A Internacional

__ dementesim . . Do rio que tudo arrasta se diz que é violento Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem. . _____ . Quem luta pelo comunismo Deve saber lutar e não lutar, Dizer a verdade e não dizer a verdade, Prestar serviços e recusar serviços, Ter fé e não ter fé, Expor-se ao perigo e evitá-lo, Ser reconhecido e não ser reconhecido. Quem luta pelo comunismo . . Só tem uma verdade: A de lutar pelo comunismo. . . Bertold Brecht
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terça-feira, agosto 07, 2012

67 anos pós-Hiroshima, ameaça nuclear ainda paira sobre o mundo


6 DE AGOSTO DE 2012 - 12H05 

Página Inicial


Há 67 anos, na manhã do dia 6 de agosto de 1945, o mundo assombrava-se ao conhecer o poder arrasador de um bomba atômica. A cidade de Hiroshima, no Japão, era alvo da primeira agressão nuclear da história. O ataque partiu dos Estados Unidos e matou cerca de 140 mil pessoas. Tanto tempo depois, o responsável por aquele momento de horror não foi punido e a ameaça nuclear ainda paira sobre a humanidade. 


Hiroshima, 6 de agosto de 1945 / Foto: Museu Memorial da Paz/Efe

"O que houve em Hiroshima não pode jamais ser esquecido. Foi um crime contra a humanidade, que deixou uma cidade inteira destruída. As pessoas foram derretidas, outras sentem efeitos da radiação até hoje. E os Estados Unidos nunca foram punidos por esse crime", critica a presidenta do Conselho Mundial da Paz (CMP), Socorro Gomes. 

Ela destaca que os EUA continuam com o controle sobre um arsenal atômico e se recusam a renunciar à possibilidade de lançar outra bomba. O CMP denuncia que os países detentores de armas atômicas as utilizam para chantagear povos e nações. Por outro lado, buscam impedir que outros países desenvolvam a tecnologia nuclear com fins pacíficos, concentrando, assim, o conhecimento e o lucro vindo desta atividade. 

"Eles tentam impedir, de forma hipócrita, que outros países usem esta tecnologia para fins pacíficos, como na medicina ou na produção de energia elétrica. Querem ter lucro com essa indústria nuclear pacífica. É uma tecnologia de ponta, que desejam dominar sozinhos. Por isso usam o discurso da ameaça de bomba atômica em nações onde isso não existe, como no caso do Irã", diz Socorro.

Para o CMP, a eliminação das armas nucleares é uma prioridade. Tanto que, em assembleia geral realizada no mês passado no Nepal, o Conselho decidiu dar novo impulso à campanha pelo desarmamento, uma bandeira antiga mas ainda atual. "Na década de 1950 ainda, o movimento mundial pela paz lançou o 'Apelo de Estocolmo', que dizia que deveria ser proibido o uso e a fabricação de armas nucleares. Usar a bomba seria então considerado crime contra a humanidade. A iniciativa recolheu 600 milhões de assinaturas, o que demonstra a grande vontade no mundo de eliminar tais armas", conta Socorro.

"O único país que já usou uma bomba nuclear foram os Estados Unidos. De lá para cá, a luta dos povos tem ajudado o combate a esse tipo de armamento. Foram criados protocolos, há hoje a agência internacional de energia atômica. Mas a questão não pode ser apenas barrar a proliferação das armas atômicas, é preciso acabar com aquelas que já existem", defende. 

Segundo ela, esse propósito ainda não foi alcançado por causa de uma "política de terror e guerra" utilizada pelas potências mundiais. "Há um sistema de governança que é imperialista, em que as potências buscam impor o seu poder através do medo. Os Estados Unidos não buscam dialogar, mas uma forma de dominar povos e nações. Para isso, utilizam armas cada vez mais sofisticadas, como drones, escudos antimísseis, armas cibernéticas. Não estão pensando em se desarmar", lamenta.

A ativista ainda destaca a solidariedade do movimento pela paz com a dor dos japoneses. "É um sofrimento que inclusive não acabou. Por isso fazemos um chamado a todos os defensores da paz para que continuem lutando contra todas as armas de destruição em massa", concluiu.

História

Hiroshima, 6 de agosto de 1945 / Foto: Museu Memorial da Paz/Efe

Naquela segunda-feira de agosto de 1945, muitas pessoas morreram instantaneamente. Outras seriam afetadas pela radiação, que provocou alterações sanguíneas, perturbou as funções da medula óssea e afetou órgãos internos, como fígado e pulmões, ao longo dos anos. 

Ruas, residências, escolas e hospitais – quase uma cidade inteira – desapareceram do mapa. Antes da bomba, havia cerca de 90 mil construções em Hiroshima; somente 28 mil permaneceram de pé após o ataque. 

Três dias depois, em 9 de agosto de 1945, outra bomba atômica era lançada sobre o Japão, desta vez na cidade de Nagasaki. Outras 80 mil pessoas foram pulverizadas naquele momento. 

As explosões foram ordenadas pelo então presidente norte-americano Harry S. Truman, supostamente para pôr fim à 2ª Guerra Mundial, que estava em curso desde 1939. Ele havia sido alertado das consequências pelos cientistas, mesmo assim decidiu pelo bombardeio. 

O fato é que a guerra no Pacífico já vivia seus momentos derradeiros e, um mês antes dos ataques, o Japão já planejava a rendição. O país estava cercado e destruído. Apesar do discurso construído de que as bombas apressaram o fim do conflito, o preço pago foi considerado alto demais e desnecessário.

"Naquela altura, o Japão já estava praticamente derrotado, a guerra estava decidida. A bomba serviu, na verdade, como uma demonstração de força dos Estados Unidos, para marcar o que seria o pós-guerra. Era uma exibição da hegemonia norte-americana no mundo", ressalta Ricardo Alemão Abreu, secretário de Relações Internacionais do PCdoB.

Alemão reitera as denúncias do CMP. "O que houve desde então foi o controle da tecnologia nuclear por alguns, que tentam evitar que outros países tenham acesso a esse conhecimento. As armas proliferaram entre aqueles países que eram de interesse das potências, como é o caso de Israel. Foi algo como 'podem ter armas nucleares os amigos, não os inimigos'. E estas armas têm sido usadas como instrumento de opressão e para reafirmar o poderio norte-americano", afirma.

Após o desastre, Hiroshima construiu museus e memoriais para honrar as vítimas. O local do epicentro da explosão abriga hoje o Parque Memorial da Paz, idealizado pelo renomado arquiteto japonês Kenzo Tange. O local tornou-se patrimônio mundial da Unesco, em 1996. Nesta segunda-feira, aquela tragédia sem precedentes na história da humanidade está sendo lembrada no Japão, à sombra do acidente nuclear de Fukushima, no ano passado.

As várias manifestações que acontecem no país para lembrar a bomba atômica têm como pano de fundo a crescente contestação à energia nuclear. Cerca de 50 mil pessoas participaram na cerimônia oficial e milhares de outras espalharam-se por numerosos atos, concertos e palestras organizados em Hiroshima. 

As atividades reuniram sobreviventes de Hiroshima, hoje com mais de 70 anos, e habitantes do entorno da central nuclear de Fukushima, que foi evacuada depois do desastre de 11 de março de 2011.

A maioria dos sobrevientes da bomba, conhecidos pelo nome de hibakusha, também opõe-se firmemente a toda e qualquer utilização da energia atômica. “Queremos trabalhar com as pessoas de Fukushima. Juntar as nossas vozes para que o nuclear nunca mais faça vítimas”, disse Toshiyuki Mimaki, aos 70 anos – um sobrevivente do horror.

Da Redação,
Joana Rozowykwiat, com agências.

segunda-feira, agosto 09, 2010

65 anos depois de Hiroshima: a Cimeira da Nato em Lisboa, novos perigos para a paz

Conferência de Imprensa, Ângelo Alves, da Comissão Política do CC e da Secção Internacional do PCP

65 anos depois de Hiroshima: a Cimeira da Nato em Lisboa, novos perigos para a paz

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Há 65 anos o mundo testemunhou um dos mais hediondos crimes contra Humanidade. 6 e 9 de Agosto - os dias em que Hirsohima e Nagasaki foram reduzidas a cinzas após o lançamento, pela primeira vez na História, de duas bombas atómicas - são duas das mais negras páginas da História Mundial que não devem nem podem ser esquecidas. 
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O bombardeamento de Hiroshima e Nagasaki não foi uma obra do acaso, e muito menos uma necessária estratégia militar para garantir a vitória dos Aliados na II Guerra Mundial. O lançamento de duas bombas atómicas sobre populações civis foi uma premeditada e criminosa decisão do imperialismo norte-americano visando a demente afirmação da sua supremacia militar e tecnológica e a sinalização da sua política de crescente confrontação com a então União Soviética e de início da chamada “guerra fria”.
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O acto de relembrar o crime de terrorismo de Estado cometido pelos EUA contra as populações mártir de Hiroshima e Nagasaki não é, para o PCP, um simples tributo às vítimas do horror nuclear. Para o PCP, relembrar Hiroshima e Nagasaki é acima de tudo manter viva a memória do holocausto nuclear - para que dele se retirem todas as lições - e reafirmar a importância crucial da luta contra o militarismo, o imperialismo e a guerra, pela paz, o desarmamento, a resolução pacífica dos conflitos e a cooperação entre os povos.
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Hiroshima e Nagasaki foram uma trágica demonstração de quão longe pode ir o imperialismo na utilização do militarismo e da guerra como parte da sua estratégia de dominação económica e geoestratégica. 
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Hoje, passados 65 anos, num quadro internacional marcado pelo aprofundamento da crise estrutural do capitalismo, pelo brutal aprofundamento da exploração dos trabalhadores e dos povos, por sérias derivas anti-democráticas, pela ingerência externa e ataques à soberania dos povos, por crescentes rivalidades inter-imperialistas e por complexos processos de rearrumação de forças no plano internacional, a realidade demonstra que infelizmente o militarismo, a guerra e a agressão, continuam a ser instrumentos centrais da estratégia imperialista.
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A ofensiva militarista protagonizada pelas principais potências mundiais e pela NATO assume hoje um carácter global e multifacetado. Desmentindo a propaganda e as palavras fáceis da “mudança”, do “diálogo”, da “contenção” e da “diplomacia” que marcaram a eleição de Barack Obama e a atribuição ao Presidente norte-americano do prémio Nobel da Paz, a actualidade internacional é marcada pela intensificação das guerras imperialistas, nomeadamente no Iraque e no Afeganistão; pelo escandaloso aumento das despesas militares - segundo os últimos dados disponíveis a despesa militar aumentou em plena crise económica internacional 6% entre 2008 e 2009 e 49% entre 2000 e 2009, atingindo o valor recorde de 1,5 Biliões de Dólares –, pela consolidação e aprofundamento de blocos-político militares agressivos como a NATO, pela militarização acelerada de blocos como a União Europeia e por uma perigosa teia de acções estratégico-militares visando vários países e povos. 
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O PCP acompanha com extrema preocupação os diversos focos de tensão que caracterizam a actual situação internacional e que são indissociáveis da política de ingerência e militarismo dos EUA e da NATO: No extremo oriente com as recentes manobras militares sul coreanas e dos EUA nos mares Amarelo e do Japão e com as reiteradas afrontas à China, como com a venda de armamento a Taiwan; na América Latina com as recentes provocações à Venezuela, a reactivação da IV Esquadra dos EUA, a instalação de inúmeras bases militares norte-americanas na Colômbia e outros países da região e com as ocupações militares de facto do Haiti e da Costa Rica e o golpe de Estado nas Honduras; e, muito especialmente, no Médio Oriente, com as recentes provocações israelitas na linha azul entre o Líbano e Israel (que provocaram a morte a vários soldados libaneses e a um jornalista membro do Partido Comunista Libanês a quem o PCP presta sentida homenagem), com a actuação impune de Israel prosseguindo a sua política de terrorismo de Estado contra o povo palestiniano e contra aqueles que com eles se solidarizam, ou ainda com a extremamente perigosa escalada contra o Irão a pretexto do alegado perigo nuclear, ignorando-se recentes e importantes passos da diplomacia como o acordo de troca de combustível nuclear entre Irão, Turquia e Brasil. 
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As acções e crimes dos EUA e NATO em toda a zona do Médio Oriente e Ásia Central, alguns das quais recentemente confirmados com a divulgação de documentos militares norte-americanos, configuram um perigosíssimo quadro numa das mais tensas regiões do Mundo, e desmascaram por completo as campanhas de reabilitação da imagem do imperialismo norte-americano e da NATO dos últimos dois anos. Não é com a profusão de matanças de civis e outros crimes de guerra, com o continuado apoio e fornecimento militar a vários países da região, Israel incluído, com a manutenção da ocupação do Iraque e a utilização de armas proibidas nesta guerra de agressão, com a intensificação da guerra no Afeganistão, com as crescentes ameaças ao Irão e agora ao Paquistão, com o descarado apoio à política de terrorismo de Estado e de provocação internacional de Israel, com o silêncio cúmplice face ao mais que provado arsenal nuclear israelita, que se pode contribuir para a paz na região.
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Se os EUA e NATO estivessem de facto interessados numa real política de desarmamento não usariam o artifício da instrumentalização do Tratado de Não Proliferação – cuja conferência de revisão se saldou por muita propaganda dos EUA mas por decisões muito limitadas – para servir a sua estratégia de pressões e ingerências contra países da região como o Irão e a Síria. Se EUA e NATO estivessem de facto interessados no desarmamento nuclear não insistiriam - como está previsto no que se conhece dos elementos centrais do novo conceito estratégico da NATO a ser aprovado na cimeira de Lisboa em Novembro - na manutenção de um poderosíssimo arsenal nuclear (num total combinado de mais de 10.000 ogivas nucleares) passível de ser utilizado em ataques militares, não insistiriam no estacionamento de armas nucleares norte-americanas em diversos países da Europa - numa acção que contraria frontalmente um dos três pilares do TNP – e não avançariam para decisões, como a recentemente tomada pelo Reino Unido, de vender tecnologia nuclear à Índia, País não signatário do Tratado de Não Proliferação. 
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Se por parte dos EUA e da NATO houvesse um real desígnio de desarmamento nuclear teriam então de começar por reduzir significativamente o seu próprio poderio nuclear, teriam que pôr fim às ocupações e às guerras de agressão numa das zonas mais instáveis do Mundo, teriam de garantir ao povo palestiniano o direito à sua pátria livre e independente e teriam que pressionar Israel a declarar e eliminar o seu arsenal nuclear, condição primeira e essencial para uma desejada, e há muito defendida pelas forças progressistas de todo o Mundo, Zona Livre de Armas Nucleares no Médio Oriente. 
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Mas tal não está a acontecer. E não acontece porque a questão nuclear, como o provou Hiroshima e Nagasaki não é separável da situação internacional e das opções de fundo do imperialismo. Não acontece porque, num período de intensa crise e de perda de peso relativo das principais potências capitalistas mundiais, o militarismo continua a afirmar-se como a outra face da globalização económica capitalista e a NATO confirma-se como a polícia de choque das principais potências capitalistas mundiais. Não acontece porque os EUA e a NATO instrumentalizam o direito internacional e usam as instituições internacionais como a ONU e o seu Conselho de Segurança, não para consertar posições, alcançar consensos e contribuir para o desanuviamento internacional, mas para impor os seus interesses e estratégia.
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É num quadro extremamente complexo e perigoso para os povos do Mundo e para a Humanidade que se realizará em Portugal a Cimeira da NATO. Prevista para Novembro deste ano, ela terá três objectivos essenciais: Amarrar os seus membros ao atoleiro militar em que se transformou a guerra do Afeganistão e à decisão de incrementar ainda mais os gastos militares com esta e outras guerras; Aprovar um novo conceito estratégico abertamente agressivo, de intervenção global da NATO sob qualquer pretexto, conferindo-lhe um leque de missões e objectivos que apontam para a sua sobreposição em relação à própria ONU, elevando-se assim este bloco Político-Militar a um novo patamar como instrumento de ingerência e de agressão a nível mundial; e por último envolver os membros da NATO no projecto de instalação de sistemas antimíssil na Europa, decisão que a ser concretizada representaria o fim do equilíbrio estratégico nuclear ainda existente entre as duas principais potências nucleares mundiais.
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E é neste quadro e tendo em conta o perigo que os objectivos da cimeira da NATO representam para os povos do Mundo que o PCP está fortemente empenhado em desenvolver, por ocasião desta cimeira em Portugal, um forte movimento popular de luta pela paz e contra a política militarista e agressiva da NATO. Política que infelizmente, e numa acção contrária ao sinal da Constituição da República Portuguesa, o Governo português apoia, como o demonstra aliás a decisão de receber mais uma cimeira da guerra no nosso País.
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65 anos depois de Hiroshima e Nagasaki, O PCP apela a todos os amantes da paz, aos trabalhadores, aos democratas, à juventude e ao povo português em geral que se mobilizem em torno da Campanha “Paz Sim, Nato Não” que congrega mais de 100 organizações e que face ao conclave do militarismo e da guerra em Portugal elevem bem a voz em defesa da paz, do desarmamento, da cooperação e da amizade entre os povos. Será a luta dos povos que melhor garantirá o sucesso da conhecida frase “para que nunca mais aconteça”.
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sexta-feira, agosto 06, 2010

Socorro Gomes: "65 anos nos separam de uma marcante tragédia"

Mundo

Vermelho - 5 de Agosto de 2010 - 8h03


A presidente do Conselho Mundial da Paz, Socorro Gomes, encontra-se no Japão, onde participa da Conferência Mundial contra as Armas Nucleares, na cidade de Hiroxima, e dos atos oficiais organizados por ocasião do 65º aniversário da explosão da bomba atômica, que transcorre em 6 de agosto. Nesta quinta (5), Socorro discursou em Hiroxima.

Leia abaixo a íntegra do discurso, na ocasião do transcurso dos 65 anos dos bombardeios nucleares pelos Estados Unidos da América (EUA) contra o povo japonês:

"Hoje, quando 65 anos nos separam de uma marcante e inesquecível tragédia para a humanidade, algumas simbólicas reminiscências brilham em nossa memória sob os céus da cidade de Hiroxima. Acompanha-nos, em sonora e solene circunstância, uma composição musical do ex-embaixador e poeta brasileiro Vinícius de Moraes, já falecido, ao lado de outro patrício, Gerson Conrad, sob o título “Rosa de Hiroxima”:


Pensem nas crianças
Mudas telepáticas
Pensem nas meninas
Cegas inexatas
Pensem nas mulheres
Rotas alteradas
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas
Mas, oh, não se esqueçam
Da rosa da rosa
Da rosa de Hiroxima
A rosa hereditária
A rosa radioativa
Estúpida e inválida
A rosa com cirrose
A anti-rosa atômica
Sem cor sem perfume
Sem rosa sem nada

O dramático apelo, que ganha substância nos versos do poeta tornou-se emblemático em inúmeros países. E também ofereceu sua singela contribuição, entre as muitas manifestações do espírito humano ofendido pelo genocídio atômico, para que se criasse uma consciência universal em oposição ao uso destrutivo da energia nuclear e ao seu monopólio pelas potências armadas, hegemonizadas pelos Estados Unidos da América.

E foi essa crescente consciência universal que conduziu a luta dos povos, ao longo de décadas, pela paz mundial, em oposição às guerras imperialistas promovidas em todos os continentes e movidas, sobretudo pelos interesses econômicos hegemonistas dos EUA. Isso foi marcante na segunda metade do século passado e cresceu, numa frequência amiúde, na primeira década do atual século 21, sobretudo com as invasões de países como o Afeganistão e o Iraque.

Em todos esses momentos, a chantagem nuclear teve seus desdobramentos, desde os ataques massivos genocidas sobre Hiroxima e Nagasaki. Em resposta a essa arrogância, também cresceu no mundo o clamor pelo desarmamento nuclear. O Conselho Mundial da Paz e todas as organizações que o integram estão engajados neste clamor e nesta luta.

Temos a convicção de que é possível dar passos concretos no sentido do desarmamento. O CMP tem atuado nesse sentido, tendo organizado importantes atividades e participado de outras, organizadas por diferentes movimentos, e de eventos oficiais no quadro das Nações Unidas.

Nosso propósito, ao promover e participar dessas atividades, consiste em ampliar a discussão sobre o assunto com a sociedade e conquistá-la para as atuais e futuras batalhas.

Vive em nossa memória o Apelo de Estocolmo, lançado pelo Conselho Mundial da Paz há 60 anos, quando ocorreu uma expressiva mobilização do movimento pacifista e alcançou-se 600 milhões de assinaturas. Hoje, consideramos que não é factível a não-proliferação sem desarmamento, visto que já existem os instrumentos para a não-proliferação sem que se tenham afirmado as medidas para o desarmamento.

Os EUA, com a pretensão hegemonista que consiste em estabelecer draconianas regras apenas para os demais países do planeta, se afirmam como o maior entrave ao desarmamento. Ao tempo que vedam a outros países os avanços tecnológicos, elevam seu orçamento militar para manter e modernizar suas armas nucleares.

A humanidade terá sempre as tragédias de Hiroxima e Nagasaki como espadas cravadas em seu espírito e na espinha dorsal do processo civilizatório, nos únicos ataques onde se utilizou armas nucleares. Prevalece a consciência de que, naquele momento, os povos foram abalados pela eclosão sem paralelos da destruição em massa. Historicamente, não se apresentou, até a atualidade, nenhum episódio que, de longe, fosse comparável a tanto terror. As estimativas do total de pessoas executadas em massa ultrapassam em muito as avaliações de 140 mil em Hiroxima e 80 mil em Nagasaki — em sua maioria, civis. São consideravelmente mais elevadas, essas estimativas, quando se contabiliza as mortes e mutilações congênitas posteriores, devidas à exposição à radiação.

Entretanto, ao longo das décadas que nos separam das tragédias assinaladas de Hiroxima e Nagasaki, os EUA demonstraram — do Vietnã ao Iraque e Afeganistão, entre as inúmeras guerras que engendrou de modo mais ou menos ostensivo e devastador — que não houve nação mais agressiva e desumana ao longo do processo do desenvolvimento histórico. Suas vítimas no mundo inteiro se contam aos milhões. Cresce também sua capacidade em criminalizar as nações vitimadas, desde as versões fantasiosas e caluniosas sobre “ameaças” que se inspiram no seu próprio terrorismo de Estado, a exemplo do que ocorre hoje em relação ao Irã.

Considerando a necessidade de desenvolvimento da tecnologia nuclear para fins pacíficos, da não proliferação das armas nucleares e do desarmamento, compartilhamos a opinião que os países não devem assinar o Protocolo Adicional ao TNP.

Os países não podem se submeter às pressões, ameaças ou chantagens que acenam com a possibilidade de uso da arma atômica contra quem não for signatário do tratado de não-proliferação em função de sua cláusula adicional. E devem se pronunciar criticamente quanto ao anúncio das novas orientações dos EUA sobre sua política nuclear. No TNP, o desarmamento é declaratório e, no caso da não-proliferação é mandatório, realçando desequilíbrio quanto aos interesses do conjunto dos 172 Estados-Parte.

O ambiente em que vivemos hoje esclarece nitidamente que as potências nucleares não se voltam para a proteção da humanidade, mas para a defesa dos seus interesses próprios quando anunciam — no caso dos Estados Unidos e Rússia — um acordo de redução dos arsenais nucleares. E são crescentes as evidências de que os tratados acerca das armas nucleares alcançam tão somente um desequilíbrio destinado a preservar a posição dos possuidores de poderosos arsenais, à frente os EUA, capazes de destruir a humanidade, tornando a vida mais vulnerável e o mundo mais perigoso e inseguro.

E isso apenas coonesta a tendência destrutiva predominante na história dos grandes impérios, indisfarçavelmente mais ameaçadores em defesa de sua hegemonia, em especial nos momentos de maiores dificuldades e crises, tornando-se mais ofensivos e beligerantes.

A manutenção dos grandiosos arsenais nucleares representa igualmente imensas despesas voltadas para a miniaturização, a alta precisão e a produção de cargas variáveis dessas armas para que sejam operacionais em guerras localizadas — único tipo de guerra imaginável desde a perversa destruição de Hiroxima e Nagasaki.

Os países — a esmagadora maioria dos Estados-Parte da ONU — prejudicados pela ação excludente do hegemonismo imperialista, devem buscar a ampliação do espaço da energia nuclear para fins pacíficos nas mesas de negociações, devidamente informados de que esta posição contraria os países armados, que se recusam a partilhar decisões quando o assunto é segurança.

Pois, sabemos que, nos bastidores dessas negociações, predominam formidáveis e fortíssimos interesses econômicos que se ocultam sob o tema da não-proliferação de armas nucleares para barrar o evento de novos pretendentes ao protagonismo no cenário econômico internacional.

A 8ª Conferência de Revisão do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares – TNP revelou que há muitas resistências à agenda das potências armadas contra a humanidade, mas os estados nucleares membros da Otan (EUA, Reino Unido, França), com o apoio ocasional da Rússia, reafirmaram, de modo arrogante, que a dissuasão nuclear persiste como especial estratégia de defesa das grandes potências.

Não obstante a reafirmação da política hegemonista na 8ª Conferência de Revisão do TNP, destacamos quatro aspectos sensíveis da resistência mundial entre as suas decisões, que, ainda acanhadas, exigem maior atenção:

  1. O debate do desarmamento nuclear persistirá, nos termos da correlação já desenhada, na Comissão de Desarmamento da ONU.
  2. A elaboração, ainda em perspectiva, de um instrumento juridicamente vinculante de garantias do não-uso ou ameaça de uso de armas nucleares contra os países desprovidos dessas armas.
  3. Uma resolução que convoca a realização de uma conferência, postergada para 2012, destinada a debater a implementação de uma Zona Livre de Armas Nucleares no Oriente Médio.
  4. Uma ainda tímida e insuficiente demanda para que Israel — o maior obstáculo à construção da paz na região, que chegou a vender armas nucleares ao regime do apartheid da África do Sul — se incorpore ao TNP e coloque seus arsenais sob vigilância da AIEA.
Neste concerto da resistência mundial, consideramos, enfim, que deve persistir a luta pelo direito inalienável de cada Estado-Parte de desenvolver tecnologia nuclear para fins pacíficos e em defesa da completa eliminação dos arsenais nucleares.

Companheiras e companheiros, senhoras e senhores, vivemos em um mundo mergulhado em profundas crises econômicas e sociais, que geram grandes conflitos. As contradições interimperialistas e de classes podem redundar em maiores tensões e conflitos armados. O imperialismo norte-americano e seus aliados da Otan preparam desenfreadamente planos de intervenções e guerras nas diversas regiões do mundo que podem ter efeitos trágicos para as soberanias nacionais e aos direitos dos povos e ameaçar a própria sobrevivência da humanidade.

A aprovação de novas sanções ao Irã no Conselho de Segurança da ONU, e a imposição de sanções unilaterais adicionais pelos EUA e pela União Européia, visam à manutenção do atual sistema de poder mundial, caracterizado pela hegemonia dos EUA,

As estratégias militar e de segurança nacional dos EUA mantêm seu caráter agressivo e contrariam a retórica de cooperação e multilateralismo. Essas estratégias consistem em planos para impor principalmente pela força e se necessário pela guerra os interesses hegemônicos dos EUA. Segundo essas novas estratégias, os EUA, alegando a prioridade para a prevenção da proliferação nuclear, autorizam a si mesmos, em nome dos seus “interesses vitais” ou de seus aliados, como Israel, a realizar um ataque com armas nucleares, em condições “extremas”, contra qualquer país. Na verdade, é a continuidade da política de “guerra preventiva” e de “guerra infinita” de George Bush. Em outras palavras, manter o poder dos EUA pela força militar, custe o que custar à humanidade.

Os EUA investirão em 2011, 780 bilhões de dólares em suas forças armadas, orçamento recorde desde o final da Segunda Guerra que supera em 49% o orçamento de 2000, e que é maior que os gastos militares somados de todos os demais países do mundo. Os EUA insistem em manter bases militares por todo o globo terrestre, em todos os mares e oceanos. Ultimamente têm intensificado a instalação de tais bases na América Latina, na África, no Oceano Índico e na Ásia Central.

Os EUA e a Otan se capacitam para o que chamam de “Ataque Global Imediato Convencional”. Com a nova estratégia da Otan, que passará a atuar em todos os continentes e mares, até as Ilhas Malvinas e outros territórios próximos da América do Sul, são reais ou potenciais bases militares da aliança agressiva. As forças especiais dos EUA, especializadas em ações clandestinas de guerra, em missões de inteligência, subversão e “desestabilização”, já operam em 75 países, sendo que há um ano estavam em 60 países. “O mundo é o campo de batalha”, disse um alto oficial das forças especiais estadunidenses.

A preparação da agressão ao Irã se intensifica. Para o imperialismo é preciso conter o Irã, reforçar o poderio de Israel a fim de não comprometer o seu controle na região do Oriente Médio e da Ásia Central. EUA e Israel se preparam para uma possível intervenção militar, deslocando forças navais através do Canal de Suez rumo ao Golfo Pérsico, próximo às costas marítimas iranianas. Negociam com a Arábia Saudita o uso do espaço aéreo em eventuais bombardeios.

O roteiro dos EUA é similar ao da guerra contra o Iraque, com pressões diplomáticas, medidas cerceadoras na ONU, campanha midiática com base em falsidades, a alegação de eventual descumprimento das sanções, e o acionar do plano de intervenção militar, direta ou através de Israel. Muitas lideranças políticas, intelectuais e especialistas no tema militar, inclusive nos EUA, levantam a possibilidade da guerra contra o Irã ser “a guerra de Obama”, assim como a guerra do Afeganistão e do Iraque foram as guerras de Bush, que Obama continua.

Na Ásia Central e no Oriente Médio, região estratégica para o domínio imperialista global, os EUA e seus aliados da Otan aumentam seus efetivos militares no Afeganistão, prolongam a guerra e prorrogam a ocupação militar no Iraque e adotam medidas para instalar bases militares na Ásia Central.

Os EUA e Israel ameaçam a Síria e as forças patrióticas no Líbano, sustentam a ocupação na Palestina e o bloqueio criminoso contra a Faixa de Gaza, que a flotilha humanitária, covardemente atacada pelos militares israelenses, tão bem denunciou.

No leste da Ásia os EUA realizaram recentemente, em conjunto com a Coreia do Sul, manobras militares de grande porte na Península Coreana. Em seguida acusaram o governo norte-coreano de afundar um navio de guerra sul-coreano, quando surgem fortes suspeitas de que as próprias forças militares e de inteligência ianques teriam colocado uma mina na embarcação para criar artificialmente uma tensão com a República Popular Democrática da Coreia e tentar isolá-la internacionalmente. Há duas semanas, acentuaram-se os traços agressivos da ação estadunidense na região, com a realização de novas manobras militares na Península e a adoção de novas sanções contra a Coreia do Norte.

Além desses objetivos, os EUA, depois de fortes pressões, conseguiu a manutenção das bases militares em território japonês, em especial a base de Okinawa.

Um pacto entre os governos da Índia e dos Estados Unidos para, nas palavras deles, "conter o terrorismo" foi assinado em 23 de julho em Nova Delhi.

Segundo o pacto, os serviços de segurança e inteligência dos dois países serão compartilhados, em áreas como a segurança marítima, grandes eventos e na "luta conjunta em bases globais contra um inimigo comum, o terrorismo". Esta é mais uma demonstração do intervencionismo norte-americano e da preparação de medidas antidemocráticas em nome da “luta contra o terrorismo”.

Na América Latina recrudescem as pressões contra a Revolução Cubana, a Revolução Bolivariana da Venezuela e os processos democráticos, populares e antiimperialistas em toda a região. Após a reativação da 4ª Frota, os EUA instalam novas bases militares, como em Honduras, onde ajudaram a promover um golpe de estado. A pretexto de ajuda humanitária ao Haiti, após o terremoto no início deste ano, forças militares estadunidenses com mais de 15 mil soldados desembarcaram no país.

Nos últimos dias mais de sete mil soldados, 46 navios de guerra, porta-aviões, submarinos e helicópteros dos EUA instalaram-se em bases na Costa Rica, supostamente para combater o narcotráfico. O governo colombiano que fez um pacto militar com os Estados Unidos e mantêm em seu território sete bases militares em convênio com Washington, segue a linha traçada pelos EUA de tornar o país uma Israel da América Latina e do Caribe.

A resistência dos povos e países oprimidos está impondo derrotas ao imperialismo, no Oriente Médio, na Ásia Central e em outros cantos da Terra. Na América Latina, continuam a florescer as forças populares, democráticas e antiimperialistas.

As recentes provocações do governo colombiano contra a Venezuela obedecem a um plano ardiloso e sinistro de Washington. Os Estados Unidos têm interesse na guerra e buscam criar as condições para uma conflagração na região.

O mundo, e em especial a América Latina, vivem um momento de transição e mudança. Na América Latina foram eleitos vários governos progressistas que, embora em graus diferenciados, contestam a hegemonia norte-americana e buscam abrir caminho para um desenvolvimento soberano e a integração política e econômica da região.

Com a economia em frangalhos e num processo histórico de decadência, os EUA recorrem ao poder militar, terreno em que sua superioridade é incontestável, como último recurso para manter o domínio sobre o mundo. A guerra é, hoje, o principal instrumento do imperialismo. Isto explica um orçamento militar que corresponde à metade dos gastos bélicos do resto do mundo e foi ampliado apesar da crise (agravando os desequilíbrios financeiros e o déficit do governo imperial), bem como a crescente agressividade contra os povos.

Não devemos subestimar o que está ocorrendo na América Latina e no mundo. São graves as ameaças à paz.

Ao mesmo tempo, há razões para o otimismo histórico. Em todas as partes,os povos se movimentam e lutam, opõem-se às tendências de atirar sobre os ombros dos trabalhadores os efeitos da crise, resistem aos golpes e ameaças de guerra, rechaçam as políticas intervencionistas do imperialismo e em muitos casos, avançam na obtenção de conquistas democráticas e patrióticas. Espraia-se a convicção de que é necessário lutar por um novo ordenamento político e econômico mundial. Cada vez mais, o espírito da época é o da luta antiimperialista, da união de amplas forças da democracia, do progresso, da independência nacional e da paz.

A fraternal presença do CMP no Japão, no transcurso do 65º aniversário dos bombardeios nucleares é uma manifestação de solidariedade com o povo japonês e da unidade do movimento pela paz no mundo. É uma ocasião propícia à reflexão e à organização da luta antiimperialista e pela paz. Renovamos a esperança de que conquistaremos, no presente, o futuro da paz, harmonia e prosperidade social no Japão e em todo o mundo.

A paz mundial, a soberania nacional e o progresso social nunca foram tão necessários à humanidade.

Muito obrigada,
Socorro Gomes,
Presidente do Conselho Mundial da Paz
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Hiroshima e Nagasaki relembram 65 anos de ataque dos EUA

Mundo

Vermelho - 5 de Agosto de 2010 - 8h04

Em 2010 se comemora o 65º aniversário da vitória sobre o nazi-fascismo, um feito de luta e de resistência aos povos que pôs um fim a um período de terror que marcou a história recente da humanidade. Esse aniversário também está associado, mas não por boas razões, ao primeiro bombardeio atômico de duas cidades. As japonesas Hiroshima e Nagasaki foram as primeiras vítimas da nova arma.

Por Humberto Alencar

Na manhã de 6 de agosto de 1945, Hiroshima foi a primeira cidade do mundo arrasada por um ataque nuclear: 140 mil pessoas foram mortas instantaneamente e dezenas de milhares morreram ao longo dos anos em consequência da ação letal da radiação deixada pela explosão.

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Três dia depois seria a vez de Nagasaki presenciar o desfecho de um dos crimes mais hediondos cometidos contra a Humanidade. Mais de 80 mil pessoas foram desintegradas pela explosão atômica de imediato. Os Estados Unidos haviam arrasado completamente duas cidades japonesas sem importância estratégica militar que justificasse um ataque.

A guerra no Pacífico já se encontrava em seus momentos finais. Em julho daquele ano o governo japonês já estudava as condições para a rendição, já que o país se encontrava praticamente cercado, desabastecido e destruído por sucessivos ataques aliados.

O Projeto Manhattan, que planejou e concretizou a nova arma, tinha sido concebido originariamente como um contra-ataque ao programa da bomba atômica da Alemanha nazista. Com a derrota da Alemanha, vários cientistas que trabalhavam no projeto consideraram que os EUA não deveriam ser os primeiros a usar tais armas. Um dos críticos proeminentes dos bombardeios foi Albert Einstein.

Com extrema hipocrisia, o imperialismo justifica o seu crime afirmando que poupou vidas que seriam perdidas com uma eventual invasão do Japão. O processo de revisão da História, em curso atualmente, investe na diminuição do significado e do impacto desse ato terrorista, omitindo o nome dos seus autores e diluindo os motivos reais que levaram à execução do crime.

A verdade de Hiroshima e Nagasaki tem a sua raiz na manifestação demente de poderio militar dos Estados Unidos diante do mundo, em particular diante da União Soviética, potência aliada vencedora da Segunda Guerra Mundial, procurando desta forma submeter o mundo e os povos, através da chantagem nuclear, às suas pretensões hegemônicas.

Antes de deflagrar o ataque, vários cientistas defendiam que o poder destrutivo da bomba poderia ser demonstrado sem causar mortes. Esses cientistas não foram ouvidos. A situação militar e estratégica do Japão era tão frágil que até mesmo setores do exército americano reconheciam, em um estudo, que a explosão das duas bombas foi desnecessária.

O United States Strategic Bombing Survey escreveu, após ter entrevistado centenas de japoneses civis e líderes militares, depois da rendição do Japão: "Baseado numa investigação detalhada de todos os fatos e apoiados pelo testemunho dos sobreviventes líderes japoneses envolvidos, é a opinião da Survey que, certamente antes de 31 de dezembro de 1945, e, em todas as probabilidades, antes de 1.º de novembro de 1945, o Japão ter-se-ia rendido mesmo se as bombas atômicas não tivessem sido lançadas, mesmo se a Rússia não tivesse entrado na guerra e mesmo se a invasão não tivesse sido planejada."

O bombardeio

Na madrugada de 6 de Agosto de 1945 o bombardeiro B-29, pilotado pelo coronel Paul Tibbets, decolou da base aérea de Tinian no Pacífico Ocidental, a aproximadamente 6 horas de voo do Japão. A aeronave chamava-se Enola Gay, nome da mãe do piloto.

A meteorologia determinou a escolha do dia 6. No momento da decolagem, o tempo estava bom. O capitão da Marinha William Parsons armou a bomba durante o voo, desarmada durante a decolagem para minimizar os riscos. O ataque foi executado de acordo com o planejado e a bomba de gravidade, uma arma de fissão de tipo balístico com 60 kg de urânio-235, comportou-se como esperado.

Inicialmente, o alvo seria Quioto, ex-capital e centro religioso do Japão, mas o secretário da Guerra, Henry Stimson, trocou-o por Hiroshima, por ser uma cidade situada entre montanhas, detalhe que amplificaria os efeitos da explosão.

O avião aproximou-se da costa a mais de 8 mil metros de altitude. Cerca das 8h, o operador de radar em Hiroshima concluiu que o número de aviões que se aproximavam era muito pequeno não mais do que três, provavelmente - e o alerta de ataque aéreo foi levantado.

Os três aviões eram o Enola Gay, o The Great Artist (em português, "O Grande Artista") e um terceiro avião que no momento não tinha batismo mas que mais tarde seria chamado de Necessary Evil ("Mal Necessário"). O primeiro transportava a bomba, o segundo tinha como missão gravar e vigiar toda a missão, e o terceiro foi o avião encarregado de fotografar e filmar a explosão.

Às 8h15, o Enola Gay largou a bomba nuclear sobre o centro de Hiroshima. Ela explodiu a cerca de 600 metros do solo, com uma explosão de potência equivalente a 13 mil toneladas de TNT, matando instantêneamente um número estimado de 70.000 a 80.000 pessoas e destruindo mais de 90% das construções da cidade.

Nagasaki foi atingida no dia 9 de agosto, às 11h02 da manhã. Inicialmente o plano era de jogar a bomba sobre Kokura, em Fukuoka. Mas o tempo nublado impediu que o piloto visualizasse a cidade, escolhendo a segunda opção. Os americanos não consideravam Nagasaki "um alvo ideal" porque a cidade é rodeada por montanhas, o que diminuiria a devastação de gente e de edifícios.

A bomba, chamada Fat Boy, era de plutônio 239, com potência equivalente a 22 mil toneladas de TNT, ou seja, 1,5 vez mais potente que a bomba jogada sobre Hiroshima.

As forças de ocupação dos EUA censuraram as fotos das cidades bombardeadas. Elas foram classificadas como secretas por muitos anos. O governo dos Estados Unidos queria impedir que as imagens do horror fossem vistas pelo mundo.

Símbolo da luta pela paz

O viajante que chega à moderna e povoada cidade de Hiroshima fica maravilhado com os grandes e suntuosos edifícios, hotéis e bem delineadas avenidas por onde passam milhares de veículos.

No entanto, no meio deste turbilhão deslumbrante, o visitante não pode esquecer que se encontra na primeira cidade praticamente volatizada pelo afã dos Estados Unidos de dominar o mundo.

Este impacto é recebido quando se visita e percorre o Parque da Paz, o Museu das Vítimas e a chama eterna adiante do cenotáfio negro que inscreve os nomes das vítimas do genocídio da Casa Branca para chantagear o mundo dia 6 de de agosto de 1945.

A presidente do Conselho Mundial da Paz, Socorro Gomes, que está no Japão participando dos eventos em memória da tragédia, descreve por e-mail enviado à redação do Vermelho a sensação que teve ao visitar o Museu das Vítimas e o Parque da Paz: "O que os EUA fizeram não tem perdão. As pessoas derretiam literalmente. Não é aceitável o imperialismo continuar cometendo crimes contra a humanidade, como fez em Hiroshima e Nagasaki há 65 anos e recentemente em Faluja, no Iraque".

"O uso das armas de destruição em massa, além das mortes instantâneas, faz com que até a terceira geração as pessoas nasçam com mutações genéticas, sem olhos, sem órgãos, outros com cancer generalizado", relatou.

"É incrível que os EUA continuam impunes e falando em combate ao terrorismo! Os maiores terroristas da humanidade são eles! Eu fiquei estarrecida, só de ver as fotos. É inesquecível!" protestou Socorro.
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quarta-feira, agosto 12, 2009

Os criminosos nazistas mais procurados

12.08.2009
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Alemanha | 11.08.2009

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O Centro Simon Wiesenthal, uma organização internacional de direitos humanos, mantém uma lista dos criminosos nazistas mais procurados e publica relatórios anuais sobre o avanço das investigações.

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Ivan (John) Demjanjuk: Nascido na Ucrânia, é acusado de trabalhar como guarda no campo de concentração de Sobibor, na Polônia ocupada, tendo participado do assassinato de pelo menos 29 mil judeus. Depois de ser extraditado pelos Estados Unidos, Demjanjuk, aos 89 anos, está sendo julgado em Munique.

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Sandor Kepiro (Hungria): O oficial de polícia húngaro é suspeito de ter participado da execução de cerca de 1.200 civis na cidade sérvia de Novi Sad. Após décadas vivendo na Argentina, retornou em 1996 à Hungria, onde corre um processo contra ele.

Sandor Kepiro

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Bildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift: Sandor Kepiro

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Milivoj Asner (Áustria): O antigo chefe de polícia na Croácia participou ativamente da perseguição e deportação de centenas de sérvios, judeus, sintos e roma. Ele vive na Áustria, mas é considerado mentalmente inapto a responder a um processo.

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Soeren Kam (Alemanha): Antigo membro da SS, o dinamarquês foi incriminado pela morte de um jornalista e pelo roubo da lista de endereços da comunidade judaica na Dinamarca, possibilitando assim sua deportação para campos de concentração alemães. Em 1956, tornou-se cidadão alemão. Um tribunal da Baviera negou em 2007 o pedido dinamarquês de extradição por falta de provas.

Milivoj Asner

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Bildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift: Milivoj Asner

Klaas Carl Faber (Alemanha): Foi condenado à morte na Holanda em 1944 pela execução de prisioneiros no campo de trânsito de Westerbork e na prisão de Gronigen. A sentença, entretanto, foi convertida em prisão perpétua em 1948. Em 1952, fugiu da prisão e passou a viver na Alemanha.

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Heinrich Boere (Alemanha): Membro do comando Silbertanne (pinheiro de prata) da SS, foi condenado à morte à revelia em 1949 por um tribunal holandês, acusado do assassinato de três civis holandeses. Boere fugiu para a Alemanha, onde viveu por décadas. Em abril de 2008, foi indiciado em Dortmund, mas um tribunal o dispensou do processo por motivos de saúde.

Heinrich Boere Bildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift: Heinrich Boere

Karoly (Charles) Zentai (Austrália): O ex-soldado húngaro participou da perseguição e do assassinato de judeus em Budapeste em 1944. A Hungria solicitou em 2005 sua extradição ao governo da Austrália, para onde emigrou com a família após a guerra.

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Bildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift: Charles Zentai

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Michail Gorschkov (Estônia): De acordo com o Centro Wiesenthal, o ex-intérprete da Gestapo teve participação na morte de judeus em Belarus. Em 2002, retornou dos EUA à Estônia, seu país de origem, onde caiu na mira da Justiça.

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Algimantas Dailide (Alemanha): Prendeu judeus que, mais tarde, foram assassinados por nazistas e seus colaboradores na Lituânia. Extraditado pelos Estados Unidos para a Alemanha e condenado na Lituânia, foi dispensado do cumprimento da pena por motivos de saúde.

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Harry Mannil (Venezuela): Aprisionou judeus e comunistas que foram executados por nazistas e seus colaboradores na Estônia. Por falta de provas, foi inocentado em julgamento na Estônia. Vive hoje na Venezuela.

Aribert Heim

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Bildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift: Aribert Heim

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Além desses, o Centro Simon Wiesenthal procura outros dois criminosos de guerra listados em uma categoria especial:

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Aribert Heim: Segundo registros de imprensa, o chamado "Doutor Morte" teria morrido no Cairo em 1982, aos 78 anos. Ele atuou como médico em diversos campos de concentração.

Alois Brunner


Bildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift: Alois Brunner

Alois Brunner: O principal criminoso de guerra nazista que ainda não foi julgado possivelmente não vive mais. O ex-agente da SS seria responsável pela morte de 130 mil judeus em diversos países como "engenheiro da solução final". Segundo o Centro Wiesenthal, foi visto pela última vez em 2001 na Síria. A organização obteve indícios de que está morto, mas elas ainda não puderam ser comprovadas. Por isso, Brunner foi transferido da lista dos mais procurados para uma categoria especial.

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NP/dpa/afp

Revisão: Rodrigo Rimon

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segunda-feira, agosto 10, 2009

Hirochima lembra aniversário de bomba atômica




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Com o tradicional minuto de silêncio, voo de pombas brancas e uma conclamação à paz, Hirochima relembrou nesta quinta-feira o 64º aniversário de sua destruição nuclear pelos Estados Unidos, no primeiro ataque do tipo no mundo.


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A bomba atômica lançada sobre a populosa cidade do oeste japonês, em 6 de agosto de 1945, foi seguida por uma segunda, três dias depois, em Nagasaki, onde morreram 70 mil pessoas.

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Mais de 50 mil pessoas estiveram presentes ao ato, inclusive sobreviventes (hibakusha) do holocausto, participando da cerimônia de homenagem realizada a poucos metros da Cúpula de Genbaku, um salão de exposições do qual restou apenas o domo e sua estrutura calcinada, único edifício que se manteve de pé após a explosão da bomba.

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O primeiro ministro Taro Aso e integrantes de seu gabinete estavam presentes também, assim como os representantes de cerca de 60 países, ante o monumento de granito dedicado aos 140 mil mortos pelo artefato jogado pelos Estados Unidos, quando os militaristas japoneses já estavam praticamente derrotados, no final da Segunda Guerra Mundial.

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Décadas depois desse massacre, milhares de pessoas morrem a cada ano por causa dos efeitos da radiação, que gera enfermidades como a Leucemia ou outros tipos de câncer, cujos nomes são inscritos então no monumento de granito negro.

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Em um breve discurso, o prefeito de Hirochima, Tasatoshi Akiba, defendeu a abolição das armas nucleares até o ano de 2020 e assegurou que os "hibakusha" seguem sofrendo um inferno.

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Akiba pediu ao governo japonês apoio aos hibakusha, inclusive aos que foram vítimas da chuva negra e aos que vivem no exterior.

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Taro Aso reiterou por sua vez a promessa de que o Japão acatará firmemente os três princípios anti-nucleares e liderará a comunidade internacional para conseguir o objetivo de abolir as armas atômicas e conseguir uma paz duradoura.

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Entretanto, Aso admitiu em uma coletiva de imprensa que um mundo sem armas nucleares só pode existir se todas as bombas desse tipo desaparecerem "de uma só vez" do planeta.

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Sustentou que, em circunstâncias normais, é inimaginável e não é justo crer que, se alguém as abandonar unilateralmente, os outros as abandonarão também.

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Agência Prensa Latina
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in Vermelho - 6 DE AGOSTO DE 2009 - 20h16
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sexta-feira, agosto 07, 2009

Mais brilhante que mil sóis ou Livro Negro ?





Kant_O_XimPi: Crimes contra a Humanidade (1) - Hiroshima e Nagasaki

Kant_O_XimPi: Crimes contra a Humanidade (3) - Hiroshima e Nagasaki

Galeria & Photomaton: 1945: Testada a primeira bomba atômica

Kant_O_XimPi: Paul Tibbets . Morreu piloto que lançou bomba atómica

É Justo ... ?

RE: Este é o respeito do Islão pelas mulheres...

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sábado, junho 13, 2009

Iniciada construção de monumento por ciganos mortos pelo nazismo


Alemanha | 19.12.2008

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Somente quatro décadas após o final da Segunda Guerra eles foram reconhecidos como vítimas, ao lado dos judeus e homossexuais. Mais 20 anos passados, e os sinto e rom receberão um memorial. Apenas um (bom) começo.

O ministro alemão da Cultura, Bernd Neumann, iniciou simbolicamente nesta sexta-feira (19/12), em Berlim, a construção do memorial para os representantes das etnias sinto e rom ("ciganos") assassinados pelo nacional-socialismo. Sob chuva torrencial, ele louvou o futuro monumento como sinal de lembrança e de consternação por este grupo de vítimas, esquecido durante tão longo tempo.

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Nomes, uma fonte, uma placa, uma poesia

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A menos de 100 passos do Reichstag, o prédio do Parlamento alemão, e à vista do Portão de Brandemburgo encontra-se um gramado. Lá se construirá, nos próximos meses, o memorial para os sintos e rom – etnias popularmente designadas como ciganos – vítimas do nazismo. O projeto é do arquiteto israelense Dani Karavan.

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Os nomes dos campos de concentração e extermínio Auschwitz, Treblinka e Buchenwald serão gravados no pavimento. Eles levam a uma fonte, em cuja borda se lê um fragmento da poesia Auschwitz, do músico italiano Santino Spinelli.

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faces encovadas
olhos apagados
lábios frios
silêncio
um coração arrancado
sem palavras
nenhuma lágrima

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De uma placa consta a epígrafe: "Recordamos todos os rom que tombaram vítimas do genocídio planejado, na Europa ocupada pelos nacional-socialistas". Uma cronologia histórica descreve o processo de exclusão, perseguição e assassínio dos sinto, rom e outros grupos nômades.

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Termo controverso

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Bernd Neumann (e) e prefeito Klaus Wowereit na cerimônia em Berlim

Bildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift: Bernd Neumann (e) e prefeito Klaus Wowereit na cerimônia em Berlim

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Uma versão anterior da inscrição incluía o termo "ciganos". Este é, contudo, rejeitado pelo Conselho Central dos Sinto e Rom Alemães, sendo considerado por Romani Rose, seu presidente há vários anos, como discriminatório e depreciativo. Rose insiste que se use o termo "sinto e rom", supostamente politicamente correto.

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Nem todas as associações são da mesma opinião. Os membros da Aliança Sinto da Alemanha fazem questão de se denominar altivamente "ciganos". Segundo sua presidente, Natascha Winter, o memorial não é apenas para as duas etnias citadas, mas sim para todos os ciganos.

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"Defino-me com orgulho como cigana, por que minha gente, meus pais, avós, todos os meus parentes foram perseguidos como ciganos. Portamos esta palavra, "cigano", com orgulho", afirmou.

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"Rom" significa simplesmente "homem" ou "ser humano" no idioma romani. Os sintos constituem o grupo étnico mais numeroso nos países germanófonos. Porém há outros que não se sentem absolutamente incluídos pela expressão "sinto e rom", como, por exemplo, os lovari ou os manuche.

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Reconhecimento tardio

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Transcorreu longo tempo, até esses grupos serem sequer admitidos como vítimas do nacional-socialismo na Alemanha. No tocante ao governo federal, isto só se deu no início dos anos 80. Seguiu-se, em meados da década seguinte, seu reconhecimento como "minoria nacional".

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Desde então, a mostra permanente do Memorial Resistência Alemã reverencia o papel dos sinto e rom no nazismo, assim como – somente em 2004 – também o Memorial Sachsenhausen. Desde que foi criada a iniciativa para o memorial dos judeus assassinados da Europa, ficou cada vez mais claro que outros grupos de vítimas – sobretudo os homossexuais e os ciganos – também têm o direito à memória e ao tributo pela nação e pela sociedade.

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Porém monumentos de concreto ou pedra não esgotam a questão: a memória cultural deve ser prática social e não um ritual.

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Michael Schornstheimer (av)


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in DW World
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