A Internacional

__ dementesim . . Do rio que tudo arrasta se diz que é violento Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem. . _____ . Quem luta pelo comunismo Deve saber lutar e não lutar, Dizer a verdade e não dizer a verdade, Prestar serviços e recusar serviços, Ter fé e não ter fé, Expor-se ao perigo e evitá-lo, Ser reconhecido e não ser reconhecido. Quem luta pelo comunismo . . Só tem uma verdade: A de lutar pelo comunismo. . . Bertold Brecht

quarta-feira, maio 28, 2008

Teias que o Império tece ?

As Conexões da Família Bush com o Nazismo






As Conexões da Família Bush com o Nazismo

15.05.2008 Source: URL:

http://port.pravda.ru/mundo/22780-bushnazismo-0



Artigo bem documentado, revelando o DNA de Bush. Leia e seus cabelos ficarão arrepiados!

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A Família Bush e o Preço do Sangue Derramado pelos Nazistas

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Victor Thorn


Já se perguntaram alguma vez como Adolf Hitler, um artista miserável que vivia em albergues, pôde converter-se no deus e fuehrer proeminente da Alemanha nos anos 30 e 40? O que quero dizer é que: Quantos quase-sem-teto você conhece que tenham tido tal sorte? Qualquer um que vocês conheçam, o fenômeno nazista não foi mera casualidade. Pelo contrário, foram os banqueiros de Wall Street (entre outros) os financiadores ocultos desta meteórica ascensão ao poder. O que é ainda mais deplorável é o fato de que a família de nosso atual presidente formava parte das pessoas que financiaram a máquina de guerra nazista, e se locupletaram com ela.


Os autores Webster G. Tarpley e Anton Chaitkin, em "George Bush: The Unauthorized Biography " resumem a situação desta maneira: "Ao decidir que Prescott Bush [o avô de George W. Bush] e os outros diretores da Union Banking Company (UBC) eram legalmente TESTAS-DE-FERRO DOS NAZISTAS, o governo evitava o problema histórico mais importante: em que medida os próprios nazistas de Hitler foram contratados, armados e adestrados pelas camarilhas de Nova York e de Londres, das quais Prescott Bush era um dos executivos?"


Portanto, antes de entrar nos elementos essenciais deste artigo, começarei dizendo que o que vão ler aqui não é nada de “inédito”. Já está disponível através de toda uma série de fontes, e não pensem que minha intenção é fazer novas revelações. Meu objetivo é oferecer um resumo de como os serviços de informação holandeses e os arquivos do governo norte-americano confirmam sem margem a dúvida "os laços diretos entre Prescott Bush, a família Thyssen e os lucros sangrentos obtidos de "nossa" Segunda Guerra mundial. Este dinheiro sujo de sangue foi obtido via UBC, no qual Prescott Bush e seu sogro, George Herbert Walker, uniram forças com o industrial alemão Fritz Thyssen e financiaram Adolf Hitler antes e durante a Segunda Guerra mundial.


Ainda que um grande número de outras sociedades ajudasse os nazistas (como a Standard Oil e o Chase Bank, dos Rockefeller, assim como grandes montadoras de automóveis estadunidenses), os interesses de Prescott Bush foram muito mais profundos e sinistros. Não apenas havia ligações financeiras, como também os laços comerciais estavam muito mais consolidados.


O que tento dizer é isto: uma parte importante da estrutura financeira da família Bush foi constituída por meio de sua ajuda a Adolf Hitler. Podem imaginar os desdobramentos desta afirmação? O atual presidente dos Estados Unidos, assim como seu pai (ex-presidente, vice-presidente e diretor da CIA) chegaram ao ápice da hierarquia política norte-americana porque seu avô, seu pai e sua família política haviam ajudado e alentado os nazistas. As perguntas que gostaria de fazer agora são as seguintes:


1) Por que o presidente Bush não quer admitir estes crimes famíliares?
2) Por que os meios de comunicação não o interrogam diretamente sobre estes crimes horríveis?


Naturalmente, alguém pode não acreditar que a família Bush ajudou diretamente os alemães, o que constituía em essência uma traição contra seu próprio país. Contudo, é a triste realidade. Para prová-la, comecemos pelo principio.


Em 1922, W. Averell Harriman, este notório magnata das estradas de ferro, foi a Berlim con o objetivo de entrevistar-se com os membros da família Thyssen e de fundar uma filial bancária. E quem se converteu no presidente deste banco? George Herbert Walker, o sogro de Prescott Bush. Dois anos mais tarde, em 1924, a UBC foi criada com vistas a unir suas forças ao "Bank voor Handel em Scheepvaart" (Banco do Comércio e da Navegação) de Fritz Thyssen. E quem foi nomeado para dirigir diretamente a UBC? Prescott Bush. E ainda melhor para Prescott Bush foi o fato de que George Herbert Walker lhe deu uma ajuda incrível, em 1926, catapultando-o ao cargo de Vice-Presidente e sócio de negócios na Brown Brothers Harriman.


E quem levou Prescott com ele nesta empresa? Um punhado de seus antigos colegas de classe em Yale pertencentes à (sociedade secreta) Skull & Bones. Além disso, Prescott Bush era um dos sete acionistas da UBC.


Até este ponto, vocês poderão pensar: e daí? Nada parece extraordinário. São apenas negócios usuais. Mas as aparências enganam, como vamos ver em breve. É que, bem ao fim destes loucos anos 20, aconteceu algo que, quando se vê no contexto de Prescott Bush, põe tudo em sua própria perspectiva.


Una vez mais citemos os autores Tarpley e Chaitkin em sua "Biografia Não Autorizada": "o grande crack financeiro de 1929-1931 comoveu os Estados Unidos, a Alemanha e a Grã-Bretanha, debilitando todos os governos. Além disso, deixou o diligente Prescott Bush, mais desejoso ainda de fazer tudo o que fosse necessário para resguardar seu novo posto no mundo. Foi durante esta crise que certos anglo-americanos decidiram a instauração do regime hitlerista na Alemanha."


E quem seria um dos personagens-chave para iniciar a troca da guarda na Alemanha? o sócio da família Bush, Fritz Thyssen. Aqui seria oportuno ver um pouco mais de perto o tipo de gente com quem os Bush estavam se metendo. Fritz Thyssen foi o primeiro em impulsionar o partido nazista recém constituído dando-lhe 25.000 dólares em meados dos anos 20. Em 1931, filiou-se ao partido nazista e logo se tornou amigo íntimo de Adolf Hitler. Ao longo dos anos, Thyssen acabou se convertendo no “primeiro e mais importante financiador de Hitler" e se tornou um dos personagens preponderantes em sua ascensão ao poder.


Thyssen estava fascinado por Hitler, e se gabava disto. "Percebi seu talento de orador e sua capacidade de dirigir as massas. Contudo, o que mais me impressionou foi a ordem que reinava durante seus encontros, a disciplina quase militar de seus seguidores."


Em setembro de 1932, Thyssen convidou um membro da indústria alemã a entrevistar-se con Hitler e foi tudo uma rasgação de seda depois que Hitler respondeu a cada pergunta à sua "inteira satisfação". Thyssen estava tão entusiasmado em seus elogios, e em seu apoio, que logo escreveu um livro intitulado: "I Paid Hitler" (Financiei Hitler) onde explica claramente o seu papel no nazismo desde outubro de 1923.


Fritz Thyssen também utilizou sua influência pondo em marcha o "German Steel Trust" (Consórcio Siderúrgico Alemão), fundado em 1926 pelo grande manda-chuva de Wall Street, Clarence Dillon. E quem foi um dos auxiliares de Bush neste projeto? o pai de Prescott Bush, Sam Bush. Por conseguinte, Fritz Thyssen se converteu num dos homens mais importantes da máquina de guerra alemã devido à sua posição no German Steel Trust. Sua família também controlava inúmeros bancos (obviamente às escondidas) que permitiam aos Thyssen transferir seu dinheiro de Berlim para a Holanda, e de lá para Nova York. Desta forma, quando terminou a Segunda Guerra Mundial, não se veriam obrigados a renunciar a seus lucros.


Mas estou me adiantando. Como podem ver, durante os anos vinte, a família Thyssen fundou três bancos extremadamente importantes:


1) August Thyssen Bank - Berlim
2) Bank voor Handel em Scheepvaart - Países Baixos
3) Union Banking Corporation (UBC) – Nova York


Aqui começamos a a desvendar a charada. Por quê? Porque os Thyssen obtiveram seu financiamento inicial a partir de duas instituições que lhes permitiriam lançar suas operações de instalação de uma máquina de guerra: a Brown Brothers Harriman e a UBC. E quem eram os elementos-chave destas duas instituições? George Herbert Walker e Prescott Bush! Assim, a UBC foi criada para transferir fundos entre Manhattan e a Alemanha atravé dos bancos holandeses de Thyssen. Neste empreendimento, os Thyssen obtiveram a assistência da família real holandesa, que cooperou para esconder suas contas em toda uma série de bancos holandeses. Este detalhe é importante, já que o perpetrador destas operações foi o príncipe Bernhard em pessoa. E que iria originar? Resposta: o notório grupo Bilderberg, durante anos 50*!


Desde então, a UBC se converteria em um canal secreto para o dinheiro nazista, já que saía da Alemanha até os Estados Unidos, passando pelos Países-Baixos. E quando os nazistas tinham necessidade de se reabastecer de recursos, a Brown Brothers Harriman mandava seus fundos de volta a Alemanha. Começam a entender como funcionavam estas operações?


A UBC recebia o dinheiro da Holanda e a Brown Brothers Harriman o reenviava. E quem fazia parte do Conselho Diretivo destas duas companhias? Acertou! Prescott Bush em pessoa, o principal lavador de dinheiro dos nazistas!


Suas operações eran tão flagrantes e chocantes para os norte-americanos que em 10 de outubro de 1942, o governo norte-americano ordenou o confisco de todas as operações bancárias nazistas em Nova York, cujo responsável não era outro senão Prescott Bush. A UBC, dirigida por Prescott Bush, foi acusada de infração à “Lei contra o Comércio com o Inimigo” e todas as suas ações foram seqüestradas. E se recordam de quem eu disse que possuía todas estas ações? Não havia mais que sete pessoas: Prescott Bush, três banqueiros nazistas e três norte-americanos.


Mas a limpeza não ia terminar por aí; não sem acertar na mira. Em 26 de outubro de 1942, o governo ordenou o confisco de outras duas empresas de fachada, dirigidas por Prescott Bush para a corporação financeira Harriman:


1) Holland-America Trading Corporation (Sociedade Comercial Holanda-América.)
2) Seamless Steel Equipment Corporation (Sociedade de Equipamentos de Tubos de Aço).


Então, em 11 de novembro de 1942, outra companhia dirigida por Prescott Bush e George Herbert Walker foi confiscada, pela mesma “Lei contra o Comércio com o Inimigo”, a Silesian-American Corporation. Não sei se vão concordar comigo, mas se nosso governo foi a esse extremo de fechar estes empresas da família Bush, me parece que era porque estavam metidas em negócios bastante tenebrosos.


John Loftus, que citei no começo deste artigo, disse desta situação traiçoeira: "já é bastante grave que a família Bush ajudasse a levantar o dinheiro que Thyssen deu a Hitler nos anos 20, mas conceder apoio e conforto ao inimigo em tempo de guerra é traição. O banco dos Bush ajudou a família Thyssen a fabricar o aço nazista que matou soldados aliados."


Tarpley e Chaitkin, em "George Bush: Uma Biografía Não Autorizada", são mais objetivos: "A fortuna da família do presidente foi em grande parte um resultado do projeto Hitler. "


Ainda não estão convencidos? Pois bem, que dizem disto: a UBC, dirigida por Prescott Bush, e em cooperação estreita com o German Steel Trust de Fritz Thyssen, produziu as seguintes porcentagens da máquina de guerra nazista:


- 50.8% ferro gusa
- 41.4% chapas largas
- 36% chapas reforçadas
- 38.5% aço galvanizado
- 45.5% canos e tubos
- 22.1% arames
- 35% explosivos


Todos os materiais acima citados são necessários para construir blindados, aviões de combate, canhões e bombas – aproximadamente 1/3 de toda a máquina de guerra alemã e tudo isso bancado não apenas por um nazista declarado como Fritz Thyssen, mas também pela família Bush.


Seja como for, se já não estão enojados o bastante, façamos um pequeno salto de alguns anos. A guerra termina em 1945 e Fritz Thyssen morre em 1951. Com sua morte, os demais acionistas da UBC encerraram suas participações (se tratava dos mesmos bens congelados pelo governo em 1942 sob a "Lei Norte-americana de Custódia de Bens Estrangeiros" e que não foram restituídos antes de 1951). E adivinhe quem foi um dos beneficiários... acertou - Prescott Bush! E quanto dinheiro ele recebeu? 1,5 milhão de dólares. Por coincidência, o senhor Bush se apossou deste dinheiro e imediatamente utilizou-o para abrir seu próprio negócio. Conveniente, não? Pior ainda, os amigos de Prescott Bush (os mesmos traidores de Wall Street que financiaram Hitler) são igualmente os mesmos que com o tempo fizeram de George Bush pai diretor da CIA nos anos 70 e colocaram ele e seu filho na Casa Branca. Agora entenderam porque Dan Rather e o New York Times não veiculam este tipo de informação?


Para confirmar os detalhes acima mencionados, vieram a tona novas informações em 1996, provenientes de três fontes distintas:


a) o jornalista holandês Eddy Roever,
b) os informes confidenciais liberados pela "Lei Norte-americana sobre a Liberdade de Informação" e
c) os “Arquivos sobre a Custódia de Bens Estrangeiros". As informações provenientes destas fontes dão uma imagem ainda mais repugnante da situação.


Parece que a UBC era propriedade dos Thyssen. Por conseguinte, a principal casa bancária da família Bush estava em mãos de um dos nazistas mais notórios de todos os tempos, e que, além disso, era seu patrão! A grande questão, a esta altura, é saber se Prescott Bush estava consciente de seus laços com os nazistas e de seus negócios. Considerada toda a informação proporcionada por este artigo, diria que como DIRETOR da UBC era de sua responsabilidade supervisionar qualquer investimento, incluindo para quem era feito e para onde ia.


Outra observação interessante, é que a família Rockefeller também investiu pesadamente na máquina de guerra nazista.


Como se verificou, a UBC foi um elemento essencial na lavagem do dinheiro sujo proveniente dos investimentos da família Rockefeller na Alemanha, durante a guerra. Este cenário fica mais interessante quando descobrimos que o banco dos Rockefeller - Chase Manhattan - acabou se tornando proprietário de 31% do grupo Thyssen depois da Segunda Guerra Mundial. Este detalhe é muito importante já que o TBC (o grupo Thyssen) é a maior indústria da Alemanha hoje em dia, valendo 50 bilhões de dólares.


Tão grande que inclusive adquiriram o grupo Krupp, outro infame fornecedor de armas dos nazistas. Resumindo, o grupo constitui uma das mais ricas multinacionais do planeta, e de onde vem seu capital inicial? Dos nazistas!


Temos portanto conexões com as três maiores organizações comerciais do mundo. O príncipe Bernhard, que fundou a Bilderberg, permitiu que a família Thyssen lavasse seu dinheiro via Holanda, enquanto que os Rockefeller adquiriam aproximadamente 1/3 do controle da Thyssen (foi David Rockefeller quem fundou a Comisão Trilateral). E, finalmente, a Brown Brothers Harriman e a UBC, através das quais o dinheiro nazista era encaminhado para os Estados Unidos, foram fundadas principalmente por membros da fraternidade Skull & Bones de Yale, todos eles fundamentais na criação do Conselho de Relações Exteriores (CFR). Começam a entender como todas estas organizações estão interligadas qual tentáculos de um polvo maligno?


Para concluir, no que concerne à família Bush, discutimos neste artigo como a fortuna da família Bush foi amealhada sobre o sangue vertido pelos nazistas. Além disso, num artigo anterior que eu escrevi (ver Babel n°58), descobrimos que a família Bush também desfrutou de relações comerciais com a família de Bin Laden no transcorrer dos últimos trinta anos, e ambas pertenciam ao Grupo Carlyle. Tendo isso em mente, a quem George W. Bush será leal, e que tipo de decisões vai tomar: as que beneficiam cidadãos americanos comuns, ou aquelas tomadas por seus mentores? Se me perguntassem, diria que estamos em apuros.


http://www.rebelion.org

Por Victor Thorn - Babel Magazine


© 1999-2006. «PRAVDA.Ru». No acto de reproduzir nossos materiais na íntegra ou em parte, deve fazer referência à PRAVDA.Ru As opiniões e pontos de vista dos autores nem sempre coincidem com os dos editores.
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A hipocrisia do Império



Só o pensamento crítico salva

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Marx, o Groucho, e Oriane de Guermantes.



Sunday, December 31, 2006

Saddam e a decadência da nossa civilização!



Um pouco de Reinaldo Azevedo para coroar o fim de ano!
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Maravilhoso. Hoje estava pensando em comentar o quanto é repugnate para um anarquista a imegm de um chefe de Estado, em pleno sec. XXI, ser executado diante de camêras de televisão.
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Francamente: é a barbárie!
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Por mais crimes que ele tenha cometido, por mais bárbaro que seja, temos que nos rebaixar até este nível? Temos que ser criminosos também?
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A morte de Saddam é muito mais do que a morte de um tirano, existem vários tiranos vivos no mundo, foi xenofobia, a não compreensão de uma outra civilização.
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O museu de Bagdá, as universidades, tudo que há de intelectual no Iraque foi incrementado, inclusive um projeto que procurava abrir espaço para a mulher na sociedade iraquiana, tudo isso foi feito por ele.
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No que ele difere de Fidel afinal?
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Saddam era fruto de uma civilização que o ocidente desconhece e não procura conhecer. Era um tirano sanguinário? Provavelmente. Mas não era o mal puro, como tantos ingênuos querem pensar. A foto acima é de South Park: neste desenho Saddam era amante do Diabo e muito pior do que ele. É isso que muitos pensam.
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Mas não terá ele feito nada de bom?
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Existe isso afinal? Ou existem apenas interesses: depor e matar Saddam é poder controlar contratos milionários de petróleo naquela área. É a disputa pelos lucros da reconstrução de uma das áreas mais ricas do mundo.
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Sorte de Fidel que na ilha dele só tem tabaco.
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Agora vem cá: nós temos uma fortuna em água e petróleo?
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Será que o tráfico e a violência serão os motivos que levarão a uma intervenção? Será esse o nosso Saddam?
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Chega de reflexões, vamos ler o texto de Reinaldo sobre a ética da pena de morte:
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Corda no pescoço
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Há uma diferença entre mim e alguns que me combatem: não quero meus inimigos com uma corda no pescoço. Eu os quero vivos. Não quero principalmente ganhar a guerra. Quero lutar. É uma opção ética. É uma opção, de certo modo, estética. Ainda que “eles” queiram me eliminar - e àqueles que pensam como eu. Mesmo que eu os presenteei com objetos preposicionados como esse, cheio de elegância, só para declarar a minha animosidade amorosa - fiel, para quem sabe, à etimologia. Porque há de haver uma elegância entre os duelistas, como no filme – conhecem? Ganhar não é nada. Guerrear é tudo. A única vitória está na disputa.
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Um esquerdista jamais entenderá do que falo. Ele sempre sabe aonde a história quer chegar. Eu não sei. Como Fernando Pessoa, o céu e a terra me bastam. Os que têm a forma do futuro estão tão certos de tudo. Eu estou certo apenas das minhas opiniões. E, na minha opinião, um homem com uma corda no pescoço é sempre deprimente. E agora direi algo “só para loucos, só para raros” (cito o Hesse de O Lobo da Estepe): é ainda mais triste um homem que já foi poderoso com a corda no pescoço. É razoável a suposição de que a forca e a força que o matam são mais íntimas do ressentimento do que da Justiça. Às vezes, acho que são sentimentos demais pra nossa condição tão miserável.
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Aquela foto de Saddam Hussein com uma corda no pescoço obscureceu minhas idéias luminosas sobre o triunfo de um civilização, de uma raça – a nossa, a dos humanos vira-latas -, de um modo de vida. Eu sei que ele matou. Eu sei que ele roubou. Eu sei que ele estuprou, ainda que por meio de terceiros. Mas que coisa! Minhas ambições não têm morte. Minhas ambições não têm roubo. Minhas ambições não têm estupro. Tão demasiadamente humano, coloco-me como o último na escola dos que julgam; o último na escala dos que apontam o dedo; o último na hierarquia dos bons. Como o Pessoa do Poema em Linha Reta, todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo. Eu não consigo declarar a morte de um pernilongo chato numa casa à beira da praia sem que me assalte um dilema moral. Ele pode até ser tão breve quanto a vida de um pernilongo, ou tão inútil, mas estou inteiro em cada coisa. Estou inteiro naquele tapa. Sou inteiramente eu – e responsável – naquela sentença.
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Aí me acusam ou me interrogam: “Mas como foi que um ex-esquerdista, mesmo trotskista, tornou-se tão anticomunista?” Aconteceu porque sei a dor e a delícia de não ter chefes ideológicos, de não poder atribuir a ninguém um gesto, uma sentença, um disparate. Todas as grandezas e todos os lixos do mundo me pertencem. Ah! Os petralhas são tão grandes e tão senhores de si. Eu sou porcaria. Eles celebram cantos de vitória. Eu topo ficar recolhendo os restos, os guardanapos amassados da festa, os copos de refrigerante quente pela metade, os doces só mordiscados e logo desprezados, as concentrações – acho, mas não estou certo, que a imagem é de Musil – das procissões que vão se dispersando. Ali, e este sou eu, onde a fé é mais rarefeita, onde todas as precariedades humanas se juntam num misto de dedicação e descrença. Eu sou este aí: dedicado e descrente, espreguiçando-se quando Deus se anunciou. Incrédulo.
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Santo Deus! Eu nada tenho a fazer com cordas no pescoço. Nem no pescoço dos meus inimigos. Sobretudo no pescoço dos meus inimigos. Porque, vejam só, encontrasse eu uma justificativa para cena tão patética, eles estariam certos a meu respeito. Mas estão errados. E, por isso, são meus inimigos. Eu sou a vida e seu ofício. E eles contam os seus mártires, os seus heróis, jactam se duas paixões homicidas e suicidas. Eu acho a morte aquém e além de qualquer contenda. Que moral pode existir na morte? Que ética? Como pode nos sugerir o que quer que seja quem é tão íntimo do absoluto? Como é que um juiz consegue escolher o que comer ou a cor da própria cueca depois de decidir que alguém deve morrer? Se eu arbitrasse sobre a vida, não aceitaria nada além do absoluto.


Reinaldo é show!

Oriane

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A realidade de sangue nada tem a ver com as mentiras de Bush


icarabe - Instituto da Cultura Árabe





29/1/2008

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Oriente Médio
The Independent, em 16/01/2008

José Farhat comenta as atitudes de Bush*
Robert Fisk, 55 anos, é jornalista britânico, veterano correspondente internacional do jornal londrino The Independent, cobriu a guerra do Afeganistão e outras guerras levadas a cabo no Oriente Médio pelos norte-americanos e seus capachos. Seu posicionamento crítico com relação aos estadunidenses lhe valeu até mesmo um ameaça de linchamento, no Afeganistão, levada a cabo por etnias afegãs. No entanto, Fisk tem por admiradores e incentivadores todos aqueles que concordam com ele ou são vítimas das atrocidades dos vorazes consumidores de petróleo. O lingüista norte-americano Noam Chomsky, em entrevista à Folha de São Paulo, em setembro de 2007, testemunhou: "Nenhum observador estrangeiro conhece melhor a região do que o veterano correspondente britânico Robert Fisk".

Neste artigo, ele não decepcionou, muito pelo contrário, provou ser digno do elogio de Chomsky.

George W. Bush não aprendeu com seu pai George H. Bush (quem sabe por razões familiares que talvez Freud explicasse), mas poderia mirar-se nos exemplos de alguns de seus antecessores. Se ele verdadeiramente quisesse a paz entre palestinos e israelenses bastaria imitar Dwight D. Eisenhower o qual, quando da invasão do Egito por Israel (e seus comparsas de então, França e Grã Bretanha, interessadas em reaver o Canal de Suez nacionalizado quatro meses antes), em outubro de 1956, cancelou todo tipo de ajuda, inclusive militar, a Israel e garantiu o apoio de seu governo a qualquer resolução das Nações Unidas impondo sanções ao Estado judeu. Israel não titubeou, capitulou e se retirou dos territórios que ocupara. Esta é uma lição histórica.

Outro antecessor do atual presidente, o presidente Jimmy Carter, no verão de 1980 enviou um diplomata a Israel (não era vice-presidente e nem tampouco secretário de Estado) com um recado ao primeiro-ministro israelense Menachem Begin (aquele do massacre de Deir Yassin) ameaçando cortar toda ajuda estadunidense a Israel se os ataques aéreos ao Líbano persistissem. Begin entendeu o recado de Carter e, sem demora, na frente mesmo do enviado americano, passou a mão no telefone e ordenou a seu Chefe da Força Aérea para parar os ataques. Esta é outra lição histórica.

Se George W. Bush fosse sincero, e não o mentiroso que é, como muito bem o qualifica Fisk, e quisesse resolver os problemas do Oriente Médio, era só fazer como Eisenhower e Carter. Alguém pode pensar que é fácil dizer, não é fácil fazer. A estes, há uma resposta: Eisenhower fez o que fez às vésperas das eleições que o reconduziriam ao segundo mandato e, apesar do lobby judeu, venceu as eleições. Carter não foi reeleito, mas isto nada teve a ver com o lobby judeu que à época das eleições o estava apoiando.

Em 27 de novembro de 2007, Bush reuniu mais de 20 países em Annapolis para, nas palavras do comunicado do Departamento de Estado, “sinalizar o amplo apoio aos corajosos esforços dos líderes palestinos e israelenses e se tornar um marco do lançamento das negociações que levarão ao estabelecimento de um Estado palestino e a realização da paz israelo-palestina”. Esta foi a maior e mais concorrida reunião para tratar deste assunto desde a última realizada no Egito em 1996.


A solução para o problema palestino, todo mundo sabe, só os governantes estadunidenses atuais fingem não saber e já passaram por cima das propostas desse mesmo monarca saudita, que foi visitado por Bush, repetida diversas vezes e, na última, em nome da Liga dos Estados Árabes, oferecendo a Israel relações normais em troca de recuo às fronteiras de 1967, a aceitação de Jerusalém como capital também do Estado palestino e uma solução justa para o problema dos refugiados.

Entrevistado à época, declarei à CBN que a reunião resultaria em absolutamente nada e, de fato, esta viagem de Bush a países da região é mais uma prova de que nada acontecerá de objetivo, a não ser garantir mais petróleo e vender mais armas.

Em Annapolis, não houve negociações, só blablabás e rega-bofes. Como dois meses depois nada mais aconteceu, salvo mais palestinos mortos e agressões não só a estes, mas também a países árabes e muçulmanos em geral, Bush foi fazer mais uma tentativa de aparecer que só resultará naquilo que Fisk afirma em seu artigo: mentiras!


* José Farhat é cientista político



por Robert Fisk*

Enquanto uma bomba explode em Beirute e Israel mata 19 em ataques a Ghaza, Bush leva sua missão de paz à Arábia Saudita (e fecha negócio de 20 bilhões de dólares em armas para esse regime repressor).

Entre lençóis de seda - num quarto de paredes também revestidas de seda -, e no próprio palácio do Rei Abdullah da Arábia Saudita, George Bush acordou hoje cedo num Oriente Médio que nada tem a ver com as políticas de seu governo nem com o que ele repete incansavelmente aos reis e emires e oligarquias do Golfo: que o inimigo não é Israel, mas o Irã.

Ontem, Bush sentou-se como se estivesse em casa ao lado de um rei caricatamente amistoso, metido num paletó azul que combinaria, no máximo, com seu rancho no Texas; até recebeu uma balançante medalha de "Ordem do Mérito" - parecida com o colar do Lord Chancellor inglês -, embora não se saiba que mérito teria valido a Bush aquele presente de
rei. Talvez, o mérito hipócrita de fornecer bilhões em armas, para serem usadas contra inimigos imaginários do regime saudita.

Tudo fantasia e mentiras, é claro, como as palavras que os árabes ouviram dos americanos durante os últimos sete dias, desde que o presidente em final de mandato começou sua rodada turística pelo Oriente Médio.

Mas parecia 'de verdade', a quem visse aquela figura ridícula e sem sentido, de braços dados com o rei, em passos que, presumo, deveriam ser alguma espécie de dança, brandindo uma enorme e fulgurante espada saudita, espécie de Saladino fora de hora, que
deixaria embasbacado o líder curdo que destruiu os cruzados, no local ao qual hoje Bush refere-se como "a disputada margem oriental".

É isto um "lame duck"? É esta a imagem que querem mostrar ao mundo os presidentes norte-americanos em final de mandato? Esta pergunta deve estar em todas as cabeças, no Oriente Médio, depois de assistir àquela cena espantosa. Desde a revolução iraniana de 1979, o Oriente Médio está sendo devastado por uma Guerra Fria muçulmana - mas... será este o modo pelo qual Bush supõe que se deva lutar pela alma do Islã?

Na mesma noite, o mundo de Bush voava pelos ares em Beirute, quando um enorme carro-bomba explodiu perto de uma caminhonete que conduzia funcionários da embaixada norte-americana, matando quatro libaneses e ferindo gravemente, pelo que se sabe, um motorista da embaixada. E enquanto Bush descansava na casa de campo do rei saudita, em Al Janadriyah, o exército de Israel matou 19 palestinos na Faixa de Gaza, a maioria dos quais membros do Hamas, um dos quais filho de Mahmoud Zahar, um dos líderes do movimento. Zahar falou, para dizer que Israel não teria atacado - no dia em que um israelense foi morto por um foguete palestino - se não tivesse sido encorajado a agir por George Bush.

A diferença entre a realidade e os delírios do governo dos Estados Unidos não poderia ser mais selvagem e mais claramente ilustrada. Depois de prometer aos palestinos "um Estado soberano e contíguo" para antes do final do ano, e pregando "segurança" para Israel - embora não tenha falado, como os árabes observaram, de segurança "para os palestinos" -
Bush chegou ao Golfo para aterrorizar os reis e oligarcas de impérios encharcados de petróleo, sobre o perigo de uma agressão iraniana. Como sempre, trouxe as sempre repetidas oferendas de armas norte-americanas para proteger regimes e estados conhecidos em todo o mundo por serem antidemocráticos, para que combatam contra a mais poderosa nação do “eixo do mal”.

Foi exemplo potente - embora perverso - da perambulação de Bush pelo Oriente Médio árabe a "volta à política do medo" que Washington regularmente requenta para os líderes do Golfo. Concordou em fornecer aos sauditas pelo menos 41 milhões de libras em armas, valor que deve chegar a mais de 10 bilhões de libras em armas para os potentados do
Golfo, em negócios anunciados no ano passado - armas que se espera que os blindem contra supostas ambições territoriais do fanático Mahmoud Ahmadinejad. Como sempre, Washington prometeu aos israelenses preservar "o padrão qualitativo" do armamento mais moderno, na hipótese de que os sauditas - que nunca fizeram guerra senão contra Saddam Hussein depois que invadiu o Kuwait em 1990 - decidam embarcar num ataque suicida contra o único real aliado dos Estados Unidos no Oriente Médio.

Nada, evidentemente, foi exposto nestes termos aos árabes. Bush deixou-se fotografar beijando ostensivamente as bochechas do rei Abdullah e de mãos dadas com o tirano cujo Estado muçulmano recentemente "perdoou" uma mulher saudita acusada de adultério depois de ter sido estuprada sete vezes no deserto nos arredores de Riad. Os sauditas, desnecessário lembrar, sabem que o reinado de Bush está terminando, afundado no caos no Paquistão, em desastrosa guerrilha contra o ocidente no Afeganistão, enfrentando feroz resistência em Gaza, à beira da guerra civil no Líbano e tendo de sobreviver no inferno que criou no Iraque.

A bomba em Beirute, pouco antes das 5h da tarde, deve ter sido um duro golpe contra o discursante presidente que é amigo tão próximo do regime saudita que - embora seja saudita a maioria dos que perpetraram os crimes contra a humanidade de 11/9/2001 - permitiu que os príncipes sauditas que viviam nos Estados Unidos voltassem imediatamente para casa depois dos ataques. Duas visitas do rei Abdullah ao rancho de Bush no Texas bastaram, aparentemente, para custear uma noite de hospedagem no palácio-rancho do rei saudita, cercado de jardins luxuriantes e colinas gramadas.

Com explosão que foi ouvida em quase toda a capital do Líbano, a bomba destruiu prédios de uma rua estreita na área leste da cidade pela qual o veículo passava, exatamente quando o embaixador dos EUA - por outro percurso na cidade - dirigia-se a uma recepção num hotel central em Beirute, antes de partir para Washington. Porta-voz do Departamento de Estado, contudo, garantiu que nenhum cidadão norte-americano fora ferido. O carro que foi atingido, da embaixada dos Estados Unidos, entrara por uma viela próxima da ponte Karantina, na direção do norte de Beirute, junto à margem do único rio que há na cidade, quando a bomba explodiu. Esta coincidência levou os militares libaneses a perguntar-se se os atacantes teriam recebido informação sobre o trajeto dos norte-americanos.

Houve rumores sobre um 'falso' comboio para confundir possíveis assaltantes e afastá-los da rota que o embaixador Jeffrey Feltman percorreria até a recepção, num hotel do centro da cidade. Uma fábrica de tapetes foi destruída pela explosão que arrancou telhados e
rebentou janelas num raio de mais de meia milha.

Para os líderes árabes, a mensagem de Bush aos líderes do Golfo nada traz de novidade. Nos anos 80, quando Reagan apoiou Saddam Hussein na invasão do Irã, Washington consumiu horas em advertências aos líderes do Golfo sobre o perigo que o Irã representaria. Depois que Saddam invadiu o Kuwait, o discurso dos Estados Unidos mudou: o maior perigo, então, passou a ser o Iraque. Mas tão logo o emirado foi libertado, os milionários do petróleo, outra vez, foram informados de que, outra vez, o inimigo era o Irã.

Os árabes já não se deixam enganar por esta fábula de "o bem contra o mal", tanto quanto tampouco acreditam nas promessas de Bush de que ajudará a criar um Estado palestino até o final do ano, promessas feitas apenas um dia antes de Israel admitir publicamente que planeja construir mais prédios para alocar colonos em terras palestinas, além das colônias ilegais já existentes em território palestino.

Para entender a natureza deste extraordinário relacionamento com os monarcas do Golfo, é preciso lembrar que desde que Bush-pai prometeu criar "um oásis de paz, sem armas" no Golfo, Washington - além da Inglaterra, França e Rússia - jamais parou de fazer chover
armas na região.

Ao longo da última década, os árabes do Golfo trocaram bilhões de petro-dólares por armamento norte-americano. As estatísticas são claras. Só em 1998 e 1999, os militares árabes do Golfo gastaram 40 bilhões de libras. Entre 1997 e 2005, os sheikhs dos Emirados Árabes Unidos - que receberam Bush antes de ele partir para Riad - assinaram contratos de compras de armas equivalentes a 9 bilhões de libras com fornecedores ocidentais. Entre 1991 e 1993 - quando "o inimigo" era o Iraque - a Missão de Treinamento Militar do Estados Unidos administrava negócios de mais de 14 bilhões de libras relativos a armas sauditas e 12 bilhões de compras de novas armas norte-americanas. Nesta época, os sauditas já possuíam 72 aviões-bombardeiros F-15 norte-americanos e 114 Tornados ingleses.

Pouca coisa mudou nos últimos 17 anos. Dia 17/5/1991, por exemplo, Bush-pai disse que então havia "razões reais para sermos otimistas" sobre a paz no Oriente Médio. "Continuaremos a trabalhar no processo [de paz]", disse então, "Não desistiremos."

James Baker, então Secretário de Estado, declarou, dia 23/5/1991, que continuar a construir prédios nas colônias israelenses, em território palestino, "ameaça gravemente uma futura paz no Oriente Médio", exatamente o que disse, semana passada, a atual Secretária de
Estado. Em 1991, era Dick Cheney quem garantia, em nome dos EUA, a "segurança" de Israel.

O Ocidente tem memória curta. Os árabes, não. Os árabes vivem na área de propriedade privada que conhecemos como Oriente Médio e não são idiotas. Eles entendem perfeitamente o que Bush está fazendo.

Depois de muito pregar "a democracia" na região - pregação que resultou em vitórias eleitorais democráticas dos xiitas no Iraque, do Hamas em Gaza e importante ganho de poder político para a irmandade muçulmana no Egito - até Washington já percebeu que alguma coisa não deu muito certo no modelo de prioridades de Bush.

Em vez de insistir em algum "Novo Oriente Médio", Bush, refestelado nos lençóis de seda do palácio do rei saudita, está falando, hoje, sobre todos voltarem ao "Velho Oriente Médio", ao tempo das polícias secretas, das câmaras de tortura - nas quais os prisioneiros podem ser proveitosamente "convencidos" - e aos presidentes e monarcas ditatoriais e "moderados". Quem, dos déspotas do Golfo, teria alguma objeção contra isto?

*tradução de Caia Fittipalti

por Robert Fisk*
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sábado, maio 24, 2008

Mais da Periferia do Império

Na Periferia do Império


Uribe apóia base militar dos EUA na Colômbia e rejeita Conselho de Defesa Sul-americano

Posted: 21 May 2008 04:24 PM CDT

O Presidente colombiano Alvaro Uribe disse nesta quarta-feira que há possibilidade dos Estados Unidos instalarem um base militar no páis, embora negue que o projeto seja na fronteira com a Venezuela.

Na semana pasada, o embaixador dos Estados Unidos na Colômbia, William Brownfield, sugiriu a possibiliadade de uma base "anti-drogas" no país em vista da promessa do presidente Rafael Correa de fechar a base de Manta no Equador.

Uribe, em entrevista a RCN, também afirmou que a Colômbia não assinará o acordo de formação do Conselho de Defesa Sul-americano (CSD), proposto pelo governo brasileiro para acontecer durante a reunião de constituíção da União de Nações Sul-Americanas (Unasul). A criação do organismo de defesa regional será discutida em Brasília, neste 23 de maio, em reunião de cúpula da Unasul.

Devido a problemas diplomáticos com a Venezuela e Equador, o presidente Uribe informou que a Colômbia renunciou a primeira presidência da Unasul, deixando para o Chile assumir o posto. Escute a entrevista de Uribe a RCN clicando aqui.

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Português é menos influente do que falado, segundo estudo luso

Posted: 21 May 2008 02:21 PM CDT

A influência da língua portuguesa no mundo não corresponde ao seu número de falantes, segundo estudo encomendado pelo governo português ao reitor da Universidade Aberta de Portugal, Carlos Reis.

De acordo com o estudioso, "existe uma grande disparidade entre o universo falante de português e a efetiva influência internacional da língua portuguesa", afirmou o professor, destacando que "somos mais de 200 milhões de falantes".

Em declarações à Agência Lusa, Carlos Reis afirmou que as conclusões finais da pesquisa só serão alcançadas no final de maio, mas já foi possível tirar conclusões preliminares.

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Chávez responde a Bush: "Deus vai acelerar o fim do império norte-americano"

Posted: 21 May 2008 01:31 PM CDT

(AFP) - O presidente venezuelano Hugo Chávez afirmou nesta quarta-feira que "Deus vai acelerar o fim do império norte-americano", em resposta à declaração pronunciada mais cedo pelo presidente americano, George W. Bush, que "pediu a Deus para que acelere o fim do sofrimento dos cubanos".

"Bush disse que pediu a Deus para que acelere o fim do sofrimento dos cubanos. Isso merece um bocejo", ironizou Chávez durante uma reunião com estudantes de medicina formados numa escola apoiada por Cuba.

"Se Deus vai acelerar algo - e já o está acelerando - é o fim do império norte-americano", enfatizou o dirigente venezuelano. "Graças a Deus, o Deus dos povos, dos oprimidos, dos explorados e dos pobres, graças à dinâmica do tempo, ao despertar dos povos, o império norte-americano está, e continuará, em declínio", prosseguiu.

"Vai terminar em breve o mandato de Bush, que encheu o mundo de terrorismo, miséria e fome. O mundo agradece a Deus pelo fim do mandato de Mister Bush. E junto com você, cavalheiro da morte e do terror, será o fim do funesto império norte-americano", declamou o presidente venzuelano.

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A luta contra o apartheid recomeçou na África do Sul

Posted: 21 May 2008 01:28 PM CDT

Por John Pilger, no Resistir

"Quando voltei à África do Sul após a queda do apartheid, pedi a Ahmed Kathrada para levar-se a Robben Island. Conhecido afectuosamente como Kathy, ele usava óculos escuros para encobrir os olhos danificados pelo brilho da pedra calcária que ele e Nels
Justificar completamenteon Mandela aguentaram durante décadas. Ele mostrou-me a sua cela, de um metro e meio por um metro e meio, onde "a luz era sempre brilhante, dia e noite". Admirei-me como foi possível sair de um quarto de século de encarceramento como um ser humano são, equilibrado, tolerante e simpático. Suas razões incluíram os ensinamento de Gandhi e o apoio dos seus seres amados, mas, acima de tudo, "havia a luta, sem a qual nada muda".

Este sentido de luta está de volta na África do Sul. No outro dia encontrei-me com o escritor Breyten Breytenbach, que passou oito anos na prisão sob o regime do apartheid. Ao falar no festival "Time of the Writer", em Durban, evocou os "sonhos" dos grandes combatentes da libertação Steve Biko e Robert Sobukwe. "Como iremos travar este 'progresso' aparentemente irreversível da África do Sul para um Estado totalitário de um partido?", perguntou." Leia mais em Resistir

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Assim vai o Império !

Na Periferia do Império


Obama, tal como Bush e McCain, manterá embargo contra Cuba

Posted: 23 May 2008 04:45 PM CDT

O pré-candidato democrata Barack Obama afirmou que se eleito imperador-presidente dos Estados Unidos, em novembro, permitirá as viagens familiares a Cuba e o envio de remessas, mas manterá o embargo econômico à ilha socialista.

"Não há melhores embaixadores para a liberdade do que os cubanos e os cubano-americanos. Por isso, permitirei as viagens familiares e o envio de remessas, para que possam ajudar pais, irmãos e tios; para que o dinheiro americano faça com que o povo cubano seja menos dependente do regime da ilha", no entanto, disse o senador, ele manterá o embargo contra Cuba, segundo informa a Efe.

O discurso de Obama foi pronunciado em um ato organizado pela influente e direitista Fundação Nacional Cubano Americana (FNCA).

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Senador quer esclarecimentos sobre manipulação de 48 mil arquivos do suposto PC de Raúl Reyes

Posted: 23 May 2008 03:51 PM CDT

O Senador colombiano Gustavo Petros, do partido Polo Democrático Alternativo, solicitou uma investigação sobre informações de que 48 mil arquivos do PC de Raúl Reyes, chefe guerrilheiro das Farc morto pela Colômbia no Equador, foram abertos, criados e modificados pela polícia colombiana no início de março.

Petro disse aos jornalistas espanhois Pascual Serrano e Carlos Martínez, que no Informe da Interpol sobre os dados dos equipamentos apreendidos da guerrilha, se menciona essas modificações. O parlamentar enviou um questionário ao ministro de Defensa colombiano, Juan Manuel Santos, solicitando esclarecimentos sobre a denuncia.

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Revendedora nos EUA dá revólver para quem compra carro

Posted: 23 May 2008 10:11 AM CDT

A BBC Brasil revela que uma revendedora de carros no Estado do Missouri, nos Estados Unidos, está oferecendo uma arma para cada cliente que comprar um automóvel.

A promoção Guns and Gas (Armas e Gasolina), da Max Motors, oferece a quem comprar um carro um revólver ou um cupom de gasolina no valor de U$250 (R$ 415). "Até agora 80% dos clientes optaram pelo revólver", disse um dos gerentes da loja.

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Greve geral é novo golpe para Sarkozy

Posted: 23 May 2008 10:03 AM CDT

Centenas de milhares de franceses saíram às ruas convocados pelas cinco maiores centrais sindicais para protestar contra o projeto do governo de Nicolas Sarkozy de aumentar de 40 para 41 anos o tempo de contribuição para a aposentadoria.

A CGT, principal entidade sindical, estimou em 700 mil os manifestantes que saíram às ruas para protestar.Em Paris o protesto teriam reunido 70 mil.

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sexta-feira, maio 23, 2008

O 25 de Abril ou 30 anos+1 dia após 24 de Abril? «Opiniães»


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30 anos do 25 de Abril
Criado segunda-feira, 12 de Abril de 2004
Última actualização terça-feira, 27 de Abril de 2004


O 26 de Abril
Por Luís Salgado de Matos
26.04.2004
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Estamos a 26 de Abril - o dia seguinte. As comemorações governamentais sublinharam o progresso económico e social. Como se os cidadãos duvidassem. E menorizaram a questão política.
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O Estado Novo falhou em enriquecer-nos? Em meados dos anos 1960, Salazar inverteu a divergência real entre a economia portuguesa e a transpirenaica, iniciada no final do século XVIII. Marcello Caetano manteve o enriquecimento.

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O Estado Novo falhou porque não nos deu um Estado de Direito democrático. O 25 de Abril ganhou aqui.

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Os portugueses de hoje acham a democracia boa e o actual regime não democrático. Os portugueses, seja qual for o partido em que votam. É o que diz o senso comum, ratificado pela recente sondagem Público/Universidade Católica.

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Para isso, comparam o Estado contemporâneo ao pós-revolucionário. O contemporâneo sai a perder: é menos participado pelos cidadãos, mais dominado pela riqueza, mais roído pela corrupção.

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Esta visão tem que se lhe diga. Os portugueses votam menos e associam-se menos por estarem contentes - e não só por estarem revoltados. A economia domina porque é o princípio da realidade - «Deus protege os grandes batalhões» - mas a vitória do «poder económico» é uma ficção pós-marxista. A corrupção vitima mais os ricos do que os pobres - os quais por definição não têm posses para satisfazer a corrupção activa. Os ricos só pagam o imposto da corrupção quando não têm outro remédio - e por isso a regionalização não passou: as regiões gerariam mais «luvas» e o referendo provava que elas não eram inevitáveis.

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O Estado Novo caiu afogado em escândalos. Salazar saiu de cena com os «ballets rose». Caetano parecia incapaz de dominar a corrupção - cujas suspeitas eram lançadas pelos grupos económicos: o caso do BIP indignava. Caetano era incapaz de arbitrar.

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A ditadura não conseguiu reformar-se. E a nossa República? Regenera-se. Excepto se os grupos de pressão mandarem nela ou se os partidos políticos esquecerem os eleitores. O leitor reparou que no poder dos partidos e dos lobis estão duas das maiores críticas ao actual regime português.

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Os cidadãos acham hoje a República mais corrupta do que a ditadura. Desprezemos o surpreendente paradozo. Perguntemo: será?

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A capacidade de combater a corrupção é um aspecto da auto-regeneração da democracia. Há anos imperavam suspeitas - em particular sobre as relações dos políticos com o futebol. Se punirmos mantendo a suspeita, liquidamos a República - pois já os clássicos sabiam que a desconfiança é virtude na oligarquia e veneno na democracia. A justiça deve combater a corrupção até ao fim. Só que este combate é também político, não deve resumir-se ao pretório e passará pelo voto. Sem conflito entre os tribunais e as urnas eleitorais.

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Neste «day after», temos que ir congraçando a maioria à democracia, a opinião à lei e os interesses à República.

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in Público

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30 anos do 25 de Abril
Criado segunda-feira, 12 de Abril de 2004
Última actualização terça-feira, 27 de Abril de 2004

DR
O apoio dos milicianos foi decisivo para Salgueiro Maia e os outros operacionais

Grande inquérito do PÚBLICO e da Universidade Católica
A democracia e o fim da guerra foram os objectivos do golpe de estado
Por Adelino Gomes
24.04.2004
Os homens que prenderam Marcello Caetano e puseram fim ao regime de ditadura em Portugal, em 25 de Abril de 1974, queriam a democracia, acabar com a guerra e mais justiça para os portugueses, indica um inquérito a nível nacional organizado pelo PÚBLICO e realizado pela Universidade Católica.

Com apenas quatro excepções, os 325 oficiais que responderam ao inquérito, afirmam-se "orgulhosos" de terem participado no 25 de Abril de 1974. Dois terços declaram que se pudessem voltar atrás, teriam feito "exactamente" a mesma coisa, ainda que um em cada cinco diga que procuraria "moderar mais o processo" que se seguiu ao golpe de estado.

Para mais de metade dos inquiridos (53 por cento), a acção do Movimento "cumpriu os objectivos iniciais", mas o processo de descolonização, "mesmo tendo em conta a conjuntura interna e externa", podia ter corrido "um pouco melhor" (51 por cento). Nesta matéria, historicamente fracturante, a percentagem dos que entendem que a descolonização correu "da pior maneira possível" surge surpreendentemente baixa, oito por cento, em contraste com os 41 por cento que defendem que ela terá decorrido "da melhor maneira possível".

Melo Antunes, o mais importante
O tenente-coronel Ernesto Melo Antunes (falecido em 10.8.1999) aparece, de longe, como a figura militar mais apreciada quer durante a conspiração, quer na transição para a democracia, quer ainda como a personalidade cimeira, militar ou civil, "da nossa história recente".

O inquérito atingiu com êxito mais de três centenas de oficiais do quadro permanente que se envolveram, a partir do terceiro trimestre de 1973, no processo conspirativo que desembocou nas acções militares dos dias 16 de Março e 25 de Abril do ano seguinte. Foram inquiridos igualmente alguns milicianos que participaram na conspiração ou se comprometeram com os oficiais do quadro permanente a ela ligados, antes daquele dia.

Com base na bibliografia geral sobre o 25 de Abril e em duas listas já organizadas, uma fornecida pela Associação 25 de Abril (A25), e a outra mandada elaborar em 1980 pelo então Presidente da República e Chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas, general Ramalho Eanes, o PÚBLICO recorreu a um conjunto vasto de informantes privilegiados (uma dezena de oficiais dos três ramos das Forças Armadas - entre eles dois ex-milicianos - de diferentes sensibilidades político-militares), de forma a completar a sua própria lista de 550 nomes a quem foram enviados inquéritos postais acompanhados de envelopes de resposta paga, em regime de anonimato das respostas. O inquérito obteve uma taxa de resposta de 67,6 por cento e uma taxa de cobertura do universo de 60 por cento. O trabalho de análise, elaborado pela Universidade Católica, debruçou-se sobre uma amostra final composta por 325 indivíduos (ver "Como foi feito o inquérito").

Moderados e Otelo em destaque
Para além de Melo Antunes, os inquiridos destacaram Otelo Saraiva de Carvalho e Vasco Lourenço como os militares "que tiveram o papel mais importante na acção político-militar que desembocou no 25 de Abril". Salgueiro Maia, António de Spínola, Vítor Alves, Costa Gomes e Garcia dos Santos foram outros nomes com elevada percentagem de referências.

Vasco Lourenço, presidente da A25, surge igualmente bem colocado entre os mais decisivos militares durante a transição (quarto lugar) e (quinto lugar) na apreciação feita a figuras, militares e civis, durante o PREC (Processo Revolucionário em Curso).

Nesta última lista figuram também os quatro civis que dirigiram os quatro principais partidos: Mário Soares, destacado em terceiro lugar, com 80 por cento de referências positivas e 10 por cento negativas; Francisco Sá Carneiro, com 66 por cento de referências positivas e 9 por cento negativas (sexto lugar); Freitas do Amaral, com 40 porcento de referências positivas e nove por cento negativas (sétimo lugar); e, no lugar imediato, Álvaro Cunhal, com 53 por cento de referências positivas e 32 negativas.

Os dirigentes do Movimento - 21 por cento dos inquiridos que responderam - tendem a apreciar a actuação de Álvaro Cunhal de forma menos positiva que os outros.

Soares bem, partidos, Governo e televisões mal vistas
Mário Soares, com 60 por cento, obtém a maior percentagem de apreciações admirativas entre as figuras públicas mais admiradas pelas respectivas actuações "desde a consolidação da democracia até hoje. Curiosa e talvez ironicamente, a figura que os militares mais admiram a seguir (36 por cento) é um militar e chama-se António Ramalho Eanes. Regista-se a presença de mais quatro civis nos seis lugares seguintes: Sá Carneiro e Álvaro Cunhal e, a considerável distância, Jorge Sampaio e Cavaco Silva.

Convidados a pronunciarem-se sobre o Portugal de hoje, os militares manifestam-se preocupados com a corrupção e o desemprego (que consideram piores do que antes do 25 de Abril de 1974), o baixo crescimento económico e o tráfico e consumo de drogas.

Ao contrário da Presidência da República, na qual depositam "muita confiança", bem como nas Forças Armadas e na Polícia Judiciária, os inquiridos declaram-se nada ou pouco confiantes nos partidos políticos, no Governo e na televisão (cerca de 60 por cento nos dois primeiros, e 51 por cento na segunda).

Em contraste com a génese claramente corporativa do Movimento, os oficiais inquiridos remeteram para o quarto lugar das suas motivações a melhoria da situação profissional. Esta percentagem foi de apenas 10 por cento entre os dirigentes, e de 21 por cento entre os restantes, contra 94 por cento e 87 por cento, respectivamente, daqueles que declaram ter pretendido a instauração de um regime democrático.

As 325 respostas provieram de oficiais dos três ramos das Forças Armadas: 75 por cento do Exército; 17 por cento da Marinha; e 7 por cento da Força Aérea (um por cento não indicaram a origem). A patente de capitão (1º tenente no caso da Marinha) é a mais representada (52 por cento), seguindo-se as de major/capitão-tenente (20 por cento) e de tenente/2º tenente (16 por cento). A larga distância, as de tenente-coronel/capitão-de-fragata (cinco por cento), de alferes/guarda-marinha (quatro por cento) e de aspirante (um por cento).

Apenas 14 por cento dos inquiridos não haviam ainda cumprido qualquer comissão no Ultramar. Vinte e oito por cento estiveram lá três ou mais vezes (com destaque para os dirigentes do Movimento); 30 por cento, duas; e 28 por cento, uma. Angola, Moçambique e Guiné, por esta ordem, foram os destinos operacionais mais frequentes destes militares.

Com idades actualmente compreendidas entre os 50 e os 75 anos ou mais, os inquiridos encontram-se na sua maioria na situação de reserva ou de reforma (85 por cento), embora 11 por cento se mantenham ainda no activo.



Como Foi Feito o Inquérito (Ficha Técnica)

Esta sondagem foi realizada pelo Centro de Sondagens e Estudos de Opinião da Universidade Católica (CESOP) para o jornal Público. O trabalho de campo, incluindo definição do universo e envio e recolha dos questionários, decorreu entre os dias 25 de Fevereiro e 16 de Abril de 2004. O universo alvo é composto pelos oficiais e milicianos das Forças Armadas que estiveram envolvidos na acção político-militar que conduziu ao derrube do regime ditatorial em 25 de Abril de 1974. Esse envolvimento foi entendido como implicando um ou mais dos seguintes seis critérios:
a) Participação numa estrutura dirigente ou outra do Movimento dos Capitães
b) Participação numa rede clandestina a nível de unidade ou outra;
c) Participação em reuniões do Movimento antes do 25 de Abril, na Metrópole ou no Ultramar;
d) Execução de missões de carácter operacional no derrube do regime ditatorial (no caso dos milicianos, apenas os envolvidos anteriormente no processo);
e) Envolvimento na tentativa de golpe de 16 de Março de 1974;
f) Tomada de conhecimento e compromisso de apoio prévios à acção do dia 25 de Abril de 1974.
Para a determinação dos membros do universo, foram inicialmente utilizadas três fontes principais: bibliografia geral sobre o 25 de Abril; lista fornecida pela Associação 25 de Abril (A25), expurgada de civis e sócios que não cumpriam nenhum dos anteriores seis critérios, assim como de informação pessoal não relevante para o trabalho de campo; e uma lista, indispensável para atingir os membros do universo não associados da A25, mandada elaborar em 1980 pelo então Presidente da República e Chefe de Estado Maior General das Forças Armadas, general Ramalho Eanes, com o objectivo de distinguir os militares envolvidos no 25 de Abril. Após consolidação destas fontes numa primeira lista geral, procedeu-se a uma primeira correcção, eliminando os oficiais entretanto falecidos.
O segundo passo na determinação dos membros do universo consistiu no recurso a informantes privilegiados (uma dezena de oficiais dos três ramos das Forças Armadas - entre eles dois ex-milicianos - de diferentes sensibilidades político-militares), de forma a completar esta lista pelo método de amostragem "bola de neve", através do qual cada novo contacto feito na base da informação obtida junto dos informantes privilegiados foi utilizado para recolher contactos adicionais. Os novos contactos obtidos foram adicionados à lista geral. Essa lista foi posteriormente corrigida ao longo do trabalho de campo, sendo expurgada dos oficiais ou milicianos entretanto falecidos e daqueles que nos informaram não satisfazer nenhum dos seis critérios gerais anteriormente avançados. Essa lista final continha 620 nomes.
O passo seguinte consistiu em apurar moradas e números de telefone para todos os membros da lista. Em 70 casos, isso não foi possível, o que reduziu a lista a 550 nomes. Aos membros dessa lista de 550 nomes foram enviados inquéritos postais acompanhados de envelopes de resposta paga, em regime de anonimato das respostas. Todos os membros da lista dos quais se dispunha de contacto telefónico (480) foram contactados 10 dias após o envio do inquérito postal, de forma a confirmar recepção e estimular resposta. Aos restantes, dos quais se dispunha apenas de contacto postal, foi enviada 2ª carta. Foram recebidos, até ao dia 16 de Abril de 2004, 372 inquéritos devidamente preenchidos, correspondendo a uma taxa de resposta de 67,6% e uma taxa de cobertura do universo de 60%. Destes 372 inquéritos, foram finalmente excluídos para fim de análise dos dados 47 nomes de oficiais ou milicianos cujas respostas ao inquérito não satisfaziam nenhum dos seis critérios de definição do universo. Assim, a amostra final é composta por 325 indivíduos.
Adelino Gomes (PÚBLICO) e Pedro Magalhães (Universidade Católica)

Agenda ou critérios jornalísticos: onde estão a Verdade e a isenção do 5º Poder?

Jacques_Louis_David

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The Death of Jean-Paul Marat

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O Amigo do Povo

Jean-Paul_Marat



    • Oil on Canvas, 65" x 50 3/8"
    • 1793
    • Musées Royaux des Beaux-Arts at Brussels
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Sexta-feira, 23 de Maio de 2008

Galeria ou revista da imprensa

Prefácio gratuito
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Kioske hoje (40)

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sábado, maio 17, 2008

Suíça - o neutro paraíso das lavagens

Suiça foi refúgio no pós-guerra de nazistas, fascistas e colaboradores, revela historiador



A Swissinfo publicou uma entrevista com historiador suíço Luc van Dongen sobre seu livro recém-lançado "Un purgatoire très discret" (Um purgatório bastante discreto) no qual relata detalhes da política suíça de asilo no pós-guerra e controversos refugiados políticos e econômicos.
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Segundo a Swissinfo, a caixa de Pandora da história suiça aberta pelo autor revela que aproximadamente 500 nazistas, fascistas e partidários do governo colaboracionista de Vichy da França se refugiaram na Suíça depois da Segunda Guerra Mundial.
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"Dentre as mais destacadas personalidades expostas no seu livro estão a filha de Benito Mussolini, Edda Ciano, o "Goebbels" italiano (fazendo referência ao ministro nazista da Propaganda) Dino Alfieri, o chefe da Gestapo, Rudolf Diels, o oficial da SS Franz Sommer, assim como diversos ministros do regime de Vichy na França, industriais, intelectuais, cientistas e outros colaboradores".

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Na Periferia do Império......................

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