A Internacional

__ dementesim . . Do rio que tudo arrasta se diz que é violento Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem. . _____ . Quem luta pelo comunismo Deve saber lutar e não lutar, Dizer a verdade e não dizer a verdade, Prestar serviços e recusar serviços, Ter fé e não ter fé, Expor-se ao perigo e evitá-lo, Ser reconhecido e não ser reconhecido. Quem luta pelo comunismo . . Só tem uma verdade: A de lutar pelo comunismo. . . Bertold Brecht
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quarta-feira, janeiro 20, 2010

Mundo bipolar: China crescerá três vezes mais que EUA


Economia

Vermelho - 5 de Janeiro de 2010 - 13h38

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Chineses devem puxar a recuperação mundial este ano. Gigante asiático deve cresecr tr~es vezes mais do que EUA e confirmar sua posição no novo mundo bipolar.

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Com a previsão de analistas e economistas de que o país deve, no mínimo, crescer 9% ao ano, a China firma-se como principal candidato a ser o antagonista dos Estados Unidos num novo mundo bipolar que se desenha para os próximos anos. Essa condição ganha relevo quando os mesmos analistas e economistas projetam crescimento de pouco mais de 1% para o Japão e para a Zona do Euro, e cerca de 3% para os Estados Unidos, para este ano.
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As previsões são reforçadas pelos dados do último mês de 2009. Mês passado, o índice HSBC China de gerentes de compra (PMI, na sigla em inglês) - um indicador da atividade da produção industrial nacional - subiu para 56,1, contra 55,7, em novembro. A informação foi divulgada pelo HSBC Holdings.  Dezembro foi o nono mês consecutivo em que o PMI ficou acima de 50, patamar que indica expansão da atividade industrial.
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"O efeito da segunda rodada de medidas de estímulo está se infiltrando para beneficiar substancialmente o setor manufatureiro, como esperávamos", disse economista-chefe do HSBC para a China, Qu Hongbin. "Embora os preços dos insumos e dos produtos industrializados têm aumentado, a inflação deverá ser administrável nos próximos meses", acrescentou. O PMI, compilado pela empresa britânica Markit Group, é divulgado no primeiro dia de trabalho de cada mês e refere-se ao mês anterior.
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Os dados reforçam as previsões de que a Ásia, em particular a China, deve puxar a recuperação global em 2010. A produção industrial chinesa, em novembro, já dera sinais de expansão sustentada, sem expressivo apoio do pacote de estímulo de 4 trilhões de iuans (US$ 585 bilhões) do final de 2008. As importações cresceram pela primeira vez em 13 meses e as exportações sugeriram recuperação.
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Com agências e Monitor Mercantil 

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quinta-feira, dezembro 03, 2009

Lula, o estuprador: nem o Alberto Dinis aguentou

Na Periferia do Império





Posted: 01 Dec 2009 07:44 AM PST
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Leia baixo o texto do Alberto Dinis no Observatório da Imprensa sobre a "revelação" de Cesar Benjamin no Jornal Folha de São Paulo (sexta, 27/11)

A imprensa aloprou

Por Alberto Dines em 1/12/2009

A Folha de S.Paulo consegue se superar a cada nova edição. Mais surpreendente do que a publicação do abjeto texto de Cesar Benjamin (sexta, 27/11), sobre o comportamento sexual do líder metalúrgico Lula da Silva quando esteve preso em 1979, foi a completa evaporação do assunto a partir do domingo (29), exceto na seção de cartas dos leitores.

Num dia o jornal chafurda na lama, dois dias depois se apresenta perante os leitores de roupa limpa e cara lavada, como se nada tivesse acontecido. E pronto para outra.

Não vai pedir desculpas? Não pretende submeter-se ao escrutínio da sociedade? Não se anima a fazer um debate em seu auditório e depois publicá-lo como faz habitualmente? E onde se meteram os procedimentos auto-reguladores que as empresas de mídia prometem há tanto tempo quando se apresentam como arautos da ética? Não seria esta uma oportunidade para ensaiar algo como a britânica Press Complaints Comission (Comissão de Queixas contra a Imprensa)?
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E por que se cala a Associação Nacional de Jornais? Este não é um episódio que põe em risco a credibilidade da instituição jornalística brasileira? Um vexame destas proporções não poderia servir de pretexto para retaliações futuras? Ficou claro que depois do protesto inicial ("Isto é uma loucura!"), o presidente Lula encerrará magnanimamente o episódio. A Folha, em compensação, enfiará o rabo entre as pernas.
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Ninguém estrila
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É bom não perder de vista o fato de que esta lambança de um jornal isolado será fatalmente estendida à mídia como instituição. E logo alimentará as inevitáveis desavenças da próxima campanha eleitoral. Isto não interessa aos que desejam preservar o resto de republicanismo desta imensa republiqueta nem àqueles que levam o jornalismo a sério e não querem vê-lo desacreditado, como acontece na Venezuela.
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A verdade é que a imprensa brasileira aloprou, levou a sério sua proximidade com o show-business; a obsessão pelo espetáculo e pela "leveza" levou-a para o âmbito da ligeireza, vizinha da irresponsabilidade.
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Por outro lado, o controle centralizado das redações associado ao terror de iminentes demissões em massa desestimula qualquer cautela e a mínima prudência. Ninguém estrila ou esperneia. Os jornalistas brasileiros, apesar de tão jovens, andam encurvados – de tanto dar de ombros e não importar-se.
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Ano penoso
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Há exceções, tênues, percebidas apenas pelos especialistas, porque nossa mídia – ao contrário do que acontece nos EUA e Europa – faz questão de apresentar-se indiferenciada, uniformizada, monolítica, sem nuances.
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Este 2009 foi um ano penoso para a Folha, o jornal talvez prefira esquecê-lo. Mas seus parceiros de corporação deveriam refletir sobre o perigo de atrelar uma indústria ou instituição aos faniquitos juvenis de quem ainda não conseguiu assimilar os compromissos públicos de uma empresa privada de comunicação.
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Em tempo: O recuo da Folha na edição de terça-feira (1/12) é ainda mais vergonhoso do que a denúncia da sexta-feira anterior. Colocar na boca do pivô do episódio que "o artigo de Benjamim é um horror" é uma manobra capciosa, covarde, para responsabilizar um articulista delirante e inocentar diretores irresponsáveis. A Nota da Redação, na seção de cartas, está atrasada quatro dias: pode satisfazer as dezenas de missivistas que se manifestaram, mas despreza os milhares que, horrorizados, leram o resto do jornal.
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Leia também - Lixo em estado puro – A.D.
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Na Periferia do Imperio - http://www.naperiferiadoimperio.blogspot.com


sábado, maio 30, 2009

Conferência da Comunicação: o inédito confronto olho no olho


Se alguém tinha alguma dúvida de que as coisas estão realmente mudando na comunicação, a evidência definitiva poderá ser a realização em Brasília, no início de dezembro, da 1ª Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), um evento nacional onde pela primeira vez governo, empresários e sociedade civil vão discutir, olho no olho, o futuro da mídia brasileira.

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Por Carlos Castilho, no Observatório da Imprensa

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É uma ocasião única porque uma conjuntura muito particular colocou os três blocos numa situação em que um precisa do outro para sobreviver à crise dos modelos convencionais de comunicação num país onde a tradição é o monólogo nesta matéria.

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A coincidência de um processo eleitoral, da crise de um modelo de negócios e do crescimento do caráter social da internet fez com que o Estado, a iniciativa privada e a sociedade civil passassem a apostar na comunicação como a principal ferramenta para alcançar seus respectivos objetivos estratégicos.

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Cada um dos três protagonistas tem seus próprios objetivos: o governo quer romper o cerco imposto pelos interesses corporativos privados na área da informação, enquanto as indústrias da comunicação buscam condições mais favoráveis para absorver as mudanças impostas pela era digital. Já as organizações sem fins lucrativos e não estatais querem ampliar o espaço público na produção e disseminação de informações.

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Os objetivos são tão amplos e diversificados que dificilmente a Confecom poderá ser avaliada pelos seus resultados concretos. É utópico pensar que burocratas estatais, executivos privados e ativistas sociais consigam resolver suas divergências nos três dias de conferência, cujo público é estimado em aproximadamente 300 pessoas.

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Mas a inédita decisão de sentar-se a uma mesma mesa já dá esperanças de que os protagonistas tenham entendido que o histórico monólogo na abordagem da questão comunicacional no país precisa ser substituído por um diálogo, por mais frágil que seja. Se este estado de espírito for alcançado ele será muito mais importante do que os comunicados finais, geralmente inócuos e suficientemente vagos para acomodar posições diametralmente opostas.

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A posição do governo está facilitada pelos dilemas dos principais grupos privados na área de comunicação no país. Os grandes conglomerados da imprensa estão debilitados pelas incertezas em torno do futuro do seu negócio e pela pressão das operadoras de telefonia móvel, interessadas em entrar para valer na área de produção de conteúdos audiovisuais.

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As empresas apostam tudo na manutenção do laissez faire total na área de comunicação, denunciado tanto supostas — como reais — intenções estatizantes do governo ao mesmo tempo em que vêem com desconfiança o renovado ativismo de organizações sociais, cujo poder de fogo foi ampliado pela internet.

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O setor não governamental e não lucrativo é o maior interessado na Confecom porque é a sua estreia como protagonista de peso no debate das políticas de comunicação no país. Por menores que sejam os resultados do evento, ainda assim as organizações sociais têm grandes chances de cantar vitória porque elas finalmente terão sido reconhecidas como ator político relevante na arena informativa.

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As estratégias setoriais ainda estão sendo elaboradas, mas boa parte delas ainda passa ao largo da grande questão: como o cidadão da rua poderá ser ouvido. Eventos desta natureza normalmente acabam sendo monopolizados pelos líderes e articuladores, enquanto o cidadão comum fica relegado à posição de espectador passivo.

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O argumento é que a sociedade civil é essencialmente desorganizada, mas agora o quadro mudou. A internet oferece a possibilidade de as pessoas comuns falarem um pouco mais alto e grosso, usando os weblogs, comunidades, correio eletrônico, Twitter etc., etc., para expressar suas opiniões. Comparado ao total de população, os incluídos digitalmente ainda são uma minoria, mas comparado ao índice de 1999, houve um vertiginoso aumento no número de atores digitais.

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Só que eles não usam o jargão dos políticos e lideranças. A voz da rua e dos blogueiros, por exemplo, é bem menos sofisticada. Ela assusta e, muitas vezes, se expressa através de demandas que nem sempre podem ser chamadas de politicamente corretas.

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Mas se a cidadania é considerada uma parte obrigatória no funcionamento de uma comunicação livre, então ela terá que ser aceita em seu estado bruto. Caberá aos demais protagonistas entender e contextualizar a participação social como ela é, e não como gostariam que fosse.

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in Vermelho - 29 DE MAIO DE 2009 - 16h54

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quarta-feira, abril 29, 2009

Gripe suína: 'O Globo' veste marrom


O noticiário internacional sobre a expansão da gripe suína se divide entre os jornais de maior prestígio, que trazem informações oficiais e recomendações à população, e os chamados tablóides, modo genérico de qualificar a imprensa de má qualidade, que sai com manchetes alarmantes e pouca informação útil. No Brasil, o papel dos tablóides — ou, como chamamos, da imprensa marrom — foi assumido pelo Globo com sua manchete: "Gripe se alastra no mundo e Brasil mostra despreparo".

Por Luciano Martins Costa, no Observatório da Imprensa



Nos demais jornais brasileiros e na imprensa internacional de qualidade, a informação predominante dá conta de que a Organização Mundial de Saúde elevou o nível de alerta porque o vírus demonstra capacidade de transmissão entre humanos, o que pode facilitar sua expansão muito rapidamente em grandes cidades.


Embora os casos confirmados se restrinjam a cinco países — México, Estados Unidos, Canadá, Espanha e Escócia —, O Globo entendeu que o vírus "se alastra no mundo". É um caso de alto alarmismo e baixo jornalismo.


Realidade distorcida


Dos três chamados grandes jornais de influência nacional, O Globo tem se caracterizado pela linguagem menos refinada e pelas escolhas de manchetes mais ruidosas. Quando se trata de casos de corrupção ou de violência extremada, pode-se justificar. Mas, no caso de um risco para a saúde pública, o gosto pelo escândalo pode representar um desserviço à sociedade.


Quando a notícia de um fato que pode causar pânico na população é produzida com os cuidados necessários, um número maior de pessoas procura adotar as medidas recomendadas pelas autoridades e a sociedade reage melhor.


Quando a mesma notícia produz mais alarmismo do que informação útil e segura, o resultado pode ser a irracionalidade coletiva, que reduz as chances de sucesso das ações preventivas.


No caso da gripe suína, todos os grandes jornais, com exceção do Globo, apresentam, em suas primeiras páginas, recomendações e dicas para que os leitores tenham uma idéia mais clara dos cuidados a serem tomados. Entre essas recomendações, uma das mais importantes é evitar a automedicação.


A manchete do Globo distorce a realidade, gera pânico, desinforma e nada garante que ajude a vender jornal. Então, para que o alarmismo?


Liberdade e responsabilidade


A escolha do Globo, que contrasta com as dos outros grandes jornais brasileiros, abre espaço para um bom debate sobre liberdade e responsabilidade no jornalismo. Além de informar pouco e fazer muito barulho, a primeira página do Globo de terça-feira (28) mistura a notícia sobre o grave perigo de uma epidemia mundial a querelas da política, ao inserir uma charge no meio da notícia principal. Na charge, o presidente da República aparece desenhado, com um guarda-chuva, sob uma chuva de porcos, e a frase: "Mais essa agora".


Ora, que graça pode haver em ilustrar a notícia sobre o risco de uma pandemia de graves consequências com preocupações eleitorais do presidente da República? Ou será que os editores pretendiam relacionar a figura do presidente à afirmação sacada na manchete, segundo a qual "o Brasil mostra despreparo" para enfrentar um surto de gripe?


No momento em que o Supremo Tribunal Federal se reúne para votar a extinção da Lei de Imprensa, a edição de terça-feira (28) do Globo pode servir como bom exemplo de mau jornalismo — ou de como a liberdade de imprensa deveria ser acompanhada de muita responsabilidade.



in Vermelho - 2009.04.28 - 15h57
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sexta-feira, maio 02, 2008

Como a mídia forma as ditaduras da maioria



* Luiz Weis

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Do colunista Clóvis Rossi, na Folha (de S.Paulo) de hoje (22): “Não vejo nenhum capanga armado obrigando o telespectador (ou leitor) a ficar sintonizado nos programas policialescos ou, agora, no noticiário sobre a menina morta. Há público — e grande - para isso. Alguns são apenas portadores da normal curiosidade humana. Outros têm gosto de sangue na alma, não nos iludamos.” Sim e não. Sim para o gosto de sangue de tantos. Não para a necessidade do capanga armado.

Por Luiz Weis, no Observatório da Imprensa


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A tese — formalmente verdadeira — de que ninguém é obrigado a ver ou ler seja lá o que a mídia mostre ou escreva deixa de levar em conta os poderosos mecanismos de indução, na própria mídia e na sociedade, para que se veja ou leia o que a mídia e os formadores de opinião entre os espectadores e leitores consideram um imperativo social.

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Desinteressar-se pelo noticiário sobre a menina morta acaba sendo visto nos ambientes em que o desinteressado freqüenta e que lhe abrem as portas da integração social — família, trabalho, escola, vizinhança, círculo de amizades — como uma esquisitice, ou, pior, um desvio de caráter: que raio de pessoa é essa que não liga a mínima para tamanha monstruosidade?

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Quem fica na contramão do interesse avassalador daqueles com os quais convive ou se relaciona passa a imagem de que “não é bom da cabeça ou doente do pé”. E muitíssimo poucos não se importam de ser vistos assim.

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É como se formam e operam as pressões conformistas, germes das ditaduras da maioria, engendradas e sancionadas pela mídia.

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Da mesma forma que na economia e ao contrário do que parece, não é a procura que cria a oferta, mas o contrário. Batendo quase o tempo todo numa mesma tecla — e quando essa tecla, o assassínio de uma criança, presumivelmente pelo pai, ressoa como raras outras que se possam imaginar —, o espetáculo de som e fúria da mídia de massa fabrica um mercado de consumo do qual só não se participa ao preço da reprovação social.

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E a participação vai além de se manter antenado no caso. É engrossar a multidão que desde a primeira a hora foi convencida pela aliança espúria da polícia e da imprensa a acreditar que as coisas se passaram exatamente como a primeira diz e a segunda repassa.

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”Foram eles”, berra a imprensa de esgoto. E quem ousará observar aos parentes, colegas, amigos e vizinhos: “Peraí. Vamos esperar o que a Justiça vai dizer”?

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in Vermelho -
23 DE ABRIL DE 2008 - 15h11
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