A Internacional

__ dementesim . . Do rio que tudo arrasta se diz que é violento Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem. . _____ . Quem luta pelo comunismo Deve saber lutar e não lutar, Dizer a verdade e não dizer a verdade, Prestar serviços e recusar serviços, Ter fé e não ter fé, Expor-se ao perigo e evitá-lo, Ser reconhecido e não ser reconhecido. Quem luta pelo comunismo . . Só tem uma verdade: A de lutar pelo comunismo. . . Bertold Brecht
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sábado, dezembro 22, 2012

Nova «revolução verde» da FAO tinge de luto os países pobres e enche os cofres da Monsanto, de Bill Gates e de Kofi Annan


Ana Caracala*, engenheira de recursos genéticos vegetais, a trabalhar com a FAO há 10 anos, explicou, num artigo publicado na Revista Rubra, como a velha e a nova «revolução verde» da FAO tingem de luto os países pobres e enchem os cofres da Monsanto, de Bill Gates e de Kofi Annan…

Tinha chegado a Roma tarde, naquele dia. Jantei perto da sede da FAO, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura, na esquina da rua do meu hotel. O empregado, habituado a servir quadros da FAO, perguntou-me: «Então vem para uma reunião na FAO?» «Sim», disse eu. Com os dedos juntos e a mão erguida à altura da boca, como quem gesticula a celebrar uma boa comida, disse numa sonora gargalhada, «Ah, l’organizzazione della fame che mangia, che mangia!» (Ah, a organização da fome, que come, que come).
Este ano (2009) há 900 milhões de seres humanos a passar fome, seis décadas depois da criação da FAO. Em Outubro de 1945, quando a FAO foi criada, havia 80 milhões. Para que serviu a FAO? Nos anos 60, a FAO lançou o Programa Revolução Verde, que apontava a agricultura com recurso a variedades melhoradas, adubos, biocidas e maquinaria como a solução para a escassez alimentar. A «revolução verde» garantiu a reconversão da indústria de guerra – as fábricas de explosivos transformaram-se em fábricas de adubos (ambos usam nitrogénio); as fábricas de tanques passaram a fabricar tractores – e encontrou mercados para escoar essa produção.
Mas como hoje dolorosamente os dados mostram, a revolução verde só piorou o problema da fome. Na verdade tirou terra a milhões de camponeses que tiveram de ir para as cidades, onde é precisa mão-de-obra barata, e deixou as terras agrícolas livres para serem ocupadas por grandes proprietários e multinacionais, sendo ocupadas em monoculturas. Em Setembro de 2006, as Fundações Rockefeller e Bill e Melinda Gates criaram a Aliança para a Revolução Verde na África (AGRA).Sedeada em Nairobi, no Quénia, a AGRA, registada como organização humanitária, passou a ser presidida, a partir de Junho de 2007, por Kofi Annan. O objectivo da AGRA – que para tal já disponibilizou mais de 150 milhões de dólares – é produzir variedades geneticamente modificadas de milho, mandioca, arroz, trigo, banana-da-terra. O negócio das sementes é tão rentável que Bill Gates investiu 30 milhões de dólares no Banco Mundial de Sementes construído nas ilhas Spitzbergen. As espécies são patenteadas e dependentes de químicos e fertilizantes, cuja produção está ligada às empresas que se juntam na AGRA. A Monsanto à cabeça, mas todas as outras que produzem fertilizantes, pesticidas, etc: Cargill, Archer Daniels Midland, Mosaic.
Destruição da soberania alimentar
No calor das revoltas contra a fome, em Junho de 2008, a FAO organizou a Conferência de Alto Nível sobre Segurança Alimentar Mundial (www.fao.org/foodclimate/hlc-home/en), em Roma. Da reunião saiu a assinatura de um acordo entre o Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola (FIDA), o Programa Alimentar Mundial (PAM) (MOU) e…a Aliança para a Revolução Verde na África (AGRA), das Fundações Rockefeller e Gates. Objectivo: fazer a II Revolução Verde na África, ou seja, a introdução maciça de OGM e fertilizantes na agricultura para elevar as taxas de lucro. Em 2008, a Monsanto duplicou os lucros. A Oxfam, conhecida organização de «ajuda» humanitária, considerou a conferência «um passo importante para controlar a crise alimentar» (Rome summit ‘important first step’ but much more needed says Oxfam, Oxfam Press Release, 5 de Junho de 2008). Maryam Rahmanian, do Centro Iraniano para o Desenvolvimentno Sustentável, lamentou: «Estamos chocados e revoltados por vermos a crise alimentar usada para promover as políticas que nos conduziram a essa crise alimentar» (Farmers ‘disgusted’ with food summit, Daily Despatch Online, 7 de Junho de 2008).
Quem trabalha na área agrícola sabe que os OGM estão para as variedades locais tradicionais como os carros de luxo para as bicicletas. As sementes, patenteadas, não são produzidas pelos meios naturais de polinização/fecundação/frutificação que a Natureza tão arduamente desenvolveu, mas por técnicas laboratoriais sofisticadas – tão sofisticadas que os OGM chegam a produzir sementes não férteis. Mariam Mayet, do Centro Africano para a Biossegurança, lembra como «o facto de as sementes se auto- reproduzirem faz que seja extremamente difícil para o capitalismo controlar o componente central do sector agrícola». Para produzirem colheitas rentáveis, os OGM requerem conhecimentos agrícolas e factores de produção sofisticados, que não estão ao alcance dos agricultores dos países pobres. O mal que os OGMs fazem à saúde começa na fome generalizada que provocam – afinal não é a subnutrição a principal causa das doenças no Mundo?
Monoculturas em abundância Os projectos da FAO chegam a ter 90% do orçamento destinados aos salários dos técnicos.
Os técnicos da FAO prestam assessoria na área agrícola, advogando soluções que enriquecem os países centrais. Por exemplo, na década de 90 Marrocos foi aconselhado a substituir o sobreiro por eucalipto para produção de pasta de papel, quando o país era um consumidor irrisório de produtos de papel; o mesmo se passou com a plantação de café e chá na Etiópia quando o país, pela disposição montanhosa, tem nos vales alguns dos solos mais férteis de África.
A FAO acusa os países pobres de desflorestarem, mas na confusão das estatísticas, esquece-se de dizer que são as empresa suecas, finlandesas, alemãs que estão a desflorestar o Brasil e a Ásia, enquanto as florestas dos países ricos, bem estratégico para as burguesia nacionais, são bem geridas. O facto é vendido aos povos europeus como um exemplo de civismo e de governação ecologista do Norte da Europa.
A FAO não é a organização das Nações Unidas para, como diz o seu lema, «ajudar a construir um Mundo sem fome», mas sim um satélite da ONU para escoar o excedente agrícola dos países europeus e dos EUA – despejado nos países pobres, pelas ONG, destruindo a agricultura local, incapaz de competir com os nossos subsídios; promover a industrialização do campo nos países pobres, exclusivamente controlada pelas multinacionais dos países ocidentais e garantir que numa época de guerra estes países são absolutamente dependentes do ponto de vista alimentar. A fome é uma arma dos países centrais para submeter os países pobres, por isso, o balanço da criação da FAO, mais de 60 anos depois é, para a Europa e os EUA o melhor – de 80 milhões passou-se para 900 milhões de famintos.
A miséria não é um anátema e muito menos a consequência de alguma preguiça endógena. Na moral do cidadão bem instalado, um pobre preguiçoso é um malandro, um rico é um … diletante. Os pobres que encontrem um cantinho de terra fértil e com água trabalham, cultivam e não morrem de fome. Os países mais devastados pela fome crónica são países onde os melhores solos agrícolas estão nas mãos de multinacionais. Os bons solos agrícolas usurpados aos pobres são ocupados na produção de culturas alimentarmente secundárias como chá, café, cacau, tabaco, fibras para vestuário, ou supérfluas, como produtos para cosmética, alimentos para animais de estimação, flores, estupefacientes, etc.
O acesso dos pobres à terra cultivável, a preservação e o incentivo ao cultivo das variedades regionais, enfim, uma política que permita à grande maioria da humanidade ter terra onde cultivar o seu sustento, isso é que é combater a fome. E não passa pela FAO, mas pelo fim das políticas dirigidas pela FAO, a organização que come, come.
* O nome foi alterado para protecção da privacidade.

sábado, fevereiro 12, 2011

FAO: Crise alimentar pode intensificar violência em países pobres

Geral

Vermelho - 12 de Fevereiro de 2011 - 13h34

O Fundo da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) no Brasil apoia a proposta para a regulamentação dos preços dos alimentos no mercado internacional. O representante da FAO no Brasil, Helder Mutéia, explica que a alta instabilidade dos preços nos mercados pode levar a população que vive em regiões de extrema pobreza a protestos violentos. Segundo a entidade, o preço internacional de alimentos chegou ao seu maior valor em 20 anos.

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“A crise alimentar leva à violência os países mais pobres, nesses países a população gasta mais de 70% de sua renda em alimentos. Não podemos deixar os preços dos alimentos subirem cada vez mais. Queremos resolver a situação dos preços tanto para quem produz quanto para quem consome,” disse.

Segundo ele, o momento exige cautela. “Precisamos tomar atitudes para evitar uma crise e fazer um planejamento de longo prazo, não queremos brigar com os mercados, mas melhorar a maneira que os mercados funcionam”, disse o representante.

A regulação do preço dos alimentos é apoiada pela FAO e pelo comércio mundial. A Organização Mundial do Comércio (OMC) tem um papel fundamental de regular a compra e venda de alimentos no Brasil.

Fonte: Agência Brasil
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quinta-feira, agosto 12, 2010

FAO alerta para o risco de fome de milhões de paquistaneses

 

Mundo

Vermelho - 12 de Agosto de 2010 - 19h03

As colheitas estão perdidas em várias zonas alagadas pelas monções e mais de 13 milhões de pessoas correm risco de fome se não houver uma resposta imediata da ajuda internacional ao Paquistão.

A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, FAO, lançou um alerta ao mundo sobre o risco de fome que correm milhões de pessoas vítimas das cheias que resultam das monções no Paquistão.

Segundo a FAO, 13,8 milhões de pessoas terão ficado directamente afectadas por esta catástrofe e a contagem ainda não acabou.

Culturas em risco

A devastação provocada pelas cheias no norte e centro do país poderá ter consequências maiores à medida que as enchentes atingirem o sul do país.

Em consequência, estão perdidas todas as culturas em várias regiões afectadas e milhares de animais morreram.

Cerca de 700 mil hectares de terrenos cultivados estão agora submersos ou destruídos. Os animais que sobreviveram não têm o que comer.

Está em risco a próxima colheita de trigo, prevista para o Outono, naquela que é considerada a mais produtiva região do país.

Prioridade ao gado

O responsável pelos programas da FAO no Paquistão, David Doolan, declarou que "as primeiras estimativas apontam para a perda das colheitas e do gado. As consequências para a segurança alimentar das populações locais serão muito graves, uma vez que os preços dos alimentos começaram imediatamente a subir".

Doolan acrescentou que "mais de 75% da população afectada depende da agricultura. A prioridade da FAO é assegurar a manutenção do gado que sobreviveu".

A FAO pediu aos doadores internacionais US$ 5,7 milhões para medidas imediatas que assegurem a sobrevivência dos animais uma vez que o gado tem uma enorme importância na economia local, não só pelo seu papel como alimento como também porque muitas vezes representam as economias de famílias inteiras.

Até ao momento, a FAO reuniu US$ 1,6 milhão para as necessidades imediatas e em antecipação à próxima campanha, de forma a beneficiar 25 mil agricultores com sementes, ferramentas e fertilizantes.

Fonte: Rádio das Nações Unidas
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Águas começam a baixar depois das cheias no Paquistão

13h26m - 2010 - 08 - 12

As águas das inundações começaram hoje, quinta-feira, a recuar no Paquistão, depois de terem obrigado milhões de pessoas a deixarem as suas aldeias devastadas. A ONU lançou ontem, quarta-feira, um apelo de fundos no valor de 460 milhões de dólares para ajuda ao país.
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Embora os alertas de cheias continuem em vigor até amanhã, sexta-feira, em algumas regiões do Sind (sul) e do Pendjab (centro), os meteorologistas prevêem a partir de agora chuvas mais dispersas.
"O nível das águas está a baixar nos rios de Sind e de Swat (noroeste)", sublinhou o chefe dos serviços meteorológicos paquistaneses, Arif Mehmood.
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"O nível da água também está a baixar no rio de Chenab, no Pendjab. Mas deve aumentar na zona de Taunsa, embora sem atingir um nível perigoso", adiantou.
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Segundo o governo, cerca de 14 milhões de pessoas foram afectadas pelas piores inundações nos últimos 80 anos.
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"Calculamos que pelo menos dois milhões precisam de abrigo, o que já foi dado a um quarto dessas pessoas", declarou Maurizio Giuliano, porta-voz do gabinete de coordenação da ONU para os assuntos humanitários (OCHA). "A distribuição de tendas já começou no Penjab e está a ser preparada no Sind", disse ainda.
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A ONU calcula o número de mortos em 1600 e o governo paquistanês já confirmou 1243 mortes.
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Inundações deixam quase 14 milhões desabrigados no Paquistão - 09/08/2010 21h40 UOL
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Mundo

ONU prepara plano de ajuda ao Paquistão

As Nações Unidas vão reunir-se de emergência para lançar um plano de ajuda internacional ao Paquistão. O Governo paquistanês admite que não tem recursos nem capacidade para ajudar três milhões de pessoas desalojadas pelas inundações e alcançar os locais isolados há mais de uma semana.

RTP - 2010-08-03 20:33:42
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quarta-feira, janeiro 20, 2010

Por um outro modelo agrícola - Oswaldo Russo

Movimentos

Vermelho - 5 de Janeiro de 2010 - 13h12


Leia artigo em que Osvaldo Russo, ex-presidente do Incra, aponta a ineficiência do agronegócio e defende um novo projeto para o campo.

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Reportagem do Correio Braziliense de 4/1/2009, sob o título “Maldição da lavoura”, sugere que “o desafio da década para o governo será reverter o alto custo de financiamento do agronegócio, hoje maior que o valor da própria safra”. Isso traz à luz o debate sobre novos paradigmas para a agricultura, em especial em relação aos modelos da agroecologia/agricultura familiar e do agronegócio/agricultura empresarial.
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Por Osvaldo Russo*
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Segundo a reportagem, o agronegócio representa 43,3% das exportações do país — o equivalente a U$$ 60 bilhões – e seus custos tiveram um crescimento elevadíssimo em comparação aos resultados da produção. Pra a safra 2009/2010, segundo o levantamento efetuado, o custo para concluir a produção nacional será maior do que o valor que pode ser obtido com a venda dela. Os recursos de financiamento público e privado somados ao orçamento do governo para incentivar a agropecuária, chegariam a quase R$ 170 bilhões. Enquanto isso, a receita que pode ser obtida com a venda de toda a produção nacional em 2010 estimada em R$ 156,8 bilhões – R$ 13,2 bilhões a menos.
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O déficit entre o que é gasto para produzir e o quanto a safra vale pode, segundo a reportagem, ser ainda maior, chegando a R$ 50 bilhões, se forem somados também empréstimos de trades e multinacionais, além de recursos próprios. Esse déficit é mais que o triplo do crédito para a agricultura familiar na safra 2009/2010 (R$ 15 bilhões).
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Apesar do assentamento, desde a criação do Incra em 1970, de 1 milhão de famílias rurais, das quais mais da metade de 2003 pra cá, os dados do Censo Agropecuário 2006, divulgados pelo IBGE, reafirmam, no entanto, o velho quadro da concentração fundiária no Brasil. As pequenas propriedades (com menos de 10 hectares) ocupam apenas 2,7% da área ocupada por estabelecimentos rurais, enquanto as grandes (com mais de 1.000 hectares) ocupam 43% da área total. O quadro de desigualdade é ressaltado pelo fato de as pequenas propriedades representarem 47% do total de estabelecimentos rurais, enquanto os latifúndios correspondem a apenas 0,9% desse total.
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Nos pequenos estabelecimentos (área inferior a 200 hectares) estão quase 85% dos trabalhadores empregados. Embora a soma das áreas dos pequenos estabelecimentos (área inferior a 200 hectares) represente apenas 30,3% do total das áreas, eles respondem por 84,4% das pessoas empregadas. Os dados também mostram que esses trabalhadores fazem parte da agricultura familiar, cujos 12,8 milhões de produtores e seus parentes representam 77% do total de pessoas ocupadas.
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Apesar de ocupar apenas ¼ da área, a agricultura familiar responde por 38% do valor da produção (R$ 54,4 bilhões). Mesmo cultivando uma área menor, a agricultura familiar é responsável por garantir a segurança alimentar do país gerando os produtos da cesta básica consumidos internamente. A agricultura familiar responde por 87% da produção de mandioca, 70% da produção de feijão, 46% do milho, 38% do café, 34% do arroz, 58% do leite, 59% do plantel de suínos, 50% das aves, 30% dos bovinos e, ainda, 21% do trigo. A cultura com menor participação da agricultura familiar foi a soja (16%).
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As informações do IBGE revelam também como a agricultura familiar é mais eficiente na utilização de suas terras: Geram um VBP de R$ 677/ha, enquanto que a não familiar gera um VBP de R$ 358/ha (89% a mais) Geram 15 postos de trabalho/100 ha, enquanto que a não familiar gera apenas 1,7 pessoas/100 ha.
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Não por coincidência, o aumento observado da devastação das nossas florestas foi maior no Norte e no Centro-Oeste, exatamente onde se deu a expansão da pecuária extensiva, da plantação de soja e das atividades do agronegócio. As exportações de commodities agrícolas transformaram a alimentação em mercadoria, gerando lucros fabulosos sem qualquer preocupação com a necessidade de alimentar as pessoas. Segundo a Organização para as Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), 1 bilhão de pessoas passam fome no mundo.
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A crise mundial do capital aponta para novas perspectivas de mobilização social e afirmação da agricultura camponesa como estratégica ao desenvolvimento sustentável, onde a reforma agrária tenha centralidade, democratizando a vida no campo, gerando empregos, respeitando o meio ambiente, promovendo o ser humano e produzindo alimentos saudáveis que garantam não só a segurança, mas a soberania alimentar do país. Os dados do Censo reafirmam a capacidade de resistência da agricultura familiar, que adota um modo de produção camponês diferente daquele do agronegócio, constituindo-se em uma das alternativas às crises econômicas, sociais, alimentares e ecológicas provocadas pela globalização capitalista.

Há necessidade, entretanto, de criação de um programa de incentivos para a organização de associações de agricultores familiares, garantindo o acesso dos camponeses e suas famílias a um sistema público, com a participação dos movimentos sociais. Para a viabilização desse novo modelo agrícola, é preciso apoiar a agricultura familiar para além do acesso ao crédito e acelerar, ampliar e qualificar a reforma agrária (a atualização dos índices de produtividade é apenas o passo inicial para possibilitar o aumento do estoque de terras reformáveis). É preciso, sobretudo, romper com o modelo atual, hegemonizado pelo agronegócio, priorizando a agroecologia e integrando a agricultura camponesa e familiar a um novo tipo de desenvolvimento sustentável.
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*Ex-presidente do Incra, é estatístico e coordenador do Núcleo Agrário Nacional do PT

Fonte:http://orusso.blog.uol.com.br

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quinta-feira, outubro 15, 2009

Total de 53 milhões de pessoas passará fome na A.Latina em 2009, diz FAO

14/10 - 14:17 - EFE

EFE - v1


Santiago do Chile, 14 out (EFE).- Um total de 53 milhões de pessoas na América Latina e no Caribe passará fome em 2009, devido à alta dos preços dos alimentos e à crise financeira global, segundo um relatório publicado hoje pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO, na sigla em inglês).

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O documento aponta que a crise de acesso aos alimentos "persiste e se aprofundou" nos últimos três anos. Em 2009, 6 milhões de pessoas a mais passarão fome na região, em comparação com 2008.
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"Éramos a única região do mundo que estava progredindo na redução da fome até 2005 (...)", disse o diretor da FAO para a América Latina e o Caribe, o brasileiro José Graziano, que esclareceu que a região não sofre de escassez em alimentos, mas que as oportunidades de acesso a eles são restritas.
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Segundo Graziano, de 2006 a 2008, o número de pessoas desnutridas aumentou de 45 para 47 milhões, devido a um "aumento rapidíssimo" dos preços dos alimentos, que afetou, principalmente, a população mais pobre.
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Durante o último ano, auge dos efeitos da crise econômica, a quantidade de desnutridos seguiu aumentando na região, sobretudo devido à alta do desemprego e à ausência de programas sociais para enfrentar o problema.
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Apesar dos números negativos, Graziano se mostrou convencido de que a fome poderá ser erradicada na América Latina e no mundo dentro de um prazo que vai até 2025, embora seja necessário incorporar a luta contra a desnutrição nas políticas públicas dos países. EFE gs/pd



Mais de um bilhão de pessoas passam fome no mundo, diz ONU



14/10 - 12:41 - BBC Brasil

BBC BRASIL

Mais de um bilhão de pessoas, cerca de um sexto da população mundial, sofre com a subnutrição de acordo com o relatório anual da Organização das Nações Unidas (ONU) a respeito de segurança alimentar, divulgado nesta quarta-feira.

O relatório elaborado pela FAO, a agência da ONU para alimentação e agricultura, afirma que o número de pessoas que sofre com a fome estava crescendo antes mesmo da crise econômica mundial, mas depois a situação piorou ainda mais.

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"A FAO estima que 1,02 bilhão de pessoas estão subnutridas no mundo todo em 2009", diz o documento, divulgado na sede da organização, em Roma. "Isto representa mais pessoas com fome do que em qualquer outra época desde 1970 e uma piora das tendências que já estavam presentes antes mesmo da crise econômica."

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"A meta da Cúpula Mundial sobre Alimentos (de 1996), de reduzir o número de pessoas subnutridas pela metade, para não mais do que 420 milhões até 2015, não será alcançada se as tendências que prevaleceram antes da crise continuarem", acrescentou o relatório.

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Quenianos fazem fila por comida em centro humanitário da ONU / Getty Images

A FAO afirma que as regiões da Ásia e Oceano Pacífico têm o maior número de pessoas subnutridas, 642 milhões, seguidas pela África Subsaariana, com 265 milhões de pessoas.

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No entanto, o relatório também afirma que alguns países apresentaram uma melhora dramática nos níveis de subnutrição desde 1990, incluindo Brasil, Vietnã, Arábia Saudita e México.

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"Nenhum país está imune e, como sempre, são os países mais pobres e as pessoas mais pobres que sofrem mais", diz o texto.

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Diminuição na ajuda

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O relatório da FAO foi lançado por ocasião do Dia Mundial da Alimentação, que ocorre na sexta-feira.

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O documento afirma também que a crise econômica reduziu a ajuda estrangeira e o investimento em países mais pobres, além de diminuir o envio de dinheiro dos que trabalham em países mais ricos.

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A agência da ONU afirma que é necessário mais esforço internacional para diminuir a fome no mundo e também pede mais investimentos internacionais em agricultura e dispositivos de segurança para a economia em países mais pobres "apesar dos problemas financeiros enfrentados por governos do mundo todo".

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Nesta quinta-feira, o diretor-geral da FAO Jacques Diouf deve apresentar uma série de propostas para ajudar os países mais afetados pela fome.

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Brasil

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O Índice Global de Fome, uma pesquisa publicada pela Unidade Internacional de Pesquisa em Política Alimentar (IFPRI, na sigla em inglês), revelou que a República Democrática do Congo foi o país com o maior aumento da fome desde 1990, seguido por Burundi, Comores (arquipélago no Oceano Índico) e o Zimbábue.

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Por outro lado, de acordo com o índice, alguns países demonstraram uma grande melhora nos níveis de subnutrição desde 1990. Em primeiro lugar está o Vietnã, seguido pelo Brasil.

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Ao citar as medidas adotadas pelo Brasil para a melhora nos níveis de subnutrição, o relatório cita programas do governo como o Fome Zero, o Bolsa Família, o Minha Casa, Minha Vida e também o aumento do salário mínimo.

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O relatório descreve também uma "crise no preço dos alimentos", pois estes preços se estabilizaram em um nível muito alto para muitas pessoas em países em desenvolvimento.

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E como solução, o documento sugere que dar mais poder para mais mulheres nos países em desenvolvimento, por meio de educação e mais acesso a empregos, é a chave para diminuir a fome no mundo.

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Leia mais sobre fome

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sexta-feira, julho 10, 2009

G8 considera própria ampliação e incentivos bilionários à agricultura

Mundo

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Grupo das maiores potências industriais encerrou cúpula em Áquila com sugestões para combater problemas do clima e da fome. Propostos 20 bilhões para autoajuda no 3º Mundo. Grêmio considera também sua própria ampliação.

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O G8, grupo formado pelos sete mais importantes países industrializados e a Rússia, se despede de sua pretensão de liderança solitária. As graves consequências da crise econômica mundial, a ameaça da catástrofe climática e as pretensas potências nucleares Irã e Coreia do Norte – essas e outras circunstâncias obrigam o G8 a acolher novos parceiros em seu meio elitista. Entre eles, o Brasil, a China e a Índia.

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Encabeçado pela chanceler federal alemã, Angela Merkel, e o presidente francês, Nicolas Sarkozy, o debate sobre o futuro do Grupo dos Oito inflamou-se no fechamento da cúpula em Áquila, nesta sexta-feira (10/07). São sobretudo os europeus a exigir mudanças, e eles encontram ressonância no chefe de Estado norte-americano, Barackk Obama.

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20 bilhões para a agricultura no Terceiro Mundo

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Em sua primeira participação na rodada das potências mundiais, Obama apresentou-se como força propulsora e "jogador de equipe" compreensivo. Ele colocou um acento próprio no terceiro e último dia da conferência, propondo uma iniciativa do G8 em favor dos agricultores do Terceiro Mundo.

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Cerca de 20 bilhões de dólares seriam dedicados ao aumento da produção agrícola, com o fim de tornar aqueles países independentes do ponto de vista da produção de alimentos.

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Trata-se de uma forma de incentivo à autoajuda. Entretanto, organizações humanitárias criticam os limites financeiros do projeto, especialmente por não estar claro quanto dos sugeridos 20 bilhões de dólares seria "dinheiro fresco".

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A verba seria concedida ao longo de três anos. Porém, "em face das proporções dramáticas da crise de fome, são necessários, no mínimo, 25 bilhões de dólares adicionais por ano", rebateu a Oxfam.

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Segundo a Organização Mundial de Alimentação e Agricultura, devido à crise financeira, o número dos que sofrem fome ultrapassou, pela primeira vez, a marca de 1 bilhão. Mas, apesar da crise, as nações industriais não pretendem reduzir suas contribuições humanitárias, pois o G8 cumpre suas promessas, assegurou Merkel.

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Clima no topo da lista

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Também no espírito de Obama veio a exigência veemente do G8 à Coreia do Norte e ao Irã para que encerrem seus programas atômicos. Caso contrário, em especial o Irã deverá contar com a imposição de sanções mais rigorosas.

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No tocante à política climática, a premiê Merkel elogiou a contribuição dos Estados Unidos, que sob o antecessor de Obama, George W, Bush, viera praticamente boicotando qualquer avanço no setor.

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Agora, não apenas os EUA, como também os países emergentes de maior porte estão convencidos da necessidade de adotar medidas efetivas contra o aquecimento global, durante a cúpula mundial do clima, em dezembro, em Copenhague.

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G8, G20 ou G14?

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Os países europeus foram os primeiros a expressar abertamente o desejo de ampliar o G8 durante a cúpula. Obama também declarou que consegue imaginar mudanças. A Rússia e a União Europeia, contudo, mostraram-se mais reticentes com a perspectiva, lembrando as vantagens de uma rodada de debates menor.

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O G8 inclui a Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão, Reino Unido e Rússia. Já a partir de 2011, quando a França estará ocupando a presidência do clube de elite, o presidente Sarkozy deseja estabelecer um Grupo dos 14. Este possivelmente incluiria os países do G5 (Brasil, África do Sul, China, Índia e México) e o Egito.

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Desde que a crise da economia mundial aniquilou valores bilionários, o G20, formado pelas nações de maior desempenho econômico, assumiu o gerenciamento de crise. Segundo Sarkozy, "o G8 não é mais suficientemente representativo para fazer frente à crise econômica".

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Merkel propôs que se estabeleça uma nova estrutura para a cúpula de 2010. Também em sua opinião há, no momento, demasiados encontros no nível dos chefes de governo e de Estado.

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AV/dpa

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terça-feira, junho 30, 2009

FAO: Produção agro-pecuária é das que mais cresce em África

segunda-feira, 29 de Junho de 2009 | 16:40

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O director-geral do Fundo das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) considerou hoje em Luanda o crescimento da produção agro-pecuária de Angola um dos "maiores" de África.
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Jacques Diouf, que chegou domingo a Luanda para uma visita oficial de dois dias, lembrou, no entanto, que Angola tem este crescimento a partir de uma base pequena, em resultado da prolongada guerra que o país viveu entre 1975 e 2002.

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No final de um encontro com os ministros da Agricultura, Pedro Kanga, e do Ambiente, Fátima Jardim, Diouf disse ainda que Angola é um país que normalmente deveria poder exportar produtos agro-pecuários, mas admitiu que "depois tantos anos de guerra civil, de destruições, não é possível em alguns anos mudar tudo isso".

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Nessa perspectiva, o senegalês ao serviço da ONU destacou a actividade levada a cabo por Angola na renovação das infra-estruturas, no desenvolvimento das capacidades, das estradas, dos sistemas de irrigação e de armazenamento de produtos agro-pecuários.

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"Sem estas infra-estruturas, não haverá uma agricultura competitiva e produtiva. E é isso que o Governo está fazendo. Há também um Programa Nacional de Alimentação e de nutrição, em que temos trabalhado com o Governo de Angola", frisou.

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Jacques Diouf considerou também a alta de preços dos alimentos um "problema geral", na medida que o seu impacto em 2007/2008 não permitiu à população pobre ter acesso a alimentos.

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Situação que diz ter sido agravada pela crise económica e financeira e que levou a um aumento do número de pessoas com fome, havendo agora "mais de mil milhões famintos no mundo".

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"Isso é uma situação que requer uma reunião ao mais alto nível dos chefes de Estado e de Governo, numa Cimeira que vamos organizar em Novembro, em Roma, Itália, para discutir essa situação", anunciou.

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Segundo o director-geral da FAO, os preços (dos alimentos) estão altos no mercado mundial, tendo baixado desde Junho de 2008, mas nos países em desenvolvimento, incluindo os de África, continuam "muito altos" devido à falta de "elasticidade da oferta" dos produtos agro-pecuários nos países em desenvolvimento.

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Questionado sobre o encontro que manteve com os dois governantes angolanos, Jacques Diouf disse ter sido "muito importante", sobretudo com a ministra do Ambiente porque o desenvolvimento da agricultura, incluindo o cultivo, produção pecuária, das pescas, do sector florestal, são actividades que têm uma relação "directa" com o meio ambiente, em particular o uso da água e das terras.

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Esta visita a Luanda enquadra-se na preparação da 26ª Conferência Regional da Organização para África, a decorrer em Angola em 2010.

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Diário Digital / Lusa
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sábado, junho 27, 2009

Crise mundial não abranda em 2009 - Um em cada seis passa fome



Mil milhões de pessoas em todo o mundo não têm condições para se alimentarem, situação agravada pela crise de um sistema que não só não resolve os principais flagelos da humanidade, como os tem vindo a agravar.
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Segundo dados provisórios divulgados sexta-feira, 19, pela Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO) – o relatório final da Agência para o ano de 2009 só deverá ser apresentado em Outubro –, o número de famintos ao nível mundial ultrapassa os mil milhões de pessoas. Esta cifra traduz um aumento em mais de 100 milhões face aos números apurados em 2008 e bate todos os recordes anteriores, isto é, nunca desde que se elaboram estatísticas sobre a matéria existiram tantas pessoas a passar fome.
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A FAO diz que o problema agravou-se a partir de meados dos anos 90 em todas as regiões do planeta, exceptuando na América Latina e Caribe, onde, ainda assim, as consequências da actual crise capitalista mundial estão paulatinamente a anular os progressos alcançados nas últimas duas décadas. Por oposição, o Médio Oriente é uma das regiões onde a fome registou um maior crescimento no último ano.
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Por áreas do globo, o maior número de famintos, 642 milhões, 63 por cento do total, concentram-se na Ásia e Pacífico, seguindo-se a África subsaariana, 265 milhões, a América Latina, com 53 milhões, o Médio Oriente e o Norte de África, 42 Milhões, e os países mais industrializados, com 15 milhões. A maioria dos seres humanos que consomem menos de 1800 calorias diárias reside em países considerados em vias de desenvolvimento, acrescenta a FAO.
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Para aquela agência da ONU, o problema não está na escassez agrícola, pelo contrário, as previsões apontam para um dos melhores anos de colheitas de sempre. A questão, diz a organização, reside na conjugação explosiva dos aumentos no preço dos alimentos, das matérias primas e dos combustíveis em todos os países. «Não há falta de comida, há é falta de poder de compra», conclui o secretário-geral da FAO, Jaques Diouf.
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No final de 2008, o preço dos alimentos era em média 24 por cento superior ao estabelecido dois anos antes. Nos países mais pobres, esta diferença chega aos 80 por cento.
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O desemprego e a pressão exercida pelo capital sobre os salários, factores que empurraram milhões de pessoas para a pobreza e a indigência, são também considerados centrais nos valores avançados pela FAO. De acordo com indicadores difundidos recentemente pela OIT, até ao final deste ano o número de desempregados ao nível mundial vai variar entre os 210 e os 239 milhões, ou seja, mais 59 milhões que em 2007 e um número jamais observado.
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A diminuição da ajuda dos países ricos aos homólogos pobres e dependentes é, finalmente, outro dos factores que contribui de forma determinante para o aumento do número de famintos, aduz a FAO.
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Recorde-se que no ano passado em Roma, a organização recebeu promessas de correcção do volume das doações por parte das nações e blocos capitalistas, palavras que estão ainda por concretizar.
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Crise está para durar
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Acrescem aos dados avançados a semana passada pela Agência das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação, os números apurados pelo Banco Mundial. Segundo aquela estrutura, o Produto Interno Bruto Mundial deverá cair cerca de 3 por cento em 2009, mais 1,25 pontos que o previsto no transacto mês de Março. Europa e Ásia sofrem contracções de quase 5 por cento, diz o BM.
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Contrariamente ao ano passado, quando as economias dos países «emergentes» compensaram o abrandamento económico nos países dominantes – cresceram 5,9 por cento funcionando como escape para a reprodução de capital – este ano estima-se que aquelas não ultrapassem um crescimento do PIB na ordem de 1,2, contribuindo, para tal, a diminuição em quase 50 por cento do total de investimentos nas economias em vias de desenvolvimento ou nas economias mais débeis. Pelos cálculos do BM, em cerca de 90 por cento dos países em vias de desenvolvimento serão necessários créditos que ultrapassam, no total, um milhão de milhões de dólares.
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Nestas contas não entram a Índia e a China, que se estima continuarão a crescer, este ano, em 5,8 e 7,2 por cento, respectivamente. Esta última deverá, apesar dos efeitos da crise, ultrapassar brevemente o Japão como a segunda economia mundial. O cenário é admitido pelo próprio governo nipónico e pelo Fundo Monetário Internacional.
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Aumento do desemprego, da pobreza e das carências alimentares são algumas das consequências que o presidente do BM, Robert Zoellick, admite virem a atingir com particular severidade os povos, particularmente os dos países mais pobres.
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Outros Títulos:
• Vitória da luta no Peru
• Cuba responsabiliza Obama
• Irão acusa imperialistas de ingerência
• ONG's exigem fim do bloqueio

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in Avante 2009.06.25

terça-feira, agosto 19, 2008

Ao Brasil, notícias da fome na Etiópia




Agosto 18, 2008

Na Etiópia, onde trabalho em uma emergência nutricional com Médicos Sem Fronteiras (MSF), todos os dias me pergunto por onde anda a mão invisível e mágica do mercado global, o melhor regulador da economia. Nenhuma das pessoas que vi morrer de fome por aqui parecia conhecê-la. Em Kambata, no sul da Etiópia, fica bem clara uma das lógicas geradoras de fome (...) Por David Oliveira De Souza (*).

É CONSENSO para organizações internacionais como Unicef e FAO (Fundo das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação) que a produção mundial de alimentos é mais que suficiente para cobrir as necessidades terrestres. Porém, durante a leitura deste artigo, 60 crianças no planeta morrerão de desnutrição e, ao fim do dia, serão quase 20 mil. Na Etiópia, onde trabalho em uma emergência nutricional com Médicos Sem Fronteiras (MSF), todos os dias me pergunto por onde anda a mão invisível e mágica do mercado global, o melhor regulador da economia. Nenhuma das pessoas que vi morrer de fome por aqui parecia conhecê-la. Em Kambata, no sul da Etiópia, fica bem clara uma das lógicas geradoras de fome.

Dedicadas à produção de gengibre para o mercado externo, muitas famílias de pequenos produtores deixaram de produzir comida para consumo próprio, imaginando que, com a venda da colheita, poderiam comprar os insumos necessários a seu sustento. O preço do gengibre, contudo, ficou abaixo do esperado, o custo dos alimentos subiu, agravado pela crise mundial e pelo clima local e, como resultado, a fome chegou.

Crise semelhante se deu no Níger, em 2005, onde à insuficiente produção de subsistência uniram-se a seca e os ataques de gafanhotos à lavoura. Nesse país, onde MSF já cuidou de mais de 500 mil crianças desnutridas, ao mesmo porto de onde partiam navios abarrotados de cereais para exportação chegavam carregamentos de ajuda alimentar para a faminta população local. Embora o aumento do custo dos alimentos seja um importante fator de crise, é preciso lembrar que ele apenas agrava uma situação crônica.

Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), a desnutrição representa 10% de todas as doenças e já vem sendo há muito tempo negligenciada pela comunidade internacional. De acordo com a Campanha de Acesso a Medicamentos Essenciais, iniciativa de MSF, apenas 3% dos 20 milhões de crianças com desnutrição severa recebem o tratamento recomendado pela ONU.

Quando a escassez de comida é intensa, as famílias reduzem o número de refeições e precisam abrir mão de bens essenciais, como gado e até a própria casa. Se a situação piora, as estruturas da comunidade entram em colapso, aumenta a violência, iniciam-se grandes ondas migratórias e os indivíduos menos valorizados na cadeia produtiva, como meninas e órfãos, tendem à marginalização.

O momento final e mais grave ocorre quando há falta absoluta de alimentos, afetando uma grande população por um longo período. Nesse caso, o cenário é desolador, e a mortalidade, altíssima. Em um acelerado processo de degradação humana, parte de um povo vai sendo consumido e sua descendência poderá ter a capacidade cognitiva prejudicada pela falta de acesso aos nutrientes adequados.

Aqui em Kambata, diariamente mais de 3.000 pessoas procuram nossos centros de nutrição. Há dias que precisamos interromper as atividades, com medo de perder o controle da multidão desesperada. Alguns pacientes estão tão fracos que nem conseguem engolir.

É difícil descrever a aparência da fome. A criança desnutrida é triste, parada, tem cara de velhinho e, algumas, por causa da carência protéica, ficam com as pernas e o rosto inchados. Mesmo assim, é possível salvar muitas vidas e, especialmente no caso das crianças, após duas semanas de tratamento, o rosto muda tanto que quase não dá para reconhecer. Duas identidades me são evocadas no trabalho na Etiópia. A de médico e a de brasileiro. A de médico de MSF Brasil me faz lembrar que é muitas vezes nos centros de saúde que fenômenos como a fome e a violência mostram sua cara mais feia e que, embora sejam essenciais programas de desenvolvimento para evitar as crises, eles não devem ser feitos em detrimento de respostas emergenciais necessárias.

A de cidadão brasileiro me faz desejar que nosso país, que tem produzido algumas tecnologias bem-sucedidas de combate à pobreza e à fome, seja mais proativo em sua política de cooperação com outras nações do Sul. O Brasil que precisa de ajuda também tem condições de ajudar.

Há alguns dias, perdemos Mamushe, uma menina com nove anos, desnutrição severa e ares de princesa etíope. Sempre que Mamushe me perguntava onde era o Brasil, eu respondia: "Longe". Na madrugada em que tentei reanimá-la, o corpo fraquinho não resistiu e se foi. Ao ouvir o pranto de sua mãe, lembrei-me de uma frase proferida pelo escritor moçambicano Mia Couto na ocasião do tsunami: "Nunca é longe o lugar de onde nos chega um grito de apelo. O sofrimento atingiu também a nós. O vosso luto é o nosso luto".

(*) David Oliveira de Souza,, 32, é médico e responsável pela Unidade Médica de Médicos Sem Fronteiras no Brasil. Especialista em medicina de família e comunidade pela UERJ e em clínica médica pela UFRJ, mestre em relações internacionais pelo Instituto de Estudos Políticos de Paris, é professor de saúde coletiva da Universidade Federal de Sergipe. Publicado na Folha de S. Paulo em 17/08/2008 (clique aqui para ver a referência).