Existe um segundo e mais grave problema para o qual os EUA não têm resposta possível: o conflito criado em torno do Irã. É algo que se via aproximar-se claramente desde que o presidente Barack Obama pronunciou seu discurso no dia 4 de junho de 2009, na Universidade Islâmica de Al-Azhar, no Cairo.

Em uma Reflexão que escrevi então, quatro dias mais tarde, quando dispus de uma cópia oficial do discurso, utilizei numerosas citações para analisar a importância do mesmo. Destacarei um número delas.

“Nos congregamos em um momento de tensão entre os Estados Unidos e muçulmanos ao redor do mundo…”

“… o colonialismo negou direitos e oportunidades a muitos muçulmanos, … a Guerra Fria frequentemente utilizava os países de maioria muçulmana como agentes, sem ter em conta suas aspirações próprias.”

Impressionavam realmente esse e outros raciocínios na boca de um presidente afroamericano, que pareciam verdades evidentes como as contidas na Declaração da Filadélfia, no dia 4 de julho de 1776.

“Vim aqui buscar um novo começo para os Estados Unidos e os muçulmanos ao redor do mundo, que se baseie em interesses mútuos e no respeito mútuo…”

“Como nos disse o Sagrado Alcorão, ‘tenham consciência de Deus e digam sempre a verdade.’”

“… é parte de minha responsabilidade como Presidente dos Estados Unidos lutar contra os estereótipos negativos do Islã onde quer que surjam.”

Continuou, assim, bombardeando temas escabrosos do universo de contradições insolúveis que envolvem a política dos Estados Unidos.

“Em meio à Guerra Fria, os Estados Unidos desempenharam um papel na derrocada de um governo iraniano eleito democraticamente.”

“Desde a Revolução Islâmica, o Irã desempenhou um papel nos sequestros e atos de violência contra militares e civis estadunidenses.”

“Os estreitos vínculos dos Estados Unidos com Israel são muito conhecidos. Este vínculo é indissolúvel.”

“Muitos esperam, em acampamentos para refugiados na Cisjordânia, Gaza e terras circundantes, uma vida de paz e segurança que nunca tiveram.”

Hoje sabemos que sobre a população de Gaza cai, com frequência, uma chuva de fósforo vivo e outros componentes desumanos e cruéis, lançados sobre a Faixa, com fúria verdadeiramente nazi-fascista. Não obstante, as afirmações de Obama pareciam vibrantes e, em ocasiões, sinceras, tanto que as ia repetindo uma e outra vez, em meio de um corre-corre febril pelo mundo, onde quer que, a sua hora programada, chegasse o avião número um da Força Aérea dos Estados Unidos.

No dia 31 de maio, a comunidade internacional foi comovida com o assalto, em águas internacionais, a dezenas de quilômetros da costa de Gaza, de quase uma centena de soldados das forças especiais de Israel, que desceram de helicopteros durante a madrugada, disparando freneticamente contra centenas de pessoas, pacifistas de diversas nacionalidades, causando, segundo a imprensa, não menos de 20 mortos e dezenas de feridos. Entre as pessoas atacadas, que transportavam mercadorias para os palestinos sitiados em sua própria Pátria, havia cidadãos norte-americanos.

Quando Obama falou na Universidade Islâmica de Al-Azha da “derrocada de um governo iraniano eleito democraticamente’ e imediatamente acrescentou que “Desde a Revolução Islâmica, o Irã desempenhou um papel nos sequestros e atos de violência contra militares e civis…”, se referia ao movimento revolucionário promovido pelo Aiatolá Ruhollah Komeini, que, de Paris, sem uma só arma, esmagou as Forças Armadas do mais poderoso gendarme com que os Estados Unidos contavam no Sul da Ásia. Era muito difícil que a mais poderosa potência do mundo resistisse à tentação de instalar ali uma de suas bases militares, ao Sul da URSS.

Há mais de cinco décadas, os Estados Unidos haviam esmagado outra Revolução absolutamente democrática, quando derrotou o governo iraniano de Mohammad Mossadegh. Este foi eleito primeiro-ministro do Irã no dia 24 de abril de 1951. O senado aprovou a nacionalização do petróleo, que havia sido sua bandeira de luta, no dia 1 de maio deste mesmo ano. “Nossos largos anos de negociações com países estrangeiros – declarou – não deram resultado até agora.”

É óbvio que estava se referindo às grandes potências capitalistas, que controlam a economia mundial. O Irã tomou posse das instalações ante a intransigência da British Petroleum, que então se chamava Anglo-Iranian Oil Company.

O país não tinha possibilidade de formar técnicos. A Grã-Bretanha havia retirado seu pessoal qualificado, e respondido com bloqueio de peças e mercados. Enviou sua frota de guerra em ação de combate ao país. Como resultado, a produção petroleira do Irã diminuiu de 241,4 milhões de barris em 1952, a 10,6 em 1953. Nessas condições favoráveis, a CIA organizou o golpe de Estado que derrubou Mossadegh, até sua morte que teve lugar três anos depois. A monarquia foi restabelecida e um poderoso aliado dos Estados Unidos ascendeu ao poder no Irã.

Os Estados Unidos não fizeram outra coisa com os demais países que não seja isto; desde que se criou esta nação nos solos mais ricos do planeta, não respeitou nunca os direitos dos povos indígenas, que ali viveram durante milênios, e de negros, que foram importados como escravos pelos colonizadores ingleses.

Estou seguro, entretanto, de que milhões de norte-americanos inteligentes e honestos compreendem estas verdades.

O presidente Obama pode pronunciar centenas de discursos, tratando de conciliar contradições que são inconciliáveis em detrimento da verdade, sonhar com a magia de suas frases bem articuladas, enquanto faz concessões a personalidades e grupos totalmente carentes de ética, e desenhar mundos de fantasias que só cabem em sua cabeça e que assessores sem escrúpulos, conhecendo suas tendências, plantam em sua mente.

Duas perguntas obrigatórias: poderá Obama desfrutar as emoções de uma segunda eleição presidencial sem que o Pentágono ou o Estado de Israel, que em seu comportamento não acata de forma alguma as decisões dos Estados Unidos, utilizem suas armas nucleares no Irã? Como será a vida em nosso planeta depois disso?

Fonte: Cuba Debate 
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sábado, maio 22, 2010

Noam Chomsky: A fúria da faixa industrial dos Estados Unidos

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Economia

Vermelho - 22 de Maio de 2010 - 16h35

Em 18 de fevereiro, Joe Stack, um engenheiro de computação de 53 anos de idade, se suicidou chocando seu pequeno avião contra um edifício em Austin, Texas, destruindo um escritório do Serviço de Arrecadação Fiscal (IRS, na sua sigla em inglês), matando outra pessoa e feriando várias mais no ato.

Por Noam Chomsky*
 

Stack deixou um manifesto contra o governo que explicava suas ações. A história começa quando ele era um adolescente que vivia na penúria em Harrisburg, Pensilvânia, próximo ao coração do que alguma vez foi um grande centro industrial.

Sua vizinha, uma octogenária que sobrevivia com alimento para gatos, era a viúva de um operário metalúrgico aposentado. Seu esposo trabalhara toda a sua vida nas fundições do centro da Pensilvânia, confiante nas promessas das grandes empresas e do sindicato de que, por seus 30 anos de serviço, teria uma pensão e assistência médica durante sua aposentadoria.

"Em vez disso, foi um dos milhares que não receberam nada porque a incompetente administração das fundições e o sindicato corrupto (para não mencionar o governo) incursionaram em seus fundos de pensões e roubaram sua aposentadoria. O único que ela tinha para viver era a seguridade social".

Poderia haver acrescentado que os muito ricos e seus aliados políticos prosseguem tratando de acabar com a seguridade social.

Stack decidiu que não poderia confiar nas grandes empresas e que emprenderia seu próprio caminho, só para descobrir que tampouco poderia confiar num governo ao qual não lhe interessava as pessoas como ele, mas só os ricos e privilegiados; ou em um sistema legal no qual "há duas 'interpretações' de cada lei, uma para os muito ricos e outra para todos nós".

O governo nos deixa com "a piada que chamamos de sistema de saúde estadunidense, incluídas as companhías farmacêuticas e de seguros (que) estão assassinando dezenas de milhares de pessoas ao ano", pois racionam a assistência, em grande medida, com base na riqueza e não na necessidade.

Stack remonta a origem destes males a uma ordem social na qual "um punhado de rufiões e saqueadores podem cometer atrocidades impensáveis... e quando é a hora de que sua fonte de dinheiro fácil se esgote sob o peso de sua cobiça e de sua abrumadora estupidez, a força de todo o governo federal não tem dificuldade de acudir em sua ajuda em questão de dias, se não é de horas".

O manifesto de Stack termina com duas frases evocadoras: "O credo comunista: de cada um segundo sua capacidade, a cada um segundo sua necessidade. O credo capitalista: que cada um dê segundo sua ingenuidade, que cada um receba segundo sua cobiça".

Estudos comovedores das zonas industriais abandonadas dos Estados Unidos revelam uma indignação comparável entre os indivíduos que foram deslocados à medida que os programas corporativo-estatais fecham fábricas e destroem famílias e comunidades.

Uma aguda sensação de traição se percebe nas pessoas que aceditavam que haviam cumprido seu dever com a sociedade num pacto moral com as empresas e o governo, só para descobrirem que foram instrumentos do lucro e do poder.

Existem semelhanças assombrosas na China, a segunda maior economia do mundo, investigada pela especialista da UCLA Ching Kwan Lee.

Lee comparou a indignação e o desespero da classe operária nos descartados setores industriais dos Estados Unidos com o que ela chama de a zona industrial da China: o centro industrial socialista estatal no nordeste, agora abandonado pelo desenvolvimento da zona de rápido crescimento no sudeste.

Em ambas as regiões, Lee encontrou protestos laborais maciços, mas de diferentes características. Na zona industrial abandonada, os operários expressam a mesma sensação de traição que suas contrapartes nos EE.UU.; em seu caso, a traição dos princípios maoístas de solidaridade e dedicação ao desenvolvimento da sociedade que eles consideravam um pacto social, só para descobrir que, fosse o que fosse, agora é uma amarga fraude.

Em todo o país, vintenas de milhões de milhões de trabalhadores separados de suas unidades de trabalho "estão embargados por uma profunda sensação de insegurança" que engendra "fúria e desespero", escreve Lee.

O trabalho de Lee e estudos da zona industrial abandonada dos Estados Unidos deixam claro que não deveríamos subestimar a profundidade da indignação moral que radica por trás da amargura furiosa, a miúdo autodestrutiva, em relação ao governo e ao poder empresarial.

Nos Estados Unidos, o movimento populista chamado Tea Party - e mais ainda nos círculos mais amplos a que chega - reflete o espírito da desilusão. O extremismo antifiscal do Tea Party não é tão imediatamente suicida como o protesto de Joe Stack, mas não obstante é suicida.

Atualmente, a Califórnia é um exemplo dramático. O maior sistema público de educação superior do mundo está sendo desmantelado.

O governador Arnold Schwarzenegger diz que terá que eliminar os programas estatais de saúde e de assistência social, a menos que o governo federal aporte uns 7.000 milhões de dólares. Outros governadores estão se unindo a ele.

Enquanto isso, um poderoso movimento recente pelos direitos dos estados está demandando que o governo federal não se meta em nossos assuntos, um bom exemplo do que Orwell chamou "duplo pensar": a capacidade de ter em mente duas ideias contraditórias quando se acredita em ambas, praticamente um lema de nossos tempos.

A situação da Califórnia é o resultado, em grande parte, de um fanatismo antifiscal. É muito similar em outras partes, inclusive em subúrbios ricos.

Alentar o sentimento antifiscal tem caracterizado a propaganda empresarial. As pessoas devem ser doutrinadas para odiar e temer o governo por boas razões: dos sistemas de poder existentes, o governo é o único que, a princípio e ocasionalmente de fato, responde ao público e pode restringir as depredações do poder privado.

Entretanto, a propaganda antigovernamental deve ser matizada. As empresas, por suposto, favorecem um Estado poderoso que trabalhe para as instituições multinacionais e financeiras, e inclusive as resgate quando destroem a economia.

Mas, num exercício brilhante de duplo pensamento, as pessoas são levadas a odiar e temer o déficit. Dessa forma, os sócios das empresas em Washington poderiam acordar a redução de benefícios sociais e direitos como a seguridade social (mas não os resgates).

Ao mesmo tempo, as pessoas não deveriam opor-se ao que, em grande medida, está criando o déficit: o crescente orçamento militar e o sistema de assistência médica privatizado completamente ineficiente.

É fácil ridiculizar como Joe Stack e outros como ele expressam suas inquietações, mas é muito mais apropiado compreender o que está por trás de suas percepções e ações numa época em que as pessoas com verdadeiros motivos de queixa estão sendo mobilizadas em formas que representam um grande perigo para elas mesmas e para os outros.

*Noam Chomsky é professor emérito de linguística e filosofia no Instituto Tecnológico de Massachusetts, em Cambridge, Massachusetts.

Fonte: Cuba Debate
Tradução: Sergio Granja, para o Pravda.Ru
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