A Internacional

__ dementesim . . Do rio que tudo arrasta se diz que é violento Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem. . _____ . Quem luta pelo comunismo Deve saber lutar e não lutar, Dizer a verdade e não dizer a verdade, Prestar serviços e recusar serviços, Ter fé e não ter fé, Expor-se ao perigo e evitá-lo, Ser reconhecido e não ser reconhecido. Quem luta pelo comunismo . . Só tem uma verdade: A de lutar pelo comunismo. . . Bertold Brecht
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segunda-feira, agosto 02, 2010

Jorge Cadima: a banca e a liberdade comercial… Da droga

Economia

ermelho - 31 de Julho de 2010 - 12h33

A Wells Fargo, uma das maiores instituições financeiras dos EUA, confessou em tribunal que a sua unidade bancária Wachovia “não havia monitorizado e participado [às autoridades] suspeitas de lavagem de dinheiro por parte de narcotraficantes” (Bloomberg, 29.6.10).

Por Jorge Cadima*, no
Avante

O montante do “lapso” é estonteante: US$ 378 bilhões. Trata-se de dinheiro proveniente de “casas de câmbio” mexicanas nos anos 2004-07. A notícia acrescenta que “o Wachovia habituara-se a ajudar os traficantes de droga mexicanos a movimentar dinheiro”.

Martin Woods, ex-chefe do combate à lavagem de dinheiro no Wachovia em Londres informou o banco e as autoridades do que se passava. “Woods disse que os seus patrões mandaram-no estar calado e tentaram despedi-lo”.

Qual foi a penalização do banco? Pagou US$ 160 milhões de multa (“menos de 2% dos seus lucros de US$ 12,3 bilhões em 2009”) e prometeu melhorar o sistema de vigilância. Se o fizer, “o governo dos EUA deixará cair todas as acusações contra o banco em Março de 2011, segundo o acordo alcançado” (Bloomberg 7.7.10).

Quem disse que o crime não compensa? É sempre assim: “Nenhum grande banco dos EUA – incluindo a Wells Fargo – foi alguma vez formalmente acusado de violar a Lei dos Segredos Bancários ou qualquer outra lei federal. Em vez disso, o Departamento da Justiça resolve as acusações criminais utilizando acordos de adiamento do processo, em que o banco paga uma multa e promete não voltar a violar a lei”. Para os banqueiros não há pistolas taser…

Entretanto, o México desintegra-se na violência que “já matou mais de 22 mil pessoas desde 2006” (Bloomberg, 7.7.10). A carnificina – e a catástrofe social – não suscitam campanhas indignadas. Fosse na Venezuela, já haveria inflamados comentaristas a invectivar contra o “Estado falhado” e exigir “intervenções humanitárias”. Mas aqui, não.

Talvez porque “o Wachovia é apenas um dos bancos dos EUA e Europa que têm sido utilizados para lavar dinheiro da droga”. Ou porque, como afirmou o chefe do Gabinete da ONU sobre Droga e Crimes (Unodc), no auge da crise do sistema financeiro em 2008 “em muitos casos o dinheiro da droga era o único capital de investimento líquido. […] empréstimos interbancários eram financiados pelo dinheiro da droga e outras atividades ilegais. Houve sinais de que alguns bancos foram salvos desta forma” (Observer, 13.12.09).

Os EUA estão numa escalada militar maciça na América Latina. O pretexto oficial é o combate ao narcotráfico. Mas há um longo histórico de ligação das intervenções dos EUA com os tráficos de vária ordem.

Foi assim na Nicarágua, no Kosovo, com o regime colombiano. É assim no Afeganistão. País que, segundo o relatório Unodc de 2010 “é responsável por cerca de 90% da produção ilícita de ópio nos últimos anos”. Na página 38 há um gráfico eloquente.

Praticamente inexistente até 1980, a produção afegã de ópio cresceu de forma acentuada nos anos da ingerência imperialista. A grande exceção foi 2001, o ano antes da invasão, quando os talibã no poder erradicaram mais de 90% da produção. Depois da ocupação EUA/Otan foram batidos todos os recordes de produção.

Grandes alvos do tráfico de droga são os países vizinhos: a Rússia “livre” é hoje “o maior mercado nacional de heroína afegã, um mercado que se expandiu rapidamente desde a dissolução da URSS”. E também as ex-repúblicas soviéticas da Ásia Central, o Paquistão, a região oriental da China e o Irã.

O relatório da ONU elogia o papel deste último país no combate ao tráfico. “São frequentes os combates mortíferos entre tropas iranianas e traficantes, como é evidenciado pelos milhares de baixas sofridas pelos guardas fronteiriços iranianos nas últimas três décadas”. Entre 1996 e 2008 o Irã “é responsável por mais de dois terços das apreensões de ópio a nível mundial” e cerca de um terço das apreensões de heroína.

Em meados do século 19 o imperialismo britânico desencadeou as duas Guerras do Ópio contra a China, em nome da “liberdade de comércio”… do ópio. Parece que os EUA lhe querem seguir o exemplo.

* Jorge Cadima é professor da Universidade de Lisboa e analista de política internacional
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sábado, julho 11, 2009

Luta sindical nos EUA



A acção sindical nos EUA tem salvo os postos de trabalho dos seus associados com iniciativas que beneficiaram da revolta popular contra os grandes bancos. A última vitória ocorreu no início de Julho. Os 4000 trabalhadores da empresa Hartmarx, em Chicago, membros do sindicato Service Employees International (SEIU), alcançaram uma importante vitória contra o gigante da banca Wells Fargo. O banco concordou em manter a empresa a funcionar. Em resultado da ameaça dos trabalhadores de ocupar as instalações, da pressão popular e da ameaça de políticos de tomarem medidas contra o Wells Fargo, o sindicato conseguiu forçar o banco a aceitar a intervenção de outra empresa para manter a Hartmarx aberta.
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Em Dezembro último, os trabalhadores da Republic Windows and Doors, em Chicago, electrizaram o movimento sindical ocupando a empresa. Nessa altura o Banco da América tinha recusado conceder empréstimos para a manter em funcionamento. Os membros do sindicato dos Electricistas (Union of Electrical Workers – UE – Local 1110) ocuparam as instalações da empresa durante seis dias e galvanizaram o apoio internacional à sua luta. Os banqueiros foram forçados a negociar um acordo com os trabalhadores. A antiga Republic reabriu com um novo dono, que assinou um contrato com o sindicato.
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No último confronto entre trabalhadores e bancos, mais de 100 funcionários da Quad City Die Casting em Moline, III., foram informados de que a empresa fecharia a 12 de Julho se o Wells Fargo não lhe renovasse o crédito. Estes trabalhadores são membros da secção local 1174 do UE e exigem que o banco garanta empréstimos à QCDC até que apareça outro investidor ou um novo comprador.
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O vice-presidente da secção local 1110 do sindicato, Melvin Macklin, disse-me que «tal como apelámos ao Banco da América para se responsabilizar, também os trabalhadores da Quad City Die Casting estão a apelar ao Wells Fargo. É a mesma luta.»
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O banco Wells Fargo recebeu mais de 25 mil milhões de dólares do orçamento federal através do programa de ajuda para combater a crise (Troubled Assets Relief Program / TARP). Apesar da enorme ajuda que a administração de Barack Obama tem dado aos bancos, na ordem dos triliões de dólares, os trabalhadores continuam a ser despedidos dos seus empregos e despejados das suas casas. Desde Novembro de 2007 até Junho último, o número oficial de desempregados duplicou, passando de sete para 14 milhões, ou seja 9.4 por cento da força de trabalho. No total há cerca de 30 milhões de desempregados ou subempregados, incluindo «desalentados» e trabalhadores a tempo parcial. A revolta de massas tem vindo a crescer, especialmente contra os bancos, que já receberam mais de 10 triliões de dólares do governo.
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No sítio da Internet do UE, o dirigente Leah Fried escreve: «o Quad City Die Casting esteve no negócio durante 60 anos, fazendo componentes de peças de precisão agrícolas e equipamentos de recreio... Numa recessão como esta, o acesso ao crédito é essencial para os pequenos negócios enfrentarem a tempestade. Mas o Wells Fargo, apesar da sua relação financeira a longo prazo com o QCDC, que inclui a gestão de pensões dos trabalhadores, lavou as mãos como Pilatos. Isto levou os trabalhadores a interrogar-se sobre qual é o principal objectivo do TARP.»
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A 11 de Junho, milhares de trabalhadores de diversas secções sindicais e apoiantes locais manifestaram-se junto das instalações do Wells Fargo em Chicago para pressionar o banco. O UE organizou manifestações de protesto contra o Wells Fargo em outras 20 cidades do país, desde Boston à Califórnia. Para além disso, uma delegação sindical contactou com os gabinetes de cerca de 100 congressistas, na semana passada, apelando a uma investigação à forma como o gigante da banca está a usar o dinheiro que recebeu do TARP.
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Estas lutas põem em causa as medidas que a administração Obama tomou para tentar superar a crise económica do capitalismo. A sua equipa económica de peritos da Wall Street pouco canalizou para a criação directa de empregos dos importantes gastos governamentais. A maioria dos fundos vai para os bancos e para os gigantes da indústria. Na melhor das hipóteses, foram criados apenas três milhões de postos de trabalho. Já se perdeu mais do dobro disso.
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Os trabalhadores do sindicato progressista UE estão a ajudar a mostrar que a crise económica deve ser combatida pela organização, pela solidariedade internacional da classe operária, pela mobilização de massas, pela organização dos desempregados, pela luta contra o lay-off, pela ocupação das empresas antes que sejam fechadas, e acima de tudo pondo os direitos dos trabalhadores à frente dos direitos dos patrões.
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in Avante 2009.07.09
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