A Internacional

__ dementesim . . Do rio que tudo arrasta se diz que é violento Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem. . _____ . Quem luta pelo comunismo Deve saber lutar e não lutar, Dizer a verdade e não dizer a verdade, Prestar serviços e recusar serviços, Ter fé e não ter fé, Expor-se ao perigo e evitá-lo, Ser reconhecido e não ser reconhecido. Quem luta pelo comunismo . . Só tem uma verdade: A de lutar pelo comunismo. . . Bertold Brecht
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sexta-feira, junho 12, 2009

Perú - a visão dos índios sobre o massacre

Crecen versiones de que lanzaron al río cadáveres de unos 50 nativos desde helicópteros


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Poco claras y todavía inexactas son las cifras en torno a la masacre ocurrida en la ciudad de Bagua, donde fallecieron una veintena de policías y por lo menos 9 civiles.
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El programa Enemigos Íntimos recorrió la zona convulsionada, llegando incluso a las comunidades aguarunas, desde donde salieron la mayoría de indígenas que participaron de la protesta.
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Allí todas las versiones dan cuenta de al menos 50 muertos, padres, madres, ancianos y niños buscan a sus familiares, muchos no pueden salir por el estricto control y hasta el momento no se han hallado los cuerpos.
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Sí son crecientes los testimonios de que los cuerpos de varios nativos habrían sido arrojados al río y fondeados desde helicópteros, procedimiento que observaron al menos dos periodistas y decenas de pobladores.
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La versión oficial precisa que algunos familiares no aparecen porque permanecen detenidos en cuarteles militares o cedes policiales por su participación en la destrucción de locales públicos y crímenes contra la policía.
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Ícone do canal

periodismoperu

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This video is very graphic and please beware. Peruvian journalist Alonso Gamarra and cameraman Richard Garcia from Lima-based Frecuencia Latina TV station, traveled to Bagua where locals -mixed Natives or "mestizos"- tell them stories about how Aguaruna people were killed and burned in the roads by the police, and then thrown to the Maranon river, or put on plastic bags and then thrown from the air.

Interpretation (the video is in Spanish)
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The journalists of the Enemigos Intimos program, decided to travel from Bagua to the Imasita village, an Aguaruna Indigenous community. An Aguaruna man says that his people took the guns of killed policemen and used it in self defense. When they arrived to the village, they are told all the men who left to the strike are missing. Native women are seeing crying and shouting demands and complains about their missing loved ones. Some talk about more than 50 dead only in their town, shot non-stop by police even after they surrounded. People in this video are obviously traumatized by what they experienced.
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Two foreign journalists show photography of burned bodies and explain that when they tried to leave Bagua Chica to investigate rumors, police stopped them - over 1,500 policemen were in the area and they were forbidden anyone from filming or taking photos. The Lima journalist goes then to the Aguaruna village of Wawas, where 34 men had left to participate at the road blockade and only one returned, dead. At the end of the video, a man says "this is reality, that between Peruvians we had to reach this extreme" while a little kid watched behind wearing a Peruvian soccer team shirt.
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in
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/peruanista.blogspot.com
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Perú - Governo massacra indígenas

Peru
Governo massacra indígenas

Mais de 40 indígenas foram massacrados pelo exército peruano depois do presidente, Alan Garcia, ter ordenado a repressão dos protestos contra os decretos que privatizam a exploração das riquezas naturais amazónicas.
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Durante dois dias, a repressão policial contra a comunidade originária de Bagua Grande não cessou, respondendo com extrema violência aos protestos pacíficos que se mantinham há mais de 45 dias.
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Helicópteros do exército peruano dispararam sobre os manifestantes, sexta-feira, 5, quando os indígenas bloqueavam uma estrada próxima daquela localidade. Em resposta, estes terão supostamente sequestrado 38 polícias do contingente de choque. Fontes oficiais alegam que foi esta acção que motivou nova vaga repressiva impiedosa, operação de resgate furiosa e sangrenta que não poupou a vida sequer a membros das autoridades.
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Nas últimas declarações antes de ser dado como desaparecido, Alberto Pizango, líder do movimento indígena e dirigente da Associação Inter-Étnica da Selva Peruana (AIESP), garantiu que até à intervenção das aeronaves os protestos pautavam-se pela calma e a serenidade, e que foram os disparos de gás lacrimogéneo e o uso de fogo real que fez degenarar o conflito.
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Sobre o paradeiro de Pizango não existem dados concretos, apenas suposições. A polícia peruana adianta que o dirigente indígena terá fugido para a vizinha Bolívia, mas as autoridades de La Paz não confirmam o exílio de Pizango em território boliviano.
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Condenação unânime
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Reagindo ao massacre em Bagua Grande, os partidos comunista Peruano e do Peru – Pátria Roja, e o Partido Nacionalista Peruano responsabilizaram o executivo liderado por Alan Garcia pelo massacre e exigiram o fim da repressão contra as comunidades amazónicas, as quais, destacam, mais não fazem do que defender os respectivos direitos rejeitando entregar à ganância das multinacionais os recursos naturais.
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Os partidos da oposição lembram ainda que este é mais um episódio da sanha antidemocrática do governo do Partido Aprista Peruano, apostado em confrontar as lutas populares, e sublinham que o único caminho a seguir é o da revogação imediata dos polémicos decretos.
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No mesmo sentido pronunciou-se a Coordenadora Política e Social (CSP), que alerta para as represálias, a perseguição e a possível detenção de dirigentes nativos que o governo prepara. Em nota citada pelo vermelho.org.br, a CSP apela ainda para que Alan Garcia e os seus pares interrompam a «campanha mediática mentirosa cujo intuito é conformar a opinião pública e justificar a repressão e o autoritarismo».
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A estrutura unitária exige igualmente que o governo retire as forças repressivas de Bagua Grande, levante o estado de emergência que suspende os direitos constitucionais, e permita a entrada da Cruz Vermelha e de funcionários do Ministério Público para que estes possam investigar os factos ocorridos na região.
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Para ontem, as estruturas políticas e sociais peruanas marcaram uma marcha reivindicativa até ao palácio do governo. O objectivo é amplificar o protesto contra o decreto 1090 e as orientações neoliberais de Alan Garcia.
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Ao serviço do capital
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Em causa no diferendo que opõe o governo Aprista e as comunidades indígenas da Amazónia peruana está a promulgação de duas leis e sete decretos legislativos que abrem caminho à exploração dos recursos locais por parte das multinacionais, sobretudo as norte-americanas, na medida em que as normas foram aprovadas no âmbito do cumprimento do Tratado de Livre Comércio entre o Peru e os EUA. As populações acusam o presidente Alan Garcia de violar a Constituição da República com a promulgação das referidas normas,e a meio do passado mês de Maio, declararam publicamente que não lhes reconhecem autoridade.
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Para os indígenas, qualquer tipo de concessão a privados que venha a ser feita é ilegal, uma vez que espezinha o estipulado na Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho, ratificada pelo Peru em 1993. Nele estabelece-se que o Estado tem que consultar as comunidades nativas antes de celebrar com empresas privadas contratos relativos aos seus territórios.
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A parcela amazónica peruana – a maior fora da soberania brasileira – é rica em água, hidrocarbonetos e madeira. A biodiversidade, o património natural e os conhecimentos ancestrais são apetecíveis, entre outras, para a indústria farmacêutica. Alan Garcia já demonstrou que não olha a meios para servir o capital.

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in Avante 2009.06.10
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Povos indígenas da selva central condenam massacre no Peru



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O massacre de Bagua, na Amazônia peruana, no último dia 5, era para ser mais uma matança de índios como tantos milhares já ocorridas nas Américas: sangrento e silencioso. Mas, ao ordenar que a polícia disparasse de heicópteros contra uma manifestação indígena, o presidente Alan Garcia não levou em conta os novos tempos vividos pela América Latina, inclusive o Peru. A força do repúdio à chacina pode ser aquilatada por este Pronunciamento dos Povos Indígenas da Selva Central.


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''Os povos indígenas da Selva Central: Ashaninka, Asheninak, Yine, Yanesha, kakinte, Nomatsiguenza e Marsiguencia e os Povos Andinos e Organizações Sociais da Selva Central, colocam, para conhecimento da opinião pública o seguinte:
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Condenamos energeticamente a repressão sangrenta contra nossos irmãos indígenas na província de Bagua e a morte, até esta data, de aproximadamente 32 irmãos indígenas e 12 policiais, e um número maior de feridos e desaparecidos.
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Declaramos a absoluta responsabilidade deste governo de Alan García Pérez sobre estes fatos, de acordo com suas seguintes atuações:
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- Vulnerou a ordem constitucional ao aprovar uma série de normas violadoras da Constituição e dos Tratados Internacionais com o claro fim de despojar-nos de nossos territórios ancestrais e entregar os recursos naturais às transnacionais.
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- Silencio através dos meios de comunicação, à voz indígena expressando-se em defesa de nossos territórios e dos recursos naturais como os bosques e as águas. A vida.
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- Negou, de fato, o diálogo expressa e largamente esperado por nossa organização representativa Aidesep e, pelo contrário, declarou o estado de emergência suspendendo as liberdades pessoais e os direitos políticos nas regiões nas quais ocorriam os protestos indígenas.
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-Pretendeu, diante da persistência indígena na digna reclamação por nossos direitos, intimidas a nossa diligência nacional denunciando-nos por sedição, rebelião e conspiração.
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- Como ainda assim a reclamação indígena não parou, organizou um diálogo dilatador, falso e perverso. Falso, porque ali mostrou sua invariável negativa a derrogar as normas anticonstitucionais, e perverso, porque o fez com as denúncias penais pendendo sobre os dirigentes, os quais, por suposto, não se acovardaram.
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- Rejeitou os informes, opiniões e solicitações da Comissão Multipartidária da Defensoria do Povo, do Comitê de Expertos da OIT, da Presidenta do Foro Permanente das Nações Unidas sobre as Questões Indígenas e de experientes constitucionalistas, que de uma outra maneira demonstraram a legitimidade da demanda indígena para a derrogação dos decretos.
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- Desafiou os chamados de instituições da sociedade civil, organizações sociais, Igreja, que sugeriram ao governo abrir um diálogo autêntico e respeitoso com os representantes indígenas.
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O que fez evidente ao longo desses 55 dias de greve amazônica é que sua opção é pela defesa dos interesses petrolíferos e mineração transnacional contra os nacionais e os direitos de nossos povos, provocando o massacre com o derramamento de sangue inocente e as mortes de policiais e de irmãos indígenas que não faziam nada mais do que defender heróica e pacificamente a vida de nossos povos diante aos atentados contidos nas normas inconstitucionais desse governo que hoje se converteu em assassino.
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O que ocorreu em Bagua, nos remete ao presente os casos que se produziram durante o primeiro governo de Alan García: o caso Accomarca, em 1985, no qual a CVR estabeleceu o assassinato de 62 comunheiros, entre mulheres, anciães e crianças por uma patrulha do exército; o caso Cavara em 1988, no que a CVR corroborou com que cometessem graves violações dos direitos humanos sob uma operação militar; e o caso das execuções extrajudiciais dos prisioneiros de EL Frontón e Lurigancho no qual a CVR declarou estar em condições de afirmar que mais de duzentos internos perderam a vida durante os motins do mês de junho de 1986, pelo uso deliberado e excessivo da força contra os reclusos que, uma vez rendidos, foram executados extrajudicialmente por agentes do Estado.
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Expressamos que a aprovação de normas inconstitucionais que atentam contra a vida dos povos indígenas, junto aos fatos ocorridos em Bagua, nos faz pensar que no Estado está incorrendo em práticas e políticas sistemáticas, cometendo o delito de lesa-humanidade, pelo que fazemos um chamado a todos os peruanos e peruanas a se manterem alertas para acionar este governo.
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Reiteramos que os únicos responsáveis das lamentáveis mortes são o Executivo e o Congresso. Pedimos que o Presidente da República Alan García Pérez seja julgado por isso. Pedimos a renúncia imediata do Presidente do Conselho de Ministros Yehude Simon e das Ministras do Interior e da Justiça, Mercedes Cabanillas e Rosário del Pilar Fernández, porque têm mostrado sua incapacidade para atender a justa demanda indígena e solucionar o conflito sem arriscar os direitos fundamentais. São co-autoras, compartilhando a responsabilidade nos fatos produzidos.
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Exigimos a extinção imediata dos processos penais de todos os integrantes da Aidesep. Eles somente canalizam as demandas de suas bases e o faz com conhecimento público. Não aceitamos nenhuma detenção contra o Presidente da Aidesep nem contra nenhum dos líderes nacionais, regionais, locais, nem comunheiros indígenas. Assim, exigimos a interrupção imediata da campanha, por parte do governo e alguns meios de comunicação, os quais nos identificam como terroristas. Assinalamos que nossas ações são em defesa de nossa vida e nossa dignidade como povos.
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Exigimos a imediata revogação dos Decretos Legislativos 1090, 1064, 1089 e 1020. A Defensoria do Povo já se pronunciou sobre o Decreto 1064 e expôs as razões pelas quais é inconstitucional, sendo estas razões aplicáveis a todos os decretos. Hoje por hoje, é evidente que tanto o Executivo como o Congresso tem pretendido levar-nos a “passear” em mesas de debates que não resolvem nada. Os povos indígenas não aceitam mais estes enganos. A única coisa que logrará este governo com suas medidas repressivas e seus assassinatos é multiplicar nossa luta.
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Comunicamos que os povos indígenas da selva central, iniciarão uma jornada de resistência permanente pela defesa de nosso território ancestral.
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Agradecemos a solidariedade de todas as organizações sociais e personalidades que rechaçam este modelo neoliberal e lhes pedimos que se unam a esta luta. Alan García não recebeu os votos do povo para governar vulnerando a Constituição, nem para ser empregado das transnacionais, nem para violar os direitos humanos dos povos indígenas.''
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in Vermelho -11 DE JUNHO DE 2009 - 17h27
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Luta por direitos indígenas no Peru divide opiniões na Europa

Mundo | 11.06.2009

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O conflito entre o governo peruano e a população indígena é o pior desde a guerra contra o Sendero Luminoso nos anos 1990. Imprensa e estudiosos europeus acompanham os acontecimentos com atenção.

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Trata-se do maior protesto indígena contra o governo de Alan García e contra seu plano de abrir uma boa parte da Amazônia peruana para a extração de petróleo e para a exploração mineral e florestal. Segundo o governo, trata-se de um plano concebido para adequar as leis peruanas ao acordo de livre comércio assinado com os EUA.

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A população indígena, que soma meio milhão de pessoas e vive da agricultura de subsistência, passou várias semanas bloqueando as ruas, em protesto contra diversos decretos que pretendem fomentar os investimentos na Amazônia.

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Na Alemanha, esta crise é vista de uma perspectiva crítica: "Este conflito logicamente abre um debate inflamado sobre a responsabilidade de os países latino-americanos aproveitarem seus recursos naturais respeitando os povos indígenas que vivem nessas áreas. Nesse sentido, o conflito desperta toda a solidariedade para com os grupos indígenas que tentam defender os direitos sobre seus próprios recursos", explica o catedrático Gunther Maihold, vice-diretor da Fundação Ciência e Política, sediada em Berlim.

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"Todavia, há outro grupo que considera o conflito um obstáculo ao desenvolvimento de um país onde certos direitos coletivos prescindem de uma base jurídica clara", acrescenta Maihold.

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Peruanos interditam uma rua, em protesto contra o Acordo de Livre Comércio com os EUA

Bildunterschrift: Peruanos interditam uma rua, em protesto contra o Acordo de Livre Comércio com os EUA

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Direitos coletivos e individuais

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O catedrático argentino Carlos Malamud, do Real Instituto Elcano, de Madri, assinala que se tornou difícil encontrar uma solução para essa crise, sobretudo porque a abordagem dos assuntos indígenas nos últimos anos passou a considerar os direitos coletivos, ou pretensamente coletivos, dos chamados povos originários.

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"Esse termo falsifica nitidamente a realidade. Afinal, 'originários' de quando? Originários quando chegaram, mas eles expulsaram outros que já viviam lá antes. O que está em jogo é a contradição entre os direitos coletivos e os direitos individuais, a capacidade dos Estados de legislar sobre o interesse geral", argumenta ele.

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A situação no Peru se acirrou na semana passada, em decorrência dos confrontos que culminaram com a morte de 33 pessoas, entre as quais 24 policiais. Os índios tomaram os policiais como reféns e colocaram fogo em instituições do governo. A comissão de direitos humanos do Parlamento peruano confirmou que houve abusos e que os policiais foram assassinados brutalmente.

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Alberto Pizango

Bildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift: Alberto Pizango

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O líder dos protestos, Alberto Pizango (43) – contra o qual pesa uma ordem de prisão – se refugiou na embaixada da Nicarágua, país que eventualmente lhe concederá asilo político. Pizango é professor e presidente da Associação Interétnica de Desenvolvimento da Selva Peruana (Aidesep), à qual pertencem 57 grupos indígenas de diversas etnias.

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Passou a época do capitalismo selvagem

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Maihold notou nos últimos anos uma mudança clara em relação aos direitos indígenas. "Não estamos mais na época do capitalismo selvagem, mas – por outro lado – não há um porta-voz indígena único. São diferentes grupos com interesses próprios, e isso propicia desavenças políticas, interferências que provocam nos governos uma reação automática de animosidade e rejeição", ressaltou ele.

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O catedrático argentino Carlos Malamud lembra que o economista venezuelano Moisés Naím, ex-diretor do Banco Mundial, se referia a duas Américas Latinas muito diferentes, opostas, contraditórias: uma sob a égide de Hugo Chávez e de seu projeto bolivariano e outra simbolizada pelo Brasil de Lula, representando governos ou de centro direita ou de centro esquerda, mas com programas distintos.

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"A prova de que esses confrontos chegaram a limites totalmente desconhecidos no passado são as brutais acusações feitas pela ministra venezuelana de Assuntos Indígenas contra o governo de Alan García, denominado por ela de fascista por causa das matanças cometidas pelos indígenas contra policiais peruanos", declarou ele.

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Internacionalização do conflito

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Para Günther Maihold, a internacionalização do conflito é mais um passo na escalada do conflito. "A situação começa a se tornar bastante difícil diante de uma internacionalização de um problema interno. O que acontece é que Alan García coloca a culpa na Bolívia e em outros países que estariam instigando a crise, e com isso ainda envolve mais gente na história, incluindo a Embaixada da Nicarágua. Esse processo facilmente escapa a um consenso interno", adverte ele.

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Autora: Eva Usi

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in DW-WORLD

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