A Internacional

__ dementesim . . Do rio que tudo arrasta se diz que é violento Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem. . _____ . Quem luta pelo comunismo Deve saber lutar e não lutar, Dizer a verdade e não dizer a verdade, Prestar serviços e recusar serviços, Ter fé e não ter fé, Expor-se ao perigo e evitá-lo, Ser reconhecido e não ser reconhecido. Quem luta pelo comunismo . . Só tem uma verdade: A de lutar pelo comunismo. . . Bertold Brecht
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domingo, outubro 28, 2012

Desigualdad como antesala de ruina

el país


LA COLUMNA

Desigualdad como antesala de ruina

Cuando las diferencias sociales se disparan, la política y la actitud ante la crisis se degradan

 28 OCT 2012 - 00:00 CET
Hace ahora seis años, en 2006, los veinticinco gestores de fondos de cobertura (
hedge funds) mejor pagados de Estados Unidos se embolsaron un total de 14.000 millones de dólares, tres veces la suma de los sueldos de los 80.000 maestros de escuela de la ciudad de Nueva York (Paul Krugman, ¡Acabad ya con esta crisis!, página 84). Llevamos digeridas tantas cifras aberrantes sobre los baños de oro en que han alegremente chapoteado los causantes de esta crisis, antes, durante y después de haberla desencadenado, que nada sorprende ya si no se repite una y otra vez: 25 tipos, 25, ganaron en un año, administrando fondos de cobertura, tres veces más —tres veces más— que 80.000 maestros, 80.000, de Nueva York.
Que un individuo que maneja fondos de inversión pueda rapiñar en un año una cantidad de dinero tres veces superior a lo que ingresan por su trabajo más de 3.200 profesores de primaria es un hecho que, aparte de sus devastadores efectos económicos, tiene una dimensión política y moral que Krugman define como parálisis de la capacidad de responder con eficacia a la crisis que inevitablemente habrá de desencadenar este aumento inaudito de la desigualdad. Es evidente que sociedades en las que los derechos sociales cumplen su función redistributiva de la renta, y reductora por tanto de los niveles de desigualdad, responden con mayor eficacia a las coyunturas de crisis porque aseguran un mínimo de cohesión y solidaridad social. Cuando la desigualdad se dispara, el clima político y las actitudes morales ante las crisis se degradan en la forma de un sálvese quien pueda que, entre nosotros, ha llevado a responsables de cajas de ahorros a embolsarse decenas de millones de euros mientras sus entidades se declaraban en bancarrota.
La profunda crisis económica que afecta a los medios de comunicación escritos —y de la que este diario no se libra— posiblemente se afrontaría con otra actitud, y con mayor eficacia, si el reciente incremento de la desigualdad se redujera a unos niveles que permitieran la reconstrucción moral de una comunidad capaz de hacer frente a la depresión causada y extendida por esa misma desigualdad. No se trata de buenas intenciones ni de consideraciones moralizantes, sino de afrontar una situación de crisis sin sembrar de cadáveres el camino, por la sencilla razón de que esa siembra solo podrá conducir a la destrucción de una empresa común con la que todos sus miembros se sientan comprometidos. Claro está que para eso es obligado acabar con la enorme desigualdad de las retribuciones, porque de otra forma las políticas que nos han llevado al abismo funcionarán muy bien, como escribe Krugman, para unas pocas personas situadas en lo más alto, pero, habría que añadir, condenarán a la desesperación a todos los demás.
Todavía quedamos por aquí algunos testigos de aquella España siniestra y miserable que arrastró durante décadas brutales desigualdades sociales, exorbitantes privilegios al lado de inmensas barriadas de chabolas. El camino que hemos recorrido desde entonces en la reducción absoluta y relativa de los niveles de desigualdad se está revirtiendo bajo nuestras impotentes miradas: ganancias millonarias con más del 21% de la población malviviendo por debajo del nivel de pobreza, más de cinco millones de parados, y con decenas de miles de despedidos de los empleos, a los que han dedicado lo mejor de sus vidas, sin más compensación que 20 días de salario por 12 meses de trabajo y un horizonte cerrado: tales son algunas dimensiones del desastre.
Cuando, a raíz de la caída del muro de Berlín y del inmediato hundimiento del comunismo, se puso otra vez de moda repetir que la división izquierda derecha había terminado, Norberto Bobbio publicó un opúsculo en el que indagaba sobre las razones y los significados de esa secular distinción política. Allí escribía que el criterio más frecuente para distinguir la izquierda de la derecha era el de “la diferente actitud que asumen los hombres que viven en sociedad frente al ideal de la igualdad”. Favorecer las políticas que tienden a convertir en más iguales a los desiguales, como la defensa de los derechos sociales —derecho a la educación, al trabajo, a la salud—, era la expresión práctica de esa actitud que la socialdemocracia convirtió en política de Estado. A ella ha debido nuestra sociedad lo mejor de los últimos 35 años. Es lástima que a quienes vimos nacer y robustecerse esa política no nos quede más futuro que contemplar su ruina.

quinta-feira, fevereiro 17, 2011

Paul Krugman: Secas, inundações e alimentos

Economia

Vermelho - 16 de Fevereiro de 2011 - 9h46
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Estamos em meio a uma crise mundial de alimentos -- a segunda em três anos. Os preços mundiais dos alimentos bateram recordes em janeiro, propelidos pelas fortes altas nos preços do trigo, milho, açúcar e óleos.


Por Paul Krugman*, na Folha de S.Paulo

Essa disparada de preços exerceu efeito apenas modesto sobre a inflação dos Estados Unidos, que continua baixa sob os padrões históricos, mas tem impacto brutal sobre os pobres do planeta, que gastam a maior parte de, se não toda, sua renda na compra de alimentos básicos.

As consequências desse crise alimentar vão bem além da economia. Afinal, a grande questão sobre os levantes contra regimes corruptos e opressivos do Oriente Médio não é tanto que eles estejam acontecendo, mas por que estão acontecendo agora. E não resta muita dúvida de que os preços extremamente altos da comida foram um dos gatilhos importantes para que a raiva do povo fosse deflagrada.

Assim, o que está por trás do salto nos preços? Os direitistas dos Estados Unidos (e os chineses) imputam a culpa à política monetária frouxa do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos), e pelo menos um comentarista declarou que "Ben Bernanke tem sangue nas mãos". Enquanto isso, o presidente francês Nicolas Sarkozy atribui a culpa aos especuladores, acusando-os de "extorsão e pilhagem".

Mas as provas apontam para uma história diferente e muito mais ameaçadora. Embora diversos fatores tenham contribuído para a disparada nos preços dos alimentos, o que realmente se destaca é até que ponto eventos climáticos severos prejudicam a produção agrícola. E esses eventos climáticos severos são exatamente a espécie de coisa que devemos esperar com as mudanças que a concentração cada vez maior de gases causadores do efeito-estufa causa em nosso clima -- o que significa que a atual disparada no preço dos alimentos pode ser apenas o começo.

É preciso considerar que, em certa medida, a disparada nos preços dos alimentos é parte de um "boom" geral no preços das commodities: os preços de muitas matérias-primas, do alumínio ao zinco, vêm crescendo rapidamente desde o começo de 2009, em larga medida devido ao crescimento industrial rápido dos mercados emergentes.

Mas a conexão entre crescimento industrial e demanda é muito mais clara para, digamos, o cobre do que para os alimentos. Exceto nos países muito pobres, a alta na renda não exerce grande efeito na maneira de comer das pessoas.

É fato que o crescimento em países emergentes como a China leva a um consumo maior de carne bovina e portanto a uma demanda mais elevada por ração animal. Também é fato que as matérias-primas agrícolas, especialmente o algodão, disputam terras e outros recursos com as safras alimentícias -- e o mesmo pode ser afirmado sobre a produção subsidiada de álcool combustível, que consome muito milho. Com isso, tanto o crescimento econômico quanto políticas de energia incorretas exerceram certa influência sobre a alta nos preços dos alimentos.

Ainda assim, eles se mantiveram mais baixos que os preços de outras commodities até a metade do ano passado. E então o tempo começou a piorar.

Considere o caso do trigo, cujos preços quase dobraram desde a metade do ano passado. A causa imediata do salto nos preços do trigo é evidente: a produção mundial do cereal caiu acentuadamente. E a maior parte dessa perda de produção, de acordo com dados do Departamento da Agricultura norte-americano, ocorreu nos países da antiga União Soviética. E sabemos o motivo: uma onda recorde de calor e seca, que levou as temperaturas de Moscou acima dos 38 graus pela primeira vez na história.

O calor na Rússia foi apenas um dos muitos eventos climáticos extremos registrados recentemente, da seca no Brasil a inundações de proporções bíblicas na Austrália, e todos eles prejudicaram a produção mundial de alimentos.

A questão passa a ser, portanto, o que explica esse clima extremo.

Em certa medida, estamos diante dos resultados de um fenômeno natural, "La Niña" -- um evento periódico que surge quando as águas do Oceano Pacífico ficam abaixo de sua temperatura normal. E eventos "La Niña" estão historicamente associados a crises mundiais de alimentos, entre as quais a de 2007--2008.

Mas isso não explica tudo. Não se deixe enganar pela neve: 2010 empatou com 2005 como o ano mais quente de todos os tempos, ainda que tenhamos passado por um mínimo solar e "La Niña" tenha sido um fator de refrigeração na segunda metade do ano. Recordes de temperatura foram batidos não apenas na Rússia como em 19 outros países, que respondem por um quinto da área terrestre do planeta. E tanto secas quanto inundações são consequências naturais de um mundo em aquecimento: as secas surgem porque a temperatura está mais alta, e as inundações porque os oceanos aquecidos liberam mais vapor de água.

Como sempre, não se pode atribuir diretamente um evento climático aos gases do efeito-estufa. Mas o padrão que temos visto, com altas extremas e clima extremo se tornando mais comuns de modo generalizado, é exatamente o que se poderia esperar em uma situação de mudança climática.

Os suspeitos usuais, é claro, enlouquecem diante de quaisquer sugestões de que o aquecimento global tenha relação com a crise dos alimentos; aqueles que insistem em que Ben Bernanke tem sangue nas mãos tendem a ser mais ou menos as mesmas pessoas que insistem em que o consenso científico sobre o clima representa uma vasta conspiração de esquerda.

Mas os indícios de fato sugerem que o que estamos vendo agora é o primeiro sinal das perturbações econômicas e políticas que teremos de enfrentar em um planeta em aquecimento. E porque não conseguimos agir para limitar os gases causadores do efeito-estufa, esse tipo de coisa acontecerá com muito mais frequência, e com muito mais gravidade, no futuro.

* Paul Krugman é prêmio Nobel de Economia (2008), colunista do "The New York Times" e professor na Universidade Princeton (EUA). Um dos mais renomados economistas da atualidade, é autor ou editor de 20 livros.

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segunda-feira, agosto 23, 2010

Paul Krugman: O poder de um equívoco

Economia

Vermelho - 20 de Agosto de 2010 - 18h08

Como vemos, os responsáveis pela elaboração das medidas do governo vivem assombrados por sacerdotes selvagens, que exigem o sacrifício de virgens para aplacar as divindades invisíveis do mercado de títulos. Mas o que me deixa perplexo é o seguinte: por que esses sacerdotes gozam de tamanha influência? Deixemos de lado as vítimas (elas sempre são deixadas de lado, afinal); quem quer que tenha dado ouvidos aos sacerdotes perdeu muito dinheiro.

Por Paul Krugman*

 Um exemplo do que quero dizer:


O Morgan Stanley, a mais pessimista dentre as 18 principais instituições que negociam títulos do governo com o Federal Reserve, reconheceu que sua previsão de que o rendimento dos títulos do Tesouro aumentaria este ano foi equivocada.

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O Morgan Stanley previu que o fortalecimento da economia americana levaria a uma demanda por crédito particular e a preços mais altos no mercado de ações, bem como a uma redução do poder de atração dos títulos do Tesouro, vistos pelos investidores como um refúgio, e isso proporcionaria uma alta no rendimento. David Greenlaw, economista-chefe para renda fixa do Morgan Stanley, disse em dezembro que o rendimento para as principais notas com prazo de 10 anos aumentaria em cerca de 40%, chegando a 5,5%, o que corresponderia ao maior aumento anual desde 1999. Em maio, o banco de investimentos reduziu a previsão para 4,5% e, posteriormente, para 3,5%, na semana passada.

O rendimento dos títulos com vencimento em 10 anos caiu até 4 pontos-base, chegando hoje a 2,53%, o nível mais baixo desde março de 2009. Os rendimentos recuaram 10 pontos-base nos últimos 5 dias, e cerca de 46 pontos-base nas últimas 4 semanas.

Escrevi a respeito desta previsão em novembro de 2009, porque acreditava que tais previsões estavam exercendo uma influência desproporcional sobre o governo Obama. Na época, tentei indicar que as mesmas pessoas declarando com toda a confiança que havia uma bolha no mercado de títulos eram as mesmas que ignoraram completamente a formação da bolha imobiliária.

E, ainda assim, essas pessoas ainda são muito influentes no processo de elaboração das medidas públicas.

*Economista, colunista do News York Times
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sábado, julho 10, 2010

A Terceira Depressão - Paul Krugman



02.Jul.10 :: Outros autores
PAUL 
KRUGMANSão cada vez mais, mais fortes e mais apreensivas as vozes dos epígonos do capitalismo que alertam para os perigos económicos e as graves consequências sociais das políticas impostas pelo grande capital na sua tentativa da recuperação capitalista da crise. Sabedores dos perigos sociais e políticos de uma recuperação à custa da classe trabalhadoras procuram a quadratura do círculo: uma inexistente posição intermédia entre a recuperação á custa da classe trabalhadora ou do grande capital monopolista.

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Receio que estejamos nos estágios iniciais de uma terceira depressão. E o custo para a economia mundial será imenso
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Recessões são comuns; depressões são raras. Pelo que sei, houve apenas duas eras qualificadas como «depressões» na ocasião: os anos de deflação e instabilidade que acompanharam o Pânico de 1873, e os anos de desemprego em massa, após a crise financeira de 1929-31.
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Nem a Longa Depressão do século XIX nem a Grande Depressão, no século XX, registaram declínio contínuo. Pelo contrário, ambas tiveram períodos de crescimento. Mas esses períodos de melhoria jamais foram suficientes para desfazer os danos provocados pela depressão inicial e foram seguidos de recaídas.
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Receio que estejamos nos estágios iniciais de uma terceira depressão. Que provavelmente vai se assemelhar mais à Longa Depressão do que a uma Grande Depressão mais severa. Mas o custo – para a economia mundial e, sobretudo, para as milhões de pessoas arruinadas pela falta de emprego – será imenso.
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E essa terceira depressão tem a ver, principalmente, com o fracasso político. Em todo o mundo – e, mais recentemente, no desanimador encontro do G-20 – os governos mostram-se obcecados com a inflação quando a ameaça é a deflação, e insistem na necessidade de apertar o cinto, quando o problema de fato são os gastos inadequados.
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Em 2008 e 2009, parecia que tínhamos aprendido com a história. Ao contrário dos seus predecessores, que elevavam as taxas de juro para enfrentar uma crise financeira, os atuais líderes do Federal Reserve e do Banco Central Europeu (BCE) cortaram os juros e partiram em apoio aos mercados de crédito. 
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Ao contrário dos governos do passado, que tentaram equilibrar os orçamentos para combater uma economia em declínio, os governos hoje deixam os déficits crescerem. E melhores políticas ajudaram o mundo a evitar o colapso total: podemos dizer que a recessão causada pela crise acabou no Verão (no Hemisfério Norte) passado.
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Mas os futuros historiadores vão nos dizer que esse não foi o fim da terceira depressão, da mesma maneira que a retoma econômica em 1933 não foi o fim da Grande Depressão. Afinal, o desemprego – especialmente a longo prazo – continua em níveis que seriam considerados catastróficos há alguns anos. E tanto os Estados Unidos como a Europa estão perto de cair na mesma armadilha deflacionária que atingiu o Japão. 
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Diante desse quadro, você poderia esperar que os legisladores entendessem que não fizeram o suficiente para promover a recuperação. Mas não. Nos últimos meses observamos o ressurgimento da ortodoxia do equilíbrio orçamentário e da moeda forte. 
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O ressurgimento dessas teses antiquadas é mais evidente na Europa. Mas, em termos práticos, os EUA não estão agindo muito melhor. O FED parece consciente dos riscos de deflação – mas o que propõe fazer é: nada. O governo Obama entende os perigos de uma austeridade fiscal prematura – mas, como republicanos e democratas conservadores não aprovam uma ajuda adicional aos governos estaduais, essa austeridade se impõe de qualquer maneira, com os cortes nos orçamentos estaduais e municipais.
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Por que essa virada da política? Os radicais com frequência referem-se às dificuldades da Grécia e outros países na periferia da Europa para justificar seus atos. E é verdade que os investidores atacaram os governos com déficits incontroláveis. Mas não há evidência de que uma austeridade a curto prazo, ante uma economia deprimida, vai tranquilizar os investidores. 
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Pelo contrário: a Grécia concordou com um plano de austeridade, mas viu seus riscos se ampliarem; a Irlanda estabeleceu cortes brutais dos gastos públicos e foi tratada pelos mercados como um país com risco maior que a Espanha, que até agora resiste em adotar medidas drásticas propugnadas pelos radicais.
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É como se os mercados entendessem o que os legisladores não compreendem: que, embora a responsabilidade fiscal a longo prazo seja importante, cortar gastos no meio de uma depressão vai aprofundar essa depressão e abrir caminho para a deflação, o que é contraproducente. 
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Portanto, não acho que as coisas tenham a ver de fato com a Grécia, ou com qualquer visão realista sobre o que priorizar: déficits ou empregos. Em vez disso, trata-se da vitória de teses conservadoras que não se baseiam numa análise racional e cujo principal dogma é que, nos tempos difíceis, é preciso impor sofrimento a outras pessoas para mostrar liderança.
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E quem pagará o preço pelo triunfo dessas teses? A resposta: dezenas de milhões de desempregados, muitos deles sujeitos a ficar sem emprego por anos e outros que nunca mais voltarão a trabalhar. 
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* Paul Krugman, economista galadoardo com o Prémio Nobel em 2008 é colaborador habitual do New York Times
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Este texto em português, traduzido do New York Times, foi publicado no diário brasileiro Estado de S. Paulo
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Tradução de Terezinha Martino
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http://www.odiario.info/?p=1656
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Economia

Vermelho - 10 de Julho de 2010 - 14h02

Paul Krugman: Austeridade contraproducente

O blog de economia do WSJ traz um artigo interessante mostrando como a restrição dos benefícios aos desempregados pode na verdade acabar aumentando o déficit no longo prazo, ao fazer com que trabalhadores perto da idade de aposentadoria se vejam obrigados a recorrer a programas de aposentadoria por invalidez. Mas a questão vai muito além disto.

Paul Krugman

Há uma argumentação bastante razoável segundo a qual medidas de austeridade no contexto de uma economia em depressão equivalem, literalmente, a uma falsa poupança – no longo prazo, os problemas orçamentários são agravados.

Pessoas como eu têm hesitado em expor tal argumentação em voz alta, por medo de sermos tachados de versão esquerdista de Arthur Laffer – mas que se dane a cautela, vou explicar do que se trata.

Funciona mais ou menos assim. Imaginemos um corte nos gastos equivalente a 1% do PIB. Isso tem a aparência de uma redução no orçamento, certo? Mas se o fizermos no caso de uma economia que se depara com o limite inferior zero, de modo que o Fed se veja impossibilitado de compensar os efeitos sobre a demanda com juros mais baixos, o resultado será um encolhimento da economia. Usemos um multiplicador de 1,4; os números podem ser ajustados a gosto.

Sabemos que uma economia mais fraca significa uma arrecadação menor. Suponhamos que cada dólar somado ou subtraído ao PIB represente US$ 0,25 em arrecadação, uma estimativa conservadora. Então a austeridade fiscal reduz a arrecadação em 0,35% do PIB; a proporção realmente poupada é de apenas 0,65%.

O governo precisa captar estes fundos por meio de empréstimos; digamos que os juros reais sejam de 3% (no momento eles são muito mais baixos do que isto.) No longo prazo, o impacto da austeridade sobre a posição fiscal será uma redução de 0,0195% do PIB no pagamento dos juros reais.

Espere: e se houver efeitos negativos de longo prazo decorrentes de um declínio mais profundo na economia? O artigo do WSJ mostrou um exemplo: trabalhadores excluídos permanentemente da força de trabalho. Há também o efeito negativo de uma economia em depressão que incide sobre o investimento privado. Temos os talentos desperdiçados porque os jovens têm suas carreiras prejudicadas pelo resto da vida. E assim por diante. E aí é que está o problema: se a economia se mostrar mais fraca no longo prazo, isso significa uma arrecadação menor, o que anula a quantia poupada pela austeridade inicial.

Qual deve ser a dimensão destes efeitos negativos para que a austeridade seja transformada numa perda líquida para o equilíbrio orçamentário? Não precisa ser grande demais. No meu exemplo, a quantia poupada no pagamento de juros reais proporcionada por medidas de austeridade equivalentes a 1% do PIB é inferior a 0,2% do PIB; se a proporção do PIB convertida em arrecadação for de 25%, isto significa que uma redução adicional no PIB da ordem de 0,8% seria suficiente para anular os supostos benefícios fiscais. Não é nada difícil imaginar a ocorrência de algo do tipo.

Em resumo, é fácil perceber que implementar medidas de austeridade agora é uma má ideia, não apenas por causa do seu impacto sobre a economia e os desempregados; pode ser que isso fracasse até na tentativa de ajudar a equilibrar o orçamento.

É importante perceber que não estou dizendo que os gastos governamentais sempre valem a pena, e nem que poupar dinheiro seja necessariamente contraproducente. Os efeitos que analisamos condizem com uma situação de armadilha de liquidez. Mas é esta a situação em que nos encontramos.
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quarta-feira, janeiro 20, 2010

Krugman: Reforma deve impedir ruína do sistema financeiro



Economia

Vermelho - 8 de Janeiro de 2010 - 14h32

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A reforma no sistema de saúde é quase (bata na madeira) um negócio fechado. Próximo passo: consertar o sistema financeiro. Escreverei muito sobre a reforma financeira nas próximas semanas. Deixem-me começar fazendo uma pergunta básica: o que os reformadores devem tentar concretizar?

Por Paul Krugman, do The New York Times, na Terra Magazine

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Houve muito debate público sobre proteger os tomadores de empréstimos. De fato, uma nova Agência de Proteção Financeira ao Consumidor para ajudar a acabar com as enganosas práticas de empréstimos é uma boa idéia. E a melhor proteção para o consumidor pode ter limitado o tamanho total da bolha imobiliária.
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Mas a proteção ao consumidor, mesmo que tenha bloqueado muitos empréstimos "subprime" (de alto risco), não teria evitado o acentuado aumento das taxas de delinquência nas hipotecas básicas convencionais. E certamente não teria evitado o crescimento repentino monstruoso e o colapso do setor imobiliário.
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A reforma, em outras palavras, provavelmente não possa evitar maus empréstimos ou bolhas. Mas pode fazer um grande negócio para assegurar que, ao explodir, as bolhas não façam o sistema financeiro ruir.
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Lembre-se de que a implosão da bolha das ações na década de 1990, apesar de imoral - os investidores americanos levaram um golpe de US$ 5 trilhões -, não provocou uma crise financeira. Então, o que foi diferente em relação à bolha imobiliária que se seguiu?
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A resposta rápida é que, se a bolha das ações criou um grande risco, esse risco foi razoavelmente pulverizado pela economia. Os riscos criados pela bolha imobiliária, ao contrário, foram fortemente concentrados no setor financeiro. Em consequência, o colapso da bolha imobiliária ameaçou arrasar os bancos do país. E os bancos desempenham um papel especial na economia. Se não funcionam, as engrenagens do comércio como um todo param sistematicamente.
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Por que os banqueiros assumiram tanto risco? Porque era de seu próprio interesse. Ao aumentar sua alavancagem financeira - ou seja, ao fazer investimentos arriscados com dinheiro emprestado -, os bancos puderam aumentar seus lucros de curto prazo. E esses lucros de curto prazo, por sua vez, refletiam-se em imensos bônus pessoais. Se a concentração do risco no setor bancário aumentou o perigo de uma crise financeira generalizada, bem, esse não foi o problema dos banqueiros.
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Esse conflito de interesses, é claro, é a razão pela qual temos regulações para os bancos. Mas, nos anos anteriores à crise, as regras foram relaxadas - e, o mais importante, os reguladores fracassaram na ampliação de regras para cobrir o crescente sistema bancário paralelo, representado por instituições como o Lehman Brothers, que desempenhavam funções semelhantes às dos bancos, ainda que não oferecessem serviços convencionais.
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O resultado foi uma indústria financeira enormemente lucrativa enquanto os preços dos imóveis estavam em alta - estimativas financeiras apontaram mais de um terço dos lucros totais dos Estados Unidos enquanto a bolha esteve inflada -, mas que ficou à beira do colapso assim que a bolha explodiu. Isso exigiu ajuda governamental em enorme escala e a promessa de ainda mais ajuda, se necessário, para retirar o setor financeiro do precipício.
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E aqui está a questão principal: como a ajuda veio com poucas amarras - em especial, nenhum dos bancos mais importantes foi nacionalizado, embora alguns, obviamente, não tivessem sobrevivido sem o auxílio do governo -, há todo incentivo para que os banqueiros repitam a performance. Finalmente, agora está claro que eles vivem em um mundo de "cara ou coroa" onde eles ganham e os contribuintes perdem.
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O teste para a reforma, então, é se reduzirá ou não o estímulo aos banqueiros e a habilidade de continuarem concentrando riscos.
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Transparência é parte da resposta. Antes da crise, dificilmente alguém se daria conta do tamanho do risco que os bancos estavam assumindo. Mais divulgação de informações, especialmente com relação aos complexos derivativos financeiros, evidentemente ajudaria.
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Além disso, um aspecto importante da reforma seria impor novas regras para limitar a alavancagem dos bancos. Irei me aprofundar na legislação proposta nas colunas futuras, mas aqui vai o que posso dizer sobre o projeto de reforma financeira que a Câmara aprovou - sem nenhum voto dos republicanos - no mês passado: seus limites para a alavancagem parecem razoáveis. Não muito grandes, mas razoáveis. Porém, seria muito fácil que essas regras enfraquecessem a ponto de não darem conta da tarefa. Uns poucos ajustes nas entrelinhas, e os bancos estariam livres para jogar o mesmo jogo novamente.
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E a reforma realmente deve confrontar as práticas de compensação do setor financeiro. Se o Congresso não pode coibir legalmente as recompensas financeiras para a tomada excessiva de risco, pode ao menos tentar taxá-las.
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Deixem-me finalizar com um recado político. A principal razão para a reforma é servir ao país. Se não tivermos uma grande reforma do setor financeiro agora, estaremos assentando os alicerces para a próxima crise. Mas há também razões políticas para agir. Pois existe uma fúria populista sendo construída neste país, e o tratamento cauteloso dos banqueiros por parte do presidente Obama colocou os democratas do lado errado dessa fúria. Se os democratas do Congresso não adotarem uma linha dura com os bancos nos próximos meses, pagarão um alto preço em novembro.
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Paul Krugman é economista, professor da Universidade de Princeton e colunista do The New York Times. Ganhou o prêmio Nobel de economia de 2008. Artigo distribuído pelo New York Times News Service.

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Paul Krugman: Aquele sentimento de 1937 pode voltar

Economia

Vermelho - 5 de Janeiro de 2010 - 13h24

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Eis o que está vindo por aí nas notícias econômicas: O próximo relatório sobre emprego pode mostrar que a economia está criando postos de trabalho pela primeira vez em dois anos. O próximo relatório do Produto Interno Bruto (PIB) deve apontar um crescimento sólido no final de 2009. 

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Por Paul Krugman, do The New York Times, na Terra Magazine
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Haverá comentários otimistas - e os apelos que já estamos ouvindo por um fim ao estímulo econômico, pela reversão dos passos que o governo e o Fed (Banco Central norte-americano) estão tomando para impulsionar a economia, vão se tornar ainda maiores.
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Mas, se esses apelos forem considerados, estaremos repetindo o grande equívoco de 1937, quando o Fed e a administração Roosevelt decidiram que a Grande Depressão havia acabado e que já era hora de a economia jogar fora suas muletas. Os gastos foram cortados, a política monetária foi apertada, e a economia imediatamente mergulhou de novo nas profundezas.
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Isso não deveria estar acontecendo. Tanto Ben Bernanke, o presidente do Fed, quanto Christina Romer, que lidera o Conselho de Assessores Econômicos do presidente Barack Obama, são estudiosos da Grande Depressão. Cristina foi explicitamente alertada contra a possibilidade de reeditar os acontecimentos de 1937. Porém, aqueles que lembram o passado ainda assim o repetem algumas vezes.
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Quando você ler as notícias econômicas, será importante lembrar, em primeiro lugar, que blips de crescimento - números positivos ocasionais, que não significam nada - são comuns mesmo quando a economia está, de fato, atolada em uma recessão prolongada. No início de 2002, por exemplo, os relatórios iniciais mostraram que a economia crescia a uma taxa anual de 5,8%. Mas a taxa de desemprego se manteve em alta por mais um ano.
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E, no início de 1996, relatórios preliminares mostraram que a economia japonesa crescia a uma taxa anual de mais de 12%, o que levou a declarações triunfantes de que "a economia finalmente entrou em uma fase de recuperação autoimpulsionada". Na verdade, o Japão estava apenas no meio do caminho de uma década perdida.
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Esses blips são frequentes, em parte, são ilusões estatísticas. Porém - o mais importante -, eles são normalmente causados pela venda de produção estocada. Quando a economia está em declínio, as empresas tipicamente se vêem com enormes estoques de produtos não vendidos. Para desovar esses estoques, elas reduzem a produção; assim que se desfazem do excesso, voltam a elevar a produção, o que aparece como um surto de crescimento do PIB. Infelizmente, o crescimento causado por esse ajuste de estoques só ocorre uma vez, menos que dê respaldo às fontes de demanda, como os gastos dos consumidores e o investimento de longo prazo.
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O que nos leva aos ainda amargos fundamentos da situação econômica.
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Durante os bons anos da década passada, o crescimento foi impulsionado por um boom imobiliário e por uma explosão de gastos dos consumidores. Nenhum dos dois fatores ocorrerá novamente. Não poderá haver um novo boom imobiliário enquanto a nação ainda estiver cheia por casas vazias e apartamentos deixados pelo boom anterior, e os consumidores - que estão US$ 11 trilhões mais pobres do que antes - não estão em posição de retomar os antigos hábitos de "compre agora, poupe jamais".
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O que nos resta? Um boom nos investimentos seria realmente útil neste momento. Mas é difícil visualizar de onde viria: a indústria está nadando em excesso de capacidade, e os aluguéis comerciais enfrentam uma enorme oferta de espaços para unidades de negócios.
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As exportações podem ser a salvação? Por um tempo, o déficit comercial em queda dos Estados Unidos ajudou a amortecer o colapso da economia. Mas o déficit está crescendo novamente, em parte porque a China e outros países superavitários se recusam a acomodar suas moedas.
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Por isso, provavelmente, qualquer notícia econômica positiva que você ouvir no futuro próximo será um blip, não uma indicação de que estamos no caminho da recuperação sustentada. Mas será que os responsáveis pela política interpretarão mal as notícias e repetirão os erros de 1937? Na verdade, eles já estão repetindo.
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Espera-se que o estímulo fiscal do presidente Obama tenha um efeito de pico sobre o PIB e o emprego por volta da metade deste ano e, depois, comece a arrefecer. Ainda é muito cedo. Por que retirar o apoio financeiro diante da contínua massa de desempregados? O Congresso deveria ter colocado em prática uma segunda etapa de estímulo há meses atrás, quando se tornou claro que a recessão seria mais profunda e longa do que o previsto inicialmente. Porém, nada foi feito - e os números positivos ilusórios que estamos prestes a ver provavelmente frustrarão qualquer possibilidade de ação.
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Enquanto isso, todo o discurso no Fed é sobre a necessidade de uma "saída estratégica" a partir de seus esforços de apoio à economia. Um desses esforços, a compra de títulos de dívida de longo-prazo do governo dos Estados Unidos, já chegou a um final. Também se espera que as aquisições de títulos lastreados em hipotecas terminem dentro de poucos meses. Isso significa um aperto monetário, mesmo que o Fed não aumente as taxas de juros diretamente - e há uma enorme pressão sobre Bernanke para que faça isso.
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O Fed entenderá - antes que seja tarde - que a tarefa de lutar contra a recessão ainda não terminou? O Congresso se dará conta disso? Caso não, 2010 será um ano que terá começado com falsas esperanças econômicas e terminado em aflição.
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Paul Krugman é economista, professor da Universidade de Princeton e colunista do The New York Times. Ganhou o prêmio Nobel de economia de 2008. Artigo distribuído pelo New York Times News Service.

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sexta-feira, julho 24, 2009

The Economist: teoria econômica na berlinda



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A crise internacional colocou em cheque aspectos importantes da teoria econômica. A última The Economist assume que, dentre todas as bolhas, poucas explodiram de forma tão espetacular quanto a reputação da própria economia.

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Por Luciana Seabra, no blog Economia Clara



Segundo o artigo, a nova situação contrasta com a de poucos anos atrás, quando a Economia era aclamada como modo de explicar cada vez mais formas do comportamento humano. Os economistas tornaram-se mais confiáveis do que os políticos.

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O texto cita Paul Krugman, vencedor do Prêmio Nobel de 2008, segundo quem a maior parte dos últimos 30 anos de Macroeconomia foi inútil, na melhor das hipóteses, e prejudicial, na pior delas.

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Duas áreas de conhecimento são colocadas em questão: a Macroeconomia e a Economia Financeira. Os economistas financeiros formalizavam teorias de eficiência, defendiam que os mercados tratavam de se regular e que as inovações eram sempre benéficas. Os macroeconomistas teriam sido complacentes.

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Houve sim advertências, lembra o artigo, e avanços no campo da Economia Comportamental, por exemplo. Esses insights da academia, entretanto, ficavam à margem. Ou seja: havia pouquíssimas vozes gritando para parar.

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Agora, defende o texto, é preciso que macroeconomistas entendam as finanças e que os profissionais das finanças pensem sobre o contexto em que os mercados funcionam. É preciso lembrar que economistas são cientistas sociais, tentando entender o mundo real.

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O artigo procura preservar um pouco a teoria. Considera que o descrédito não pode ir longe demais e que muito do conhecimento acumulado não tem qualquer ligação com a crise. Termino com um trecho interessante, aqui em tradução livre: “Economia é menos um credo servil do que um prisma através do qual entender o mundo”.
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in Vermelho - 23 DE JULHO DE 2009 - 15h46

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