A Internacional

__ dementesim . . Do rio que tudo arrasta se diz que é violento Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem. . _____ . Quem luta pelo comunismo Deve saber lutar e não lutar, Dizer a verdade e não dizer a verdade, Prestar serviços e recusar serviços, Ter fé e não ter fé, Expor-se ao perigo e evitá-lo, Ser reconhecido e não ser reconhecido. Quem luta pelo comunismo . . Só tem uma verdade: A de lutar pelo comunismo. . . Bertold Brecht
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sábado, maio 07, 2011

Insegurança alimentar e instabilidade política estão ligadas, diz especialista

Lisboa
19º C


Hugo Rainho
Insegurança alimentar leva as pessoas a contestarem mais rapidamente a sua falta de participação política e de cidadania

4º edição dos "Dias do Desenvolvimento" no ISCSP

Insegurança alimentar e instabilidade política estão ligadas, diz especialista

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Uma situação de insegurança alimentar leva as pessoas a contestarem mais rapidamente a sua falta de participação política e de cidadania, alertou em Lisboa uma especialista do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas.
  • 06 Maio 2011


Mónica Ferro, especialista em Relações Internacionais e Segurança do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (ISCSP), da Universidade Técnica de Lisboa, vincou em declarações à Lusa a "forte ligação" que existe entre a insegurança alimentar e a instabilidade política”.

Falando à margem da 4º edição dos "Dias do Desenvolvimento", que decorrem até esta sexta-feira no ISCSP, a professora lembrou que quando, num determinado país, escasseiam os alimentos ou os preços dos bens alimentares essenciais são muito elevados, os cidadãos "mais depressa contestam a sua falta de participação política e a sua falta de cidadania", e exigem mudanças. Mónica Ferro referiu que o que está a acontecer em alguns países do  Magrebe também foi "influenciado pelos preços dos alimentos".

"Para mim chega-me o facto de estarmos a falar de seres humanos que  não têm acesso a alimentos para haver uma intervenção. Para quem isso não  chegar, para quem precisa de uma razão mais realista: chama-se potenciar  a insegurança e instabilidade global", frisou.  

Andrew Mold, economista chefe da Organização para Cooperação e Desenvolvimento  Económico (OCDE), por sua vez, afirmou à Lusa que "não é previsível" dizer até quando é que os governos africanos vão conseguir subsidiar o consumo de forma a evitar novas revoltas sociais. "Em alguns casos há subsídios relevantes para os alimentos básicos devido às implicações sociais de não fazê-lo. Até quando isto se mantém sustentável depende da percentagem de recursos absolutos gastos nesses subsídios. Durante períodos prolongados de preços altos isto causa um grande dilema aos respetivos  governos", explicou.

Para Mold, com uma crise alimentar e preços muito elevados, é fundamental que se invista mais nos sectores produtivos, especialmente na produtividade  do sector agrícola. "Existe essa evidência, mas lamentavelmente nem os respectivos governos nacionais nem os doadores internacionais estão a cumprir esse compromisso", criticou.

sábado, janeiro 01, 2011

PCP - Portugal a Produzir Aposta no futuro do País


É necessária uma política de Estado que promova a produção nacional

A campanha do PCP Portugal a Produzir continua a percorrer o País, chamando a atenção para a necessidade de defender e dinamizar o aparelho produtivo, tendo inclusivamente uma expressão institucional.
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J.
Jerónimo de Sousa visitou, no dia 21, as instalações do Instituto Português de Soldadura e Qualidade, no Taguspark, em Oeiras, uma empresa com mais de 1400 trabalhadores especializada na área da certificação de qualidade em diversas actividades económicas. A delegação comunista, encabeçada pelo Secretário-geral, teve oportunidade de se reunir com a administração da empresa, a quem transmitiu as suas preocupações, perspectivas e propostas acerca da actividade produtiva no País, em especial a actividade industrial.
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Antes da visita a vários laboratórios, onde pôde contactar com trabalhadores, o dirigente comunista transmitiu a sua convicção de que a resposta aos problemas do País, no plano do emprego, dos salários e da dependência externa, é inseparável de uma política de Estado que promova a produção nacional, nomeadamente através da substituição de produtos importados.
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Ainda no âmbito da campanha do PCP Portugal a Produzir, o PCP entregou na Assembleia da República uma pergunta ao Governo acerca  da produção de componentes para a Autoeuropa. Os deputados Paula Santos e Bruno Dias, eleitos por Setúbal, defenderam a necessidade de criar condições para a produção de capas para os bancos dos automóveis no próprio Parque Industrial de Palmela. Isto poderia ser feito, realçam, através da criação de uma nova unidade fabril ou integrando este produto numa empresa já existente. Naquele complexo fabril «há capacidade instalada» e os trabalhadores despedidos da Lear têm uma grande experiência e são altamente especializados, garantem os deputados comunistas. Esta proposta permitiria criar emprego e dinamizar a economia nacional, numa aposta na produção nacional e na criação de riqueza.
 Na sequência do encerramento da Lear, em Abril deste ano, 267 postos de trabalho desapareceram e a produção de capas para os bancos dos automóveis da Autoeuropa foi transferida para a Turquia. Segundo o Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Metalúrgicas e Metalomecânicas do Sul, num encontro que teve recentemente com o Grupo Parlamentar do PCP, esta deslocalização da produção trouxe consigo um significativo abaixamento da qualidade dos produtos, tendo inclusivamente muitas das capas vindas da Turquia sido rejeitadas por não cumprirem os padrões de qualidade exigidos pela Vanpro, que produz os bancos. Os comunistas entendem que a produção destes componentes em Portugal permitiria um significativo aumento da qualidade.
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Avante 2010.12.30
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domingo, setembro 12, 2010

Cuba insiste na eliminação de armas nucleares


América Latina

Vermelho - 10 de Setembro de 2010 - 11h48

Cuba propôs nesta quinta (09) que a metade dos atuais gastos militares, incluídos os relativos às armas nucleares, seja destinada ao desenvolvimento econômico e social através de um fundo dirigido pelas Nações Unidas. Também chamou a adotar um plano de ação que permita alcançar a eliminação total e a proibição completa deste tipo de armamento em um prazo no máximo de 15 anos.

Ambas iniciativas foram apresentadas nesta quinta-feira pelo representante suplente permanente de Cuba na ONU, Rodolfo Benítez, ao falar em uma sessão solene da Assembleia Geral pelo Dia Internacional contra os Testes Nucleares.

O diplomata disse que a simples existência destes artefatos constitui uma grave ameaça para a paz e segurança, e recordou que hoje existem armas suficientes para aniquilar várias vezes a vida sobre a Terra e toda a obra da civilização.

Ele também considerou urgente avançar até a proibição e eliminação total destes instrumentos nucleares.

"Com os recursos que hoje se dedicam aos armamentos, incluindo a modernização das armas nucleares, se poderia alimentar aos 1 bilhão e 200 milhões de famintos existentes no mundo e garantir uma moradia adequada a mais de 640 milhões de crianças que necessitam dela", apontou.

Ele também afirmou que estes gastos ocorrem quando quatro quintos da humanidade vivem no subdesenvolvimento e na pobreza, 800 milhões de adultos não sabem ler e 17 mil crianças morrem de fome a cada dia.

"O desarmamento nuclear não pode seguir sendo um objetivo continuamente adiado e condicionado. É momento de adotar ações concretas e imediatas", insistiu o representante cubano.

A sessão da Assembleia Geral desta quinta-feira foi a primeira celebração do Dia Internacional contra os Testes Nucleares, proclamado no ano passado para ser lembrado a cada 29 de agosto.

Fonte: Prensa Latina.
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sábado, agosto 21, 2010

Propostas do PCP para mais justiça social

 

Conferência de Imprensa, Vasco Cardoso, Comissão Política , Lisboa

Os lucros e a situação fiscal dos principais grupos económicos nacionais, propostas do PCP para mais justiça social

1- Portugal está confrontado com uma profunda crise, marcada pela estagnação económica, pelo crescimento dramático do desemprego, por uma continuada destruição do aparelho produtivo e correspondente aprofundamento da dependência externa, pela progressiva liquidação de direitos sociais, pela perda acentuada de poder de compra e agravamento das condições de vida da população. 
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Mas esta realidade é inseparável de uma política de absoluto favorecimento dos interesses dos grupos económicos e do capital financeiro que, beneficiando de privatizações, da transferência de enormes recursos públicos, de um despudorado favorecimento fiscal, de processos e negócios opacos e de dificuldades no funcionamento da justiça e de uma crescente exploração da força de trabalho, continuam a acumular lucros que são um insulto para quem vive do seu salário ou pequenos rendimentos.
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Ao longo dos últimos meses o Governo PS, com o apoio do PSD e do CDS, em nome da crise e do combate ao défice, impõem todos os dias mais sacrifícios aos trabalhadores e à população – de que são exemplo o congelamento dos salários, o aumento do IRS e do IVA, os cortes nas prestações sociais designadamente no subsídio de desemprego, o encerramento de serviços públicos, os cortes no investimento público. Ao mesmo tempo que sobre os lucros dos grandes grupos económicos, cada um desses partidos mantém um profundo silêncio próprio de quem está comprometido com os grandes interesses.
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Todos estes partidos, e cada um à sua maneira, querem fugir à grande questão que está colocada: é no escandaloso volume de lucros dos grupos económicos e no seu favorecimento fiscal que se encontram razões para a grave crise do país, incluído a do chamado défice das contas públicas.
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2 – Mas números, apesar de muitas vezes ocultados e silenciados pelo poder dominante são demolidores. Só desde 2005, ano em que o Governo PS iniciou funções, até ao final do primeiro semestre de 2010, os 17 principais grupos económicos – incluímos os cinco principais bancos, energia e telecomunicações com EDP, REN, GALP, PT e ZON, cimentos e papel com Cimpor e Semapa, construção civil e autoestradas com Mota Engil, Soares da Costa e Brisa e grande distribuição com SONAE e Jerónimo Martins – acumularam 31.623 milhões de euros de lucros, tendo pago uma taxa efectiva de IRC (imposto sobre os seus lucros) de 19,4%, isto é, significativamente abaixo dos 25% pagos por qualquer pequena empresa.
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Favorecimento fiscal e esbulho de recursos públicos, que no sector financeiro assumem uma dimensão ainda maior com o pagamento já durante o 1º semestre de 2010 de uma taxa efectiva de IRC de 10% sobre os seus lucros – sendo que só o BPI, o BES e o BCP viram os seus lucros crescer face ao semestre homólogo em 11,8%, 14,6% e 10,6% respectivamente. E é a própria Associação Portuguesa de Bancos a admitir a possibilidade dos lucros referentes ao ano de 2009 - mais de 5 milhões de euros por dia - virem a ter uma tributação efectiva de 4,3%, confirmando o escandaloso paraíso fiscal propiciado ao sector financeiro em Portugal. 
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Na verdade se sobre todos e cada um destes grupos económicos tivesse recaído uma taxa efectiva de IRC de 25% sobre os seus lucros, o Estado teria arrecadado mais 2.429 milhões de euros em receita fiscal. 
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Da mesma forma que se sobre o conjunto de operações financeiras, designadamente das que resultam da especulação e da acumulação de mais-valias bolsistas, recaíssem cobranças fiscais de acordo com a defesa dos interesses do país, seguramente que muitos milhões de euros que são necessários aos serviços de saúde, de educação, ou à melhoria das condições de vida das populações não estavam a ser hoje cortados.
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Veja-se a vergonha que constituiu a mediática operação da venda da participação da PT na Vivo à Telefónica, cujo os mais de 6 mil milhões de euros de mais-valias bolsistas que a venda proporcionou, foram drenados por um paraíso fiscal na Holanda, para chegarem a Portugal sem pagarem impostos, e tudo isto com a conivência do Governo PS que anuiu a esse negócio, confirmando assim que o Estado português troca anualmente alguns milhões de euros de dividendos por muitas centenas de milhões de euros de impostos que a PT e outros grupos económicos e financeiros deveriam pagar em Portugal. 
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Não são por isso, como afirmam PS, PSD e CDS, os trabalhadores, os reformados ou aqueles que estão desempregados os responsáveis pelo actual défice das contas públicas, mas sim os grandes grupos económicos e os governos que os servem, que têm cavado o buraco que querem agora cobrir impondo mais sacrifícios ao Povo português. 
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É por isso que são injustas e injustificadas as medidas que PS e PSD estão a aplicar por via do PEC para combater o défice. Se fosse esse o verdadeiro objectivo, não seria certamente por via do aumento do IVA, do IRS, dos cortes nas prestações sociais, ou do roubo nos salários e pensões que se equilibrariam as contas do Estado, mas sim, pela adopção de medidas que corajosamente fossem buscar os recursos aonde eles estão.
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3- É neste quadro que o PCP, não deixará de nos próximos meses, designadamente em sede da discussão do próximo Orçamento de Estado de reapresentar um conjunto de propostas que, em ruptura com a actual política de favorecimento do grande capital, concretizem uma política patriótica e de esquerda, de defesa do emprego e da produção nacional, de combate às injustiças designadamente no plano fiscal. 
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  • Impondo a obrigatoriedade para todos os grupos económicos do pagamento de uma taxa efectiva de IRC de 25%;







  • impondo, no imediato, a tributação das mais-valias realizadas na bolsa, incluindo as operações das chamadas SGPS, bem como dos privilégios dos gestores de grandes empresas;







  • concretizando medidas fiscais que permitam no imediato arrecadar três vezes mais do que o aumento do IRS e dos preços por via do aumento do IVA decretados pelo Governo, designadamente pela criação de um novo imposto, que taxe em 0,1% todas as operações bolsistas e em 20% as transferências financeiras para os paraísos fiscais e uma tributação extraordinária dos patrimónios mais elevados;







  • impondo a todos as empresas que tenham a participação do Estado, directamente ou através da CGD e da Parpública, o impedimento de posse de quaisquer empresas subsidiárias ou sucursais que estejam sediadas em qualquer paraíso fiscal.







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  • O PCP não tem ilusões quanto ao posicionamento do PS, PSD e CDS face a estas propostas que rompem com o actual rumo de favorecimento da acumulação capitalista e de protecção dos grandes interesses. Mas também, não se resigna e tudo fará para combater o actual rumo de desastre nacional que a política de direita comporta. As propostas que aqui apresentamos, por serem justas e irem ao encontro das necessidades do país, constituirão seguramente objectivos de luta dos trabalhadores e do Povo português e cuja concretização estará tanto mais próxima quanto maior for a indignação, o protesto e a luta de todos aqueles que aspiram a um país de progresso e justiça social.
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    quinta-feira, agosto 19, 2010

    Conferência de Imprensa, Jorge Cordeiro, da Comissão Política do PCP

    Sobre a evolução do PIB no 2º trimestre de 2010

    A estimativa para o PIB no segundo trimestre de 2010 avoluma as preocupações do PCP quanto ao estado da economia portuguesa e às perspectivas da sua evolução.
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    O crescimento agora estimado de 0.2% comparativamente ao primeiro trimestre deste ano revela que não só o objectivo definido pelo Governo para 2010 (variação de 0.5%) pode estar comprometido, como o risco de estagnação da economia portuguesa emerge como uma séria ameaça. Ameaça tão mais real quanto as políticas recessivas impostas pelo Governo PS e pelo PSD nos Programas de Estabilidade e Crescimento fazem prever um segundo semestre para a economia portuguesa com um comportamento negativo.
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    A variação homóloga de 1.4%, agora divulgada, não pode ser analisada ignorando que parte de uma base particularmente negativa (menos 3.1% verificada no segundo trimestre de 2009) e que traduz uma redução face ao 1.8% registado no primeiro trimestre deste ano. 
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    Não há manipulação estatística que iluda que depois de uma forte quebra do PIB em 2009 de menos 2.6%, a economia portuguesa apresenta uma produção nacional no segundo trimestre deste ano ainda inferior à de 2008 e 2007, respectivamente em menos 1.8% e 1.0%. 
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    Como o PCP tem alertado não é com políticas recessivas – de abandono do investimento, de falta de apoio à produção nacional e de contracção do mercado interno – que os problemas estruturais da economia portuguesa podem ter solução. A resposta aos problemas do país e o combate à crise são inseparáveis de uma política alternativa que estimule a economia e o emprego, apoie a produção nacional e as pequenas e médias empresas, aposte no investimento público e dinamize o mercado interno pela valorização dos salários, das pensões de reforma e dos rendimentos familiares.
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    quarta-feira, agosto 18, 2010

    Ascensão da China é destaque no New York Times


    Economia

    Vermelho - 16 de Agosto de 2010 - 18h56

    O jornal estadunidense New York Times destaca nesta segunda (16) que, depois de três décadas de crescimento espetacular, a China superou o Japão e se transformou na segunda maior economia do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos, com o PIB avaliado em dólar.

    O fato não constitui propriamente uma novidade. O Banco Central chinês já anunciara no dia 30 de julho que o valor da produção chinesa em dólar superou a japonesa. Nesta segunda (16), a subida no ranking do gigante asiático foi confirmada pelo anúncio, em Tóquio, de que a economia japonesa cresceu 0,4% no segundo trimestre, ficando em US$ 1,28 trilhão, pouco abaixo do US$ 1,33 trilhão registrado pela China no mesmo período.

    Eclipsando o Japão


    O Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos ficou em torno de US$ 14 trilhões em 2009. O crescimento do Japão ficou abaixo do estimado pelo mercado. O fato de desbancar o Japão -- depois de ter passado Alemanha, França e Reino Unido -- reforça o poder do crescimento chinês e a perspectiva de que a China ultrapasse os EUA, tornando-se a maior economia do mundo num prazo histórico relativamente curto se as coisas continuarem evoluindo na mesma direção observada ao longo das últimas décadas.

    “Isso tem um significado muito forte. Confirma o que vem acontecendo há uma década: que a China vem eclipsando o Japão na área econômica. Para todos na região da China, o país agora é o maior parceiro comercial, em lugar de EUA e Japão”, comentou Nicholas R. Lardy, economista do Instituto Peterson para Economia Internacional, em Washington.

    Ainda em desenvolvimento


    Para o Japão, cuja economia está estagnada há mais de uma década, os dados refletem o declínio do poder econômico e político. Segundo o Banco Mundial, o Japão deteve o posto de segunda maior economia do mundo em boa parte dos últimos 40 anos. E, na década de 1980, falou-se inclusive que o país ultrapassaria os EUA.

    Os comunistas chineses, porém, enfatizam que, apesar do crescimento extraordinário, a China ainda deve ser considerada um país em desenvolvimento, predominante agrário e com uma renda per capita relativamente baixa (em torno de US$ 3.600).

    De todo modo, a expansão da influência econômica da China no mundo, seja do ponto de vista comercial ou do peso crescente no ranking da exportação de capitais, é notória. “A China já é o principal fator a determinar o preço de virtualmente todas as principais commodities", diz Lardy.

    Subestimação


    Além disto, a dimensão real do PIB chinês é subestimada quando o critério é o dólar. A moeda estadunidense não fornece uma medida muito realista para o valor efetivo da produção realizada pelos trabalhadores e trabalhadoras chinesas, pois a diferença de políticas cambiais (a China não adota o câmbio flutuante e mantém as cotações de sua moeda, o yuan, sob estrito controle) distorce as relações de preços com os demais países e em especial com os norte-americanos.

    Quando a produção é avaliada pela Paridade do Poder de Compra (PPC) as coisas mudam. O valor da produção chinesa é bem maior e o PIB per capita (produção total dividida pela população, que chegou a 6,5 mil dólares em 2008, segundo o FMI) é quatro vezes maior em PPC que em dólar. A PPC é uma medida mais realista porque exclui os efeitos de eventual valorização ou depreciação do câmbio e apura de forma mais confiável os preços relativos das mercadorias nos diferentes países.

    Ascensão

    De todo modo, o que respalda a ascensão da China e a ultrapassagem do Japão (mesmo em dólar) é o extraordinário crescimento da economia, que ocorre em franco contraste com o desempenho medíocre das três maiores potências capitalistas (EUA, Japão e Alemanha). No primeiro semestre deste ano, a produção chinesa cresceu 11,1% em comparação com o mesmo período do ano passado, alcançando o valor de 2,55 trilhões de dólares.

    Desde 1978, quando foram introduzidas as reformas econômicas, o país vem registrando crescimento médio anual superior a 9,5%, enquanto os países capitalistas considerados mais industrializados patinam no pântano da estagnação, com taxas de crescimento em torno de 2% ao ano e elevado nível de desemprego.

    Exportação de capitais

    O crescimento da produção no interior do país também projetou a influência da economia chinesa para o resto do mundo, através do comércio exterior e da exportação de capitais, alavancada após a crise de 2008. Em 2009 a China passou a liderar o ranking das exportações globais, superando a Alemanha. Em 2007 já tinha ultrapassado os EUA, que declinaram para a terceira posição. A próspera nação asiática também está rivalizando com as potências ocidentais em outra frente de notória relevância no plano do poder econômico internacional: a exportação de capitais.

    O Brasil, do qual a China se tornou a principal parceira comercial durante o ano passado, é um dos principais destinos dos investimentos chineses. Até o final deste ano, os chineses prometem investir cerca de 12 bilhões na economia nacional, o que levará o gigante asiático à condição de maior investidor estrangeiro no país, a julgar pelas previsões do mercado com base nos valores anunciados pelas empresas, que representam um crescimento de 14000% em relação aos 82 milhões de dólares investidos em 2009, segundo o Banco Central.

    Repercussões geopolíticas

    Combinado com o fraco desempenho das potências capitalistas, a ascensão da China configura o fenômeno que Lênin no passado denominou de desenvolvimento desigual das nações. A recessão iniciada em 2007 nos EUA e a crise da dívida na Europa agravaram o quadro de desigualdade, que objetivamente leva à decadência do chamado Ocidente e ao progressivo deslocamento do poder econômico global para o Oriente.

    A exportação de capitais, lastreada pelas maiores reservas do mundo (de cerca de 2,5 trilhões de dólares), tende a transformar a China, doravante, em provedora de crédito e investimentos para as nações relativamente mais pobres, respaldando os movimentos políticos que contestam os modelos de desenvolvimento ditados pelas potências tradicionais (EUA, Japão e Europa) e as instituições da ordem imperialista remanescente do pós-guerra como o FMI e o Banco Mundial. 
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    A ascensão da China, cujo governo não capitulou ao neoliberalismo e reitera a defesa do socialismo com características chinesas (a economia socialista de mercado), realça a necessidade de uma nova ordem econômica e política internacional e, em particular, um novo sistema monetário em que o dólar já não gozará do status de moeda hegemônica.

    Geopolítica


    Este movimento da economia, que tem caráter objetivo, tem notáveis repercussões geopolíticas, pois ocorre num momento de crise da hegemonia econômica e política dos Estados Unidos e da ordem econômica mundial, em que também rola o drama da decadência (relativa) da Europa e do Japão. É a expressão do que alguns observadores chamam de deslocamento do poder econômico global do Ocidente para o Oriente (leia-se China).

    A ascensão da China vem ao encontro do novo cenário político vivido por muitos países da América Latina e tende a contribuir com a luta por mudanças e o anseio de soberania, que passa, em primeiro plano, pela contestação do domínio imperialista exercido pelos EUA, a derrota do neoliberalismo e a afirmação de novos projetos de desenvolvimento, com soberania, democracia e valorização do trabalho.

    Da redação, Umberto Martins, com agências
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    • Eu ri do cara aí embaixo...

      17/08/2010 13h57 ...chamando a China de socialista. Um país que tem o maior número de novos bilionários por ano, e uma desigualdade de renda monstruosa, com os funcionários de fábricas que sustentam a indústria do país ganhando uma miséria. Se isso é socialismo, eu não sei porque vocês querem substituir o capitalismo...
      Filipe
      Fortaleza - CE
    • ascensão

      17/08/2010 9h27 Viva à Grande China Socialista!
      Alexandre Neves Rosendo da Silva
      São Paulo - SP
    • China

      16/08/2010 22h16 Em 1994, estavam prevendo que a CHina neste ano, ia ser a maior potencia mundial. Pois ultrapassaria os EUA. E também, a China está investinfo US$13 bilhões de dólares em energia renovável como a eólica. A maior indústrai de eólicos do mundo é da China. Na década de 60 quando a ex URSS enviou pesquisadores para desenvolver tecnologiacamente a China, pois a China começou a desenvolver bombas de hidrogÊnio, pois acarretou o conflito sino sovietico. E também, todos carros de luxos famosos, vai ser a China.
      Renato
      Itapeva - SP
    • ascensão da China...

      16/08/2010 21h59
      Bem vindo a chegada de novos tempos, sobretudo aquele que tras a mudança, quando não total derrocada do capitalismo, mas a transferência do eixo de decisões do ocidente pelo oriente (China), levando ao debacle do imperialismo do G-7,com a determinação dos povos da AL, África, Ásia na luta pela derrota do neoliberalismo e a afirmação de novos projetos de desenvolvimento, com soberania, democracia e valorização do trabalho. Isso, sem o ingênuo pensamento de que a materialidade do sistema se transfira totalmente às mãos dos trabalhadores, sem o que, a caminho,porém, utópico.
      fernandes
      São Luís de Montes Belos - GO
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    quinta-feira, julho 29, 2010

    Alejandro Nadal: O crescimento predador na Índia

    Economia

    Vermelho - 27 de Julho de 2010 - 15h58

    A economia da Índia mantém elevadas taxas de crescimento desde há vários anos e para muitos é um exemplo a seguir. Afirma-se inclusive que a experiência do subcontinente é mostra de que o neoliberalismo pode de fato funcionar. A realidade é outra. A evolução da economia indiana é um processo patológico que se nutre da desigualdade social e da destruição ambiental.

    Por Alejandro Nadal, no Informação Alternativa

    A Índia manteve um crescimento modesto após a independência em 1947. O projeto de industrialização sustentou uma expansão reduzida (4 por cento) mas estável de 1950 a 1980. O rendimento per capita aumentou em média 1,3 por cento ao ano nesse período. A balança comercial manteve-se com déficit permanente e a economia esteve fechada aos fluxos comerciais e de capital.

    A crise mundial da dívida nos anos 80 submeteu a Índia aos ditames do Fundo Monetário Internacional e nos anos 90 foram impostas as reformas de corte neoliberal, o que representou uma viragem radical na política econômica. Nos últimos 10 anos, a Índia teve em média uma taxa de crescimento anual de 6,8 por cento. A imprensa internacional apresentou isto como um milagre econômico.

    Nestes anos, a desigualdade e a pobreza na Índia pioraram. Hoje, 42 por cento da população total desse país (1,173 bilhão) vive com menos de um dólar diário. 75 por cento da população vive com dois dólares diários e o modelo econômico não vai reverter esta estrutura tão desigual.

    Apesar das taxas de crescimento de 6 a 7 por cento, o aumento no emprego formal na Índia é raquítico e não passa de 1 por cento ao ano. Por certo, isso significa que a expansão econômica apoia-se em aumentos de produtividade muito significativos. Isso relaciona-se com a estratégia de orientar o investimento para as exportações, o que requer abater ao máximo os custos salariais para poder competir. Por isso, a “racionalização” das cadeias de produção é acompanhada de fortes cortes no emprego.

    Apesar do “milagre” nas taxas de crescimento, a Índia mantém um déficit crônico nas suas contas externas e precisa financiá-lo. Para isso, optou por receber fluxos de capital, tanto em investimento estrangeiro direto, como em investimentos em carteira (capitais de curto prazo). Mas isto acarreta um enorme custo: a política macro-econômica deve respeitar regras do jogo, que não têm nada a ver com as necessidades da população indiana.

    A política monetária é dominada pela necessidade de atrair capitais para o espaço econômico indiano. Isso implica manter altas taxas de juro. Além disso, só os privilegiados têm acesso ao crédito; tudo isto imprime um viés regressivo na distribuição da riqueza ao ser privilegiada a carteira de ativos dos estratos mais ricos e aprofundada a desigualdade. Mas isso é irrelevante: o que importa é manter o fluxo de capitais que permite financiar o déficit externo.

    Tudo isto explica que a Índia tenha hoje as reservas mais elevadas da sua história (230 bilhões de dólares). Nisto parece-se com a China, mas a diferença é que aquele país tem um enorme superávit na sua balança comercial, enquanto a Índia sofre um déficit crônico. As reservas da Índia não o são propriamente, são um recurso que em qualquer momento pode evaporar-se.

    A política fiscal rege-se pelo dogma do orçamento equilibrado e, como não há que incomodar os donos do capital para não afetar os investimentos, o equilíbrio fiscal consegue-se cortando o gasto social e reduzindo a quantidade de recursos para a conservação ambiental.

    A abertura ao investimento estrangeiro passa pela entrega de concessões nas indústrias extrativas, florestal e turística. Isto desemboca no despojo de terras nas quais se encontram as jazidas (ferro em Chhattisgarh, bauxita em Orissa, etc.) ou cobertas com densos bosques que representam uma riqueza comercial de fácil acesso. Muitas dessas terras são o lar de povos originários ou adivasi (termo derivado do sânscrito que significa primeiros habitantes do bosque). Os adivasi são menos de 8 por cento da população da Índia, mas constituem 40 por cento da população despojada de vales, cerros e bacias de rios. A entrega das suas terras a megacorporações nas indústrias extrativas e turísticas é um dos traços mais violentos do milagre neoliberal na Índia.

    O economista Amit Bhaduri, professor emérito da Universidade Jawaharlal Nehru em Nova Deli, qualificou este processo como crescimento predador. Há que clarificar que não se trata de uma metáfora. É efetivamente um complexo processo econômico e político no qual os perdedores entregam a sua forma de vida a um crescimento que privilegia uns poucos e não pode elevar o nível de vida da maioria da população.

    O paralelismo com o México é extraordinário. Realmente, a única coisa diferente são as taxas de crescimento. O resto é idêntico. O mesmo modelo, a mesma injustiça.

    Alejandro Nadal é economista e professor pesquisador do Centro de Estudos Econômicos do Colegio de México. Artigo originalmente publicado no diário mexicano La jornada.

    quarta-feira, fevereiro 10, 2010

    «Consenso de Pequim» por Serge Halimi




    «Consenso de Pequim»

    por Serge Halimi

    Parafraseando uma formulação célebre de Mao Zedong, proferida a de 1 de Outubro de 1949, o presidente Hu Jintao, seu longínquo (e distanciado) sucessor, afirmou sessenta anos depois: «A China encontra se hoje de pé graças às realizações do socialismo». O restabelecimento é notável; há muito que o país não é humilhado nem esquartejado pela Europa nem pelo Japão. Melhor ainda, uma parte da sua população tornou se próspera. Mas o socialismo, isso é outra questão… E uma questão tão estranha à realidade que se pode mesmo avançar que o crescimento chinês (de 9,6 por cento em 2008, de 8,7 por cento em 2009) veio em certa medida substituir uma locomotiva americana avariada. Contribuiu, assim, para a convalescença de um sistema capitalista que acabava de sofrer a sua principal borrasca desde 1929. A globalização, ferida em Wall Street, restabeleceu se em Xangai.
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    Quando o ar do tempo era vermelho, a fórmula «o vento de leste vencerá o vento de oeste» anunciava algo diferente da elevação da China ao lugar de primeiro exportador mundial e do eldorado das cadeias de supermercados. Hoje o Carrefour possui cinquenta e seis lojas no país, o britânico Tesco tem setenta e duas e o gigante norte americano Wall- Mart seria menos poderoso sem a sobrexploração dos trabalhadores chineses que lhe permite esmagar os preços (e os concorrentes).
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    Se avaliarmos as viragens verificadas no mundo pela bitola destas transformações, não há nenhuma razão para que certos meios de negócios ocidentais se assustem. Aliás, o The Wall Street Journal até lambe os beiços: «A China continua a ser um mercado extremamente atractivo para as empresas ocidentais em busca de crescimento. Toda a gente reconhece que são os mercados emergentes que tiram o mundo da recessão» [1]. Singularmente menos entusiasta, o Sindicato americano dos Metalúrgicos pediu a Washington que processasse a China por dumping
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    O «modelo chinês» já não pode, contudo, ser resumido a uma plataforma de exportação alimentada por baixos salários. O país está a procurar orientar o seu desenvolvimento para o mercado interno e multiplicar as ligações com as economias regionais. Está já a surgir uma zona comercial comparável ao Acordo de Comércio Livre da América do Norte (NAFTA) ou à União Europeia. Essa zona vai favorecer, como costuma acontecer, os sectores mais poderosos do país dominante. Ora, ultrapassando o Japão, certamente muito menos povoado, a China deverá tornar se este ano a segunda economia do mundo. E a primeira até 2026, segundo o banco americano Goldman Sachs.
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    De que forma vai a China usar o seu poder? Nem as cimeiras do G20 nem a de Copenhaga permitiram, até agora, vislumbrar o país como advogado dos pobres ou dos países do Sul. O seu modelo de desenvolvimento é sedutor, mas sobretudo para os que quiserem conciliar crescimento económico, liberalismo comercial e estabilidade no poder de uma oligarquia que é meio política, meio industrial [2]. Encontram se cada vez mais defensores do «Consenso de Pequim» nas fileiras do patronato ocidental…
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    sexta-feira 5 de Fevereiro de 2010

    Notas

    [1] Patience Wheatcroft, «Don’t Begrudge China’s Exports Coup», The Wall Street Journal, Nova Iorque, 12 de Janeiro de 2010.
    [2] Em 2005, mais de um terço dos patrões do sector privado eram membros do Partido Comunista Chinês.
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    sexta-feira, janeiro 22, 2010

    Desenvolvimento, segurança e paz - Eduardo Bomfim *

    Colunas

    Vermelho - 22 de Agosto de 2009 - 0h01

    Desenvolvimento, segurança e paz

    Eduardo Bomfim *
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    Afirmou Darcy Ribeiro que esse é um mundo só, de nações interdependentes. Mas que existiam as nações autônomas, como também as dependentes. E que nós os brasileiros deveríamos optar pela autonomia e pela singularidade, em razão da nossa dimensão continental e na condição de maior das províncias neolatinas do mundo.

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    E nós vamos percorrendo nos últimos dez anos uma trajetória que indica um caminho de soberania política e econômica, como também se constroem as condições para consolidarmos a autonomia nacional.
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    O crescimento econômico, mesmo em época de crise financeira do sistema capitalista a nível mundial, demonstra que o País marcha pelo caminho correto, ainda que necessitando de sérios reparos em vários aspectos que travam uma maior aceleração da economia nacional. O fato é que se expandiu o mercado interno, incorporaram-se dezenas de milhões de brasileiros no emprego formal, ampliou-se enormemente o crédito às famílias de baixa renda e consequentemente alargou-se substancialmente a possibilidade da população ter acesso ao consumo de bens.
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    De outro lado existe um leque de projetos sociais que atendem às populações de baixa renda, às camadas mais pobres da população brasileira. Esse cenário poderia indicar que a sociedade estaria vivendo uma época de um clima psicossocial razoavelmente saudável.
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    Mas o que se vê e o que se sente não são sinais de plena satisfação coletiva, mesmo com as mais amplas camadas da sociedade, movidas pelo espírito crítico, tirocínio político e sentimento em defesa das suas justas aspirações e sonhos, demonstrando irrefutável apoio ao presidente da República e ao seu campo de aliados. Apesar disso a sociedade vive uma época confusa em que há uma evidente insegurança na paisagem social. O que por sua vez provoca condições de vida sufocantes nas cidades sejam elas grandes, médias ou pequenas.
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    A violência e a criminalidade nunca foram tão graves na história do Brasil, o que se constitui, diante do inegável crescimento econômico ao lado de políticas de apoio social, em uma flagrante contradição. Em qualquer região do País, a população, principalmente da classe média e trabalhadores, sente-se ameaçada, esmagada pela violência que vem provocando uma real banalização da vida humana. Essa é a grande dívida do governo para com os brasileiros na atualidade, que aspiram a três questões vitais: desenvolvimento com segurança e paz.
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    * Advogado, Secretário de Cultura de Maceió - AL
    * Opiniões aqui expressas não refletem necessáriamente as opiniões do site.
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    Emir Sader: o novo campo teórico da América Latina

    América Latina

    Vermelho - 17 de Janeiro de 2010 - 19h13

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    A direita latinoamericana se renovou com o neoliberalismo. Se apropriou das “reformas”, dando-lhe agora um sentido de “mercantilização”, de menos Estado, identificando este com o “atraso”, a “estagnação”, a “falta de liberdade”.

    Por Emir Sader, em seu blog

    O reino do mercado significaria o dinamismo econômico advindo da competividade empresarial, que modernizaria as economias e daria mais alternativas de investimento e de consumo, identificando liberdade com liberdade de variações de acesso a bens no mercado.
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    Esse período teve um sucesso relativo e seu auge foi a década de 90. Valiam-se também do fim da União Soviética e da bipolaridade mundial, confiavam que todas as alternativas — como prognosticava Fukuyama — se dariam no marco da economia de mercado e da democracia liberal. As rupturas estariam relegadas a retrocessos em relação a esses dois parâmetros do “fim da história”.
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    Foi nessa esparrela que caíram governantes como FHC e outros que pretendiam identificar-se com a social-democracia e que passaram a considerar de que agora se trataria de apostar no mercado, no livre comércio e na globalização neoliberal. O anúncio do “novo Renascimento” por parte de FHC se devia ao deslumbramento com esse horizonte, em que se diluiriam direita e esquerda, povo e elites, periferia e centro do capitalismo.
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    Ao desregulamentar as economias, retirando travas para a livre circulação do capital e ao aplicar políticas antinflacionárias duras, se conseguiu um dinamismo imediato e uma estabilidade monetária, mas o prestígio do modelo se esvaziou rapidamente. Ao desregulamentar, se favoreceu não um turbilhão de investimentos produtivos, mas uma gigantesca transferência de recursos do setor produtivo para o especulativo.
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    O capital não é feito para produzir, mas para acumular, para lucrar. Como se deram condições muito mais favoráveis no setor financeiro — na sua modalidade especulativa, de compra e venda de papéis de empresas e de Estados endividados —, com remunerações mais altas, liquidez imediata e menor tributação, houve um inchaço brutal desse setor, às custas do setor produtivo. As grandes corporações passaram todas a ter, ao lado das suas empresas industriais, de agronegócios, comerciais, etc., um setor financeiro, que passou a funcionar como cabeça do conglomerado.
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    Como uma das consequências, o neoliberalismo não criou as bases sociais de sua legitimação mais duradoura. Ele não gera bens, nem empregos, não distribui renda, não precisa de um mercado interno de consumo. Foi se isolando e, com ele, os governos neoliberais. Daí a sucessão de governos eleitos com o voto antineoliberal na América Latina, desde 1998.
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    Paralelamente houve uma renovação do campo teórico: o esgotamento precoce do neoliberalismo — cuja pá de cal é a crise atual, que torna superada a apologia do mercado, central no ideário neoliberal — recolocou os termos do debate. Hoje se discute de que Estado necessitamos. Por um lado há formas de recomposição do Estado keynesiano — adaptado às condições históricas da globalização —, como no Brasil, na Argentina, no Uruguai, enquanto em outros países — especialmente Bolívia, Equador — se busca a refundação do Estado, vinculado à construção de um novo bloco no poder, pós-neoliberal.
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    A crise capitalista, por sua vez, recolocou com força o papel do Estado, tanto no processo de mobilização dos recursos para tentar frear os efeitos dela, quanto para buscar a superação da estagnação e a retomada de um ciclo expansivo. Um diferencial claro a esse respeito se deu entre os países que mantiveram o ideário neoliberal, como o México, que está às voltas com uma tentativa de privatização da sua empresa estatal de petróleo — a Pemex —, em meio à maior crise econômica e social vivida em muitas décadas pelo país, que enveredou pelos caminhos do neoliberalismo e do Estado mínimo.
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    À diferença do México, o Brasil — entre outros países do continente e do Sul do mundo, como a China — intensificou a ação estatal, tanto para induzir a retomada da expansão, quanto para minorar os efeitos sociais — como o nível do emprego, os salários. Como resultado, o Brasil saiu da crise de forma mais ou menos rápida, enquanto o México foi ao FMI, envolto em um processo longo de estagnação, de tal forma sua economia ficou atada à dos EUA, com quem tem comprometido mais de 90% do seu comércio exterior. 

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    quinta-feira, janeiro 21, 2010

    Economia da UE vai de mal a pior; Grécia pode ter explosão social



     

    Economia

    Vermelho - 14 de Janeiro de 2010 - 19h03

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    O economista Nouriel Roubini adverte que o próximo grande problema da economia mundial é o endividamento dos países ricos. Em 2008 e 2009, eles fizeram “tudo o que foi necessário” para evitar uma nova depressão, mobilizando trilhões para estimular a economia. O Reino Unido, a Irlanda, a Espanha e a Grécia estão sob pressão de suas dívidas.

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    A Alemanha teria boas condições para se reequilibrar. Mas os Estados Unidos e o Japão, as duas maiores economias do mundo sofrem com o envelhecimento da população e devem ter taxas de crescimento baixas, alerta Roubini. Precisam tomar medidas de “consolidação fiscal” já no ano que vem para manter a credibilidade, segundo o economista.
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    A verdade é que a crise na Europa vai se revelando a cada dia mais dramática. A ideia de que a Grécia poderia ser forçada a deixar a zona do euro é uma "hipótese absurda", disse nesta quinta-feira o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet.
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    Pressão da União Européia
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    Perguntado sobre a possibilidade de que a Grécia ou qualquer outro país fosse expulso da zona do euro ou abandonasse a moeda única, Trichet disse: "Eu não comento hipóteses absurdas. Essa é minha resposta". Ele afirmou, no entanto, que a Grécia tem muito trabalho pela frente.
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    Trichet preferiu não comentar os planos do governo grego de reduzir o déficit orçamentário abaixo de 3% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2012, frente ao nível de 12,7% registrados atualmente. Os membros da zona do euro com dificuldades particulares precisam "encarar a situação com medidas incisivas e corajosas de forma apropriada", disse Trichet.
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    A implementação apropriada das medidas de política fiscal são "absolutamente importantes", afirmou ele. A Grécia informou nesta quinta-feira parte do seu plano de três anos para reduzir o déficit orçamentário. Sob pressão dos seus parceiros da União Europeia (EU) para reduzir a dívida, o governo grego disse que pretende cortar o déficit no orçamento de 12,7% para 2,8% do PIB até 2012.
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    Novas explosões sociais
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    "Os esforços nos próximos três anos serão decisivos para a trajetória do país", disse o primeiro-ministro George Papandreou ao gabinete, um dia antes de submeter o plano à UE. "As metas são atingíveis, nós podemos fazer isso." Os problemas econômicos levaram a reduções na classificação de risco do país e um aumento nos seus custos de crédito.
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    "Até onde eu posso ver, não há nada de muito novo no plano. Ele ressalta o desejo do governo de reduzir o déficit e limitar a dívida, mas ainda resta uma série de questões", disse Juergen Michels, economista do Citigroup. "Os investidores precisarão ter mais detalhes sobre como o governo grego planeja atingir suas metas", acrescentou.
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    O ministro das Finanças grego George Papaconstantinou disse que as medidas de redução do déficit incluem diminuir gastos com defesa e com hospitais, reduzir o pagamento de horas extras e de bônus no setor estatal e congelar os salários dos servidores públicos em até 2 mil euros por mês. Com isso, a previsão é de novas explosões sociais no país.
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    Liquidez dos bancos centrais
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    A crise na Grécia é apenas a ponta do iceberg. O BCE disse que manteve a taxa básica de juros na zona do euro em 1%, o nível historicamente mais baixo, para não prejudicar a recuperação da economia. A instituição europeia informou, em Frankfurt, que também deixou inalterada a facilidade marginal de crédito, pela qual empresta dinheiro aos bancos, em 1,75%. O BCE manteve a facilidade de depósito, que remunera depósitos overnight em bancos centrais nacionais, em 0,25%.
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    O BCE deixou os juros em 1% desde maio do ano passado, para fazer frente à recessão econômica e à pior crise financeira desde a Grande Depressão. Antes, entre outubro de 2008 e maio de 2009, o BCE reduziu a taxa de juros em 3,25 pontos percentuais. Os dados econômicos divulgados recentemente mostram que a economia dos países que compartilham o euro iniciou a recuperação e saiu da recessão no terceiro trimestre do ano passado, após mais de um ano de contração.
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    O economista-chefe para a Europa do banco Barclays Capital, Julian Callow, disse que "o BCE não tem razões para modificar as taxas de juros, porque tudo caminhou como a entidade esperava". No entanto, esta incipiente recuperação é frágil, já que aconteceu graças à liquidez que os bancos centrais injetaram e aos estímulos fiscais dos governos. O PIB da zona do euro cresceu 0,4% no terceiro trimestre de 2009.
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    Crescimento diminuiu fortemente
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    A economia de países como Alemanha, França e Itália já está no caminho da recuperação, enquanto a de outros, como Espanha e Grécia, ainda está em contração. O analista do Commerzbank Michael Schubert disse que "o BCE tomou tantas decisões na reunião de dezembro que, até março, não divulgará nenhuma nova". Schubert previu que a entidade europeia subirá os juros no quarto trimestre do ano e que, até então, terá como prioridade retirar o excesso de liquidez no sistema financeiro.
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    O BCE esperará que a concessão de créditos às empresas se normalize, que será um indicador de uma recuperação da economia e do comportamento dos bancos comerciais, segundo Schubert. Atualmente, a concessão de créditos às empresas é muito baixa e piora mês a mês. A concessão de créditos às empresas da zona do euro em novembro de 2009 caiu em 8 bilhões de euros a respeito de outubro, para 4,721 trilhões de euros, o que também representa 1,9% a menos que em novembro de 2008.
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    As maiores economias da Europa divulgaram relatórios na quarta-feira que sugerem que o crescimento diminuiu fortemente nos últimos meses de 2009, após o bom resultado que tirou boa parte da região dos números recessivos no terceiro trimestre. Um integrante da agência oficial de estatísticas alemã disse que o crescimento pode ter sido zero no quarto trimestre do ano passado, e os números da produção industrial na Grã-Bretanha e na Itália para novembro só reforçam as preocupações sobre a recuperação.
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    Contexto nada animador
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    "Não é bom", disse o economista do Deutsche Bank Gilles Moec. "Isso confirma que nós tivemos um terceiro trimestre excepcional, mas que o quarto trimestre foi muito mais brando. Isso é verdade para a Itália, mas também para França, Alemanha e para a zona do euro em geral." A agência de estatísticas alemã anunciou que a produção industrial medida pelo Produto Interno Bruto (PIB) caiu estimados 5% em 2009, com a maior parte dos danos à economia se concentrando no início do ano.

    O PIB do país cresceu 0,7% no período entre julho e setembro em relação ao trimestre anterior. O ministro da Economia alemão Rainer Bruederle disse que a recuperação da Alemanha ainda não é auto-sustentável e que a retomada não seria ajudada na fase inicial pelo recente e severo inverno.
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    Na Grã-Bretanha, que não é parte da zona do euro, o contexto por trás da produção industrial de novembro também não é animador, disseram economistas. A produção industrial britânica cresceu 0,4% em relação ao mês anterior, mas a maior parte disso foi devido a um aumento no setor de extração de petróleo e gás. A produção industrial ficou estagnada pelo segundo mês consecutivo.
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    Estratégia Europa 2020
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    "Se a indústria não pode se expandir quando há tantos elementos favoráveis - fraqueza da moeda, fim da redução dos estoques e retomada da demanda global - quando ela poderá?", disse Alan Clarke, economista do BNP Paribas.
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    Os ministros dos 27 países que compõem a União Europeia (UE) concluem nesta quinta sua reunião informal na localidade de La Granja, na Espanha, com debate sobre o futuro modelo econômico da UE e a possibilidade de estabelecer medidas contrárias aos países que não cumprirem esse modelo.
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    Os delegados discutiram, a partir das 9h30 locais (6h30 de Brasília), quais devem ser as bases da chamada Estratégia Europa 2020 e as atuações imediatas para voltar ao crescimento após a crise. A Espanha propõe que o novo modelo conte com objetivos concretos, e que se premie com fundos europeus aqueles países que os cumpram.
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    Com agências

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    quarta-feira, janeiro 20, 2010

    Mundo bipolar: China crescerá três vezes mais que EUA


    Economia

    Vermelho - 5 de Janeiro de 2010 - 13h38

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    Chineses devem puxar a recuperação mundial este ano. Gigante asiático deve cresecr tr~es vezes mais do que EUA e confirmar sua posição no novo mundo bipolar.

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    Com a previsão de analistas e economistas de que o país deve, no mínimo, crescer 9% ao ano, a China firma-se como principal candidato a ser o antagonista dos Estados Unidos num novo mundo bipolar que se desenha para os próximos anos. Essa condição ganha relevo quando os mesmos analistas e economistas projetam crescimento de pouco mais de 1% para o Japão e para a Zona do Euro, e cerca de 3% para os Estados Unidos, para este ano.
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    As previsões são reforçadas pelos dados do último mês de 2009. Mês passado, o índice HSBC China de gerentes de compra (PMI, na sigla em inglês) - um indicador da atividade da produção industrial nacional - subiu para 56,1, contra 55,7, em novembro. A informação foi divulgada pelo HSBC Holdings.  Dezembro foi o nono mês consecutivo em que o PMI ficou acima de 50, patamar que indica expansão da atividade industrial.
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    "O efeito da segunda rodada de medidas de estímulo está se infiltrando para beneficiar substancialmente o setor manufatureiro, como esperávamos", disse economista-chefe do HSBC para a China, Qu Hongbin. "Embora os preços dos insumos e dos produtos industrializados têm aumentado, a inflação deverá ser administrável nos próximos meses", acrescentou. O PMI, compilado pela empresa britânica Markit Group, é divulgado no primeiro dia de trabalho de cada mês e refere-se ao mês anterior.
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    Os dados reforçam as previsões de que a Ásia, em particular a China, deve puxar a recuperação global em 2010. A produção industrial chinesa, em novembro, já dera sinais de expansão sustentada, sem expressivo apoio do pacote de estímulo de 4 trilhões de iuans (US$ 585 bilhões) do final de 2008. As importações cresceram pela primeira vez em 13 meses e as exportações sugeriram recuperação.
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    Com agências e Monitor Mercantil 

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    Emir Sader: A década da América Latina



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    América Latina

    Vermelho - 27 de Dezembro de 2009 - 16h22

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    A década de 1990 foi das piores que a América Latina já viveu. A crise da dívida – com suas conseqüências: FMI, cartas de intenção, ajustes fiscais, etc. – e as ditaduras militares abriram o caminho para que se impusessem governos neoliberais em praticamente todo o continente. Passamos a ser a região do mundo com a maior quantidade de governos neoliberais e com suas modalidades mais radicais.

    por Emir Sader,

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    em seu blog na Carta Maior

    A capacidade de reação da América Latina se revelou na sua capacidade de reverter radicalmente esse quadro: passamos a ser a região que concentra aos governos eleitos pela rejeição do neoliberalismo, que abriga processos de integração regional independentemente dos EUA, que promove formas inovadoras de integração fora da lógica mercantil.
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    Lideres latinoamericanos como Lula, Hugo Chavez, Evo Morales, Rafael Correa, entre outros, se projetaram internacionalmente, por sua capacidade de encarnar as necessidades dos seus povos. A Bolívia, o Equador e a Venezuela se somaram a Cuba, com os países que - conforme a Unesco - , terminaram com o analfabetismo.
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    Os países que optaram pela integração regional e não por Tratados de Livre Comércio, expandiram suas economias, distribuíram renda, avançaram nos direitos sociais da sua população, extenderam notavelmente o mercado interno de consumo popular, diversificaram seu comércio exterior, aumentaram significativamente o comércio entre eles.
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    Na década anterior, a América Latina havia sido reduzida à intranscendência. Governantes subalternos – Menem, Fujimori, FHC, Carlos Andrés Perez, Carlos Salinas de Gortari – tinham aplicado mecanicamente o mesmo modelo neoliberal, enfraquecido o Estado, a soberania, as economias nacionais. Os governos dos países que assumiram os programas neoliberais não incomodavam ninguém, havia reduzido nossos Estados a subseqüentes perdedores da globalização, que a aplaudiam, às custas da deteriorização ainda maior da situação dos povos dos nossos países.
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    A primeira década do novo século apresenta uma nova América Latina, com a maior quantidade de governos progressistas que o continente jamais teve. Com processos de integração regional fortalecidos – do Mercosul à Alba, do Banco do Sul à Unasul, do Conselho Sulamericano de Segurança ao Parlamento do Mercosul, entre outras iniciativas. Desenvolveu-se a Operação Milagre, que já permitiu recuperar a visão a mais de 2 milhões de pessoas, que de outra maneira não teriam possibilidade de recuperar a vista. Formaram-se novas gerações de médicos pobres na melhor medicina social do mundo – a cubana – nas Escolas Latinoamericanas de Medicina.
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    As crises econômicas da década anterior, típicas do neoliberalismo, que debilitaram a capacidade de defesa dos Estados nacionais diante do capital especulativo, que promoveu, entre tantas outras crises, as do México de 1994, do Brasil de 1999 e da Argentina de 2001-02, devastaram as economias desses países. O Brasil de FHC deixou um país em recessão prolongada e profunda para Lula, a quem coube superar a crise com políticas de desenvolvimento econômico.
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    Na década que termina, os países latinoamericanos que participam dos processos de integração regional – com destaque para o Brasil, a Bolívia, o Uruguai, o Equador – superaram a crise, desatada pelos países centrais do capitalismo, que ainda estão em recessão, que deverá se prolongar ainda por um bom tempo. Revelou a capacidade desses países de diversificar seu comércio exterior, de intensificar o comercio intraregional e de seguir expandindo o mercado interno de consumo popular.
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    A América Latina mostra hoje ao mundo a cara – imposta pela predominância de governos progressistas – de um continente em expansão econômica, afirmando sua soberania – em questões econômicas, políticas e de segurança regional -, melhorando a situação social do povo, consolidando políticas internacionais que intervêm na decisão dos grandes temas mundiais. Foi, sem dúvida, esta primeira década do novo século, a década da América Latina, que se projeta para a segunda década como um dos exemplos de luta na superação do neoliberalismo e de construção de sociedades mais justas e solidárias.
     

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    • Análise e educação

      28/12/2009 19h14
      Ótimo texto. E não podemos esquecer que estas transformações, como todas as transformações democráticas, estão desagradando monopólios e antigos poderes. Creio que é importante a divulgação de análises e textos como esse e de educação continuada para que as pessoas saibam julgar notícias e notícias. Afinal, esse quadro delineado pelo Prof. Emir não tem, certamente, a concordância da dita imprensa grande e das classes a ela associadas. Muito bom o texto.
      Wanderson
      Paracambi - RJ
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    Índia: aumento do PIB pode superar os 7% este ano



     

    Economia

    Vermelho - 27 de Dezembro de 2009 - 13h15

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    O primeiro-ministro da Índia, Manmohan Singh, disse hoje que o Produto Interno Bruto (PIB) do país pode crescer acima de 7% no atual ano fiscal e assegurou que as reformas econômicas não tiveram um impacto negativo nas camadas mais pobres da população, mas reconheceu que ainda há muito a fazer.

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    Singh assegurou que a economia indiana poderia crescer a um ritmo de 7% "ou um pouco mais", na inauguração de uma conferência sobre economia no estado de Orissa, no leste da Índia, segundo agências de notícias indianas.
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    "O momento (de crescimento) foi interrompido pela crise econômica global e caímos para um (aumento de) 6,7% no ano 2008-2009. Poderíamos conseguir 7% ou um pouco mais em 2009-2010", disse.
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    O chefe do Governo se referiu também ao impacto das medidas sobre as classes mais desfavorecidas e disse que há "argumentos de que as reformas afetaram de os pobres de forma adversa, tornando os ricos mais ricos e os pobres mais pobres".
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    No entanto, assegurou que os "fatos estão bastante claros. A porcentagem (de pessoas) abaixo do nível de pobreza não subiu" e acrescentou que as medidas empreendidas contribuíram para isso.
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    O primeiro-ministro reconheceu que a diminuição do nível de pobreza foi insuficiente nos últimos anos e acrescentou que "muito mais" deve ser feito e que a "diminuição deveria ser muito mais rápida".
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    Fonte: Efe

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    segunda-feira, janeiro 18, 2010

    O petróleo muda Angola - Haroldo Lima



     

     

    Mundo

    Vermelho - 8 de Dezembro de 2009 - 19h11

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    Chego de Angola, vivamente impressionado com as transformações que ali ocorrem. Sua capital, Luanda, parece um canteiro de obras. No centro da cidade, planeja-se edificar 180 edifícios, de mais de 20 andares cada, 80 dos quais já em construção. Em partes da capital, ainda se vêm grandes aglomerações, de ruas estreitas e casas baixas, abrigando população carente. Mas, em outras partes, vai surgindo quase que outra cidade, com largas avenidas, pistas duplas, iluminação moderna.

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    Por Haroldo Lima*

    O porto - um amigo me informa - há cinco anos passava os dias sem ver navios e as noites na escuridão. Hoje, feericamente iluminado, vê os navios fazerem fila para atracar. Dizem que, pelo interior, progresso semelhante acontece.
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    No mundo em que os países do BRIC ascendem a surpreendentes posições de destaque e em que os Estados Unidos e o Dubai fazem-nos recordar que "tudo o que é sólido se desmancha no ar" (Marx), é espantoso que em 2007 a maior taxa de crescimento do mundo foi a de Angola, que alcançou 23,3%, e que em 2008, com a crise, caiu para o terceiro lugar.
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    Tamanha desenvoltura assenta-se em dois pilares poderosos, o petróleo e o diamante. E é claro que os 23,3% de crescimento partem dos patamares baixos da economia destroçada pela guerra civil que assolou o país durante vinte e sete anos, extinta há apenas sete. De qualquer maneira, é um sinal dos tempos que um país africano tenha chegado ao seletíssimo pódio da linha de frente do crescimento mundial.
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    Como fonte de renda, o petróleo supera o diamante em Angola. A produção petrolífera do país regula com a brasileira, algo em torno de dois milhões de barris por dia. A diferença é que a produção brasileira é basicamente para o consumo interno e a angolana é exportada na proporção de 97,5%. Assim é que Angola foi admitida na OPEP, no final de 2006, e o seu Ministro dos Petróleos, José Maria Botelho de Vasconcelos, é o atual Presidente da OPEP.
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    Foi o Ministro Botelho de Vasconcelos quem presidiu o seminário para o qual o Diretor-Geral da ANP do Brasil foi convidado e compareceu com uma delegação. Seja na exposição que fiz ao Seminário, seja nas conversações bilaterais que mantive com o Ministro, percebi o grande interesse que despertavam as informações sobre o "pré-sal brasileiro", as mudanças previstas para o marco regulatório no Brasil, a defesa do meio ambiente e as questões ligadas ao conteúdo local. Mas, no setor político e no meio técnico angolanos, o que abrasa a imaginação é a hipótese, tudo indica que provável, do "pré-sal angolano."
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    Uma Nação ainda não industrializada quando descobre muito petróleo fica ante uma encruzilhada, ou o caminho do progresso nacional ou o realce tão grande da atividade exportadora do óleo, que inviabiliza a industrialização do país. Uma variante dessa "doença do petróleo" é a "doença holandesa", que se abate sobre nações já industrializadas, e onde a concentração na exportação do óleo deforma de tal modo a economia local que a desindustrializa.
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    Estes riscos são verdadeiros, não devem ser subestimados. Precisamente por isso é que aqui no Brasil, após a descoberta do Pré-sal, estamos fazendo um grande esforço para alterar o marco regulatório da sua exploração e produção. Em Angola já vigora o contrato de partilha de produção que, com as particularidades brasileiras, aqui queremos introduzir. Esse contrato permite o controle da produção e do seu ritmo. Ao tê-lo em vigor, Angola está institucionalmente armada para enfrentar a "doença do Petróleo".
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    Medidas diversas estão sendo tomadas no sentido do incentivo ao desenvolvimento de outras áreas produtivas, da criação de empresas nacionais de serviços e da qualificação da mão de obra. Em pauta já estão o primeiro projeto piloto para a fabricação do etanol à base da cana de açúcar e a definição de metas mensuráveis para o aumento do conteúdo nacional na indústria petrolífera.
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    O peso do petróleo na economia angolana ainda é excessivamente elevado, atingindo 95% das exportações e 65% das receitas. Mas, mudanças já se fazem notar, como a anunciada, há poucos dias, pelo Ministro da Economia, Manuel Júnior: o setor do petróleo deixou a hegemonia absoluta que tinha na composição do PIB do país e passou a ter um peso de 42% do mesmo, enquanto que o setor não petrolífero ficou com os 58% majoritários. A vitória é maior por mostrar uma tendência em evolução. .
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    Haroldo Lima é Diretor-Geral da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis do Brasil.

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    • Haroldo Lima e Angola

      09/12/2009 9h34 Parabens Haroldo por este artigo sobre Angola e muito obrigado por compartilhar sua experiencia de visitante e palestrante com os que por aqui vivem. Como voce testemunhou e afirma,Angola está um "canteiro de obras" financiado pela exploração de Petroleo.Mas isto só é possivel porque Angola luta resolutamente com as proprias forças pondo todos seus investimentos a serviço do povo e do País. Certamente que se Angola e seus governantes mobilizarem o povo e conceberem um plano de industrialização,construção de infraestrutura e democratização de todos os meios de produção logo sairá do terceiro mundo. VIVA A REVOLUÇÃO ANGOLANA!
      arthur de paula
      são paulo - SP
    • O desenvolvimento acelerado de Angola

      09/12/2009 4h14
      O artigo de Haroldo Lima, Diretor da Agência Nacional do Petróleo, sobre o acelerado desenvolvimento de Angola, às custas da extração e exportação de petróleo, demonstra que as forças produtivas angolanas ainda não estão desenvolvidas de forma suficiente. O povo angolano viveu um longo período de guerras civis até alcançar sua libertação e derrotar as forças contrarrevolucionárias financiadas pelo imperialismo internacional. Fica claro que, o governo de Angola trabalha com suas próprias forças, do povo angolano, para construir um novo país. Com o desenvolvimento de novas forças produtivas a industrialização aumentará e as exportações e importações diminuem, equilibram-se, devido ao consumo interno que aumenta. Nenhum país do mundo pode contar com apenas o petróleo e o gás natural, são fontes esgotáveis e recursos preciosos para serem queimados, da mesma forma que é precioso o sistema ambiental. Ocorre no mundo atual a combinação e desigualdade. A ciência materialista é a resposta.
      Luzardo Bins Cardoso
      Porto Alegre - RS
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    quarta-feira, janeiro 13, 2010

    ““Lost Decade” in Translation: What Japan’s Crisis could Portend about Recovery from the Great Recession” - Murtaza Syed, Kenneth Kang, e Kiichi Tokuoka

    As lições do Japão para a actual crise
    10 Janeiro 2010

    [Paper] ““Lost Decade” in Translation: What Japan’s Crisis could Portend about Recovery from the Great Recession”

    [Autores] Murtaza Syed, Kenneth Kang,
    e Kiichi Tokuoka

    [Publicação] FMI, Dezembro 2009

    [Classificação JEL] E00, F00, N100

    [Palavras Chave] Japan, Lost Decade, Financial Crisis, Great Recession, Green Shoots, Exit
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    Murtaza Syed, Kenneth Kang e Kiichi Tokuoka estudam a crise japonesa para retirar algumas conclusões sobre a actual situação e as medidas de política económica mais adequadas. E as lições a reter são quatro: indicadores positivos não são garantia de recuperação; é necessário resolver as fragilidades financeiras; os estímulos macroeconómicos facilitam o ajustamento mas têm custos e, por isso, é aconselhável ter planos a médio prazo.
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    [Artigo] Este artigo publicado pelo FMI olha para a crise japonesa que teve início na década de 90 para tirar algumas conclusões sobre a sustentabilidade da recuperação económica actualmente em curso, uma vez que ambas as crises tem características semelhantes.
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    [Abordagem] Os autores analisam os paralelismos e retiram algumas implicações para a situação actual a partir da experiência japonesa, em termos de perspectivas económicas e também caminhos a seguir pela política económica.
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    [Conclusões] O caso japonês permite retirar quatro lições: i) haver indicadores positivos não é uma garantia de recuperação e é necessário ser cauteloso; ii) as fragilidades financeiras deixam a economia vulnerável a choques e devem ser resolvidas para assegurar a durabilidade da recuperação; iii) os estímulos macroeconomicos facilitam o ajustamento mas têm custos; iv) é difícil encontrar o momento exacto para retirar os estímulos e ter planos a médio prazo ajuda.
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    [Comentário] O Japão é um óptimo exemplo para compreender as implicações da actual crise financeira e as respostas mais adequadas em termos de política económica. Retirar lições do passado é sempre importante para melhor actuar no futuro, mas a crise que se vive está demasiado espalhada pela economia mundial para haver apenas um caminho. São muitas realidades nacionais diferentes que podem exigir respostas distintas.
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    E.conomia.info - 2010.01.11


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    Os avanços da semana na Teoria Económica


    Aumenta a pressão sobre o OE/2010
    11 Janeiro 2010

    Segundo o Financial Times as agências de rating estão de olho em Portugal e querem ver medidas significativas de combate ao défice orçamental. A situação não é comparável à grega, mas vários analistas avisam que o país corre o risco de receber cortes de ratings.
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    O Negócios escreve que o Governo decidiu um corte de 10% a 15% no investimento financiado pelo Orçamento do Estado, uma medida que resulta da necessidade de consolidação orçamental
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    A Islândia discutida em Portugal…
    João Pinto e Castro sai em defesa da Islândia contra Reino Unido e Holanda. Nuno Teles, elogia a análise, mas salienta as diferenças face ao caso porruguês e grego para critica os que defendem politicas orçamentais austeras.
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    … E a Europa discutida nos EUA
    Para a maioria dos norte-americanos a Europa é um desastre. Essa é, por exemplo, a visão de James Manzi. Paul Krugman discorda e diz que se considerada apenas EU-15 o desempenho entre os dois blocos, desde 1980, e medido pelo PIB per capita, não é assim tão diferente.
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    Num outro artigo Krugman apresenta em maior detalhe as razões para considerar a Europa um sucesso económico
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    Chavez desvaloriza bolívar em 50% e enfrenta corrida às compras
    O Presidente da Venezuela aprovou na sexta-feira uma desvalorização de 50% do bolívar. A decisão gerou forte contestação junto das empresas estrangeiras que tinham capitais no país (nomeadamente as espanholas) e levou milhares às ruas para fazerem compras antes dos preços dispararem, escreve o El País que diz que Chavez ameaça por o exército nas ruas para travar as subidas de preços exageradas.
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    Tensão na Argentina sobre decisão de Kirchner de demitir o governador do Banco Central
    Na semana passada Cristina Kircher deu ordem ao banco central para vender reservas de modo a pagar divida externa. O governador do banco central recusou-se e alegou que se tratava de uma acção ilegal. Kirchner demitiu-o. Deste então a tensão política e juridica não pára de crescer, escreve o New York Times
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    Proposta espanhola de uma política económica comum na EU não colhe junto de alemães e britânicos
    A proposta de Jose Luis Zapatero de criação de uma política económica comum na EU, que permita relançar, com credibilidade, a agenda de Lisboa para recuperar a economia europeia na próxima década não colhe junto da Alemanha e do Reino Unido, escreve o El País

    A China transformou-se no maior exportador mundial
    Depois de 13 meses de queda as exportações chinesas aumentaram 18% em Dezembro face ao mesmo mês do ano anterior, conseguindo assim fechar 2009 à frente da Alemanha como maior exportador mundial, escreve o The Guardian. Com os consumidores do mundo a privilegiarem produtos mais baratos como os produzidos na China, o gigante asiático afirma-se como líder.
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    E.conomia.info - 2010.01.12

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    Os avanços da semana na Teoria Económica

     

    Crescimento moderado, sem emprego e com mais endividamento
    12 Janeiro 2010

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    Portugal vai voltar a crescer este ano, a um ritmo próximo da zoan euro, mas o emprego vai continuar a apresentar uma evolução negativa e o país deverá endividar-se ainda mais rapidamente. Estas são as previsões actualizadas do Banco de Portugal, que apostam no fim da crise financeira internacional, mas que continuam a ver a economia portuguesa com sérias fragilidades. O relatório do Banco de Portugal pode ser visto aqui. O Negócios e o Público fazem um resumo dos principais números das projecções.
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    Reserva Federal com lucros recorde
    No ano em que foi chamada para salvar a economia e os bancos comerciais de uma nova Grande Depressão, a Reserva Federal dos EUA deverá ter garantido um novo recorde nos seus lucros. De acordo com os cálculos do Washington Post, os ganhos, que vão reverter para o Tesouro, podem atingir os 45 mil milhões de dólares e são consequência do maior risco assumido pela Fed ao emprestar muito mais dinheiro e ao comprar directamente no mercado obrigações e outros activos.
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    BCE pede mais poder na regulação
    Jean-Claude Trichet está decidido a reforçar os poderes do banco que lidera nas áreas da regulação. Como diz a Bloomberg, o presidente do BCE publicou uma opinião sobre a proposta de legislação feita pela Comissão Europeia em que pede para a autoridade monetária da zona euro um papel mais importante na hora de vigiar a saúde financeira do sector bancário europeu.
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    Os números das contas públicas apresentados pela Grécia são maus, mas poderiam ainda ser piores.
    Como se não bastassem os problemas que já está a ter com os números oficiais que publica para as suas contas públicas, a Grécia tem agora de enfrentar um relatório da Comissão Europeia que assinala que as estatísticas saídas de Atenas não são de fiar e foram condicionadas por pressões de ordem política. Isto quer dizer que, se tudo tivesse sido bem feito, os défices da Grécia seriam ainda maiores, diz o FT.
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