"e como que a experiência é a madre das cousas, por ela soubemos radicalmente a verdade" (Duarte Pacheco Pereira)
A Internacional
sábado, dezembro 22, 2012
Nova «revolução verde» da FAO tinge de luto os países pobres e enche os cofres da Monsanto, de Bill Gates e de Kofi Annan
sábado, fevereiro 12, 2011
FAO: Crise alimentar pode intensificar violência em países pobres
Geral
O Fundo da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) no Brasil apoia a proposta para a regulamentação dos preços dos alimentos no mercado internacional. O representante da FAO no Brasil, Helder Mutéia, explica que a alta instabilidade dos preços nos mercados pode levar a população que vive em regiões de extrema pobreza a protestos violentos. Segundo a entidade, o preço internacional de alimentos chegou ao seu maior valor em 20 anos.
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Segundo ele, o momento exige cautela. “Precisamos tomar atitudes para evitar uma crise e fazer um planejamento de longo prazo, não queremos brigar com os mercados, mas melhorar a maneira que os mercados funcionam”, disse o representante.
A regulação do preço dos alimentos é apoiada pela FAO e pelo comércio mundial. A Organização Mundial do Comércio (OMC) tem um papel fundamental de regular a compra e venda de alimentos no Brasil.
Fonte: Agência Brasil
quinta-feira, agosto 12, 2010
FAO alerta para o risco de fome de milhões de paquistaneses
As colheitas estão perdidas em várias zonas alagadas pelas monções e mais de 13 milhões de pessoas correm risco de fome se não houver uma resposta imediata da ajuda internacional ao Paquistão.
Segundo a FAO, 13,8 milhões de pessoas terão ficado directamente afectadas por esta catástrofe e a contagem ainda não acabou.
Culturas em risco
A devastação provocada pelas cheias no norte e centro do país poderá ter consequências maiores à medida que as enchentes atingirem o sul do país.
Em consequência, estão perdidas todas as culturas em várias regiões afectadas e milhares de animais morreram.
Cerca de 700 mil hectares de terrenos cultivados estão agora submersos ou destruídos. Os animais que sobreviveram não têm o que comer.
Está em risco a próxima colheita de trigo, prevista para o Outono, naquela que é considerada a mais produtiva região do país.
Prioridade ao gado
O responsável pelos programas da FAO no Paquistão, David Doolan, declarou que "as primeiras estimativas apontam para a perda das colheitas e do gado. As consequências para a segurança alimentar das populações locais serão muito graves, uma vez que os preços dos alimentos começaram imediatamente a subir".
Doolan acrescentou que "mais de 75% da população afectada depende da agricultura. A prioridade da FAO é assegurar a manutenção do gado que sobreviveu".
A FAO pediu aos doadores internacionais US$ 5,7 milhões para medidas imediatas que assegurem a sobrevivência dos animais uma vez que o gado tem uma enorme importância na economia local, não só pelo seu papel como alimento como também porque muitas vezes representam as economias de famílias inteiras.
Até ao momento, a FAO reuniu US$ 1,6 milhão para as necessidades imediatas e em antecipação à próxima campanha, de forma a beneficiar 25 mil agricultores com sementes, ferramentas e fertilizantes.
Fonte: Rádio das Nações Unidas
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Águas começam a baixar depois das cheias no Paquistão13h26m - 2010 - 08 - 12As águas das inundações começaram hoje, quinta-feira, a recuar no Paquistão, depois de terem obrigado milhões de pessoas a deixarem as suas aldeias devastadas. A ONU lançou ontem, quarta-feira, um apelo de fundos no valor de 460 milhões de dólares para ajuda ao país. . Embora os alertas de cheias continuem em vigor até amanhã, sexta-feira, em algumas regiões do Sind (sul) e do Pendjab (centro), os meteorologistas prevêem a partir de agora chuvas mais dispersas."O nível das águas está a baixar nos rios de Sind e de Swat (noroeste)", sublinhou o chefe dos serviços meteorológicos paquistaneses, Arif Mehmood. . "O nível da água também está a baixar no rio de Chenab, no Pendjab. Mas deve aumentar na zona de Taunsa, embora sem atingir um nível perigoso", adiantou. . Segundo o governo, cerca de 14 milhões de pessoas foram afectadas pelas piores inundações nos últimos 80 anos. . "Calculamos que pelo menos dois milhões precisam de abrigo, o que já foi dado a um quarto dessas pessoas", declarou Maurizio Giuliano, porta-voz do gabinete de coordenação da ONU para os assuntos humanitários (OCHA). "A distribuição de tendas já começou no Penjab e está a ser preparada no Sind", disse ainda. . A ONU calcula o número de mortos em 1600 e o governo paquistanês já confirmou 1243 mortes. . . Inundações deixam quase 14 milhões desabrigados no Paquistão - 09/08/2010 21h40 UOL . . . . MundoONU prepara plano de ajuda ao PaquistãoAs Nações Unidas vão reunir-se de emergência para lançar um plano de ajuda internacional ao Paquistão. O Governo paquistanês admite que não tem recursos nem capacidade para ajudar três milhões de pessoas desalojadas pelas inundações e alcançar os locais isolados há mais de uma semana.RTP - 2010-08-03 20:33:42.. |
quarta-feira, janeiro 20, 2010
Por um outro modelo agrícola - Oswaldo Russo
Movimentos
Leia artigo em que Osvaldo Russo, ex-presidente do Incra, aponta a ineficiência do agronegócio e defende um novo projeto para o campo.
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Por Osvaldo Russo*
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Segundo a reportagem, o agronegócio representa 43,3% das exportações do país — o equivalente a U$$ 60 bilhões – e seus custos tiveram um crescimento elevadíssimo em comparação aos resultados da produção. Pra a safra 2009/2010, segundo o levantamento efetuado, o custo para concluir a produção nacional será maior do que o valor que pode ser obtido com a venda dela. Os recursos de financiamento público e privado somados ao orçamento do governo para incentivar a agropecuária, chegariam a quase R$ 170 bilhões. Enquanto isso, a receita que pode ser obtida com a venda de toda a produção nacional em 2010 estimada em R$ 156,8 bilhões – R$ 13,2 bilhões a menos.
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O déficit entre o que é gasto para produzir e o quanto a safra vale pode, segundo a reportagem, ser ainda maior, chegando a R$ 50 bilhões, se forem somados também empréstimos de trades e multinacionais, além de recursos próprios. Esse déficit é mais que o triplo do crédito para a agricultura familiar na safra 2009/2010 (R$ 15 bilhões).
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Apesar do assentamento, desde a criação do Incra em 1970, de 1 milhão de famílias rurais, das quais mais da metade de 2003 pra cá, os dados do Censo Agropecuário 2006, divulgados pelo IBGE, reafirmam, no entanto, o velho quadro da concentração fundiária no Brasil. As pequenas propriedades (com menos de 10 hectares) ocupam apenas 2,7% da área ocupada por estabelecimentos rurais, enquanto as grandes (com mais de 1.000 hectares) ocupam 43% da área total. O quadro de desigualdade é ressaltado pelo fato de as pequenas propriedades representarem 47% do total de estabelecimentos rurais, enquanto os latifúndios correspondem a apenas 0,9% desse total.
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Nos pequenos estabelecimentos (área inferior a 200 hectares) estão quase 85% dos trabalhadores empregados. Embora a soma das áreas dos pequenos estabelecimentos (área inferior a 200 hectares) represente apenas 30,3% do total das áreas, eles respondem por 84,4% das pessoas empregadas. Os dados também mostram que esses trabalhadores fazem parte da agricultura familiar, cujos 12,8 milhões de produtores e seus parentes representam 77% do total de pessoas ocupadas.
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Apesar de ocupar apenas ¼ da área, a agricultura familiar responde por 38% do valor da produção (R$ 54,4 bilhões). Mesmo cultivando uma área menor, a agricultura familiar é responsável por garantir a segurança alimentar do país gerando os produtos da cesta básica consumidos internamente. A agricultura familiar responde por 87% da produção de mandioca, 70% da produção de feijão, 46% do milho, 38% do café, 34% do arroz, 58% do leite, 59% do plantel de suínos, 50% das aves, 30% dos bovinos e, ainda, 21% do trigo. A cultura com menor participação da agricultura familiar foi a soja (16%).
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As informações do IBGE revelam também como a agricultura familiar é mais eficiente na utilização de suas terras: Geram um VBP de R$ 677/ha, enquanto que a não familiar gera um VBP de R$ 358/ha (89% a mais) Geram 15 postos de trabalho/100 ha, enquanto que a não familiar gera apenas 1,7 pessoas/100 ha.
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Não por coincidência, o aumento observado da devastação das nossas florestas foi maior no Norte e no Centro-Oeste, exatamente onde se deu a expansão da pecuária extensiva, da plantação de soja e das atividades do agronegócio. As exportações de commodities agrícolas transformaram a alimentação em mercadoria, gerando lucros fabulosos sem qualquer preocupação com a necessidade de alimentar as pessoas. Segundo a Organização para as Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), 1 bilhão de pessoas passam fome no mundo.
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A crise mundial do capital aponta para novas perspectivas de mobilização social e afirmação da agricultura camponesa como estratégica ao desenvolvimento sustentável, onde a reforma agrária tenha centralidade, democratizando a vida no campo, gerando empregos, respeitando o meio ambiente, promovendo o ser humano e produzindo alimentos saudáveis que garantam não só a segurança, mas a soberania alimentar do país. Os dados do Censo reafirmam a capacidade de resistência da agricultura familiar, que adota um modo de produção camponês diferente daquele do agronegócio, constituindo-se em uma das alternativas às crises econômicas, sociais, alimentares e ecológicas provocadas pela globalização capitalista.
Há necessidade, entretanto, de criação de um programa de incentivos para a organização de associações de agricultores familiares, garantindo o acesso dos camponeses e suas famílias a um sistema público, com a participação dos movimentos sociais. Para a viabilização desse novo modelo agrícola, é preciso apoiar a agricultura familiar para além do acesso ao crédito e acelerar, ampliar e qualificar a reforma agrária (a atualização dos índices de produtividade é apenas o passo inicial para possibilitar o aumento do estoque de terras reformáveis). É preciso, sobretudo, romper com o modelo atual, hegemonizado pelo agronegócio, priorizando a agroecologia e integrando a agricultura camponesa e familiar a um novo tipo de desenvolvimento sustentável.
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*Ex-presidente do Incra, é estatístico e coordenador do Núcleo Agrário Nacional do PT
Fonte:http://orusso.blog.uol.com.br
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quinta-feira, outubro 15, 2009
Total de 53 milhões de pessoas passará fome na A.Latina em 2009, diz FAO
14/10 - 14:17 - EFE
Santiago do Chile, 14 out (EFE).- Um total de 53 milhões de pessoas na América Latina e no Caribe passará fome em 2009, devido à alta dos preços dos alimentos e à crise financeira global, segundo um relatório publicado hoje pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO, na sigla em inglês).
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"Éramos a única região do mundo que estava progredindo na redução da fome até 2005 (...)", disse o diretor da FAO para a América Latina e o Caribe, o brasileiro José Graziano, que esclareceu que a região não sofre de escassez em alimentos, mas que as oportunidades de acesso a eles são restritas.
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Segundo Graziano, de 2006 a 2008, o número de pessoas desnutridas aumentou de 45 para 47 milhões, devido a um "aumento rapidíssimo" dos preços dos alimentos, que afetou, principalmente, a população mais pobre.
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Durante o último ano, auge dos efeitos da crise econômica, a quantidade de desnutridos seguiu aumentando na região, sobretudo devido à alta do desemprego e à ausência de programas sociais para enfrentar o problema.
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Apesar dos números negativos, Graziano se mostrou convencido de que a fome poderá ser erradicada na América Latina e no mundo dentro de um prazo que vai até 2025, embora seja necessário incorporar a luta contra a desnutrição nas políticas públicas dos países. EFE gs/pd
Mais de um bilhão de pessoas passam fome no mundo, diz ONU
14/10 - 12:41 - BBC Brasil
Mais de um bilhão de pessoas, cerca de um sexto da população mundial, sofre com a subnutrição de acordo com o relatório anual da Organização das Nações Unidas (ONU) a respeito de segurança alimentar, divulgado nesta quarta-feira.
O relatório elaborado pela FAO, a agência da ONU para alimentação e agricultura, afirma que o número de pessoas que sofre com a fome estava crescendo antes mesmo da crise econômica mundial, mas depois a situação piorou ainda mais.
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"A FAO estima que 1,02 bilhão de pessoas estão subnutridas no mundo todo em 2009", diz o documento, divulgado na sede da organização, em Roma. "Isto representa mais pessoas com fome do que em qualquer outra época desde 1970 e uma piora das tendências que já estavam presentes antes mesmo da crise econômica."
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"A meta da Cúpula Mundial sobre Alimentos (de 1996), de reduzir o número de pessoas subnutridas pela metade, para não mais do que 420 milhões até 2015, não será alcançada se as tendências que prevaleceram antes da crise continuarem", acrescentou o relatório.
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Quenianos fazem fila por comida em centro humanitário da ONU / Getty Images
A FAO afirma que as regiões da Ásia e Oceano Pacífico têm o maior número de pessoas subnutridas, 642 milhões, seguidas pela África Subsaariana, com 265 milhões de pessoas.
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No entanto, o relatório também afirma que alguns países apresentaram uma melhora dramática nos níveis de subnutrição desde 1990, incluindo Brasil, Vietnã, Arábia Saudita e México.
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"Nenhum país está imune e, como sempre, são os países mais pobres e as pessoas mais pobres que sofrem mais", diz o texto.
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Diminuição na ajuda
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O relatório da FAO foi lançado por ocasião do Dia Mundial da Alimentação, que ocorre na sexta-feira.
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O documento afirma também que a crise econômica reduziu a ajuda estrangeira e o investimento em países mais pobres, além de diminuir o envio de dinheiro dos que trabalham em países mais ricos.
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A agência da ONU afirma que é necessário mais esforço internacional para diminuir a fome no mundo e também pede mais investimentos internacionais em agricultura e dispositivos de segurança para a economia em países mais pobres "apesar dos problemas financeiros enfrentados por governos do mundo todo".
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Nesta quinta-feira, o diretor-geral da FAO Jacques Diouf deve apresentar uma série de propostas para ajudar os países mais afetados pela fome.
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Brasil
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O Índice Global de Fome, uma pesquisa publicada pela Unidade Internacional de Pesquisa em Política Alimentar (IFPRI, na sigla em inglês), revelou que a República Democrática do Congo foi o país com o maior aumento da fome desde 1990, seguido por Burundi, Comores (arquipélago no Oceano Índico) e o Zimbábue.
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Por outro lado, de acordo com o índice, alguns países demonstraram uma grande melhora nos níveis de subnutrição desde 1990. Em primeiro lugar está o Vietnã, seguido pelo Brasil.
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Ao citar as medidas adotadas pelo Brasil para a melhora nos níveis de subnutrição, o relatório cita programas do governo como o Fome Zero, o Bolsa Família, o Minha Casa, Minha Vida e também o aumento do salário mínimo.
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O relatório descreve também uma "crise no preço dos alimentos", pois estes preços se estabilizaram em um nível muito alto para muitas pessoas em países em desenvolvimento.
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E como solução, o documento sugere que dar mais poder para mais mulheres nos países em desenvolvimento, por meio de educação e mais acesso a empregos, é a chave para diminuir a fome no mundo.
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Leia mais sobre fome
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sexta-feira, julho 10, 2009
G8 considera própria ampliação e incentivos bilionários à agricultura
Mundo
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O G8, grupo formado pelos sete mais importantes países industrializados e a Rússia, se despede de sua pretensão de liderança solitária. As graves consequências da crise econômica mundial, a ameaça da catástrofe climática e as pretensas potências nucleares Irã e Coreia do Norte – essas e outras circunstâncias obrigam o G8 a acolher novos parceiros em seu meio elitista. Entre eles, o Brasil, a China e a Índia.
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Encabeçado pela chanceler federal alemã, Angela Merkel, e o presidente francês, Nicolas Sarkozy, o debate sobre o futuro do Grupo dos Oito inflamou-se no fechamento da cúpula em Áquila, nesta sexta-feira (10/07). São sobretudo os europeus a exigir mudanças, e eles encontram ressonância no chefe de Estado norte-americano, Barackk Obama.
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20 bilhões para a agricultura no Terceiro Mundo
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Em sua primeira participação na rodada das potências mundiais, Obama apresentou-se como força propulsora e "jogador de equipe" compreensivo. Ele colocou um acento próprio no terceiro e último dia da conferência, propondo uma iniciativa do G8 em favor dos agricultores do Terceiro Mundo.
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Cerca de 20 bilhões de dólares seriam dedicados ao aumento da produção agrícola, com o fim de tornar aqueles países independentes do ponto de vista da produção de alimentos.
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Trata-se de uma forma de incentivo à autoajuda. Entretanto, organizações humanitárias criticam os limites financeiros do projeto, especialmente por não estar claro quanto dos sugeridos 20 bilhões de dólares seria "dinheiro fresco".
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A verba seria concedida ao longo de três anos. Porém, "em face das proporções dramáticas da crise de fome, são necessários, no mínimo, 25 bilhões de dólares adicionais por ano", rebateu a Oxfam.
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Segundo a Organização Mundial de Alimentação e Agricultura, devido à crise financeira, o número dos que sofrem fome ultrapassou, pela primeira vez, a marca de 1 bilhão. Mas, apesar da crise, as nações industriais não pretendem reduzir suas contribuições humanitárias, pois o G8 cumpre suas promessas, assegurou Merkel.
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Clima no topo da lista
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Também no espírito de Obama veio a exigência veemente do G8 à Coreia do Norte e ao Irã para que encerrem seus programas atômicos. Caso contrário, em especial o Irã deverá contar com a imposição de sanções mais rigorosas.
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No tocante à política climática, a premiê Merkel elogiou a contribuição dos Estados Unidos, que sob o antecessor de Obama, George W, Bush, viera praticamente boicotando qualquer avanço no setor.
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Agora, não apenas os EUA, como também os países emergentes de maior porte estão convencidos da necessidade de adotar medidas efetivas contra o aquecimento global, durante a cúpula mundial do clima, em dezembro, em Copenhague.
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G8, G20 ou G14?
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Os países europeus foram os primeiros a expressar abertamente o desejo de ampliar o G8 durante a cúpula. Obama também declarou que consegue imaginar mudanças. A Rússia e a União Europeia, contudo, mostraram-se mais reticentes com a perspectiva, lembrando as vantagens de uma rodada de debates menor.
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O G8 inclui a Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão, Reino Unido e Rússia. Já a partir de 2011, quando a França estará ocupando a presidência do clube de elite, o presidente Sarkozy deseja estabelecer um Grupo dos 14. Este possivelmente incluiria os países do G5 (Brasil, África do Sul, China, Índia e México) e o Egito.
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Desde que a crise da economia mundial aniquilou valores bilionários, o G20, formado pelas nações de maior desempenho econômico, assumiu o gerenciamento de crise. Segundo Sarkozy, "o G8 não é mais suficientemente representativo para fazer frente à crise econômica".
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Merkel propôs que se estabeleça uma nova estrutura para a cúpula de 2010. Também em sua opinião há, no momento, demasiados encontros no nível dos chefes de governo e de Estado.
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AV/dpa
Mais artigos sobre o tema
terça-feira, junho 30, 2009
FAO: Produção agro-pecuária é das que mais cresce em África
| segunda-feira, 29 de Junho de 2009 | 16:40 |
O director-geral do Fundo das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) considerou hoje em Luanda o crescimento da produção agro-pecuária de Angola um dos "maiores" de África.
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Jacques Diouf, que chegou domingo a Luanda para uma visita oficial de dois dias, lembrou, no entanto, que Angola tem este crescimento a partir de uma base pequena, em resultado da prolongada guerra que o país viveu entre 1975 e 2002.
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No final de um encontro com os ministros da Agricultura, Pedro Kanga, e do Ambiente, Fátima Jardim, Diouf disse ainda que Angola é um país que normalmente deveria poder exportar produtos agro-pecuários, mas admitiu que "depois tantos anos de guerra civil, de destruições, não é possível em alguns anos mudar tudo isso".
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Nessa perspectiva, o senegalês ao serviço da ONU destacou a actividade levada a cabo por Angola na renovação das infra-estruturas, no desenvolvimento das capacidades, das estradas, dos sistemas de irrigação e de armazenamento de produtos agro-pecuários.
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"Sem estas infra-estruturas, não haverá uma agricultura competitiva e produtiva. E é isso que o Governo está fazendo. Há também um Programa Nacional de Alimentação e de nutrição, em que temos trabalhado com o Governo de Angola", frisou.
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Jacques Diouf considerou também a alta de preços dos alimentos um "problema geral", na medida que o seu impacto em 2007/2008 não permitiu à população pobre ter acesso a alimentos.
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Situação que diz ter sido agravada pela crise económica e financeira e que levou a um aumento do número de pessoas com fome, havendo agora "mais de mil milhões famintos no mundo".
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"Isso é uma situação que requer uma reunião ao mais alto nível dos chefes de Estado e de Governo, numa Cimeira que vamos organizar em Novembro, em Roma, Itália, para discutir essa situação", anunciou.
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Segundo o director-geral da FAO, os preços (dos alimentos) estão altos no mercado mundial, tendo baixado desde Junho de 2008, mas nos países em desenvolvimento, incluindo os de África, continuam "muito altos" devido à falta de "elasticidade da oferta" dos produtos agro-pecuários nos países em desenvolvimento.
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Questionado sobre o encontro que manteve com os dois governantes angolanos, Jacques Diouf disse ter sido "muito importante", sobretudo com a ministra do Ambiente porque o desenvolvimento da agricultura, incluindo o cultivo, produção pecuária, das pescas, do sector florestal, são actividades que têm uma relação "directa" com o meio ambiente, em particular o uso da água e das terras.
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Esta visita a Luanda enquadra-se na preparação da 26ª Conferência Regional da Organização para África, a decorrer em Angola em 2010.
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sábado, junho 27, 2009
Crise mundial não abranda em 2009 - Um em cada seis passa fome
«Não há falta de comida, há é falta de poder de compra», diz a FAO |
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Outros Títulos: • Vitória da luta no Peru • Cuba responsabiliza Obama • Irão acusa imperialistas de ingerência • ONG's exigem fim do bloqueio |
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in Avante 2009.06.25
terça-feira, agosto 19, 2008
Ao Brasil, notícias da fome na Etiópia



Agosto 18, 2008
Na Etiópia, onde trabalho em uma emergência nutricional com Médicos Sem Fronteiras (MSF), todos os dias me pergunto por onde anda a mão invisível e mágica do mercado global, o melhor regulador da economia. Nenhuma das pessoas que vi morrer de fome por aqui parecia conhecê-la. Em Kambata, no sul da Etiópia, fica bem clara uma das lógicas geradoras de fome (...) Por David Oliveira De Souza (*).
É CONSENSO para organizações internacionais como Unicef e FAO (Fundo das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação) que a produção mundial de alimentos é mais que suficiente para cobrir as necessidades terrestres. Porém, durante a leitura deste artigo, 60 crianças no planeta morrerão de desnutrição e, ao fim do dia, serão quase 20 mil. Na Etiópia, onde trabalho em uma emergência nutricional com Médicos Sem Fronteiras (MSF), todos os dias me pergunto por onde anda a mão invisível e mágica do mercado global, o melhor regulador da economia. Nenhuma das pessoas que vi morrer de fome por aqui parecia conhecê-la. Em Kambata, no sul da Etiópia, fica bem clara uma das lógicas geradoras de fome.
Dedicadas à produção de gengibre para o mercado externo, muitas famílias de pequenos produtores deixaram de produzir comida para consumo próprio, imaginando que, com a venda da colheita, poderiam comprar os insumos necessários a seu sustento. O preço do gengibre, contudo, ficou abaixo do esperado, o custo dos alimentos subiu, agravado pela crise mundial e pelo clima local e, como resultado, a fome chegou.
Crise semelhante se deu no Níger, em 2005, onde à insuficiente produção de subsistência uniram-se a seca e os ataques de gafanhotos à lavoura. Nesse país, onde MSF já cuidou de mais de 500 mil crianças desnutridas, ao mesmo porto de onde partiam navios abarrotados de cereais para exportação chegavam carregamentos de ajuda alimentar para a faminta população local. Embora o aumento do custo dos alimentos seja um importante fator de crise, é preciso lembrar que ele apenas agrava uma situação crônica.
Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), a desnutrição representa 10% de todas as doenças e já vem sendo há muito tempo negligenciada pela comunidade internacional. De acordo com a Campanha de Acesso a Medicamentos Essenciais, iniciativa de MSF, apenas 3% dos 20 milhões de crianças com desnutrição severa recebem o tratamento recomendado pela ONU.
Quando a escassez de comida é intensa, as famílias reduzem o número de refeições e precisam abrir mão de bens essenciais, como gado e até a própria casa. Se a situação piora, as estruturas da comunidade entram em colapso, aumenta a violência, iniciam-se grandes ondas migratórias e os indivíduos menos valorizados na cadeia produtiva, como meninas e órfãos, tendem à marginalização.
O momento final e mais grave ocorre quando há falta absoluta de alimentos, afetando uma grande população por um longo período. Nesse caso, o cenário é desolador, e a mortalidade, altíssima. Em um acelerado processo de degradação humana, parte de um povo vai sendo consumido e sua descendência poderá ter a capacidade cognitiva prejudicada pela falta de acesso aos nutrientes adequados.
Aqui em Kambata, diariamente mais de 3.000 pessoas procuram nossos centros de nutrição. Há dias que precisamos interromper as atividades, com medo de perder o controle da multidão desesperada. Alguns pacientes estão tão fracos que nem conseguem engolir.
É difícil descrever a aparência da fome. A criança desnutrida é triste, parada, tem cara de velhinho e, algumas, por causa da carência protéica, ficam com as pernas e o rosto inchados. Mesmo assim, é possível salvar muitas vidas e, especialmente no caso das crianças, após duas semanas de tratamento, o rosto muda tanto que quase não dá para reconhecer. Duas identidades me são evocadas no trabalho na Etiópia. A de médico e a de brasileiro. A de médico de MSF Brasil me faz lembrar que é muitas vezes nos centros de saúde que fenômenos como a fome e a violência mostram sua cara mais feia e que, embora sejam essenciais programas de desenvolvimento para evitar as crises, eles não devem ser feitos em detrimento de respostas emergenciais necessárias.
A de cidadão brasileiro me faz desejar que nosso país, que tem produzido algumas tecnologias bem-sucedidas de combate à pobreza e à fome, seja mais proativo em sua política de cooperação com outras nações do Sul. O Brasil que precisa de ajuda também tem condições de ajudar.
Há alguns dias, perdemos Mamushe, uma menina com nove anos, desnutrição severa e ares de princesa etíope. Sempre que Mamushe me perguntava onde era o Brasil, eu respondia: "Longe". Na madrugada em que tentei reanimá-la, o corpo fraquinho não resistiu e se foi. Ao ouvir o pranto de sua mãe, lembrei-me de uma frase proferida pelo escritor moçambicano Mia Couto na ocasião do tsunami: "Nunca é longe o lugar de onde nos chega um grito de apelo. O sofrimento atingiu também a nós. O vosso luto é o nosso luto".
(*) David Oliveira de Souza,, 32, é médico e responsável pela Unidade Médica de Médicos Sem Fronteiras no Brasil. Especialista em medicina de família e comunidade pela UERJ e em clínica médica pela UFRJ, mestre em relações internacionais pelo Instituto de Estudos Políticos de Paris, é professor de saúde coletiva da Universidade Federal de Sergipe. Publicado na Folha de S. Paulo em 17/08/2008 (clique aqui para ver a referência).
