A Internacional

__ dementesim . . Do rio que tudo arrasta se diz que é violento Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem. . _____ . Quem luta pelo comunismo Deve saber lutar e não lutar, Dizer a verdade e não dizer a verdade, Prestar serviços e recusar serviços, Ter fé e não ter fé, Expor-se ao perigo e evitá-lo, Ser reconhecido e não ser reconhecido. Quem luta pelo comunismo . . Só tem uma verdade: A de lutar pelo comunismo. . . Bertold Brecht
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quarta-feira, setembro 05, 2012

CRISE DE 1929 Por Edson Pereira Bueno Leal



 
 
CRISE DE 1929


Edson Pereira Bueno Leal outubro de 2009 .


CRISE DE 1913

Em 1907 , uma seqüência de abalos financeiros , reduziu à metade o valor de mercado das ações da Bolsa de Nova York . Em resposta , o governo que não dispunha de um órgão para regular o mercado e prover recursos para bancos em apuros , criou o Federal Reserve , o Fed . 

CRISE DE 1929

Os EUA saem da 1. Guerra como a maior potência mundial. Nação mais rica e próspera ao término da 1. Guerra. Devedora de US$ 3 bilhões antes da guerra, passou a credora de 11 bilhões.
Mesmo assim de 1920 a 1921 passou por forte depressão. De 1922 a 1929 atravessou anos de fartura até então nunca vistos .

“No fim da década de 20, anos de prosperidade, uma grave crise econômica, conhecida como a Grande Depressão, começou nos EUA e atingiu todos os países capitalistas. J. K. Galbraith, economista norte-americano, afirma que “à medida que o tempo passava tornava-se evidente que aquela prosperidade não duraria. Dentro dela estavam contidas as sementes de sua própria destruição”. (Dias de boom e de desastre in J.M. Roberts (org), História do Século XX.)

O capital norte-americano penetra na Ásia e na América Latina, áreas de influência da Europa. Em 1929 os EUA são responsáveis por 44,85% da produção industrial do mundo.

Nos EUA a interferência estatal é praticamente nula. É o auge do capitalismo liberal. Há um estado anárquico da produção e distribuição de capital. Gigantescas corporações monopolizam o mercado.

O otimismo prevalece no país. O presidente Hoover afirmava pouco antes da crise :” Dentro em breve avistaremos com a ajuda de Deus o dia em que a pobreza será banida do país” .

A década de 20 marcou a supremacia do consumismo na sociedade americana . 

A renda per capita cresceu de 1921 a 1929 de 660 para 857 dólares . O número de veículos em 1920 era de 8 milhões e em 1930 de 23 milhões ( 1 em cada seis tinham carro) . Não havia um rádio em 1920 e 13 milhões em 1929. Cerca de 90 milhões de pessoas iam ao cinema a cada semana . 

Havia mais telefones nos EUA do que em todo o mundo. As vendas de livros dobraram de 1919 a 1929 para um crescimento de 16% da população.

Os altos preços da fase da guerra estimularam artificialmente a economia , criando uma expansão a partir de preços irreais . A desigualdade na distribuição da riqueza se acentuou. Os lucros dos ricos cresciam muito mais que os rendimentos das massas. 

O elevado nível de empréstimos feitos ao estrangeiros estimulavam a economia pois os gastos eram feitos nos EUA, porém as compras estancavam quando os empréstimos eram cobrados. Estes empréstimos , mais a expansão do crédito aos consumidores foram os principais fatores que levaram à expansão econômica. . A capacidade produtiva cresce em demasia e o consumo começa a declinar. 

O sistema financeiro americano sofisticou-se , florescendo mais de 20 mil pequenas casas bancárias . Os EUA chegaram a ter 31 mil bancos em 1921 . 

Por outro lado os empresários recusavam-se a baixar seus preços ou elevar os salários, impedindo o crescimento da demanda.

A política tarifária americana, excessivamente protecionista, provocava retaliações que prejudicavam as exportações. 
Outro fato de descontrole foi a especulação financeira na Bolsa de Valores, onde desde 1925 tinham sido criadas muitas sociedades que emitiam ações, mas com lucros irreais, causando uma supervalorização excessiva. Em 1925 o total de títulos negociados era de US$ 27 bilhões e em 1929 de US$ 67 bilhões. Com apenas 10% do valor era possível comprar uma ação e especular tornou-se prática de milhões de pessoas , pois o restante do valor seria liquidado com os lucros da própria operação 
.. 
Em apenas duas décadas , o número de investidores mais que triplicou , de 4 milhões , em 1900 , para 14 milhões , no início dos anos 1920 . O índice Dow Jones saltou de 100 para quase 400 pontos de 1926 para 1929 . O ministro britânico da Economia à época , Philip Snownden , chamou essa elevação de “orgia da especulação”. 

O Fed , preocupado com a especulação financeira , dobrou em 19 meses a taxa de juros para os bancos que chegou a 6% em agosto de 1929 . 

Como na época não havia regulação ou qualquer exigência estatal, as empresas americanas começaram a emitir tantas ações quantas quisessem , o que levou ao fenômeno da supercapitalização da indústria . Segundo pesquisas da época , as empresas listadas na bolsa de Nova York emitiam ações num valor equivalente ao dobro do total de seus ativos . Além disso , não era necessário que as empresas fizessem uma divulgação transparente dos resultados financeiros . O empresário George Westinghouse por exemplo , ficou mais de uma década sem publicar nenhuma informação financeira sobre a Westinghouse Eletrics . Em sua defesa , o empreendedor relatou numa carta ao conselho de administração que havia decidido que a publicação não era do “ interesse de todos” . A falta de regulação levou a várias crises , em 1903 e 1907 e, mais tarde à de 1929 , que deu origem a um órgão regulador ., a SEC – Securities and Exchange Comission . 

A agricultura devido aos baixos preços estava em crise e os produtores endividados , perdendo suas terras hipotecadas e diminuindo a compra de manufaturados.

Bibliografia : Mitchell, Lawrence E. . The Speculation Economy . 

CRACK NA BOLSA – 5A FEIRA NEGRA 24.10.2029 

Quando as pessoas caíram em si de que o valor das ações era irreal , a boataria começou intensa e passou a aumentar vertiginosamente o número de ordens de venda, fazendo despencar o preço das ações. 

Em 24/10/1929 ocorre o “crash” na bolsa de Nova York, a célebre 5. Feira negra. Com a queda de 11% nos preços , no dia seguinte 11 investidores se suicidaram . 

Prevendo o caos , no dia seguinte , cinco dos maiores bancos americanos , entre eles o First National City Bank, queimaram US$ 20 milhões cada um para segurar os preços das ações . iniciativa funcionou num primeiro momento e a sexta feira foi de trégua .~

Mas na segunda-feira , investidores apavorados correram em pânico para se desfazer das suas ações antes que os preços desabassem mais . Foi a Segunda Feira negra , quando o Dow Jones retrocedeu mais de 13% . O golpe final aconteceu no dia 29 , a Terça-Feira negra , co queda de quase 12% . 

O índice da Bolsa de Nova York base 100 em 1926 chegou a 220 em 1929 e caiu para 41 em 1932 e 60 em 1933. Embora a recuperação da economia tenha começado em 1943, somente em 1954 as cotações voltaram aos patamares de 1926 . 

Nos dias de hoje este tipo de crise é mais difícil de acontecer devido aos mecanismos de amortecimento de quedas que as bolsas adotaram . Mesmo assim a acelerada valorização das ações de empresas ligadas à informática e à Internet causa preocupação. 

A quebra na bolsa, influencia todo o ciclo produtivo. No exterior muitos países resolvem desfazer-se de seus estoques invendáveis , como o café no Brasil. 

As empresas estavam com a produção acima da capacidade de absorção do mercado . Com o crash e os consequentes prejuízos, houve brutal redução nos negócios , o que levou a uma quebradeira generalizada de empresas , aumentando o desemprego em um verdadeiro circulo vicioso.

Entre 1929 e 1933 o PIB americano encolheu 45% . Milton Friedman , ganhador do Prêmio Nobel de Economia em 1976 e Anna Schwartz publicaram em 1963 o livro Uma História Monetária dos Estados Unidos onde demonstraram que o FED – Federal Reserve , o banco central americano não só precipitou o crash de 1929 e a depressão que se seguiu , como agravou a situação ao garrotear o crédito elevando os juros e diminuindo a quantidade de dinheiro em circulação .O trabalho de Friedman mostrou o grande papel dos bancos centrais no controle de crises monetárias . ( Veja, 15.08.2007 , p. 92) . 

Em 1929 havia 2,2, milhões de empresas nos EUA e em 1932 apenas 1,9 milhão. Dos 25000 bancos, 11.000 quebraram. . o número de desempregados aumentou de 1,5 milhão para 4 milhões em fins de 1930 , 7 milhões em fins de 1931, chegando a 12,8 milhões de pessoas, cerca de 25% da força de trabalho. Os salários caíram 40% e a renda nacional 50% . Por não haver uma rede de proteção social os desempregados ficaram na miséria. Em 1933 ,quase 1/3 da população dos EUA não tinha qualquer fonte de renda . 

O presidente americano Herbert Hoover, republicano ultraliberal recusou-se a envolver o Estado nas tentativas de recuperação e contribuiu para agravar a situação de crise . Com esta atitude será derrotado na tentativa de reeleição em 1932 . 

Segundo o presidente do Fed americano em 2008 , Bem Bernanke , especialista na crise de 1929 , ela foi potencializada por uma barbeiragem das autoridades monetárias , que enxugaram o crédito em vez de dar alívio monetário às empresas e consumidores . ( Veja, 26.03.2008 , p. 52) . O governo Hoover assistiu de braços cruzados à erosão do sistema financeiro . Ao invés de resgatar os bancos que era a medida sensata a ser tomada , o governo deixou as instituições quebrarem . 

“A tragédia real é que as pessoas que nunca especularam , mas apenas investiram em bancos e em títulos estão sofrendo junto com as outras . As ruas estão cheias de pobres , desempregados , lojas disponíveis para alugar em todo lugar , sinais de bancos fechados . Vai levar muito tempo para esquecer isso”. Diário de Benjamin Rott, um advogado de Ohio. 

Lei Smoot-Hawley 17.05.1930

Essa lei elevou as tarifas alfandegárias na importação . O objetivo era aumentar a produção nacional , mas a lei provocou retaliações que reduziram drasticamente as exportações americanas , deteriorando ainda mais a situação das empresas do país . 

Falência do Bank of United States 11.12.1930 

Era o maior banco do país e decretou sua falência em 11.12.1930 . O desemprego já atingia mais de 4 milhões de americanos e 1.860 bancos já haviam quebrado . 

Fundo do Poço da Bolsa de Nova York 8.7.1932 .

Em 8 de julho de 1932 , o índice Dow Jones atinge o fundo do poço de 41,22 pontos , uma baixa de 89% em relação ao pico de 1929 . O PIB dos EUA fecharia 1932 com uma retração recorde de 13% . Somente em 23 de novembro de 1954 , o Dow Jones atingiu o nível pré-crise, chegando a 382 pontos .( Exame , 22.10.2008 , p. 39) . 

Em 1932 a música mais cantada era " Brother , can you spare a dime? - Irmão , você pode me emprestar um trocado ? . 

“Uma família isolada mudava-se de suas terras. O pai pedira dinheiro emprestado ao banco e agora o banco queria as terras. A companhia das terras quer tratores em vez de pequenas famílias nas terras. Se esse trator produzisse os compridos sulcos em nossa própria terra , a gente gostaria do trator, gostaria dele como gostava das terras quando ainda eram da gente. Mas esse trator faz duas coisas diferentes: traças sulcos nas terras e expulsa-nos delas. Não há quase diferença entre esse trator e um tanque de guerra. Ambos expulsam os homens que lhes barram o caminho, intimidando-os, ferindo-os” (John Steinbeck. As Vinhas da Ira, 1972 ). 

Para coibir a especulação e dar maior transparência aos mercados as empresas abertas foram obrigadas a divulgar balanços financeiros mais detalhados e criou-se uma divisão entre bancos de varejo, bancos de investimento , corretoras e seguradoras . As reformas deram mais garantias aos pequenos investidores , mas os bancos ficaram amarrados . 

O governo Hoover estimulou obras públicas, decretou a moratória sobre as dívidas inter-governamentais e pagamentos de reparações , criou uma corporação financeira de reconstrução para emprestar dinheiro aos bancos e estradas de ferro, mas as medidas não foram suficientes Tinha-se a impressão que a crise não teria fim. 

Os marxistas consideravam a crise uma consequência inevitável da evolução capitalista que em sua sede de lucros não se preocupa com o impacto social de seus negócios e esperavam que a Grande Depressão de 29 levasse a uma revolução comunista nos EUA o que não aconteceu por que , naquela época os proletários americanos já pertenciam à classe média e não queriam saber de revolução. 

A crise de 29 abalou o liberalismo econômico e estimulou a tendência para a intervenção do Estado na economia .

Filmes : A noite dos desesperados . 1969. Poletel.
Tempos Modernos, 1936 Continental Home Vídeo. 

A INTERNACIONALIZAÇÃO DA CRISE DE 29 

A crise de 1929 foi uma crise mundial, pois o capitalismo já era mundial e os EUA a maior economia do mundo. Atingiu quase todos os ramos da economia – bancos, indústria, comércio , agricultura. E atingiu quase todas as classes sociais.

A crise de 29 foi uma crise de abundância e não de escassez. Nela, os preços ao invés de subirem, caíram. Trata-se de uma típica crise do Capitalismo.

“Na moderna economia de troca, o industrial não produz com o objetivo de atender a uma certa procura, mesmo que afirme fazer isso, mas na base do cálculo de lucros. Os limites de produção são determinados “ não pelo número de barrigas famintas, mas pelo número de bolsas prontas a comprar e pagar” Engels. 

“A maior realização do mundo dos negócios, cabe a quem se aproxima de ganhar alguma coisa em troca de nada”. Thorstein Veblen .

Na Europa a depressão de 29 teve efeitos desastrosos. O espiral da inflação parecia não ter fim. O preço dos produtos agrícolas caiu muito. Os mercados destruídos ou perdidos durante a 1.a Guerra Mundial nunca foram devidamente recuperados.

Com a crise nos EUA os bancos americanos interromperam a oferta de crédito e repatriaram os capitais de curto prazo, causando uma quebradeira geral em bancos europeus , começando pelo principal banco austríaco , o Kreditansdald , e o Darmstadten Bank (Alemanha) . Ao fim de 1936 nenhum país do mundo possuía mais lastro ouro para a moeda.

Nos primeiros meses de 1929 , saíram do Reichsbank , Banco Central da Alemanha , cerca de US$ 41 milhões em depósitos de investidores interessados na alta rentabilidade das ações nos EUA . Com a quebra da bolsa este dinheiro sumiu .

Em 1930 foi instituída a tarifa “Smoot-Hawley” , que elevou as tarifa sobre produtos importados por parte dos Estados Unidos , o que provocou retaliações de outros países . 

Além das tarifas , o governo americano criou na década de 30 , barreiras alfandegárias e elevou os impostos de importação, o que paralisou o comércio internacional , derrubou o preço das commodities e trouxe deflação . 

Na Alemanha a crise econômica favoreceu a ascensão do nazismo. Como a Alemanha era devedora da Inglaterra , deixou de pagar suas dívidas e o calote alemão forçou a Inglaterra a desvalorizar a libra em 40% , ampliando a crise para a comunidade britânica. 

O nacionalismo econômico com tarifas elevadas , cotas de importação, controles de câmbio e acordos de troca, tornava virtualmente impossíveis a recuperação do comércio internacional.

Em 1932 havia no mundo mais de 30 milhões de desempregados: 17 milhões nos EUA , 6 milhões na Alemanha e 3 milhões na Inglaterra .

Portanto a crise de 29 a nível mundial causou o surgimento de inúmeros problemas sociais e estimulou nova corrida armamentista .

Na América Latina a crise abalou o poder das oligarquias e estimulou o surgimento de regimes populistas e ditaduras conservadoras. 

O Brasil sofreu com a crise , pois já apresentava uma superprodução de café , seu principal produto de exportação. Os preços do produto despencaram com a retração da demanda , causando grandes prejuízos internos e o fracasso da política de valorização artificial do produto. Com isso a oligarquia paulista se enfraquecer, ocorrendo o fim da República Velha e a ascensão de Vargas ao poder. 

As exportações brasileiras caíram de 95 milhões de libras esterlinas em 1929 para 33 milhões em 1935 . Cerca de 772 milhões de sacas de café foram queimadas para manter os preços. 

Por outro lado a indústria nacional acabou se beneficiando com a crise , pois a interrupção na importação de manufaturados , em razão da crise internacional , deu oportunidade ao surgimento de produtos nacionais , em um processo de substituição de importações. 

Na América Latina de modo geral a crise abalou o poder das oligarquias e propiciou o surgimento de regimes populistas e ditaduras conservadoras.

Para o marxismo a crise de 29 era a consequência inevitável da evolução capitalista , que em sua sede de lucros não se preocupa com o impacto social de seus negócios. 

Como a União Soviética não sofreu as conseqüências da crise e continuou crescendo, para muitos era o sinal que não era apenas um credo revolucionário, mas um sistema econômico que funcionava , enquanto o capitalismo estava à beira da falência . 

Portanto , para combater a expansão do comunismo era necessário demonstrar que a sociedade liberal podia alcançar as mesmas realizações deste , com liberdade e democracia Ironicamente , a superação da crise de 1929 foi obtida com a planificação da economia em grande parte assimilada do modelo soviético . 


DINHEIRO HAVIA , MAS NÃO ERA UTILIZADO

Segundo Kenneth Galbraith em A Era da Incerteza “ Gradativamente , durante a Depressão , as taxas de juros foram descendo ; em 1931 , a taxa de desconto do Banco da reserva em Nova York era de 1,5% . A Reserva Federal também adquiriu obrigações do governo em grande escala , sendo o dinheiro resultante da operação entregue aos bancos (...) . Logo os bancos comerciais estavam bem supridos de fundos de empréstimo . Só faltava os clientes irem aos bancos, fazerem empréstimos, aumentarem seus depósitos e com isso valorizarem a disponibilidade de capital . A recuperação , então, seria imediata . Aí se deu uma descoberta terrível . Os clientes se recusavam a aparecer . Nem mesmo a uma taxa de juros mínima eles achavam que podiam ganhar dinheiro . Essa era a situação real durante a Depressão . O dinheiro simplesmente se acumulava nos bancos ; em pouco tempo , havia bilhões que podiam ser emprestados , mas não havia quem os quisesse . Afinal de contas , o sistema bancário tinha tornado pior o boom e ainda pior o crash . Ora , quando a Reserva federal resolvei agir , nada de novo aconteceu . Ainda havia muito a aprender em relação à administração do dinheiro “( F S P , 2.12.2008 , p. B-2) . 

KEYNES

Como assinala Maílson da Nóbrega ,” com a Grande Depressão , Keynes desenvolveu um de seus maiores insights . Para ele , a quebradeira dos preços ( deflação) induzia os indivíduos a esperar que eles caíssem mais , adiando o consumo . A taxa de poupança aumentava , ampliando o efeito das perdas com o colapso da bolsa de 1929 , isto é , o esforço de poupar mais para repor níveis anteriores de riqueza . Com menores vendas, investia-se menos . Um círculo vicioso . A poupança superou o investimento e a economia ingressou em uma espiral descendente . Keynes não admitia que essa espiral fosse natural , nem que a depressão se resolvesse por si mesma ao longo do tempo . A saída era neutralizar o excesso de poupança , via gastos públicos . “ ( Veja, 5.11.2008 , p. 100) . 

Ou seja, o governo não deveria apenas criar dinheiro , mas também assegurar sua aplicação e sua velocidade , gastando-o . 

Em 1913 , perante a comissão que estudava a criação de um banco central na índia afirmou que para ele o ideal seria que o banco “ combinasse a responsabilidade máxima de governo, com um elevado grau de independência “. 

NEW DEAL – SUPERAÇÃO DA CRISE NOS EUA 

1933 a 1935 1. Etapa de Assistência e Recuperação.

Política de recuperação econômica após a crise de 29 , expandindo a intervenção do Estado na economia e buscando a ampliação do mercado interno.

Abandono do liberalismo clássico que se opunha a qualquer tipo de intervenção na economia e adoção de um liberalismo que previa a intervenção do estado na economia, como regulador do processo econômico, sem eliminar a iniciativa privada . Ao mesmo tempo cresce a indústria bélica , acentuando a militarização.

Em 21 de junho de 1931 o presidente americano Hoover propôs moratória de um ano sobre todos os pagamentos intergovernamentais, inclusive dívidas e moratórias.

Em junho/julho de 1932 uma comissão concluiu um acordo que praticamente abolia as reparações de guerra. A Conferência Econômica Mundial de junho/julho 1933 fracassou pela recusa dos EUA de colaborar com a estabilização das moedas nacionais. 

Com a crise o partido Republicano (Hoover) perdeu o poder e assumiu Roosevelt pelo Partido Democrata e que será responsável pelo programa . Franklin Delano Roosevel ( 1882-1945) , primo em quinto grau de republicano Theodore Roosevel , presidente entre 1901 e 1909 , foi acometido de pólio em 1921 o que o deixou paralítico e mesmo assim foi o único americano a ser eleito por quatro vezes segui as , entre 1932 a 1944 , sendo o grande responsável por tirar o país da depressão e leva-lo à condição de superpotência . 

Bibliografia : Jenkons , Roy . Roosevelt . Nova Fronteira . ~

Em seu discurso de posse na presidência dos Estados Unidos, Roosevelt , em 1933, acusava a profunda crise econômica e social: “... grande quantidade de cidadãos desempregados vê surgir à sua frente o problema sinistro da existência, e um número igualmente grande labuta com escassa remuneração”. Ao mesmo tempo , Roosevel propunha: “Esta nação exige ação, e ação imediata “ (Franklin Delano Roosevelt, Documentos Históricos dos estados Unidos.) 

ROOSEVELT SOCIALISTA?

O New Deal representou o abandono das políticas tradicionais do liberalismo, ineficazes diante da nova situação, e decorreu de análises feitas pelo economista John M. Keynes. Porém o Estado não foi utilizado para concorrer com a iniciativa privada ou a substituir , mas para estimular a recuperação do empresariado e do mercado consumidor. 

Muitos industriais e líderes do Partido Democrata de Roosevelt acusaram o presidente de ser " socialista" . Os conservadores direitistas fundaram a Liga Americana da Liberdade e chamavam Roosevelt de " o coveiro da América " e alertavam para o perigo " acabaremos tendo um governo socialista que destruirá a iniciativa privada , que fez grande este país . " 

Roosevelt respondia : " Ninguém nos EUA acredita mais firmemente do que eu no sistema de livre-empresa , propriedade privada e lucros individuais . Foi este governo que salvou o sistema , quando ele estava à beira da ruína " . 
Para Peter Irons , autor de A People’s History of the Supreme Court , “Era difícil imaginar leis que fossem mais agressivas ao laissez-faire , à liberdade de contrato e à competição de livre mercado. Também era difícil imaginar leis que se baseassem em noções tão elásticas dos poderes constitucionais” . 

Roosevelt tinha poderes amplos . O governo podia ficar o preço do litro de leite , estabelecer cotas de produção de petróleo, definir o tamanho da jornada de trabalho dos bancários , fechar o mercado a indústrias estrangeiras , dar e cancelar licenças de negócios . Roosevelt criou uma burocracia tão volumosa que alguns patrões tinham de pagar salários diferentes em diferentes horas do dia de trabalho . Cabia ao governo dizer aos agricultores o número de hectares em que podiam plantar algodão ou milho . Ao pecuarista, quantas cabeças de gado podia criar ou o tamanho do seu aviário . ( Veja, 18.03.2009, p. 86-87) .

" Encontrando-se o Estado em situação de poder calcular a eficiência (...) dos bens de capital a longo prazo e com base nos interesses gerais da comunidade, espero vê-lo assumir uma responsabilidade cada vez maior na organização direta dos investimentos. (J. M. Keynes. A Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda. 1936.) 
O Estado deve erguer pirâmides para criar empregos " Keynes . 

O New Deal teve três momentos .

O primeiro , de 1933 a 1934 teve início com o controle financeiro.

Recuperação econômica com as características de uma revolução. Decretou feriado bancário por 10 dias e proibiu a acumulação de ouro no tesouro, abandonando o padrão ouro. Emitiu moeda para recuperar os preços dos produtos básicos. 

Proibiu-se a exportação de ouro , desvalorizou-se o dólar e houve intervenções bancárias. 

Procurou eliminar os abusos financeiros. Criou o “Federal Deposit Insurance Corporation” , garantindo depósitos de até 5000 dolares. Restringiu o crédito bancário para fins de especulação evitando a verticalização do mercado, “pools” , vendas fictícias de títulos e outros mecanismos para influenciar os mercados.

Desenvolveu-se um programa de recuperação financeira , limitando o poder do grande capital e criando o Sistema Federal de Reserva , aumentando as garantias aos investidores. Depósitos até US$ 2,5 mil teriam garantia do governo . Se o banco quebrasse , o governo pagaria ao cliente . O “Reconstrution Finance Corporation criada por Hoover em janeiro de 1932 foi utilizada para promover a reestruturação do sistema bancário e financeiro . Foi feita a separação entre os bancos financeiro e de investimentos , proibido o pagamento de juros sobre depósitos à vista e estabelecidos tetos no pagamento de juros para os depósitos . 

O programa de investimentos enfrentou resistências no meio empresarial , que se opunha à intervenção estatal e por isso nunca foi plenamente aplicado.

Foram criados vários atos legais :

AAA – Agricultural Adjustment Act – maio de 1933 – fornecimento de crédito para a agricultura , pois havia 15 milhões de agricultores arruinados. Os agricultores receberam subsídios para reduzir a área de plantio . Em 1933 o governo destruiu 4 milhões de fardos de algodão e 20% da colheita de trigo e eliminou 6 milhões de suínos . 

NIRA – National Industrial Recovery Act - junho de 1933 – para acabar com o desemprego e garantir recursos ás empresas e salários aos trabalhadores. Suspenderam-se as leis antitrustes , mas protegendo consumidores e sindicatos , para aumentar a produção e o salário . 

NIRA e AAA foram declarados posteriormente inconstitucionais.

O Emergency Bank Bill , de 9 de março de 1933 e o Glass-Steagall Act de junho de 1933 permitiram um maior controle do Fed sobre o sistema bancário 

Cerca de US$ 500 milhões foram repartidos entre os mais necessitados . Mais de US$ 3 bilhões foram aplicados em grandes obras: construção ou restauração de estradas ( 400.000 km ) , barragens , usinas de energia , 3,5 milhões de metros de tubulações de água e esgoto, 40 mil escolas , combate à erosão , reflorestamento , demolição de “favelas” , hospitais, absorvendo a mão de obra desempregada . 

Megaprojeto de desenvolvimento do vale do Rio Tenessee , na época uma das regiões mais pobres dos EUA , resultou na construção de 15 represas , capazes de controlar as persistentes cheias do rio . 
O Congresso criou o Federal Home Loan Banks, de financiamento imobiliário ,

WELFARE STATE

O NEW Deal está na origem dos programas de criação de empregos e redução das desigualdades sociais ( Social Security Act) , que gerou o chamado Welfare State , ou Estado do Bem Estar Social , adotado em vários países europeus .

Com o Social Security Act que definiu um segundo momento ( 1935-1936) criaram-se seguros contra desemprego, pensões por velhice , doenças e acidentes , auxílio financeiro às crianças e mães desvalidas e crianças aleijadas . Foram propostas ainda medidas para solucionar problemas rurais imediatos. 

Na verdade o pioneiro do conceito de Estado do Bem Estar Social foi Bismarck que para combater o socialismo , pouco depois de 1880 criou o seguro saúde, seguro contra acidentes industriais e pensões para a velhice . Depois da Primeira Guerra Mundial os ingleses criaram o seguro desemprego. 

O Welfare State teve seu auge entre 1945 e 1973 após a Segunda Guerra Mundial juntamente com a expansão da social democracia e da economia capitalista.

Segundo o historiador inglês David Reynolds “ Durante a década de 30 , mais de um terço da população chegou a receber ajuda do governo . Os fundos públicos para esses programas não existiam antes de 1929 . Dez anos depois , tomavam mais de um quarto de todo o gasto do governo” . Programas criados na gestão Roosevelt , como o seguro-desemprego e a aposentadoria por idade , sobreviveram até o século XXI. ( Exame, 8.4.2009, p. 150) .

O FIM DO LAISSEZ FAIRE NA SUPREMA CORTE

A Suprema Corte americana julgou inconstitucionais apenas dois atos do Congresso entre 1790 e 1860 , mas derrubou 58 entre 1860 e 1930 , e sete de onze disposições legislativas importante do New Deal , entre 1933 e 1936 , na maioria dos casos argumentando que a Constituição proibia ao governo federal interferir em contratos privados . Isso acabou em 1937 , quando o presidente Roosevelt criou uma crise constitucional ao propor a entrada de vários novos magistrados na Suprema Corte , com o intuito de dissolver o poder de cinco juízes conservadores , que , ao barrar reformas econômicas propostas por via legislativa, acabavam efetivamente escrevendo leis eles mesmos . Roosevelt e seus partidários argumentaram , com justeza , que a Constituição não impunha o laissez-faire ou qualquer outra modalidade de capitalismo. E de 1937 a 1981 , os EUA experimentaram uma forma de capitalismo muito próxima ao da Europa de hoje, caracterizado pela regulamentação governamental das atividades econômicas . 
Porém, Milton Friedman em seu famoso livro Capitalismo e Liberdade , afirmou que as operações de mercado representam transações bilaterais e voluntárias, que são auto-regulatórias e , portanto, representam automaticamente o melhor para a sociedade , como no modelo de Adam Smith . Com a presunção de que os mercados regulam a si mesmos , a desnormatização se converteria em prioridade , como de fato ocorreu nos Estados Unidos de 1980 em diante” .Bruce Scott, Veja, 31.12.2008 , p. 178-179) .


AS MUDANÇAS NO TRABALHO E NA PRODUÇÃO

O período de 1936 a 1939 registra o esgotamento das medidas reformistas e o aparecimento de um movimento sindical mais combativo . 

Lei Wagner – concedeu o direito a negociações coletivas na indústria e a sindicalização, retirando as organizações trabalhistas da tutela dos patrões. A lei confirmou a liberdade sindical e o direito de greve . O sindicalismo americano com a AFL – American Federation of labour e o CIO – Congress of Industrial Organization , foi fundamental para preservar os salários dos trabalhadores , garantindo o forte mercado interno americano. ;

Lei Wheler-Rayburn – regulamentação federal na produção e transmissão de energia no comércio interestadual;
Fair Labor Standards Act – Lei das normas equitativas de trabalho . Abolia o trabalho de crianças , fixava o salário mínimo e definia semana de 40 horas para 1940.

Com o New Deal, os rendimentos do lavrador e trabalhador assalariado aumentaram em mais de 100% , além do alto grau de segurança econômico alcançado.

O desemprego todavia continuou. Em 1939 havia 9 milhões de desempregados.

O New Deal demonstrou que a intervenção estatal na economia não era exclusiva do socialismo e nem conduz necessariamente ao autoritarismo. Porém a crise enfraqueceu o modelo liberal , dando lugar ao Capitalismo monopolista . 

Um dos setores que mais cresceu neste período foi o da indústria cinematográfica , que serviu para fabricar “ilusões’ , aliviando os efeitos da crise. 

A política americana para a América Latina , antes caracterizada pelo Big Stick foi suavizada , passando para uma política de Boa Vizinhança, , mantendo os EUA o papel de tutor do continente e garantindo a hegemonia americana. 


2. Guerra fim da depressão nos EUA:

A depressão nos EUA somente irá terminar com a 2. Guerra Mundial . Os EUA, segundo Galbraith entraram no conflito com a indústria operando abaixo de sua capacidade e com mão de obra desempregada que poderia ser rapidamente absorvida.

Segundo alguns economistas , embora o New Deal tenha sido fundamental para reorganizar a economia americana após a crise de 1929 , foi efetivamente o esforço de guerra que levantou a economia, impulsionou a indústria e permitiu o salto para a condição de superpotência .

Foi praticamente tranquila a conversão da indústria civil para a produção bélica que produziu 107000 tanques, 340 mil aviões 20 milhões de fuzis, 87 mil navios de guerra , 2 milhões de caminhões e 44 bilhões de projéteis de todos os tipos . Em seis anos , a indústria cresceu com injeções bilionárias de recursos públicos e o PIB americano saltou de US$ 100 bilhões para US$ 215 bilhões . Cerca de 17 milhões de vagas foram criadas e pela primeira vez as mulheres foram chamadas ao mercado de trabalho . Mesmo com as demissões em massa com o fim da guerra , milhões de mulheres permaneceram em seus postos e as admissões voltaram a crescer a partir de 1946 , em razão da reconstrução do pós-guerra . 

Bibliografia : Doris Kearns Goodwin . “Tempos Muito Estranhos” .

Na Alemanha, ao contrário, a recessão havia acabado em 1936 e a indústria funcionava a pleno vapor. Adolf Hitler não possuía verdadeiramente um plano de produção de fôlego para enfrentar um conflito demorado. Acreditava que a Rússia cairia tão rápidamente quanto a França ou a Bélgica. Assim, só em fins de 1943 estava com sua conversão industrial completada.


CORRUPÇÃO SOB CONTROLE
Estudo feito pelo Serviço Nacional de Pesquisa Econômica afirma que “ antes de 1932 , a administração da assistência pública era vista por todos como politicamente corrupta “, e os imensos programas de assistência do New Deal “ofereciam uma oportunidade de corrupção única na história do país “ . No entanto , “por volta de 1940 as acusações de corrupção e manipulação política haviam diminuído consideravelmente “ .

Roosevelt conseguiu expandir o governo e mantê-lo livre de corrupção em grande parte pela fiscalização incorporada desde o início aos programas do New Deal . A Administração de Progresso de Obras ( WPA), em particular, tinha uma poderosa divisão independente de “investigação de progresso”, cuja função era investigar queixas de fraude . A divisão era tão diligente que, em 1940 , quando uma subcomitê do Congresso estudou a Administração de Progresso de Obras , não conseguiu encontrar nem ao menos uma irregularidade séria que a divisão não tivesse detectado.

Roosevelt também garantiu que o Congresso não enxertasse medidas politiqueiras nos projetos de lei de estímulo : não havia verbas reservadas a fins políticos nas leis que criaram a WPA e nas demais medidas de emergência .

Por fim , não menos importante , Roosevelt criou um elo emocional com os americanos da classe trabalhadora , que ajudou a sustentar seu governo em meio aos revezes e fracassos em seus esforços para resolver os problemas econômicos . ( Paul Krugman , F S P , 27.12.2008 , p. B-6) . 

FAIR DEAL

Em 1948 , Harry Truman , que havia assumido o cargo de presidente quando da morte de Franklin Delano Roosevelt , candidatou-se à reeleição , apresentando um programa inspirado no New Deal , que denominou de Fair Deal ( Acordo Justo ) . 

As medidas previam controle de salários e preços , construção de casas populares , melhoria do sistema previdenciário , subsídios à agricultura , proposta de lei sobre os direitos civis e revogação da lei Taft-Harley que havia sido aprovada em 1947 restringindo a ação dos sindicatos e proibindo as closed shops , pelas quais uma empresa só poderia contratar trabalhadores de uma determinado sindicato com o qual mantivesse acordo , dificultou as greves e proibiu os sindicatos de fazerem contribuições a partidos políticos ,

O Congresso não aprovou as medidas relativas aos direitos civis , nem a revogação da lei Taft-Harley , mas aprovou a elevação do salário mínimo de 40 para 75 centavos a hora , uma lei de seguridade social que beneficiou 10 milhões de trabalhadores e uma lei de construção de moradias.

Comentários sobre as crises do Capitalismo

Para alguns são acontecimento anormal, produzido por alguma “causa perturbadora” : introdução de invenções revolucionárias, revisões tarifárias, modificações monetárias, fracassos de colheitas, modificações de gastos, etc.
Para outros a crise é física. Efeitos do Sol, planetas , interferem na produção e na renda. (Jevons e Moore).

Outros apontam causas psicológicas – erros de otimismo e pessimismo por parte dos industriais (A . C. Pigon).

Para o monetarismo o “dinheiro é a raiz de todos os males” , daí as crises decorrem da instabilidade do padrão de valor. (Keynes). Com os bons negócios o dinheiro circula mais depressa, os bancos aumentam o crédito mesmo a juros altos. Com o excesso de crescimento os bancos retraem e cobram os empréstimos. Os industriais não podem pagar por que ainda não tiveram o retorno do investimento e falem, os bancos fecham e o desemprego aumenta. Para controlar tal situação deve-se controlar a moeda.

Para Hobson, durante os períodos de prosperidade , as rendas do capital crescem mais que as rendas do trabalho. O excesso canalizado para os ricos, configura uma “superpoupança” que aplicada, gera um tremendo aumento na capacidade de produção, que não é consumida devido à reduzida capacidade de compra dos trabalhadores, gerando portanto uma situação de “subconsumo. “ Sobrevem a ela o desemprego, depressão e redução das rendas dos ricos. Lentamente então os consumidores gastam os estoques acumulados e gradualmente a produção se eleva e recomeça o ciclo de prosperidade, surto, crise e depressão. Portanto, para ele , a causa fundamental da crise é a desigual distribuição de riqueza. Estes excedentes formam o fator irracional ou destrutivo do sistema . Sua reduzida utilidade para finalidades de consumo ou aproveitamento leva à acumulação como poupança para investimento, acima das necessidades e da utilização possível pelo sistema econômico como um todo. Este “excedente” deve ser apropriado e destinado a aumentar a capacidade aquisitiva e o consumo dos trabalhadores seja através de seus salários , seja pelo aumento da assistência social.

O Prof. Hayeck afirma o contrário. Para ele os lucros caem porque os capitalistas não investem o bastante. Daí ele advoga a redução dos salários e da assistência social para a restauração do lucro e do investimento.

Bibliografia : Parker, Selwyn. “O Crash de 1929 – A Lições que Ficaram da Grande Depressão “ . Editora Globo .

O BRASIL E A CRISE DE 1929 

O ano de 1929 com a crise da Bolsa de Nova York inviabilizou o sistema de sustentação do preço do café e levou á falência inúmeros fazendeiros , comerciantes e banqueiros .

Entre 1925 e 1929 a produção de café havia crescido de 17,7 para 28,4 milhões de sacas . Pelo Convênio de Taubaté o governo comprava o excedente para impedir a queda nos preços . Com isso a dívida do Estado de São Paulo havia passado de 1,8 milhão de libras esterlinas em 1892 para 11,9 milhões em 1929 . 

Washington Luís resolveu interromper as desvalorizações constantes que beneficiavam os cafeicultores, mas tornavam os produtos importados cada vez mais caros. Decidiu substituir o mil-réis , pelo cruzeiro , com uma cotação fixa diante da libra inglesa . Porém em 1929 tendo ocorrido uma supersafra, apenas a metade foi exportada e os fazendeiros queriam novas desvalorizações , que o presidente não autorizou . O café teve seu auge em 1928 e perdeu mais de 50% do valor cinco meses após o “crash” na Bolsa de Nova York . 

Para segurar as cotações , o governo brasileiro promovia a queima do produto estocado , com o objetivo de reduzir a oferta mundial , mesmo assim ,grande parte dos agricultores, que até então dominavam o cenário da economia brasileira , simplesmente quebrou .

Como ocorreu nas demais crises globais , o valor do dólar duplicou no Brasil em um ano , inviabilizando as importações , mas fomentando e diversificando a indústria nacional 


segunda-feira, setembro 03, 2012

Vaz Carvalho: As quatro crises e a teoria da grande unificação



5 DE AGOSTO DE 2012 - 9H25 

 

A compreensão profunda da realidade só é conseguida numa teoria que mostre a unidade e as contradições dos diversos fenómenos sociais do mundo atual e que estude as suas transformações. Essa teoria é o marxismo.

Por Vaz Carvalho


1 – Metafísica neoliberal versus materialismo dialética

A ciência é pela sua própria natureza materialista e dialética. A ciência representa o esforço para compreender e explicar os fenómenos naturais, tanto no nosso mundo terrestre como no universo, procura as relações entre esses fenómenos, estuda as suas transformações. Uma fórmula da física é por si só um exemplo de dialética: as diversas variáveis estão unidas entre si num resultado, essa unidade exprime as contradições internas – as variações de umas opõem-se às de outras; as transformações quantitativas dão origem a transformações qualitativas. Por exemplo, conforme a escala em que se processam os fenómenos à física clássica sucede a da relatividade generalizada (escala do universo) ou a quântica (ao nível das partículas atómicas e subatómicas); conforme a pressão e temperatura um gás pode passar ao estado líquido, ao sólido ou tornar-se plasma.

Assim, as ciências sociais se pretendem ser ciência, só podem ser materialistas e dialéticas. Pelo contrário a ideologia conservadora, seja de direita, seja dita reformista da socialdemocracia, na defesa do sistema capitalista, adopta a metafísica. (1)

A metafísica opõe-se à dialética, no sentido em que analisa os fenómenos de forma parcial ou isolada, independentes das suas relações objetivas, considera o seu circunstancialismo invariável, remete vulgarmente a sua explicação para condicionalismos subjetivos ou imateriais, não reconhece mudanças qualitativas nem explica as contradições internas dos sistemas. É essencialmente estática. O raciocínio metafísico constitui na atualidade o instrumento da ideologia reacionária para a manipulação e alienação das populações, de que é exemplo a “austeridade”, atribuindo as causas da crise ao endividamento ao Estado, responsabilizando os desempregados pelo desemprego, atribuindo aos “custos salariais” e direitos dos trabalhadores a falta de incentivos que o capital especulador teria para proporcionar investimento.

A análise do défice e do endividamento do Estado, mesmo estando tecnicamente correta no seu detalhe, mas não estabelecendo as relações com todas as outras componentes do sistema económico e social e as suas contradições, revela-se especulação de natureza metafísica. Em consequência verificamos o falhanço das previsões e a incapacidade de evitar o prolongamento e agravamento das crises, embora - pelo menos desde Aristóteles e da sua Lógica - se saiba que raciocínios baseados em verdades parciais conduzem a conclusões falseadas…

Um dos aspetos mais evidentes da desconexão da realidade a que a metafísica neoliberal procede é a dissociação entre o económico e o financeiro, que se manifesta nas proclamações de manter a austeridade, a ”consolidação orçamental”…para ter crescimento. É como se estas variáveis ou fossem independentes ou estivessem relacionadas por simples equações lineares.

Desligada das verdadeiras causas – como a especulação bancária e a distorção na repartição dos rendimentos - a crise é apresentada ora como um somatório de “inevitabilidades” contra as quais nada se pode fazer senão submeter-se aos “mercados” e reduzir as prestações sociais do Estado “despesista”: Chamam a isto: “rigor orçamental”, enquanto se desbarata a riqueza nacional nas PPP e concessões, nas rendas do sector energético, nas absurdas privatizações de empresas lucrativas, na livre transferência de lucros e rendimentos para paraísos fiscais.

O raciocínio metafísico em economia é evidente ao considerarem “os mercados” como entidades abstratas, absolutas, independentes da vontade humana, às quais nos teríamos de sujeitar.

“As pessoas são levadas a acreditar que a economia tem uma lógica por si própria a qual depende da livre inter-atuação de forças de mercado e que os poderosos atores financeiros não poderiam, sob quaisquer circunstâncias, ter deliberadamente influenciado o curso dos acontecimentos económicos” (2)

A análise metafísica da crise e das suas causas acentua os processos de austeridade a que se associa o presidente da República demarcando-se em público do que aprova no gabinete; ou o governador do Banco de Portugal num “estudo” em que se diz ser necessário reduzir a “rigidez laboral”; ou o ministro das finanças que vê a crise financeira como “insuficiente liquidez de capital” e “aversão ao risco” e não fruto da especulação e da corrosão económica permitida pela ausência de controlo sobre o movimento de capitais e pela proliferação dos paraísos fiscais, forma de fuga aos impostos e sabotagem das finanças públicas.

A política de direita assume a sociedade capitalista como “eterna” sem considerar as suas contradições, concluindo pelo conformismo das “inevitabilidades” antissociais e pelas consequências de uma globalização neoliberal considerada imutável e acima de quaisquer outros critérios.

O neoliberalismo é uma metafísica destinada a defender interesses inconfessáveis sob o eufemismo da “economia”. Daqui os apelos à “ética” e aos “sacrifícios para todos”, como soluções. A sua argumentação e compreensão das causas das crises assemelha-se à das querelas medievais sobre as quais se faziam extensos tratados e teses de doutoramento, como a questão dos “universais” ou de saber se “um porco conduzido para a feira é seguro pelo camponês ou pela arreata”.

2 – As quatro crises (3)

O capitalismo mergulhou o mundo em quatro crises insuperáveis neste sistema que apenas as agrava: a crise económica e financeira, a crise social, a crise ambiental e a crise extreminista.

A crise econômica e financeira atual é consequência das teses monetaristas de criar dinheiro a partir de dinheiro, sem valor acrescentado pelo trabalho. O endividamento generalizado através do apelo ao crédito, foi o entorpecente que levou largas camadas das populações a aceitarem que era possível o aumento do consumo sem passar pela produção e pelo seu rendimento salarial, entregando o seu poder de decisão – e o seu futuro - na mão de mixordeiros da política populista e dita reformista

O valor acrescentado nas empresas, passou a ser absorvido pelos acionistas, pelo sector rentista e especulador – a “engenharia financeira” - em vez de dar lugar à correspondente retribuição salarial e ao investimento produtivo. Desde o predomínio neoliberal as crises sucederam-se de forma praticamente ininterrupta através do mundo inteiro: bolsa de Nova York em 1987; falências de instituições de crédito EUA em 1989-1990; Japão 1990; México, 1994-95; crise asiática 1997-98; Rússia 1998; crise bolsista de 2000 – 2001; Argentina em 2001-02. As medidas adoptadas apenas prolongaram e agravaram estas situações até que a partir de 2007 a crise atingiu os EUA e a UE.

A crise econômica e financeira que se tornou e endémica é consequência da criação de capital fictício, apenas números nas contas dos bancos, sem contrapartida de valor real criado na produção, dando origem a dívidas absolutamente impossíveis de serem pagas. Trata-se, pois, de uma crise sem fim nem solução dentro do sistema atual. A austeridade é a forma de transformar o capital fictício em valor real aumentando a taxa de exploração e apropriando-se do património público.

Sabe-se como o BCE promove e financia a especulação cujas custas recaem sobre os povos, financiando a banca a uma taxa de juro muito baixa (1%), não sendo impostos quaisquer condicionamentos à utilização desse dinheiro, para depois os bancos obterem lucros extra à custa de elevadas taxas de juro que cobram aos Estados, às famílias, às empresas.
Sem regulação, em nome de uma hipotética eficiência, o grande capital financeiro criou um caos de corrupção e especulação. A economia, a vida política e social foi colocada ao sabor de gente egoísta, corrupta, fraudulenta que se disfarça com a mistificação de “os mercados”.

Apesar dos bilhões de dólares aplicados em “resgates financeiros” e “políticas de estímulo” - mais de 13 biliões de dólares nos EUA e 4,5 bilhões de euros na UE - estas economias permanecem estagnadas ou em recessão; a pobreza e o desemprego não param de aumentar.

A crise social tem origem no facto dos setores monopolistas e financeiros drenarem em seu benefício a riqueza criada. A estagnação económica resulta assim da insuficiência dos investimentos produtivos e da desequilibrada distribuição dos rendimentos nacionais, cuja evidência são as crescentes desigualdades e o empobrecimento relativo e absoluto das camadas trabalhadoras, de pequenos empresários e profissões liberais, temporariamente camuflado pelo crédito barato.

Em termos sociais podemos dizer que existe estagnação sempre que o crescimento não pode absorver a força de trabalho disponível e que existe recessão quando o desemprego tem tendência a aumentar. Apesar dos imensos progressos tecnológicos o desemprego, a pobreza, as desigualdades aumentaram entre as pessoas e entre os países. A livre circulação de capitais é ouro sobre azul para o crime organizado e para a corrupção que vive paredes meias com as intocáveis entidades financeiras, que os povos acabam por ter de salvar em nome do “risco sistémico”. Contudo, o único risco “sistémico” para os povos é o prosseguimento das atividades especuladoras que se sobrepõem ao tecido produtivo e aos direitos sociais. O avanço dos dogmas do mercado livre traduzido na “globalização” representou mais pobreza, mais crise global: “mais comércio livre mais fome” (4)

O sistema, incapaz de assegurar o pleno emprego e direitos sociais, apresenta-os quer como miragens quer como intoleráveis “privilégios”. Em nome dos dogmas da competitividade e da “eficiência” do mercado livre afirma-se então (como o presidente da República) que não possível manter o “Estado social”. Claro que não, atendendo à crescente riqueza levada para fora do país: mais de 73 mil milhões de euros nos últimos quatro anos.

A OIT considera que mais de 200 milhões de trabalhadores estão desempregados, situação que aumenta de ano para ano. Nas presentes condições, será praticamente impossível encontrar trabalho para os 80 milhões de pessoas que nos próximos dois anos se estima aumentarem o exército de reserva da força de trabalho, designado por “mercado de trabalho”.

A crise social trazida pelo sistema é uma crise de direitos; de desemprego e de precariedade – a patologia crónica do sistema capitalista. O neoliberalismo – o capitalismo da atualidade – não é democracia: é pauperização e depredação. “Milhões de crianças morrem cada ano porque os ricos recusam-lhes alguns centavos de ajuda”, escrevia Noam Chomsky em “A globalização excludente”.

“O principal objetivo das classes dominantes não é simplesmente administrar as consequências da crise financeira. Elas têm um plano a longo prazo para esmagar totalmente a classe trabalhadora, deitar abaixo o consumo e remodelar as expectativas de como o ser humano tem direito de viver. Como mencionou um responsável do Tesouro Britânico ao Financial Times: “Isto é uma oportunidade que só ocorre uma vez numa geração de transformar o modo como o governo funciona.” (5)

“Um quarto de todo o rendimento criado nos EUA vai para a 1% da população, enquanto a classe trabalhadora tem menores rendimentos que há uma década. Os mais ricos viram os seus impostos reduzirem-se, a desigualdade social disparou e arrancou uma ofensiva anti-sindical. Na UE há 115 milhões de pessoas em risco de pobreza ou exclusão social, 23% da população. Contudo nos últimos 15 anos os ativos dos 3 milhões de milionários europeus cresceu mais que a soma total das dívidas dos países europeus. Estes capitais poderiam resolver de uma assentada a crise das dívidas dos países europeus, porém a atual aristocracia financeira tem tão pouca intenção de ceder seus privilégios como a aristocracia francesa antes da revolução de 1789. (6)

A crise ecológica tem origem no sistema baseado numa competição que visa exclusivamente o aumento dos lucros das empresas dominantes do comércio mundial, segundo os critérios da OMC. Em consequência, verificamos o esgotamento dos recursos naturais. Apesar da pobreza e da fome (1 200 milhões de pessoas com rendimento inferior a 1,25 dólares por dia) o consumo de recursos naturais é superior em 57% à capacidade do planeta. Apesar dos cerca de 48 milhões de pobres nos EUA se toda a população mundial tivesse os mesmos níveis e padrões de consumo médios dos EUA seriam necessários 4,5 planetas. Seguindo as mesma vias de “sucesso” e “eficiência” da “economia de mercado” o Global Footprint Network estima que em 2030 sejam necessários 2 planetas para satisfação das necessidades. Registe-se que nos relatórios GEO das Nações Unidas, todas as medidas apontadas para defesa do ambiente incluem o reforço do papel do Estado e uma sua maior independência dos poderes privados.

É neste contexto que têm de ser avaliadas as ilusões de prosperidade pela “livre iniciativa privada”.

O esgotamento dos recursos naturais imporá alterações drásticas no modo de vida e no funcionamento das sociedades. Trata-se do fim da era da energia barata (peak oil); do esgotamento dos recursos naturais como a água, as florestas, os solos férteis, a pesca, que afetará milhares de milhões de pessoas. Mil milhões de seres humanos numa centena de países estão ameaçados pela desertificação. A biodiversidade declina rapidamente; milhões de toneladas de solo fértil são perdidos. Muitos minerais fundamentais atingem o ponto de esgotamento, implicado a sua extração cada vez maior dificuldade e maiores custos.

A incompreensão do que são custos e benefícios sociais e, por consequência também ambientais, está bem expressa pela afirmação de um dos homens mais ricos de Portugal, que se congratulava por ser possível colocar – nos seus supermercados – pescado fresco do Chile em 36 horas ou frutos tropicais em 9 horas, transportados de avião. Para ele e para quem pensa como ele “eficiência”” e “criação de valor” é isto, que represente desemprego na pesca e na agricultura nacionais, endividamento do país que tão superlativamente criticam, não parece ser relevante tal como os custos ambientais de tal “eficiência”.

A WWF, organização internacional para a conservação da natureza, lista 16 prioridades que passam pela alteração dos padrões de consumo, a valorização económica do capital natural ou a criação de estruturas legais e políticas para promover a gestão ao acesso equitativo à água, alimentos e energia. “Enquanto a biodiversidade revela uma tendência decrescente, a pegada ecológica aumenta, ilustrando bem como a nossa crescente procura pelos recursos naturais se tornou insustentável”.

De salientar ainda o impacto da urbanização, pois estima-se que em 2050 duas em cada três pessoas vão viver em cidades, o que implica uma forma completamente diferente da atual na gestão dos recursos naturais, mas também dos aspetos económicos e sociais. 
A globalização corresponde à necessidade que o capitalismo tem de constante alargamento dos mercados, mas é também uma guerra para extorsão de mais-valia a nível mundial por um capitalismo decadente. Um sistema totalmente absurdo, atendendo aos limitados recursos materiais de que o planeta dispõe. Porém a economia conduzida sob a égide do FMI, da OMC e do BM, promove a chantagem da maximização do lucro privado, bloqueando controlos, fiscalização, autoridade eficaz. Os organismos que o poderiam fazer acabam por ficar ao serviço dos interesses privados sem interferência nos comportamentos que deviam regular.

O Prêmio Nobel, Gary Becker afirmava que “O direito ao trabalho e a proteção do ambiente tornaram-se excessivos na maior parte dos países desenvolvidos. O comércio livre vai reprimir alguns destes excessos, obrigando cada um a tornar-se competitivo.” (7) 

A crise exterminista, consiste nas crescentes agressões e ameaças militares, levadas a cabo pelos “EUA e os seus fantoches da NATO” (Paul C. Roberts) “Não há preocupações com o orçamento quando se trata de guerras ilegais ou ocupações militares que o governo dos EUA leva a efeito em pelo menos 6 países ou na ocupação de 66 anos no Japão e Alemanha ou o anel de bases militares construídos à volta da Rússia. O valor total do orçamento militar e segurança dos EUA anda à volta de 1,1 a 1,2 biliões de dólares, 70 a 75% do défice federal (8)

Em vez de segurança e justiça social para os povos encontramos “pirataria, “austeridade” e “guerra perpétua”: um extremismo destinado ao derrube da democracia. Aplicado a um indivíduo, isto identificaria um psicopata. Por que aceitamos isto? (9)

Os EUA dispõem de um número indeterminado de instalações militares espalhados por todo o globo que se estima serem mais de um milhar. O fim da URSS não representou mais segurança e paz para o mundo, pelo contrário, o orçamento militar dos EUA (5% da população mundial) aumentou, representando mais de 42% do total mundial procedendo a guerras “preventivas” e à “defesa de direitos humanos” com bombardeamentos sobre indefesas populações civis.

A corrida armamentista foi acelerada com a persistente instabilidade no Médio Oriente, a intenção do “escudo antimíssil” na Europa, a proliferação de bases militares. Recentemente a Rússia testou a sua última geração de mísseis intercontinentais dotados de múltiplas ogivas nucleares hipersónicas, e de contra medidas electrónicas que se considera tornar ultrapassado o escudo antimíssil que a na NATO pretende instalar. Poderão ser lançados de submarinos atómicos de 4ª geração.

Os EUA são um Estado falido que só o poder militar e a exacção sobre o resto do mundo através da aceitação do dólar como moeda global vão escondendo e adiando e que arrasta o esfrangalhado capitalismo da UE para as suas aventuras.

Os custos das guerras no Iraque e no Afeganistão custaram já mais de 1,3 biliões de dólares, porém considerando os custos assumidos em substituição de material, tratamentos médicos, pensões aos combatentes ou famílias, juros, etc., aquele valor, dentro do calendário estipulado pelo congresso, pode atingir globalmente uns 5 biliões de dólares.

Será bom lembrar que a História nos mostra que o destino de todas as nações agressoras foi destruírem-se também a si próprias. 

3 - A teoria da grande unificação no campo político e social é o marxismo

A ciência atual mais avançada procura na física unir na mesma teoria, num mesmo sistema de equações, as quatro forças fundamentais da natureza. (10) O mesmo se deveria passar com a análise social ao tratar das atuais crises.

Análises, medidas, comentários normalmente apresentados na comunicação social sobre a crise ou as crises esforçam-se por não pôr em causa o sistema capitalista. Admite-se uma crise económica e financeira, uma crise social, uma crise ambiental, uma crescente insegurança bélica a nível mundial, como se pudessem ser resolvidas de forma independente.

É neste contexto que o esquema financeiro, defendido contra a ineficiência e despesismo do Estado – nas prestações sociais, mas não na corrupção e na fiscalidade distorcida – se tornou responsável pelas graves crises que atingem os diversos países como uma forma de espoliação da mais-valia produzida, com uma redistribuição do rendimento em desfavor dos trabalhadores e pequenos e médios empresários, em nome da do dogmatismo da ortodoxia financeira.

O “despesismo” do Estado está bem documentado com a entrega de biliões de euros ao “racional e eficiente” sector bancário, às grandes transnacionais e na entrega de serviços públicos a oligopólios.

A questão é na sua essência simples. Não há solução para estas crises no sistema capitalista. As propostas apresentadas – imposições de troikas – são confessadamente apenas para resolver os problemas que a especulação provocou, aliás com as medidas que lhes deram origem. Fazer as mesmas coisas à espera de resultados diferentes configura um quadro de insanidade mental (um mundo dirigido por loucos…) caso não se tratasse de puro dogmatismo para uns, de oportunismo para outros, de ganância sobretudo para os que controlam estes.

Vemos títeres criticarem aquilo que efetivamente defenderam e praticam, enunciarem promessas de reformas e fazerem apelos à ética, fraseologia oca de conteúdos concretos, inconsequente e irrelevante, como o “ganhar credibilidade” – o que quer que isto queira dizer – obviamente perante “os mercados”, que o ministro espanhol das finanças considerou agora agirem de forma “irracional”.

O sistema capitalista não tem quaisquer soluções para resolver os problemas das 4 crises, pelo contrário é a sua própria natureza, as suas leis fundamentais que as provocam, ignorando custos e benefícios sociais, funcionando em função do lucro privado, precisamente em sentido contrário do que seria desejável e necessário.

O sistema capitalista nas nossas sociedades, já não tem condições de criar emprego senão em precariedade e sem direitos – a “flexibilidade” - nem garantir serviços sociais, nem proporcionar mais democracia, uma significativa redução do desemprego está confessadamente fora de causa.

Este sistema é imune à ética e ao reformismo, porque a questão não reside em razões práticas, ou de competência dos seus medíocres dirigentes, que são aqueles que o grande capital define e apoia, colocou-se, na sua deriva metafísica, à margem da realidade.

A evidência dos factos mostra que a questão de reforma ou revolução está ultrapassada. O que se designa por “reformas” são tão-somente retrocessos civilizacionais de décadas, largas décadas em muitos casos, cuja tendência é a generalização do trabalho sem ou com um mínimo de direitos: trabalho semiescravo. O mito social-democrata de criar mais riqueza para melhor a distribuir, sem ter em conta as relações de produção, cai pela base com a livre circulação de capitais, o domínio dos paraísos fiscais e dos critérios de especulação financeira.

As crises exprimem a incapacidade do capitalismo para criar valor real, estando a acumulação capitalista atulhada de capital fictício e de ativos tóxicos. “Além disto, sendo os recursos naturais limitados, a necessidade de crescimento constante do capitalismo é estritamente impossível. Manter o capitalismo indefinidamente é matematicamente impossível. O seu desaparecimento é imperativo” (11)

A análise não dogmática, materialista e dialética da realidade, permitiu prever com exatidão o ocorrer da crise e sua evolução, quando a propaganda ao serviço da oligarquia a negava, afirmando o seu fim sempre adiado de ano para ano. Agora se evidencia que mais austeridade só traz mais austeridade, o governo e os seus propagandistas, continuam a propagar uma metafísica de equilibrar as contas públicas – custe o que custar. A única entidade que reconhecem é uma abstração a que chamam “mercados” - a especulação financeira de indivíduos corruptos, mais uma vez comprovada no caso do Barclays Bank - a ditadura à qual os povos são submetidos.

A compreensão profunda – materialista e dialética – da realidade só é conseguida numa teoria que mostre a unidade e as contradições dos diversos fenómenos sociais do mundo atual e que estude as suas transformações. Essa teoria é o marxismo.

1 – A metafísica constitui uma forma de pensamento ultrapassada, no entanto necessária à sua evolução no passado, permitindo a análise e classificação de fenómenos da natureza. Esta designação tem origem em Aristóteles, dado na sua obra filosófica seguir-se à física, significando depois (meta) da física, tratando das questões que ultrapassavam os limites da experiência.

2 A crise econômica global A Grande Depressão do século XXI - Michel Chossudovsky e Andrew Gavin Marshall* - www.odiario.info - 20.mai.2010

3 – Não temos a pretensão nem poderíamos desenvolver neste texto o muito que há a dizer sobre as crises do capitalismo. O odiario.info, bem como o resistir.info, têm relevantes textos sobre este tema. Desejaríamos destacar pela abordagem global – e pelo seu nível – como bibliografia, “Crise e Transição Política – Metabolismo social e material”, de Rui Namorado Rosa, Edições Avante.

4 - Más libre comercio, más hambre - Esther Vivas - www.rebelion.org – maio.2008

5 – “Unidos contra nós, divididos entre si” por Ben Hiller - Colaborador de Socialist Alternative O original encontra-se em http://mrzine.monthlyreview.org

6 – “Alemania en la Gran Desigualdad” - Rafael Pochla – Vanguardia – www.rebelion.org – 24-maio.2012

7 - A Ilusão Neoliberal – René Passet – Ed. Terramar – 2002 - p.109

8 – “An Economy Destroyed” Paul Craig Roberts –July 22 / 24, 2011 – www.couterpunch.org - Paul Craig Roberts was Assistant Secretary of the US Treasury, Associate Editor of the Wall Street Journal, and professor of economics in six universities.

9 – “A história é o inimigo quando as psy-ops se tornam notícia”, John Pilger, www.resistir.info – 23.junho.2012 - O original encontra-se em www.johnpilger.com/…

10 – Trata-se da designada GUT (Great Unification Theory). As 4 forças fundamentais da natureza são: a força electromagnética, a força nuclear fraca, a força nuclear forte e a força gravitacional. Em 1850 James Maxwell estabeleceu no mesmo sistema de equações a força eléctrica e a força magnética, levando ao posterior desenvolvimento teórico e tecnológico da electricidade, electrónica, emissão de ondas electromagnéticas. A força nuclear fraca - responsável por certos tipos de radiação quando algumas partículas atómicas se transformam noutras mais leves (diz-se que “decaem”). Está atualmente unida ao electromagnetismo constituindo a força electrofraca. A força nuclear forte é responsável pela constituição de protões e neutrões e a estabilidade dos núcleos atómicos. As tentativas a associar à força electrofraca não têm sido conclusivas. Quanto á gravitação considera-se um passo final da unificação de que se tem ocupado a física quântica.

11 - Jean Mathieu - http://www.papamarx.wordpress.com - Crise Economique : Un changement d’époque.- Le fruit de la misère ne tombe jamais loin de l’arbre de l’exploitation.