A Internacional

__ dementesim . . Do rio que tudo arrasta se diz que é violento Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem. . _____ . Quem luta pelo comunismo Deve saber lutar e não lutar, Dizer a verdade e não dizer a verdade, Prestar serviços e recusar serviços, Ter fé e não ter fé, Expor-se ao perigo e evitá-lo, Ser reconhecido e não ser reconhecido. Quem luta pelo comunismo . . Só tem uma verdade: A de lutar pelo comunismo. . . Bertold Brecht
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terça-feira, julho 03, 2007



Portugal

Braga: Junta médica decide caso sem convocar doente
Apto a dar aulas sem voz

* Mário Fernandes, Braga / C.S.
Após mais de 30 anos de serviço, o professor Artur foi traído pelo cancro. Ficou sem a laringe e só falava, com grande dificuldade, através de um aparelho. Mesmo assim, foi-lhe recusado o pedido de aposentação e até uma junta médica o deu como apto. Mas os alunos acabaram por não ouvir qualquer aula ao som da sua voz robótica. O professor morreu no dia 9 de Janeiro.
Este é o segundo caso conhecido de uma aposentação negada a um professor doente. Em Junho, uma professora de Aveiro, de 63 anos, a quem tinha sido diagnosticada uma leucemia, morreu sem que lhe tenha sido concedida a reforma.
Na Escola Secundária Alberto Sampaio, em Braga, o ambiente é agora de “revolta e indignação”. Alunos, professores e auxiliares mostram-se “perplexos” com “as respostas inacreditáveis do sistema público a um caso dramático como este”, conforme desabafou ao CM o presidente da assembleia de escola, João Lucas, recordando os últimos dias de sofrimento do professor de Filosofia. Com um cancro na garganta, Artur José Vieira da Silva teve de se submeter a uma “amigdalectomia esquerda e laringectomia total com esvaziamento gangliconar cervical funcional bilateral e traquostomia permanente”. Com “ausência total e irrecuperável da voz”, o professor de 60 anos pediu a aposentação.
O caso foi avaliado por uma junta médica, a 18 de Abril de 2006, sem que o paciente tivesse sido convocado. A 9 de Maio – e apesar do que consta da Tabela Nacional de Incapacidades – o professor recebeu o veredicto de que nada o impedia de exercer as suas funções.
Artur Silva apresentou-se na escola e só ficou livre de actividade lectiva porque o ano já se encontrava no fim. No início do ano lectivo “ainda participou nas reuniões preparatórias, mas as suas dificuldades eram óbvias”, reconhece a presidente do conselho executivo, Manuela Gomes.
Artur Silva ainda escreveu uma carta ao director da Caixa Geral de Aposentações, em Setembro, mas o pedido voltou a ser indeferido. Três meses e meio depois morreu.
QUATRO MESES PARA PRÓSTATA
A falta de médicos urologistas faz com que os doentes de cancro da próstata tenham de aguardar três a quatro meses por uma cirurgia, sem que esse tempo de espera coloque em risco de vida o paciente, afirmou ao CM o presidente do conselho de administração do Centro Hospitalar da Zona Ocidental de Lisboa, que agrupa três hospitais – Egas Moniz, S. Francisco Xavier e Santa Cruz. José Miguel Boquinhas nega que doentes de cancro estejam mais de sete meses à espera de uma cirurgia, conforme consta no relatório da Unidade Central de Gestão de Inscritos para Cirurgia. “Não temos doentes de cancro em lista de espera, à excepção dos de cancro da próstata. A informação que consta no relatório não é correcta e deve-se a um erro informático.”
Miguel Boquinhas explicou que de um total de cinco mil doentes em espera por cirurgia foi dado, por lapso, um código a um grupo de 12 doentes (entre 2004 a 2006) que era referente ao cancro, mas que não sofria de tal patologia. O dermatologista João Abel Amaro considera que “conforme a malignidade dos tumores, há casos que não podem esperar mais de uma ou duas semanas pela operação”.
VIGÍLIA EM MEMÓRIA DE ARTUR
Professores, auxiliares, alunos e encarregados de educação da Escola Secundária Alberto Sampaio, em Braga, realizam segunda-feira uma vigília em memória do professor Artur.
Prometem ler a carta enviada ao director da Caixa Geral de Aposentações (CGA). “Que a nossa indignação sirva para evitar que outro caso igual se repita. É o mínimo que devemos a nós próprios e ao Artur”, explicou João Lucas, lembrando que, “após a resposta negativa do director da CGA, o Artur ficou desolado e desanimou por completo”.
Apesar de recusar comentar o processo, a presidente do conselho executivo revelou que, no início deste ano lectivo, “perante as dificuldades do professor”, chegou a prever levar o caso à DREN, mas, “infelizmente, isso não foi necessário porque o Artur nem chegou a dar aulas”.
SAIBA MAIS
- 4075 doentes com cancro estavam inscritos para cirurgia em Outubro de 2006. 42 por cento estava na lista há mais de dois meses e 27 por cento há mais de quatro, revela o relatório.
- 1,5 meses é o tempo médio de espera dos doentes de cancro por uma cirurgia, diz a secretária de Estado da Saúde, Carmen Pignatelli, negando ser três meses e meio.
CINCO HOSPITAIS Metade das operações a casos de cancro é feita em apenas cinco dos 76 hospitais portugueses que tratam a doença oncológica no País.
UMA QUINZENA O relatório na posse do Ministério da Saúde defende que os casos de cancro devem ser resolvidos em 15 dias.
NOVOS CASOS No nosso país, em cada ano registam-se cerca de 400 novos casos de cancro em pessoas dos zero aos 19 anos. A nível mundial esta doença afecta 160 mil crianças.

in Correio da Manhã 2007-07-03

quinta-feira, maio 03, 2007


90 Anos das Aparições de Fátima (1)
Filão valioso incalculável Fé rende 500 milhões



* Mário Fernandes


O património religioso apresenta-se como um filão de valor incalculável para o turismo em Portugal, mas que tem sido pouco rentabilizado. De tal forma que representa uma quota de mercado abaixo dos 5% do turismo nacional. Ainda assim, é uma fatia suficiente para gerar um movimento superior a 500 milhões de euros por ano e que a breve prazo promete atingir valores recorde.

“Só os santuários portugueses registam 40 a 50 milhões de visitas por ano”, estima Abílio Vilaça, da cooperativa de turismo religioso e cultural Turel, que há quatro anos lançou um trabalho de valorização e divulgação do património religioso a partir de Braga, com base num projecto que está a estender-se a todo o País e inclui a ‘jóia da coroa’ nacional: Fátima.

A Turel apresenta actualmente um conjunto de 41 produtos turísticos diferenciados, com programas de um a 11 dias, disponíveis em agências de viagem. “É impressionante o aumento constante da procura de roteiros e informações destes produtos por parte de portugueses e, sobretudo, de estrangeiros”, realça Abílio Vilaça, apontando o património religioso como “fundamental” para catapultar o turismo cultural em Portugal para níveis mais próximos do que acontece no Mundo Ocidental.

Nesta altura, Braga apresenta-se como a diocese mais trabalhada em termos de promoção e animação turística. Depois de Fátima, onde acorrem por ano 5 milhões de peregrinos, os santuários de S. Bento da Porta Aberta no Gerês (3,5 a 4 milhões), Sameiro e Bom Jesus em Braga (2,5 milhões) são os que recebem mais visitas. Mas o projecto está já em implementação no Porto e Viana do Castelo, seguindo-se Fátima, Aveiro, Vila Real e Viseu.

Os dados da Turel indicam que “bem mais de 300 mil estrangeiros por ano entram em Portugal, de avião, apenas por motivação religiosa”. Para os próximos anos, espera-se que o património religioso – que representa mais de 70% do património português – contribua para elevar o turismo cultural em Portugal para cerca de 40%, que é a fasquia ocupada pela motivação ‘praia-sol’.

O objectivo é criar roteiros temáticos que interligam os diferentes espaços religiosos, oferecendo um “turismo de elevada qualidade, para pessoas de classe média-alta, com um potencial de investimento bem acima dos utentes dos restantes sectores turísticos”, como frisa Abílio Vilaça.

Os responsáveis turísticos galegos – cujo trabalho desenvolvido em Santiago de Compostela é apontado como exemplo de referência – manifestaram-se já entusiasmados com a possibilidade de integrarem os circuitos religiosos portugueses. “Portugal tem um património religioso que é provavelmente único no Mundo, ao nível da variedade, da quantidade e da qualidade”, explicou Ruben Lois Gonzalez, director- -geral do Turismo da Galiza.

Por outro lado, o cónego Melo Peixoto, presidente da Turel, salvaguarda que “a aposta no turismo não prejudica, antes reforça a valorização da dimensão religiosa e de fé nos santuários, porque todo o projecto depende da garantia das melhores condições para o turismo espiritual e de recolhimento”. Ou seja, o trabalho a realizar “é tão importante para visitantes como para devotos e peregrinos”, porque “se não for salvaguardada a autenticidade religiosa, também não haverá turistas interessados”.

FIGURAS DO MILGARE: FRANCISCO MARTO

CRINAÇA ALEGRE E DESEMBARAÇADA

Irmão de Jacinta e primo de Lúcia, Francisco nasceu a 11 de Junho de 1908 em Aljustrel. Começou a pastorear aos 8 anos. Amante da natureza, era visto como uma criança alegre, viva e desembaraçada, que tinha como grande paixão os pássaros. Vítima da gripe espanhola, em finais de 1918, o vidente faleceu pouco depois, a 4 de Abril de 1919. “Adeus, até ao Céu” foram as últimas palavras que proferiu, dirigindo-se a Lúcia.

SINO MAIOR DA BASÍLICA PESA 3000 QUILOS

O projecto da Basílica foi concebido pelo arquitecto holandês Gerard Van Kriechen e continuado pelo arquitecto João Antunes. Em 13 de Maio de 1928 foi benzida a primeira pedra pelo arcebispo de Évora, D. Manuel da Conceição. A sagração foi a 7 de Outubro de 1953. O título de ‘Basílica’ foi- -lhe concedido por Pio XII, em Novembro de 1954.

O edifício mede 70,5 metros de comprimento e 37 de largura. A torre sineira tem 65 metros de altura e é rematada por uma coroa de bronze de 7000 quilos, construída na fundição do Bolhão, Porto, encimada por uma cruz iluminada. O carrilhão é composto por 62 sinos, fundidos e temperados por José Gonçalves Coutinho, de Braga. O sino maior pesa 3000 quilos e o badalo 90. O relógio é obra de Bento Rodrigues, de Braga.

ROTEIRO DOS SANTUÁRIOS MARIANOS

O roteiro dos caminhos marianos assume-se como um autêntico ex--líbris das propostas de turismo religioso que estão a ser desenvolvidas pela Turel em Portugal.

O projecto resulta do desafio lançado pelo presidente da Câmara de Famalicão, Armindo Costa, como forma de promover também o ‘seu’ Santuário de Nossa Senhora do Carmo. No roteiro dos templos consagrados à padroeira de Portugal – Nossa Senhora – incluem-se ainda os santuários de Abadia (Amares), Alívio (Vila Verde), Penha (Guimarães) e Sameiro (Braga), assim como os de Nossa Senhora da Saúde (Gaia), de Nazaré, da Batalha e, claro, de Fátima.

“Não tenho dúvidas de que um produto turístico desta dimensão seria impulsionador de toda a dinâmica cultural, turística e religiosa do País”, sustentou o autarca Armindo Costa, frisando que “hoje, as empresas fazem fusões estratégicas e os governos fundem serviços públicos, pelo que é também a hora de darmos as mãos para desenvolver o nosso turismo, criando produtos de excelência à escala nacional, europeia e mundial”.

APONTAMENTOS HISTÓRICOS: RAPAZES DORMIAM NO PALHEIRO
COZINHA ERA O PONTO DE ENCONTRO DAS FAMÍLIAS

Aljustrel, local onde nasceram os três pastorinhos, era uma aldeia típica do início do século, que vivia da agricultura. As casas, feitas de pedra miúda, argamassadas com areia vermelha e cal, só tinham um piso ao nível do solo, no caso de as famílias mais pobres, ou dois para as mais abastadas.

As divisões constavam de uma sala – a ‘casa de fora’ – que comunicava com dois ou três quartos e com a cozinha.

Os quartos destinavam-se ao casal, crianças e raparigas já que os rapazes dormiam no palheiro.

As camas das famílias mais ricas eram de ferro trabalhado, com enxerga de palha de centeio e colchão de camisas de milho; no caso das mais pobres, tudo se resumia a um simples colchão apoiado em algumas tábuas de pinho, sustentadas por dois bancos rudimentares.

Na cozinha, a lareira baixa, ladeada por dois bancos corridos e três ou quatro tripeças, encimada pela chaminé, era o ponto de encontro da família, à hora da ceia. Nalgumas casas, no prolongamento da cozinha, ficava a dispensa onde se guardavam as talhas de azeite, os potes ou arcas para o cereal, arcas para o feijão, chícharo e grão.

O equipamento higiénico-sanitário era extremamente reduzido. No que toca à iluminação, existiam a candeia de azeite, a lamparina, o candeeiro de petróleo e, no palheiro, a lanterna, também a petróleo.

TURISMO RELIGIOSO
DESERTO

Até 1917, a Cova da Iria era um lugar deserto, de propriedade pequena e dividida. As terras, pouco produtivas, tinham mato e nelas pastavam os rebanhos.

TERRENO DE LÚCIA

O local onde Nossa Senhora apareceu, junto a uma azinheira, pertencia ao pai de Lúcia. Ali foi construído um arco de madeira com uma cruz e duas lanternas.

A CAPELA

A 28 de Abril de 1919 inicia-se, no local da azinheira, a construção de uma capela dedicada ao culto de Nossa Senhora. A obra termina a 15 de Junho.

A IMAGEM

A imagem de Nossa Senhora chegou a Fátima em 1920. Foi concebida na Casa Fânzeres, de Braga, segundo indicações de Lúcia. É feita de cedro do Brasil.

A PRIMEIRA MISSA

Só a 13 de Outubro de 1921 – dois anos após a sua construção – é permitida, pela primeira vez, a celebração da missa junto à Capelinha das Aparições.

in Correio da Manhã 2007.05.03