A Internacional

__ dementesim . . Do rio que tudo arrasta se diz que é violento Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem. . _____ . Quem luta pelo comunismo Deve saber lutar e não lutar, Dizer a verdade e não dizer a verdade, Prestar serviços e recusar serviços, Ter fé e não ter fé, Expor-se ao perigo e evitá-lo, Ser reconhecido e não ser reconhecido. Quem luta pelo comunismo . . Só tem uma verdade: A de lutar pelo comunismo. . . Bertold Brecht
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terça-feira, fevereiro 15, 2011

Obama’s budget and the rot of American capitalism

World Socialist Web Site

wsws.org

Published by the International Committee of the Fourth International (ICFI)

15 February 2011
Patrick Martin
On Monday, the Obama administration released its proposed federal budget for fiscal year 2012. After committing trillions in federal bailouts to the banks and billionaires, the White House is demanding cuts that will devastate the working class, and particularly its poorest and most vulnerable sections.
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The $1.1 trillion in cuts for the next decade proposed by the White House is to be only the starting point for further cuts, as spokesmen for both big business parties acknowledge. Senate Budget Chairman Kent Conrad, a Democrat, declared, “We’ve got to do substantially more than $1 trillion worth of deficit reduction in the next decade.” Republican House Speaker John Boehner said, “There’s no limit to the amount we’re willing to cut.”
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Democrats and Republicans agree on gargantuan military spending, an uninterrupted flow of funds to the financial aristocracy, and continued tax breaks for corporate America and the wealthy. As a top White House official told the press at a background briefing on the budget, “The debate in Washington is not whether to cut or to spend. We both agree we should cut. The question is how we cut and what we cut.”
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The Obama budget projects that the ten-year cumulative deficit will reach a staggering $10.4 trillion. By attempting to wring such vast sums from the hides of the population, the ruling elite is trying to set American society back to conditions not seen for generations.
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Programs to be cut include not only those targeted by Obama and the Republicans in the current budget debate—home heating assistance, Pell Grants, WIC, Head Start, etc.—but the much larger entitlement programs, Social Security and Medicare, which will face cuts later in the budget process.
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The social impact will be incalculable. As hundreds of thousands of people face the bitter cold of winter without heat and gas, Obama is proposing halving the grossly inadequate federal assistance that is available. As students graduate with record debt and no job prospects, the administration is proposing significant cuts in government aid. Such gross indifference to social distress is repeated in every sphere.
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Significant cuts to Social Security and Medicare—which amount to denying America’s elderly their right to pensions and health care—would have an even broader impact.
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Behind the “debate” in Washington and the media over the budget is a massive lie—the claim that the budget deficits are a product of excessive social spending. Obama’s budget director Jacob Lew summed up this grotesque falsification an op-ed column published in the New York Times February 6, under the headline, “The Easy Cuts Are Behind Us.” Lew claimed that the causes of the projected budget deficits were “decisions to make two large tax cuts without offsetting them and to create a Medicare prescription drug benefit without paying for it, combined with the effects of the recession…”
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This list is notable for what it leaves out: the cost of two wars, in Afghanistan and Iraq, which runs into the trillions; and the bank bailouts, where more trillions in public funds were placed at the disposal of the financial aristocracy, with no questions asked. The military budget by itself accounts for the lion’s share of the ten-year deficit: more than $7 trillion of the projected $10 trillion.
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Lew’s more fundamental omission, however, is the grotesque class inequality that pervades American society. The top one percent of the US population owns over one third of the country’s wealth. The greatest wealth, however, is concentrated in an even smaller layer. Indeed, the $1.1 trillion in proposed cuts—which will have a terrible impact on the lives of millions of people—is somewhat less than the combined wealth of only the 400 richest Americans.
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The arguments presented by the ruling elite for the cuts are staggeringly hypocritical. As they drown in floods of cash, they insist that no money is available for workers’ most basic needs.
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Workers must reject this argument out of hand. They are not responsible for the orgy of swindling and profiteering that produced the 2008 Wall Street crash and pushed the world economy into the deepest slump since the Great Depression. On the contrary, an essential feature of the speculative binge was that the share of national income received by workers has shrunk to the lowest level in nearly a century.
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Underlying the rise of the financial aristocracy—which exercises control over the entire political system—is the failure of the world capitalist system as a whole. In amassing its wealth, this tiny layer of the population, concentrated above all in the United States, has overseen a vast destruction of industry and social infrastructure. The ruling classes of every country now openly proclaim that the maintenance of their system depends upon an unprecedented destruction in the living conditions of the broad masses of the population.
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These measures will provoke mass opposition. The revolutionary struggles in Egypt—in which protests and strikes of millions of workers and youth forced the resignation of a US-backed dictator that ruled the country for more than 30 years—point to the forms of struggle that will spread worldwide in the coming period. Mass unemployment, record inequality, and the corruption of the political system are common to Egypt and the United States, and are in fact universal. At the foundation of this system is the principle that economic life must be subordinated to private profit and the maintenance of the wealth of those who control the giant banks and corporations.
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The working class can secure its interests only through the overturn of the capitalist system as a whole—that is, the reorganization of economic life to meet social need. In every aspect of its policies and of its social being, the ruling class itself makes the case for socialist revolution.
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quinta-feira, junho 03, 2010

Fidel: O império e a guerra

América Latina

Vermelho  - 2 de Junho de 2010 - 16h00

Fidel: O império e a guerra

Há dois dias, em breves palavras, eu disse que o imperialismo não podia resolver o gravíssimo problema do consumo de drogas que assolam a população do mundo. Hoje desejo abordar outro tema, a meu juízo, de grande transcendência.

Por Fidel Castro

O atual perigo de que a Coreia do Norte seja atacada pelos Estados Unidos, a partir do recente incidente que teve lugar nas águas desse país, talvez possa ser evitado se o presidente da República Popular da China decidir utilizar o direito de veto, prerrogativa que este país não gostaria absolutamente de exercer nos acordos que se discutem no Conselho de Segurança da ONU.

Existe um segundo e mais grave problema para o qual os EUA não têm resposta possível: o conflito criado em torno do Irã. É algo que se via aproximar-se claramente desde que o presidente Barack Obama pronunciou seu discurso no dia 4 de junho de 2009, na Universidade Islâmica de Al-Azhar, no Cairo.

Em uma Reflexão que escrevi então, quatro dias mais tarde, quando dispus de uma cópia oficial do discurso, utilizei numerosas citações para analisar a importância do mesmo. Destacarei um número delas.

“Nos congregamos em um momento de tensão entre os Estados Unidos e muçulmanos ao redor do mundo…”

“… o colonialismo negou direitos e oportunidades a muitos muçulmanos, … a Guerra Fria frequentemente utilizava os países de maioria muçulmana como agentes, sem ter em conta suas aspirações próprias.”

Impressionavam realmente esse e outros raciocínios na boca de um presidente afroamericano, que pareciam verdades evidentes como as contidas na Declaração da Filadélfia, no dia 4 de julho de 1776.

“Vim aqui buscar um novo começo para os Estados Unidos e os muçulmanos ao redor do mundo, que se baseie em interesses mútuos e no respeito mútuo…”

“Como nos disse o Sagrado Alcorão, ‘tenham consciência de Deus e digam sempre a verdade.’”

“… é parte de minha responsabilidade como Presidente dos Estados Unidos lutar contra os estereótipos negativos do Islã onde quer que surjam.”

Continuou, assim, bombardeando temas escabrosos do universo de contradições insolúveis que envolvem a política dos Estados Unidos.

“Em meio à Guerra Fria, os Estados Unidos desempenharam um papel na derrocada de um governo iraniano eleito democraticamente.”

“Desde a Revolução Islâmica, o Irã desempenhou um papel nos sequestros e atos de violência contra militares e civis estadunidenses.”

“Os estreitos vínculos dos Estados Unidos com Israel são muito conhecidos. Este vínculo é indissolúvel.”

“Muitos esperam, em acampamentos para refugiados na Cisjordânia, Gaza e terras circundantes, uma vida de paz e segurança que nunca tiveram.”

Hoje sabemos que sobre a população de Gaza cai, com frequência, uma chuva de fósforo vivo e outros componentes desumanos e cruéis, lançados sobre a Faixa, com fúria verdadeiramente nazi-fascista. Não obstante, as afirmações de Obama pareciam vibrantes e, em ocasiões, sinceras, tanto que as ia repetindo uma e outra vez, em meio de um corre-corre febril pelo mundo, onde quer que, a sua hora programada, chegasse o avião número um da Força Aérea dos Estados Unidos.

No dia 31 de maio, a comunidade internacional foi comovida com o assalto, em águas internacionais, a dezenas de quilômetros da costa de Gaza, de quase uma centena de soldados das forças especiais de Israel, que desceram de helicopteros durante a madrugada, disparando freneticamente contra centenas de pessoas, pacifistas de diversas nacionalidades, causando, segundo a imprensa, não menos de 20 mortos e dezenas de feridos. Entre as pessoas atacadas, que transportavam mercadorias para os palestinos sitiados em sua própria Pátria, havia cidadãos norte-americanos.

Quando Obama falou na Universidade Islâmica de Al-Azha da “derrocada de um governo iraniano eleito democraticamente’ e imediatamente acrescentou que “Desde a Revolução Islâmica, o Irã desempenhou um papel nos sequestros e atos de violência contra militares e civis…”, se referia ao movimento revolucionário promovido pelo Aiatolá Ruhollah Komeini, que, de Paris, sem uma só arma, esmagou as Forças Armadas do mais poderoso gendarme com que os Estados Unidos contavam no Sul da Ásia. Era muito difícil que a mais poderosa potência do mundo resistisse à tentação de instalar ali uma de suas bases militares, ao Sul da URSS.

Há mais de cinco décadas, os Estados Unidos haviam esmagado outra Revolução absolutamente democrática, quando derrotou o governo iraniano de Mohammad Mossadegh. Este foi eleito primeiro-ministro do Irã no dia 24 de abril de 1951. O senado aprovou a nacionalização do petróleo, que havia sido sua bandeira de luta, no dia 1 de maio deste mesmo ano. “Nossos largos anos de negociações com países estrangeiros – declarou – não deram resultado até agora.”

É óbvio que estava se referindo às grandes potências capitalistas, que controlam a economia mundial. O Irã tomou posse das instalações ante a intransigência da British Petroleum, que então se chamava Anglo-Iranian Oil Company.

O país não tinha possibilidade de formar técnicos. A Grã-Bretanha havia retirado seu pessoal qualificado, e respondido com bloqueio de peças e mercados. Enviou sua frota de guerra em ação de combate ao país. Como resultado, a produção petroleira do Irã diminuiu de 241,4 milhões de barris em 1952, a 10,6 em 1953. Nessas condições favoráveis, a CIA organizou o golpe de Estado que derrubou Mossadegh, até sua morte que teve lugar três anos depois. A monarquia foi restabelecida e um poderoso aliado dos Estados Unidos ascendeu ao poder no Irã.

Os Estados Unidos não fizeram outra coisa com os demais países que não seja isto; desde que se criou esta nação nos solos mais ricos do planeta, não respeitou nunca os direitos dos povos indígenas, que ali viveram durante milênios, e de negros, que foram importados como escravos pelos colonizadores ingleses.

Estou seguro, entretanto, de que milhões de norte-americanos inteligentes e honestos compreendem estas verdades.

O presidente Obama pode pronunciar centenas de discursos, tratando de conciliar contradições que são inconciliáveis em detrimento da verdade, sonhar com a magia de suas frases bem articuladas, enquanto faz concessões a personalidades e grupos totalmente carentes de ética, e desenhar mundos de fantasias que só cabem em sua cabeça e que assessores sem escrúpulos, conhecendo suas tendências, plantam em sua mente.

Duas perguntas obrigatórias: poderá Obama desfrutar as emoções de uma segunda eleição presidencial sem que o Pentágono ou o Estado de Israel, que em seu comportamento não acata de forma alguma as decisões dos Estados Unidos, utilizem suas armas nucleares no Irã? Como será a vida em nosso planeta depois disso?

Fonte: Cuba Debate 
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quarta-feira, fevereiro 10, 2010

São os Estados Unidos reformáveis? - por Serge Halimi



São os Estados Unidos reformáveis?

(dossiê «Obama: balanço de um ano»)
por Serge Halimi

A luta política favorece por vezes as oposições personalizadas, as rejeições obsessivas. As necessidades da luta frontal criam então reagrupamentos heteróclitos cuja única motivação é o desejo de destruírem o mesmo alvo. Os dissabores, porém, começam logo que esse inimigo é abatido. E com os dissabores, surge a pergunta: e agora, que fazer? No encadeamento das opções políticas, os equívocos que favoreciam o antigo pacto dos opositores têm de ser revogados; o desencanto instala-se. Depois, passado não muito tempo, o detestado adversário volta ao poder. E a sua passagem pela oposição não o tornou mais amável.
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Este esquema já teve aplicação na Itália de Silvio Berlusconi. Vencido em 1995 por um centro-esquerda simultaneamente descorado, heteróclito e sem projecto, voltou a triunfar seis anos depois. Agora, também na França de Nicolas Sarkozy se multiplicam as alianças de circunstância, ora entre partidos (ecologistas, centristas, socialistas), ora entre personalidades (Dominique de Villepin, num apelo contra o governo, ao lado de Olivier Besancenot, de quem tudo o separa). Um único alvo, o chefe de Estado. Muito bem; e depois?
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O tríptico que a coligação ocasional, a proposta política indecisa e a decepção programada constituem remete-nos também para a actualidade americana. Há um ano, a derrota dos republicanos e o fim da presidência de George W. Bush causaram um momento de regozijo. Mas agora esse entusiasmo parece ter chegado ao fim, embora uma parte do eleitorado, cujas condições não melhoraram, continue a acreditar em Obama. A intensificação da guerra no Afeganistão aflige os pacifistas, a reforma do sistema de saúde ficou aquém das esperanças razoáveis, tal como a política ambiental. A avaliação «menos do que bom, mas melhor do que nada» está a propagar-se, criando um clima incomodativo. A paixão política volta a mudar de terreno.
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Uma tal espiral da estagnação fortalece o peso dos lóbis, ao mesmo tempo que impõe a interrogação sobre o poder efectivo do presidente dos Estados Unidos. Este não é um Bush, já se sabe; Romano Prodi também não era um Berlusconi. Mas isso não basta para sabermos para onde vai Obama e para termos vontade de o seguir. Ora, entretanto, o país padece: a taxa de desemprego aumentou muito, bairros inteiros são compostos por casas confiscadas pelos credores. É certo que o presidente intervém, fala, explica-se, tenta convencer; os seus discursos, com frequência eloquentes, encadeiam-se com nexo. Mas quais são os resultados? No Cairo, condenou os colonatos israelitas; entretanto implantaram-se outros, e ele resignou-se. Prometeu uma reforma ambiciosa do sistema de saúde; os parlamentares atenuaram-na, e ele deu-se por satisfeito.
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Anunciou aos cadetes de West Point que ia enviar mais reforços para o Afeganistão, e pouco depois recebeu o Prémio Nobel da Paz. Um tal exercício poderá vir a tornar-se esquizofrénico. Mas a cacofonia das situações encontra aparente remédio numa nova torrente de palavras, equilibrando com uma sugestão contrária cada conjunto de problemas por resolver. No fim, prevalece quase sempre o refrão «os meus amigos progressistas proclamam uma coisa, os meus amigos republicanos replicam outra; os primeiros exigem demasiado, os segundos não cedem o suficiente. Eu opto pela via intermédia.»
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Por conseguinte, Obama incitou os cadetes de West Point a «darem provas de contenção no recurso à força armada»; em Oslo, apelou ao júri do Prémio Nobel que avaliasse «a necessidade da força com base nas imperfeições do homem e nos limites da razão». Estes últimos tiveram também de meditar no exemplo do presidente Richard Nixon, o qual, em 1972, apesar dos «horrores da Revolução Cultural», aceitou encontrar-se com Mao Zedong em Pequim. Ao antigo chefe de Estado republicano, exigente como era na questão dos direitos humanos, esse encontro custou-lhe tanto que teve de consolar-se, pouco depois, ordenando o bombardeamento das grandes cidades vietnamitas e favorecendo no Chile o golpe do general Augusto Pinochet… Disso, porém, Obama nada disse ao júri de Oslo. Impecavelmente «centrista», preferiu saudar ao mesmo tempo Martin Luther King e Ronald Reagan. (...)
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(continue a ler este artigo na p. 10 da edição de Janeiro de 2010; para consultar os outros artigos que fazem parte do dossiê em que se integra, «Obama: balanço de um ano», clique aqui.)
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sexta-feira 8 de Janeiro de 2010
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sexta-feira, outubro 09, 2009

Obama - Prémio Nobel da Paz 2009 ?

Nobel Imperialista

Como é que pode, um homem como Obama, receber o Prémio Nobel da Paz?

- Que aumenta o contingente militar no Afeganistão, que continua a ocupar o Iraque… que mantém o embargo e o bloqueio a Cuba, que continua e representa o imperialismo americano no mundo e a sua mão ferro…

Haja nobel!



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Rexuslândia Webzine

"Somos muitos, muitos mil para continuar Abril!"
[rexuslandiawebzine.wordpress.com]

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sexta-feira, julho 17, 2009

Maalouf e os seis meses de Obama

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Em tempos de crise, a ideia do salvador que liberte os homens do sofrimento acompanhou a humanidade ao longo de toda a sua existência. Essa ideia errada que a história sempre desmentiu, foi agora defendida em Lisboa por Amin Maalouf, elevando Obama à categoria messias.

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Por Miguel Urbano Rodrigues, para o site O Diário.Info


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Na Conferência que pronunciou em Lisboa o escritor Amin Maalouf fez uma apologia apaixonada do atual Presidente dos EUA. "Essa pessoa – afirmou – também nos representa". Numa entrevista ao Público expressou a convicção de que o futuro da humanidade, quase a sua sobrevivência, depende do êxito da estratégia de Barack Obama. O eventual fracasso do presidente, na sua opinião, "seria uma tragédia para a América, para o Ocidente e para o Mundo".

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É antiquíssima a tendência em tempos de grandes crises para o estabelecimento de uma ponte entre a sua superação e o aparecimento de um salvador providencial.

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Admiro Amin Maalouf. Terei sido o primeiro português a escrever sobre o seu belo e comovente livro As Cruzadas vistas pelos Árabes. Essa antiga admiração pelo escritor humanista justifica a minha surpresa ao tomar conhecimento da sua adesão à perigosa tese dos "salvadores".

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Nos milênios transcorridos desde a criação da escrita fonética, alguns homens, apresentando-se como reformadores do mundo, exerceram uma influência decisiva para alterar, recorrendo às armas, o rumo da História. Quase sempre para sofrimento dos seus contemporâneos.

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Cito, entre outros, Alexandre, César, Gengis Khan, Napoleão e Hitler.

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Desconhecer o peso do fator subjetivo na História seria negar uma evidência. Mas basta acompanhar no seu percurso sinuoso a lenta marcha do grande rio da História para se compreender que as grandes transformações que contribuíram para o progresso da humanidade não resultaram da intervenção de salvadores providenciais.

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Nem sempre isso foi temporalmente perceptível, mas o sujeito das viragens decisivas foram sempre os povos. O motor dessas mudanças geradoras de avanços civilizacionais não foi este ou aquele indivíduo, mas rupturas, muitas vezes súbitas, provocadas pela intervenção torrencial de massas populares que provocaram a destruição da ordem social preexistente.

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Isso aconteceu com a Revolução Francesa de 1789 e com as Revoluções Russas de 1917. Sem a teoria, essas revoluções não se teriam produzido, mas o sujeito que tornou possível a mudança – repito – foi nelas o povo, ou mais exatamente uma parcela minoritária da sociedade que atuou em nome do coletivo, traduzindo-lhe aspirações profundas.

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A esperança messiânica no aparecimento de um salvador preparado para enfrentar vitoriosamente um presente sombrio e abrir as alamedas de um futuro de paz e prosperidade pode assumir contornos românticos e seduzir muita gente honesta, mas nas suas origens é identificável um pensamento incompatível com o progresso. A História oferece-nos muitos exemplos de salvadores cujo objetivo inconfessado era a defesa da ordem social em desagregação, responsável pela crise.

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A mitificação de Obama

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A grande crise de civilização que vivemos, inseparável da crise estrutural do sistema capitalista, gerou frustrações e angústias que desembocaram na convicção irracional de que a humanidade, uma vez mais, precisa de um salvador.

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Seria incorreto afirmar que assistimos a uma repetição quase mecânica de situações já vividas.

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O mundo era pequeno quando na Palestina surgiu um profeta judeu, Jesus. Crucificado pelos seus contemporâneos, os discípulos projetaram dele a imagem do messias redentor e a sua mensagem, muito alterada, deu origem a uma grande religião.

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Outros salvadores, profetas e guerreiros, todos diferentes, houve, antes e depois, que deixaram memória como depositários da esperança. Mas nenhum, pelos atos ou pela herança, resolveu magicamente os males cuja denúncia o transformou em pólo da esperada mudança.

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O mundo cresceu desmesuradamente. E a dimensão de uma nova e gravíssima crise facilita a compreensão do renascer da fome de um salvador.

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Nos EUA puseram-lhe nome: Barack Obama. E na época da informação instantânea, uma campanha de dimensão planetária, desencadeada com o apoio entusiástico dos grandes da União Europeia, co-responsáveis pela crise, difunde um discurso cuja conclusão encontramos na mensagem de Amin Maalouf: uma tragédia espera a humanidade se Obama não a salvar.

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A campanha, insidiosa, massacrante, é uma ofensa à inteligência. Mas catapultada por governantes, políticos, banqueiros, militares, escritores, jornalistas, chega aos lugares mais remotos da Terra e impressiona milhões de pessoas em todas as camadas sociais.

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O efeito é tão perigoso que a necessidade de lutar contra a mitificação do presidente dos EUA se torna um dever imperioso para as forças progressistas.

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Não estou em condições de formar uma opinião fundamentada sobre o caráter do cidadão Barack Obama.

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A sua inteligência e talento são transparentes. Uma oratória inabitual contribuiu decisivamente para a superação dos obstáculos, na aparência insuperáveis, que encontrou na longa e paciente caminhada que o conduziu à Casa Branca. É também inegável que o apoio do grande capital pesou muitíssimo na escolha que o establishment fez quando Hillary Clinton emergia como favorita.

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Mas não teria sido eleito se muitas dezenas de milhões de compatriotas seus não confiassem nas suas promessas de mudança. Obama convenceu esses eleitores de que introduziria transformações radicais na sociedade norte-americana e nas relações do seu país com o mundo exterior.

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Transcorridos seis meses da sua entrada na Casa Branca, o balanço da Presidência não justifica, antes desmente, o optimismo que a envolve, trombeteado pelos cultores da obamomania.

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O que fez e não fez em seis meses não corresponde ao compromisso, desrespeita-o.

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No tocante à política interna, a promessa de enfrentar a engrenagem de Washington, por ele fustigada quando candidato, não foi cumprida. O Presidente optou por uma estratégia que privilegia a finança como alavanca de superação da crise, atribuindo papel subalterno a uma politica econômica baseada na produção e no emprego. O seu secretário do Tesouro, Thimothy Geithner, é um tecnocrata de Wall Street, empenhado em acudir aos grandes bancos e a empresas gigantes ameaçadas de falência pelas suas práticas fraudulentas. Mecanismos que contribuíram decisivamente para a crise voltam a ser introduzidos no sistema pelos senhores da finança.

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Essa política de namoro com o grande capital é tão ostensiva que tem sido criticada no próprio coração do sistema, inclusive por Prêmios Nobel da Economia que apoiaram a candidatura do Presidente.

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Obama manteve tribunais militares cuja inconstitucionalidade tinha denunciado e adiou para data imprevisível o encerramento do presídio de Guantânamo. Nas frentes da Educação, da Saúde e da Previdência Social, e no campo da política de imigração, o seu governo não tomou também até hoje iniciativas que respondam às promessas feitas.

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O endividamento externo continua a ser a base em que assenta a hegemonia económica mundial do país. Daí uma vulnerabilidade alarmante. Países como a China e o Japão possuem mais de dois trilhões de dólares em títulos do Tesouro americano e em reservas. Se abandonassem o dólar, todo o sistema capitalista ruiria, arrastando aliás ambos.

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Palestina, África, Europa e Honduras

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No terreno internacional a politica de Obama distancia-se também dos compromissos da campanha.

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O discurso é outro, mas no fundamental o Presidente mantêm fidelidade ao projeto de dominação mundial dos EUA como nação predestinada a salvar a humanidade dos perigos que a ameaçam.


Admito que Obama está persuadido de que lhe cabe desempenhar uma missão providencial. Não é um político reacionário, beócio e enfeudado a grandes grupos financeiros.

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Mas o seu desejo de não abdicar de um comportamento ético, tal como o concebe, esbarrou desde a entrada na Casa Branca com engrenagens cujo poder tinha subestimado.

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Não se pode esquecer que as suas ideias liberais – na acepção americana da palavra – são inseparáveis da convicção de que o sistema capitalista precisa de grandes reformas, mas deve ser preservado custe o que custar.

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Em poucos meses concluiu que o seu projeto de reformas teria de ser reformulado, no plano interno e no externo, ajustando-se a uma relação de forças muito complexa. E, de cedência em cedência, a sua politica adquiriu contornos cada vez mais aceitáveis pelo establishment.

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A insuficiência do seu conhecimento da História terá pesado muito na adopção de orientações para a política exterior que pouco diferem das anteriores, inspiradas pelo sonho imperial.

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O chamado discurso histórico do Cairo é uma peça que, despojada da retórica, confirma a aliança dos EUA com Israel. Obama insiste nos dois Estados para a Palestina, mas quando o governo de Telavive intensificou a construção de milhares de edifícios em colonatos na Cisjordania reagiu timidamente. Por si só a sua afirmação sobre uma "Jerusalém una e indivisível" ilumina a tendência para a capitulação perante o sionismo arrogante e expansionista.

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O discurso dirigido de Gana à Africa foi outro exercício de retórica. O que dele fica de substancial é a defesa da criação de uma força transnacional para defesa da "democracia" no Continente. Traduzidas em linguagem comum, essas palavras anunciam um reforço de intervenções armadas do imperialismo como "solução" para as crises africanas.

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O Presidente expressou a sua grande preocupação com as situações criadas no Darfur (cujas reservas prováveis de petróleo são enormes) e na Somália, mas não proferiu ali um palavra sobre os acontecimentos nas Honduras.

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Esse silêncio foi atribuído pela própria imprensa dos EUA à contraditória posição assumida perante o golpe de Estado hondurenho. Obama criticou o gorilazo, não reconheceu o governo fantoche de Micheletti e apoiou a resolução da OEA que exige o regresso de Manuel Zelaya, o presidente legítimo.

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Mas os EUA não retiraram de Tegucigalpa o seu embaixador, um cubano de Miami que mantém íntimas relações com os golpistas. Indiscrições de militares e de ministros nomeados por Micheletti confirmaram que na embaixada se realizaram reuniões preparatórias do golpe.

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Para agravar essa rede de cumplicidades, o comando da Força Aérea hondurenha está instalado na base militar norte-americana de Palmerola, a umas dezenas de quilômetros da capital. Foi, aliás, de Hillary Clinton que partiu a ideia da mediação do costaricense Oscar Arias, iniciativa que permite aos golpistas ganhar tempo.

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É transparente que a ambiguidade da posição dos EUA perante a crise hondurenha reflete o seu temor de que a reinstalação na Presidência de Manuel Zelaya fortaleça o bloco de países da ALBA, liderado por Hugo Chávez.

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Na União Europeia, onde os governantes continuam a derramar elogios sobre Obama, o presidente utilizou na reunião do G-8 uma linguagem barroca para disfarçar o fundamental do recado transmitido: os EUA não abdicam da tarefa de dirigir o mundo, que se auto atribuíram, nem aceitarão qualquer projeto que retire ao dólar o papel de moeda universal.

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Os encontros com Medvedev e Putin deixaram as coisas no pé em que estavam. A troca de sorrisos e de palavras amáveis não pôde disfarçar a desconfiança mútua entre Washington e Moscou. Uma certeza: a Otan não desiste da sua intenção de avançar para leste e os EUA não revelam disponibilidade para retirar das fronteiras russas o chamado escudo anti-mísseis.

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Iraque e Afeganistão-Paquistão

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É no Oriente Médio e na Ásia Central que as opções da política internacional de Obama suscitam maior preocupação a nível mundial. Em vez de contribuírem para a paz, disseminam a violência e prolongam e ampliam guerras criminosas herdadas da Administração Bush.

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Relativamente ao Irã, os apelos do Presidente a um diálogo franco não encontraram ate agora expressão prática. Pelo contrario. As exigências sobre a questão nuclear, com contornos de ultimato, persistem, acompanhadas da ameaça de novas sanções.

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Simultaneamente, o envolvimento dos serviços de inteligência norte-americanos nas manifestações de rua de Teerã posteriores às eleições tem sido repetidamente confirmado por fontes críveis, inclusive estadunidenses.

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A hipótese de uma agressão militar ao Irã parece, contudo, excluída na atual conjuntura. A Casa Branca terá chegado à conclusão, com o apoio do Pentágono, de que no momento em que os EUA se encontram atolados em duas guerras, no Iraque e no Afeganistão, não existem condições políticas e militares para uma escalada na Região que atingiria o Irã.

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No Iraque o esforço da máquina midiática para apresentar o país como "pacificado", o que teria permitido a retirada das cidades do exército norte-americano, é desmentido no cotidiano pela realidade.

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A violência no mês de junho e na primeira quinzena de julho atingiu ali um nível que não se registava há muito. A resistência à ocupação estrangeira aumenta a cada semana e o governo instalado por Washington está desacreditado.

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Impressionado pelos relatórios do general Petraeus, Obama cometeu um erro que pode ser fatal para a imagem da sua Administração. Não se limitou a transferir tropas do Iraque para o Afeganistão; decidiu enviar para aquele país mais 21.000 soldados.

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Ao erigir o binômio Afeganistão-Paquistão em primeira prioridade da sua política exterior não parece consciente de que, é arrastado por ilusões que, num contexto diferente, desembocaram há meio século na humilhante derrota do Vietnã.

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A atual ofensiva na Província do Helmand, em que participam milhares de marines, está a correr muito mal e o número de mortos britânicos suscita já protestos no Reino Unido.

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O comandante no terreno é um militar americano cujo currículo contribui para aumentar as apreensões. O general Stanley Chrystal tem sido definido pelo seu passado como um criminoso de guerra.

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Petraeus fala numa "nova atmosfera" que permita a conquista das populações. Mas até agora o que se regista é um crescendo do ódio inspirado pelos invasores. Correspondentes europeus, entre os quais jornalistas de El Pais, insuspeitos de simpatia pela resistência, afirmam que não existe contato algum da tropa com os moradores das aldeias, que fogem dos soldados americanos e britânicos como o diabo da cruz.

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O medo de que o radicalismo islâmico alastre pelo Paquistão está na origem da ambiciosa estratégia bipolar em que Obama deposita tanta confiança. Mas os bombardeamentos das tribos do noroeste paquistanês, que já causaram a morte de centenas de camponeses, gera a indignação da minoria pachtun, a segunda do país, ou seja mais de vinte milhões de pessoas da mesma etnia dos afegãos pachtunes, separados destes por uma fronteira artificial imposta em 1893 pelo império britânico.

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O ceticismo dos próprios meios de comunicação norte-americanos quanto ao desfecho da estratégia de Obama para a Região é já inocultável. Alguns são tão pessimistas, que, prevendo uma derrota de consequências catastróficas, definem a guerra no Afeganistão como "o novo Vietnã".

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Tudo leva a crer que a evolução da estratégia asiática do Presidente dos EUA pesará muito na sua imagem.

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O Barack Obama aclamado como salvador providencial da humanidade por inteletuais como Amin Maalouf corre o risco, se as coisas correrem mal na Ásia, sobretudo nas montanhas e vales do Afeganistão, de surgir como o coveiro involuntário do sonho imperial dos EUA.

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O Diário.info
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in Vermelho - 16 DE JULHO DE 2009 - 16h15
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sábado, julho 11, 2009

«Obamismo», guerra e militarismo



As tropas de Obama iniciaram mais uma ofensiva militar no Afeganistão para tentar liquidar a resistência contra a ocupação estrangeira e se possível fazer alastrar o conflito ao Paquistão, um Estado possuidor de armas nucleares. A chamada «operação paz duradoura» que sustenta a agressão militar dos EUA e da NATO resulta de um acto unilateral que afronta a Carta das Nações Unidas e os princípios do Direito Internacional.
Se a guerra contra o Iraque visou fundamentalmente a afirmação da supremacia dos Estados Unidos sobre os restantes aliados da NATO e o controlo exclusivo por Washington do petróleo iraquiano, hoje, ao intensificar a agressão militar no Afeganistão, Obama pretende arrastar os aliados europeus para a guerra e o esmagamento dos povos que se levantem contra o imperialismo. Os Estados Unidos já sabem que, apesar de todo o seu poderio militar e económico, não podem impor sozinhos a sua nova ordem mundial.
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É essa a razão porque o presidente norte-americano, apesar de cobrir de verniz moralista muitas das suas habituais pregações é o primeiro a esconder e silenciar sistematicamente os assassínios e massacres perpetrados pelas tropas norte-americanas nas aldeias afegãs. É isto que está a levar a direita conservadora, os amigos reaccionários de Bush, e os militaristas de todos os matizes a sair das tocas onde tinham hibernado com receio de uma «possível mudança», e a converter-se em menos de um ápice ao «obamismo».
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Mas, se com Obama é mais fácil ganhar os aliados para a guerra e o militarismo, não é menos verdade que os povos não funcionam de acordo com o relógio do império. Na Alemanha, as últimas sondagens continuam a revelar que mais de dois terços da população opõem-se à participação das Forças Armadas na ocupação militar do Afeganistão. O Governo de Ângela Merkel e da social-democracia continua a negar oficialmente que a Alemanha esteja em guerra, apesar de cada vez mais soldados regressarem ao Reno em macas e caixões. A Constituição alemã e o Código Penal prevêem pesadas penas de prisão para os responsáveis pela «preparação e desencadeamento de uma guerra de agressão» (art.26).
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Para obrigar o povo e os soldados a aceitar o militarismo como parte integrante da actual política externa alemã, o ministro da Defesa Jung acaba de criar a «ordem de honra da Bundeswehr pela coragem». É a primeira vez, desde o regime hitleriano e do nazismo que soldados alemães voltam a ser condecorados por participarem em guerras no estrangeiro.
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Ao intervir no recente debate no Bundestag sobre a utilização de aviões-radar AWACS e o aumento dos efectivos militares alemães no Afeganistão, o deputado Norman Paech, em nome dos 60 deputados que compõem o grupo parlamentar do partido «A Esquerda» desmascarou a chanceler Ângela Merkel esclarecendo que «no Afeganistão reina a guerra e a Bundeswehr está cada vez mais enredada neste círculo infernal. O número de vítimas aumenta de forma dramática semana após semana. As tropas estrangeiras não são aceites como libertadoras mas como exército de ocupação (...) O planeado aumento do contingente militar e da artilharia pesada não é nenhuma alternativa e apenas vai aumentar o sofrimento das populações, as perdas de ambos os lados, provocar mais violência, terror e vítimas. A única alternativa é a urgente retirada das tropas estrangeiras do Afeganistão». Por muito mediático que seja o «obamismo» os povos odeiam a guerra e o militarismo.
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in Avante 2009.07.09
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sexta-feira, julho 10, 2009

Os primeiros passos de Obama

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por Serge Halimi

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Para afrontar a herança dos seus antecessores, o novo presidente dos Estados Unidos repudiou muitas das ideias deles. É certo que Barack Obama não acelerou a retirada das tropas americanas do Iraque e que mobilizou mais soldados para o Afeganistão, para uma guerra mortífera e sem saída. No plano interior, a sua política relativa à indústria automóvel, aos bancos ou às remunerações dos dirigentes não rompeu com o imparável «liberalismo», que socializa somente as perdas das empresas. Apesar disso, Obama representa sem dúvida aquilo que o sistema estadunidense pode actualmente criar de mais progressista, ao ponto de as decisões dos dirigentes de Washington parecerem por vezes preferíveis às dos seus homólogos de Paris, Bruxelas, Moscovo, Pequim ou… Teerão. Se a determinação de Washington não vergar, e se alguns dos lóbis que controlam o Congresso forem postos em xeque, dentro de pouco tempo os Estados Unidos irão dispor de uma legislação que protege o direito sindical e se preocupa com as despesas de saúde dos 46 milhões de americanos que não têm nenhuma segurança social. Não é nada pouco.

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Poder‑se‑á objectar que Obama, no fim de contas, é democrata; mas isso será ignorar quarenta anos de história. Porque desde a chegada de Richard Nixon à Casa Branca, em 1969, os dois presidentes democratas que se lhe seguiram aludiram de facto a uma ruptura… mas com a ortodoxia do seu partido, a seu ver demasiado progressista. Desse modo, tanto um como o outro prepararam o terreno para os republicanos que lhes sucederam (Ronald Reagan e George W. Bush). Jimmy Carter abriu o baile das desregulamentações, promoveu uma política ultramonetarista e, a pretexto da «defesa dos direitos humanos», relançou a Guerra Fria. Com Bill Clinton foi ainda pior: endurecimento das sanções penais, generalização da pena de morte, abolição das ajudas federais aos pobres, activação de operações de guerra no Afeganistão, no Iraque, no Sudão e no Kosovo, sem mandato das Nações Unidas. Devemos pois avaliar o balanço inicial de Barack Obama tendo também como termo de comparação estes precedentes.

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O seu discurso do Cairo, no passado dia 4 de Junho, não trouxe nada de muito novo quanto ao fundo da questão: George W. Bush já tinha admitido a ideia de um Estado palestiniano e desde a governação de Jimmy Carter todos os ocupantes da Casa Branca reclamaram – com os resultados que todos conhecemos – o congelamento da colonização israelita. Em contrapartida, o tom mudou por completo. Obama, desejoso de «romper o ciclo da suspeita e da discórdia» entre os Estados Unidos e os povos do Médio Oriente, evitou cuidadosamente empregar o adjectivo «terrorista», tão apreciado pelo seu antecessor. Ao evocar o Hamas, o presidente americano admitiu até que esta organização «tem apoiantes entre alguns palestinianos». Por último, ao sugerir a estes últimos que se inspirem nas lutas (não violentas) dos afro‑americanos, assimilou implicitamente a colonização israelita à «humilhação segregacionista» outrora vivida pelos negros dos Estados Unidos.

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No entanto, acrescentou, «a América não pretende saber o que é melhor para toda a gente». Este tão sábio princípio foi de imediato aplicado ao Irão. No seu discurso do Cairo, Obama lamentou o golpe de Estado que em 1953 foi orquestrado contra Mohammad Mossadegh pelos serviços secretos americanos: «Em plena Guerra Fria, os Estados Unidos desempenharam um papel no derrube de um governo iraniano democraticamente eleito». Desde logo, essa declaração sugere que os Estados Unidos não estão na situação ideal para repreender os que falsificam os resultados das urnas, sobretudo quando estes últimos só estão à espera que isso aconteça para acusarem os seus desgraçados concorrentes, anteriormente pilares do regime teocrático, de se terem transformado em mercenários do Grande Satã. Mas quanto mais a situação iraniana for endurecendo, mais a disposição do presidente dos Estados Unidos para negociar com Teerão o irá expor às diatribes da direita neoconservadora, e essa não vai desarmar nunca.

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Os interesses estratégicos norte‑americanos continuam a ser extraordinariamente constrangedores para qualquer presidente dos Estados Unidos, que será sempre tributário, queira ou não queira, do papel de soberano do império. Os primeiros passos de Barack Obama parecem todavia indicar que ele ainda não esqueceu completamente o seu passado progressista nos bairros pobres de Chicago.

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in Le Monde Diplomatiue - quinta-feira 9 de Julho de 2009

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