"e como que a experiência é a madre das cousas, por ela soubemos radicalmente a verdade" (Duarte Pacheco Pereira)
A Internacional
terça-feira, agosto 07, 2012
67 anos pós-Hiroshima, ameaça nuclear ainda paira sobre o mundo
segunda-feira, agosto 09, 2010
65 anos depois de Hiroshima: a Cimeira da Nato em Lisboa, novos perigos para a paz
Conferência de Imprensa, Ângelo Alves, da Comissão Política do CC e da Secção Internacional do PCP
65 anos depois de Hiroshima: a Cimeira da Nato em Lisboa, novos perigos para a paz
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Hiroshima e Nagasaki foram uma trágica demonstração de quão longe pode ir o imperialismo na utilização do militarismo e da guerra como parte da sua estratégia de dominação económica e geoestratégica.
sexta-feira, agosto 06, 2010
Socorro Gomes: "65 anos nos separam de uma marcante tragédia"
Mundo
A presidente do Conselho Mundial da Paz, Socorro Gomes, encontra-se no Japão, onde participa da Conferência Mundial contra as Armas Nucleares, na cidade de Hiroxima, e dos atos oficiais organizados por ocasião do 65º aniversário da explosão da bomba atômica, que transcorre em 6 de agosto. Nesta quinta (5), Socorro discursou em Hiroxima.
"Hoje, quando 65 anos nos separam de uma marcante e inesquecível tragédia para a humanidade, algumas simbólicas reminiscências brilham em nossa memória sob os céus da cidade de Hiroxima. Acompanha-nos, em sonora e solene circunstância, uma composição musical do ex-embaixador e poeta brasileiro Vinícius de Moraes, já falecido, ao lado de outro patrício, Gerson Conrad, sob o título “Rosa de Hiroxima”:
Mudas telepáticas
Pensem nas meninas
Cegas inexatas
Pensem nas mulheres
Rotas alteradas
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas
Mas, oh, não se esqueçam
Da rosa da rosa
Da rosa de Hiroxima
A rosa hereditária
A rosa radioativa
Estúpida e inválida
A rosa com cirrose
A anti-rosa atômica
Sem cor sem perfume
Sem rosa sem nada
O dramático apelo, que ganha substância nos versos do poeta tornou-se emblemático em inúmeros países. E também ofereceu sua singela contribuição, entre as muitas manifestações do espírito humano ofendido pelo genocídio atômico, para que se criasse uma consciência universal em oposição ao uso destrutivo da energia nuclear e ao seu monopólio pelas potências armadas, hegemonizadas pelos Estados Unidos da América.
E foi essa crescente consciência universal que conduziu a luta dos povos, ao longo de décadas, pela paz mundial, em oposição às guerras imperialistas promovidas em todos os continentes e movidas, sobretudo pelos interesses econômicos hegemonistas dos EUA. Isso foi marcante na segunda metade do século passado e cresceu, numa frequência amiúde, na primeira década do atual século 21, sobretudo com as invasões de países como o Afeganistão e o Iraque.
Em todos esses momentos, a chantagem nuclear teve seus desdobramentos, desde os ataques massivos genocidas sobre Hiroxima e Nagasaki. Em resposta a essa arrogância, também cresceu no mundo o clamor pelo desarmamento nuclear. O Conselho Mundial da Paz e todas as organizações que o integram estão engajados neste clamor e nesta luta.
Temos a convicção de que é possível dar passos concretos no sentido do desarmamento. O CMP tem atuado nesse sentido, tendo organizado importantes atividades e participado de outras, organizadas por diferentes movimentos, e de eventos oficiais no quadro das Nações Unidas.
Nosso propósito, ao promover e participar dessas atividades, consiste em ampliar a discussão sobre o assunto com a sociedade e conquistá-la para as atuais e futuras batalhas.
Vive em nossa memória o Apelo de Estocolmo, lançado pelo Conselho Mundial da Paz há 60 anos, quando ocorreu uma expressiva mobilização do movimento pacifista e alcançou-se 600 milhões de assinaturas. Hoje, consideramos que não é factível a não-proliferação sem desarmamento, visto que já existem os instrumentos para a não-proliferação sem que se tenham afirmado as medidas para o desarmamento.
Os EUA, com a pretensão hegemonista que consiste em estabelecer draconianas regras apenas para os demais países do planeta, se afirmam como o maior entrave ao desarmamento. Ao tempo que vedam a outros países os avanços tecnológicos, elevam seu orçamento militar para manter e modernizar suas armas nucleares.
A humanidade terá sempre as tragédias de Hiroxima e Nagasaki como espadas cravadas em seu espírito e na espinha dorsal do processo civilizatório, nos únicos ataques onde se utilizou armas nucleares. Prevalece a consciência de que, naquele momento, os povos foram abalados pela eclosão sem paralelos da destruição em massa. Historicamente, não se apresentou, até a atualidade, nenhum episódio que, de longe, fosse comparável a tanto terror. As estimativas do total de pessoas executadas em massa ultrapassam em muito as avaliações de 140 mil em Hiroxima e 80 mil em Nagasaki — em sua maioria, civis. São consideravelmente mais elevadas, essas estimativas, quando se contabiliza as mortes e mutilações congênitas posteriores, devidas à exposição à radiação.
Entretanto, ao longo das décadas que nos separam das tragédias assinaladas de Hiroxima e Nagasaki, os EUA demonstraram — do Vietnã ao Iraque e Afeganistão, entre as inúmeras guerras que engendrou de modo mais ou menos ostensivo e devastador — que não houve nação mais agressiva e desumana ao longo do processo do desenvolvimento histórico. Suas vítimas no mundo inteiro se contam aos milhões. Cresce também sua capacidade em criminalizar as nações vitimadas, desde as versões fantasiosas e caluniosas sobre “ameaças” que se inspiram no seu próprio terrorismo de Estado, a exemplo do que ocorre hoje em relação ao Irã.
Considerando a necessidade de desenvolvimento da tecnologia nuclear para fins pacíficos, da não proliferação das armas nucleares e do desarmamento, compartilhamos a opinião que os países não devem assinar o Protocolo Adicional ao TNP.
Os países não podem se submeter às pressões, ameaças ou chantagens que acenam com a possibilidade de uso da arma atômica contra quem não for signatário do tratado de não-proliferação em função de sua cláusula adicional. E devem se pronunciar criticamente quanto ao anúncio das novas orientações dos EUA sobre sua política nuclear. No TNP, o desarmamento é declaratório e, no caso da não-proliferação é mandatório, realçando desequilíbrio quanto aos interesses do conjunto dos 172 Estados-Parte.
O ambiente em que vivemos hoje esclarece nitidamente que as potências nucleares não se voltam para a proteção da humanidade, mas para a defesa dos seus interesses próprios quando anunciam — no caso dos Estados Unidos e Rússia — um acordo de redução dos arsenais nucleares. E são crescentes as evidências de que os tratados acerca das armas nucleares alcançam tão somente um desequilíbrio destinado a preservar a posição dos possuidores de poderosos arsenais, à frente os EUA, capazes de destruir a humanidade, tornando a vida mais vulnerável e o mundo mais perigoso e inseguro.
E isso apenas coonesta a tendência destrutiva predominante na história dos grandes impérios, indisfarçavelmente mais ameaçadores em defesa de sua hegemonia, em especial nos momentos de maiores dificuldades e crises, tornando-se mais ofensivos e beligerantes.
A manutenção dos grandiosos arsenais nucleares representa igualmente imensas despesas voltadas para a miniaturização, a alta precisão e a produção de cargas variáveis dessas armas para que sejam operacionais em guerras localizadas — único tipo de guerra imaginável desde a perversa destruição de Hiroxima e Nagasaki.
Os países — a esmagadora maioria dos Estados-Parte da ONU — prejudicados pela ação excludente do hegemonismo imperialista, devem buscar a ampliação do espaço da energia nuclear para fins pacíficos nas mesas de negociações, devidamente informados de que esta posição contraria os países armados, que se recusam a partilhar decisões quando o assunto é segurança.
Pois, sabemos que, nos bastidores dessas negociações, predominam formidáveis e fortíssimos interesses econômicos que se ocultam sob o tema da não-proliferação de armas nucleares para barrar o evento de novos pretendentes ao protagonismo no cenário econômico internacional.
A 8ª Conferência de Revisão do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares – TNP revelou que há muitas resistências à agenda das potências armadas contra a humanidade, mas os estados nucleares membros da Otan (EUA, Reino Unido, França), com o apoio ocasional da Rússia, reafirmaram, de modo arrogante, que a dissuasão nuclear persiste como especial estratégia de defesa das grandes potências.
Não obstante a reafirmação da política hegemonista na 8ª Conferência de Revisão do TNP, destacamos quatro aspectos sensíveis da resistência mundial entre as suas decisões, que, ainda acanhadas, exigem maior atenção:
- O debate do desarmamento nuclear persistirá, nos termos da correlação já desenhada, na Comissão de Desarmamento da ONU.
- A elaboração, ainda em perspectiva, de um instrumento juridicamente vinculante de garantias do não-uso ou ameaça de uso de armas nucleares contra os países desprovidos dessas armas.
- Uma resolução que convoca a realização de uma conferência, postergada para 2012, destinada a debater a implementação de uma Zona Livre de Armas Nucleares no Oriente Médio.
- Uma ainda tímida e insuficiente demanda para que Israel — o maior obstáculo à construção da paz na região, que chegou a vender armas nucleares ao regime do apartheid da África do Sul — se incorpore ao TNP e coloque seus arsenais sob vigilância da AIEA.
Companheiras e companheiros, senhoras e senhores, vivemos em um mundo mergulhado em profundas crises econômicas e sociais, que geram grandes conflitos. As contradições interimperialistas e de classes podem redundar em maiores tensões e conflitos armados. O imperialismo norte-americano e seus aliados da Otan preparam desenfreadamente planos de intervenções e guerras nas diversas regiões do mundo que podem ter efeitos trágicos para as soberanias nacionais e aos direitos dos povos e ameaçar a própria sobrevivência da humanidade.
A aprovação de novas sanções ao Irã no Conselho de Segurança da ONU, e a imposição de sanções unilaterais adicionais pelos EUA e pela União Européia, visam à manutenção do atual sistema de poder mundial, caracterizado pela hegemonia dos EUA,
As estratégias militar e de segurança nacional dos EUA mantêm seu caráter agressivo e contrariam a retórica de cooperação e multilateralismo. Essas estratégias consistem em planos para impor principalmente pela força e se necessário pela guerra os interesses hegemônicos dos EUA. Segundo essas novas estratégias, os EUA, alegando a prioridade para a prevenção da proliferação nuclear, autorizam a si mesmos, em nome dos seus “interesses vitais” ou de seus aliados, como Israel, a realizar um ataque com armas nucleares, em condições “extremas”, contra qualquer país. Na verdade, é a continuidade da política de “guerra preventiva” e de “guerra infinita” de George Bush. Em outras palavras, manter o poder dos EUA pela força militar, custe o que custar à humanidade.
Os EUA investirão em 2011, 780 bilhões de dólares em suas forças armadas, orçamento recorde desde o final da Segunda Guerra que supera em 49% o orçamento de 2000, e que é maior que os gastos militares somados de todos os demais países do mundo. Os EUA insistem em manter bases militares por todo o globo terrestre, em todos os mares e oceanos. Ultimamente têm intensificado a instalação de tais bases na América Latina, na África, no Oceano Índico e na Ásia Central.
Os EUA e a Otan se capacitam para o que chamam de “Ataque Global Imediato Convencional”. Com a nova estratégia da Otan, que passará a atuar em todos os continentes e mares, até as Ilhas Malvinas e outros territórios próximos da América do Sul, são reais ou potenciais bases militares da aliança agressiva. As forças especiais dos EUA, especializadas em ações clandestinas de guerra, em missões de inteligência, subversão e “desestabilização”, já operam em 75 países, sendo que há um ano estavam em 60 países. “O mundo é o campo de batalha”, disse um alto oficial das forças especiais estadunidenses.
A preparação da agressão ao Irã se intensifica. Para o imperialismo é preciso conter o Irã, reforçar o poderio de Israel a fim de não comprometer o seu controle na região do Oriente Médio e da Ásia Central. EUA e Israel se preparam para uma possível intervenção militar, deslocando forças navais através do Canal de Suez rumo ao Golfo Pérsico, próximo às costas marítimas iranianas. Negociam com a Arábia Saudita o uso do espaço aéreo em eventuais bombardeios.
O roteiro dos EUA é similar ao da guerra contra o Iraque, com pressões diplomáticas, medidas cerceadoras na ONU, campanha midiática com base em falsidades, a alegação de eventual descumprimento das sanções, e o acionar do plano de intervenção militar, direta ou através de Israel. Muitas lideranças políticas, intelectuais e especialistas no tema militar, inclusive nos EUA, levantam a possibilidade da guerra contra o Irã ser “a guerra de Obama”, assim como a guerra do Afeganistão e do Iraque foram as guerras de Bush, que Obama continua.
Na Ásia Central e no Oriente Médio, região estratégica para o domínio imperialista global, os EUA e seus aliados da Otan aumentam seus efetivos militares no Afeganistão, prolongam a guerra e prorrogam a ocupação militar no Iraque e adotam medidas para instalar bases militares na Ásia Central.
Os EUA e Israel ameaçam a Síria e as forças patrióticas no Líbano, sustentam a ocupação na Palestina e o bloqueio criminoso contra a Faixa de Gaza, que a flotilha humanitária, covardemente atacada pelos militares israelenses, tão bem denunciou.
No leste da Ásia os EUA realizaram recentemente, em conjunto com a Coreia do Sul, manobras militares de grande porte na Península Coreana. Em seguida acusaram o governo norte-coreano de afundar um navio de guerra sul-coreano, quando surgem fortes suspeitas de que as próprias forças militares e de inteligência ianques teriam colocado uma mina na embarcação para criar artificialmente uma tensão com a República Popular Democrática da Coreia e tentar isolá-la internacionalmente. Há duas semanas, acentuaram-se os traços agressivos da ação estadunidense na região, com a realização de novas manobras militares na Península e a adoção de novas sanções contra a Coreia do Norte.
Além desses objetivos, os EUA, depois de fortes pressões, conseguiu a manutenção das bases militares em território japonês, em especial a base de Okinawa.
Um pacto entre os governos da Índia e dos Estados Unidos para, nas palavras deles, "conter o terrorismo" foi assinado em 23 de julho em Nova Delhi.
Segundo o pacto, os serviços de segurança e inteligência dos dois países serão compartilhados, em áreas como a segurança marítima, grandes eventos e na "luta conjunta em bases globais contra um inimigo comum, o terrorismo". Esta é mais uma demonstração do intervencionismo norte-americano e da preparação de medidas antidemocráticas em nome da “luta contra o terrorismo”.
Na América Latina recrudescem as pressões contra a Revolução Cubana, a Revolução Bolivariana da Venezuela e os processos democráticos, populares e antiimperialistas em toda a região. Após a reativação da 4ª Frota, os EUA instalam novas bases militares, como em Honduras, onde ajudaram a promover um golpe de estado. A pretexto de ajuda humanitária ao Haiti, após o terremoto no início deste ano, forças militares estadunidenses com mais de 15 mil soldados desembarcaram no país.
Nos últimos dias mais de sete mil soldados, 46 navios de guerra, porta-aviões, submarinos e helicópteros dos EUA instalaram-se em bases na Costa Rica, supostamente para combater o narcotráfico. O governo colombiano que fez um pacto militar com os Estados Unidos e mantêm em seu território sete bases militares em convênio com Washington, segue a linha traçada pelos EUA de tornar o país uma Israel da América Latina e do Caribe.
A resistência dos povos e países oprimidos está impondo derrotas ao imperialismo, no Oriente Médio, na Ásia Central e em outros cantos da Terra. Na América Latina, continuam a florescer as forças populares, democráticas e antiimperialistas.
As recentes provocações do governo colombiano contra a Venezuela obedecem a um plano ardiloso e sinistro de Washington. Os Estados Unidos têm interesse na guerra e buscam criar as condições para uma conflagração na região.
O mundo, e em especial a América Latina, vivem um momento de transição e mudança. Na América Latina foram eleitos vários governos progressistas que, embora em graus diferenciados, contestam a hegemonia norte-americana e buscam abrir caminho para um desenvolvimento soberano e a integração política e econômica da região.
Com a economia em frangalhos e num processo histórico de decadência, os EUA recorrem ao poder militar, terreno em que sua superioridade é incontestável, como último recurso para manter o domínio sobre o mundo. A guerra é, hoje, o principal instrumento do imperialismo. Isto explica um orçamento militar que corresponde à metade dos gastos bélicos do resto do mundo e foi ampliado apesar da crise (agravando os desequilíbrios financeiros e o déficit do governo imperial), bem como a crescente agressividade contra os povos.
Não devemos subestimar o que está ocorrendo na América Latina e no mundo. São graves as ameaças à paz.
Ao mesmo tempo, há razões para o otimismo histórico. Em todas as partes,os povos se movimentam e lutam, opõem-se às tendências de atirar sobre os ombros dos trabalhadores os efeitos da crise, resistem aos golpes e ameaças de guerra, rechaçam as políticas intervencionistas do imperialismo e em muitos casos, avançam na obtenção de conquistas democráticas e patrióticas. Espraia-se a convicção de que é necessário lutar por um novo ordenamento político e econômico mundial. Cada vez mais, o espírito da época é o da luta antiimperialista, da união de amplas forças da democracia, do progresso, da independência nacional e da paz.
A fraternal presença do CMP no Japão, no transcurso do 65º aniversário dos bombardeios nucleares é uma manifestação de solidariedade com o povo japonês e da unidade do movimento pela paz no mundo. É uma ocasião propícia à reflexão e à organização da luta antiimperialista e pela paz. Renovamos a esperança de que conquistaremos, no presente, o futuro da paz, harmonia e prosperidade social no Japão e em todo o mundo.
A paz mundial, a soberania nacional e o progresso social nunca foram tão necessários à humanidade.
Muito obrigada,
Socorro Gomes,
Presidente do Conselho Mundial da Paz
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Hiroshima e Nagasaki relembram 65 anos de ataque dos EUA
Mundo
Em 2010 se comemora o 65º aniversário da vitória sobre o nazi-fascismo, um feito de luta e de resistência aos povos que pôs um fim a um período de terror que marcou a história recente da humanidade. Esse aniversário também está associado, mas não por boas razões, ao primeiro bombardeio atômico de duas cidades. As japonesas Hiroshima e Nagasaki foram as primeiras vítimas da nova arma.
Por Humberto Alencar
- Socorro Gomes: "65 anos nos separam de uma marcante tragédia"
- Após 65 anos da 2ª Guerra, bomba atômica ainda ameaça o mundo
A guerra no Pacífico já se encontrava em seus momentos finais. Em julho daquele ano o governo japonês já estudava as condições para a rendição, já que o país se encontrava praticamente cercado, desabastecido e destruído por sucessivos ataques aliados.
O Projeto Manhattan, que planejou e concretizou a nova arma, tinha sido concebido originariamente como um contra-ataque ao programa da bomba atômica da Alemanha nazista. Com a derrota da Alemanha, vários cientistas que trabalhavam no projeto consideraram que os EUA não deveriam ser os primeiros a usar tais armas. Um dos críticos proeminentes dos bombardeios foi Albert Einstein.
Com extrema hipocrisia, o imperialismo justifica o seu crime afirmando que poupou vidas que seriam perdidas com uma eventual invasão do Japão. O processo de revisão da História, em curso atualmente, investe na diminuição do significado e do impacto desse ato terrorista, omitindo o nome dos seus autores e diluindo os motivos reais que levaram à execução do crime.
A verdade de Hiroshima e Nagasaki tem a sua raiz na manifestação demente de poderio militar dos Estados Unidos diante do mundo, em particular diante da União Soviética, potência aliada vencedora da Segunda Guerra Mundial, procurando desta forma submeter o mundo e os povos, através da chantagem nuclear, às suas pretensões hegemônicas.
Antes de deflagrar o ataque, vários cientistas defendiam que o poder destrutivo da bomba poderia ser demonstrado sem causar mortes. Esses cientistas não foram ouvidos. A situação militar e estratégica do Japão era tão frágil que até mesmo setores do exército americano reconheciam, em um estudo, que a explosão das duas bombas foi desnecessária.
O United States Strategic Bombing Survey escreveu, após ter entrevistado centenas de japoneses civis e líderes militares, depois da rendição do Japão: "Baseado numa investigação detalhada de todos os fatos e apoiados pelo testemunho dos sobreviventes líderes japoneses envolvidos, é a opinião da Survey que, certamente antes de 31 de dezembro de 1945, e, em todas as probabilidades, antes de 1.º de novembro de 1945, o Japão ter-se-ia rendido mesmo se as bombas atômicas não tivessem sido lançadas, mesmo se a Rússia não tivesse entrado na guerra e mesmo se a invasão não tivesse sido planejada."
O bombardeio
Na madrugada de 6 de Agosto de 1945 o bombardeiro B-29, pilotado pelo coronel Paul Tibbets, decolou da base aérea de Tinian no Pacífico Ocidental, a aproximadamente 6 horas de voo do Japão. A aeronave chamava-se Enola Gay, nome da mãe do piloto.
A meteorologia determinou a escolha do dia 6. No momento da decolagem, o tempo estava bom. O capitão da Marinha William Parsons armou a bomba durante o voo, desarmada durante a decolagem para minimizar os riscos. O ataque foi executado de acordo com o planejado e a bomba de gravidade, uma arma de fissão de tipo balístico com 60 kg de urânio-235, comportou-se como esperado.
Inicialmente, o alvo seria Quioto, ex-capital e centro religioso do Japão, mas o secretário da Guerra, Henry Stimson, trocou-o por Hiroshima, por ser uma cidade situada entre montanhas, detalhe que amplificaria os efeitos da explosão.
O avião aproximou-se da costa a mais de 8 mil metros de altitude. Cerca das 8h, o operador de radar em Hiroshima concluiu que o número de aviões que se aproximavam era muito pequeno não mais do que três, provavelmente - e o alerta de ataque aéreo foi levantado.
Os três aviões eram o Enola Gay, o The Great Artist (em português, "O Grande Artista") e um terceiro avião que no momento não tinha batismo mas que mais tarde seria chamado de Necessary Evil ("Mal Necessário"). O primeiro transportava a bomba, o segundo tinha como missão gravar e vigiar toda a missão, e o terceiro foi o avião encarregado de fotografar e filmar a explosão.
Às 8h15, o Enola Gay largou a bomba nuclear sobre o centro de Hiroshima. Ela explodiu a cerca de 600 metros do solo, com uma explosão de potência equivalente a 13 mil toneladas de TNT, matando instantêneamente um número estimado de 70.000 a 80.000 pessoas e destruindo mais de 90% das construções da cidade.
Nagasaki foi atingida no dia 9 de agosto, às 11h02 da manhã. Inicialmente o plano era de jogar a bomba sobre Kokura, em Fukuoka. Mas o tempo nublado impediu que o piloto visualizasse a cidade, escolhendo a segunda opção. Os americanos não consideravam Nagasaki "um alvo ideal" porque a cidade é rodeada por montanhas, o que diminuiria a devastação de gente e de edifícios.
A bomba, chamada Fat Boy, era de plutônio 239, com potência equivalente a 22 mil toneladas de TNT, ou seja, 1,5 vez mais potente que a bomba jogada sobre Hiroshima.
As forças de ocupação dos EUA censuraram as fotos das cidades bombardeadas. Elas foram classificadas como secretas por muitos anos. O governo dos Estados Unidos queria impedir que as imagens do horror fossem vistas pelo mundo.
Símbolo da luta pela paz
O viajante que chega à moderna e povoada cidade de Hiroshima fica maravilhado com os grandes e suntuosos edifícios, hotéis e bem delineadas avenidas por onde passam milhares de veículos.
No entanto, no meio deste turbilhão deslumbrante, o visitante não pode esquecer que se encontra na primeira cidade praticamente volatizada pelo afã dos Estados Unidos de dominar o mundo.
Este impacto é recebido quando se visita e percorre o Parque da Paz, o Museu das Vítimas e a chama eterna adiante do cenotáfio negro que inscreve os nomes das vítimas do genocídio da Casa Branca para chantagear o mundo dia 6 de de agosto de 1945.
A presidente do Conselho Mundial da Paz, Socorro Gomes, que está no Japão participando dos eventos em memória da tragédia, descreve por e-mail enviado à redação do Vermelho a sensação que teve ao visitar o Museu das Vítimas e o Parque da Paz: "O que os EUA fizeram não tem perdão. As pessoas derretiam literalmente. Não é aceitável o imperialismo continuar cometendo crimes contra a humanidade, como fez em Hiroshima e Nagasaki há 65 anos e recentemente em Faluja, no Iraque".
"O uso das armas de destruição em massa, além das mortes instantâneas, faz com que até a terceira geração as pessoas nasçam com mutações genéticas, sem olhos, sem órgãos, outros com cancer generalizado", relatou.
"É incrível que os EUA continuam impunes e falando em combate ao terrorismo! Os maiores terroristas da humanidade são eles! Eu fiquei estarrecida, só de ver as fotos. É inesquecível!" protestou Socorro.
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sábado, outubro 24, 2009
quarta-feira, agosto 12, 2009
Os criminosos nazistas mais procurados
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Alemanha | 11.08.2009
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Ivan (John) Demjanjuk: Nascido na Ucrânia, é acusado de trabalhar como guarda no campo de concentração de Sobibor, na Polônia ocupada, tendo participado do assassinato de pelo menos 29 mil judeus. Depois de ser extraditado pelos Estados Unidos, Demjanjuk, aos 89 anos, está sendo julgado em Munique.
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Sandor Kepiro (Hungria): O oficial de polícia húngaro é suspeito de ter participado da execução de cerca de 1.200 civis na cidade sérvia de Novi Sad. Após décadas vivendo na Argentina, retornou em 1996 à Hungria, onde corre um processo contra ele.
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Bildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift: Sandor Kepiro
Milivoj Asner (Áustria): O antigo chefe de polícia na Croácia participou ativamente da perseguição e deportação de centenas de sérvios, judeus, sintos e roma. Ele vive na Áustria, mas é considerado mentalmente inapto a responder a um processo.
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Soeren Kam (Alemanha): Antigo membro da SS, o dinamarquês foi incriminado pela morte de um jornalista e pelo roubo da lista de endereços da comunidade judaica na Dinamarca, possibilitando assim sua deportação para campos de concentração alemães. Em 1956, tornou-se cidadão alemão. Um tribunal da Baviera negou em 2007 o pedido dinamarquês de extradição por falta de provas.
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Bildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift: Milivoj Asner
Klaas Carl Faber (Alemanha): Foi condenado à morte na Holanda em 1944 pela execução de prisioneiros no campo de trânsito de Westerbork e na prisão de Gronigen. A sentença, entretanto, foi convertida em prisão perpétua em 1948. Em 1952, fugiu da prisão e passou a viver na Alemanha.
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Heinrich Boere (Alemanha): Membro do comando Silbertanne (pinheiro de prata) da SS, foi condenado à morte à revelia em 1949 por um tribunal holandês, acusado do assassinato de três civis holandeses. Boere fugiu para a Alemanha, onde viveu por décadas. Em abril de 2008, foi indiciado em Dortmund, mas um tribunal o dispensou do processo por motivos de saúde.
Bildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift: Heinrich Boere
Karoly (Charles) Zentai (Austrália): O ex-soldado húngaro participou da perseguição e do assassinato de judeus em Budapeste em 1944. A Hungria solicitou em 2005 sua extradição ao governo da Austrália, para onde emigrou com a família após a guerra.
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Bildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift: Charles Zentai
Michail Gorschkov (Estônia): De acordo com o Centro Wiesenthal, o ex-intérprete da Gestapo teve participação na morte de judeus em Belarus. Em 2002, retornou dos EUA à Estônia, seu país de origem, onde caiu na mira da Justiça.
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Algimantas Dailide (Alemanha): Prendeu judeus que, mais tarde, foram assassinados por nazistas e seus colaboradores na Lituânia. Extraditado pelos Estados Unidos para a Alemanha e condenado na Lituânia, foi dispensado do cumprimento da pena por motivos de saúde.
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Harry Mannil (Venezuela): Aprisionou judeus e comunistas que foram executados por nazistas e seus colaboradores na Estônia. Por falta de provas, foi inocentado em julgamento na Estônia. Vive hoje na Venezuela.
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Bildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift: Aribert Heim
Além desses, o Centro Simon Wiesenthal procura outros dois criminosos de guerra listados em uma categoria especial:
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Aribert Heim: Segundo registros de imprensa, o chamado "Doutor Morte" teria morrido no Cairo em 1982, aos 78 anos. Ele atuou como médico em diversos campos de concentração.
Bildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift: Alois Brunner
Alois Brunner: O principal criminoso de guerra nazista que ainda não foi julgado possivelmente não vive mais. O ex-agente da SS seria responsável pela morte de 130 mil judeus em diversos países como "engenheiro da solução final". Segundo o Centro Wiesenthal, foi visto pela última vez em 2001 na Síria. A organização obteve indícios de que está morto, mas elas ainda não puderam ser comprovadas. Por isso, Brunner foi transferido da lista dos mais procurados para uma categoria especial.
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NP/dpa/afp
Revisão: Rodrigo Rimon
segunda-feira, agosto 10, 2009
Hirochima lembra aniversário de bomba atômica
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Com o tradicional minuto de silêncio, voo de pombas brancas e uma conclamação à paz, Hirochima relembrou nesta quinta-feira o 64º aniversário de sua destruição nuclear pelos Estados Unidos, no primeiro ataque do tipo no mundo.
A bomba atômica lançada sobre a populosa cidade do oeste japonês, em 6 de agosto de 1945, foi seguida por uma segunda, três dias depois, em Nagasaki, onde morreram 70 mil pessoas.
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Mais de 50 mil pessoas estiveram presentes ao ato, inclusive sobreviventes (hibakusha) do holocausto, participando da cerimônia de homenagem realizada a poucos metros da Cúpula de Genbaku, um salão de exposições do qual restou apenas o domo e sua estrutura calcinada, único edifício que se manteve de pé após a explosão da bomba.
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O primeiro ministro Taro Aso e integrantes de seu gabinete estavam presentes também, assim como os representantes de cerca de 60 países, ante o monumento de granito dedicado aos 140 mil mortos pelo artefato jogado pelos Estados Unidos, quando os militaristas japoneses já estavam praticamente derrotados, no final da Segunda Guerra Mundial.
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Décadas depois desse massacre, milhares de pessoas morrem a cada ano por causa dos efeitos da radiação, que gera enfermidades como a Leucemia ou outros tipos de câncer, cujos nomes são inscritos então no monumento de granito negro.
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Em um breve discurso, o prefeito de Hirochima, Tasatoshi Akiba, defendeu a abolição das armas nucleares até o ano de 2020 e assegurou que os "hibakusha" seguem sofrendo um inferno.
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Akiba pediu ao governo japonês apoio aos hibakusha, inclusive aos que foram vítimas da chuva negra e aos que vivem no exterior.
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Taro Aso reiterou por sua vez a promessa de que o Japão acatará firmemente os três princípios anti-nucleares e liderará a comunidade internacional para conseguir o objetivo de abolir as armas atômicas e conseguir uma paz duradoura.
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Entretanto, Aso admitiu em uma coletiva de imprensa que um mundo sem armas nucleares só pode existir se todas as bombas desse tipo desaparecerem "de uma só vez" do planeta.
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Sustentou que, em circunstâncias normais, é inimaginável e não é justo crer que, se alguém as abandonar unilateralmente, os outros as abandonarão também.
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sexta-feira, agosto 07, 2009
Mais brilhante que mil sóis ou Livro Negro ?
Kant_O_XimPi: Crimes contra a Humanidade (1) - Hiroshima e Nagasaki
Kant_O_XimPi: Crimes contra a Humanidade (3) - Hiroshima e Nagasaki
Galeria & Photomaton: 1945: Testada a primeira bomba atômica
Kant_O_XimPi: Paul Tibbets . Morreu piloto que lançou bomba atómica
É Justo ... ?
RE: Este é o respeito do Islão pelas mulheres...
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sábado, junho 13, 2009
Iniciada construção de monumento por ciganos mortos pelo nazismo

Alemanha | 19.12.2008
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O ministro alemão da Cultura, Bernd Neumann, iniciou simbolicamente nesta sexta-feira (19/12), em Berlim, a construção do memorial para os representantes das etnias sinto e rom ("ciganos") assassinados pelo nacional-socialismo. Sob chuva torrencial, ele louvou o futuro monumento como sinal de lembrança e de consternação por este grupo de vítimas, esquecido durante tão longo tempo.
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Nomes, uma fonte, uma placa, uma poesia
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A menos de 100 passos do Reichstag, o prédio do Parlamento alemão, e à vista do Portão de Brandemburgo encontra-se um gramado. Lá se construirá, nos próximos meses, o memorial para os sintos e rom – etnias popularmente designadas como ciganos – vítimas do nazismo. O projeto é do arquiteto israelense Dani Karavan.
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Os nomes dos campos de concentração e extermínio Auschwitz, Treblinka e Buchenwald serão gravados no pavimento. Eles levam a uma fonte, em cuja borda se lê um fragmento da poesia Auschwitz, do músico italiano Santino Spinelli.
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faces encovadas
olhos apagados
lábios frios
silêncio
um coração arrancado
sem palavras
nenhuma lágrima
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De uma placa consta a epígrafe: "Recordamos todos os rom que tombaram vítimas do genocídio planejado, na Europa ocupada pelos nacional-socialistas". Uma cronologia histórica descreve o processo de exclusão, perseguição e assassínio dos sinto, rom e outros grupos nômades.
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Termo controverso
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Bildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift: Bernd Neumann (e) e prefeito Klaus Wowereit na cerimônia em Berlim
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Uma versão anterior da inscrição incluía o termo "ciganos". Este é, contudo, rejeitado pelo Conselho Central dos Sinto e Rom Alemães, sendo considerado por Romani Rose, seu presidente há vários anos, como discriminatório e depreciativo. Rose insiste que se use o termo "sinto e rom", supostamente politicamente correto.
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Nem todas as associações são da mesma opinião. Os membros da Aliança Sinto da Alemanha fazem questão de se denominar altivamente "ciganos". Segundo sua presidente, Natascha Winter, o memorial não é apenas para as duas etnias citadas, mas sim para todos os ciganos.
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"Defino-me com orgulho como cigana, por que minha gente, meus pais, avós, todos os meus parentes foram perseguidos como ciganos. Portamos esta palavra, "cigano", com orgulho", afirmou.
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"Rom" significa simplesmente "homem" ou "ser humano" no idioma romani. Os sintos constituem o grupo étnico mais numeroso nos países germanófonos. Porém há outros que não se sentem absolutamente incluídos pela expressão "sinto e rom", como, por exemplo, os lovari ou os manuche.
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Reconhecimento tardio
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Transcorreu longo tempo, até esses grupos serem sequer admitidos como vítimas do nacional-socialismo na Alemanha. No tocante ao governo federal, isto só se deu no início dos anos 80. Seguiu-se, em meados da década seguinte, seu reconhecimento como "minoria nacional".
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Desde então, a mostra permanente do Memorial Resistência Alemã reverencia o papel dos sinto e rom no nazismo, assim como – somente em 2004 – também o Memorial Sachsenhausen. Desde que foi criada a iniciativa para o memorial dos judeus assassinados da Europa, ficou cada vez mais claro que outros grupos de vítimas – sobretudo os homossexuais e os ciganos – também têm o direito à memória e ao tributo pela nação e pela sociedade.
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Porém monumentos de concreto ou pedra não esgotam a questão: a memória cultural deve ser prática social e não um ritual.
Michael Schornstheimer (av)
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in DW World
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