A Internacional

__ dementesim . . Do rio que tudo arrasta se diz que é violento Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem. . _____ . Quem luta pelo comunismo Deve saber lutar e não lutar, Dizer a verdade e não dizer a verdade, Prestar serviços e recusar serviços, Ter fé e não ter fé, Expor-se ao perigo e evitá-lo, Ser reconhecido e não ser reconhecido. Quem luta pelo comunismo . . Só tem uma verdade: A de lutar pelo comunismo. . . Bertold Brecht
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sexta-feira, abril 25, 2008

Abril em Maio após Novembro (1)

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O Sonho ...
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Fotografia de autor não identificado
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João Abel Manta - Cartoon
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Van Gogh - A Sesta


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Álvaro Cunhal - Desenhos da Prisão

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Pieter Brueghel, o Velho - Festa de Noivado -
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Paula Rego - Crianças voando
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... e a Realidade ou da Primavera ao Inferno !
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Rafael Bordalo Pinheiro - Zé Povinho

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Van Gogh - Comedores de batatas


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Álvaro Cunhal - Desenhos da Prisão


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Cartoon de autor não identificado

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Fotografia de autor não identificado

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Desenho de autor não identificado

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Cartoon de Carlos Marques

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Cartoon de Zé Oliveira

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Quadro de autor não identificado

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ideia da sequência e selecção - Victor Nogueira
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segunda-feira, outubro 15, 2007

Depressão afecta 25% dos portugueses - Número de casos tende a aumentar


A depressão afecta actualmente cerca de 25 por cento dos portugueses e o número de casos desta doença mental regista uma tendência para aumentar durante este século, ultrapassando mesmo os números da gripe.
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A conclusão foi apresentada esta terça-feira pelo presidente da Sociedade Portuguesa de Psiquiatria e Saúde Mental (SPPSM), Adriano Vaz Serra, que falava aos jornalistas à margem do debate “A Saúde Mental um Mundo em Mudança: O Impacto da Cultura e da Diversidade”, a decorrer no Porto no âmbito das comemorações do Dia Mundial da Saúde Mental.
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Adriano Vaz Serra afirmou que, embora passe muitas vezes desapercebida, a depressão é “recorrente e incapacitante”, afectando desta forma a vida pessoal, familiar e profissional dos doentes. "É provavel que a depressão venha a ultrapassar a gripe no século XXI", disse o presidente da SPPSM, acrescentando que actualmente já se reconhece mais facilmente os indícios desta doença. Adriano Vaz Serra salientou que a depressão é recorrente e apresenta uma longevidade cada vez maior, tendo tendência a aumentar.
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Aquele responsável destacou os transtornos mentais serem uma das causas mais proeminentes no suicídio, referindo que "cerca de 800 mil pessoas por ano, no Mundo, suicidam-se".
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Na sua opinião, uma doença psíquica não é localizada, pois é um transtorno do próprio cérebro que impede o funcionamento normal das pessoas, devendo caber aos responsáveis pelos cuidados primários de saúde detectá-las. "A identificação de uma doença mental, em especial da depressão, deve ser feita por um clínico, embora haja muitas depressões que passam desapercebidas, acabando a pessoa por não receber qualquer tipo de tratamento", salientou.
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in Correio da Manhã 2007.10.10
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Quadro de Van Gogh - Vincent van Gogh, que sofria de depressão e cometeu suicídio, pintou esse quadro em 1890 de um homem que emblematiza o desespero e falta de esperança sentida na depressão
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Para saber mais ver:
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terça-feira, abril 17, 2007


Já nem somos só nós a dizer



O Governo PS/Sócrates celebra o seu segundo ano de mandato com um conjunto de tristes medalhas no seu palmarés!

Atente-se no estudo da União Europeia, já tratado nas páginas do Avante, que afirma, preto no branco, que Portugal é o país com maior nível de desigualdades no quadro dos 27. (Foi a UE que fez e mandou publicar!)

Atente-se também nos números do desemprego, os maiores dos últimos 20 anos – 8,2% (isto é o INE que afirma), ou bastante mais, segundo um estudo de Eugénio Rosa.

Factos a dar razão às preocupações e denúncias do PCP perante o prosseguimento da política de direita em que, obstinadamente, obsessivamente, cegamente o PS insiste.

No passado domingo, o «Público», ainda que o não quisesse, veio atribuir mais uma triste medalha à governação do PS.

Titulava assim aquele jornal – «Portugueses vítimas de exploração na construção civil em Espanha» (a afirmação é do Público!).

Neste título estão contidas duas ideias. A primeira é a de que, em tempos de lucros milionários da Banca e das principais empresas cotadas em Bolsa, há milhares e milhares de portugueses forçados a ir vender a sua força de trabalho para o estrangeiro (e Espanha não é o único destino, como ficou bem provado na recente crise de gripe das aves numa herdade britânica, onde trabalhavam centenas de portugueses), desperdiçando-se assim, um capital de energia que tanta falta faz a Portugal.

A segunda é a de que estes portugueses, na ausência de perspectivas de futuro na sua terra, sujeitam-se à mais aviltante «exploração». E, não sendo nossa a expressão, ela tem o significado de uma relação de trabalho que pouco mais é que escravatura.

Num vai-vem diário ou semanal – correndo riscos que a vida vem demonstrando serem bem reais – andam, conforme sublinha outro título do periódico, «centenas ao engano».

Serão centenas ou mais de 70 mil, de acordo com os Sindicatos. Deixam famílias em busca de um salário que recompense jornadas de doze e mais horas diárias. Descansam em pardieiros arranjados à pressa por empresários sem escrúpulos. Quantas vezes para não trazer nada para casa.

São estas as medalhas que deviam envergonhar qualquer governo e, por maioria de razão, um Governo do PS.

Trinta e três anos após a Revolução de Abril, já não vai muito longe o tempo em que era preciso ir a salto para terras de França fugindo à Guerra e à miséria.

Agora já não é preciso ir a salto. E só não se foge à guerra.

in AVANTE 2007.03.15

IMAGEM:

Vincent van Gogh

Shoes, 1888, oil on canvas
Metropolitan Museum of Art, New York City
photograph courtesy Michael Weinberg Photography, Clarks Summit, Pennsylvania

domingo, abril 15, 2007


Van Gogh - Vida e Obra

ARTES E LITERATURA

A loucura de um pintor
O holandês Vincent van Gogh pintou mais de 800 quadros em dez anos de carreira

"A pintura está na minha pele." Era assim que Vincent William van Gogh, um dos maiores pintores do século 19, referia-se a sua paixão. Sua vida foi marcada por crises de loucura e seu trabalho, pelo amor aos pobres. Somente depois de sua morte é que o pintor foi reconhecido. Atualmente o mundo comemora os 150 anos de seu nascimento: vamos conhecer um pouquinho mais sobre ele?

Neste Auto-retrato de 1887/8 pintado em Paris, nota-se a influência da técnica impressionista, com pinceladas curtas e irregulares

Van Gogh nasceu em Groot-Zundert, na Holanda, a 30 de março de 1853, no dia em que seu irmão de mesmo nome havia falecido no ano anterior. Quando criança, teve uma educação rígida -- seu pai era pastor -- e dificuldade em fazer amigos. Aliás, seu único amigo foi o irmão mais novo, Theo, que o sustentou financeiramente nos últimos anos de vida. Aos onze anos, ele deu um desenho ao pai de presente de aniversário, mas nem imaginava que um dia se tornaria um pintor! Aos quinze, foi trabalhar como vendedor numa galeria que negociava objetos de arte.

Em 1873, van Gogh foi transferido para as filiais de Londres e Paris da galeria, mas não estava feliz. Inquieto, resolveu buscar novos caminhos, e decidiu que se tornaria pastor, como o pai. Assim, voltou à Holanda para estudar teologia, mas foi reprovado em 1878. Mesmo assim, partiu para a Bélgica com o objetivo de evangelizar os trabalhadores de uma mineração de carvão.

Nessa época, van Gogh conheceu a extrema pobreza e começou a viver com os pobres: dava dinheiro a eles, tratava de seus ferimentos, visitava os doentes e lia a Bíblia para eles. Em meio a tudo isso, ele começou a desenhar para expressar o que sentia pelas pessoas. Mas, por achar que as atitudes de van Gogh com relação aos pobres eram exageradamente sentimentais, seus superiores o demitiram.

Logo depois, outro fato desagradável ocorreu a van Gogh: ele tentou suicídio por um amor não correspondido. Refeito desse episódio, mudou-se para Paris em 1886, para morar com Theo, e conheceu pintores como Claude Monet e Auguste Renoir. Na capital francesa, ele pintou mais de duzentos quadros com a ajuda financeira do irmão.

Quarto de van Gogh em Arles (1889). Este era o quarto do pintor na Casa Amarela, em que morava com Paul Gauguin. A pintura mostra
a sua necessidade de ter um lugar seu, de reflexão e trabalho.

Em 1888, decidiu mudar-se para Arles, no sul da França onde, segundo ele, havia mais cor, mais sol. Van Gogh convidou seu amigo Paul Gauguin, também pintor, para morar com ele num estúdio batizado de Casa Amarela. Mas os dois não se entenderam! Nas discussões, sempre sobre quadros, van Gogh se irritava porque Gauguin não concordava com ele, e vice-versa!

No dia 23 de dezembro do mesmo ano, Gauguin teve uma briga feia com van Gogh. Antes de sair para dormir num hotel, Gauguin viu van Gogh com uma faca na mão. Na manhã seguinte, soube que ele havia cortado um pedaço de sua própria orelha e a enviado num envelope para uma amiga! Cada vez mais se manifestava a loucura do pintor...

Em maio de 1889, van Gogh pediu a seu irmão que o internasse no hospício de Saint-Rémy, na região de Provença, para tentar recuperar a própria confiança. A única condição que impôs para ficar recluso era poder continuar a pintar, mas a falta de liberdade e de modelos para sua pintura o deixaram inquieto novamente. Com isso, Theo tira o irmão do hospício e pede para o doutor Gachet, um grande amigo dos pintores da época, cuidar de van Gogh.

À esq., Auto-retrato com orelha enfaixada e cachimbo, pintado em 1889 após a crise em que van Gogh cortou parte de sua orelha

dir., Retrato do doutor Gachet (1890), médico que cuidou do pintor em seus últimos meses de vida

Na casa do médico, na cidade francesa de Auvers, o pintor deslumbrou-se com as paisagens da cidade e voltou a viver mais feliz. Mas a alegria durou pouco. Van Gogh se desentendeu com Gachet, descobriu que o irmão estava com dificuldades financeiras e percebeu que sua loucura era incurável. Um dia, enquanto pintava ao ar livre, deu um tiro no peito. Quarenta e oito horas depois, a 29 de julho de 1890, morria o grande pintor.


O estilo van Gogh

Nem impressionista, nem expressionista: o artista definiu sua própria forma de pintar

A maioria dos pintores quase sempre pertence a uma escola de pintura, segundo determinado estilo. Mas não foi isso que aconteceu com Vincent van Gogh! Suas pinceladas praticamente 'falavam' o que ele estava sentindo e pensando. Com isso, ele pôde ser considerado um pintor pós-impressionista ou pré-expressionista. Que confusão! Pois assim foi a vida de van Gogh!

As estrelas eram uma das grandes motivações das pinturas de van Gogh, como vemos em Noite estrelada, de 1889. Ele disse certa vez: "Quero expressar a esperança por meio de alguma estrela".


Logo depois de ter sido expulso da missão de evangelizar os mineradores de carvão na Bélgica, van Gogh sentiu que havia encontrado sua vocação e começou a retratar esses trabalhadores humildes por meio da pintura. Seus primeiros desenhos são marcados por linhas e formas fortes, e cores tristes e sombrias. Ele, que sempre buscava mostrar o que sentia em seus quadros, queria demonstrar seu sentimento por aquelas pessoas comuns, de vida sofrida.

Os comedores de batatas (1885). Como os outros quadros feitos por van Gogh na mesma época, essa tela tem tons escuros e pesados e retrata os sentimentos do pintor pelos pobres trabalhadores das minas de carvão

Van Gogh utilizou cores escuras até descobrir, pelo irmão Theo, o estilo impressionista, caracterizado por cores puras e brilhantes, pela liberdade e por pinceladas curtas. Seus quadros tornaram-se mais luminosos e alegres! Com isso, ele pode ser considerado também um fauvista. Porém, logo ignorou a objetividade do estilo em busca de algo mais pessoal.

Estava iniciado o estilo van Gogh de pintar! Ele adotou pinceladas mais curvas e vibrantes, e seus quadros tornaram-se mais expressivos. Isso até conhecer a arte japonesa, que estava na moda em Paris, em que as cores eram bem vivas e os desenhos, limitados na sua forma. Para se ter uma idéia do fascínio de van Gogh por essa arte, entre os anos de 1886 e 1888, ele e seu irmão compraram 530 obras de pintores japoneses!

A cor preferida de van Gogh era o amarelo. O que começou com pontinhos foi se tornando um grande sol, que não podia deixar de aparecer em suas telas. Ele pintou a noite e as estrelas somente em 1888! Como ele dizia, "é um sol, uma luz, que eu só posso chamar de amarelo, porque não tem outra palavra... Como o amarelo é lindo!"

Girassóis eram um dos temas prediletos de van Gogh (como se vê na tela acima, de 1889), talvez porque ele pudesse usar em abundância sua cor predileta!

Alguns críticos classificam o pintor como um precursor do expressionismo, por causa de sua pintura bem estruturada, com linhas nítidas e desenhos definidos, coloridos. É como se ele realmente "expressasse" um sentimento, uma intenção: a de retratar sua visão sobre as coisas.

Quando foi para Auvers, em 1889, van Gogh foi tomado por uma grande satisfação e alegria, e seus quadros tornaram-se mais vivos, sem violência. Mas logo a depressão voltou a tomar conta de sua mente. Já no hospício Saint-Rémy, oprimido pela falta de liberdade, seu estilo tornou-se mais movimentado, com desenhos ondulados e formas retorcidas, exprimindo a sua angústia.

Além de quadros que retratavam sua visão das coisas, van Gogh também pintou muitos auto-retratos, dos quais 35 são conhecidos. "Dizem, e creio, que é difícil conhecer a si mesmo, mas também não é fácil pintar a si mesmo". Van Gogh deixou para a humanidade uma riqueza incontável, em apenas dez anos de pintura. Foi realmente um grande mestre, felizmente reconhecido, um dia!

Juliana Martins
Ciência Hoje das Crianças
01/04/03

in

http://cienciahoje.uol.com.br/controlPanel/materia/view/908


Van Gogh - Os comedores de batatas - 1885

Este quadro pertence à primeira fase da pintura do artista, desenvolvida na Holanda, sob influência do realismo do artista Millet. Van Gogh fez releituras de Millet, e também estudou desenho, anatomia e perspectiva em Bruxelas, complementando sua formação com leituras sobre o uso e o comportamento das cores. Nessa época, desenhou e pintou muitas paisagens holandesas, cenas de aldeia. Em Nuenen, pequena cidade holandesa onde morava sua família, realizou cerca de 250 desenhos, principalmente sobre a vida de camponeses e tecelões. Os comedores de batatas resume esse período. Assim como os pintores realistas, ele falou sobre a miséria e retratou a desesperança dessa gente humilde. Ele dizia que os camponeses deviam ser pintados com suas características rudes, sem embelezamento, ponto em que criticou e superou sua referência primeira, Millet. Van Gogh salientou os traços grosseiros das mãos e das faces dos trabalhadores da terra. Em busca de intensidade dramática, explorou a potencialidade expressiva dos tons escuros, da luminosidade barroca (sobre luz barroca, ver iluminação e Despensa) e do pincel nervoso. Tais características seriam transformadas radicalmente a partir de sua ida a Paris, no mesmo ano-

in Wikipedia


Van Gogh - Self portrait with straw hat

Vincent van Gogh


Auto-retrato de Vincent Van Gogh
Auto-retrato de Vincent Van Gogh
"Os Girassóis" uma de suas obras mais conhecidas
"Os Girassóis" uma de suas obras mais conhecidas

Vincent Willem van Gogh (Zundert) 30 de Março de 1853 — Utrecht, 29 de Julho de 1890) foi um pintor holandês, considerado o maior de todos os tempos desde Rembrandt, apesar de durante a sua vida ter sido marginalizado pela sociedade

A sua vida foi toda ela um malogro. Ele falhou em todos os aspectos importantes para o seu mundo, em sua época. Foi incapaz de constituir família, incapaz de custear a sua própria subsistência, mesmo incapaz de manter contactos sociais. Sucumbiu a uma doença mental.

A sua fama póstuma cresceu especialmente após a exibição de 71 das suas obras em Paris, a 17 de Março de 1901. Somente após a sua morte lhe tributaram reconhecimento. Com o conceito do gênio, o público, cujos valores durante toda a sua existência o haviam desprezado, encontrou apreço a ele e à obra.

A influência de Van Gogh no expressionismo, fauvismo e abstraccionismo foi notória e pode ser reconhecida em variadas frentes da arte do século XX. Van Gogh foi mesmo pioneiro na ligação das tendências impressionistas com as aspirações modernistas.

O Van Gogh Museum, em Amesterdã é dedicado ao seu trabalho e ao dos seus contemporâneos.

Principais obras de Van Gogh :

- Os comedores de batatas (1885) - A italiana - A vinha encarnada - A casa amarela (1888) - Auto-retratos - Retrato do Dr. Gachet - Girassóis - Vista de Arles com Lírios - Noite Estrelada - O velho moinho (1888) - Oliveiras (1889)

Índice

Primeiros Anos

Vincent nasceu em Zundert, uma cidade próxima a Breda, na província de Noord-Brabant, nos Países Baixos (mais conhecida no Brasil como Holanda). Filho de Theodorus, um pastor da Igreja Reformista Holandesa, e de Anna Cornelia Carbentus. Recebeu o mesmo nome de seu avô e também de seu irmão mais velho, que já havia morrido. Vincent tinha mais 2 irmãos (Theodorus, apelidado de Theo, e Cor) e três irmãs (Elisabeth, Anna e Wil). Vincent era uma criança séria, quieta e introspectiva. Desenvolveu através dos anos uma grande amizade e forte ligação com seu irmão mais novo, Theo. A vasta correspondência entre Theo e Vincent foi preservada e publicada em 1914, trazendo a público inúmeros detalhes da vida privada do pintor, bem como da sua personalidade. É através destas cartas que se sabe que foi Theo van Gogh quem suportou financeiramente o irmão durante a maior parte da sua vida. Sofria de daltonismo, porém esse detalhe não o impediu de se dedicar à arte da pintura.

Aos 16 anos, Vincent começou a trabalhar para um comerciante de arte estabelecido em Haia na empresa Goupil & Cie. Seu tio Vincent (ou Cent) lhe havia arrumado este emprego. Quatro anos depois foi transferido para Londres e depois para Paris.

Mas Vincent estava cada vez mais interessado em assuntos religiosos, e acabou sendo demitido da galeria. Então ele decidiu retornar à Inglaterra para fazer um trabalho sem remuneração. Durante o natal, Van Gogh retornou para casa e começou a trabalhar em uma livraria. Ele ficou 6 meses no novo emprego, onde gastava a maior parte de seu tempo traduzindo a Bíblia.

Em 1877 sua família mandou-o para Amesterdam, onde morou com seu tio Jan. Van Gogh se preparou para os exames de admissão da Universidade de Teologia com seu tio Johannes Stricker (teólogo), mas fracassou. Mudou-se então para a Bélgica e novamente fracassou nos estudos da escola Missionária Protestante. Em 1879, ainda na Bélgica, começou um trabalho temporário como missionário em uma comunidade pobre de mineiros.

Estudos de arte

"Os Comedores de Batatas" de 1885
"Os Comedores de Batatas" de 1885

Em 1880, Vincent decidiu seguir a sugestão do seu irmão Theo e levar a pintura mais a sério. Ele partiu para Bruxelas para tomar aulas com Willem Roelofs, que convenceu-o de tentar a Academia Royal de Artes. Lá ele estudou um pouco de anatomia e de perspectiva.

Em 1881, Van Gogh mudou-se com a família para Etten. Em Etten, ficou amigo de Kee Vos-Stricker (sua prima e filha do seu ex-tutor nos estudos de teologia, Johannes Stricker). Ao pedi-la em casamento, ela o recusou com um energico "nunca". Porém, Van Gogh insistiu em sua idéia, o que gerou conflitos com seu pai. No final do mesmo ano, Van Gogh partiria para Haia.

Em Haia, ele juntou-se a seu primo, Anton Mauve, nos estudos de arte. Envolveu-se com uma protistuta grávida e já mãe de um filho, conhecida como Sien. Quando o pai de Van Gogh soube do relacionamento do filho, exigiu que ele a abandonasse.

Em 1883, mudou-se para Nuenen (Holanda) onde se dedicou à pintura. Lá se apaixonou pela filha de uma vizinha, Margot Begemann. Eles decidiram se casar, mas suas famílias não aceitaram o casamento. Margot então tentou o suicidio.

Em 1885, o pai de Van Gogh morreu de infarte. Neste mesmo ano ele pintou aquela que é considerada a sua primeira grande obra: "Os Comedores de Batatas". Em novembro do mesmo ano, ele mudou-se para Antuérpia.

Com pouco dinheiro, ele preferia mandar dinheiro para Theo em Paris, para que este lhe enviasse material de pintura a comer uma boa refeição. Enquanto estava em Antuérpia, ele estudou teorias das cores e visitou museus, apreciando trabalhos principalmente de Peter Paul Rubens, e tornou-se uma bebedor freqüente de absinto. Foi nesta altura que entrou em contacto com a arte japonesa, da qual se tornou fervoroso admirador e que posteriormente o influenciou pelas cores fortes e uso das linhas.

Em 1886, matriculou-se na Ecole des Beaux-Arts de Antuérpia.

Paris

"Van Gogh Pintando Girassóis"', tela de Paul Gauguin de 1888
"Van Gogh Pintando Girassóis"', tela de Paul Gauguin de 1888

Na Primavera de 1886, Van Gogh mudou-se para Paris, onde dividiu um apartamento em Montmartre com Theo. Depois os dois mudaram-se para um apartamento maior na Rue Lepic, 54. Por alguns meses, Vincente trabalhou no Estúdio Cormon onde conheceu os artistas John Peter Russell, Émile Bernard e Henri de Toulouse-Lautrec.

Naquela época, o impressionista tomava conta das galerias de arte de Paris, mas Van Gogh tinha problemas em assimilar esse novo conceito de pintura. Vincent e Émile Bernard começaram o uso da técnica do pontilhismo.

Em 1887, Vincent e seu irmão conhecem Paul Gauguin, e mais para o final do ano ele expõe em Montmartre. No próximo ano, decide mudar-se de Paris.

Arles

"Café Terraço em Arles à Noite"
"Café Terraço em Arles à Noite"

Vincent van Gogh chegou em Arles, no Sul de França, no dia 21 de fevereiro de 1888. A cidade era um local que o impressionava pelas paisagens e onde esperava fundar uma colônia de artistas.

Foi para decorar a sua casa de Arles que van Gogh pintou a série de quadros com girassóis, dos quais um se tornou numa das suas obras mais conhecidas. Dos artistas que deixara em Paris, apenas Gauguin respondeu ao convite feito para se instalar em Arles. "O Vinhedo Vermelho", único quadro vendido durante a sua vida, foi pintado nesta altura. Ele o vendeu por 400 francos.

Gauguin e Van Gogh partilhavam uma admiração mútua, mas a relação entre ambos estava longe de ser pacífica e as discussões, frequentes. Quando Gauguin foi embora no fim daquele ano, Vincent entrou em depressão e teve vários episódios de violência, sobretudo contra si próprio. Chegou mesmo a cortar um pedaço da sua orelha esquerda, que ofereceu depois a uma prostituta sua amiga. Rachel, a prostituta de uma bordel local, recebeu a orelha embrulhada em papel de jornal. Ficou hospitalizado por alguns dias e recebeu a visita de seu irmão, Theo.

"Retrato do Dr. Gachet", obra de 1890
"Retrato do Dr. Gachet", obra de 1890

O estilo de pintura acompanhou a mudança psicológica e Van Gogh trocou o pontilhado por pequenas pinceladas. O seu estado depressivo agravou-se e, em 1889, pediu para ser internado na clínica psiquiátrica do Mosteiro de St. Paul na Provença. O jardim do mosteiro transformou-se na principal fonte de inspiração para os quadros seguintes, que marcaram nova mudança de estilo: as pequenas pinceladas evoluíram para curvas espiraladas.

Em maio de 1890, Vincent deixou a clínica e mudou-se de novo para perto de Paris (em Auvers-sur-Oise), onde podia estar mais perto do seu irmão e frequentar as consultas do doutor Paul Gachet, um especialista habituado a lidar com artistas, recomendado por Camille Pissarro. Gachet não conseguiu melhorias no estado de espírito de Vincent, mas foi a inspiração para o conhecido "Retrato do Doutor Gachet".

Entretanto, a depressão agravou-se, e a 27 de Julho de 1890, depois de semanas de actividade criativa, Van Gogh disparou um tiro sobre o peito, morrendo dois dias depois. As suas últimas palavras, dirigidas ao irmão Theo, foram: "La tristesse durera toujours" ("A tristeza durará para sempre").

Curiosidades

  • O irmão de Vincent van Gogh, Theo, morreu 6 meses depois dele. Eles estão enterrados lado a lado no cemitério de Auvers-sur-Oise.
  • Van Gogh vendeu uma tela enquanto vivo, por 400 francos. Em 1990, cem anos após sua morte, a tela "Retrato do Dr. Gachet" atingiu o valor de US$ 82,5 milhões, um recorde até então.
  • 150 psiquiatras examinaram Van Gogh, e 30 diagnósticos diferentes foram dados, entre eles: envenenamento pela tintas, distúrbio bipolar, esquizofrenia, sífilis, epilepsia, porfiria aguda agravados por insônia, má nutrição, ingestão de álcool (absinto principalmente).
  • Algumas teorias sobre a visão de Van Gogh surgiram. Segundo alguns, Van Gogh sofria de xantopsia (visão dos objetos em amarelo), por isso exagerava no amarelo em suas telas. Esta xantopsia teria surgido pelo excesso de ingestão de absinto, que contém tujona, uma toxina. Outra teoria seria que Dr. Gachet teria indicado o uso de digitalis para o tratamento de epilepsia, o que poderia ter ocasionado a visão amarelada de Van Gogh.

Ligações externas