A Internacional

__ dementesim . . Do rio que tudo arrasta se diz que é violento Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem. . _____ . Quem luta pelo comunismo Deve saber lutar e não lutar, Dizer a verdade e não dizer a verdade, Prestar serviços e recusar serviços, Ter fé e não ter fé, Expor-se ao perigo e evitá-lo, Ser reconhecido e não ser reconhecido. Quem luta pelo comunismo . . Só tem uma verdade: A de lutar pelo comunismo. . . Bertold Brecht
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quarta-feira, abril 18, 2007


Navegar, Navegar

Fausto

in Por este rio acima
Navegar navegar
Mas ó minha cana verde
Mergulhar no teu corpo
Entre quatro paredes
Dar-te um beijo e ficar
Ir ao fundo e voltar
Ó minha cana verde
Navegar navegar

Quem conquista sempre rouba
Quem cobiça nunca dá
Quem oprime tiraniza
Naufraga mil vezes
Bonita eu sei lá

Já vou de grilhões nos pés
Já vou de algemas nas mãos
De colares ao pescoço
Perdido e achado
Vendido em leilão
Eu já fui a mercadoria
Lá na praça do Mocá
Quase às avé-marias
Nos abismos do mar

navegar navegar...

Já é tempo de partir
Adeus morenas de Goa
Já é tempo de voltar
Tenho saudades tuas
Meu amor
De Lisboa
Antes que chegue a noite
Que vem do cabo do mundo
Tirar vidas à sorte
Do fraco e do forte
Do cimo e do fundo
Trago um jeito bailarino
Que apesar de tudo baila
No meu olhar peregrino
Nos abismos do mar

segunda-feira, abril 16, 2007


"engiérre"

* José Martins

Quanto a mim o Sr. Sócrates possuir a licenciatura que lhe deu o direito ao "canudo" que o classifica de engenheiro, tanto se me dá como se me deu!

O homen não se medem pelo "canudo" mas pela sua inteligência; pragmatismo e as palavras, proferidas, cheguem à acção.

Há por aí muitos engenheiros e doutores que alguns não fazem "porrinha" nenhuma e vão polindo os fundos das cadeiras de departamentes (onde foram "buchados" pela influência deste, daquele padrinho ou amigo) e vão fazendo monte.

No meu país continua a existir a cultura dr, "engiérre", como no tempo da monarquia existiam os marqueses, duques, os condes, viscondes, barões etc.etc.etc. Nobreza que parte dos títulos eram comprados com os "dinheiritos" surripado ao pobre povo que se antes lhe prestava "vassalagem", esta depois seria mais vasta.

O meu irmão da Àsia Fernão Mendes Pinto, não me parece que quando partiu para o Oriente tinha obtido licenciatura, que dava o direito a ser tratado por DR, na Universidade de Coimbra.

O Pinto foi o primeiro embaixador de Portugal no Japão, teve um relacionamento muito próximo com S. Francisco de Xavier, no Japão. O meu irmão Pinto escreveu a genial obra "A Peregrinação", traduzida em várias línguas e onde os doutores (ainda hoje) vão beber nessa fonte histórica.

Eu (já me chamaram o Zé Pinto da Ásia e com mais anos de presença que o meu irmão), só tive a oportunidade de frequentar quatro anos a escola primária do Salazar e fiz a quarta classe com merendas de pão de centeio e azeitonas.

Comecei a treinar-me para "forcado" desde os dez anos e aos quinze comecei agarrar o mundo pelos cornos!

Agarrei-o algumas vezes e outras levei "cornadas" que me fizeram lamber o pó da arena.

Não vou cá nas licenciaturas, mas na qualidade do Homem.

Há por esse Portugal tanta pedra bruta que se fosse polida dava obra fina de cantaria!

Abraços e uiscadas para todo o "pixoal".

in PortugalClub

terça-feira, outubro 17, 2006


O MAIOR PORTUGUÊS DE TODOS OS TEMPOS (1)
ZÉ POVINHO OU FERNÃO MENDES PINTO
* Victor Nogueira

Numa época de crise resolveu a RTP lançar um concurso, o «supra-sumo da democracia» em votação electrónica, por sms ou telefónica, tendo esta maior peso e sendo duas delas com custos de valor acrescentado.

É obra reduzir cerca de oito séculos de história colectiva a uma única personalidade, O ou A MAIOR de todos os tempos, quando se consideram áreas tão distintas como a política, a ciência, a arte, a pintura, a música,o cinema, o teatro, a literatura, o desporto, a religião, as viagens de descobrimentos, etc, etc, etc.

Em certos meios instalou-se a polémica porque a RTP na sua lista exemplar não tinha incluído António Salazar, gritando-se «contra» o lápis azul e o «regresso» da «Censura», embora seja sempre limitada, por razões várias, a listagem que poderia ser elaborada.

Polémicas à parte nenhum dos grandes portugueses ou portuguesas existiu desligado da sociedade e do tempo em que viveram, nenhum deles alcançou o que quer que seja sem a «colaboração» e o trabalho de outros, muitos ou poucos, cujos nomes a história grande ou pequena não registaram ou mal registam.

Sem os camponeses que constituíam o grosso das tropas de Afonso Henriques e outros «senhores» não seriam tomadas de assalto cidades ou alimentadas as tropas ou as populações das cidades sitiadas e saqueadas, sem a arraia miúda o Mestre de Avis não teria sido aclamado rei nem dado origem ao ascenso da burguesia e duma «nova» classe nobre, sem a peonagem Nuno Álvares Pereira não teria derrotado a cavalaria castelhana em Aljubarrota e preservado a independência face ao reino de Castela, sem escravos e cartógrafos o Infante D. Henrique não teria lançado a gesta dos descobrimentos, sem a marinhagem, a soldadesca e os artífices as naus não teriam saído da barra do Tejo nem construído fortes por todo o mundo, sem os agricultores não se teriam produzido os alimentos e sem pescadores não haveria peixe à mesa, sem os artesãos e os operários não se teriam construído os equipamentos, a maquinaria e os produtos necessários à satisfação das necessidades populacionais, distribuídos pelos bufarinheiros e comerciantes.

A perseguição da riqueza ou a fuga à miséria estiveram por detrás da separação do Condado Portucalense face ao Reino de Leão e ao seu alargamento e, posteriormente, dos Portugueses por todo o mundo, muitas vezes tentando buscar lá fora o que a pátria madrasta lhes negava e continua a negar dentro de portas. Graças aos emigrantes e às ex-colónias a língua portuguesa é a 6ª mais falada no mundo,do Brasil a Timor, e dela permanecem vestígios um pouco por toda a parte.

Foi a arraia miúda que apoiou sem êxito o Prior do Crato face às pretensões hegemónicas dos Filipes de Castela, foram os camponeses que constituiram o grosso das tropas na Guerra da Restauração da Independência no século XVII e combateram as tropas invasoras napoleónicas no século XIX ou alinharam pelo liberal D. Pedro IV ou pelo absolutista D. Miguel, numa guerra civil fratricida.

Dividida, muitas vezes, em campos opostos, foi a populaça com as suas virtudes e defeitos que construiu Portugal e permitiu que alguns poucos sobressaíssem, umas vezes favorecendo outras impedindo golpes palacianos como o queem 25 de Abril de 1974 se preparava entre o general Spínola e Marcelo Caetano.

Por isso, votaria no Zé Povinho, criação de Rafael Bordalo Pinheiro. Mas, como este é um personagem sem existência real, «alegórico», resta-me votar em FERNÃO MENDES PINTO.

Fernão Mendes Pinto é um grande aventureiro português,do século XVI. De Montemor-o-Velho, viajou entre a exuberante Índia, a misteriosa China e o exótico Japão. Experiências que o levaram a escrever a "Peregrinação", extraordinário livro de viagens e aventuras, testemunho da grandeza e miséria da expansão de Portugal pelo mundo desconhecido na Europa. Foi Mendes Pinto moço da corte, pirata, comerciante, soldado, «religioso», diplomata,mendigo, escravo ... Na sua obra "considerava que os homens eram iguais, independentemente da sua religião, credo ou situação" e «documenta de forma extremamente viva o impacto das civilizações orientais sobre os europeus recém-chegados e, sobretudo, constitui uma análise extremamente realista da acção dos portugueses no Oriente, muito mais realista que a visão heróica transmitida por Camões n' Os Lusíadas.»

Victor Nogueira