A Internacional

__ dementesim . . Do rio que tudo arrasta se diz que é violento Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem. . _____ . Quem luta pelo comunismo Deve saber lutar e não lutar, Dizer a verdade e não dizer a verdade, Prestar serviços e recusar serviços, Ter fé e não ter fé, Expor-se ao perigo e evitá-lo, Ser reconhecido e não ser reconhecido. Quem luta pelo comunismo . . Só tem uma verdade: A de lutar pelo comunismo. . . Bertold Brecht
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segunda-feira, maio 02, 2011

Três feridos em incidentes no 1º de Maio em Setúbal



Ontem

Confrontos entre um grupo anarquista e forças de segurança no Largo da Fonte Nova, em Setúbal, resultaram em três feridos e várias pessoas identificadas pela PSP, disseram fontes policiais e do Hospital São Bernardo. 
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O grupo constituído por alguma dezenas de anarquistas, que trajavam de negro, seguiu de perto o tradicional desfile do 1.º de Maio da União de Sindicatos de Setúbal (USS), afeta à GGTP, que partiu da Praça de Quebedo em direcção à avenida Luísa Todi, mas, segundo fonte sindical, não se registaram incidentes.
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Segundo a mesma fonte, a partir de determinada altura os anarquistas acabaram por seguir outro percurso, em direcção ao Largo da Fonte Nova. 
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Fonte policial adiantou que os incidentes terão começado quando as forças policiais chegaram ao local e foram recebidas com o arremesso de vários objectos, depois de terem sido alertadas por populares para o barulho e para alguns comportamentos menos próprios dos anarquistas.
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"Os elementos da PSP tiveram de efectuar alguns disparos de shot-gun", confirmou à Lusa um porta-voz da corporação, admitindo a possibilidade de haver alguns feridos ligeiros.
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O Gabinete de Comunicação do Hospital São Bernardo confirmou à Lusa que deram entrada no serviço de urgência três pessoas que terão sofrido alguns ferimentos ligeiros, alegadamente nos incidentes que ocorreram na Fonte Nova, mas adiantou que já todos tiveram alta.
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Contactado pela Lusa, um dos participantes no que classificou como uma "manifestação anti-capitalista" e que pediu o anonimato, disse que no final do protesto, "chegou um carro de patrulha da polícia que pediu para baixar [o som] da música que vinha da mala de um carro e pediu identificação a algumas pessoas que não se quiseram identificar".
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Entretanto, prosseguiu, "chegou um carro da polícia de intervenção" ao Largo da Fonte Nova. "Tinham armas de balas de borracha e armas reais, gás pimenta e cassetetes", tendo a polícia e os manifestantes entrado em confrontos. 
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"Foi um cenário desmesurado para o que se estava a passar", concluiu.
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EPHEMERA

Biblioteca e arquivo de José Pacheco Pereira

Publicado por: JPP | 29/04/2011

1º DE MAIO ANTI-CAPITALISTA ANTI-AUTORITÁRIO (SETÚBAL, 1 DE MAIO DE 2011)



Setúbal:Convocatória 1º de Maio 2011- Manifestação Anti-capitalista e Anti-autoritária

2011-05-01 13:00
Todos a Setúbal no 1º de Maio 2011, pelas 13:00 no Largo da Misericórdia.
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Chamada à recuperação da tradição combativa e anti-autoritária do “dia do trabalhador”::
{Chamada a uma mobilização geral}
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Desde o grupo de pessoas que compõem o recém formado colectivo anarquista *Terra Livre* de Setúbal queremos convocar uma manifestação de indivíduos, grupos, colectivos, espaços ou sindicatos apartidários, anti-autoritários, anti-políticos ou autónomos para o Domingo 1º de Maio de 2011.
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Desejamos fazer desta data um marco de mobilização não controlada por nenhuma força partidária, por nehuma central sindical , ou qualquer força de repressão e controlo do Estado.
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Desejamos recuperar o seu carácter de mobilização geral de trabalhadores, desempregados, estudantes e de todos quantos anseiam por uma sociedade nova, livre de violência capitalista, jogos partidários e repressão estatal.
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{1º de Maio de 1886}
Em Chicago, EUA, as mobilizações operárias são violentamente atacadas pela polícia, seguranças privados e mercenários nas mãos dos ricos. Ao fogo tirano responde o fogo dos revolucionários. Caem corpos no chão dos dois lados da barricada.
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Uma dezena de anarquistas são presos, condenados e injustamente assassinados: não interessava a verdade, mas sim o exemplo e a instauração de um clima de terror e medo entre o povo.
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O efeito foi contrário: desse dia em diante, por todo o mundo, milhões de pessoas se levantam em solidariedade com esses anarquistas presos, propondo-se a resgatar da prisão essas sementes de dignidade humana. E dos corpos desses anarquistas cravejados das balas do poder e da infâmia, brotaram as raízes do assalto colectivo às cúpulas, para tentar trazer a (des)ordem capitalista aos seus joelhos e finalmente decapitá-la.
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Até aos dias de hoje houve algumas vitórias, muitas derrotas e demasiadas traições... mas não houve um momento de descanso. A violência do Estado e dos patrões mudou bastante, perdendo a sua “simplicidade” enquanto refinava as suas tácticas, adquirindo tecnologia de ponta e requintes repugnantes de crueldade e maquiavelismo. Pelo contrário, as condições laborais / sociais/ económicas têm andado para trás, estando hoje pouco ou nada melhor do que no inicio do século passado, apesar dos gigantescos avanços tecnológicos e ciêntificos.
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O que podemos aprender desses tempos, recusando qualquer mistificação do passado, é que a solidariedade e a acção colectiva das bases surgem sempre como uma poderosa arma em tempos de guerra suja dos governantes contra os seus governados
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{2011 – Estamos Inquietos }
Há várias posições assumidas, mas dê lá por onde der, um facto é hoje inegável, da Tunísia à China, da Grécia a Portugal: os dias da paz social e apatia inquebrável ficaram para trás. Muitos sabiam que mais tarde ou mais cedo aconteceria, outros foram apanhados de surpresa. Alguns já tinham feito as suas jogadas antecipando-se, mas muitos mais têm agido com a espontaneidade e criatividade que os tempos exigem.
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O que nos causa hoje em dia uma grande inquietação não é simplesmente o facto de vivermos sob o controlo de um poderoso Estado que nos oferece blindados e policias para resolver a nossa fome.
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Não é só o facto de termos de apertar tanto o cinto até que o tenhamos de pôr finalmente à volta do pescoço.
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Nem tão pouco a “crise” desta economia que nos obriga a todos a ser seus fiadores e que no fundo existe desde que o capitalismo é a nossa forma de regime económico.
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Não é só o facto dos direitos laborais serem sinónimos de uma escravatura com menos chicotes, ou da democracia ser a maior ditadura de que há memória.
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O que nos inquieta é saber que é de todos nós que se alimenta este virús chamado capitalismo, e portanto que é também de nós que depende a sua destruição.
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Estamos inquietos e é sem dúvida nenhuma o tempo de sair à rua. Sem líderes nem partidos, sem cúpulas nem dirigentes. Sabendo que assim que levantamos a voz e os braços surgem imediatamente alcateias de instituições, partidos e organizações a quererem controlar os nossos gritos. Sabemos também que independentemente da data, todos os dias são um bom dia para recuperarmos a dignidade que o estado e a ganância de alguns nos foram roubando a todos.
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Portanto, movermo-nos colectivamente a partir da base e de forma autónoma no primeiro dia de Maio é fruto do desejo de nos movermos assim todos os dias! E assim deixarmos para trás a corja de abutres e oportunistas que tentarão anunciar-se como “salvadores da pátria”, tão interessados que estão em chupar o nosso sangue de uma forma mais “justa”, mais “democrática” ou mais “nacionalista”.
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{Porquê Setúbal?...}
Setúbal mantém um espírito rebelde apesar das inúmeras investidas do progresso capitalista e da pobreza. É uma cidade com fortes raízes de lutas libertárias, que nunca deixou de ser território de conflitos sociais. A ideia era propôr Setúbal como local anual para as iniciativas libertárias do 1º de Maio reconhecendo na cidade o potencial para um protesto mais vísivel nas ruas e menos imiscuido na paleta de cores partidarias e institucionais que as grandes mobilizações trazem a Lisboa.
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O objectivo seria termos o espaço para criar uma mobilização autónoma e de base e consideramos que em Lisboa esta tarefa é bem mais difícil, confusa e frustrante; acrescida de toda a perseguição promovida vezes sem conta pelo grupo de ordem da CGTP (cujos abusos não tencionamos tolerar) que coopera e participa das tácticas repressivas da Polícia (para mais tarde fazerem figuras tristes a indignar-se com a “violência policial” quando lhes toca a eles) e que nos atraí com demasiada frequência para um confronto que não é o nosso objectivo.
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O nosso desejo não é, no entanto, criar espaço para que membros de base da cgtp sejam alvos dos nossos insultos já que antes de considerarmos um individuo como “sindicalista” ou “membro da cgtp” considera-lo-emos enquanto individuo. Os nossos insultos ficam guardados para os dirigentes e para as cúpulas.
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Não foi nem nunca será difícil expressar as nossas ideias e a nossa combatividade se em vez de nos focarmos no que há de criticável nas organizações sindicais, nos focarmos nos nossos princípios, métodos e objectivos.
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{E agora... mãos à obra companheiros!}
Queremos pôr esta proposta em discussão. Levem-na aos vossos grupos, colectivos, companheiros, camaradas ou amigos do café. Planeiem, conspirem, discutam e critiquem.

Pelo caminho vão haver um par de reuniões para acertar detalhes, e uma assembleia mais abrangente. Se quiseres participar nas preparações ou tiveres sugestões entra em contacto através do nosso e-mail. Todos poderemos aportar com um pouco para a realização deste projecto e seguramente conseguimos fazer o possível e o impossível. Sempre o conseguimos. Sem estruturas hierárquicas, sem autoridades mesquinhas e sem politiquices.
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Sem nada disso, mas com toda a determinação, respeito, dignidade e combatividade.
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Todos a Setúbal no 1º de Maio 2011, pelas 13:00 no Largo da Misericórdia.



quarta-feira, julho 01, 2009

PCP liga confrontos da Bela Vista à crise



Jerónimo de Sousa defende luta contra discriminações sociais

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O secretário-geral do PCP considera que os confrontos no bairro da Bela Vista, em Setúbal, estão directamente ligados à crise económica e social que se vive no país.

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«Podem mobilizar esquadrões de polícia inteiros que não resolvem o problema. Ninguém pense que resolvemos o problema de uma forma meramente repressiva. Primeiro tem que se resolver a situação económica e social e as discriminações sociais» disse aos jornalistas, no final de um almoço da CDU, em Matosinhos.

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Para Jerónimo de Sousa, estes incidentes não são «um caso de polícia»: «Isto é um problema social de fundo, que resulta do agravamento da situação social e da indiferença que este Governo está a ter. É histórico que sempre que há crise social aumenta a violência e criminalidade.»

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Em relação aos insultos e agressões a Vital Moreira no 1 de Maio, o secretário-geral do PCP pediu aos militantes «serenidade democrática» para «não cederem a provocações».

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«Alerto para que não embarquem em provocações, há situações de conflito que devem ser evitadas», alertou.

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«Basta pensar a quem serviram os incidentes do 1º de Maio, quem passou a ter assunto, dizendo Já tenho a minha Marinha Grande», recordou, usando as palavras do próprio Vital Moreira.

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Questionado acerca da intenção do Governo de reduzir a quota de imigrantes, o líder comunista considerou esta «uma concepção inquietante em relação aos imigrantes».

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«Oxalá os emigrantes portugueses não comam por tabela desta concepção em relação à imigração que começa a haver em certos sectores», comentou.
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in IOL Portugal Diário - 09-05-2009 - 17:03h
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segunda-feira, abril 14, 2008

Bardot vale mais que Bruni

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clicar na imagem para aumentar
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* Sabrina Hassanali com agências
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in Correio da Manhã - 12 Abril 2008 - 00.30h
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segunda-feira, outubro 15, 2007

Profissões em vias de extinção - Alfaiate


Alfaiate Adelino Rodrigues
Faz fardas para a Polícia Municipal há 36 anos
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* Ângela Lopes
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Faz 71 anos em Novembro mas continua activo. Adelino Rodrigues é o alfaiate que desde 1971 faz as fardas para os agentes e comandantes da Polícia Municipal (PM) de Lisboa. Ainda há duas semanas teve de adaptar as vestimentas dos 150 elementos que vieram da PSP para a PM. Esteve para abandonar a “casa”, como a apelida, pelo menos duas vezes, mas o “amor à camisola” e à gente que lhe fala ao coração, como diz, fez com que fosse ficando. Já lá vão 36 anos de histórias para contar.
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Quando chegou à PM já tinha feito fardas para chefes, graduados e comandantes da PSP, onde foi agente da Brigada de Minas e Armadilhas convite do comandante Saldanha porque podia fazer o que realmente gostava, e para fugir aos explosivos”, conta ao Correio da Manhã.

Anos antes, em 1965, Adelino viveu uma experiência assustadora e que o fez pensar como era perigoso trabalhar naquela brigada da PSP. O alfaiate estava nesse dia com uns colegas da PSP a fazer uma instrução com material de guerra. O objectivo era fazer uma bomba com uma bateria e com detonadores eléctricos. “Quando se fazia a exemplificação, aquilo explodiu. Um colega foi projectado e eu atirado para um canto. Fiquei com os estilhaços no braço esquerdo para o resto da vida”, recorda Adelino.

A adaptação não foi fácil apesar de adorar fazer fardas e de vestir agentes e comandantes com a maior perfeição e rigor. Mas era um ofício solidário e Adelino estava habituado a trabalhar com muitas pessoas. De todos os que por ali passaram só tem elogios a fazer e agradece por o terem ajudado na fase difícil que passou com a morte dos pais. Mas se há homem que não esquece é o “comandante Luz de Almeida que chegou à PM em 1973 e mudou a imagem e auto-estima” da instituição. “Nunca mais me esqueço dele. E de que, quando cheguei à PM, eram apenas 150 homens, hoje já passam dos 500”, lembra.

Os nervos eram muitos e mais ainda no dia em que o comandante Luz Almeida lhe pediu que fizesse uma farda de Pai Natal para a festa da PM. Adelino nunca tinha feito nada do género, mas não o deixou ficar mal. “Ele era muito exigente, bastava ter um centímetro a mais ou a menos e ele notava logo”, conta ao CM. Foi fazendo fardas, aplicando fitas em chapéus até ter um AVC que lhe afectou a visão. Hoje continua a ser o alfaiate de serviço, mas em regime de part-time.

DIFICULDADES NUNCA FORAM OBSTÁCULO

A família de Adelino vivia com bastantes dificuldades económicas. E foi isso que o fez ter vontade de singrar na vida. “A minha vida foi sempre difícil. Para completar a 4.ª classe fazia sete quilómetros a pé todos os dias numa estrada de altos e baixos”, recorda Adelino. Aos 13 anos, os estudos deram lugar aos trabalhos pesados. Para ajudar a aumentar os rendimentos da família, trabalhava de sol a sol numa incineradora onde, com mais dois miúdos, carregava sacos de cimento com 150 quilos. Mais tarde, a viver em Benavente, ia às compras descalço a Vila Franca de Xira. Aos tios, que acabaram por falecer na sua casa, deve-lhes tudo. “Foram os meus pais e eles que me arranjaram o meu primeiro trabalho como alfaiate”, conta. Os pais morreram já ele estava na PM, foi mais um abanão que a vida lhe deu. No final dos anos 90, a saúde pregou-lhe uma partida. Sofreu um AVC que lhe afectou a visão. Mas nem isso o fez desistir de ser o alfaiate da PM.

PORMENORES

ENSINO ESPANHOL

Aprendeu toda a arte da alfaiataria com a experiência que adquiriu nos vários sítios por onde passou ao longo da carreira de alfaiate. Mas foi graças a uma revista espanhola datada de 1969, que ainda hoje guarda religiosamente, que aprendeu a fazer cortes e provas e viu como podia expandir os seus conhecimentos.

DETESTA FAZER SAIAS

Calças, fraques, casacos com pinças e até smokings. Adelino fez de tudo mas nunca gostou de fazer saias. “Ainda cheguei a fazer algumas mas sempre achei que isso é trabalho para as costureiras”, conta ao CM.

O PRIMEIRO NA FAMÍLIA

Adelino nunca pensou ser alfaiate, até porque na família ninguém trabalhava na área. Cansado de fazer trabalho pesado em incineradoras e nas ceifas do campo de Benavente mudou de rumo e arriscou iniciar carreira como alfaiate.

FEZ A PRÓPRIA FARDA

Era agente da PSP quando pediu autorização ao comandante para fazer a sua própria farda. “Fi-la e apresentei-me. Chefes e comandantes elogiaram-me. Comecei a ter clientes”, conta.

PERFIL

Nasceu em Pedrógão Grande, terra que o orgulha, e foi lá que começou a ter os primeiros clientes como alfaiate. Casado com Alberta Rosa, há mais de 30 anos, Adelino é pai de um rapaz e de uma rapariga. Aos 16 anos estreou-se como alfaiate, pouco depois já trabalhava numa casa lisboeta onde ganhava 28 escudos por mês. Foi agente da PSP na Brigada de Minas e Armadilhas nos anos 60, enquanto geria uma alfaiataria ao mesmo tempo.

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in Correio da Manhã 2007.10.08
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foto mariline alves - alfaiate adelinino rodrigues
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Desde 1971 que Adelino Rodrigues, 70 anos, veste os agentes e comandantes da PM. Na foto, onde se vêem fardas antigas e peças de roupa por arranjar, o alfaiate mostra como em pouco tempo se colocam as inconfundíveis fitas nos chapéus

terça-feira, junho 12, 2007


Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas & etc. (2)

* Victor Nogueira

1. Sei que houve muitas bandas a tocarem, sei que houve marchas populares, mas a nada disso liguei. Depois da abertura de trânsito e do lanche, resolvemos ir ao Parque das Escolas (ou Largo José Afonso) ver o que se passava, Para além de música popularucha, sem ofensa, estavam expostos vários veículos dos diversos ramos das Forças Armadas, com bastante povo a entrar e sair deles, com especial relevo para um carro de assalto, onde um miúdo se entretinha a «matar» com rajadas de metralhadora tudo quanto lhe aparecia no visor, e um caça, com uma enorme multidão em fila ordeira para experimentar a sensação de sentar o traseiro na carlinga do avião «carregado» com três tipos de bombas ou mísseis em cada asa.
2. Menos curiosidades despertaram os veículos da Polícia ou do INEM. Delicioso delicioso foi ver um painel «orgulhoso» da Marinha anotando os pontos em que estão ou estiveram em «missão de paz», como a Bósnia ou Kosovo, Timor e outros, Enfim ...
3. Voltando à imprensa, verifica-se no Correio de Setúbal 2007.Junho.11. que, enquanto milhares de pessoas assobiavam Lino ou Sócrates, só DUZENTAS pessoas se manifestavam frente ao Hospital de S. Bernardo contra o encerramento do SADU. Assim se distrai o pagode do que é verdadeiramente importante e se poupa o mefistofélico Ministro da Saúde Correia de Campos, empenhado numa batalha pela destruição do Serviço Nacional de Saúde, criado na sequência do 25 de Abril, e sua privatização, fruto da chamada «cooperação estratégica» entre o Governo PS/Sócrates e o Presidente da Republica, que foi 1º Ministro e Líder do PSD.
4. Isto era para ser uma crónica bem humorada, mas fugiu-me o dedilhar para o sério. Paciência! É a vida !.
Uma nota – muita gente critica a Câmara de maioria relativa CDU (PCP+Verdes) de não ter dinheiro e gastar milhões com as «Comemorações», desconhecendo ou não querendo saber que a maioria das despesas foram suportadas pelo Governo PS/Sócrates e pela Presidência da República, sem esquecer os empresários.
6. Como não consigo encontrar o texto integral da moção de «apoio» e congratulação pela figura incontornável da democracia em Portugal, sobre isto talvez volte a falar. É que me faz espécie que tenha sido aprovada por unanimidade numa sessão da Câmara Municipal de Setúbal.
7. E pronto, em princípio dou por encerradas as «comemorações» e «festividades»

PS - Também houve Cultura. Para aém das Marchas Populares inaugurou-se um Memorial a Sebastião da Gama em Vila Nova de Azeitão, onde já havia uma Biblioteca-Museu a ele dedicada e puseram-se flores na estátua do Bocage, em Setúbal. Já agora, também tenho um livro de Sebastião da Gama, autografado e com dedicatória que ele ofereceu à minha tia avó Esperança, numas férias que esta passou no Portinho da Arrábida. E foi também inaugurada uma exposição sobre os Emigrantes, na sede da Associação dos Empresários de Setúbal, que funciona no edifício da antiga filial do Banco de Portugal (que era vermelho tijolo e por causa das Comemorações foi pintado duma cor clara e fantasmagórica). Esqueceram-se da Luísa Todi e do Zeca Afonso, mas caramba, também não sejamos exagerados, se não talvez a «música» desafinasse. A não ser que o material bélico exposto no Largo das Escolas (que raio não pega o nome de Largo José Afonso) fosse uma «homenagem ao cantor da Terra da Fraternidade e da Cidade Sem Muros nem Ameias !

Leram-se bocados dos Lusíadas (gosto mais dos sonetos) e deu-se início à manuscrita dos Lusíadas. Eu cá achava mais útil que se oferece-se a todos os portugueses e portuguesas um exemplar do livro «A Verdade e a Mentira na Revolução de Abril - A contra-revolução confessa-se». Não, não é um livro escrito por Camões mas sim por um tal Álvaro Cunhal, que acho que também não morreu rico.

VN


Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas & etc. (1)

Victor Nogueira

1. O Correio de Setúbal de 2007.06.05 dava conta do programa das comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. Bem, um título demasiado vasto para 24 horas, mesmo incluindo as 8 diárias recomendadas para um sono nem sempre retemperador.

2. Anteriormente, no tempo do Fascismo, era simplesmente o Dia da Raça, o que era um duplo contra-senso:
a) Primeiro o regime Fascista proclamava que Portugal era um País Multirracial, do Minho a Timor, embora constituído por povos civilizados (os brancos e a minoria dos «assimilados») e por povos «primitivos», que deviam ser arrancados às trevas do «primitivismo», da «selvajaria» e do «paganismo»
b) Os portugueses do Continente são uma mistura dos vários povos que nele viveram, desde os primitivos iberos, passando por celtas, romanos, suevos, vândalos, alanos, visigodos, árabes, negros(a maioria escravos) e «amarelos», entre outros.

3. Bem, mas deixando estas divagações, e voltando ao Correio de Setúbal, este, na sua página 5 dava conta dos «condicionamentos à circulação e estacionamento», que nalguns se iniciaram logo na 5ª feira, dia sete. Toda a zona entre o antigo Quartel do 11 e o Mercado Livramento e o Jardim da Beira-Mar (mais correctamente – Beira-Rio) e a faixa Sul da Avenida Luísa Todi ficaram interditas à circulação e ao estacionamento automóveis. Em termos práticos, também a circulação de peões foi condicionada, bem como o acesso ao cais dos Ferry-boats , ao Mercado do Livramento e à Marina Atlântica. É obra! É quase uma espécie de Estado de Sítio para umas Comemorações «festivas», «pacíficas», em «Democracia» e «Liberdade, Registe-se que a área condicionada pertence à Administração do Porto de Setúbal, dependente não da Câmara mas do Governo PS/Sócrates.

4. E com destaque, em baixo e à direita da mesma página, noticia-se «Utentes em protesto contra o fecho do SADU», no Hospital Distrital de Setúbal, e que já havia sido objecto duma «moção» de desaprovação e rejeição UNÂNIME de todas as forças políticas representadas na Câmara de Setúbal (PCP, Verdes, PS e PSD)

5. No dia 9 de Junho à tarde combinámos encontrarmo-nos eu e a minha mãe (com dificuldade de mobilidade), as minhas tias e os meus filhos no Largo da Misericórdia, para lancharmos. Todos os caminhos estavam vedados, excepto o acesso à Avenida Luísa Todi pelo Sul e pelo viaduto das Fontainhas.

6. O meu carro e o das minhas tias ainda conseguiram passar, mas foram logo pela Polícia obrigados a parar e estacionar, por razões que na altura não entendi. Entretanto, junto ao antigo Quartel do 11, os carros estavam parados, impedidos de avançar. Eis senão quando surge uma caterva de veículos pretos de alta cilindrada precedidos pelas motas da GNR, em alta velocidade, indiferente ao pouco povoléu obrigado a parar, o que me permitiu distinguir a traseira dum carro cuja matrícula era PR.

7. Entretanto os Asas de Portugal faziam acrobacias no céu, desenhando um coração. Passado o «cortejo» o trânsito foi reaberto e seguimos para o Parque das Escolas (que raio, agora é o Largo José Afonso, mas o nome não pegou)

CONTINUA