A Internacional

__ dementesim . . Do rio que tudo arrasta se diz que é violento Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem. . _____ . Quem luta pelo comunismo Deve saber lutar e não lutar, Dizer a verdade e não dizer a verdade, Prestar serviços e recusar serviços, Ter fé e não ter fé, Expor-se ao perigo e evitá-lo, Ser reconhecido e não ser reconhecido. Quem luta pelo comunismo . . Só tem uma verdade: A de lutar pelo comunismo. . . Bertold Brecht
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sexta-feira, abril 29, 2011

A ver vamos ou os programas eleitorais do PS/PSD

A ver vamos

A crer nas sondagens, nos Presidentes da República e nos notáveis do regime, a hora é de unidade e consenso. Até o engº Sócrates, essa verdadeira força de bloqueio, se apresenta, agora, como um campeão do diálogo, disposto a todos os entendimentos que nunca quis fazer no passado.
  • 29 Abril 2011
Por:Constança Cunha e Sá, jornalista
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 Como é evidente, há sempre alguém que discorda. Perante este hipotético cenário, o dr. Passos Coelho fez, desde logo, saber que, ao contrário de alguns "fascistas" como Mário Soares ou Jorge Sampaio, não embarcava numa nova "união nacional" que teria o condão de suspender a democracia, varrendo para parte incerta as diferenças de uma alternativa que tarda em aparecer ao País. À unidade, apregoada pelas forças vivas da nação, o PSD parece optar pelos méritos da "clarificação" em torno de dois projectos distintos quanto ao modelo económico e ao papel do Estado na sociedade. Infelizmente, esta opção – genuinamente democrática – está longe de se conjugar com a dura realidade dos factos. 
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A um mês das legislativas, o debate eleitoral oscila entre meia dúzia de vacuidades e uma longa série de equívocos. Entre o PS e o PSD, não se vislumbra uma ideia de fundo, quanto mais um projecto alternativo. Os dois partidos dividem-se entre um discurso eficaz, embora descosido da realidade, e uma amálgama de propostas avulsas que amanhecem florescentes e anoitecem no meio dos mais variados desmentidos. 
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Se o programa apresentado, esta semana, pelo PS é um verdadeiro hino ao vazio, a alternativa do PSD define-se pelas constantes trapalhadas em torno de um programa que ainda não conseguiu ver a luz do dia. É sempre agradável saber que um candidato a primeiro-ministro sabe fazer farófias e tem quatro caniches num andar de Massamá mas seria, com certeza, mais útil saber como é que o mesmo candidato tenciona pôr o País a crescer três por cento, durante os próximos dois anos, como, aliás, já foi prometido. Perante este quadro de miséria, os apelos ao consenso levantam também sérias dúvidas. Consenso em torno de quê? De ideias que não existem? De projectos que ninguém conhece? De políticos que primam pela insignificância? Como não é possível fazer consensos em torno de coisa nenhuma, o único consenso que nos resta é aquele que nos vai ser imposto por fora, por uma Europa em vias de desagregação. Mas, tendo em conta a campanha em curso, a Europa parece ser uma questão secundária com a qual não temos que nos preocupar. A ver vamos.

sexta-feira, outubro 08, 2010

Causas e Consequências Do outro mundo

Já se sabia que, na dura cabecinha do engº Sócrates, o mundo mudava, com alguma frequência, em dois ou seis dias, consoante os erros do Governo e os estados de alma do primeiro-ministro.
  • 0h30 Correio da Manhã 2010 10 08
Por:Constança Cunha e Sá, Jornalista
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Foi assim que surgiu, subitamente, dando cabo do mundo em que ele vivia, o PEC II e o seu famigerado aumento de impostos. O plano, congeminado com o PSD, tinha, na altura, a superior vantagem de suprir as nossas necessidades para os anos de 2010 e de 2011. 
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Quatro meses depois, ficamos a saber, pela voz do primeiro-ministro, que por força de um submarino o Governo não conseguiu sequer cumprir os objectivos que tinha anunciado para 2010. O mundo mudou? Aparentemente, sim. De repente, parece que deu à costa, vindo do nada, um submarino que o Governo só tencionava pagar em 2011 – e que seria de esperar, por isso, que estivesse incluído nas contas do PEC II, mas isso seria, de facto, esperar demasiado.
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Já no que toca ao ano de 2011, o mundo não mudou: deu uma pirueta tal que "convenceu" finalmente o primeiro-ministro a anunciar medidas que ele, no mundo em que vivia, sempre negou que tomaria. 
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O preço desse convencimento tardio? Não existe. No seu mundo, o que conta são as responsabilidades dos outros: dos mercados, dos partidos da oposição, das previsões pessimistas, dos trabalhadores insatisfeitos, dos comentadores que o criticam e, por aí fora, numa lista infindável de culpados da qual, obviamente, ele não faz parte. 
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No seu mundo, o engº Sócrates é apenas, na sua infinita clemência, uma vítima das circunstâncias, ou seja, uma vítima do mundo onde não vive há muitos e bons anos. Infelizmente, esse mundo que tanto o surpreende, obrigando-o a dar, todos os dias, o dito por não dito, é aquilo que muito prosaicamente se chama realidade – e a realidade, como já deu provas mais do que suficien-tes, não se compadece com os "convencimentos" do primeiro-ministro. 
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Assim sendo, é natural que as garantias do primeiro-ministro se tenham transformado, com o tempo, numa série de palpites que têm o condão de nunca se realizarem. De palpite em palpite, de desastre em desastre, o engº Sócrates vai afundando o país num rol de medidas de austeridade, tomadas a eito, por imposição da União Europeia e dos mercados internacionais, sem que se consiga descortinar nelas uma linha de rumo minimamente credível.
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Por junto, o primeiro-ministro limita-se a garantir que o crescimento do PIB se vai manter em 0,5 por cento apesar de reconhecer o efeito recessivo das medidas que anunciou. Um palpite, aliás, que já foi desmentido pelo FMI e pelo Banco de Portugal. Como seria de esperar. 
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  • Comentário feito por:Álvaro de Campos
  • 18h33
Concordo: “De palpite em palpite, de desastre em desastre, o engº Sócrates vai afundando o país…”. Também sou um contribuinte amordaçado, mas não sou parvo.
  • Comentário feito por:António dos Santos
  • 13h38
Deve ser uma questão de coragem ? A cronista teve o previlégio de entrevistar em directo o P. Ministro, porque não lhe colocou as perguntas sobre agora apresentadas?
  • Comentário feito por:Carlos Teixeira
  • 11h43
"A dura cabecinha do engº Sócrates". Porque raio não teve a coragem de dizer isto mesmo na entrevista que lhe fez há dias? ... fraca ciragem.
  • Comentário feito por:a.marques
  • 10h26
Sócrates não lê Sócrates: "Sábio é todo aquele que conhece os limites da própria ignorância". No nosso até as fronteiras do descaramento e da indecência foram varridas do mapa, digo eu.
  • Comentário feito por:Carlos Passos
  • 10h05
Até que enfim D.Constança acordou, tarde, mas a tempo. Parabéns.
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sexta-feira, julho 23, 2010

Causas e consequências de Constância Cunha e Sá


Um balão de oxigénio

O PSD ofereceu um balão de oxigénio que tem o condão de transformar Sócrates no grande paladino do Estado Social
  • 0h30 - 2010.07.22
Por:Constança Cunha e Sá, jornalista
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Há muito que se tinha percebido que o PSD tinha na revisão constitucional uma espécie de bandeirinha que contrabalançasse o apoio e os acordos que tem vindo a fazer com o Governo do engº Sócrates. Ainda no fim-de-semana passado, o dr. Passos Coelho considerou – com assinalável bom senso – que o Governo se encontrava "esgotado". Mas em vez de lutar pela sua rápida substituição, como parecia razoável, defendeu a sua permanência no poder por tempo indeterminado. Resumindo, numa altura de crise e de crescentes dificuldades, o PSD considera que o país deve estar entregue a um governo "esgotado" que deixou de ter condições e capacidade para gerir sequer os seus próprios ministros. 
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Como se compreende, esta original tese, que no dia-a-dia se sustenta de acordos que ninguém conhece bem e de esdrúxulas negociações impossíveis de acompanhar, exigia um antídoto eficaz que revelasse aos eleitores as esplendorosas diferenças que se anicham no PSD face a um PS com o qual tem intermitentemente colaborado. E é assim que, na ausência de qualquer alternativa séria à política económica e social do Governo, surge, de repente, um projecto de revisão constitucional que pretende romper gloriosamente com as barreiras ideológicas que supostamente nos perseguem desde o 25 de Abril. 
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Sem entrar nas alterações propriamente ditas, nomeadamente nas que se referem ao sistema político (um pacote de normas contraditórias que parece ter saído de uma mesa de café), pode-se dizer, desde já, que a apresentação do projecto do PSD teve um efeito imediato: desviar as atenções da actuação do Governo e dos seus míseros resultados (basta ver os dados relativos à execução orçamental do primeiro semestre) para centrá-las numa suposta querela ideológica da qual o PSD sai francamente a perder. 
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Não bastava ao dr. Passos Coelho impor-nos o Governo por mais um ano; faltava-lhe, pelos vistos, oferecer-lhe um balão de oxigénio que tem o condão de transformar o engº Sócrates no grande paladino do Estado Social – que, ele, aliás, com os seus erros, se tem encarregue de destruir ao longo dos últimos anos. E se julgam que isto é uma matéria que só interessa à esquerda, desenganem-se: é uma matéria que interessa a todos os portugueses, principalmente na situação em que nos encontramos. Num país com mais de 600 mil desempregados, quem é que está interessado em liberalizar os despedimentos? 
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quarta-feira, julho 15, 2009

Incompatibilidades

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Causas e consequências

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Constança Cunha e Sá, Jornalista
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Fiado na sua imensa autoridade, o dr. Vítor Constâncio decidiu pregar um raspanete à Assembleia da República por esta se ter imiscuído nos meandros da supervisão. Nem o relatório final da comissão de inquérito ao BPN, feito à sua medida, conseguiu acalmar os ânimos do governador do Banco de Portugal.

O PS, através da deputada Sónia Sanfona, fez o que pôde: ignorando olimpicamente meses de trabalho parlamentar, apresentou um texto inócuo e inconclusivo, recheado de citações oficiais e de desculpas de mau pagador. Imune a este tipo de simpatias, o dr. Constâncio apresentou-se imediatamente ao país, disposto a desfazer qualquer dúvida sobre a sua iluminada pessoa. Ele que, num dia feliz, já confessara a sua santa "ingenuidade", achou-se agora no direito de explicar que a sua extraordinária actuação estava muito acima das capacidades de qualquer deputado.

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Como se viu, só ele, na sua infinita sabedoria, se considera em condições de se avaliar a si próprio, longe da chicana parlamentar e dos golpes sujos da oposição. E ele, como se viu também, considera-se muito: não há falha que o atinja, nem offshore que o diminua. Em guerra aberta com a realidade, o dr. Constâncio acabou, no entanto, por mostrar aquilo que já não consegue ser: um governador do Banco de Portugal.

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Durante anos, com suave persistência, o dr. Constâncio transformou o Banco de Portugal numa espécie de porta-voz oficial do ministério das Finanças, com défices ao sabor do cliente e previsões à altura das suas necessidades. A crise económica alargou-lhe os horizontes, juntando à sua reconhecida incompetência política uma inesperada incompetência técnica que, durante meses a fio, se exibiu, com esplendor, na Assembleia da República. Instrumentalizado pela oposição, o porta-voz do ministério das Finanças acabou por se tornar numa figura menor que, neste momento, incomoda já o próprio Governo. Só ele, na sua megalomania, é que ainda não percebeu que é um triste símbolo de um ciclo que terminou.

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A conferência de imprensa que deu, na semana passada, foi a prova de que já ninguém precisava. Enrolado na sua imensa arrogância, o dr. Constâncio pretendeu apresentar-se como um mártir iluminado, sem compreender que o papel de vítima era o único que já não lhe assentava. O exercício saldou-se, como seria de esperar, num espectáculo mais ou menos patético que confirmou apenas a solidão de um homem que se incompatilizou com o cargo que ainda ocupa. Pior seria impossível.

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in Correio da Manhã -
14 Julho 2009 - 09h00
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