A Internacional

__ dementesim . . Do rio que tudo arrasta se diz que é violento Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem. . _____ . Quem luta pelo comunismo Deve saber lutar e não lutar, Dizer a verdade e não dizer a verdade, Prestar serviços e recusar serviços, Ter fé e não ter fé, Expor-se ao perigo e evitá-lo, Ser reconhecido e não ser reconhecido. Quem luta pelo comunismo . . Só tem uma verdade: A de lutar pelo comunismo. . . Bertold Brecht
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terça-feira, agosto 14, 2012

O último patrão de Passos Coelho. "Se um dia quiser voltar, Passos tem as portas escancaradas"


 As opiniões do "patrão" de Passos de Coelho ou breviário do capitalismo puro e dita-duro, sem disfarces

Jornal de Negócios


o presidente da Fomentinvest, a holding que presta serviços na área do ambiente, mas ficou conhecido por ter sido o patrão do PM.

O último patrão de Passos Coelho. "Se um dia quiser voltar, Passos tem as portas escancaradas"

  http://www.dinheirovivo.pt/Empresas/Artigo/CIECO055893.html?page=0

Realces da responsabilidade de VN

D.R.
10/08/2012 | 19:21 | Dinheiro Vivo
Começou com uma fábrica de latas, depois de uma viagem de carro que fez com a mulher pela Europa, fundou várias empresas, entre as quais a Colep, também passou pela banca e hoje é o presidente da Fomentinvest, a holding gerida por Ângelo Correia e que empregou Pedro Passos Coelho até à sua eleição para primeiro-ministro. Com 73 anos, Ilídio Pinho não desistiu do sonho de criar grupos económicos, mas a partir de fora, porque em Portugal, diz, "não é realizável".

As férias são dadas a balanços. Qual a avaliação que faz do estado do país, o que o preocupa?
Não é o que me preocupa, mas o que me ocupa. O país foi conduzido para um estado de insolvência. Portugal é como uma empresa, que deve ser gerido economicamente e cujos resultados podem significar uma melhor qualidade de vida, ou então sacrifícios. Portugal está na fase de austeridade, há que fazer sacrifícios, mas também reformas que resultem na redução dos custos do Estado. Uma condição absolutamente necessária nos dias de hoje na economia global é ter capacidade de resposta imediata aos acontecimentos. Quem não tiver é melhor que não se meta nisso porque vai perder, é uma questão de tempo. Cada país é um empresa, vivemos numa concorrência interpaíses. O Estado, o sistema, é mau gestor, não tem tido capacidade de resposta em tempo real aos acontecimentos. A culpa não é do "A" ou do "B", o aparelho do Estado, tal qual está, construído na sua confusão, impede a capacidade de gestão em tempo real. As decisões demoram a tomar ou nem se tomam. Isso é o que está na base das dificuldades que temos.

O país está melhor do que há um ano. Estamos no caminho certo?
Sinceramente, acho que sim. Se me pergunta se está bem, não está. Citando Salvador Dalí: "Não te preocupes com a perfeição porque não existe." O Governo, não sendo perfeito, está a fazer um esforço absolutamente patriótico para criar condições para que Portugal seja um país com uma identidade estratégica intercontinental.

O Governo ainda pode pedir mais sacrifícios?
É uma questão que é chocante, essa coisa dos sacrifícios não deveria ser exposta assim. Trata-se antes de uma alteração de hábitos e os sacrifícios que se têm de fazer, nessa alteração de hábitos, infelizmente, ainda não acabaram.

Fará sentido cortar os subsídios às pessoas, se for necessário?
Os sacrifícios devem ser repartidos por todos, e mais por quem pode mais. O que custa é que esta situação se deve ao corporativismo criado pela falta de regionalização em Portugal. Esse corporativismo está centrado em Lisboa, em todos os sectores, nomeadamente, no sindical e na administração pública, no sistema financeiro, sobretudo, na economia de bens transacionáveis. Tudo isso, criou em Lisboa uma bolha que vai ter de se resolver. E é aí que se tem de fazer os grandes sacrifícios. Porque dizer ao povo do Norte que vá trabalhar mais, isso não se faz!

O desemprego no Algarve é mais elevado do que no Norte.
Estou a falar do Norte mas podia falar do Sul. O que estou a dizer é que o corporativismo que reside em Lisboa tem de mudar de hábitos, os interesses ocultos têm de desaparecer.

Mas refere-se a quem?
Por exemplo, à televisão. O Estado deve ser responsável por um canal pedagógico, que informe, que ofereça cultura aos portugueses, uma open university. Agora, um canal para oferecer pornografia ou jogos de futebol ou coisas dessas, porque é que havemos de pagar isso?!

Defende a privatização da RTP?
Em absoluto. Como é que podemos estar a pagar 375 milhões de euros para essa televisão, quando podemos fazer isso só com 125 milhões. São 250 milhões que se podem economizar. Isso, é a iniciativa privada que deve fazer. Ao Estado compete criar condições de pedagogia e conhecimento, à margem do interesse comercial.

O Tribunal Constitucional impede o Governo de cortar os subsídios apenas aos funcionários públicos. O Governo deve compensar a falta dessa receita com mais impostos?
É óbvio que esse caminho já deveria ter terminado, exceto com o aparelho do Estado. O Estado pesa 50% do PIB, isto inviabiliza o país.

A despesa tem uma componente muito grande de salários dos funcionários públicos e o Constitucional impede o corte.
Altere-se a Constituição. O problema existe, ataca-se e resolve-se. Não devemos ter de respeitar uma coisa que está obsoleta. Se pudermos evitar mais sacrifícios através das reformas necessárias do Estado, pois que se altere a Constituição para que os governos resolvam os problemas, senão resulta daí que cada vez teremos de fazer mais sacrifícios, cada vez terá de haver mais sopa para os pobres.

O desemprego é o principal problema da economia portuguesa?
É óbvio que é um problema. Durante toda a nossa vida, o motor da economia foi o imobiliário, mas acontece que temos imobiliário sobrante para as nossas necessidades. Temos os empresários, as máquinas, as paredes das fábricas, os operários, mas não temos mercado. Acabou, tem de haver deslocalização empresarial do sector imobiliário, desse cluster, que são milhares e milhares de empresas. Se não o fizermos, o desemprego continuará a subir e não há governo que consiga resolver o problema. Têm de surgir novos paradigmas económicos, mas para isso são precisos muitos anos, temos de criar cultura da ciência e da tecnologia nas escolas, nas empresas, temos de ter uma open university na TV para se fazerem cursos empresariais, temos de abrir as universidades à sociedade civil e ao mundo empresarial. O país tem mesmo de mudar.

Vivemos com taxas de desemprego recorde. Nos jovens, ronda os 30%.
A situação tenderá a agravar-se se continuarmos a ter uma Assembleia da República muito mais interessada nos debates partidários do que na resolução construtiva dos problemas nacionais.

Sem dinheiro, os empresários não investem e não criam emprego.
Nós temos milhares e milhares, dezenas de milhares de pessoas que vivem dependuradas do Orçamento do Estado, sem acrescentarem nada de riqueza ao valor nacional. E isso resulta do sistema político, falo outra vez de corporativismo. Quando um governo é eleito, a oposição deveria respeitar essa decisão soberana, deixar governar e participar construtivamente na governação, daquilo que acha bem, denunciando o que está mal. Mas não obstaculizar a atividade parlamentar, que é o que está a acontecer. São uns a quererem construir e outros a impedir a construção, destruindo.

Qual a avaliação que faz deste primeiro ano de Passos Coelho?
É preciso ter muita coragem, nomeadamente para suportar os níveis de stress e para tomar as medidas que se tomaram. Poder-se-ia ter feito mais, sim, mas se tivéssemos tido a oposição a ajudar. Como é que se assiste aos debates parlamentares que vão acontecendo?! E quem paga isto tudo são os trabalhadores.

Passos Coelho tem sido um bom primeiro-ministro?
Sim. Ache-me melhor. Só lhe peço um nome, um!
Conhece-o bem, até porque Passos Coelho trabalhou no seu grupo (Fomentinvest).
Tive imensa pena que tenha saído. Perdi um excelente colaborador
.
Já não tem nenhum vínculo com o seu grupo se quiser voltar?
Já não tem, mas se um dia quiser voltar tem as portas escancaradas.

Porque é que Passos Coelho era um bom profissional?
Pelas suas competências, pelo que idealizava e pelo desenvolvimento da sua atividade. Foi um homem com objetivos e que os concretizou.

Envolveu-se na eleição de Passos Coelho para primeiro-ministro?
Votei nele, com muito prazer, mas não estive envolvido na sua eleição. Sobre política, enquanto ele era administrador da Fomentinvest, falámos alguns minutos, creio que somente uma vez. Não misturo atividade empresarial com política. E ser primeiro-ministro não é ser o presidente executivo deste país?! O chairman é o Presidente.

Não lhe aponta erros?
Uma vez perguntaram-me qual foi a decisão que tomei da qual me tinha arrependido. Respondi que já tomei milhares de decisões e que o que conta é o resultado. Ninguém é perfeito e é perfeitamente natural que alguma decisão não tenha sido a óptima. Todas as decisões são discutíveis. Sobre ele, sobre este Governo, a resultante da governação é altamente positiva e abre as portas para que Portugal seja, dentro de alguns anos, um país do qual nos possamos orgulhar.

O primeiro-ministro não errou na constituição da sua equipa ao escolher alguns ministros, nomeadamente Miguel Relvas, que agora lhe causam problemas?
Mas o Miguel Relvas criou algum problema?!

A polémica à volta da licenciatura?
Mas quem criou essas polémicas não foi o Miguel Relvas, foram as pessoas que não têm nada que fazer senão criar problemas, pondo acima dos interesses do Estado os seus interesses pessoais, muitas vezes ocultos. Recomendaria a essas pessoas que, na atual situação, olhassem fundamentalmente pelos interesses do país, para se sentirem verdadeiramente portugueses e úteis à Nação.

Um conselho a Passos Coelho.
Que continue a ser o primeiro-ministro com coragem que tem sido até agora, sem que isso lhe custe privações de muita ordem. Imagino o que ele passa para servir Portugal. Mas ele tem essa missão, e o homem que conheço é um lutador de causas. Estou convencido de que um dia, quando se despedir desta vida, há de ir orgulhoso por ter procurado servir o país.

O que acha quando lhe dizem quejá foi o patrão de Passos Coelho?
Sinto-me muito orgulhoso porque Portugal ganhou um bom primeiro--ministro, determinado e disposto a todos os sacrifícios para oferecer um melhor nível de vida aos portugueses e dar a Portugal o lugar que o país merece no mundo.

Também fez muitos elogios a José Sócrates quando este era primeiro--ministro.
São dois bons primeiros-ministros?
Tive uma excelente opinião sobre José Sócrates durante os primeiros anos da sua governação porque ele tinha uma visão correta para Portugal. Contudo, o evoluir dos acontecimentos mostrou que ele deixou de atuar de acordo com a sua visão. E acabou por se transformar num mau primeiro-ministro.

Teme que isso possa acontecer a Passos Coelho?
Bem, eu não sou o Zandinga, mas é minha convicção que Portugal tem um excelente primeiro-ministro, com visão empresarial para levar Portugal ao caminho que precisa para ser uma base de sustentação económica e cultural de relações intercontinentais. Estamos a ser conduzidos no bom sentido. Não podemos é dizer já que está tudo bem porque há reformas que têm de ser feitas.

Mas se diz que não está tudo bem, o que é que está mal?
Está mal a confusão do sistema em que vivemos. A fiscalidade, por exemplo, deveria estar concentrada na manifestação de riqueza, avaliando-se pessoa a pessoa e tratar isso de forma direta e frontal e não derivar isso, por exemplo, para a Saúde. O Estado deveria oferecer os serviços de saúde a todos e por igual. Quem quiser mais, paga. No ensino, a mesma coisa. O relacionamento do Estado com as universidades públicas e com as privadas coloca os jovens em desigualdade, e os prejudicados são os filhos dos pobres. O Estado deveria oferecer as mesmas condições a todos os jovens.

Isso custa dinheiro, o país não tem.
Não, custa muito menos. A Fundação Ilídio Pinho mandou fazer um estudo sobre o que acontece nos outros países. O Estado paga um terço, a Universidade o outro terço, na sua relação com a sociedade civil, e o aluno paga o último terço da sua formação, através de bolsas de empréstimo. Quando estiver a trabalhar, o aluno repõe ao Estado a sua parte para que outros possam estudar. Isso coloca todos os jovens em igualdade de circunstâncias. Se há pais ricos que não querem que os filhos tenham bolsas, pagam. O atual sistema faz que os jovens estejam dependentes dos pais até aos 23 anos, ou seja, a viver, numa fase de afirmação da sua personalidade, submetidos a uma atitude de pedinte, de mão estendida para com os pais, e isso destrói a personalidade deles, cria uma cultura pedinte. Quando acabam os seus cursos não sabem decidir.

Os jovens licenciados também não têm emprego.
Quando estes jovens são colocados perante esta situação, está a ser criado o caminho para a subserviência permanente. Se passarem a gerir a sua vida a partir dos 17 anos, assumindo a responsabilidade da sua formação, têm afirmação suficiente para serem empreendedores, ou seja, para criarem empregos. É preciso criar condições para os jovens criarem emprego, não é as pessoas formarem-se e ficarem à espera de um emprego fácil. Temos de mudar a cultura instalada e criar uma cultura de formação empresarial, de jovens capazes de assumir o futuro com responsabilidade.

A crise levou muita gente a reavaliar prioridades, a pensar mais na família, a mudar hábitos. Também sentiu isso na sua vida pessoal e empresarial?
Com certeza. Temos de fazer mais com menos. A prazo, iremos ver que aprendemos a encontrar soluções para os problemas e isso é uma escola de vida extraordinária.

Por exemplo?
A decisão mais difícil que tive de tomar, em termos empresariais, foi na Colep, há cerca de 20 anos: parar os investimentos durante um ano. Tínhamos de otimizar tudo dentro de portas. Tivemos de aprender a fazer mais com menos.

E mais recentemente?
Tivemos de ser muito mais estudiosos sobre os investimentos a fazer. Antes era mais fácil, qualquer pedra dava um calhau.

E a nível pessoal?
Compro menos, não me sinto bem, num clima de austeridade, em apresentar manifestações de riqueza que podem ser chocantes para quem tem dificuldades. Por exemplo, vou almoçar todos os dias a um restaurante onde pago cinco euros. Faça o favor de me dizer se isso em Lisboa se faz.

Também há.
Ainda bem. Aqui, é assim que faço e quando digo a algumas pessoas, ficam chocadas. Sinto-me bem partilhando a forma de estar com todos. E dou esmola, mas sou contra. Quando dou uma esmola não faz ideia o sofrimento que tenho.

Porquê?
Estou a subalternizar quem recebe.

Mas está a ajudar.
Mas é uma ajuda negativa. Preferia dar-lhe emprego, mas não posso. Não posso dar emprego e a pessoa não ter o que fazer. Mas acredito em Portugal, acredito que dentro de cinco ou seis anos, Portugal será um país com uma identidade no mundo bem diferente da que tem agora.

Diferente como?
Portugal ainda é um país periférico na forma como se relaciona com o mundo. Entendo que Portugal, pela relação histórica que tem com as Américas, África, Europa e Ásia, pode vir a ser um centro de sustentação de relação intercontinental. Portugal vai ter condições para captar investimento estrangeiro como nunca. Temos é de ter um aeroporto como deve ser, portos de águas profundas, nomeadamente em Sines, um porto em Aveiro para contentores, e temos, de facto, de ter linhas ferroviárias de alta velocidade. Sem isso, não chegaremos lá. Há um momento próprio para isso, mas tem de ser feito.

Disse que acabou o tempo dos grupos com sede em Portugal.
Sempre foi o meu sonho, a criação de grupos económicos. Não posso levantar uma mesa sozinho, mas se formos cinco ou seis conseguimos. Infelizmente, não é realizável, porque os portugueses têm uma forma de estar muito individualista. Depois do 25 de Abril, o próprio Estado não tinha interesse na criação de grupos económicos para não perder o controlo do processo e onde colocar os seus protegidos. A criação de grupos económicos nunca foi bem recebida pelos governos e pelos partidos. E com a interferência do Estado, começaram a aparecer empresários muito mais interessados nesta relação pessoal com o Estado do que com os seus colegas empresários.

Ultimamente, temos assistido à venda de empresas a estrangeiros, como a Cimpor e a EDP.
É o resultado disso. Mas não me faz nenhuma impressão que haja investimento estrangeiro em Portugal, aliás, pugno por isso para ajudar a resolver os problemas. Na situação atual, só com empresários portugueses, é muito difícil resolver o problema do emprego, porque a maioria está descapitalizada. Mas isto é o resultado da interferência do Estado e é também este problema que está na base da corrupção, culpa do aparelho do Estado. A afirmação de certos grupos portugueses podia ser mais desenvolvida, mas há falta de condições e o investimento estrangeiro é sempre bem-vindo.

Mesmo que seja para assumir o controlo das empresas?
E qual é o problema?! Vivemos num mundo aberto. Lá dar pena, dá. Obviamente que temos a nossa autoestima, mas o "é nosso" sem estar aberto ao mundo nos dias de hoje já não é possível. E sem uma mentalidade aberta ao investimento estrangeiro, como é que depois nós havemos de ter vontade de investir no estrangeiro. A relação é a mesma. Mais, é fundamental aprender a ter relações sinergéticas com o mundo. Se estivermos sozinhos, temos de nos despedir do futuro.

É acionista da EDP. Qual a sua participação?
É inferior a 1%.

Faz parte do conselho geral e de supervisão da empresa. O que é que a China Three Gorges poderá trazer à EDP, além de dinheiro?
Eles pagaram para serem acionistas.

Compraram barato?
Na conjuntura atual, pagaram bem, mas a prazo compraram barato por causa da mais-valia que eles trazem à EDP no desenvolvimento internacional, que pode tornar a EDP numa das maiores empresas de eletricidade do mundo. E mais ainda na sua especialidade das energias renováveis, porque as centrais nucleares terão de ser desmanteladas. Portugal vai ter o privilégio de ter em sede própria uma das maiores companhias de eletricidade do mundo. Mas é preciso que Portugal não trate mal a EDP.

O que é que isso quer dizer?
Quer dizer que se o rating de Portugal baixar para lixo...

Isso já é.
Mais lixo ainda. Se Portugal não recuperar o seu rating pode obrigar a EDP a mudar a sede para o estrangeiro, porque assim a EDP está a pagar muito mais caro para se financiar do que se tivesse a sede, por exemplo, em Londres. O facto de a EDP poder ter de mudar a sua sede para outro país será para reduzir os custos de financiamento.

O cenário foi discutido pelo conselho geral e de supervisão da EDP?
Que tenha estado presente, não. Sou eu que estou a levantar a hipótese.

Vai aumentar a posição na EDP? Disse que gostaria de ter 5%.
Tenho, juntamente com a EDP, a China Power e o Johnny Or, 48% da Companhia de Eletricidade de Macau. O nosso objetivo é reforçar e o meu futuro como acionista da EDP pode ter que ver com tudo isto. Poderá ter de haver uma nova arrumação de capitais envolvidos. Porque é que digo que já não tenho mais tempo para perder em Portugal com a criação de grupos? Porque concluí que é uma luta sem concretização possível. Não estou na disposição de viver mais esse sonho porque o tempo passa e nada se faz. Cada dia que passa é menos um dia de vida. Depois de perdido, não há mais nada que compre o tempo, não tenho dias de vida para perder. Quero viver intensamente até ao meu último dia e quero ir feliz por ter vivido a minha vida exaustivamente em todos os aspetos. Pode ser que os grupos económicos comecem a aparecer a partir de fora, por exemplo, de Macau, e eu possa vir a participar. Não perdi o meu sonho, a sede é que está em causa. Acredito na união de esforços para ganhar.

O que é que Portugal ganha com o seu investimento na Companhia de Eletricidade de Macau?
Pode ganhar muito, mais do que com o meu investimento na EDP, onde sou apenas mais um investidor. Se estiver com a EDP e com os parceiros chineses em Macau, podemos levar os interesses da EDP para a China e para o Sudoeste Asiático. Estamos a falar da criação de condições para Portugal no mundo.

Se esse seu investimento em Macau se concretizar, vende a sua participação na EDP em vez de a aumentar?
Vamos ver.

Como é que um empresário que fundou tantas empresas vive sem produzir?
Mas quem disse que não estou a produzir?! Estou a produzir e muito. Um empresário é um criador, não é um industrial que faz a sua fábrica e fica lá a vida toda. O empresário tem de conhecer o mundo e criar novas condições. Eu, passo a imodéstia, considero-me um empresário, um criador, criei ene empresas, mas fiz isso com a ideia básica de continuidade familiar. Eu tinha um filho, que em 1990 faleceu num acidente na Suíça, estava a acabar o seu curso numa universidade casestudy, ele era o meu continuador e eu tive de fazer uma forte reflexão.~

Era o seu único filho.
Tenho uma filha, mas ele é que foi preparado para ser o meu continuador. Tinha duas soluções: Ou me divorciava e arranjava um filho de outra mulher e tinha de esperar 30 anos e tinha condições ou não - fui incapaz de dar este desgosto à minha mulher, que tinha sofrido o mesmo desgosto que eu, que é perder um filho, a pior coisa que pode acontecer a alguém.

Como é que se sobrevive à morte de um filho?
Sobrevive-se com horrores. Mas é obrigação do empresário criar as condições para que o que criou não morra com ele. Gradual e progressivamente fui entregando as empresas a outros e não estou arrependido, porque continuaram a desenvolver-se e a ter sucesso e eu fui fazer outras coisas, criei a Fomentinvest, a Ciencinvest, criei uma fundação da qual me posso orgulhar, e que tem feito coisas extremamente úteis para o país. Deixei de viver só para o meu umbigo para ser útil a Portugal. Amo Portugal, gosto de participar na criação de melhores condições para quem vem a seguir. Gosto de ser português e de ser vale-cambrense, amo a minha terra, onde está o meu filho à minha espera.

O facto de Passos Coelho ter sido seu trabalhador beneficiou-o ou prejudicou-o?
Nunca na minha vida recebi um favor económico do Estado. E quando digo nunca é porque também não recebi este ano. Não sei se sou o único português nessa situação. Mais, estou em condições de lhe dizer que me senti prejudicado várias vezes pela interferência do Estado.

Neste último ano também?
Não. Nem fui beneficiado nem prejudicado. Mas o Estado está a beneficiar da minha Fundação - homenagem à memória do meu filho. Se a Fundação Ilídio Pinho não existisse haveria coisas extremamente importantes que não tinham acontecido em Portugal, nomeadamente o Ciência na Escola, que está a dar origem a uma nova cultura de ciência na escola, a criar novas expectativas aos jovens e de empreendedorismo, de que o país tanto precisa.


http://www.dinheirovivo.pt/Empresas/Artigo/CIECO055893.html?page=0

sexta-feira, fevereiro 17, 2012

CGTP marca greve geral para 22 de março



TSF


CGTP marca greve geral para 22 de março

Publicado a 16 FEV 12 às 17:51

O secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, anunciou a realização de uma greve geral para 22 de março, contra o agravamento da legislação laboral e as medidas de austeridade.
  Link 


«Este concelho nacional assume hoje a convocação de uma greve geral para o dia 22 de março contra a exploração e o empobrecimento, pela mudança de políticas, pelo emprego, pelos salários, pelos direitos, pelos serviços públicos», anunciou Arménio Carlos, esta tarde, em conferência de imprensa.
O secretário-geral da CGTP sublinhou que trata-se de «uma greve geral de todos e para todos. Não é uma greve geral da exclusiva responsabilidade da CGTP, não. É uma greve geral que queremos que seja partilhada e assumida por todos os trabalhadores, independentemente da sua filiação sindical».
Ainda assim, a UGT, através do secretário-geral João Proença, já referiu que «evidentemente» não vai participar na greve geral, considerando que é «uma greve de protesto, sem objetivos definidos».

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videos.sapo.pt


Visão - Homepage




Trabalho

 

O secretário-geral da UGT, João Proença, garantiu hoje à Lusa que, "evidentemente", não vai participar na greve geral anunciada pela CGTP, para 22 de março, pois trata-se de "uma greve de protesto, sem objetivos definidos".
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Em declarações à Lusa, João Proença considerou que esta é "uma 'pseudo' greve geral, na medida em que é uma greve de protesto, sem objetivos definidos".
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Trata-se, pois, "de uma estratégia muito bem pensada [por parte da atual direção da CGTP] de avançar para a luta pela luta, para o confronto pelo confronto", disse o dirigente sindical.


Ler mais: http://aeiou.visao.pt/ugt-garante-que-nao-vai-aderir-a-greve-geral-anunciada-da-cgtp=f646811#ixzz1mnDqZAQc
Lusa - Esta notícia foi escrita nos termos do Acordo Ortográfico
18:17 Quinta, 16 de Fevereiro de 2012



quarta-feira, abril 20, 2011

BCP - Seis clientes devem ao BCP o equivalente a 80% da sua capitalização bolsista





Banco liderado por Santos Ferreira não comenta relações com clientes

Só a Mota Engil tem um crédito de 1,2 mil milhões
Seis clientes devem ao BCP o equivalente a 80 por cento do seu valor em bolsa
26.11.2009 - 07h34 Cristina Ferreira
Seis clientes do Banco Comercial Português (BCP) devem ao grupo financeiro cerca de 3,5 mil milhões de euros, o equivalente a aproximadamente 80 por cento da capitalização bolsista do grupo, que ontem totalizava 4,3 mil milhões de euros.

Só a construtora Mota Engil tem responsabilidades assumidas para com o banco da ordem de 1,2 mil milhões de euros, cerca de 28 por cento do seu valor de mercado.

“O BCP não comenta relações com potenciais clientes. Em todo o caso, todas as operações respeitam os rácios impostos pelo Banco de Portugal”, disse ao PÚBLICO o porta-voz do banco presidido por Carlos Santos Ferreira.

Para além da empresa liderada por Jorge Coelho, ex-governante socialista (ministro de Estado e do Equipamento Social), encontram-se também neste lote de grandes devedores do BCP mais dois grupos ligados ao sector da construção, a Teixeira Duarte (Pedro Teixeira Duarte) e a Soares da Costa (Manuel Fino). No grupo estão ainda a Cimpor, cimenteira detida pela Teixeira Duarte e por Manuel Fino, o investidor Joe Berardo, e o empresário Joaquim Oliveira, dono da Controlinvest, que controla a Lusomundo e os títulos de media Diário de Notícias, Jornal de Notícias, 24Horas e TSF.

As responsabilidades da Mota Engil para com o BCP quase duplicaram no último ano, depois de ter adquirido a Lusoponte e a Aenor (ambos com financiamentos anteriores no banco).

A carteira de crédito das instituições financeiras é monitorizada pelo Banco de Portugal, que pede periodicamente aos bancos que reportem qual é a sua exposição aos clientes mais importantes. O PÚBLICO apurou junto de uma fonte não-oficial do supervisor que a situação do BCP não tem suscitado problemas.

Em todo o caso, e apesar de os limites prudenciais não terem sido ultrapassados, a existência de convergência de créditos nas mãos de apenas seis clientes, com esta dimensão, agrava a concentração do risco no BCP. O que não é típico de um banco de retalho, na qual a componente de crédito a particulares (habitação, consumo, crédito a pequenas e médias empresas) tende a ser a mais relevante.

Este aumento do risco resulta do facto de, em regra, quando os grandes grupos se dirigem ao mercado para levantar fundos, darem como garantia o próprio negócio. Assim, quando entram em falência, o crédito não é honrado. Logo, em teoria, bastaria que um cliente com estas características entrasse em incumprimento por um período prolongado e o banco teria de constituir provisões elevadas para fazer face às imparidades que chegariam a 100 por cento, por não existirem garantias reais. Esta situação reflectir-se-ia nos resultados e no valor da cotação.

Já no caso dos créditos concedidos ao investidor Joe Berardo e à holding de Manuel Fino, os empréstimos estão sustentados em garantias reais, acções cotadas, e no caso de Berardo, agora, também na sua colecção de arte. Mas o facto de os mercados estarem sujeitos a grande volatilidade envolve o risco de queda da cotação, como se tem verificado.

Peso de 10% no crédito

Uma análise mais detalhada às contas semestrais do BCP, que é uma empresa cotada, revela, por outro lado, que, apesar da concentração de empréstimos nas mãos da Mota Engil, da Teixeira Duarte, de Manuel Fino, da Cimpor, de Joe Berardo e de Joaquim Oliveira, o seu peso no crédito total concedido a empresas no espaço doméstico rondava no final de Julho apenas 10 por cento.

No final do primeiro semestre o crédito total dado pelo BCP no mercado doméstico era de 59,5 mil milhões de euros, dos quais 34,781 mil milhões a empresas. O segmento do crédito à habitação atingia os 21,4 mil milhões de euros e o crédito ao consumo os 3,4 mil milhões.

Nos registos do BCP, Joe Berardo (4,8 por cento), a Teixeira Duarte (7,02 por cento) e Manuel Fino (2,17 por cento) aparecem na lista dos accionistas com posições qualificadas.

Estes três investidores posicionaram-se na luta de poder pelo controlo do BCP ao lado dos opositores do antigo líder e fundador Jardim Gonçalves. A nomeação da equipa de Santos Ferreira para liderar o maior banco privado partiu deste grupo, que durante a guerra accionista foi buscar crédito à Caixa Geral de Depósitos (CGD), que era então presidida por Santos Ferreira, para comprar acções do BCP. Mais tarde, a Teixeira Duarte, Manuel Fino e Joe Berardo, liderados pela EDP, apoiaram a sua candidatura à presidência do BCP.

Quando transitou para o banco privado, o actual presidente executivo do BCP levou Armando Vara consigo. Até ter solicitado a suspensão de funções de vice-presidente do BCP (mantendo o salário), depois de ter sido constituído arguido no quadro da operação Face Oculta, Vara tinha o pelouro das relações com os grandes clientes. Contudo, parte substancial destes créditos foi concedida antes de Armando Vara ter assumido a vice-presidência do BCP. Nos últimos tempos verificou-se reescalonamento das dívidas, transformando passivo de curto prazo em passivo de longo prazo e capitalização de juros.

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Ontem, as acções do BCP transaccionaram-se em bolsa a 0,923 euros, em queda de 1,07 por cento face ao dia anterior.



Mota-Engil afirma que dívida para com o BCP não se alterou nos últimos 18 anos



A Mota-Engil desmentiu, em comunicado, que a sua dívida para o com o BCP tenha duplicado no último ano. A construtora garante que o crédito obtido junto do banco se manteve "estável nos últimos 18 meses". 





A Mota-Engil desmentiu, em comunicado, que a sua dívida para o com o BCP tenha duplicado no último ano. A construtora garante que o crédito obtido junto do banco se manteve "estável nos últimos 18 meses". 



O jornal “Público” noticiou hoje que seis clientes do Banco Comercial Português devem ao grupo financeiro cerca de 3,5 mil milhões de euros, o equivalente a aproximadamente 80% da capitalização bolsista do grupo, que ontem totalizava 4,3 mil milhões de euros. 



O jornal referia ainda que só a construtora Mota-Engil tem responsabilidades assumidas para com o banco da ordem de 1,2 mil milhões de euros, cerca de 28% do seu valor de mercado.



Em comunicado, a construtora liderada por Jorge Coelho desmente que a dívida para com o BCP tenha “duplicado no último ano” e que tenha “contraído um crédito 1,2 mil milhões de euros”. “Com efeito, além do facto do crédito obtido pela Mota-Engil, junto do BCP se ter mantido estável, nos últimos 18 meses, o número apontado, é irreconciliável com qualquer montante determinado e reportado pela empresa”, acrescenta o comunicado. 



A empresa refere ainda que é “accionista fundadora e não adquirente, das empresas do grupo AENOR, onde detém uma participação no capital de cerca de 36%, assim como o é da Lusoponte, onde de facto reforçou a sua participação em 24%”.



in JNeg

quarta-feira, novembro 10, 2010

Cavaco Silva: PME são decisivas para reforçar a competitividade portuguesa-


‎"Cavaco Silva: "PME são decisivas para reforçar a competitividade portuguesa": Isto dito pelo homem que na década de 90 presidiu à destruição do nosso tecido produtivo e adoptou o dogma do "País de Serviços e Turismo" que hoje está na directa razão da nossa Dívida Pública e Iminente Bancarrota. Lata.
Para o Presidente da República, as pequenas e médias empresas são o futuro do tecido empresarial português. Veja aqui o vídeo.
há 3 horas · 

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Tu e 3 outras pessoas pessoas gostam disto.
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Victor Nogueira O Homem agora tem a pose virginal de quem nada teve a ver com tudo o que Só-Ares iniciou. Talvez sejam bons economistas, mas apenas para e na perspectiva das grandes empresas transnacionais. Para a arraia miúda, são de varrer, não só aqui mas em todo o Mundo.
há 3 horas · GostoNão gosto
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Rui Martins virginal.. bem apanhado!
há 29 minutos · Não gostoGosto · 1 pessoa


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quarta-feira, setembro 01, 2010

O Estado "súcialista" e demo-cristão em que se vegeta !

 Apoios sociais pagos a mais de dois milhões vão ser revistos


É uma autêntica revolução no sistema de protecção social. O Governo vai rever a atribuição de prestações sociais que beneficiam hoje mais de dois milhões de pessoas. E a estimativa é conservadora, já que o diploma ontem publicado em Diário da República vai mais longe do que o previsto.


É uma autêntica revolução no sistema de protecção social. O Governo vai rever a atribuição de prestações sociais que beneficiam hoje mais de dois milhões de pessoas. E a estimativa é conservadora, já que o diploma ontem publicado em Diário da República vai mais longe do que o previsto.


A comparticipação de medicamentos e de taxas moderadoras, de pensões de alimentos ou de apoios no âmbito da acção social escolar, tal como os outros apoios atribuídos pela administração central, também vão estar sujeitos a regras mais apertadas de aferição de rendimentos, nomeadamente através do recurso à informação fiscal e bancária.


in JNeg

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  1. Apoios sociais pagos a mais de dois milhões vão ser revistos


    É uma autêntica revolução no sistema de protecção social. O Governo vai rever a atribuição de prestações sociais que beneficiam hoje mais de dois milhões de pessoas. E a estimativa é conservadora, já que o diploma ontem publicado em Diário da República vai mais longe do que o previsto.


    É uma autêntica revolução no sistema de protecção social. O Governo vai rever a atribuição de prestações sociais que beneficiam hoje mais de dois milhões de pessoas. E a estimativa é conservadora, já que o diploma ontem publicado em Diário da República vai mais longe do que o previsto.

    A comparticipação de medicamentos e de taxas moderadoras, de pensões de alimentos ou de apoios no âmbito da acção social escolar, tal como os outros apoios atribuídos pela administração central, também vão estar sujeitos a regras mais apertadas de aferição de rendimentos, nomeadamente através do recurso à informação fiscal e bancária.


    in JNeg

  2. Apoios dependem da consulta de dados bancários e fiscais

    Segurança Social

    Apoios dependem da consulta de dados bancários e fiscais


    18/06/10


    A necessidade de cortar no défice levou o Governo a criar regras mais apertadas. A Segurança Social vai ver a conta bancária no momento de decidir.

    Rendas apoiadas pelo Estado, ajudas a estudantes até ao ensino superior, comparticipação de medicamentos e taxas moderadoras são alguns dos apoios sociais a famílias mais pobres que terão novas regras a partir de 1 de Agosto. O decreto-lei, publicado ontem em Diário da República, uniformiza o cálculo dos rendimentos que dão acesso às prestações sociais, tornando as regras mais apertadas. Quem quiser beneficiar destes apoios poderá ter de autorizar a Segurança Social a consultar a conta bancária e a situação fiscal.
    As medidas inserem-se no Programa de Estabilidade e Crescimento e, no caso da condição de recursos, o Executivo português já tinha afirmado que espera poupar 90 milhões em 2010 e 199 milhões em 2011.
    Com o novo diploma, o Governo restringe o acesso ao RSI, aos apoios por encargos familiares e subsídios sociais de parentalidade e desemprego (atribuído a agregados pobres) mas também abrange outras ajudas dependentes do nível de riqueza. Aqui entram os apoios de acção social destinada aos estudos até ao ensino superior, apoios à habitação, comparticipação de medicamentos e pagamento de taxas moderadoras (que, no entanto, estão hoje mais dirigidas a grupos específicos e menos dependentes dos rendimentos). A lei não menciona expressamente as pensões sociais ou mínimas mas diz que o diploma é aplicável "a outros apoios ou subsídios" atribuídos pelo Estado.
    O decreto-lei alarga o conceito de agregado familiar e passa a contabilizar parentes ou afins até ao terceiro grau, ou seja, atingindo até bisavôs e bisnetos, irmãos, tios e sobrinhos (incluindo os do cônjuge), desde que estes partilhem casa. Além disso, atribui um peso diferente a cada elemento da família. Assim, só o requerente da prestação conta a 100%, enquanto os restantes indivíduos maiores tem um peso de 70% e os menores de 50%. O conceito de rendimentos a contabilizar também se alarga: aos salários, somam os rendimentos prediais ou de capitais, pensões e outras prestações sociais. E também entram aqui as rendas apoiadas, nomeadamente subsídios de renda e de residência e todos os encargos com habitação social, ou seja, rendimentos de espécie.
    A partir de Agosto, quando a lei entra em vigor, o montante dos apoios será reavaliado ou até eliminado, de acordo com um novo conceito de cálculo. Isto porque o diploma prevê "a reavaliação extraordinária da condição de recursos", mantendo apenas os subsídios sociais de parentalidade que estão em vigor e alguns apoios adicionais atribuídos a beneficiários de RSI.

    Rendimento mínimo com cortes nos apoios adicionais

    Além das alterações previstas para todos os apoios sociais, os beneficiários do rendimento mínimo contam com cortes acrescidos, além de vir a ser reforçada a fiscalização, que é feita semestralmente e no momento da renovação anual. Recorde-se que o rendimento mínimo levantou sempre fortes críticas ao CDS-PP e eventuais alterações ao diplomas chegaram a ser utilizadas em negociações com o PS para o Orçamento do Estado.
    Com o novo decreto-lei, para ter acesso ao subsídio, só a primeira pessoa pode ter um rendimento até ao valor da pensão social (189,5 euros), quando antes este tecto era aplicado aos dois adultos. A partir do segundo elemento da família, o tecto desce para 70% da pensão social, mantendo-se o valor de 50% para cada menor (apesar de actualmente o valor subir para 60% a partir do terceiro filho).
    Por outro lado, desaparece o apoio adicional à maternidade, que se mantém apenas para quem já recebe. O Ministério do Trabalho explica que estas ajudas "deixam de se justificar" porque já houve um aumento da protecção dos encargos familiares para a generalidade dos cidadãos.
    Também caem outras ajudas a pessoas com deficiência, doença crónica ou idosos em situação de grave dependência e apoios que compensam despesas de habitação.
    • AS NOVAS REGRAS
    Beneficiário tem de autorizar acesso a dados bancários

    Quem não autorizar a Segurança Social a ter acesso a informações relativas ao seu rendimento (nomeadamente fiscais e bancárias) perde o direito ao apoio. Falsas declarações impedem o beneficiário de aceder ao apoio por dois anos.

    Prazo para apresentação de rendimentos de capitais

    A prova de rendimentos de capitais e apoio à habitação devem ser apresentados até 31 de Dezembro ou até 30 dias antes da renovação, no caso do RSI. Será ainda regulamentada uma portaria para regular a troca de dados com outras entidades que não a administração fiscal.

    Mais controlo sobre o rendimento mínimo

    O beneficiário de RSI que recuse o programa de inserção perde a prestação por 24 meses (e não 12). A recusa de emprego conveniente, trabalho social ou formação implica o fim do apoio. A partir de 2011, o Estado garante que vai colocar em seis todos os beneficiários entre 18 e 55 anos em medidas específicas.



    in DE
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    O que vai mudar no acesso aos subsídios e apoios sociais

    Estado

    O que vai mudar no acesso aos subsídios e apoios sociais


    18/06/10


    O Governo criou regras mais apertadas e a Segurança Social vai ver a conta bancária no momento de decidir. A partir de 1 de Agosto, os rendimentos dos beneficiários passam a ter uma nova base de cálculo.

    Em causa estão todos os apoios que não dependem de contribuições para a Segurança Social baseando-se antes no nível de rendimentos das famílias. O diploma confere um peso diferente aos rendimentos de cada elemento do agregado e alarga o número de pessoas da família que devem ser contabilizadas, além de incluir um conjunto de rendimentos mais alargado. Saiba o que muda.


    1- A que prestações se aplicam as novas regras?
    A todas as que são atribuídas conforme os rendimentos dos beneficiários, nomeadamente as relativas a encargos familiares, rendimento social de inserção, e subsídios sociais de desemprego e parentalidade (destinadas a agregados pobres. Também se aplicam a outros apoios como os de acção social escolar, comparticipação de medicamentos e pagamento de taxas moderadoras ou apoios a rendas.

    2 - Que rendimentos passam a ser considerados?
    Rendimentos de trabalho dependente e rendimentos empresariais e profissionais, bem como apoios a rendas e habitação social. Também entram rendimentos de capitais, considerando por exemplo juros de depósitos, dividendos de acções ou rendimentos de outros activos financeiros. Se estes forem inferiores a 5% do valor da dívida da família, é considerado o montante que resulta da aplicação de 5%. São também consideradas pensões, bolsas de estudo e de formação de combate ao abandono escolar ou de formação profissional. As prestações sociais continuadas também contam (à excepção dos apoios por encargos familiares, deficiência e dependência familiar). Já no caso dos apoios a habitação social, é considerado um apoio público no valor máximo para subsídio de renda (46,36 euros) mas de forma escalonada (um terço no primeiro ano, dois terços no segundo e a totalidade a partir do terceiro ano).

    3 - Casa própria conta?
    No caso de habitação permanente, esta só integra o rendimento do beneficiário se o valor do imóvel for superior a 251.532 euros. Mas neste caso, conta apenas 5% do valor que exceda aquele tecto. Ainda assim, são também contabilizados rendimentos prediais, como rendas ou valores de cedência do imóvel. Caso não exista renda ou esta seja inferior à determinada, considera-se 5% do valor mais elevado que conste da caderneta predial ou certidão matricial.

    4 - Como é contabilizado o agregado?
    Além do requerente, são contabilizados os rendimentos do cônjuge ou pessoa em união de facto há mais de dois anos e familiares (parentes ou em situação de afinidade) até ao 3º grau da linha recta ou colateral que com ele vivam. Aqui integram, pais e filhos, avôs e netos e bisavôs e bisnetos bem como irmãos e cunhados, tios e sobrinhos (tanto do beneficiário como do cônjuge). Menores, adoptados e adoptantes também contam. Muda o peso dos rendimentos per capita: o requerente equivale a 1, os restantes familiares maiores de idade equivalem a 0,7 e os menores 0,5.



    in DE
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    Pensões

    Mais de 1,3 milhões de pensionistas em risco de perder apoios na saúde

    21/06/10


    Taxas moderadoras, comparticipação de medicamentos, bolsas de estudo e apoios na Função Pública também são abrangidos pelo novo diploma.

    Pelo menos 1,3 milhões de pensionistas que recebem apoios do Estado na comparticipação de medicamentos e que estão isentos das taxas moderadoras estão em risco de perder estas ajudas a partir de 1 de Agosto, quando entrar em vigor a lei que aperta o acesso aos apoios sociais.
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    Questionado pelo Diário Económico, o Ministério do Trabalho não revela o total de pessoas que serão afectadas pelos cortes ou reduções dos apoios sociais salientando apenas que existem 1,7 milhões de beneficiários de apoios por encargos familiares, rendimento mínimo e subsídios sociais de desemprego e parentalidade. O acesso a estas prestações passa agora a depender de regras mais rígidas ao nível dos rendimentos e das características do agregado mas o decreto-lei não se fica por aqui. Igualmente abrangidas estão as comparticipações de medicamentos e pagamento de taxas moderadoras quando estas ajudas dependem do nível de nível de recursos. A medida irá assim afectar os pensionistas com reformas mais baixas mas cujo agregado conta com outros rendimentos e que estão isentos de taxas moderadoras.
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    Segundo os últimos dados do Ministério da Saúde, referentes a 2006, mais de 1,3 milhões de pensionistas que recebiam uma reforma inferior ao salário mínimo estavam isentos de taxas moderadoras. E 1,37 milhões de pensionistas estavam abrangidos pelo regime especial de comparticipação de medicamentos. Também na Educação estão previstos cortes nos apoios sociais no âmbito da acção social escolar e no ensino superior público. Em risco poderão estar os cerca de 75 mil alunos universitários com baixos rendimentos que recebem bolsas de estudo suportadas pelo Estado. E a Função Pública também não fica de fora, podendo ser afectados os cerca de 16 mil apoios sociais e subsídios atribuídos actualmente.



    in DE
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